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Pensamento da semana

por Ana Cláudia Vicente, em 30.09.17

Procura, diante dos acontecimentos, ter as tuas reacções, não as dos outros.

Agostinho da Silva (1906-1994)

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Fora de Série (22)

por Ana Cláudia Vicente, em 19.06.16

Acenando a Alan Ball, autor da série, escolho começar por um fim. À mais miúda dos irmãos Fisher, Claire, caberá o guiar o epílogo de uma parte da história da sua família. Este será contado em tom e ritmo consideravelmente distantes de qualquer dos episódios das cinco temporadas de Six Feet Under / Sete Palmos de Terra: rápido, sem quês, entre a comoção e o ridículo para quem durante anos acompanhou todos os que desaparecerem e (re)aparecem no tempo desta melopeia: 

Vemos Claire (Lauren Ambrose) partir depois de crescer numa família que lida diariamente com o que, no nosso tempo e na nossa parte do mundo, a maioria tenta mais ou menos esforçadamente fazer de conta não (ha)ver: a morte. Assim sendo, a casa dos Fisher é também sede de agência funerária homónima, fundada por Nathaniel (Richard Jenkins), primeira baixa do primeiro episódio, a qual precipitará o regresso do seu filho mais velho, Nate (Peter Krause), e a recomposição do modo de viver de todos eles.

 

Treslendo um pouco a premissa desta série colectiva de posts, escolhi a história dos Fisher porque esta marcou a minha juventude, mais exactamente o seu fim. Guardo-a como a primeira da minha vida adulta. E sim, para adultos: dura, explícita, baralhante, grotesca, espiritual, angustiada. Pude vê-la porque passou na RTP2, tinha eu entre vinte cinco e os vinte sete ou vinte e oito anos; a personagem mais próxima da minha idade era David (Michael C. Hall), o filho do meio, o que tentava ser tudo para todos até já não o poder nem o querer. Muitas outras substanciais personagens nos foram apresentadas nesses anos, desde logo Ruth (Frances Conroy), a matriarca incompleta; ou Brenda, Federico, Keith e as suas famílias; George, Lisa, Maggie.

O melhor desta série não foi, pelo menos para mim, o ângulo talvez mais referenciado, de ilustração de um tempo e um espaço onde a morte e os seus ritos (ponto de partida de cada episódio) são fonte de estupefacção. O melhor foi, de longe, a representação do convívio entre os que ainda vivem e os que já partiram, qualquer que seja a interpretação (metafísica, onírica, psicológica) que dele possamos fazer. Como aqui:

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 19.06.16

Não tenho prestado a habitual atenção a esse saltitante entretém global que é a bola, o que é obra: não há canto do bairro, corredor do supermercado, balcão da bomba de gasolina ou mesa do café que nos deixe ignorar a jogatana europeia em curso. Não pondendo descartá-la, chego-me a ela nos meus descompassados termos: umas vezes espreito jogos na televisão, outras ouço relatos, noutras limito-me a ler as twittadelas ou os artigos de rescaldo. A sugestão que aqui vos deixo para a(s) próxima(s) semana(s) tem que ver com a dita cuja. É a reactivação (para já sem pressas, mas é ir espreitanto, é ir espreitando) da demanda de um trio de bloggers não propriamente desconhecidos - Sérgio Gouveia, Rogério Casanova e maradona. Three boys, one cup.  

Captura de ecrã 2016-06-19, às 20.22.14.png

 

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 17.01.16

Não sei se treze anos chegam para alcunhar de clássico o blogue que proponho para esta semana. Diria que sim. Ao seu autor, Tiago Cavaco, interessam várias coisas do sagrado e do mundano: fé, religião, música, livros, cinema, política. A Voz do Deserto é obra de espírito marcada pela temperança, convicção e entusiasmo. Ainda bem que se continua a deixar ouvir.

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O que parte dos que nos ficam

por Ana Cláudia Vicente, em 01.11.15

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 [Wassily Kandinsky, Toussaint, 1911]

Há qualquer coisa valiosa nisto de nos importarmos fundamentalmente com o mesmo de modos tão diferentes. Pensei-o ao ler o post sentido da Isabel. E apeteceu-me falar do outro viver a morte que ela enuncia. Eu vivo desse outro modo os que nos ficam depois de partirem. Presto culto aos mortos. Esses ritos, mais velhos que a nossa própria espécie, gestos agora feitos da limpeza de uma pedra, da deposição de uma flor, de uma oração, a mim fazem-me sentir ligada ao que é ancestralmente humano.

É um sentimento bastante primário, e de certa forma comunitário: lembro os meus e os que conheci não só por estes dias, mas nestes de outra maneira; lembro também os que pelos mesmos dias ou nas mesmas horas viveram noutro tempo coisa semelhante. E sim, há algo escuro e perturbador nessa religação. Também o há na meditação física e metafísica que ela oferece. Olhar o que parte dos que nos ficam pode ser isso - uma outra maneira de os deixar viver em nós.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 31.05.15

Como sugestão de leitura para semana que agora começa deixo-vos The Vault, o blogue de curiosidades históricas e arqueológicas da Slate, revista digital norte-americana que celebrará vinte anos daqui a uns meses. É um bom sítio para ficar a par das mais recentes ou exóticas perplexidades de quem lida com tempos e lugares que não são os nossos.

 

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 05.01.15

A sugestão que hoje vos trago não está em linha há muito tempo. Chama-se TV Walk With Me. Como o mote deixa entender, ali se fala do bom e do mau de um dos mais simples vícios do nosso tempo: a  televisão. E da nossa vida a par dela.

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A Década dos Diários, Cap.1

por Ana Cláudia Vicente, em 04.11.14

Onde já vai o fim do Verão, diz esta chuva toda. Isso e este post do nosso Pedro, que tão certeiramente evidencia uma das bases que escoram a comunicação neste meio - um mesmo ímpeto de trocar ideias, comum a pessoas bem diferentes umas das outras - trazem-me ao prometido. E o prometido não pretende muito, só revisitar o que não parece distante, mas já o é: o início de uma década de diários em rede. A década, se calhar. Em vários casos, dirão com razão, um pouco mais. Páginas codificadas para registos frequentes e actualizáveis, emulando as de outros navegadores, sem pele nem papel. Weblogs, depois blogs. Hoje blogues, cá.

Uns dirão que lêem weblogs desde o tempo em que Pedro Couto e Santos abriu portas. Outros que obtiveram, por volta da Segunda Guerra no Iraque, no trabalho, no liceu ou na faculdade, mesmo em casa, acesso limitado à world wide web. Muito cabo telefónico se enrodilhou por onde passámos nessa altura, livra. Sabemos, isso sim, que a massificação só teve hipótese depois do boom na disseminação da tecnologia ADSL, com início em 2002. A par e passo, com a crescente familiarização com o hipertexto e mais ou menos netiqueta, procuraram-se pontos comuns sobre os quais falar. Pelo que ouço vários leitores e bloggers da primeira hora (blogueadores, dizia-se então) a genealogia desta adesão remontará a duas moradas: o Pastilhas (desativado, v.Memória Virtual), fórum gerado por Miguel Esteves Cardoso e alfobre de muitos dos que entretanto foram assentando praça (Carlos Carapinha lembrou-os aqui); pouco depois, a A Coluna Infame, (v.Memória Virtual) obra de João Pereira Coutinho, Pedro Lomba e Pedro Mexia.   

Eu estava a acabar a licenciatura, preocupada com o estágio, por isso cheguei aqui um pouco depois, lá por 2003. Adiante conto melhor.

Aos interessados em Arqueoblogia:

o incrível depósito que é a Way Back Machine ou, no caso português, o (in)estimável trabalho de Leonel Vicente, são bons pontos de partida para chegar a algumas fontes, mesmo considerando esta nova realidade

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Delitos Poéticos (16)

por Ana Cláudia Vicente, em 16.07.14

 

O Portugal Futuro

 

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar                                                             
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

Ruy Belo, in 'Homem de Palavra[s]' (1969)

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Incentivos ao visionamento do Mundial, #4

por Ana Cláudia Vicente, em 13.07.14

Apesar de os resultados que se sucederam aos incentivos aqui declarados fazerem desta iniciativa um tremendo "pé-frio", opto por seguir adiante, deixando uma última chamada de atenção estética. Desta feita a escolha recai num argentino (que não o popular "Pocho" Lavezzi), de novo um médio: Fernando Gago, correntemente ao serviço do Boca Juniors.

 

 

[Gago numa perpectiva monoscópica]

 

[Gago numa perpectiva estereoscópica]

 

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 13.07.14

Enquanto respigo arquivos e vou desenleando fiapos de ideias sobre a minha década nos blogues (lá para o final deste Verão postarei essa pequenina série, aqui no D.O.), tenho aproveitado para passar pelas 'casas' de vários dos autores que - mal sabem muitos dele(a)s - me têm feito virtual companhia, e com quem cresci um pouco do muito que tenho a crescer na leitura do que me rodeia.

 

Nestes anos houve de tudo: os que abriram e fecharam a mesma porta várias vezes; os que bateram com a dita porta de vez, depois algum arrufo com a vizinhança; os que, carregados de bagagem, fizeram mudanças com cadência regular; os que prometeram não regressar, mas já aí estão outra vez. Nesta década houve também os que mantiveram morada certa, constantes numa predisposição, num imaginário próprio, num programa, até. Dentre estes últimos - uma boa dúzia - destaco hoje A Natureza do Mal, um clássico de André Bonirre e Luís Januário. Foram raras as vezes que por lá passei sem aprender ou ficar a conhecer coisa alguma.

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Incentivos ao visionamento do Mundial, #3

por Ana Cláudia Vicente, em 06.07.14

Os incentivos ao visionamento dessa telebolonovela a que os brasileiros chamam copa minguam com o passar dos dias, mas não desaparecem. Olhemos as áreas defensivas, sempre mais poupadas a grandes planos e replays - excepção feita a falhas clamorosas. Aí podemos encontrar Marcelo, carioca de um só nome mas muitos e belos caracóis. Eis, pois, o homem que lamentará ter inaugurado a contagem do Mundial 2014:

[Marcelo (Vieira da Silva, Jr.) a solo, quem sabe se acometido de uma premonição sobre o Brasil-Croácia.]

 

[Marcelo feat. David Luiz (amizade às vezes também é colo, ora essa), outro grande caracoludo.]

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Incentivos ao visionamento do Mundial, #2

por Ana Cláudia Vicente, em 22.06.14

Resultando em indignação geral, escolhi no último mundial futebolístico, dentre o património nacional aquele que bem poderia responder, de momento, pela alcunha de Adamastor. Torço para que os seus atuais preparos provoquem um tal choque estético no adversário, que uma qualquer distração abra brechas nas suas caparrudas fileiras.  

Divago. Vamos à escolha de hoje.

Destaco como incentivo ao adiantado da hora a que se transmite a partida, a visualização do meio-campista Miguel Veloso. Um homem que faz vida nos rigores dos Urais Cárpatos, mal vai que não dê conta do bafo amazónico...

 

[Miguel Veloso em movimento.]

 

 [Miguel Veloso parado (mas muito cônscio das suas responsabilidades, bem como da gravidade da hora que aproxima).]

 

A melhor das sortes aos atletas portugueses para o embate de mais logo.

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Incentivos ao visionamento do Mundial, #1

por Ana Cláudia Vicente, em 18.06.14

Olá, internet.

Após meses intensamente analógicos, tomei balanço para reconfigurar certa mini-série de que alguns se recordarão ainda, e cuja desculpa, desta vez, é o campeonato mundial de futebol em curso.

Quem vos trago, para começar?

Um defesa-central que estará há vários dias descoroçoado com a derrota imposta pelo país anfitrião. Falo de Vedran Ćorluka, membro da Selecção Nacional da Croácia.

 [Vedran à civil]

    

  [Vedran devidamente fardado]

 

Ultrapassado que foi o problema do penteado à Paulinho Cascavel (à Rui Costa, vá), atentemos no "alto e poderoso" jogador do Lokomotiv de Moscovo. Parece que a jorna lhe não está a correr mal, mas até ao lavar dos cestos... 

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 28.12.13

 [FLS, MAFLS]

 

Antes de mais, e já que ainda vos apanho na oitava natalícia, faço votos para que (trabalhando ou feriando) continuem a celebrar a quadra com ternura e boa disposição.

Gostava de vos recomendar nesta semana um blogue cuja minúcia e detalhe vão bem a par da sua matéria: chama-se Memórias e Arquivos da Fábrica de Loicas de Sacavém. Através da exposição das razões e inspiração inscritas em cada objecto, o seu autor - que não consegui identificar- torna possível sabermos um pouco mais sobre o nosso país na época da sua produção. Para mais, o dito autor/a parece tão ou mais recomendável que a obra: uma busca no Sapo permite intuir um daqueles polígrafos inspirados e curiosos que as novas plataformas de publicação em rede têm trazido ao conhecimento público. Um caso a seguir.

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Livros de cabeceira (18)

por Ana Cláudia Vicente, em 06.11.13

Há quem tenha nenhuma; eu tenho duas que também não o são.

No subúrbio lisboeta a última prateleira da estante que fica acima da cama contém livros de trabalho, algumas colectâneas de ficção, crónicas e poesia. Em termos historiográficos, o segundo volume da História da Vida Privada em Portugal, coordenado pelo Nuno G. Monteiro e dirigido por José Mattoso; é a época que mais desconheço, a Idade Moderna, aquela que mais subestimei durante e depois da licenciatura - agora, como dizem os primos brasileiros, vou correndo atrás do prejuízo. Um pouco mais abaixo está o volume do Luís Salgado de Matos sobre A Separação da Igreja e do Estado em Portugal, outro acerca da Questão Religiosa no Parlamento (1935-1974), da Paula Borges - República e Estado Novo, os tempos que mais me interessam.

Há depois uma rima de pequenos Essenciais da INCM mesmo abaixo daquela gambiarra ultrabarata e suficientemente eficaz do ikea, de Averróis a Adolfo Casais Monteiro; gosto muito da simplicidade nada desprendida da correcção científica que demonstram quase todos os opúsculos desta colecção.  Constam ainda um Mazagran, de J. Rentes de Carvalho, e as Fábulas de Jean La Fontaine (uma das poucas obras que releio). Depois vêm os chamados novíssimos, Daniel Faria e Pedro Mexia: a Obra Completa de um, a Vida Oculta de outro.

 

 

A outra cabeceira assolapada é um camiseiro e vive numa aldeia alentejana, afeito à existência de uma professora de cidade pequena: testes sumativos e monografias regionais; Manuel Antunes, bom para quem teima em não desistir nem sair do país; Manuel Ribeiro, um dos alentejanos mais interessantes e inquietos do século passado; Luiz Pacheco, dose de vidas que não consigo compreender, mas preciso conhecer.
Quanto vou conseguindo ler? Pouco, devagar. Há não muito, virava quatro livros por semana. That was then. Isto é agora.

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O que estou a ler (13)

por Ana Cláudia Vicente, em 30.08.13

Enquanto o Adolfo não vem, aproveito o ensejo para falar das minhas leituras. Este foi o Verão no qual menos pude ler, em muitos anos. Um só livro me acompanhou por estes dias : O Coleccionador de Erva, de Francisco José Viegas. Vou a páginas cento e nove, cento e dez:

 

 

 

«Alguma coisa acabou entretanto, alguma coisa que nunca mais registámos no deve e haver, naquela contabilidade inocente das nossas vidas.

Jaime Ramos pensou nisto porque o rosto de Irina era impenetrável, uma espécie de desafio à sua habilidade para arrancar confissões ou para perceber um caminho no meio dos becos dos subúrbios.»

 

Regresso então a Isaltino de Jesus, a Jaime Ramos, ao mundo da investigação de crimes de sangue num Portugal não tão ficcional quanto seria de desejar. Dois traços autorais me prendem a atenção, aí: a presença sensível de um território que nunca é apenas cenário ou decoração; a insistente sombra do insolúvel, apesar do progresso da acção.  Desta feita, há dois russos e uma africana aparecidos sem vida não longe do Porto, e uma portuguesa de velhas famílias desaparecida algures na Galiza. Ajustes novos, diferenças antigas. E o fim? E o título? Ainda não sei  comos nem porquês - prefiro disdesfrutar o caminho para lá chegar.  

     

 

Então e tu, Ana Lima, o que andas a ler?

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Trinta Anos e Oito Dias Depois

por Ana Cláudia Vicente, em 03.07.13

«Sem estabilidade e continuidade governativa não é possível disciplinar e aumentar a produção nacional, acumular a riqueza necessária ao investimento privado ou público, pôr termo aos elevados défices do Orçamento Geral do Estado e das Contas com o exterior; sem estabilidade e continuidade governativa não é possível extinguir ou sequer reduzir o endividamento externo, combater a inflação e o desemprego, proporcionar aos portugueses habitação, ir em auxílio dos reformados, dos pensionistas, dos doentes, dos inválidos e dos deficientes, tornar mais promissor o futuro dos jovens, etc; enfim, sem a estabilidade e a continuidade governativa não é possível elevar o nível de vida do povo português»

 

Carlos Alberto da Mota Pinto (1936-1985)

[Discurso de tomada de posse como Vice-Presidente do IX Governo Constitucional, conhecido por 'Bloco Central', 24 de Junho de '83]

 

Há outros, mas tem-me ocorrido Mota Pinto, homem que detinha já uma carreira académica sólida quando iniciou actividade política. Foi cooptado pelo PPD logo na sua fundação, tornou-se líder parlamentar durante a Constituinte. Desentendeu-se e reentendeu-se com o partido algumas vezes ao longo dos anos, foi ministro, primeiro-ministro. Impressiona-me particularmente o ter aceite, depois de disso, a vice-presidência de um governo de coligação com o PS, em circunstâncias tão adversas como as que acompanharam a intervenção do FMI.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 24.06.13

Para esta semana venho recomendar-vos um blogue de Jorge Lopes de Carvalho, o Manual de Maus Costumes. Como muitos outros autores da lusoblogolândia já teve (e tem) outras empreitadas, mas nada como começar pelo compêndio do dia, certo? Boas leituras!

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A Feira

por Ana Cláudia Vicente, em 23.05.13

A C. entrou-me hoje pela biblioteca a perguntar se amanhã ia à Feira, e eu sem saber que a dita já tinha começado. É uma entre alguns dos miúdos do oitavo que andam quase sempre com um livro a jeito, naquele modo draga-minas no qual tanto faz marchar Agatha Christie como Stephenie Meyer, J. R. Tolkien ou J.K. Rowling. Já juntou o que lhe faltava para lá ir em missão de resgate dos dois volumes desejados. Abriu o site para me mostrar o programa, quis explicar-me onde estavam os livros do dia. As boas dúzias de quilómetros para lá e para cá vai fazê-las com os pais, a quem diz ter dado pré-aviso de, mesmo em caso de chuva, haver total precisão de gelados.

 

Ser professora é, em vários dias, entre muitas coisas, ver simplesmente gente a correr bem. Um privilégio do caraças.

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Terça-Feira, 1

Acordei não muito mais tarde do que o costume. Já só tinha algumas horas com a família, incluindo os recém-chegados sobrinhos gémeos, pelo que dar biberão, pôr a arrotar e mudar fraldas extremamente badalhocas foi coisa preciosa. Quando ficamos a milenas de quilómetros dos mais próximos há que aproveitar. Deve ser a isto de ficar com o coração muito mas muito pequenino, na hora do embarque, que se chama o fado do (e)migrante.

 

Quarta-Feira, 2

Custou-me a acordar à hora habitual. Perguntei: «A passagem de ano foi boa?» e respondi: «Foi boa. E a s/t/ua?» dezenas de vezes. Fora isso, tratou-se de um dia cheio de motivos de interesse: andei os habituais 200 quilómetros (ida-e-volta) para ir trabalhar. Recebi, no espaço de duas semanas, pela segunda vez, o triste aviso de que uma casa da família havia sido assaltada. Passei a frequentar as respectivas esquadras/quartéis da PSP/GNR das freguesias das áreas das mesmas. Já conheço uma boa parte dos seus efectivos, passou-bem e tal. Estou extremamente instruída sobre modus operandi da malandragem, coisas que só acontececem no CSI e não na realidade porque são muito caras, etc.  

 

Quinta-Feira, 3

Dia normal. Falou-se do tempo. Os meus alunos têm vontade de aprender, quase todos. Vários deles têm o hábito de me apanhar no corredor e fazer um mosh que é um abraço que é um Feliz Ano Novo que me faz querer voltar todos os dias para eles.  

 

Sexta-Feira, 4

Nada de especial aconteceu. Falou-se do tempo para o fim-de-semana.

 

Sábado, 5

Acordei não muito mais tarde. Nenhuma surpresa durante o dia. Não encontrei nenhum ladrão dentro da casa roubada enquanto fazia o inventário das perdas na aldeia. À noite, o Sporting perdeu. Tenho saudades do Valckx (sim, o que jogava com a cara partida e tudo).


Domingo, 6

Acordei menos tarde do que ontem. Domingo perfeitamente banal, exceptuando o facto de que me baldei a um certo convívio blogosférico por motivos de força maior. Mandei beijinhos.

 

Segunda-Feira, 7

Custou-me a acordar à hora do costume. Sinto-me mariquitas, dói-me a garganta. Perguntei: «O fim-de-semana foi bom?» e respondi: «Eh, já passou. E o seu?» várias vezes. De resto, nenhuma novidade. Falou-se do tempo. Não odeio segundas-feiras, mas às vezes são duras como um corno.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 02.01.13

 

 Olá, malta-que-gosta-de-ler-blogues, espero que tenham chegado a 2013 sãos e salvos. Proponho, como leitura para esta semana, um clássico lusofónico que pode ser lido há quase uma década, o Ma-Schamba. O José Flávio Pimentel Teixeira, de há algum tempo acompanhado de vários outros hortelões, mantém um weblog habitualmente amanhado a partir de outras coordenadas; mais importante que isso será dizer que o recomendo por, ao fim de todos este anos, ser raro de lá sair sem ter lido algo que me tenha feito proveito.    

 

[Imagem: Ma-Schamba]

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Colheita de Outono

por Ana Cláudia Vicente, em 03.12.12

[Foto: Dias com Árvores (Porto, Jardim das Virtudes)]

 

Tinham avisado de antemão, é certo, mas nem por isso a pessoa fica menos satisfeita quando dá pela coisa: nestes últimos dias de Outono, José Rentes de Carvalho e Francisco José Viegas, como as nozes e os pinhões, reapareceram nos sítios do costume. Satisfeita porque ler um e outro assim, como os demais que admiro, nessas dosezitas homeopáticas, mais ou menos frequentes e imprevisíveis. Há uma beleza específica na gratuitidade e idiossincrasia da bloga, mais até do que na sua imediatez. E comigo, é muitas vezes o bom no inesperado que me leva a não perder a tramontana.

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Perguntas de Algibeira, #2

por Ana Cláudia Vicente, em 31.10.12

 

 [Foto: Túnel de Carey, Nova Iorque (Andrew Burton, Getty Images)]

 

Está vista a força da Técnica contra a técnica da Força*, neste caso, claro, a da Natureza: a Técnica quebra ou verga, a Natureza não. E manda, mesmo naquele que ainda é um centro do mundo. A Gawker, como tantos outros grupos, ficou apeada um dia inteiro, e regressou há pouco em modo de gerador-ligado-na-garagem, para dar conta das novidades do costume, mas também informar os que lá estão sobre como e quanto tempo vão ficar sem as coisas de primeiro mundo. Passam amanhã 257 anos sobre o dia em que nos calhou coisa assim. Daí que me esteja a roer a seguinte questão: assim de repente, quantos de vocês têm um plano mais ou menos desenhado no caso de se dar uma situação destas? Vá, dedos no ar: quem tem em casa um rádio a pilhas, uma lanterna a funcionar e pelo menos um garrafão de água potavel?  

 

* copyright Gabriel Alves.

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Perguntas de Algibeira, #1

por Ana Cláudia Vicente, em 15.10.12

 [Filipe Duarte e Maria João Bastos, adaptação televisiva de Equador, 2008]

 

O que é que possui alguns profissionais da escrita portugueses que os leva a conceber recorrentemente personagens femininas como, por exemplo, Ann Jameson (vide Equador, Miguel Sousa Tavares) ou Clarissa Warren (vide Linhas de Wellington, Carlos Saboga)? De onde vêm estas jovens, sempre britânicas e de boas famílias, que em pleno séc. XIX se dão bíblica e alegremente a protagonistas nacionais, entre vários outros personagens (para desgosto dos anteriores), como se estivessem a passar o Verão de 1982 na Praia da Rocha? 

 

 [Marcello Urgeghe e Victória Guerra, Linhas de Wellington, 2012]

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Gabriela, eu e ela

por Ana Cláudia Vicente, em 11.09.12
O remake - que ainda não espreitei, mas soube ter começado ontem - leva-me a crer que talvez devesse ter chamado a este fiapo de memória em segunda mão Eu, a minha Mãe, a Gabriela e a enfermeira-parteira Andreia, declarada admiradora dela. A presente opção, mais módica, venceu - andamos em tempo de poupança. À época da 50ª edição brasileira do romance de Jorge Amado - 1975, ano da chegada do meu irmão mais velho à existência - decidiu a Globo seriar em horário nobre a história de uma certa nordestina chegada ao litoral em mudança. Por cá, dois anos depois, reza a lenda ter sido tanta a cegueira que até o termo das sessões parlamentares regulava pela emissão daquela. Disto não estou segura. Mas sei que se cumprem neste mês trinta cinco anos sobre o dia em que a senhora mãe desta que vos escreve entrou num hospital, já perto da hora de jantar. Após a admissão, em avançado trabalho de me trazer ao convívio da restante humanidade, da parteira de serviço ouviu, incrédula, a pronta intimação:
 - Vá, vamos lá, então! Não podemos demorar! A 'Gabriela' está quase a começar!

 

[Foto: Sónia Sônia Braga, circa 1975, intérprete original das adaptações televisiva (TVGlobo; Durst/Avancini/Blota) e cinematográfica (Bruno Barreto) da Gabriela (1958) de Jorge Amado]

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O Bom Combate

por Ana Cláudia Vicente, em 01.08.12

«Voir loin, parler franc, agir ferme

 Pierre de Frédy

[Barão de Coubertin (1863-1937)]

 

[Foto: BBC Sport]


Se reais consequências se registarem após o arraial mediático du jour em torno do triste processo de qualificação para as finais olímpicas em Badminton, menos mal. Não deixa de ser justo e irónico que tal aconteça num território educativo tão admirado pelo pedagogo que reinstituiu Os Jogos na contemporaneidade.

Bem basta termos quase todos aceite que o futebol já não é o que era, e que muitas das regras básicas do desportivismo simplesmente deixaram de se lhe poder aplicar.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 09.07.12

Para entretém dos próximos dias trago-vos o Listverse, um dos blogues que dá a conhecer as mais divertidas e desconcertantes listas de informação que debruam o nosso quotidiano. Sem surpresa, este bem disposto exercício chegou ao blog top da Time de final do passado ano.

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Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #4

por Ana Cláudia Vicente, em 02.07.12

 

Menção honrosa a Pedro Proença, líder da equipa que apitou quatro partidas na competição acabada de acabar. Não sabemos se a cabeçada que o não derrubou o tem tornado mais forte, mas lá que faz o seu trabalho com galhardia e salero, isso faz.

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Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #3

por Ana Cláudia Vicente, em 29.06.12

 

 O jovem Mats aparenta estar um bocado em baixo (e com frio?), o que se compreende: quando a nossa selecção tem uma grande final à vista e lá não consegue chegar, a coisa maneiras-que-mói. 

Nome: Mats Hummels

Selecção: Alemanha

Clube: Borussia Dortmund (alias Ballspiel-Verein Borussia 1909 e. V. Dortmund)

Posição: Defesa Central

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Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #2

por Ana Cláudia Vicente, em 26.06.12

 

Podemos não ter ficado tristes com a saída de Inglaterra do Euro 2012, mas Scott Parker, o mais trim and dapper deles todos, deixa saudades. Sniff. Ei-zi-o aqui a dizer farewell - confio que, em estrita observância ao velho Tratado de Windsor (ou, como disse em tempos uma aluna minha, ao «Tratado de Whiskas») - à Selecção Espanhola.

 

Nome: Scott Parker

Selecção: Inglaterra

Clube: Tottenham (alias Tottenham Hotspur Football Club)

Posição: Médio

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Incentivos ao visionamento do Euro 2012, #1

por Ana Cláudia Vicente, em 25.06.12

 

Como em série que ganha pouco se deve mexer, repito aqui o dever cívico de chamar a atenção feminina para os discretos valores que, por estes dias, voltam a dotar a relva de algum esplendor metadesportivo. Comecemos por este meu homónimo, o qual na competição se apresenta (tal como Xabi Alonso, etc, deve ser moda...) barbado e temível qual Hanibal Ad Portas:

Nome: Claudio Marchisio

Selecção: Itália

Clube: Juventus (alias Juventus Football Club)

Posição: Médio [Ofensivo]

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A Feira em 2012

por Ana Cláudia Vicente, em 08.05.12

 [Foto: via Desacordo.net]

Fui num pé à sacramental Feira há já vários dias, e lá aproveitei algumas daquelas pechinchas especializadas (coisas do INCM, alfarrabistas & companhia) que todas juntas, só ali.

No meio de muito desconforto e bastante animação, fiquei feliz em dar conta que boa parte dos seus frequentadores estão, finalmente, adaptados à velha máxima "não há mau tempo, só mau equipamento". Vi carrinhos de bebé quitados com os mais variados e coloridos impermeáveis; pais ataviados como quem comprou bilhete para ir à Patagónia; casais de miúdos com aquela pinta de quem acabou de chegar da viagem à Serra da Estrela. Poucos com medo da chuva e de molhar o sapatinho. Sempre gostei deste ambiente  todo-o-terreno.

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Lisboa - Passado Presente

por Ana Cláudia Vicente, em 19.03.12

 

[Foto: Pedro Cunha, Público]

Investigadores ou simples entusiastas da história e arqueologia do nosso país não têm assim tantos dias destes quanto gostariam, por isso há que assinalá-los: tudo indica que a Praça D. Luís I e a lama da Ribeira tenham preservado um pedaço da Lisboa quinhentista e seiscentista, pronta agora para contar qualquer coisa de si à cidade actual, através de uma rampa náutica monumental, um pião, sapatos, balas de canhão e o que mais entretanto emergir. Muitos, apressados e cheios de furor conservacionista, criticam a construção do parque de estacionamento que ali está a ter lugar, ignorando que a construção desse mesmo parque, como tantos outros, permitiu a descoberta e registo do que se acha, o que não implica que as autoridades competentes não permaneçam atentas à eventual excepcionalidade do sítio. Seguramente, um caso com capítulos a seguir!    

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Cadáver Esquisito (2)

por Ana Cláudia Vicente, em 28.02.12

1. UM LIVRO

2

CA...... SARKIS G........N

 

Bastou a João Cosme um esfregar de olhos mais acordadiço para perceber que o livro havia de ser obra de bifes. Vamos e convenhamos: depois de uma mão cheia de filmes de estio na praça da vila, as garatujas da capa não exigiam um Detective Varatojo.

Já a aparição daquele volume ali, no seu quarto, o quarto do seu falecido padrinho, na exacta madrugada do regresso da "expedição"? Preocupante o suficiente para entender o quanto antes. Talvez começar por aquele resto de assinatura na folha de rosto: Ca...... Sarkis G........n?
Cosme ouviu os passos curtos e ainda ligeiros de Vivelinda em direcção à sala de refeições. O cheiro a pão fez parágrafo no seu ritual matinal de higiene, mais longo que o costume, dada a quantidade de lama terrosa que havia ficado por limpar.
Vivelinda! - chamou, com poucas maneiras.
Diz lá, João... - respondeu a sexagenária, em tom simétrico.
Qu'é lá?! - impôs ele.
Faz favor, menino Cosme... - fingiu a serviçal.
A madrinha e o professor José Augusto, já estão na casa de jantar? - inquiriu, por fim.
Não, menino, ainda só estás só tu e o Eduardo - despachou, empurrando o carrinho dos beberes.
Já não estamos nos Freixos, Vivelinda - resmoneou, deixando escapar o sotaque.
Pois não, João Cosme! - suspirou.
Bom dia, D. Linda - acenou, respeitoso, o outro inquilino.
Bom dia, sr. Eduardo - correspondeu, plácida.
 
(Este é o segundo capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Ana Vidal.)

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 06.02.12

Ora good evening. Em temporada de mais um jubileu isabelino aqui vos deixo Stuck in a Book, um biblioblogue bastante descontraído e omnívoro de Terras de Sua Aniversariante Majestade. Boas leituras, malta.

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Nas Malhas da Bloga

por Ana Cláudia Vicente, em 01.02.12

Ando arredia e desatenta: não sabia do novo (colectivo?) Malomil, nem que o João Pedro George - ao contrário do que há dias disse - ainda andava na bloga. Já viram este post em forma de carolo? Tau.

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Retro Actividades, #1

por Ana Cláudia Vicente, em 30.12.11

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O que ando a ler (15)

por Ana Cláudia Vicente, em 23.12.11

... Adolfo, é, por coincidência, uma biografia também. E devo dizer que não foi a clássica imprecação feita título, depois de arremessada pelo biografado em modo de resposta final na entrevista à Revista Ler, em 1995, que me fez poisar por uns dias o Nemésio com que me tenho andado a entreter. Foi um excerto do Diário de 1982 citado na dobra da capa, no qual Luiz Pacheco, escritor, crítico, polemista, malandrista e outras coisas mais, evoca o período de 'vida louca de Massamá', o qual inclui certa peregrinação em pijama e casaco até Lisboa, a 25 de Abril de 1974. 

[Foto: JL, in JRF]

Porque enfim, como pode uma moderadamente pacata mactamense viver sem perceber em que consistiu a vida louca de um dos seus mais ilustres  vizinhos? Não pode: a solução é fruir da resposta serzida, entre outras, pelo autor que em tempos também brincou aos blogues, de seu nome João Pedro George. Pelo que já li - e ainda estou a chegar a meio - a obra tem disto e muito mais, em modo vivo e limpo de dizer. 

 

[Nota: Ficaram curiosos? A Tinta-da-China disponibiliza algumas páginas para degustação.]

 

Mas então e tu, Ana Lima, o que andas por estes dias a ler? Conta, conta!

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Cartas do Segundo Mundo - O (outro) partido do táxi

por Ana Cláudia Vicente, em 05.12.11

 [Táxi: A Vida Portuguesa]

Quarta-feira, final da tarde, dia anterior à Greve Geral. Plataforma de estação de comboios do Alto Alentejo. Cerca de vinte pessoas aguardam o comboio inter-cidades vindo de Évora, com destino a Lisboa. Alunos e professores, consultores camarários, reformados de visita às famílias, passageiros locais, militares. Passam cinco minutos da hora tabelada, e este comboio não costuma atrasar-se. Quinze minutos. Alguém tenta encontrar pelo menos um funcionário da CP mas a estação está fechada, de luz apagada. Não há quaisquer avisos escritos ou sonoros e os funcionários da REFER no edifício adjacente dizem desconhecer o que se passa. A banda larga móvel dos viajantes mais novos permite confirmar o esperado: a greve geral já começou e este comboio de longo-curso foi simplesmente suprimido. Este mesmo comboio que, para além de fazer o serviço inter-cidades, substitui ao início e final do dia o regional, que deixou de existir, o que deixa sem qualquer alternativa uma boa parte de quem aqui está.

Os mais novos passam a informação aos restantes, e a desmobilização começa. Os mais-velhos regressam a casa e perdem o bilhete. Os militares dão uso aos telefones enquanto praguejam alto e em bom som, à caça de boleia. Uns quantos ficam estáticos na plataforma, sem reacção. Os de mais longe, à boa maneira portuguesa, desenrascam-se: uma das senhoras mais simples e despachadas sugere a alguns de nós, ilustres desconhecidos, que apanhemos sem demora um táxi até ao Pinhal Novo, já que lá a Fertagus poderá distribuir cada um para o seu destino. Ocorre-me o início dos anos oitenta, tempo em que ouvia o meu pai combinar ao telefone as 'vaquinhas' (ainda ninguém dizia car sharingcar pooling, e assim) rotativas com os colegas do banco, à porta do Palácio de Queluz. Então alguém desencanta o número de um tal senhor Raimundo, eu uso o telemóvel, outros dois passageiros juntam-se ao grupo, e aí vamos nós, noite caída; uma cidadã de trintas, uma de quarentas, um de cinquentas e uma de setenta e bons, pela estrada nacional fora, a espingardar e tentar sorrir ao revés do dia.

Quem ganhou com esta 'luta' antes do dia dela? Por aquilo que desembolsei, apenas os privados.

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Pequeno Momento de Propaganda Regionalista

por Ana Cláudia Vicente, em 29.11.11

[Foto:RTP]

Parabéns à Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova pela Medalha de Ouro conseguida nos World Cheese Awards deste ano. Enquanto uns lamentam o presente, outros investem, arriscam, preparam o futuro.

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Cartas do Segundo Mundo - Os Custos da Suburbanidade

por Ana Cláudia Vicente, em 09.11.11

[Foto: Sol]

A suburbanidade é particularmente exasperante e mal paga em dias como o de ontem, que é como quem diz: se há quem sofra com a insularidade, há também quem padeça à simples conta da distância a que vive do lugar onde trabalha, estuda e se entretém. Entre estes arrabaldenhos estão os que pelas mais variadas razões evitam queimar o seu dinheirinho em combustível fóssil, usando habitualmente o comboio, o autocarro e o metro para as suas deslocações. E por razões que desconheço, um dos mais constantes custos da condição suburbana portuguesa é o estar à mercê dos sindicatos ferroviários, para os quais o direito à greve nunca parece ser o último recurso. É ver quantas vezes por ano (nos últimos dez anos, na zona da grande Lisboa e Setúbal, por exemplo) o exercem.

Que mal pergunte: porquê? Por que é que há um grupo profissional específico que detém o poder de transtornar de x em x meses a vida de milhares e milhares de concidadãos, chegando de momento (e, ao que tenho memória, ineditamente) a dar-se ao desmando de informar os clientes de uma semana com "supressões", "atrasos","perturbações", ora "pontuais", ora "pequenas", ora "totais ou quase totais (sic)", sem serviços mínimos?

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E já que falamos em quantos somos

por Ana Cláudia Vicente, em 31.10.11

... esta simpática jiga-joga que a BBC colocou no site proporciona a todos os curiosos a descoberta do seu número (aproximado, imagino) de ordem de chegada ao planeta. É caso para dizer que somos mais que as mães.

 

[Foto: via Mien Magazine]

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Um Telefone à Janela

por Ana Cláudia Vicente, em 18.10.11

Não é difícil figurar a ocasião: apeada em Katowice como correspondente do Daily Telegraph, uma rapariga de quase vinte oito anos cumpria os primeiros dias da tarimba jornalística. O Verão de 1939 não iria durar. Hospedada pelo cônsul britânico, seu patrício, a dita rapariga haveria de ganhar à-vontade suficiente para pedir um dos automóveis do serviço diplomático (dos poucos que ainda tinham direito de  passagem entre a fronteira germano-polaca) para uma caça à notícia e avio de víveres. Do lado de lá traria velas, vinho, muitos rolos para a máquina e aquele que estava destinado a ser o primeiro dos 'furos' da sua vida: o avistamento de um aparato militar massivo no sentido polaco, sinal claro de uma manobra de invasão em curso. De volta a Katowice, conseguiria horas depois linha para a embaixada em Varsóvia de maneira a reportar o que vira. Sabemos hoje que começou por não ser levada a sério: ninguém - nenhuma autoridade militar ou diplomática - tinha ainda relatado tal iminência. Mas o tempo tinha passado, por isso Clare percebeu que restava esticar a corda, ou melhor, o fio do telefone até à janela - a ocupação já estava a acontecer. Em menos de quarenta e oito horas o Reino Unido e a França entrariam no conflito. O resto é História.

Ms. Hollingworth saiu ilesa desse e vários outros palcos de guerra, continuando a trabalhar até muito recentemente; reformou-se lá pelos oitenta, e só porque os olhos lhe começaram a falhar. E qualquer perfil biográfico é pródigo em mostrar o quanto fez após aquele primeiro scoop. Cem vezes parabéns, Clare Hollingworth.

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Estupor na Relva

por Ana Cláudia Vicente, em 05.10.11

Domingo passado, rés do almoço, calor e entradas. Chegada ao artigo do Nicolas Veron engasguei-me, tive de poisar a malga dos tremoços que estava a monopolizar com pouca vergonha, atirei o jornal ao chão, fui buscar a máquina, cheguei-lhe a dita malga e tirei provisoriamente as minis das legítimas mãos dos outros convivas. Aqui fica o resultado:

   [Natureza Morta Com Reclamo Amoral, 2011]

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Subsídios para o estudo do uso do fato sem gravata - 4

por Ana Cláudia Vicente, em 25.09.11

[Ricardo Trêpa (ataviado p/Dielmar), actor/modelo/restaurateur]

 

Em chegando o fresco, divisa-se ampla oportunidade para preenchimento (ou deflexão da atenção) do que os mais ortodoxos designam por lacuna gravatal: há espaço para toda a sorte de lenços, cachecóis, coletes, casacos, camisolas, etc. Esta é, seguramente, em termos de estilo, das estações em que os homens têm mais margem de expressão. Mais uma razão para o Outono ser das minhas alturas favoritas do ano.  

[Posts anteriores: #0;#1;#2;#3]

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Cibercidadania

por Ana Cláudia Vicente, em 21.09.11

A Ana Sofia já destacou aqui no Delito, no início desta semana, A Educação do Meu Umbigo, mas hoje repito esta ligação para um comentário mais alargado em forma de agradecimento. Existem, entre outros, três professores /bloggers - o Arlindo, o Ricardo Montes e o Paulo Guinote - que mantêm diários de informação e opinião que reputo da maior relevância acerca do que se vai vivendo no mundo da Educação em Portugal. Em cada um deles, por força da relação de confiança que foram estabelecendo ao longo do tempo com os seus pares em particular, e com leitores em geral, surgem com basta frequência informações mais actualizadas e completas do que nos media tradicionais, sendo ainda preenchidas lacunas e esclarecidas dúvidas deixadas pelos canais institucionais. Como uma de tantos professores que beneficiam do vosso ciberempenho -  muito obrigada.

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Subsídios para o estudo do uso do fato sem gravata - 3

por Ana Cláudia Vicente, em 30.08.11

  [A título de exemplo corporativo: J.L. Carrilho da Graça]

 

Entre os diferentes ofícios, um se destaca pela inclinação para bem vestir sem grandes formalismos: o dos arquitectos. Que é raro vê-los engravatados, lá isso é, mas que são estetas, lá isso são - por natureza ou formação. Desleixados não.

[Posts anteriores: #0;#1;#2]

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 29.08.11

Venho sugerir-vos para estes dias de regresso à vida-como-ela-é O Economista Português, um blogue de Luís Salgado de Matos. Mais conhecido pelo seu trabalho como politólogo, o autor mostra aqui, com a franqueza e espírito habituais, uma faceta menos óbvia do seu percurso profissional e político.

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Marketing Pouletico

por Ana Cláudia Vicente, em 28.08.11

 [Serpa Moura, Agosto de 2011 (Foto:N.Vicente)]

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