Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.03.14

  

Vítor Gaspar, de Maria João Avillez

Entrevista

(edição D. Quixote, 2014)

"Este livro segue a antiga ortografia, excepto na carta de demissão de Vítor Gaspar e no posfácio de Guilherme d' Oliveira Martins"

Autoria e outros dados (tags, etc)

O período de nojo ainda foi mais curto do que o de Sócrates

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.03.14

Será que a senhora leu a carta de despedida?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nasceu um novo oráculo

por Pedro Correia, em 19.02.14

 

Os "analistas políticos" portugueses detestam ministros das Finanças e adoram ex-ministros das Finanças.

No dia em que se demite ou é exonerado do Governo, um ministro das Finanças deixa de ser a pessoa mais incompetente deste país para se tornar um oráculo dos tempos que virão e um poço de sapiência não só a nível financeiro mas também político.

Ganha imediato lugar cativo na televisão e todos procuram beber os seus conselhos.

 

É raro o dia em que não desfilam nas pantalhas ex-ministros das Finanças deste rincão: Silva Lopes, Medina Carreira, João Salgueiro, Miguel Cadilhe, Miguel Beleza, Braga de Macedo, Eduardo Catroga, Pina Moura, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Campos e Cunha - e agora até o extraordinário Teixeira dos Santos. Um deles, Cavaco Silva, é Presidente da República. Outro, Guilherme d' Oliveira Martins, preside ao Tribunal de Contas. Outro ainda, Vítor Constâncio, é vice-presidente do Banco Central Europeu.

Este país, como nenhum outro, aprecia "magos das finanças". Desde que já não estejam, na ala nascente do Terreiro do Paço, ao serviço da coisa pública.

 

Num impulso tão fatal como o regresso das andorinhas na Primavera, há já por aí, a pretexto de um livro, um movimento destinado a "regenerar" Vítor Gaspar aos olhos da opinião pública. E a carta de resignação do antecessor de Maria Luís Albuquerque não cessa de ser apresentada como peça de excelência até por alguns que foram seus encarniçados adversários políticos.

 

Lamento, mas não dou para este peditório. Se alguma coisa a carta de Gaspar revela é a sua inaptidão para estar ao leme das finanças em tempos de excepcionais dificuldades e de irrepetíveis exigências aos principais titulares de funções públicas. Governar com estados de alma, sem a noção de que a política em democracia não funciona por diktakt mas exige negociação permanente, e abandonar o barco quando os ventos adversos sopram mais fortes: eis o que Gaspar revelou, a 1 de Julho de 2013, com o seu teatral gesto de renúncia.

Aparentemente, não soube sequer interpretar os sinais de que não estávamos à beira de um segundo resgate nem mergulhados numa "espiral recessiva", como insistiam os seus mais obstinados opositores. Nem soube antecipar o novo estatuto de "herói surpresa da zona euro" que o exigente Financial Times já atribui a Portugal: por ironia, os primeiros sinais de optimismo nas finanças públicas aconteceram já depois da sua saída.

 

Mas não me surpreende minimamente que o vejamos muito em breve como comentador permanente num canal de notícias. Acaba de nascer um novo oráculo. Que merecerá o mesmo interesse que reservamos aos outros ex-ministros das Finanças. E também ao vetusto Frei Tomás: faz sempre o que ele diz, nunca faças o que ele faz.

 Foto Daniel Rocha/Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Santo.

por Luís Menezes Leitão, em 13.02.14

 

Se há uma coisa que caracteriza este país é a tendência para endeusar os Ministros das Finanças, mas apenas depois de eles terem deixado o cargo, altura em que o povo se esquece dos disparates que fizeram enquanto lá estiveram. É assim que hoje Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix aparecem a comentar frequentemente os resultados orçamentais sem que ninguém lhes pergunte como foi possível terem equilibrado os défices à custa de receitas extraordinárias como a titularização dos créditos fiscais ao Citygroup ou com a integração de fundos de pensões da banca. Da mesma forma, ninguém questiona Teixeira dos Santos como foi possível deixar a situação chegar ao ponto de nas vésperas da bancarrota ainda se estar a assinar contratos para construir o TGV.

 

Faltava por isso Vítor Gaspar ensaiar o seu processo de beatificação através de uma entrevista a Maria João Avillez, entrevista essa que revela tantos milagres praticados pelo benemérito que estamos seguros que o alçarão brevemente à santidade. Ficámos a saber em primeiro lugar que Eduardo Catroga, que estava a negociar o programa do ajustamento, afinal nada percebia de negociações internacionais, o que levou Vítor Gaspar a intervir para a salvação do PSD e da pátria. Apesar de o pérfido Eduardo Catroga não se ter convertido, a imensa sabedoria de Gaspar causou uma profunda admiração no inner circle de Passos Coelho, os quais imediatamente viram que Vítor Gaspar era afinal o profeta que os poderia conduzir no caminho para a terra santa onde a troika forneceria leite e mel. António Borges é assim o enviado que chama Gaspar a assumir a pasta das Finanças, com a absoluta confiança do Primeiro-Ministro, que lhe delega todos os poderes.

 

A seguir Vítor Gaspar, à semelhança de São Paulo na estrada de Damasco, tem durante uma viagem de avião para Bruxelas a visão da TSU que tornaria felizes todos os trabalhadores, forçados a abdicar de 7% do seu salário a benefício dos empresários. Infelizmente, no entanto, o povo ainda vive nas trevas e apareceu nas ruas a contestar a medida. E, vá lá saber-se porquê, o ministro Paulo Portas também não se deixou converter à mesma. Gaspar ignora naturalmente os processos mentais desse pérfido ministro, mas sabe bem que o mesmo pretendia uma alteração do rumo, o que o obrigou à saída. Na verdade, Gaspar sempre se assumiu como o responsável político do Governo, tanto assim que acertou a sua saída com o Primeiro-Ministro, quando viu que o objectivo político não foi atingido. Mas para que o Primeiro-Ministro não ficasse desamparado, Gaspar combinou com ele que lhe deixaria uma carta, com as suas instruções para a continuação da política. Maria Luís Albuquerque iria ser assim o Josué que iria atingir a terra santa, que Gaspar, como Moisés, só poderia vislumbrar de longe, mas foi ele a fazer todo o caminho. Infelizmente, no entanto, mais uma vez o pérfido ministro Paulo Portas ameaçou com uma demissão mal preparada, ao contrário da do próprio Gaspar, enfurecendo os demónios dos mercados.

 

Está assim demonstrado que Vítor Gaspar é um santo que foi incompreendido pelos homens de pouca fé. Estes até serão capazes de o acusar do pecado mortal da soberba.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Facto nacional de 2013

por Pedro Correia, em 09.01.14

CRISE POLÍTICA DE JULHO

O Governo não chegou a cair, mas abanou muito. E não voltou a ser o mesmo. Aconteceu em Julho: a crise alastrou da esfera económica para a área governativa e abalou as bolsas europeias. Com dois protagonistas: Vítor Gaspar e Paulo Portas. O primeiro partiu, o segundo ameaçou fazer o mesmo mas acabou por ficar. Numa posição aparentemente reforçada.

Foi a semana mais turbulenta do ano político, que o DELITO DE OPINIÃO elegeu em votação interna - por estreita margem - o facto de 2013 em Portugal.

Inesperadamente, Passos Coelho perdeu aquele que considerava o seu número dois: o ministro de Estado e das Finanças. Vítor Gaspar bateu com a porta, tornando pública a carta de demissão.

"O nível de desemprego e desemprego jovem são muito graves [sic]. Requerem uma resposta efectiva e urgente a nível europeu e nacional. (...) Esta evolução exige credibilidade e confiança. Contributos que, infelizmente, não me encontro em condições de assegurar. O sucesso do programa de ajustamento exige que cada um assuma as suas responsabilidades. Não tenho, pois, alternativa senão assumir plenamente as responsabilidades que me cabem", escreveu o ministro demissionário nesta carta, datada de 1 de Julho.

O primeiro-ministro não tardou a designar Maria Luís Albuquerque para o lugar de Vítor Gaspar. Mas, subitamente, Paulo Portas demitiu-se. Com carácter "irrevogável", como acentuou a 2 de Julho. Seguiram-se dias de forte tensão na coligação governativa e o espectro das eleições antecipadas chegou a pairar em São Bento. Até que Portas recuou. E Passos elevou-o a vice-primeiro-ministro, no âmbito de uma remodelação governamental.

 

Num segundo lugar muito próximo, entre os factos nacionais de 2013, situou-se a enorme corrente migratória: cerca de 120 mil portugueses emigraram no ano que terminou. As vitórias eleitorais de independentes nas autárquicas de Setembro e a manifestação de polícias nas escadarias de São Bento, em Novembro, também foram votadas, havendo ainda um voto na frustrada tentativa de cantar a Grândola feita pelo ex-ministro Miguel Relvas.

Em 2010 elegemos como facto nacional do ano a crise financeira e em 2011 a chegada da troika a Portugal.

Foto Daniel Rocha/Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pausa à mesa do póquer

por Pedro Correia, em 16.07.13

 

Imaginem uma mesa onde se joga póquer. À volta da mesa, quatro cadeiras. Nessas cadeiras estão sentados quatro homens: Aníbal, António, Paulo e Pedro. Cada qual fazendo bluff, temendo as cartas que os restantes possam lançar.

A política portuguesa, por estes dias, transformou-se nisto. Há um país inseguro, que sustém a respiração, suspenso destas cartadas. Um país sob intervenção externa, que há mais de dois anos perdeu a soberania financeira, aguarda que naquela mesa termine o jogo. Sem a mais remota esperança que daqui resulte uma solução mais sólida e mais estável.

 

Passaram apenas duas semanas desde que foi tornada pública a demissão de Vítor Gaspar, acompanhada de uma carta que constitui um notável contributo para a antologia do humor negro na política portuguesa. "Os riscos e desafios do próximo tempo são enormes. Exigem a coesão do Governo. É minha firme convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa", dizia o ex-titular das finanças nessa missiva supostamente dirigida ao primeiro-ministro mas tendo afinal por destinatários dez milhões de portugueses, inaugurando o estilo "carta aberta" no exercício da governação.

Quinze dias depois, tudo parece ter regressado aos penosos dias do pântano - num teste quase desesperado à liderança e à coesão, palavras habitualmente invocadas na razão inversa da sua existência, como Gaspar bem sabia quando as colocou na sua carta que abriu oficialmente a saison de crises políticas.

Não admira, por isso, que um dos quatro opte por uma pausa no mais remoto e desabitado recanto do território português. Perfeita antítese da atribulada política portuguesa por estes dias, o plácido arquipélago das Selvagens. Com apenas quatro habitantes e banhado pelas águas mais limpas do mundo, como as classificou o oceanógrafo Jacques-Yves Cousteau.

 

A Bolse treme, levando Lisboa ao terceiro pior desempenho do mundo? Os juros disparam? Há novos pedidos de demissão na equipa das finanças? Chovem acusações de que se pretende "institucionalizar o caos"? Nada que o som das cagarras não dissipe enquanto se contempla o vasto Atlântico que inspirou os navegadores das naus de Quinhentos.

Talvez elas nos tragam notícias do eclipsado Gaspar, o ex-ministro em quem o chefe do Governo costumava "confiar plenamente" em dias que parecem já muito distantes. Talvez elas contribuam para atenuar o choque das contínuas surpresas em que se transformou a montanha russa da política nacional. Talvez elas ajudem a revigorar o supremo árbitro do sistema, mais eloquente nos longos períodos de silêncio do que no esporádico uso da palavra.

Ou talvez não.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2013 (21)

por Pedro Correia, em 09.07.13

«É minha firme convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a coesão da equipa governativa.»

Vítor Gaspar, na carta de demissão

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para memória futura

por Pedro Correia, em 03.07.13

A carta de demissão de Vítor Gaspar:

«Senhor Primeiro-Ministro, Liderança é, por vezes, definida como sabedoria e coragem combinadas com desinteresse próprio. A liderança assim exercida combina os superiores interesses nacionais que perduram de geração em geração. Fácil de dizer, difícil de assegurar, em particular quando as condições são de profunda crise: orçamental, financeira, económica, social e política. Sendo certo que contará sempre com a inteligência, coragem e determinação dos portugueses, cabe-lhe o fardo da liderança. Assegurar as condições internas de concretização do ajustamento são uma parte deste fardo. Garantir a continuidade da credibilidade externa do país também. Os riscos e desafios dos próximos tempos são enormes. Exigem a coesão do Governo. É minha firme convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa.»

 

A carta de demissão de Paulo Portas:

«O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.

Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma semana alucinante.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.13

 

Vítor Gaspar tinha acabado de se demitir do Governo numa carta que quem melhor interpretou foi curiosamente a Imprensa Falsa. Perante este rombo no executivo, Passos Coelho não arranjou melhor do que promover a sua antiga professora da Faculdade a Ministra das Finanças, apesar de a mesma estar debaixo de fogo no caso dos swaps. Incapaz de tomar qualquer atitude que seja, a não ser instaurar absurdos processos a comentadores, Cavaco nomeia de cruz a nova Ministra, imagine-se, porque recebeu garantias do Primeiro-Ministro que sobre ela não pesava nada de menos correcto. Paulo Portas, pelos vistos, não recebeu as mesmas garantias pelo que não hesitou em demitir-se, desagradado com a escolha. Temos uma semana alucinante e ainda só vamos na terça-feira.

 

Cenas dos próximos capítulos, até ao fim-de semana: 1) Demissão da Professora de Passos Coelho, desagradada com a reacção de Portas; 2) Demissão de Passos Coelho, pelo mesmo motivo; 3) Demissão de Cavaco Silva, zangado pelo facto de a Procuradoria não ter processado Sousa Tavares nem os milhões de pessoas que o continuam a criticar. Porque na verdade, este Governo e este Presidente têm sido exemplares na gestão da crise e não merecem qualquer crítica. Afinal de contas de que vale a pena criticar quem comanda o Titanic?

 

P.S. Eu continuo a aguardar os prometidos briefings de Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba onde estes assuntos precisam de ser muito bem explicados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tudo correrá bem

por José António Abreu, em 02.07.13

Depois de andar a fazer voz grossa durante um par de semanas, Nuno Crato cede aos professores e mostra que nem sob intervenção externa o Estado português é reformável. A Troika percebe-o e, porque se não vai pelo anafado sector público, tem que ir pelo esganado sector privado, avança as propostas de diminuir o salário mínimo e cortar ainda mais nas indemnizações por despedimento. O Ministro das Finanças também o percebe e demite-se. Que a sua substituta esteja debaixo de fogo por causa dos contratos swap e não tenha peso no universo político interno nem no universo financeiro externo é, numa visão global das coisas, quase irrelevante.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aparentemente, estava farto de engolir swaps vivos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Obviamente demita-se.

por Luís Menezes Leitão, em 01.07.13

 

Não sinto qualquer pena pela saída de Vítor Gaspar. A meu ver, já vai tarde. Esta carta de demissão é, no entanto, a demonstração cabal do absoluto défice de coordenação política do Governo. Passos Coelho sustentou até ao limite do sustentável um Ministro das Finanças que não acertava uma, para vê-lo fugir precisamente na altura em que a troika vai começar mais uma avaliação. E não arranja mais ninguém para o substituir do que a Secretária de Estado que tem estado debaixo de fogo por causa dos swaps. Pareceria uma brincadeira de mau gosto se o assunto não fosse sério de mais. Vítor Gaspar era o verdadeiro Primeiro-Ministro deste Governo. Agora que se foi embora, é mais que altura de Passos Coelho o seguir. Porque já toda a gente percebeu que com estes protagonistas não vamos a lado nenhum.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um sucesso esta política.

por Luís Menezes Leitão, em 25.06.13

 

Juros da dívida portuguesa perto de 7%.

 

Gaspar admite défice acima dos 10% no primeiro trimestre.

 

Quantas mais derrapagens serão necessárias para que se mande embora de vez Vítor Gaspar? Ou vai-se continuar a defender que a culpa é do mau tempo?

Autoria e outros dados (tags, etc)

 1 - Utilize a dotação orçamental do mês de Junho para adquirir três copos completamente opacos e berlindes.

 

2 - Converta o valor líquido do subsídio de cada um dos funcionários do serviço em moedas de 2€. 

 

3 - Chame o funcionário ao seu gabinete e peça-lhe para colocar a primeira moeda do respectivo subsídio debaixo de um dos copos.

 

4 - Utilize as mãos para fazer com que os três copos mudem de posição com muita rapidez. Para assegurar a eficácia da operação, esta é uma tarefa que não pode ser objecto de delegação de competências.

 

5 - Quando o funcionário estiver completamente baralhado, peça-lhe para indicar o copo debaixo do qual ele pensa que está a moeda.

 

6 - Se o funcionário acertar (coisa que é muito improvável que aconteça) entregue-lhe a moeda. Caso contrário, remeta de imediato a moeda para o ministério das finanças.

 

7 - Repita a operação para o mesmo funcionário tantas vezes quantas as necessárias até ter utilizado todas as moedas do respectivo subsídio.

 

Nota adicional: se tiver oportunidade e para assegurar uma maior eficácia na concretização desta instrução, substitua, sem que o funcionário dê por isso, a moeda por um berlinde. Se o funcionário escolher o copo debaixo do qual está o berlinde (coisa que é muito improvável que aconteça), dê-lhe o berlinde. Caso contrário, remeta de imediato o berlinde para o ministério das finanças.

 

Cumpra-se.

 

O ministro das finanças, Vítor Louçã Rabaça Gaspar, em 13 de Junho de 2013

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há muito sinto que o Governo vai além do mandato que lhe foi conferido, das competências que tem e da Constituição da República que regula a sua acção. Como muitos fui lutando em manifestações, em textos e acções enquanto cidadão. Ontem deparei-me com uma situação diferente, uma "ordem do Governo", que nos dias que correm é assim que designam as coisas, que obrigava a que os subsídios de férias dos funcionários não fossem pagos, contrariando um recente Acórdão do Tribunal Constitucional.

Acho que um Governo que é insubmisso perante as regras que regulam a sua acção, legitima que contra si se ergam insubmissões que só não são semelhantes, porque vão de encontro à Constituição que nos rege, não estando feridas na sua democraticidade. Foi por isso que decidi, ainda ontem, que os trabalhadores da Autarquia que dirijo, facto que não tem nada a ver com o lugar que ocupo neste espaço, receberão, em devido tempo, o subsídio de férias que remunera o seu trabalho, e que foi sua legítima expectativa até há algumas horas.
Como tive oportunidade de escrever, venha o Gaspar à Junta de Freguesia de Campolide, em Lisboa, ordenar que não posso, que eu explico-lhe o que é um Estado de Direito e a Constituição da República que alegremente arruína.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Podes começar a chorar, Angela Merkel!

por Rui Rocha, em 08.06.13

- Gaspar diz que foi o mau tempo que afectou o investimento.

 

- Alemanha devastada pelas maiores cheias dos últimos anos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bem prega frei Gaspar...

por Helena Sacadura Cabral, em 05.06.13

Acabara de ouvir na televisão e ainda acreditei que não fosse verdade. Mas era. Eu própria confirmei, quando resolvi pedir um recibo com número de contribuinte relativo à importância despendida no passe dos transportes. Na bilheteira aonde fui, disseram-me que me teria de deslocar ao Marquês de Pombal ou ao Campo Pequeno, nos próximos cinco dias, para o obter.

Perante a minha indignação explicaram-me que o sistema informático estava envelhecido e as máquinas, com a introdução do IVA, não podiam ser reprogramadas.

Tive um acesso de fúria - eu que até sou serena - e perguntei como é que era possível o governo ter exigido a todos os comerciantes que o fizessem e fosse o primeiro a não cumprir a disposição e, por isso, a praticar uma ilegalidade. A senhora da bilheteira apenas dizia que me compreendia, mas não podia fazer nada.

Mas eu, pelo menos, posso escrever a contar o sucedido e dar-lhe a devida visibilidade. Para que todos aqueles que, como eu, usam transportes públicos, reclamem e obriguem a que a situação seja revista. Entupam com mail's o serviço responsável por esta anomalia, cuja chefia, decerto, nunca usou nem teve necessidade de usar um passe social. Afinal, bem prega frei Gaspar: faz como ele diz, mas não faças como ele faz...

Autoria e outros dados (tags, etc)

O CDS caiu.

por Luís Menezes Leitão, em 13.05.13

 

Parece que o CDS, depois de ter jurado que a taxa sobre pensões era uma fronteira que não podia ser ultrapassada, afinal já permite "excepcionalmente" que as tropas estrangeiras passem a fronteira. O problema é que quando as fronteiras são atravessadas, a ocupação só termina se o ocupante quiser. O CDS passou a ser assim neste momento um partido tomado e por muito que queiram negar o óbvio, nem o talento político de Portas o tirará do sarilho em que se meteu. Todas as suas bandeiras eleitorais como o apoio aos reformados e a defesa dos contribuintes se esfumaram nesse instante. Resta-lhe continuar no Governo até ao fim, sabendo-se que agora que já nem sequer conseguirá evitar o descalabro para onde está a ser conduzido.

 

Torna-se assim claro que neste momento já nem sequer existem partidos na maioria mas apenas um grupo de seguidores da troika, chefiados pelo Ministro Vítor Gaspar, que continuará a pôr e dispor pelo menos até Junho de 2014, altura em que poderá ser seduzido por um cargo de comissário europeu. O tal Ministro "que não foi eleito coisíssima nenhuma" e que diz aos partidos da maioria que não quer saber dos "vossos eleitores", depois de presidir ao arrasar da economia portuguesa irá assistir ao arrasar do sistema partidário nacional, destruindo os partidos que suicidariamente continuam a apoiá-lo. Resta saber por que razão os militantes desses partidos continuam a aceitar isto. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Antes ou depois do Conselho de Estado?

por Rui Rocha, em 12.05.13

Marques Mendes diz que Gaspar será o próximo comissário europeu

Autoria e outros dados (tags, etc)

E se criássemos mais uma comissão?

por Luís Menezes Leitão, em 30.04.13

 

Este Governo começa a parecer-se cada vez mais com o grupo de conselheiros de Júlio César no Obélix et Compagnie. Temos um problema para resolver? Cria-se mais uma comissão para analisar esse problema, a qual depois se dividirá em sub-comissões específicas ou então combina-se um almoço para discutir o assunto. Sabe-se que para além de ter que alterar o orçamento de Estado em virtude do chumbo do Tribunal Constitucional, o Governo deveria explicar onde é que vai cortar 4.000 milhões de euros na despesa do Estado. Mas depois inúmeros conselhos de ministros, a discutir não se sabe o quê, em que inúmeros ministros decidiram pelejar uns com os outros, chega-se à conclusão que é melhor deixar o assunto para depois do 1º de Maio.

 

Mas, como não podia deixar de ser, Vítor Gaspar não perde a oportunidade de nomear mais comissões. Já tinha criado o Conselho de Finanças Públicas, que foi um excelente estímulo ao emprego no sector. Em seguida criou a ESAME-Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos, com nada menos que 30 elementos, com emprego assegurado até 30 de Junho de 2014, sem prejuízo de prorrogação se o país vier a necessitar de novos resgates. Agora, como se isto não bastasse, surge mais uma Comissão de Normalização Contabilística e uma Unidade Técnica de Acompanhamento de Parcerias Público-Privadas, que acabam de tomar posse.

 

Alguém acredita que assim é possível reduzir a despesa pública? Eu não. Talvez por isso o que este Governo vai anunciar será seguramente a criação da CCDE - Comissão para Cortar na Despesa do Estado, com um orçamento de milhões e centenas de funcionários. E depois os Ministros lá poderão reunir com toda a tranquilidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Governo em ruínas.

por Luís Menezes Leitão, em 04.04.13

 

O problema deste Governo foi desde o início um e apenas um: uma estrondosa falta de liderança. Tal resulta do óbvio défice de competências que Passos Coelho tem para Primeiro-Ministro, uma vez que lhe falta simultaneamente capacidade política e competência económica. Precisamente por isso o Governo que formou assentava em dois pilares principais: Miguel Relvas para a área política e Vítor Gaspar para as finanças. Um dos pilares ruiu hoje e o golpe no Governo é de tal ordem que Passos Coelho nem foi capaz de indicar o substituto. O outro pilar, já muito esboroado, pode cair amanhã se o Tribunal Constitucional trucidar o orçamento de Estado.

 

Miguel Relvas teve habilidade política suficiente para fazer Passos Coelho chegar a Primeiro-Ministro, mas no Governo tomou decisões completamente erradas. Contratou António Borges como consultor, com carta branca para as privatizações, que se revelaram um desastre. Reduziu a reforma das autarquias a uma extinção de freguesias à vontade dos fregueses. De caminho deixou-se enredar em casos pitorescos como espiões, ameaças a jornalistas, licenciatura, etc. No fim ainda conseguiu pôr as candidaturas autárquicas do PSD em combate com os tribunais, para gáudio dos adversários. Era manifesto que já não trazia qualquer vantagem política ao Governo, pelo que deveria ter saído há muito tempo. Sai agora na pior altura possível nas vésperas da decisão do Tribunal Constitucional, ao que se diz por causa de um relatório sobre a Lusófona que já estaria na posse do Governo há meses. A ser assim, é provável que arraste igualmente Nuno Crato na queda.

 

Vítor Gaspar é igualmente um caso perdido como Ministro das Finanças, como aliás se viu desde o seu primeiro discurso, quando anunciou impostos extraordinários em lugar de cortes de despesa, tendo prosseguido nessa senda, contra tudo e contra todos. Amanhã se verá se o Tribunal Constitucional lhe permite manter um mínimo do inacreditável Orçamento de Estado que concebeu, ou se o caso já não tem remédio, tendo que arrumar igualmente as pastas.

 

A ruína deste Governo tem, no entanto, apenas um culpado: Passos Coelho. Foi o seu défice de coordenação e supervisão que deu carta branca a Gaspar para inventar as medidas económias mais loucas possíveis, como a TSU, e permitiu a continuação de Miguel Relvas no Governo até ao limite do insustentável. Um Primeiro-Ministro que coordenasse efectivamente os Ministros nunca teria deixado as coisas chegarem a este ponto. É por isso que não me alegra nada a demissão de Miguel Relvas, aliás substituído pelo vazio absoluto. Ficaria satisfeito era com a demissão de Passos Coelho. É tempo de a maioria arranjar outro Primeiro-Ministro. Se não, será a oposição a fazê-lo. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tiro no porta-aviões.

por Luís Menezes Leitão, em 22.03.13

 

O desastre absoluto de Gaspar era visível desde o primeiro momento em que tomou posse. Mas a culpa não é dele, e sim de quem o escolheu para Ministro das Finanças. Era perfeitamente visível que a política de aumentar impostos e cortar salários em período recessivo só poderia piorar a situação, como qualquer estudante de Finanças Públicas sabe. Mas o Ministro das Finanças não é o senhor absoluto do Governo, devendo ser enquadrado pelo Primeiro-Ministro e até pelo próprio Presidente da República. Ora, o Primeiro-Ministro demonstrou-se totalmente incapaz de exercer qualquer controlo político sobre o Ministro das Finanças, deixando-o a pilotar um navio cada vez mais desgovernado. E o Presidente da República ficou de fora sem dar qualquer indicação, parecendo querer assistir de longe a este naufrágio anunciado.

 

Neste aspecto, a fiscalização sucessiva do orçamento por Cavaco Silva foi um presente envenenado para o Governo. Se tivesse realizado uma fiscalização preventiva, o orçamento seria declarado inconstitucional em 20 dias, mas o Governo ainda poderia corrigir a situação. Quase três meses depois, quando o barco já metia água por todos os lados, o chumbo pelo Tribunal Constitucional tem o efeito de um tiro no porta-aviões. Agora já não é só Gaspar que tem que ir para casa, mas sim Passos Coelho. Os partidos da maioria têm que arranjar rapidamente uma nova solução de governo que evite uma tragédia nacional. A meu ver, já há muito tempo que o deveriam ter feito.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.03.13

«Eu ouvia ontem o ministro das Finanças. Aquilo parecia-me o administrador financeiro de uma grande empresa falida a ler um relatório burocrático e administrativo, sem soluções e sobretudo sem uma mensagem de esperança. Um director-geral não fazia diferente. Mas um ministro tem que ser muito mais do que um director-geral.»

Marques Mendes, esta noite, na estreia do seu comentário semanal, no Jornal da Noite da SIC

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um falhanço colossal.

por Luís Menezes Leitão, em 15.03.13

 

Este discurso de Vítor Gaspar deveria ter terminado com uma simples frase: "Por tudo isto apresento obviamente a minha demissão do Governo". Eu não compreendo como é que um Ministro das Finanças tem cara para continuar como se nada se passasse depois de ter falhado a previsão da recessão em 130% (de 1% para 2,3% do PIB), de andar a brincar a privatizações que não têm qualquer impacto no défice, que assim se fixa em 6,6%, e de gerar um desemprego que vai parar aos 19%. Quanto aos brilhantes resultados da avaliação, estamos de facto no "bom caminho". Tanto é assim que a troika vai reter a próxima tranche do empréstimo até ver um programa sério de corte na despesa, programa esse que deveria ter sido apresentado nos primeiros dias de posse deste Governo. Devem achar que somos todos parvos.

 

Em qualquer outro país democrático, depois disto, ou o Primeiro-Ministro demitia o Ministro das Finanças ou era o Primeiro-Ministro que tinha que se demitir. Mas como o Primeiro-Ministro não tem autoridade sobre o Ministro das Finanças, e no Parlamento está colocada uma legião de fiéis como deputados, lá irá continuar tudo como se nada se passasse. Iremos assim assistir a mais conferências de imprensa surreais enquanto o país se afunda. Até quando?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gaspar afirma que Portugal tem povo de marinheiros capaz de superar as maiores tormentas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Só contas de diminuir

por Helena Sacadura Cabral, em 22.02.13

 
Eu gostava de ser inteligente. Até agora, agradecia ao Altíssimo os dons que Ele me havia concedido. E aos meus queridos Pais e a mim própria o esforço que havíamos feito nesse sentido.
Pois bem, estava errada. Acredito que não seja estúpida - seria desastroso chegar a essa conclusão nesta idade -, mas não sou tão inteligente como pensava. Pus o patamar muito elevado e agora, catrapus, caí na realidade.
Qual realidade perguntarão os que me lêem? A do Dr. Vitor Gaspar, pois então. Quem mais havia de ser? Explico-me.
Quando recebi o documento relativo à pensão do Banco de Portugal, de Janeiro, não quis olhar para ele. Pareceu-me ter mais rúbricas do lado do débito, mas morreram-me nesse mês vários amigos e eu "dei-me" um tempo de serenidade. Mas Gasparito não mo deu, essa é que é essa.
De facto, quando hoje recebi uma carta da Segurança Social, dei um pulo. O choque foi tal que reuni, num ápice, os papeis todos - são poucos, infelizmente -, com a estranha sensação de que fora tributada duas vezes, uma em sede do Banco e outra em sede da chamada Solidariedade Nacional.
Passei a tarde inteira de uma sexta feira chuvosa a refazer cálculos. Nenhum batia certo com o que me haviam tirado. Como não fui aluna do Ministro das Finanças, cuja capacidade previsiva é muito pior do que a minha, tive que chegar à trágica conclusão de que, só sendo mesmo muito inteligente, é que os nossos cálculos coincidiriam. Ora como tal não aconteceu, não só fiquei sem o dinheiro, como vi substancialmente reduzida a minha massa cinzenta, ou, pelo menos, aquela que eu julgava ter.
Conclusão, nestes tempos perigosos, nunca mais me vou "dar" um tempo, porque, se o fizer, já sei o que acontece: vão-me ao bolso! 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tragam-nos sol e dinheiro

por Helena Sacadura Cabral, em 23.01.13

Para amenizar a política nacional, aqui fica um presente, sob a forma de vídeo, no dia da primeira ida aos mercados com que nos "surpreendeu" o Ministro das Finanças, pouco dado a este tipo de surpresas. Pergunto: se este retorno estava previsto para Setembro, será que  o ministro técnico está a virar político?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os melhores filmes de 2012 - parte 1

por José Navarro de Andrade, em 27.12.12

 

A cerviz dobrada, o olhar abaixado, a pose mendicante, foi deste modo que o crespo meridional se dirigiu ao seu equivalente alemão a pedir-lhe pela mercê de deus. O germano tem rugas na testa como se tivesse sido abordado por um pedinte famélico à entrada de um restaurante de luxo. Nem se levanta nem olha de frente – enfadado.

O nosso murmura “that’s much appreciated” querendo dizer “obrigado” em idioma técnico.

Isto é o que se vê, mas na verdade trata-se de uma emboscada.

O manhoso do tuga foi lá pedir batatinhas, na crença de que o otário se descairia. Este, habituado ao escrúpulo dos media alemães, e julgando, como é próprio deles, que todo o mundo se pauta pelas suas regras, murmurou umas vacuidades para despachar o inconveniente, ignorando que estava uma câmara a compromete-lo.

Ficaremos sempre por saber o grau de ressentimento e de má vontade que desta cena em diante terá havido da parte de Wolfgang Shauble nos assuntos referentes a Portugal.

Há lá melhor exemplo de como nos dispomos a sermos vistos no mundo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os meninos do coro.

por Luís Menezes Leitão, em 09.12.12

 

 

Em Portugal há uma frase emblemática e bastante realista que se limita a dizer: "Ou comem todos ou haja moralidade". É por isso evidente que a partir do momento em que são dadas condições especiais à Grécia, Portugal deve imediatamente beneficiar de idêntico tratamento, como aliás reconheceram logo Jean-Claude Juncker e Vítor Gaspar. No entanto, como a Alemanha está empenhada em tratar a Grécia como um caso particular em ordem a abrir o mínimo possível os cordões à bolsa, lá irão apenas os gregos beneficiar de algum alívio enquanto Portugal ficará a penar com um dramático e provavelmente mortal aperto de cinto em 2013.

 

Isto só por si não deveria ser motivo de espanto. O espanto é, no entanto, a forma como políticos que deveriam defender com convicção os interesses dos que os elegeram se transformam em meninos do coro, mal Wolfgang Schäuble exprimiu a sua posição, passando todos a entoar a nova canção. Jean-Claude Juncker disse que tinha sido apanhado num canto escuro por uns perigosos jornalistas portugueses, balbuciando questões incompreensíveis para ele. Vítor Gaspar desdisse as suas próprias palavras, acusando os jornalistas de quererem simplificar questões complexas. Passos Coelho quer-nos fazer crer que Portugal foi muito elogiado por Schäuble, quando este recusou dar-lhe as condições da Grécia. Marcelo Rebelo de Sousa também veio dizer que considera irrealista Portugal beneficiar dessas mesmas condições da Grécia, sem explicar se é mais realista apostar no Orçamento para 2013. E agora até Durão Barroso, que se julgava ser  Presidente da Comissão Europeia, também veio alinhar obedientemente com Schäuble, pedindo a Portugal que não peça condições idênticas às da Grécia. A única voz desalinhada deste coro parece ser Cavaco Silva, mas não sei por quanto tempo.

 

É inacreditável ver políticos portugueses e europeus transformados em meninos do coro a entoar colectivamente a voz de Berlim. Não haverá em Portugal e já agora na Europa alguém que defenda coerentemente uma posição própria e não se limite a ser his master's voice?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Falem-me a cantar

por Rui Rocha, em 05.12.12

A equipa de Passos Coelho não ficou indiferente aos acontecimentos dos últimos dias. Embora no executivo todos estejam convencidos de que o trabalho realizado é até agora excelente ou mais, também se reconhece que existe um pequeníssimo problema de comunicação (não mais do que um grão de areia, em todo o caso). E, se é certo que os portugueses são os principais responsáveis pela deficiente interpretação que têm atribuído às palavras absolutamente cristalinas que os governantes têm vocalizado, o certo é que estes não prescindem da possibilidade de contribuir para melhorar o processo comunicacional com os governados, libertando a respectiva flauta interior.

 

Assim, e em concreto, a partir de agora o primeiro-ministro Passos Coelho falará sempre a cantar:

 

Entretanto, e por seu lado, o ministro Vítor Gaspar será substituído nas intervenções públicas por um novo assessor de comunicação com dom de palavra. E boa imagem:
Clarinho, não?

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Esta coisa da divisão de metade dos subsídios em duodécimos faz-te sentir como um peru de aviário na engorda? Pois fica sabendo que é completamente abusivo afirmar-se que a preocupação do governo com o teu rendimento líquido mensal  é semelhante ao desvelo que o criador de perus dedica às aves da sua criação. É certo que, num e noutro caso, sabemos como as coisas terminam. Na criação de perus, com o abate. Na relação tributária, com a execução orçamental (ao que parece, por motivos humanitários, em matéria de imposto sobre o rendimento acabaram com os abatimentos). É verdade, também, que o método é semelhante. O criador de perus divide o alimento em rações. Vítor Gaspar dilui afanosamente os subsídios em duodécimos. Todavia, o paralelismo termina por aí. Desde logo, tu não tens verrugas ou carúnculas coloridas na cabeça e não podes abrir a cauda em leque. Em todo o caso, se tens ou podes, o melhor é ires tratar disso. Por outro lado, o criador tem um interesse egoísta mas genuíno em manter as aves gordinhas e com saúde. O governo, em contrapartida, pretende apenas que tenhas a quantidade de alimento  necessária  para te manteres vivo até pagares os impostos. Nem mais, nem menos. Aliás, se for possível, menos. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Feliz Halloween!

por Rui Rocha, em 31.10.12

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nota-se que Vítor Gaspar não é um internauta assíduo, ou um homem habituado a conversas de café ou a caixas de comentários online - caso contrário, a analogia salazarenta do deputado João Galamba não o chocaria ou ofenderia, pois ela não mais é do que a versão portuguesa, pequenina e esquerdista da Lei de Godwin. Quanto ao deputado achar que o discurso do ministro das Finanças não tem lugar em democracia, enfim, é uma opinião que não deixa de ter a sua ironia, ainda que decerto involuntária. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Passado remoto

por José Navarro de Andrade, em 20.10.12

Creio que para se perceber bem que ninguém percebe bem o que se passa, será necessário ir um pouco atrás no tempo - subitamente no Verão passado...

No dia 28 de Agosto o partido do governo, na irrelevante pessoa do sr. Moreira da Silva (et pour cause…) anuncia que está confiante na “boa avaliação da troika”, a 5ª do género.

No dia 11 de Setembro nada menos do que o sr. Vítor Gaspar declara em conferência de imprensa os “pontos essenciais” da 5ª avaliação da “troika”.

Estranha apresentação aquela. Em vez de enumerar o que se fez bem ou mal, como seria normal numa avaliação, apresenta o que se vai fazer a seguir. E o que apresentou foi uma longuíssima lista de correções ao que fora anteriormente estipulado cumprir. Por analogia seria como perguntar a alguém: “qual foi resultado do teu exame?” e obter como resposta: “o professor vai corrigir as perguntas”.

Não foi muito comentado o facto de ter sido o avaliado que anunciou a sua avaliação. Tão bizarro quanto ser o estudante de uma faculdade de economia a anunciar à escola qual foi o resultado do seu exame.

Talvez seja isto que se chame “Fazer política”. Mas há mais:

Na verdade o sr. Vítor Gaspar não é um avaliado qualquer. Ele foi o executor, mais ou menos mecânico, das determinações do seu avaliador. O “mais ou menos”, da frase anterior prende-se com a decisão de ter ido mais longe nas medidas que o avaliador propunha.

Quer isto dizer uma de duas coisas: o sr. Vítor Gaspar executou mal a proposta, ou então, a proposta, mesmo com o agravamento, estava mal concebida. Sendo, hipoteticamente este o caso, temos assim que o avaliador estaria, antes de mais, a avaliar-se a si próprio, tendo anunciado a sua avaliação através do avaliado.

Confusos? Estamos todos. Mas não estará, precisamente, nesta confusão a prova de que ninguém sabe muito bem o que anda a fazer? Nada disto sucedeu há muito tempo, mas como foi num tempo anterior ao que veio a seguir, não só parece ter acontecido há centúrias, como já foi aparentemente esquecido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

À atenção de Vítor Gaspar

por Rui Rocha, em 20.10.12

O homem (no caso, e por mera coincidência, um alemão) que desafiou o gelo e perdeu:

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cortar e gastar

por António Manuel Venda, em 16.10.12

Parece que Vítor Gaspar disse que em 20 horas de conselho de ministros conseguiram cortar 300 mil euros. Quase isso gastou o Zorrinho nos carros num abrir e fechar de olhos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A queda de um Homem

por José Navarro de Andrade, em 04.10.12

Anselm Kiefer, "Abendland [O crepúsculo do Ocidente]", 1989

 

O que é arrepiante no sr. Víctor Gaspar é sua irrefutável desonestidade intelectual. Analisando os resultados e ouvindo as novas propostas só poderemos concluir que ele ou é um charlatão ou um mistificador. Em ambos os casos um desqualificado.

Charlatão:

Se o objectivo de todas as medidas tomadas antes era baixar o deficit e com isso sanear as finanças do estado português, o falhanço foi inequívoco: todas as previsões, mesmo com os ajustes intermédios, foram um logro. Exige então o espírito científico que o erro seja reconhecido, destacado, ponderado e corrigido. Nada disto foi feito ou não foi comunicado à população - sequer se assumiu o erro. Deste modo, cai pela base qualquer credibilidade em relação às propostas seguintes, corrompidas de imprudência.

Mistificador:

Chegados a este ponto torna-se pertinente colocar uma hipótese um pouco conspirativa, é certo, mas funcional: o objetivo das medidas não é salvar as finanças portuguesas, como o sr. Víctor Gaspar tem anunciado, mas, de um modo mais lato, reabilitar o Euro. Assim sendo o que se passa é algo de comum em estratégia militar: proceder a um recuo organizado e sacrificar uma praça de forma a proteger o bastião. Neste caso, Portugal não passa de um peão prescindível, cujas finanças e economia podem e devem ser sangradas com indiferença e numa política de terra queimada, em defesa do objectivo central. Isto colocaria o sr. Víctor Gaspar na desagradável posição de ser um mentiroso por nos iludir quanto ao que realmente quer atingir e de proceder como um  títere das forças que o comandam. De um modo consciente e deliberado, ele não estaria apreensivo com a situação portuguesa mas com o ganho pessoal que poderá obter nos círculos profissionais que tem frequentado, muito distantes de Lisboa.

Esta segunda possibilidade é extremamente indesejável porque nos obriga a considerar não apenas a impostura intelectual do sr. Víctor Gaspar mas sobretudo a sua honra pessoal. Não sei se Bruxelas, ao contrário de Roma, paga a traidores, mas, se sobrevivermos a isto, estaremos cá para ver.

De qualquer modo o sr. Víctor Gaspar, pelo menos desde ontem, tem a sua reputação destroçada e, quem sabe, a sua vida desgraçada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Senhor Director de Recursos Humanos,

 

Na sequência da comunicação de ontem do Sr. Ministro das Finanças, permito-me sugerir a V. Exa. uma alteração de procedimento que, estou certo, em muito beneficiará a produtividade da nossa empresa em matéria de processamento de salários no ano de 2013 e, muito provavelmente, em todos os que se lhe seguirem. Vª. Exa. verá. A empresa, como bem sabe, insiste em processar as remunerações em cada um dos doze meses do ano. Dá-se, em consequência, ao incómodo de desenvolver um conjunto de tarefas administrativas, como a emissão de recibo, a transferência do valor líquido para a conta bancária, a retenção na fonte do imposto sobre o rendimento, a cativação da contribuição para a segurança social e a entrega aos competentes departamentos do Estado de tais importâncias. Ora tudo isto parte de um lamentável equívoco. Está a empresa convencida que me deve pagar como contrapartida do meu trabalho. Nada mais falso. Embora não saibamos qual a dimensão exacta da coisa, a verdade é que a maior parte dessas remunerações são do Estado. Percebo que o que afirmo possa provocar-lhe algum espanto. A questão entende-se melhor com uma imagem. Tomemos a remuneração anual como se fosse um bolo. Corte V. Exa., sem grande preocupação de rigor, uma fatia que não ande longe de nove catorze avos. Pronto? Muito bem. Tente agora entregar-me essa parte do bolo. Viu? O Estado já a abocanhou, não é verdade? É mesmo assim que a coisa se passa. Ora, sendo isto assim, como é, não há nenhuma vantagem em andarmos com esta maçada dos recibos, das transferências e de tudo o mais. Assim, melhor será que dê V. Exa. instruções aos serviços para, pelo menos até Julho de 2013, entregarem directamente a totalidade das minhas remunerações ao Estado. Depois, antes de V. Exa. ir de férias em Agosto, logo voltaremos a falar sobre o assunto. E já veremos, face às medidas concretas aprovadas no Orçamento de Estado de 2013 e a outras que entretanto venham a ser arremessadas, se é questão de alterar o procedimento. Ou se a realidade aconselha que o mantenhamos até Dezembro.

 

Com os melhores cumprimentos,


Rui Rocha

 

P.S. (salvo seja): no que diz respeito ao subsídio de alimentação, autorizo desde já V. Exa. a optar entre a entrega ao Estado ou, como me parece mais adequado, o envio directo à Fundação Mário Soares.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O falhanço absoluto.

por Luís Menezes Leitão, em 03.10.12

 

Há uma coisa que define Vítor Gaspar: a sua incapacidade absoluta para reduzir a despesa do Estado e equilibrar as contas públicas. Todos os portugueses esperavam deste Ministro a apresentação, logo no início do seu mandato, de um programa ambicioso de reforma do Estado e redução dos organismos inúteis. Vítor Gaspar limitou-se a anunciar um imposto extraordinário, a cobrar logo em 2011, e a meter no Estado mais um fundo de pensões. No orçamento para 2012, quando se continuava a esperar a redução da despesa, lembrou-se de tomar antes uma medida que qualquer jurista lhe diria que era inconstitucional: o corte de salários e pensões. Pelo caminho teve que rectificar o seu orçamento, pois esquecera-se que o Estado, ao adquirir um fundo de pensões, iria ter que pagar essas pensões. Quanto à redução do peso do Estado mais uma vez foi o zero absoluto.

 

No início de Setembro faz Passos Coelho anunciar a medida mais louca que se poderia imaginar: a transferência da TSU dos trabalhadores para os empresários, provocando um clamor de indignação geral. Quando percebe o sarilho em que tinha metido o Governo, Gaspar fez mais uma vez a única coisa que sabe fazer: voltou a aumentar impostos, agora de forma brutal. O IRS vai afogar a classe média e centenas de milhar de pessoas irão seguramente perder a casa, perante o disparar do IMI, depois de eliminada a cláusula de salvaguarda. É manifesto que a receita fiscal só pode diminuir depois destas medidas. Mas Gaspar volta a avisar que "a consolidação orçamental em 2014 será feita do lado da despesa". Cabe perguntar porque é isso não sucedeu em 2011, 2012 e nem vai suceder em 2013. Este Ministro das Finanças serve para quê?

É pena que os nossos deputados aceitem pacificamente ir atrás de todo este disparate. O CDS, o célebre partido contra os impostos, diz que vai procurar medidas do lado da despesa. E Luís Filipe Menezes diz que as medidas de Gaspar até são um bocadinho mais suaves do que o previsto. Vítor Gaspar vai atirar o país para o precipício, com o Primeiro-Ministro e os partidos da maioria a aplaudir. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

E ao mais não parece

por Rui Rocha, em 03.10.12

Se o Gaspar fosse tão rápido a cortar nas gorduras como a falar viveríamos todos um pouco melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Passo a aguardar

por Rui Rocha, em 03.10.12

Uma mensagem do Gaspar no Facebook na qualidade de pai e de cidadão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Gaspar levou-o com ele. E bebeu a àgua.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coisas que me tiram do sério

por Rui Rocha, em 03.10.12

Esta coisa de marcar as comunicações ao país para imediatamente antes dos jogos de futebol irrita-me solenemente. Depois de o Coiso e aquele ministro das finanças muito competente terem falado no intervalo do Barcelona-Real Madrid, foi o Passos Coelho a utilizar a mesma táctica meia-hora antes do Portugal-Luxemburgo. Agora, é o Gaspar que fala cinco horas antes do Porto-PSG. Mais uma vez com a clara intenção de acabar a intervenção em cima da hora do jogo para abafar as reações negativas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Calma, ó gentes!

por Rui Rocha, em 03.10.12

O Senhor ministro das finanças não vai, por certo, anunciar nada de especial. Se fosse o caso de comunicar medidas graves, com impacto significativo na vida dos portugueses, seriam, naturalmente, o primeiro-ministro e o líder do outro partido da coligação a falar, olhos nos olhos, à população. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O suicídio político.

por Luís Menezes Leitão, em 15.09.12

 

A comunicação ao país de Passos Coelho há uma semana constituiu o maior suicídio político que um Primeiro-Ministro praticou em Portugal. Conforme foi notório na entrevista que deu uns dias depois, Passos Coelho não faz a mínima ideia do significado e muito menos do impacto das medidas que anuncia. A única coisa que Passos Coelho faz é anunciar as medidas que são preparadas por Vítor Gaspar, achando que assim dá ideia aos eleitores que é ele que efectivamente manda no Governo, quando toda a gente já percebeu que é Vítor Gaspar. Por isso mesmo Cavaco Silva fez questão de exigir a presença de Gaspar no Conselho de Estado, reconhecendo assim formalmente que ele é o líder efectivo do Governo. Na verdade, se há coisa que os Conselheiros seguramente não quererão ouvir são explicações disparatadas como a que Passos Coelho deu aos entrevistadores da RTP.

 

A redução da TSU podia ser uma medida que passasse se fosse compensada pela subida do IVA. Sendo compensada por uma subida das taxas dos trabalhadores é pura loucura política. Tendo (alguma) consciência disso,  decidiu-se apresentá-la como sendo imposta pela decisão do Tribunal Constitucional, culpando-se os deputados do PS que a ele recorreram. Vários apoiantes do Governo apareceram na altura a dizê-lo ipsis verbis. Que julgassem que os cidadãos engoliam essa história da carochinha, diz bem do estado de negação política em que o PSD hoje vive. O maior exemplo desse estado foi hoje Carlos Abreu Amorim que apareceu na televisão a congratular-se com o civismo da manifestação no preciso momento em que só a polícia de choque impediu a invasão do Parlamento.

 

Esta estratégia de Passos Coelho ditou o fim do seu Governo. Nenhum governo pode continuar como se nada se passasse depois de ver sair à rua contra ele quase todo o país. Em política o que tem que acontecer é bom que aconteça logo. Há uns dias Passos Coelho podia remodelar o Governo, fazendo sair os ministros mais contestados. Teimosamente insistiu em mantê-los. Hoje só lhe resta remodelar-se a si próprio. Nos próximos dias o PSD tem que apresentar ao país um novo Primeiro-Ministro. Isto claro, partindo do pressuposto que os partidos da maioria querem continuar a governar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de Manuela Ferreira Leite.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.12

 

Manuela Ferreira Leite, a meu ver, enterrou ontem definitivamente Vítor Gaspar, demonstrando em absoluto a sua total incompetência. O seu discurso foi o mais mortífero que alguma vez vi fazer para um  Ministro das Finanças, mas tudo o que disse constitui a verdade nua e crua. Efectivamente, um Ministro das Finanças não é um teórico que julgue que pode testar modelos abstractos, transformando o país em cobaia das suas experiências. É uma pessoa de bom senso que tem que conhecer profundamente a estrutura produtiva do país e o impacto que as suas medidas têm, ajustando as mesmas perante os efeitos que produzem nas pessoas. Afinal é para as pessoas que se governa. E nem na União Soviética se viu o Ministro das Finanças a gerir a tesouraria das empresas. Como ela bem disse, o Ministro das Finanças perante a contestação generalizada a uma medida, não pode julgar que é o único soldado com o passo certo no batalhão.

 

Passos Coelho julgava que tinha o partido na mão, convidando para o Governo Paulo Rangel (que não aceitou) e Aguiar-Branco, os seus opositores na última eleição. Deixou, porém, de fora Manuela Ferreira Leite, que teria tido um desempenho como Ministro das Finanças muito melhor do que Vítor Gaspar, como qualquer comparação demonstra, incluindo as duas entrevistas desta semana. Se Durão Barroso não tivesse decidido entregar o governo e o país a Santana Lopes nada do que se passou desde então teria ocorrido. Passos Coelho tem agora o rosto da oposição interna à sua frente a apelar aos deputados do partido para que não alinhem nesta aventura. 

 

É bom que os deputados do partido oiçam Manuela Ferreira Leite e terminem de vez com este disparate. Margaret Thatcher foi um dos melhores governantes que a Grã-Bretanha alguma vez já teve, mas o seu partido não hesitou em a derrubar quando ela teimou no disparate da "poll tax", que pôs o país a ferro e fogo e iria arrasar eleitoralmente o Partido Conservador. Efectivamente, um partido político tem que atender ao interesse nacional, não tendo que ir cegamente atrás dos governantes quando eles embarcam em aventuras disparatadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de Vítor Gaspar.

por Luís Menezes Leitão, em 11.09.12

 

A entrevista dada por Vítor Gaspar confirmou o que há muito penso sobre a personagem. Trata-se alguém de um enorme radicalismo ideológico, aliado a uma confrangedora falta de sensatez, e com uma muito fraca capacidade de gestão das finanças públicas.

 

O radicalismo ideológico ficou patente quando justificou a transferência da TSU dos trabalhadores para as empresas com o facto de "modernamente as empresas não estarem em antagonismo com os seu trabalhadores". As empresas, por não estarem em antagonismo com os seus trabalhadores, vão ter um alívio fiscal, enquanto que os trabalhadores vêem os seus magros salários reduzidos.

 

A falta de sensatez resulta do facto de não hesitar em tomar as medidas mais brutais e claramente inconstitucionais, sem pensar minimamente nas consequências. Os funcionários públicos e os pensionistas são sujeitos a cortes de salários sucessivos, uns maquilhados, outros assumidos. Os trabalhadores levam agora também pela medida grande. Segue-se o património das pessoas (já este ano), tendo-se inventado à pressa um imposto de selo. Mas, com a indolência que o caracteriza, Gaspar não foi capaz de tomar uma única medida de redução da despesa. As fundações são peanuts comparadas com as autarquias, com as parcerias público-privadas e com as rendas excessivas no sector da energia. Aliás não deixa de ser comovedor pensar quanto estas empresas irão ser beneficiadas com a transferência da TSU para os seus trabalhadores. E não me venham que é agora que vão começar a fazer a redução de despesa que deveria ter sido feita logo após a tomada de posse.

 

Quanto à sua capacidade de gestão das finanças públicas, estamos conversados. Não precisávamos nem de mais tempo nem de mais dinheiro. O défice tinha sido controlado. O programa de ajustamento estava a correr bem. Não havia evidência de qualquer espiral recessiva. 2013 seria o ano de inversão da tendência, etc., etc., etc. Faz lembrar o Ministro da Propaganda iraquiano que dizia que o Iraque estava a esmagar as tropas americanas.

 

O problema é que este monumental erro de casting na escolha para Ministro é na prática a pessoa mais poderosa do Governo. Passos Coelho limita-se a fazer o que ele diz. Se entra em conflito com os outros Ministros, é sempre a seu favor que Passos Coelho decide. Se decide tomar medidas absurdas, cá está Passos Coelho para as anunciar sem qualquer objecção. E se descobre uma contestação generalizada ao que decidiu, manda distribuir uma cábula para os outros Ministros saberem bem o que devem dizer. Que seja possível passar-se isto num Governo diz tudo sobre o descrédito das nossas instituições.

 

Vítor Gaspar é neste momento um Ministro das Finanças fracassado de um Governo que perdeu toda a legitimidade. A sua manutenção no cargo será desastrosa para o país. Se os partidos da maioria não quiserem ver isto, vão afundar-se para sempre.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vamos em frente com isto

por José Navarro de Andrade, em 08.09.12

Rodney Grahams, "Good hand, bad hand", 2010

 

O Sr. Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho e o Sr. Ministro das Finanças Vítor Gaspar propõem aplicar ao país uma experiência económica drástica. Ninguém no seu perfeito juízo duvidará que eles estarão a agir de boa-fé e no pressuposto de que estas medidas contribuirão para salvar Portugal da crise. Mas para que a nossa crença na bondade dos seus propósitos se confirme, desta vez precisamos de um sinal da sua parte de que estão dispostos a provarem que isto é tão a sério para eles como está a ser para nós. Como dizem os americanos no seu calão funcional: os Srs. Passos Coelho e Vítor Gaspar devem apostar o seu bem mais precioso onde põem a boca.

Por isso proponho:

Se a experiência resultar, a História os celebrará como os heróis que salvaram Portugal.

Mas se a experiência falhar, devem ser julgados criminalmente pelos danos causados à Nação e aos seus cidadãos. Podendo ser-lhes dada uma alternativa honrosa, à japonesa: o suicídio.

Les jeux sont faits.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O mago das Finanças.

por Luís Menezes Leitão, em 22.06.12

 

A previsão que aqui fiz de que Cadilhe, ao propor um imposto extraordinário de 4% sobre o património líquido dos contribuintes, estava a anunciar uma medida já decidida por Vítor Gaspar, vai confirmar-se integralmente. Vítor Gaspar já admite que o défice está descontrolado e os resultados da execução orçamental que vão ser divulgados hoje irão seguramente demonstrá-lo, por muito que os assessores de comunicação o tentem maquilhar. Bem pode o Governo andar a repetir o mesmo discurso cacofónico de que "Portugal não precisa de mais tempo nem de mais dinheiro". Pelo menos de mais dinheiro precisa desesperadamente, tanto assim que vai continuar a sugar os portugueses até ao tutano.

 

Ao contrário da maioria das pessoas da minha área política, nunca acreditei em Vítor Gaspar. Estava à espera na sua primeira comunicação ao país de assistir à apresentação de um programa ambicioso e exigente de redução da despesa pública. Em vez disso, ouvi-o a anunciar em voz arrastada o lançamento de mais um imposto extraordinário, sem nada dizer sobre a redução da despesa. Durante este ano tive oportunidade de confirmar que a sua política financeira é tão arrastada como o seu discurso. Quanto à redução sustentada da despesa, nicles. Os buracos do défice tapam-se sucessivamente à custa de receitas extraordinárias ou de cortes de salários. Mas com estes sucessivos aumentos de impostos, o efeito mais provável é o aumento da recessão e até a diminuição da receita fiscal, como qualquer estudante de economia sabe.

 

Vítor Gaspar tem sido qualificado por alguns como um mago das Finanças. Mas a sua gestão do Ministério das Finanças está a ser a de um aprendiz de feiticeiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A voracidade fiscal.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.12

 

Já se sabia perfeitamente que o objectivo do défice para 2012 é inalcançável sem medidas extraordinárias, face ao desastre que está a ser a gestão do Ministério das Finanças realizada por Vítor Gaspar. Precisamente por isso o Governo já está a preparar novo assalto ao bolso dos cidadãos, à semelhança do que fez em 2011. A estratégia de comunicação já foi montada é precisamente a mesma do ano passado. Solicita-se a qualquer comentador ou perito na matéria que anuncie a necessidade da medida e depois o Governo adopta-a como se estivesse apenas a seguir uma ideia alheia. O ano passado foi Marcelo Rebelo de Sousa que decidiu recomendar ao Governo o confisco dos subsídios de férias e de Natal. Naturalmente que Passos Coelho apareceu logo a seguir a anunciar a medida no parlamento. Este ano é Miguel Cadilhe que vem recomendar um imposto "extraordinário" (é a palavra exacta) sobre 4% da "riqueza líquida" das pessoas. A proposta foi feita muito convenientemente numa conferência denominada “Um ano do programa de assistência financeira – balanço e perspectivas”, organizada pela Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, que está hoje a decorrer na Assembleia da República. O balanço já todos fizemos, e é claramente negativo. Quanto às perspectivas do que iremos ter, Cadilhe já nos informou antecipadamente.

 

A voracidade fiscal deste governo despesista não tem limites. Não se apresenta qualquer medida de redução da despesa pública, a não ser os cortes de salários, que não passam de um imposto disfarçado sobre os salários dos funcionários públicos. Tudo o resto é aumento da carga fiscal. O IMI sobre os prédios está a ser aumentado por via de reavaliações dos imóveis que sobem o seu valor nalguns casos em 8000%. O IVA está em 23%. A taxa máxima de IRS é neste momento de 49%, sendo que esta elevação já tinha sido qualificada por Passos Coelho como um imposto de solidariedade, que só duraria dois anos. Pois ainda nem o primeiro ano decorreu e já vem Cadilhe ajudar à festa, propondo um novo imposto de solidariedade sobre 4% do património líquido dos contribuintes. Estou a imaginar como vai ser calculado esse património líquido: as casas das pessoas, os seus automóveis, as suas jóias de família, os seus quadros, serão alvo de avaliação directa pelo Fisco para reclamar os 4% devidos ao Estado. O xerife de Nottingham não faria melhor.

 

E para onde vai este imposto de solidariedade proposto por Cadilhe? Directamente para pagar a dívida pública, sem sequer passar pelo orçamento do Estado. Ou seja, a solidariedade é para com os nossos credores, que nos emprestaram dinheiro a juros usurários, os quais aplicámos em brilhantes iniciativas como o BPN e as parcerias público-privadas, mas  que iremos pagar religiosamente, nem que para isso o Governo esmifre os portugueses até ao último tostão.

 

Eu só pergunto o seguinte: os partidos da maioria são adeptos deste Estado fiscal insuportável?

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D