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Silly Con Valley

por Rui Rocha, em 11.11.16

Vamos lá ver. A realização do Web Summit em Lisboa é obviamente uma excelente notícia (excepto para algumas almas que vivem por aí atormentadas com as nefastíssimas consequências de um dramático excesso de turistas). Venham todos os anos, venham muitos, venham outros, todos os que pudermos trazer. Venham a Lisboa, venham a Fátima pelo 13 de Maio e assim viessem a Vilar de Perdizes pelo Halloween (temos provavelmente melhores condições naturais e recursos mais qualificados para Summits da crendice do que da tecnologia mas falta-nos um estudo do Porter que nos diga isso) e a Torres Vedras pelo Entrudo. O resto, os olhinhos arregalados com as startups condenadas em mais de 90% dos casos a não completarem sequer dois anos de vida, a devoção aos empreendedores na condição de que nunca se tornem empresários, os comandos sem pilhas para ligar o Galo de Barcelos, o deslumbramento pateta do discurso que afirma que o bicho faz a ponte (a potne, diria o Medina) entre o passado e o futuro porque tem luzinhas que se ligam à noite, o Costa com a testinha a brilhar das pequenas gotículas de entusiasmo enquanto esfrega as mãozinhas já a antecipar impostos que nunca virão, o aproveitamento político, o jornalismo que nos entretém com as curiosidades do número de pratos de peixinhos da horta servidos em 4 dias, os cartazes municipais com mensagem e com erros, a crença de que um evento desta natureza catapultará o país definitivamente para a vanguarda da tecnologia, enfim, tudo isso são episódios felizmente menores e não surpreendem. Afinal, todos sabemos que estamos mais próximos de sermos um Silly Con Valley, com colinas e tudo, do que outra coisa.

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Lisboa, bandeira do mundo livre

por Rui Rocha, em 10.11.16

medina.jpg 

Leio que anda por aí alguma indignação (não muita, na verdade, que o promotor da coisa é de esquerda e goza da presunção universal da virtude original) contra a iniciativa de Fernando Medina de colocar cartazes anti-Trump na zona onde decorre o Web Summit: Lisboa como bandeira do mundo livre e local onde o cidadão em busca de justiça pode construir o seu futuro. Meia-dúzia de mal intencionados perguntam: "quem é o gajo para estar agora a fazer juízos de valor sobre o resultado das eleições americanas?". Estas vozes, claro, não perceberam nada. Medina tem consigo a legitimidade absoluta do voto livre dos cidadãos que o elegeram a ele, de forma pessoal e intransmissível, para o cargo que ocupa. Quem é que esse tal Trump pensa que é?

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Esperem lá, pázinhos

por Rui Rocha, em 07.11.16

Quer dizer então que o WEB SUMMIT não se realiza online, com os participantes comodamente instalados nas suas casas? Desculpem lá pázinhos, mas obrigar a que cinquenta mil pessoas façam milhares de quilómetros para virem a Lisboa num evento em que supostamente se celebram as potencialidades das novas tecnologias é, no mínimo, estranho. Mal comparado, é como se os proprietários de viaturas UBER se deslocassem para o seu encontro anual nos táxis do Florêncio.

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#This is Portugal

por Rui Rocha, em 06.11.16

Pelo visto, o Governo lançou a campanha "This is Portugal" com o objectivo de atrair empreendedores. E coube ao Secretário de Estado da Indústria divulgar a campanha no contexto da Web Summit para dar a conhecer o país e os incentivos existentes, como 400 milhões de financiamento disponível. Entusiasmado (não é caso para menos), João Vasconcelos afirmou que "Portugal é um país com milhares de anos na descoberta do empreendedorismo" e que com a "fixação de universidades no século XVIII, a globalização e o estabelecimento de redes de negócios pelo mundo fora, temos uma identidade cultural única de abertura para o mundo". Os milénios de empreendedorismo não estão nada mal se tivermos em conta que a fundação do país ocorreu há menos de 900 anos. E a referência à fixação de universidades no século XVIII deve ter provocado grandes ondas de júbilo em Coimbra onde os Estudos Gerais foram criados em 1290 por D. Dinis.

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