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Elogio a tradutores que resistem

por Pedro Correia, em 23.08.17

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Lembrei ontem que a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o impropriamente chamado "acordo ortográfico". É justo mencionar outra categoria de utentes qualificados do nosso idioma que tem estado na primeira linha do justo combate às aberrações ortográficas tão bem enumeradas aqui pelo Nuno Pacheco. Tantas vezes incompreendidos, os tradutores - vários deles aliás também escritores, como Pedro Tamen, Ana Luísa Amaral, Daniel Jonas, José Miguel Silva, Desidério Mucho ou Ernesto Rodrigues, entre outros, podendo todos ser considerados autores, enquanto criadores ou recriadores literários - exercem uma função muito importante na oposição ao AO90, enfrentando por vezes pressões de determinados editores ou de certos "agentes culturais" indiferentes à absurda segmentação de famílias lexicais (quem sofre de epilepsia deixou de ser epiléptico, tornando-se epilético) e à disparatada diversificação ortográfica de palavras anteriormente escritas da mesma forma em Portugal e no Brasil (como decepção e recepção, que perderam a suposta consoante muda na escrita acordística cá da terra).

Aqui expresso portanto a devida homenagem a esses resistentes, que têm sabido remar contra a maré. É uma lista necessariamente incompleta, que irá aumentando à medida que me for lembrando de mais nomes, podendo os próprios leitores fazer-me tais sugestões também.

Uma lista que não poderia esquecer Rui Santana Brito, prolífico e competentíssimo tradutor, infelizmente falecido já este ano.

Com o meu agradecimento, enquanto leitor, a todos eles.

 

Alberto Gomes

Alberto Osório Fernandes

Alexandre Brandão da Veiga

Alice Rocha

Ana Barradas

Ana Corrêa da Silva

Ana Falcão Bastos

Ana Luísa Amaral

Ana Maciel

Ana Maria Chaves

Ana Maria Pinto da Silva

Ana Santos

Ana Simões

Aníbal Fernandes

António Guerreiro

António Lopes Cardoso

António Pescada

António Rodrigues

Carlos Afonso Lobo

Carlos Mota Cardoso

Carlos Sousa Almeida

Carlos Vaz Marques

Carlos Vieira da Silva

Catarina Mourão

Clara Alvarez

Cláudia J. Fischer

Daniel Jonas

Desidério Murcho

Diana V. Almeida

Diogo Ourique

Eliana Aguiar

Elsa Sertório

Elsa Vieira

Ernesto Rodrigues

Ester Cortegano

Filomena Vasconcelos

Frederico Pedreira

Gilda Lopes Encarnação

Gonçalo Neves

Gustavo Palma

Helder Guégués

Helena Pitta

Inês Dias

Isabel Castro Silva

Isabel Pettermann

Isabel St Aubyn

Isabel Veríssimo

João Barrento

João Bouza da Costa

João Moita

João Reis

João Tiago Proença

João Vala Roberto

Jorge Fallorca

Jorge Lima

Jorge Pereirinha Pires

Jorge Telles de Menezes

Jorge Vaz de Carvalho

José Alfaro

José Bento

José Colaço Barreiros

José Domingos Morais

José Miguel Silva

José Miranda Justo

José Paulo Vaz

José Remelhe

José Santana Pereira

Júlio Henriques

Liliete Martins

Lucília Filipe

Luís de Barros

Luís Leitão

Luís Lima

Luísa Luiz-Gomes

M. Gomes da Torre

Manuel de Freitas

Manuel Resende

Manuel Santos Marques

Manuela Barros

Manuela Gomes

Manuela Torres

Margarida Periquito

Margarida Vale do Gato

Maria Carvalho

Maria das Mercês de Sousa

Maria do Carmo Abreu

Maria Gomes Duarte

Maria João Freire de Andrade

Maria João Lourenço

Maria João Madeira

Maria João Teixeira Moreno

Maria José Figueiredo

Maria Manuel Viana

Maria Pacheco de Amorim

Maria Teresa Guerreiro

Mário Dias Correia

Marta Lança

Miguel Martins

Miguel Nogueira

Miguel Serras Pereira

Miranda das Neves

Mónica Dias

Natália Fortunato

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Lobo Salgueiro

Patrícia Xavier

Paulo Faria

Paulo Ramos

Pedro Carvalho

Pedro Elói Duarte

Pedro Mochila

Pedro Tamen

Raquel Dutra Lopes

Raquel Mouta

Raquel Ochoa

Rita Almeida Simões

Rita Canas Mendes

Rita Carvalho e Guerra

Rogério Casanova

Rui Lagartinho

Rui Lopo

Rui Pires Cabral

Salvato Telles de Menezes

São Amaral

Sérgio Coelho

Sílvia Valentina

Sofia Castro Rodrigues

Susana Sousa e Silva

Tânia Ganho

Telma Costa

Teresa Casal

Vanda Gomes

Vasco Gato

Virgílio Tenreiro Viseu

 

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Convidado: F. PENIM REDONDO

por Pedro Correia, em 23.08.17

 

A gaivota

  

Caminhei pela areia durante muito tempo, como faço tantas vezes.
Não era ainda a fornalha do Verão e corria até uma aragem fresca apesar da crueza do sol.
O mar batia à minha esquerda, sem espalhafato, e a ravina subia os seus trinta metros do outro lado, em contorsões de arenito.
Tanto quanto os olhos alcançavam, nem vivalma. Um deserto à minha frente.
Naquela solidão de mar e areia só somos atraídos pelas irregularidades; um barrote que veio na maré, uma pegada estranha ou os restos de uma fogueira em que se aqueceram os pescadores da noite passada.
E foi assim que descobri a gaivota, como uma anormalidade.
Estava pousada a uns vinte metros da linha de água. Mas não estava pousada como pousam os pássaros, sempre prontos a voar. Era como se chocasse uma ninhada.
 
Quando me aproximei nem sequer se agitou. A única coisa que movia era a cabeça, de um lado para o outro, e ao fazê-lo o seu bico era um aparo que escrevia na areia uma caligrafia desesperada.
Cheguei tão perto que podia ver os seus olhos aterrorizados, amarelos, e não sabia como demonstrar a minha compaixão.
(Em toda a minha vida só vi morrer um pássaro, e foi em plena cidade.
Despenhou-se de súbito, estrebuchou mansamente durante algum tempo e depois inteiriçou.)
 
Não me atrevi a tocar na gaivota. Por um lado imaginava o terror do pobre pássaro ao ver-se agarrado, por outro receei agravar o sofrimento daquele corpo que tão pesado jazia na areia. Senti-me inútil e grotesco.
(Confesso que o sofrimento dos bichos me toca bastante pois, ao contrário dos humanos, não podem explicar o que sentem e geralmente morrem desamparados. Por causa disso já várias vezes fui tentado a contrariar essa fatalidade.)
Neste caso não me parecia viável qualquer intervenção. Estava muito longe de qualquer ajuda especializada e desconhecia de todo o que levara a gaivota à desesperada situação em que se encontrava. Doença, acidente ou simplesmente velhice?
(Será que as gaivotas demasiado velhas pousam em praias desertas e ficam olhando o mar até ao último suspiro? Com que direito iria eu interferir num processo desse tipo, carregando desajeitadamente um bicho em sofrimento para o ver morrer num veterinário qualquer?)
 
Fiquei a olhar para ela e ela também olhava para mim. Duvido que soubesse ler no meu rosto a aflição e compaixão que eu sentia. Eu também no rosto dela não via senão os sentimentos que a minha condição humana permite imaginar.
Cheguei a pensar que a gaivota, depois do terror inicial, sentiria pelo menos o alívio de constatar que eu não lhe fazia mal.
Então comecei a recuar sem poder deixar de a olhar, até que a gaivota era apenas uma sombra como outras que resultam das irregularidades da areia.
Caminhei a bom ritmo durante a meia hora que me separava de casa.
 
Embrenhei-me nas rotinas caseiras com mais afinco do que é usual.
Mas quando anoiteceu a gaivota voltou a instalar-se no meu pensamento.
Pressentia-a agora na total escuridão da praia e não sob o sol violento da tarde.
O mar rugia como sempre, mas sem se ver.

Então desejei ansiosamente que a maré subisse e que uma grande vaga cumprisse finalmente o destino.

 

 

Fernando Penim Redondo

(blogue DOTE COME)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.08.17

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 Benjamim, de Chico Buarque

Romance

(reedição Companhia das Letras, 2017)

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Canções do século XXI (145)

por Pedro Correia, em 23.08.17

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Ano de autárquicas (6)

por Pedro Correia, em 22.08.17

 

Candidatos vão gastar 4,8 milhões em brindes

 

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O "acordo" é bom, mau é o povo

por Pedro Correia, em 22.08.17

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«Não seria

mais simples para o governo

dissolver o povo

e eleger outro?»

Bertolt Brecht

 

Numa recente entrevista, António Mega Ferreira mostra-se muito surpreendido e agastado pelo facto de quase três décadas após o seu atribulado parto o chamado "acordo ortográfico" (AO90) ainda suscitar muita polémica na sociedade portuguesa, apesar de já ter sido considerado de aplicação obrigatória no ensino e na administração pública por governos de cores diferentes. Dando a impressão de que não é o acordo que está mal: são os próprios portugueses.

"Basta olhar para o escândalo que é a reacção ao acordo ortográfico. É inacreditável que, 27 anos depois de o acordo ter sido aprovado - e aprovado duas vezes por unanimidade no Parlamento - as vozes do passado tenham voltado a erguer-se no momento em que iria entrar em vigor. O acordo tem de ser melhorado, aceito isso. Mas contestá-lo dizendo que vamos ficar a escrever como os brasileiros, caramba..." Palavras do escritor e gestor cultural - publicadas, ironicamente, num jornal que continua a recusar a aplicação da aberrante ortografia. Só falta parafrasear Brecht: se o povo não segue o acordo, mude-se o povo.

Mega Ferreira, um dos raros intelectuais portugueses que aplaudem o AO90, erra a pontaria. Desde logo, a aprovação parlamentar não foi unânime: houve escassos mas honrosos votos contra. Além disso, se o dito (des)acordo enfrenta tão óbvia rejeição - não apenas em Portugal mas noutros países, com destaque para Angola e Moçambique - e tarda em ser assimilado na vasta comunidade lusófona, o problema não é seguramente dos utentes da ortografia: é das próprias regras que um escasso número de lexicógrafos procurou impor à revelia do parecer científico da esmagadora maioria das entidades competentes que se pronunciaram sobre a matéria.

Como aqui enumerei, divulgando os nomes de 260 escritores que recusam escrever segundo as normas ortográficas concebidas em 1990 por Malaca Casteleiro numa lista que está longe de ser exaustiva, a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o (des)acordo. Incluindo as "velhas vozes" de Afonso Cruz, Afonso Reis Cabral, Ana Margarida Carvalho, António Carlos Cortez, Beatriz Hierro Lopes, Bruno Vieira Amaral, David Machado, Desidério Murcho, Filipa Leal, Gonçalo M. Tavares, Inês Fonseca Santos, João Ricardo Pedro, João Tordo, Joel Neto, Manuel Jorge Marmelo, Miguel Gullander, Miguel Tamen, Nuno Camarneiro, Nuno Costa Santos, Pedro Eiras, Pedro Mexia, Pedro Sena-Lino, Possidónio Cachapa, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Adolfo, Tiago Patrício e Valter Hugo Mãe.

Mega Ferreira está portanto, em evidente contramão. Devia interrogar-se seriamente porquê a tempo da próxima entrevista.

 

 

Leitura complementar: Sabiam que Cleópatra era de Idanha-a-Velha?

Do Nuno Pacheco, no Público.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.08.17

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 O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy

Tradução de Teresa Casal

Romance

(reedição Bis, 4.ª ed, 2015)

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Canções do século XXI (144)

por Pedro Correia, em 22.08.17

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Leituras

por Pedro Correia, em 21.08.17

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«O crime também é uma solidão, mesmo que sejam muitos a cometê-lo.»

Albert CamusO Equívoco (1944), p. 227

Ed. Livros do Brasil, s/d. Colecção Miniatura, n.º 100. Tradução de Raul de Carvalho

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Fogos são terrorismo ambiental

por Pedro Correia, em 21.08.17

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O País continua a arder: o estado de calamidade pública em vários distritos do norte e do centro decretado pelo Governo como medida preventiva, quinta-feira passada, não evitou que neste domingo se tivessem registado 231 incêndios em Portugal. Neste momento há fogos a consumir áreas florestais e agrícolas nos concelhos da Covilhã, Ribeira de Pena, Alijó, Santa Maria da Feira, Resende, Cabeceiras de Basto, Terras do Bouro, Baião, Sever do Vouga, Porto de Mós, Alcanena, Albergaria-a-Velha e São Pedro do Sul.

No fim de semana arderam parcelas importantes dos concelhos de Sabrosa, Gavião e Felgueiras. Um piloto de helicópteros morreu ontem quando o aparelho se despenhou: ajudava a combater as chamas em Castro Daire e ainda fez duas descargas antes do acidente fatal.

Nos últimos dez dias, os incêndios provocaram 122 feridos - oito dos quais em estado grave. Até sábado, já tinham ardido 165 mil hectares de floresta e área agrícola - mais do que em todo o ano passado.

Também ontem um sujeito foi apanhado em flagrante a tentar atear um incêndio no Parque Natural Sintra-Cascais - tendo sido impedido pela GNR, que vem reforçando as acções de patrulha e vigilância ali existentes. Isto enquanto as emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar por consequência directa destes fogos.

É tempo de deixarmos de encarar este drama dos fogos como uma típica fatalidade de Verão, passando a equipará-lo a uma ofensiva terrorista. Com múltiplos e por vezes irreparáveis atentados à segurança de pessoas e bens. Com múltiplos atentados à segurança climática e ambiental. O facto de uma percentagem significativa destes incêndios começar de noite, em zonas de difícil acesso e com focos quase simultâneos indicia que estaremos perante redes organizadas de incendiários, a soldo de interesses que as autoridades têm o dever de deslindar. Doa a quem doer, custe a quem custar.

Vermos o País continuar a arder, impotentes e resignados, é que não.

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Convidado: ALEXANDRE LUZ

por Pedro Correia, em 21.08.17

 

Regressão civilizacional

 

Tive a sorte, ou o azar, de ter nascido ainda na dita geração X, poucos anos antes da Y, dos millenials. O que na prática quer dizer que ainda me lembro de ver notícias sobre o IRA, sobre a ETA, sobre a União Soviética, e de assistir às notícias da queda do muro de Berlim.

Naquela altura, com 13 anos, lembro-me do orgulho que se sentia com a evolução que o mundo estava a ter. Aliás, ainda três anos antes tínhamos aderido à CEE, hoje União Europeia, o que representava finalmente a entrada de Portugal no mundo desenvolvido.

Na realidade, com alguma ingenuidade à mistura, não deixava de ter razão: aquele tempo foi um tempo de saltos civilizacionais muito positivos. Durante os anos seguintes o comunismo faliu, o Pacto de Varsóvia dissolveu-se e muitos países da antiga Europa de Leste deram os primeiros passos em democracia. 

 

Mesmo a China, após o massacre dos estudantes em Tiananmen, é verdade, começou a abrir-se ao Ocidente. A eterna luta nacional pela independência de Timor conseguiu chegar a bom porto, após o massacre de Santa Cruz. Foi uma causa que mobilizou particularmente os portugueses.

Isto tudo aconteceu à mistura com tantos outros acontecimentos negativos, como o Iraque e os Balcãs, mas a ideia que se tinha era que, apesar de tudo, o terrorismo na Europa estava a diminuir e a democracia finalmente prevalecia sobre os totalitarismos que ainda restavam da 2ª Guerra Mundial.

Hoje, dá-se o impensável.

O terrorismo atingiu novo auge, com o ISIS e outros grupos radicais, que, perante uma vida miserável, acabam por se refugiar na certeza que o Alcorão lhes dá. Tal como já tinha acontecido no passado na Europa, mas na altura por causa de outro livro, a Bíblia.

 

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Por outro lado, se olharmos para a Venezuela, vemos o comunismo regressar na sua pior forma, com o crescente controlo do Estado, mascarado de democracia, e com a desculpa que é para garantir a paz, tal como os soviéticos fizeram no passado. Neste país vemos todos os dias a população a ser reprimida e as instituições democráticas a serem destruídas. Uma espécie de doutrina Brejnev, onde tudo vale. Prender, matar, não é importante, o que importa é que Maduro consiga libertar o seu povo e assim garantir vidas miseráveis para todos. Sim, porque há coisas que não mudam. O comunismo, à semelhança de vários outros ismos, propaga-se bem na miséria.

Nos Estados Unidos, a extrema-direita perdeu a vergonha e assassinou mais uma pessoa. Ali, apesar da crise, não será tanto por causa da miséria, até porque não existir nos EUA um Maduro a arrastar a população para filas intermináveis em busca de bens essenciais, mas terá também muito a ver com a cultura, ou a falta dela.

 

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Como é que depois de terem morrido 416 mil soldados americanos a combater o nazismo, alguém tem coragem de levantar uma suástica nos Estados Unidos? Como é que um indivíduo chamado Peter Cvjetanovic tem a lata de se achar um defensor do nacionalismo branco? Ele é branco, até aí é óbvio, mas tenho muitas dúvidas de que Cvjetanovic seja um nome assim tão típico dos Estados Unidos. Os imigrantes, antepassados deste tonto, corariam de vergonha ao verem o seu descendente fazer esta triste figura.

 

 

Alexandre Luz

(blogue KAPAGÊBÊ)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.08.17

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 O Ilustre Peito Lusitano, de Maria João Lehning

Romance

(edição Oficina do Livro, 2017)

"Por vontade expressa da autora, o livro respeita a ortografia anterior ao acordo ortográfico"

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Canções do século XXI (143)

por Pedro Correia, em 21.08.17

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Na morte de Jerry Lewis

por Pedro Correia, em 20.08.17

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Certos actores são inimitáveis: Jerry Lewis era um deles. Vi-o, como qualquer de nós, em dezenas de filmes. Mas também o vi uma vez em palco, já ele andava nos 70 anos. Ninguém diria que tinha essa idade: cantava, dançava, cabriolava com uma energia inesgotável no musical Damn Yankees, de George Abbott, Douglass Wakllop (letra), Richard Adler e Jerry Ross (música), nas tábuas do Golden Gate Theater, em Market Street, no centro de São Francisco.
Ainda hesitei em aguardar por ele à saída, para lhe caçar um autógrafo, ao princípio dessa noite de Setembro de 1996: afinal, Jerry Lewis foi um dos ídolos da minha infância.
 
Mal surgia no ecrã, despertava um festival de gargalhadas nas suas comédias de início de carreira em parceria com Dean Martin. O último filme que rodaram juntos – Pintores e Raparigas, de Frank Tashlin, película de 1955, o mesmo ano em que Damn Yankees estreou na Broadway – é uma obra-prima do género, com a vantagem acrescida de incluir uma esplendorosa Shirley MacLaine, então a dar os primeiros passos no cinema.
Dez anos depois, sempre em registo de comédia, o actor nascido com o nome de Joseph Levitch a 16 de Março de 1926, em Newark, Nova Jérsia, protagonizou um dos raros filmes que me fizeram rir até às lágrimas: Boeing, Boeing, hilariante longa-metragem sobre troca de identidades realizada por John Rich em que Jerry se revelava no auge das suas magníficas capacidades como comediante.
Mas talvez o seu melhor filme tenha sido afinal um drama: O Rei da Comédia, de Martin Scorsese (1983), ao lado de Robert de Niro. A Academia de Hollywood podia e devia ter-lhe dado um Óscar por esse trabalho que desmontava com implacável lucidez os frágeis mecanismos do sucesso televisivo. Nada feito: os académicos costumam torcer o nariz a actores oriundos do reino da comédia, esse género que teimam em considerar menor. Pelo mesmíssimo motivo, nem um gigante como Chaplin conseguiu uma estatueta com clássicos como Luzes da Cidade ou O Grande Ditador.
 
Naquele dia, acabei por trocar o autógrafo de Jerry Lewis pelo de Suzanne Vega, que actuava a curta distância, na Virgin, também em Market Street. Improvisando um recital com uma simples viola na mão e um ar doce, quase tímido, como se pedisse desculpa pela súbita fama de que gozava.
Confesso: gosto de ver o meu nome escrito por ela na dedicatória que me deixou no disco Nine Objects of Desire, que tem uma canção deliciosa: World Before Columbus, com uma letra que rapidamente memorizei: "If your love were taken from me / Every color would be black and white / It would be as flat as the world before Columbus / That's the day that I lose half my sight // If your life were taken from me/ All the trees would freeze in this cold ground / It would be as cruel as the world before Columbus / Sail to the edge and I'd be there looking down."
 
Mas ainda hoje me arrependo de não ter esperado antes por Jerry Lewis à porta dos actores no Golden Gate.
 
Texto reeditado em homenagem a Jerry Lewis, hoje falecido aos 91 anos

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 20.08.17

 

«Ágata Cristas. You heard it here first.»

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

 

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Filosofia de parede

por Pedro Correia, em 20.08.17

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Évora, Agosto de 2017

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.08.17

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 Requiem por um Sonho, de Hubert Selby Jr

Tradução de Paulo Faria

Romance

(edição Antígona, 2017)

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Canções do século XXI (142)

por Pedro Correia, em 20.08.17

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Não acertam uma (actualizado)

por Pedro Correia, em 19.08.17

 

17 de Agosto:

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luis Carneiro, disse hoje à Lusa que não há portugueses entre as vítimas do atentado de Barcelona.

 

18 de Agosto:

Portuguesa de 74 anos entre os mortos em Barcelona, havendo outra desaparecida, informa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

19 de Agosto:

Morreram duas portuguesas no atentado das Ramblas, em Barcelona. A segunda vítima agora identificada é uma mulher de 20 anos que estava dada como desaparecida. A notícia foi confirmada este sábado pelo primeiro-ministro, que tem estado em contacto com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas,

 

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Groucho: o marxismo resiste

por Pedro Correia, em 19.08.17

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Groucho Marx morreu faz hoje 40 anos. Ninguém diria: o grande actor norte-americano (1890-1977) parece mais vivo que nunca. Não apenas nos seus filmes, alguns deles geniais (Os Grandes Aldrabões, Uma Noite na Ópera, Um Dia nas Corridas), mas na própria linguagem do dia-a-dia, impregnada de citações dele. Tão ou mais frequentes do que as do outro Marx, o Karl.

Todos teremos as nossas frases favoritas de Groucho. Deixo aqui as minhas dez, com a minha vénia à memória deste inconfundível protagonista da comédia cinematográfica que tantas gargalhadas me arrancou - e arranca ainda, pois revejo sempre os seus filmes como se fosse a primeira vez.

 

«Estes são os meus princípios. Se não gostarem deles, tenho outros.»

«Não quero pertencer a nenhum clube que me aceite como sócio.»

«O que quer que seja, estou contra.»

«A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em toda a parte, diagnosticá-los de forma incorrecta e aplicar-lhes a terapia errada.»

«Ele pode parecer um idiota e falar como um idiota, mas não te iludas: ele é mesmo um idiota.»

«Só um homem em mil lidera outros homens. Os restantes 999 vão atrás de mulheres.»

«O problema de não se fazer nada é que nunca sabemos quando se acaba.»

«A televisão é muito educativa: sempre que alguém a liga, saio da sala e vou ler um livro.»

«Nunca me esqueço de uma cara, mas no seu caso abrirei uma excepção com todo o gosto.»

«Se não te estás a divertir é porque estás a fazer alguma coisa errada.»

 

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 Groucho Marx (1890-1977)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.08.17

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 A Luz da Noite, de Graham Moore

Tradução de José Remelhe

Romance

(edição Suma de Letras, 2017)

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Canções do século XXI (141)

por Pedro Correia, em 19.08.17

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Frases de 2017 (33)

por Pedro Correia, em 18.08.17

«O Governo fez a maior reforma que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis.»

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, em entrevista à Lusa

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Convidado: JOSÉ CATARINO

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

O velho Défice, o neto Empréstimo e o burro Pibe

  

Com a despensa vazia, o Velho Défice resolveu ir aos Mercados. Albardou o Pibe, levou consigo o neto Empréstimo para aprender a comerciar. Contentes todos como a madrugada que se abria em luz, cantorias e promessas, por razões diferentes embora: Grandes negócios vamos fazer, e o Velho esfregava as mãos de contente. E o Neto Empréstimo, mais interessado no passeio, caras novas, a antecipar barracas de feira repletas de brinquedos, carrosséis e carrinhos de choque, finge interesse nos negócios: Como nos receberão nos Mercados?

Não vês tu este dia radioso, que nos augura negócio vantajoso?

Antes nada dissesse: logo o céu enegrece, vem o vento agreste, esfria o ar matinal, desaba forte temporal. Mau prenúncio.

E uma turista para outra, vinda dessas alemanhas, a pedalar rijo na bicicleta para perder as banhas: Coisa estranha esta é! O malandro do Velho folgado a cavalo, o pobre Moço a pé!

Acabrunhado, diz o Velho para o petiz apeado: Troquemos, monta tu o Pibe a cavalo antes que alguma alemoa nos pregue um estalo.

Comenta um loiro, finlandês talvez: Coisa nunca antes vista, a cavalo o rapaz, a pé o pobre velho já incapaz.

Montemos então os dois o Pibe, a ver se essas agências não ralham mais, diz o Velho Défice. Que dirão de nós nos Mercados?, demanda ao Empréstimo, sobrolho carregado.

Que fazeis, desalmados? Ah, não aparecer a Protecção dos Animais! Não vedes que assim o pobre Pibe esmagais?

Apeemo-nos, vamos à pata, que o Pibe siga seu caminho aliviado, até lhe solto a arreata.

Logo, logo, coro de protestos indignados: Coisa jamais vista, Défice e Empréstimo apeados para o Pibe se sentir aliviado!

E o Velho, sempre atento às vozes do Mundo: Levemos então nós o Pibe às costas.

Gargalhadas trocistas de uns deputados socialistas: O Velho Défice agora é avarento e carrega às costas o Jumento! E as moças do Bloco, para lhes não ficar atrás: Uma criança ajoujada sob o peso da montada! Para que quereis tal asno, a que Pibe chamais, se nele não montais, antes às costas o carregais como se fôsseis vós os animais?

E o Velho Défice, sem outras ideias, pergunta-me, como se a sábio se dirigisse: Diz-me tu, ó Zé, que muito estudaste, Que farei com esta montada, Pibe chamada, como contentarei as agências e calarei as vozes do Mundo, que faça o que fizer, me criticam a cada segundo?

E eu opino também: Devias saber, ó Velho, que quem quer ganhar eleições põe-nos o burro sobre o costado. Depois, é bem sabido, é sempre o povo o sacrificado.

 

 

José Catarino

(blogue JOSÉ CATARINO)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.08.17

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 O Pranto de Lúcifer, de Rosa Lobato de Faria

Romance

(reedição BIS, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

La tarde en que vimos el suelo de Las Ramblas. De Juan Soto Ivars, no El Confidencial.

Las tres duras lecciones que deja el atentado de Las Ramblas. De Jason Burke, no El Diario.es

Llorar no es suficiente. De Rosa Díez, no El Español.

 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 18.08.17

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Dafne Fernández

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Canções do século XXI (140)

por Pedro Correia, em 18.08.17

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Já li o livro e vi o filme (195)

por Pedro Correia, em 17.08.17

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   O DESPREZO (1954)

Autor: Alberto Moravia

Realizador: Jean-Luc Godard (1963)

Brigitte Bardot filmada por Godard naquele que é talvez o mais deslumbrante filme da fugaz carreira dela. Rodada na ilha de Capri, com Michel Piccoli, Jack Palance e Fritz Lang no elenco, a película supera o romance homónimo de Moravia, em grande parte pelos cenários deslumbrantes e pela sua fotografia inesquecível.

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Dois meses sempre a arder

por Pedro Correia, em 17.08.17

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1

A tragédia de Pedrógão Grande, que enlutou o País e foi notícia em todo o mundo, ocorreu há exactamente dois meses. Desde então nada melhorou: Portugal tem continuado a arder imparavelmente, perante contínuas demonstrações de impotência das autoridades nacionais e municipais.

Desde o início do ano, já arderam mais de 165 mil hectares de terreno florestal e agrícola em consequência dos 10.146 incêndios oficialmente registados entre Janeiro e Agosto. Uma área equivalente à do concelho de Lisboa multiplicada por 16 e muito superior, em menos de oito meses, aos 115 mil hectares consumidos pelas chamas em 2016. Vivemos uma autêntica catástrofe ambiental. A Quercus alerta: "Incêndios estão a ter impacto na qualidade do ar e da água."

 

2

Algumas notícias das últimas 48 horas: 80% a 90% do concelho de Mação ardeu; Fogo no Fundão é o mais preocupante; Incêndio em Vila de Rei está "novamente descontrolado"; Colégio de São Fiel consumido pelo fogo em Louriçal do Campo; Fogo na Serra da Estrela destrói importante zona ambiental; Fogos preocupam em Santarém, Castelo Branco, Vila Real e Coimbra.

No sábado passado, um triste e lamentável recorde foi batido: o do maior registo de fogos ocorridos em Portugal num período de 24 horas - um total de 268 "ocorrências", segundo o eufemismo agora em voga.

Felizmente não há a lamentar mais mortos, além das 65 vítimas de Pedrógão. Mas só numa semana, entre 8 e 14 de Agosto, registaram-se 74 feridos. Entretanto os bombeiros queixam-se da  falta de apoio para alimentar os voluntários que combatem as chamas. Um cenário digno do terceiro mundo no País da Web Summit, das start-ups e da invasão turística.

 

3

Enquanto vemos grande parte do território nacional ainda mais desertificado pela acção dos fogos que destruíram dezenas de vidas humanas e têm devastado flora e fauna a um ritmo alucinante, os responsáveis políticos continuam a revelar uma confrangedora inaptidão para enfrentar esta calamidade. Isto ficou bem patente numa das mais recentes aparições públicas da ministra da Administração Interna, apontando "falhas de disponibilidade e de desempenho" a entidades sob a sua tutela directa - desde logo a secretaria-geral do seu próprio ministério.

Chegamos ao ponto de presumir que as consequências poderiam ter sido ainda mais trágicas, segundo o cenário de gritantes incompetências tornado público pela ministra: "descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC)"; contínuas falhas de comunicações do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que custa 40 milhões de euros anuais aos contribuintes; "falta de articulação entre a secretaria-geral da Administração Interna, PSP, ANPC e GNR no que diz respeito à detecção dos problemas".

Tratando-se de entidades sob a sua tutela, é caso para perguntar por que motivo Constança de Sousa tarda tanto a retirar consequências políticas desta cascata de fracassos, renunciando às funções que tão mal tem desempenhado.

 

4

Passados dois meses de virtual paralisia política, continuamos sem um pacto nacional, interpartidário, para o combate a este flagelo - que devia contar com o alto patrocínio do Presidente da República.

O Parlamento aprovou um mero paliativo alcunhado de "reforma" e foi de férias, deixando o País a arder e o ministro da Agricultura, sem a menor noção do ridículo, a vangloriar-se de coisa nenhuma, comparando-se ao Rei D. Dinis com um despudor que envergonha decerto até alguns dos seus colegas do Executivo. Lá para Outubro, após umas retemperadoras férias e a campanha autárquica, se lhes apetecer, os senhores deputados voltarão a pensar no assunto.

Tarde e a más horas, alguém se lembrará enfim de reactivar as acções de vigilância florestal, estendendo ao conjunto do território nacional as experiências já concretizadas com êxito, em tempo útil, na Serra de Sintra e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A palavra-chave é mesmo esta: vigilância. Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo implica a  reposição da carreira de guardas florestais que durante décadas acautelaram com sucesso a progressão de fogos nas matas.

Tendo 90% destes incêndios  "origem humana", como garante um ex-comandante operacional nacional de operações de socorro da proteção civil, e detectando-se "mão criminosa" em boa parte destes incêndios, segundo assegura o secretário de Estado da Administração Interna, a primeira etapa terá de passar sempre pela reactivação dos postos e das brigadas de vigilância florestal. É esta, sem surpresa, a posição do presidente da Liga dos Bombeiros, lembrando que nestes dois meses houve mil fogos que começaram de noite.

O resto é demagogia política que já não ilude ninguém.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.08.17

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 Caixa Negra, de Diogo Cavaleiro

Investigação

(edição Oficina do Livro, 2017)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 17.08.17

 

AO Meu Quintal.

 

 

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Canções do século XXI (139)

por Pedro Correia, em 17.08.17

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Quarenta anos sem Elvis Presley

por Pedro Correia, em 16.08.17

Elvis Aaron Presley morreu faz hoje 40 anos. Mas a sua música permanece bem viva. É dia para escutá-la, uma vez mais.

Aqui ficam três das canções dele de que mais gosto.

 

 

De Arthur Crudup (1946). Gravada por Elvis em 1954

 

 

 

De Carl Perkins (1955). Gravada por Elvis em 1956

 

 

 

De Howard Barnes e Don Robertson (1953). Gravada por Elvis em 1970

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A missão do jornalismo

por Pedro Correia, em 16.08.17

Há dias, na primeira página de um jornal, li o seguinte título: "Dona da MEO convida mais de 50 trabalhadores a rescindir contratos".

Adoro estes doces eufemismos dos tempos modernos. Eufemismos como o dos recentes "furtos" de Tancos, pondo de lado a rude palavra "roubo", que ainda há pouco ouvíamos proferir a torto e a direito a propósito das mais diversas situações. Ou até a despropósito.

A MEO quer despedir mais de 50 trabalhadores. Tão simples como isto. E tão incómodo, compreendo. Nada que um jornal deva ocultar. Porque a missão do jornalismo é relatar a verdade, não silenciar ou camuflar factos incómodos.

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Convidado: FRANCISCO JOSÉ VIEGAS

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

O tempo sem pessimistas

  

As empregadas da perfumaria, a senhora do expositor de Tupperware, a loja das canetas que tem de vender tabaco para sobreviver, a simpatia do criado do restaurante que garante não ter tempo para ver televisão, os miúdos que vão drogar-se ao fundo do parque de estacionamento, a rapariga que entrou a chorar na carruagem do metro. Há famílias desfeitas por tão pouco. Devia existir aconselhamento psicológico nestas ocasiões, enquanto não vem o regresso de férias. Devia haver acompanhamento, uns psis que contassem anedotas no intervalo das tragédias, ou que compreendessem os fenómenos da época: os eclipses, a mancha de neblina em redor da lua, os livros antigos e as selectas literárias, as mulheres que tatuam os ombros, as ementas muito calóricas, os amigos que evitam divorciar-se e procuram casas nos subúrbios. Coisas para tempos da crise futura: bússolas que indicam o caminho que sai dos dois lados da vida e não empata o trânsito à porta dos centros comerciais nem nas estradas secundárias.

 

O que os aflige é o tempo que falta. O poder ilude facilmente, é uma espécie de droga, de volúpia e luxúria amável de onde não podem ser expulsos (fizemos tanto pela pátria, por que é que não podemos ir ver futebol entre os poderosos?). Uma vitamina para a pobre existência de quem quer mudar o mundo a cada minuto, logo de manhã, a qualquer hora. O problema são os bárbaros, os outros, os que não compreendem o esforço nem a gramática (uma espécie de ginástica que saltita entre as grandes frases e as ninharias que se lhes ouve ao telefone), os que duvidam ou não estão para isso. Eles estão sempre para isso, são modernos e sabem manobrar. Há também os que legislam sobre o mundo a toda a hora (trata-se de mudar o mundo a cada minuto, por decreto se possível), apreciam quem expulsa os piolhos e as marcas de ginja no balcão de zinco e proíbe as velhinhas de fazerem croquetes sem emitir facturas. É um módico de civilização, é isso que é necessário. Fazer tudo em nome dela, da civilização – que há-de ser apressada por medidas estruturantes e estruturais, leis sobre o sexo, barrigas de aluguer, coisas sustentáveis, tudo é sustentável e cidadão — e o tamanho da maçã reineta.

 

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É uma das piores raças: os enochatos. O vinho e a sua temperatura, o copo ideal, a colheita, a cortiça, ah bebi um assim em Valladollid quando ia a caminho de Bilbau (ia visitar o Guggenheim), os jantares de degustação, o Can Fabes (ah, mas eles odeiam Santi Santimaría, tão plebeu) e Ferran Adrià (ah, a tortilla com espuma de batata em vez de batata, que descoberta do caralho, uma espécie de Nestum de batata mas sem açúcar, o pior inimigo da humanidade, o veneno que alimenta todos os outros venenos), aroma de aroma de amora, taninos fortes, um vinho único com explosões de carqueja e final de boca de abacaxi, uma gota extenuante, este para a entrada, aquele para primi piatti, o outro para secondi, por aí fora, palatos que debicam sem avançar pelo corpo fora. Há um restaurante onde oferecem um «menu do bem» (juro) que termina com bulgur e bagas gogi.

 

Grandiloquentes, à esquerda e à direita, é a pior raça, detectável ao primeiro parágrafo – um mestrado. Ouvi-os durante uma vida inteira. Nos jornais, nas redacções, nas escadas, nossos amáveis senadores que falharam na pátria mas continuam a dar conselhos. Padres de um religião plebeia, Torquemadas, sábios, coleccionadores. Hoje nada os separa senão a defesa do que resta, das tropas que ocupam a república e que hão de manter relações com gente dos negócios — fazem-no com naturalidade. Sem dificuldade aparente. Sem remorso. Mas sobretudo sem humor. Os pais têm o retrato pendurado na sede de um banco ou num corredor da faculdade; os tios foram íntimos de um ministro que depois trataram de trair com ligeireza; o avô foi comandante de uma companhia de Dragões durante a República e casou com uma prima cujo dote eram terrenos que ainda hoje rendem bastante. Fazem selfies, amam o povo na sua generosidade, prometem tanto.

 

Um dos meus melhores amigos teve os seus tempos de Enver Hoxha, de Mao, de revolução cultural — e de arrependimento. Felizmente, manteve o humor. Soma, àquela nostalgia adolescente, o peso de um sinal da história; relembra as palavras essenciais: operariado, greve, mulheres, riso, humor. Encontramo-nos para falar de América Latina, das cervejas mexicanas, dos ditadores falhados, dos loucos que destroem Caracas ou dos que resistem em Lima ou em Montevideu. Apaixonamo-nos pelos lugares, temos saudades de outro calor, temos saudades dos amigos. Votamos de maneira diferente, ele não tem remorso, não tem dificuldade, mas tem vida e humor. Tem mundo para lá dos ocupantes da República. Comovo-me. Ficamos dependurados de uma livraria enquanto as pessoas passam, à entrada da noite. O mundo podia ter sido de outra maneira; podia ter sido pior, também. Em tempos jantámos altas horas – eu terminava um romance que não acabava, e aproveitava-lhe as histórias, falávamos de Casablanca. «Como será ter uma casa em Casablanca?» Enver Hoxha, Mao, operariado, greve; o mundo mudou, mas o riso permanece. Os outros também, conheci-os com a mesma determinação e usando outro hemisfério do cérebro. Hoje, os seus amigos estão muito fascinados com as barrigas de aluguer e têm um dicionário de expressões sexistas e misóginas que não usam nem diante do pelotão de fuzilamento. Chegámos ao mesmo ponto vindos de sítios diferentes. Contamos as mesmas anedotas de judeus. Chegámos a um ponto em que vemos a república devorada pelas tropas ocupantes, por funcionários de cozinha. Ambos sabemos que a Albânia nunca existiu; eu já lhe tinha dito.

 

 

Francisco José Viegas

(blogue A ORIGEM DAS ESPÉCIES)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.08.17

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 A Orgia do Poder, de Pippo Russo

Tradução de António Costa

Biografia não autorizada do empresário Jorge Mendes

(edição Planeta, 2017)

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

Não precisamos de um pseudo D. Dinis. De Rui Ramos, no Observador.

 

 

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

Ao Eternas Saudades do Futuro.

 

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Canções do século XXI (138)

por Pedro Correia, em 16.08.17

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Até não restar nada para queimar

por Pedro Correia, em 15.08.17

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O País arde. Literalmente. Nunca ardeu tanto como agora. Mais de um terço da mancha florestal europeia queimada ao longo deste ano em toda a União Europeia pertence a este pequeno país com reiterados sonhos de grandeza: 140 mil hectares de zona verde tornaram-se área interdita, carbonizada, danificada, inutilizada. O equivalente a cento e quarenta mil campos de futebol.

Num único dia, sábado passado, houve 268 incêndios - novo e triste e lamentável máximo nacional.

Em muitos destes casos - talvez mesmo na maioria - onde havia árvores nada mais haverá doravante do que mato rasteiro e daninho, futura matéria combustível. Em qualquer dos casos, muitas das populações afectadas - talvez mesmo a maioria - não viverão tempo suficiente para ver crescer árvores outra vez à dimensão de outrora. Numa espécie de prenúncio da morte ainda em vida.

 

Vejo este país a arder. Hoje em Vila de Rei ou Tomar como ontem em Pedrógão. Hoje em Oliveira do Hospital como ontem em Alijó. Hoje em Sabrosa como ontem em Mértola. Hoje em Ferreira do Zêzere e Cantanhede como ontem em Mação ou Abrantes.

As chamas não devastam apenas a paisagem física: destroçam também a paisagem humana e social. Porque as parcelas do País que ardem são as do Portugal desfavorecido, envelhecido, esquecido. Um país que há-de emergir das cinzas ainda mais distante do risonho e soalheiro país litoral, que ocupa sempre a fatia mais volumosa das telediários e das publirreportagens invasoras em grau crescente dos espaços noticiosos, algumas das quais a recomendar-nos hotéis de luxo e restaurantes polvilhados de estrelas Michelin a preços obscenos.

 

Vejo a minha Gardunha a arder, vejo as chamas invadindo essa jóia irrepetível que é a aldeia de Castelo Novo, na vertente sul da serra - e sinto o que sentem tantos outros portugueses perante a destruição de paisagens familiares que lhes são tão queridas.

A fúria, a mágoa, a frustração, a impotência perante o crime e os palradores de sofá em Lisboa que nos intervalos das tricas políticas ainda ousam apontar o dedo acusador aos poucos que persistiam em morar nas zonas agora devoradas pelas chamas, acusando-os de plantar o que não deviam.

Ali quase não havia eucaliptos: havia muitos castanheiros, muitos carvalhos, muitos pomares - com destaque para os cerejais em que se ancorava boa parte da frágil economia local. Tudo isto já pertence ao passado.

 

Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. 

É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras - sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. Falam nas mudanças climáticas, nos "efeitos do aquecimento global" e nas "décadas de desordenamento das nossas florestas", como se só em Portugal houvesse temperaturas altas e florestas desordenadas.

Refugiam-se no abstracto para iludir responsabilidades concretas.

Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime.

 

Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.

Até não restar nada para queimar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.08.17

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 Esta Noite Sonhei com Brueghel, de Fernanda Botelho

Romance

(reedição Abysmo, 2017)

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Canções do século XXI (137)

por Pedro Correia, em 15.08.17

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O desfecho não podia ser outro

por Pedro Correia, em 14.08.17

Em política, as vitórias e as derrotas decidem-se nas urnas, não na secretaria. E muito menos com o jogo viciado à partida, como aqui assinalei.

É por isso com satisfação, embora sem surpresa, que acabo de saber que a lista encabeçada por Isaltino Morais vai mesmo a votos no concelho de Oeiras. E que o juiz responsável pela infelicíssima decisão inicial foi afastado do processo. Se quer fazer política, equivocou-se no palco: os tribunais são os lugares menos recomendáveis para concretizar tal desígnio.

Com satisfação porque a oportunidade de formular juízos políticos sobre Isaltino e os restantes candidatos, em competição limpa, foi devolvida aos eleitores, únicos soberanos em democracia.

Sem surpresa porque o desfecho não poderia ter sido outro.

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Leituras

por Pedro Correia, em 14.08.17

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«Foi sempre este o destino da energia em tempos de segurança: ser canalizada para a arte e para o erotismo, e depois vêm o langor e a decadência.»

H. G. WellsA Máquina do Tempo (1895), p. 208

Ed. Antígona, Lisboa, 2016. Tradução de Tânia Ganho

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Convidado: CARLOS FARIA

por Pedro Correia, em 14.08.17

 

Por uma comunicação social local viável e isenta: o caso açoriano

 

Quem lê a imprensa açoriana verifica que as notícias que envolvem o executivo regional possuem quase invariavelmente como fonte o “GaCS”, o acrónimo de “Gabinete de Apoio à Comunicação Social”, a agência noticiosa do Governo dos Açores.

Em princípio nada há de mal num gabinete do género, todavia, ao lermos a mesma notícia em diferentes órgãos de comunicação social logo se descobre que o GaCS não é apenas a fonte da notícia, é também o autor do texto, pois este, por norma, nem varia entre jornais. A partir daqui, o que se deveria ler como uma informação isenta mais não é que o discurso oficial do Governo sobre as matérias em questão. Escusado será dizer que, mesmo na eventualidade de ser redigido por um jornalista, não é a mesma coisa o tratamento noticioso que resulta de uma redacção de jornal face ao que sai directamente dos assessores de imprensa dos gabinetes políticos e distribuído pelo serviço do executivo que tem a função de garantir a divulgação da estratégia comunicacional do Governo. Mas é isto que é replicado ipsis verbis por grande parte dos meios de comunicação social por quase toda uma região sob a alçada desse mesmo Governo.

Num instante, um Serviço Público de apoio à comunicação social transforma-se num Departamento de Propaganda do Governo e pago com os impostos dos destinatários.

 

Pode-se dizer que, por si só, este GaCS não compromete a isenção da comunicação social, pois as notícias por ele veiculadas não são obrigatoriamente publicadas pelos jornais regionais e muito menos se impõe que o sejam na íntegra.

Em teoria é assim, mas quando se teve a experiência das dificuldades por que passam estes órgãos locais situados em ilhas com escassas dezenas de milhares de habitantes facilmente se sente como se pode coagir a liberdade de imprensa com meios legais.

Financeiramente a generalidade destes jornais são deficitários, não só pela escassez de vendas face um reduzido público-alvo, que reduz receitas de publicidade que os suportem, mas também pela impossibilidade de alargar o universo de leitores, pois a descontinuidade geográfica levanta uma barreira psicológica que impede à imprensa escrita uma identidade arquipelágica para além da ilha-sede. Não conheço nenhum jornal sem o “rótulo da ilha” onde está a sua redacção e direcção.

 

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Esta realidade socioeconómica leva a que muitos dos jornais insulares apenas sobrevivam à sombra dos subsídios do mesmo Governo que lhes fornece grande parte das notícias mais impactantes para o seu público, o que é assegurado através de uma estratégia dita transparente de contratos-programa de apoio à comunicação social.

Apesar do atrás referido, isto leva à agudização da dependência e da subserviência dos jornais ao poder político, não assumida na prática, mas fácil de constatar. Os receios de atrasos nos apoios são uma arma que pesa, e muito, sobre veleidades de se investigar e informar de forma diferente ao do conteúdo do comunicado distribuído pelo GaCS. Lembro-me muito bem do sufoco financeiro que foi pertencer à direcção de uma cooperativa detentora de um semanário e da sensação que as justificações dos atrasos de cumprimento dos acordos de financiamento tinham como função dobrar pretensas liberdades de imprensa. Nestes casos, a psicologia do medo pesa muito na decisão.

 

Nunca vi coarctada a presença em jornais de artigos de opinião de pessoas dos mais variados quadrantes políticos e sociais, mas estes têm sempre um rótulo de enviesamento individual e por isso sem a força da notícia isenta, mas na prática muitas destas são produzidas nos gabinetes do poder e só uma certa maturidade permite apreender esta realidade.

Ultimamente tenho assistido a representantes do poder a criticar em artigos de opinião editoriais de jornais locais que tinham uma análise crítica a situações convenientemente explicadas pela informação oficial, outro sinal que soa a ameaça de quem subsidia o mensageiro.

Na internet têm surgido toda a espécie de sites que pretendem ser noticiosos, num espaço caótico sem controlo e livre de qualquer regra ética, mas será esta a alternativa que resta?

 

Está assim em causa a sobrevivência da livre comunicação social nos meios mais remotos, neste artigo o exemplo insular, mas é sempre algo que deveria preocupar e merecer atenção de quem tem a obrigação de zelar para que a liberdade de imprensa como suporte do Estado de Direito e da Democracia seja igual em todo o território nacional.

Em Trás-os-Montes e Corvo sabem-se as intervenções do poder nas ruas e bairros de Lisboa e Porto, mas aos lisboetas e portuenses pouco lhes é noticiado sobre o que se passa no resto do País que para muitos é paisagem, excepto catástrofes que lá ocorram, e para quem resiste a viver nos territórios longínquos é a imprensa local que cobre esta lacuna, mas até nesta é obrigação do Estado assegurar que sobreviva livre e isenta do poder político.

 

 

Carlos Faria

(blogue MENTE LIVRE)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.08.17

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 A Planície em Chamas, de Juan Rulfo

Tradução de Ana Santos

Contos

(reedição Cavalo de Ferro, 2.ª ed, 2017)

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Canções do século XXI (136)

por Pedro Correia, em 14.08.17

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Filosofia de parede

por Pedro Correia, em 13.08.17

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São Pedro do Sul, Abril de 2017

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.08.17

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 Os Herdeiros da Terra, de Ildefonso Falcones

Tradução de Paulo Ramos e Gonçalo Neves

Romance

(edição Suma de Letras, 2017)

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