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A Gente Daninha

por jpt, em 18.10.17

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A (in)ministra demite-se, com ela presume-se que cairá o abstruso homem-de-mão do PS que foi a secretário de estado. O CDS apresentou uma moção de censura que obrigou a uma movimentação do quadro político, em particular do PR. Mas convém lembrar três coisas:

1) A ministra foi-o porque assessorou Costa quando ele foi ministro desta tutela, e acompanhou as medidas estruturantes que ele tomou nesta matéria, e que tanto influenciam a actualidade. A sua nomeação foi uma declaração de continuidade. Tudo isso foi esmiuçado aquando da primeira mortandade, em Agosto. A cabeça da ministra (e a do amanuense que lhe foi "adjunto") não pode satisfazer. Costa tem, como ex-ministro e como actual PM uma enorme responsabilidade nisto. Há que lhe cobrar isso (a minha factura seria o despedimento mas cada um que ponha a sua sentença).

2) Em Pedrógão Grande o PR sufragou, de imediato, a política governamental (em particular a partidarização da protecção civil, que levou a este total desconchavo). Agora teve que arrepiar caminho, até para sua salvaguarda. Chega de aplausos conjunturais, aponte-se-lhe directa responsabilidade nestes 40 mortos, pelo tempo de inércia e gestão tresloucada, que uma sua intervenção política poderia ter evitado.

3) Assunção Cristas, à frente do CDS, apresentou uma moção de censura, algo correcto, que o governo não pode passar incólume na AR diante de tanta aleivosia na relação com os cidadãos e sob um PM com tanta responsabilidade política nisto tudo. Mas cessem os aplausos a Cristas - há que lembrar que ela foi Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de 2011 a 2015. E era muito louvada, lembram-se? Alguém pode fazer um relatório, mero sumário executivo que seja, sobre as boas medidas neste assunto que ela avançou? Duvido muito.

 

Urgem novas políticas, um gigantesco inflectir de visões e concepções. E, nisto como em tantas outras coisas, uma enorme varridela. Estas pessoas não servem. E deste molde de gente - o aparelhismo - nada sairá de bom. A terra está queimada, e não pode ser semeada com gente daninha.

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PEV?

por jpt, em 18.10.17

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O "Partido Ecologista "Os Verdes"" tem existência parlamentar há 30 anos. Tenho alguma curiosidade relativamente ao que fará diante da moção de censura apresentada ao governo. Devastação generalizada, inexistência de uma política florestal/ecológica condigna e competente. O icónico Pinhal de Leiria, sob responsabilidade estatal, dizimado. 

Que irá fazer o PEV? E o que dirá para o justificar?

 

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Pensamento da semana

por jpt, em 14.10.17

 

Não há norte que não se desnorte.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Sociais-fascistas

por jpt, em 09.10.17

 

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No rossio português são patéticas as reacções à manifestação patriótica de ontem em Barcelona. O que é engraçado é que o independentismo catalão nem tem um ideário de "esquerda" nem é encabeçado por uma "esquerda" visceral. É um compósito nacionalista mas encantou a esquerda lusa, algo trôpega, apenas capaz de ver no real a caderneta de cromos que ambicionou na tenra infância. É uma transferência para uma realidade imaginada.

Algumas ditos são absolutamente patetas, outros chegam-se à abjecção. Alguns "denunciam" a centena de autocarros com não catalães que se dirigiram para Barcelona - coisa a que nós estamos habituados, com as camionetas alugadas por câmaras, e não só, para alimentarem de munícipes próprios as manifestações da "cor certa" em concelho alheio; outros vociferam contra os números exagerados de manifestantes apontados pela organização - como se isso não aconteça também aqui, e sempre, em qualquer "Que se lixe a troika" ou "1º de Maio"; outros, e muitos - até escritores, que asco -, vociferam contra a obra de Vargas Llosa, apenas porque ele discursou, tal e qual o "nunca li e não gosto" dedicado a Saramago por trogloditas lusos apenas por razões políticas. É até divertido ver o mimetismo argumentativo.

O FB português de hoje, segunda-feira, é um desfile tétrico, destas inanidades. (Os tempos mudam, na era bloguista a gente "linkava" o que pontapeava, forma de avisar da canelada e de mostrar a quem se pontapeava, agora fica assim, no ar, um encolher de ombros). Mas a este propósito, desta reacção alargada em Portugal aos acontecimentos catalães, deixo aqui um desabafo que meti há dias no meu mural FB. Porque ainda mais actual, depois deste bramir colectivo de "shrekismo":

A história ao repetir-se é uma farsa, disse em XIX um evolucionista alemão. O inglês Farage, o holandês Wilders, a AfD alemã, o partido da liberdade (que nome!) austríaco aplaudem. Consta que o imperialismo russo saúda. Do Piemonte ainda não chegaram notícias ("espera-pouco" sussurra-me a amiga experiência). Outros, (ditos "neo"/"pós") marxistas exultam, (de)capados de um tal de "internacionalismo" que lhes animou os egrégios avós. Diante disto, que são os que se arrepelam com a urgência, objectivos, metodologia e, acima de tudo, pertinência da cena? "Sociais-fascistas", com toda certeza. Uma farsa. Mas que será tragédia, se for deixada em cena.

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O independentismo luso

por jpt, em 06.10.17

No "Público" de hoje dois historiadores comunistas (PCP/BE) publicam, e um alargado escol intelectual (da CEUD e da Capela do Rato, à LCI, UDP, ex-MRPP, passando pelo BE de XXI e pelo PS pós/Guterres) subscreve, um texto muito ponderado (deve ter sido negociado, denota-o umas aspas conceptuais muito cirúrgicas, para poder ser abrangente no meio-espectro). Apela à negociação. E quem pode não concordar? E recorda-nos o direito à auto-determinação dos povos (por evidente lapso "povos" não vem com aspas) e o direito a todas as formas de luta contra a opressão, e explicita que o que está em causa é a democracia. E critica, com polida veemência, as acções do governo de Madrid. Concordo com tudo.

 

Num texto de jornal não cabe tudo. Mas ainda assim de tantos mestres gostaria de algo mais. Logo o conteúdo substantivo da "opressão", essa que justifica qualquer forma de luta, e que é causa do processo actual catalão. Depois, e já que criticam Madrid, que se aludisse à oportunidade e metodologia do governo de Barcelona, nesta revolução republicana independentista. Num texto que se quer abrangente talvez não lhe pudessem chamar "aventureirismo" (termo em voga quando muitos dos subscritores se formaram). Mas uma breve alusão ao contexto, seja ao espanhol, seja ao europeu ou até mesmo àquilo da geo-estratégia.

 

Outra coisa é a tal cena dos valores e princípios, profusamente citados, qual missal: lembro Gorbatchev na Gulbenkian, quando o confontraram com a questão da autodeterminação ripostar que havia mil entidades na Federação Russa, que nem lhe falassem nisso. Anuíram. O Dalai Lama não foi à Assembleia, e o partido de Loff chamou-lhe "chefe de clique" ou coisa assim. Compreende-se. Desde Sócrates que a lusa língua está enrolada, com vigor, em torno da glande chinesa. Aplaude-se. Há por aí uma FLEC a bramir por Cabinda. Ninguém refere (e ainda bem). A esquerda portuguesa nada aprova os separatismos euro-ocidentais continentais, que lhes são pouco simpáticos ideologicamente (na pérfida Albion é outra coisa, pois nunca lhe perdoou o Ultimato, colonialista como sempre foi e é). Sócrates e Amado fizeram uma radical inflexão pró-marroquina na questão saariana (muito bem, que o moderado e mui vizinho reino de Marrocos é credor de toda a simpatia. Mesmo se reino, porque esta gente não gosta mesmo é dos Borbón, as outras realezas passam). Ninguém notou.

 

Porque longe ou perto, dentro do aceitável e mesmo do inaceitável, reinam as cumplicidades e os financiamentos. E a geo-estratégia. Agora aparenta que não, que são os "valores" que se impõem. Em alguns casos sim, em particular o valor "Barcelona me mata". Mas noutros não, pois esta súbita adesão à autodeterminação vem mesmo da geo-estratégia, da vontade de destruição das instituições democráticas europeias, da sua fragmentação e colapso. E é por isso que são os comunistas os locutores sob a bandeira sagrada "um homem, um voto", eles que sempre negam o voto. Acompanhados pelos tradicionais "companheiros de estrada". Esses que sempre acabam na valeta comum da tal estrada. É a tal geo-estratégia de que se fala agora. Negoceiem-na.

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Independência ou morte (2)

por jpt, em 04.10.17

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Seria interessante, mas decerto que difícil, avaliar a quantidade de gente que defende a integridade lusófona diante da proto-questão "Ilhas Selvagens", enfrentando o imperialismo castelhano, e que se vai deliciando, ferozmente, com a justeza da independência catalã. (Versão dulcificada do registo blog individual).

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Independência ou morte

por jpt, em 04.10.17

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Em XV gente aportou. Depois, logo a seguir, levámos para lá uns escravos e fizemos umas plantações. Nisso rebentámos com a flora, lá se foi a laurissilva toda. Durante séculos tratámos os tipos de lá como bichos, ainda que compatriotas, entregues a uma sotaque impossível e a uns vinhos catastróficos e letais. Até Jardim, o populista mas ainda assim único líder daquilo. "Nacionalizem-se", sff. Ou uma donataria vale menos que um condado para os republicanos de XXI?

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Oeiras

por jpt, em 03.10.17

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Foi presidente da câmara. Prevaricou. Foi acusado, julgado, condenado. Cumpriu pena de prisão. E libertado nos termos da lei. Agora foi reeleito. Algo me diz, não sendo eu jurista, que este processo tem a essência do nosso sistema de justiça. O cidadão "pagou a sua dívida à sociedade". E esta, colectada a referida dívida, entende-se ressarcida. E crê na regeneração, devolvendo, por inteiro, os direitos. Neles incluindo os morais.

Assim sendo, a reeleição de Morais é uma coisa bonita.

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Olivais

por jpt, em 02.10.17

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Cresci nos Olivais, freguesia lisboeta. 25 anos depois ter partido, de duas décadas em Moçambique, voltei a viver aqui. Choquei com o envelhecimento geral (que é natural, e bom, mostra que as pessoas vivem até tarde). E com o empobrecimento da vida social, que terá razões que me ultrapassam. E com alguma degenerescência infraestrutural. Talvez mais aparente do que real, mas muito aparente. Nos últimos dois anos bloguei meia dúzia de textos sobre freguesia, entre o memorialismo e o espanto desencantado pela actualidade. E insisti na desadequação cultural do pequeno poder de freguesia. Alguns amigos respondem-me "lá estás contra o PS!". E se calhar com alguma razão, tenho um viés escaldado com o partido.

Mas não é só isso. Vizinhos, mais envolvidos na vida associativa olivalense, enviam-me agora mesmo, no dia seguinte às eleições, este texto. É uma comemoração da esmagadora vitória eleitoral da lista PS nesta freguesia. Quem o escreve é a responsável pelo pelouro da educação desta junta de freguesia, com mais de 30 mil habitantes, no centro da capital, 2017. Reflectir sobre isto tem que ultrapassar as simpatias/militâncias partidárias. É boçal? É. Mas muito mais do que isso, é totalmente excêntrico a uma mentalidade democrática. E é isto, esta visão da política e do mundo, que um aparelho de um partido nacional consagra. Repito, no pelouro da educação, no centro da capital, em 2017. Agora digam-me que é só o meu viés ...

"Olá malta do Face. A partir de hoje é esta gentinha maravilhosa, competente, trabalhadora e linda que vai governar a Freguesia mais linda de Lisboa Para quem não gostar é só mudar de país que nós agradecemos e a qualidade do ar nos Olivais vai ficar melhor de certeza Ao grupo que nos queria derrubar um adeus até nunca , voltem para Loures"

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As aspas. E as desaspas.

por jpt, em 02.10.17

Em 1994 trabalhei na África do Sul, aquando das primeiras eleições democráticas. Não chateio os visitantes do blog com as memórias de tão belo momento. Apenas refiro o quanto gostava (e se gostava) de Mandela, naquilo de ele apelar à "nação" "arco-íris". Que se suplantasse as chagas do segregacionismo racial. Mas também que se obstasse ao "tribalismo", aos perigos das divisões entre gentes com tantas diferenças como as existentes entre os "capetonians" (termo já de si tão ambivalente) e os do Cabo Oriental, ou de Venda ou Kwa-Zulu Natal ou o então Transvaal, depois Mpumalanga. O quase-infinito carisma de Mandela, a placidez pragmática de Mbeki, os recursos existentes, com toda a certeza, e alguma sorte alquímica, vieram dar continuidade à "nação". Até hoje. 

Segui para Moçambique. Onde há rivalidades regionais, com recorrentes invectivas ao maior controle sulista dos recursos. Mas onde os discursos que pedem maior descentralização e até, por vezes, dinâmicas federativas, são desconfiados, com receios que erupções "tribalistas", esse "obscurantismo" até letal sempre possível devido às tamanhas diferenças internas, religiosas, históricas, culturais, económicas, linguísticas.

Visitei Luanda, que não Angola, pois não se podia viajar, dada a guerra, falhado que havia sido o processo de paz. Uma guerra oriunda do processo de constituição do país mas muito alimentada pelas divisões "tribais" existentes no país. Nessa época um dos meus grandes amigos, colega também, seguira para o Ruanda, onde durante dois anos teve funções de grande responsabilidade. Quando nos cruzávamos em Lisboa, naqueles tempos pré--email, note-se, sem telemóveis nem facebuques, narrava, marcado como estava, a desgraça que encontrara, aquele morticínio genocida, o propalada fruto do "tribalismo" obscurantista. Demencial.

Segui à Bósnia-Herzegovina, logo após a guerra. Cujos efeitos eram tão marcantes. Espantando-me face ao quanto horror era possível entre gente indiscernível - o mesmo aspecto físico, as mesmas roupas, a mesma língua, a mesma laicidade, o mesmo pós-comunismo. Sim, diferentes igrejas, sim, raízes eslavas, sim, expansionismo germânico (e, antes, império austro-húngaro), sim, império otomano. Há uma maior historiografia? Então não há "tribalismo", nem mesmo "etnicidade". Passa a ser "nacionalismo". E era o que se dizia. Coisa mais moral, menos obscurantista. Mais justa, pois justificável. Mesmo que tão sanguinária.

Por essa época Berlusconi chegara ao poder, de facto durante a minha estada na África do Sul, que bem lembro o desespero dos colegas italianos naqueles dias eleitorais italianos. E nesse período a vontade de fraccionar a Itália, aquela Liga do Norte, não  "tribalista" nem "nacionalista", pois por ali não havia uma "nação" que verdadeiramente sedimentasse a vontade comum. Era dita um "regionalismo". Pouco benquisto alhures, pois os seus arautos muito de extrema-direita, avessos a estrangeiros, nestes integrando os de outras áreas do país, menos desenvolvidas. De facto, mero artíficio para captar recursos e obstar às solidariedades internas ao país. 

Voltei para Moçambique. Quase duas décadas. Depois a família seguiu para o peculiar reino belga. Não havia governo, uma situação estranha. E onde há grande seccionismo, devido ao "nacionalismo" neerlandês, flamengo como gostamos de dizer. Também pouco benquisto, pois os neerlandeses são os mais-ricos do país, depois de terem sido os camponeses pobres dos valões, dizem os simplificadores da história. E agregam-se hoje em partidos de extrema-direita, no governo do país, finalmente arranjado, muito pouco atreitos à  chegada de (mais) estrangeiros. E ao uso de outras línguas. Em particular o "estrangeiro" francês. Mescla de xenofobia e de construção artificiosa para controlo de recursos. Ou seja, um "nacionalismo" algo imoral(izado). 

Agora aqui ao lado o "nacionalismo" catalão. Louvado. Porque natural, inscrito na história. Não é "tribalismo" pois, como sabemos, os brancos, mais evoluídos, não têm tribalismo, qu'isso é coisa de pretos. Não é "regionalismo" xenófobo e elitista, nem um "nacionalismo" artificioso, que o partido que o defende não se reclama de extrema-direita. É um nacionalismo sem aspas, verdadeiro. Essencial, pois corresponde à história dali, ao sentir visceral do povo dali. Entenda-se, de esquerda.

E um tipo aprende. Não sobre os processos sociais. Apenas, sempre apenas, sobre os locutores. E, francamente, a idade não traz apenas a mouquidão. Traz também, por tudo isto, o apreço pelo silêncio.

 

 

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Eleições autárquicas

por jpt, em 02.10.17

Isto das autárquicas vale o que vale, concluir a partir delas é errático mas quero perorar. 1. O PSD e o CDS governaram 4 anos em condições tétricas e, chegado o fim dessa legislatura, ganharam umas eleições e o PS teve um resultado muito fraco. 2 anos depois o PSD leva uma abada nas autárquicas. A causa não é 2011-2015, tem que ser o 2015-2017. 2. O PSD leva uma abada, a cabeça de Passos Coelho é pedida; o PCP leva uma arrochada do caraças, o granítico Jerónimo é polido pela imprensa. 3. Pedrógão Grande passa do PSD para o PS: terá a ver com os candidatos. Tem a ver com a especificidade autárquica. Mas, raisparta (para não dizer pior): que coisa horrível. 4. Botei (no meu blog, não aqui no Delito ...) algumas vezes sobre a freguesia lisboeta Olivais, onde cresci e onde voltei a viver: cerca de metade dos eleitores votaram, até um pouco mais do que há 4 anos. A lista PS ganhara com 42% em 2013. Agora ganhou com 52%, mais votos, mais mandatos, a mesma presidente. Um tipo torce o nariz, lamenta que seja este o perfil e a política neste canto oriental da cidade. Resmunga com o estilo (ontem amigos meus levaram as octogenárias mães a votar. As mesas são as dos "velhinhos", é por números de eleitor não tem que enganar. A presidente da junta por lá andava, beijando os bons dos "seniores", "a senhora devia ter lido o nosso programa" ouviram-na em plena fila de voto. É este o modelo, indicia tudo o resto). Mas o que é certo é que os fregueses gostam. Não vale a pena discutir. É aceitar isto, para quê envenenar (mais) o quotidiano próprio.

E debater a evidência: o Porto do Sérgio Conceição é robusto. Bom ambiente no estádio de Alvalade, ontem. Os munícipes lisboetas souberam receber. É assim.

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O Acordo Ortográfico

por jpt, em 24.09.17

Acordo Ortográfico: recém-chegado a Belém o novo PR investiu contra o AO90. O MNE Santos Silva, o aríete anti-Marcelo do governo, deu-lhe voz de comando e MRS perfilou-se. E o silêncio adensou-se sobre o assunto. E mantém-se na ortografia o último bafo, fedorento, da mentalidade colonial republicana/socialista. E a patetice do primado da fonética ""("culta").

 

Leio mais textos de moçambicanos (de pronúncia "culta") do que a esmagadora maioria dos eleitores de MRS e ASS. Mais do que eles posso antever o conteúdo do futuro AO35(?). Lembro-me disso todas as vezes que abro o FB. Como agora, domingo de manhã: oriundo do país da catana, que não da foice, onde não se monda nem ceifa, leio um pungente lamento sobre uma mortandade rodoviária, com inúmeras anuências, e seguido de debate sobre a segurança na estrada. Começa assim o texto "o motorista seifou ...". E, de facto, uái note?

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Hora Medina

por jpt, em 22.09.17

A "Hora Medina" está muito bem sacada (e a expressão é tão adequada que ficará, se calhar daqui a décadas ainda utilizada sem se saber bem o que significa). Mas também mostra que PSD e CDS se deviam ter coligado em Lisboa, talvez Medina & Salgado viessem a pagar caro o frenesim demagogo, e o tirocínio do primeiro para S. Bento fosse abalroado. Espalharam-se, entre a descrença no real e a crença na pequena política. A ver se aprendem algo com isto.

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O meu pai nasceu em 1923 e morreu já nesta década. Faz-me falta. Claro que não só por isso mas também, e muito, pelos infindáveis (e inacabados) debates, encetados na minha adolescência. Comunista ferrenho, viperino em matérias políticas (em questões pessoais era uma jóia), irónico, sarcástico. Auto-irónico: no hospital, muito enfraquecido, eu ao fundo da cama, a seu lado a neta Patricia, um dos seus grandes amores, disse-lhe "Avô, hoje estás mais rosado" (e de facto estava menos translúcido). E ele murmurou, quase inaudível: "Rosa por fora, mas vermelho por dentro". Morreu umas horas depois. Foi com este camarada Pimentel que aprendi a debater, a ficar desarmado mas não convencido. E que há áreas que não vale a pena discutir. E que só são aceitáveis naqueles que têm a tal auto-ironia, essa que é, de facto, a única forma de relativismo intelectualmente digna, pois delineando os limites da crença / dos princípios, sem dela/deles abdicar.

 

De duas das suas formulações muito me lembro. Até irado com a sua abjecção aos "dissidentes" remeti-lhe um "Se vivesses na URSS tinhas sido fuzilado" e ele, de imediato, "Com toda a certeza!". Uma outra vez, desesperei, de novo, com a sua filiação à horrível distopia. E ele, calmo, "tu esqueces-te que eu cresci durante a guerra de Espanha" (e depois na II GM, aquela do "paizinho dos povos", convém juntar). Lembrei-me disto (e dele) ao ler agora mesmo, no Facebook, um intelectual renomado, presumível tardo-sexagenário, botando "Viva a Catalunha livre do franquismo do governo de Espanha". Se o camarada Pimentel fosse vivo eu contar-lhe-ia esta tirada (entre outras) e ele, ateu anti-clerical ainda para mais, abanaria a cabeça naquele seu vagar de sarcasmo e exclamaria "Meu Deus!". E beberíamos um cálice de genebra. Ou de rum.

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Campanha eleitoral

por jpt, em 21.09.17

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Eu estou ao balcão do café, aqui nos Olivais. A comitiva PS entra, 5/ 6 carros de gente, campanha algo abonada, até "hino" próprio para a freguesia se gravou, e algo piroso, como manda a tradição destas coisas. Nela há alguém da junta, dizem-me, baixo, outros clientes. Pedem ao (afável) dono do café para afixar cópia do edital com o mapa das secções de voto, como é costume nas eleições. Resmungo para mim, que até andei a fazer eleições em alguns outros países, que não devia ser assim, é uma caravana partidária a distribuir material eleitoral, é uma confusão sempre desaconselhável. Depois saio, e vejo o que colaram. Atrevidos, aproveitaram a óbvia concordância do dono para encimarem a cópia do mapa eleitoral da freguesia com um cartaz partidário, que simula o apoio do estabelecimento comercial a esta candidatura. À revelia do proprietário. Este encolhe os ombros, desagradado mas, como qualquer pequeno comerciante, nada atreito a comprar conflitos locais.

 

43 anos de democracia e ainda não aprenderam a separar o partido do Estado. E treinaram-se nestas (pequenas?) malandrices. Um (pelo menos um) dos da caravana é professor, conheço-o. É esta trapalhada, indigna, que veicula como a tal "cidadania" que se ensina no secundário?

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Harry Dean Stanton (2)

por jpt, em 17.09.17

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O homem morreu aos 91 e ainda assim deixou este "Lucky", feito este ano e nele focado. Sobre o filme, que fica obrigatório, deixo este texto.

 

E já agora, para mostrar como o homem chegou aos 90 anos ...

 

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Harry Dean Stanton

por jpt, em 16.09.17

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Morreu agora, aos 91 anos. Uma carreira gigantesca, tamanha que um tipo vira-se para os recantos da memória e ele aparece em não-sei-quantos deles. O homem vai-se e deixa um buraco (fiquei agora a ler este belo texto de 2013).

 

Eu sei que estou a ser reducionista mas, mais do que tudo, ele foi-me o andarilho do "Paris Texas", filme, música e musa da minha geração. O outro dia morreu o Sam Shepard (co-argumentista), agora vai-se o Stanton. E o altar vai-se actualizando ... Deixo-o a cantar a "Cancion Mixteca"

E também a andar por ali, aqui

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Loures

por jpt, em 16.09.17

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308 câmaras, 3000 e tal freguesias. É normal e competente que o presidente de um partido não critique ou se demarque do que algum dos seus candidatos diz. O que tenderia a tornar-se num verdadeiro jarro de Pandora, tamanha a possibilidade real de haver candidatos pitorescos (e/ou suas retóricas)  ou, pelo menos, algo desajustados do rumo central. Mas há câmaras mais iguais do que outras. E pitorescos nada pitorescos. Uma sondagem anunciou que em Loures há uma maioria, apoiante de todos os partidos, concordante com as afirmações que o futeboleiro Ventura largou sobre a "ciganada" (não sei se também sobre a castração química ou a pena de morte, pois estes temas foram sendo deixados para trás). Talvez sim, e talvez isso não seja apenas o efeito do "anunciado na TV", como antes eram publicitados os produtos mais pimba. E sim, os políticos, locais ou nacionais, devem dar voz às perspectivas da população, aos seus diversos sectores e interesses. E se há uma particular tensão social no município, se há grupos mais atreitos a tornearem os enquadramentos legais, actue-se, identifiquem-se as questões e proceda-se para resolver os problemas (e não, não é à chibatada). 

 

Mas é óbvio que não é disso que se trata. Nem temos vindo a receber novas de que Loures seja um caso patológico. Nem a argumentação de Ventura assenta num conhecimento sociológico da realidade municipal. É apenas um tonitruante e inintelectual "diz que", um verdadeiro "boçalismo a microfone aberto". E que tendo algum sucesso eleitoral tenderá a alastrar-se (ou sedimentar-se), nas mentes habitantes das 300 e tais câmaras e 3000 freguesias. E dos seus políticos, nem que seja como estratégia de cabotagem. Por tudo isto, ao dinamizar e, acima de tudo, ao ombrear com este venturismo aventureiro, Pedro Passos Coelho está muito mal, etica e intelectualmente. E a mostrar desnorte político, a querer crescer em areias movediças (que o engolirão, a curto prazo). Ou seja, está a atirar a candidatura global PSD para a categoria "lixo" nas agências de avaliação da política. Nós.

 

- Agradeço imenso ao Pedro Correia pelo convite para regressar ao Delito de Opinião. Desde que daqui partira que me sentia blogo-orfão. Sinto-me agora qual o filho pródigo bíblico.

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