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Feliz...

por João Carvalho, em 01.11.12

... aniversário, de toda a tribo para a nossa Ivone!

Um dia que só podia ser feriado, não é verdade?

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Blogue da semana

por João Carvalho, em 27.10.12

 


Obrigado a regressar ao Porto, ninguém ficará surpreendido que a minha escolha sobre o blogue da semana recaia n' A Cidade Surpreendente.

É uma casa do Carlos Romão e já tem uns anitos de história.

Versa o Porto e, portanto, recomenda-se.

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As ilhas que eu vejo (11)

por João Carvalho, em 30.09.12

 

São Jorge é uma ilha quase perfeita.

 

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As ilhas que eu vejo (10)

por João Carvalho, em 27.09.12

 

Lembram-se quando havia um pote de ouro na ponta do arco-íris? Bons tempos...Ver a ponta do arco-íris à frente dos olhos já é invulgar.

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Parabéns...

por João Carvalho, em 27.09.12

 

... à nossa Ana Cláudia!

(Nos Açores ainda é dia 26.)

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Comentário da semana

por João Carvalho, em 24.09.12

 

«Nós já fomos assim.
Nos países islâmicos, vive-se com a mentalidade que tínhamos até há 150/200 anos. É essa a única diferença. Que acarreta consequências graves, sem dúvida.
A maior parte do povo islamita não sabe o que é a liberdade de expressão, por isso, não a entende. Os grandes culpados por esta situação são os líderes religiosos islâmicos (que tinham obrigação de estar melhor informados e acalmar a população) e os ditadores, a quem interessa manter o povo ignorante. Também isso já aconteceu connosco.
Resta-nos dar uma prova de maturidade e ter paciência com estes excessos. Claro que quando a nossa própria segurança é posta em causa, não nos podemos limitar a olhar. Mas evitar provocar era já uma melhoria.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do José Navarro de Andrade.

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Economia?

por João Carvalho, em 19.09.12

     

 

Na sua edição online, o Diário Económico aparecia hoje com estas duas fotos ao alto na página de política, respectivamente identificadas assim: Loureiro dos Santos e Garcia dos Santos.

Não há qualquer motivo para que o jornalismo não seja exercido por economistas. Mas também não há razões para ficarmos à procura de motivos para a economia andar de rastos como anda.

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O comentário da semana

por João Carvalho, em 16.09.12

 

«Dê graças a Deus (ou a quem preferir) por não ser economista! De repente, as pessoas começaram a achar que a economia era uma ciência exacta e quem a exerce deveria resolver e prever todos os problemas da humanidade. Temos pena, mas não é. É uma ciência social com todas as incertezas e imprevisibilidades que tal acarreta.
Vou tentar responder primeiro ao seu segundo ponto:
1) A diminuição da TSU vem responder à inexistência de um outro instrumento, a desvalorização da moeda. Uma como a outra, visam obter maior competitividade dos bens transacionáveis, produtos nacionais susceptíveis de serem comprados e vendidos, através da diminuição do seu custo. A baixa da TSU visa unicamente aumentar a competitividade diminuindo o custo do trabalho unitário.
2) A versão clássica passa pela diminuição da TSU sobre as empresas e a subida do IVA (para compensar a diminuição das contribuições). O que acontece? Primeiro os preços dos produtos nacionais descem e, em simultâneo, o preço final de todos os bens (nacionais e estrangeiros) sobem. Conclusão: os preços dos bens nacionais ficam mais baixos em relação aos bens importados. Apesar do aumento generalizado dos preços, há um efeito de substituição favorecendo os produtos nacionais. Isto no mercado interno. Nas exportações os nossos preços ficam mais competitivos. O rendimento disponível mantém-se mas, na generalidade, o consumo diminui e é substituído por bens nacionais.
3) Se a descida da TSU para as empresas, for compensada pelo aumento da mesma para os trabalhadores por conta de outrem, a competitividade das empresas aumenta na mesma, o efeito substituição por produtos nacionais também se mantém, as empresas exportadoras são igualmente beneficiadas, mas o rendimento disponível dos trabalhadores decresce.
4) Comparando o consumo:
a) Ocorre diminuição de consumo nos dois casos (no primeiro caso, em virtude do aumento generalizado dos preços e no segundo caso em virtude da diminuição do rendimento disponível); b) Contudo, a diminuição de consumo é maior com o aumento do IVA. Porquê? Porque o universo da procura interna (consumidores) é bem maior do que o consumo dos trabalhadores por conta de outrem. Inclui reformados e pensionistas, trabalhadores independentes e outros consumidores que auferem rendimento predial, capital e/ou outros. O aumento do IVA é mais gravoso na diminuição da procura interna.
5) Se for através do IRS, não saberemos muito bem para onde irão os nossos rendimentos (mas esse exercício é bem menos controlável e imprevisível)
Quanto ao seu primeiro ponto, com estes contornos, Portugal é o terceiro país do mundo a viver este tipo de realidade, pelo que não vejo mal algum em ser o primeiro com esta alteração da TSU. Isto digo eu, que não fiquei cristalizado no PREC...


(desculpe-me os erros e a má semântica: fiz o que pude em 10 mins)»

 

Do nosso leitor Paulo Abreu e Lima. A propósito deste texto do JAA.

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Menezes ameaçador

por João Carvalho, em 13.09.12

 

Durante uma intervenção na SIC-N, Luís Filipe Menezes anunciou ontem à noite que vai deixar a câmara de Gaia — que se diz ser a mais endividada do País — para se candidatar à câmara do Porto. Esta ameaça de Menezes a somar ao facto de os portuenses também serem atingidos pelo agravamento da austeridade confirmam um dito histórico que está agora a preocupar os tripeiros: um mal nunca vem só.

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Está de parabéns...

por João Carvalho, em 08.09.12

 

... a nossa Ana Margarida, a quem desejamos

um dia feliz para entrar num ano em grande!

Beijinhos de parabéns da tribo!

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Parabéns

por João Carvalho, em 05.09.12

Por muitos e bons, Zé Bandeira!

Votos da tribo toda.

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Formigas à vista!

por João Carvalho, em 01.09.12

Os Açores começaram a ser achados a partir da ilha de Santa Maria, em 1432? Pode dizer-se que sim, mas os ilhéus das Formigas foram encontrados no ano anterior.

 

 

Quando o Infante D. Henrique designou Gonçalo Velho Cabral para ir em busca das ilhas que, em 1427, o piloto Diogo de Silves encontrara no regresso de uma viagem à Madeira, seguramente não esperava o resultado que teria essa primeira tentativa.

 

História. Gonçalo Velho Cabral, cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador do castelo de Almourol, era um experiente navegador da confiança do Infante, já então considerado um homem muito próximo deste. Em 1431, com poucos recursos, D. Henrique sabia que podia contar com a reconhecida capacidade de liderança e experiência de Gonçalo Velho, pelo que decidiu que ele partiria sem problemas apenas com um pequeno barco e uma reduzida tripulação. Tudo indica que, ao todo, a tripulação não excedia uma dezena ou uma dúzia de marinheiros.

No ano seguinte, em 1432, o Infante enviou de novo Gonçalo Velho a caminho dos Açores e ele encontrou as ilhas de Santa Maria e de São Miguel, as duas mais orientais do arquipélago. Mas porque é que, nesse ano de 1431, ele não teria encontrado mais do que os pequenos ilhéus das Formigas, um conjunto de rochedos baixos localizados a norte de Santa Maria?

Calcula-se a frustração do navegador e, no regresso, do Infante. Nem uma das ilhas já antes achadas fôra avistada. Apenas os inabitáveis rochedos.

 

Imaginação. Quando me detenho a reflectir sobre este episódio, ponho-me a imaginar as raivas frequentes e traiçoeiras do Atlântico Norte e os sustos que um punhado de homens teria recebido borda dentro numa pequena embarcação a bater-se contra qualquer tempestade e quase à deriva entre os habituais nevoeiros do oceano.

Em dado momento, abalados e já quase descrentes das suas forças, não teriam esses homens esgotado todo o álcool que levavam a bordo, como que a preparar o que parecia o caminho inevitável para o sono eterno?

É humano e compreensível que assim tivesse sido. Nessas condições, com muito álcool a correr nas veias, quem teria avistado uma ilha ou algo mais do que aqueles rochedos que mal se levantavam do mar bem à frente do barco?

 

Actualidade. Hoje em dia, a verdade é que as Formigas têm uma importância que Gonçalo Velho Cabral não conseguiria adivinhar. O grupo de ilhéus, em que se destaca o perfil invulgar do farol que serve de aviso à navegação, tem sido sucessivamente classificado e confirmado como Reserva Natural e está integrado na Rede Natura 2000.

 

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A Lua e os pequenos animais

por João Carvalho, em 31.07.12

«A China quer voltar à Lua em 2013». Como é possível voltar onde nunca se esteve? «A China vai tentar no próximo ano aterrar pela primeira vez uma sonda exploratória na Lua». Curiosamente, «a terceira tentativa lunar da China será lançada no segundo semestre de 2013, informou a agência Xinhua, que indica que o objectivo da expedição é a recolha de dados sobre a superfície da Lua.» Como se os dados sobre a superfície da Lua não fossem já conhecidos há mais de quatro décadas. Se não fosse a actual liquidez financeira de Pequim, acho que os EUA já teriam manifestado estranheza.

Três pontos da notícia prenderam a minha atenção de modo especial, o primeiro dos quais é que, em 2001, a China mandou para o espaço a nave Shenzhou-2 «com pequenos animais a bordo». Alguém se lembra se foram baratas, grilos, formigas ou outros ainda mais pequenos?

O segundo ponto é que o recente lançamento da Shenzhou-9 «ganhou destaque por incluir a primeira mulher astronauta». O eixo da Terra oscilou quando os chineses tremeram ao saber do caso. Como se sabe, os chineses dão um enorme valor ao papel das mulheres.

Finalmente, Pequim considera que o projecto para 2013 «evidenciará a importância crescente do país como potência, a sua capacidade tecnológica e o sucesso do Partido Comunista na transformação de uma nação pobre num país próspero». Ora aqui está o que pode ser muito pedagógico para os partidos comunistas. E não só: Portugal também poderá passar com facilidade da pobreza à prosperidade: basta mandar uma nave para o espaço. Se for com pequenos animais a bordo, falem comigo que eu tenho algumas ideias.

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Figuras

por João Carvalho, em 25.07.12

«José Rodrigues dos Santos é n.º 1 de vendas em França»: «La formule de Dieu, a edição francesa de A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos, chegou esta semana ao primeiro lugar do Top FNAC de vendas em França.»

Já me disseram que os franceses em férias só vêem as figuras.

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Mais uma acha para a fogueira

por João Carvalho, em 25.07.12

No seu velho e popularíssimo blogue, Eduardo Pitta escreveu isto:

«Os bombeiros chegaram a estar parados a cerca de 400 metros do fogo, com as chamas a ameaçar casas, a aguardar por “ordens superiores” [...]» Os incêndios começaram no dia 18, mas Vítor Vaz Pinto, o responsável máximo pelas operações de combate aos incêndios, só chegou ao Algarve no dia 21 à noite. Comentários para quê?

Se a gente confiasse mais nas investigações, sobre fogo posto como quaisquer outras, valia a pena recomendar que dessem mais atenção aos perigosos autores incendiários.

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Alguém sabe?

por João Carvalho, em 24.07.12

 

Garantiram-me que se trata de uma imagem do projecto dos ex-ministros Lino/Mendonça para o TGV Lisboa–Ponta Delgada, mas custa-me a crer. Alguém sabe o que poderia ser?

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EDP de Verão

por João Carvalho, em 23.07.12

EDP Cool Jazz, Festival EDP Paredes de Coura, EDP Festival de Música daqui e dali, EDP festivais de música de norte a sul, etc., etc., etc., não é? Pois é. É, mas não vem nas facturas. Afinal, qual é a percentagem de tanta música de Verão que andamos a pagar nas facturas da luz? Alguém sabe?

Mexia é um mãos largas. E nós — que remédio — também somos. Como se não houvesse muito mais gente a precisar de ajuda.

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Pontos nos is (18)

por João Carvalho, em 17.07.12

TROMBONE

«O ministro-adjunto do primeiro-ministro decidiu processar a antiga bastonária da Ordem dos Arquitectos, Helena Roseta, na sequência das declarações da ex-bastonária à SIC, a 23 de Junho, segundo as quais Relvas teria sugerido a contratação da empresa onde então trabalhava Passos Coelho para desenvolver um conjunto de acções de formação para a área autárquica, que Relvas tutelava, enquanto secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso.»

I

Não sei se Miguel Relvas irá mesmo processar Helena Roseta. É até possível que o tempo decorrido torne inviável a abertura de um processo-crime, se calhar já prescrito. No entanto, se o ministro se considera ofendido e decidir queixar-se, não está apenas no seu direito como está em tempo útil, porque foi agora que Helena Roseta (bem ou mal, é o que falta saber) o atingiu.

Esperemos para ver. Não importa o timing: só se é ofendido depois de uma ofensa.

II

Já no que respeita a Helena Roseta, o tempo útil parece interessar pouco. Segundo ela, Miguel Relvas teria assumido uma atitude inaceitável em 2003. Vai daí, conta a sua história publicamente em 2012. A noção de timing da ex-bastonária da Ordem dos Arquitectos é, no mínimo, estranha. Mas não é só a noção de timing: o que ela diz ser inaceitável não foi o bastante para a fazer abrir a boca na altura certa; mas agora, nove anos depois do suposto episódio, quando o caso só serve para denegrir o adversário, já Helena Roseta acha bem vir a público pôr a boca no trombone.

Convenhamos que o critério de Helena Roseta é, pelo menos, pouco razoável. Pouco ou nada, porque não é critério: é falta dele.

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Pontos nos is (17)

por João Carvalho, em 16.07.12

DÉJÀ VU

Nada me incomodam os grupos de pressão que pretendem defender interesses comuns, por muito discutíveis que esses interesses possam ser. Porém, incomodam-me os lobbies escondidos ou disfarçados que tantas vezes se movem neste país pequeno em tantos jogos de sombras.

I

Cheiro à légua o jogo de bastidores que anda a desenrolar-se no caso da licenciatura de Miguel Relvas. Na verdade, estou farto de ouvir defender que o ministro devia afastar-se para não criar maior desconforto ao Governo, mas ainda não consegui descortinar qualquer ilícito que ele pudesse ter cometido. A licenciatura levanta muitas dúvidas? Pois é capaz de levantar, mas ainda não ouvi dizer que a Universidade Lusófona é que pode ter-se colocado numa situação desconfortável.

 

 

Não se tratando de uma auto-licenciatura, que seria impossível, e estando o curso assegurado e confirmado pela universidade visada, cada vez que olho para o ministro ganha relevo esta impressão de déjà vu.

II

Onde é que eu já vi isto? Já sei: na primeira linha estão os mesmos jornais do caso recente que envolveu o Público e, portanto, estão representados os mesmíssimos grupos de comunicação interessados em travar um processo que os deixa em pânico e que está a ser conduzido por Miguel Relvas: a privatização da RTP.

Tal como escrevi no princípio, não me incomoda que haja quem se oponha à privatização da RTP, embora me incomode muito andar a pagar há tanto tempo a má gestão sucessiva do sorvedouro escandaloso que ela tem sido. Oponham-se, os que pensarem de outro modo, mas organizem-se e façam-no às claras.

Quando eu vir que o lobby não se esconde e que combate de forma visível com armas lícitas, então talvez eu encontre paciência bastante para tentar concluir se o ministro deve ceder o lugar, se a universidade é que não honra o lugar que ocupa ou qualquer outra coisa.

Até lá, mantenho que já vi isto e que isto não me parece sério. Mais: palpita-me que outros episódios hão-de seguir-se. Sempre obscuros, como é próprio dos medrosos.

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A sereia da Praia

por João Carvalho, em 15.07.12

Deambulando por este espaço virtual, encontrei por mero acaso uma lenda açoriana um tanto inesperada. Ingenuamente centrada num tema tão infantil como a própria lenda, tem o dom de consagrar a beleza secular do amplo areal branco no nordeste da Terceira, a mais extensa praia em redor de toda a costa, onde foi fundada a cidade da Praia e onde se encontra o porto que serve a ilha. Passemos ao essencial da lenda.

 

 

Noite de Lua cheia. Boiando sobre as sossegadas ondas que docemente vinham acabar-se na areia branca, uma mulher de longos cabelos de ouro parecia ondular ao sabor da água.

O tronco nu era de uma perfeição rara e o rosto tão suavemente belo que um pescador, deslumbrado com a visão, não sentiu qualquer tentação cuja libido pudesse perturbar aquele encanto.

Ela aproximou-se. Quando já estava muito perto, o homem percebeu, cheio de temor, que o seu pescoço estava desfigurado pelo que parecia serem guelras. Mais: o seu corpo, da cintura para baixo, também parecia igual ao de um peixe.

Na aflição de quem julgava ter o diabo ao pé de si, o pescador esconjurou a aparição. Nesse mesmo instante, a mulher, que um qualquer poder maléfico e vingativo devia ter transformado em sereia, voltou à forma humana e perfeita que a sua figura inicialmente sugerira.

Esta lenda não nos conta se os dois se casaram e viveram felizes para sempre, mas podemos imaginar-lhes esse destino ditoso.

Já essa praia merece que a felicidade a contemple. Tão bela ela é que, num mapa dos Açores datado de 1584 – feito pelo cosmógrafo Luís Teixeira no período filipino – o seu nome surge como Plaia Hermosa. Como o mapa foi feito para D. Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal), todas as legendas do mapa aparecem no mesmo castelhano arcaico.

Que a praia é formosa, percebe-se logo à primeira vista. Por isso, dispensa o adjectivo, que nunca foi usado pelos naturais da ilha (a Ilha Terceira), mas houve seguramente boas razões para que o topónimo não se ficasse pelo simples nome de Praia. De resto, eram bem conhecidas todas as praias dos Açores, sem dúvida, pois na legenda que explica o mapa está escrito em latim: «Estas ilhas foram percorridas com a maior diligência, e com todo o cuidado as descreveu o português Luís Teixeira, cosmógrafo da Majestade Real. Ano de Cristo de 1584.»

Trata-se do mesmo autor no mesmo ano desse mapa da Praia, essa que viria um dia a merecer chamar-se Praia da Vitória. Um topónimo bem mais afirmativo do que Praia Formosa. Sem deixar de ser praia e de ser formosa.

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Quem sopra hoje velas...

por João Carvalho, em 14.07.12

 

... é a nossa Laura Ramos.

Parabéns e conta muitos!

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Quadratura da crise

por João Carvalho, em 13.07.12

Entre outros valentes tabefes, Pacheco Pereira disse que o Governo está a menosprezar os efeitos das medidas de austeridade. Foi ontem à noite, no estafado programa que tem na SIC-Notícias, quando se falava do estado da nação e desta crise de quatro lados que nos aperta.

O longo percurso de Pacheco Pereira no PSD é espantoso. Na prática, só andou tranquilo quando Manuela Ferreira Leite foi líder do partido. Ou seja: só andou tranquilo durante um momento. Foi uma oportunidade de rara visão política, embora então se adivinhasse escusada e efémera.

No resto, o sofá de Pacheco Pereira no PSD é mais ou menos como um trono ocupado por um monarca republicano.

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Sem Mexer

por João Carvalho, em 13.07.12

«Mexer já treina no Nacional da Madeira» — lê-se num título. A notícia abre assim: «Mexer, de 24 anos, deixou o Sporting sem ter realizado nenhum jogo oficial.» Ou seja: Mexer no Sporting é que ele não mexeu — digo eu, que sei pouco destas coisas.

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As coisas que ele viu

por João Carvalho, em 13.07.12

«(...) vi o colectivo do jogo, vi organização, vitória.»

Vítor Pereira, treinador do FC Porto, sobre um jogo de preparação

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A Lusa pirosa e esquecida

por João Carvalho, em 12.07.12

«Homem condenado a 19 anos de prisão por degolar a esposa». O título é da Lusa, que acrescenta o seguinte: «O Tribunal de Benavente condenou hoje a 19 anos de prisão o homem acusado de homicídio qualificado, por ter degolado a esposa.» Esposa? Que a Lusa é fracota já todos sabemos, mas escusava de ser pirosa.

Na mesma notícia, a Lusa diz também que «o tribunal determinou ainda que o arguido, de 26 anos, seja expulso do país após cumprir dois terços da pena». Por causa do desemprego? Porque os juízes do tribunal embirraram com a cara do homicida? Pelo receio de que ele volte a casar em Portugal e venha a reincidir no crime? Com base em alguma nova lei que obriga os homicidas a emigrar? Isso é o que a Lusa se esqueceu de dizer. Desmiolada, gostou de saber da expulsão, mas sem querer saber o motivo.

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Ou???

por João Carvalho, em 12.07.12

«Cadeiras produzidas em Paredes para personalidades como Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Mariza, Maria Bethânia, Manoel de Oliveira, Souto Moura ou (ou?) Mia Couto». Ou? Se fosse para todos eles, seria notícia. Mas se a produção é só para um deles, para este ou para aquele, não tem qualquer interesse. Ainda por cima, o jornalista nem sequer conseguiu saber para qual deles eram as tais cadeiras.

Cheira-me que é um problema de bom português ou de bom jornalismo. O que vos parece?

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Haja mais critério e respeito

por João Carvalho, em 11.07.12

Começa a ser cansativo. Eu sei (sabemos todos por cá) que a expressão oral (e escrita, consequentemente) anda pelas ruas da amargura, mas não entendo que seja necessário bater sempre na mesma tecla. No Parlamento, por exemplo, fartei-me de ouvir hoje (como sempre): «Senhoras e senhores deputados.» É uma gritante falta de critério e até falta de respeito pelas senhoras, comum a todos os quadrantes representados no hemiciclo.

Em bom português, o masculino serve os dois géneros, quando é preciso. Por isso, o (dispensável e escusado) preciosismo obriga a dizer: "Senhoras deputadas e senhores deputados." Quando não for assim, fica bem dizer apenas: "Senhores deputados." Espero que aprendam de vez, mas cheira-me que estou a gastar o meu latim em vão.

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Indignação

por João Carvalho, em 11.07.12

Isaltino está indignado: o Governo trata autarcas como "delinquentes". Até eu estou indignado: a Justiça trata processos como "isaltinices".

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O primor de Pininfarina

por João Carvalho, em 05.07.12

 

 

Andei a rever alguns dos mais belos exemplares do legado de Sergio Pininfarina e cheguei à conclusão (discutível) de que é difícil bater a pureza de linhas deste Ferrari 250 GT Coupé de 1955. A elegância e sobridade combinam com potência e raça sem que qualquer das características se sobreponha. Digam lá se não é verdade que transpira o primor que foi colocado neste extraordinário design.

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O fantástico design...

por João Carvalho, em 04.07.12

 

 

... dos mundialmente admirados Ferrari Testarossa, concebido nos anos 80, foi um dos inúmeros pontos altos do engenheiro industrial e reputado designer de automóveis desportivos e descapotáveis Sergio Pininfarina, natural de Turim e ontem desaparecido aos 85 anos. O seu nome e o da casa que criou (Carrozzeria Pininfarina) ficam na História do automóvel, perpetuados pela reconhecida e diversificada marca deixada em grandes bólides ao longo da segunda metade do século XX.

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Sergio Pininfarina

por João Carvalho, em 03.07.12

 

1926–2012

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Quem conta hoje...

por João Carvalho, em 02.07.12

 

... mais um ano é o nosso Fernando Sousa.

Um abraço de todos nós e que contes muitos!

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O ilhéu que se partiu

por João Carvalho, em 01.07.12

 

Na ilha Terceira, os ilhéus das Cabras constituem um alvo de polémicas sucessivamente renovadas ao longo de séculos, por causa da sua posse. Hoje em dia, são simplesmente vistos como importante reserva açoriana de espécies protegidas.

Localizados junto à costa sul da Ilha Terceira, na freguesia de Porto Judeu, são os ilhéus maiores do arquipélago. Quem circula pela estrada marginal e olha para eles, parece uma ilhota que acabou de partir-se e se soltou em dois pedaços. De origem vulcânica, estão na verdade divididos há séculos, pelo provável desmantelamento da costa, em resultado da erosão e movimentações tectónicas.

Abrigam eles alguma fauna protegida, como o cagarro e o garajau-comum, além da garça-real, do pilrito-das-praias e do borrelho-de-coleira-interrompida. Juntamente com o cagarro e o garajau, também a gaivota faz parte das aves marinhas que procuram os ilhéus para nidificação.

Em torno dos dois ilhéus encontram-se ainda com frequência pequenos cetáceos, como a toninha-brava, bem como algumas tartarugas.

Em meados do século XVII, os ilhéus das Cabras estão nas mãos de um ramo da conhecida família Canto, nome secular muito respeitado em terras açorianas, assim como na Casa Real no continente.

De geração em geração, de descendente em descendente, as Cabras vão mudando de proprietário, mesmo quando estes estão em Lisboa, em Braga, em Amares, no Porto ou em qualquer outro lugar fora dos Açores onde têm morado.

Com o passar dos séculos, a polémica que vai envolvendo os ilhéus renova-se, ora por razões de direitos, ora por razões de direito público. Actualmente, porém, se são propriedade privada ou pública não parece ser tão importante. Na sua verdura pujante e recorte em falésia, constituem uma reserva natural que todos respeitam e admiram com gosto, porque fazem parte da bela diversidade que o arquipélago em geral oferece e de que a Terceira em particular cuida.

Além do mais, já o celebrado terceirense Vitorino Nemésio se referia aos ilhéus das Cabras como uma espécie de representação dos açorianos, chamando-lhes «a estátua da nossa solidão» (Corsário das Ilhas, 1956). Não poderia haver classificação mais pública e colectiva do que esta. A própria definição de Nemésio é património colectivo.

 

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Elvas e as suas muralhas

por João Carvalho, em 30.06.12

 

As muralhas de Elvas passaram a ser hoje património mundial classificado pela UNESCO na categoria de bens culturais. Uma classificação justíssima para um extenso conjunto de património histórico construído que inclui todas as fortificações da cidade, um forte do século XVII e outro do século XVIII, três fortins do século XIX, três muralhas medievais, uma muralha do século XVII e o aqueduto.

Trata-se da maior fortificação abaluartada do mundo. O conjunto remonta, nos seus primórdios, ao reinado de D. Sancho II e tem um perímetro com cerca de dez quilómetros e uma área que ronda os 300 hectares.

Cenário de contadas e recontadas batalhas e de encontros e desencontros luso-espanhóis, Elvas pode ser uma bela visita de férias, pela exemplar conservação patrimonial que versa grandes momentos da nossa História e agora com o interesse a que acresce a honrosa classificação.

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As ilhas que eu vejo (9)

por João Carvalho, em 30.06.12

 

Cá estou eu a respirar o verde intenso...

 

 

... e a sentir o azul imenso.

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Parabéns!

por João Carvalho, em 27.06.12

 

Quem faz anos cá em casa, quem é?

Hoje é o nosso Luís Menezes Leitão, pois é.

Parabéns da tribo delituosa, Luís!

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Quem está de parabéns...

por João Carvalho, em 25.06.12

... é o nosso José Maria.

Desejamos-te todos um belo dia

e um bom ano!

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Pontos nos is (16)

por João Carvalho, em 23.06.12

CASOS

I

O caso Miguel Relvas/Público descambou para um novo caso inacreditável e inesperado: o caso Arons de Carvalho. O que distingue os dois casos é ainda mais incrível: se o primeiro é um caso real, o segundo é surreal.

Como se sabe, o «processo de averiguações relativo ao caso das alegadas pressões ilícitas do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, sobre o jornal Público», conduzido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), culminou com uma contida deliberação do conselho regulador da mesma ERC. Em tudo quanto as duas partes, ministro e jornal, não coincidem e perante as posições de palavra contra palavra, o conselho regulador da ERC não elabora considerações inconsistentes, ficando-se pela matéria recolhida: «não se deu por provada a existência de pressões ilícitas da parte do ministro», «não se verificou a existência de um condicionamento da liberdade de imprensa» e outras conclusões de teor igualmente provado durante as averiguações, assinalando sem quaisquer devaneios as discrepâncias encontradas.

Aquela deliberação, porém, não mereceu unanimidade na ERC: dos cinco votos do conselho regulador, dois foram contra. Um dos vencidos foi Alberto Arons de Carvalho, que entendeu pronunciar-se através de uma declaração de voto.

II

É essa declaração de Arons de Carvalho que constitui um caso que, por qualquer motivo ainda por explicar, não está a merecer o relevo que devia ter. O extraordinário pensamento de Arons de Carvalho devia dar que pensar. Devia dar que pensar, desde logo, à própria ERC, dar que pensar porventura ao ministro Miguel Relvas (para quem a comunicação social não é totalmente alheia às suas funções), dar que pensar talvez ao jornal Público (que aparenta preocupar-se com a ética e deontologia do jornalismo) e dar que pensar seguramente a todos nós.

Sem querer ser exaustivo, fico-me pelas duas razões de fundo apresentadas por Arons de Carvalho no voto de vencido, para que melhor se avalie a sua espantosa posição.

Inclina-se Arons de Carvalho para o juízo que diz fazer «da verosimilhança das declarações» da directora e da editora de política do jornal, que refere serem «duas experientes e prestigiadas jornalistas, sendo absolutamente inimaginável que tivessem inventado as frases que atribuem ao ministro». Está visto que Arons de Carvalho não é um admirador de Miguel Relvas, o que parece legítimo, ou não lhe reconhece experiência e prestígio, o que continua a ser legítimo, mas não deixa de ser uma deselegância inadequada ao promover as qualidades de duas intervenientes da parte contrária.

Além disso, de discordância em discordância com aquela deliberação da ERC votada por maioria, Arons de Carvalho dedica o seu derradeiro pensamento a Miguel Relvas, nestes termos: «Uma ameaça não é grave pelo efeito que tem, mas pelo efeito que se pretendia que viesse a ter...»

III

Arons de Carvalho, ex-secretário de Estado socialista que teve o pelouro da RTP, não é magistrado judicial, o que prova que o mundo ainda não está todo às avessas.

Contudo, se ele fosse juiz, podia condenar um tipo por verosimilhança: tem cara de homicida e tem uma arma, logo é assassino. Não houve homicídio? Não interessa. O tipo com cara de homicida e uma arma de fogo é uma ameaça e, se a sua existência ainda não teve qualquer efeito mortal em alguém, vai dentro na mesma porque a ameaça indica que há-de vir a ter esse efeito, que é o que um tipo com cara de homicida e uma arma pretende que venha a ter.

IV

Espero que a vontade insistente do PS para ter Miguel Relvas de novo na Assembleia da República a responder sobre este caso se centre em argumentos mais sólidos do que as surrealistas subjectividades de Arons de Carvalho. Até porque a gente precisa de ministros a governar como de pão para a boca, não para andarem a responder repetida e infinitamente sobre casos que já cheiram mal.

Como se Arons de Carvalho e o PS tivessem um manual para ensinar como ser ministro e gerir as relações com os jornalistas. O mundo ainda não está todo às avessas, é verdade, mas aproxima-se perigosamente quando as pessoas deixam de respeitar os limites do mero senso comum. Condenar com base numa imaginada verosimilhança e no pretenso efeito não verificado de uma suposta ameaça? Não há paciência para este bafio socialista carregado de poeira, que não vai ser grave pelo efeito que terá, mas que deve dar-nos que pensar pelo efeito que Arons de Carvalho pretendia que viesse a ter...

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Alegada injustiça

por João Carvalho, em 16.06.12

Paulo Pereira Cristóvão não só está indiciado de práticas ilícitas, como também está com a vida muito limitada pela determinação da Justiça de não contactar sportinguistas e o clube.

Portanto, se ele quiser confessar-se, não poderá ir ao encontro do padre Vítor Melícias, que terá de manter à distância mesmo perante o segredo sagrado da confissão a que está obrigado o sportinguista franciscano. Por outro lado, se sentir algum problema hepático, Pereira Cristóvão não deverá recorrer aos conhecimentos de Eduardo Barroso, por muito especialista que seja o consumidor de charutos e presidente da assembleia geral do SCP.

Veja-se bem como a alegada Justiça pode ser alegadamente injusta. O alegadamente sportinguista e alegado Cristóvão que o diga.

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Parabéns! → 1

por João Carvalho, em 14.06.12

 

A nossa Leonor Barros pode achar que o bolo todo

seria mais próprio, mas basta que a fatia saiba bem. A culpa é da crise.

Beijinhos de parabéns, Leonor!

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Parabéns! → 2

por João Carvalho, em 14.06.12

 

O nosso João Campos pode achar que o champanhe

seria mais próprio, mas basta que isto seja sparkling. A culpa é da crise.

Um abraço de parabéns, João!

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Parabéns!

por João Carvalho, em 03.06.12

 

À tua em especial, Pedro! E que contes muitos!

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Descrever o tradicional culto dedicado ao Senhor Santo Cristo dos Milagres e a importância da imagem bizantina que atrai tanta gente a Ponta Delgada no quinto domingo depois da Páscoa dia da vistosa procissão que percorre a cidade durante várias horas sobre tapetes de flores — não é o mesmo que recordar a lenda em torno da origem dessa imagem, pretexto para o postal de memórias de hoje.

 

 

O Convento de Nossa Senhora da Conceição da Caloura fica na aldeia da Caloura, em Vale de Cabaços, uma espécie de vale à beira-mar que pertence à bonita freguesia de Água de Pau, localidade disposta em cascata e que integra o belo concelho de Lagoa, na costa sul da ilha de São Miguel.

 

 

Na fachada da capela do Convento da Caloura lê-se Dezembro 1684. Construído sobre rochedos, foi o primeiro convento na ilha, autorizado pelo Papa Paulo III (ou talvez pelo Papa Clemente VII). A autorização papal teria sido acompanhada pela oferta da imagem do Senhor Santo Cristo (Ecce Homo), mas as dúvidas históricas que envolvem o caso são “resolvidas” por outra história, popular e pragmática, como várias vezes acontece.

Diz essa história que as freiras da Caloura andavam tristes com a falta de fé do povo de Água de Pau, visivelmente afastado das coisas da Igreja, por muito que elas rezassem para unir o “rebanho” do Senhor. Ao mesmo tempo, escreviam ao Papa a pedir uma imagem nova para colocarem na ermida e que conseguisse atrair as pessoas.

 

 

Por essa altura, eram frequentes os assaltos de piratas e corsários nas costas açorianas e a zona da Caloura sofria tantos desembarques e pilhagens que acabaria por verificar-se posteriormente a retirada das freiras e da imagem, mudadas então para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, o qual abriga até hoje a Igreja e Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Mas a lenda conta coisa diferente. Conta que, um dia, uma nau foi atacada por piratas ao largo de São Miguel e que os destroços estiveram muito tempo a dar à costa sul. Foi aí que, uma manhã, as freiras viram um caixote a flutuar perto das rochas, de onde parecia emanar uma luz. Desceram à água, puxaram a caixa, abriram-na e deram com um busto de Cristo, cujo rosto apresentava um olhar vivo e uma expressão serena.

Para as religiosas, era um milagre: o Santo Cristo tinha escolhido São Miguel para aportar, onde o povo tinha fama de ser muito crente, e a população de Água de Pau, ao saber da imagem aparecida, cresceu na sua fé. Rapidamente, essa imagem foi também alvo do culto de toda a ilha, de todo o arquipélago, sem tardar a ser admirada por fiéis de tantas outras paragens.

 

 

Actualmente, no quinto domingo após a Páscoa, Ponta Delgada recebe devotos de muitas bandas e parece alargar-se para conseguir receber toda a gente.

 

 

Fotos (de cima para baixo, da esquerda para a direita):

• Caloura e o convento (ao centro, na foto);

• Convento da Caloura e fachada da capela do convento;

• Convento de Nossa Senhora da Esperança (Ponta Delgada)

com iluminações em véspera da procissão;

• O Senhor Santo Cristo em procissão e tapete de flores;

• Vai passar a procissão...

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Cadáver Esquisito (14)

por João Carvalho, em 21.05.12

1. UM LIVRO, 2. CA...... SARKIS G........N, 3. OLHOS, 4. ESCAVAR, 5. IN VINO VERITAS, 6. TO THE LEFT, AS PERNAS DE STELLA, 7. O MEDALHÃO, 8. O SEGREDO, 9. LABIRINTOS, 10. FRAGMENTOS DE HISTÓRIA, 11. UMA VIAGEM, 12. REVELAÇÕES E MAIS DÚVIDAS13. NÃO PODES APAGAR UM FOGO COM CUSPO

14

A INSPECTORA SONHA COM UM ESQUELETO

 

"Alguns deles sabem mais do que dizem." Enquanto pensava assim, Helena Portas deixava que os olhos voltassem a percorrer as paredes e o tecto do quarto minúsculo, iluminado pela lâmpada fraca do pequeno candeeiro de cabeceira. "Chega-se a inspectora com tanto trabalho e ainda a gente tem de sujeitar-se a ficar numa espelunca destas."

A espelunca alvo da queixa que Helena acabava de apresentar aos seus botões era a única pensão da aldeia, cuja vantagem consistia simplesmente em ficar situada nas proximidades das ruínas d' Os Freixos e de permitir que a inspectora se mantivesse perto dos envolvidos no caso.

Às tantas, os seus olhos já não passavam as imagens das paredes e do tecto ao cérebro, que estava cada vez mais ocupado com a tentativa de reunir elementos que fossem úteis para a investigação.

Helena insistia com os seus botões: "Alguns deles têm de saber mais do que dizem." Mas não podia queixar-se: Helena não lhes dera conta do mínimo que os deixaria enquadrar o crime que a levara à aldeia, o que gerara certamente desconforto entre eles. Por isso, era natural que também eles a recebessem com frieza e desconfiança. Tinham-lhe até dito qualquer coisa sobre o facto de lhes ter aparecido à frente sem qualquer mandato. "Que atrevimento, o deles." Mas estava visto que ia precisar de progredir com muito tacto, sem dúvida.

Pegou no telefone sobre a mesa-de-cabeceira. Nada. Estava mudo como as paredes e o tecto. Pousou-o, saiu do quarto, desceu os dois lanços de escada até ao balcão da entrada e dirigiu-se ao ensonado empregado.

— Queria um café no quarto, por favor.

— Café não é possível – respondeu o homem quase num bocejo. – A máquina está avariada.

— Podem levar-me um chá, então? – indagou Helena, contrariada.

— Está bem, minha senhora.

Novamente no quarto, a inspectora tentava reunir mentalmente o que sabia para mais tarde encaixar tudo com a lógica possível. O chá não era realmente o que queria, mas os goles pequenos na bebida que quase lhe queimava a boca estavam a despertar-lhe as celulazinhas cinzentas para relembrar os personagens com quem estivera nesse dia e aos quais iria seguramente dedicar toda a sua atenção por uns tempos. "Dois deles vão ter de me explicar muito bem o passado enevoado que procuram alegadamente disfarçar. Basicamente, dar-lhes-ei uma janela de oportunidade, mas eles terão de pôr a verdade em cima da mesa."

Helena sabia bem o que queria arrancar desses dois. "João Cosme foi cego e vai ser preciso saber o que aconteceu durante o incêndio d' Os Freixos para ele ter recuperado a visão sem mais nem menos nessa altura. Depois, há ainda aquela Valeriya, que se pensava ter morrido nas chamas e que agora está de regresso à vida sem que se perceba por onde andou. Correu à boca fechada na aldeia que ela costumava aparecer no bosque em noites de trovoada como uma alma penada, com uma caveira nas mãos. Uma caveira sorridente, imagine-se!"

Na cabeça da inspectora avolumava-se e adensava-se o turbilhão que lhe tomava os sentidos. "Alexander, o pianista que morrera, por exemplo: que saberão os outros dele? Alguém desconfiará que foi o homicida? Quem teriam sido os seus cúmplices?" O dia seguinte prometia ser duro e ia mesmo requerer grande tacto nas abordagens.

Tudo isto Helena desfiava pela noite adiante, até se recordar do pequeno segredo do professor José Augusto. "O homem faz uma vida recatada, quase humilde, mas esconde um velho e imaculado Bentley branco n' Os Freixos, por trás daquela torre sinistra. Quem saberá disto? Por que esconde ele o carro e como é que o tem?" Na Judiciária tinham-lhe dito, antes de partir, que havia de aparecer algures uma luxuosa limousine clássica que já pertencera a uma 'bifa' chamada Stella. "Deve ser esse, o carro misterioso."

Já deitada na cama, a inspectora decidira que, no dia seguinte, começaria a participar-lhes os dados mínimos que pudessem ajudá-la a tê-los na mão e a fazê-los abrir as bocas. E adormeceu para um sono irregular e agitado, com imagens que se confundiam e em que se destacava um cadáver esquisito. Por sinal, já mais esqueleto do que cadáver. Ainda por cima, um esqueleto com os olhos inflamados. Que sonho mais estranho. Um esqueleto com os olhos inflamados? Ninguém conseguiria dormir descansadamente com um pesadelo destes atravessado nos miolos, lá isso é certo.

De manhã, ainda cedo e já a pé, Helena parecia o Zorro. Ou um dos irmãos Metralha. Era das olheiras.

 

(Este é o décimo quarto capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Laura Ramos.)

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Se não beber... (46)

por João Carvalho, em 19.05.12

... tente conduzir.

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Donna Summer

por João Carvalho, em 17.05.12

 

LaDonna Adrian Gaines

31 de Dezembro de 1948 – 17 de Maio de 2012

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Cada vez mais nódoas

por João Carvalho, em 15.05.12

 

A notícia é de ontem e não deve ter escapado à maioria dos portugueses: Portugal passou a ser o quinto maior exportador mundial de tomate concentrado. Ou seja: já não nos chegava o lodo em que estamos enterrados, para agora sermos vítimas deste cenário tão incómodo. Concentrado, ainda por cima. E o que isto agrava, senhores, as nódoas nacionais? Livra!

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Transportes públicos? (67)

por João Carvalho, em 15.05.12

 

Um transporte como deve ser pode fazer-nos sentir em casa...

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Novos táxis em Nova Iorque

por João Carvalho, em 12.05.12

 

O popular yellow cab de New York City vai ser substituído:

 

 

este modelo criado pela Nissan é destinado a convencer os republicanos...

 

 

... e este modelo criado pelos republicanos destina-se a servir os democratas.

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Se não beber... (45)

por João Carvalho, em 12.05.12

... tente conduzir.

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