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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.07.17

«Ao mais alto nível da chefia do Exército foi comunicado ao País que: a) os ladrões fizeram um favor ao Exército assaltando o paiol de Tancos, onde só havia sucata militar, assim poupando aos responsáveis o problema da sua inutilização; b) em lugar de apurar e explicar as circunstâncias em que um paiol de um quartel é assaltado e tratar de corrigi-las para que idêntica vergonha não se repita, optou-se por fechar de vez o paiol, assim garantindo o sucesso eterno da sua guarda e o fracasso de futuros assaltos semelhantes; c) nada de grave se tendo, pois, passado e nada havendo a lamentar ou a temer no futuro, os cinco oficiais provisoriamente suspensos foram reintegrados nas mesmíssimas funções - entre as quais as de guardar o paiol... que já não existe. Não foi anedota, foi genuíno fado lusitano.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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Faz toda a diferença

por Pedro Correia, em 19.07.17

 

Enquanto uns por cá permanecem inamovíveis, mesmo quando recebem murros no estômago, noutros quadrantes há quem actue em conformidade, certamente por ter vergonha na cara.

Faz toda a diferença.

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Frases de 2017 (26)

por Pedro Correia, em 13.07.17

«Depois de termos levado um soco no estômago, os chefes militares levantaram logo a cabeça.»

General Artur Pina Monteiro, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, referindo-se à pilhagem dos paióis de Tancos

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General Solnado

por Pedro Correia, em 12.07.17

 

Treze dias depois, o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas quebrou um pesadíssimo silêncio sobre a pilhagem do paiol de Tancos.
Para dizer afinal uma frase que bem poderia constar de um dos inesquecíveis monólogos do Raul Solnado: «Os lança-granadas foguete roubados, provavelmente, não poderão ser utilizados com eficácia porque estavam seleccionados para serem abatidos.»

Apetece recordar o Solnado genuíno: «Então o capitão perguntou-me se eu trazia espingarda e eu disse que não trazia e que até pensava qu'a ferramenta davam lá eles. E também disse: "Eu trago é uma bala que um vizinho meu guardou de recordação da Guerra dos Cem Anos." E diz-me o capitão: "Como é que tu vais matar só com uma bala?" E eu disse então: "Disparo a espingarda e vou lá buscar a bala."»

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Dúvida existencial

por Pedro Correia, em 11.07.17

 

O arguto director nacional da PJ também terá já descoberto um raio desencadeado por uma trovoada seca na origem do assalto ao paiol de Tancos?

 

 

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Duplicidade ética

por Pedro Correia, em 11.07.17

Eis um governo com uma insólita noção dos graus de responsabilidade política: demite-se um ministro por prometer duas metafóricas bengaladas no Facebook ao mais verrinoso colunista da imprensa, demitem-se três secretários de Estado por terem aceitado um convite de um grupo empresarial privado para assistir a um jogo de futebol.

Pode estar tudo muito certo, mas semelhante critério não devia estender-se, por larga maioria de razão, à ministra que tutela vários organismos que falharam na prevenção e no combate ao mais mortífero incêndio florestal alguma vez ocorrido no País e ao ministro que tutela as estruturas militares publicamente humilhadas no maior roubo de material bélico de que há memória entre nós?

Não sei o que os leitores do DELITO pensam sobre o tema. A minha opinião é clara: Constança de Sousa e Azeredo Lopes, detentores de pastas ministeriais ligadas à soberania e representação do Estado, estão a mais no Executivo. Ela desde o dia 18 de Junho, ele desde o dia 30. O facto de se manterem em funções constitui uma prova viva da existência de um inaceitável padrão de duplicidade ética neste Executivo. E nada como isto o fragiliza tanto.

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A segurança e defesa do Governo

por Diogo Noivo, em 07.07.17

O problema estava num Palma Cavalão que, ao abrigo do cobarde anonimato, ousou criticar o Governo português nas páginas de um diário espanhol associado à direita. Agora, um outro diário espanhol publicou uma notícia pouco abonatória da competência do Executivo chefiado por António Costa. Desta feita, trata-se de um periódico associado à esquerda e quem assina a notícia fá-lo com nome e apelido próprios. Assumindo que Portugal é um país normal, isto será o suficiente para que centremos o debate e abandonemos as arengas estéreis.

Sendo diferentes na origem e nos factos (nos poucos que se conhecem), os incêndios em Pedrógão Grande e o roubo de armas em Tancos são de extraordinária gravidade pois atestam a debilidade do Estado nos sectores da Segurança e da Defesa.

O apuramento de responsabilidades depende do apuramento dos factos. E já percebemos que o conhecimento dos factos foi habilmente atirado para as calendas, nomeadamente para depois do próximo acto eleitoral. Como o decoro é em Portugal um bem escasso e desvalorizado tudo isto é visto com normalidade.

Se não podemos avaliar os casos com base nos factos, podemos sim analisar a conduta política dos responsáveis pela Segurança e pela Defesa. No que respeita a Constança Urbano de Sousa, Ministra da Administração Interna, o que há a dizer está aqui e aqui. A senhora está a mais.

O caso da Defesa é mais complexo. O roubo de armamento é grave porque sugere incúria. É ainda mais grave dada a forte suspeita de que o destino do armamento roubado é o crime organizado e o terrorismo. Se o Ministro Azeredo Lopes não foi informado do risco, o CEMGFA terá de abandonar o seu posto e dar lugar a outro. Se o Ministro sabia, como é razoável que soubesse, então Azeredo Lopes deverá aproveitar a boleia da sua colega do MAI.

Porém, estas dúvidas tornaram-se assessórias quando o Ministro da Defesa decidiu abrir a boca. Em entrevista à SIC, Azeredo Lopes afirmou que o Ministro da Defesa Nacional “não sabe se falta uma câmara de videovigilância em Tancos ou em Lamego”. Disse também que o Ministro não é informado de problemas em vedações. Estas afirmações são reveladoras do entendimento que Azeredo Lopes tem da função que desempenha. Houve Ministros da Educação, de esquerda e de direita, a conhecer obras em escolas ao pormenor. Houve Ministros da Administração Interna a conhecer detalhes de todas as unidades das Forças de Segurança, do Corpo de Intervenção à Banda da PSP. Houve Ministros da Agricultura a saber de memória a extensão e a incidência regional de terrenos baldios em Portugal. Mas Azeredo Lopes aparenta não estar para ser incomodado com minudências. Adiante. Azeredo Lopes tenta mudar de assunto, mas o resultado não foi melhor: “Para não pensarmos que somos anormais no contexto europeu e mundial, basta procurar 'roubo de armamento militar' no Google e vamos chegar a conclusões interessantes.” Como o Pedro Correia aqui notou, parece que nunca foram roubadas tantas armas antitanque num país da NATO. Não satisfeito com esta lindeza de argumento, Azeredo Lopes volta a desculpar-se com as desgraças dos outros, dizendo não evocar, mas evocando, os atentados terroristas ocorridos em solo europeu. É dose.

Em resumo, os acontecimentos são gravíssimos e os Ministros não percebem a responsabilidade inerente às funções que desempenham. Estão a mais. E quanto mais tempo ficarem maior será a ameaça que constituem para a segurança e defesa políticas do Governo de António Costa.

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O Presidente em Tancos.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Se Marcelo quisesse actuar como um verdadeiro Presidente, exigia as demissões dos Ministros. Foi o que Sampaio fez com Armando Vara e Luís Patrão no episódio da Fundação para a Prevenção e Segurança perante um governo, que até era do seu partido, num episódio com gravidade muito inferior ao que se está a passar. Mas Marcelo sempre foi um "entertainer" político, pelo que prefere recorrer a actos de "show off" como uma passeata a Tancos, que naturalmente não terá quaisquer consequências. Outros podem apreciar este estilo. Eu não. Acho que o Presidente deve estar em Belém a exigir do governo as medidas que se impõem e não a passear por quartéis para a comunicação social ver. De um presidente eleito por sufrágio universal espera-se que assegure o regular funcionamento das instituições e não que se dedique a operações de propaganda. Para a mesma, já basta a que vem do próprio governo.

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O Sebastião Pereira ataca de novo.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Agora também escreve no El País.

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No País das Maravilhas

por Pedro Correia, em 05.07.17

"Eu, como sou jurista, não consigo colocar ninguém sob suspeita", declarou o ministro da Defesa à SIC, na noite da passada sexta-feira. O que não invalidou o afastamento preventivo de cinco comandantes de unidades - primeiro exonerados, como se comunicou musculadamente ao País dada a necessidade de tomar "medidas robustas", depois  "exonerados temporariamente", espécie de torcicolo semântico para aplacar a  ira generalizada nas fileiras militares, e finalmente dignos da "máxima confiança" de quem os afastou.

Não falta quem diga que esta rocambolesca sucessão de episódios mina ainda mais a confiança dos cidadãos nas instituições e corrói a autoridade do Estado. Ou não tivéssemos um ministro que foi capaz de dizer isto na entrevista televisiva: "Para não pensarmos que somos anormais no contexto europeu e mundial, basta procurar 'roubo de armamamento militar' no Google e vamos chegar a conclusões interessantes."

A mim, por estes dias, o Governo parece-me mergulhado em cenas dignas do País das Maravilhas - com a sua Alice, o seu Gato de Chesire e o seu Chapeleiro Louco. Entretanto, uma semana após a pilhagem (ou "furto", no imaculado eufemismo agora em voga) de Tancos, o ministro, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e o chefe do Estado Maior do Exército permanecem agarrados com firmeza aos seus postos.

 

ADENDA: «Nunca foram roubadas tantas armas antitanque num país da NATO. Armas prontas a usar, que têm sido procuradas por grupos terroristas.»

(Nuno Rogeiro, ontem à noite, na SIC Notícias em óbvio contraponto à ligeireza do ministro Azeredo Lopes)

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O presidencial puxão de orelhas

por Pedro Correia, em 04.07.17

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 Foto: Paulo Novais/Lusa

 

O Presidente da República forçou hoje o ministro da Defesa, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, e o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, a acompanharem-no numa visita a Tancos. Uma visita onde nem sequer faltou uma espreitadela aos paióis de onde foram roubadas dezenas de granadas, centenas de munições e dezenas de quilos de explosivos neste momento talvez já a caminho do Médio Oriente.

A visita terá incluído uma vistoria às 25 torres de controlo em risco de colapso e confirmado que o sistema de videovigilância se mantém há dois anos desactivado e que o perímetro de segurança foi violado como se estivéssemos numa fita de políticas e ladrões, além de as patrulhas serem ali feitas por sentinelas sem munições, talvez como medida de poupança. Isto apesar de o Ministério da Defesa ter devolvido em 2016 às arcas do Estado 242,2 milhões de euros que estavam orçamentados e não chegaram a ser gastos.

Marcelo Rebelo de Sousa fez assim aquilo que o próprio Azeredo Lopes e o CEMGFA deviam ter feito logo quando a notícia que deu a  volta ao mundo se tornou conhecida.

"Foi muito útil, em termos informativos, a vinda cá. É completamente diferente ter uma noção distante. A vinda ao terreno é outra coisa", acentuou Marcelo Rebelo de Sousa. Deixando ainda mais claro, para quem não percebesse, o que o levara àquelas instalações militares, que há décadas não recebiam a visita de um Chefe do Estado em funções.

O ministro Azeredo Lopes nem abriu a boca. Fez muito bem, depois da sua lamentável intervenção da passada sexta-feira na SIC, onde foi entrevistado por Clara de Sousa.

Quanto ao Presidente, se eu fosse militar, fazia-lhe continência. Assim limito-me a tirar-lhe o meu chapéu.

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Portugal está na moda

por Pedro Correia, em 04.07.17

 

ABC: «Un robo de armamento en Portugal desata la alarma internacional.»

 

New York Times: «Grenades, ammo stolen in daring raid at Portugal army depot.»

 

Le Figaro: «Des grenades et des munitions volées à l' armée portugaise.»

 

Corriere della Sera: «Portogallo: rubato arsenale di armi e munizioni, caccia ai possibili responsabili.»

 

BBC: «Portuguese president speaks out over stolen weapons arsenal.»

 

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A defesa indefesa

por Pedro Correia, em 02.07.17

Eis o inventário completo do material de guerra roubado em Tancos, publicado hoje no jornal digital El Español.

Perante esta clamorosa falha de segurança que cobre o Estado português de ridículo e já está a ser reportada além-fronteiras, o ministro da Defesa reconhece, com chocante resignação: "Esse material estará agora a tentar entrar no mercado ilícito de tráfico de armas que podem depois servir para os mais diferentes fins."

Ou seja: as armas roubadas em Tancos estarão já nas mãos de traficantes e de terroristas. Enquanto o responsável pela pasta da Defesa, mais indefesa que nunca, se limita a dizer que assume "responsabilidades políticas" sem retirar as consequências que se impõem destas palavras. Está bem acompanhado, pela sua colega da Administração Interna: ambos agarrados ao lugar como se a autoridade do Estado não tivesse sido gravemente atingida em Tancos e Pedrógão, perante a complacente e benévola bênção do primeiro-ministro.

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O massacre de sábado à noite.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.17

Já tinha tido a ocasião de comparar a tentativa deste governo de fuga às suas responsabilidades com o comportamento de Nixon no Watergate. Mas agora Azeredo Lopes resolveu fazer uma imitação total de Nixon, reproduzindo o episódio do massacre de sábado à noite, em que Nixon demitiu o procurador independente que o estava a investigar, levando à resignação do Attorney-General e o seu vice. Indo ainda mais longe que Nixon, Azeredo Lopes demitiu de uma assentada cinco comandantes, apenas para assegurar, imagine-se, que "as averiguações decorrerão de  forma absolutamente isenta e transparente".

 

Só há uma pergunta a fazer. O nosso querido e afectuoso presidente, que até é o comandante supremo das Forças Armadas, vai continuar a permitir esta permanente fuga às responsabilidades dos nossos governantes e este constante enxovalhar das instituições sob a sua tutela? Por muito menos que isso Jorge Sampaio dissolveu o parlamento e mandou Santana Lopes para casa. Marcelo deveria perceber rapidamente que a chefia do Estado exige algo mais do que selfies, afectos, beijinhos e abraços. Exige que o presidente tenha sentido de Estado e garanta o regular funcionamento das instituições democráticas. O que manifestamente não está a acontecer no Portugal de 2017.

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Sinalética preventiva

por Rui Rocha, em 01.07.17

sinaletica.jpg

Não quero estar aqui a armar-me em especialista na vigilância de paióis. Só sei que o meu sogro também teve uns problemas de ladroagem lá na vizinhança e acabou por colocar esta sinalética no portão. Custou 4 euros no chinês e foi remédio santo. Partilho para o caso de o Senhor Ministro da Defesa ver interesse em experimentar em Tancos.

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