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Música recente (122)

por José António Abreu, em 15.08.17

Joywave, álbum Content.

Ao segundo álbum, os nova-iorquinos continuam a fazer pop/rock à base de sintetizadores, mas reforçam a componente ambiental, mantendo quase sempre uma contenção admirável. E depois há a ironia do vídeo abaixo.

 

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Fotografias tiradas por aí (370)

por José António Abreu, em 13.08.17

Blogue_Pilatos2010.jpg

Monte Pilatos, Suíça, 2010. (Para contrabalançar o calor.)

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Música recente (121)

por José António Abreu, em 11.08.17

Randy Newman, álbum Dark Matter.

Aos setenta e três anos de idade, quarenta e nove após lançar o primeiro álbum, Newman - ultimamente mais dedicado a bandas sonoras para a Pixar e similares - relata encontros póstumos entre Sonny Boy Williamson e Aleck Miller (AKA Sonny Boy Williamson II), organiza debates entre ciência e fé, imagina os Kennedy a planear a invasão da Baía dos Porcos, pondera a razão por que foi escolhido pela mais bela mulher que alguma vez encontrou e delicia-se a satirizar Vladimir Putin.

 

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Diário semifictício de insignificâncias (30)

por José António Abreu, em 09.08.17

Pombos (2).jpg

Na A1, entre as portagens de Grijó e a saída de Santa Maria da Feira, dois pombos atravessam-se-me à frente do carro. Quase não travo (julgo também não ser boa ideia travar a fundo em auto-estrada). Ocorrem dois impactos mas não percebo bem em que zona (admito que possa ter fechado os olhos durante uma fracção de segundo). Instintivamente, olho para o retrovisor, à espera de ver os pombos rodopiar no ar. Nada. O carro que vinha umas dezenas de metros atrás de mim continua lá, quiçá um pouco mais distante (o condutor terá travado mais do que eu). Na parte superior do pára-brisas há uma mancha, mas nenhum dano visível. Prossigo. Depois de sair da auto-estrada paro e vou analisar os estragos. Na parte da frente do capot há sangue, no emblema vestígios de penas. O rebordo do capot tem um vinco (merda). Já o pára-brisas encontra-se intacto e o tejadilho, acima dele, parece também apenas sujo. Pergunto-me se terei atingido ambos os pombos (pelo menos evitar-se-ia a tristeza de um ter que viver sem o outro) ou se as marcas na zona superior do carro decorrerão de um segundo impacto com o mesmo.

Olho para o carro imundo e não consigo evitar pensar em todas as outras vezes que pombos o sujaram. Pelo menos desta vez não se ficaram a rir. Ainda assim, não fossem elas maiores e mais pesadas - logo, capazes de provocar mais estragos -, teria preferido acertar em gaivotas, minhas inimigas figadais.

Nunca atropelara pombos. Insectos, mato milhares todos os anos com impunidade total (nem o PAN parece ligar). Há quase vinte anos matei um cão que, numa estrada secundária, saiu a correr de um pinhal (era um rafeiro com ar simpático e na altura fiquei com um nó no estômago, mas quando vi a conta da reparação roguei-lhe meia dúzia de pragas). Pombos, nunca acontecera. Suponho que, nestes tempos politicamente correctos, será inadequado pintar dois risquinhos verticais na lateral do carro, junto ao retrovisor. (Nunca o faria.)

Pombos_contagem (2).jpg

Ainda não lavei as manchas. Desagrada-me ver lá o sangue, mas parece-me ter uma faceta positiva. Nas ruas da cidade, ao verem-me chegar, os peões ficam muito mais cuidadosos.

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Música recente (120)

por José António Abreu, em 08.08.17

Nine Inch Nails, EPs Not The Actual Events e Add Violence.

Há temas dos Nine Inch Nails que me são perigosos. Mr. Self Destruct, abertura do seminal The Downward Spiral, invade as convoluções do meu cérebro como uma droga extraída do pólen de uma planta carnívora. Sob a sua influência, receio mutilar-me com todo o prazer ou - alerta aos guardiães do politicamente correcto - começar a destruir propriedade pública. The Perfect Drug, da banda sonora de The Lost Highway, levou-me a fazer algo que raramente faço: comprar uma banda sonora (há por lá outras coisas boas). Aos longos dos anos, a raiva depressiva de Trent Reznor apresentou flutuações. Nestes dois EPs (um lançado há meses, o outro há um par de semanas), surge razoavelmente intensa - e variada: os dez temas (cinco por EP) incluem momentos de tensão reprimida e momentos de catarse. No que me diz respeito, é capaz de ser boa ideia ir ao YouTube assistir a vídeos de gatinhos.

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Fotografias tiradas por aí (369)

por José António Abreu, em 06.08.17

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Porto, 2017. 

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Música recente (119)

por José António Abreu, em 04.08.17

Manchester Orchestra, álbum A Black Mile to the Surface.

Num registo mais intimista do que em trabalhos passados (ainda que por vezes as guitarras subam de tom), cheio de temas complexos e bem escritos (ainda que por vezes não inteiramente originais), A Black Mile to the Surface prova que os Manchester Orchestra, nascidos há 13 anos, mereciam uma audiência maior.

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Música recente (118)

por José António Abreu, em 02.08.17

Arcade Fire, álbum Everything Now. 

Ora bem. Humm... Há excelentes momentos em Everything Now. A sério. Momentos, no plural. Ainda assim... Em 2005, por alturas de Funeral, os Arcade Fire misturavam sons de forma simultaneamente exuberante e melancólica, mantendo, por entre referências ao passado, vontade de experimentar coisas novas. Já se notava pose, mas ficava submersa no caleidoscópio que a música - e a presença em palco - assegurava. Em 2017, as coisas estão um tudo-nadinha diferentes. A pose aumentou e a sonoridade fechou-se. Aqui e ali, Everything Now parece uma colaboração - bem feitinha e empenhada, sem dúvida - entre os Abba e os Bee Gees, destinada a concorrer ao Festival da Eurovisão (na versão pop-disco dos anos 70, não na versão indie-emo-nerd que tanta alegria deu aos portugueses em 2017). Se não acreditam, verifiquem o tema que dá título ao álbum (nem arranjei coragem para inserir aqui o vídeo). Ora os Abba e os Bee Gees, excelentes como eram a debitar melodias orelhudas, não estão no Top 10 das minhas bandas favoritas. Nem no Top 20. Nem no Top 100. Pelo que... Mas Everything Now tem coisas boas. Mesmo. Só não é - como Will e Régine pareciam pretender - uma crítica aos tempos actuais, de emoções formatadas e reacções instantâneas. Nem sequer uma crítica irónica. Na sua (involuntária) superficialidade, acaba a parecer celebrá-los.

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Fotografias tiradas por aí (368)

por José António Abreu, em 30.07.17

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Porto, 2017. 

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Música recente (117)

por José António Abreu, em 28.07.17

Japanese Breakfast, álbum Soft Sounds from Another Planet.

Em 2013, Michelle Zauner, vocalista da banda Little Big League, regressou a casa, no Oregon, para tratar da mãe, doente com cancro. O projecto Japanese Breakfast nasceu dos temas então compostos, mas Psychopomp, o primeiro álbum, foi apenas lançado em 2016, já após a morte da mãe. O álbum tinha uma sonoridade lo-fi e misturava ritmos e emoções, fugindo - assumidamente - a sentimentalismos excessivos. Soft Sounds from Another Planet é a evolução lógica: menos lo-fi, mais trabalho de estúdio; menos ligações a um acontecimento específico, mais projecto em fase de amadurecimento.

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Música recente (116)

por José António Abreu, em 25.07.17

Terry, álbum Remember Terry.

O segundo álbum do quarteto australiano apresenta mais uma mistura de pop, indie e psicadelismo, em modo low-fi. São canções que poderiam ser cantadas à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum - se à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum fosse fácil arranjar electricidade.

 

(Não, não percebo o vídeo. Juro que, pelo menos da minha parte, não é publicidade encapotada.)

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Fotografias tiradas por aí (367)

por José António Abreu, em 23.07.17

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Ponte Velha do Marnel, Lamas do Vouga, 2017 (hoje).

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Música recente (115)

por José António Abreu, em 21.07.17

Haim, álbum Something to Tell You.

Há inteligência e bom gosto na música das Haim, mas confesso um problema com a maioria dos temas: gosto imenso deles durante o primeiro minuto, um pouco menos no decorrer do segundo, tenho fortes dúvidas no terceiro e já não os suporto ao quarto. A tendência das manas para repetirem refrões ad nauseum, em ritmo e/ou oitava ligeiramente diferente, terá algo a ver com o assunto. Ou então o defeito é meu.

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Música recente (114)

por José António Abreu, em 18.07.17

Waxahatchee, álbum Out in the Storm.

A norte-americana Katie Crutchfield (Waxahatchee é o nome de um rio de 35 km no Alabama) puxa a indie para o lado do rock e assina o seu trabalho mais expansivo.

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Fotografias tiradas por aí (366)

por José António Abreu, em 16.07.17

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Aveiro, 2016.

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Música recente (113)

por José António Abreu, em 14.07.17

Broken Social Scene, álbum Hug of Thunder.

Há meia dúzia de anos, na Sala 2 da Casa da Música, rodeado por cerca de uma dezena de companheiros, entre os quais uma Lisa Lobsinger loura, descalça, ligeiramente imaterial (o meu cérebro já não é o que era, mas há visões indeléveis), Kevin Drew, vocalista principal e centro de gravidade dos Broken Social Scene, descobriu que as calças o apertavam. Sem hesitar, despiu-as e fez grande parte do concerto em boxers (cinzentos). Como outras bandas canadianas que enchem o palco de gente e de som - The New Pornographers, Arcade Fire dos primeiros tempos -, os Broken Social Scene são uma demonstração de harmonia nascida das diferenças - ou mesmo do caos aparente: há instantes em que a unidade da música parece ir desintegrar-se, mas tal nunca sucede. No álbum que lançaram há exactamente uma semana - o primeiro após a digressão que passou pela Casa da Música -, colaboraram 15 elementos, entre os quais Leslie Feist (yay). Hug of Thunder terá menos instantes de caos controlado do que outros trabalhos, mas, na luta contra o desânimo que sempre constituiu a coluna dorsal da sonoridade dos BSS, trata-se de um marco fundamental. Aos lamentos e protestos (em Protest Song, admite-se que We're just the latest in the longest rank and file that's ever to exist in the history of the protest song), sobrepõe-se a noção de que é necessário redireccionar os interesses das pessoas e reforçar o conceito de comunidade. Sem deprimir ou moralizar, antes incentivando e dando esperança: os maus tempos hão-de passar.

 

(Adenda: o tema que dá título ao álbum - vídeo abaixo - é desde já uma das minhas canções do ano.)

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Diário semifictício de insignificâncias (29)

por José António Abreu, em 13.07.17

Encontro o meu velho Sony Ericsson no fundo de uma gaveta. Pego nele, revolvo-o nas mãos. É do final da época em que os fabricantes procuravam tornar os telemóveis do tamanho de cartões de crédito. Dos tempos em que os telemóveis ainda não eram computadores e, mesmo sendo já capazes de tirar fotografias, ninguém os confundia com máquinas fotográficas.

Procuro ligá-lo, sem sucesso. No mínimo, tem a bateria descarregada. Devia deitá-lo fora. Só ocupa espaço - embora pouco (muito pouco).

Lembro-me do prazer que tive ao comprá-lo. Um objecto tão pequeno e fino, impante na sua miniaturização, nas capacidades de ler ficheiros MP3 e de tirar fotos com 2 megapixeis de resolução. Uma espécie de chihuahua particulamente dotado e orgulhoso de o ser. Claro, o orgulho era meu - como o dos chihuahuas também é frequentemente mais dos donos. Três anos depois, acabou relegado para o fundo de uma gaveta.

Ansia-se por objectos. Brinquedos electrónicos no caso dos homens, roupa e sapatos no caso das mulheres. Extrai-se deles o prazer que nem sempre se consegue obter por outra via - pela leitura, pela música, pelo cinema, pela arte, pelo contacto com outros humanos. Consideram-se fundamentais durante uns tempos, depois atiram-se para o lixo. Os caixotes do lixo são depósitos de sonhos cuja validade expirou. Ainda que - como é habitual nos sonhos - possam vir a ser reciclados.

Interrompo as digressões mentais e digo-me novamente que devia deitá-lo fora. Contudo, volto a enfiá-lo na gaveta. Ocupa tão pouco espaço.

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Música recente (112)

por José António Abreu, em 11.07.17

Os Quatro e Meia, álbum Pontos nos Is.

Houve cá na casa quem os tivesse descoberto há perto de um ano; contudo, apenas no final do mês passado ficou disponível o primeiro álbum d'Os Quatro e Meia (o nome advém da circunstância, bastante digna de registo, de um elemento da formação original ser significativamente mais baixo do que os outros quatro). Este tema parece-me muito adequado ao Verão, mas receio que o vídeo cause problemas ao tal meu colega de blogue (perdoa-lhes, Diogo: eles descobriram os óculos de sol e as miúdas com peito avantajado.)

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Fotografias tiradas por aí (365)

por José António Abreu, em 09.07.17

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Porto, 2017.

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Diário semifictício de insignificâncias (28)

por José António Abreu, em 08.07.17

Tenho medo de muitas coisas, mas em nada revelo mais cobardia do que no meu pessimismo. Em momentos cruciais, ainda penso que o melhor vai acontecer.

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Música recente (111)

por José António Abreu, em 07.07.17

Gragoatá, álbum Gragoatá.

Um primeiro álbum, simples e inteligente, de um trio de cariocas onde se destaca mais uma voz feminina límpida (será da pronúncia brasileira?). 

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Diário semifictício de insignificâncias (27)

por José António Abreu, em 05.07.17

Escrevo «abraços e beijinhos» (o mail é para pessoas de ambos os sexos e «cumprimentos» seria demasiado impessoal), mas depois fico a matutar que não tem muita lógica. Beijinhos entre homens são menos comuns e mais íntimos do que abraços. Já um homem beijar uma mulher na face pode ser algo impessoal, mas abraçá-la exige um grau mínimo de intimidade.

Talvez fosse mais lógico escrever «Abraços e/ou beijinhos», deixando ao receptor da mensagem a liberdade da escolha, que poderia ser realizada em função do apreço que lhe merece o despachante. Infelizmente, permaneceriam ainda de fora aqueles elementos do grupo em relação aos quais o que apetece mesmo é enviar um insulto. Ou talvez não: «abraços e/ou beijinhos» funciona igualmente enquanto expressão de um voto (como «felicidades» ou «boa sorte») e o receptor nunca saberá onde se deseja que ele ou ela pouse os lábios.

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Música recente (110)

por José António Abreu, em 04.07.17

Cigarettes After Sex, álbum Cigarettes After Sex.

A sonoridade adequar-se-á mais às noites de Inverno, e ouvir os dez temas de seguida pode revelar-se uma experiência repetitiva, mas existe muito que apreciar no primeiro álbum da banda de Greg Gonzalez, nascida em El Paso em 2008 e tornada conhecida através da Internet. Para os não fumadores (como eu), a languidez da música e imagens como kisses on the foreheads of the lovers wrapped in your arms são mais do que suficientes para apreender o espírito da coisa.

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Fotografias tiradas por aí (364)

por José António Abreu, em 02.07.17

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Porto, 2011. 

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Diário semifictício de insignificâncias (26)

por José António Abreu, em 30.06.17

Confesso que fiquei a observar durante um par de minutos. Nem sequer é preciso entrar, basta permanecer junto à porta ou na zona de transição entre secções. Em tempos, o Gato Fedorento garantia que em Ermesinde era possível encontrar «gajas boas». Incapaz de confirmar ou de desmentir, sei, contudo, onde encontrar «gajas» em elevado grau de excitação: nos saldos da Zara.

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Música recente (109)

por José António Abreu, em 30.06.17

Marika Hackman, álbum I'm Not Your Man

Ao segundo álbum, Hackman mostra-se mais aberta e confiante. As letras contêm ironia, por vezes feroz, e a sonoridade aproxima-se do grunge, fazendo-me pensar num cruzamento entre as L7 e os Radiohead por alturas de My Iron Lung.

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Afinal nada de importante se perdeu em Pedrógão...

por José António Abreu, em 29.06.17

Governo organiza focus group para avaliar os efeitos do incêndio na popularidade de António Costa.

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O expoente máximo da casa de bonecas

por José António Abreu, em 29.06.17

No blogue da semana.

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Música recente (108)

por José António Abreu, em 27.06.17

Algiers, álbum The Underside of Power.

As fronteiras da distopia, em época de extremismos e paranóia.

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Ontem, porém, houve luz na escuridão. O provedor da Misericórdia de Pedrogão Grande induziu Passos Coelho num lapso, de que o líder do PSD decidiu pedir desculpa. Foi a alegria do costismo. Era a sorte outra vez. Mas talvez o sarcasmo do regime tenha desta vez ficado demasiado patente: é que tivemos desculpas do líder da oposição por um pequeno comentário, mas nem uma palavra de contrição do governo pela incompetência e descontrole que mataram 64 pessoas e deixaram mais de 200 feridas.

Rui Ramos, no Observador.

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Fotografias tiradas por aí (363)

por José António Abreu, em 25.06.17

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São Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, 2009.

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Blogue da semana

por José António Abreu, em 25.06.17

Cães e gatos em estilo samurai (o meu horror só é igualado pelo meu fascínio). Um «Restaurante dos Pedidos Errados», onde o cliente pode solicitar hambúrguer e receber bolinhos, dado os funcionários sofrerem de demência (a prova de que é possível ser-se politicamente correcto e politicamente incorrecto ao mesmo tempo). Uma igreja com um metro e trinta e cinco centímetros de largura por quarenta e cinco metros de altura (atenção aos ventos laterais). Fotografias nocturnas de máquinas de venda automática (pelos vistos, há uma por cada 23 habitantes). Um serviço de despertar executado por pescadores (em Caxinas, incluiria certamente linguagem colorida). Pop gloriosamente dançável acerca da indispensabilidade de dançar (um pé-de-chumbo como eu sente-se a desperdiçar a vida). Sapatos de senhora em imitação de pombo (já não basta os cães roçarem-se nas pernas...). E ainda: origami, decoração de bolachinhas, ambigramas, esculturas na areia, lounges de aeroporto, suportes de bicicleta em forma de bicicleta, manga, jardins, refeições em miniatura, livros que permitem a bebés andar às cavalitas de tartarugas, métodos de aprendizagem à base de cocó.

O Japão é um lugar estranho e o Spoon & Tamago é o blogue da semana.
 

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Música recente (107)

por José António Abreu, em 23.06.17

Fleet Foxes, álbum Crack-Up.

Gostei bastante do primeiro álbum (Fleet Foxes, de 2009), gostei menos do segundo (Helpleness Blues, de 2011). Crack-Up vale a pena, mas permitiu-me confirmar a existência de um factor que receio ser inultrapassável: a voz de Robin Pecknold irrita-me à brava.

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Música recente (106)

por José António Abreu, em 20.06.17

Lorde, álbum Melodrama.

Uma surpresa aos dezassete anos de idade, uma confirmação aos vinte. Na música como noutras artes, há imensa gente tentando descrever as ansiedades, as raivas e as desilusões experimentadas no final da adolescência e na transição para a idade adulta. Lorde está entre as pessoas que melhor o conseguem fazer. Melodrama é um álbum mais maduro do que Pure Heroine. Isto torna-o menos surpreendente, mas também mais completo. Ao longo dos 11 temas, passa-se da descoberta à reclusão, da alegria à tristeza, da irreverência à decepção, sem quaisquer indícios do histrionismo que o título poderia deixar antever.

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Fotografias tiradas por aí (362)

por José António Abreu, em 18.06.17

Blogue_FFoz2010_v2.jpg 

Figueira da Foz, 2010. 

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Música recente (105)

por José António Abreu, em 16.06.17

Big Thief, álbum Capacity.

Há mais catarse neste segundo álbum, mas a capacidade para contar histórias mantém-se.

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Música recente (104)

por José António Abreu, em 13.06.17

London Grammar, álbum Truth is a Beautiful Thing.

Quiçá um tudo-nada excessivamente depressivo, o segundo álbum dos londrinos não deixa de confirmar a envolvência da sua música e o poder da voz de Hannah Reid. 

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Fotografias tiradas por aí (359 a 361)

por José António Abreu, em 11.06.17

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Passadiços do Paiva, Arouca, 2017.

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Música recente (103)

por José António Abreu, em 09.06.17

R. Stevie Moore / Alan Falkner, álbum Make It Be.

Não obstante um par de temas menos bem conseguidos, a combinação entre a power pop de Falkner e as tendências para a anarquia sonora (bem como para letras bizarras) de Moore funciona bastante bem, num registo a que talvez se possa chamar irónico-rezingão.

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Música recente (102)

por José António Abreu, em 06.06.17

Pumarosa, álbum The Witch

Passando sobre algumas letras em registo new age, trata-se de um primeiro álbum surpreendentemente maduro. Detalhe revelador: vários temas prolongam-se para além dos seis minutos, uma raridade em época de atenção fragmentada, um risco que poucas bandas novas se atreveriam a correr. Os resultados são excelentes, como se pode constatar no vídeo abaixo, de um tema avançado pela primeira vez em 2015 (que o álbum tenha demorado tanto tempo a chegar só pode constituir um sinal de perfeccionismo).

 

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Fotografias tiradas por aí (358)

por José António Abreu, em 04.06.17

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Porto, 2017.

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Música recente (101)

por José António Abreu, em 02.06.17

Jane Weaver, álbum Modern Kosmology.

Psicadelismo destilado em melodias pop, contornando habilmente possíveis acusações de revivalismo (22 anos de carreira atrás de Weaver ajudam neste ponto).

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Música recente (100)

por José António Abreu, em 30.05.17

Joan Shelley, álbum Joan Shelley.

Um trabalho de Folk contemplativa, no qual os temas são deixados respirar e nenhuma nota - como nenhuma palavra - parece estar a mais.

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Fotografias tiradas por aí (357)

por José António Abreu, em 28.05.17

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São Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, 2010. 

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Música recente (99)

por José António Abreu, em 26.05.17

The Mountain Goats, álbum Goths.

Os Mountain Goats são basicamente John Darnielle, que, desde 1994, já lançou 16 álbuns. Vários abordam recordações da juventude, mais ou menos ficcionadas. Goths contém uma série de histórias sobre inadaptados tentando encontrar um lugar no panorama gótico das décadas de 1980 e 1990. O décimo primeiro tema intitula-se For The Portuguese Goth Metal Bands. Mesmo prestando atenção à letra, ainda não entendi bem porquê.

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Música recente (98)

por José António Abreu, em 23.05.17

Vagabon, álbum Infinite Worlds.

O primeiro álbum de Vagabon (Laetitia Tamko, 24 anos, Brooklyn) é uma pequena pérola de indy rock saltitando entre a fragilidade e a aspereza.

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Fotografias tiradas por aí (356)

por José António Abreu, em 21.05.17

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Porto, 2010.

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Música recente (97)

por José António Abreu, em 19.05.17

Slowdive, álbum Slowdive.

Os ingleses Slowdive surgiram em 1989 e lançaram o primeiro álbum em 1991. Por esta altura haviam sido enquadrados no movimento shoegaze, já a passar de moda. Os três álbuns lançados até 1995 tiveram vendas modestas e foram recebidos com frieza pela crítica. A banda entrou em hibernação. Reanimada em 2014 (um dos primeiros concertos ocorreu no Festival Primavera Sounds, do Porto), lançou um novo álbum há um par de semanas. É constituído por oito temas dominados pelo registo langoroso, de suspensão ou queda lenta (poucas bandas terão um nome mais adequado), que caracteriza o estilo, mas apresenta um nível de bom gosto inegável e toques inesperados (inflexões na música e/ou na voz) que afastam quaisquer ameaças de monotonia.

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Música recente (96)

por José António Abreu, em 16.05.17

Sylvan Esso, álbum What Now.

Os Sylvan Esso foram uma das melhores descobertas que fiz em 2014. Ao segundo álbum, Amelia Meath e Nick Sanborn mantêm a peculiaridade dos ritmos e reforçam a dose de ironia - como se pode constatar nos temas destes dois vídeos: a protagonista de Die Young vê o amor estragar-lhe os planos de morrer jovem, talvez num incêndio ou despenhando-se por uma ravina, e de levar as pessoas a chorar: "Que tragédia, tão cedo"; Radio, por seu turno, é uma crítica feroz ao mundo das pop stars que debitam temas radio-friendly com três minutos e meio de duração, embrulhada em exactamente três minutos e trinta e dois segundos de pop gloriosa.

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Fotografias tiradas por aí (355)

por José António Abreu, em 14.05.17

Blogue_Macro2_2009.jpg

2009.

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