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Portugal precisa de um verdadeiro Partido Verde

por Pedro Correia, em 02.11.17

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Depois das tragédias ocorridas a 17 de Junho e a 15 de Outubro, com a devastação de grande parte do interior do País e a perda de pelo menos 110 vidas humanas, nada pode ficar na mesma. Incluindo no plano político. Uma das consequências imediatas deve ser a fundação de um verdadeiro Partido Verde em Portugal, acompanhando a dinâmica gerada em diversos países europeus, nossos parceiros no espaço comunitário.

Se a destruição de mais de meio milhão de hectares de terreno florestal e áreas de cultivo não servir de detonador para esta mudança, cada vez mais necessária, duvido que qualquer outro factor venha a torná-la tão urgente. No preciso momento em que o Partido Verde se prepara para reassumir funções governativas na Alemanha, integrando a nova coligação liderada pela chanceler Angela Merkel.

 

Para a fundação em Portugal de um partido homólogo aos Verdes germânicos há que transpor dois obstáculos. O primeiro é a captura deste espaço político, há 35 anos, pelo impropriamente chamado Partido Ecologista Os Verdes (PEV), mero apêndice do PCP surgido na década final da Guerra Fria para tentar alargar o espectro de influência dos comunistas na sociedade portuguesa. Tão apêndice que nunca se sujeitou a um só teste eleitoral autónomo de então para cá: o partido da foice e do martelo serve-lhe de bolsa marsupial, eleição após eleição, acabando no entanto por ganhar com a troca porque consegue deste modo duplicar os tempos de intervenção nas sessões plenárias do Parlamento.

Tem sido sempre assim, legislatura após legislatura, com os vermelhos a ditarem o discurso aos “verdes”, configurados em partido-melancia.

 

Outro obstáculo a transpor é o do pleonástico Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que surgiu em data muito mais recente na cena política portuguesa, também invocando a causa ecológica, e falhou em toda a linha nas circunstâncias em que mais devia ter saído com firmeza em prol dos verdadeiros valores ambientais. Em Pedrógão limitou-se aos serviços mínimos, emitindo um comunicado de condolências com 32 palavras, sem exercer a vigilância que se impunha perante a total passividade governamental subsequente à tragédia.

Na véspera dessa dramática data que foi o 15 de Outubro, quando a meteorologia já alertava para um fim de semana anormalmente quente e seco, com perigo exponencial de fogos, o PAN reuniu tranquilamente a sua Comissão Política para, conforme consta do comunicado oficial, dar prioridade à situação na Catalunha. Entre uma e outra devastação da floresta nacional, entreteve-se a legislar na Assembleia da República sobre a admissão de animais de companhia nos restaurantes citadinos: as suas prioridades não podiam ser mais evidentes.

 

Falta portanto um verdadeiro Partido Verde, sem distorções nem disfarces: nem falsamente ecologista, nem animalista urbano chic. Com raízes bem implantadas na sociedade portuguesa. Um partido que nunca foi tão necessário como agora.

Espero vê-lo emergir das cinzas que cobriram uma vasta extensão do território nacional.

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Subserviente

por Pedro Correia, em 29.01.16

No debate quinzenal desta manhã no Parlamento, Heloísa Apolónia, deputada de um partido tão subserviente ao PCP que nunca se apresentou a eleições com sigla autónoma, pediu a António Costa para não ser "subserviente a Bruxelas". Há coisas que ainda me fazem sorrir na política portuguesa.

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Profissão: deputada

por Pedro Correia, em 21.10.15

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Tinha 26 anos quando foi eleita pela primeira vez deputada, nas listas da CDU, em 1 de Outubro de 1995. E nunca mais de lá saiu. Acaba de ser reeleita, 20 anos depois, da mesma forma que sempre recorreu para atingir este desígnio: usando o PCP como barriga de aluguer.

Heloísa Apolónia é "líder" de um partido que nunca se submeteu individualmente a voto algum. Nem para a Assembleia da República, nem para o Parlamento Europeu, nem para uma câmara municipal, nem para uma junta de freguesia. É a maneira mais cómoda e mais inaceitável de estar na política.

Profissão: deputada. Nada sabe do mundo dos trabalhadores que tanto gosta de invocar nas suas arengas do hemiciclo.

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Legislativas (12)

por Pedro Correia, em 18.09.15

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DEBATE HELOÍSA APOLÓNIA-PAULO PORTAS

 

Heloísa Apolónia é líder de um partido fundado em 1982 denominado Partido Ecologista Os Verdes. Um partido que nunca foi a votos autonomamente: funcionou sempre na órbita do Partido Comunista. Beneficia de uma clara omissão da Lei Eleitoral portuguesa, que autoriza a perpetuação de um partido político dispensado de se submeter a testes eleitorais periódicos com a própria sigla.

Graças a este artifício, o PCP tem duplicado há três décadas o seu tempo de intervenção parlamentar. Heloísa é recompensada: estreou-se em São Bento na legislatura iniciada em 1995, com apenas 26 anos.

Está há 20 anos na Assembleia da República e bem pode declarar que a sua profissão é ser deputada.

Mesmo assim, presume falar em nome do povo.

 

Escutei-a há pouco, na TVI 24, num frente-a-frente com Paulo Portas. Em boa verdade, mal chegou a ser um debate: Heloísa foi arrasada em directo a propósito de questões estruturais do programa da CDU - nomeadamente quando defendeu a saída de Portugal do euro e um amplo programa de nacionalizações. "Retomarmos a nossa moeda [o escudo] podia servir-nos de outra forma em termos de dinamização de uma política orçamental, uma política cambial e uma política fiscal diferente", adiantou.

"Acha que a saída do euro não tem custos?", questionou Portas de imediato. Pergunta retórica: sabia de antemão que não teria resposta. "Eu não estou a dizer que não tem custos", hesitou a líder do PEV, mantendo um vocabulário tão vago quanto possível, incapaz de descer ao detalhe. O presidente do CDS aproveitou para responder por ela: "As pensões, os salários e as poupanças das pessoas caíam vertiginosamente. De repente, quem tivesse 100 no banco passava a ter 50. Quem tivesse 50 passava a ter 25."

 

Repetindo o que Jerónimo de Sousa tem dito nesta pré-campanha para as legislativas de 4 de Outubro, a nº 2 da Coligação Democrática Unitária fez igualmente a apologia das nacionalizações, referindo-se implicitamente à Galp, à REN e à EDP: "Há determinados sectores estratégicos que os senhores privatizaram, designamente no sector energético. É um imperativo nacional que voltem para as mãos do Estado."

Portas não tardou a dar-lhe réplica: "Essas nacionalizações têm um custo. E é possível fazer as contas sobre esse custo. O que significa nacionalizar os sectores estratégicos? Nada menos do que um custo de 28 mil milhões de euros. É um ano inteiro de IVA e de IRS todo dedicado a uma opção puramente ideológica. E a própria Constituição da República, no artigo 62º, diz com toda a clareza que não há nacionalizações nem expropriações sem a justa indemnização."

Heloísa Apolónia, pelos vistos, foi apanhada de surpresa: nem uma palavra lhe saiu para contestar as cifras do antagonista ou para especificar onde iria o depauperado Estado português conseguir tal verba. "Faça as contas, senhora deputada", disse-lhe ainda o líder do CDS.

 

José Alberto de Carvalho, o moderador do debate, quis ainda saber "qual é o modelo de sociedade e de Estado" do Partido Ecologista Os Verdes "e com que país ou regime se identifica".

A resposta saiu assim, textualmente:

"O nosso modelo económico tem como eixo central as pessoas. A partir deste ponto central aquilo que é fundamental é gerar uma estratégia de crescimento que sustente o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas e que tenha em conta uma valorização salarial para ter uma redinamização da economia de que nós precisamos."

Ficou tudo dito.

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Falar claro sobre os "verdes"

por Pedro Correia, em 17.07.13

 

Em dia de moção de censura ao Governo apresentada pelo grupo parlamentar dos "verdes", vale a pena registar o que dois destacados socialistas dizem sobre este partido, que nunca foi a votos autonomamente e se limita a replicar as posições do Partido Comunista no plenário da Assembleia da República e nos órgãos de informação.

Sérgio Sousa Pinto e Augusto Santos Silva falam sem rodeios - e fazem muito bem. Nunca como hoje se sentiu tanta necessidade de posições claras na política portuguesa. Por isso destaco estas opiniões, que expressam exactamente o que penso sobre a mesma matéria.

 

Sérgio Sousa Pinto (RTP i, 16 de Julho, 21.20): «O Partido Ecologista Os Verdes - ou seja, o PCP, pois o PEV é uma farsa, não existe - apresentou uma moção de censura ao Governo. É mais uma deslealdade. Se o PEV não existe, o PCP, em rigor, pôde apresentar duas moções de censura nesta sessão legislativa: apresentou uma em seu nome e agora instruiu os seus satélites 'verdes' para apresentarem outra moção de censura. E porque é que o faz? É contra o Governo? Claro que não: é contra o PS! O PCP grita muito contra a direita mas reserva sempre os ferros contra o PS. O verdadeiro adversário estratégico do PCP sempre foi o PS. (...) Objectivamente, o PCP é um aliado do Governo. Porque esta moção de censura é um enorme serviço prestado ao Governo. Porque dispensa o PSD e o CDS de apresentarem uma moção de confiança, afrontando o Presidente da República, porque o PCP teve a delicadeza de apresentar uma moção de censura que a direita vai derrotar e esmagar no Parlamento. Isto também é um recado que o Parlamento dá a Belém.»

 

Augusto Santos Silva (TVI 24, 16 de Julho, 22.50): «A moção de censura é apresentada agora pelos 'Verdes' - que são barriga de aluguer, como todos sabemos - para embaraçar o PS. O único sentido político [desta moção] não é perturbar os partidos do Governo, mas embaraçar o PS. Se o PS votasse contra a moção, seria acusado de ser muleta da direita; se votar a favor, como vai fazer, será acusado de ter dupla personalidade. (...) Na minha opinião, o Partido Ecologista Os Verdes é uma fraude política. É um partido que nunca foi a votos, que não tem identidade própria e cuja existência se destina a aumentar os tempos de intervenção e os mecanismos institucionais de intervenção no Parlamento ao dispor do Partido Comunista Português. O PS poderia ter em relação a qualquer iniciativa dos 'Verdes' esta linha de conduta: iniciativa política que venha de vocês não nos merece nenhuma credibilidade.»

 

Leitura complementar: O partido que nunca existiu; O PCP coligado consigo próprio.

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