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Um muro no Canal da Mancha

por Pedro Correia, em 24.06.16

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Por margem tangencial, os eurofóbicos venceram. Prevaleceu a campanha do Brexit, assente no ódio ao estrangeiro numa sociedade que só em 2015 recebeu cerca de 330 mil imigrantes e no medo de que a "burocracia europeia" adulterasse a ´"singularidade" britânica - num país que mantém Isabel II como chefe do Estado, conserva a libra esterlina como divisa, tem garantida a City como uma das principais praças-fortes financeiras mundiais e ficou à margem do Espaço Schengen. Não por acaso, Marine le PenDonald Trump foram os primeiros a saudar o resultado no referendo do Reino Unido, que impõe a retirada do país do espaço comunitário. Nunca antes tinha acontecido: um Estado sair pelo seu pé da União Europeia, que assim se restringe de 28 a 27 membros.

É sempre mais fácil congregar os eleitores recorrendo a argumentos negativos, como as manchetes dos dois principais tablóides britânicos - The Sun e Daily Mail, com mais de três milhões de exemplares vendidos por dia - foram demonstrando ao longo de meses nas suas histéricas manchetes contra o "perigo" europeu. Tudo valeu nesta espécie de jornalismo transformada em trincheira de guerra - até inventar um suposto apoio da Rainha ao Brexit.

Por amarga ironia, prevaleceu o espírito da aldeia do Astérix entre os ingleses, que preferem prosseguir o caminho orgulhosamente sós, erguendo um muro metafórico no Canal da Mancha - os escassos 33 quilómetros que separam a principal ilha britânica do continente.

 

Não adianta iludir a questão: a retirada do Reino Unido - segunda maior economia do espaço comunitário, - responsável por 17,6% do PIB europeu - constitui o maior desaire até hoje infligido ao sonho dos pioneiros da UE, que asseguraram as seis décadas de maior paz e estabilidade registadas na antiga e dilacerada Europa. Mas a comunidade europeia existia antes da integração britânica, entre 1957 e 1973, e continuará sem ela. De algum modo, o Brexit agora consumado acaba por dar razão ao polémico gesto do Presidente De Gaulle, que em 1963 e 1967 impôs o veto francês à integração de Londres no mercado comum europeu.

Sendo má notícia para a Europa, o resultado deste referendo é sobretudo uma péssima notícia para o Reino Unido - que nunca esteve tão desunido como agora. Escoceses e irlandeses do norte, ao contrário dos ingleses e galeses, votaram pela manutenção do Estado britânico na UE. O Brexit vai reacender a pulsão independentista escocesa e contribuirá para aproximar o Ulster da República da Irlanda, uma das economias em maior expansão do espaço comunitário.

 

David Cameron, que já anunciou a  demissão do cargo de primeiro-ministro, é o maior derrotado deste processo em que pagou bem cara a cedência ao populismo do UKIP de Nigel Farage, principal força motriz do Brexit. Ao convocar o referendo, por sua livre iniciativa, Cameron visava solucionar um problema interno no Partido Conservador, onde a corrente eurocéptica sempre foi muito forte: afinal, em vez de apagar a fogueira, ateou várias outras.

É também uma derrota para o maior partido da oposição: o seu líder, Jeremy Corbyn, só nos últimos dias saiu do silêncio a que se tinha remetido durante a campanha, após o assassínio da deputada trabalhista Jo Cox, grande activista eurófila, com uma ambígua e relutante declaração pró-Europa. Não custa prever que passe a ser ainda mais contestado nas fileiras do partido.

 

O vencedor é Farage. Do outro lado da Mancha, Marine já festeja com champanhe: vai seguir-se um referendo em França se a Frente Nacional ganhar no próximo ano a corrida ao Palácio do Eliseu - um cenário que deixou de ser mera especulação teórica para se tornar cada vez mais plausível.

Por cá, também uns quantos eurofóbicos festejam, cheios de pressa de dizer "adeus à Europa". Como se não vivessem neste momento no Reino Unido cerca de 500 mil portugueses. Como se pudéssemos, com uma cruzinha num boletim de voto, despedir-nos da história e virar costas à geografia. Somos europeus, não há volta a dar. A questão é se preferimos uma Europa com Angela Merkel, Matteo Renzi e Manuel Valls ou uma Europa dirigida por Farage, Le Pen, os xenófobos da Liga Norte italiana ou Frauke Petry, que lidera a Alternativa para a Alemanha. Cada um por si e o diabo por todos.

Dizem alguns, iludidos, que esta é a "nova" Europa. Mas não. Esta é a Europa mais velha que existe. A do ódio fratricida que incendiou o continente durante séculos e conduziu às duas maiores catástrofes que a história registou.

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36 comentários

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De lucklucky a 24.06.2016 às 11:01

Apropria-se do nome Europa que já existia muito antes dos Unionistas e ainda tem a arrogância certamente muito "democrática" de chamar Eurofóbicos - fobia é uma condição clinica - aos Anti-Unionistas.

Vá-la devemos estar agredecidos por não ter chamado Eurodeniers para fazer a ligação narrativa com o holocausto nazi como fazem os "cientistas" do aquecimento global. Talvez por não existir tradução que funcione em português.
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:30

Para a próxima vez peço-lhe licença antes de escrever a palavra eurofóbico. Fique descansado.
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De V. a 24.06.2016 às 11:35

Orgulhosamente sós na Commonwealth, que lideram pelo exemplo? Eles têm é sabedoria e grandeza e sorte. Nós temos, desgraçadamente, a República e os seus funcionários públicos sentadinhos à espera da sopa de Bruxelas.
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:29

Para já vamos ter de transferir mais dinheiro do nosso raquítico Orçamento do Estado para os cofres europeus. Os britânicos contribuíam com 13 mil milhões de euros para o funcionamento da máquina institucional europeia - quantia que será agora redistribuída pelos restantes Estados membros.
Caso para festejar? Claro que não.
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De M. S. a 24.06.2016 às 12:02

Caro Pedro,
O Brexit, na minha opinião, teve duas vantagens:
uma, relativamente pouco arriscada - a punição e demissão de Cameron, justíssima, por ter cedido ao populismo como forma de se manter no poder;
outra, bastante arriscada - a clarificação de uma vez por todas da posição dúbia do RU, sempre com um pé dentro e outro fora, a chantagear a UE.
Saiba a UE adoptar a linha correcta, respeitando as identidades das nações que a compõem e potenciando o lado positivo da união num mundo cada vez mais global, no qual, cada um dos estados que a compõem, até mesmo os grandes, serão demasiado pequenos para não serem esmagados.
O TTIP é a luz vermelha a piscar para os que não forem daltónicos.
(Manuel Silva)
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:27

Nada tenho a objectar ao que escreve, antes pelo contrário.
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De ariam a 24.06.2016 às 12:05

Quando o Luís Menezes Leitão, publicar o comentário que deixei no seu poste Bréxit, ele será, exatamente, o que poderia repetir aqui. É capaz de demorar porque, não deve ser pessoa que tenha muito tempo para estar no Blogue.

Pena que continue a ver a UE como nos foi prometida e não, naquilo em que ela, verdadeiramente, se tornou. Prefiro estar no grupo dos "eurofóbicos" do que no grupo dos "Kamikazes" que querem continuar a destruir Constituições e economias para lhes roubar a soberania e os colocar na dependência eterna de Bruxelas. De um lado os privilegiados e do outro, a maioria, os futuros escravos num novo feudalismos tecnológico. Somos europeus, só não queremos ser escravos europeus e, se é para vir a sofrer, no mínimo que seja em troca da Liberdade, e de escolher o próprio caminho.

Basta ver quem está no grupo dos "eurofóbicos", pescadores, agricultores, pequenos e médios empresários, desempregados, gente que só quer trabalhar, ao contrário do outro lado, gente que se quer pendurar em dinheiro fácil, basta olhar para a sala dos lobistas em Bruxelas, para os políticos que querem bons ordenados, boas reformas, lugares de CEOs em grandes Corporações depois de saírem da UE, muita gente que quer dinheiro em troca de nada fazer, senão ser a criadagem de quem quer oprimir e subjugar países mas, felizmente, não podem comprar toda a gente, especialmente, gente honesta que só quer trabalhar, para poderem sustentar as suas famílias.

Vão fazer sofrer os ingleses? Vão! Nem que seja como exemplo para criar medo nos restantes países. Soros já tinha avisado, antes das eleições, o ataque à Libra. As ameaças foram muitas e vindas de todos os Lados mas, quando não se fala a Verdade, resta apenas isso, ameaçar, meter medo e vingança. Gente com quem, definitivamente, não se quer estar.

E é escusado o discurso sofista e tentar misturar tudo "na mesma panela" porque, sabemos de gente que vai apregoar os males do Sistema em seu próprio proveito e do seu partido político mas, não os deve misturar com os outros porque, confusão, falta de transparência e mentiras foi, precisamente, o que a UE tem tentado criar, unicamente, para poder servir e beneficiar o seu clube de privilegiados e respetiva criadagem.

Nem vale a pena tentar, voltar a pôr as palas nos olhos de quem acordou, para a verdadeira realidade e o Lado Negro da UE porque, quem já viu, não pode voltar a ser enganado, agora o problema da UE é como vai conseguir impedir outros de "acordar". Pode usar a sua Força mas, aí, ainda mais "acordarão" porque se fizerem sofrer os ingleses... "Nas costas dos outros vejo as minhas" e, por aí, "as suas más intensões" acabarão, ainda mais, por vir ao de cima.

Quanto ao muro, só se for aquele que começa a cair e foi construído pela própria UE para que, os cidadãos europeus, não vissem a construção da sua própria escravização, acorrentamento, agrilhoamento e subjugação.
Finalmente, uma luz ao fundo do túnel, para os verdadeiros amantes da Liberdade.
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De WW a 24.06.2016 às 12:34

O melhor dia de 2016 até ver !

Uma lição de um povo de forma democratica que não se acobardou nem cedeu ao medo (e medos) e sobretudo uma clarificação da posição de um Estado membro da UE que sempre usufruiu de todas as excepções que renvindicou ao contrário da maioria do come e cala e bem fizeram eles.

Finalmente existe algum espaço para quem pensa diferente, quer fazer diferente, existe sobretudo esperança que nem tudo seja sempre assim como é hoje, é possível mudar graças a uma Nação e um Povo historicamente previdente e resiliente.

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De ariam a 24.06.2016 às 18:23

exatamente..."até ver"

Vamos ver muita coisa mas, não vai ser hoje porque se, no entretanto, mais nenhum país quiser sair, vão fazer de tudo, para os deitar abaixo e, o pior, como fazem sempre o contrário daquilo que dizem, vão tentar arrastar o processo até conseguirem "comprar alguém" que consiga tentar outro Referendo (como de costume), basta relembrar, antes das votações, as palavras "do esquentador" (quando falam no nome do homem, imediatamente penso em esquentadores porque antes de ter um Vaillant tive um Junkers) mas voltando às palavras, essas são uma antevisão, de que não vai ser fácil para a Inglaterra "cortar os elos da grilheta" e, se passar muito tempo, não escapam, mesmo, a outro referendo, a Lagarde já disse do "alto do seu poleiro" que, provavelmente, a Inglaterra vai entrar em recessão mas que, estão lá para ajudar no que for preciso... pois, a gente sabe como gostam de ajudar "a enterrar" mais um bocadinho, com mais uns pagamentos de juros, nisso, não nos tem faltado treino.

Estou aqui a escrever e a ouvir na TV umas "abébias" muito preocupadas com o "contágio aos Bancos" realmente, um perigo, ainda constipam as moscas dentro dos cofres dos Bancos, e quando falam das Bolsas... se adoecer o funcionário que tecla as cotações do dia, aí, "no problemo", atiram as culpas para a Inglaterra
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De WW a 25.06.2016 às 04:08

Quando vejo as abébias a debitarem o seu discurso de medo, mudo de canal, mas tem razão, ele já começou e este brexit se vier a efectivar-se "já" poderá servir agendas bem conhecidas e servir de alibi para outras crises que queiram inventar em cima da actual.
Espero sinceramente que em Espanha o Podemos oblitere o PSOE nas eleições de Domingo para por ainda mais abébias sem ter como ignorar a situação actual.
Não podemos esquecer a vitória do movimento 5 estrelas em Itália nas municipais que também é contra esta UE. Eu CEE ainda tolerava, isto da UE nem pensar, passam-nos dividas para pagar com a ligeireza de quem serve cafés...

Agora que o movimento contra "esta" UE de tratados e leis á socapa impostos pelos fortes contra os fracos ganhou novamente força, espero que não esmoreça.

P.S. - É no minimo patético que alguns com o resultado fresquinho continuem com o discurso do medo e dos medos como é visível nesta caixa de comentários e outros á socapa queiram já fazer o velório a esta UE (que ainda vai estrebuchar) para tentarem a todo custo fazer passar (defender) as suas "reformas" na politica e sociedade.
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De ariam a 25.06.2016 às 13:44

Há muita confusão de como funciona a UE, não percebem que mesmo que algo esteja escrito e que seja para fazer "assim ou assado", não reparam, como vão estreitando o caminho, por caminhos cada vez mais estreitos, até chegarem ao ponto, onde não pode haver qualquer escolha para os outros Estados, conseguem pô-los "entre a espada e a parede" ou seja, obrigados a escolher o mal menor mas, todos eles horríveis que, noutra situação, nunca passariam.

Isto de, fingirem, estar a resolver um problema que, foi criado propositadamente, para atingir um determinado fim, é bem visível com a Turquia. Neste momento, para fingir que estavam a resolver as queixas dos Estados membros, com o excesso de migrantes, o maior problema nem é ter de pagar pelo serviço, 6 Biliões de euros até ao fim de 2018, mas conseguiram o que queriam, passar a "faca e o queijo" para a Turquia e, no próximo passo até vai parecer que estão completamente inocentes, das consequências que eles próprios provocaram.

É lógico que a Turquia já está a fazer chantagem e, até sabemos qual porque, já a ouvimos da própria boca do Presidente Turco que, ou fazem assim ou, de repente, abrimos as comportas dos milhões de migrantes que estamos a reter. Naturalmente, entre uma invasão incontrolável e dizer que sim ao que a Turquia quiser, já sabemos que mal menor será escolhido. Mas, no fim, será exatamente o que previamente estava programado acontecer.

Lá por uma coisa não estar escrita, não quer dizer que não aconteça porque, há quem esteja muito interessado que acabe dessa maneira e, por isso, estamos sempre a ir de mal a pior, porque de decisão em decisão, as soluções vão ficando piores e, totalmente, nas mãos do tal 1% que, na realidade, são os que controlam a situação.

É desesperante ver as pessoas olharem para o que está escrito e não repararem como se vai realizando o Processo, um despercebido "cutucar com as pontas dos dedos" mas, sempre numa determinada direção, muito diferente daquela que estava inicialmente prevista. A finalidade é mesmo essa, mostrar o início, esconder o meio e acabar num fim inesperado e incompreensível para quem não vir o desenrolar do processo.

Agora, vou fazer uma coisa contrária aos meus princípios, em vez de factos vou fazer uma previsão.
Estamos em 2016, a Inglaterra, no mínimo, demorará dois anos para sair da UE (2018).
O pagamento à Turquia foi contratado até 2018.
O Sistema financeiro anda numa autêntica calamidade e estão a Tentar segurá-lo (imprimindo "papel" que nem uns loucos, cada vez com menos valor real, juros negativos, algo que nunca aconteceu na História da Humanidade e mais umas quantas coisas, completamente absurdas...) andar a segurar tudo com fita cola e cuspo, até quando e porquê?

Porque, só criando um "perfeito" Caos, as populações, estarão de tal maneira desesperadas que ficam mesmo "no ponto", dispostas a entregar todos os seus direitos, o que restar da sua liberdade, tudo o que eles quiserem e lhes apetecer, em troca de um pouco de normalidade. Este sistema foi usado antes e, de cada vez, foram conseguindo, cada vez, maior controle e concentração do seu Poder. Portanto, isto da Inglaterra sair, se não houver mais "rebeldias", "até ao lavar dos cestos é vindima" e, esta, ainda não acabou para o 1%.

Há muitas explicações sobre esta minoria psicopata que quer controlar a maioria, umas que até são através de factos históricos, das sociedades secretas, tentam demonstrar tudo magnificamente e que faz todo o sentido mas, não explica o porquê da sua persistência que remonta a muitas décadas.
Até ao dia que ouvi uma queixa de uma mãe e da dependência do seu filho nos jogos virtuais, algo quase hipnótico e baseado em algo puramente virtual.

Agora, basta imaginar aquela pequena minoria que não tem mais nada que possa comprar ou desejar que já se cansou de todos os prazeres no catálogo dos permitidos e não permitidos em que, alguns, com acesso a cuidados médicos com que nenhum de nós poderá ter, nem a sonhar, onde para vencer a morte, um deles, já levou 6 transplantes de coração, num corpo que (ainda) não podem totalmente substituir, qual será a droga que lhes dá a motivação para sair da cama? Pois é, Um Jogo mas, infelizmente, este não é virtual e nós, há muito tempo que passámos a ser, para eles, personagens virtuais.
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De Anónimo a 24.06.2016 às 14:53

O primeiro derrotado é a UE que não tem sabido fazer o seu papel. De CEE passou a UE e nessa UE, as regras não se cumprem. A UE para que o Reino Unido permanecesse, cedeu em tudo que eles exigiram, quebrando as regras dessa mesma UE. Outros têm atitudes ditatoriais e a UE assiste impávida, enquanto outros são humilhados e espezinhados e a UE delicia-se a ver os humilhados. A UE ou organiza-se e é pessoa de bem ou tem dias contados.
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:25

"Atitudes ditatoriais" na UE, com eleições e referendos e chefes de governos a demitirem-se por terem sido derrotados nas urnas?
O que dirá então você de Cuba, onde a última eleição ocorreu quando nenhum de nós tinha nascido.
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De Anónimo a 25.06.2016 às 00:37

Deixe Cuba que não é para aqui chamada. Estamos a falar da UE, onde devido à má gestão dos senhores que a dirigem, o Reino Unido, hoje deu-lhes a resposta. Que podemos chamar ao Senhor da Hungria que ignora as regras, faz muros... e ninguém lhe diz rigorosamente nada. Se acha isto normal estamos esclarecidos.
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De Pedro Correia a 25.06.2016 às 09:09

Se elogia e aplaude a ditadura cubana, onde a última eleição livre ocorreu há 65 anos, que moral lhe resta para se insurgir perante "atitudes ditatoriais" em países onde ocorrem eleições livres e periódicas?
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De Anónimo a 25.06.2016 às 13:38

Quem lhe disse que aplaudo Cuba? Cuba que se saiba não é nenhuma monarquia, onde uns, sucedem aos outros. Tenho toda a moral, para falar de países que têm eleições livres, mas que as usam, para enganar os seus cidadãos. Hitler foi eleito livremente e veja no que deu, Maduro, foi eleito livremente e apareceu mais uma cabeça não pensante que anda à deriva, sem saber nada de nada, Cameron na ânsia de ganhar as eleições, prometeu um referendo e teve a resposta. É pena que ainda não tenha visto que a UE, tal como está, não tem futuro. Tudo tem um princípio e um fim e a UE ou repensa-se e age rapidamente ou temos uma morte anunciada da UE, tão bem idealizada ( como CEE) por Jean Monet, Robert Shuman, Konrad Adenauer...e que os senhores que a dirigem, agora, apenas olham para os seus interesses e esquecem-se que estão ali, numa União em que os mais fortes terão de ajudar os mais fracos e fazer cumprir as regras e não dizerem que a França é a França e que pode não cumprir e os outros têm de cumprir, nem que para isso, tenham de morrer inocentes. Esta não foi a União, a que aderimos, esta, é tudo, menos uma União de gente séria e é por isso que tivemos agora, aquilo que muitos temiam, mas teimavam em não acreditar, o Reino Unido não quis permanecer nesta UE.
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De Pedro Correia a 25.06.2016 às 13:49

Não há como meter Hitler, Maduro e Cameron no mesmo saco para construir uma "narrativa" pronta a servir nas redes sociais. É o que está a dar.
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De ariam a 26.06.2016 às 14:13

Por acaso, até estão todos no mesmo saco e, até pode incluir Karl Marx, Marine Le Pen... apenas uma ilusão de serem diferentes quando, apenas, diferenças mínimas os separam mas, posso repetir um Link que já deixei não sei quantas vezes.

Confesso que também já pensei como o Pedro Correia e que essas "misturas", seria algo saído de cabeças amalucadas, só comecei a interessar-me pelo assunto quando, de tanto mudar para a esquerda ou para a direita, verdadeiramente, nunca sentia grande diferença, continuava a sentir-me ovelha do rebanho, só mudava de quinta e, quem realmente ganha sempre, será quem tem poder sobre o rebanho. Podem fazer ligeiras mudanças na ração mas, os lucros saem sempre do rebanho para o novo proprietário, às vezes até parece que somos alugados por períodos de 4 anos.

Pode nunca mudar de opinião mas, nem uma pitadinha de curiosidade sobre as razões que nos podem levar a pensar isso? Perde alguma coisa? Será receio de descobrir que pode estar enganado e essa verdade ser avassaladora? Aqui, concordo consigo, as verdades por vezes podem ser avassaladoras, de tal maneira que temos de passar por 5 fases, como se tratasse de um luto. Definitivamente, a 1ª é a Negação e a última a Aceitação ;)

YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=jAdu0N1-tvU
G. Edward Griffin - The Collectivist Conspiracy
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De Pedro Correia a 26.06.2016 às 14:51

Confesso-lhe que nunca raciocino de acordo com o esquema binário esquerda/direita, que funciona só para efeitos da mais rudimentar propaganda partidária. Nada esclarece, só baralha e confunde.
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De Anónimo a 24.06.2016 às 18:10

"Ódio", "medo", "histéricos", "argumentos negativos", "espírito de aldeia", tudo isto nos primeiros parágrafos.

É preciso calma ("Keep calm"...), humildade para perceber que não temos nunca a capacidade de prever de modo exacto o rumo da História e ...

... respeito democrático pela decisão de um povo soberano em desligar-se de uma União que, penso, ainda é de adesão e permanência voluntárias.
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De V. a 24.06.2016 às 21:33

No nosso caso ninguém nos perguntou se queríamos aderir. Espero que quando deixarem entrar a Turquia nos dêem oportunidade para podermos votar a nossa saída.
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:33

Nenhum Estado entra na UE sem o voto unânime dos que já são membros. A Grécia, desde logo, vetaria sempre a entrada da Turquia com os seus 76 milhões de habitantes ali tão perto.
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De ariam a 25.06.2016 às 11:50

Se ouvisse os debates no Parlamento Europeu, teria ouvido Nigel Farage condenar, vivamente, as negociações bilaterais com a Turquia, à margem e sem a aprovação dos outros países (e ninguém negou esse facto). O Parlamento Europeu Não Pode Propor ou Vetar Leis. Se tivesse visto, atentamente, o Filme Brexit talvez entendesse como as coisas funcionam na UE e como andam a ser tomadas decisões Unilaterais, sem quererem saber do que pensam os Estados Membros ou porque pensa que eu chamo a isto uma Ditadura? Isto de se pensar que uma coisa é o que Não É, é uma atitude Suicida.

O desconhecimento é, mesmo, o que eu considero ser o mais perigoso em relação à UE, as pessoas pensarem que aquilo está a funcionar segundo uma irrealidade que elas imaginaram e, quando "eles" acabarem o serviço, será como acordarem num pesadelo, muito real, de onde não poderão sair.

Faz-me impressão como as pessoas conseguem falar com tantas certezas quando, não ouvem, não sabem, não procuram saber, apenas, estão convencidas com bases, perfeitamente irreais. Tal e qual, como tinha a certeza que eu era O e não A, coisa que pode acertar ou não mas, onde não tem nenhum facto para tirar conclusões. Neste caso da UE, tem onde procurar e tirar a limpo se está certo ou errado e, nem assim, está disposto a procurar a confirmação.

Pois, para que saiba, como as coisas estão a funcionar, nem a Grécia nem ninguém pode impedir o que for acordado com a Turquia. Aliás, até chegam a fazer disso uma anedota, As Grandes Decisões da UE são tomadas nos corredores ou numa salinha dos fundos, à porta fechada.

Não é por acaso, a escolha de certos políticos para determinados cargos na UE, têm de ter um "certo perfil", ser bem comportados e obedientes, só têm de estar calados, falar o que lhes mandam e representar bem o seu papel e aqui, vou parar porque, uma coisa é incentivar os outros a procurarem a verdade porque, para além disso, não quero chatices para mim, especialmente, por pessoas que, às vezes, nem merecem porque teimam em ser ignorantes e que, chegam ao ponto de quererem matar o mensageiro só porque a verdade é desagradável ou não condiz com o que queriam que a realidade fosse mas, por muito que o desejem, não é.

Por isso, eu dou aquela metáfora sobre os que "acordaram" e, felizmente, já começam a ser muitos. É cómodo e menos desgastante "continuar a dormir" e, se uns tentam "abanar" os outros para os fazer "acordar", a partir daí, não podem fazer mais nada. A motivação para este tipo de trabalho, tão desgastante, frustrante, não remunerado com dinheiro, nem glórias, terá a ver com, um pouco de egoísmo e autopreservação porque, no final, as consequências serão para todos nós e para os nossos descendentes.

Neste momento, há os que começam a ter algumas certezas, os que vivem na ignorância total, os que sabem muita coisa mas, só pensam em lucrar com o sistema (presente e futuro) e aqueles que estão a colaborar e nem se apercebem que estão a ser usados e manipulados.

Nem tem de acreditar no que eu digo, aliás, nem deve acreditar em ninguém, só tem que fazer a sua própria pesquiza, ir separando o trigo do joio, ir "ligando os pontos" e estar sempre atento à, muita, "palha" que nos tentam dar, para "entupir" a lucidez e a racionalidade na análise dos factos.

Quanto mais repetir factos errados, mais estará a ajudar o outro lado, "uma minoria" que, definitivamente, não faz parte do nosso grupo, o dos cidadãos comuns, daqueles que querem, apenas, trabalho e sustentar as suas famílias. Nesta contínua e programada concentração de Poder que será para um Regime Totalitário e a nível Global, muito facilmente, se poderá perder o direito à simples subsistência, não passaremos de simples ativos, pertencentes a Corporações (mas, se ainda não descobriu que não temos nenhum poder para interferir nas decisões da UE, muito menos compreenderá a próxima Fase que nos está destinada).

Nunca se deve repetir por repetir e, nem que eu tenha de ler documentos, horas a fio, ouvir discursos até me fazerem bocejar mas, nada sai até tirar tudo a limpo. Aliás, há muita coisa que posso pensar saber mas, como ainda não pesquizei o suficiente, aprendi que, o melhor, será não falar delas porque, para acrescentar mais confusões, àquelas que já existem, seria totalmente contraproducente.
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De Pedro Correia a 25.06.2016 às 13:51

Agradeço a sua sugestão, mas continuarei a pensar pela minha cabeça sobre a Europa sem necessidade de gurus. Muito menos um guru chamado Farage.
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De Pedro Correia a 24.06.2016 às 23:35

'Ódio', 'medo', 'histeria'. São qualificativos demasiado brandos para rotular a execrável imprensa tablóide inglesa e a campanha xenófoba do UKIP que agora parece agradar a certas bempensâncias lusas, como o doutor Pacheco Pereira.
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De ariam a 25.06.2016 às 18:30

Ainda não tinha lido este seu comentário e quanto ao Doutor a que se refere, há muito que o deixei de o ouvir, gosta de misturar factos com "malabarismos", vive num Universo, completamente, diferente do meu.
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De Pedro Correia a 26.06.2016 às 00:38

É o chamado universo paralelo.
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De WW a 25.06.2016 às 04:10

São 28, sai 1, ficam 27
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De Pedro Correia a 25.06.2016 às 13:53

Você ri-se à gargalhada, mas nenhum dos 500 mil portugueses residentes no Reino Unido ri neste momento. Eles bem sabem porquê.
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De WW a 25.06.2016 às 15:44

E continua a campanha do medo...
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De Pedro Correia a 25.06.2016 às 18:26

Os patrioteiros como você batem no peito a falar em "soberania" e depois estão-se nas tintas para os 500 mil compatriotas que vivem no Reino Unido e correm o risco de vir a ser ali tratados como cidadãos de segunda.
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De WW a 25.06.2016 às 23:33

Patriota e não patrioteiro (seja lá o que isso fôr).
Não me estou nas tintas para os meus compatriotas mas eles de certeza estarão para pessoas como o Pedro Correia que defendeu e defende politicas de destruição da sociedade em favor dos deuses mercados que nos trouxeram até aqui.
Desses 500 mil compatriotas a esmagadora maioria tiveram de o fazer a partir de 2011, realidade que conheço bem e sei ainda melhor que são válidos trabalhadores no Reino Unido assim como outros de outras nacionalidades e na maioria dos casos estão a integrar-se mais ou menos bem num país diferente e é por isso, por contribuirem e muito com actos para a grandeza do Reino Unido que NADA DEVEM TEMER a não ser os medos que "compatriotas" instalados cá lhes instigam.
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De Pedro Correia a 26.06.2016 às 00:36

Patrioteiro típico. Só paleio da treta a armar ao pingarelho soberanista que não resiste à prova do algodão: entre ingleses e portugueses, opta pelos ingleses. Quanto aos nossos compatriotas que passam a ser considerados cidadãos de segunda no Reino Unido, deixa esta mensagem digna do capitão do Titanic: salve-se quem puder.
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De WW a 26.06.2016 às 03:11

Sei do que falo, não opino de cor.

E uma ressalva só, Patriota não só, é mesmo Nacionalista.

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De Pedro Correia a 26.06.2016 às 09:58

Pois. O problema é mesmo esse. Pensar a Europa a partir da perspectiva nacionalista deu o que deu na primeira metade do século XX: duas guerras mundiais em trinta anos.
À primeira, quem quer cai. À terceira, só cai quem quer.

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