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O Blog da Semana

por Helena Sacadura Cabral, em 07.01.17

Desta vez a minha escolha vai para o Pedro Rolo Duarte e o seu blog em http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/.

É muito difícil explicar qual a razão que nos leva, numa determinada semana, a escolher um blog e não outro, dos vários dos quais gostamos. Por isso não explico a opção. O blog do Pedro exemplifica muito bem a forma como ele olha o mundo que o rodeia e nos rodeia, sem grandes complacências e procurando sempre ser imparcial na leitura que faz dos acontecimentos. Eu gosto muito e conheço-o há mais de 30 anos! 

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Feliz Ano Novo

por Helena Sacadura Cabral, em 28.12.16

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A todos os que pacientemente me leram durante o ano que agora finda, eu desejo que 2017 traga a cada um a sua dose de felicidade!

 

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Aos meus amigos neste Natal

por Helena Sacadura Cabral, em 21.12.16

Contei meus anos

E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente

Do que já vivi até agora

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras ele chupou displicente,

mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

Cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,

para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias

que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas

que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigam pelo

Majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

Minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

Muito humana; que sabe rir de seus tropeços,

não se encanta com triunfos,

não se considera eleita antes da hora,

não foge da sua mortalidade.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM,MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

(Poema de Mario de Andrade)

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Surpreendente mundo este!

por Helena Sacadura Cabral, em 05.12.16
A política na Europa tornou-se imprevisível. Espanha, Áustria, Inglaterra, Itália e em breve a  França deram cabo de todas as sondagens feitas para eventos políticos eleitorais. O que mostra uma de duas: ou as agências não percebem nada do que fazem, ou a realidade ultrapassa, em muito, as bases em que aquelas assentam. De facto, o desacerto tem sido excessivo.

Parando um pouco para olhar o mundo, vemos que a América não vai melhor e o Oriente é um potencial foco de infecção. Isto para não falar já das complicações de Moçambique, do anúncio  da retirada de José Eduardo dos Santos em Angola, do Brasil ou de Cuba.

Levámos oito dias a acompanhar a subida aos céus de Fidel de Castro, com votos de louvor na Assembleia da Republica, cujos deputados, dada a sua tenra idade, não devem perceber bem que Fidel teria todo o direito a estas homenagens se tem morrido em 1959. Mas como faleceu em 2016, nem sei como as classificar... É este o surpreendente mundo novo em que vivemos!

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So long, Leonard

por Helena Sacadura Cabral, em 12.11.16

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Ando deliberadamente em época de más noticias. Leonard Cohen foi o meu companheiro de momentos menos felizes em que só ouvir a sua voz me tirava de amarguras. E foi também companheiro fiel das musicas que, ao som da sua voz, dancei nos braços de quem amava.

Só isto bastaria para sentir a sua partida. Acresce que gostava e gosto do que escreveu. Às vezes e sem sabermos bem porquê há almas que tocam a nossa e ficam para sempre ligadas às recordações que não queremos esquecer.
Com Cohen, como com Aznavour, a idade não conta, porque aquilo que nos toca é intemporal. Vou, por isso, ter muitas saudades deste velho canadiano, que foi jovem ao mesmo tempo que eu.

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Mas afinal o que é que o homem tem?!

por Helena Sacadura Cabral, em 08.11.16

A.jpegNão sou muito de me interessar pela vida alheia. Acho a minha muito mais interessante e chega-me perfeitamente. Acontece que a telenovela da CGD atingiu tais proporções, que hoje dei comigo a aventar que tipo de segredos esconderá a vida daquele Conselho de Administração, para se terem deixado extremar de tal modo as posições daqueles homens? Sim, porque nesta salgalhada não há elementos do género feminino.

Confesso-vos que comecei a seriar razões plausíveis que pudessem explicar a situação e não descortino nada que nos não tenha já acontecido. Por isso, se o Correio da Manhã ainda não descobriu, é porque se trata de algo que nem passa pela minha cabeça. Na qual, é sabido, se passa muita coisa. O resultado é que agora sou eu eu que, pela primeira vez, gostava de saber aquilo que António Domingues e os seus muchachos tanto tentam esconder!

Por onde é que anda o nosso prestigiado "jornalismo de investigação"? Porque será que estão tão caladinhos?! Mas afinal o que é que queles homens têm de tão especial ou tão grave que justififique esta luta intestina?

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Cartas de amor

por Helena Sacadura Cabral, em 31.10.16
Acabei hoje de ler as cartas de Mitterrand a Anne Pingeot, mãe da sua filha Mazzarine, agora uma mulher de 41 anos. São centenas de epístolas que revelam o lado mais privado do homem que ocupou o mais alto cargo político na França.

A intimidade, quando revelada, tem sempre o duplo efeito de nos fazer participar de algo que não vivemos. E se, neste caso, isso pode ter um lado algo perverso, visto que se trata de um triângulo amoroso, noutras circunstâncias pode ajudar a compreender melhor alguém de quem só conhecemos o lado público.

Anne Pingeot e François Mitterrand apaixonaram-se no começo dos anos sessenta. Nessa altura o político francês tinha 46 anos, era casado e pai de dois filhos, e ela tinha 19. Anne tornar-se-ia - nas próprias palavras de François - não apenas a sua amante, mas a mulher da sua vida. 

Esta relação intensa e de enorme cumplicidade só se tornou pública em 1994, quando a revista Paris Match publicou fotografias do então Presidente da República a sair de um restaurante parisiense com a filha de ambos, Mazarine, nessa altura com 20 anos. Este “escândalo mediático” para a época foi, até então, bem protegido pela comunicação social que o conhecia desde há muito.

E se é verdade que Pingeot terá sofrido pelo silêncio que a rodeou e à sua filha, seguramente que a mulher oficial, Danielle, e os outros filhos não terão sofrido menos, já que chegaram a habitar em lados opostos no Eliseu.

O livro "Lettres à Anne", que saiu há cerca de quinze dias em França, deixou-me uma sensação estranha, que pouco tem que ver com conceitos morais – embora eles existam – mas que tem mais a ver com o homem e o conceito de família que estão por detrás daquelas cartas.

De facto, se esta mulher era assim tão importante, porque é que ele se não divorciou da primeira? Se esta filha foi o fruto desse imenso amor, porquê esconde-la tanto tempo dos olhares públicos? E porque é que todas estas personagens aceitaram desempenhar um papel que apenas Mitterrand impunha? Finalmente, o que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?

Estas são para mim as perguntas mais inquietantes. Da resposta a qualquer delas depende, afinal, a ideia que façamos dos diversos intervenientes nesta história.

Que foi uma impressionante história de amor, parece evidente. Mas que tipo de poder tinha este homem para que ela se tenha desenrolado deste modo?!

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Auto promoção

por Helena Sacadura Cabral, em 26.09.16

 


 


Sairá para as livrarias, no próximo dia 4 de Outubro, o meu primeiro livro de Memórias. O subtítulo de "uma vida consentida" tem um duplo significado. Foi a vida que eu consenti e foi, também, creio hoje, uma vida com sentido.

Explico na introdução o que me levou a escrever sobre mim e sobre uma parte importante da minha existência. É que, afinal, foi ela que permitiu que eu me transformasse na mulher que sou hoje e que, com alguma ousadia, confesso, está bem próxima daquela que eu gostaria de ser.

Foram estes anos que determinaram que se operasse em mim uma verdadeira revolução relativamente à mulher que fui há três décadas. São memórias muito vivas das tristezas e alegrias por que passei e das razões que me fizeram escolher o meu caminho, depois de um divórcio que, tendo-me deixado devastada, acabou por ser determinante para a minha percepção daquilo que eu não queria jamais ser.

Quando o Miguel morreu pensei muito na catarse que então poderia ter sido escrevê-lo. Não o fiz, porque não era essa a minha intenção. Quatro anos passados sobre o seu desaparecimento e com o meu outro filho já fora da política, senti que talvez fosse chegada a altura de dar a conhecer aos que me são próximos - filho, netos, irmãos e amigos - o meu olhar, o meu sentir sobre o valor que atribuo àqueles anos. É que, muito possivelmente, qualquer deles, ao ver-me agora, dificilmente admitiria a mudança radical pela qual passei.

Se este livro permitir que uma pessoa compreenda e acredite que sobre os destroços de uma vida que apenas se consentiu se pode construir uma outra, essa sim, consentida e com sentido, eu já me sinto gratificada. 

Não sei se escreverei um outro sobre o que vivi quando já era dona de mim própria. Acredito que talvez venha a fazê-lo, porque os anos que se seguiram tiveram momentos de uma enorme e inesperada felicidade. Será, no fundo, contar a história de uma mulher cuja verdadeira vida se descobre e inicia pelos quarenta anos. E essa história é, felizmente, completamente diferente da que acabo de escrever. Na forma e no conteúdo. Enfim, na vida vivida.

É que, até àquela idade, limitei-me a aprender a viver e a escolher, com algum sacrifício próprio, o que me parecia ser melhor para aqueles que me rodeavam. A partir dela o processo altera-se, e eu escolho não só ditar a minha própria vida como procurar, acima de tudo, ser feliz.  Não tenho de que me queixar porque os anos que desde então vivi superaram em muito os anteriores e, sobretudo os que, por via deles, me poderiam estar naturalmente destinados...

Nota: o livro já se encontra em pré-venda.

Na Wook: 


Na Bertrand: 


Na Fnac:


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Do princípio ao fim (2)

por Helena Sacadura Cabral, em 24.09.16

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“Na Primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma vasta planície -, capaz de tudo arrasar à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. Com uma violência que nem por um momento dava sinal de abrandar, o tornado soprou através dos oceanos, arrasando sem misericórdia o templo de Angkor Vat, reduzindo a cinzas a selva indiana, tigres e tudo, para depois em pleno deserto pérsico dar lugar a uma tempestade capaz de sepultar sob um mar de areia toda uma exótica cidade fortificada. Em suma, um amor de proporções verdadeiramente monumentais. A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada tinha mais dezassete anos que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher. Foi a partir daqui que tudo começou, e foi a partir daqui que ( quase ) tudo acabou.”

 

       In “SPUTNIK, meu Amor”, de Haruki Murakami

 

Considero que muito pouco se poderá acrescentar à descrição feita pelo autor do que seja uma paixão. Quem a tenha alguma vez vivido, saberá disso. 

É assim que o livro abre. Depois, e num só parágrafo, Murakami abalará, em duas linhas, vários tabus da sociedade vigente: o amor entre duas mulheres, o adultério e até a diferença de idades entre duas pessoas que se amam.

Dificilmente alguém, em tão poucas linhas, conseguiria despertar a curiosidade dos leitores para a leitura de uma obra que, numa narrativa on the road constitui, afinal, uma espécie de introdução a um ensaio sobre o desejo humano e à especulação acerca do destino de cada um.

Sou, simultaneamente, uma admiradora do Japão e deste autor. O parágrafo escolhido, julgo, pode ser bastante revelador da alma e do espírito de um povo, cuja literatura só tardiamente tivemos conhecimento.

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É um facto!

por Helena Sacadura Cabral, em 19.09.16

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Cortesias...

por Helena Sacadura Cabral, em 08.09.16

Foi aprovado o prometido "código de conduta" dos titulares de cargos públicos. No comunicado do Conselho de Ministros explica-se que se pretende fixar, num documento orientador, a prática já aceite e reiterada deste exercício.

Para esclarecer todas as dúvidas sobre o que deve entender-se por "ofertas e convites" foi determinado que estas tenham um limite máximo de 150 euros.

O critério das ofertas de cortesia até 150 euros - que se diz ser o valor utilizado nas instituições europeias – permite, contudo, duas ressalvas. Uma, quando  os membros de Governo estejam em funções de representação oficial. Outra, quando "rejeitar uma oferta" de valor superior ao fixado, signifique quebrar o respeito devido por um Estado estrangeiro.

Confesso que não percebo muito deste tipo de protocolos. Confesso que julgo correcto determinar em que circunstãncias o detentor de cargos oficiais pode receber prebendas. Mas também confesso que não deve ser fácil encontrar "um presente à altura das circunstâncias" - entenda-se de um representante do país - por aquele valor.

Pensando um pouco no assunto, verifico que um lenço de seda, uma gravata boa, um par de botões de punho, uma taça Vista Alegre, uma peça de vidro Atlantis, um livro de arte - e são meros exemplos - ultrapassam facilmente aquele valor.

Não moralizo, evidentemente, o assunto, mas julgo que qualquer chefe de protocolo poderá, por este valor - em alternativa aos bombons ou ao vinho nacionais -, oferecer, devidamente emoldurada em casquinha, uma foto do nosso Presidente da República ou do nosso Primeiro-Ministro!

 

Em tempo: Esclareço que, se moralizasse esta questão, a minha proposta seria a de entregar ao Estado todos os presentes oferecidos a quem o representa. Do meu ponto de vista, a cortesia correcta seria essa.

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Ivo Pitanguy

por Helena Sacadura Cabral, em 07.08.16

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Nunca fiz uma plástica. E espero não fazer, porque isso seria sinal de que algo teria acontecido, que me desfigurara. Nunca critiquei quem as faz, embora pense que elas são, na maioria dos casos, sinal de falta de confiança em si próprio. Mas nada tenho a opor, desde que isso contribua para um maior bem estar pessoal. Só que, ou eu tenho demasiada confiança em mim, ou me acho uma pessoa especial, ou tenho um medo terrível que me estraguem o que possuo, com o qual convivo há imenso tempo, e de que gosto muito.

Há uns anos, num almoço de lampreia em casa de amigos comuns, o meu querido Fernando Póvoas dizia-me que se eu fosse à sua clínica, ele me tirava 5 quilos e eu ficava óptima. Dei uma tremenda gargalhada e disse-lhe que quem levasse o meu coração, teria que levar o pacote todo, incluindo esses cinco quilitos. Continuámos bons amigos, eu não perdi e até aumentei o peso e quem levou o meu coração levou tudo no pacote, sem ter havido reclamação.

Vem isto a propósito da morte de Pitanguy, a quem muitas mulheres devem o terem passado a gostar de si próprias, numa altura da vida em que, acreditam, tudo está perdido. Apesar de não haver nada mais falso!

 

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Saudade

por Helena Sacadura Cabral, em 03.08.16

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Tudo o que se tem passado ultimamente no mundo e particularmente entre nós dá-me uma consciência muito viva do tempo que já vivi. Não sou saudosista e aceito o que a vida me dá e me tira, sem fazer grande alarido, porque cada vez mais me convenço da necessidade do silêncio na nossa entourage.

Ultimamente, talvez por isto, tenho-me lembrado muito de pessoas que já partiram e deixaram em mim uma marca tão profunda que basta um cheiro, uma cor, um olhar, para elas virem imediatamente ter comigo. Sei que tenho saudades delas, porque mais do que a sua ausência, o que eu sinto é uma imensa necessidade da sua presença.
Não se trata de tristeza. Tão pouco de mágoa. É algo de espiritual, uma espécie de elo invisível que liga o lado de cá, o da vida pujante, a um outro lado sensorial, gratificante, mas que não está ao nosso alcance. É com estes familiares e amigos que tenho convivido mais ultimamente e são eles que me têm serenado neste período de férias, em que tanto trabalho tenho tido. Tem sido uma saudade muito boa!

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O blog da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 31.07.16

Pois esta semana a minha escolha recai sobre o BLOG DA GRUPA, em http://blogdagrupa.com/.

Porquê ? Porque é um blog diferente que nasceu de um grupo de amigos, todos muito diversos em ideias e idades, feito por gente um pouco boémia e no qual eu também me incluo.

È um blog que vive muito de fotos e de vídeos, embora não descure a massa cinzenta, como se pode ver pelas crónica semanais dos seus nove fundadores. Tem a marca do humor, da alegria, da abertura aos outros, sem nos pretender massacrar com um "quotidiano sem saídas". Enfim, um blog despretensioso, que anima até os mais pessimistas!

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As comparações de Marcelo...

por Helena Sacadura Cabral, em 14.06.16
Encantado consigo próprio, o nosso Presidente da República continua filosoficamente a divagar sobre Portugal e os portugueses. Desta vez o ataque recaiu sobre os políticos, que são piores do que o povo. E tudo isto dito no dia de Camões e em França, ultrapassando assim o que ele denomina de espaço físico do país.
Senhor Presidente a opinião nacional sobre os políticos é má. Todos o sabemos. Mas será que não lhe compete a si, no desempenho das suas funções, ajudar a desfazer essa ideia, que mais não seja, pelo seu exemplo?
Francamente não percebo que "febre" assolou o mais alto graduado da nação, ao criar - parece um membro do Bloco - tamanhas clivagens entre as elites, os políticos e o povo. Não é, aliás, desse povo que saem uns e outros? Então para quê dividi-los e ajudar a criar uma tão má imagem de cada um deles?
O tema é tanto mais grave quanto o Senhor Presidente não pode deixar de pertencer a ambas as classes atacadas. Por um lado, é um político que sempre fez política e, por outro, integra e corporiza essa elite especial que é a Academia.
Esperemos que não venham mais comparações. Em França ele já ousou dizer que os portugueses são melhores do que os franceses. O que, mesmo em jeito de brincadeira, pode ser diplomaticamente arriscado.
Sugere-se, assim, um breve interregno nestas delicadas comparações. É que, em última análise, elas não  lhe são nada favoráveis!

 

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E onde é que o PR me coloca?!

por Helena Sacadura Cabral, em 12.06.16
Eu sei que há frases infelizes e momentos menos bons. Sobretudo, quando se improvisa. Esta distinção que o PR resolveu fazer entre povo e elites deixou-me, confesso, um bocado abalada.
Explico-me. Estudei sempre em escolas e Universidade públicas. Nesta última tive durante cinco anos direito a uma bolsa distribuída aos melhores, de cerca de 1200 alunos da instituição. 
Dei explicações para pagar aquilo a que a esta não chegava. Fui "sebenteira" - isto é, fazia as sebentas que os professores não faziam - para ter direito aos livros grátis. Tomava os eléctricos de operários às 6 horas da matina para ter direito a uma viagem de retorno sem pagar. 
E sem quaisquer férias, durante todo o curso, ofereceram-me um emprego uma semana depois de o terminar, que aceitei cheia de orgulho.
Depois de tudo isto, alguém me clarifica onde é que o Presidente me coloca, depois das afirmações que fez? Vê-me como povo ou como elite? 
Eu sei que sou povo e me identifico com ele, continuando a trabalhar aos 80 anos para manter a minha dignidade e independência, mesmo depois de tudo o que me tiraram. Mas não esperava que, alguma vez, o homem que chefia os destinos do meu país criasse em mim a dúvida sobre "quem" sou, só porque tive a ambição de tirar um curso superior e de muito ter labutado por ele!

 

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O Senhor Contente e o Senhor Feliz

por Helena Sacadura Cabral, em 10.06.16
Em que país é possível encontrar a comandá-lo esta dupla? Em Portugal, claro. E onde poderia ser mais?
O país tem um PM contente, pese embora os índices que se conhecem não serem exactamente para isso. Esperam-nos surpresas na banca, o investimento não arranca, as importações aumentam e as exportações diminuem. Mas o turismo continua a deixar-nos dividendos apesar de Lisboa, em véspera de eleições, se ter transformado num estaleiro.
O país tem um PR que nasceu para o ser, que diariamente mostra a sua felicidade nas televisões nacionais, e, suprema misericórdia, nem o PC nem o Bloco o hostilizam. Já não há austeridade, apesar de não haver mais dinheiro e de ser novamente com o nosso que a banca se irá financiar. E se for só ela, já devemos dar graças.
Com a CGD, que vai precisar de 4 mil milhões, ninguém parece preocupar-se muito dado que até se encara aumentar o salário dos seus futuros administradores.
Com a emigração também se passam maravilhas. Antes insistia-se nos 500 mil que foram obrigados a sair, mas ultimamente só oiço falar de 250 mil. Não sei se os restantes já voltaram sem que tenhamos dado por isso...
Enfim, o país está sereno, o futebol anima as almas, o PM  está contente e o PR feliz. O que é que se pode desejar mais?!

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Iguais, mas ainda pouco...

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.16

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Há mulheres no Governo, na banca, na bolsa e, dentro de pouco tempo, até no Banco de Portugal, onde há muitos anos Manuela Morgado foi novidade.

De facto, não há nenhuma mulher a presidir a uma empresa do PSI 20, o principal índice bolsista.

Segundo o Jornal de Negócios, as empresas cotadas em bolsa terão de ter pelo menos 20% dos administradores do sexo feminino até 1 de janeiro de 2018. Caso contrário, serão castigadas com a suspensão dos títulos.

A proposta, que hoje vai ser apresentada pelo Governo à Concertação Social, contempla o aumento desse número para 33% até 2020. Se a meta for cumprida, um em cada três administradores das cotadas será uma mulher, na viragem da década.

O destaque continua a ir para a Nos, queconta com cinco mulheres na administração (embora apenas uma, Ana Paula Marques, seja executiva), e para a Galp, cuja vice-presidência (não executiva) está entregue a Paula Amorim, filha do maior acionista da empresa.

A última empresa cotada liderada no feminino foi a EDP Renováveis, até 2012, tendo como presidente Ana Maria Fernandes.

No próximo ano, a meta a atingir é de 33%. A cumprir-se o objetivo, teremos em 2017 uma mulher em cada três dirigentes do Estado, contra as atuais uma em cada quatro.

 

                        ( Retirado da comunicação social )

 

A matéria discute-se há muito tempo. E até  se legisla. Mas poucos cumprem.

Pessoalmente não gosto de quotas, porque elas ainda constituem discriminação positiva e eu não gosto de discriminações. Mal vamos nós, mulheres, enquanto elas forem necessárias...

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A Feira do Livro

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.16

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A quem possa estar interessado, este será o meu horário na Feira do Livro

27/5  das18h às 20h      Clube do Autor e Pengouin Random House/ Objectiva
29/5  das 15às !7h         Pengouin Random House / Objectiva
4/6   das17h às 19h       Clube do Autor e Pengouin Random House/ Objectiva

12/6  das17h às 19h       Pengouin Random House/ Objectiva e Clube do Autor

 
Não só para assinar livros mas para ter o gosto da vossa visita. Apareçam!

 

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Não se esqueça...

por Helena Sacadura Cabral, em 14.05.16

Neste fim de semana  e nos próximos esteja atento e

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Morreu Paulo Varela Gomes

por Helena Sacadura Cabral, em 30.04.16

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"...Todavia, não houve um único dia em que não tenha pensado na morte. Nem um. Ao princípio não receei mas também não compreendi essa Senhora de Negro e, portanto, ofereci-lhe de bandeja as inúmeras oportunidades que, demoníaca, busca dentro de nós para nos fazer a vida num inferno ou para nos levar. É verdade que a vontade de viver teve desde sempre mais poder sobre mim do que a desistência perante a morte ou a ida ao seu encontro -- já não estaria aqui se assim não fora".

Estas são palavras do Professor Paulo Varela Gomes, ao tempo já em luta contra um cancro que há quatro anos lhe aparecera. Escritor, historiador de arquitectura e crítico, vai fazer muita falta a todos quantos o apreciavam e ao próprio país.
A primeira vez que ouvi falar no apelido Varela Gomes foi ao meu saudoso amigo Sérgio Sabido Ferreira, médico que o operou, a quando do golpe de Beja, sob forte fiscalização militar. Não o conhecia de lado nenhum. Fê-lo porque era um homem de carácter e um médico que jurara salvar vidas. 
Depois havia de ouvir falar da amizade que se teceu entre o seu filho Paulo e o meu filho Miguel. Viveram algumas perigosas aventuras juntas e uma delas foi a constituição do MAESL - Movimento dos Estudantes do Ensino Secundário- que deu origem à detenção de cerca de 150 estudantes, entre eles Portas e Varela Gomes.
Nessa ocasião, um energúmeno da PIDE havia de me telefonar às 11h da noite dizendo-me que o meu filho estava detido - tinha 13 anos - tendo-me invectivado de tudo e mais alguma coisa, antes de me dizer que o fosse buscar. Lá encontraria a mãe Varela Gomes e uma centena de pais a aguardar a saída dos filhos. O nosso encontro foi surreal, eu furiosa de ele me não ter avisado, ela orgulhosa da detenção, a dar-me lições de política. Finalmente o Miguel apareceria de cabeça rapada já por volta das 3 da madrugada. Se encontrasse, de novo, o homem que lhe fez aquilo, teria o prazer de o descompor. Isto se não me chegasse a ele para o esbofetear. E eu era uma mulher de mão pesada...
O tempo havia de me tornar sua admiradora, mesmo quando não concordava com ele. Julgo que se terá tornado católico no fim da sua vida. Mas o que me leva a admirá-lo mais ainda foi a dura luta que travou contra essa malvada doença que também levou o Miguel. Adoeceram em tempo próximo e o Paulo subirá ao céu a tempo de celebrar o dia do aniversário do amigo, que é amanhã!

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Abençoados 50!

por Helena Sacadura Cabral, em 20.03.16

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Há muito que defendo que a melhor parte da minha vida começou aos 50 anos, liberta de todos os constrangimentos que até aí me rodearam. Os amigos riem-se, mas reconhecem a verdade dos factos. Até àquela idade, apenas aprendi a viver e a utilizar as ferramentas de que dispunha. E, vá lá, a libertar-me de uns contrapesos que me andavam - sabe-se lá porquê - atrelados.

Acabo de ler na revista Sábado uma noticia em que se afirma que o índice de infelicidade dos britânicos só muda e começa a melhorar quando chegam aos 60. Os resultados foram revelados pelo Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido que interrogou 300mil adultos entre 2012 e 2015 sobre felicidade, satisfação e ansiedade.

Por mim, nem paga a peso de ouro eu voltava às décadas anteriores. Quando me lembro dos 30 e dos 40, lá para trás, até sinto calafrios...
Depois dos 50, e à excepção da morte de um filho, descobri o que sinto ser a felicidade e aquilo que ela nos pode proporcionar. Descobri, na verdade, quem sou e quem quero ser. Nesta idade está quase tudo definido quer na vida profissional quer na pessoal. E a liberdade ousa, finalmente, ser o que nunca foi... Como costumo dizer, abençoados 50 que me permitiram ver, sem óculos, muito bem tanto ao longe como ao perto!

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Na América

por Helena Sacadura Cabral, em 03.03.16

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Depois da "Super Tuesday" tudo começa a ficar mais claro no que ao resultado final das eleições primárias norte-americanas diz respeito.

No campo democrata, creio que Hillary parece imbatível e que Sanders, tido como da ala dos candidatos mais liberais, irá perder. A vida da provável candidata democrática não será contudo fácil, dada a excessiva exposição política que Clinton lhe trouxe.

Mas se o voto negro e o de algumas minorias estiver garantido, é muito possível que a vejamos no lugar que antes foi do marido. O que fazer a este, em caso de vitória, é que me parece uma questão importante, a menos que a Casa Branca deixe de ter mulheres...

Trump, por seu lado, provou que dificilmente alguém o superará no campo republicano. Cruz e Rubio podem arrumar as botas, porque o tempo deles já foi.

O que irão os republicanos fazer com uma candidatura que não corresponde à imagem real do partido? Esta é a outra pergunta que não pode deixar de ser posta...

Parece assim que Hillary, face a Trump, terá a vida facilitada em Novembro. Mas a América, de quem os europeus tanto gostam, às vezes traz tristes surpresas.

Esperemos que não, porque, confesso, há muito tempo que espero que Hillary seja colocada no lugar que, do meu ponto de vista, lhe compete de direito!

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Não havia necessidade...

por Helena Sacadura Cabral, em 26.02.16

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Pessoalmente já exprimi aqui a minha posição relativamente à adopção por casais do mesmo sexo. Entendo que uma criança precisa de amor, seja ele dado pela família tradicional ou pelas famílias que o não são. As unidades familiares de hoje não são iguais às de há meio século e, portanto, os hábitos e os costumes terão de ir-se adaptando.

Na minha opinião, uma criança institucionalizada está pior do que numa família que tem amor para lhe dar, sejam dois pais, duas mães, uma só mãe ou um só pai. E se foi permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que um solteiro adopte uma criança, tenho dificuldade em aceitar que um casal do mesmo sexo não o possa fazer.
Posto isto, entendo de um profundo mau gosto e revelador de bastante desrespeito por quem pensa de forma diferente os cartazes com que o BE resolveu pulverizar o país, usando como símbolo uma pirosíssima imagem de Jesus, com uma frase na qual se afirma que ele tem dois pais.
Uma coisa é defender ideias que se considera estarem certas. Outra coisa é defendê-las exorbitando os limites, para ofender aqueles para quem Jesus representa algo de muito sério. A nossa liberdade termina onde começa a do nosso semelhante. Não havia necessidade!
Eu inclino-me para que estejam a faltar ao Bloco as causas que lhe davam alma. Agora, como situacionistas que são, começam a não ter temas fracturantes e portanto a perder a graça. Estão, de facto, a envelhecer!

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Agenda dos Sabores

por Helena Sacadura Cabral, em 14.02.16

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Cá venho eu estragar a dignidade do DO e falar de comidazinhas. Mas eu sou assim. Uns estão preocupados com o país e nada podem fazer. Eu estou preocupada com a cozinha, onde posso fazer tudo.

Posso tanto, que criei há um mês, um blogue intitulado AGENDA DE SABORES - agendadesabores.blogspot.com -  onde já se encontram 151 receitas, óptimas, saborosas, que dão alegria só de olhar para elas. Comê-las, então, é o nirvana gastronómico, sobretudo enquanto se discutem as opções do Orçamento!

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O blog da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 14.02.16

A minha escolha para o blog desta semana vai para  "A Destreza das Dúvidas" em http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/.

Primeiro gosto do título, depois gosto das dúvidas e finalmente aprecio a destreza de quem as tem. Acresce que julgo muito pertinentes as interrogações que lá se levantam e a qualidade das pessoas que as formulam. Afinal, tudo motivos para que a minha opção recaia esta semana sobre este blogue.

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A rapariga dinamarquesa

por Helena Sacadura Cabral, em 17.01.16

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Apesar de não muito empenhada - não estou nada em clima de dramas cinematográficos - fui ontem arrastada para ver A Rapariga Dinamarquesa. Embora toda a gente dissesse maravilhas do filme, não me apetecia ir vê-lo. Ainda bem que fui, porque obriga a pensar nos nossos preconceitos. Mas que levei um murro no estômago, isso, levei. 

Ainda que o protagonista - Eddie Redmayne - e o realizador - Tom Hooper - sejam ingleses, a película é americana e o ambiente que ali se vive é marcadamente nórdico. Aliás, a principal figura feminina, Alicia Vikander, nasceu na Suécia

A história, muito bem contada e maravilhosamente interpretada  - é difícil saber qual dos dois principais intérpretes é melhor - aborda um tema, ainda hoje muito pouco falado, quase tabu, que é o da transexualidade. 
Senti-me várias vezes transportada aos ambientes bergmanianos e creio que isso não tenha sido um puro acaso. Há naquela história, na forma como o realizador mexe a máquina, algo de Bergman.
A película, baseada no livro de David Ebershoff, com o mesmo título, é uma marcante história de amor inspirada na vida de Lili Elbe e Gerda Wegener e quer realizador quer intérpretes receberam já vários prémios. 
Filme a não perder, para abrir a nossa mente. Mas vá preparado com lenços de papel. Eu, que sou duríssima neste tipo de fitas, fiquei com um nó na garganta que levou algum tempo a desfazer! 

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O meu BdP

por Helena Sacadura Cabral, em 22.12.15

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Cresci como economista no Banco de Portugal e o que hoje sei devo-o muito àquela instituição onde servi - e gosto de utilizar esta expressão - durante mais de 18 anos. Trabalhei com vários governadores, de Jacinto Nunes a Silva Lopes, destacando apenas estes porque foram aqueles que mais me marcaram. 

Tenho um enorme orgulho de por lá ter passado, num tempo difícil e com a primeira intervenção da troika. Felizmente já não estava na casa à época de Vítor Constâncio, que apenas conheci como colega.

Entristece-me ver o que se está agora a passar com o actual governador que apenas conheci num contacto informal, resultante de um pedido que lhe fiz para ser recebida. Fiquei, confesso, com óptima impressão sua, apesar de saber que o problema que lhe pus não iria ocupar a sua atenção. Mas eu cumpri com o que entendia devia fazer e ele fez o mesmo recebendo-me.
O Banco de Portugal foi uma instituição que deu ao país, talvez, dos melhores economistas que tivemos. Hoje parece ter um enquadramento diferente daquele que tinha no meu tempo.
Mas se quisermos perceber, de facto, o que se passou na Banca desde o caso BPN, então teremos que ouvir mais do que Carlos Costa. Teremos que ouvir também Constâncio porque os problemas, a meu ver, começaram ainda no seu tempo e ninguém melhor do que ele para os esclarecer. 
Uma instituição não se degrada apenas pela política de um governador. Degrada-se por muitas outras razões mais. E uma Comissão de Inquérito sobre o Banif terá todo o interesse em conhecer como é que tudo começou. E estar atenta à CGD e à sua evolução, porque também ela poderá explicar alguns pontos desta brisa que varreu a banca nacional. 
A Comissão de Inquérito se quiser levar por diante um trabalho exemplar tem que andar para trás e explicar aos cidadãos contribuintes o que encontrou, o que se fez no passado e as razões que levaram o governo a entender como melhor solução salvar os depositantes, mas sobrecarregar aqueles que pagam impostos.

 

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Gostar e não gostar, eis a questão!

por Helena Sacadura Cabral, em 20.12.15

Gostar e não gostar, eis a questão!

 

Apesar de ter feito análise vários anos e de considerar que ela me ajudou muito a perceber-me e a escutar os sinais que o corpo e a alma me dão para antecipar futuros efeitos funestos, a verdade é que existem algumas pequenas janelas que conseguiram escapar àquele processo.
Uma delas, e talvez a mais significativa, respeita o facto de eu ser perfeitamente capaz de gostar e não gostar, em simultâneo. Explico-me melhor com um exemplo.
Tive sempre com José Mourinho esta ambivalência. Aprecio as suas qualidades profissionais, mas o que mais gosto nele é também aquilo que menos aprecio. Se, por um lado, admiro a convicção, a segurança, a autoconfiança, a frontalidade que sempre manifesta, por outro, irrita-me sobremaneira a arrogância, o amor próprio, a sobranceria, o orgulho, que também tem e que são o reverso da medalha daquilo que ele realmente é.
Assim, como se deduzirá, o special one atrai-me e afasta-me, diria, com a mesma intensidade. Mas não seria verdadeira e aqui é que reside o nó górdio da questão. É que para se poder conviver com este dualismo, tem que se perceber que um dos lados possui algo mais do que o outro, mesmo que a diferença seja, diria, infinitesimal. No caso vertente esse infinitésimo pende a favor de José Mourinho, sabe-se lá porquê. Talvez, admito, porque também é um bonito homem!

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Os coentros

por Helena Sacadura Cabral, em 20.12.15
 

Eu tinha organizado a minha vida toda para não ter que andar na rua nestes dias. Mas, azar dos Távoras, a minha plantação de coentros não chegava para as necessidades e resolvi dar um pulo ao supermercado mais perto de casa, visto que na zona onde vivo foi morrendo de morte lenta tudo o que era comércio de bairro. Agora existem cinco restaurantes, quase pegados uns aos outros, e a única mercearia que sobreviveu pratica preços de monopólio.
O meu problema foi mesmo ter ido ao super porque antes de chegar aos coentros fui "atacada" por uma pessoa que só reconheci quando me disse o nome. E que ficou atónita por eu não me lembrar dela, que não via há cerca de vinte e cinco anos.
Além de me brindar com um "estás na mesma, rapariga", perguntou-me pelo Natal, se continuava a ir para a neve, se estava só ou acompanhada, se agora estava mais cá ou em França, se, se, se. Tive de cortar o inquérito pessoal, mas fiz mal, porque se lhe seguiu a sua história que eu não tinha pedido para ouvir e em que os "ses" de que dependia o seu Natal - eu diria mesmo a sua vida - eram tantos, que nem consigo enumerá-los. E os ditos pareciam, de facto, estar a dar-lhe cabo da existência. 
Quando pude finalmente falar, tentei explicar-lhe que não adianta nada sofrer por antecipação e que, possivelmente, nada do que ela estava a imaginar iria acontecer. Atrevi-me, até, a sugerir-lhe que fizesse o raciocínio ao contrário, ou seja que pensasse na alegria que ia ter porque, "se" Deus quisesse nenhuma das suas pessimistas previsões iria acontecer.
Quando, por fim, cheguei aos coentros já só havia salsa e hortelã...

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Deliciosamente invulgar

por Helena Sacadura Cabral, em 18.12.15

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Não sei se acontece com todos ou se é só comigo, mas a realidade é que, pela primeira vez,  ao abrir a televisão não me dou conta de que estejamos em pré campanha eleitoral.

Nada de nada. Tirando o Prof Marcelo a aparecer a dizer que é candidato, a que já nos habituámos, face à sua forte presença televisiva passada, a única entrevista com pés e cabeça de que me lembro - porque a ouvi com toda a atenção - foi a da Dra Maria de Belém Roseira, que considerei excelente. É verdade que eu aprecio a candidata como Mulher, como pessoa e como profissional. Mas a entrevista foi bastante mais do que isso, e eu congratulo-me pelo facto.
Dos restantes - uma, coitada, ficou sem papéis, levados pelo vento dos Açores - ou nada ouvi ou nada me ficou na cabeça. Também na minha idade já só conservo o importante e pelos vistos não terá sido o caso destes.
Na verdade há muito tempo que Portugal não atravessava um período pré-eleitoral tão morno. A continuarmos assim, não sei se iremos dar pela saída do Prof. Cavaco Silva. Por mim, estou como gosto, sem muito ruído. Tirando as séries político - televisivas que decorrem na Assembleia da República, pode dizer-se que atravessamos um período deliciosamente invulgar!

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Uma questão de amor

por Helena Sacadura Cabral, em 20.11.15
Não serei muito ortodoxa nas questões de natureza familiar. Chamo de família a uma multiplicidade de formas de vida que não assentam no tripé pai, mãe, filhos. Sempre assumi essa posição e ainda há bem poucos dias escrevi para a EGOISTA um artigo sobre o assunto. 

Hoje foi aprovada na Assembleia da Republica a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Ela já era possível para apenas um dos membros do casal, o que constituia algo de manifestamente estranho.

Se vivemos num país em que o casamento de pessoas do mesmo sexo é permitido, julgo que será muito mais importante do ponto de vista afectivo que uma criança possa estar rodeada do amor de dois pais ou de duas mães, do que viver institucionalizada sem o amor de ninguém.

Sei que esta posição não é politicamente correcta. Sei, também, que essas crianças irão, eventualmente, afrontar a maldade e a discriminação de outras crianças e, até, dos seus pais. Mas prefiro tudo isso - que um dia elas irão compreender - a uma criança reduzida a um número da Segurança Social a viver num orfanato, ou o que lhe queiram chamar, sem um beijo, um abraço, um colo que a ajudem a sentir-se amada!

Por isto tudo, posso perceber que muita gente que eu conheço possa estar muito feliz, não ignorando que muitos outros se possam sentir indignados. É a vida!

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Condição humana

por Helena Sacadura Cabral, em 31.10.15

“E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos.

... Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba.”

 

                                                       Padre António Vieira, in 'Sermões' 

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Ninguem se lembrou?!

por Helena Sacadura Cabral, em 08.10.15

Começaram as conversas do PS com os vários partidos. Curiosamente, para já  são as "outras" esquerdas que se estão a arrogar impor condições ao partido de António Costa.

Mas será que no Partido Socialista, quando mais não seja por uma questão de honra, ninguém se lembrou que se há partido que, pelo menos por enquanto, imponha condições, é o PS e não a restante esquerda, seja ela o PC ou o BE?! 

 

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Prontos!

por Helena Sacadura Cabral, em 02.10.15
Eu, que ando bastante despassarada, julguei que tinhamos dois dias de reflexão e que, a partir da meia noite de ontem e até Domingo à noite, poderia voltar a ligar a televisão.
Assim, antegozei o meu pequeno almoço, hoje, tomado a ouvir as notícias. Eis senão quando, ligo o aparelho e sai-me o camarada Jerónimo aos gritos comigo, lá do sítio onde estava, logo seguido da bela Catarina, igualmente zangada comigo, quando eu até a acho uma simpática revelação política. Não esperei mais. Assustada, carreguei no off e a única coisa de que me lembrei foi que, pelo menos, não tinha ouvido os anteriores que, supostamente, seriam os do arco da governação. 
Inspirei fundo e expirei - como lera numa revista que devia fazer - e acalmei um pouco. Vim à net saber o que se passava e descobri o meu engano. É que, afinal, a meditação obrigatória em Portugal é só de 24 horas, poupadinhos que somos nestas matérias de olhar para dentro de nós, ou seja, para dentro do país.
Prontos, como soi dizer-se, logo à noite é que é possível ligar de novo o aparelho, já que no Domingo à noite, por um milagre das rosas, digo dos votos, todos os partidos irão demonstrar que ganharam. 
E, na terça feira - porque na segunda o Prof. Cavaco Silva estará ausente -, também ele dirá, "prontos, vamos lá, então, resolver este problema que temos entre mãos"!

 

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A Origem Transmontana

por Helena Sacadura Cabral, em 30.09.15
"...Uma empresa com o nome (um pouco estranho, há que dizer) de "Origem Transmontana" - e pergunto-me como foi possível ser autorizada uma designação tão enganadora como esta - foi acusada de comercializar produtos que se provou associados a uma doença derivada da cadeia alimentar, felizmente sem consequências mortais."
 
Este excerto pode ler-se no blogue - http://duas-ou-tres.blogspot.pt - do Embaixador Seixas da Costa e eu faço eco dele, porque lhe reconheço carradas de razão. 
Como é que a autoridade competente deixou registar uma marca que corresponde a uma designação de origem? E já agora como é que as autoridades locais e os concorrentes não reclamaram de tal autorização?
A região ficou com a sua imagem prejudicada, o que é profundamente injusto porque a generalidade deste género de produtos alimentares transmontanos é de excelente qualidade 
Este incidente, ao lançar um tal labéu, deveria levar à revisão da legislação que se ocupa de marcas e patentes, de modo a não permitir que tal possa repetir-se.

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Tem melão?

por Helena Sacadura Cabral, em 29.09.15

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Não deve ser fácil para certas pessoas responderem à pergunta "qual a fruta de que gosta mais?". Pois eu sou capaz de responder de imediato à pergunta, depois de uma análise aprofunfada que fiz durante esta campanha eleitoral.
Explico-me melhor. Tenho uma amiga com quem janto frequentemente e que, mal encomenda o prato, pergunta de imediato ao empregado se o peixe ou a carne são mesmo frescos. Claro que a resposta é sempre a mesma. E eu, a rir, lembro-lhe sempre que não há honestidade possível na matéria, porque ninguém lhe dirá "não, minha senhora, o peixinho ou a carninha são de há uma semana".
Pois bem, neste tempo de incertezas, em que a minha vontade de trabalhar - como já aqui referi antes -, não é nenhuma, dei-me conta de que, também eu, questiono quem me serve. Com efeito, quando chega a altura da sobremesa, sai-me sempre um " tem melão?". 
Trata-se, está visto, de uma interrogação igualmente calista. Porém, foi preciso vir esta época de tão densa inquietude, para me dar conta de que, afinal, eu posso responder à questão inicial deste post, acerca da minha fruta preferida. É, de facto, o melão... 
Mas também me tenho vindo a aperceber de que, muito possivelmente, a 5 de Outubro, o melão corre o risco de ser uma das frutas mais consumidas no país. É cá uma impressão que eu tenho, confesso!

 

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A Bimby, a política e eu

por Helena Sacadura Cabral, em 26.09.15

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A Bimby e eu não somos, certamente, compatíveis, porque ela faz tudo aquilo que eu gosto de fazer e não quero que ninguém faça por mim.

Não tem conto as vezes que já me tentaram vender um destes robots, esclarecendo, mesmo, que todos os Chef’s a têm, como se eu fosse um deles. Até o meu filho Miguel – e ambos os meus filhos cozinham bem –, uma vez, se prontificou a oferecer-me uma a meias com o irmão.

É uma luta que tem anos. Tenho seis livros de cozinha publicados, gosto muito de cozinhar, tenho uma biblioteca gastronómica de fazer inveja a muitos especialistas, uso varinha, picadora, liquidificadora e muitos outros utensílios mais, mas nunca usei uma Bimby. E acredito que não será património que deixarei aos meus.

Porquê? Primeiro, porque a julgo uma peça muito cara. Segundo, porque ela me tira o prazer de ser a autora directa daquilo que preparo. Terceiro, porque eu gosto de ver a evolução gradual do que cozinho.

A Bimby parece-se com a política: metem-se nela os produtos e sai sempre o mesmo preparado, seja quem for que a maneje...

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Então não vai à campanha?!

por Helena Sacadura Cabral, em 21.09.15
Se há comportamento pessoal de que me orgulho é o de nunca me ter envolvido nas actividades políticas dos meus dois filhos. Nunca ninguém me viu numa posse, numa campanha, num comício, numa homenagem. Faço uma rigorosíssima distinção entre o que é vida familiar e vida profissional de qualquer de nós.
Amo os meus filhos e não me furtei nunca à sua presença na minha vida, suportando as consequências de ser mãe deles. Mas sempre foi claro entre nós que esse seria o preço a pagar por cada um desejar ser o que é e como é. E, quando um filho me acompanha a um cinema, um teatro, um almoço ou um jantar, tento passar o mais despercebida possível. Foi, aliás, o que também tentei fazer com o pai deles, quando do seu já muito longínquo tempo de frenesim político.
Pois apesar disto tudo ser bem conhecido, acabam de me perguntar se, à semelhança do que se prevê para outros candidatos, eu não iria aparecer na campanha eleitoral?
Fiquei tão atónita com a questão que só me saiu como resposta a frase "certamente que a senhora não me conhece e não sabe com quem está a falar, senão já saberia a resposta". 
A interlocutora ainda tentou esclarecer-me da razão da pergunta. Mas eu gentilmente disse-lhe que não estava interessada em saber os meandros da mesma e, com delicadeza, desliguei o telefone. Ele há com cada pergunta mais idiota! 

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O blog da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 19.09.15

Se estavam à espera que eu indicasse um blog político, intelectual ou filosófico desencantem-se já, porque a minha escolha desta vez vai para o Cinco Quartos de Laranja. Nem mais!

Se estamos em crise, se estamos em período eleitoral, se somos a elite do país, o que precisamos é... alimento. Do bom. Daquele que se faz em casa e que junta a família á roda da mesa, a falar de tudo menos dos temas com que nos têm pretendido intoxicar. Esta, a razão da minha escolha do Cinco Quartos de Laranja. Abasteçam o estômago que a cabecinha já está abastecida. Nalguns casos até demais!

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O pré anúncio...

por Helena Sacadura Cabral, em 07.09.15

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“...Marcelo (o facto de ser conhecido por "professor Marcelo" e não por "professor Rebelo de Sousa" é algo que deve ser ponderado) é uma figura única no panorama público português. À sua notoriedade corresponde um evidente registo de simpatia. Consegue ser popular sem ser popularucho, talvez porque o qualificativo de "professor", isto é, de alguém "que sabe" (ao que quer fazer parecer, sabe um pouco de tudo), introduza sempre uma certa distância face àqueles que o contactam e o ouvem. Ao encontrá-lo na rua, as pessoas sentem que está ali alguém que lhes entra pela casa dentro com regularidade, são naturalmente tocadas por uma espécie de distanciada intimidade, na sensação de que, no fundo, o conhecem, tantas vezes e tão obsessivamente o ouvem falar de tudo e de alguma coisa.”

                                                 

                                   in http://duas-ou-tres.blogspot.pt/

 

É verdade que o Prof. Rebelo de Sousa já esteve outras vezes na Festa do Avante. É verdade que, na actualidade, a crispação relativamente ao PCP é já muito reduzida – muito se deve a essa genuína figura de Jerónimo de Sousa, de quem é muito difícil não gostar – e que são muitos os visitantes que não partilham da ideologia que está por detrás dela. E é verdade que aquele espaço merece ser visitado e tem cada vez maior presença.

Mas também é verdade que, nesta altura de pré campanha eleitoral, a visita do Professor acompanhado por uma câmara de televisão, não deixa de ter um significado político preciso, depois de Santana Lopes ter abandonado o terreno e de Rui Rio não ser claro. E esse significado só pode ser o de um pré anúncio da sua candidatura a Belém...

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Mais espaço...

por Helena Sacadura Cabral, em 06.09.15

Por norma diz-se que a idade traz mais sabedoria e mais conhecimento. Comigo, isso não acontece. Quanto mais envelheço mais consciência tenho do que não sei. E também me importo menos com o facto, já que quer o acessório quer o essencial, tambem vão mudando.
Assim, não personifico o ditado que afirma "quanto mais velhos somos, mais coisas sabemos". No meu caso, o que vou aprendendo substitui o que já sabia e deixou de ter interesse. Assim, em termos de quantidade, não haverá grande variação. Em termos de qualidade terei algum benefício com a permanente actualização.
Mas aqui surge uma outra variável, que respeita à capacidade que cada um tem de absorver coisas novas. E este é o cerne da questão. Há novidades para as quais não tenho, hoje, a mínima aptência ou interesse. Logo passo-lhes ao lado, não chegando sequer a dar-lhes forma de conhecimento. O que me torna menos sábia, mas mais saudável.
Os últimos meses e em particular estes dias que nos separam de 4 de Outubro, constituem a prova do que acabo de dizer. São tão desinteressantes, que nem sequer banham as minhas margens. Assim, fico com muito mais espaço mental livre para aprender coisas novas e de maior utilidade. Trata-se, sem dúvida, de uma das poucas vantagens do envelhecimento. É que aprendemos a ser muitíssimo mais selectivos relativamente a tudo o que nos pretendem impingir!

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Previsões, leva-as o vento!

por Helena Sacadura Cabral, em 02.09.15

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O drama das previsões é a frequência com que elas falham... Mas, quando isso se passa no campo financeiro, os resultados podem ampliar-se muito para além do que se espera.

Decorrido um ano o Novo Banco ainda não foi vendido. Ou seja, os 4,9 mil milhões de euros que o Estado disponibilizou através do Fundo de Resolução – indexados ao défice – fazem com que o sonho dos 2,7% como meta, possa atingir mais do dobro.

Goradas as negociações com a Anbang seguem-se as negociações com a Fosum, que já entrou na Fidelidade e no Hospital da Luz.

Duas preocupações me surgem neste momento, se estas negociações não chegarem a bom termo. Uma, julgar que Maria Luís Albuquerque não poderá cumprir o défice. Outra, considerar que, em Portugal, a China se está a expandir demasiado, num período que me parece o menos propício para tal.

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Play time

por Helena Sacadura Cabral, em 31.08.15

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Jacques Tati encheu muitos dias de um período especial da minha vida, os trinta anos, quando, finalmente liberta de uma série de modelos, me encontrei a mim própria, como pessoa nada modelar, mas muito mais autêntica.
Ir ver o filme Play Time - entre nós Vida Moderna - o único que, penso, nunca terei visto antes, foi uma experiência curiosa.
O Nimas é apertado, com cadeiras incómodas e não usa ar condicionado, circunstância que num país pobre já se vai tornando habitual, embora o preço dos bilhetes, 6 euros, esteja acima do que os baixos salários podem comportar.
Assim, de leque em riste e pernas quase em asana, dispus-me a um retorno aos tempos em que começara a ser feliz. Ao fim do primeiro quarto de hora, não se ouviu um riso na sala e eu temi que a coisa se prolongasse. Felizmente não. O aparecimento de Hulot, essa personagem mítica, alterou tudo e, pelo menos eu, ri com gosto, nalgumas circunstâncias.
Mas o filme vale por muito mais. Vale por um retrato de futuro, por uma crítica à vida robotizada e aos estereotipos sociais que haviam de marcar os anos que se seguiram. E vale pelo decor de interiores que qualquer arquiteto não enjeitaria.
É, sem dúvida, uma película datada. Mas, para quem conheceu aquele play time, é impressionante ver o que a vida mudou em apenas três décadas. É também por isso que vale a pena o sacrifício corporal a que somos submetidos. Que, aliás, se atenuaria se retirassem meia dúzia de filas de cadeiras e distribuissem melhor as restantes.

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"A eleição que ninguém quer ganhar"

por Helena Sacadura Cabral, em 31.08.15

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Durante o mês de Agosto o Diário de Notícias, que voltei a ler, publicou uma série de textos de ficção política que me fizeram lembrar, muito, outros que sob matérias diversas o Monde também publicou. Chamava-se "A eleição que ninguem quer ganhar" e, só título, já dizia quase tudo!

Se escrever sobre a realidade já é um exercício de “fino trato”, fazê-lo sobre o imaginário, com requintes de autenticidade, é um enorme teste à qualidade jornalística do autor.

Durante todo este tempo em que li aqueles exercícios - e com os quais cheguei a dar boas gargalhadas – admiti várias hipóteses para a sua autoria. Uma delas foi Ferreira Fernandes, nome que acabo de confirmar e que, sem qualquer sombra de dúvida, é um dos grandes da nossa imprensa.

Tão importante é, que nos quadrantes em que movo, nunca ouvi uma opinião negativa a seu respeito. Mas, a meu ver, o que nele é absolutamente excepcional é a sua capacidade de – exercendo simultaneamente a profissão e a cidadania – criticar sem liquidar e sem ofender.

Ter em Portugal, nos dias de hoje, essa enorme ousadia e vê-la publicamente reconhecida é algo que merece o maior elogio.

Bem haja, Ferreira Fernandes, pelos deliciosos momentos que, no DN, me fez e faz passar. Volte depressa!

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Cenas da vida quotidiana

por Helena Sacadura Cabral, em 29.08.15

Na maioria dos países, a notícia está no anúncio de que vai ocorrer ou ocorreu alguma coisa. Em Portugal é diferente. Noticia-se algo que não ocorreu.

É assim que Pedro Santana Lopes anunciou hoje que não se candidatava a um lugar para o qual nunca se havia candidatado.

Tínhamos já uma série de candidatos a Presidentes da Republica. Inauguramos, agora, uma lista de não candidatos. Na qual a maioria dos portugueses se pode rever. É isto que eu gosto na política nacional!

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As frases infelizes

por Helena Sacadura Cabral, em 15.08.15

Há frases infelizes. É o caso da proferida por Sampaio da Nóvoa, quando diz ao Expresso: “tenho dificuldades em perceber como é que as pessoas que fracturam tudo, mesmo dentro dos próprios partidos, se podem propor para lideranças agregadoras do conjunto dos portugueses”.

Será que o académico não reconhece a Maria de Belém o direito de se candidatar à Presidência da República? É este o seu conceito de liderança agregadora?

Maria de Belém já tem um movimento de apoio à sua candidatura. Frases deste tipo só servem para o reforçar!

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As palavras desnecessárias...

por Helena Sacadura Cabral, em 14.08.15

Uma pequena visita à blogosfera nesta época estival, já demasiado animada - para meu gosto - com análises políticas, fez-me dar conta de que os adjectivos mais usados nesse tipo de críticas são "a canalha" e "a bandalheira".
Significando ambos quase o mesmo são, todavia, objecto de usos diferentes. O primeiro captou a chamada classe média baixa e o segundo apoderou-se das chamadas elites.
Não haverá maneira, neste país, de se fazerem campanhas sem ataques soezes e pessoais? Será com eles que a abstenção diminuirá? Alguém acredita?!

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Cecil

por Helena Sacadura Cabral, em 03.08.15

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Quando a morte de um leão numa caçada se torna objecto de importância maior do que que o drama vivido pelas pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre, é porque algo, neste mundo, está muito pior do que se consiga imaginar.

Não duvido que a morte de Cecil, o símbolo felino do Zimbabwe, se revista de aspectos muitíssimo lamentáveis. Mas, confesso - e que me perdoem os defensores dos direitos dos animais -, a sorte dos que fogem do inferno africano ainda continua a preocupar-me muito mais.

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O Prémio Internacional da Paz

por Helena Sacadura Cabral, em 27.07.15

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A Fundação Gusi Peace Prize International vai distinguir António Ramalho Eanes com o Prémio Internacional da Paz 2015, que lhe será atribuído em Manila, capital das Filipinas, a 25 de Novembro. 
A distinção é concedida "em reconhecimento da sua carreira e do seu papel como estadista” e pela "contribuição única para a criação de uma paz duradoura, a nível nacional e internacional, nomeadamente no conjunto dos países de língua portuguesa, tanto enquanto Presidente da República como posteriormente, com uma acção cívica de relevo". 
O Prémio Internacional da Paz Gusi - assim designado em homenagem ao capitão Gusi, combatente da II Guerra Mundial, que foi líder político e defensor dos direitos humanos nas Filipinas - é considerado o Prémio Nobel da Ásia - e reconhece o trabalho de individualidades ou organizações que contribuam para a paz e a justiça global.


Os que me conhecem sabem a estima e admiração que nutro pelo casal Eanes que prima, sempre, pela mais absoluta discrição. É por isso com muita satisfação que vejo reconhecido internacionalmente o seu trabalho em prol de uma causa tão justa!

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