Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Vai chamar cobarde a outro

por Pedro Correia, em 23.06.17

Prossegue em velocidade acelerada a estratégia de contenção de danos políticos por parte do Governo. Com a ministra da Administração Interna, antes tão discreta, agora a desdobrar-se em declarações - aparentemente mais preocupada com a gestão da própria imagem do que com a clarificação dos diversos pontos ainda demasiado obscuros da tragédia de Pedrógão, o 11.º incêndio mais mortífero à escala mundial desde 1900.

"Era fácil demitir-me, rolava uma cabeça e o problema continuava. Teria sido cobarde fugir da adversidade", declarou a ministra em entrevista à RTP. Sem pensar que com esta frase estava a chamar cobarde ao seu companheiro de partido Jorge Coelho, que com inatacável hombridade, na noite da tragédia de Entre-os-Rios (em que morreram 59 pessoas, menos cinco do que agora em Pedrógão) anunciou ao País a sua demissão da pasta do Equipamento Social. "A culpa não pode morrer solteira", justificou na altura o governante. E muito bem.

Gesto cobarde? Nem por sombras, senhora ministra. Pelo contrário, foi um gesto adequado a quem faz questão de preservar a ética republicana, o bom nome das instituições políticas e a dignidade do Estado. Aliás o próprio Jorge Coelho, embora sem mencionar expressamente Constança de Sousa, aproveitou a sua intervenção de ontem à noite na Quadratura do Círculo para deixar a seguinte recomendação: "Aconselho os agentes políticos, todos aqueles que têm responsabilidades, a falar pouco. Não se preocupem muito em estar a dar entrevistas. Não é época para isso. É época para resolver os problemas."

Espero que a ministra tome a devida nota deste bom conselho.

Autoria e outros dados (tags, etc)


46 comentários

Sem imagem de perfil

De hclc a 23.06.2017 às 12:27

Só por curiosidade.

O que é a "ética republicana" ?
O que distingue a "ética republicana" da "ética monárquica" ou da "ética de um carpinteiro" ?
Na história da nossa Républica (1ª , Estado Novo, pós-25/4) que período podemos dizer que funcionou segundo a "ética republicana"?



Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 12:39

Esse é um debate que não me interessa travar neste momento. Com as florestas dizimadas, os corpos de metade das vítimas ainda por identificar e demasiadas questões por esclarecer, discussões bizantinas é a última coisa que importa agora.
Sem imagem de perfil

De Costa a 23.06.2017 às 13:40

Tem razão nisso que escreve: há por agora coisas bem mais relevantes. Mas não chamaria eu bizantinice à discussão sobre a substância e bondade - ou ausência de uma e outra - dessa ética de que se reclamam, como marca de superioridade e tutela sobre os tempos presentes, os que se dizem orgulhosos herdeiros dos dias (tenebrosos, afirme o que afirmar o politicamente correcto) da primeira república.

Um dia valerá a pena falar disto.

Costa
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:24

Valerá a pena, sim. E até fica desde já prometido. Mas para um tempo diferente deste.
Sem imagem de perfil

De AntónioF a 23.06.2017 às 16:35

Sim, caro Pedro, valerá a pena falar disso.
Agora, o que interessa é olharmos para esta imagem e reflectirmos, pois, concordará por certo comigo, «uma imagem vale mais que mil palavras»:
http://www.jn.pt/nacional/interior/quinta-rodeada-de-carvalhos-e-castanheiros-escapou-ao-fogo-8583333.html
A seu tempo teremos as «mil palavras», ou então - também pode acontecer, poderá faltar-nos as palavras!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:50

Essa imagem vale o que vale. É uma, entre muitas outras que também poderão ser exibidas. E pode dever-se a diversos factores. Não parto dela - ou de qualquer outra - para estabelecer uma conclusão geral.
As aparências muitas vezes iludem.
Tanto quanto sei, as árvores em torno dessa casa não arderam porque os terrenos circundantes estavam todos muito bem limpos, livres de mato rasteiro.
Sem imagem de perfil

De Einzturzende nebauten a 23.06.2017 às 13:13

Pedro, admito que Jorge Coelho tenha razão quanto às exigencias politicas e eticas desta questão. Contudo entre o seu discurso e o seu percurso há algo que eticamente falha. E por essa razão , e apenas essa, qualquer argumento porventura acertado de Jorge Coelho perde certeza na incerteza de quem é Jorge Coelho.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:24

Não percebi o seu ponto de vista, certamente por deficiência minha.
Sem imagem de perfil

De Einsturzende neubauten a 23.06.2017 às 16:10

Lusoscut Auto-Estrada Costa da Prata (Motengil)

Lusoscut Auto-Estrada Beiras Litoral e Alta (Mota-Engil)

Caso Liscont (Mota-Engil)

Caso das prendas do construtor civil Américo Santo.

Caso CNEMA ( Coelho foi arguido)

Caso ValorAlternativo- empresa em que Coelho e Dias Loureiro eram accionistas; condenada por fraude ao IVA

E por Jorge Coelho ter começado na extrema esquerda, passado para o PS e pelos dias de hoje representar um pós ideologismo amorfo e amórfico de homem da Regisconta.
Homens como Coelho, Pina Moura, Francisco Assis, etc, representam, entre outros, os coveiros dos socialismo bem intencionado e dos politicos abnegados ao serviço da res publica.

Assim são fantoches ao serviço do monolitismo minimalista da política dos interesses, que favorece movimentos quiméricos autofagicos e polisfagicos .

Jorge Coelho deveria ter vergonha quando se opôs à coligação com as outras forças socialistas. Jorge Coelho não é socialista nem aqui nem na China. Usa o PS para representar interesses que não são nacionais nem socialistas.

Governou, mas com o fito último de sair governado. É isso que vejo quando olho para Jorge Coelho.Um bom compadre. Um hipócrita





Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:24

Lamento, mas não me impressiona com essas listas nem com essas proclamações ao estilo ribombante de certas sumidades do Bloco de Esquerda, grávidas de pseudo-superioridade moral.
Sugiro-lhe, em alternativa, a leitura desta excelente entrevista feita pela jornalista Maria João Babo a Jorge Coelho:
http://www.jornaldenegocios.pt/weekend/detalhe/jorge-coelho-sempre-soube-lidar-bem-com-o-poder-e-a-falta-dele
Sem imagem de perfil

De Einsturzende neubauten a 23.06.2017 às 16:55

Entrevistem-me antes a mim, ou a outros Ze Ninguém, que todos os dias contrariamos a possibilidade e a vontade da canalhice.

Essa gente de fato e gravata, vulgo políticos, usa a seriedade apenas para tornar a mentira verdade.

E Pedro nem parece seu. Porque raio refere o Bloco como contrargumento ao que factualmnte existe. Diga antes: prosa ribombante, retumbante, revigorante como sei lá quem....gosto de Nietzsche e do abismo e da águia sozinha e da dor que não mata e do Deus morto....mas não da sífilis....chame-me louco, lunático, pois sempre tive muito medo da normalidade medíocre.
Abraço
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 14:13

Nunca percebi por que é que Jorge Coelho se demitiu. Parece-me que quando viu as coisas complicarem-se fugiu, foi para férias e deixou o problema nas mãos de outro. Não sei por que é que a actual Ministra deveria demitir-se. Para ela seria muito fácil imitar Jorge Coelho, tanto mais que ela não tem uma carreira política e, penso eu, não aspira a subir mais na política. Se se demitisse livra-se-ia de chatices. Se chamou covarde (mesmo que sem intenção) a Jorge Coelho fez muito bem. Há uma obsessão pela demissão dos políticos que me parece excessiva.
E os que se demitem para irem para a vida dos negócios e ainda são aplaudidos como heróis e corajosos??? Quando na realidade vão é tratar da vida. Há casos assim.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:23

1. Jorge Coelho falou ontem na SIC Notícias sobre esse pedido de demissão. Basta escutá-lo.

2. Como é óbvio, ele não abandonou o Governo para rumar à "vida dos negócios". Era deputado eleito - e retomou a actividade parlamentar. Em 2005 coordenou a bem-sucedida campanha eleitoral do PS. Viria ainda a ser conselheiro de Estado. Só em 2008 ingressou no grupo Mota-Engil. Sete anos depois de ter sido ministro.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 14:59

As situações são diferentes.
Jorge Coelho teve culpa na queda da ponte: não mandou reforçá-la. A ministra, em meu entender, não tem culpa nenhuma nem do incêndio (há incêndios de dimensão análoga regularmente, naquela região e noutras) nem das mortes.
A demissão de um ministro, em geral, não resolve problema nenhum.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:19

A demissão de um ministro não se destina a "resolver problemas".
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 15:27

Se não se destina a resolver problemas, o melhor é estar quieto.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 15:29

</i>A demissão de um ministro não se destina a "resolver problemas".

Muito bem. Para que serve, então?

Se é para o ministro mostrar arrependimento pelo que (não) fez, então a demissão de Coelho servia (ele devia estar arrependido de não ter reforçado a ponte), mas a demissão de Urbano de Sousa não serve (ela não tem que estar arrependida de nada).

Se a demissão de um ministro não serve nem para mostrar arrependimento nem para resolver um problema, então para que raio serve?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:39

Agora há aqui comentários em estereofonia. Autêntica câmara de eco.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 15:58

Pois, os comentários estão de facto em estereofonia, mas conviria que o Pedro respondesse a pelo menos um deles, esclarecendo porque é que, em sua opinião, Urbano de Sousa se deveria demitir (se é que deveria), e em que é que a sua situação é similar à de Coelho no passado.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:03

1. O desastre da "protecção civil".

2. O apagão do SIRESP.

3. O errático comportamento da GNR.

4. A morte de 64 pessoas.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 17:08

A ministra não tem culpa de nenhuma dessas 4 coisas. O SIRESP é uma coisa que existe já há muitos anos, não foi feito pela ministra, é uma parceria público-privada que o Estado fez há bastantes anos e que tem que honrar. O comportamento errático da GNR no terreno não é culpa da ministra, que não estava lá; a ministra não pode ser responsabilizada pelo comportamento de cada patrulha da GNR. As 64 pessoas morreram em grande parte porque se meteram à estrada quando deveriam ter ficado quietas em suas casas.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:18

A ministra é o vértice supremo da cadeia de comando e como tal não pode eximir-se ao fracasso registado pelos serviços públicos, incapazes de impedir a morte de 64 cidadãos cuja integridade física devia ter sido salvaguardada pelo Estado.
O jogo de passa-culpas não funciona quando se registam 64 óbitos. Só no tempo do Salazar é que a morte de 700 pessoas nas cheias de 1967 passou impune.
Em democracia não existe impunidade.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 23.06.2017 às 17:25

Tretas. A ministra não tem culpa, logo, não tem nada que se demitir. Um ministro não se demite só porque as coisas correram (muito) mal; um ministro demite-se se tem culpa de as coisas terem corrido mal.

Em democracia não existe impunidade.

Conversa de chacha. Conversa oca de político. Não se pune uma pessoa que não tem culpa. Pune-se uma pessoa que é culpada.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 17:29

Imagino o Salazar com essa "conversa oca de político" dizendo aos seus próximos que não promoveria nem autorizaria nenhuma demissão ministerial após as trágicas cheias de 1967.
"Foi responsabilidade do Além, estivemos à mercê da inclemência divina", poderia ter afirmado o ditador.
E de facto ninguém se demitiu. Apesar de ter havido 700 mortos.
Felizmente vivemos em democracia, não em ditadura.
Sem imagem de perfil

De Nebauten a 23.06.2017 às 19:24

Meu caro Lavoura! Claro que a ministra, nem ninguém agiu com dolo( exceto se fogo posto) Mas a culpabilidade tem natureza diversa: negligência, imprudência , imperícia. Assim havendo uma cadeia hierarquizada e organigrâmica, que faz depender a Proteção Civil , do MAI, a ministra pode ser "acusada" de imperícia ou negligência.
E existe ainda outra forma de culpa, que é a mais grave de todas, mas não ilegal. A consciência de cada um. E nas forças de segurança o sentido de honra leva a que o comandante vá a frente e responda pelos seus homens. É o chamado Espírito de Corpo (111*Curso de Comandos)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 22:55

Vera Jardim (PS):
«Quando os serviços falham, quem responde é o responsável máximo.»
http://rr.sapo.pt/artigo/86813/pedrogao_grande_ha_responsabilidade_politica_a_tirar
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 23.06.2017 às 15:02

Pedro, seria fácil considerar "um gesto de inatacável hombridade" a demissão de Jorge Coelho nessa fatídica noite do acidente de Entre-os-Rios, se Coelho não estivesse implicado no adiamento da construção da ponte em 1996.
Com efeito, é sabido que o governo do Cavaco deixou o projecto aprovado para o concurso da construção da nova ponte que seria lançado no 4º trimestre de 1995, prevendo que a construção começasse em 1996 e a nova ponte entrasse em funcionamento em 1998. O governo do Guterres mandou suspender tudo, e isso não poderia ser feito sem o conhecimento de Jorge Coelho, que era na prática o nº2 do governo.
Na minha modesta opinião, ele demitiu-se pela calada da noite, eram 3 horas da manhã, para não ter de responder a perguntas muito, muito incómodas. Quando os media quiseram falar com ele sobre o assunto, ele respondeu que já tinha assumido as suas "responsabilidades politicas" e por isso não tinha mais nada a dizer. A isto caro Pedro, chama-se sacudir a água do capote.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 15:28

Muito bem.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 15:37

Discordo. Se ele estivesse implicado em algo directamente relacionado com a ponte, o gesto não seria optativo: tornar-se-ia de imediato obrigatório. Eventualmente não apenas com responsabilidades políticas, mas também penais. Forçando inclusive a abertura de um inquérito pela Procuradoria-Geral da República, para o qual seria irrelevante o facto de JC permanecer ou não com assento no Conselho de Ministros. Ora essa investigação nunca aconteceu. O adiamento do lançamento de uma obra pública é uma decisão governativa que pode ser ditada pelas mais diversas razões - técnicas ou financeiras - e ocorre com todos os Executivos. Sem ser possível estabelecer qualquer nexo causal entre esse adiamento e a queda da velha ponte.
O gesto deve ser valorizado precisamente pelo motivo inverso: JC não tinha qualquer obrigação de o fazer, mas naquela noite trágica valeu pelo seu simbolismo e pela frase "a culpa não morre solteira" apelando desde logo à responsabilidade dos decisores políticos muito para além da circunstância concreta.
Na altura, recordo, recebeu aplauso unânime. E hoje é ainda mais de valorizar: a passagem do tempo confirmou que se tratou de uma atitude rara na vida política em geral - e na política portuguesa em particular.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 23.06.2017 às 16:29

Pedro, you miss the point! além disso, a patética investigação acabou na acusação e julgamento de um modesto engenheiro da extinta JAE, que já estava reformado e tudo. As razões que levaram o governo do PS a ter adiado sem nenhuma justificação, a construção da ponte de Entre-os-Rios, nunca foram investigadas sabe-se lá porquê, até porque os factos que eu relatei no meu comentário, não os ouvi numa conversa de café, foi na SIC, que na época falou sobre o assunto e depois se calou. O Pedro há-de desculpar-me, mas ouvir que "a culpa não morre solteira" da boca do Jorge Coelho, serve apenas para a gente se rir.
Quanto ao resto, parece-me inatacável que se em 1995 o governo planeou construir uma nova ponte para substituir outra que já era centenária, foi porque ela era necessária, como também me parece inatacável que se a nova ponte entrasse ao serviço em 1998, não teriam morrido 50 e tal pessoas no ano 2000 na queda da ponte velha, que então já deveria estar desactivada.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:41

O seu argumentário tem demasiado "ses".
E parece-me simétrico àqueles que agora apontam o dedo acusador a Cavaco Silva, atribuindo-lhe a culpa pela tragédia de Pedrógão, sem repararem no absurdo dessa acusação.
Eu gostava que estes temas - sobretudo quando estão em causa dezenas de vidas humanas entretanto perdidas - pudessem ser debatidos sem clubite partidária.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 16:30

"Na altura, recordo, recebeu aplauso unânime." É verdade, hoje muita gente detesta a política e os políticos e, por isso, ficam muito satisfeitos se podem tramar um político ou se, simplesmente, vêem um em dificuldades. Gozam. Não acho isso saudável. Não lhe quero chamar populismo porque esta palavra, de tanto usada, já não significa quase nada.
Até o António Vitorino quando arranjou (suponho, não tenho a certeza, que combinado com jornalistas) um pretexto ridículo para sair de Ministro da Defesa e ir para negócios que não podia perder, foi muito aplaudido.
Não gosto de ver deserções de postos de responsabilidade. E não esqueçam, para os que não têm carreira política (caso de Constança) é facílimo sair e dizer: arranjem-se que eu vou governar a minha vida. Ou vou para férias.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:34

Aplaude portanto a lógica salazarista, a da ausência total da ética da responsabilidade.
Quanto ocorreram as dramáticas cheias de Novembro de 1967 na região de Lisboa, com cerca de 700 vítimas mortais, nem uma demissãozinha despontou no horizonte.
Deus mandou chover - e a natureza, inclemente, cumpriu a vocação para que estava predestinada.
'No pasa nada' - foi a palavra de ordem.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 22:19

Pergunta por mera curiosidade: quando, há uns anos, um vulcão na Islândia com nome impronunciável, interrompeu a circulação de aviões na Europa, alguém se demitiu no governo islandês? Se calhar nem há Ministro dos Vulcões, ou haverá? E os países que ficaram com aeroportos onde nenhum avião podia aterrar ou com linhas aéreas que não podiam voar? Houve demissões? A Theresa May vai demitir-se por causa do incêndio? Onde o descuido foi muito maior que em Portugal? Quando houve um incêndio na Madeira e, uns anos antes, inundações, o Alberto João Jardim demitiu-se? Ou alguém pediu a demissão dele?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 22:49

Essa comparação que faz com o vulcão na Islândia, em 2010, não faz qualquer sentido. Desde logo porque não houve uma só vítima mortal.
Como é possível ignorar que nesta tragédia de Pedrógão morreram 64 pessoas?

Faço minhas as palavras insuspeitas do ex-ministro socialista Vera Jardim, à Rádio Renascença: «"Quando os serviços falham, quem responde é o responsável máximo.» E o responsável máximo, em cada área sob tutela governativa, é o ministro.
http://rr.sapo.pt/artigo/86813/pedrogao_grande_ha_responsabilidade_politica_a_tirar

Quanto ao Bloco de Esquerda, agora tão silencioso, tem um enorme historial de exigência de demissões de ministros em casos de muita menor relevância e incomparavelmente menos dramáticos.
Estes, por exemplo:
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014-09-18-Bloco-de-Esquerda-exige-a-demissao-da-ministra-da-Justica
(visando a ministra da Justiça, por falhas no sistema informático dos tribunais)
http://www.tvi24.iol.pt/politica/nuno-crato/bloco-de-esquerda-pede-a-demissao-do-ministro-da-educacao
(visando o ministro da Educação, por ter submetido professores contratados a um concurso "inútil")
http://www.sabado.pt/ultima-hora/detalhe/Bloco-pede-demissao-de-ministro
(visando o ministro da Economia, por "inadaptação ao cargo")
Sem imagem de perfil

De Einsturzende neubauten a 23.06.2017 às 23:37

Sendo eu do Bloco incomoda-me o seu silêncio.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 23:38

O Bloco, alegado paladino da superioridade moral, tem afinal indignações muito selectivas.
Sem imagem de perfil

De Nebauten a 24.06.2017 às 00:37

Como todos nós.
Se o Bloco é paladino de alguma coisa é -o da juventude. E como tudo o que é jovem é idealista e põe no discurso e na agenda idéias. Ao contrário dos partidos velhos do sistema que em nada mais acreditam, inclusive na capacidade que as ideias e a política têm para mudar o que não está bem.
Deprimente
é ver esses Veros que fazem do berro ôco uma ideia. Beto Jardim há bem pouco tempo erguia o báculo em nome de José Sócrates. Penso que Vero Jardim, depois do governo, saltou para a banca
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 23.06.2017 às 16:18

É bem verdade , Pedro. Agora é tempo de fazer luto por quem foi , cuidar das feridas que não se vêem e assegurar a quem por cá ficou que o fogo não imolou a probidade de quem pode garantir mudança. Não é altura de jogar a cartada "Desta vaidade, a quem chamamos Fama" e tentar colher dividendos e ao mesmo tempo abster-se de responsabilidades.
Já chega de explorar a situação. Não é por repetir ad nauseam as mesmas peças, os mesmos vídeos, as mesmas entrevistas que evitam a tragédia caia no esquecimento.
Ansiamos sim por actualizações , garantias de que quem pereceu no inferno da incúria salvaguardou o porvir .
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:36

Há demasiadas perguntas sem resposta, Dulce. E os dias vão passando sem que os esclarecimentos surjam.
A culpa não vai poder morrer solteira. Impossível passar uma esponja pela morte de 64 seres humanos.
Sem imagem de perfil

De rão arques a 23.06.2017 às 16:23

A ministra só está em pé e alti falante segurada por Costa e Marcelo. Agora, não podendo negar o óbvio desdobra-se a reconhecer falhas que antes já tinham sido deixadas a descoberto por quem não foi no engodo de todos eles. Tanto o presidente como o 1º ministro sabem que se mexerem uma palha para a ministra ir á vida lá vai a encomenda do habilidoso na embrulhada em voo picado com o traseiro a arder, Não passarão, o resto são cantigas.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 16:37

Voltarei a este tema, forçosamente.
Sem imagem de perfil

De JSP a 23.06.2017 às 17:02

Uma pobre, e limitadíssima, barata-tonta.
Entre outras, no circo "ministerial", para o dizer de alguma maneira...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 23.06.2017 às 19:58

Quanto a demissões, no meu fraco entender, deviam fazer todos como D. João VI: fugir no caso de verem as coisas a aquecer. É o mais seguro. E é o que eu faria se fosse Ministro: perante a actual catástrofe já teria dado o fora há muito.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 23.06.2017 às 22:53

Já tivemos um ministro que se demitiu quatro dias depois da posse.
http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/imprimir/ao_quarto_dias_demitiu_se
Sem imagem de perfil

De Nuno a 24.06.2017 às 01:42

A atitude de Jorge Coelho não é inteiramente comparável, na medida em que o papel do ministro do equipamento acaba no momento em que se dá a tragédia; a resolução está noutra pasta. Jorge Coelho sair não afecta negativamente o trabalho da administração interna.

Neste caso é a ministra da administração interna que está em causa. Mas a ministra não tinha que "fugir da adversidade". Tinha que colocar o seu lugar à disposição, manifestando a vontade de ficar até o problema estar controlado, e solicitar de imediato à IGAI a abertura de um inquérito para avaliar o que correu mal nos seus serviços.

Se o tivesse feito no momento certo, se tivesse revelado perceber a dimensão da sua responsabilidade na matéria (não é culpa, é responsabilidade), se tivesse pedido desculpa aos cidadãos pelas falhas nos serviços que tutela, e prometido que (no que dependesse dela) tudo seria feito para apurar o que correu mal e evitar que se venha repetir, talvez o PM tivesse razão em manter a confiança nela.

Mas como não fez nada disso, a única saída honrosa que agora tem é a demitir-se. Se isso não acontecer a responsabilidade política sobe um degrau, até à porta do PM que a segura (porque é "uma pasta díficil"), ao mesmo tempo que a desautoriza (pedindo esclarecimentos aos serviços por cima da ministra).

Um PM que (por ter tido a tal "pasta difícil") está implicado em tudo até à medula, e que também não foi capaz de pedir desculpa aos cidadãos que se viram desamparados, preferindo antes citar a "totalmente inesperada, inusitada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos" adjectivação dos esclarecimentos prestados.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D