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Vai estudar, Passos!

por João André, em 05.06.14
 

Já se percebeu que este governo não convive bem com opiniões diferentes. Os manifestos são atacados ad hominem e os dados são desmentidos com mentiras ou fantasias. Por isso mesmo também não percebe bem porque razão outros poderão opôr-se às suas medidas. Há já 3 anos que anda sistematicamente a avançar medidas de "contenção de défice" (as aspas estão ali propositadamente) que são sistematicamente chumbadas pelo Tribunal Constitucional. O TC não existe para fazer política (o que não é o mesmo que dizer que é apolítico), antes existe para fazer cumprir a lei fundamental do país. Por isso, quando esta é conhecida de todos (ou deveria) e quando é estudada (suponho que) a fundo na universidade, querer adoptar medida após medida que com ela chocam é teimosia, estupidez ou cálculo político.

 

De forma clara: o governo não gosta da constituição? Pode propôr a sua revisão. Não gosta da forma como os juízes são escolhidos? Também pode apresentar alternativas. Aquilo que não pode é fazer ataques como este sem ligar às consequências. O TC está previsto nas leis portuguesas (as quais resultam também de legitimidade democrática de forma indirecta) e os juízes são em grande parte escolhidos pelos partidos no parlamento e como tal até têm legitimidade democrática. No entanto as declarações de Passos Coelho demonstram a sua ignorância e profunda falta de inteligência e espírito democrático.

 

Se um tribunal guardião da constituição necessita de alguma legitimidade democrática, não é menos verdade que, uma vez escolhido, tem que ser independente da política. É por isso que os juízes no supremo tribunal dos EUA têm cargos vitalícios após serem aprovados pelo congresso. Isto, contudo, não quer dizer que os juízes, como qualquer pessoa, têm opiniões e visões distintas. Se assim não fosse bastaria ter um computador a debitar resultados. Os juízes devem ser apolíticos, mas isso não os torna acríticos às leis que lhes chegam às mãos.

 

Passos Coelho não entende nada disto. Não entende que a Constituição pode ser mudada mas tem que ser respeitada. Não entende que o TC tem legitimidade democrática a vários níveis. Não entende que os juízes têm direito a ter opiniões e que estas podem ser dierentes da sua. Não entende que os juízes têm que ser independentes do poder político. Não entende, no fundo, as regras democráticas nem o que é um estado de direito. Não as entende porque não tem estudos (mesmo informais) e não os compensa porque não tem inteligência para tal. E não entende nada disto, no fundo, porque ele próprio não tem qualquer independência face aos poderes exteriores a ele. Enquanto isto assim permanecer Portugal não irá mesmo a lado nenhum. Com ou sem austeridade.

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31 comentários

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De Vortex a 05.06.2014 às 11:27

se me for permitido digo que este é um post
post-mortem deste regime da bugiganga
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De João André a 06.06.2014 às 07:51

Não sei se permito, necessito de perguntar ao TC.
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De João Bugalhão a 05.06.2014 às 11:53

O que estou de acordo neste Post, é sobre a mudança constitucional, que há muito devia ter ocorrido, mas como sabe tal não é fácil, senão mesmo impossível. Como sabe essa era uma ambição de Passos Coelho, mas cedo teve que desistir. Que fazer então? Deixo aqui, para reflexão, uma parte das declarações de Medina Carreira. Simplista? Talvez! Mas o país precisa de uma solução, e sobre essa, meu caro João André, nenhuma palavra...


“A Constituição Portuguesa foi elaborada num tempo em que existia o “escudo”, e os escudos eram impressos por cá pelo Banco de Portugal. Hoje a situação é completamente diferente, quem faz os Euros é o Banco Central Europeu. Por isso, qualquer Constituição que não tenha em conta isso faz o Estado andar com pés de barro. Por isso não consigo perceber as decisões dessas pessoas. Quando o Tribunal Constitucional defende o princípio da «Igualdade», igualdade em relação a quê? Igualdade entre funcionários públicos e privados? Então os privados estão aí, a pagar, com 700.000 desempregados! Quantos funcionários públicos foram despedidos? É a mesma coisa que o princípio da «Confiança», confiança em relação a quê? Para nós sustentarmos um certo nível de Pensões e Benefícios, temos que nos endividar! Quer dizer: pomos os actuais velhos a «confiar», mas os mais novos vão ter que pagar as dívidas (e os juros) que se estão a contrair para que eles tenham CONFIANÇA! Por conseguinte, eu confesso, o Tribunal Constitucional, é uma Instituição que se pudesse desaparecer, o país só beneficiaria.”


(Medina Carreira em 2/6/2014, in Programa “Olhos nos olhos” da TVi 24”
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De João André a 06.06.2014 às 07:58

Em relação a Medina Carreira, por princípio não ligo ao que diz ou escreve. É alguém que fala como taxista com pose de doutor como se nunca tivesse tido qualquer responsabilidade na situação que alegremente passa para quem quer que seja que esteja no poder.

Em relação a apresentar soluções, confesso: se eu as tivesse, já teria informado quem quer que se interessasse pela minha opinião. Seja como for posso apontar uma: se Passos Coelho não tentar mudar a constituição, certamente que não o conseguirá. Não é fácil, mas ele prefere ir pelo caminho mais simples: não tentar e simplesmente passar as culpas para o TC. Não me admiraria que fosse essa a estratégia.
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De Costa a 06.06.2014 às 12:50

A responsabilidade de Medina Carreira é proporcionalmente nula, irrelevante, seja pela brevidade do tempo em que lá andou, seja pela característica única desse tempo, seja pela grande responsabilidade, para o melhor e para o pior, do primeiro-ministro sob quem lá andou. Seja pela extraordinária responsabilidade da esquerda do PC e para lá do PC que, fosse este um país a sério, não teria passado incólume e mesmo glorificada. Foram esses quem rebentou a nossa economia, nesses anos inenarráveis do pós-golpe de 25 de Abril de 74.

Hoje, os seus descendentes dilectos cuidam, no parlamento e fora dele, de glorificar esses tempos de destruição, de verdadeira traição à Pátria. Impunes, arrogantes, protegidos.

Quanto a M. Carreira, populista ou não, ele tem razão no que escreve e diz. É uma chatice, mas tem-na. Como a têm os que escrevem e falam precisamente em sentido oposto. O que temos é isto: um país desgraçado e um futuro trágico, onde fatalmente, por um lado ou outro - ou ambos - há que levar gente à pobreza, à desonra, à miséria; e essa gente, muito humanamente, a resistir como pode.

A tempestade perfeita, afinal. Talvez considere ler o que V. Pulido Valente escreve no Público de hoje. Ou talvez por princípio não ligue também ao que ele diga ou escreva.

Costa
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De João André a 06.06.2014 às 13:41

Medina Carreira e o PCP andaram pelo governo na mesma altura. Depois disso o PCP tem responsabilidades enquanto sendo partido parlamentar. Medina Carreira aconselhou uns quantos governos (se lhe ligaram é outra conversa). Se atribui responsabilidades ao PCP tem de as atribuir também a Medina Carreira.

Medina Carreira vai para a televisão e jornais dar opiniões de taxista com o título de professor. Não lhe dou mais crédito que ao taxista da esquina que gostaria de ver Salazar regressado. Diz aquilo que fizer mais barulho e anda à cata do vento mais forte. A opinião dele, para mim, vale zero, tenha ou não razão.

De Pulido Valente não gosto muito porque é um eterno misantropo e pessimista. Se amanhã Deus viesse à Terra com o expresso desejo de tornar Portugal no Paraíso ele escreveria no dia seguinte contra a ditadura divina, apresentaria os malefícios da felicidade pura e queixar-se-ia que já não se pode fumar. Ainda assim tem duas diferenças em relação a Medina Carreira: sabe escrever decentemente e fundamenta as opiniões. Isso faz uma diferença enorme.
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De Costa a 06.06.2014 às 15:02

Você acha curial colocar no mesmo patamar de responsabilidade (o seu texto fundamentalmente equaliza-as) a actuação de um homem que pouco tempo lá andou - e parece virtualmente aflito e impotente; aguardando em ânsias o avião que haveria de chegar da Alemanha carregado de dinheiro - e a actuação de uma entidade que se comportou demorada e reiteradamente como uma impune associação de malfeitores, apostada na ruína da economia e na verdadeira política de terra queimada, com consequências desgraçadamente perenes. Ora isso coloca-nos em posições tão distantes que não antevejo se possam reconciliar ou sequer continuar a debater frutuosamente.

Ainda bem, contudo, que gozamos da liberdade para as manifestar. Se posso ter uma (decerto, em seu entender) opinião populista de taxista salazarento, não me parece que Medina Carreira o impedisse; mas se o PCP tivesse levado a sua avante, algo me diz que não só não o estaríamos aqui a fazer (eu, pelo menos), como a figura do delito de opinião seria por cá algo mais do que o título inteligentemente provocador deste blogue.

Da misantropia e do pessimismo de V. Pulido Valente, diria que uma é questão de personalidade e estilo, basicamente inofensiva e, claro, susceptível de discordância estética e substantiva, e que uma e outra só têm um defeito: o tempo e os homens (os homens que nos pastoreiam há décadas) fundamentam-nas, legitimam-nas. E a esse pessimismo profético, vão-no paulatinamente confirmando.

Nenhum precisa de mim para sua defesa (que nem para tanto tenho capacidade), entenda, mas parece-me que têm ambos um mérito: dizem e escrevem o que muita gente sente. Um mais populista, ou outro mais erudito. Representam uma bem-vinda alternativa - mais não seja pelo desabafo de tanta gente que assim se concretiza -, à descarada, arrogante e ufana língua de pau daqueles que, instalados no tal arco da governação, se dirigem a nós como se de sacrificados mártires da causa pública se tratassem e (mais uma minha tirada salazarista) chegam pobres e rapidamente ficam bem governados.

O que escrevem e dizem, bem mais um que outro, é certo, pode no actual estado de coisas incitar a derivas autoritárias, excitar o tal taxista que invoca Salazar. Pode, de facto, se lido e escutado sem um módico de frieza e racionalidade, por um povo não exactamente ilustrado e crescentemente aflito (um povo a quem, em todo o caso, Pulido Valente decerto passa distantemente ao lado, mais não seja pelo vocabulário empregue e pelas referências históricas; o que não abona a favor do povo). E isso é potencialmente terrível.

Mas de quem é a culpa: do portador da má notícia (já agora, censurem-se o dito e a dita; é prática longe de inédita) que diz que afinal o rei vai nu, ou de quem há décadas vai gerando más notícias e depois se oferece abnegado à eleição popular?

Costa
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De João André a 06.06.2014 às 21:00

Separemos os assuntos, pode ser? Medina Carreira é, para mim, execrável como comentador e, possivelmente, como pessoa. Mas também não posso com a música de Justin Bieber ou Tony Carreira (deve ser do nome) e se aparecer ignoro, tiro o som, desligo ou mudo de estação. Com Medina Carreira faço o mesmo. Se há quem goste, força. Eu continuo a entender que como comentador ele é quase zero.

Depois temos a questão das responsabilidades. Não equiparei ninguém a ninguém. Escrevi simplesmente que, tendo estado ambos no governo, tanto o PCP como Medina Carreira tiveram responsabilidades. Não tiro ilações sobre qual as teve mais, até porque qualquer um deles teve muito menos que o nosso presidente-comentador.

Se se preocupa com o PCP talvez não o devesse fazer. As histórias de comerem criancinhas ao pequeno almoço são velhas que já nem barbas têm. Quando tiveram a oportunidade de tomar o poder (pela força) não o fizeram. Talvez fosse por cálculo político (por saberem que não o conseguiriam) ou talvez fosse por consciência. Seja como for, devemos mais ao PCP a liberdade que temos do que a qualquer outro menino do governo ou comentador dos media.

A Pulido Valente admiro a qualidade da escrita, a qual mantém mesmo quando está ainda mais azedo que o habitual. É virtude que partilha com Pacheco Pereira. Não lhe admiro muito as opiniões, mas a cada um aquilo que prefere.

Engana-se quando escreve que não precisam que os defenda. Pulido Valente certamente que não, mas Medina Carreira bem poderia usar os seus serviços. Ele poderia usar os serviços de qualquer pessoa com pensamentos coerentes, já que os dele são excessivamente caóticos.

Já agora, quando escreve « impune associação de malfeitores, apostada na ruína da economia e na verdadeira política de terra queimada» não está a referir-se ao PCP, pois não? Pessoalmente prefiro ler isso como uma referência ao PS/PSD/CDS, mas até aceito bem que seja ao PS. Já o PCP não pode passar por aqui. Pessoalmente subscrevo a frase, mas dirijo-a quase inteiramente a este governo, que é o pior da democracia portuguesa (e perante a competição é feito de salientar).
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De Costa a 06.06.2014 às 22:51

Uso, uso quanto ao PCP. E nada tem a ver com criancinhas; falamos de coisas bem mais sérias do que desses mitos imbecis. Não devo a minha liberdade a quem defende regimes de partido único. O que uns fazem hoje não me faz esquecer o que outros fizeram e defenderam nos verdes anos pós-revolucionários.

Fizeram, defenderam e disso nunca se retractaram.

Um aborrecido hábito meu, este de pensar pela minha cabeça, sem formatações onde uns serão sempre bons e outros sempre maus.

Costa
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De João André a 07.06.2014 às 10:51

Tenho as minhas sérias dúvidas que pense sempre pela sua própria cabeça. E perveber que pensa que uns são sempre bons e outros sempre maus explica muita coisa desse seu pensamento.

Mas deixemo-nos por aqui. Já percebi que discutir o assunto é uma perda de tempo para os dois. Fique na sua.
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De Costa a 07.06.2014 às 12:55

Fique cada um de nós na sua. Afinal é legítimo que assim seja e é também para isso, e com licença dos seus responsáveis, que existem espaços de discussão como este: concordar, após uma troca de opiniões e fundamentos, que discordamos insanavelmente. E civilizadamente, ainda que com firmeza, se possível.

Estamos felizmente fora de universos onde é bom que só se manifeste uma linha de pensamento, e seja forçoso louvar sempre os mesmos, sob pena da ousadia ser cara.

Já isto que V. agora escreve: "Tenho as minhas sérias dúvidas que pense sempre pela sua própria cabeça. E perveber que pensa que uns são sempre bons e outros sempre maus explica muita coisa desse seu pensamento.", revela duas coisas.

Uma muito comum: a desconsideração intelectual liminar de quem ousa pensar de forma diferente. Reduz-se o outro à estupidez e com isso mata-se o assunto por alegada indignidade intelectual do oponente no debate. A fórmula é consagrada.

Outra: não percebeu o que eu escrevi. Acontece. Mas leia de novo se me fizer o favor e verá que é exactamente o oposto do que sustenta a meu respeito: eu afirmo (e é consigo acreditar ou não, evidentemente, apenas por favor não se fundamente em algo que tem, e parece-me com suficiente clareza, o preciso sentido oposto daquele que lhe aplica) que não considero - repare: não considero - que uns sejam sempre bons e outros sempre maus.

Não sei se adopta também esta atitude de princípio, mas eu procuro (a não ser num bem limitado número de questões de consciência) não ver o mundo a preto e branco; tenho muito poucos dogmas, acontece enganar-me e ocorrem-me frequentemente dúvidas.

Fiquemos então por aqui.

Costa


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De am a 05.06.2014 às 12:13



O TC-ML - decide muito com base nas ditas paridades. Pergunto:

- Quantos funcionários públicos estão a receber o fundo de desemprego?
- Se um qualquer serviço publico está tecnicamente falido e à semelhança com as empresas privadas os funcionários públicos podem ir para o desemprego?

Se um partido politico BE, por exemplo, "amandasse" para TC um pedido de apreciação da Lei que permite aos doutos Juizes, auferir uma "pensãozita" de sete mil euros após 10 anos de efectividade e mais um BMW para cada um dos... treze ????

Havia mais perguntas, fico-me por esta.
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De João André a 06.06.2014 às 08:05

Conheço meia dúzia de desempregados da função pública que de facto não reebem subsídio. Outros que sim, que o recebem. O mesmo para pessoas do privado. Infelizmente conheço, mesmo à distância, demasiada gente desempregada. Não sei exactamente o que quis com a sua pergunta, seja como for, números não tenho.

Não sei exactamente como quer fazer essa comparação (serviço público e empresas privadas), porque, por muito que muita gente que quer vender o país ao desbarato tenta fazer passar, um serviço público não é uma empresa (por exemplo: não tem que se preocupar com lucros). Seja como for, se quer fazer uma comparação faça esta: uma empresa gigante (digamos, mais de 50 ou 100 mil empregados) tem um produto que dá prejuízo e decide acabar com ele. Os seus empregados são habitualmente colocados noutras divisões ou serviços. Raramente são despedidos (uns quantos sê-lo-ão, claro, mas poucos).

Não compreendo qual é a sua terceira pergunta. Quero simplesmente acreditar que decidiriam de acordo com a constituição e tendo em conta alguns aspectos práticos (tal como o fizeram no passado quando deixaram passar pontualmente um corte avisando que o aceitavam a título excepcional).
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De Maria Dulce Fernandes a 05.06.2014 às 12:15

"as declarações de Passos Coelho demonstram a sua ignorância e profunda falta de inteligência e espírito democrático."
Grande afirmação, João André !
Eu ando a dizer o mesmo desde que o Senhor ganhou a liderança do partido... mas fui votar "neles" e penitenciar-me-ei por tal todos os dias da minha vida, assim como o faço ainda por me ter filiado no PS em 1975... foi a ilusão da maioria e da estabilidade...e foi puro ilusionismo, um golpe veloz de mão e arrebanhou-nos o olhar para o lado dele.
Como se dizia em Roma, ele não vale o sal que come...
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De João André a 06.06.2014 às 08:07

É bom ver pessoas que assumem o voto neste governo. Há demasiadas pessoas que o negam. Compreendo perfeitamente que se tenha votado PSD na altura, especialmente quando para um/a potencial votante, a alternativa seria PS ou CDS (dependendo da posição política). Compreendo menos que ainda se queira votar neles hoje (mesmo sendo as alternativas as que são).
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De lucklucky a 05.06.2014 às 14:26

Os Juízes são políticos, não sei como raio alguém pode inventar que os Juízes do TC são apolíticos quando eles próprios inventam "princípios" que não existem na Constituição só para certos períodos convenientes ou quando dizem que se pode não cumprir a Constituição num dado momento.

O Tribunal Constitucional existe principalmente para dizer que normas da Constituição podem ser violadas.
E são violadas alegremente todos os dias. O Código de IRS é um bom exemplo de violação das normas Constitucionais: que diz não discriminação de pessoas devido à sua situação económica. O IRS é um bom exemplo dessa discriminação.

Dig-se de pasagem que é difícil não violar a Constituição pois ela própria viola-se a si mesma determinando coisas contraditórias.


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De João André a 06.06.2014 às 08:12

Os juízes são políticos tal como qualquer pessoas que leia a secção de política de um jornal o seria. São humanos, como tal fazem leituras políticas da constituição, caso contrário, como escrevi, bastaria um computador para tomar decisões.

Não os vejo a inventar princípios que não estejam na constituição, embora possa imaginar que a leitura que cada um dos juízes faz de cada princípio em função do que lhes chega às mãos possa dar variações de votações que dè essa impressão (digamos que 1/3 vota sempre para apoiar um princípio, 1/3 para o ignorar e 1/3 varia o voto - o resultado pode variar muito e dar a impressão que o TC umas vezes apoia o princípio e noutras o ignora).

Seja como for, eu não tenho conhecimentos - formais ou informais - que me permitam discutir a constituição e avaliar as posições constitucionais do TC ou do governo. Se o lucky os tem, melhor para si. Eu só posso escrever que o governo tem que respeitar as instituições que esxistem até ao momento em que as muda. Atacar essas instituições da forma como o faz demonstra que nao tem conhecimentos suficientes dos princípios do estado e da democracia.
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De da Maia a 05.06.2014 às 15:08


A fulanização deste ataque é medíocre, mostrando que em si há um ditadorzinho de Massamá, que só tem como boas opiniões as 100% favoráveis.
Os ditadores a sério encabeçam movimentos revolucionários para mudanças constitucionais e não encenações de musicais de La Féria.
Perdeu uma excelente oportunidade de estar calado.
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De João André a 06.06.2014 às 08:13

Espero que isso fosse em relação a Passos Coelho caro da Maia. Se é dirigido a mim vou ali esconder-me para os lados do Parque Mayer... :)
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De da Maia a 06.06.2014 às 10:14

O dedo inicial esclarecia qualquer ambiguidade seguinte, mas tem razão, por vezes acontece não ficar claro. Um comentário aqui que se resumisse à última frase seria dúbio o suficiente e merecia uma resposta igualmente dúbia.
Do Parque Mayer ficou um Maria Vitória final... ;) e Passos está a colocar-se em cena para se impossibilitar de qualquer Vitória.
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De João André a 06.06.2014 às 12:41

Foi de facto o que compreendi meu caro, mas não resisti a brincar com a ambiguidade. A verdade é que com a minha voz talvez eu fosse manos bem vindo no Parque Mayer que o Passinhos.
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De Carlos Cunha a 05.06.2014 às 20:34

é curiosa a referência do passos ao supreme court dos eua. a gente dá lá uma olhadela com olhos de cá e através dos nomes, raças e religões compreende bem como se chega à actual composição "juridicamente" correcta.
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De João André a 06.06.2014 às 08:15

Quando o poder político escolhe os juízes (lá como cá) a composição acabará políticamente correcta para reflectir os desejos da população. Como escrevi, somos todos humanos, com o que isso de bom e de mau implica.
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De Anónimo a 05.06.2014 às 22:13

Não falta uma vírgula entre «estudar» e «Passos»?
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De João André a 06.06.2014 às 08:15

Terá razão. Até porque Passos seria um curso muito rápido de fazer. Pouca substãncia.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 06.06.2014 às 01:08

Não duvido que Passos Coelho ainda tenha de aprender umas quantas coisas. Mas também não duvido que esta Constituição da Républica que temos, interpretada como a maioria deste Tribunal Constitucional nos tem habituado, há-de pôr este país nos niveis de progresso economico e social do Magrebe.
Com o regresso dos Sócrates boys ao poder, isso vai acontecer mais depressa do que se pensa.
Nessa altura, se calhar temos de nos pôr todos a estudar o que é que nos aconteceu...
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De João André a 06.06.2014 às 08:23

Passos Coelho deveria aprender muita coisa mas duvido que o conseguisse mesmo que estudasse.

O TC não tem uma opinião. É formado por indivíduos de diversos quadrantes que interpretam a constituição de forma diferente. Todos os juízes nomeados politicamente são do "arco governativo". Tenho a certeza que até serão uns quantos completamente a favor de algumas das medidas que o governo quis implementar (deixaram passar no passado medidas que, avisaram, não seriam constitucionais), mas também têm que ler as medidas do governo à luz da constituição. Sendo intelectualmente honestos (como espero que sejam) têm que decidir de acordo com ela.

Em relação à constituição, concordo que é excessivamente complexa e ideológica. No entanto, fosse por vontade deste Governo, e teríamos uma constituição que diria algo do género:
Artigo 1 - o governo decide
Artigo 2 - o governo decidirá
Artigo 3 - não haverá mais nenhum governo
Artigo 4 - acima do governo só a troika
Artigo 5 - acima da troika só Deus (como descrito pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana)
Artigo 6 - acima de Deus só Adam Smith
Artigo 7 - acima de Adam Smith só Friedrich Hayek
Fim.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 06.06.2014 às 09:58

Seria bom que os defensores das razões dos srs juizes do Ratton fossem ler os acordãos de 2010 sobre os cortes na despesa do estado, que o governo Sócrates teve de fazer depois das despesas eleitorais de 2009. Eles podem saber muito, e não serei eu a contrariar isso, mas têm no minimo de aprender a ser coerentes, e não decidir de maneira diversa de acordo com a cor do governo.
Vai ver o caro João André, que quando o futuro 1º ministro Costa tiver de fazer, ainda mais agravados, os cortes que agora não foram feitos, lá no Ratton vão deixar passar tudo em nome da conjuntura e do interesse nacional. Como fizeram em 2010.
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De João André a 06.06.2014 às 12:43

O TC também já decidiu passar uma ou outra medida de Passos mas com a ressalva que era só dessa vez. Quando reincidiu, foi chumbado. Como Sócrates não se pôs a repetir as medidas uma atrás da outra, não poderia passar pelo mesmo (até porque não teve tempo). Acredito sinceramente que não interessa muito ao TC quem é governo, antes como o governo se comporta em relação ao TC. Se forem arrogantes como este, não creio que a cor política interesse.
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De da Maia a 06.06.2014 às 10:33



Acerca do comentário do Alexandre:

Fui há pouco tempo a Marrocos, e o nível de desenvolvimento lá faz lembrar os velhos tempos do betão cá. Não se estão a dar nada mal sem o Euro e sem UE... e ainda que lhes venha a acontecer o mesmo, já é bem mais interessante aos subsarianos ficarem por Marrocos do que dar o pulo. Se o dão só pode ser porque não sabem bem o que vão encontrar...
Com a gestão dos últimos governos temos visto Marrocos a aproximar-se.

Crescimento do PIB Marroquino:

4,4% em 2001, 7,5% em 2005, 9.3% em 2006

Por isso, se o TC conseguisse isso em Portugal, seria uma boa notícia, até para Passos. Porém, ele e a putalhada de neoliberais amaricados que o acompanha é demasiado mimada e imberbe para perceber isso.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 06.06.2014 às 14:12

Falei no Magrebe, que não é apenas Marrocos, porque sou optimista; o que nos espera, se calhar é mais tipo Burkina Fasso.
Mas tem toda a razão acerca da economia de Marrocos: crescimentos acima dos 4% entre 2007 e 2011, um desemprego residual, e uma divida perto dos 50% do PIB. No tempo do Cavaco 1º ministro, cá também era assim. Depois foi o que se viu...

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