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A rolha que faz ricochete

por Rui Rocha, em 24.07.17

A tentativa de impor a lei da rolha em matéria de incêndios vai revelar-se um monumental tiro no pé de António Costa. Na impossibilidade de ouvirem os comandantes dos bombeiros, os órgãos de comunicação social vão virar-se naturalmente para os autarcas e os populares. Aqueles, mas sobretudo estes, estarão obviamente num estado de descontrolo emocional devido ao perigo que enfrentam. Em casa, os espectadores verão pessoas desesperadas prontas para criticar tudo e todos sem qualquer contraponto de informação dos comandantes no terreno. Não vai ser bonito para o governo.

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Mais vale prevenir

por Rui Rocha, em 21.07.17

14 de Julho - Bebidas portuguesas ganham 1 medalha de prata e 3 de bronze no International Spirits Challenge 2017

15 de Julho - Portugal perde final frente à Inglaterra no Euro sub-19 e fica-se pelo 2º lugar

16 de Julho - Joana Vasconcelos e Francisca Laia conquistam medalha de prata no K2 200 metros

16 de Julho - Fernando Pimenta conquista a medalha de prata em K1 5000

20 de Julho - A ciclista Maria Martins, mais conhecida por “Tata”, conquistou a medalha de prata na prova júnior de eliminação no European Track Championship U23 & Junior.

20 de Julho - Surf: Frederico Morais perde final na África do Sul.

 

Há que saber interpretar os sinais e o significado disto é muito claro. Desde que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão e foi convidado para almoçar com o Ferro Rodrigues, os portugueses que participam em competições internacionais, à cautela, recusam-se a ficar em 1º lugar. Alguns, mais prudentes, optam mesmo pela medalha de bronze não vá o Diabo tecê-las. É um comportamento que altera a verdade desportiva mas que se compreende atendendo ao que está em jogo.

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Trump, o nepotista

por Rui Rocha, em 14.07.17

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- Ouve esta, ó Mário, tu ouve-me só esta.
- Conta, Tó, conta!
- Vou à Ana Paula Vitorino e digo: já viste que o Trump colocou a família toda em altos cargos do Estado?
- Ahahahah!
- Depois vou ao marido da Ana Paula Vitorino... ai como é que se chama o gajo?
- O Eduardo Cabrita?
- Isso. O Cabrita. Vou ao Cabrita e digo: já viste esta coisa da família do Trump?
- Ahahahah!
- Depois vou ao Vieira da Silva e digo: já viste esta história da família do Trump?
- Ahahahah!
- Depois vou à filha do Vieira da Silva... ai como é que se chama a filha do Vieira da Silva?
- A Mariana, a Secretária de Estado?
- Isso. A Mariana. Vou à Mariana e digo: já viste aquilo da família do Trump?
- Ahahahah!
- Depois vou à Ana Catarina Mendes e digo: já viste isto da família do Trump?
- Ahahahah!
- Depois fui ao irmão da Ana Catarina Mendes...
- O que foi ontem a Secretário de Estado?
- Esse! E digo: e esta coisa da família do Trump, hã?
- Ahahahah! Que sacana. E depois, Tó, e depois?
- Depois fui ao Carlos César.
- Ahahahah!

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Demissões

por Rui Rocha, em 10.07.17

Se bem percebo, o Ministério Público demorou um ano a investigar se os governantes que foram ao Europeu de França à custa da Galp foram ao Europeu de França à custa da Galp.

 

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Pensamentos de Verão

por Rui Rocha, em 04.07.17

Em geral, procuro marcar férias assegurando a possibilidade de as cancelar com custos reduzidos para prevenir a eventualidade de não as poder gozar devido a qualquer imprevisto familiar ou profissional. Mas claro. Isso sou eu que tenho uma função muitíssimo importante. Não sou cá a mixuruquice de um primeiro-ministro.

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Boa semana!

por Rui Rocha, em 03.07.17

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Sinalética preventiva

por Rui Rocha, em 01.07.17

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Não quero estar aqui a armar-me em especialista na vigilância de paióis. Só sei que o meu sogro também teve uns problemas de ladroagem lá na vizinhança e acabou por colocar esta sinalética no portão. Custou 4 euros no chinês e foi remédio santo. Partilho para o caso de o Senhor Ministro da Defesa ver interesse em experimentar em Tancos.

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Lalálalálalála-Lalálalálalála

por Rui Rocha, em 30.06.17

Paiol sem vigilância
Siresp sem antena
Camião sem frio
Kamov que não levanta
Somos assim eu e você

Por que é que tem de ser assim
Se a austeridade já teve fim
Nem mil grilos falantes
Vão falar por mim

Lalálalálalála-Lalálalálalála

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Um dos argumentos que tem sido utilizado para justificar a inqualificável ausência de consequências políticas pela tragédia de Pedrógão Grande é que seria mais fácil para a Ministra da Administração Interna sair do que ficar. Trata-se de uma forma completamente enviesada de colocar em questão. Do que estamos aqui a falar é, repita-se, de responsabilidade política e não de responsabilidade individual. Por ser assim, são completamente indiferentes para a discussão argumentos que assentem no impacto da decisão na pessoa de Constança Urbano de Sousa. No campo da responsabilidade política não relevam, por exemplo, considerações de justiça ou injustiça da consequência para a Ministra. A responsabilidade política é, por definição, injusta para o responsável do cargo. A natureza da responsabilidade política é precisamente não haver um envolvimento directo do titular do cargo, um nexo de causalidade evidente, entre as suas decisões e as consequências trágicas. Se esse nexo existisse, estaríamos então a falar de responsabilidade de outra natureza, eventualmente até criminal. Da mesma maneira, não interessa se a Ministra sofre mais ou menos, se lhe é mais fácil ficar ou sair. O que importa é preservar o funcionamento institucional. E a continuação da Ministra em funções enfraquece o governo, não este em concreto mas a instituição, porque, depois destes acontecimentos, Constança Urbano de Sousa é evidentemente uma governante fragilizada.

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Não, senhor. Não mesmo. Por muito que nos queiram fazer acreditar, o maior escândalo jornalístico associado à tragédia de Pedrógão Grande não é um artigo publicado no El Mundo sob pseudónimo, nem a reportagem da Judite, nem a impreparação dos jornalistas, nem a repetição das frases feitas, nem a exploração abusiva dos sentimentos e das emoções. Tudo isso levanta naturalmente interrogações deontológicas e é susceptível de crítica cerrada. Mas há pior. Vejamos os factos. Temos, desde logo, 64 vítimas mortais, ao que parece 12 desaparecidos e centenas de feridos. É uma das maiores tragédias humanas à escala planetária provocada por um incêndio florestal. Temos depois a política da floresta e de prevenção e combate a incêndios mais do que questionável ao longo de décadas. Temos os Kamov que não voam e não servem para combater fogos. Temos o SIRESP cuja aquisição está envolta em suspeitas sérias e que não funcionou em várias situações de emergência já conhecidas em 2016. Temos carrinhas com antenas que não comunicam. Temos uma estrada que não foi fechada e onde morreram mais de quatro dezenas de pessoas. Temos o camião de frio da Protecção Civil que não funciona. Temos a origem do incêndio que é preciso apurar para lá das versões pré-estabelecidas. Tudo isto são factos que um jornalista experiente deveria querer conhecer e aprofundar. Como compreender então que, entre outros, Paulo Baldaia e Fernanda Câncio se tenham apressado, no DN e com os cadáveres ainda quentes, a decretar a inevitabilidade do sucedido? Como é possível que tenham prescindido imediatamente, perante tudo isto, da função essencial de jornalista que é fazer perguntas? Este sim é o elefante no meio da sala do jornalismo português, o escândalo que é preciso investigar. Com que propósito, em nome de que interesses, a mando de quem abdicaram das perguntas para abundar nas respostas?

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Do óbvio

por Rui Rocha, em 24.06.17

É óbvio que o que aconteceu em Pedrógão Grande é uma tragédia de enormes dimensões e que dela têm de ser retiradas responsabilidades políticas. É óbvio que muitas coisas correram mal e é óbvio que, ao contrário do que afirmou extemporaneamente o Senhor Presidente da República, era possível ter feito mais. É óbvio que perante um acontecimento desta gravidade a existência de responsabilidades políticas é a única forma de assegurar que estes temas são geridos no futuro com seriedade. É óbvio que a inexistência de responsabilidade política seria um gravíssimo sinal de laxismo e cumplicidade colectiva com uma situação insustentável. É óbvio que a gestão da floresta e a prevenção e combate a incêndios acumulam décadas de más decisões e de decisões tomadas por motivos errados. É óbvio que nenhum dos sucessivos governos dessas décadas está isento de censura e que os partidos que os integraram (PS, PSD e CDS) são parte da situação a que se chegou. É óbvio quem tem de assumir a responsabilidade política pois de todos esses partidos é óbvio quem está agora no poder e é óbvio que essa responsabilidade política tem de incidir sobre a equipa do Ministério da Administração Interna.

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Ouvi as palavras do Presidente da República sobre a tragédia de Pedrógão Grande. São uma vergonha. O Senhor Presidente afirma peremptoriamente que era impossível ter feito mais. Ora, numa situação destas o que é impossível é saber já se podia, ou não, ter sido feito mais. Dizer o que o Senhor Presidente diz tem o único objectivo de paralisar qualquer investigação séria. E o que um país sério faria numa circunstância destas seria apurar integralmente as responsabilidades, se existem, e promover um plano estratégico de prevenção e combate a situações futuras. As palavras do Presidente deveriam ser neste sentido e não no de encerrar apressadamente o tema. Mais tarde ou mais cedo há um preço de irresponsabilidade a pagar por ter um país dirigido por pantomineiros.

 

Leitura complementar: este post lapidar do Henrique Pereira dos Santos.

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QUAE SUNT CAESARIS CAESARI

por Rui Rocha, em 15.06.17

- Mestre, bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?

- Vós, fariseus, sois lixadinhos. Fazeis-me essas perguntas para ver se me apanhais na curva.
- Ehehehe, Mestre. Ficaste entaladinho, não?
- Vós, fariseus, sois tramadinhos. Mas subestimais a minha sabedoria. Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Desembrulhai lá esta.
- Não está mal, ó Mestre. Far-se-á como dizes. Mas agora uma dúvida. A que César entregaremos o tributo? Ao líder parlamentar do PS, à mulher que coordena a Casa da Autonomia, ao filho que é deputado regional do PS nos Açores, à nora que é Chefe de Gabinete da Secretária Geral Adjunta para os Assuntos da Presidência, ao irmão que foi assessor parlamentar durante muitos anos, à mulher do irmão ou à sobrinha da Gebalis?
- Vós, fariseus, sois fodidinhos.

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Parabenização

por Rui Rocha, em 10.06.17

Aproveito este espaço de discussão franca e partilha de opinião para enviar os meus parabéns ao poeta Manuel Alegre pela atribuição do Prémio Camões. Apresento ainda sinceras desculpas por não o ter feito mais cedo.

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 04.06.17

Filho de Madonna treina no Seixal. Madonna janta com Nuno Gomes. Filhas de Madonna passeiam em Lisboa com camisolas do Benfica. Madonna despede-se com fotografia no Estádio da Luz. A verdade é que estas visitas de celebridades planetárias têm muitíssimas vantagens para Portugal. Trazem experiências e perspectivas diferentes, despertam-nos para ângulos de análise a que não dávamos a devida importância. Sim, porque maluquinhos que passam o dia a pensar e a falar em futebol a verdade é que ainda não tínhamos suficientes.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

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A ideia, introduzida por Ramalho Eanes e seguida pelos sucessores, agradável à modorra em que gostamos de viver, de que o Presidente da República é o Presidente de todos os portugueses constitui simultaneamente a negação da democracia e da política. Da democracia porque esta é, por definição, a representação de acordo com a vontade da maioria, não de todos. Da política porque esta implica escolha, não consenso (por muito que nos custe, o consenso é outra forma de dizer pântano). A Presidência não é uma função decorativa na República Portuguesa. Tem evidente natureza política. E o regime, diz-se, é semi-presidencial, o que implica que o Presidente tem um papel determinante na escolha de caminhos. E a Presidência resulta de sufrágio directo e universal pelo que o Presidente deve, antes de mais, compromisso às propostas que apresentou e à maioria que o elegeu. Agora, Marcelo vai mais longe. Diz já não que é o Presidente de todos os portugueses, mas de cada um deles. Isto é, dos interesses de cada um dos portugueses, ainda que estes sejam, como evidentemente são, incompatíveis com interesses de outros portugueses. Que Marcelo, por sua vez, também defende. Ora, isto já não é um Presidente. É, verdadeiramente, um emplastro.

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Entretanto...

por Rui Rocha, em 31.05.17

- Tá lá?
- Tou, Zé. Sou eu, o Carlinhos. Olha aí uma coisa. O apartamento que te cedi em Paris... foi em regime de arrendamento permanente ou de alojamento local?
- Mas tu tás parvo ou quê?
- Não, a sério, pá. Diz lá para eu ficar descansado. Não quero cá merdas com o condomínio.

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Three Peaks

por Rui Rocha, em 29.05.17

Graças ao governo do Costa, a Laura Palmer não foi assassinada. Está só a fazer um banho de algas. O detective Dale foi substituído por uma mulher para cumprir as quotas. Um sobrinho do Carlos César é agora o Xerife Harry que tinha sucedido na função ao pai e ao avô. A Shelly Johnson deixou o Bobby Griggs e vive com a Donna Marie Hayward. Fizeram um contrato com uma barriga de aluguer mexicana. O Benjamin Horne, outrora o homem mais rico de Twin Peaks, veio viver para Portugal e comprou o palacete de Sintra em que o Phill Collins estava interessado. A filha, Audrey Horne, é colunista do DN. A árvore sussurrante é o Marques Mendes disfarçado de Estrunfe dos Óculos. A sério. Ninguém morre. Não percam tempo a ver a série na televisão. Aproveitem para descansar. Estão todos felizes. Os picos não são dois, são três. O Bloco, o PCP e o PS. O gigante encolheu e até o anão cresceu.

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A ver o Banda passar

por Rui Rocha, em 29.05.17

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Mesmo não sendo encarnado, como português sinto-me ultrajado. Então o David Banda que nós, inchados de orgulho patriótico, vimos com estes que a terra há-de comer vestido com a camisola do Benfica e que imaginávamos a dar cartas pelos estádios desse mundo fora, a levar o nome do país aos mais prestigiados certames futebolísticos, um verdadeiro Centeno da bola, afinal já andou por aí a sonhar com o Paris Saint Germain? Ai o carvalho!

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Há 40 anos, em 27 de Maio de 1977, iniciou-se em Angola uma purga dentro do MPLA que terá resultado em mais de 30.000 vítimas mortais. A cisão no partido então presidido por Agostinho Neto teve repercussões na esquerda portuguesa. A linha mais ortodoxa dentro do PCP lançou um manto de silêncio sobre a barbárie. Outra corrente, hoje sobretudo representada no Bloco de Esquerda, tinha evidente afinidade com muitas das vítimas do massacre: Sita Valles, Nito Alves, José Van Dunem ou Rui Coelho para só citar alguns. É à luz destes factos históricos que deve ser lida a posição de total distanciamentodo do regime agora encabeçado por José Eduardo dos Santos que o Bloco de Esquerda mantém. Mas é então errado que o Bloco adopte uma posição de condenação radical do poder corrupto e manchado de sangue de Luanda? Obviamente que não. Mas vale o que vale. Não encontramos no Bloco a mesma coerência quando se trata de avaliar outros regimes totalitários e violentos de esquerda (sobre os de direita o Bloco tem naturalmente uma posição explícita e faz muito bem). No caso da Venezuela, por exemplo, onde se esperava indignação, temos silêncio. A posição do Bloco sobre Angola não resulta portanto de um imperativo ético enquanto tal, transponível para qualquer outra geografia ou momento onde exista violação das mais elementares liberdades e direitos, mas de uma ferida histórica que continua aberta.

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Belino Foundation

por Rui Rocha, em 21.05.17

O problema do Zé Sócrates foi a pressa. Com calma e um bocadinho de sorte hoje era Presidente da República. Daqui por uns anos constituía a Fundação e o Estado financiava os Mestrados e os Doutoramentos, os livros do Farinho, as férias da Câncio e das outras gajas, a experiência do fórum democrático em espaço rural na Quinta da Fava, os fins-de-semana para assistir a conferências em Nova Iorque, o blogue do Peixoto, a sede construída de raiz em Lisboa pelo Carlos Santos Silva, os escritórios em Paris, as bolsas de estudo para os filhos do Pedro Silva Pereira, o Mercedes e o ordenado do motorista Perna. Tudo numa boa.

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O fim da macacada

por Rui Rocha, em 18.05.17

Segundo o Teorema do Macaco Infinito, um número infinito de macacos teclando aleatoriamente num número infinito de máquinas de escrever por um tempo infinito, produzirá mais tarde ou mais cedo um texto igual ao de uma obra de Shakespeare. Em Portugal, um país onde a macacada parece não ter fim, puseram o teclado de um computador nas mãos de Fernando Madureira, líder da claque do FCPorto. O Macaco, alcunha ternurenta por que é conhecido no meio, não conseguiu produzir um texto organizado. Mas engendrou um trabalho de mestrado classificado com 17 valores (em 20) no ISMAI. Conclusões? As que se podem ler abaixo. Não são necessárias quaisquer considerações adicionais.

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Traços da portugalidade

por Rui Rocha, em 14.05.17

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GAMAR PELOS DOIS

por Rui Rocha, em 14.05.17

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Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra gamar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
Meu Carlinhos, posso gamar pelos dois

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Ouch!

por Rui Rocha, em 12.05.17

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Escola pública

por Rui Rocha, em 12.05.17

Devido à tolerância de ponto decretada pela visita do Papa, hoje as escolas públicas estão vazias. Não há auxiliares de acção educativa. Não há alunos nem professores nas salas de aula sem crucifixos.

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Estações

por Rui Rocha, em 11.05.17

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A Nova Ordem da Culpa

por Rui Rocha, em 08.05.17

Assistimos periodicamente à introdução de determinados temas na discussão pública que seguem os interesses de uma determinada agenda. Foi o que aconteceu, recentemente, com vários textos que pretendem fundamentar um direito de regresso (direito de regresso de quem é aliás coisa que em geral não nos conseguem explicar) sobre o apuramento e a imputação de responsabilidades pela escravatura. Vejamos:
1º Não é sem espanto que constatamos que num momento histórico em que Deus se vai progressivamente retirando do espaço público, se é que não morreu como nos afiançou Nietzsche, a ideia de culpa que era inerente e fundamental em territórios tomados pelo divino, longe de partir para parte incerta, é apropriada por alguns para construir uma nova condenação decalcada sobre a ideia de pecado original (já lá iremos no ponto 2º ao esclarecimento de que pecado é esse afinal) num sistema construído para proporcionar a esses mesmos uma redenção final sem necessidade sequer de confissão e contrição (como se verá no ponto 3º). Por agora, é suficiente sublinhar o primeiro traço da hipocrisia: são os mais ferozes soldados da guerra santa pela erradicação de Deus e da religião da comunidade que, longe de nos libertarem das amarras da heteronormatividade imposta pelo divino, quase sempre alicerçada nos conceitos operacionais de culpa e de expiação, tomam para si a missão de anunciar, evangelizar e, se os deixássemos, punir, a partir de uma ideia de culpa de cujas escrituras se arrogam agora ser os únicos intérpretes. Pense-se o que se quiser sobre a culpa com Deus (ou por Deus, ou contra Deus), mas parece óbvio que não ficaremos melhor com uma culpa que persiste sem Deus, ainda por cima com tais pastores.
2º Num mundo interconectado, com acesso amplo a informação, é fácil promover a expansão da culpa (de uma determinada culpa) no tempo e no espaço. A nossa culpa, se a quisermos tomar ou se nos deixarmos convencer dela, pode estender-se à pobreza extrema de África, à exploração do trabalho na Ásia ou às catástrofes ambientais na América. Note-se que num estado inicial, a culpa perante Deus era individual ou de um grupo, mas suportava-se num nexo de causalidade com actos próprios de que o indivíduo ou a comunidade eram responsáveis. A divindade castigava por um comportamento concreto (devassidão, apostasia, etc.) e com uma consequência directa (perda das colheitas, cheias, uma doença, para só dar alguns exemplos). Agora, o nexo de causalidade e punição perderam a sua relação unívoca com o prevaricador. A culpa tem o tamanho do mundo. Qualquer acto meu de consumo pode aparentemente desencadear a barbárie a milhares de quilómetros. Qualquer acto meu pode desencadear a punição não de mim ou dos meus, mas de pessoas que não conheço que são castigadas com incêndios ou inundações do outro lado do mundo. Esta é uma culpa universal e expansionista. Uma culpa incontrolável e insaciável. Uma culpa que se estende também no tempo. Somos culpados aqui e agora. Mas também somos culpados pelo que aconteceu há 200 anos. Ou mais, se for preciso. Mas não há então limites a essa culpa? Há, claro. Para percebermos quem e o que fica aquém e além dessa culpa é necessário interpretarmos os textos dos acólitos que nos querem impingir este novo tempo. E o traço comum a esta Nova Ordem da Culpa é a sua natureza unidireccional. Embora persistente e expansível até ao infinito no espaço e no tempo, esta culpa é apenas a da civilização ocidental. Sim, temos culpa pelo esclavagismo em África. Mas jamais poderemos culpar os muçulmanos pela invasão da Península Ibérica. Ou criticar os maridos que lêem no Corão que a palavra de Deus é infligir maus tratos às mulheres como forma de reforçar os sagrados laços do casamento. Para um determinado acto, a existência da culpa não é determinada pelo seu valor intrínseco mas pela condição de quem o pratica. É ocidental? Culpado. Não é? Então não temos nada que nos meter nisso. Temos então aqui esclarecido o novo fundamento teológico da culpa. O novo pecado original é o pecado ocidental. A culpa que interessa impôr é então infinita no espaço e no tempo mas é simultaneamente descontínua. Ali onde não se possa imputar à civilização ocidental, entendida como aquela que resulta das democracias liberais, da economia de mercado e, trema-se, do modo de produção capitalista, simplesmente não existe culpa. É este entendimento que permite a um estrénuo defensor do pecado ocidental que nos faz responsáveis pela escravatura do século XVIII, fechar no momento seguinte os olhos à carnificina de Estaline, ao genocídio de Pol Pot, à tortura de Fidel Castro ou à violência de Estado na Venezuela. Não integram no património genético o cromossoma fundador da civilização ocidental? Não são culpados, coitados. Está então desmascarado o 2º traço da hipocrisia dos sacerdotes do Templo da Culpa Ocidental: derrotados pela História, confrontados com os resultados de uma ideologia que desembocou invariavelmente na miséria, na morte e na repressão, não desistem de um impulso de desforra, ainda que para isso tenham que incorrer na mais tortuosa arbitrariedade.
3º Esta culpa que nos querem vender é então uma culpa só dos ocidentais. Mas de todos os ocidentais? Não, na verdade. Qualquer sistema de culpa inclui uma hipótese de redenção. Os judeus acertavam contas pelo sacrifício de bodes expiatórios. Os católicos redimem-se pela contrição, pela confissão e pelas avés-marias. Os vigários da Nova Ordem da Culpa encontraram um mecanismo mais sofisticado. A confissão, por exemplo, pressupõe a assunção de culpa. Os vigários querem a alma lavada mas não assumem culpa nenhuma. Para se eximirem ao pecado ocidental, identificam-se com a vítima. Quando pedem o pagamento de uma reparação pela escravatura, colocam-se do lado de lá. É como se eles próprios tivessem sido levados da costa de África em barcos de negreiros para trabalhos forçados nas roças de café do Brasil. E é isto mesmo que lhes permite usar um Iphone sem problemas de consciência. Bebem do fino mas não estão disponíveis para pagarem por ele. É este o 3º traço de hipocrisia e, no final, aquele que desmascara definitivamente a imoralidade do sistema de culpa, expiação e redenção que nos propõem e que nunca os inclui como réus do julgamento que pretendem conduzir.

NOTAS FINAIS:
1) O sistema de culpa baseado no pecado ocidental funciona, mutatis mutandis, para outras questões como o colonialismo ou as questões ambientais.
2) Sou ateu mas não sou parvo (creio que ainda me vou arrepender de ter usado a adversativa). Entre culpa julgada pelo Deus do Antigo Testamento ou a vida virtuosa orientada de acordo com os ensinamentos de um Livro das Expiações ditado por Boaventura Sousa Santos, fico como o Burro de Buridan: que venha o Diabo e escolha.

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Morde, Paulinho, morde

por Rui Rocha, em 06.05.17

- Bom dia, Doutor Proença.
- Bom dia. Com quem estou a falar?
- Sou o Paulo Baldaia, Doutor.
- ...
- O Director do DN...
- ...
- Sou o Paulo, Doutor. Do DN. O Paulinho...
- Ah, o Paulinho! Por que é que não disseste logo? Um dia destes tenho de gravar o teu número... Então diz lá, ó Paulinho...
- Era para ver se o senhor Doutor me deixava fazer uma noticiazinha de primeira página com a situação da candidatura do Rui Moreira e do PS no Porto...
- Tás maluco, ó Paulinho? Então mandei-te despedir o Alberto Gonçalves para agora... Vais lá chamar uma bronca dessas à primeira página...
- Não foi um despedimento, Doutor. Não era jornalista e...
- Paulinho!
- Desculpe, Doutor. Mas não ficará mal o DN ser o único a não dar destaque de primeira página ao assunto? Já quando foi dos sms do Centeno passámos uma vergonha tão grande...
- Pronto, ó Paulinho, fazemos assim: não vai para primeira página mas escreves tu um artigo a cascar no PS Porto para despistar.
- Combinado, Doutor. Mas então vou mesmo morder as canelas dos gajos.
- Morde, Paulinho, morde. Assim como assim já ninguém lê as merdas que escreves.

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Raciocínios precários

por Rui Rocha, em 01.05.17

Tentando seguir o fio histórico dos acontecimentos:
1 - Os funcionários do Estado trabalhavam 35 horas semanais e os trabalhadores do sector privado 40. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiam que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade.
2 - O tenebroso governo de Passos Coelho decidiu que os funcionários públicos deviam trabalhar a barbaridade de 40 horas semanais, equiparando o tempo de trabalho ao que é prestado no sector privado.
3 - O governo patriótico de António Costa reverteu a medida, regressando os funcionários públicos a um horário semanal de 35 horas. Os trabalhadores do sector privado continuaram nas 40 horas. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantiram que isto não significava qualquer entorse ao princípio da igualdade. As mesmas pessoas garantiram que a redução do horário de trabalho não implicava quaisquer custos acrescidos para o Estado (e para os contribuintes) e que as horas perdidas de trabalho, em rigor, não eram necessárias.
4 - O governo patriótico de António Costa prepara-se para integrar na função pública dezenas de milhares de precários com os respectivos custos para os contribuintes. Pessoas lúcidas e acima de qualquer suspeita garantem que o trabalho destes precários é absolutamente necessário apesar de terem jurado que as 5 horas a menos que os funcionários públicos trabalham agora por semana não eram de todo necessárias.
5 - Ninguém pergunta, ninguém questiona. Ninguém quer saber.

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E se fosse consigo?

por Rui Rocha, em 28.04.17

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Mário ou Marioneta?

por Rui Rocha, em 27.04.17

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Abril dos esquecidos

por Rui Rocha, em 26.04.17

Na ressaca das comemorações de ontem, gostaria de sublinhar que há o Abril dos heróis, dos discursos, das cerimónias, das condecorações, das proclamações, da poesia e dos cravos. Mas também há os esquecidos que encarnam os valores de Abril e sobre quem nunca se diz uma palavra, relativamente a quem nunca se faz um gesto de reconhecimento. Aqui fica apenas um exemplo concreto de abnegação, solidariedade, fraternidade, acção desinteressada, altruísmo e sacrifício pessoal e da família. Um só exemplo, mas andam outros por aí. Pouca justiça lhes temos feito.

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Desculpem, não resisti

por Rui Rocha, em 22.04.17

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Deadwater

por Rui Rocha, em 21.04.17

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Em Maio de 2016, Mariana Mortágua publicou um artigo no JN em que, a propósito do caso Luaty Beirão, comparava as situações de Angola e da Venezuela. No texto, a Venezuela é apresentada como uma realidade em que foram cometidos erros e em que a democracia se degradou. Aliás, esta abordagem não é original no Bloco de Esquerda. Quando Fidel Castro morreu, o discurso foi semelhante. Catarina Martins afirmou na altura que "os erros não podem apagar a homenagem ao grande revolucionário". Os erros eram, no caso de Fidel, presume-se, mais de 50 anos de poder sem realização de eleições, violação dos mais elementares direitos individuais, perseguição, tortura, miséria e morte. Coisa pouca, portanto. No caso do texto de Mortágua a ideia central era então a de que, apesar dos tais erros, as situações de Venezuela e Angola não eram comparáveis. E Mortágua concluía, numa súplica, dizendo que não lhe pedissem "para confundir o que não era confundível ou que compreendesse os que se indignavam com Caracas mas toleravam Luanda". Pois bem. Face aos recentes desenvolvimentos da situação na Venezuela, é tempo para Mariana Mortágua responder a uma pergunta. As situações de Angola e Venezuela já são comparáveis? Ou tem ainda de se afundar mais o país na miséria, de se assistir a uma violação mais brutal dos direitos e da legalidade constitucional? É preciso morrer mais gente (quanta?) para que se ouça uma palavra de Mariana Mortágua, de Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sobre a situação na Venezuela? É que parece evidente, Mariana Mortágua, que não nos podem pedir para compreender quem se indigna com Luanda (bem) mas tolera Caracas.

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Em exibição

por Rui Rocha, em 19.04.17

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Blogue da Semana

por Rui Rocha, em 09.04.17

Uma visão única, crítica e com memória histórica do mundo da guerra fria e da influência soviética num certo Portugal. Uma fonte imprescindível de informação sobre política internacional com particular atenção ao papel cada vez mais incontornável da Rússia e ao perfil singular de Vladimir Putin. O Da Rússia, do extraordinário José Milhazes, é o blogue desta semana.

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Com o ataque dos Estados Unidos à Síria, corres o risco de ser convidado para partipar numa discussão televisiva ou radiofónica sobre o tema. Não percebes pevide do assunto? Nada temas. Tens aqui tudo o que é necessário para saires do debate em ombros.

Intervenção inicial: transmite com clareza a tua visão abrangente sobre o problema e as suas diversas implicações. Frase a utilizar: "é demasiado simplista colocar as coisas em termos de Ocidente contra Rússia. O mundo de hoje é multipolar e global. A Síria é um tabuleiro político para onde confluem questões geoestratégicas com ramificações que vão muito além da influência regional". Olha em redor para todos os outros participantes com ar confiante. Marcaste pontos. Alisa a franja do cabelo como se fosses o Nuno Rogeiro e não contraries a tentativa de intervenção que certamente um outro tertuliano tentará fazer. Já ninguém conseguirá ultrapassar uma análise global tão abrangente como a tua a não ser que invoque uma invasão iminente de marcianos.

Intervenção subsequente: demonstra inequivocamente o teu conhecimento sobre a linha estratégica trilhada pela Rússia como elemento chave no contexto internacional. Frase a utilizar: "a Síria tem uma importância fundamental para Putin (aqui pronuncia como o Zé Milhazes) sobretudo tendo em conta os desenvolvimentos recentes na Península Turca e a ambição política e militar do regime de Ankara". Mais um tiro certeiro da tua parte. Acabaste de antecipar-te ao tertuliano que tinha prontinha uma intervenção sobre Erdogan. A Turquia é uma referência fundamental nestas discussões. Tu foste o primeiro a trazê-la para a mesa.

3ª Intervenção: é o momento de revelares ao mundo não só o teu domínio da geopolítica mas também do processo histórico de evolução das ideias. Frase a utilizar: "no fundo, tudo isto representa a derrota do pensamento central de Fukuyama (faz descair ligeiramente e com condescendência o teu lábio superior, tal e qual como faz o Miguel Sousa Tavares). A História não acabou... a História não acabou, a verdade é essa. Estamos, não sei se concordarão, perante o regresso da geopolítica". Concordarão, claro. Com a mesma vontade com que as galinhas concordam sobre a importância do milho. Se não fosse a geopolítica não estavam todos ali, não é?

4ª intervenção: o pensamento humano tem enorme apetência por analogias. Conquista terreno abusando de comparações. Aqui não faz sentido amarrar-te a uma frase pré-definida. Dá largas à tua imaginação. Refere os balcãs, o império austro-húngaro, o Cisma do Ocidente, Hitler, o Czar Branco (não existiu, mas tal como tu, os outros não sabem), Estaline, Richelieu, Pedro o Grande, Zé do Telhado, Tira-Dentes, Átila o Huno, enfim, vai por aí fora. O céu é o limite.

5ª intervenção: está na altura de preparar o KO dos restantes tertulianos. Chegou a hora da filologia. Frase a utilizar: "é preciso termos presente que o território da Síria actual foi sucessivamente colonizado por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos. Mas é preciso ter em conta que esta Síria não é a Síria a que Heródoto, por exemplo, se referia. Essa Síria do Heródoto coincidia com o território da Capadócia e por aqui se vê como a própria situação turca está sempre presente nestas questões". Olha fixamente para os restantes participantes na discussão. Goza o momento. Fodeste-os.

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Para gozar esto es una boooomba!

por Rui Rocha, em 05.04.17

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E se fosse consigo?

por Rui Rocha, em 04.04.17

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Pesadelo de uma noite de Primavera

por Rui Rocha, em 03.04.17

Esta noite tive um pesadelo. Sonhei que, na edição de 1 de Abril de 2017, o Expresso tinha uma notícia que era mentira. Vale a pena dizer que este pesadelo não foi completamente desfasado da realidade. O Expresso costuma publicar todos os anos a 1 de Abril uma notícia que é mentira. Em 2016, por exemplo, o Expresso noticiou que o Facebook iria "controlar as amizades de acordo com os gostos comuns e os rendimentos pessoais". Pois bem. No meu pesadelo, a notícia inventada do Expresso de 1 de Abril de 2017 era a "sondagem" de Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo. Enfim, uma mentirinha inocente, sem consequências, facilmente identificável se pensássemos um bocadinho: improvável, inverosímil mesmo, sem qualquer fonte credível. Apesar disso, no meu pesadelo, a notícia começou a ser divulgada por outros órgãos de comunicação social. Sem que nada o fizesse prever, aquilo que era uma notícia sem pés nem cabeça, acabou por ganhar relevo e destaque. De tal forma que o próprio Presidente da República foi confrontado com ela. E comentou-a: que não tinha qualquer informação sobre o assunto, mas que preferia que o Ministro continuasse em Portugal, que era muito necessário e coiso e tal. No meu pesadelo, perante isto, os responsáveis do Expresso viram-se confrontados com uma decisão complicada. Ou divulgavam, como fazem todos os anos, qual a mentira de 1 de Abril que tinham noticiado e expunham os outros órgãos de comunicação social e, mais grave, o Presidente, ao rídiculo, ou faziam de conta como se o jornal se tivesse esquecido este ano de pregar a partida do costume. No meu pesadelo, os responsáveis do Expresso optaram por esta última hipótese, tendo em conta, aliás, o desconforto que o Palácio de Belém lhes fez chegar. No meu pesadelo as coisas foram assim mas felizmente tudo não passou de um pesadelo. Quando acordei fiquei mesmo muito aliviado. Ainda bem que o Presidente do meu país não andou a comentar, com pose de Estado, mentiras de 1 de Abril. Seria uma vergonha, não é? Só há uma coisa que me deixa um bocadinho preocupado. Já acordado, fui procurar a tal mentira de 1 de Abril de 2017 do Expresso. E não encontrei nenhuma referência do jornal ao tema. Estranho. Ainda mais se tivermos em conta que o Expresso publica sempre uma mentira de 1 de Abril.

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Desejo que tudo acabe bem

por Rui Rocha, em 01.04.17

O Fidel Castro bateu a bota na Black Friday. O George Michael embarcou no último Natal. Envio daqui um abraço solidário ao Zé Sócrates que deve estar a viver este 1 de Abril num estado de enorme tensão.

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Vamos lá saber

por Rui Rocha, em 26.03.17

Esta coisa de o dia ter menos uma hora é só para funcionários públicos ou aplica-se à população em geral?

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 11.03.17

Temos de ajudar o Presidente Marcelo a não acabar com a dignidade durante o mandato.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Buracos

por Rui Rocha, em 11.03.17

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Dia Internacional da Mulher

por Rui Rocha, em 08.03.17

Vamos lá ver. Não teremos verdadeira igualdade se o objectivo for que as mulheres assumam as mais diversas funções por serem competentes. Na verdade, só poderemos falar realmente de uma situação justa quando as mulheres incompetentes ascenderem a cargos em igualdade de circunstâncias com os homens incompetentes. É uma matéria em que fizemos significativo progresso mas temos de reconhecer que há ainda um longo caminho a percorrer.

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(Assinalados a vermelho os países com regime comunista em que foi respeitada a liberdade de expressão)

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A boca de Marcelo fugiu para a verdade

por Rui Rocha, em 04.03.17

Pode questionar-se o contexto e a oportunidade, mas por uma vez o Presidente Marcelo teve razão. O défice de 2016 não ficou de facto a dever-se a qualquer milagre, mas saiu efectivamente do pêlo dos portugueses. Saiu do pêlo dos portugueses que viram os serviços públicos degradarem-se pelo efeito das cativações. Saiu do pêlo dos portugueses e continuará a sair na medida em que a contracção dramática do investimento afecta o potencial futuro de crescimento da economia. Saiu do pêlo dos portugueses que sofreram com o aumento da carga fiscal global por via da subida dos impostos indirectos. Saiu e continuará a sair-lhes do pêlo na medida em que sendo um resultado em parte obtido por via de medidas que não resolvem os problemas estruturais da economia e, em alguns casos os agravam, acentuando as suas distorções, acaba por traduzir-se numa subida dos juros da dívida, condicionando o presente mas sobretudo o futuro dos portugueses. Na ânsia de responder a Teodora Cardoso e de proteger Costa uma vez mais, Marcelo fez o diagnóstico cru da realidade. Ao contrário do que diz o discurso oficial do governo, não se fechou de todo a página da austeridade. O pêlo dos portugueses pagou e continuará a pagar.

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