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Do princípio ao fim (19)

por Ana Lima, em 11.10.16

É uma terra sombria. Não tem mais do que uma fábrica de algodão, casas de duas assoalhadas onde vivem os operários, alguns pessegueiros, a igreja com duas janelas de vitral e uma rua principal, feia, com apenas cem jardas de comprido. Aos sábados, os rendeiros das quintas em redor vão até lá para um dia de conversa e compras. Nos outros dias, está vazia e triste, como todos os lugares perdidos e distantes do mundo. O apeadeiro de comboio mais próximo é em Society City e as carreiras de camionetas Greyhound e White passam na estrada de Fork Falls, a três milhas de distância. Os invernos são curtos e ásperos, os verões resplandecentes e de um calor atroz.

A Balada do café triste, The Ballad of the sad café,

Carson MCCullers,  1951,

edição da Relógio D'Água, tradução de José M. Guardado Moreira

 

Eu nunca fui à América, forma de designar um país que tomou para si o nome de todo um continente.

Conheço-o, no entanto, dos filmes e dos livros, como conhecemos, através deles, tantos lugares onde nunca estivemos ou viremos a estar.

E de entre os autores americanos que li alguns são responsáveis pelas primeiras imagens que me vêm à cabeça, se fecho os olhos e penso nele. Não são as metrópoles ou os locais cosmopolitas que surgem em primeiro lugar, mas as grandes extensões vazias e as cidades pequenas demais para elas.

John Steinbeck, com As Vinhas da Ira, lido na adolescência, é um dos responsáveis.

Carson MCCullers, lida mais tarde, é outra. Este A Balada do café triste, é um livro de personagens. São elas, mais que a história, que são a sua força. Mas antes de as conhecermos tomamos contacto com a terra e percebemos que ela pode ter um papel importante na forma como aquelas se comportam. Uma escrita cinematográfica, no sentido em que facilmente a transformamos em imagens.

O primeiro parágrafo deste conto, que sugere todo o seu tom, coloca-nos imediatamente naquele lugar. É como se voássemos por cima das ruas. Podemos até sentir o frio e o calor, a imediata solidão, uma certa claustrofobia sentida num espaço longe de tudo, a forma como o tempo parece custar a passar. 

E tudo isto em frases claras e certeiras pontuadas por alguns adjectivos que nos dão a ideia do ambiente que ali se vive.

A partir dessa descrição da terra acercamo-nos da casa e do café que ali existia para depois nos irmos aproximando das personagens, num movimento cada vez mais para o interior até que quase conseguimos compreendê-las, mesmo que aparentemente estejam tão longe de nós, nas margens de uma sociedade que as afasta.

Apesar de estarmos, no tempo e no espaço, a uma longa distância da realidade retratada, Carson MCCullers consegue fazer com que os habitantes e visitantes daquela terra não nos sejam indiferentes e quando fechamos o livro percebemos que afinal também nós já estivemos naquele lugar perdido e distante do mundo. Provavelmente sentados à mesa do café.

 

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Blogue da semana

por Ana Lima, em 03.07.16

Quando a Teresa me chamou a atenção para o facto de ser eu a escolher o blogue da semana fiquei sem saber o que escolher. Não tenho andado propriamente muito atenta aos blogues mas fui dar uma vista de olhos aos últimos que visitei e saltaram-me à vista alguns ligados a livrarias. Ora aí está, pensei...

As livrarias, como as outras lojas, têm, hoje em dia, blogues, facebook, twitter, enfim, todas as formas de chegar ao público. Umas limitam-se a divulgar as obras que têm à venda. Outras falam também de outras iniciativas. Outras ainda partilham algumas das situações do dia a dia.

É um pouco destas várias situações que encontramos no blogue duma das livrarias mais simpáticas de Lisboa. Nela encontramos edições novas e outras menos (às vezes boas surpresas). Uma visita a fazer, quer por leitores vorazes como o Pedro, quer por quem é mais comedido. Já o blogue pode ser visitado mesmo por quem é alérgico ao pó... 

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Fora de série (17)

por Ana Lima, em 01.06.16

Se referir o seu nome – Angus -, poucos saberão de quem estou a falar. Mas se vos lembrar que pedaços de chocolate, clipes, cartões, pastilhas elásticas, moedas, relógios, elásticos de cabelo, brincos ou qualquer objecto que possa estar à nossa mão podem servir para provocar explosões, abrir algemas, recarregar baterias ou até desarmar mísseis; tenho a certeza que todos saberão a quem me refiro: Macgyver, pois claro!

Esta série, realizada por Lee David Zlotoff, acompanhava um ex-agente das Forças Armadas, especialista em conseguir resolver problemas (e alguns eram tramados) utilizando, para tal, objectos simples do dia a dia. O sucesso foi enorme em muitos países. Por cá não foi excepção. A sua capacidade para resolver grandes conflitos sem usar armas (o mais próximo era o seu inseparável canivete suiço), deixava-nos presos ao ecrã, por mais inverosímeis que fossem as situações. Os conhecimentos de física e química, a inteligência e capacidade de observação do protagonista, que o levavam a vencer os inimigos, faziam dele um herói diferente, numa desconstrução dos heróis típicos, e isso só fazia crescer a nossa admiração. E o esperado momento em que as preocupações eram ultrapassadas e no rosto aparecia aquele sorriso era mágico.

A música do genérico era também um elemento marcante e mal a ouvíamos aí estávamos nós a deixar as tarefas que tínhamos em mãos para correr para a frente do televisor: "Agora não posso, mãe. Está a começar o MacGyver"...

 

Na altura em que a série estreou nos EUA (1985) a guerra do Vietnam tinha terminado há apenas 10 anos e as suas consequências na sociedade americana ainda se faziam sentir com intensidade. Por outro lado, Ronald Reagan, presidente na altura, levava a cabo uma política de intensificação da guerra fria e de intervenção em vários locais no mundo, que muitos apelidavam de imperialista e belicista. Não sei se estes factos se podem ou não ligar com esta ideia de um herói que atinge os seus objectivos sem as armas tradicionais (defendidas tão abertamente, na altura, pela América e pelo seu presidente), mas podemos pensar que sim.

Podemos também, analisando o sucesso por cá, lembrar que a facilidade em lidar com o improviso também diz muito aos portugueses, habituados que estão a serem (ou pelo menos a dizerem que são) engenhosos e desenrascados. Ora ali tinham um exemplo que demonstrava que, mesmo sem meios à disposição, se podem atingir os nossos fins.

Coincidência ou não parece que o regresso deste herói está marcado para breve. Claro que Richard Dean Anderson já não fará o papel do homem que dá nome à série. O mesmo acontecerá com os restantes actores. E provavelmenente o velho casaco também não será o mesmo. Aliás parece que, nesta nova versão, se pretende voltar atrás no tempo, ao estilo "prequela", como se diz agora. Mas haverá certamente um Murdoc (a luta entre os bons e os maus continua a fazer sentido) e alguma tensão romântica entre o novo MacGyver e uma ou mais raparigas que com ele se cruzem nas suas aventuras (um outro elemento clássico).

Boa ou má a nova série não se poderá comparar com a que vimos há umas décadas atrás. Para além da série em si as circunstâncias não são as mesmas. E nós também não somos os mesmos.

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O pavilhão do nosso descontentamento

por Ana Lima, em 13.02.16

Um dos carrinhos de supermercado estava cheio. O outro ainda podia levar mais algumas coisas. Para além desses dois carrinhos os pertences eram um conjunto de mantas e cartões dispostos de forma a tornar mais confortável aquele vão de porta. Num vão ao lado repetia-se o cenário. Sem carrinhos de supermercado desta vez. Eram dois homens. Pareciam ser eles os únicos ocupantes  do edifício (se é que se pode chamar ocupante de um edifício a quem só ocupa o vão de uma porta).

Saberão eles que aquele é por quase todos considerado um óptimo exemplar de boa arquitectura e boa engenharia em Portugal? Que depois da Expo 98 várias utilizações esporádicas se foram sucedendo? Que a Câmara Municipal de Lisboa já o considerou o espaço ideal para aí instalar um equipamento cultural? Que a Parque Expo, ao ser extinta, transferiu o edifício para o Estado? Que o Governo o transferiu para a Universidade de Lisboa que supostamente o transformará  num espaço dedicado à promoção cultural e científica? Que o próprio arquitecto Álvaro Siza Vieira, há uns anos atrás, chegou a dizer: "a solução mais lógica, depois de tantos anos passados, é demoli-lo"?

Saibam ou não provavelmente continuarão a dormir naqueles vãos. Pelo menos até que alguma das ideias que foram surgindo passem à prática. Quanto aos que passeiam sob a famosa estrutura continuarão a pensar que, pelo menos, no Verão, é muito agradável ter ali uma sombra. E isso, apetece dizer como no espaço de humor da TSF, já não é mau!

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A relevância da fraternidade

por Ana Lima, em 05.02.16

Rezava assim, esta tarde, na introdução a esta notícia, a página de Facebook do Público: "Mais pormenores sobre o caso que levou à detenção de José Veiga e do irmão de Santana Lopes." 

Portanto, neste caso, as figuras importantes são um indivíduo de nome José Veiga e um indivíduo que tem um irmão de nome Santana Lopes. A minha dúvida é: José Veiga será filho único?

 

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Uma simples dúvida

por Ana Lima, em 26.01.16

Se até agora certas zonas do país eram conhecidas como o cavaquistão, depois das eleições de domingo o país (quase) inteiro vai passar a ser conhecido como o marcelão?

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Uma casa para Giacinto

por Ana Lima, em 20.01.16

Nesta torrente de desaparecimentos de figuras públicas em que este mês de Janeiro de 2016 tem sido fértil quis o acaso que, com poucas horas de diferença, tivessem falecido duas figuras que, de uma forma indirecta, se cruzaram na minha vivência: Ettore Scola e o Arquitecto Nuno Teotónio Pereira.

Quando, em 1989, iniciei a minha vida profissional Oeiras era ainda um concelho com bairros degradados, alguns com uma dimensão significativa. Ao longo de 6 anos, tive contacto com quase todos e em muitos conheci aprofundadamente um grande número de famílias. Nessa altura algumas pessoas, em jeito de brincadeira, referiam “Feios, Porcos e Maus”, o filme de Ettore Scola, como o cenário onde eu passava os meus dias. Na verdade nunca me cruzei com uma família como a de Giacinto. Mas, se algumas das imagens apresentadas na estética grotesca do realizador italiano estavam acentuadas, outras havia que ficavam aquém de algumas situações com que me deparei e que aconteciam mesmo ao lado da minha porta, das portas de todos nós. O lado amoral e sórdido de algumas vivências (certamente presentes, também hoje em dia, em muitos locais) aproximavam, de facto, aquela Roma dos anos 70 dos subúrbios de Lisboa de finais dos anos 80. O filme de Ettore Scola, aliás, reflecte uma certa miséria humana presente em todas as sociedades ocidentais que se dizem ricas e modernas e se o humor predomina, o desencanto constante no filme perturba-nos.

A par do conhecimento dos “bairros de barracas” o trabalho da equipa na qual eu me integrava passava pelas acções de realojamento, materialização da política de habitação da autarquia. Foi nesse âmbito que me cruzei com o Arquitecto Nuno Teotónio Pereira que, com o Arquitecto Pedro Botelho, projectou, numa terra onde já tinha estado preso, um conjunto habitacional que mereceu o primeiro lugar no Concurso - Prémio INH de 1992.

Eu era uma miúda recém-licenciada mas não mais esqueci a sua figura calma e segura que sabia respeitar aqueles que com ele não teriam muitas afinidades (e para quem muitas vezes os especialistas nos assuntos não têm o que designam por paciência). Para além das reuniões com os técnicos, para as quais estava sempre disponível, recordo sobretudo o prazer com que, em assembleias muito participadas, com centenas de pessoas, nos barracões do refeitório da obra, explicava aos futuros moradores porque tinha desenhado o bairro e as casas assim e não de outra maneira, porque tinha escolhido aqueles materiais e não outros. Mas era sobretudo a atenção com que ouvia os futuros utilizadores daquelas casas, dos espaços que tinha criado, que me fascinava. Aquelas pessoas que lhe colocavam as questões mais óbvias ou as mais estranhas mereciam-lhe sempre uma reflexão e uma resposta clara.

Provavelmente os que participavam nessas reuniões não se apercebiam do privilégio de o ter ali à mão, pronto a responder-lhes a todas as questões, com a humildade de quem só sabe mais algumas coisas sobre o assunto.

Foi a ele que ouvi uma frase que ainda hoje por vezes cito e que dizia, mais ou menos assim: o principal problema dos arquitectos são as pessoas. Significava ela que ao projectarem determinado edifício, mesmo que se trate de uma encomenda para alguém em particular, a obra, que pode ficar perfeita, deixará de o ser quando for habitada, quando o uso deturpar a harmonia inicial do conjunto, introduzindo imperfeições mais ou menos relevantes. E no entanto é a vivência de um espaço que lhe confere o valor maior, o mais significativo, que lhe atribui a sua alma. Nuno Teotónio Pereira sabia disso. Por isso o respeito. Por isso o devemos respeitar.

Dei por mim a imaginar que o Arquitecto que hoje nos deixou talvez conseguisse projectar uma casa para a família Mazzatella. Pensando bem, tenho a certeza que sim.

 

Parte do texto foi recuperado daqui.

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Blogue da semana

por Ana Lima, em 07.06.15

Entrevistas. Daquelas em que gostamos tanto das respostas quanto das perguntas. Saber fazer as que revelam do entrevistado mais do que aquilo que estaríamos à espera e que, aparentemente, até aos próprios permitem descobrir novos modos de se verem, é algo que não está ao alcance de todos. Anabela Mota Ribeiro consegue fazê-lo.

Essas entrevistas podem ser lidas em alguns jornais ou no blogue que tem o seu nome.

A verdade é que, como diz a autora, todas as pessoas são extraordinárias à sua maneira. Parece um lugar comum. Mas demonstrá-lo é uma arte.

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O estado da arte da Arte?

por Ana Lima, em 13.05.15

Arte hoje.jpg

 Cartoon

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Vermelho em fundo branco

por Ana Lima, em 13.02.15

 

 

 

Uma perspectiva interessante:Swissleaks.jpg

 A explicação e outras informações aqui.

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Blogue da semana

por Ana Lima, em 11.01.15

O seu autor é professor de Filosofia. Certamente por isso, em quase todos os posts se encontram referências a filósofos e às suas obras. Partindo de questões relacionadas com a vida de todos os dias, os textos e as ideias que neles estão presentes apresentam-nos sempre perspectivas que enriquecem o nosso modo de olhar as coisas. Por isso o blogue que escolho para blogue da semana é Ponteiros Parados.

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Este fim de semana foi assim. Seria uma espécie de redenção? É que nem sempre a importância do Cante foi tão óbvia para os socialistas.

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As novas estatísticas

por Ana Lima, em 20.11.14

Que a evolução tecnológica alterou as nossas vidas é já um dado adquirido. Que as técnicas utilizadas pelas ciências que estudam a vida humana, de um ponto de vista físico ou social, também evoluíram exponencialmente é outra verdade.

O vídeo que aqui partilho é um exemplo interessante da utilização de dados recolhidos por operadores de redes móveis para a construção de mapas detalhados que facilitam o estudo da distribuição de grupos populacionais no espaço e no tempo. Nota-se a preocupação em referir que a privacidade dos utilizadores de telefones está assegurada. O estudo pode ser consultado aqui.

 

 

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O que as estatísticas dizem sobre nós

por Ana Lima, em 18.11.14

A mim, que ando diariamente de transportes públicos e que, a partir de Janeiro do próximo ano, não poderei sequer levar as minhas filhas ao médico de carro porque, de acordo com as novas regras de circulação na Zona de Emissões Reduzidas em Lisboa, ele é velho de mais para circular no percurso entre a minha casa e o consultório, há determinadas notícias que me conseguem surpreender. E não é inveja que sinto (pronto, talvez um bocadinho). É mesmo incredulidade.

E cito: "o crescimento do mercado é liderado essencialmente pelos países que passaram por uma situação de resgate financeiro". É como se os portugueses, numa tentativa, frustrada, na minha opinião, de fazerem humor, mostrassem aos seus financiadores externos que estão numa fase de franca recuperação. Mas não é isso mesmo que esses países, produtores dos bens que nós insistimos em comprar, querem que aconteça?

Muitas coisas estão em jogo, sabemos, nomeadamente o facto das empresas portuguesas que vendem para a indústria automóvel também beneficiarem com esta situação. Numa economia global é claro que, num mesmo território, há sempre quem ganhe e quem perca com os comportamentos económicos dos consumidores. 

Mas, perante esta liderança nas vendas de um bem como o automóvel e a situação da maioria das famílias portuguesas, não posso deixar de pensar que é a um espelho que o Zé Povinho faz o seu gesto. No fundo é a chamada re...

Zé Povinho.jpg

 Imagem copiada da net

 

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Da falta de bom senso ao consenso

por Ana Lima, em 30.10.14

Quando, aqui há uns anos, Lili Caneças pronunciou a frase "estar vivo é o contrário de estar morto", não houve quem não gozasse com tal tirada. Afinal, vemos agora que, para alguns, essa distinção não é assim tão clara. Mas depois de os profissionais do Hospital de Aveiro, durante algum tempo, não saberem se deveriam dar alta, dar baixa ou dar em doidos, parece que o assunto lá se resolveu... 

 

(apesar do post escrito em tom jocoso, esta situação seria tudo menos divertida e, mesmo com as justificações dadas, não se compreende como é que se pode criar uma norma daquelas)

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Os luxos alemães

por Ana Lima, em 01.10.14

António Costa já tinha tido uma ideia semelhante para Lisboa mas, inspirado no seu estilo de vida espartano, a sua proposta ia no sentido de oferecer trabalho em troca de um copinho de ginjinha, mortalhas e alguns filtros. Quanto à remuneração, estudava-se a hipótese de pagar despesas de representação (umas t-shirts ou uns bonés das novas juntas de freguesia, por exemplo).

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Os vídeos são demasiado grandes para um blogue. Mas são pequenos para o tamanho do seu talento.

 

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Blogue da semana

por Ana Lima, em 20.07.14

O prazer proporcionado pela leitura de um poema é sempre algo de muito pessoal. Ao publicá-lo num blogue partilhamos com outros as nossas escolhas e acontece, por vezes, que essa partilha dá a conhecer novos poetas ou divulga outros junto de quem, por vários motivos, não os conhecia. Por estes dias os poemas têm andado por aqui. Mas como a poesia nunca é demais escolhi para blogue da semana o "da luz & da sombra". 

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Foi-se a Copa? Não faz mal.

Adeus chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas.

 

Faltou inflação de pontos?

Perdura a inflação de fato.

Deixaremos de ser tontos

se chutarmos no alvo exato.

 

O povo, noutro torneio,

havendo tenacidade,

ganhará, rijo, e de cheio,

a Copa da Liberdade.

 

Publicado no Jornal do Brasil de 24 de Junho de 1978

 

Carlos Drummond de Andrade escreveu este poema em 1978. Nesse ano, na Argentina, o Brasil, depois de vencer a Itália, ficou em 3º lugar no campeonato do mundo (curiosamente, a Alemanha, na fase de grupos desse campeonato, tinha dado 6-0 ao México). Os militares que impunham um brutal regime de ditadura no país anfitrião, viram a sua selecção vencer a Holanda na final.

Os campeonatos do mundo de futebol continuarão. Quanto ao povo que, no Brasil, sentia também, em 1978, os efeitos de um regime ditatorial, está agora, felizmente, num outro patamar. Mas ganhar a "Copa da Liberdade" é ainda, por enquanto, um desejo poético demasiado ambicioso. Por outro lado, poderão os desejos poéticos ser demasiado ambiciosos?

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O que sobra dos discursos

por Ana Lima, em 03.07.14

O deve e o haver.

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A família inventada

por Ana Lima, em 25.03.14

 

Quantas de nós, ao longo da vida, não ouvimos já perguntas do género: "Então, quando é que te casas?" Ou a variante: "Então quando é que te casas novamente?" E a questão eterna: "Então quando é que resolves ter um bebé?"

Apesar de as expectativas acerca do papel da mulher na sociedade terem vindo a sofrer alterações ao longo do tempo, ainda se assume, com frequência, que a realização plena das aspirações femininas se prende com a vida familiar estável à volta de um casamento "feliz" e dos filhos que dele resultarem.

Cansada de ouvir as tais perguntas, a artista Suzanne Heintz resolveu brincar com o assunto e criar, artificialmente, uma família que responda ao estereótipo da mulher feliz americana. Para tal, comprou dois manequins que interpretam, nas fotografias encenadas, o marido e a filha “perfeitos”.

O projecto "Life once removed" (que podem acompanhar aqui) inclui fotografias do quotidiano, dos momentos festivos, de férias familiares.

Pelo humor que demonstra e pelo seu significado parece-me um trabalho muito interessante. Claro que uma interpretação mais psicanalítica da obra poderá dar-lhe uma outra perspectiva. Mas fico-me apenas pela ideia e pela sua concretização que, só por si, já têm uma grande força.

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Durante cerca de dois minutos assistimos à triste cena. Pela rua molhada, João Gouveia, protegido por um chapéu de chuva, parece tentar esquivar-se à patética perseguição da rapariga com um microfone na mão que assim, à primeira vista, parece uma jornalista. Na troca de palavras entre os dois o rapaz não explicou nem um bocadinho muito pequenino de nada. Mas é a forma como a situação é noticiada no Público on line que menos sentido faz. De acordo com o título, o "dux" quebrou o silêncio, quebra essa que corresponde a um "nada acrescentou", no texto da notícia. Eu cá fiquei muito mais esclarecida...

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Blogue da semana

por Ana Lima, em 05.01.14

É difícil acreditar que é tão nova. A Beatriz escreve como se por si já tivesse passado tanta vida... A sua escrita é madura, cheia de recordações e de sentimentos antigos. Podemos lê-la em revistas ou no livro, É quase noite, publicado pela Averno, em 2013. 

Mas há alguns anos que os seus textos poéticos são publicados em blogues da sua autoria. Aquele que é o mais recente foi o que escolhi para o primeiro blogue da semana deste ano. Percam-se por lá: ao longe todos são pedras de Beatriz Hierro Lopes.

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Na minha leitura diária dos posts do Delito detive-me neste da Patrícia. E pensei logo nesta entrevista que li hoje. É um facto que as ideias não são novas. Mas é bom que, nestes tempos em que a Economia e a sua linguagem imperam, possamos encontrar quem chame a atenção para outras formas de ver. E que lucidez, a deste autor!

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Livros de cabeceira (21)

por Ana Lima, em 09.11.13

 

Tenho dois pontos prévios a referir antes de vos falar acerca destes meus livros de cabeceira: é que nem são “livros”, nem são “de cabeceira”.

Começando pela questão da cabeceira: acho que não leio na cama desde, pelo menos, o nascimento da minha primeira filha. Esse hábito teve o seu auge na adolescência, altura em, sempre que podia, ficava manhãs inteiras deitada a ler. Actualmente na minha mesa de cabeceira raramente há livros. Esta foto foi portanto "encenada".

Por outro lado, padecendo eu de um certo distúrbio obsessivo-compulsivo (não diagnosticado e, creio eu, de pouca monta) raramente leio mais que um livro em simultâneo. 

No entanto, actualmente, por motivos profissionais, estou a ler esta obra de 1968, de Henri Lefebvre dedicada às questões da cidade e do urbano que só o ano passado foi publicada em Portugal. Já tinha lido excertos noutras circunstâncias mas nunca todo o texto que é um clássico para quem trabalha na área.

Nesta fotografia está também o pequeno livro que me tem acompanhado nos últimos dias. As suas folhas amareladas não recomendam sequer a sua permanência junto ao local onde se dorme. Comprei-o (numa daquelas vendas de livros nas estações de metro) por três razões. A primeira prende-se com a minha memória. O único livro que li deste autor (não sei qual, confesso), era eu adolescente, foi na mesma altura em que li "As Vinhas da Ira" do seu contemporâneo Steinbeck. Mal vi este "Um rapaz da georgia" apeteceu-me recordar aquela escrita e aquelas personagens tão marcadas pela dura vida no sul dos EUA, na primeira metade do séc. XX.

A segunda razão tem a ver com o objecto em si: um pequeno livro, uma edição de 1954, com muitas ilustrações de Birger Lundquist, que trabalhou sobretudo em jornais; desenhos de traços finos que acompanham as cenas facilitando muito a entrada nos ambientes descritos. 

A terceira razão de que queria falar tem a ver com o facto de a tradução e o prefácio serem da autoria de Jorge de Sena. 

Deixo-vos uns excertos desse prefácio: "... a ternura comovida e o riso poderoso das cenas ridículas, que são o estofo das suas páginas, deixam um travo amargo e um aumentado amor da liberdade, da justiça, da dignidade humana, noções cuja autenticidade as suas personagens mesquinhas e empobrecidas só caricaturalmente atingem... Neste caso de Georgia boy, publicado em 1943, o apelo toma a forma de uma voz de criança perdida na noite e implorando a toda a humanidade (de que o leitor rindo-se dele, da família dele e dos que o rodeiam, faz parte integrante) que o deixe ser livre e conscientemente um homem. Ainda quando não concordemos com a afinação da voz, ou ela nos não pareça portentosa, é uma voz humanizada. 

E se não é para assim nos ouvirmos uns aos outros que por aqui andamos, não se percebe muito bem porque seremos tantos e teremos voz."

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E jackpot, há?

por Ana Lima, em 17.10.13

Maria Luís Albuquerque está a ser contactada pelas várias televisões que querem transmitir em directo os sorteios e que pretendem que seja a titular da pasta das finanças a apresentadora. Liliana Campos já se ofereceu para dar umas dicas quanto à indumentária a usar. A ministra, no entanto, já revelou que prefere o estilo de Serenella Andrade, enquanto aguarda ainda que a troika se pronuncie sobre o assunto.

Santana Lopes, na qualidade de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entidade gestora dos jogos sociais concedidos pelo Estado, disse a propósito que seria interessante ter uma piscina cheia de facturas onde pudessem mergulhar algumas beldades. Isto para tornar ainda mais apetecível o combate à evasão fiscal.

Apesar do interesse inicial, as administrações das televisões já mostraram a sua preocupação em relação às audiências. É que muitos funcionários públicos, mesmo desconhecendo a fundo as leis das probabilidades, têm-se mostrado pouco entusiasmados dado o reduzido número de facturas que inevitavelmente virão a pedir. 

O ministro da Economia veio, entretanto, dizer que está também a lutar pela criação de um sorteio semelhante para os estabelecimentos que passam as facturas. O prémio, neste caso, poderia ser uma descida no valor do IVA a cobrar no sortudo estabelecimento. "Ao menos um", terá desabafado. 

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E agora, quando tiver que preencher um formulário, onde é que eu vou pôr 81 caracteres* da freguesia de nascimento e 74 caracteres* da freguesia de residência?

 

*Espaços incluídos

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O que estou a ler (14)

por Ana Lima, em 08.09.13

Nem sei bem porquê mas a verdade é que nunca tinha lido, até agora, uma obra de Agustina Bessa-Luís. Talvez tenha sido o ano passado ou no ano anterior que, na Feira do Livro, resolvi comprar os Contos Impopulares. As duas palavras despertaram-me a atenção. Eram contos, género que, se não é o meu preferido, está entre os meus preferidos, e eram impopulares o que, à partida, os afastava das histórias mais clássicas com um final ligado a alguma moral. É desta que vou ler Agustina, pensei.

 

Afinal algum tempo passou. Mas este Verão peguei no livro. Percebi, então, que se tratava de uma das primeiras obras da escritora, publicada no início dos anos 50 do século passado. Os diferentes ambientes e personagens são de uma enorme riqueza, desde os contos mais extensos aos mais pequenos. E a língua portuguesa! Que prazer ler palavras que vamos esquecendo! E que bom que é sentir a necessidade de ir ao dicionário consultar outras que andam tão arredadas do nosso quotidiano!

Não resisto a deixar aqui o mais pequeno destes contos que diz tanto, mas tanto...

 

O CORTEJO

- Quando passará? - perguntava a si próprio. Em vão arredava a fímbria da cortina, e olhava. A vidraça, onde aderiam as pequenas moscas dos estábulos, era baça, como que porosa e penetrada de bolhas de ar. E a rua era excêntrica, isolada, poeirenta, com margens de terrenos baldios onde cresciam, como abetos ponteagudos em miniatura, arbustos calcinados; as múltiplas flores bravias rompiam das valas, fulgurantes e apenas perceptíveis. Quando passará, quando virá o cortejo? - perguntava. Ali estava desde a madrugada, procurando divisar o cortejo que desceria das bandas da cidade, com as suas flâmulas brilhando e voando, enchendo o horizonte de cores inesperadas e palpitantes. Alongou-se o dia, as sombras mudaram de lugar; os cães de pastor trotavam circundando os campos, vigiando os rebanhos. A rua, deserta, com as suas velhas paredes que se desmoronam, mantidas ainda pelas garras das heras e a aglomeração dos silvados. «Quando virá o cortejo, quando será?» Cansado, ele inclina um momento a cabeça sobre o parapeito, e adormece. Não por muito tempo, não por muitas horas. Quando volta a arredar a orla da cortina, a olhar pela janela a rua desamparada que se perde na distância entre arbustos calcinados e flores apenas perceptíveis, ainda que fulgurantes, ele, perplexo e inquieto, indaga de si próprio: «Já teria passado o cortejo, quando teria passado?!» Abre a janela, e os vidros, mal seguros pelo betume ressequido, caem no chão, sem ruído, sobre a poeira. Todo o sol parece revolto, e um rasto de pegadas como que ondula e se entrecruza e se perde, por fim, varrido nos turbilhões de pó. Ele experimenta na boca, ao respirar, o sabor áspero e absurdo desse pó. Depois, fecha a janela, e, por detrás das vidraças partidas, continua a esperar.

 

in, Agustina Bessa-Luís, Contos Impopulares, Guimarães Editores, 2004, pág. 25-26

 

E agora que vou iniciar as Últimas Entrevistas a Roberto Bolaño gostava de saber o que andas tu a ler, Ana Vidal?

 

 

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Meninos e meninas: nós aqui, elas lá

por Ana Lima, em 03.09.13

Nada tenho contra os antigos alunos do Colégio Militar, nem contra os actuais ou os futuros, nem mesmo contra a instituição em si. Não conheço bem as razões do protesto, para além do que se tem sabido através da comunicação social (por exemplo, aqui). Suponho até que a "acção de luto" poderá ter sido bem pensada e, com os meios de que dispõem, chegará a muitas pessoas (eu própria contribuo para tal com este post). 

Mas a verdade é que não gostei de ver isto:

 

(por baixo da faixa preta está o nome de António Sérgio, que pensou tanto a questão da educação e que, por coincidência, nasceu no dia 3 de Setembro, há exactamente 130 anos). 

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Blogue da Semana

por Ana Lima, em 30.06.13

O ano passado deixou-nos tristes quando anunciou que, porque o tempo nunca chega, o blogue iria fechar.

Para felicidade nossa tratou-se apenas de uma interrupção e podemos contar novamente com os seus textos que gosto sempre de ler e nos quais aprendemos sempre algo de novo (mesmo que o soubéssemos já).

O “Patrão da Barca” é  J. Rentes de Carvalho. Tempo Contado é o blogue desta semana.

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A propósito do post do Luís Menezes Leitão, aqui mais abaixo, pode ler-se um artigo do El País que me parece bastante acertado e que vem ao encontro do que muitos brasileiros, entre os quais vários intelectuais, têm dito nos últimos dias.

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A semana do nosso descontentamento

por Ana Lima, em 16.05.13

"A expressão morrer na praia poderia ser substituída, por cá, pela expressão morrer à Benfica"

 

Pedro Adão e Silva há umas horas na TSF.

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Uma opção editorial, suponho...

por Ana Lima, em 10.05.13

Há bocado, numa papelaria, passei os olhos pela capa da revista Visão desta semana. Sou só eu que a acha de um mau gosto atroz?

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Por correio postal

por Ana Lima, em 08.05.13

A primeira tarefa dos assessores jurídicos no "processo de privatização em curso" nos CTT será, certamente, acompanhar a desafiante tarefa de notificar cidadãos eleitores cuja situação eleitoral venha a ser alterada com a aprovação do novo mapa das freguesias.  Depois da generalização do uso dos meios electrónicos, nunca uma operação desta envergadura tinha sido posta em marcha. A comissão de trabalhadores alertou já para a necessidade de providenciar bebidas frescas. É que parece que vai ser preciso lamber muito selo...

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Até 25 de Agosto podemos encontrar, no Palácio Nacional da Ajuda, osgas, rãs, caranguejos, um lustre de tampões, obras em cerâmica, obras em crochet... Mas esta instalação artística com modelos vivos é irrepetível...

 

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Há notícias perturbadoras

por Ana Lima, em 16.01.13

Esta é uma delas. E não é pela eutanásia em si, com a qual tendo a concordar, mas pelo facto de se admitir que uma situação que só acontecerá no futuro é motivo suficiente para alguém se encontrar, já hoje, num estado de “sofrimento insuportável” e agir, conscientemente, no sentido de acabar com esse sofrimento que ainda não se materializou. Não falando no lado mais poético da questão (se é que se pode utilizar a palavra poético neste caso), associado às razões invocadas: a impossibilidade futura de comunicar com aqueles que lhes eram mais queridos; fica-nos uma sensação estranha, que é a de assistirmos a uma espécie de eutanásia preventiva, susceptível de ser questionada a fundo. Se Marc e Eddy estavam felizes com a perspectiva de morrer porque não gozaram mais algum tempo essa perspectiva? E porque não foram eles a escolher o dia em que morreriam? Será que se escolhessem um domingo não iria ser possível por causa dos dias e horários de funcionamento do serviço onde se ministra a injecção letal? Não sei, tudo isto é tão estranho...

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Ficção ou Realidade?

por Ana Lima, em 10.01.13

Confesso que quando vi este vídeo pensei: é a Samsung a experimentar uma via alternativa de publicidade. Assim como quem diz: isto vai correr pelas redes sociais que nem água a jorrar de uma represa em período de cheia (se assim for, este post, mostra que a estratégia foi bem sucedida). Mas, pensando melhor, pode ser uma jogada muito arriscada. É que poderá haver quem não queira ter um equipamento de uma marca associada a um vídeo deste calibre.

Também pode acontecer tratar-se de uma actriz paga para fazer uma rábula e, nesse caso, há que dar os parabéns porque nos põe realmente bem dispostos.

Mas já me passou pela cabeça, num pensamento que tento afastar a todo o custo, que esta rapariga existe mesmo, que tem "uma voz"; que acabou, com alívio, a sua tese faz agora um ano; que está a trabalhar o que, coitada, lhe rouba algum tempo mas que lhe permite juntar dinheiro para concretizar um dos seus grandes desejos para 2013: "ter uma daquelas malas clássicas que ficam bem com tudo" e que são "uma conquista". Não pensemos, no entanto, que os desejos desta jovem são todos deste grau de importância. Não. Para equilibrar, também estão na lista a felicidade e o amor o que a ajudará a "fazer mais coisas... ter mais experiências".

À medida que escrevo penso: mas afinal, com tantos exemplos de pessoas, naquele grupo de idade, que lutam diariamente para sobreviver no nosso país qual é o problema de existirem jovens, como esta, que irradiam bem estar, sucesso e auto-estima? É verdade que outros há que, com o seu esforço, atingem metas importantes, pessoais ou que se reflectem positivamente na vida de outros. Estarei a ser preconceituosa? Talvez. Mas a verdade é que, neste caso concreto, estou desejosa que me digam que o guião foi escrito por alguém das Produções Fictícias e que a Filipa não existe mesmo. Não existe, pois não?

 

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Blogue da Semana

por Ana Lima, em 07.01.13

Um "blogue a quatro mãos que pretende dar a conhecer as colecções de cerâmica portuguesa e estrangeira dos seus autores, sobretudo Art Déco e Modernista, com incursões à Arte Nova e até à década de 1950" é o que vos proponho esta semana. Para quem gosta do tema e ainda não conhece o blogue impõe-se uma visita ao Moderna uma outra nem tanto. Mas não precisam ser entendidos no assunto que as explicações são sempre claras e interessantes, com fotografias cuidadas a acompanhar. Vão até lá e confirmem.

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2013 vai ser um ano difícil...

por Ana Lima, em 31.12.12

... a todos os níveis. Até na forma como se pronuncia. A avaliar pela quantidade de vezes que já ouvi dizer "dois mil e treuze"...

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Escura... tem que ser escura...

por Ana Lima, em 19.12.12

Agora sim, já se percebeu porque é que um programa, neste canal de televisão, que apresenta o adjectivo clara na sua designação, destoa. 

 

(Sabe a autora do post que "muita tinta se gastará", ainda, para se falar deste assunto mas, para já, não resistiu ao trocadilho)

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Esta noite estive a ver o Câmara Clara. No canto superior esquerdo, por baixo de RTP2, estava escrito "Último". Nesta edição especial sucederam-se, em imagens bem escolhidas, escritores, poetas, arquitectos, ensaístas, dramaturgos, actores, realizadores, encenadores, bailarinos, historiadores... Eram pequenos excertos das interessantes entrevistas que pudemos ver ao longo de anos de produção de um programa que nos dizem que era caro. Alguns dos que passaram por lá faleceram entretanto: Manuel António Pina, Fernando Lopes, entre outros. 

A inteligência dos autores ficou bem marcada ao demonstrarem-nos o erro que é acabar com este programa. Foi uma espécie de: "estão a ver? É isto que vão deixar de poder ver, diária e semanalmente".

Aquilo a que chamamos cultura, mas a que podíamos chamar vida, vai continuar a acontecer. Mas já não vamos ter o Câmara Clara para a mostrar, para nos despertar para uma exposição, um livro, uma música. Para isso continuamos a ter os jornais, as revistas, outros meios, dirão. Sim, mas a televisão, a tal que ainda é pública e que é, para muitos, o único meio disponível, fica bem mais pobre. 

Parece-me não ter sido por acaso que, para terminar o programa, e em jeito de despedida, foi escolhido o tema musical da última cena de Life of Brian. Entre o absurdo de certas decisões e o absurdo dos Monty Python nós preferimos este último. 

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Cheirinho de alecrim precisa-se

por Ana Lima, em 05.12.12

determinadas notícias que nos fazem lembrar certas músicas:

 

 

  

Mesmo quando a festa é ainda uma miragem...

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Revoada

por Ana Lima, em 02.11.12

Arrepiante (no sentido em que nos arrepia, mesmo...)

 

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Paisagens estranhas

por Ana Lima, em 05.10.12

 

A placa diz “Proibida a passagem a pessoas estranhas”. E é como pessoas estranhas que se  devem sentir os habitantes destas terras. Porque as paisagens que conheceram desapareceram… E as novas paisagens que observam são inacabadas, dificilmente lhes dirão alguma coisa.

Percorremos parte do IP8. Talvez por ser fim de semana, poucos automóveis se encontram. Temos dificuldade em perceber porque não se apostou no alargamento, em alguns troços, desta via e se optou pela construção de uma auto-estrada. Mas o facto é que foi essa a decisão. Estudos, certamente cientificamente válidos, concluíram que se deveria avançar para essa solução que uniria uma cidade com porto (Sines) a uma cidade com aeroporto (Beja).

Terrenos, alguns integrados na Reserva Agrícola Nacional, foram expropriados. Empreitadas e subempreitadas foram preparadas, favorecendo a sustentabilidade e o emprego na região. E as obras começaram. As máquinas abriram caminho, as propriedades foram cortadas ao meio, os viadutos e pontes começaram a despontar, os arqueólogos, nas suas escavações, depararam-se com estruturas interessantes…

E as obras pararam (prevendo-se, apenas, a conclusão de troços entre Sines e Santo André e entre Sines e Santiago do Cacém). A justificação é a de que o tráfego previsto não justifica a construção da auto-estrada, que o aeroporto tem bons acessos (e mais que suficientes para a utilização que tem) e que, desta maneira, se evitam gastos maiores podendo beneficiar-se a conservação e requalificação do IP8. Dada a situação em que se encontra a nossa economia estes são argumentos de peso.

Mas e agora? É que não estamos a falar de projectos no papel. Falamos de milhões de euros gastos. Falamos de quilómetros e quilómetros de paisagem arruinada; de área verde destruída; de terrenos agrícolas, alguns com grande potencial, esventrados; de infra-estruturas iniciadas que, à mercê dos fenómenos meteorológicos, ficarão impróprias para qualquer uso futuro. Falamos de escavações arqueológicas que, ao ficarem a meio, prejudicam as empresas envolvidas e não poderão contribuir para aprofundarmos o conhecimento de um valioso património. Falamos de empresas que viram na auto-estrada uma oportunidade de sobrevivência e que agora pensam no despedimento de trabalhadores. Falamos de aldeias onde os agricultores não poderão estar descansados com medo que o seu gado se perca ao cair em valas; onde os pais terão medo que os seus filhos brinquem nas redondezas, pois o perigo espreita, indiferente a avisos escritos. Falamos de uma área do país que tem visto alguns projectos criarem grandes expectativas que depois não são satisfeitas (Alqueva concretizou apenas uma pequena parte do impacto positivo previsto) deixando a população, cada vez mais, descrente da justeza das decisões que se tomam em nome do desenvolvimento.

Passear nesta bela região, assim tão maltratada, é observarmos um retrato da nossa pobreza, da nossa incompetência, da nossa incapacidade de planearmos, com rigor, intervenções que acabam por ter resultados desastrosos.

O Alentejo merecia melhor.

 

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O PSD e o CDS revelaram que a primeira tarefa do conselho de coordenação da coligação vai ser a consulta a empresas que desenvolvem actividades de Team Building. Sendo o objectivo fundamental melhorar as relações interpessoais e fomentar o espírito de pertença a uma equipa, serão privilegiados os exercícios clássicos que incidem nas questões de liderança, gestão de conflitos, superação de obstáculos, comunicação e coordenação de grupos. De acordo com as nossas fontes, Passos Coelho não dispensará o clássico torneio de tiro com arco e alvo à escolha. Provas de Orientação, tipo rally paper, são as preferidas de Paulo Portas. Ambos concordam que a stand up comedy e o karaoke não devem faltar. 

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O Vale do Futebol?

por Ana Lima, em 07.09.12

Nas décadas de 70 e 80 do século passado, o Estádio Nacional, que compreendia, não só o estádio em si, mas todos os espaços desportivos e terrenos à volta, era um local cheio de vida onde se realizavam competições muito participadas, onde se praticava desporto e onde os menos dados à actividade física mais intensa aproveitavam para passear ou fazer piqueniques. Praticamente todas as áreas eram acessíveis. Ali se instalaram, provisoriamente (mas durante muitos anos) famílias que vieram de África e de Timor após a descolonização. 

Porque vivia ali perto, o Estádio Nacional faz parte da minha história. Com o meu pai ia assistir aos campeonatos de atletismo, ver o ténis, passear; os parques de estacionamento eram sítios ideais para os pais ensinarem os filhos a conduzir e, tantas vezes, ao domingo, após a praia, estavam cheios de famílias que ali comiam e ficavam a dormir a sesta, a ler, a jogar. Sei que essas utilizações são discutíveis e, ao longo dos anos, o complexo do Jamor foi-se dedicando, cada vez mais, estritamente, ao desporto.

Mesmo que tenha sido ali que me tiraram as primeiras fotografias, que brinquei, brinquei, brinquei, que aprendi a identificar algumas árvores e pássaros, que andei em baloiços improvisados com vista para o rio, que rebentei com os joelhos, compreendo que, até por questões de segurança, tivesse que se limitar o acesso a algumas áreas. 

Desportivamente falando, fizeram-se alguns investimentos importantes como foi, por exemplo, o das piscinas e as melhorias em campos de jogos e ténis. No entanto, de uma forma geral, o uso do espaço é agora muito mais limitado. Com a colocação das vedações a área passou a ter cada vez menos vida. E, ao longo dos anos, muitos foram os projectos que contribuíram para afastar a população de muitos locais. O Campo de Golfe é um exemplo.

Mas a questão é que continua a olhar-se para o Estádio Nacional e a pensar só em alguns. Falo das Urbanizações que em determinada altura estiveram previstas e agora da chamada "Cidade do Futebol". Eu gosto de futebol. E até percebo que a crise na construção terá que ser combatida também pelo Estado. Mas o investimento pensado para um mini-estádio, 5 campos de treino, um pavilhão multi-usos, um complexo de ténis (para receber o Estoril Open) e duas unidades hoteleiras terá como resultado a redução do espaço verde e aberto, em favor do betão e de infra-estruturas que, à semelhança de outras, rapidamente poderão deixar de ter uso. Isto se alguma vez o projecto se concretizar. Para isso muitos jogos particulares a selecção nacional A terá que fazer... 

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 A palavra piada pode ter muitas. Freud estudou algumas e analisou o que faz com que uma determinada brincadeira ou piada nos leve ao riso e quais os elementos principais que lhe conferem essa capacidade (a técnica utilizada para a compor ou o pensamento nela contido, por exemplo). Miguel Pais do Amaral acabou de criar uma nova categoria. Que pena Freud já não estar cá para a analisar...


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Blogue da semana

por Ana Lima, em 16.07.12

É um blogue de fotografias, de boas fotografias. Mas é muito mais que isso. É um blogue cheio de realidade, cheio de instantes do dia a dia, do nosso dia a dia. Por isso é um outro em espelho. Afinal O outro somos nós.

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Uma dúvida, uma certeza e um desejo

por Ana Lima, em 03.07.12

Ora, vejamos o que esta notícia me suscita:

 

uma dúvida: qual a faceta que lhe vai ser mais útil para suceder a Isaltino? A de inspector da Polícia Judiciária; a de comentador de casos de polícia ou a de escritor de obras de ficção?

uma certeza: não gastará tanto tempo e dinheiro em deslocações uma vez que os estúdios da SIC ficarão muito mais perto;

um desejo: que traga para Oeiras um dos meus restaurantes favoritos.

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Quando regressava hoje a casa, no final de um mês em que, em anos anteriores, a minha conta bancária estava um pouco mais aliviada, ouvi uma notícia extraordinária. Pois parece que o governo teve que alargar o prazo para os contribuintes portugueses, com contas no estrangeiro não declaradas em Portugal, regularizarem a sua situação tributária. Isto porque, a "corrida" ao RERT (Regime Excepcional de Regularização Tributária) registou uma afluência tal nos últimos dias que os próprios serviços "entupiram".

Ora sendo o RERT um regime especial de incentivo à regularização de dívidas fiscais relativas a contas e participações financeiras não declaradas por contribuintes portugueses, sedeadas fora da União Europeia (paraísos fiscais incluídos), ele permite também a "Exclusão da responsabilidade por infracções tributárias que resultem de condutas ilícitas que tenham lugar por ocultação ou alteração de factos ou valores que devam constar de livros de contabilidade ou escrituração, de declarações apresentadas ou prestadas à administração fiscal ou que a esta devam ser revelados, desde que conexionadas com aqueles elementos ou rendimentos", ou seja uma espécie de amnistia fiscal aos contribuintes com património não declarado no estrangeiro. O regime impõe uma taxa única de imposto de 7,5% sobre os valores, não faz qualquer pergunta sobre a sua origem e não implica o seu repatriamento.

O que eu considero extraordinário nem é o facto deste regime existir. Ele é mais favorável ao Estado que o anterior, que previa uma taxa de apenas 5%, e o valor do imposto pago até agora, segundo as Finanças, supera já os 150,1 milhões de euros, sendo a receita superior à acumulada nos dois regimes de regularização anteriores. Boas notícias para os cofres do estado, portanto.

Mas o que não deixa de me espantar é a existência de tanto dinheiro nesta situação. Se 150,1 milhões de euros são 7,5% há, por esse mundo fora, muito dinheiro que, se tributado cá, seria certamente uma grande ajuda. E estes milhões dizem apenas respeito aos pagamentos de quem quis regularizar a situação. Imaginemos os outros...

Não pude deixar de me lembrar desta canção da Gal Costa que deixo aqui. Outro país, outros tempos. É verdade, mas, não estamos assim tão longe e, tal como na canção, assim não se pode (mesmo) ser feliz.

 

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