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Penso rápido (21)

por Pedro Correia, em 10.07.14

Sophia de Mello Breyner Andresen anda a ser editada em acordês. Há quem se indigne justamente com estas liberalidades. Eu sou um dos indignados.

Argumentam alguns, procurando defender o indefensável, que se lemos hoje Camões ou Camilo com ortografias diferentes das originais a mesma lógica devia aplicar-se à autora dos Contos Exemplares.

Mas são casos diferentes.
Sophia - assim e não Sofia, pois os nomes não se escrevem à la carte, no âmbito das "facultatividades" previstas no "desacordo ortográfico" - militou contra o AO 90. Não passou ao lado da questão: pelo contrário, tomou partido. Com a mesma firmeza revelada antes do 25 de Abril, no combate à ditadura salazarista, e nos tempos revolucionários, contra a ameaça de novas ditaduras em Portugal.
É uma profunda desonestidade intelectual editar os textos de Sophia em acordês, aproveitando o facto de já não se encontrar entre nós. Mais que isso: é um ultraje à sua memória.

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Falta de respeito

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.07.14

O Expresso, semanário que muito prezo, anuncia a republicação integral de um texto que Sophia escreveu para aquele jornal nos idos de 1975. Por "republicação integral" eu entendo a republicação de uma obra na sua versão original, tal qual como conheceu a vida. Mas a primeira coisa que reparo é que na anunciada republicação aparece escrito "ato de criação", "ato de liberdade", "abstrata", "mundo atual", "25 de abril", "atividade"...

Que eu saiba, Sophia nunca escreveu nos termos do Novo Acordo Ortográfico. Nunca lhe foi perguntado se queria escrever nos termos do "acordês". E considero uma barbaridade reescrever ou republicar textos à luz desse documento profundamente demagógico. Não se respeita a integralidade do texto original, não se respeita a verdade histórica e manipula-se o texto em termos políticos e culturais.

Como nesse texto também se escreveu "a demagogia é a arte de ensinar um povo a não pensar". Espero que não se atrevam a fazer o mesmo aos textos de Vasco Graça Moura que daqui a uns anos resolvam "republicar".

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Sophia

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.14

"Da política nem falo. Ou melhor falo. É uma política dominada pela exterioridade, pela vaidade e pela leviandade machista. (...) Graças a Deus sou mulher e por isso não sinto necessidade de triunfo de carreira. Aliás penso que um artista não deve ser governo, mas sim influenciar os governantes." Março, 1978, in Sophia de Mello Breyner & Jorge de Sena, Correspondência 1959-1978

 

Os mesmos que a colocaram no Panteão são os mesmíssimos que recebem e acolhem Obiang em Lisboa e que o acolherão em Díli, de braços abertos, no dia 23 de Julho. Não sei que escreveria ela a contar ao seu amigo Jorge de Sena se soubesse disto e depois ouvisse Cavaco Silva dizer o que disse, logo ele que confundindo a função com os gostos pessoais recusou estar no funeral do único Nobel da literatura português, coisa por que ela tanto lutou. Relendo o que Sophia escreveu é caso para dizer que a hipocrisia e a desfaçatez não conhecem limites em Portugal. E fazem escola.

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Que Sophia merece o Panteão, acho que nem se discute. Pergunto-me é quais serão afinal os critérios de selecção, e sobretudo fico aparvalhada com esta forma de dar notícias... como se ela estivesse em competição com o Eusébio para ver quem chega lá primeiro. Este país ensandeceu de vez??

 

(Para já não falar no crescente analfabetismo dos jornalistas. Quando a TSF escreve, assume e assina por baixo a palavra "transladada", acho que está tudo dito.)

 

Actualização: afinal as palavras "trasladação" e "transladação" são sinónimos, ambas estão correctas. Agradeço aos comentadores que fizeram a correcção. Sempre a aprender.

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