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Vacinação: a única escolha civilizada

por João André, em 19.04.17

Li hoje, atrasado como costumo estar no que respeita a notícias vindas de Portugal, que uma jovem de 17 anos morreu devido a sarampo, contra o qual não estava vacinada. De permeio leio também que contraiu a doença devido ao contacto com uma bebé de 13 meses igualmente não vacinada. Aqui é importante realçar que nem a bebé nem a jovem foram vacinadas por motivos não pessoais: a jovem tinha tido uma reacção alérgica quando vacinada em criança e a família escolheu não mais avacinar. A bebé não foi vacinada por «motivos clínicos», de acordo com o hospital onde ainda está internada.

 

É importante fazer esta distinção. A reacção alérgica às vacinas é rara mas existe. Poderia provavelmente ter sido controlada e não significaria que a jovem não podia ser vacinada. Antes que a sua vacinação (provavelmente parcial) deveria ter sido acompanhada por um médico. Não sei se poderia ter sido protegida contra o sarampo, mas talvez pudesse ter tido outras protecções imunitárias. Não sabemos. No caso da bebé, os motivos clínicos são provavelmente devido a um sistema imunitário mais frágil e que não suporta mesmo as vacinas com os seus agentes em forma mais atenuada. A morte (e a doença da bebé) é um azar na sua mais pura forma mas não deixa de ser uma tragédia.

 

É no entanto uma tragédia que coloca o país a falar dos movimentos anti-vacinação. Estes movimentos argumentam muita coisa, mas baseiam-se essencialmente numa coisa: ignorância. Há o velho argumento (completamente falso) da ligação entre vacinas e autismo. Há o argumento do uso de químicos nas vacinas (até eu tenho reservas em relação ao uso de monóxido de dihidrogénio) que demonstram pura ignorância (e estupidez na forma como rejeitam argumentos) sobre aquilo que é química (tudo o que vemos é "químico"). E quando os argumentos são, todos eles e sem excepção, desmontados, os antivaxx simplesmente escolhem outro tema, usam argumentos ignorantes ou falsos e voltam a gritar.

 

Infelizmente isto está a causar um aumentos dos surtos de doenças que há muito tinham quase desaparecido. Sarampo, tosse convulsa e outras começam cada vez mais a reaparecer, quando estavam já a caminho de erradicação (pelo menos em determinadas áreas). Se há área da medicina onde o sucesso é completa e absolutamente indiscutível é o das vacinas. Sabemos porque razão as vacinas funcionam e sabemos porque razão a vacinação de uma população é eficaz. Os vacinados ficam protegidos (a quase 100%, dependendo da doença) e protegem-se uns aos outros e aos (idealmente muito poucos e por razões clínicas) que não são vacinados.

 

Não vacinar por opção não é só estupidez: é um acto potencialmente perigoso e mortal, não só para a criança não vacinada mas também para os outros. Ao não se vacinar uma população, as pessoas não vacinadas deixam de receber a protecção da vacina nem a imunidade colectiva, mas permitem aos agentes patogénicos trocar informação e adaptar-se à existência de vacinas. Ou seja, a não vacinação aumenta o risco de forma directa a quem não é vacinado, de forma indirecta a quem não pode ser vacinado e de forma mais subtil a toda a população, inclusive a vacinada.

 

É por isso que, ao contrário do Ministro da Educação, eu sou da opinião que as escolas deveriam exigir a vacinação aos seus estudantes. Um rastreio deveria obviamente ser feito para saber se a vacinação é possível, mas nos cerca de 99% dos casos em que o é, as crianças ainda não vacinadas deveriam sê-lo sob pena de não poder frequentar a escola.

 

Haverá muita gente que considerará isso um ataque à liberdade individual. Infelizmente tais pessoas demonstram igualmente ignorância. A vacinação, como expliquei acima, não é um escolha pessoal, que afecta apenas a pessoa não vacinada. É uma questão de saúde pública. Mais, a escolha não afecta directamente a pessoa que a faz, mas habitualmente os seus filhos. Da mesma forma que pais de uma criança que viage sem cinto no assento da frente de um carro podem ser responsabilizados criminalmente no caso de morte por acidente, os pais deveriam ser igualmente responsabilizados no caso dos filhos contraírem doenças contra as quais poderiam ser vacinados.

 

Poucas invenções fizeram tanto para melhorar o mundo. O lado da vacina é o da civilização inteligente e solidária. O lado anti-vacinação, seja pelas razões que for, é o da barbárie. É nosso dever lutarmos pela primeira. Por nós, pelos nossos filhos e por toda a gente que vemos.

 

Adenda importante:

Leitura complementar, obrigatória e muito melhor e mais informada: Moda anti-vacinas é chorar de barriga cheia, de David Marçal. A sério, leiam, fazem a vós mesmos um favor.

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31 comentários

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De Luís Lavoura a 19.04.2017 às 18:26

as crianças ainda não vacinadas deveriam sê-lo sob pena de não poder frequentar a escola

Não é bem assim. Frequentar a escola é um dever e um direito. As crianças têm sempre o direito de frequentar a escola.

Se as crianças não estão vacinadas, a escola deve reportar o caso e as crianças devem ser arrastadas à força para o centro de saúde para serem vacinadas. E depois disso podem ir para a escola.
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De João André a 19.04.2017 às 21:48

Tem razão. Essa imposição de facto não deveria poder ser feita dessa forma. Ainda assim deveria existir alguma forma de obrigar a vacinação.
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De Luís Lavoura a 20.04.2017 às 09:52

deveria existir alguma forma de obrigar a vacinação

Essa forma é simples: vão dois polícias à escola, pegam na criança, levam-na para o Centro de Saúde, e vacinam-na. Se alguém protestar, é preso por desobediência à autoridade policial.
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De João André a 20.04.2017 às 12:54

E a mim é que me chamam de totalitário :).

Penso que estamos de acordo que essa forma seria e abusadora. Não digo que eu tenha soluções, mas gostava que existissem.
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De Luís Lavoura a 19.04.2017 às 18:41

Não entendi o argumento da adaptação dos agentes patogénicos às vacinas. Nunca ouvi falar de tal adaptação. Que eu saiba, a adaptação dos agentes patogénicos é um problema bem real no caso dos antibióticos, mas nunca ouvi falar dele no caso das vacinas. Há alguma indicação experimental de que tal adaptação já tenha ocorrido?
Na minha opinião, o contágio não é um problema a não ser para quem não está vacinado. As pessoas que não estão vacinadas arriscam-se a contrair a doença e a transmiti-la a outras pessoas que também não estão vacinadas. É um problema do qual apenas as pessoas não vacinadas têm que se queixar. Elas é que se lixam, os outros nada têm a ver com isso. Se elas querem correr o risco, é lá com elas.
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De João André a 19.04.2017 às 21:50

Tem razão. A adaptação às vacinas não existe, é erro meu.

Eu queria referir-me mais ao facto de, com a possibilidade de interagirem entre si, os agentes patogénicos aumentam a possibilidade de mutações e assim de criar novas estirpes (no caso de virús, por exemplo) para as quais as vacinas deixam de ser eficazes. Não é em si uma adaptação à vacina, antes a possibilidade de, por puro acaso (não existe selecção natural) dar origem a novos agentes.
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De João André a 19.04.2017 às 21:50

Mas note que não sou nenhum especialista nesta área. Poderei estar a dizer asneiras.
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De Susana a 19.04.2017 às 19:34

Concordo em absoluto. Acrescento: deveria ser crime público.
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De isa a 19.04.2017 às 21:40

... ou seja, multar e se for preciso, até matar os pais e a criança antes dela adoecer, para ter a certeza absoluta que não contamina ninguém porque, quando se passa ao criminalizar, nem imagina até onde podem ir as mentes colectivistas... algo que tem vindo a ser, deliberadamente, cultivado na mente humana... não há nada melhor que obrigar os outros a fazer o que não querem e, para facilitar, entregamos à entidade Estado aquilo que estamos todos impedidos de fazer e, se a força legislativa não resultar, usar força física, se necessário.

É por estas e por outras que extrema esquerda ou extrema direita servem os propósitos da elite (o 1% dos triliões), ensinam muito bem os cidadãos que tudo se resolve pelo poder da força e, através dela, também aprendem a obedecer porque, mais tarde, também terá que obedecer a qualquer outra coisa que, poderá achar injusta mas... nessa altura, talvez aprenda o que é estar "do outro lado", sem opção de escolha e, muito menos, de poder usar o seu Livre Arbítrio... o escravo moderno que pensa ser livre e cada vez, é menos ou vendo bem, nunca o foi porque, verdadeiramente, nem sequer tem direito a ter nada. Depois de comprar casa e carro, ter pago tudo ao Banco, pensa que é seu mas, experimente não pagar o "aluguer" ao Estado e, agora, até querem um governo a nível global... cada vez estamos "melhor".

Uma coisa dá para reparar, hoje poucos meditam sobre as suas próprias acções mas, estão sempre preparados para saber tudo sobre as acções dos outros, uma "pescadinha de rabo na boca" porque, isto de homens com Poder de mandar noutros homens, está bem visível o resultado.
O mais interessante é que para as doenças mais perigosas, nem sequer há vacina... o melhor será viver numa redoma e, mesmo assim, entra uma mosca e... há que criminalizar as moscas... criminalizar a Bactéria que causa mortes em hospitais que pode "passar" pelo ar... criminalizemos tudo...
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De João André a 19.04.2017 às 21:53

Quer viver numa caverna? Ainda encontra muitas.
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De isa a 20.04.2017 às 09:43

Essa da caverna teve graça mas, o problema está sempre nas consequências, futuras, por acreditar cegamente num tipo de "ciência" que em vez de colaborar com a natureza para criar a imunização natural dos seres humanos que, só funciona através de gerações, pressupõe, numa só, conseguir ganhar a vírus e bactérias.

Como pensa que se chegou à conclusão que o uso e abuso de antibióticos, causou o aparecimento de bactérias multirresistentes?
Pois é, a tal "ciência" foi sempre criando antibióticos cada vez mais fortes e, agora chegámos ao fim da linha, não há possibilidade de criar mais antibióticos para certas bactérias que, ao serem combatidas, foram mutando tão depressa e tão agressivamente que, agora, não temos mais nada para as combater e, são muitas. E sabe onde apareceram as primeiras bactérias multirresistentes?

"Algumas bactérias resistentes ficaram muito conhecidas por se “espalharem” rapidamente de forma grave em uma determinada área dos centros de saúde e hospitais. Como é o caso da Enterococo Resistente à Vancomicina (VRE), motivo de grande alarme e atenção em alguns hospitais universitários, públicos e privados."
Atualmente, pesquisadores estão muito preocupados com a Super Bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), devido a condições que favorecem a sua proliferação, como lotação dos hospitais, a falta de higiene (difícil ou impossível, quando se juntam bactérias e vírus, todos no mesmo sítio) e ainda o uso excessivo e inapropriado de antibióticos que Destroem Algumas Células Próprias do Organismo e favorecem o crescimento das células que são consideradas prejudiciais e, têm sido registrados, muitos casos de mortes.

A rapariga que morreu, apanhou sarampo de um bebé... quando estava Internada no Hospital por causa de uma doença diferente, o que não deixa de ser curioso. Neste caso, um bom advogado ainda conseguiria criminalizar o hospital

Esta mania de querer Domar, à força, vírus, bactérias e Humanos, só pode sair de ideias simplistas e, a mim, é que manda viver numa caverna?

Mas, como eu penso que, cada um, ainda tem o direito de mandar no seu próprio corpo, faça o que achar melhor para si e para os seus filhos, dê-lhes as 64 vacinas que, os americanos que pensam como você deixam enfiar no corpo dos filhos, antes dos 3 anos de idade, quando o corpo está a aprender, as suas defesas naturais, dê-lhes muitos antibióticos e todos os químicos da farmácia mas, não queira fazer o mesmo aos filhos dos outros porque, na guerra perdida contra muitas bactérias, a culpa é de pessoas como você e, olhe que vírus e bactérias estão por todo o lado e, estar a perder a guerra contra estas é um mau sinal, significa que a imunidade dos humanos em vez de crescer está a diminuir ( multi-resistência detectada nas secreções lesionadas, região oral, genital, perianal e outras).
Sabe o que, nos EUA, fazem com essas pessoas, fim de linha, desse tipo de "ciência" que não tiveram culpa nenhuma, de anos de má ciência?
Enfiam-nas em Hospitais tipo prisão de onde nunca mais poderão sair por serem portadoras dessas bactérias multirresistentes porque, de degrau em degrau, de totalitarismo, em totalitarismo, o fim dá sempre estes resultados.

Como diz o Vento, concordo com ele mas, uma boa alimentação, é uma coisa cada vez mais difícil porque, até na alimentação nos estão a atestar de químicos e de organismos geneticamente modificados e, eu que ainda me lembro de ir à aldeia dos meus avós e ter tias e tios que aos 94 anos ainda iam sachar as hortas, agora vejo gente com menos 20 ou 30 anos, com caixinhas cheias de medicamentos semanais, com doses diárias de 2 a 5 comprimidos e, "graças a tanta "ciência", quase não se conseguem baixar para enfiar os chinelos.
Confie na sua "ciência" para si porque, eu, a ser obrigada, prefiro a caverna, usar água e sabão e, o meu outro pecado mortal... um cigarrinho, em vez de um Prozac, como fazem mulheres que conheço que, não fumam, e, preferem os vícios comprados na farmácia
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De João André a 20.04.2017 às 12:56

Os seus comentários demonstram a mais completa ignorância sobre ciência e tecnologia e os avanços que a qualidade de vida e a saúde tiveram no último século. Mais, demosntram que a ignorância é por escolha, por preferir ignorar as mais que óbvias provas.

Não entende? Meta explicador. Se quiser ouvi-lo. Eu tenho mais que fazer que pregar às paredes.
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De João André a 19.04.2017 às 21:54

A não vacinação só por si não o deveria ser, mas, como escrevi, no caso de alguém ficar doente, o responsável pela não vacinação por escolha (ou fuga) deveria ser responsabilizado criminalmente.
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De isa a 19.04.2017 às 20:00

Pois se eu soubesse o que sei hoje, não tinha vacinado os meus e, quanto a informação e estudos "não subsidiados", sua relação com o autismo... quanto mais ler, menor será a sua convicção. Os seus argumentos, tanto servem para levar vacinas, como para separar o lixo e se ser "civilizado". No entanto, são argumentos que fazem milionários e, ao mesmo tempo, preenchem "necessidades" de outras "Agendas".

Deixo um vídeo mas, pode crer que para tirar conclusões, entre opiniões, conferências, inquéritos no senado americano, filmes científicos... o melhor é daqui a um ano ou dois, dizer que tem a mesma certeza absoluta.
O mais interessante, é estarem tão "preocupados" com a vacinação e, ao mesmo tempo, deixarem entrar milhões de migrantes sem nenhum rastreio a doenças que podem dizimar mais que o sarampo... mas, para dizer algo com tanta certeza, espero que, no mínimo, lhe pagam para, com tanta convicção, apoiar a "versão oficial"-
Porque estamos a falar de interesses multinacionais, se Dilma no Brasil não dava subsídios sem um mínimo de três vacinas, na Austrália não dão abono de família sem as vacinas ou seja, não há muita escolha, levam as vacinas ou morrem de fome... interessante tanta preocupação...
Hoje já tinha feito um comentário e, realmente, não tenho tempo para comentar tudo, era bom que os preceitos fossem como eram antigamente no jornalismo, antes de publicar uma opinião, fazer uma investigação aprofundada porque, no mínimo, seriam apresentados os dois lados, em vez de absolutas verdades, coisa que nunca existirá... verdades absolutas. Qual a vantagem?
Dar a possibilidade que as pessoas façam a sua escolha conscientemente, sem manipulações para o pró ou o contra.

https://www.youtube.com/watch?v=ivrQVgJJ9oI&feature=youtu.be
Beware of anyone who says "the science is settled" on vaccines... they are LYING
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De João André a 19.04.2017 às 21:52

Dois comentários:
1. ainda bem que não sabia o que sabe hoje. Estamos todos melhores. Os seus filhos também.
2. Em relação à sua opinião, releia o post. Tenho lá tudo sobre si.
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De Vento a 20.04.2017 às 00:21

Tenho um amigo que é civilizado pra caramba. Todos os dias dá-lhe uma vacina de aguardente. E tapa primeiro o nariz. Diz ele que só com o cheiro fica com água na boca. Como não gosta de misturas, tapa o nariz. Toma a vacina pura! Saída directamente do laboratório lá da quinta.

Há uns anos li um artigo que predizia o que hoje está a acontecer. Referia que o ressurgimento futuro dos vírus seriam causa de novas epidemias e, em algumas situações, pandemias. É uma inevitabilidade.
Tive sarampo, papeira e varicela. Sempre que um em casa apanhava uma desses vírus a mãe de imediato juntava-nos. A nossa vacina foi contrair o vírus.
Claro está que tínhamos uma dieta rica em vegetais, carne, peixe, ovos, leite, fruta. Íamos para a cama às 21H00 e levantávamo-nos às 6H00 da manhã. Fazíamos desporto na escola e fora da escola e tínhamos horas de estudo e lazer. Sim, também apanhei a vacina BCG. Mas não sei porquê ou para quê.
Quando chegou a idade da afirmação lá deitámos a mão ao cigarrito, que também sabe bem. E melhor depois do café, de um cálice de boa aguardente ou whisky de malte, no Inverno, e também depois de 1 copo de tinto maduro.

Será que apesar destes cuidados vou morrer? Claro! Ainda bem que vou morrer. O Homem não está preparado biologicamente e psicologicamente para ser eterno. Ainda que a morte possa ser um drama.

Deixo-lhe uma boa dica, João: Coma bem e variado, beba frugalmente, ande a pé, apanhe sol, evite o stress, não trabalhe para mostrar que trabalha muito. Trabalhe por prazer, e não mais do que é necessário. Quando estiver chateado, fume! Se não fuma, aprenda a fumar.

O que anda a matar precocemente é a má vida que se leva desde criança. Alimentação deficiente, ordenados baixos, trabalho árduo desde que se acorda para ir para a escola ou trabalho até que se deita. Dorme-se mal. Brinca-se pouco e há pouca distracção saudável.
Para agravar a situação, veio o fundamentalismo antitabaco e contra os anti-vacinas.


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De João André a 20.04.2017 às 13:00

Caro Vento, tanto disparate junto...

Boa alimentação é importante, mas apenas parte do bolo. Claro que para quem não tenha acesso a meios de saúde é melhor ter uma boa alimentação do que o contrário. No entanto fazer a equivalência entre vacinas e bons hábitos é um disparate.

Também eu tive sarampo, papeira (estas duas ao mesmo tempo, veja lá) e varicela. Tudo antes da idade de ser vacinado. Isso não significa que eu prefira que os meus filhos tenham essas doenças a ser vacinados. A imunização contraíndo a doença é de facto mais eficaz, mas mais perigosa. Além disso abre espaço a outras pessoas, cujos sistemas imunitários sejam menos fortes (os de bebés são altamente agressivos) possam contrair a doença com riscos muito mais elevados.

Note: no passado havia centenas de milhares de mortes por ano só por sarampo. Hoje em dia, das doenças para as quais há vacinas com boa eficácia, todas juntas não chegaremos nem a uma fracção desse valor. Que tal para "imunidade natural"?
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De Vento a 20.04.2017 às 13:38

Disparate é o seu.
Porque não diz o João a percentagem de mortes que havia no passado relativamente à densidade populacional.
A imunização natural não é um risco. Acontece que existem pessoas, crianças e adultos, cujo sistema não reage perante essas ameaças; e também os que reagem bem mal quando vacinados.
Está em condições para dizer-nos como se pode fazer uma selecção de quem tem capacidade para se deixar imunizar de forma natural e os que não possuem condições e devem ser submetidos a vacinação?

Se sim, por que razão apresenta uma proposta de vacinação sem nexo para todos?

Mais, a vacinação não é garantia que não possa contrair o vírus e desenvolver a enfermidade.
O que defendo são argumentos racionais que contrariam a histeria fundamentalista, em nome da civilização ou dos "civilizados", que disparam em todas as direcções.
Você que anda em química certamente que conhece a razão da existência de patentes. Se não conhece, eu explico-lhe:
Ninguém pode patentear - e/ou está interessado em fazê-lo - um produto farmacêutico que exista na natureza. E se reparou, quando se patenteia um medicamento e ele sai para o mercado surge com uma bula com uma bateria de contra-indicações e efeitos colaterais.
E existem essas contra-indicações porque o produto patenteado possui uma molécula artificial, isto é, que não existe na natureza e não é reconhecida pelo organismo. São essas moléculas a causa dos efeitos colaterais. E os efeitos colaterais existem pelo facto do organismo não reconhecer a existência dessas moléculas. E quando começa a reconhecê-las pode não ter capacidade para desenvolver as defesas naturais, assumindo essas como suas. Até que se esgota.

Antes de disparar tem de avaliar todas as circunstâncias. Vai um havano ou uma cigarrilha?
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De João André a 20.04.2017 às 14:19

Lamento mas continua a disparar disparates, caro Vento. Ao fim de tanto comentário interessante teria que haver algum disparatado. Eu tenho um taxa de sucesso inferior.

Aqui, no entanto, está completamente errado em múltiplos casos.

1. Percentagem de mortes em relação à densidade populacional? No passado morriam muito mais pessoas com uma população muito menor. 1-0 (deveria ser uns 30-0) para as vacinas.
2. A imunização natural é um risco indiscutível. O risco de morte devido a vacinas é tão baixo que é completamente irrisível. O risco de morte devido a imunização natural (ie, contraindo a doença) é demonstrado pelo número de mortes nos últimos anos.
3. A má reação a vacinas é baixíssima e controlável. E normalmente não se manifesta em sintomas piores que uma gripe. A má reacção à doença é bem pior. E a do sarampo é das mais simpáticas.
4. Capacidade para se imunizar de forma natural? Não faço selecção. Todos são à partida imunizáveis por vacinas onde estas existem. Não faço escolhas que não têm qualquer sentido.
5. Não, a vacinação não garante que não se possa contrair o virús (ou bacilo ou outro agente patogénico). Tem no entanto uma eficácia muitíssimo alta e associada à imunidade de grupo dá garantias elevadíssimas que a doença nunca será contraída.
6. As moléculas naturais não são patenteáveis. Só que há poucas que encontrem o seu caminho para medicamentos. Isso não é por causa das patentes, ao contrário do que se pensa, mas porque dos triliões de triliões de moléculas que existem na Natureza, é impossível estar a encontrar quais são úteis e para quê. A descoberta de moléculas como a penicilina é um acaso. A escolha vai habitualmente para moléculas sintéticas cuja acção pode ser prevista mais facilmente.
Ainda assim, quando as moléculas naturais são usadas, há sempre muitas patentes que podem ser usadas, mas relacionam-se com o processo de purificação da mesma. Estas patentes protegem a empresa que produz o medicamento e são frequentemente mais importantes que a molécula em si.
Por último, o facto de uma molécula existir na Natureza não quer dizer que seja reconhecida pelo organismo. O corpo humano não produz penicilina. Se a dose for muito elevada poderá causar problemas de saúde muito graves ao causar disrupções no bioma humano. Se o corpo humano conhecesse a molécula talvez a pudesse produzir. Assim sendo, não pode. Neste aspecto a penicilina é tão "natural" para o corpo humano como o timerosal.
7. As vacinas são os próprios agentes patogénicos, atenuados ou mortos. O objectivo é que sejam reconhecidos.

Não fumo. Nada. Nunca fumei na minha vida. Não por qualquer razão de saúde (embora o hábito me incomode), mas porque nunca tive o mais pequeno resquício de vontade.
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De Vento a 20.04.2017 às 15:51

Mau caro João,

A primeira parte de sua explicação não é científica, é a olho.

Mas deixe-me agora centrar na questão das patentes, que são legítimas, e nas moléculas prescritas por médicos.
Como sabe, o médico não pode prescrever ao contrário do que lhe foi ensinado. É um imperativo da ordem. Significa isto que o médico só pode prescrever aquilo que aprendeu na sua formação. E o que aprendeu com a sua formação foi através da indústria farmacêutica. Não significa isto que o médico não possa ter opinião contrária. Ele pode, mas não pode agir contrariando a norma.
Por um outro lado, um nutrólogo pode efectivamente tornear a questão do receituário tradicional. E este certamente lhe indicará as múltiplas formas para reforçar "seu" organismo.
Eu posso usar antibióticos naturais; por exemplo, posso usar a propólis com resultados garantidos. Mas também outros produtos. Uma amiga, no Brasil, conseguiu que a propólis, diluída em água, eliminasse o problema de sua sinusite e rinite. Já lá vão 15 anos e nenhuma recidiva.
Sim, a penicilina G é um antibiótico natural. E os outros tipos de penicilina, com ela, possuem elementos em comum: o anel beta lactâmico que leva, entre outros, um grupo amino livre.
Sim, tudo quanto é em excesso pode causar lesões. É necessário conhecer a dose e a situação.

As vacinas não são só os agentes patogénicos, são também compostos que os envolvem e que não são naturais. São estes compostos que determinam as reacções.
Todavia, se diz que a vacina é um agente patogénico, somente, admite que a imunização natural, contraindo o vírus, possua o mesmo efeito.

Com certeza, há quem não possa comer laranjas. Mas isto é uma incompatibilidade com um de seus compostos. Todavia existem outros frutos que proporcionam os mesmos efeitos para o organismo sem causar incompatibilidade.

“Dietas, injecções, e injunções se combinarão, desde a mais tenra idade, para produzir o tipo de carácter e o tipo de crença que as autoridades consideram desejáveis, e qualquer crítica séria a esses poderes tornar-se-á psicologicamente impossível. Mesmo se todos forem miseráveis, todos se acreditarão felizes porque os governos assim lhes dizem que são”. Bertrand Russel, O Impacto da Ciência Sobre a Sociedade, pg 50, 1953) 2

Uma crónica para si:
http://drpaulomaciel.com.br/mortes-e-efeitos-colaterais-da-vacina-h1n1/

Nota: Estava quase tentado a dizer, sobre o fumo: que pena, João! Mas não, não digo. Respeito as suas opções.
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De Vento a 20.04.2017 às 23:28

Atenção, João, que este exemplo " Uma amiga, no Brasil, conseguiu que a propólis, diluída em água, eliminasse o problema de sua sinusite e rinite. Já lá vão 15 anos e nenhuma recidiva." é meramente indicativo e não possui outro significado para além da informação dada. Todos os casos devem ser acompanhados por especialistas competentes. A forma de diluição (%) e a toma, neste caso creio que gotas nasais, não estão reproduzidas no comentário.

São comentários genéricos que visam somente perceber ou fazer perceber que, quer haja os pró-vacinas ou os contra-vacinas, existem argumentos de ambas as partes que devem ser escutados e percebidos sem que haja o estigma de uns serem civilizados e outros não.
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De João André a 04.05.2017 às 12:46

Caro Vento,

aquilo que não parece perceber é que os argumentos anti-vacinação foram ouvidos e testados e foram completamente provados como inválidos (e/ou falsos).

Aquilo que faz sentido no jornalismo ou na filosofia ou em retórica ou..., não faz necessariamente sentido em Ciência. Dois argumentos só são igualmente válidos enquanto hipóteses. Depois de um deles ser provado inválido, deixa de ter qualquer valor num debate científico.

Quem não o percebe não está a ser verdadeiramente civilizado. Quem o faz colocando em risco a vida dos seus próprios filhos é bárbaro. Quem, além disto, o faz colocando os outros em risco, é também criminoso. Admira-se que os considere não civilizados nesta discussão?
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De João André a 04.05.2017 às 12:43

Lamento o atraso na resposta, não tive tempo na altura e só sai agora.

Propolis: há de facto estudos que corroboram efeitos positivos em alguns tratamentos. Não se sabe no entanto porquê. Não há evidência (tanto quanto percebi na minha - admito - curta busca) para dizer que é um antibiótico.

Dados sobre vacinação? Olhe, tome este: http://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/209448 (o pdf é livre).

Pode citar Russel à vontade. Não lhe li o livro. Não preciso de o aceitar.
Quanto ao link, reportar casos raros de reacções (que estavam já previstos e comunicados pela própria GSK) não explica nada. É puro "cherrypicking".
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De Pedro Correia a 20.04.2017 às 08:20


Nestes tempos da 'pós-verdade' há a tendência - exposta até nesta caixa de comentários - de pôr no mesmo plano o que é certo e o que é errado. Puro relativismo moral, que contamina à partida todos os debates.
Como gosto de recorrer sempre aos exemplos concretos, aqui fica um: no meio da comoção gerada pela morte da rapariga de 17 anos, a SIC deu ontem voz a um médico que deixou de vacinar os filhos por concluir que a vacinação é uma "agressão imunológica" às crianças.
Sabe-se lá o impacto que esta declaração possa ter gerado em tanta gente à partida já confusa num país em que o sarampo voltou a matar 30 anos depois (o óbito anterior tinha sido em 1987).
Desta culto da cacofonia, dando voz no mesmo plano a todas as opiniões - da excelente à péssima - como se todas estivessem certas, não pode resultar nada de bom.
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De Luís Lavoura a 20.04.2017 às 09:58

a SIC deu ontem voz a um médico

A minha experiência diz-me que os médicos esão tão sujeitos a preconceitos e manias como as restantes pessoas. Não se pode ligar muito à opinião de um médico. Deve-se quase sempre procurar uma segunda opinião, porque um médico está praticamente tão sujeito a dizer asneiras como qualquer outra pessoa.

Quando chegou o tempo de dar a primeira papa ao meu primeiro filho, o pediatra mandou pôs na papa carne de borrego, do cachaço de preferência, mas jamais carne de porco. O pediatra de outra criança da mesma idade, filha de um familiar meu, mandou pôr-lhe na papa carne de porco.
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De João André a 20.04.2017 às 13:59

Infelizmente os médicos são parte do problema. Não digo que não sejam importantes, são-no, obviamente, mas as soluções médicas em termos d emedicamentos são frequentemente encontradas por (bio)químicos e não pelos médicos. Aliás, os médicos podem inclusivamente ser um obstáculo à boa informação, como parece ter acontecido com o caso do consumo de gorduras e a sua correlação com o colesterol, algo que só agora começa a ser corrigido.
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De Einzturzende nebauten a 20.04.2017 às 08:41

Dois pontos: sim existem interesses económicos por detrás de muitas campanhas pró vacinação - ex gripe A. E sim, existem estudos que relacionam sobrevacinacao com doenças autoimunes. Por fim tudo é física. O Estado não deve obrigar ninguém a ser vacinado, excepto porventura crianças, tal como não deve dizer- nos como viver. Se estão interessados na Saúde interroguem-se com as taxas de doenças do foro psiquiátrico e mudem as regras desta sociedade antinatural. Conseguem? Não, pois diminuíram os lucros das farmacêuticas
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De João André a 20.04.2017 às 14:03

Certamente que existem interesses económicos. Concordo sempre com isso. O que me chateia imensamente é que, essas mesmas pessoas que falam dos interesses económicos nas vacinas e outros medicamentos a seguir vão a correr para a comida dita "orgânica" como se esta não fosse comercializada e não desse fortunas a quem o faz (e com margens bastante superiores, a propósito).

Em relação às doenças do foro psiquiátrico, faz-me lembrar um velho comentário: «Um antibiótico é tomado com 3 comprimidos por dia durante uma semana por ano. Um antidepressivo (ou antipsicótico ou anti-outra-coisa-qualquer) é tomado uma ou mais vezes por dia, todos os dias pelo resto da vida. Onde está então o incentivo para uma empresa farmacêutica gastar milhares de milhões a desenvolver um novo antibiótico?».
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De Vento a 20.04.2017 às 16:00

Tem aqui a resposta à sua pergunta, João:
https://www.indice.eu/pt/noticias/saude/2017/04/20/pesquisadores-do-instituto-gulbenkian-de-ciencia-descobrem-mecanismo-para-combater-bacterias-multirresistentes
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De Einstürzende Neubauten a 20.04.2017 às 18:28

"Onde está então o incentivo para uma empresa farmacêutica gastar milhares de milhões a desenvolver um novo antibiótico?»."

Bactérias multirresistentes, um grave problema, que tem sido silenciado
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De João André a 04.05.2017 às 12:50

Se tem sido silenciado é apenas em Portugal (e mesmo em Portugal tenho visto múltiplas notícias sobre o assunto, talvez sejam antes ignoradas por quem não liga a ciência). Noutros países é extremamente importante e tem sido levado mesmo a níveis histéricos.

Ainda assim, a motivação é reduzida, não porque o problema não existe, mas porque rende pouco dinheiro. Especialmente porque se alguma empresa sair com um antibiótico capaz de vencer todas as infecções, é muito possível que os estados comprem as patentes para tornar o produto de acesso público e assim reduzir os lucros da empresa.

(lamento o atraso, andei sem tempo e só agora me lembrei dos comentários a que não tinha respondido).

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