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Blogue da semana

por Rui Rocha, em 18.02.18

Uma praia de lucidez e serenidade em tempos revoltos, mesmo quando o espaço é ocupado pelo cantinho do hooligan. A Origem das Espécies do Francisco José Viegas é o nosso blogue da semana.

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O Luso-portuguesismo

por Rui Rocha, em 12.02.18

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Em 13 de Fevereiro de 2016, a seleção espanhola de futsal sagrou-se campeã europeia. No dia seguinte, os 3 jornais de referência do país tinham grandes manchetes de primeira página sobre tão extraordinário feito, certo? Errado. Não lhe fazem, sequer, uma minúscula referência. Compare-se isto com o que se pode ver hoje no DN, no JN ou até no Público, ou nas aberturas dos jornais televisivos. Com as homenagens, as condecorações e as recepções a que já assistimos ou que já foram ameaçadas nas últimas horas. Uma das características de sermos pequeninos, não de geografia mas de cabecinha, é não termos a mínima noção da real e relativa importância das coisas. Outra, que no fim é a mesma, é este entusiasmo infantil com qualquer sucesso, por irrelevante que seja, em que se ostente a nossa pobre bandeira. Cada vez que um luso-canadiano, um luso-francês, um luso-nepalês ganha na carica, o país abana em espasmo. Quando a gesta é daqueles portugueses mesmo daqui, quase caímos todos ao mar. No sábado, o fulano que exerce de primeiro-ministro, com apenas 5 minutos de jogo decorridos na primeira parte, já festejava um golo no twitter. Dói ser-se tão tacanho. Dói esta doença a que podemos chamar luso-portuguesismo.

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Sim, porquê?

por Rui Rocha, em 28.01.18

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Um manto de espuma no Tejo

por Rui Rocha, em 25.01.18

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Sim, Senhor Pinheiro Ministro

por Rui Rocha, em 24.01.18

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Sapatinho à fosga-se, casaco verde e meia a fazer pandã.

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"Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. O pinhal vai ser pinhal e só é pinhal se tiver pinheiro. Mas, para nós termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro e tenha a boa composição e o bom ordenamento que ajude à sua resistência".

António Costa, 22 de Janeiro de 2018

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O salto tecnológico

por Rui Rocha, em 21.01.18

Um vírus? Agora as escutas foram danificadas com um vírus? Porra. Ainda sou do tempo em que o Pinto Monteiro tinha de cortar as escutas do Sócrates à tesoura.

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Orientar uns bilhetes

por Rui Rocha, em 08.01.18

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#2018

por Rui Rocha, em 31.12.17

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#2018

por Rui Rocha, em 29.12.17

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Bitchcoin

por Rui Rocha, em 21.12.17

Bitchcoin.png 

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- Estou sim?
- Boa tarde. Estou a falar com o Senhor Rui Rocha?
- O próprio...
- Boa tarde, Senhor Rui Rocha. O meu nome é ***** ******* e estou ligar-lhe para efeitos de controlo de qualidade da linha da Via Verde.
- ...
- O Senhor Rui Rocha ligou para a linha da Via Verde em Agosto. Está recordado?
- Bem vê, estamos em Dezembro. Passaram três ou quatro meses...
- Então o Senhor Rui Rocha não se lembra?
- Lembro, claro. Estava a brincar consigo. Nunca me esqueço das chamadas que faço para a linha da Via Verde. Era só o que faltava.
- Nesse caso, vou pedir-lhe que responda a algumas perguntas.
- Muito bem. Mas vou precisar que aguarde uns momentos para eu consultar o meu caderninho onde aponto as coisas importantes que me acontecem na vida por ordem cronológica. Não desligue.
- Er... muito bem Senhor Rui Rocha.
(2 minutos)
- Senhor Rui Rocha?
- Sim.
- Estava só a confirmar que continuava aí. Já tem as informações?
- Ainda não. Acabei de passar Novembro. Estou mesmo a entrar em Outubro. Menos mal qua a chamada não foi em Maio ou em Fevereiro. Mantenha-se em linha.
- (2 minutos)
- Senhor Rui Rocha?
- Sim.
- O Senhor Rui Rocha não está a consultar um livrinho, pois não? Está só a gozar connosco, não está?
- Estou. Mas vocês é que começaram.
- Muito obrigado, Senhor Rui Rocha.

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Os verdadeiros herdeiros da parada

por Rui Rocha, em 13.12.17

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- Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta.
- Conta, Tó, conta!
- Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste que o José Eduardo dos Santos tinha a família toda metida em altos cargos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino... ai como é que se chama o gajo?
- O Eduardo Cabrita?
- Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste esta coisa da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste esta história da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou à filha do Vieira da Silva... ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?
- A Mariana, a Secretária de Estado?
- Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquilo da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou à Sónia Fertuzinhos e digo: o Eduardo dos Santos e a família...
- Ahahahah!
- Depois vou à Ana Catarina Mendes e digo: já viste isto da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois vou ao irmão da Ana Catarina Mendes...
- O que é Secretário de Estado?
- Esse! E digo: e esta coisa da família do Eduardo dos Santos, hã?
- Ahahahah! 
- Depois vou ao Zorrinho...
- E quê, Tó, e quê?
- E digo: e aquilo da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah!
- Depois, ligo à Rosa Matos Zorrinho a desejar-lhe boa sorte nas funções de Secretária de Estado e digo: e aquela coisa da família do Eduardo dos Santos?
- Ahahahah! Que sacana. E depois, Tó, e depois?
- Depois fui ao Carlos César.
- Ahahahah!

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Ensaio sobre a cegueira

por Rui Rocha, em 12.12.17

O ministro Vieira da Silva esteve ao lado de Sócrates mas não viu. Foi membro dos órgãos sociais da Raríssimas mas não descobriu. Queira Deus que nunca tenha recebido um mail do Príncipe da Nigéria.

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Há vidas tristes

por Rui Rocha, em 08.12.17

De entre estas, as daqueles que passam o tempo à espera que aconteçam tragédias nos fogos da Califórnia ou em qualquer outro local para justificar ou desvalorizar o que se passou em Portugal em 2017 são particularmente miseráveis.

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 02.12.17

Não façamos da situação do Infarmed um drama. Em regimes que o simpático Jerónimo e a aguerrida Catarina apoiam, estas deslocalizações de centenas de pessoas por decisão unilateral do Estado são comuns. E nem sempre para locais tão agradáveis como o Porto.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Dos anos terríveis

por Rui Rocha, em 01.12.17

Vamos lá ver, pazinhos. Em 2016 disseram que estava a ser um ano terrível porque morreram o Prince e o Bowie. Agora dizem que 2017 está a ser um ano terrível porque morreu o Zé Pedro. Na verdade, não é bem isso. À medida que o tempo passa, é natural que desapareçam os ícones. Os anos não são nem mais nem menos terríveis. Estamos é a ficar velhos.

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Lá no bairro

por Rui Rocha, em 28.11.17

Isto é uma merda. A Mariana Mortágua esfrega o chão, faz o comer, trata dos filhos, passa a roupa do Costa a ferro, dobra-lhe as camisolas interiores, arruma-lhe os peúgos brancos na gaveta de baixo da mesa de cabeceira. E depois, o gajo anda na rambóia com a EDP. A Mortágua esbraceja, grita, ameaça, diz que faz e acontece. Mas no dia seguinte lá está outra vez com a esfregona na mão ou a coser-lhe as trusses enquanto o fulano vai ter com a outra. Na rua, a Mortágua anda com a cabeça muito direita, caminha muito digna. Mas todo o bairro vê o que se passa. O bardina sabe que é bonito e aproveita-se da fraqueza dela.

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- Não há dinheiro para tudo; 

- Não há problema em deslocalizar trabalhadores mais de 350km;
- Devemos ficar felizes pelo "Portugal cumpridor" das obrigações assumidas junto das Instiuições europeias; 
- As pessoas estão primeiro mas apenas se continuarem a pagar IMI por casas que arderam na tragédia dos incêndios;
- O trabalho ao Domingo pode ser pago em vales de desconto do Pingo Doce.

 

Mais duas semanas assim e temos de pedir a intervenção da troika para nos salvar destes austeritários cegos e fundamentalistas.

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Pergunto

por Rui Rocha, em 27.11.17

Constato que os caríssimos andam por aí a gozar com o Morais Sarmento por este apoiar o Gui Guio. Consideram, portanto, que a coisa funcionaria melhor se apoiasse o Pedgo?

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Notas sobre o Focus Group e assim

por Rui Rocha, em 26.11.17

1 - É óbvio que o governo utilizou o estudo do focus group e o evento de hoje em Aveiro como instrumento de propaganda política. É, pois, uma imoralidade utilizar dinheiros públicos para financiar uma acção promocional descarada de Costa y sus muchachos.

2 - A validade da metodologia e a probidade de quem agora ou antes (Carlos Jalali ou Marina Costa Lobo) conduziu o estudo não estão em causa. Mas o que é claro é que os académicos não perceberam (ou não quiseram perceber) que uma coisa é a validade científica e outra, bem diferente, é a instrumentalização do seu trabalho para uma manobra de lavagem e promoção de imagem à custa do dinheiro do contribuinte. A intervenção de hoje de Jalali, focada na metodologia e na sua credibilidade, é bem o exemplo disso. Não é obviamente esse o ponto fundamental da discussão. É penoso ver alguém com créditos académicos prestar-se ao papel de idiota útil ao serviço dos propósitos do governo.

3 - O evento está, em todo o caso, morto e enterrado. Aquilo não funciona. Não há entusiasmo. Não há sequer aparência de contraditório que crie uma percepção de credibilidade. Nada daquilo é verosímil. Se o que Costa pretendia era projectar uma imagem de proximidade e transparência, tudo o que conseguiu provocar foi um enorme fastio. Não fosse a polémica prévia e ninguém teria suportado aquilo mais de 10 minutos. Assim, os mais resistentes terão chegado aos 15. Este modelo de comunicação não conseguiria entuasiasmar um exército de formigas ainda que lhes acenasse com um pacote de açúcar.

4 - O governo deu este fim de semana dois sinais claros de que se encontra numa situação fragilizada e que sente que perdeu o contacto emocional com os eleitores. Ontem, pôs todos os ministros na estrada, nas mais diversas iniciativas um pouco por todo o lado. Eduardo Cabrita esteve na inauguração do Centro Regional do Sistema de Alerta de Tsunamis, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Centeno visitou a Alfândega do Aeroporto de Lisboa. Manuel Heitor, da Ciência e do Ensino Superior, foi a Matosinhos e a Braga para lançar uma nova iniciativa – «Manhãs Com Tecnologia». Hoje, foi o que se viu. Uma tentativa falhada de falar com o país em ambiente controlado, fazendo lembrar, nos propósitos e no contexto, as Conversas em Família de Marcello Caetano. Seguramente, não será pondo os membros do governo a esvoaçar como libelinhas tontas ou com iniciativas de comunicação postiças que Costa recuperará da imagem que, por sua inépcia, viu degradar-se nas últimas semanas.

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Muita força

por Rui Rocha, em 25.11.17

"Venha cá, querida. Venha cá ao Costa. Tem de ter muita força, coração. Muita força, hã!!! E em Novembro não se esqueça de pagar a prestaçãozinha do IMI da casa que ardeu, meu anjo."

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O mundo está perigoso

por Rui Rocha, em 19.11.17

Um dos riscos de situações como a que está a acontecer em Angola é provocar fenómenos de imitação. A certa altura, Vieira da Silva pode cair na tentação de tentar substituir todos os parentes de Carlos César que trabalham na Administração Pública por familiares seus.

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Blogue da Semana

por Rui Rocha, em 19.11.17

Tenho ideia que este que vou indicar já foi blogue da semana aqui no DO alguma vez. Mas se foi (não fui confirmar), presumo que tenha sido pelas razões erradas. Pela política, pela religião, pela literatura, pela educação, enfim, coisas que não são propriamente entusiasmantes. O que distingue verdadeiramente o Destreza das Dúvidas é o conhecimento de roupa interior feminina e é por isso que devem ir lá ver. Para além disso, concedo, alguma daquela malta parece ter lido uma coisa ou outra do Kahneman, o que também lhes fica bem.

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Qual é a tua desculpa?

por Rui Rocha, em 16.11.17

Ao fim de sete ou oito de negação, já consegues encarar a realidade. Deixaste-te enganar pelo Sócrates. Acreditaste nas teorias da conspiração, leste os postes do Peixoto com devoção, ouviste embevecido o Galamba, admiraste a sagacidade do surfista prateado Adão e Silva. Não chegaste a participar em manifestações públicas de desagravo, mas sozinho na tua casa de banho também tu entoaste "Sócrates sempre" enquanto sentias um arrepio angustiado pelos atropelos ao estado de direito ao folhear o primeiro livro. Tudo bem. Demoraste muito mas enfim. O tipo é bom naquilo. Orquestrou bem a coisa. Também há quem acredite nos mails do Príncipe da Nigéria. Estavas indefeso e não imaginavas que fosse possível chegar a tal grau de manipulação. Escrevia bem o sacana do Peixoto. Tão modernaço, o Galamba. E o Adão e Silva? Uma vez até citou o Rawls e o caralho. Tudo bem. Mas e quanto ao Costa? Qual é a tua desculpa?

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Costa, o farolzinho da solidariedade

por Rui Rocha, em 14.11.17

Quer dizer então que o Costa, o príncipe da política, o estadista das emoções, esse ser empático e altruísta, o farolzinho da solidariedade, o alfa e o ómega do humanismo, bem como a maioria que suporta o seu goverrno, os de esquerda, os das pessoas, os dos direitos, dos progressos e das conquistas, das indignações, do diabo a quatro, aprovaram um regime de compensação pela tragédia de Pedrógão que deixa de fora os feridos graves, seres humanos que ficarão indelevelmente marcados para toda a vida por consequência da incúria de um Estado que os deixou abandonados à sua sorte? Pois muito me contam.

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Enviei para o Panteão

por Rui Rocha, em 11.11.17

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Separados à nascença

por Rui Rocha, em 01.11.17

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A semiótica do cenário

por Rui Rocha, em 30.10.17

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Quando a tua imagem ficou claramente afectada e precisas urgentemente de projectar uma ideia de consistência e credibilidade, como deves organizar o cenário da tua entrevista? Precisamente. Carros de bombeiros em exposição como se estivessem em parada, mangueiras a esmo, machados e outros adereços espalhados profusamente para que se crie no espectador a percepção imediata de que o que se vê é tudo menos realidade. É de génio. Aliás, a entrevista de Costa no Quartel dos Bombeiros, rodeado de extintores, capacetes e mangueiras, só encontra paralelo nos aviadores ingleses do Allo Allo que andavam com cebolas ao pescoço para passarem por vendedores locais.

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Sobre a moção de censura

por Rui Rocha, em 24.10.17

1 - Não há melhor justificação para uma moção de censura ao governo do que a morte trágica de mais de 110 portugueses em circunstâncias em que foi evidente o compadrio na nomeação para funções de liderança da Protecção Civil, a completa desorganização de meios, a imprudência na avaliação de informação que permitiria prever e prevenir o que veio a acontecer, a ausência de qualquer intenção voluntária de confortar as vítimas e tomar medidas estruturais e a boçalidade, frieza e falta de vergonha do discurso.
2 - Medidas legislativas adoptadas há 3 anos em matéria de liberalização do eucalipto, certas ou erradas, não podem ser consideradas causa directa de nada do que aconteceu. É do mais elementar bom-senso e afirmar o contrário é demagogia barata.
3 - Em todo o caso, se tivéssemos que fazer um exercício constante de avaliação do passado para aferir a legitimidade de posições presentes, dificilmente poderíamos aceitar soluções governativas suportadas por partidos que apoiam regimes que conduziram milhões de seres humanos à morte e à miséria ou um governo de um partido que levou o país à bancarrota há seis anos.

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A responsabilidade do governo

por Rui Rocha, em 18.10.17

Não, fofinhos. O problema do governo não foi apenas o da gestão catastrófica da comunicação enquanto a tragédia estava a decorrer. A questão não é só a do "safem-se" do secretário de estado, do "habituem-se" do Costa ou das "férias" da ministra. Está é uma parte que impressiona pela frieza, pela boçalidade e pela estupidez. Mas o ponto da responsabilidade política do governo é muito mais vasto. Foi este governo que decidiu substituir a estrutura de comando da Protecção Civil com base em critérios estritamente partidários e oportunistas. Foi este governo que geriu com evidente reserva mental todo o processo de apoio às vítimas de Pedrógão. Foi este governo que decidiu, já com mais de 60 mortos no cadastro e por motivos puramente economicistas, reduzir significativamente o dispositivo de combate a incêndios quando as condições meteorológicas aconselhavam extrema prudência. Estas foram opções políticas concretas e tragicamente erradas que não podem ser escondidas atrás das alterações climáticas ou de décadas de política da floresta e de ordenamento do território. Não reconhecer isto é reconhecer que não se tem vergonha.

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Relato de uma noite no inferno

por Rui Rocha, em 16.10.17

Dezasseis de Outubro de 2017. Deixei o Dinis na Almirante Reis à uma da manhã. Tive de o trazer de Braga de carro porque hoje tem pela manhã a primeira frequência no Técnico e a circulação de comboios esteve várias horas interrompida. No sentido de Lisboa, a viagem foi um martírio: fogos por todo o lado, o ar está irrespirável, estradas cortadas, na A1 não se transita, a A17 também foi interrompida. Safei-me em Aveiro para a 109 em direcção à Figueira da Foz, segui por Ílhavo, Vagos, Cantanhede e cheguei a Coimbra sempre com chamas a rasgar a noite. Entro finalmente na A1. Há em vários pontos labaredas ao lado da estrada com 3, 4 metros de altura, faúlhas por todo o lado. Nestes sítios, só não foi cortada porque manifestamemente ainda não tinha ali chegado qualquer autoridade. Por alturas de Leiria, a Leonor liga-me. A dois passos de nossa casa estão moradias a arder. Um lar de idosos de Braga foi evacuado. Antes, uma amiga do Dinis tinha telefonado. Tem familiares na zona de Pedrógão. A aldeia onde vivem estava cercada pelo fogo. À uma de manhã inicio o regresso a Braga. Por alturas de Torres Novas a A1 estava cortada. Entrei na noite por Minde, Ourém, Fátima, Pombal. Sempre fogo, sempre mais fogo.  Até chegar a Braga quase já de dia ainda ouvi a intervenção do primeiro-ministro na Protecção Civil umas três ou quatro vezes, a cada noticiário. Uma noite de inferno. Mas podem ficar descansados. No Terreiro do Paço não havia incêndios.

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Depois de na semana passada ter convocado uma conferência de imprensa para se mostrar indignado com o arresto de bens que afirma não lhe pertencerem, Sócrates deu ontem uma entrevista à RTP. Aqui ficam algumas notas que provam que continua a ser muito mais fácil apanhar o antigo primeiro-ministro do que um coxo:

 

1 - Sócrates reconheceu que pediu um empréstimo de 15.000€ há muitos anos a Carlos Santos Silva. Não se lembra para quê. É natural. Em contrapartida, aqui há uns tempos, lembrava-se dos pormenores do Portugal-Coreia de 1966.

 

2 - De acordo com o próprio Sócrates, Carlos Santos Silva emprestou-lhe umas centenas de milhares. Mas Sócrates, em vez de lhe dar 7 quadros para abater à dívida, ainda os trocou por um Júlio Pomar.

 

3 - Sócrates reconhece que pediu centenas de milhares de euros ao amigo para financiar o seu nível de vida. O jornalista pergunta se vive hoje em dia com empréstimos do amigo. Sócrates Indigna-se com o jornalista por este perguntar se vive com empréstimos do amigo.

 

4 - Um dos argumentos principais de Sócrates é que ninguém (ele muito menos) teria 30 milhões de euros em nome de outra pessoa (Santos Silva, no caso) sem possuir qualquer documento que lhe permitisse exigir a devolução dessas importâncias. É muito curioso. Porque é o mesmo José Sócrates que acha naturalíssimo que Carlos Santos Silva lhe tenha emprestado 600 mil euros sem que tenha sido assinado qualquer documento que garanta o reembolso da dívida.

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A República dos Bananas

por Rui Rocha, em 13.10.17

Vieira da Silva não sabia. Pedro Silva Pereira nunca suspeitou. A Augusto Santos Silva jamais lhe ocorreu. António Costa, o experimentadíssimo político, o exímio negociador com faro de perdigueiro e intuição de predestinado, desconhecia completamente. O Carlos Santos Silva era o testa-de-ferro. Estes eram os cabeças-de-vento.

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É Tempo de Agir

por Rui Rocha, em 11.10.17

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1 - O Expresso noticia que o Ministério Público ordenou o arresto de 3 apartamentos que a mãe de José Sócrates terá "vendido" a Carlos Santos Silva.

2 - José Sócrates convoca uma conferência de imprensa para protestar contra o arresto de bens.

3 - Se os bens não são dele por que carga de água está tão irritado? Fala em que qualidade? Se o "verdadeiro" proprietário é o Carlos Santos Silva por que está ele calado? Eu, se me arrestassem 3 apartamentos sem motivo, ficava lixado. Era o que faltava que alguém protestasse por mim.

4 - Mas há mais. Na conferência de imprensa o ex PM afirmou: “Nunca vi, em nenhum lugar do mundo, alguém ser notificado de que vão arrestar os seus bens pela comunicação social.” Conclui-se então que está indignado, como proprietário, por não ter sido notificado pelo MP do arresto de bens que alega não lhe pertencerem. Extraordinário.

5 - Os advogados de José Sócrates não o aconselham, não o poupam à exposição pública da ostensiva contradição.

6 -Apesar de ser mais fácil apanhar José Sócrates do que um coxo, não há um jornalista na sala que o confronte com tudo isto.

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Já reflecti

por Rui Rocha, em 30.09.17

Posso sair da sala ou tenho de esperar que os outros meninos acabem?

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Obras completas

por Rui Rocha, em 28.09.17

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Nada de novo debaixo do Sol

por Rui Rocha, em 27.09.17

Honestamente, não percebo o espanto com a possível vitória de Isaltino em Oeiras. Este não é o país em que Sócrates, depois de levar o país à bancarrota, teve mais de 90% dos votos numa eleição para secretário-geral do PS? Não é João Galamba o actual porta-voz do PS depois de ter defendido até ao extremo do rídiculo as políticas que levaram à intervenção da troika? Não é também aqui em Portugal que muitos dos actuais governantes, impávidos e a começar pelo primeiro-ministro, são os mesmos que fizeram parte de governos do bardina? Então, qual é a surpresa?

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O que eu quero é o que vos desejo

por Rui Rocha, em 19.09.17

Saúde, amor e uns sogros como os do Medina.

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Ao Supremo Comité da Delação

por Rui Rocha, em 25.08.17

Camarada Grande Delator,

Envio infra provas irrefutáveis do desvio reaccionário da camarada Rita Ferro Rodrigues da linha igualitária que ambos sabemos ser justa e que ela própria, numa manobra crapulosa de diversão, quis dar ideia de defender em alguns escritos que publicou recentemente. Mas palavras são palavras e a essas leva-as o mesmo vento que também traz as lâminas afiadas da contra-revolução. E actos são actos: a camarada Rita Ferro Rodrigues veste o filho de calções de banho azuis e a filha de bikini cor-de-rosa. O que terá levado a camarada a considerar que peças de vestuário com determinada cor seriam apropriadas para o rapaz e de outra cor à rapariga, levando-a a fazer estas opções? Por que não terá optado por cores neutras? Basta pensarmos um bocadinho e encontrarmos a resposta: estereótipos. Roupa rosa para meninas. Azul para rapazes que o rosa é "paneleirice". A camarada dá assim continuidade a uma linha retrógrada de estereótipos de género que em nada beneficia a luta pela igualdade. Pela igualdade, Camarada Grande Delator! É preciso estar atento aos avanços da sociedade, às conquistas que têm vindo a ser feitas nos últimos anos em matéria de igualdade de género e que tanto custaram a alcançar. Negar o óbvio é andar para trás. As nossas raparigas não precisam de ser guiadas através de um labirinto rosa. Elas sabem qual é o caminho e vão trilhá-lo, por mais ondulante e sinuoso que seja. A camarada Rita Ferro Rodrigues sabe-o também mas tal não impediu que adoptasse relativamente aos filhos um comportamento condenável e reaccionário. Não serei eu a sugerir quais as medidas que devem ser adoptadas porque essa é uma missão que cabe ao Supremo Comité da Delação e, especialmentem a ti, Camarada Grande Delator. Mas parece-me que a coisa já não vai lá com processos de auto-crítica como aquele que para mim mesmo decidiste quando, num momento de fraqueza, fui apanhado numa piscina capitalista montado num unicórnio de plástico.

Saudações igualitárias,

Vitor

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A farsa

por Rui Rocha, em 21.08.17

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António Costa em casa restaurada em Pedrógão. Não foi Costa, foi o seguro que pagou. António Costa assiste a missa na Sagrada Família pelas vítimas do ataque. António Costa é ateu. António Costa, ainda em Barcelona, afirma que foi às Ramblas para mostrar aos terroristas que não alterarão a nossa forma de viver. António Costa faz estas declarações rodeado por vários guarda-costas. Eu, de facto, não sei. Mas a certa altura já não vejo diferença entre este tipo e aquele que tentou vender os patos da Avenida da Liberdade a um turista.

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Dão-se alvíssaras a quem puder esclarecer

por Rui Rocha, em 08.08.17

Tenho aproveitado o Verão para fazer caminhada e corrida mas não uso telemóvel preso no braço. Estou a violar alguma lei?

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E agora, Governo?

por Rui Rocha, em 07.08.17

Vamos esquecer que sabemos quem negociou a compra do Siresp. Vamos admitir que o Lacerda é só um tipo com azar e que o facto de todos os processos que mediou darem asneira é mera coincidência. Vamos acreditar que a agora Ministra Tancinha nao sabia de nada naquela altura. Não é difícil. Não sabe de nada agora, também não saberia então. Vamos dar de barato que o Zé Sócrates estava demasiado ocupado a esconder a massa na gruta e a planear as férias em Formentera. Vamos aceitar que o traidor Passos, incapaz de concretizar o plano diabólico de levar o seu povo à miséria, fechou os olhos na esperança de o ver arder em incêndios. Seja. Mas então, fica uma pergunta: perante a evidência da absoluta imprestabilidade do sistema, o que vai o actual Governo patriótico de esquerda fazer? Denuncia o contrato? Pede indemnização? Tenta renogociar? Sim, é isso: afinal de contas, o que vai fazer agora?

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Blogue da semana

por Rui Rocha, em 07.08.17

O tempo pede e a sanidade exige. O Verão é tempo de evasões e no Viaje Comigo da Susana Ribeiro não faltam sugestões. É o nosso blogue da semana.

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Imperativos morais

por Rui Rocha, em 04.08.17

1) Multidão enfurecida decide linchar tripulantes de avioneta por considerar que estes deveriam ter obedecido ao imperativo moral de pôr em causa a própria vida para não provocar danos à integridade física de terceiros;
2) Multidão enfurecida percebe que, para linchar os tripulantes, terá de enfrentar 1 (um) basquetebolista com 2 (dois) metros de altura e outro tanto de largura;
3) Multidão enfurecida decide prescindir do imperativo moral que movia a sua sede de justiça para não pôr em causa a sua própria integridade física.

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Simples

por Rui Rocha, em 02.08.17

A vantagem de acontecimentos como os da Venezuela é tornar as escolhas muito simples. Ou estás do lado da decência, ou estás do lado dos filhos da puta.

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Para o ano é que vai ser

por Rui Rocha, em 31.07.17

"Eu próprio acompanharei muito de perto para ter a certeza de que no pino do Inverno ninguém se esquece do que aconteceu no Verão." - Marcelo Rebelo de Sousa, Agosto de 2016.

 

"Temos ainda dois anos de legislatura, era importante que, no caso que espero que não aconteça das condições naturais serem tão adversas como este ano, podemos poupar a experiência do ano que está em curso e isso passa por aproveitarmos todo o tempo, a partir de Setembro/Outubro, até à Primavera do ano que vem para em conjunto ver o que é que é possível." - Marcelo Rebelo de Sousa, Julho de 2017.

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