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O que me ficou do jantar no Panteão

por João Pedro Pimenta, em 16.11.17

É claro que fazer jantares no Panteão é patético e de gosto duvidoso. É evidente que fait divers destes dão cada vez mais azo a oportunismos polí­ticos, sejam do Governo ou da oposição (a última pérola neste sentido é de Gabriela Canavilhas, uma das mais notórias yes women do PS). E é cristalino que é deste tipo de coisas que se alimentam as sempre insaciáveis redes sociais, sendo que esta polémica partiu precisamente de um blogue - o de Seixas da Costa.

 

Mas duas coisas me ficaram: uma delas é, como escreveu o Rodrigo Adão da Fonseca, que os nossos governantes e os nossos organismos públicos reagem crescentemente sob a pressão das tais "redes sociais" e respectivos estados de humor, sobretudo quando estão "indignadas", o que nos leva a uma caótica e degenerada noção de "democracia directa"; a outra é que se os tais web summiters, ou lá como lhes chamam, não perceberam minimamente onde estavam, é porque a sua visão somente apontada à tecnologia, a um certo tipo de empreendedorismo, e ao culto da "informalidade" faz tábua rasa de qualquer conceito de sacralidade e de respeito pelo passado e pela memória. Ou seja, um caldo de economicismo e de modernidade a todo o custo baseados na tecnologia, que recorda os "progressistas" do século XIX, que não hesitavam em derrubar os traços medievais existentes, como castelos, palácios ou igrejas (e o nosso país bem sofreu com isso), para construir as suas particulares visões de futuro e de "civilização". Bem vistas as coisas, não admira que as suas reuniões se tenham vindo a fazer em Portugal.

 

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Web Summit

por José António Abreu, em 08.11.17

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Há a parolice do presente, soberbamente corporizada no primeiro-ministro e demais membros do governo, e depois há o futuro. Sendo que, acerca deste, lá bem no íntimo, cientes que estamos da gravidade das ameaças tecnológicas, políticas, económicas, demográficas e ambientais, bem como das exigências destrutivas que queremos ver satisfeitas no curto prazo - dinheiro, fama, poder, beleza, juventude, «felicidade» -, até já desistimos dos humanos, não foi? Na sua inocência, o cão é que ainda consegue suscitar pena - e alguma militância.

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A Web Summit, um evento de "estatistas"

por João Pedro Pimenta, em 06.11.17

Aqui há uns anos, João Carlos Espada desenvolveu uma imaginativa teoria, segundo a qual o uso de gravata estava directamente ligada à (menor) intervenção do estado na sociedade e a "formas de conduta decente": quanto mais se usava gravata - além de outros acessórios - menos se era a favor da intervenção do estado: quanto menos se usasse, mais se seria favorável ao "estatismo".

 

Estava hoje a olhar para os intervenientes no palco e nas primeiras filas da plateia do Web Summit, a gigantesca conferência de tecnologia e empreendedorismo a decorrer em Lisboa, e a notar como a maioria usava o padrão dos grandes empreendedores do nosso tempo (leia-se também geeks ou nerds, à falta de melhor tradução portuguesa): óculos de massa, t-shirt, jeans, provavelmente sapatilhas - ténis, para os menos familiarizados. Mesmo os convidados, como Guterres, apareceram sem gravata. No meio disto tudo, o único que estava engravatado, tirando alguns orientais pouco apreciadores de informalidades, era António Costa. Usando-se a teoria de Espada, poder-se-ia considerar que toda aquela aglomeração de gente estava ali para exigir a intervenção do estado, ou seja, mendigar algo do estado. Costa, a máxima autoridade da administração pública, apoiado por toda a esquerda, seria o defensor da sociedade livre e destatizada, o paladino do governo mínimo e da defesa dos cidadãos e consumidores perante uma máquina burocrática e insaciável com o rosto do "monstro" do funcionalismo público. Até que o Primeiro-Ministro, decerto receoso das reacções dos parceiros políticos e de acusações de neoliberalismo, tirou a gravata para parecer menos desenquadrado do ambiente. O Professor Espada ficou certamente desiludido, mas António Costa lá salvou a honra de parecer não só estranho ao que o rodeava, mas sobretudo um defensor do intervencionismo mínimo do estado.

Claro que tudo isto resulta de uma teoria excêntrica e de uma situação casual, que inverte a realidade. Mas podia ser uma boa metáfora do investimento público feito até agora pelo governo mais à esquerda desde 1975.

 

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Silly Con Valley

por Rui Rocha, em 11.11.16

Vamos lá ver. A realização do Web Summit em Lisboa é obviamente uma excelente notícia (excepto para algumas almas que vivem por aí atormentadas com as nefastíssimas consequências de um dramático excesso de turistas). Venham todos os anos, venham muitos, venham outros, todos os que pudermos trazer. Venham a Lisboa, venham a Fátima pelo 13 de Maio e assim viessem a Vilar de Perdizes pelo Halloween (temos provavelmente melhores condições naturais e recursos mais qualificados para Summits da crendice do que da tecnologia mas falta-nos um estudo do Porter que nos diga isso) e a Torres Vedras pelo Entrudo. O resto, os olhinhos arregalados com as startups condenadas em mais de 90% dos casos a não completarem sequer dois anos de vida, a devoção aos empreendedores na condição de que nunca se tornem empresários, os comandos sem pilhas para ligar o Galo de Barcelos, o deslumbramento pateta do discurso que afirma que o bicho faz a ponte (a potne, diria o Medina) entre o passado e o futuro porque tem luzinhas que se ligam à noite, o Costa com a testinha a brilhar das pequenas gotículas de entusiasmo enquanto esfrega as mãozinhas já a antecipar impostos que nunca virão, o aproveitamento político, o jornalismo que nos entretém com as curiosidades do número de pratos de peixinhos da horta servidos em 4 dias, os cartazes municipais com mensagem e com erros, a crença de que um evento desta natureza catapultará o país definitivamente para a vanguarda da tecnologia, enfim, tudo isso são episódios felizmente menores e não surpreendem. Afinal, todos sabemos que estamos mais próximos de sermos um Silly Con Valley, com colinas e tudo, do que outra coisa.

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Lisboa, bandeira do mundo livre

por Rui Rocha, em 10.11.16

medina.jpg 

Leio que anda por aí alguma indignação (não muita, na verdade, que o promotor da coisa é de esquerda e goza da presunção universal da virtude original) contra a iniciativa de Fernando Medina de colocar cartazes anti-Trump na zona onde decorre o Web Summit: Lisboa como bandeira do mundo livre e local onde o cidadão em busca de justiça pode construir o seu futuro. Meia-dúzia de mal intencionados perguntam: "quem é o gajo para estar agora a fazer juízos de valor sobre o resultado das eleições americanas?". Estas vozes, claro, não perceberam nada. Medina tem consigo a legitimidade absoluta do voto livre dos cidadãos que o elegeram a ele, de forma pessoal e intransmissível, para o cargo que ocupa. Quem é que esse tal Trump pensa que é?

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Esperem lá, pázinhos

por Rui Rocha, em 07.11.16

Quer dizer então que o WEB SUMMIT não se realiza online, com os participantes comodamente instalados nas suas casas? Desculpem lá pázinhos, mas obrigar a que cinquenta mil pessoas façam milhares de quilómetros para virem a Lisboa num evento em que supostamente se celebram as potencialidades das novas tecnologias é, no mínimo, estranho. Mal comparado, é como se os proprietários de viaturas UBER se deslocassem para o seu encontro anual nos táxis do Florêncio.

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#This is Portugal

por Rui Rocha, em 06.11.16

Pelo visto, o Governo lançou a campanha "This is Portugal" com o objectivo de atrair empreendedores. E coube ao Secretário de Estado da Indústria divulgar a campanha no contexto da Web Summit para dar a conhecer o país e os incentivos existentes, como 400 milhões de financiamento disponível. Entusiasmado (não é caso para menos), João Vasconcelos afirmou que "Portugal é um país com milhares de anos na descoberta do empreendedorismo" e que com a "fixação de universidades no século XVIII, a globalização e o estabelecimento de redes de negócios pelo mundo fora, temos uma identidade cultural única de abertura para o mundo". Os milénios de empreendedorismo não estão nada mal se tivermos em conta que a fundação do país ocorreu há menos de 900 anos. E a referência à fixação de universidades no século XVIII deve ter provocado grandes ondas de júbilo em Coimbra onde os Estudos Gerais foram criados em 1290 por D. Dinis.

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