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Uma geometria muito variável

por Pedro Correia, em 25.09.17

 

Pacheco Pereira, Abril de 2013 (sobre Portugal):

«Vale a pena repetir. Existe democracia quando se verificam duas condições: a soberania popular expressa pelo voto, e o primado da lei. DUAS CONDIÇÕES.»

 

«A decisão do Tribunal Constitucional é que é a normalidade e a lei, e a política do governo é que é a anormalidade e a ilegalidade.»

 

«O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional , - do género "ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais", - mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início.»

 

Pacheco Pereira, Setembro de 2017 (sobre a Catalunha):

«Nunca vi tanto apelo à legalidade numa questão política conflitual e em que está em jogo uma vontade política que se quer (ou não) expressar pelo voto.»

 

«O argumento da legalidade é o mais hipócrita de todos.»

 

«Não me venham com argumentos elásticos sobre a legalidade, que ocultam a política.»

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46 comentários

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De Anónimo a 25.09.2017 às 10:31

Permitam-me que extrapole um pouco o post.
Alemanha, 2017.
Eleições livres, conformes ao sistema.
No próprio dia, violentas manifestações.
Contra alguma irregularidade fraudulenta?
Não!
Contra os resultados!
Não foram os desejados por muitos eleitores...
Ou seja, a democracia só vale, quando os resultados agradam àqueles que, pelos vistos, se julgam seus donos.
Grande democracia!!!
João de Brito
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 12:02

As manifestações foram violentas?
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De Justiniano a 25.09.2017 às 11:23

O paradoxo tempo lugar! As contradições do JPP já não têm piada, são como chuva em janeiro!
O que acho extraordinário é que o cronista continue incolumemente a transpirar ignorância sobre as milhentas matérias que versa sobre! Um almanaque!!
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 12:02

Os princípios mudam ao sabor da brisa na estrada que liga Elvas a Badajoz.
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De Justiniano a 25.09.2017 às 12:33

O problema de JPP não é apenas a geometria variável da sua opinião! É que, verdadeiramente, perdeu a piada e o interesse. Deixou, há muito , de ler! A heterodoxia que o animava nos idos de então, é hoje uma capa vulgar que mais serve para adjectivar tudo a torto e a direito! O que lhe falta, hoje, em coerência e solidez teórica e doutrinária sobeja-lhe em vaidade!!
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 14:36

A decisão do Tribunal Constitucional [espanhol] é que é a normalidade e a lei, e a política do governo [catalão] é que é a anormalidade e a ilegalidade.
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De Justiniano a 25.09.2017 às 14:53

É precisamente, o exemplo do caro Pedro Correia é claríssimo, isso que dizia ali abaixo ao caro Lavoura!!
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 18:03

Nada como aprendermos com os mestres.
Neste caso aprendi com o Pacheco Pereira de 2013.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 19:59

Justiniano são tramadas as auto avaliações. Ficam sempre aquém das dos outros. Talvez por vaidade da validade?
Pacheco sabe pensar e de tanto o fazer pensa já que o pensamento nada mais é que vaidade. E por humildade decidiu deixar de o fazer.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:04

Estes comentadores deviam, de vez em quando, reler o que escreveram num passado não demasiado distante. Evitavam dar tanta cambalhota e tanto trambolhão.
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De V. a 25.09.2017 às 12:07

Não são contradições. Isso tenho eu muitas. No caso de JPP é muitas embirrações não explicadas e vira-casaquismo um pouco ao sabor da pena. É o decano dos comentadores de direita de esquerda, ligeiramente menos burro do que aquele tipo a pilhas, como é que ele se chama?.. Ah, já sei, o Marques Mendes.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 14:33

"Comentadores de direita de esquerda"? Isso é um conceito revolucionário.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 20:01

Gosto mais do Lobo mau. É um prazer ouvi-lo falar de Economia e de políticas fiscais ao mesmo tempo que se senta em Conselhos de Administração.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:05

Melhor era o Costa, que fez o estágio para primeiro-ministro naquele programa. Imbatível.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 22:26

A Quadratura em termos de audiências suplanta o Você na TV.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:44

Tem audiências ao quadrado.
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De Luís Lavoura a 25.09.2017 às 11:43

Já há muito tempo que se sabe que as geometrias do peixeiro Pereira são muitíssimo variáveis. Por exemplo, foi contra o bombardeamento da Sérvia pela NATO em 1999, mas a favor da invasão do Iraque em 2003 (ou então o contrário, não interessa, de qualquer forma foi incoerente).
O que interessa é analisar, em cada caso, os argumentos dele, bons ou maus, e não propriamente saber se ele tem sido coerente ou não.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 12:01

Existe democracia quando se verificam duas condições: a soberania popular expressa pelo voto, e o primado da lei.
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De V. a 25.09.2017 às 12:08

Para o PS é mais a prima da lei.
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De Luís Lavoura a 25.09.2017 às 12:09

Exatamente. Na Espanha há o primado da lei. Já quanto ao voto, é melhor não o levar a cabo porque nunca se sabe se o resultado não será o indesejado.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 20:04

Não existe democracia se os partidos não estiverem ao serviço do público. Partidocracia não é democracia. Os interesses dos políticos raramente são os dos eleitores. Veja-se abstenção
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:07

Abstenção onde? Na Alemanha não: houve uma participação eleitoral superior a três quartos dos eleitores:
https://en.wikipedia.org/wiki/German_federal_election,_2017
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 22:27

Em Portugal. Quero lá saber dos hunos
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:47

Há abstenção em Portugal? Não admira. Há muitos anos que os mortos não são retirados dos cadernos eleitorais.
Daí termos chegado a este absurdo: 9,4 milhões de "eleitores" numa população de 8,5 milhões com capacidade eleitoral.
http://observador.pt/2017/03/27/em-portugal-ha-mais-eleitores-do-que-populacao-votante/
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De Vlad, o Emborcador a 26.09.2017 às 08:00

Esse poderá ser um dos factores. Mas não é o suficiente para justificar os níveis de abstenção. As pessoas estão desiludidas com os políticos. Vejam-se os estudos de opinião que os portugueses têm dos partidos....
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De Justiniano a 25.09.2017 às 14:28

Meu caro a coerência não é uma virtude em si própria, é relativa ou pertinente a um determinado logos. Não é a incoerência do argumento que se lhe aponta, mas a incoerência do objecto sobre o que versa o argumento. JPP aponta o cinismo, hipocrisia e a insídia a terceiros quando estes são falhos de coerência sobre o objecto mediato do argumento! Como empirista dir-se-ia que estaria empiricamente errado. Como idealista diria que me parece demasiado preso às contingências do cotidiano! Em ambos os casos, pouco interessante!
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 18:04

Para alguns, a "verdade" só existe entre aspas. É algo muito relativo. E sempre com carácter instrumental.
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De Vlad, o Emborcador a 26.09.2017 às 11:07

A Verdade! Lembre-se de Pilatos
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De amendes a 25.09.2017 às 12:16

A Madeira/Açores - são regiões autónomas de Portugal

Pode uma delas ou as duas referendarem a independência?

Sem qualquer sufismo: gostaria de saber.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 14:29

É perguntar ao Pacheco Pereira de 2013. Ou - para algo completamente diferente - ao Pacheco Pereira de 2017.
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De Justiniano a 25.09.2017 às 15:38

Em Novembro sai a versão 10.9.34!! Dizem-me, contudo, que é melhor esperar pela versão 11.0, com melhor desempenho e estabilidade do sistema assim como melhorias de compatibilidade e segurança!
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 18:05

Mal posso esperar.
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De Anónimo a 25.09.2017 às 15:46

Referendar sem estar na Constituição? E depois com um referendo organizado sem regras nem leis pré-definidas? Essa não. Seria um golpe e não um referendo. Os golpes são possíveis, nunca são legais mas são possíveis e por vezes muito úteis.
Para mim (há quem tenha opinião diferente) o golpe do 25 de Abril foi ilegal mas muito útil, rejubilei. O da Catalunha parece-me ilegal e prejudicial. Mas se os independentista tiverem força podem ganhar apesar de ilegal. No 25 de Abril os golpistas ganharam. Mas há casos em que perdem e até são fuzilados.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 18:06

O 25 de Abril foi um golpe de Estado contra uma ditadura.

Na Catalunha está em curso um golpe de Estado contra a democracia. Pilotado pela esquerda mais extremista da Península Ibérica.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 19:53

Está a ver Pedro como a esquerda sabe governar. Comandam umas das regiões mais prósperas da península a par com Portugal
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:10

Meu caro, o principal partido da Catalunha é tudo menos de esquerda. Anda, isso sim, a reboque da extrema-esquerda no golpe de Estado que está em curso.
Vai sofrer na pele nas próximas eleições autonómicas, que serão fatalmente antecipadas.
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De Vlad, o Emborcador a 25.09.2017 às 22:30

Hmmmm....Não sei. Por vezes os inimigos dos meus inimigos meus amigos são. Tiveram cojones para desafiar Madrid. E isso conta. As pessoas estan hartas de palabras bacias.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:48

"Cojones" é um termo castelhano. Não me parece que os catalães os tenham.
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De jpt a 25.09.2017 às 12:37

Elasticidade
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 14:29

Como dizia o outro, quatro anos é muito tempo.
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De K. Goedel a 25.09.2017 às 13:03

Durante muito tempo pensava-se que a geometria euclidiana era a apropriada para descrever o universo. Depois chegou-se à conclusão de que a de Rieman era preferível (apesar de contrariar escandalosamente a intuição).
Eu estou convencido que a interpretação da realidade é de "geometria variável" e que uma "geometria fixa" não dá.
Este espaço de comentários é demasiado curto para eu explicar melhor a minha ideia.
Deste modo as posições de P. Pereira parecem-me aceitáveis e acho que, no mínimo, merecem discussão.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 14:30

Merecem discussão, claro.
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De Justiniano a 25.09.2017 às 16:04

À discussão, então!
Aventa o cronista que se deveria permitir o referendo, farsa digo eu, de modo informal, em cima do joelho, e à revelia da lei, das formas e regimentos que regem estas coisas, salvaguardando a verdade e lisura material do acto, porque, verdadeiramente, o que importa é a política. E, como sabemos, a política está muito acima destas coisas menores e aborrecidas. A política é a verdade, a legalidade constitucional e eleitoral é um mero logro que visa manter o estado de coisas!! Ainda que não tenha valor jurídico terá valor político líquido, porque assim diz o cronista! Façamos, em cima do joelho, um referendo sobre a instituição do concelho de Canelas e tiremos, depois, conclusões políticas!!
O que é verdadeiramente relevante, em tudo na vida, é tirar conclusões políticas sobre tudo!! (conclusões políticas sobre a minha vizinha do 6º, sobre o mês de Novembro e tudo e mais) E note-se que insta o Governo de Portugal a apoiar e instigar a secessão emancipadora da Catalunha! Valha-nos que o Santos Silva, apesar da gala histriónica em dias de folga, não é tolo!!
(Já agora, a UE autorizou ou, de algum modo, crismou o referendo na Escócia??)

No fundo, acho, sinceramente, que o JPP está aborrecido e carece de um evento verdadeiramente relevante, com sangue suor e lágrimas. Uma coisa, assim apocalíptica. Uma pedrada no charco que agite as águas e que permita ler e produzir notícias trágicas que o retirem desta entediante maresia política de consensos e quejandos!!
É pena o homem não gostar de bola, sempre tinha bom remédio!
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De Justiniano a 25.09.2017 às 16:25

Concluindo o assunto JPP, que não venceria metade da prosa aqui empregue.
No fundo, ou verdadeiramente, tenho lido pelas páginas deste blog, de comentadores anónimos que, exclusivamente animados pelo espírito do interesse esclarecido e da boa vontade, sem vantagem económica alguma, aqui têm explanado, sobre este tema, argumentos, resenhas históricas comparadas e considerandos de uma pertinência e mérito muito superiores às que JPP apresenta na sua crónica! E esta crónica não é mais, lamentavelmente, que o padrão JPP! Nem mais nem menos, o mesmo!
Ou seja, há aqui, nestas páginas, interlocutores interessados com quem perspectivar uma discussão, merecedores de discussão, pertinentes, valorosos e, sem dúvida, mais interessantes!
Um bem haja a todos,
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De Beatriz Santos a 25.09.2017 às 21:53

Concordo. Não me parece que copiar excertos do que uma pessoa diz em contextos diverso sirva para proclamar as suas contradições de princípio. Porque podem não o ser. Tenho boa opinião de JPP. E do que já lhe ouvi, não me parece sujeito vaidoso e muito menos que sejam de desprezar as suas opiniões. Compará-lo com Marques Mendes diz alguma coisa de quem teve a ideia. Na verdade, lagartixas e jacarés não são a mesma coisa.
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De Pedro Correia a 25.09.2017 às 22:11

É zoóloga, Beatriz? Parece perceber muito de lagartixas.

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