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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.07.17

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Johanna Konta

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Tancos: faz hoje um mês

por Pedro Correia, em 28.07.17

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Faz hoje um mês, registou-se o gravíssimo roubo dos paióis em Tancos. Ocorrido nos termos sarcásticos relatados no prestigiado jornal espanhol El País: «Sem um tiro, sem um 'alto', sem um 'ai'.»

Um assalto que apanhou de surpresa os serviços de informações: Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa, soube da ocorrência só no dia seguinte, pela comunicação social; Helena Fazenda, secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, também só tomou conhecimento nesse mesmo dia 29, através dos relatos divulgados nas edições digitais dos órgãos de informação.

 

Mas também a mais elevada hierarquia militar só soube tarde e a más horas. O chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, confessou por sua vez só ter ficado ao corrente dos factos através do ministro da Defesa, quando ambos se encontravam em Bruxelas - numa insólita admissão de que a cadeia de comando nas estruturas militares funciona de forma deficiente, pelo menos ao nível da transmissão de informações tão relevantes como esta.

Ficámos entretanto a saber, também por Helena Fazenda, que o CEMGFA demora um dia inteiro a atender-lhe o telefone.

Com a lei da rolha instalada deste lado da fronteira, como o Governo nos vem habituando, foi através de um jornal digital espanhol que os portugueses puderam enfim ficar esclarecidos quanto à lista completa do armamento pilhado de Tancos.

 

A 1 de Julho, o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, anunciou a  exoneração de cinco comandantes de Tancos responsáveis pelas unidades que asseguravam a vigilância dos paióis - decisão revertida a 18 de Julho. De forma tão atabalhoada como a anterior. E, aparentemente, sem ter dado conhecimento ao CEMGFA, que garantiu só ter sabido das exonerações também pela leitura dos jornais.

Decorrem entretanto duas investigações paralelas, conduzidas pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Judiciária, para o apuramento de eventuais responsabilidades.

Sem resultados conhecidos, até ao momento.

 

Tudo isto seria simplesmente ridículo se não fosse demasiado grave.

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Canções do século XXI (119)

por Pedro Correia, em 28.07.17

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Tsipras? We don't know him

por Pedro Correia, em 27.07.17

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«La politique c'est, avant tout, l'interprétation des réalités

Charles de Gaulle (1958)

 

«Cometi erros... grande erros.»  Numa notável entrevista ao Guardian, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras - outrora «the global pinup of the far-left anti-establishment movement», para usar a saborosa expressão do jornal britânico - faz várias confissões. Estava impreparado ao assumir o poder, em Janeiro de 2015, não soube escolher as pessoas certas, foi confrontado com um panorama ainda mais sombrio do que esperava.

Hoje, com o seu país a registar tímidos progressos na frente económica, o antigo radical de esquerda não hesita em reconhecer que foi correcta a decisão de manter os compromissos assumidos pelo Estado grego perante as instituições políticas de Bruxelas e os pilares financeiros da eurozona - contrariando o que algumas vozes líricas apregoavam então e ainda apregoam por cá. E questiona, acertadamente: «Se abandonássemos a Europa íamos para onde? Para outra galáxia?»

De campeão da retórica anti-austeridade a gestor das mais severas medidas austeritárias de que há memória na Grécia: eis um governante que chegou a contar com uma ruidosa legião de adeptos lusitanos mas nunca mais voltou a ser mencionado nos círculos políticos e mediáticos em Portugal. Há um par de anos, muitos queriam fazer-se fotografar com ele. Hoje apagaram essas fotografias, eventualmente comprometedoras. «As coisas são o que são», costumava garantir o general de Gaulle: nada como a dura realidade para destronar os mitos.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 27.07.17

«Em todos os maus anos - e são muitos - há sempre um pequeno punhado de incêndios - quase sempre menos de 1% - que destroem por vezes mais de 90% da área total. Não é só azar, é também muita aselhice. Tal como o drama de Pedrógão Grande não foi um azar, foi uma consequência. Aliás, o incêndio da Sertã - que já lavra por Mação e Proença, ameaçando ser o pior de sempre - parece ser um caso paradigmático de aselhice: nas primeiras horas após a ignição, ainda com pequena dimensão, o fogo conseguiu quase o impossível: progredindo pela encosta abaixo, atravessou o IC8, perto de uma praia fluvial e chegou ao "barril de pólvora" (pinhal contínuo), tornando-se incontrolável. Ou seja, não houve azar nenhum. O combate a este incêndio será avaliado de forma independente e com rigor? E se houver conclusões, servirão para alguma coisa?»

Pedro Almeida Vieira, no Público

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.07.17

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 Escuta o Teu Corpo, de Francisca Guimarães

Alimentação racional

(edição Matéria-Prima, 2017)

"Por vontade expressa da autora, este livro segue a grafia anterior à do Acordo Ortográfico de 1990"

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Frases de 2017 (30)

por Pedro Correia, em 27.07.17

«Não havia nenhuma justificação para [a lista integral dos mortos de Pedrógão] estar [em segredo de justiça].»

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, ontem, em entrevista à SIC Notícias

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Canções do século XXI (118)

por Pedro Correia, em 27.07.17

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Mais perguntas sem resposta

por Pedro Correia, em 26.07.17

Depois destas, agora estas. Demasiadas perguntas ainda sem resposta. Como se vivêssemos no reino da opacidade, que suscitou espanto ao próprio ex-Procurador Geral da República, Pinto Monteiro. Apesar de o Presidente da República - tendo em vista o lamentável precedente das inundações de Novembro de 1967 em Lisboa - ter dito ontem à noite, em Mação, as palavras que se impunham: «Em ditadura, há 50 anos, eu lembro-me, era possível haver tragédias e nunca ninguém percebia bem quais eram os contornos porque não havia Ministério Público autónomo, juízes independentes ou comunicação social livre.»

Meio século depois, gosto de ouvir o Chefe do Estado sublinhar isto. A política é feita de comparações, a todo o momento. Goste-se ou não.

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Já li o livro e vi o filme (192)

por Pedro Correia, em 26.07.17

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  BELA DE DIA (1928)

Autor: Joseph Kessel

Realizador: Luis Buñuel (1967)

Há obras-primas do cinema que nascem de livros medianos. Este é um desses casos. O filme de Buñuel, com Catherine Deneuve na inesquecível protagonista, voa muito mais alto do que a novela em que se inspirou.

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Convidado: LUÍS MOREIRA

por Pedro Correia, em 26.07.17

 

Levantados do chão

 

Em Pedrógão Grande, por iniciativa de uma mãe que perdeu um filho na tragédia dos fogos, nasceu uma Comissão para esclarecer o que não está esclarecido, não deixar esquecer e apurar responsabilidades.

Não move essa mãe coragem qualquer sentimento de vingança, mas tão só obrigar de uma vez o Estado e a sociedade civil local a arrostar com as suas responsabildades de nada terem feito para evitar a tragédia.
Não, não está tudo esclarecido como pretende o primeiro-ministro. Os vivos não se vão deixar calar com ofertas e promessas em memória dos seus. Os vivos querem esclarecer tudo e não vão deixar que os amordacem com a "central de comunicação". Com informação filtrada por uma das partes responsáveis.
Comandantes de bombeiros que operam no terreno entre a vida e a morte são agora tratados como irresponsáveis, como bocas grandes que não sabem comunicar. Fraco argumento. Se alguém que comanda não sabe comunicar é o próprio exercício de comandar que está em dúvida.
Ou é isso mesmo o que o governo quer transmitir à sociedade? Estão encontrados os responsáveis? É para aí que nos empurra o governo na covardia sem fim de quem vai de férias enquanto morrem inocentes? Salvam-se da irresponsabilidade os boys e as girls que nada sabem de fogos e que atafulham os gabinetes do Terreiro do Paço mas que são a voz do dono?
Levantados do chão, os vivos honrarão os seus mortos.

 

 

Luís Moreira

(blogue BANDA LARGA)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.07.17

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 A Fúria das Vinhasde Francisco Moita Flores

Romance

(reedição BIS, 11.ª ed, 2016)

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A importância de ouvir quem sabe

por Pedro Correia, em 26.07.17

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Ocorreu ontem à noite na SIC Notícias um bom debate sobre a tragédia dos incêndios que tem devastado Portugal nestas últimas semanas e já consumiu mais de 75 mil hectares de terreno rural e florestal. Um debate para o qual gostaria de vos chamar a atenção: nele não escutámos a habitual ladainha de lugares-comuns e clichês ideológicos que é costume ouvirmos debitar por parte daqueles que, sem nunca terem saído de Lisboa, se atrevem a dar receitas sobre o "reordenamento florestal" do País.

Um debate que juntou António Gonçalves Ferreira, produtor florestal e presidente da União de Floresta Mediterrânica, Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista e presidente da Associação da Conservação da Natureza, António Rosa Gomes, especialista em segurança contra incêndios e ex-chefe do comando de bombeiros da Amadora, e Nelson Mateus, jornalista da SIC sediado na zona centro e já com vários anos de experiência em reportagens sobre incêndios agrícolas e florestais.

 

Aqui deixo algumas frases que fui registando:

  • «[Em Portugal há] condições geográficas para termos um crescimento dos matos muito rápido. Aquilo que conta na frente do fogo não são as árvores mas os combustíveis que têm até seis milímetros de espessura: o que conta são as ervas, os matos, as folhas, os ramos finos... Como temos Invernos muito amenos, a vegetação não pára de crescer no Inverno, e temos Verões relativamente húmidos, o que faz que continue a crescer no Verão. E é por isso que arde [sobretudo] a norte do Tejo, tal como em Espanha 50% dos fogos são na Galiza.»
  • «O fogo é uma inevitabilidade. Não vale a pena pensar que é uma probabilidade. E nós temos de aprender a conviver com ele. (...) O fogo é um elemento tão natural como a água, como o vento ou como a terra.»
  • «Não podemos estar a apostar sempre na resolução do problema pondo na medida reactiva aos incêndios todo o esforço, de forma desproporcionada e pouco inteligente. A gestão da emergência não deve ser confundida com a gestão das operações de emergência. A gestão da emergência começa na pré-emergência. Não podemos esperar resultados diferentes se fizermos sempre as coisas da mesma forma.»
  • «Em muitas destas aldeias [ameaçadas pelas chamas] aquilo que encontramos são pessoas idosas, já com poucas forças, já com problemas de saúde. Aí é perfeitamente compreensível que surjam essas queixas sobre a falta de meios. (...) Quando existem vários grandes incêndios coloca-se a questão da gestão de meios. Esta queixa da falta de meios em Mação, quando existem grandes frentes de incêndio em locais muito distintos, é um aspecto que merece uma reflexão dos responsáveis operacionais.»
  • «Devíamos separar fogos urbanos de fogos florestais. A forma de os combater é diferente. O que se faz [nos florestais] é retirar combustíveis da frente de fogo. (...) Os grandes fogos levam-se à extinção, combatem-se nas laterais e de trás para a frente.»
  • «É necessário estruturar devidamente as carreiras de bombeiros, as suas especializações, e construir um edifício que permita que o voluntariado corresponda a uma verdadeira profissionalização da acção por melhoria de competências. (...) O actual modelo formativo está absolutamente desadequeado.»
  • «Esta "reforma da floresta" [em curso] torna-a menos competitiva e em nada contribui para a diminuição do risco de incêndio. Aponta para o eucalipto como principal culpado de todos os males da floresta quando nós sabemos que uma das principais defesas da floresta é a sua rentabilidade. (...) É um conjunto de medidas desgarradas que não responde nem às necessidades da floresta nem às preocupações de todos os agentes a ela ligados.»

 

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Canções do século XXI (117)

por Pedro Correia, em 26.07.17

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Não é privilégio: é um direito

por Pedro Correia, em 25.07.17

Enfim, 38 dias depois e só após um generalizado coro de críticas públicas - que abrangeu até o ex-Procurador Geral da República, Pinto Monteiro - os familiares dos mortos nos incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos vêem divulgada a lista oficial de vítimas, afinal ainda provisória e correspondendo em tudo à que o Expresso noticiara no passado sábado, contornando o absurdo manto de silêncio antes imposto pelo Governo e pelo Ministério Público.

Numa sociedade aberta e livre dos mecanismos da censura oficial que vigoraram em Portugal durante quase meio século, esta informação não é um privilégio: é um direito da opinião pública. Até para estancar a onda de boatos que já alastrava e poder ser sujeita a eventual contraditório.

Alguém imagina que as listas das vítimas dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, do 11 de Março de 2004 em Madrid ou do 14 de Julho de 2016 em Nice tivessem ficado ocultas como se constituíssem segredos de Estado?

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Frases de 2017 (29)

por Pedro Correia, em 25.07.17

«Se eu fosse trabalhador da PT, se calhar, também estava a fazer greve e a manifestar-me.»

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros (RTP, 21 de Julho)

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As vítimas secretas

por Pedro Correia, em 25.07.17

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 Inundações de Lisboa em 1967: número oficial de mortos nunca foi divulgado

 

Em política não pode valer tudo. Não pode, desde logo, um governo em democracia imitar procedimentos da ditadura.
Trinta e oito dias depois, o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Justiça ainda não divulgaram a lista dos mortos nos trágicos incêndios dos concelhos de Pedrógão, Castanheira e Figueiró. Passado todo este tempo, tal lista permanece secreta. O que, obviamente, permite todas as especulações.
Alega-se "segredo de justiça", o que é absurdo. Uma lista de óbitos ocorridos num quadro de calamidade pública é secreta? Desde quando? Não foram registados no Instituto de Medicina Legal?
Insolitamente, repete-se em democracia o ocorrido com as cheias de Lisboa em 1967. Nessa altura a ditadura entendeu manter secreta a lista integral dos mortos, que nunca chegou a ser divulgada.

Uma vergonha então.

Uma vergonha agora.

 

Recordo que a necessidade de publicitar essa lista nominal é uma exigência dos próprios familiares. Até para efeitos de eventual contestação dos critérios que levaram as entidades oficiais a incluir ou excluir pessoas do rol de vítimas, com os correlativos apoios - de ordem financeira e psicológica - a que terão direito os sobreviventes mais próximos.
«Para nos organizarmos, para podermos conhecer-nos e trabalharmos juntos, temos de saber quem somos, quem são os familiares das vítimas», disse uma jurista de Figueiró dos Vinhos que perdeu um filho de cinco anos e está a organizar uma associação de vítimas da tragédia.

Associação Portuguesa de Seguradores já admitiu estar a ter dificuldades em obter informações sobre as vítimas, na tentativa de apoiar os familiares das pessoas que morreram e os feridos em estado grave, «por razões ligadas à circunstância de este processo se encontrar em segredo de justiça».

O caso só agora tornado público, graças à investigação do Expresso, da senhora atropelada quando abandonava a residência supostamente em pânico, apenas pode ser debatido porque o jornal o divulgou. E suscita desde logo a questão: por que motivo esta vítima foi excluída e o bombeiro vítima de um acidente rodoviário e falecido posteriormente, no hospital de Coimbra, consta da presumível lista?

 

Não faz o menor sentido associar a enumeração dos nomes das vítimas dos incêndios de Pedrógão, Castanheira e Figueiró ao segredo de justiça.
O que está em segredo de justiça, obviamente, é a componente processual, ligada à investigação que decorre no âmbito do Ministério Público.
A lista de mortos é um dado factual, sujeito a registo e portanto do domínio público: é inaceitável que se mantenha secreta.
Mais: a divulgação da lista decorre de um dever geral das entidades administrativas - e, acima de todas elas, do Governo - de prestar informações aos cidadãos sobre acontecimentos de inegável relevância pública.

 

É intolerável que esta questão esteja a ser tratada como segredo de Estado. Como se os tempos da censura e da opacidade política vigentes há meio século ainda vigorassem entre nós.

 

 

ADENDA:

«A não divulgação da lista das vítimas não tem cabimento»

(Ricardo Sá Fernandes, no Jornal de Notícias)

«Nestes casos, o segredo de justiça serve para apurar culpados, não para se aplicar a vítimas»

(Rogério Alves, no i)

«O segredo de justiça protege dois valores: a presunção da inocência e a investigação. Mas há duas situações que não estão abrangidas pelo segredo: quando existe comoção ou ansiedade social, que é o caso; ou quando há notícias contraditórias, que também é o caso.»

(José Miguel Júdice, no Jornal de Notícias)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.07.17

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 Dinheiro Negrode Ross Macdonald

Tradução de Jorge Pereirinha Pires

Policial

(reedição Alfaguara, 2017)

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Canções do século XXI (116)

por Pedro Correia, em 25.07.17

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Pedrógão Grande: a lei da rolha

por Pedro Correia, em 24.07.17

 

No último mês o Público dirigiu dezenas de perguntas a organismos oficiais para procurar saber o que falhou na tragédia de Pedrógão Grande. Praticamente todas ficaram sem resposta.

 

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Os mortos não são números

por Pedro Correia, em 24.07.17

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Trinta e cinco dias depois da tragédia de Pedrógão Grande, o semanário Expresso, cumprindo a sua missão jornalística, rompeu enfim o bloqueio oficial e divulgou ao País as identidades dos mortos já confirmados naquele dia fatídico. Anotando as circunstâncias dramáticas em que morreram e acrescentando uma vítima mortal ao número que tinha sido difundido pelos organismos do Estado.

O mais impressionante, desde logo, é que numa sociedade aberta como a portuguesa este tema, por contraste, tenha sido tão opaco.

Como se aquelas vítimas, ao confinarem-se a um dado estatístico, estivessem destinadas a morrer uma segunda vez.

Como se fossem apenas um número.

Como se tivessem perdido o direito ao nome.

Surpreende que outros órgãos de informação, aparentemente, se tivessem resignado todo este tempo à "verdade" oficial, aos números oficiais, a um pretenso "segredo de justiça" que impusesse aos mortos o anonimato post mortem.

 

As vítimas de Pedrógão eram pessoas concretas, de carne e osso, com identidade.

Não eram dados estatísticos.

Era fundamental pôr fim à "lei da rolha" também neste domínio. Foi o que o Expresso fez. Revelando, desde logo, que a contabilidade oficial deixara de fora as chamadas "vítimas indirectas".

Uma autêntica missão de serviço público.

«Para que a Comissão Independente não se perca no exercício académico, para que seja mais importante o Estado salvar do que os presumíveis responsáveis salvarem os seus empregos. Para que se saiba que entidades poderão ser acusadas pelo Ministério Público de homicídio por negligência, se for esse o destino das investigações. Para que as investigações apurem em vez de denegar.» Palavras do director do semanário, Pedro Santos Guerreiro, num  notável texto que merece leitura atenta e reflexão de todos.

O Expresso garante que continuará a investigar até ao limite do possível para esclarecer a opinião pública se houve mais vítimas mortais, conferindo o rigor de algumas  listas que circulam na Rede em evidente desmentido à contabilidade oficial.

 

Os familiares são os primeiros a queixarem-se da opacidade e da inacção dos organismos públicos. Familiares como Nádia Piazza, que perdeu um filho em Pedrógão e critica a ausência de informação útil, a burocracia, a não divulgação da lista oficial de mortos e a falta de apoio psicológico. O Estado falhou antes e volta a falhar depois. Daí estar em vias de criação a Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, que pode avançar com processos em tribunal contra instituições oficiais.

De uma vez para sempre, temos de saber quem e como morreu naquele fatídico 17 de Junho. Não pode haver "segredo de justiça" em torno desta informação fundamental num país que se orgulha de ser livre.

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Convidado: A. PINHO CARDÃO

por Pedro Correia, em 24.07.17

 

O deplorável teatro da geringonça

 

A monocórdica picareta falante, transmigrada de um seu ilustre avatar para a geringonça, modernizou-se, aumentou potência e cobertura, funciona agora em vários canais estereofónicos, e passou a dar voz e grito a nova e vasta sorte de malabaristas, prestidigitadores e contorcionistas, em fantasiosos teatros de circo e rua. A geringonça tornou-se na suprema arte de perder tempo, mas não se pode ter tudo, exotismo e governação capaz.

Se fosse uma peça de teatro, a geringonça poderia ser uma comédia. Poderia, mas a trama é tão medíocre que, de farsa em comédia, se foi tornando numa palhaçada. Se na comédia são os erros de percepção mútua, mal-entendidos e enganos entre os comediantes que provocam o riso e quem se ri é o público, já na palhaçada geringôncica quem é enganado é o público e quem se fica a rir são os comediantes. Jovens boys e velhos farsantes que nunca do palco saíram, o palco foi sempre a sua vida, eternos funcionários do palco à custa alheia.

Quando, o que é frequente, a peça não corresponde ao cartaz, o encenador-mor faz entrar em cena a troupe ilusionista a distrair os espectadores, que vão aplaudindo gato por lebre, mal pensando que se tornaram os bombos e os bobos do espectáculo.

Na mais recente representação em que, num primeiro acto, os comediantes penosamente dialogavam sobre um assalto ao principal forte das munições do país, a trama foi radicalmente alterada pelo encenador, mal regressado de férias. E o episódio terminou na apoteose de um hino aos heróis que prestaram o insigne serviço de despejar o forte, poupando incómodos à tropa e despesas de abate ao país. O forte era mera concentração de lixo e obviamente não se assaltam caixotes de lixo. Tancos nunca existiu, nem sequer no mapa, fim da peça.

Também houve Pedrógão, e mais de sessenta pessoas queimadas vivas. A Delegada da geringonça chegou e chorou no palco da tragédia, porventura como forma de melhor coordenação e comando. E do palco do fogo, saindo pela esquerda baixa, logo o encenador, bem de mansinho, se afastou para férias, deixando à boca de cena os principais personagens em diálogos homicidas, atribuindo uns aos outros todas as culpas sem ninguém se dar como responsabilizado. No fim, as forças da natureza, a trovoada seca, o raio da árvore, o downburst e a própria estrada, os deuses, como na tragédia grega, contra quem até é perigoso lutar, foram a explicação do sucedido. E assim apaziguados, fora das vistas do palco, no recato dos camarins, os farsantes maiores da geringonça resolveram fazer uma sondagem à popularidade das suas representações.

Enquanto isto, no teatro escolar, os alunos podem passar sem saber qualquer das suas falas, com quatro, cinco, seis ou sete negativas, mais um êxito da geringonça a bem da teatral fantochada educativa que insiste em representar. E, magnânimo e conformado, o Director do Instituto de Avaliação Educativa diz que o sistema está feito de modo a premiar a mediania…

Em matéria económica, com o inevitável fracasso da proclamada estratégia alternativa, a geringonça faz como o cuco, cantando êxitos em ninhos alheios que usurpou e para os quais em nada contribuiu.  

De farsa a comédia, de comédia a drama, de drama a tragédia, de tragédia a palhaçada, eis a geringonça em todo o seu esplendor. E é ela que, assim desgovernada, diz que nos governa. E há quem aplauda.

 

 

António Pinho Cardão

(blogue QUARTA REPÚBLICA)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.07.17

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 A Incredulidade do Padre Brownde G. K. Chesterton

(Tradutor não identificado)

Policial

(edição Alêtheia, 2017)

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Canções do século XXI (115)

por Pedro Correia, em 24.07.17

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.07.17

«64 é um número tão oficial como o comportamento conhecido por "lei da rolha" que, oficialmente, foi adoptado só mais recentemente.
Falharam? - Tudo falha, mas quando há cativações mais as falhas acontecem. A malta gosta mesmo é de mandriar e então quando apanham cativações - desde que não sejam no seu salário, porque dessas reclamam logo - ohh, é ouro sobre azul - são um óptimo incentivo para o desmazelo tomar conta do estado de prontidão e capacidade de resposta de toda a estrutura.
Não há dinheiro para isto ou para aquilo e todos os afectados pelas cativações dizem logo entre si coisas como: "assim não há condições para trabalhar!" E depois é um tal deixar arder.
Realmente é uma chatice não ter condições para trabalhar... O melhor disso é que nunca ninguém é responsabilizado e o posto de trabalho; o cargo; a pasta; enfim, o tacho estar sempre garantido e bem cheio por conta do Estado. Ou pelo FMI, como aliás já aconteceu.»

 

Do nosso leitor Manuel Sidónio. A propósito deste meu texto.

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.07.17

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«No amor, o que é dito tem muito menos importância para a pessoa que ouve do que para a que fala.»

James A. MichenerSayonara (1954), pp. 135/136

Ed. Círculo de Leitores, Lisboa, 1980. Tradução de Ana Cardoso Pires

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.07.17

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 Como Pode Fernando Pessoa Mudar a Sua Vidade Carlos Pitella e Jerónimo Pizarro

Lições de vida e poesia

(edição Tinta da China, 2017)

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Canções do século XXI (114)

por Pedro Correia, em 23.07.17

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.07.17

«Ao mais alto nível da chefia do Exército foi comunicado ao País que: a) os ladrões fizeram um favor ao Exército assaltando o paiol de Tancos, onde só havia sucata militar, assim poupando aos responsáveis o problema da sua inutilização; b) em lugar de apurar e explicar as circunstâncias em que um paiol de um quartel é assaltado e tratar de corrigi-las para que idêntica vergonha não se repita, optou-se por fechar de vez o paiol, assim garantindo o sucesso eterno da sua guarda e o fracasso de futuros assaltos semelhantes; c) nada de grave se tendo, pois, passado e nada havendo a lamentar ou a temer no futuro, os cinco oficiais provisoriamente suspensos foram reintegrados nas mesmíssimas funções - entre as quais as de guardar o paiol... que já não existe. Não foi anedota, foi genuíno fado lusitano.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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O eucalipto e a luta de classes

por Pedro Correia, em 22.07.17

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A história dos eucaliptos, no discurso geringoncês, substituiu o tradicional paleio da "luta de classes" com essas árvores a representarem a "classe opressora" e as putativas espécies autóctones a figurarem como "classe oprimida", ressaltando-se a necessidade de plantar uma floresta "patriótica e de esquerda" que expulse e puna a espécie invasora.

Vai daí, ensaia-se o assalto ao palácio de Inverno em plena canícula, com aquelas árvores folhosas a fazerem o papel do czar derrubado pelo proletariado em luta. São árvores colonialistas e capitalistas: além de serem originárias da Austrália, servem fundamentalmente para produzir pasta de celulose, utilizada no fabrico de papel: é um grande negócio para a indústria do sector, aliás elogiadíssima por Sua Excelência o primeiro-ministro.

«Tal como está previsto desde 2015, na estratégia florestal nacional, a área prevista para a plantação de eucaliptos permitirá responder àquilo que é a procura crescente por parte da indústria, permitindo aumentar a produção de pasta e de papel» , declarou há seis meses António Costa. Não há seis anos, notem, mas apenas há seis meses.

O eucalipto alimenta o segundo maior circuito exportador português, que tem como destinatários 118 países - motivo acrescido para ser combatido e dar espaço a árvores proletárias, portuguesas de gema. Árvores como o carvalho, que produz a deliciosa bolota - produto comestível e talvez (quem sabe?) de elevado valor nutritivo também para o sector exportador nacional.

 

É curioso verificar como estas coisas mudam. No século XIX, quando começaram a ser plantados os primeiros eucaliptos em Portugal, dizia-se que eram árvores quase milagrosas. Como em 1920 anotava Jaime de Magalhães Lima, botânico e pioneiro do  vegetarianismo em Portugal, era vista como uma espécie que «crescia rapidamente, multiplicaria milagrosamente a riqueza florestal em proporções descomunais, povoava os desertos, sofria toda a inclemência da atmosfera e do solo, purificava os lugares insalubres, livrava das febres paludosas, dava madeira excelente para todos os fins, rebelde à podridão, e destilava óleos, essências e medicamentos preciosos».

há cem anos, segundo o mesmo especialista, «a cultura do eucalipto» se havia tornado «corrente» em Portugal: «Hoje, o eucalipto vende-se nas feiras à dúzia e ao cento como as couves, enterra-se depois pelo meio dos matos em covachos abertos a esmo, e nesta barbárie, com estes cuidados elementares por demais resumidos, vinga, se o terreno lhe agrada e a humidade atmosférica o favorece».

Nos dias que correm, noutras paragens, não falta quem elogie o eucalipto por ser um instrumento activo de combate ao efeito de estufa devido à sua capacidade de reter dióxido de carbono: cada árvore "sequestra" 20 quilos anuais de CO2 e um hectare de eucaliptal jovem retém cerca de 35 toneladas de gás carbono por ano. O que talvez devesse reponderar algumas posições de ambientalistas, mais vermelhos que verdes, que o encaram como sinistro símbolo da exploração florestal.

 

Alguns alimentam até a fábula que os incêndios em Portugal só ocorrem onde existem eucaliptos.

O problema, como acontece com muitas fábulas, é a sua falta de adequação à realidade.

Há uma semana houve um grande incêndio em Moura, no Alentejo, numa zona onde não há eucaliptos e o sobreiro é a árvore largamente dominante.

Logo a seguir, o brutal incêndio de Alijó, em Trás-os-Montes, confirmou como o fogo arde também de forma devastadora onde não há eucaliptos.

«Desta vez, o Governo não vai poder desvalorizar o incêndio de Alijó com a mesma negligência com que menorizou o assalto em Tancos. O pinhal que este fim-de-semana foi destruído no planalto do meu concelho era feito de árvores antigas, grandes, de enorme valor económico e ecológico. Era o pulmão verde da região, onde passei muitas tardes de Outono a apanhar cogumelos silvestres caminhando sobre uma manta húmida e fofa de musgos, onde as giestas e os tojos tinham por vezes dificuldade em sobreviver na penumbra permanente das copas frondosas», escreveu Manuel Carvalho no PúblicoUm artigo que devia ser lido por todos quantos, confortavelmente instalados em Lisboa, pretendem "reorganizar" a floresta portuguesa a partir de preconceitos ideológicos e lugares-comuns. E que, com toda a coerência de que um lisboeta é capaz nesta matéria, olham para as árvores apenas como espécies decorativas, destinadas a "embelezar a paisagem", dissociando-as por completo do seu potencial económico e do seu valor comercial como fonte de receitas e de emprego em regiões pobres e deprimidas do País.

O discurso anti-eucalipto tem servido para os cabeçalhos da imprensa e a mais desenfreada demagogia política em voga neste Verão. Mas nenhuma verdadeira reforma da floresta pode ser feita assim em Portugal.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.07.17

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 Respirede Rebecca Dennis

Tradução de Natália Fortunato

Auto-ajuda

(edição Arena, 2017)

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Canções do século XXI (113)

por Pedro Correia, em 22.07.17

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Frases de 2017 (28)

por Pedro Correia, em 21.07.17

«Alguém me disse que as quotas de género são um bocadinho como os aparelhos nos dentes. Não são muito bonitas, mas lá que endireitam, endireitam.»

Helena Roseta, hoje, em entrevista ao Jornal de Negócios

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Palavras para recordar (25)

por Pedro Correia, em 21.07.17

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 ARMÉNIO CARLOS

Correio da Manhã, 26 de Janeiro de 2013

«Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos: um do Banco Central Europeu, outro da Comissão Europeia e o mais escurinho, o do FMI, e já se fala em mais medidas de austeridade.»

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Convidado: VÍTOR CUNHA

por Pedro Correia, em 21.07.17

 

O país das mimosas púdicas

 

O termo “politicamente correcto” entrou com força no discurso comum e, consequentemente, no discurso político. Contudo, como acontece naturalmente com todos os termos cuja utilização se banaliza, o valor semântico manteve-se, por muito tempo, obscurecido. “Politicamente correcto” implica ortodoxia, não especial sensibilidade inclusiva como normalmente se pretende. Esta dissonância entre sintaxe e semântica leva a que a expressão comece a ser percepcionada como designação para discurso anódino, uma palha floreada para engordar sintaticamente conteúdo simples — e.g. “portuguesas e portugueses” para “portugueses” —, não como cortesia enfática para que cada ouvinte ou leitor se encontre no discurso, uma espécie de ‘encontre o Wally’ da oratória. “Politicamente correcto” é uma expressão que tem origem numa piada soviética popular nos anos 30 do século XX, que sublinha que o interesse do partido deve ser encarado como uma realidade acima da própria realidade1:

— Camarada, a tua afirmação é factualmente incorrecta.
— Sim, é. Mas é politicamente correcta.

 

A Mimosa pudica é uma planta da família das ervilhas que recolhe as folhas quando tocada ou na presença de calor. Este curioso fenómeno denomina-se por sismonastia e pode ser encontrado de forma mais exuberante na (proclamada) Direita portuguesa, que se recolhe não só com o toque mas também com o mais leve suspiro emanado da Esquerda. A proclamada Direita (doravante denominada simplesmente por “Direita” por abuso de linguagem) receia o calor, bastando o mais ténue bafo da Esquerda para que siga a ortodoxia discursiva, a do superior interesse da realidade do partido, a tal realidade mais real que a própria realidade. Quem pensa que Portugal não é um país extremamente politizado por simples observação de valores da abstenção em eleições está redondamente enganado: a politização dos indivíduos não se manifesta nas urnas e sim na facilidade com que estes adquirem o discurso formatado pelas universidades marxistas através da propagação mediática de terminologia emanada do socialismo científico e materialismo dialético.

A luta de classes é um conceito de venda difícil no século XXI. O capitalismo e o seu desenvolvimento tecnológico permitiu que operários — mantendo a terminologia marxista — se rendessem ao aburguesamento que um computador portátil e um smartphone com ligação à rede permitem. Adaptando-se à nova realidade, a realidade da posse de coisas2, tornou-se necessária a mutação de colectiva luta de classes para a esfera pessoal e individual, a dos comportamentos e costumes. Não é de surpreender que trotskyistas fossem os primeiros marxistas a adaptarem-se, motivando o sucesso do Bloco de Esquerda e similares noutros países europeus. Recentemente, dominando toda a agenda com terminologia de casta — e.g. “direitos dos homossexuais” em vez de “direitos humanos”; “combate ao preconceito” em vez de “classe oprimida” —, o ideário marxista recauchutado, inspirado nas tradições religiosas, adaptou o conceito de “pecado” em fobias múltiplas — e.g. homofobia, islamofobia, xenofobia — e o conceito de “virtude” na acção purificadora levada a cabo pelos múltiplos combates a discriminações por acção directa do governo, a elite informada para uma “sociedade mais justa”, eufemismo para o Homem Novo — e.g. “combater a homofobia”; “combater a xenofobia”.

Como todas as guerras inevitáveis, mais valia que começasse mais cedo do que mais tarde. Infelizmente, graças à sismonastia da Direita nacional, já foi içada a bandeira branca de rendição de forma preventiva, antes que alguém começasse a ter ideias. A consequência será mais uma década de destruição criativa até à silenciosa extinção dos resquícios de civilização ocidental em Portugal, a extinção que, quando finalizada, aparentará a tranquila sensação de que o país foi sempre assim desde o início dos tempos.

 

____________________________________________________________


1The Rise of Political Correctness”, Angelo M. Codevilla, Claremont Review of Books, 2016.
2“Communism doesn’t work because people like to own stuff”, Frank Zappa.

 

 

Vítor Cunha

(blogue BLASFÉMIAS)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.07.17

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 Enigma - História de uma Mudança de Sexo, de Jan Morris

Tradução de Paulo Faria

Memória

(edição Tinta da China, 2017)

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Sintomas

por Pedro Correia, em 21.07.17

1. Sair do governo e receber do governo

Menos de um mês depois de ter deixado de ser chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Gonçalo Alves criou uma empresa de consultoria e certificação florestal, com mais três sócios. A empresa, constituída em Fevereiro deste ano, celebrou em Junho um contrato por ajuste directo com o Fundo Ambiental, sob alçada do Ministério do Ambiente, para prestação de serviços na área das alterações climáticas.

O contrato de €66 mil para serviços de assessoria e acompanhamento de projectos, disponível no portal Base, foi celebrado a 26 de Junho de 2017. O Ministério do Ambiente lembra que a lei permite ajustes directos até €75 mil e, por isso, não obriga a que haja concurso público. E assegura que “não era do conhecimento” do ministério que um dos sócios da empresa fosse ex-chefe de gabinete do ministro da Agricultura.

(...) O ano em que Gonçalo Alves esteve no gabinete coincide com o período em que o Governo preparou 12 diplomas para a reforma da floresta. Um deles, da responsabilidade da Agricultura, criou o regime de reconhecimento das Entidades de Gestão Florestal (EGF). Um dos critérios para que as entidades sejam reconhecidas como tal — e venham a ter benefícios e incentivos fiscais, ainda em discussão no Parlamento — é a obrigatoriedade de terem certificação florestal.

 

Notícia do Expresso de 15 de Julho. Sublinhados meus

 

2. Ajuste directo em oito dias

A campanha de comunicação da candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento custou 74.500 euros mais IVA a 23%, o que dá um total de 91.635 euros. O contrato foi tornado público no portal de contratação do Estado há uma semana e revela que campanha foi adjudicada pelo Infarmed à empresa Lift Consulting, por ajuste directo.

De acordo com a informação publicada pelo Infarmed no portal BASE, o contrato foi celebrado a 29 de Junho, data em já tinha sido colocado online e depois bloqueado o site da candidatura oficial de Lisboa. Porém, os trabalhos da empresa começaram mais cedo, uma vez que o portal emainlisbon.eu – agora desactivado – foi registado por uma empresa do grupo Lift a 18 de Maio, oito dias depois de o parlamento ter votado em unanimidade a candidatura da capital. E mais de um mês antes da data que consta no registo feito no portal BASE.

Entretanto, em Junho, o dossiê sofreu uma reviravolta política que culminou no conselho de ministros da última quinta-feira, quando o governo decidiu avançar com a candidatura do Porto.

A 21 de Junho, quando o site oficial de Lisboa continuava activo não obstante o governo ter reaberto o processo de decisão, o i e o Sol procuraram saber junto do Ministério da Saúde quanto tinha custado o desenho do logótipo da candidatura de Lisboa, a feitura do site e todo o projecto de comunicação do sítio emainlisbon.eu, assim como se haveria duplicação de custos caso a opção final viesse a ser o Porto.

Na altura, as questões não tiveram resposta. A despesa com a comunicação viria a ser pública na passada terça-feira, dia em que o Infarmed publicou no portal BASE o contrato referente à ”contratação de serviços especializados de comunicação no âmbito da candidatura de Portugal à sede da EMA”.

Questionado de novo se a reformulação da campanha - tendo em conta a decisão de candidatar o Porto - terá novos custos, o Infarmed disse apenas que a despesa é relativa à candidatura nacional “em todas as suas vertentes”, não respondendo directamente à pergunta. Já sobre a opção por um ajuste directo tendo o contrato um valor muito próximo do limite para este tipo de contratação por parte do Estado (75 mil euros antes de IVA no caso de aquisições de bens e serviços, a menos que se trate de um caso de urgência imperiosa, se só existir um fornecedor ou quando um concurso anterior tenha ficado deserto), o Infarmed informou que a “aquisição dos serviços fez-se de acordo com as regras aplicáveis às instituições públicas”.

 

Notícia do i de 19 de Julho. Sublinhados meus

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 21.07.17

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Cláudia Goya

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Canções do século XXI (112)

por Pedro Correia, em 21.07.17

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Do fanatismo

por Pedro Correia, em 20.07.17

 

Patrão bom é um patrão morto para os arautos da luta de classes mais sectária e extremista? Nem isso, como esta votação no Parlamento bem demonstra.

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.07.17

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 Filhos da América, de Nélida Piñon

Crónicas literárias

(edição Temas e Debates, 2017)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 20.07.17

 

Ao Quiosque da Joana.

 

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Canções do século XXI (111)

por Pedro Correia, em 20.07.17

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Faz toda a diferença

por Pedro Correia, em 19.07.17

 

Enquanto uns por cá permanecem inamovíveis, mesmo quando recebem murros no estômago, noutros quadrantes há quem actue em conformidade, certamente por ter vergonha na cara.

Faz toda a diferença.

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Já li o livro e vi o filme (191)

por Pedro Correia, em 19.07.17

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  AMOR DE PERDIÇÃO (1862)

Autor: Camilo Castelo Branco

Realizador: Manoel de Oliveira (1979)

A mais célebre novela de Camilo, centrada na trágica paixão entre dois adolescentes da nobreza provinciana da primeira década do século XIX, Teresa Albuquerque e Simão Botelho, originou uma das mais controversas longas-metragens do cineasta de Aniki-Bóbó. Entre livro e filme, prefiro ler. E reler.

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Convidado: OCTÁVIO DOS SANTOS

por Pedro Correia, em 19.07.17

 

Mulheres de(s)arma(da)s

 

Muito se tem falado, discutido, argumentado, justificada mas infelizmente, nos últimos anos – décadas! – sobre a calamidade dos incêndios em Portugal, e que atingiu um trágico, revoltante, apogeu no passado mês de Junho em Pedrógão Grande, com a morte de (pelo menos) 64 pessoas. Uma calamidade que tem muito de criminalidade – bastantes (se não a maioria) dos fogos são ateados por incendiários que apenas sofrem reduzidas, ridículas punições – e que só parece não ter fim porque todos os governos – enfim, o Estado – têm falhado na sua mais básica função, a de proteger a integridade do território, privilegiando a vigilância, a coordenação, o reforço e a aplicação de meios, humanos, financeiros e técnicos onde são mais necessários. Não é difícil, apenas requer vontade e trabalho.

 

Porém, existe outra – continuada – calamidade no nosso país, esta indubitável e exclusivamente de índole criminal, e que já causou, no mesmo período de tempo, muitas mais vítimas do que os incêndios; aliás, um estudo divulgado em Novembro de 2016 indicou que, nos 12 anos anteriores, registaram-se mais de 450 homicídios (ou «femicídios»…) concretizados… e 526 tentados! Mais especificamente de mulheres, vítimas da fúria machista, da raiva revanchista de ex-namorados e de ex-maridos. Que, quantas vezes, tiram igualmente a vida a outros, familiares e amigos, que têm o azar de estarem, no momento e no local errados, na companhia do alvo principal do seu ódio.

Falar nisto como «violência doméstica» não é suficiente. O que mais surpreende neste assunto gravíssimo, que é sem dúvida o pior dos escândalos numa nação em que eles abundam, é o (quase) silêncio… sobre algo que constitui um padrão preocupante, alarmante, com características de um massacre permanente, de assassínios em série, quase que se diria… de genocídio. Que suscita, como habitual, repetida reacção, uma impotente, inútil consternação. Onde estão as feministas, sempre prontas a reclamar contra a «sociedade patriarcal», a «masculinidade tóxica» e outros disparates do mesmo… género, mas que neste âmbito se mantêm incomodamente caladas e inactivas, quiçá rezando para que esta semana nenhuma outra mulher seja assassinada? À semelhança de Catarina Martins, que, agora que existe um governo que ela apoia, já não exige a demissão de ministros por causa dos incêndios mas que se limita a esperar que chova?

 

Esta maré de matança misógina não é, não tem de ser, um fenómeno fatal, «natural», inevitável. Há soluções, respostas, para o problema. No entanto, são um pouco «radicais»… para um país que «progressivamente» se tornou demasiado contemporizador para com a criminalidade, chegando ao cúmulo de ter como pena máxima 25 anos de prisão… independentemente do número de homicídios que se cometa – o castigo é idêntico, quer se mate um, dez, cem ou mil!

Não é, pois, de estranhar que os que matam as ex-esposas ou as ex-namoradas, e quando não se suicidam a seguir, invariavelmente se entregam na esquadra de polícia mais próxima – eles sabem, sentem, que o tempo que gastarão na prisão será mais do que compensado pela satisfação de terem «lavado» a sua honra. Repare-se que muitas, a maioria, das vítimas já haviam sido ameaçadas de morte pelos seus futuros carrascos, já tinham sido objecto de agressões, físicas e psicológicas, pelo que o perigo já era conhecido, previsível.

 

Que fazer, então? É muito simples: a essas mulheres confirmadamente em risco devem ser dadas armas de fogo, pistolas, talvez espingardas, e o treino para melhor as usarem e se (legitimamente) defenderem se e quando for preciso. Obviamente, pela polícia, em colaboração com a polícia. Porque esta, evidentemente, não pode, não consegue, mesmo que queira, estar sempre a montar guarda junto daquelas mulheres nas suas casas, nem acolhê-las nas esquadras. Estas nem sempre, ou nunca, estão situadas ao lado das casas das potenciais vítimas. Por mais rápidos, eficientes, corajosos, competentes que sejam, os agentes da autoridade raramente, se é que alguma vez, chegam a tempo de evitar os crimes «passionais». Logo, as «presas» têm de se tornar «predadoras». Em vez de desarmadas, as mulheres têm de passar a ser… de armas.

 

 

Octávio dos Santos

(blogue OCTANAS)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.07.17

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 Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry

Tradução de Nuno Lobo Salgueiro

Narrativa autobiográfica

(reedição Nova Vega, 2.ª ed, 2015)

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Não pode valer tudo

por Pedro Correia, em 19.07.17

Felicito Assunção Cristas, que acaba de dar uma lição de dignidade cívica ao PSD: em política, mesmo nestes tempos de populismo à solta e demagogia desenfreada, não pode  valer tudo para qualquer chico-esperto conseguir notoriedade e sacar votos, enquanto o partido arrecada os salutares princípios da tolerância e da moderação num armário fechado a sete chaves.

Francisco Sá Carneiro, o fundador do PPD-PSD, não teria agido de modo diferente: o primeiro dever de um político é evitar dar palco a escroques.

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Canções do século XXI (110)

por Pedro Correia, em 19.07.17

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Ludibriar os portugueses

por Pedro Correia, em 18.07.17

 

Uma excelente peça da SIC, inserida ontem no Jornal da Noite, honrou as melhores tradições da estação televisiva que se prepara para festejar um quarto de século de existência. Esta peça jornalística relata com minúcia toda a fita do tempo da tragédia de Pedrógão Grande, demonstrando sem margem para dúvida que as comunicações entraram ali em colapso, tornando ineficaz toda a estrutura da protecção civil.

Sabendo-se agora tudo isto, torna-se não só chocante mas até insultuosa esta pretensa mensagem de tranquilidade que na noite da tragédia o secretário de Estado da Administração Interna – com a ministra ainda ausente do local – dirigiu aos portugueses em geral e à população de Pedrógão em particular: «Houve falhas momentâneas de comunicação mas que foram restabelecidas. O SIRESP [Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal] está a funcionar com bastante regularidade e bastante bem.»

 

Tudo falso nesta declaração. As falhas nunca foram apenas momentâneas, a comunicação não fora restabelecida e o apagão das ligações mantinha-se no preciso momento em que Jorge Gomes falava assim ao País. O SIRESP – que revelou deficiências desde o início, como esta reportagem de Ana Leal, da TVI, já deixava evidente em 2014 – não funcionava “com bastante regularidade e bastante bem”: não funcionava, ponto final.

Este alerta não evitou que a 17 de Maio, um mês exacto antes de eclodir o drama de Pedrógão Grande, Jorge Gomes, depondo numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, tenha ludibriado os cidadãos, tranquilizando-os com estas palavras que os factos não tardariam a desmentir: «Quero transmitir aos portugueses que temos um dispositivo capaz, devidamente estruturado e organizado, no qual temos plena e total confiança, para fazer frente ao período mais crítico dos incêndios florestais» (minuto 8 deste vídeo); «O País tem um dispositivo integrado, competente, forte e mobilizado para defender a floresta, o património e a vida dos portugueses.» (10' 30'' do vídeo).

 

Pior que tudo isto, ainda pior que manter-se sem censura política um membro do Governo em manifesta fuga à verdade num momento tão traumático, é termos hoje a certeza de estarmos perante uma deficiência estrutural gravíssima, com efeitos potencialmente tão irreparáveis como os ocorridos em Pedrógão.

É um problema tão alarmante que por estes dias voltou a estar em foco no grande fogo florestal de Alijó, levando o presidente da câmara local a apontar sem rodeios para novas falhas neste sistema onde o Estado português enterra 40 milhões de euros por ano: «Estive duas horas sentado só a ouvir e apercebi-me que a comunicação falha: não sabemos exactamente onde está posicionada cada equipa, onde está a arder. Às tantas, só recorrendo aos telemóveis é que se consegue comunicar.»

Como escreve o Manuel Carvalho na edição de hoje do Público, «o que torna a história de Alijó num caso ainda mais absurdo e inaceitável é que, sem ser necessário recorrer a comissões de inquérito independentes, podemos desde já suspeitar que as operações de combate foram marcadas pelo desnorte, pela incompetência e, uma vez mais, pela falha criminosa desse sistema delinquente chamado SIRESP».

 

O secretário de Estado ainda em funções teve agora ao menos a sensatez de permanecer calado.

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