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Uma escolha política, orgulhosamente

por João André, em 06.07.15

Discordo em muitos aspectos com o post do Pedro, embora não com tudo.

 

Não vejo a pergunta como absurda: é indiferente qual o acordo concreto que estivesse em cima da mesa ou que dela tivesse sido retirado. O referendo é um acto político em resposta a uma pergunta política. A questão grega é uma questão unicamente política. Nela, a economia e as finanças são detalhes. A pergunta era feita sobre uma proposta específica, mas versava de forma óbvia uma escolha política. Foi a esta pergunta que os gregos deram uma resposta: não aceitamos uma austeridade sem limites imposta externamente de forma cega.


A "propaganda" foi feita dos dois lados. Se o governo fez propaganda maciça pelo "não", a Europa e a oposição grega fizeram-na pelo "sim", inclusivamente ameaçando, aparentemente manipulando sondagens e tentando esconder relatórios. Os gregos não se deixaram enganar. Sabem bem que escolha fizeram. Se é boa ou má isso ver-se-à no futuro, mas estão conscientes do que fizeram.


Poderá ser uma vitória pírrica? Sem dúvida, mas como escrevi, os gregos estavam disso conscientes. Aquilo que valorizam é diferente daquilo que outros povos valorizarão: são mais orgulhosos e cientes da sua independência. Estarão dispostos a mais sacrifícios se forem decididos por si mesmos (ou pelos seus). Nisto são muito mais europeus de leste que ocidentais.


A escolha foi entre uma tortura lenta, longa, sem fim à vista, sem esperança e imposta por fora; e uma tortura eventualmente mais violenta, mais rápida, igualmente sem saber quando chega o fim mas com a esperança de chegar e, importante, escolhida. Quem não compreender isto - e que a escolha deixou há muito de ser económica ou financeira - não compreenderá nunca o resultado de ontem.

 

Correcção: fui alertado para um erro. Na minha versão anterior tinha escrito no último parágrafo que a «escolha deixou há muito de ser política», quando quis obviamente dizer «económica e financeira» como agora está escrito.

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40 comentários

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De Bem Visto! a 06.07.2015 às 09:51

Ah, pois claro, um referendo feito sobre o joelho sobre uma questão já caducada é uma óbvia manifestação de inteligência e competência.
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De João André a 06.07.2015 às 18:11

A questão não é caducada. Se ler o post perceberá que o referendo foi menos sobre a oferta específica e mais sobre o essencial da mesma.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 09:57

Imagina um país onde há mais de 40 anos não se realizasse um referendo por estar em total desadequação com os hábitos políticos - nem sequer a adesão à Europa foi referendada. Imagina um país onde um referendo é convocado com uma semana de antecedência, sem tempo para organizar qualquer verdadeira campanha de opinião. Imagina um país governado por um primeiro-ministro que esteve na linha da frente do combate a uma anterior tentativa de referendo anunciada há cinco anos por um antecessor. Imagina um país com uma "campanha" referendária" com doses maciças de propaganda do 'não' sem que se escutasse praticamente uma voz favorável ao 'sim' (e disso fizeram eco todos os enviados especiais). Imagina um país em que a única pergunta legítima que deveria ser feita aos eleitores ("pretende continuar na zona euro?") ficou fora do boletim de voto.
Esse país é a Grécia.
Que a vitória foi pírrica acaba de ficar demonstrado pela demissão do ministro das Finanças.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 10:30

" But there is one result of the fatuous and fraudulent referendum in Greece that is beyond doubt."

É assim que o Times de Londres, se refere ao "referendo" grego. O resultado só provou que não pode haver confiança na Grécia e daí serão certamente tiradas ilações.
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De da Maia a 06.07.2015 às 12:56

É extraordinária a concepção de democracia dos grandes democratas desta Europa.
Incomoda um referendo, porque o povo não tem capacidade de entender o que está em questão... Já ter governos eleitos que não cumprem nenhuma promessa eleitoral, isso não causa nenhuma mossa no conceito "democrático".
Claríssimo! Com democratas destes, o conceito é purificado.

Essas afirmações contra os referendos, são um golpe directo a quem as profere. Seja ele Tsipras em 2011, ou o Times em 2015.
E se há coisa que os gregos bem entendiam estar em causa era esta, pelas prolongadas negociações. Vê-se aliás que não houve muitos votos em branco ou nulos, conforme alguns queriam - o PC grego, por exemplo.
E se dúvidas tivessem, o BCE fez questão de secar os bancos gregos de moeda, para que tivessem um período de reflexão esclarecedor.

Agora, o que há, e isso vê-se bem, é uma total incapacidade de lidar com resultados contrários à vontade da "malta que manda".
Ortodoxia pura e dura, e não é grega.
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De Meta explicador a 06.07.2015 às 18:19

O povo não podia sequer ter a capacidade de percepção do que se tratava no referendo pela pura e simples razão de que a pergunta não fazia sentido, uma vez que a questão tinha deixado de estar sobre a mesa.

Difícil de compreender, isto.
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De João André a 06.07.2015 às 18:32

Há boas razões legais para contestar o referendo. Se viesse da outra parte é garantido que seria contestado ao contrário. As instituições gregas que o façam, tal como sempre o deveriam ter feito.

Mas é esclarecedor ver tipos como os do Times a apoiarem-se em aspectos legais para tentar eliminar a resposta dos gregos a uma questão eminentemente política. A esta deram resposta e, mesmo que acabe não vinculativo, o governo grego está políticamente fortalecido.
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De da Maia a 06.07.2015 às 20:15

João, estamos de acordo, justamente pelas razões que deu - era um assunto interno, foi questionado internamente, e autorizado.
A pergunta até poderia ser sobre a proposta de 2011, que continuaria a ser uma questão válida, seria era irrelevante... mas isso é outra coisa diferente.
O resto são tentativas de interferência externa, como já é habitual, e só deixam em causa pasquins estrangeiros, que sempre pretenderam vender a imagem de independência e objectividade.
Tiveram azar.
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De João André a 06.07.2015 às 18:29

É bom saber que o Times não decide questões legais, especialmente se fora do país.

Houve um tribunal grego que questionou a validade do referendo mas decidiu não o contestar. Os resultados podem ainda ser impugnados, não há dúvida. Felizmente também aqui têm que ser os gregos a decidir. A não ser que a Europa faça o governo cair, lá coloquem outros sabujos e acabe Karlsruhe a decidir estas coisas que o sul da Europa não percebe.
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De João André a 06.07.2015 às 18:18

Pedro, na minha opinião nenhum dos teus argumentos é válido e simplesmente por uma razão: o passado não pode ser condicionante do futuro. Aquando da "Primavera Árabe" usaste (segundo me recordo) o mesmíssimo argumento para defenderes o teu entusiasmo contra aqueles que diziam que os séculos de tirania tornavam os árabes incapazes de ser democratas. Eu discordei do teu entusiasmo, mas não por esse argumento.

Quanto à campanha, não sei qual viste, mas eu vi uma onde a Europa andou o tempo todo a ameaçar a Grécia (inclusivamente mentindo, uma vez que ninguém pode expulsar nenhum país da zona Euro) e a tentar esconder relatórios, ao mesmo tempo que aparentemente iam surgindo sondagens falsas ou incompletas que davam vitórias ao sim. A mim pareceu-me ver notícias sobre os comícios na Grécia pelo sim e pelo não. Mas se calhar foram efeitos especiais das televisões alemãs e inglesas e holandesas, que com a austeridade as portuguesas não os podem pagar.

A pergunta que referes não foi feita porque não tem que ser feita. Os gregos não querem sair. Apenas defendem que se deve encontrar uma solução política que o permita e, ao mesmo tempo, não os queime vivos. Mas estão preparados para as consequências deste voto. Podem não ser expulsos do Euro (como escrevi acima, isso não é possível) mas o Euro pode "deixar" a Grécia.

Quanto à saída de Varoufakis, ou foi saída de decisões antigas ou então, se foi resultado da pressão externa, ainda mais justifica o voto: a Europa não gosta de um governo democraticamente eleito e exige outro. Não é o meu conceito de democracia.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 23:37

João, a mentira veio do Governo grego. Que procurou convencer o eleitorado de que não haverá novas medidas de austeridade.
Isso não é sério.
Na própria semana do "referendo", Tsipras negociava com as instituições europeias um terceiro programa de resgate. Um programa de 40 milhões a 50 milhões de euros que, a ser aprovado, virá fatalmente acompanhado por medidas de austeridade e se destina a cobrir as necessidades da Grécia para os próximos dez meses.
É a menos má das soluções em vista, do ponto de vista grego. Agora imagina se todos os países decidirem referendar também ao auxílio financeiro à Grécia. Porque há moralidade ou comem todos.
Com o plebiscito tirado da cartola, como qualquer demagogo consumado, o PM grego comprou apenas tempo perante a sua própria base política de apoio. Procurando unir um partido que está mais do que fracturado. Enquanto deixava cair o seu mediático ministro das Finanças, que sai de cena ao fim de escassos cinco meses em funções.
Ouço falar em coragem. Coragem teria sido um verdadeiro referendo na Grécia, com tempo para organizar uma campanha séria e credível, em que se questionasse a população grega sobre a manutenção no euro. Coragem seria ver este PM taxar o clero grego e os armadores milionários que permanecem isentos de pagamento de imposto. Coragem seria vê-lo reduzir o orçamento militar para os parâmetros médios europeus, ao contrário do sucede agora.
De Janeiro até hoje, não esqueçamos, voaram dos bancos gregos mais de 40 mil milhões de euros. Eis, em toda a dimensão, uma verdadeira prova de "confiança" da população grega neste Governo. Quando dentro de dias deixar de haver dinheiro nas máquinas multibanco essa "confiança" certamente aumentará.
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De João André a 07.07.2015 às 10:47

É verdade que o Syriza não foi correcto. Não sei se foi mentira ou simplesmente incapacidade para compreender a realidade: que o ajustamento, com mais ou menos austeridade, venha ela de onde vier, vai ser doloroso. Nisso não difere da troika e governo português (e outros), que promete austeridade que vale a pena e ainda não se viu nada. Quantas vezes não vimos já o governo com um esfregar de mãos a prometer "para o ano é que é"? (usando a velha piada benfiquista sobre os sportinguistas).

Este governo do Syriza foi eleito para atacar a austeridade. Fosse realista ou não (e não creio que o fosse, pelo menos como o idealizaram) a verdade é que o mandato não lhes permitia impôr uma austeridade a todo o custo como a Europa queria fazer (inclusivamente retirando medidas que tinha prometido uns dias antes). O Syriza até apresentou alguma abertura para fazer concessões que estavam para lá daquilo que tinha prometido. Possivelmente não eram suficientes, mas tiveram mais abertura para negociar que a UE, a qual não negociou, disse simplesmente: "é sim ou sopas" (se calhar nem sopas).

Perante o cenário, o Syriza decidiu avançar com o referendo. Assim, se os gregos o quisessem, poderiam dizer que aceitavam essas medidas de austeridade. Mais uma vez o contraste com o governo português que avançou com um programa e implementou outro e não parece abrir a boca sobre austeridade sem sair mentira (ou spin da mesma).

Estou sinceramente farto do argumento "referendo à permanência no Euro". Se os outros países querem a Grécia fora do Euro que o proponham e avancem com uma metodologia para isso. Não existem mecanismos para saída do Euro, por isso a escolha é parva. Alguém me diz como seria feita? A verdade é que as instituições não querem a Grécia fora do Euro porque isso seria o fim do projecto. Merkel percebe isso perfeitamente (mesmo que tenha sido quase a principal responsável por esta situação).

Coragem seria tomar essas medidas? Reduzir o orçamento militar? Os alemães não os deixam não comprar o equipamento já encomendado, mas obrigam-nos a cortar nas pensões? De acordo com taxar clero e armadores, seria bom que tais coisas fossem feitas em Portugal também, em vez de ir ao bolso dos mesmos e andar a reduzir TSUs. Claro que voou dinheiro dos bancos gregos. Ninguém acredita que a coisa acabe bem. Porque razão pensas que o Syriza chegou ao poder? Foi porque corria tudo bem? É como aquela história do homem que vai caíndo: "até aqui tudo bem"?

Não há dinheiro nas máquinas multibanco? O que me espanta é que as pessoas conseguissem chegar a esse ponto. Quantas julgas que teriam os 60 euros por dia? Isso dá salários de 1800 euros mensais por pessoa. Quantos gregos terão esse dinheiro? O dinheiro acabou há muito e só o BCE tem mantido os bancos à tona, coisa que já vem desde há muito. A corda esticaria um dia. Andar com fantasias não mudará nada.

Provavelmente o euro deixará a Grécia (e não a Grécia o Euro) numa acção que destruirá toda e qualquer confiança no "projecto europeu". Daqui a 100 anos teremos outro livro sobre "Os Sonâmbulos", só espero que seja essencialmente político e económico, sem partes sobre conflitos. Ou talvez eu esteja enganado e os europeus despertem, percebam que o problema é político e não económico, se decidam por maior integração, reduzam brutalmente as dívidas da Grécia (que nunca serão pagas, seja lá qual for a solução escolhida) e se decidam por um novo início. Não espero sentado.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 13:00

João, é verdade que os tratados não prevêem a existência de mecanismos para a saída do euro. Isto deriva de uma amarga ironia: toda a construção europeia foi feita com base num optmismo panglossiano que está a ser desmentido pelos factos.
Mas perguntas: "Alguém me diz como seria feita [essa saída]?"
A resposta parece-me óbvia. E, digam o que disserem os tratados, tem data marcada: 20 de Julho.
Se falhar nesse dia o compromisso de pagamento de 3,5 mil milhões de euros assumido perante o Banco Central Europeu - que, recordo, é a única entidade à qual ainda pode recorrer para efeitos de financiamento - a Grécia força o BCE a desencadear procedimentos internos que conduzirão, na prática, à sua exclusão da eurozona. Restando por isso ao executivo Tsipras o cenário alternativo de imprimir moeda autónoma, chame-se como se chamar, sem qualquer validade fora das fronteiras gregas e que conduzirá na prática a uma depreciação brutal do poder de compra da população.
O referendo foi há dois dias. Mas parece ter já ocorrido há dois anos, tão volátil é a realidade grega e tão teimosos são os factos:
http://ionline.pt/artigo/401029/grecia-tsipras-pede-7-mil-milhoes-de-urg-ncia?seccao=Mundo_i
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De Anónimo a 06.07.2015 às 22:16

Eu imagino um país onde se faça um referendo, com uma semana de antecedência porque as pessoas já estão mais que elucidadas, sobre o que querem e não querem. Imagino porque houve um presidente da UE Furão Barroso que foi MRPP e mudou, logo, todos podemos mudar de opinião e de ser. Imagino um país onde houve doses maciças de campanha ao sim a nível europeu e a nível local, tiveram foi azar com o dia da manifestação, sabe-se lá porquê, mas caiu uma tromba de água que afugentou todos os do sim. O ministro das finanças demitiu-se porque não queria chocar com os senhores que o apelidavam de crianças. A vitória, mostrou que os gregos sabem que assim não querem continuar porque mais austeridade não os leva a lado nenhum, a não ser, a mais desgraça como nos levou a nós. Se a Grécia sair, a seguir vamos nós, por isso deveríamos ser solidários com os gregos e não lutar contra eles.
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De Nuno a 06.07.2015 às 10:14

Isso está tudo muito bem. Mas os mesmos gregos que votaram 60% que não dizem querer o Euro e a Europa.

Se sabem muito bem o que querem é bom que saibam também que nem sempre se pode ter tudo aquilo que se quer, sobretudo quando o que se quer depende também da vontade dos outros.
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De João André a 06.07.2015 às 18:34

Sabem bem o que querem e conhecem as consequências de não o obterem. Sabem também que aquele "acordo" de há 10 dias não era aquilo que queriam. Era o oposto do que queriam com completa subserviência.

Claro que isto depende dos outros. A Europa pode também decidir livrar-se da Grécia (mais uma vez, os gregos sabem-no bem). Se assim o decidirem que o façam. Os gregos sofrerão muito (sofrerão sempre muito em qualquer situação) mas os europeus também sofrerão. É bom que passem a sabê-lo.
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De Vento a 06.07.2015 às 10:22

João,

há um pormenor a equacionar nesta sua reflexão. A questão colocada pelo eurogrupo sobre a saída da Grécia da zona euro caso o "Não" vencesse.
Significa isto que a opinião pública grega estava consciente da sua opção quando votou.

Mais, foi o próprio governo grego, durante a semana da convocação do referendo, que veio afirmar que caso se mantivessem essas ameaças recorreria ao Tribunal Europeu para as impugnar.

Aqui:
http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11707092/Greece-threatens-top-court-action-to-block-Grexit.html

Eu sei que estas notícias não saem em Portugal.

Como tal, é falso que alguma vez estivesse em causa a saída da zona euro, neste referendo. Quem colocou esta hipótese foi a chantagem do Eurogrupo.

Yanis Varoufakis, há poucas horas atrás, apresentou sua demissão, afirmando que por não ser bem-vindo junto de alguns do Eurogrupo não queria colocar em causa a vitória do referendo e, assim, ajudar Tsipras e o povo grego.
Aqui está a atitude de um "extremista radical" que não se vê reproduzida em Portugal com escândalos fiscais e outros mais.

Esta vitória, ao contrário do que afirma, não foi pírrica, foi uma vitória de grandes generais conhecedores da corrupção do sistema quer político quer financeiro europeu.
Uma vitória que marca uma mudança definitiva nesta falsa União. Os povos já viram quem são os mercados e nada mais será o mesmo.
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De João André a 06.07.2015 às 18:39

Caro Vento, nunca afirmei que a vitória foi pírrica. Apenas indiquei que poderá ser pírrica (se não levar a nada senão a novo resgate sob condições piores - é sempre possível...)

A saída do Euro não é possível porque não está prevista em nenhum tratado. Os outros países podem é decidir usar alguns mecanismos financeiros (que eu não conheço nem sei se compreenderia) para que o Euro acabe a deixar a Grécia para trás (nova moeda, um Euro 2.0, que poderia ser obtido nos bancos dos países que nele entrassem e só por residentes, por exemplo).

A saída de Varoufakis é exemplo de espinha bem direita e do nojento ataque que os líderes europeus fazem ao governo grego. Considero que ele e Tsipras não melhoraram em nada a situação da Grécia com a sua diplomacia pior que medieval ao estilo de rinoceronte em loja de porcelanas, mas é um ministro de um governo eleito democraticamente e merece o respeito dos pares.
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De Vento a 07.07.2015 às 12:11

João,

se não fosse a estratégia dos rinocerontes a Europa, seus habitantes, ainda hoje se manteria o mito do papão mercado. Graças a eles a Europa, e eu já sabia, ficou absolutamente ciente de quem são os mercados: é o Bundesbank e seus congéneres.
Afirmei sempre que o referendo não traria nenhum crash, nem tampouco o resultado do referendo. E, para além de algumas ligeiras flutuações do euro, nada continua a passar-se. E não passa nada porque esses mercados sabem que não podem reagir contra eles.

Por último, e registe isto para memória futura, um acordo será alcançado e o próximo passo é reformar o Eurogrupo e a UE, sob pena desta ficar sem OXI(génio).
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De Vento a 08.07.2015 às 02:11

Relatório preliminar sobre a auditoria à dívida grega:

https://www.facebook.com/reporterbrasilnarede/videos/727068884087784/?pnref=story
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De Carlos Faria a 06.07.2015 às 10:34

Não sei se a vitória é pírrica ou não, pois sinceramente não sei ainda como será o futuro grego e o nosso. Não foi só na Grécia que se cometeram erros nos últimos tempos, tal como o mal não tem raízes recentes.
A eurozona foi um projeto mal elaborado cujos protagonistas também não assumem os seus erros e as vítimas dessa mal elaboração também não aceitam culpas de terem mergulhado de olhos vendados na ânsia de receber apoios sem contrapartidas.
Uma coisa sei, o gregos foram corajosos na decisão que tomaram, conscientes ou não, tenho dúvidas.
Mantenho contudo que o discurso do Syriza tem sido o de propor alcançar tudo o que é bom sem custos. Só eles são bons, só eles tem razão e todos os outros são maus, no seio das dificuldades este discurso vende. Infelizmente a realidade não é bem assim. O futuro dirá no que isto vai desembocar.
Robim dos Bosques roubava, mas era herói, mas o resto da estrutura do contexto da estória não mudava, nada se corrigia... propício ao assalto e à preservação do herói assaltante.
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De João André a 06.07.2015 às 18:42

Concordo com tudo o que escreve, inclusivamente com a parte sobre o Syriza. Só defendo que sabem bem naquilo que a escolha pode dar.

E é verdade: teremos que ver naquilo que isto pode dar. A única coisa em que todos convergem é que o futuro da Grécia é espinhoso. Por isso escrevi que a escolha era entre duas torturas.
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De T a 06.07.2015 às 11:36

Ainda nem há uns meses quando Schauble sugeriu um referendo ia caindo o carmo e a trindade, afinal era a democracia a falar. Parece que a democracia começa e acaba quando se associa aos gregos, o resto é tudo gente má. Quando Tsipras fala, fala o povo grego, quando um Passos, um PM da Estónia ou a Merkel fala, é a ditadura europeia. A dissonância cognitiva é forte, muito forte.
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De João André a 06.07.2015 às 18:48

A oferta de Schäuble era para um referendo de sim ou não ao euro. Essa escolha não pode ser feita por ninguém porque os mecanismos para sair do euro não existem. Foi essa a razão. E porque o referendo estaria a ser imposto externamente. Que lhe parece se Peter Kažimir dissesse que os portugueses ou aceitavam a austeridade ou deveriam fazer um referendo de permanência ou saída do Euro? Qualquer governante com juízo lhe diria diplomaticamente que metesse o nariz onde é chamado.

O Syriza até já foi contra referendos. Podem mudar de opinião, especialmente depois de levarem na pele com a brutalidade do Eurogrupo (seria bom lembrar que também o Eurogrupo chegou a indicar considerar como bom ponto de partida uma proposta grega que depois rasurou a vermelho).

A democracia é boa se correctamente exercida. Neste caso fazia sentido, até há já mais tempo (ou pelo menos com mais tempo). As nojentos ameaças à Grécia demonstraram o quanto os governantes europeus convivem mal com ela.
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De Luís Lavoura a 06.07.2015 às 11:54

Excelente post. Concordo plenamente com ele.
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De João André a 06.07.2015 às 18:49

hmmmm.... acho que vou rever a minha posição.

Estou a brincar, claro. Nem sempre concordamos caro Luís, mas vale sempre a pena discutir as opiniões e sabe bem quando estamos de acordo.
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De lucklucky a 06.07.2015 às 13:00

"não aceitamos uma austeridade sem limites imposta externamente de forma cega."

Não tem mesmo noção do que fala. Vai ver agora o que é austeridade sem limites. Hoje os gregos poderiam ter produtos nos supermercado.

Mas eu sei bem que para a endémica pobreza marxista já não se usa a palavra austeridade.

É ver como as notícias sobre a Venezuela desapareceram dos jornais portugueses.
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De João André a 06.07.2015 às 18:50

E rebobina....
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De Anónimo a 06.07.2015 às 13:26

Nem compreenderá nada do mundo em que vivemos.
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De Tiro ao Alvo a 06.07.2015 às 13:46

Não sei como é possível escrever isto: "Os gregos não se deixaram enganar. Sabem bem que escolha fizeram".
O tempo vai demonstrar que como esta afirmação é muito mais um desejo do que o espelho da realidade.
E, sim, eu também penso que o Tsipras obteve uma vitória de Pirro. Como se vai ver dentro de pouco tempo.
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De João André a 06.07.2015 às 18:52

Quando os portugueses escolhem o Passos Coelho são sábios e o povo não se deixa enganar. Quando os gregos elegem aqueles que os levaram onde estão (PASOK e Nova Democracia) estão a ser responsáveis. Quando votam num referendo contra aquilo que lhes estão a impôr já não têm a noção...

Este é um argumento estafado usado ad nauseum. À direita e à esquerda. A democracia nunca é boa quando o povo escolhe contra os nossos gostos.
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De Tiro ao Alvo a 06.07.2015 às 20:43

João André, eu, felizmente, não sou grego, logo não votei no referendo, como parece que aconteceu com outros. Isso não me impede de dizer que os gregos não votaram esclarecidos, relativamente ao que estava em causa. Para tal, basta atentar no que foram dizendo os actuais governantes gregos.
Por outro lado, comparar um referendo (sobre questões tão complicadas) com uma eleição para deputados, não é legítimo. É como comparar alhos com cebolas - ambos são bons condimentos e muito usados na cozinha, mas são bem distintos. Ninguém os confunde
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De Anónimo a 06.07.2015 às 21:54

Já os velhos dos lares de idosos que vão votar para as legislativas em carrinhas fretadas pelas jotas dos sucessivos governos, já são esclarecidos. Tenha vergonha. O nível de esclarecimento é igual num referendo na Grécia como numas legislativas em Portugal, e a julgar pelos níveis de participação, na Grécia deve ser superior.
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De Tiro ao Alvo a 07.07.2015 às 13:30

O Anónimo acha que devemos matar o velhos? E os analfabetos? E os engajados nos sindicatos e nos Partidos? Ou devemos, antes, arranjar um ditador, com ou sem bigode, que vele por nós todos, que passaríamos a ser apenas povo anónimo?
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De Anónimo a 07.07.2015 às 14:13

Da maneira que este governo e esta Europa funcionam não deve faltar muito para matarem todos os velhos. Se tem mais de 67 anos tenha cuidado, pode ser que em vez de tiro se torne no alvo. Já agora, esse principio que o anónimo é um homem é demasiado infeliz. Que tal a anónima?
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De Tiro ao Alvo a 07.07.2015 às 16:56

Acredito que seja uma "Anónima" a assinar "Anónimo".
Pelo que se percebe, a "Anónima" não quer viver na Europa, pois tem medo de, quando for velha, lhe dêem uma injecção atrás da orelha. Será que está a pensar emigrar para fugir desse pesadelo. Se sim, tenha cuidado que, fora de Europa, poucos países decentes encontra...
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De Anónimo a 07.07.2015 às 21:02

Lá está o sr com a história do velho. Das duas uma, ou é mesmo idoso e também usa uma das carrinhas das jotas para se deslocar às urnas e colocar o voto nos mesmo de sempre, ou então é um desses jotas que desloca os idosos às urnas.
Quanto a seringas também tenho uma resposta para si. Sabia que desde 2009 que aumentou a toxicodependência tanto na Grécia como eu Portugal, o grande problema é que os seus adorados governos, grego (Pasok e Nova Democracia, não o quero ofender e chamar radical de esquerda) e português limitaram a distribuição gratuita de seringas, o resto já deve imaginar.
Já agora, pode mudar o seu nome de tiro ao alvo para tiro no pé, quem lhe disse a si que não quero viver na Europa? Mas a minha Europa é muito diferente da sua europa. Quanto ao resto, aconselho pilates, no tiro tem pouco futuro.

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