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A brincar ou a sério?

por José Navarro de Andrade, em 28.03.12

Portugal sempre foi um país extraordinariamente violento.

Para não ir mais atrás, em 1807 participámos com brio na Guerra Peninsular, sendo que não houve por cá um pintor à altura de Goya para desenhar a carvão o que fazíamos aos franceses que se atrasavam da coluna. Seguiu-se uma assanhadíssima guerra civil que demorou a extinguir. Mesmo depois de assinado Évora-Monte, continuava o país a ser uma charneca fora de portas das cidades, com Brandões, Remexidos e outos bandoleiros que tais a ditar a lei do punhal onde lhes aprouvesse.

A coisa pareceu acalmar no último quartel do séc. XIX, mas foi só para tomar balanço. No curto período de 13 anos, entre 1908 e 1921 foram assassinados um Rei, um Presidente, um Primeiro-Ministro (António Granjo), um herói nacional (Machado Santos) e 2 Ministros, os 4 últimos na Noite Sangrenta. Fora alguns ajustes de contas avulsos, como o caso do Senador José João de Freitas que em Maio de 1915 tentou matar a tiro num comboio o Primeiro-Ministro indigitado João Chagas, mas acabou linchado pelos populares no Entroncamento. Um palmarés destes, nem nos famigerados Balcãs.

Seguiu-se o Estado Novo, que até foi levezinho em crimes de Estado, se o medirmos com os seus congéneres ditatoriais: Espanha e Grécia, por exemplo, para não falar dos pequenos fascismos que medraram à sombra de Hitler e Mussolini, como a Hungria, a Roménia, a Bulgária, Vichy, a Croácia dos Ustase ou a Sérvia de Nedic.

Manhoso como só ele, Salazar trocou os fusilamentos políticos e o derrame de sangue nas ruas, à maneira do Chile, da Argentina ou do Uruguai, por safanões num vão de escada. E fez pior, muito pior: destilou a ideia de sermos um povo de brandos costumes. Uma falácia que foi ganhando raízes ao mesmo tempo que durante mais de 10 anos, os mancebos de Portugal passavam os primeiros anos de adultos em África, a praticar brandas e discretas sevícias nos autóctones.

Desculpem o meu francês, mas brandos costumes my ass. Por isso não deixo de ficar estupefacto quando vejo umas correrias no Chiado, com uma polícia aparvalhada, uns rapazolas a menearem-se diante dela em danças tribais, um par de esplanadas de pernas para o ar a dar cabo do turismo e – agora é que não percebo mesmo – uns esganiçados a berrar “fascistas” – a sério?

Querem fazer isto como deve ser, à antiga portuguesa? Ponham então os olhos nos coreanos ilustrados abaixo. Senão será melhor ficarem em casa. Agora assim, com esta mariquices, só demonstram a póstuma e perene vitória do espírito salazarista.

 

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Não esqueçam.

por André Couto, em 23.03.12

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Do deplorável caso de ontem, que conhece impressionante ilustração no El País, mais do que as palavras de quem acusa, valem as imagens de uma fotojornalista a ser selvaticamente agredida e de manifestantes a serem barbaramente golpeados pelas costas.

 

Ainda que provocada, o que não parece ter sido o caso, a Polícia não se pode comportar como um puto na idade do armário, a rebentar de testosterona, e ver cada impropério ou palavra de ordem como uma luta de galos. É para o evitar que é investida da possibilidade de uso da força e demais poderes que a lei lhe confere. Assim começará a importação do caos das ruas gregas para as portuguesas, não pelo lado do indignado Povo mas pelas mãos da Autoridade, a que agride de gravata e a que decide de bastão.

 

(Por lapso não fiz o upload da fotografia que faz prova do que afirmo, fica agora o acrescento.)

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