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Aplauso também.

por Luís Menezes Leitão, em 24.09.17

Para o que escreve Pacheco Pereira no Público, arrasando completamente a estratégia falangista ilegal do Governo de Madrid, bem como dos seus apoiantes em Portugal e na União Europeia. Como ele bem refere: "Do ponto de vista do Estado espanhol, e da Constituição espanhola, o referendo é ilegal, o que implicaria que deste ponto de vista os seus resultados seriam juridicamente nulos. Impedir a realização do referendo é uma coisa de natureza muito diferente e destina-se a impedir não os seus efeitos jurídicos, mas os seus efeitos políticos. Por isso, o problema é eminentemente político e o modo como tem sido tratado é igualmente significativo no plano político". E termina concluindo que "os catalães mereciam mais dos portugueses. Por interesse nacional, pela democracia e pela liberdade". Concordo e é por isso que eu estarei sempre ao lado dos catalães, nesta hora em que a sua liberdade está a ser ameaçada.

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Aplauso.

por Luís Menezes Leitão, em 23.09.17

Para o excelente artigo de João Miguel Tavares, que diz duas verdades essenciais: "Espanha não pode reter a Catalunha contra a sua vontade. E, sobretudo, nenhuma democracia deve impedir os seus cidadãos de exercerem o mais básico dos direitos: pegar numa caneta e votar".

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De Filipe IV a Filipe VI.

por Luís Menezes Leitão, em 22.09.17

Quando o Rei Filipe IV mandou a Catalunha envolver-se na Guerra dos Trinta Anos na Europa, teve como resposta que as constituições da Catalunha só autorizavam o uso das suas tropas na defesa do território catalão. A obstinação do Rei e do seu valido, o Conde-Duque de Olivares, que pretendia estabelecer a centralização total do Reino, com a criação de um exército único (Unión de Armas) levou a Catalunha a proclamar a sua independência em 1640 na Guerra dos Segadores. A reacção de Filipe IV foi mandar tropas portuguesas combater na Catalunha, o que levou a uma revolta idêntica em Portugal. É essa revolta que está na génese da Restauração da Independência de Portugal a 1 de Dezembro de 1640, um feriado importante que estupidamente o governo de Passos Coelho quis abolir.

 

Consta que quando soube da revolta portuguesa, Olivares limitou-se a ter com Filipe IV o seguinte diálogo:

"— Vossa Majestade acaba de adquirir mais um importante Ducado.

— Como?

— O Duque de Bragança proclamou-se Rei de Portugal e essa traição implica a perda do seu Ducado, que em consequência passará para a posse de Vossa Majestade".

 

Já se sabe que a História foi outra. Por muito que o Rei espanhol o quisesse, a verdade é que não só o Duque de Bragança não perdeu o seu Ducado, como se tornou Rei de Portugal, assegurando a independência do nosso país em face de Espanha. Infelizmente a Catalunha, cujo espírito livre desencadeou toda esta história, não teria a mesma sorte, tendo sido derrotada e rendendo-se a Filipe IV em 1652. Apesar de vitorioso Filipe IV obrigou-se a respeitar as leis catalãs. Morreu em 1665, continuando a considerar-se Rei de Portugal e a incluir o escudo português entre as suas insígnias reais. Por isso, o Tratado de Paz entre Portugal e Espanha só viria a ser assinado em 1668, já entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha.

 

Hoje parece que a História se repete, com Filipe VI no lugar de Filipe IV, e Rajoy no lugar de Olivares. Continuamos a ver as mesmas ficções centralistas, o não respeito pela diversidade dos povos da península, e a tentativa de impor pela força uma união que uma das partes manifestamente questiona. Só que já não estamos no séc. XVII em que a força das espadas decidia estas questões. Estamos no séc. XXI, onde estes conflitos devem ser decididos pacificamente por via eleitoral. Foi o que aconteceu em Timor-Leste em face da Indonésia, e com o Quebeque em face do Canadá com resultados diferentes. Mesmo na Europa Ocidental, já se fizeram referendos nas regiões alemãs do Sarre e do Schleswig-Holstein, bem como na Escócia, sem que ninguém invocasse o tabu de uma antiga constituição ou proclamasse que isso iria conduzir o país e a Europa ao apocalipse. Bom senso e bom gosto é o que se precisa.

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O plebiscito de todos os dias.

por Luís Menezes Leitão, em 21.09.17

No seu Die Welt von gestern (O mundo de ontem), Stefan  Zweig recordava-se de quão maravilhoso era o Império Austro-Húngaro em que tinha nascido, cuja monarquia durava há mil anos e dava uma enorme sensação de segurança a todos os seus habitantes. Mas esse Império não resistiu ao curso da História, tendo sido desfeito em inúmeros estados nacionais que deixaram a antiga Áustria reduzida a um pequeno país. A Europa de 1919 passava a ser outra, criada em Versalhes, e mesmo essa duraria apenas 20 anos, não resistindo a Hitler. A vitória aliada levou à criação de outra Europa em Ialta, no fundo uma Europa dividida pela cortina de ferro, que até partia um país em dois (a Alemanha), tendo estabelecido ainda uma soberania limitada em todo o leste europeu.

 

A Europa de Ialta dava segurança a muita gente, que sempre avisou dos riscos de mexer nas suas fronteiras. Miterrand até dizia que gostava tanto da Alemanha que preferia ter duas. Os alemães é que pelos vistos não gostavam da situação, preferindo a reunificação do seu país. A queda do Muro de Berlim significou o enterro de Ialta, sendo a Alemanha reunificada logo no ano seguinte. Em 1991 seguir-se-iam as independências da Croácia e da Eslovénia, fartas de pertencer a um país dominado pelos sérvios, e o próprio colapso da União Soviética. O facto de existirem minorias sérvias e russas nos novos Estados não impediu naturalmente essa independência. E o mesmo sucedeu em 2008 com o Kosovo em relação à Sérvia. Nessa altura Ialta há muito que estava morta e enterrada.

 

A realidade impõe-se sempre sobre as fronteiras artificiais. Não faz sentido dividir uma nação em dois países (como no caso da Alemanha) e muito menos faz sentido obrigar um povo diferente a fazer parte de outra nação. O caso do Kosovo é óbvio: era um território sérvio mas hoje tem uma população onde os sérvios são apenas 4% e os albaneses 92%. Da mesma forma, a Catalunha sempre foi uma nação com uma língua e uma cultura própria. Se a Croácia é hoje independente, e nunca o foi na sua história, há algum motivo para que a Catalunha não o seja também?

 

Não vale a pena ter saudades de Ialta, como também não valeu a pena chorar pelo velho Império Austro-Húngaro. Como escreveu Renan "a existência de uma nação é, perdoem-me esta metáfora, um plebiscito de todos os dias, como a existência de um indivíduo é uma afirmação perpétua de vida". Para a Espanha chegou a altura de permitir o plebiscito no dia 1 de Outubro. Se o ganha ou perde, compete aos catalães decidir.

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De mal a pior.

por Luís Menezes Leitão, em 20.09.17

Rajoy diz que está a dar uma resposta proporcional e adequada ao referendo catalão, ao mesmo tempo que manda prender os independentistas catalães. Alguém está convencido que se resolve desta forma um conflito político no séc. XXI? Espanha vai de mal a pior. Não admira que os catalães se queiram livrar dela, como bem fizeram os portugueses em 1640.

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Com amigos assim…

por Luís Menezes Leitão, em 18.09.17

 

Costuma dizer-se que a vingança é um prato que se come frio. Neste caso está a ser servido gelado. Sócrates tem há muito tempo velhas contas a ajustar com o PS de António Costa, que lhe tirou completamente o tapete e o deixou sozinho e ignorado. Por isso Sócrates aparece agora a "apoiar" Medina, desde há muito o delfim de Costa, pretendendo misturar na opinião pública o seu caso com o dele, em plena campanha eleitoral. Imagine-se isto como slogan de campanha: "Sócrates e Medina, a mesma luta". Com amigos assim…

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O referendo na Catalunha.

por Luís Menezes Leitão, em 12.09.17

A quem lhe dizia que a Índia estava muito melhor gerida pelos britânicos, Gandhi respondeu: "Não há nenhum povo que não prefira o seu próprio mau governo ao bom governo dos outros". A Catalunha é a região mais rica da Península Ibérica e pode perfeitamente subsistir sozinha, se o quiser. Efectivamente corre o risco de não voltar a entrar na União Europeia se for independente, em virtude do provável veto de Espanha, mas esse é um risco que cabe aos catalães decidir correr. Mas também se dizia que Timor não conseguia subsistir fora da Indonésia e foi o que se viu.

 

Invocar uma Constituição espanhola de 1978 para querer impedir a Catalunha de organizar um referendo para a sua independência em 2017 é perfeitamente ridículo. A nossa Constituição de 1933 também dizia que Angola e Moçambique eram parte integrante do território nacional e não foi por isso que Portugal deixou de lhes dar independência em 1975. Há que reconhecer a realidade existente para além das ficções jurídicas. E uma Constituição que considera que uma nação como a Catalunha não passa de uma Comunidade Autónoma semelhante à Andaluzia está completamente fora da realidade.

 

A Catalunha pode ou não ser independente, consoante a vontade maioritária do seu povo decidir. Mas para isso é preciso que o seu povo seja ouvido, por muito folclórico que alguém o ache. E tal só pode ocorrer por via de referendo. Fizeram-se referendos no Quebeque e na Escócia sem problema algum e os seus habitantes aceitaram pacificamente a decisão, continuando a pertencer respectivamente ao Canadá e ao Reino Unido. Se calhar Mariano Rajoy até ganharia hoje um referendo na Catalunha. Ao optar por não o fazer, preferindo usar a força contra o povo catalão, está no fundo a repetir a velha receita do General Espartero, duque da la Victoria, que nas guerras carlistas declarou que "hay que bombardear Barcelona cada 50 años para mantenerla a raya", preceito que tem sido sistematicamente seguido por Espanha até ao bombardeamento franquista de 1939. Desta simpática receita ficaram felizmente livres os portugueses em 1640. Por isso, pela minha parte apoio integralmente que os catalães tenham a mesma sorte.

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A dimensão das tragédias.

por Luís Menezes Leitão, em 10.09.17

Parece que resulta desta notícia que o número de mortos causado pelo terramoto no México é exactamente idêntico ao das vítimas de Pedrógão Grande: 64. Ou seja, um terramoto com um grau de 8,5 na escala de Richter conseguiu produzir em todo o México tantos mortos como um simples incêndio numa floresta de Portugal. Com a diferença de que um terramoto é incontrolável, enquanto que os incêndios podem ser evitados e combatidos, havendo por isso uma clara ineficiência dos serviços públicos de Portugal no socorro às vítimas, que aliás tem sido mais que demonstrada nos últimos tempos.

 

O que é absolutamente revoltante é a total ausência de assunção de responsabilidades por esta tragédia, passado todo este tempo. O governo passa a vida a pedir papéis, relatórios, análises, e atira as culpas para funcionários subalternos ou para as empresas que ele próprio contratou, em lugar de assumir as suas óbvias responsabilidades políticas com demissões ao mais alto nível. E o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que acha que a sua única função é andar com o governo ao colo, pede "tréguas" sobre o assunto até às autárquicas, pretendendo assim evitar até o julgamento político por parte dos eleitores. Há muito tempo que não se assiste no Estado Português a tamanha falta de vergonha.

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As Cidades-Estado.

por Luís Menezes Leitão, em 08.09.17

Um estrangeiro que cá viesse assistir à nossa campanha autárquica ficaria convencido de que Portugal está transformado num conjunto de Cidades-Estado. Cada Município acha que pode lançar impostos, como Medina em Lisboa, ou criar moeda, como Eduardo Brito na Guarda. Isto já não para falar de cada cidade ter o seu aeroporto privativo como, depois de Beja, agora reclamam Coimbra e Leiria. São estes os resultados da política de descentralização abusivamente praticada por este governo. Já se sabe é quem é que vai pagar a factura de todos estes delírios.

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O debate em Lisboa.

por Luís Menezes Leitão, em 07.09.17


Assisti ontem ao debate na TVI24 entre (alguns) candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Achei o debate muito fraco e foi uma grande desilusão que as candidatas do centro-direita não tenham sido capazes de contraditar Medina, quando ele insistiu que vai continuar a cobrar aos lisboetas uma taxa inconstitucional, que os outros municípios estão a abolir, com argumentos completamente estapafúrdios, como o facto de os bombeiros concordarem com a taxa. Dos dois debates que já vi deu para perceber que Medina é um péssimo presidente da Câmara que herdou, vindo para os debates apenas dizer generalidades, e que Assunção Cristas está muitos pontos acima de Teresa Leal Coelho. Mas seguramente que o candidato mais bem preparado é João Ferreira, do PCP. Demonstra um profundo conhecimento dos dossiers e tem sempre uma argumentação consistente perante os outros candidatos, levando a que até Teresa Leal Coelho vá muitas vezes atrás do que ele diz. Foi o único capaz de dizer a Medina uma coisa óbvia, a de que não se admite uma Câmara cobrar taxas para prestar socorro à população. Os partidos do centro-direita deveriam por isso pôr os olhos no PCP no que respeita à preparação de candidaturas autárquicas. Graças apenas à boa preparação dos seus candidatos, um partido com uma ideologia totalmente ultrapassada consegue continuar a ser uma força política em Portugal.


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Jorge Gomes ou o optimismo.

por Luís Menezes Leitão, em 29.08.17

Nem Voltaire, que se lembrou de colocar o seu Candide em Lisboa aquando do terramoto de 1755, se resolvesse escrever sobre a tragédia dos incêndios de 2017, conseguiria ilustrar o seu romance com alguém tão optimista como Jorge Gomes. De facto a personagem Pangloss não lhe chega aos calcanhares. Que há a dizer perante alguém que refere que comeu belíssimas refeições no teatro de operações? Reconhecer que de facto, nos dizeres do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa já conseguiu contagiar todo o governo com o seu optimismo crónico e às vezes um pouco irritante. Não se preocupam se a tragédia alastra. Pelo menos come-se bem.

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Isto está perigoso.

por Luís Menezes Leitão, em 29.08.17

A notícia de que a Coreia do Norte acaba de lançar um míssil (felizmente não armado) sobre o Japão é a confirmação do agravamento da tensão internacional na região, motivado pela estupidez de Trump. Qualquer pessoa inteligente percebe que o que não tem remédio remediado está e a Coreia do Norte há muito que constitui um Estado pária, completamente à margem do actual sistema internacional, que por isso pode ser ignorado, mas que é um autêntico suicídio tentar combater.

 

Contra a Coreia do Norte não servem condenações internacionais, e muito menos por resolução das Nações Unidas. A Coreia do Norte é o único país do mundo que travou com sucesso uma guerra contra as Nações Unidas, da qual não saiu derrotada. Por isso pode dar-se ao luxo de ignorar tudo o que na ONU se diga, limitando-se a qualificar as sua resoluções como uma nova declaração de guerra. E por isso as ameaças dos EUA são absolutamente irrelevantes para Pyongyang, de nada servindo os disparates que Trump tem vindo a dizer. Ou melhor, podem servir para lançar um mar de chamas sobre Seul, Tóquio e até Guam.

 

Steve Bannon, o estratega principal da eleição de Trump viu isso muito bem quando afirmou o seguinte: "Até que alguém resolva a parte da equação que mostra que 10 milhões de pessoas morrerão em Seul nos primeiros 30 minutos pelo uso de armas convencionais, eu não sei do que estão a falar, não há solução militar aqui. Eles apanharam-nos". Logo a seguir a estas declarações Trump demitiu Steve Bannon. Mais uma vez se demonstra, como no Frankenstein, que é muito fácil a criatura rebelar-se contra o criador. O pior é que isso pode provocar uma catástrofes de dimensões imprevistas. O mundo já tem um louco na Coreia da Norte. Só lhe faltava um monstro de Frankenstein na Casa Branca.

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Boa escolha!

por Luís Menezes Leitão, em 15.08.17

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Se há coisa que me espanta na política portuguesa, é a facilidade com que os nossos políticos deixam de se dar ao respeito e alinham nas coisas mais inacreditáveis apenas para ganhar um punhado de votos. Esta candidatura de Ágata à Câmara Municipal de Castanheira de Pêra é a demonstração eloquente de tudo o que não deve ser feito na política, como o jornal i bem demonstrou nesta excelente entrevista. A candidata informa à saciedade que nada percebe desta (ou se calhar de qualquer outra) autarquia e que nem sequer se identifica com a lista apoiada pelo CDS que a convidou para número 2, uma vez que confessa que aceitaria um convite de qualquer outra lista. Parece haver aqui um manifesto erro, quer de quem a convidou, quer da própria ao aceitar o convite. Era melhor ter respondido como Groucho Marx, que sempre declarou que nunca aceitaria fazer parte de um clube que tivesse o descaramento de o aceitar como sócio. Se qualquer cantora pode ser autarca, está demonstrado o estado a que chegaram as nossas autarquias. E a culpa é seguramente de quem trata desta forma as candidaturas autárquicas.

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A fantochada da Venezuela.

por Luís Menezes Leitão, em 13.08.17

Acho que não houve ninguém que tenha descrito melhor o golpismo numa república sul-americana do que Hergé, com a sua inesquecível figura do General Tapioca. Mas a Venezuela chegou a um estado tal, com aquela assembleia constituinte, que já nem Hergé a conseguiria descrever num dos seus álbuns. Na verdade a tal "assembleia constituinte" deveria elaborar uma nova constituição, mas faz tudo menos isso, estando antes preocupada em legitimar a todo o custo a ditadura de Maduro. É assim que primeiro destitui a procuradora-geral do país e agora pretende alterar o calendário eleitoral das eleições regionais, antecipando-o em relação a uma data já marcada e com a qual os partidos já contavam. Mas o curioso é que o faz por unanimidade (!). Ou seja, naqueles 545 pseudo-deputados dessa pseudo-assembleia constituinte não se encontra uma única alminha que discorde das propostas que lá são apresentadas. Chamar-lhe assembleia de fantoches seria mais adequado. E, sinceramente, quando é que esta fantochada na Venezuela irá terminar?

 

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Falta de vergonha.

por Luís Menezes Leitão, em 24.07.17

Acabo de assistir com perplexidade pela televisão a um primeiro-ministro e dois ministros dizerem que não podem revelar a lista de mortos em Pedrógão Grande porque está em "segredo de justiça". Querem enganar quem? Como eles obviamente sabem, a identidade de vítimas mortais nunca pode estar em segredo de justiça, uma vez que a morte de alguém é um facto público que tem que ser obrigatoriamente inscrito no registo civil, que qualquer pessoa pode consultar. A fuga deste governo às suas responsabilidades é de tal ordem que já não há limites para a sua falta de vergonha.

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Dunkirk.

por Luís Menezes Leitão, em 23.07.17

O novo filme de Christopher Nolan não é uma das suas melhores realizações, estando a milhas, por exemplo, de Batman, o Cavaleiro das Trevas. Mas não deixa de ser um objecto peculiar no quadro dos filmes de guerra. Normalmente os mesmos relatam vitórias épicas, como O Dia Mais Longo ou Inimigo às Portas, sendo raros os filmes que se debruçam sobre desastres militares, ainda que o desastre de Pearl Harbor tenha naturalmente inspirado Hollywood pelo impacto que teve na história americana. Mas Dunkirk relata uma situação completamente diferente, a fuga bem sucedida de um exército ao inimigo. É isso que o torna particularmente interessante.

 

A história de Dunquerque é conhecida. Depois do avanço fulminante da Blitzkrieg os exércitos inglês e francês ficaram completamente cercados nessa praia, onde poderiam ser facilmente destruídos pelas tropas alemãs. Estas lançavam inclusivamente panfletos a apelar à rendição dos exércitos aliados, apanhados numa verdadeira ratoeira.

Churchill compreende que, se o seu exército fosse destruído ou capturado em Dunquerque, nada poderia impedir os alemães de ocuparem a Grã-Bretanha e decide lançar a operação Dínamo, mandando uma série de barcos, não só militares mas também civis, para recolher 45.000 homens, uma pequena percentagem dos 400.000 soldados que estavam em Dunquerque. Uma vez que a Lufwaffe não hesitou em bombardear os barcos e as tropas em retirada, foi necessário o apoio da RAF para proteger a evacuação das tropas. Mas essa evacuação foi um enorme sucesso, tendo sido retirados 300.000 soldados, o que foi talvez decisivo para Hitler não ter invadido a Grã-Bretanha.

É muito curioso examinar no filme a forma como os donos de barcos civis foram sem uma hesitação para Dunquerque retirar as tropas e a reacção do povo inglês ao regresso do seu exército. Os soldados sentiram-se envergonhados ao regressar naquelas condições, mas viram com espanto que a população estava eufórica com o seu salvamento. Mas não porque tivesse ignorado a dimensão do desastre. Churchill reconheceu que o tinha sido e no seu discurso no Parlamento Britânico preparou a Nação para derrotas ainda maiores: "Defenderemos a nossa Ilha, seja qual for o custo, combateremos nas praias, combateremos nos locais de desembarque, combateremos nos campos e nas ruas, combateremos nas colinas, nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande parte dela vier a ser subjugada e passar fome, então o nosso Império de além-mar, armado e guardado pela Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora de Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho".

 

Este discurso é brilhante, não só pelo estímulo à perseverança e ao combate, mas também pelo seu realismo. Churchill nada esconde dos seus cidadãos e avisa-os de que pode vir a passar-se uma invasão e até a ocupação total da Grã-Bretanha pelos nazis. No Portugal de hoje, em que as vítimas das tragédias são escondidas sob a capa de critérios burocráticos, e os cidadãos se permitem viver numa realidade alternativa, as pessoas deveriam prestar especial atenção a Dunkirk.

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A verdade a que temos direito.

por Luís Menezes Leitão, em 23.07.17

Parece que alguém se lembrou de definir uns critérios quaisquer para excluir da lista oficial as "vítimas indirectas" do incêndio. Agora se compreendem melhor as palavras de António Costa que já tinha avisado que a informação devidamente organizada e estruturada é uma mais-valia para todos”. O país passou a viver com uma verdade oficial, a única a que temos direito. Por isso obviamente o Primeiro-Ministro diz que está tudo esclarecido. Pois está, pelo menos a seu respeito. E o nosso afectuoso Presidente, que há tempos garantia que iria ser tudo efectivamente investigado, o que tem a dizer sobre o assunto?

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A saída de Henrique Neto do PS.

por Luís Menezes Leitão, em 21.07.17

Tendo participado num jantar destinado a ouvir a opinião de Rui Rio sobre a actual situação política, estive sentado ao lado de Henrique Neto e tivemos ocasião de conversar sobre o estado do país. Percebi logo que o seu posicionamento estava muito longe do actual PS e que a ruptura seria inevitável. Que ela tenha ocorrido nesta semana não é de espantar. Quando o PS e o Bloco, quais gémeos siameses, queriam fazer arrendar à força as florestas dos pequenos proprietários, recebendo as rendas sem pagar qualquer indemnização aos donos, e só foram impedidos de o fazer pelo PCP está tudo dito. O PS de Costa nada tem a ver com o que era de Soares, de Guterres e de Seguro, sendo hoje um partido radical de extrema-esquerda estilo Venezuela, sem qualquer respeito pelos direitos fundamentais das pessoas. É por isso mais que altura de haver uma clarificação sobre quais são os seus militantes que se revêem nesta política. Henrique Neto teve a coragem de dar o primeiro passo. Onde estão os outros militantes tradicionais do PS?

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Aposta de alto risco.

por Luís Menezes Leitão, em 20.07.17

O PSD, que tem andado completamente à nora nas autárquicas, fez duas escolhas absolutamente contraditórias. Em Lisboa escolheu Teresa Leal Coelho, que consegue cometer gaffes até no discurso de apresentação da candidatura. Acho que a melhor solução é a candidata ficar calada até ao fim da campanha. Pelos menos assim não perde mais votos.

 

Em Loures, pelo contrário, escolheu André Ventura, um comentador televisivo afecto ao Benfica, que deve ter sido escolhido por alguém ter pensado simplisticamente que há muitos benfiquistas em Loures que poderiam dar-lhe o seu voto. André Ventura é ambicioso e, ao contrário do que pode parecer, não comete gaffes, estando habituado a cavalgar a onda das polémicas, de onde espera colher dividendos. É assim que, por ter achado que isso lhe daria votos, não hesitou em agitar as águas na sua campanha eleitoral, fazendo o que tecnicamente se chama racial profiling, ou seja, generalizar a toda uma etnia características de alguns dos seus membros. 

 

Embora a sua ligação a Loures tenha passado apenas por residir no Parque das Nações, que anteriormente pertenceu ao concelho, André Ventura sabe perfeitamente que Loures é racialmente um barril de pólvora, com ódios acumulados que a esmagadora maioria das pessoas ignora. Há uns anos quase houve uma guerra civil na Quinta da Fonte entre a comunidade africana e a comunidade cigana. O candidato apostou por isso num discurso contra os ciganos em ordem a captar os votos dos que têm queixas deles. A jogada é altamente perigosa e nunca deveria ocorrer numa campanha eleitoral, mas é evidente que vai render votos, podendo mesmo Loures vir a ser a única vitória eleitoral de relevo do PSD a 1 de Outubro.

 

O problema é que a vitória de André Ventura pode ser um terramoto nos partidos de centro-direita. Assunção Cristas fugiu a correr da coligação com o PSD em Loures, mas muitos dos seus militantes estão com André Ventura. Recorde-se que o CDS dirigiu a câmara de Ponte de Lima que em 1993 mandou pura e simplesmente expulsar os ciganos do concelho, obrigando à intervenção do Provedor de Justiça. Se Cristas nem sequer conseguir ser eleita vereadora em Lisboa, o que não é de excluir face às sondagens, dificilmente a sua liderança sobreviverá. 

 

A situação de Passos Coelho não é muito melhor. Uma vitória em Loures não minimizará uma derrota no resto do país, e pode legitimar André Ventura a concorrer à liderança do PSD, como ele próprio já assumiu. Aliás, é manifesto que André Ventura já está em tirocínio para o efeito, como se vê pelo facto de responder directamente a António Costa, de forma muito mais contundente que alguma vez Passos fez. A estratégia de Passos de desvalorizar as autárquicas, hoje claramente assumida pelo seu novo líder parlamentar Hugo Soares, não parece que possa ser do agrado dos militantes. As autárquicas significam muitos lugares para o partido, que tenderá a recompensar quem os consegue obter.

 

Passos Coelho diz que está tranquilo com o apoio a André Ventura. Eu pessoalmente não estaria. O fenómeno Trump, que conseguiu engolir sozinho o partido republicano e ser eleito presidente, deveria levar os partidos políticos a compreender quais as consequências de apostar nas figuras televisivas e mediáticas como candidatos eleitorais. Quem chama a raposa para o galinheiro corre o risco de ficar sem as galinhas.

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Um mês depois.

por Luís Menezes Leitão, em 17.07.17

Passou um mês sobre a tragédia de Pedrógão Grande e três semanas sobre o roubo de Tancos. O Primeiro Ministro já regressou de férias, os Ministros continuam alegremente nos seus cargos e o Presidente a fazer o discurso contemporizador do costume. Entretanto, o país voltou a arder e o exército a cobrir-se de ridículo. Isto manifestamente não vai acabar bem.

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A Domicília de volta ao domicílio.

por Luís Menezes Leitão, em 17.07.17

Esta notícia demonstra bem o estado em que vive a nossa instituição parlamentar. O Bloco de Esquerda, esse partido tão querido da nossa comunicação social, convidou uma senhora, Domicília Costa, com a profissão de doméstica,  a candidatar-se ao Parlamento. Esta candidatou-se e para espanto geral foi eleita pelos eleitores do distrito do Porto, embora se deva contar pelos dedos de uma só mão o número de eleitores do Distrito que sabiam que era candidata.

 

Após a eleição, tomando em consideração a enorme experiência internacional da candidata, foi a mesma colocada na comissão parlamentar dos negócios estrangeiros, onde deve ter fiscalizado com enorme brilho a actuação do governo nesta área. Mas, eis que o Bloco, numa espécie de despedimento sem justa causa que envergonharia qualquer empresa privada, exige que a deputada renuncie e esta acaba por ceder. O argumento era que o Bloco queria mais "músculo político" e "capacidade de intervenção", coisa que naturalmente a D. Domicíia Costa, com a sua provecta idade, já não conseguia assegurar. 

 

A D. Domicília foi assim recambiada de volta ao domicílio, esperando o Bloco que fosse substituída por Mário Moutinho que, ao que parece, teria o músculo político suficiente. Mas este, apesar de se ter candidatado ao parlamento, disse logo que não trocava a Invicta por Lisboa e prefere usar os seus músculos no combate autárquico: Assim a D. Domicília vai ser substituída por uma designer, Maria Manuel Rola, de apenas 33 anos, que também aposto que nenhum eleitor do BE no distrito do Porto imaginava que lhe sairia em sorte.

 

Não tenho palavras para exprimir o que penso da displicência com que nos partidos presentemente se encara a função de deputado e o voto dos eleitores.

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Altice no país das maravilhas.

por Luís Menezes Leitão, em 16.07.17

Confesso que a preguiça me tem impedido de fazer o que qualquer consumidor responsável deveria estar sempre a fazer: comparar os preços e os serviços dos diversos operadores de telecomunicações. Não estou por isso em condições de avaliar qual é o melhor operador do mercado. Mas, depois de ter visto António Costa a fazer propaganda no parlamento contra a Altice, cheguei à conclusão de que esta deve merecer claramente a preferência dos consumidores. Isto porque vai cumprir o serviço patriótico de comprar a TVI, para assegurar uma verdadeira televisão independente, que não faça fretes ao PS, como é a escandalosa oferta de poiso semanal a Medina, num óbvio favorecimento da sua campanha eleitoral. Não admira, por isso, que António Costa esteja tão preocupado com esta operação e até queira prorrogar o mandato da ERC, que tem que aprovar a aquisição. Na verdade, nada melhor que seja a mesma ERC, que tem fechado os olhos a todos estes fretes, que venha analisar este negócio, se necessário com o mandato prorrogado. Neste ponto Passos Coelho está cheio de razão. O Portugal da geringonça tornou-se um país terceiro-mundista, a fazer lembrar a Venezuela de Maduro que, não por acaso, até é objecto de manifestações de solidariedade com a presença da banda do exército. A Altice vai cair na toca do coelho e entrar no país das maravilhas. Vamos ver se a Rainha de Copas lhe consegue cortar a cabeça.

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Pensamento da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 15.07.17

Quando os serviços do Estado entram em colapso, a primeira prioridade deste Governo é salvar os seus Ministros.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 09.07.17

Raramente estou de acordo com as suas posições, mas tenho que reconhecer que o blogue Causa Nossa se tem assumido como uma voz independente, capaz de se colocar contra a corrente, mesmo em relação à sua própria área política. Foi assim, por exemplo, na crítica às falsas taxas que os municípios abusivamente lançam ou na não relativização do desastre de Pedrógão Grande e do roubo de material de guerra em Tancos. Por isso, no dia em que festeja 3.000.000 de visualizações, associo-me aos merecidos parabéns, escolhendo o Causa Nossa para blogue da semana.

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Ofereçam-lhes mas é um vôo para a Venezuela!

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.17

Ontem, quando passei de carro na Avenida da Liberdade, assisti a um enorme aparato policial, com carros de polícia no corredor central. Depois reparei que se tratava de uma manifestação de apoio ao inenarrável Maduro, não por acaso no dia em que alguns dos seus jagunços tinham tentado assaltar o parlamento do país, exercendo violência sobre os deputados. Depois de todas as notícias sobre a gravidade do que se está a passar na Venezuela, pelos vistos ainda há 200 alminhas em Portugal que acham que se deve apoiar Maduro e a sua tirania. Como são apenas 200, proponho que se arranje rapidamente um avião que leve todos estes manifestantes com um bilhete só de ida para a Venezuela. Assim, os manifestantes poderão experimentar as delícias do regime de Maduro e talvez no regresso o avião pudesse trazer alguns portugueses que desejam sair de lá. Isso sim, era verdadeiro serviço público.

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Um parlamento vazio II.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Parece que os eurodeputados portugueses acham normal deixar um plenário vazio. É um problema deles. E também de quem lhes paga.

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O Presidente em Tancos.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Se Marcelo quisesse actuar como um verdadeiro Presidente, exigia as demissões dos Ministros. Foi o que Sampaio fez com Armando Vara e Luís Patrão no episódio da Fundação para a Prevenção e Segurança perante um governo, que até era do seu partido, num episódio com gravidade muito inferior ao que se está a passar. Mas Marcelo sempre foi um "entertainer" político, pelo que prefere recorrer a actos de "show off" como uma passeata a Tancos, que naturalmente não terá quaisquer consequências. Outros podem apreciar este estilo. Eu não. Acho que o Presidente deve estar em Belém a exigir do governo as medidas que se impõem e não a passear por quartéis para a comunicação social ver. De um presidente eleito por sufrágio universal espera-se que assegure o regular funcionamento das instituições e não que se dedique a operações de propaganda. Para a mesma, já basta a que vem do próprio governo.

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O Sebastião Pereira ataca de novo.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Agora também escreve no El País.

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Um parlamento vazio.

por Luís Menezes Leitão, em 04.07.17

Queixa-se Juncker com razão de que é ridículo o Parlamento Europeu estar quase vazio para fazer um balanço da presidência de Malta. É estranho ele só reparar nisto agora, pois eu tenho visto sempre os deputados portugueses a discursarem para uma sala vazia. Tal é a consequência de termos instituições europeias que não servem absolutamente para nada. Se o Parlamento Europeu se levasse a sério estabeleceria um quorum mínimo de funcionamento, coisa que até uma assembleia de condomínio tem. Mas como isto é tudo a fazer de conta, salvo nos principescos ordenados pagos aos deputados europeus, o Parlamento Europeu pode funcionar completamente vazio, que ninguém quer saber. Afinal de contas para que serve um Parlamento sem iniciativa legislativa? Criticaram o Brexit mas ponham mas é os olhos no Parlamento Britânico, que está sempre cheio. É a diferença entre uma instituição parlamentar a sério e outra de faz de conta.

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António Costa em férias.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.17

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que fui mas é veranear
Antes de férias, só existi
Cansado e sem nada para dar

 

Portugal, ouve as minhas preces
Não peças que regresse, não quero perder
Estes dias a apanhar um solzinho
Talvez, devagarinho, continues a arder

 

Portugal, ouve as minhas preces
Não peças que regresse, não quero perder
Estes dias a apanhar um solzinho
Talvez, devagarinho, continues a arder

 

Se os meus Ministros não quiserem ceder
Não se demitirem, não quiserem perder
O cargo actual p'lo que virá depois,
Eu e o Marcelo aguentaremos os dois.

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Jornalismo ZEN.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.17

Confesso que não tenho paciência nenhuma para assistir a políticos travestidos de comentadores. O comentário pressupõe distanciamento sobre o que se comenta, o que alguém envolvido no combate político manifestamente não tem. Mas em Portugal entrou na moda os políticos com ar mais senatorial vestirem o fato de comentadores. Foi assim sucessivamente com Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino, José Sócrates, Marques Mendes, Santana Lopes e Francisco Louçã. Claro que os mesmos pretendem convencer-nos de que a sua carreira política terminou, e que por isso estão à vontade para comentar, mas tal é completamente falso. Marcelo Rebelo de Sousa construiu laboriosamente a sua campanha presidencial na televisão e José Sócrates, se o tivessem deixado, também o teria feito.

 

Mas o que me choca mais não são esses espaços de verdadeira propaganda política, que as televisões permitem, e que já se sabe que esses políticos aproveitarão no seu próprio interesse. O que me preocupa é a figura do jornalista ali presente que, ou faz de ponto, ou assiste passivamente a autênticas manipulações sem fazer a mínima correcção ou esclarecimento ou sequer uma simples pergunta. Com a honrosa excepção de José Rodrigues dos Santos, que muita polémica deu, os jornalistas alinham pacificamente nestas verdadeiras operações de propaganda.

 

Vem isto a propósito do momento ZEN de Francisco Louçã, em que ele resolveu comparar as questões de Assunção Cristas no parlamento sobre o combate aos fogos com declarações anteriores da mesma de que, como pessoa de fé, aguardaria pela chuva. O problema é que essas declarações de Assunção Cristas, proferidas em 21 de Fevereiro de 2012, eram relativas à seca e não aos fogos, que não se verificam no pico do Inverno. Quem referiu que a chuva poderia combater os fogos foi Catarina Martins, mas sobre ela obviamente que Louçã não abre a boca.

 

Não me espanta nada que Louçã use o seu espaço televisivo para operações de manipulação, uma vez que nunca esperei dele outra coisa. O que me espanta é que esteja uma jornalista presente a permitir esta operação sem um único comentário ou questão ao entrevistado. É com este tipo de jornalismo ZEN que a comunicação social vai perdendo credibilidade.

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O massacre de sábado à noite.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.17

Já tinha tido a ocasião de comparar a tentativa deste governo de fuga às suas responsabilidades com o comportamento de Nixon no Watergate. Mas agora Azeredo Lopes resolveu fazer uma imitação total de Nixon, reproduzindo o episódio do massacre de sábado à noite, em que Nixon demitiu o procurador independente que o estava a investigar, levando à resignação do Attorney-General e o seu vice. Indo ainda mais longe que Nixon, Azeredo Lopes demitiu de uma assentada cinco comandantes, apenas para assegurar, imagine-se, que "as averiguações decorrerão de  forma absolutamente isenta e transparente".

 

Só há uma pergunta a fazer. O nosso querido e afectuoso presidente, que até é o comandante supremo das Forças Armadas, vai continuar a permitir esta permanente fuga às responsabilidades dos nossos governantes e este constante enxovalhar das instituições sob a sua tutela? Por muito menos que isso Jorge Sampaio dissolveu o parlamento e mandou Santana Lopes para casa. Marcelo deveria perceber rapidamente que a chefia do Estado exige algo mais do que selfies, afectos, beijinhos e abraços. Exige que o presidente tenha sentido de Estado e garanta o regular funcionamento das instituições democráticas. O que manifestamente não está a acontecer no Portugal de 2017.

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O colapso do Estado.

por Luís Menezes Leitão, em 28.06.17

Quando Nixon percebeu que o Watergate o estava a atingir, resolveu pedir a um dos seus assessores que fizesse um relatório a explicar tudo o que sabia sobre o assunto, obviamente para lhe passar as culpas pelo caso. Ele respondeu-lhe imediatamente que não iria ser o bode expiatório das decisões do presidente e passou a colaborar directamente com as investigações a Nixon. António Costa também está a tentar desesperadamente salvar Constança Urbano de Sousa, apesar de ser neste momento evidente para todos que o sector que ela tutela colapsou em Pedrógão Grande. Para essa operação de salvamento obteve o apoio directo de Marcelo Rebelo de Sousa, que na própria noite do incêndio fez a maior declaração de absolvição política de que há memória em Portugal. Mas, apesar de popularidade de Marcelo, isso não chegou e a opinião pública começou a exigir responsabilidades. Por isso António Costa resolveu arranjar um bode expiatório que pudesse assumir as culpas pela tragédia, pedindo relatórios a diversos serviços para lhe permitir encontrar um culpado e salvar a sua Ministra.

 

O problema é que, como também seria de esperar, ninguém nos serviços está na disposição de ser imolado em holocausto e sucedem-se os relatórios a passar as culpas uns aos outros. Assim, a protecção civil diz que a culpa do SIRESP. O SIRESP, num relatório que publicou, nega que a culpa seja sua.  Os bombeiros respondem que a culpa é dele. Assiste-se assim a um jogo de pingue-pongue entre os serviços da administração interna, mostrando que neste ministério já não há rei nem roque. Já se percebeu, no entanto, que ninguém vai assumir responsabilidades.

 

A primcipal função do Estado é proteger os seus cidadãos. Um Estado que deixa morrer 64 pessoas é um Estado que colapsou. Quando deixam que tudo se passe sem consequências, Marcelo e Costa admitem que não se importam de estar à frente de um Estado nessas condições. E isto só demonstra que não deveriam estar nos cargos que ocupam.

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O amadorismo na política.

por Luís Menezes Leitão, em 26.06.17

Um líder da oposição não pode soprar um bitaite que acabou de ouvir de uma pessoa ao lado. Especialmente quando esse bitaite seria uma notícia em primeira mão, que ninguém até então tinha dado, e que portanto não se poderia repetir sem ser confirmada. Passos prejudicou objectivamente o PSD com este amadorismo e permitiu que o PS saísse por cima. Mas já se sabe que haverá muitos militantes a tudo perdoar, sabe-se lá à espera de quê. Para mim, há muito tempo que Passos Coelho deveria ter percebido que a sua oposição está a ser totalmente ineficaz e dar lugar a outro. O dia de hoje foi apenas infelizmente mais um exemplo de algo que tem sido recorrente e que explica as sondagens dramáticas que o PSD tem. Agora Passos Coelho vai ter pelo menos que passar a pasta a outra pessoa na questão de Pedrógão Grande, pois já ninguém dará qualquer crédito ao que ele disser sobre este assunto. Vamos ver quanto tempo durará até que venha a ter que passar a pasta nas restantes matérias.

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O novo menino de ouro do PS.

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.17

Segundo nos informa hoje o Público num artigo absolutamente isento e imparcial, e que nada tem de propaganda, Fernando Medina é o novo "menino de ouro" do PS, que agora vai mostrar o que vale nas eleições autárquicas. O PS adora meninos de ouro, sendo que o último que me lembro que teve esse qualificativo foi o nosso querido José Sócrates, que atirou o país para a bancarrota. Mas este menino de ouro não precisa nada de provar o que vale em eleições, pois já demonstrou o que vale na Câmara: lançamento de taxas inconstitucionais, até na opinião do Provedor de Justiça e do insuspeito Vital Moreira; obras intermináveis, quedas de viadutos e de gruas, que deixam o trânsito num caos, etc, etc. Se o centro-direita tivesse tido a inteligência de arranjar candidaturas minimamente consistentes este menino de ouro, na verdade com muita lata, iria mas é pregar para outra freguesia. Assim, é bem provável que a vida dos lisboetas continue a ser o inferno em que ele a quis tornar.

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O mistério do jornalista Sebastião Pereira.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.17

Como esta notícia bem demonstra, foi praticado um crime grave em Portugal. Há um indíviduo que escreve para o El Mundo, intitulando-se Sebastião Pereira, e que, com inaudita má fé, informou o povo espanhol de que a carreira política do nosso querido Primeiro-Ministro pode estar em risco com os incêndios. Que ignomínia! Nunca o nosso amado Primeiro-Ministro ou sequer o mais obscuro Secretário de Estado deste governo pode ter a carreira política em causa com um incêndio que matou apenas 64 pessoas.

 

Mas felizmente que já está a decorrer uma investigação jornalística séria que descobriu que o nome Sebastião Pereira não está registado como jornalista e se trata de alguém que se esconde sob um pseudónimo, violando todas as regras da deontologia. Não sabem que o uso do pseudónimo é expressamente proibido para qualquer jornalista? Não sabem que Mário Castrim se chamava mesmo assim? E têm alguma dúvida de que o Primo Basílio, o Agapito Pinto e o Agapito Pinto Filho, que em tempos escreveram no Correio da Manhã, eram pessoas reais e que nada têm a ver com um senhor que por acaso hoje até ocupa o palácio de Belém?

 

Há que esclarecer rapidamente o mistério do torpe jornalista que se esconde sob o pseudónimo de Sebastião Pereira. Deve ser seguramente alguém ao serviço de interesses ocultos, que não querem que o país continue a viver como habitualmente, feliz sob a gestão do excelso governo da geringonça. Este, demonstrando a sua enorme queda para a literatura, reage aos incêndios perguntando, como António Lobo Antunes, "que farei quando tudo arde"? E, quando o referido jornalista for apanhado, impõe-se rapidamente que ele seja imolado pelas suas horrorosas blasfémias em auto-de-fé no terreiro de Belém. Isto se entretanto não tiver surgido qualquer outro incêndio que se possa aproveitar para o efeito.

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São João sem balão.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.17

Olha o balão na noite de São João! Não, afinal não. Não há festa nem festança que não seja proibida pela D. Constança.

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Os malefícios do regionalismo.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.17

Estava à vista aonde é que a guerra do alecrim e da manjerona entre Lisboa e Porto nos iria conduzir. Tive ocasião de avisar os nossos regionalistas ferrenhos de que a guerra tardia pela localização da agência no Porto só iria contribuir para que ela não fosse para lugar nenhum de Portugal. Assim, aqueles que travaram essa guerra conseguiram o seguinte: poderia haver uma agência em Portugal a 300 km do Porto. Agora a agência será colocada num país estrangeiro a 1800 km do Porto. Aí está como o regionalismo prejudica claramente os interesses de Portugal, a benefício dos verdadeiros senhores da Europa.

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Em Portugal a culpa morre sempre solteira.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.17

Se há alguma coisa que caracteriza Portugal é o facto de neste país a culpa morrer sempre solteira. Não é por isso de estranhar que, perante a tragédia de Pedrógão Grande, o Presidente diga que se fez "o máximo que se poderia ter feito" e que "não era possível fazer mais". Em Portugal nunca é possível fazer nada para prevenir tragédias e por isso não vale a pena procurar responsáveis. Se uma ponte cair em Portugal, matando 59 pessoas, a culpa nunca é de quem tirou abusivamente areia do rio junto à ponte, de quem não vigiou o estado da ponte, ou de quem não ordenou a sua reparação, apesar de ter sido avisado para o efeito. Não! A culpa é de o leito do rio estar demasiado baixo e de ter ocorrido uma cheia grande.

 

Da mesma forma, se um incêndio em Pedrógão Grande matar 62 pessoas, sendo que algumas delas morreram presas numa estrada, a culpa não é de quem não tomou providências perante o alastrar da tragédia, designadamente cortando a estrada. Não, a culpa é do raio que destruiu a árvore seca, causando o incêndio. Que em pleno séc. XXI, com os meios de vigilância por satélite que existem, um raio seja susceptível de causar tantos danos, é algo que não impressiona. As tragédias são sempre inevitáveis, e só nos resta aguardar que não venha outra ainda pior.

 

É por isso que ao contrário do Rui Rocha, eu só posso aplaudir as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa. Afinal de contas, há que salvaguardar a estabilidade política a todo o custo. Não nos devemos esquecer de que há 16 anos houve um Ministro que, perante a tragédia de Entre-os-Rios, teve o acto impensado de se demitir. Felizmente que desta vez estamos livres de que aconteça algo semelhante. 

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Helmut Kohl (1930-2017)

por Luís Menezes Leitão, em 16.06.17

Depois de Bismarck, Helmut Kohl é seguramente o maior estadista da história alemã. Recebeu um país dividido em dois pela cortina de ferro, com a metade ocidental ainda a expiar a culpa do nazismo, e começou pacientemente a reerguer a Alemanha. Primeiro declarou que a Alemanha ia abandonar a tradicional expiação colectiva, indicando o seu próprio caso pessoal: "Eu tinha 15 anos quando a guerra acabou. Não tenho culpa nenhuma do que se passou lá". Depois foi o primeiro a exigir, após a queda do Muro de Berlim, a imediata reunificação da Alemanha. Enquanto os outros políticos alemães falavam nessa possibilidade como um cenário a longo prazo, e os restantes países europeus o viam como um simples cenário de pesadelo, Kohl exigia uma reunificação imediata. Para a obter, pagou tudo o que lhe pediram por ela. Primeiro, aceitou converter o marco DDR numa paridade 1:1 com o Deutsche Mark, o que fez aumentar enormemente o custo da reunificação. Depois aceitou abandonar o próprio marco a troco do euro, o preço que os parceiros europeus lhe pediram para não se oporem à reunificação, julgando que assim controlavam a Alemanha. Mas o homem que quando atravessou pela primeira vez o muro, proclamou perante a porta de Brandenburgo: "Este é o dia mais feliz da minha vida!", tudo aceitou para devolver à Alemanha o lugar que entendia lhe ser devido na Europa. O estado actual do seu país demonstra bem como ganhou a aposta.

 

Mas Helmut Kohl não era apenas grande em dimensão política, era-o também no excesso de peso que o atormentava, o que encarava com bonomia. Era obrigado a passar as férias de Verão numa clínica de emagrecimento e ao longo do ano ia vestindo fatos de dois tamanhos, um para a altura em que tinha saído da clínica, e outro para quando se aproximava a altura de lá regressar. O seu apetite incontrolável levou a uma história curiosa: Uma vez o seu adversário político Oskar Lafontaine foi atacado por uma louca que o tentou degolar, só por milímetros não lhe atingindo a carótida. Kohl foi informado dessa notícia quando acabava de sair do restaurante onde jantara. A perturbação foi tanta que teve uma quebra de tensão. Como resolveu o problema? Voltou para o restaurante e jantou outra vez.

 

Ironicamente, comentava-se sobre ele que era preferível ter um chanceler alemão que acordava de noite com vontade de assaltar o frigorífico do que de invadir os países vizinhos. Mas essa petite histoire não ficará para a História. Essa só recordará o homem que, através da reunificação alemã, inscreveu o seu nome em letras de ouro na História da Alemanha.

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Jogar e perder.

por Luís Menezes Leitão, em 09.06.17

Não há jogadas seguras em política. Uma eleição nunca está garantida, pois depende de factores imprevisíveis, como na teoria do caos em que a borboleta que bate as asas em Pequim provoca um temporal em Nova Iorque.

 

Theresa May, perante as dificuldades políticas do Labour de Jeremy Corbyn, julgou que poderia calmamente convocar eleições, e ter uma maioria que lhe garantisse um mandato forte para as negociações de um "hard Brexit". Mas a verdade é que não se pode vender a pele do urso antes de o ter morto, e Corbyn revelou-se um osso muito duro de roer na campanha, apostando em cumprir o slogan que imediatamente surgiu: "Let's make June the end of May". Por outro lado, Theresa May mostrou uma absoluta incompetência política, ameaçando os ingleses com mais impostos, como o "imposto sobre a demência", a fazer lembrar o poll tax que precisamente deitou abaixo Thatcher. Desde Mondale que se sabe que em eleições não se anunciam novos impostos e ponto final.

 

E agora? Dificilmente May continuará a liderar o governo, e mesmo que os conservadores continuem no poder, o Brexit pode tornar-se tão soft que ninguém dê por ele. E nem é de excluir a hipótese de Corbyn conseguir imitar António Costa e montar uma geringonça no Reino Unido, para fazer também as reversões prometidas, como a renacionalização dos transportes. Aconteça o que acontecer, o Reino Unido está metido num grande sarilho. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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Recordação de Timor-Leste.

por Luís Menezes Leitão, em 07.06.17

Estive em Timor-Leste em 2000, no ano seguinte ao referendo, a fazer uma formação aos magistrados timorentes. Nessa altura encontrei a cidade de Dili completamente destruída, praticamente sem nenhum edifício de pé, dando a perceber a violência que ali tinha ocorrido. Na altura visitei ainda Baucau, Liquiçá e Ermera, e senti sempre uma profunda vergonha pela actuação dos portugueses nos diversos momentos da nossa história recente com Timor-Leste. Olhei para a ilhota de Ataúro e não percebi como foi possível em 1975 um governador português ir refugiar-se ali, deixando o território a ferro e fogo. Pensei na campanha do Lusitânea Expresso e questionei-me que sentido fez mandar um barco para ali para dar de frosques ao primeiro aviso da marinha indonésia. E finalmente, fiquei a pensar como foi possível organizar um referendo sem as mínimas condições de segurança, permitindo que meia dúzia de milícias mais uma vez dessem cabo daquilo tudo. Como um timorense me disse, num português de que ainda se lembrava, quando olhei para a destruição: "Os gajos ficaram zangados com o resultado da nossa votação".

 

Se há coisa que era visível em 1999, mesmo a partir de Lisboa, era o pânico que essas milícias tinham causado a quem lá estava. Como é óbvio, os membros da delegação portuguesa só pediam que os tirassem de lá rapidamente e mesmo os jornalistas faziam directos a solicitar exactamente a mesma coisa. Ana Gomes, a partir de Jacarta, respondeu-lhes uma vez em directo: "Os senhores sabiam que não vinham para Cacilhas". E, de facto, mais uma vez toda a gente debandou e teve que ser uma força australiana, vinda de Darwin, a meter na ordem aqueles arruaceiros. Lembro-me de ter visto pela televisão um australiano a dizer: "Os portugueses criam sempre estes sarilhos e nós é que temos que ir apagar os fogos em vez deles".

 

Não tenho por isso pena nenhuma de que o indigitado chefe das secretas tenha tido que renunciar por causa do que aconteceu em Timor-Leste. Se já vai tarde a assunção de responsabilidades pelo que aconteceu naquela altura, mais vale tarde do que nunca. António Costa, que lhe deu total cobertura política num assunto muito sério, bem podia aprender a lição.

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Mais um ataque sem resposta.

por Luís Menezes Leitão, em 24.05.17

Depois de mais uma cidade na Europa ter sido brutalmente atacada, a única coisa a que se assiste é aos habituais discursos contemporizadores com o terrorismo, muitas vezes com atribuição de culpas próprias aos países ocidentais, como se artistas e crianças inocentes a divertir-se num concerto tivessem alguma culpa do que quer que seja. Há muito tempo que acho que isto só vai acabar quando se fizer uma coligação internacional contra o Daesh, que o persiga no seu próprio território, e ponha ordem nesta confusão que se deixou criminosamente instalar na Síria e no Iraque. Porque a única culpa do Ocidente consiste em precisamente em não fazer nada contra isto, quando o deveria ter feito há muito tempo. Como disse Leonardo da Vinci, "chi non punisce il male, comanda che lo si faccia".

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"Tem que manter isso, viu?"

por Luís Menezes Leitão, em 18.05.17

 

Há alturas em que um país entra numa deriva total, com um simples processo judicial. Aconteceu em Itália com a operação mãos limpas e agora corre o risco de acontecer no Brasil com a queda total dos actuais políticos brasileiros. Depois de Lula ter sido envolvido na Lava-Jato, e de Dilma ter sido destituída, agora surge a gravíssima acusação de compra do silêncio de Eduardo Cunha na prisão por parte do presidente Michel Temer e de Aécio Neves, sendo o Presidente apanhado a incentivar essa atitude. A reacção do Congresso Brasileiro demonstra bem um país à beira do colapso. Isto não vai acabar bem. 

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Les beaux esprits se rencontrent

por Luís Menezes Leitão, em 11.05.17

Sócrates acusa Ministério Público de "caça ao homem".

 

Lula diz-se alvo de uma "caçada jurídica".

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Uma campanha alegre no Porto.

por Luís Menezes Leitão, em 06.05.17

O PS no Porto tem tido tanto sucesso que decidiu apresentar duas equipas como candidatas à Câmara. Rui Moreira é a equipa A, enquanto Manuel Pizarro é a equipa B. Ao contrário do que sucede no futebol, nas autárquicas as equipas A e B podem jogar na mesma Liga. E já se sabe que no fim repartirão os pelouros na vereação como sempre fizeram. Vai ser uma verdadeira campanha alegre.

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Zangas de comadres.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.17

Não me espantou nada o apoio do PS a Rui Moreira na Câmara do Porto, uma vez que sempre me pareceu evidente que Rui Moreira estava a fazer no Porto uma gestão integralmente socialista. O que sempre estranhei foi que o CDS continuasse a apoiá-lo. Encarei por isso com muita naturalidade o facto de Ana Catarina Mendes dizer que a vitória de Rui Moreira no Porto será a vitória do PS. Isso é evidente para qualquer observador minimamente atento. Azeredo Lopes e Matos Fernandes, respectivamente chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto e presidente das Águas do Porto na gestão de Rui Moreira, não são hoje ministros de António Costa?

 

Mas Rui Moreira, pelos vistos tem um ego do tamanho do mundo, pelo que acha que a vitória será exclusivamente sua e decidiu agora rejeitar o apoio do PS, embora estranhamente não tenha reclamado a restituição dos seus ministros a António Costa. Pelo caminho poderia igualmente rejeitar o apoio do CDS que nunca lhe fez falta alguma na gestão da Câmara.

 

Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes. Se não têm nenhum militante para apresentar como candidato, mais vale irem pastar para outras paragens. E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS é alguém que eu não quereria a gerir a minha cidade. Felizmente que não moro no Porto. Alguém nesta história andará seguramente enganado. Em qualquer caso os eleitores bem podiam ser poupados a estas zangas de comadres.

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Um apoio de peso.

por Luís Menezes Leitão, em 04.05.17

 

Como se pode ver por este vídeo, Obama acaba de declarar o seu apoio a Macron nas eleições francesas. Considerando a enorme eficácia que Obama tem tido neste tipo de intervenções junto de outros povos — afinal já aconselhou os britânicos a rejeitarem o Brexit e os americanos a escolherem Hillary Clinton — eu, no lugar de Macron, ficaria muito preocupado com este apoio. Mas pode ser que à terceira seja de vez. Ou então não há duas sem três…

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A intolerância religiosa dos deputados.

por Luís Menezes Leitão, em 03.05.17

Tenho acompanhado com um sorriso nos lábios a magna questão sobre a discussão da tolerância de ponto a propósito da vinda do Papa Francisco. Estou particularmente chocado com os deputados intolerantes que se manifestaram contra essa benesse aos funcionários públicos, ansiosos por ir ver o Papa ao Algarve num fim-de-semana prolongado.

 

O que ninguém está, porém, a referir é a escandalosa discriminação de não conceder a tradicional amnistia pela vinda do Papa Francisco a Portugal. Em anteriores vindas de Papas não havia apenas uma tolerância de ponto, mas também uma amnistia que limpava todas as multas, coimas e quejandos, a bem da caridade cristã, misericordiosa para com esses pecados veniais.

 

Afinal de contas perante uma vinda de um Papa tão importante como o Papa Francisco, a amnistia era um "must" que se impunha, tendo aliás sido pedida pelo Papa. Pelos vistos os deputados não estão abrangidos pelo espírito da visita papal.

 

Os deputados que deixem de ser religiosamente intolerantes e aprovem mas é a amnistia. Todo o país cristão — e não apenas os funcionários públicos — o exige.

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Uma campanha desastrosa.

por Luís Menezes Leitão, em 01.05.17

Em 2002 quando Jean-Marie Le Pen passou à segunda volta, foi visível o alívio de Jacques Chirac, que temia enfrentar outra vez Lionel Jospin, o qual poderia derrotá-lo. Chirac percebeu que com Le Pen não corria esse risco, mas apesar disso fez uma campanha permanente e consistente, avisando que era preciso votar nele para barrar o caminho a Le Pen. A esquerda alinhou totalmente na sua campanha e embora odiasse Chirac, a quem chamava "o escroque", lá foi dizendo que mais valia votar num escroque do que num fascista. Chirac foi assim facilmente reeleito com 84% dos votos, sendo que um dos que na altura lhe manifestou apoio foi Mélenchon.

 

Quinze anos depois, Macron deve ter julgado que lhe bastaria também ir à segunda volta com Marine le Pen para ter a eleição no papo. Foi assim que fez um discurso de vitória logo após a primeira volta (!) e foi festejar com duzentos convidados (!!) numa brasserie chique de Montparnasse intitulada "La Rotonde", onde distribuiu champanhe francês à descrição (!!!). Foi um disparate rotundo. Macron não percebeu que nem ele é Chirac, nem Marine le Pen é o seu pai, sendo uma adversária muito mais perigosa. Foi assim que enquanto Macron ficou em pousio até quarta-feira, se calhar por causa da ressaca da festa, Marine já andava correr os mercados e os pescadores desde as primeiras horas da manhã de segunda-feira. Um erro crasso de Macron que o próprio Hollande não hesitou em denunciar.

 

O segundo erro de Macron foi a visita à fábrica da Whirlpool que vai ser transferida para a Polónia. Não se percebe porque é um candidato presidencial vai visitar uma fábrica com trabalhadores desesperados se não tem nada de concreto para lhes prometer, a não ser um discurso abstracto sobre as regras europeias, saindo por isso de lá vaiado. Marine le Pen limitou-se a prometer que com ela a fábrica não fecharia — promessa obviamente impossível de cumprir — e saiu de lá em ombros.

 

Macron percebeu que o discurso anti-europeísta de Marine le Pen lhe estava a render frutos, enquanto que o seu discurso pró-europeu lhe causava engulhos, tanto assim que nem sequer conseguia agora recolher o apoio de Mélenchon, que por muito que odiasse Marine le Pen, também não conseguia declarar apoio a Macron. Pelos vistos os seus eleitores da França Insubmissa podiam ser facilmente convencidos a votar num escroque contra um fascista, mas já lhes custa muito mais votar num banqueiro contra uma fascista, até porque Marine fez logo questão de demonstrar os muitos pontos comuns que existem entre o seu programa e o de Mélenchon.

 

Talvez por isso Macron resolveu fazer agora um verdadeiro pino eleitoral, ameaçando a Europa com um Frexit se não se reformar, naturalmente às conveniências da França. Ora a principal oposição do eleitorado francês a Marine le Pen era precisamente pelo seu discurso anti-europeu, pelo que se Macron alinha no mesmo discurso, não só credibiliza as propostas de Marine le Pen, como destrói a principal razão para os franceses votarem nele.

 

Apesar de todos estes disparates, Macron pode continuar a ganhar no domingo. Não deixa, porém, de ter feito a pior campanha presidencial de sempre numa segunda volta.

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