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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 24.03.17

«O Acordo Ortográfico de 1990, em que abundam aberrações de todo o tipo, é mais um dos "monstros" gerados pela governação de Cavaco Silva (o mais famoso dos quais é o da dívida pública). E aqui vão, tão-só, dois exemplos.

O primeiro é o da eliminação arbitrária do uso do hífen. Que me pôs a suspeitar da razão pela qual a expressão "cor-de-rosa" tem hífen e a expressão "cor de laranja" não tem! Terá sido uma profecia política que só agora se consumou, com o traço de união entre o partido cor-de-rosa (PS) e a maioria parlamentar de esquerda que aguenta o governo?! E o partido cor de laranja (PPD-PSD) terá ficado sem hífen porque ameaça desmoronar-se?!

O segundo é o da supressão arbitrária do acento agudo, a provocar situações hilariantes. Veja-se o caso da expressão popular "Alto e pára o baile" (isto é, "stop"). Escrita com acento agudo antes do AO90, passou a escrever-se sem acento agudo - "Alto e para o baile" (isto é, "go") - na grafia do AO90.»

Alfredo Barroso, no i

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Postais de Lisboa (1)

por Pedro Correia, em 24.03.17

«Seguindo em direcção ao Cais do Sodré à procura de uma cadeira e um café, a única coisa que me acompanha, depois de passar a Portugália, é o rio, um barco ou outro e um cheiro intenso a - peço desculpa pela linguagem - mijo.

Eu sei que não faz parte das funções da CML ou da Junta de Freguesia da Misericódia dar lições de civilidade ao bando de energúmenos que se alivia na rua, mas não me parece que, numa altura em que toda a gente enche a boca com o turismo e jura a pés juntos que não temos turistas em excesso, se possa aceitar que uma parcela da margem do Tejo seja um urinol a céu aberto.»

Edgardo Pacheco, no Correio da Manhã (24 de Março)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.03.17

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Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial, de Maria José Oliveira

História

(edição Saída de Emergência, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 24.03.17

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Laura Marling

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 24.03.17

Às Crónicas de uma Menina da Mamã.

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Frases de 2017 (10)

por Pedro Correia, em 23.03.17

«Nunca recebi dinheiro de ninguém.»

José Sócrates, 13 de Março

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As canções da minha vida (9)

por Pedro Correia, em 23.03.17

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JOÃO E MARIA

1977

 

Houve um tempo em que o País parava para ver telenovelas brasileiras. Tudo começou com a Gabriela, acalmados já os ardores revolucionários. A moda pegou e durante anos não falhámos as que iam sendo exibidas em doses sucessivas ainda a preto e branco na RTP, monopolista da transmissão televisiva em Portugal: O Casarão, O Astro, Dancin' Days, Pai Herói

Recordo-me como se fosse hoje do genérico de Dancin' Days, telenovela urbana e contemporânea, muito diferente do imaginário de Jorge Amado: a canção-tema das Frenéticas irrompia no ecrã aproveitando a febre do disco sound então muito em voga, fazendo furor nas pistas de dança.

Durante meses a fio, o folhetim televisivo teve quase tanto sucesso entre nós como tivera pouco antes no Brasil, onde foi exibido entre Julho de 1978 e Janeiro de 1979. Em grande parte devido à qualidade do elenco, onde se destacavam Sónia Braga, António Fagundes, Joana Fomm, José Lewgoy, Reginaldo Faria, Pepita Rodríguez e Mário Lago. E também das canções nele inseridas, incluindo Antes que Aconteça, de Marília Barbosa, Outra Vez, de Márcio Lott, Amanhã, de Guilherme Arantes, e Copacabana, de Dick Farney.

Mas o tema que mais me prendeu foi uma valsinha que iluminava as cenas do par romântico juvenil. Ela, a Glória Pires, no seu primeiro papel de relevo na televisão. Ele, o malogrado Lauro Corona, em estreia absoluta na Globo. Nós tínhamos a idade deles: revíamo-nos naquelas personagens e naquelas situações. Ao som de João e Maria, fabuloso dueto entre Nara Leão e Chico Buarque.

 

Durante três décadas, este tema só teve música. Composta em 1947 pelo genial Sivuca, Severino Dias de Oliveira (1930-2006) – maestro, orquestrador, instrumentista, mago da guitarra e da sanfona. Reza a lenda que a melodia funcionou na perfeição para todo o tipo de serenatas do namoradeiro compositor, que em 1976 decidiu remetê-la a Chico Buarque. Era tempo de encontrar uma letra adequada – e quem melhor do que o criador de A Banda, Pedro Pedreiro e Construção para lhe colar uns versos?

Chico, hoje com 72 anos, fez mais que isso: criou uma das mais belas trovas de sempre da chamada música popular brasileira. Escrita como se fosse um diálogo entre duas crianças que não queriam tornar-se adultas, remetendo-nos para o imaginário dos irmãos Grimm.

O cantor explica assim como lhe surgiu a inspiração: «Ele [Sivuca] mandou uma fita com uma música que ele compôs em 1947, por aí. Eu falei: “Mas isso foi quando eu nasci.” A música tinha a minha idade. Quando eu fui fazer, a letra me remeteu obrigatoriamente pra um tema infantil. A letra saiu com cara de música infantil porque, simplesmente, na fitinha ele dizia: “Fiz essa música em 47.” Aí pensei: “Mas eu era criança…” e me levou pra aquilo.»

E levou muito bem. “Forma e conteúdo perfeitos”, na definição certeira de Nara Leão. O dueto com Chico teve estreia num disco dela surgido em 1977: Os Meus Amigos São um Barato – faixa sete do LP, dois minutos e 23 segundos de fascinantes jogos de palavras acompanhados pelo próprio Sivuca (tocando sanfona e violão), João Donato (teclado), Luizão Maia (contrabaixo), J. T. Meirelles (flauta) e Paulinho Braga (bateria).

 

Meses depois, transposto do disco original para a banda sonora da telenovela de Gilberto Braga, cujo LP vendeu quase um milhão de cópias, João e Maria passou a ser cantado no Brasil inteiro. E não tardou a cruzar o Atlântico, desembarcando em Portugal. Onde se tornou numa espécie de hino de uma geração incuravelmente romântica – aquela a que pertenço.

Geração hoje de adultos que jamais esquecem os seus dias de meninos prontos a enfrentar batalhões imaginários para impressionar princesas lindas de se admirar. Os anos voam mas o disco mantém-se a rodopiar ao ritmo da valsa lenta, clarão solar teimando em iluminar a noite que não tem mais fim.

 

«Agora eu era o herói / E o meu cavalo só falava inglês / A noiva do cowboy / Era você além das outras três. // Eu enfrentava os batalhões / Os alemães e seus canhões / Guardava o meu bodoque / E ensaiava um rock para as matinês. // Agora eu era o rei / Era o bedel e era também juiz / E pela minha lei / A gente era obrigado a ser feliz. // E você era a princesa / Que eu fiz coroar / E era tão linda de se admirar / Que andava nua pelo meu país.»

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.03.17

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Políticos.pt, de José Magalhães

Guia prático das remunerações de altos cargos da República

(edição Alêtheia, 2017)

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Já li o livro e vi o filme (177)

por Pedro Correia, em 22.03.17

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O PADRINHO (1969)

Autor: Mario Puzo

Realizador: Francis Ford Coppola (1972)

O filme deu sopro de épico ao mundo do crime: voou tão alto que superou o livro. Mas a copiosa obra de Puzo (700 páginas) é também uma referência no seu género. "É impossível parar de a ler", na definição certeira do New York Times.

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Convidado: LUÍS ROBALO

por Pedro Correia, em 22.03.17

 

Copos e gajas, de preferência boas

 

De manhã se começa o dia, dizia a minha querida avó, mulher avisada, que vestia de preto, tinha um buço pronunciado e gostava da pinga às escondidas.

Como quem sai aos seus, aos seus sai, já enfiei dois medronhos, para dar energia a enfrentar o dia que dá trabalho, e até chegar ao fim, é uma peregrinação quase religiosa ao botequim do chico. Pelo menos tenho fé em ir lá, é uma espécie de purificação do meu interior.

Agora só bebo sininhos, estou em dieta alcoólica, só pequenas quantidades (de cada vez claro). Não se pode dizer que saia caro. Cada sininho são 30 cêntimos. Um copo de três, cinquenta cêntimos. Apesar de alguém desavisado poder estar em desacordo (está longe, não vê, está mal informado), sou uma pessoa poupada: só bebo um de cada vez.

Se descontar de todos os que bebo, as ofertas, os brindes às efemérides de cada parceiro que frequenta o botequim, e os que o Chico se esquece de cobrar, gasto realmente muito pouco. Sou portanto no Sul, um dos homens mais poupados (mas há quem esteja ainda mais abaixo. O Sul não acaba aqui).

 

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Nunca fui de esbanjar dinheiro, na verdade nunca o tive. Comecei a trabalhar bem cedo na terra, sem tempo para estudos nem letras. Depois alguém disse que era melhor deixar de trabalhar a terra. Não valia a pena, pagavam para ficarmos em casa. Só a partir daí é que comecei a ter algum dinheiro para gastar.

Como nunca pude aturar um ajuntamento de mulheres - só para o truca-truca, e mesmo assim apesar de eles acharem, está longe de ser todos os dias - e como é em casa que elas se juntam, para ocupar o tempo livre comecei a frequentar a tasca do chico. Entretinha-me a jogar as cartas, ao dominó e a ver os bonecos do “Correio da Manhã”, posto que não sei ler convenientemente: o pouco que leio, não entendo.

Ora para uma pessoa se entreter tem que consumir, o chico não alimenta a família com ar, é do negócio da venda de bebidas espirituosas, torresmos e sandes de bifanas em vinha-d’alhos.

Não sei o que aconteceu, mas ultimamente só se ouve falar de nós, do medronho, do tinto e das gajas. Isto é uma aldeia pacata. O medronho e o tinto para nós é água e não chamamos gajas às mulheres, chamamos mulheres, e apesar de falarem até à exaustão, gostamos delas não as tratamos como gajas.

 

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De repente vieram para aí jornalistas e televisões, a fazerem perguntas, e sinceramente não entendo o alarido. Nós matamos a sede com prazer e gostamos à nossa maneira das mulheres, não andamos a roubar, a mentir, nem a beber bebidas finas com borbulhas nos salões onde eles vão todos aperaltados apalpar as mulheres dos outros quando vão à casa de banho retocar os beiços, e depois fazem negócios com eles, como se fossem amigos do peito.

Um dia destes ainda fecham a porta do Chico e aí quero ver como vamos matar as horas do dia: só se for sentados à beira da estrada, a ver ninguém passar, que aqui não vem ninguém. Para quê, se isto é um amontoado de velhos e mulheres com bigode?

 

Luís Robalo

(blogue REDONDO VOCÁBULO)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.03.17

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 A Ira de Deus Sobre a Europa, de J. Rentes de Carvalho

Memórias

(edição Quetzal, 2016)

"Por decisão do Autor, este livro mantém a grafia anterior ao Acordo Ortográfico"

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Lisboa: a derrota anunciada

por Pedro Correia, em 21.03.17

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Pensei que o PSD iria apresentar uma candidatura autárquica em Lisboa que pudesse derrotar o actual presidente da câmara, Fernando Medina. Enganei-me. Afinal o PSD decidiu apresentar uma candidatura destinada a derrotar não o autarca socialista mas a candidata do CDS, Assunção Cristas, que se encontra  há seis meses em campanha.

Promete ser uma refrega muito renhida neste campeonato das equipas pequenas em que aposta a direcção nacional do PSD. No campeonato a sério, Medina – que já seria um oponente difícil – adquire assim o estatuto de imbatível apesar de ter optado por um modelo de gestão em Lisboa que privilegia quem nos visita em desfavor de quem aqui vive ou trabalha.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta. Preferiu escolher como oponente  a líder do CDS, medindo forças na ala direita do tabuleiro político em vez de se concentrar nos problemas de Lisboa. Torna-se assim num aliado objectivo dos socialistas na capital – o que aliás está longe de suceder pela primeira vez.

 

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam escolhido para encabeçar a sua lista de 2017 a dirigente que já integrou a lista de 2013, na segunda posição, saldando-se essa participação no maior fracasso de sempre do partido laranja na capital.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por alguém que surge como enésima escolha após terem sido sucessivamente anunciados e desmentidos na praça pública, durante meses a fio, nomes tão diversos como os de Pedro Santana Lopes, Jorge Moreira da Silva, Nuno Morais Sarmento, José Eduardo Martins, José Eduardo Moniz, Paulo Rangel, Maria Luís Albuquerque, Carlos Barbosa, José Miguel Júdice, Pedro Reis, Sofia Galvão e Teresa Morais.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas teriam optado por alguém disponível para se entregar em regime de dedicação exclusiva à função autárquica em vez de se distribuir pela vice-presidência do partido, a bancada parlamentar e a presidência da Comissão de Finanças, Orçamento e Modernização Administrativa em São Bento.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por anunciar para o topo da sua lista em Lisboa alguém que, enquanto membro da vereação nestes quatro anos, faltou a dois terços das reuniões do executivo municipal.

 

Há derrotas políticas honrosas – as que ocorrem após um combate duro mas leal. Das outras não reza a história – aquelas que acontecem quando se baixa os braços e se abdica de ir à luta, trocando-se o campeonato principal pela divisão secundária. Como acaba de suceder com o PSD a seis meses da ida às urnas.

O PS só poderá sentir-se grato perante tanta gentileza. Espero que Medina já tenha remetido à sede da São Caetano à Lapa um cartãozinho a agradecer.

 

Leitura complementar: O cerco.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.03.17

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 Superprevisões, de Philip E. Tetlock e Dan Gardner

Tradução de José Santana Pereira

Ensaio

(edição Gradiva, 2016)

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Frases do debate presidencial

por Pedro Correia, em 21.03.17

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Filllon, Macron, Mélenchon, Le Pen e Hamon ontem na TF1 (foto Le Figaro)

 

Aqui ficam as principais frases do primeiro debate televisivo entre cinco dos onze candidatos presidenciais em França, ocorrido ontem à mesma hora em que os canais "noticiosos" portugueses, totalmente alheados do assunto, preenchiam tempo de antena com intermináveis blablablás sobre futebol:

 

Benoît Hamon: «Quero pôr fim à democracia intermitente, por uma Europa que esteja libertada do dogma da austeridade.»

«Defendo um novo pilar da protecção social, com o rendimento básico universal.»

«Serei um Presidente justo, que porá fim às políticas feitas pelos mesmos de sempre.»

«Serei independente de todos os lóbis.»

 

Emmanuel Macron: «Pretendo proteger o povo francês sem o dividir.»

«Sou capaz de trazer de novo a esperança.»

«Defendo um projecto de alternância profunda, com novos rostos e novos hábitos.»

«Sou favorável à lei de 1905, pela separação da Igreja e do Estado.»

 

François Fillon: «Um francês que vá para a Síria fazer guerra contra nós deve ser privado da nacionalidade francesa.»

«A escalada do fundamentalismo ameaça a sociedade e a própria religião muçulmana.»

«Comigo a França será daqui a dez anos a primeira potência europeia.»

«A nossa saída da zona euro, como defende Marine Le Pen, mergulharia o país no caos económico.»

 

Jean-Luc Mélenchon: «Quero devolver a França aos franceses, libertando-os da monarquia presidencial.»

«Serei o último Presidente da V República. Quero alterar todas as regras.»

«É preciso castigar os corruptos, mas também os corruptores.»

«Comigo sairemos da NATO.»

 

Marine Le Pen: «Temos de declarar guerra total ao fundamentalismo islâmico.»

«Quero ser a Presidente francesa, não quero ser vice-chanceler da senhora Merkel.»

«A segurança é fundamental. Sem paz nas escolas nenhuma aprendizagem é possível.»

«Comigo todas as decisões serão tomadas de acordo com a vontade do povo francês.»

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 20.03.17

 

O comentador de “direita”: uma profissão de futuro. De Alberto Gonçalves, no Observador.

 

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Sede interminável

por Pedro Correia, em 20.03.17

- E para beber, o que deseja?

- Uma cola.

- Não temos. Só Pepsi. Pode ser?

- Pode. Pepsi também é cola.

- Como disse?

- Nada...

- E deseja a Pepsi fresca?

- Claro.

- Gelo e limão?

- Limão, não. Só gelo.

- Não deseja limão?

- Não. Só gelo.

- E quantas pedras?

- Duas ou três.

- Uma palhinha?

- Não é preciso. Detesto palhinhas.

- Como disse?

- Nada...

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Frases de 2017 (9)

por Pedro Correia, em 20.03.17

«Há muito mais hipóteses de chegarmos à Lua do que de haver petróleo no Algarve.»

Marcelo Rebelo de Sousa, 18 de Março, em Faro

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.03.17

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Ao Largo da Vida, de Rainer Maria Rilke

Tradução de Isabel Castro Silva

Novelas e esboços

(edição Ítaca, 2017)

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Leituras

por Pedro Correia, em 19.03.17

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«As sociedades que não conseguiram adaptar-se aos desafios que enfrentam acabaram por se desmoronar. O planeta está repleto de monumentos a sistemas políticos que desapareceram deixando apenas para trás as suas relíquias. O Parténon em Atenas é um testamento à glória passada da antiga democracia ateniense, que floresceu durante duzentos anos e depois morreu às mãos de Filipe da Macedónia e do seu filho Alexandre, o Grande.»

David RuncimanPolítica (2014), p. 180

Ed. Objectiva, Lisboa, 2016. Tradução de Paulo Ramos

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.03.17

«Se o nome de Sá Carneiro em Pedras Rubras é de um péssimo gosto, tal como o de João Paulo II para o o aeroporto de Ponta Delgada não é muito melhor, brada aos céus ignorar-se Gago Coutinho e Sacadura Cabral para esta nova aventura aeroportuária...
Se bem que nunca entendi a razão por que o nome de Sacadura foi usado para uma discreta avenida/rua ali ao Campo Pequena, "abandonando" Gago Coutinho na larga avenida que parte do Areeiro.
Abraço amigo, aqui do aeroporto da Portela (tão tarde baptizaram isto com nome de Humberto Delgado, se bem que a acção deste fosse merecedora do gesto, pelo que fez em prol da aviação civil).»

 

Do nosso leitor Fernando Antolin. A propósito deste meu texto.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.03.17

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Melancolia e Arquitectura em Aldo Rossi, de Diogo Seixas Lopes

Tradução de Jorge Colaço

Ensaio

(edição Orfeu Negro, 2016)

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 18.03.17

 

Um ego demasiado grande pode ser como um eucalipto: seca tudo à sua volta.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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As canções da minha vida (8)

por Pedro Correia, em 18.03.17

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UN HOMME ET UNE FEMME

1966

 

Já aqui anotei: está por fazer a devida homenagem às orquestras de Paul Mauriat, James Last e Mantovani, que durante largos anos ajudaram a promover os temas produzidos por terceiros, divulgando-os junto de camadas populacionais que associavam sobretudo os sons musicais aos grupos de baile. Houve um tempo, acreditem, em que a música servia muito mais para dançar do que para ouvir passivamente. Tempos da minha infância e pré-adolescência, longe de Lisboa e dos circuitos sofisticados da reverência discográfica.

Nessa época, como em qualquer outra, havia temas musicais que nos entravam de imediato no ouvido, ficando connosco para sempre. Aconteceu-me com aquele de que hoje falo, tornado célebre por via do cinema mas que terei escutado muito antes de ver o filme, em versão orquestral, precisamente numa cassete de Mauriat ou num vinil de Klaus Underlicht. Este tema, ao contrário da maioria, não era “dançável”. Mas entranhava-se de tal maneira que passou a andar na boca de milhões de pessoas, atraídas sobretudo pelas quatro notas do seu refrão onomatopeico: “da ba da ba da, da ba da ba da…”

 

A canção nasceu em 1966 da parceria entre dois jovens muito criativos: o acordeonista e compositor  Francis Lai e o jornalista e cantor  Pierre Barouh, apostados em renovar a canção francesa, na linha de um Michel Legrand, que acabara de alcançar êxito internacional graças à inspirada colaboração com o cineasta Jacques Demy em Les Parapluies de Cherbourg.

Barouh vivera uns tempos em Lisboa, onde em 1959 comprou o disco Chega de Saudade, de João Gilberto: a partir daí, introduziu a bossa nova em França, alterando o panorama musical do país. Também ele mudou, enveredando em definitivo pela carreira musical. Com manifesto sucesso, por exemplo, na adaptação do Samba da Bênção – de Vinicius e Baden Powell – que entre os franceses seria conhecido por Samba Saravah.

 

Todas as vidas são feitas de encontros e desencontros. O encontro mais importante na vida de Lai, hoje a escassos dias de festejar 85 anos e autor de mais de 600 canções, aconteceu quando o realizador Claude Lelouch lhe pediu uma composição para um filme que iria rodar no norte de França. "É uma história de amor", limitou-se a dizer Lelouch, lacónico. O músico foi tocando no seu inseparável acordeão vários temas que tinha em carteira até que, por volta das duas da manhã, surgiu aquele que seduziu enfim o cineasta.

Assim surgiu Un Homme et une Femme – o filme associado para sempre à cantiga homónima que lhe serve de senha, uma das últimas erupções mundiais do cinema francês antes da crise prolongada que viria a divorciá-lo das plateias durante décadas. Melodrama rodado em Deauville, com Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant interpretando dois jovens viúvos. Barouh entrou também como actor. E na vida da deslumbrante Anouk, com quem estaria casado nos três anos seguintes.

 

A película atraiu público e crítica. Conquistou a Palma de Ouro em Cannes e o Óscar para melhor longa-metragem estrangeira. Lai foi nomeado para o Globo de Ouro e viria a ganhar a ambicionada estatueta em Hollywod quatro anos depois, com Love Story.

Barouh fundou a sua própria editora discográfica, chamada Saravah, só para gravar a banda sonora do filme. Un Homme et une Femme, espantosamente, fora recusada pelas grandes etiquetas do sector: “Não é comercial”, disseram-lhe. Quem assim falou padecia de graves problemas auditivos e não tardou a arrepender-se: gravada no Estúdio Davout, em Paris, a canção com dois minutos e 42 segundos de duração tornou-se Disco de Ouro, num duo formado pelo próprio Barouh e por Nicole Croisille, então mais conhecida por ser intérprete de jazz, acompanhados apenas pelo pianista Maurice Vender, o que acentuou o carácter intimista do tema romântico.

Nas quatro décadas seguintes, Pierre e Nicole voltariam a cantar Un Homme et une Femme um número incontável de vezes – até à morte dele, aos 82 anos, em Dezembro de 2016. E a canção conheceu mais de 300 versões, entrando também na América pela voz de Ella Fitzgerald.  

 

Ironias do destino: hoje Lelouch é um cineasta muito esquecido e o mais afamado dos seus filmes tornou-se praticamente desconhecido das gerações mais recentes. Apesar das inovações que introduziu, alternando a cor com o preto e branco e fazendo movimentos circulares de câmara, como se dançasse a valsa ao som da partitura de Lai.

Pouco importa. Hoje octogenários, Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant serão eternamente jovens na praia de Deauville, envolvidos naquela melodia que os ultrapassou em celebridade e permanece sem uma ruga. Como nos ensinou Debussy, “a música é a expressão do inexplicável”.

«Comme nos voix da ba da ba da da ba da ba da / Chantent tout bas da ba da ba da da ba da ba da / Nos cœurs y voient da ba da ba da da ba da ba da / Comme une chance comme un espoir.»

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.03.17

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 Amar é Pensar, de Fernando Pessoa

Selecção, organização e nota editorial de Vasco Silva

Antologia de poemas de amor

(reedição E-primatur, 3.ª edição, 2016)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 17.03.17

«A degola inocente de consoantes mudas tem originado um caos. Em muitos casos, não respeitando a etimologia também comum a outras línguas (p. ex., actor, factor, sector), permitindo a ambivalência de critérios e o (ab)uso de todo inaceitável do AO (facto, fato; pacto, pato, etc). Já o h no início de uma palavra - a mais muda consoante do nosso alfabeto - subsiste enquanto grafema, dizem os ideólogos do AO, por razões etimológicas. Noutros casos de mudez da consoante, este fundamento não interessa, no h já é decisivo. Haja coerência! Claro que homem sem h seria uma pena impedindo a existência de homens com H grande. E uma hora H, sem o inicial h? seria "Ora O"?»

António Bagão Félix, no Público

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.03.17

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 Autópsia de um Mar de Ruínas, de João de Melo

Romance

(reedição D. Quixote, 9.ª edição, revista, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico"

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Garra, criatividade e dinamismo

por Pedro Correia, em 17.03.17

 

Uma bela homenagem da Sónia Morais Santos à nossa Francisca.

 

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Bellles toujours

por Pedro Correia, em 17.03.17

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 Alison Brie

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O livro que não nos deixa mentir

por Pedro Correia, em 16.03.17

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 Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves em 1975

 

A História é feita de grandes e pequenos homens. E também é feita de pequenas e grandes frases. Do "Alea jacta est", de Júlio César, ao "Nunca nos renderemos", de Churchill. Sem esquecer o incentivo que em 1640 D. Luísa de Gusmão terá deixado ao marido, o futuro D. João IV, para se unir aos conjurados: “Melhor morrer reinando do que viver servindo.”

Este livro traz-nos uma sugestiva panorâmica da história recente de Portugal, condensada em cerca de 1500 frases proferidas por protagonistas vários desde 1973 até ao final do ano passado. O título diz logo ao que vem: são “43 anos e seis meses de má política”.

É um título controverso, reconheça-se. Porque no fundo aqui nem tudo é mau. E a todo o momento somos confrontados com este paradoxo: temos excelentes frases de péssimos políticos e medíocres declarações de políticos que se notabilizaram por serem mais aptos a mostrar obra do que a falar.

 

Por opção editorial, o livro começa por recolher declarações registadas nos últimos meses do chamado Estado Novo, em 1973. Foi uma decisão acertada, para que se perceba bem como ao longo dos últimos 43 anos tivemos três países muito diferentes, com reflexos inevitáveis no discurso político.

Refiro-me ao país da ditadura, ao país da revolução e ao país da chamada “normalidade democrática”. Que é – felizmente – aquele em que vivemos agora.

 

O país mais antigo era o da censura oficial e o da supressão das liberdades.

Um país repleto de retórica balofa e vazia, muito adjectivada, cheia de gongorismos e salamaleques.

Um país com um chefe do Governo que chamava “conversa” ao monólogo.

Um país com um Presidente da República que no discurso do Ano Novo de 1974 declarou o seguinte: “Com o galopar incessante do tempo, vai encurtando a distância que separa a Humanidade do século XXI, vai ficando cada vez mais distanciado o século XIX e vão sucessivamente desaparecendo da vida aqueles que nele nasceram.”

La Palice não diria melhor…

 

Seguiu-se o país da erupção da liberdade logo ameaçada pelos delírios revolucionários com a sua linguagem de recorte bélico, cheia de verbos como “lutar”, “esmagar” e até “matar”. Este é um período interessantíssimo – para mim o mais fascinante de toda a obra, e não por acaso preenchendo quase um terço do livro.

Um período que exigiu certamente do organizador, Luís Naves, uma exaustiva investigação para apurar com exactidão e rigor quem disse o quê, à margem do boato que com o passar dos anos tantas vezes se torna lenda.

E, sim, é verdade que Otelo Saraiva de Carvalho disse mesmo que talvez tivesse sido melhor “encostar à parede ou mandar para o Campo Pequeno umas centenas ou uns milhares de contra-revolucionários, eliminando-os à nascença”.

Este Robespierre de trazer por casa, quando afirmou isto em Junho de 1975, era o chefe da mais poderosa força armada em Portugal. Por sinal o mesmo Otelo que em Abril de 2011, tendo o frenesim extremista já só como recordação, declarou alto e bom som: “Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução.”

 

Eram tempos irrepetíveis.

Tempos em que a Intersindical – com o Partido Comunista no Governo – espalhava a palavra de ordem “Não à greve pela greve”.

Tempos em que o futuro secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, então secretário de Estado do Trabalho, considerava “verdadeiramente revolucionário” que os portugueses trabalhassem no feriado do 10 de Junho.

Tempos em que o primeiro-ministro pró-comunista Vasco Gonçalves anunciava a intenção de mandar “uma quantidade de gente para um campo de trabalho”.

 

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Não tenho a menor dúvida: este livro será a partir de agora um precioso auxiliar para quem escreve nos jornais, para quem fala nas televisões e nas rádios. Jornalistas, comentadores e decisores políticos, por exemplo, passarão a tê-lo à cabeceira ou na secretária de trabalho.

Andamos bem carecidos de obras como esta, que nos estimulem e revigorem a memória nestes dias da “pós-verdade”, onde milhares de pseudo-sábios garantem não existir qualquer diferença entre facto e treta.

43 Anos e 6 Meses de Má Política é neste aspecto – e muito bem – um livro que rema contra a corrente. Porque se ancora no facto e despreza a treta. Uma triagem que só se tornou possível graças ao olhar atento de um jornalista experiente, habituado a separar as águas, destacando aquilo que realmente se disse ou se escreveu sem dar guarida a mitos, por mais plausíveis que parecessem.

Um exemplo: a célebre frase “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, atribuída há décadas a Cavaco Silva, afinal é de autor anónimo. Não há registo de que alguma vez Cavaco a tenha proferido.

 

Mas muitas outras aqui desfilam, devidamente comprovadas. Lembrarei algumas, que acabaram por integrar-se na linguagem comum, muito para lá do contexto em que nasceram. "Olhe que não, olhe que não", disse Álvaro Cunhal em 1975. "É só fumaça, o povo é sereno", bradou no mesmo ano Pinheiro de Azevedo, autor de outra frase que tem sido muito citada nas últimas semanas e que talvez por uma questão de decoro não vem incluída nesta antologia.

Esta obra não esquece a “luz ao fundo do túnel” invocada por Mário Soares em 1978 quando solicitou ao FMI o primeiro auxílio de emergência financeira da democracia portuguesa. Nem a necessidade de "apertar o cinto", mencionada também por Soares, em 1984, quando o País estava novamente sob assistência externa. Nem o desbragado optimismo do ministro Braga de Macedo, ministro das Finanças de Cavaco, quando em 1992 anunciou que "Portugal é um oásis".  Ou a platónica garantia dada em inglês pelo recém-empossado primeiro-ministro António Guterres em 1995: "No jobs for the boys." E o que dizer do optimismo socrático do ministro Manuel Pinho ao proclamar urbi et orbi em Outubro de 2006: "A crise acabou"?

 

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Uma segunda edição permitirá certamente colmatar algumas lacunas – poucas – que registei numa leitura atenta.

"Soares é fixe",  que serviu de lema central à vitoriosa campanha presidencial de 1986.

"Esse é um assunto tabu", frase de Cavaco proferida em Outubro de 1994, deixando em aberto o seu futuro como líder do PSD e chefe do Governo. O tabu só seria desfeito só na Primavera seguinte.

Ou a deliciosa rendição de Manuela Ferreira Leite ao diktat de Bruxelas e Berlim: “Quem manda é quem paga.” Isto em Novembro de 2010, quando liderava o PSD e ainda não subscrevia abaixo-assinados para a renegociação da nossa dívida externa, de braço dado com Francisco Louçã.

 

O autor merece parabéns pela quantidade e qualidade do trabalho produzido. Muito mais do que um copioso registo de frases, estamos perante um precioso documento que nos ajuda a perceber melhor quem ao longo de vários ciclos políticos honrou a palavra dada e quem andou a vender gato por lebre.

 

E por falar em previsões, aqui destaco três, igualmente incluídas nestes 43 Anos e 6 Meses de Má Política:

"Vou liderar o PSD nos próximos dez anos", declarou Durão Barroso em Agosto de 1999. Como sabemos, não aguentou sequer metade desse tempo: em Junho de 2002 despediu-se apressadamente da pátria, rumando à presidência da Comissão Europeia sem olhar para trás.

"A minha maior ambição política é não ter ambição nenhuma", assegurou em Outubro de 2003 o actual Presidente da República. Caso para questionarmos onde estaria neste momento o Chefe do Estado se alimentasse alguma ambição…

"Portugal não necessita de nenhuma assistência financeira", afiançou em Janeiro de 2011 o primeiro-ministro José Sócrates. Três meses antes de fazer um apelo quase desesperado às instituições financeiras internacionais para salvarem as nossas contas públicas.

 

Vistas à distância, já quase extinto o calor da polémica, frases como estas ganham um importante carácter documental: deixam de mobilizar o jornalista, passam a interpelar o historiador.

Desde logo porque de previsões falhadas também reza a história. Aqui estão elas, plasmadas neste livro que não nos deixa mentir.

 

Texto que, com pequenas alterações, li ontem na sessão de apresentação do livro, em Lisboa.

 

............................................................... 
 
43 Anos e 6 Meses de Má Política, de Luís Naves (Contraponto, 2017). 355 páginas.
Classificação: ****

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Resistência activa ao aborto ortográfico (125)

por Pedro Correia, em 16.03.17

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«Tenho muito orgulho em escrever, quando preencho o IRS, actor, com c.» 

Jorge Corrula, na revista Caras (25 de Fevereiro)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.03.17

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 Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare

Tradução, introdução e notas de Cândida Zamith

Teatro

(reedição Relógio d' Água, 2017)

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Já li o livro e vi o filme (176)

por Pedro Correia, em 15.03.17

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A PRAGA DOS GAFANHOTOS (1939)

Autor: Nathanael West

Realizador: John Schlesinger (1975)

Esta sátira à Hollywood dos anos 30 deu fama póstuma ao escritor, falecido em 1940. Se a novela é datada e pueril, o filme - O Dia dos Gafanhotos - também não lhe presta homenagem, apesar do bom desempenho de Donald Sutherland.

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Ano de autárquicas (5)

por Pedro Correia, em 15.03.17

 

"Educação: Costa trava reforma curricular por causa de autárquicas"

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.03.17

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 A Viúva do Enforcado, de Camilo Castelo Branco

Novela

(reedição Sistema Solar, 2015)

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'Política de A a Z'

por Pedro Correia, em 15.03.17

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 Manuel Monteiro e Pedro Duarte com os autores do livro na sessão de apresentação do Porto (9 de Março)

 

Manuel Monteiro, ex-presidente do CDS:

«Este é um livro extraordinário, tanto na perspectiva da informação como da formação. É um trabalho muito relevante, que ajuda a fomentar o gosto pela política. Gostar de política é sinal de uma sociedade culta.»

 

Pedro Duarte, ex-líder da JSD e ex-director da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa:

«É um livro extraordinariamente actual e uma ferramenta útil e relevante para quem queira informar-se e formar-se sobre política. Uma obra densa mas de leitura muito acessível.»

 

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Ano de autárquicas (4)

por Pedro Correia, em 14.03.17

 

Câmaras exigem 500 milhões para reparar estradas

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (124)

por Pedro Correia, em 14.03.17

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«Detesto que chamem geringonça a esta maioria. Geringonça é o acordo ortográfico, não é o Governo de esquerda!»

Alfredo Barroso, no Expresso da Meia-Noite da SIC Notícias (10 de Março)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.03.17

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 A Sibila, de Agustina Bessa-Luís

Romance

(reedição Guimarães, com texto definitivo, 2016)

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'Política de A a Z'

por Pedro Correia, em 14.03.17

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«Fizemos aqui serviço público. E agora, ainda a tempo de fazer algumas sugestões de leitura. De Pedro Correia e Rodrigo Gonçalves, Política de A a Z - um guia para compreender o sistema político português, da editora Contraponto.»

José Gomes Ferreira, no programa Negócios da Semana

(SIC Notícias, 8 de Março)

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Nem Soares nem Ronaldo

por Pedro Correia, em 13.03.17

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 Aeroporto do Montijo, futuro complemento da Portela

 

Não sei por que motivo os aeroportos hão-de ser baptizados. Os dois melhores aeroportos que conheço, o de Singapura e o de Amesterdão, são conhecidos pelos seus nomes de origem, Changi e Schiphol respectivamente. O que nada lhes diminui o prestígio, antes pelo contrário. Nem deixam de ser concorridíssimos e prestigiadíssimos por causa disso.

Dar nomes de pessoas a aeroportos colide, além disso, com o princípio da igualdade. Porquê não fazer o mesmo a estações ferroviárias ou fluviais? Porque não chamar Diogo Cão ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos ou Fontes Pereira de Melo à gare de Santa Apolónia?

 

Sempre achei de tremendo mau gosto pôr o nome de Francisco Sá Carneiro ao aeroporto de Pedras Rubras – sabendo-se, como sabemos, que o ex-primeiro-ministro morreu a bordo de um avião precisamente quando se dirigia àquele destino.

Considero inqualificável que o aeroporto do Funchal passe a chamar-se Cristiano Ronaldo, alguém que nunca se distinguiu por proezas no domínio da aviação civil ou militar nem consta sequer que tenha brevet. Bem basta ter já, aos 32 anos, uma estátua erguida no Funchal que rivaliza com a do descobridor João Gonçalves Zarco.

E acho lamentável que o Presidente da República se tenha apressado a sugerir o nome de Mário Soares para designar o aeroporto do Montijo na hipótese de ser adaptado a voos civis como apoio ao da Portela, agora denominado Humberto Delgado.

 

Se os decisores políticos pusessem travão à demagogia e pensassem duas vezes antes de falar verificariam que existem duas enormes lacunas nesta matéria. Se a ideia é atribuir nomes de personalidades ilustres aos nossos aeroportos, ninguém tão prioritário do que os mais célebres aviadores portugueses de todos os tempos, protagonistas em 1922 da travessia aérea do Atlântico Sul.

Sim, refiro-me a Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924). Já serviram para designar ruas e avenidas, e até escolas, mas se quisermos continuar a atribuir nome de gente aos nossos aeroportos há que prestar-lhes esta homenagem. Eles merecem-na, muito antes de qualquer político passado ou presente – de D. Afonso Henriques a Marcelo Rebelo de Sousa.

Quanto aos futebolistas, por mais campeões que sejam, reservem-nos para os estádios: é lá que mostram o que sabem, é lá que merecem ter nomes e estátuas.

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Palavras para recordar (20)

por Pedro Correia, em 13.03.17

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JORGE SAMPAIO

Diário de Lisboa, 25 de Março de 1981

«Seria uma grande vitória terminar com o ambiente de 'macartismo', com o ambiente totalitário que se tem vindo a desenvolver neste partido [PS].»

 

Frase extraída do livro 43 Anos e 6 Meses de Má Política (Contraponto, 2017), organizado por Luís Naves

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.03.17

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 Hotel, os Bastidores, de Inês Brasão

Investigação sociológica

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2017)

"A autora desta publicação não adoptou o novo Acordo Ortográfico"

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 12.03.17

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Pedro Passos Coelho faz uma história retrospectiva em relação a Ricardo Salgado e esquece-se que ele participou ou esteve presente em reuniões do Conselho de Ministros no início da [passada] legislatura. Já ninguém se lembra. Já ninguém se lembra!»

«Veio nos jornais e nunca ninguém desmentiu. Veio nos jornais...»

«Então ao Conselho de Estado não foi o Mario Draghi?»

 

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Como você imagina, isso [Salgado no Conselho de Ministros] é uma coisa que nunca aconteceu.»

«Então vai alguém que não é ministro ou membro do Governo a uma reunião do Conselho de Ministros?!»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 9 de Março

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.03.17

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Quando o Sol Dançou - Fátima e Portugal, de Jeffrey S. Bennett

Religião

(edição Guerra & Paz, 2017)

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As canções da minha vida (7)

por Pedro Correia, em 11.03.17

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THE SOUND OF SILENCE

1964

 

Para os melómanos, 19 de Setembro de 1981 tornou-se uma data com lugar garantido na história. Nessa noite, meio milhão de pessoas acorreu ao Central Park, em Nova Iorque, para assistir à reunião de duas figuras cimeiras da música folk-rock norte-americana, ícones da década de 60 enfim reunidos após anos de uma zanga que parecia insuperável: Paul Simon e Art Garfunkel.

O enorme sucesso do espectáculo – retransmitido por canais de televisão em vários continentes, incluindo a RTP – prolongou-se no disco Concert in Central Park e apresentou a uma nova camada de adolescentes, então a despontar para a música, este duo que naquela década dera ao mundo diversos temas tornados hinos de uma geração: Mrs. Robinson, Homeward Bound, Scarborough Fair, Late in the Evening, The Boxer, Old Friends, America, Bridge Over Troubled Water.

 

Acompanhei o concerto enquanto telespectador. E logo me rendi ao fascínio das canções entoadas por aqueles dois antigos colegas do ensino secundário com jeito para a música que começaram por formar um duo chamado Tom & Jerry. E em 1957 tiveram até um fugaz êxito discográfico, intitulado Hey Schoolgirl.

Simon e Garfunkel, ambos hoje com 75 anos, fizeram apenas seis álbuns com temas originais, entre 1964 e 1970. Mas foi quanto bastou para marcarem a música popular norte-americana e inscreverem os nomes na galeria dos imortais. Paul Simon é, na justa opinião do parceiro, “um dos maiores escritores de canções de todos os tempos”. Enquanto Art Garfunkel se destacou sempre pela sua magnífica voz.

 

A sexta cantiga que Simon escreveu chamava-se originalmente The Sounds of Silence e foi gravada em Nova Iorque, a 10 de Março de 1964 - três meses após o assassínio do presidente John Kennedy, com a América ainda mergulhada num pesado luto. Reza a lenda que Simon gostava de compor na banheira, de luzes apagadas, com a casa de banho a funcionar como câmara de eco. Ali lhe terão surgido os dois primeiros versos: «Hello darkness, my old friend, / I've come to talk with you again.»

Mal imaginava que em menos de dois anos, graças ao decisivo impulso dos programas radiofónicos, aquele tema andaria nas bocas de milhões de jovens. Mas isto só aconteceu à segunda tentativa, quando já se chamava The Sound of Silence. Com o som no singular.

A primeira - ainda com o título original e acompanhada apenas por duas guitarras acústicas - foi um fracasso, ao ser inserida no álbum de estreia do duo, Wednesday Morning, 3 AM. Lançado em Outubro de 1964, o disco só vendeu duas mil cópias e o single dele extraído também não atraiu ninguém.

No ano seguinte, tudo mudou. Melhorou o título e melhorou o acompanhamento, quando o produtor discográfico Tom Wilson - à revelia de Simon e Garfunkel, entretanto regressados à universidade - convocou para o estúdio os músicos que tinham acompanhado Bob Dylan na gravação de Like a Rolling Stone, introduzindo bateria e guitarras eléctricas no novo registo sonoro do tema, com três minutos e cinco segundos de duração, misturando-o com a prévia gravação das vozes.

 

The Sound of Silence despedia-se do acústico original. 

O público aplaudiu: o single relançado em Setembro de 1965 disparou nas vendas. Em Janeiro de 1966 ascendeu enfim ao top norte-americano, disputando-o ao longo desse mês numa renhida luta com We Can Work It Out, dos Beatles.

Dois anos depois, a canção registava nova vaga de sucesso ao figurar em destaque na banda sonora do filme The Graduate [A Primeira Noite], galardoado com o Globo de Ouro para melhor filme de 1968 e com o Óscar para melhor realização (atribuído ao cineasta Mike Nichols). O álbum, que abre e encerra com The Sound of Silence, liderou a lista das vendas discográficas nos EUA entre 6 de Abril e 25 de Maio de 1968, e novamente de 15 a 28 de Junho.

 

Ainda hoje custa a crer que um jovem com 21 anos criasse um tema com a qualidade musical e a complexidade poética desta bela trova, tão actual hoje como há meio século - magoado grito de revolta contra um mundo cada vez mais povoado de gente incapaz de comunicar.

«And in the naked light I saw / Ten thousand people, maybe more / People talking without speaking / People hearing without listening / People writing songs that voices never share / And no one dared / Disturb the sound of silence.»

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.03.17

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Singularidades, de A. M. Pires Cabral

Contos

(edição Cotovia, 2017)

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Ler

por Pedro Correia, em 10.03.17

O misterioso caso do desaparecimento de Portugal. Do Alexandre Borges, no 31 da Armada.

Nova Portugalidade Summit. Do José Pimentel Teixeira, no Courelas.

O livro. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Em desuso. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

Fraquezas. De Rui Ângelo Araújo, n' Os Canhões de Navarone.

O melhor conselho que alguma vez vos poderei dar. Da Vanita, na Caixa dos Segredos.

Zip Zita. De Marina Tadeu, no Boquinhado.

Da nudez. Da Cristina Nobre Soares, no Em Linha Recta.

O Pianista. Do Henrique Fialho, na Antologia do Esquecimento.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.03.17

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O Norte e Outros Contos, de Evgueni Zamiatine

Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

(edição Antígona, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 10.03.17

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Brie Larson

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Já li o livro e vi o filme (175)

por Pedro Correia, em 09.03.17

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MUTINY!: THE REAL STORY OF THE H.M.S. BOUNTY (1831)

Autor: John Barrow

Realizador: Frank Lloyd (1935)

O primeiro livro que relatou ao mundo uma visão distanciada da célebre revolta de marinheiros ocorrida em 1789 no Pacífico Sul originou várias obras de ficção literária e diversos filmes, o melhor dos quais foi este, que recebeu o Óscar.

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