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Novembro de 2017: os meus votos

por Pedro Correia, em 17.12.17

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Figura nacional do mês

Foi a personalidade mais em foco no fluxo noticioso nacional de Novembro. Adalberto Campos Fernandes, titular da pasta da Saúde, esteve em destaque, mas não por bons motivos. Primeiro, pelo grave surto de legionela no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, que afectou 54 pessoas - seis das quais viriam a morrer. Depois, pelo desaire sofrido na corrida à sede da Agência Europeia do Medicamento, com a candidatura da cidade do Porto a perder para Amesterdão. Finalmente, com o atribulado processo da transferência do Infarmed para a Invicta, que desagradou a quase todos e levou o próprio ministro a confessar que esta decisão "foi muito mal comunicada". Polémica ainda, outra declaração de Campos Fernandes, a 10 de Novembro: «O País está velho, está pobre, está só e em muitas circunstâncias entregue a si próprio.» Digna de um político da oposição.

 

 

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Figura internacional do mês

Virar de página no Zimbábue: a antiga colónia britânica da Rodésia do Sul viu-se finalmente livre do jugo do ditador Robert Mugabe, que dirigia o país com mão de ferro desde a independência, em 1980. O novo chefe do Estado é o antigo número 2 do regime zimbabuano, Emmerson Mnangagwa, que no discurso de posse, a 24 de Novembro, apelou à reconciliação nacional e prometeu "eleições livres e justas" no próximo ano. Mugabe, de 93 anos, era o segundo dirigente africano há mais tempo no poder, apenas ultrapassado pelo ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

 

 

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Facto nacional do mês

Cerca de 80% do País permaneceu todo o mês em situação de seca severa ou extrema, com rios e albufeiras revelando níveis de água historicamente baixos. Concelhos do interior, como no distrito de Viseu, tiveram de ser abastecidos com camiões cisterna, enquanto o gado era alimentado a rações por absoluta falta de pasto, perante o desespero dos criadores. O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, admitou a 22 de Novembro que a situação demorará muito tempo a resolver mesmo que a chuva se torne mais regular nos próximos meses.

 

 

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Facto internacional do mês

A Catalunha, intervencionada pelo Governo central em Outubro, entrou em campanha para eleger o próximo Parlamento regional, a 21 de Dezembro, com o anterior presidente do Executivo, Carles Puigdemont, ainda refugiado em Bruxelas e o ex-vice-presidente Oriol Junqueras detido às ordens da justiça, em Madrid, por alegado crime de sedição. O primeiro, do seu exílio belga, continuou a exigir a "libertação dos presos políticos" em Espanha. Apesar disso, e arrefecidos já os ânimos independentistas como as sondagens têm reflectido, confirmou-se o isolamento internacional de Puigdemont: nenhum país reconheceu a independência unilateral da Catalunha.

 

 

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Frase nacional do mês 

«Sou heterossexual, infelizmente.» Frase proferida por António Lobo Antunes, em entrevista à RTP, a 9 de Novembro. Frase sonante, uma entre tantas que o escritor foi proferindo ao longo de um mês inesperadamente fértil em declarações aos jornalistas - ele que nem sempre costuma estar receptivo para encontros com os órgãos de informação. Promovendo o seu mais recente romance, intitulado Até que as pedras se tornem mais leves que a água, o autor de Auto dos Danados declarou sem falsas modéstias a 10 de Novembro, em entrevista ao Público: «É claro que é um grande romance. Fui eu que o escrevi.»

 

 

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Frase internacional do mês 

«Porque é que Kim Jong-un me insulta, chamando-me "velho", se eu nunca lhe chamaria "baixo" e "gordo"?» A frase pode soar a brincadeira, mas foi escrita a sério. Pelo suspeito do costume: o actual inquilino da Casa Branca. Donald Trump recorreu ao seu instrumento de comunicação favorito, a rede social Twitter, para exprimir este desabafo à laia de resposta ao ditador de Pyongyang. Numa escalada verbal que faz antever problemas sérios com epicentro na península coreana, que se encontra desde 1950 oficialmente em estado de guerra.

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Canções do século XXI (261)

por Pedro Correia, em 17.12.17

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Leituras

por Pedro Correia, em 16.12.17

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«O tipo tem tanta massa que não necessita de pôr óculos quando conduz. Os vidros do pára-brisas dos Cadillacs dele têm a graduação recomendada pelo médico.»

Ian FlemingOs Diamantes São Eternos (1956), p. 181

Ed. Portugália, Lisboa, 1965. Tradução de H. Silva Letra. Colecção James Bond, n.º 4

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Frases de 2017 (49)

por Pedro Correia, em 16.12.17

«Deixar um idiota falar é quase sempre menos nocivo do que calá-lo.»

Ricardo Araújo Pereira, ontem, em entrevista à edição de fim de semana do jornal i

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.12.17

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Nocturnos, de Kazuo Ishiguro

Tradução de Rui Pires Cabral

Contos

(reedição Gradiva, 3.ª ed, 2017)

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DELITO de blogue a livro

por Pedro Correia, em 16.12.17

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«O DELITO DE OPINIÃO, um espaço que já se transformou numa referência da blogosfera portuguesa.»
Francisco Seixas da Costa, blogue Duas ou Três Coisas
(Agosto 2010)
 
«Dois anos de DELITO DE OPINIÃO, e é bem feito.»
Francisco José Viegas, blogue A Origem das Espécies
(Janeiro 2011)
 
«A melhor reportagem sobre os momentosos acontecimentos da escadaria do Parlamento, encontrei-a ontem num blogue, o DELITO DE OPINIÃO.»
Ferreira Fernandes, Diário de Notícias
(Novembro 2012)

 

Conforme já tinha anunciado, vamos reunir numa colectânea alguns dos melhores textos publicados no DELITO, por escolha exclusiva dos autores que entenderam participar neste projecto. Esta obra surge em resposta a vários apelos de leitores, que queriam passar a ler-nos também em livro. E assinala a entrada, para muito em breve, do décimo ano de existência do nosso blogue.

O sistema que adoptámos para tornar possível esta antologia, que terá cerca de 260 páginas e chancela editorial da Bookbuilders, é o da subscrição. Ou crowdfunding, como agora se diz em "português técnico". Isto implica a existência de um número prévio de leitores inscritos, fazendo reserva de exemplares, para que a obra entre no mercado.

Esperamos um número mínimo de 160 subscritores, que passam a figurar como "apoiantes do DELITO" nesta iniciativa que a partir de agora deixa de ser só nossa e se torna também vossa.

No momento em que escrevo estas linhas, aproximamo-nos dos cem aderentes. Mas queremos que apareçam mais, daí o apelo que faço àqueles que ainda não se inscreveram: podem fazê-lo a todo o momento na loja virtual da Bookbuilders, especificando quantos exemplares pretendem, através de três modalidades de pagamento. Assim garantem o acesso a esta nossa primeira colectânea. E abrem o caminho a que outras apareçam.

Falo por mim e pelos meus colegas aqui representados: todos esperamos que gostem tanto de nos ler em livro como já demonstraram gostar de nos ler em blogue.

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Canções do século XXI (260)

por Pedro Correia, em 16.12.17

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 15.12.17

 

Os extremos socam-se.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Já li o livro e vi o filme (211)

por Pedro Correia, em 15.12.17

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    CAPITÃES CORAJOSOS (1897)

Autor: Rudyard Kipling

Realizador: Victor Fleming (1937)

Típica literatura juvenil, pela pena enérgica do britânico distinguido em 1907 com o Nobel. Muito bem transposta para um filme que por cá se chamou Lobos do Mar: Spencer Tracy recebeu um merecido Óscar no papel de um pescador português.

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Já repararam?

por Pedro Correia, em 15.12.17

Após dois anos de "paz social", os problemas laborais só recomeçaram a inundar o espaço mediático após o PCP ter perdido, nas autárquicas de 1 de Outubro, dez das 34 câmaras municipais que controlava.

Não há coincidências.

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Convidado: PAULO SOUSA

por Pedro Correia, em 15.12.17

 

Sobre os livros

  

Antes de serem lidos, todos os livros encerram um potencial de nos poder vir a agitar o espírito, de nos ensinar, ou até assustar. Fazem-nos sonhar, sorrir, gargalhar e até chorar. Depois de lidos, muitos deles ficam connosco para sempre. Um punhado mais restrito altera a maneira como pensamos e por isso mudam também aquilo que somos. Tal como acontece com algumas das pessoas com quem nos cruzamos na vida, alguns livros são verdadeiros pontos de viragem. São como o fim ou princípio de capítulos que dividem a nossa existência em partes distintas, como se tudo se resumisse a um antes e depois de cada um deles. 

Lembro-me de haver sempre  livros à minha volta. Quando era pequeno eles eram muito poucos e por isso muito mais preciosos. A escassez fazia-os gozar de uma procura que levava a que fossem partilhados repetidamente.
Ainda antes de eu saber ler, o meu irmão e o meu primo já tinham lido todos os livros que existiam nas duas casas. Sempre que o magro espólio era aumentado nenhum dos dois aceitava esperar pelo outro e acabavam a ler em simultâneo. O mais rápido esperava uns segundos pelo outro para só então se virar a página. Lembro-me de os ver assim, sentados no último degrau da escada, lado a lado, ora a interiorizar a mensagem ora a ver qual dos dois lia mais rápido. Tal como na natureza, após a escassez vem a sofreguidão. Para saborear não se pode ter fome e eles, que já salivavam antes de abrir a primeira página, liam tudo sem mastigar e sem se preocupar com a digestão.

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Eu via aquilo e queria também poder aceder àquele mundo que só existia quando as páginas se abriam. Esse mundo era frequentado por diversas pessoas da família de diferentes gerações. A muito partilhada lista de títulos fazia dos nossos livros um ponto de passagem que mais tarde ou mais cedo todos palmilhavam. Tornavam-se por isso também num ponto de encontro.

Quando finalmente aprendi a ler, a lista do títulos disponíveis nas nossas casas já era um pouco mais generosa e foi crescendo sempre sem nunca mais parar. Nunca tive de ler à desgarrada e nunca soube de mais ninguém que o tivesse feito.
Olhando para as gerações mais recentes, nenhum membro da nossa família alargada partilha o gosto por ler com semelhante intensidade. Todos consomem a maior parte dos tempos livres à frente de ecrãs.
Será que estamos a caminho de um mundo onde, como antes de Gutemberg, os livros voltarão ser lidos apenas por uma minoria?
Da mesma forma que a fotografia não matou a pintura, nem a televisão matou o cinema, também não serão os suportes electrónicos que matarão o livro. Mas mais do que perguntar se os novos suportes são complementares ou alternativos ao livro impresso, a dúvida que me coloco reside na capacidade e na disponibilidade intelectual de quem cresce como espectador passivo em frente de ecrãs. Que capacidade de interpretar, ou até de fantasiar, sobre o que do passado chegou até aos nossos dias terá quem não conhece o cheiro dos livros?

 

Paulo Sousa

(blogue VALE DO ANZEL)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.12.17

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Histórias Aquáticas, de Joseph Conrad

Apresentação e tradução de Aníbal Fernandes

Contos e novelas

(edição Sistema Solar, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 15.12.17

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Beatriz Zamorano

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Canções do século XXI (259)

por Pedro Correia, em 15.12.17

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Faz-vos lembrar alguém?

por Pedro Correia, em 14.12.17

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Algum destes três raríssimos cidadãos vos faz lembrar alguém?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.12.17

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O 25 de Novembro e os Media Estatizados - Uma HIstória por Contar,

de Ribeiro Cardoso

Investigação

(edição Caminho, 2017)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 14.12.17

 

Ao IP.

 

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Canções do século XXI (258)

por Pedro Correia, em 14.12.17

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Ética

por Pedro Correia, em 13.12.17

Usa-se e abusa-se, por estes dias, da expressão "ética republicana". Ora ética, salvo melhor opinião, é daqueles substantivos que não requerem adjectivo modificativo ou valorativo.

Não existe uma ética republicana ou monárquica ou da esquerda ou da direita ou de cima ou de baixo.

Palavra de cinco letras que se basta a si própria. Ética, apenas. E fica tudo dito.

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Convidado: PEDRO OLIVEIRA

por Pedro Correia, em 13.12.17

 

Sem balizas não se marcam golos

  

 

- Bom dia.
- Queria levantar cem euros.
- Tem preferência nas notas?
- Tanto faz.
- Aqui estão, duas de cinquenta.
- Ai, o que é que eu faço com dinheiro tão grande? 
- Então dê cá as de cinquenta. Quer como?
- Mais miúdo.
- Estão aqui, dez notas de dez euros.
- Está a brincar? Não quero levar essa miudagem toda.
- Então quantas é que quer trocar em maiores?
- Veja o senhor.
- Troco-lhe estas seis por três de vinte, leva sessenta em vinte e quarenta em dez.
- Troque-me esta de vinte por quatro de cinco.
 
Há uma frase do meu escritor francês (nascido na Argélia) preferido que diz isto: "le peu de morale que je sais, je l' ai appris sur les terrains de football".
Quantas situações da nossa vida se complicam pela falta de balizas, pelo enredamento em que nos vemos envolvidos, pela falta de objectividade.
 
Voltando ao diálogo que inicia este texto e que exaspera qualquer um (até eu fiquei cansado ao escrevê-lo), as coisas poder-se-iam ter resolvido de forma simples se a pessoa que foi efectuar o levantamento tivesse dito: "Quero cem euros em duas notas de vinte, duas de dez e quatro de cinco."
É claro que isso seria simples de mais. A nossa tendência natural é para complicar, burocratizar. Tornar difícil, o fácil e tornar complexo, o simples.
 
Falei há pouco em Camus mas é óbvio que o escritor não conheceu o futebol português, não assistiu, diariamente, aos doze programas televisivos, não ouviu os quarenta e seis debates radiofónicos nem leu os três jornais futebolísticos. Lá está, conseguimos tornar insuportável um jogo que na sua essência é composto por onze atletas de cada equipa a correrem atrás de uma bola para a introduzirem dentro de uma baliza.
A conclusão a que queria chegar é que a vida pode ser tão simples como um jogo de futebol, mas preferimos emaranhar em vez de rematar.

 

 

Pedro Oliveira

(blogue ENCRUZILHAMENTO)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.12.17

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O Homem que Falou, de Jean Giono

Apresentação e tradução de Aníbal Fernandes

Novela

(edição Sistema Solar, 2016)

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Canções do século XXI (257)

por Pedro Correia, em 13.12.17

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 13.12.17

 

À Má Consciência.

 

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Amanhã, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu reunido em sessão solene entregará o Prémio Sakharov 2017 a representantes da oposição democrática e plural da Venezuela.

Será um momento muito importante. Pelo seu simbolismo e pelo alento que dará à vasta frente política e social que combate a oligarquia de Caracas e o seu rosto mais visível, o ainda Presidente Nicolás Maduro, autoproclamado "filho de Chávez", que lega à posteridade um regime corrupto e um país arruinado, onde vigora a maior taxa de inflação do mundo e os artigos de primeira necessidade - começando pelo papel higiénico - são hoje bens de difícil acesso.

 

A  Venezuela é hoje um país sem pão nem liberdade.

Um país onde mais de cem jovens foram abatidos este ano na rua só porque protestavam contra a o Governo.

Um país com centenas de presos políticos.

Um país onde a justiça está submetida ao poder político e a procuradora-geral, perseguida por esbirros de Maduro, teve de se asilar num país vizinho quando investigava os tentáculos do narcotráfico em Caracas.

Um país onde vigoram as maiores taxas de homicídios e de crimes violentos do planeta.

Um país onde os principais meios de informação foram encerrados ou mudaram compulsivamente de proprietários para passarem a entoar hossanas ao regime.

Um país onde os opositores mais destacados são forçados a rumar ao exílio ou vegetam nos calabouços de Ramo Verde, sinistro símbolo da repressão "bolivariana".

 

Prestigiado galardão que visa distinguir os combatentes pelos direitos humanos, o Prémio Sakharov reforçará a resistência ao déspota que transformou a precária democracia venezuela numa ditadura.

Maduro anulou a Assembleia Nacional onde a oposição dispõe de larga maioria, mandando prender deputados que gozam de imunidade jurídica face à própria lei venezuelana. Fez eleger um parlamento fantoche, destinado a "redigir uma nova Constituição" que porá fim à de 1999, proclamada pelo seu antecessor. Promoveu a maior fraude eleitoral do século na América Latina. Muda datas eleitorais à mercê dos caprichos e conveniências políticas. E já anuncia que não permitirá candidatos da oposição nas presidenciais de 2018, enquanto garante que o seu  Partido Socialista Unido da Venezuela governará pelas "décadas e séculos que estão por vir". Linguagem típica de ditador.

 

Segue-se uma resenha de algumas das principais notícias ocorridas na Venezuela desde 30 de Julho, quando foi oficialmente eleito o parlamento fantoche, alcunhado de Assembleia Constituinte, composto apenas por fervorosos apoiantes de Maduro:

 

Assembleia Nacional, eleita há 20 meses com larga maioria da oposição, foi esvaziada de funções.

Procuradora-geral da República exila-se na vizinha Colômbia.

Presidente da Câmara de Caracas, em prisão domiciliária desde 2015, refugia-se em Espanha.

Juízes venezuelanos forçados a abandonar o país.

Cinco magistrados fogem de Caracas para se reunirem ao Supremo no exílio.

Famílias inteiras deixam a Venezuela só com a roupa que trazem vestida.

342 presos políticos permanecem nos cárceres de Maduro e vários deles são torturados.

Caritas venezuelana alerta: há 300 mil crianças subnutridas em risco de morte no país.

Músico Adrían Guacarán, de 44 anos, morreu após 24 horas à espera de um medicamento que não havia.

Caos na saúde: mulheres dão à luz em salas de espera de hospitais.

Malária, difteria e sarampo: epidemias regressam ao país de Maduro.

Animais morrem de fome no maior jardim zoológico venezuelano.

Governo de Maduro manda encerrar duas populares rádios de Caracas.

Jornal independente Ultima Hora fecha por falta de papel de impressão.

Maduro manda emitir notas de 100 mil euros para fazer face à maior inflação do mundo.

Preços subiram 56,7% só em Novembro.

Eleições autárquicas realizaram-se quase sem candidatos da oposição.

Maduro quer proibir principais forças da oposição a concorrer às próximas presidenciais.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.12.17

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A Hora Mais Negra, de Anthony McCarten

Tradução de Manuel Santos Marques

História

(edição Objectiva, 2017)

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Canções do século XXI (256)

por Pedro Correia, em 12.12.17

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Leituras

por Pedro Correia, em 11.12.17

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«Haverá alguma lei que obrigue os portugueses a serem graves, pomposos, eminentemente respeitáveis, com aquela respeitabilidade própria dos adolescentes que desejam passar por homens feitos? Já não haverá gente nova nesta terra que teve tanta gente nova? Estaremos todos, efectivamente, convencidos de que temos uma mensagem a comunicar ao mundo?»

Luís de Sttau MonteiroUm Homem Não Chora (1960), pp. 76/77

Ed. Ática, Lisboa, 1970 (4.ª edição)

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Convidada: BEATRIZ ALCOBIA

por Pedro Correia, em 11.12.17

 

Acerca da eutanásia

  

O Presidente da República pediu, há dias, a participação de todos os portugueses no debate sobre a eutanásia. Pessoalmente sou a favor do direito à eutanásia, mediante regulação de ponderação. 

Nenhum argumento contra a eutanásia me parece poder, legitimamente, sobrepor-se, de modo razoável, ao direito fundamental da pessoa decidir do seu destino, o que implica decidir da vida do seu corpo biológico, dentro do qual se passa a nossa existência neste mundo. 

Negar a eutanásia é legitimar a privação de liberdade, é apoiar a ideia de se poder condenar uma pessoa, já em sofrimento, a uma pena de prisão, sendo que a solitária é o seu próprio corpo, para apaziguar as consciências dos outros. Parece-me um egoísmo muito grande.

O argumento do possível arrependimento futuro da pessoa não é razoável porque a pessoa que decidiu pedir a eutanásia já lidou com a ideia de arrependimento na ponderação.

O argumento de manter a pessoa viva por conta de uma possível, embora improvável, cura, não é razoável porque a pessoa que decidiu pedir a eutanásia já lidou com a ideia dessa possível cura na ponderação.

O argumento da religião não é razoável porque ninguém tem que ser obrigado a viver pelos preceitos religiosos alheios.

O argumento de que a medicina serve para curar e não para matar não é razoável pois a medicina também serve para aliviar o sofrimento e ajudar e, de qualquer modo, a pessoa já está em estado de estar perto da morte ou em situação de não poder melhorar a sua condição de saúde e querer morrer com a sua ideia de dignidade, de modo que o médico não vai matá-la, vai permitir que a pessoa encerre a sua vida como decidiu, com alguma dignidade.

O argumento do erro de diagnóstico também não é razoável pois os diagnósticos, em casos graves, confirmam-se e infirmam-se. Não é como se uma pessoa fosse diagnosticada com uma doença grave e sem nenhuma confirmação, passada uma semana estivesse a ser eutanasiada.

O único argumento que me parece razoável, mas inconsistente, é o argumento da derrapagem. A despenalização da eutanásia levar a uma desregulação e a uma banalização da prática, como acontece na Holanda onde os idosos são pressionados a pedir a eutanásia para os hospitais rentabilizarem camas e onde o pessoal médico cada vez pratica mais eutanásias porque o hábito banalizou o acto. 

Penso que o argumento não é consistente pois podemos, sobretudo sabendo do exemplo da Holanda, regular o acto com prudência: deixar legislado quem, como e quando pode praticar a eutanásia e quais as precauções obrigatórias, nomeadamente, confirmar diagnósticos, garantir que a pessoa que pede a eutanásia ponderou a decisão, decidir o teatro do próprio acto de modo a garantir-lhe dignidade, deixar ao pessoal médico o direito de objecção de consciência, etc.

Não me parece razoável impedir o direito das pessoas à autodeterminação com o argumento de que dá muito trabalho regular o acto de modo a evitar abusos.

 

 

Beatriz Alcobia

(blogue IP)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.12.17

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Verdade Tropical, de Caetano Veloso

Memórias e reflexões

(edição Companhia das Letras, 2017)

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 11.12.17

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«O PS nunca mais vai precisar da direita para governar.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Jornal Económico

20 de Janeiro

 

«Em matérias estruturantes vamos procurar o PSD e o CDS.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Público

26 de Novembro

 

«Não precisamos da direita para governar mas pode vir a acontecer.»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista à TSF

9 de Dezembro

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Canções do século XXI (255)

por Pedro Correia, em 11.12.17

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Tudo se transforma

por Pedro Correia, em 10.12.17

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Este foi o último fim de semana em que se tornou possível comprar um exemplar do El Mundo nos quiosques portugueses. Na próxima quinta-feira cessará a distribuição no nosso país do influente diário espanhol, a partir daí só disponível para nós na versão digital. É mais uma etapa no progressivo confinamento da imprensa aos meios electrónicos, tendência iniciada no virar do século.

Confesso a minha predilecção pelo papel, embora seja sensível ao argumento ecológico e não ignore os incomportáveis custos de impressão e distribuição associados às publicações que dependem de uma empresa gráfica para circularem no mercado. É portanto com nostalgia antecipada que me preparo para dizer adeus a um hábito de longos anos: folhear um dos meus jornais europeus preferidos, sublinhá-lo e recortá-lo e transportá-lo para qualquer lado.

Deixarei de ler em papel os textos de jornalistas e colunistas de que tanto gosto, como Lucia Méndez, Jorge Bustos, Emilia Landaluce, Manuel Hidalgo, Santiago González, Carmen Rigalt ou Arcadi Espada. E de saborear no mesmo suporte o humor sarcástico do cartunista Ricardo ou da dupla Gallego & Rey em caricaturas como as que aqui reproduzo, com vénia irónica mas sinceramente grata.

Por cá terei apenas a opção de reencontrá-los no ecrã. Mas não os afastarei da vista. Nada se perde, tudo se transforma.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.12.17

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Sombras de Sombras, de Adam Zagajewski

Tradução de Marco Bruno

Poesia

(edição Tinta da China, 2017)

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Canções do século XXI (254)

por Pedro Correia, em 10.12.17

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Leituras

por Pedro Correia, em 09.12.17

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«A roupa na mulher é função da sensualidade. Vestir-se, quando se é casto, parece-me obsceno.»

Joseph KesselBela de Dia (1929), p. 16

Ed. Publicações Europa-América, 1979. Tradução de Sampaio Marinho. Colecção Livros de Bolso Europa-América, n.º 185

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Romance de parede

por Pedro Correia, em 09.12.17

 

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Lisboa, Rua Quirino da Fonseca

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 09.12.17

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Um Homem que Partiu do Seu Regresso, de António Arnaut

Poesia

(edição MinervaCoimbra, 2017)

"O Autor escreve pela antiga ortografia"

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Canções do século XXI (253)

por Pedro Correia, em 09.12.17

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Leituras

por Pedro Correia, em 08.12.17

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«Uma das coisas mais penosas neste mundo consiste em desejar a morte a quem já está morto.»

Patrick Quentin, Trágica Aventura, p. 198

Ed. Minerva, 1962. Tradução de Eduardo Saló. Colecção XIS, n.º 115

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Penso rápido (87)

por Pedro Correia, em 08.12.17

O ano jornalístico, por cá, começou com um Congresso de Jornalistas. O primeiro do século XXI, o primeiro em 19 anos.

Nada de relevante se avançou nesse congresso. Nem sequer uma tímida proposta de auto-regulação da classe, constituída em Ordem de Jornalistas (com um quarto de século de atraso), como devia ser regra em todas as profissões alicerçadas num código deontológico.

O resultado está à vista. Nova vaga de proletarização dos quadros, novas ondas de despedimentos, novos encerramentos de títulos - alguns muito prestigiados. Há dias, segundo me informaram, o director de um dos principais jornais recebeu instruções da administração para organizar uma lista de despedimentos.

Mais uma, a somar a tantas outras. Enquanto os jornalistas que restam no activo, salvo honrosas excepções, vão escrevendo em circuito cada vez mais fechado, mergulhados nas bolhas do twitter e do facebook, formatando aí o seu imaginário social e extraindo dessas fontes as principais "notícias". Verdadeiras ou falsas, tanto faz.

Com essa tendência, impulsionada por chefias inaptas, cavam ainda mais fundo a sepultura de uma profissão que é essencial à democracia. Porque não há escolhas esclarecidas sem um jornalismo vigilante, prestigiado e competente. Precisamente aquele que mais falta nestes dias tão precários.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 08.12.17

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As Nossas Almas na Noite, de Kent Haruf

Tradução de Paulo Ramos

Romance

(edição Alfaguara, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 08.12.17

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Anita Briem

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 08.12.17

 

AO Meu Caderno Desportivo.

 

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Canções do século XXI (252)

por Pedro Correia, em 08.12.17

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Frases de 2017 (48)

por Pedro Correia, em 07.12.17

«Espero por isto a cada ano que passa.»

Cristiano Ronaldo, hoje, ao receber pela quinta vez a Bola de Ouro, galardão que distingue o melhor jogador de futebol do ano à escala mundial

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Penso rápido (86)

por Pedro Correia, em 07.12.17

Não gosto de ver termos que estiveram ligados a um passado de ignomínia transpostos para a linguagem comum nas redes sociais. Termos como genocídio, holocausto, nazi, colaboracionista, "solução final": tudo isto se vulgariza, no debate político actual, como quem diz que amanhã estará de chuva. Tais rótulos vão-se banalizando ao ponto de perderem por completo o significado e a sua precisão histórica. E tornando-nos cada vez mais imunes à sua verdadeira acepção, como símbolo concreto do horror absoluto.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 07.12.17

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Lenine, o Ditador - Um Retrato Íntimo, de Victor Sebestyen 

Tradução de Manuel Santos Marques

Biografia

(edição Objectiva, 2017)

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Agradecimentos devidos

por Pedro Correia, em 07.12.17

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Ao Luís Novaes Tito, à Catarina Duarte, ao Pedro Oliveira, ao António Agostinho, ao Filipe Nunes Vicente e ao nosso JPT no seu blogue pessoal. A estes e a outros, na blogosfera e nas redes sociais, por ajudarem a promover e a divulgar a antologia DELITO DE OPINIÃO, editada em sistema de crowdfunding - espécie de mecenato em que os futuros leitores contribuem para que a obra se torne realidade.

E vai tornar-se mesmo. Com a ajuda destes nossos amigos e de muitos dos nossos leitores. Alguns dos quais já nos acompanham desde o início, há quase nove anos.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 07.12.17

 

Às Leituras Marginais.

 

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Canções do século XXI (251)

por Pedro Correia, em 07.12.17

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