Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Three Peaks

por Rui Rocha, em 29.05.17

Graças ao governo do Costa, a Laura Palmer não foi assassinada. Está só a fazer um banho de algas. O detective Dale foi substituído por uma mulher para cumprir as quotas. Um sobrinho do Carlos César é agora o Xerife Harry que tinha sucedido na função ao pai e ao avô. A Shelly Johnson deixou o Bobby Griggs e vive com a Donna Marie Hayward. Fizeram um contrato com uma barriga de aluguer mexicana. O Benjamin Horne, outrora o homem mais rico de Twin Peaks, veio viver para Portugal e comprou o palacete de Sintra em que o Phill Collins estava interessado. A filha, Audrey Horne, é colunista do DN. A árvore sussurrante é o Marques Mendes disfarçado de Estrunfe dos Óculos. A sério. Ninguém morre. Não percam tempo a ver a série na televisão. Aproveitem para descansar. Estão todos felizes. Os picos não são dois, são três. O Bloco, o PCP e o PS. O gigante encolheu e até o anão cresceu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Parece que tudo nasceu ontem

por Pedro Correia, em 04.10.16

Alfred Hitchcock Presents The Cheney Vase (2)[1].j

get_smart_tv_show_image_don_adams__2_[1].jpg

holocaust-james-woods-meryl-streep[1].jpg

hqdefault[6].jpg

 Hitchcock Apresenta, Get Smart, Holocausto e Moonlighting: algumas séries que a Rolling Stone esqueceu

 

Os americanos adoram fazer listas. Sobretudo listas dos “melhores de sempre”. Reduzem no entanto os melhores ao espaço geográfico em que se inserem, como se o mundo se confinasse às fronteiras dos Estados Unidos. Há tempos vi uma lista dos melhores de sempre na música – lista americana, claro – omitindo Piaf, Gardel e Jobim. Brel estava ausente e João Gilberto não morava lá.

Agora volta a surgir outra lista, que os jornais cá do burgo reproduziram sem um assomo de crítica. A Rolling Stone acaba de difundir, em juízo definitivo, quais considera as melhores séries e programas televisivos de todos os tempos. Aqui já não estamos só perante uma absurda redução da produção televisiva ao mundo anglo-americano: há também uma chocante falta de memória, inaceitável numa publicação com tantos pergaminhos.

 

É verdade que encontramos alguns clássicos televisivos de várias décadas: O Fugitivo, Star Trek, Columbo, All in the Family, Os Marretas, Dallas, Hill Street Blues, Os Trintões, Os Simpson  e Twins Peaks. Sem esquecer o fabuloso Circo Voador dos Monty Phyton e o imprescindível Fawlty Towers.

Também é verdade que no topo da lista figuram séries recentes de indiscutível qualidade – a começar pelos irrepetíveis Sopranos, que a encabeçam.

Mas 36 são dos últimos 15 anos, numa evidente desproporção temporal. E há até uma já de 2016 (a banal American Crime Story), o que diz muito dos critérios utilizados nesta classificação. Quem se propõe enumerar o que de melhor a televisão nos mostrou desde sempre não pode omitir algumas séries que aqui ficaram esquecidas. Do mítico Bonanza ao inesquecível Sim, Senhor Ministro – uma das melhores produções de sempre da BBC. Passando por Viver no Campo, Kung Fu, Holocausto, Homem Rico Homem Pobre, Ventos de Guerra e Moonlighting - Modelo e Detective.

Séries norte-americanas de culto como Alfred Hitchcock Apresenta não constam, o que é de pasmar. Tal como a britânica A Jóia da Coroa. E como foi possível deixar de fora títulos imperdíveis, como Reviver o Passado em Brideshead ou Smiley's People, que proporcionaram incursões televisivas a grandes actores do cinema como Laurence Olivier e Alec Guinness?

Ignorar o delirante Olho Vivo - Get Smart, onde Mel Brooks dava largas ao seu imparável sentido de humor, acentua a irrelevância desta lista, anunciada e difundida com tanta pompa e circunstância.

 

É um sinal dos tempos: parece que tudo nasceu ontem, parece que tudo quanto vem de trás migrou para parte incerta. Quanto mais recente melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O meu Rosebud era um canguru

por Pedro Correia, em 18.09.16
 

w1200_h678_fmax[1].jpg

 

Sempre gostei de séries com animais. A minha infância esteve cheia delas. Lembro-me: havia um golfinho chamado Flipper, um leão chamado Daktari, um cavalo negro chamado Fúria, até um urso pardo chamado Gentle Giant.
Mas, entre as séries que a RTP exibia nas tardes de fim de semana, nenhuma me seduziu tanto como esta - produzida entre 1966 e 1968 pela CTVA australiana - que tinha um canguru como personagem principal. Chamava-se Skippy, este marsupial que seguia o jovem dono como se fosse um cão. Foi quanto bastou para sentir uma vontade enorme de ter também um bicho destes. O problema é que cangurus livres como o vento só existem na Austrália - talvez por isso os do Jardim Zoológico de Lisboa nunca me despertaram interesse.
Se não podiam vir eles cá, fui eu lá. Um dia, nos arredores de Darwin, já a cidade cedera lugar à savana, aconteceu um momento mágico: um canguru veio ao meu encontro. Livre e solto como o vento. Lá estava ele - o "meu" Skippy. Demorou-se só o tempo necessário para lhe disparar uma fotografia e logo me virou as costas, indo à sua vida. Mas bastou este momento para justificar a minha primeira deslocação à Austrália.
Ainda hoje penso naquele momento mágico. E logo me vêm à memória os versos do tema musical da série: "Skippy, Skippy, Skippy the bush kangaroo / Skippy, Skippy, Skippy a good friend true."
Desconfio que não preciso de procurar mais: o meu Rosebud é mesmo este.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A ideologia nas séries de TV

por Pedro Correia, em 14.06.16

csi2b2blas2bvegas2bseason2b4[1].jpg

 CSI original (2000)

 

Os ditames da correcção política têm levado as séries televisivas norte-americanas a distanciar-se progressivamente da realidade, criando um universo paralelo que só existe na tela e nada tem a ver com o mundo real. Serve de entretenimento, claro. Mas em nenhum momento sentimos que existe ali a amálgama de sangue, suor e lágrimas correspondente à vida de todos os dias. E em poucos domínios isso se verifica tanto como nas séries policiais.

Senti isso recentemente, ao ver há meses pela primeira vez as duas temporadas iniciais (2000-02) do tão celebrado CSI: Crime Scene Investigation – o genuíno, o de Las Vegas. Uma série inovadora por focar aspectos científicos e tecnológicos relacionados com a perícia forense, aliás depois repetidos até à náusea por um enxame de imitações muito inferiores.

CSI entrelaça habilmente as vidas de vítimas, criminosos e funcionários do laboratório policial da cidade, ressaltando dessa amálgama um curioso mosaico social. O problema é vermos esse mosaico distorcido pela ideologia: os criminosos são na esmagadora maioria homens brancos, de 30 a 45 anos, pertencentes à classe média-alta ou ricos. Matam em regra por cupidez, ganância, inveja. Em mais de 40 episódios destas duas temporadas só por duas vezes vi criminosos oriundos das chamadas minorias étnicas.

Lamento, mas o mundo não é assim – um mundo enxameado de assassinos brancos e tendencialmente milionários, não muito novos nem velhos. Este padrão de criminoso socialmente correcto, mais do que os prodígios tecnológicos destinados a esboçar a identidade de um homicida a partir de um cabelo plantado num soalho, fazem de CSI um produto distorcido, embora estimável.

 

engrenages[1].jpg

 Um Crime, Um Castigo: a diferença francesa

 

Nada a ver por exemplo com uma excelente série policial francesa que revi em simultâneo, na RTP 2 – canal que deste modo cumpre a sua missão de serviço público ao proporcionar-nos o acesso a produções fora do âmbito da indústria norte-americana. Refiro-me a Um Crime, Um Castigo (originalmente intitulada Engrenages), realizada entre 2005 e 2014.

Ao contrário da equipa chefiada pelo biólogo Gil Grissom na noite de Las Vegas, a brigada que tem como líder a capitã Laure Berthaud lida com todo o género de criminosos: residentes e imigrantes, velhos e novos, homens e mulheres, vagabundos, prostitutas, chulos e drogados, pessoas de todas as cores, de todas as classes e todas as crenças ou descrenças. É gente que anda por aí, nas esquinas de avenidas, ruas e vielas. Gente comum, surgindo no ecrã sem o absurdo espartilho imposto por sucessivas exclusões étnicas, religiosas ou de género que abre um abismo entre a televisão e a vida real nos Estados Unidos.

Antes o panorama era diferente - algo bem demonstrado por séries como Hill Street Blues (1981-87)ainda realizadas longe das ameaças de boicotes e processos judiciais exercidas pelos influentes grupos de pressão que hoje condicionam os estúdios cinematográficos e televisivos norte-americanos, onde funcionam como comissões de censura prévia, impondo um monolítico padrão de mau – invariavelmente WASP [White, Anglo-Saxon, Protestant].

Os Sopranos (1999-2007) foi talvez a  última grande série norte-americana capaz de enfrentar com êxito estes poderosos lóbis que patrulham a escrita, realização e actuação televisiva nos Estados Unidos. Ali havia assassinos que “vinham de baixo”, falavam inglês com sotaque e matavam porque o mal é intrínseco à natureza humana, ao contrário do que apregoam os novos teólogos da ideologia socialmente correcta.

Que o digam Laure e os tenentes Gilou e Tintin: eles enfrentam marginais de carne e osso, não apenas as caricaturas de conveniência que a cartilha impõe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nem o São Google ajuda

por Pedro Correia, em 09.05.16

mad[1].jpg

 

Nono episódio da terceira temporada de Mad Men, que vejo com imperdoável atraso: é uma das melhores séries televisivas de sempre. Conrad Hilton, o magnata dos hotéis cuja figura é aqui recriada num registo ficcional muito próximo da realidade, e Dan Draper - o protagonista da série - conversam madrugada adiante, ambos já bem bebidos. Às tantas o magnata pergunta: «Depois de tudo quanto atácamos o Krutchov, você sabe o que o fez cair?» E apressa-se a fornecer a resposta: "O facto de ele não ter podido ir à Disneylândia

O problema é que esta conversa travava-se em Setembro de 1963. O líder soviético só caiu mais de um ano depois, derrubado por um golpe interno no Kremlin desencadeado pelos camaradas que até ao último momento lhe garantiam apoio formal. Fica a prova de que até nas mais excelentes séries, como esta é, pode cair a nódoa. E nem o São Google ajuda quando a cultura de base não dá para mais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A televisão feita cinema

por Pedro Correia, em 05.03.16

house-of-cards[1].jpg

 

Ao longo dos anos tenho visto excelentes séries na televisão. Mas poucas tão boas como House of Cards, uma impressionante e quase hipnótica digressão pelos bastidores da política. Centrada na teia de interesses que se vai tecendo em torno da Casa Branca, e com naturais particularidades da vida pública norte-americana, mas com pistas de reflexão sobre o implacável exercício do poder que podem funcionar para qualquer tempo e qualquer lugar.

 

ray-donovan-cast-season-3[1].jpg

 Ray Donovan

 

Com a viragem do século o cinema foi-se infantilizando e comercializando. Ganhou ainda maior dimensão industrial à medida que perdia fulgor criativo. Cada vez mais passou a privilegiar o embrulho pirotécnico, destinado ao consumo alucinante de pipocas. E a dimensão lúdica daquilo a que noutros tempos se chamava Sétima Arte deixou de ser um meio para se declarar um fim.

A crítica cinematográfica transformou-se num veículo de difusão publicitária, confundindo qualidade com receitas de bilheteira. E a forma de contar uma história com impacto visual, diálogos credíveis e sólida construção de personagens foi-se desvalorizando até à caricatura. O pensamento deu lugar ao divertimento acéfalo. E a mediania acabou promovida a patamares de excelência pela absoluta falta de critério dominante – como aliás ficou bem visível na recente distribuição de estatuetas douradas ocorrida em Hollywood.

 

engrenages-2005[1].jpg

 Um Crime, Um Castigo (Engrenages, no original)

 

Felizmente a televisão tem caminhado em sentido contrário. Enquanto nas décadas anteriores os realizadores faziam o percurso dos plateaux televisivos para os estúdios cinematográficos como modo de progressão artística, hoje assistimos ao fenómeno inverso: as produtoras televisivas contam com o talento comprovado dos maiores cineastas - incluindo Steven Spielberg, Martin Scorsese e Woody Allen, para nos quedarmos só nos EUA.

A televisão tornou-se mais exigente, mais criteriosa, mais adulta. E foi lá que passámos a encontrar o melhor sucedâneo do bom cinema. Em séries americanas como Os Sopranos, 24, Mad Men, Segurança Nacional, Boss, Ray Donovan, Fargo, Wayward Pines, True Detective, The Affair, Odisseia, American Crime, Olive Kitteridge. Ou nas dinamarquesas ForbrydelsenBron, Arvingerne e Borgen. Ou nas francesas Os Influentes e Um Crime, um Castigo (esta agora em reposição na RTP 2: espreitem a quarta temporada, talvez a melhor de todas). Ou nas britânicas The Honourable WomanThe Fall, esta com Gillian Anderson no melhor papel da sua carreira.

 

thefallseason2[1].jpg

The Fall

 

Serei o último a propor a definitiva troca da sala escura de cinema pela resignada mansidão do sofá. Mas confesso-me espectador assíduo e entusiasta de todas aquelas séries, já exibidas ou em exibição. E cada vez mais me rendo à escrita, às interpretações e aos enredos que irrompem da televisão. Já não apenas com o fito de nos distrair, mas com a intenção deliberada de nos fazer pensar.

E termino como comecei. A dar as boas-vindas ao maior aprendiz vivo de Maquiavel: o Presidente dos Estados Unidos da América, Francis J. Underwood – soberba criação de Kevin Spacey, que ultrapassou todos os seus memoráveis papéis no cinema, incluindo o Roger Kint d’Os Suspeitos do Costume e o Lester Burnham de Beleza Americana, que lhe valeram Óscares. Sem esquecer a bela, perversa e trágica Claire Underwood, tão bem interpretada por Robin Wright, belle toujours.

 

houseofcards[1].jpg

House of Cards

 

Estenda-se a passadeira vermelha à quarta temporada de House of Cards. Estreia logo à noite, a partir das 23 horas, no canal TV Séries. A televisão feita cinema. Cada vez mais arrebatadora, cada vez mais perturbante. Cada vez melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (3)

por Pedro Correia, em 26.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Este ministério tem de eliminar muita burocracia. Vamos dar aqui uma vassourada, abrir as janelas para entrar ar, pôr esta máquina obsoleta em ordem.

Sir Humphrey Appleby - Uma limpeza, quer dizer?

Ministro [sentado à secretária] - Isso mesmo. Há demasiada gente sentada à secretária

Sir Humphrey - ...

Ministro - Não me refiro a nós. Temos de correr com aqueles que só estão a fazer número!

Bernard Woolley, secretário particular do ministro - Correr com eles?

Sir Humphrey - Redistribuí-los, quer o senhor dizer.

Ministro - Sim, sim. Quero pô-los a trabalhar. Somos adeptos de um Executivo aberto: é nisto que o meu partido acredita e que serviu de base ao nosso manifesto eleitoral. Temos de abrir a política ao País. Que tal?

Sir Humphrey [segurando uma pasta com papéis] - Veja estas propostas. Esboçam a implementação dessa política e contêm a base para um Livro Branco, que a meu ver deverá chamar-se Governo Aberto.

Ministro - Então já foi tudo...

Sir Humphrey - Já foi tudo tratado.

Ministro - Quem preparou tudo isto?

Sir Humphrey - A máquina burocrática obsoleta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (2)

por Pedro Correia, em 25.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker [recém-chegado ao ministério] - Quem há mais no nosso departamento?

Sir Humphrey Appleby - Eu sou o subsecretário de Estado permanente, o [Bernard] Woolley é o seu secretário particular principal. Eu tenho um secretário particular principal, que é secretário particular do secretário permanente. Hé dez secretários delegados responsáveis perante mim, e 87 secretários e 219 secretários adjuntos que respondem perante os secretários particulares principais. O primeiro-ministro vai nomear dois subsecretários parlamentares e o senhor nomeará o seu secretário particular parlamentar.

Ministro - E sabem todos escrever à máquina?

Sir Humphrey - Nenhum de nós sabe. Quem faz isso é Mrs. McKay. É a secretária.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (1)

por Pedro Correia, em 24.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Sir Humphrey Appleby - Bruxelas vai introduzir um bilhete de identidade europeu, para uso de todos os cidadãos da CEE. O Ministério dos Negócios Estrangeiros vai aceitar para poder negociar a montanha de manteiga, o lago de vinho, o oceano de leite, a guerra do carneiro e o cheirete a bacalhau. O primeiro-ministro, como é lógico, quer que seja o senhor a apresentar [aos ingleses] a nova legislação.

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Eu?!

Sir Humphrey - Sim. O senhor é conhecido como pró-europeu e, a longo prazo, esta legislação poderá ser benéfica para a nossa administração.

Ministro - Boa ideia, não acham?

Frank Weisel, conselheiro político - Boa ideia?!!

Ministro - Boa ideia?!!

Sir Humphrey - Não é boa ideia?

Frank - É um suicídio político!

Ministro - Obrigar os ingleses a usar um documento de identificação! Vão dizer que estou a introduzir um estado policial. Foi para isto que combatemos em duas guerras mundiais?!

Sir Humphrey - Vendo bem, ministro, isto é pouco mais do que uma carta de condução.

Ministro - É o último prego no meu caixão!

Frank - Porque não tratam os Negócios Estrangeiros disto?

Sir Humphrey - Foi  essa a sugestão inicial do primeiro-ministro. Mas os Estrangeiros disseram que era questão para o Interior. E o Interior disse que se tratava de um assunto administrativo e o primeiro-ministro acabou por concordar.

Frank - Andam todos a passar a batata quente!

Ministro - Não admira, se vai explodir.

Sir Humphrey - Receio que esta venha a ser a último acção deste departamento: um excelente cavalo de batalha para os eurocépticos.

Ministro - Os Estrangeiros não vêem o mal que isto vai causar ao ideal europeu?

Sir Humphrey - Claro que vêem. Por isso mesmo é que procedem desta maneira.

Ministro - Os Negócios Estrangeiros não são pró-europeus?!

Sir Humphrey - Sim e não... se me permite a expressão. São pró-europeus porque, no fundo, são anti-europeus. A nossa administração pública sempre fez tudo para que o Mercado Comum [europeu] não funcionasse. Por isso entrámos nele.

Ministro - De que é que você está a falar?!

Sir Humphrey - Senhor ministro, há pelo menos 500 anos que a Inglaterra tem a mesma política no plano internacional: criar uma Europa desunida. Por isso nos aliámos aos holandeses contra os espanhóis, aos alemães contra os franceses, aos franceses contra os alemães e os italianos. Dividir para reinar. Porque haveríamos de alterá-la agora se tem resultado tão bem?

Ministro - Isso é história antiga!

Sir Humphrey - Isto é gestão corrente. Para destruir tudo tínhamos que entrar para lá. Tentámos destruir de fora, mas não resultou. Agora que estamos dentro podemos transformar aquilo numa bagunça. Pôr alemães contra franceses, franceses contra italianos, italianos contra holandeses. Os Negócios Estrangeiros estão satisfeitíssimos. É como nos velhos tempos.

Ministro - Mas estamos empenhados no ideal europeu...

Sir Humphrey - [Ri-se]

Ministro - Então porque é que apoiamos a entrada de novos Estados-membros?

Sir Humphrey - Pela mesma razão. É como na ONU. Quantos mais países tiver, mais zaragatas haverá, mais inútil se torna.

Ministro - Que cinismo terrível!

Sir Humphrey - Nós chamamos-lhe diplomacia, senhor ministro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Outra semana

por José António Abreu, em 14.12.15

Blogue_SemanaDez2015_2_1000.jpg

Na verdade, contando com sábados e domingos, foram nove dias. E até consegui sair de casa na maioria deles.

 

(«Outra» porque em Dezembro dá-me dá-me frequentemente para estas coisas.)

 

(Leitores simultaneamente muito curiosos, desocupados e míopes podem clicar nas imagens para aceder ao Sapo Fotos, onde têm a opção de vê-las em tamanho maior.)

 

(Devia alinhavar umas palavras sobre algumas das obras. Mas antes preciso de descobrir se António Costa ainda é primeiro-ministro e, em caso afirmativo, se Arménio Carlos já ascendeu a ministro do Trabalho. Dependendo da resposta, posso decidir fechar-me em casa mais uma semana a ver filmes do Harold Lloyd e do Buster Keaton.)

Blogue_SemanaDez2015_1_1000.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

A política pura e dura na televisão.

por Luís Menezes Leitão, em 17.03.15

À semelhança da Teresa também eu estou a acompanhar com muito interesse Os Influentes, depois já ter feito o mesmo com a Borgen. Onde já não a acompanho é na relevância dada à actual House of Cards, a meu ver mais uma cópia americana de má qualidade de uma extraordinária série da BBC, a House of Cards, que passou em 1995. Bem podem ter as mesmas iniciais (FU), e Kevin Spacey ter o talento a que já nos habituou, mas a meu ver Frank Underwood nunca baterá Francis Urquhart.

l[1].jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

A moda da política sem filtros na TV

por Teresa Ribeiro, em 17.03.15

 

 

C:\Documents and Settings\Admin\Ambiente de trabal

 

Nunca vi, em tão pouco tempo, estrearem na televisão tantas séries sobre os bastidores da política. Dos EUA veio a viciante House of Cards, da Dinamarca, a Borgen e agora passa na RTP2 a primeira temporada da série francesa Os Influentes (no original, Les Hommes de L'Ombre).

Todas excelentes, e de sucesso internacional, reflectem uma tendência ditada pelo impacto público das primeiras produções do género. Ignoro se foi House of Cards a acender o rastilho, mas o que me interessa é perceber porque só recentemente os jogos de poder, tão velhos como o mundo, passaram a receber este tratamento laboratorial. Filmes documentais ou ficcionais sobre política e políticos existem desde os primórdios do cinema. Da propaganda aos filmes de causas, pensávamos já ter visto tudo, mas afinal faltava a versão hard-core.

"- Daqui a uma semana acaba tudo.

 - Não tem planos?

 - Nada. Fico na reserva da República. Sabe o que é um reservista? É o tipo que chamam à últma hora quando não há pessoas suficientes para agitar as águas.

 - Proponho-lhe algo mais gratificante.

 - E melhor pago? Isso também conta. O meu nível de vida vai ser reduzido.

 - O que lhe proponho é legal e simples. Quando deixar de ser Primeiro-Ministro contrato-o como advogado para defnder os interesses da empresa.

 - Adorava aceitar a proposta, mas não sou advogado.

 - Todos os parlamentares podem ser. Demora exactamente três semanas, basta-lhe prestar juramento.

 - E defendo quem? O quê?

 - As emendas que lhe sugerir para levar à Assembleia.

 - Não é clientela.

 - Explico de outra maneira. Como advogado parlamentar não pode apresentar emendas em nome dos seus clientes. Mas pode fazê-lo a favor dos meus. Intervém por conta da empresa que age em nome dos clientes. É muito simples.

 - É legal?

 - Evidentemente. É por agirem com absoluta legalidade que muitos parlamentares são também advogados. Quando explicam as escusas para intervir em comissões às quais pertencem, provam a sua honestidade.

 - A menos que peçam a colegas para agirem em seu nome.

 - Ou apresentem conselhos de agências como a minha. Tudo isso permite apagar as ligações entre um projecto-lei e o deputado que o defende. Não existe nenhum conflito de interesses aparente entre as partes.

 - Conhecia a prática mas nunca pensei nessas subtilezas.

 - Se aceitar a minha proposta contrato-o como advogado com o salário de um Primeiro Ministro." - este é um exemplo (retirado do episódio 6) de um dos excelentes diálogos que podemos seguir em Os Influentes.

A novidade nestas produções é a exposição total. Nenhum detalhe é esquecido. Quem nunca passou pelos bastidores da política pode agora fazê-lo em casa, sentado no sofá. O papel decisivo dos spin doctors na intriga política, a extraordinária importância que se dá, quando se trabalha a um nível muito profissional, a pormenores como a largura do tampo da mesa que vai estar em estúdio para um debate televisivo, a promiscuidade entre assessores e jornalistas e consequente instrumentalização da Comunicação Social, a apropriação da mensagem política pelo marketing, a transformação de candidatos em produtos, os golpes da baixa política, tráfico de influências, conflitos de interesses, corrupção, tudo se desvenda.

A House of Cards falta-lhe a contenção europeia. A luta pelo poder do protagonista, Frank Underwood (Kevin Spacey interpreta-o tão bem que se arrisca a ficar para sempre com este personagem colado à pele), embora fortemente inspirada na realidade cede a exigências comerciais e até morais. Exagerando na amoralidade da política - Frank já teve que semear alguns cadáveres na sua ascensão ao Nirvana - a série, ao mesmo tempo que atrai nos EUA audiências que gostam de acção, não fere as susceptibilidades de um público mainstream que apesar de tudo prefere uma barreira protectora de ficção à volta das suas instituições. Não por acaso, Obama já disse publicamente que é fã desta série. Prova maior de que é confortável para o meio que pretende retratar.

Mas desviei-me do ponto. Porquê isto agora? Penso que se trata de uma questão de percepção de maturidades. A crise das democracias revelou eleitorados cada vez mais difíceis de conquistar, porque tal como nos casamentos gastos, já não têm mais nada a aprender com o outro. Sabem tudo, não vão em conversas. Sabem demais. Daí os níveis crescentes de abstenção, o desinteresse.

Já não há nada a esconder, nem os podres, que escândalo a escândalo, se foram derramando nos jornais, por isso por que não desocultar segredos de polichinelo e partilhá-los na praça pública? Alguém ligado aos media um dia pensou nisto. Pensou que podia fazer da fonte das nossas frustrações cívicas um sucesso mediático. E acertou em cheio. Seguir estas séries é catárctico. Estávamos mesmo a pedi-las.

 

Foto de: Os Influentes

Autoria e outros dados (tags, etc)

Borgen: descubra as diferenças

por Teresa Ribeiro, em 27.01.15

C:\Documents and Settings\Admin\Ambiente de trabal

 

Também eu ando a seguir Borgen com o maior interesse. Desde que me apaixonei por The Killing, a primeira série dinamarquesa da minha vida, que fiquei atenta ao que nos chega dessa proveniência, sobretudo se vier com o selo de garantia da produtora DR, que assina estes dois produtos de excelência.

The Killing transportava-nos pelos trilhos obscuros do crime, sem concessões ao que por deformação da excessiva exposição às séries americanas do género estabelecemos como norma: gente gira, muita acção, diálogos curtos e assertivos, heróis para nos seduzir e fidelizar. Em vez de fogo de artifício oferecia-nos uma aproximação à realidade que nos colava à cadeira.

Borgen, que é sobre política, seduz-nos também por esse realismo, suportado como em The Killing por interpretações excepcionais. Não vou adiantar-me mais sobre a série, pois no Delito já foi enaltecida mais que uma vez. Se volto ao assunto é porque a surpresa de ver, de episódio para episódio, expostas situações entre políticos, jornalistas e assessores que nos são familiares me levou a procurar as diferenças. Entre a Dinamarca, que está permanentemente no topo do ranking dos países com melhor qualidade de vida, e Portugal afinal só pode haver diferenças.

Através de Borgen, as que melhor se observam passam ao lado da trama política. Um contraste que salta à vista é o estilo de vida da protagonista, mãe de dois filhos menores e que no início da série ainda vemos casada. Apesar de ser primeira-ministra e mulher de um professor universitário, a sua vida familiar decorre dentro de padrões que entre nós só são expectáveis numa vulgar família de classe média. O casal não tem empregada e divide entre si as tarefas domésticas. Não há mordomias, nem luxos, é tudo muito frugal.

Já se sabia que na escandinávia até se vêem ministros a ir para o trabalho de bicicleta. A cultura é outra. Os governantes consideram-se a si próprios funcionários públicos e são legalmente tratados como tal, mas Borgen despertou-me a curiosidade. Uma pesquisa levou-me a um estudo comparativo da autoria do jornalista Gustavo Sampaio, publicado no seu livro "Os Privilegiados". Uma pesquisa que revela até que ponto é falacioso o argumento de que os políticos em Portugal são mal pagos e têm uma vida dura. Ora tomem nota:

 

Na Dinamarca os membros do parlamento são obrigados a receber um vencimento base, acrescido de ajudas de custo pelas funções que desempenham (cá, os políticos podem optar entre as pensões que recebiam e o vencimento, como fizeram Cavaco Silva e Assunção Esteves).

O vencimento base de um membro do parlamento dinamarquês é de 600 998 coroas dinamarquesas/ ano (cerca de 80 605€). Repartido pelos 12 meses corresponde a cerca de 6717€/ mês, mais do dobro do vencimento base de um deputado português em regime de exclusividade (3271, 32€/ mês). Porém, os deputados portugueses recebem subsídio de Natal e de férias e a carga fiscal dinamarquesa é mais elevada (em 2012 a taxa máxima era de 56,6%, enquanto que em Portugal foi de 49%).

Na Dinamarca os abonos suplementares limitam-se a uma verba destinada a ajudas de custo: 665,54€/ mês, livres de impostos. Em Portugal há ajudas de custo para os deputados que residem fora da Grande Lisboa (69,19€/dia). Nos casos mais extremos as ajudas de custo podem ultrapassar os 2000€/mês, ao que se acrescentam as despesas de representação (que não estão previstas na Dinamarca). Um deputado português, em regime de exclusividade  aufere 334,24€/mês em despesas de representação, mas a verba pode ser maior conforme os cargos que exerce.

Ao contrário dos dinamarqueses, os deputados portugueses têm direito a ser compensados pelas despesas de transporte, que são pagas ao Km. Na Dinamarca os membros do parlamento recebem passes para transportes públicos.

Descontados os impostos e somados os valores das ajudas de custo, os deputados dinamarqueses auferem entre 3500€ e os 4500€. A remuneração dos deputados portugueses depende de mais variáveis, mas um deputado em regime de exclusividade que resida fora da Grande Lisboa poderá receber 5534,58€ ilíquidos/mês, não muito menos que o rendimento ilíquido dos dinamarqueses: 7382,69€/mês. Em termos líquidos, a diferença é ainda menor, devido à carga fiscal na Dinamarca ser mais elevada.

The last but not the least: Os ex-políticos dinamarqueses não têm direito a pensões suplementares nem a reformas antecipadas, nem à contagem de anos a dobrar para efeitos de aposentação. Reformam-se como toda a gente aos 65 anos e têm os mesmos benefícios que qualquer outro funcionário público. Na Dinamarca também não existem subvenções vitalícias.

Tal como em Portugal, os deputados dinamarqueses podem acumular as suas funções com outras actividades remuneradas, só que isso não acontece muito, porque em regra não têm tempo. Quanto a ex-ministros integrarem conselhos de administração de empresas de sectores que tutelaram enquanto governantes está fora de questão, embora não haja lei que o impeça.

Pois, não é preciso escavar muito para descobrir as diferenças.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Verdadeiro serviço público.

por Luís Menezes Leitão, em 26.01.15

Acho inconcebível que esteja a passar despercebida aquela que considero, depois de Yes, Minister mas agora num registo sério, a melhor série de televisão alguma vez feita sobre política: Borgen, de segunda a sexta-feira na RTP2. Borgen, que significa castelo em dinamarquês, corresponde à designação comum do palácio de Christiansborg, sede do parlamento e do governo dinamarquês e lugar de trabalho do Primeiro-Ministro. A série relata a ascensão ao cargo de Primeira-Ministra da Dinamarca de uma jovem mulher, Birgitte Nyborg, que consegue montar uma coligação num parlamento dividido, oferecendo o apoio do seu partido na condição de ser designada Primeira-Ministra.

 

Neste âmbito, a série dá-nos um retrato extremamente realista dos meandros de um governo de coligação e das rivalidades entre os ministros, abordando mesmo os problemas pessoais e familiares que ocorrem a uma mulher que ascende a um cargo tão importante. E nem sequer falta a relação com a imprensa, mostrando como hoje a política passa muito mais pela influência sobre os media do que pelos debates parlamentares. Quase nunca vemos uma sessão parlamentar, mas passamos todo o tempo a ver o spin doctor Kasper Juul a manobrar os jornalistas como peças de xadrez.

 

O que achei curioso na série é a semelhança com a política portuguesa, mesmo sendo os países tão diferentes. Mas a série demonstra igualmente a humanidade e a fragilidade dos políticos que não há spin doctor que consiga esconder. Um dos episódios é sobre a nomeação do comissário dinamarquês, obrigando a Primeira-Ministra a conciliar a esse propósito simultaneamente conflitos no governo e no partido com as pressões do presidente  da comissão, que condiciona a atribuição de uma pasta importante à nomeação de alguém com peso político efectivo.  Mas quando a Primeira-Ministra consegue um nome que a todos satisfaz, o nomeado sofre um AVC quando lhe dizem que iria ser sujeito a um interrogatório de seis horas no parlamento europeu. Não há desígnio político que consiga superar a fragilidade humana dos protagonistas.

 

Esta série é um verdadeiro serviço público que a RTP2 nos proporciona.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O que valeu a pena ver em 2014 - 2/3

por José Navarro de Andrade, em 30.12.14

white.png

O Washington, o Jefferson e o Franklin da revolução televisiva

 

É possível que o actual apogeu da ficção televisiva constitua o preâmbulo da inexorável falência da indústria audiovisual tal como ela hoje opera, ou seja, segundo o modelo de negócio vigente. Para onde se vai ninguém sabe, onde se está só alguns entendem, aqueles que tomam decisões, quase todas em função de dilemas instantes. Olhando na direcção certa não é difícil verificar que constelação de influências deu azo a que hoje, na(lguma) televisão, se possam ver as mais inquietantes, refinadas e sagazes narrativas, com génio e têmpera de meter o cinema no sapato. Averiguando as audiências televisivas dos EUA (porque as respostas hão-de ser avistadas no terreiro dos mercados, lugar onde estas coisas se tramam, e não nas nuvens institucionais, no seu melhor limitadas a diagnosticar resultados), constata-se que os canais de cabo pago (HBO, Showtime, etc.) lograram uma massa crítica de assinantes que lhes propiciou orçamentos de produção ao nível das estações generalistas. Estribados nesta fartura, irreproduzível noutros territórios, nomeadamente europeus, demandaram à conquista dos segmentos de audiência mais sofisticados, por hábito resilientes à televisão e à sua corrente oferta ficcional. Significa isto que uma sequência de séries impossíveis em canal aberto, como “Sopranos”, “Dexter” Californication”, “The wire” “Generation Kill”, “Six feet under”, “Big love”, “True blood”, “Deadwood”, “Weeds”, “Boardwalk empire” e “Breaking bad”, teve o poder e a virtude de recolher ao redil da televisão espectadores desavindos, que nelas surpreenderam um desafogo de inteligência, irreverência e originalidade, assim alargando a base de clientes de tão selectos canais. Estamos elucidados quanto à “criação de novos públicos”, um mantra muito recitado e pouco acertado – it’s economics, stupid...

Ainda não houve neste século, nem na literatura nem no cinema, personagem com a dimensão comparável à de Walter White (o definitivo Bryan Cranston) de “Breaking Bad” (“Ruptura total”) quer lhe peguemos pela tragédia quer pela farsa. Com a temeridade própria dos desesperados, Walter White arrasta o seu cancro terminal ao longo de 62 horas, perverte toda a ordem estabelecida, seja a familiar, seja a legal, seja a criminal (porque no crime há uma ordem muito estrita) no passo em que eleva o sarcasmo, o farisaísmo e um sentido utilitário dos escrúpulos a patamares inéditos, sobretudo porque nunca resvala para fora das baias do quotidiano e não incorre na fastidiosa panóplia de tons épico, melodramático ou lírico, que habitualmente se usa para enlear o sentimento do espectador.

Tendo Walter White recebido ceptro & coroa de Tony Soprano, quem lhe terá sucedido no trono após a sua esplêndida morte? Ouso denominar Will McAvoy, o anchorman, ou pivô, em português de gema, de “The newsroom” – há condições para afirmar que Jeff Daniels era um actor persistentemente desinteressante até dar a pele por esta personagem.

“The newsroom” é apresentado como “uma criação” de Aaron Sorkin. Estamos assim em face de um ordenamento industrial em que argumentistas (uma bateria deles), realizadores (todos com crédito seguro, nenhum com cartel de auteur), produtores executivos e demais artistas ou colaboradores, subsumem a sua participação criativa à batuta abrangente de Sorkin. Sendo a ficção de cinema americana essencialmente politizada – fenómeno que tanto irrita as facções mais reacionárias dos Republicanos quanto é desapercebida pelos olhares europeus – Sorkin é aquele que melhor converteu a política pura e dura em ficção, com paralelo histórico talvez em I.A.L. Diamond e poucos mais. Do seu palmarés como argumentista avultam “A few good man” (“Uma questão de honra”) obsequiando Jack Nicholson com o melhor momento da sua carreira ao recitar um dos discursos mais ambíguos, desassombrados e desconfortáveis da história do cinema (perfeito anti-Capra); “Charlie Wilson’s war” (“Jogos de poder”), “Moneyball” (“Jogada de risco”), que devia ser de visão obrigatória para qualquer decision maker (pardon my french…) e a série de TV que lhe trouxe popularidade “West wing”. O que singularizar e sublima “The newsroom” será o abandono de qualquer pretensão naturalista, ideia prodigiosa sendo o jornalismo a matéria da série. Sorkin dispensa ostensivamente a credibilidade para ambicionar alguma verdade, pois essa coisa da “credibilidade”, tão diligenciada nas indústrias emparelhadas da informação e da ficção, é erário de burlões, sem o qual seriam incapazes de cultivar a sua arte. Cada episódio constitui-se, assim, num pequeno debate sobre ética, desde os processos de trabalho às relações afectivas. E este plano invejável e impossível de comportamentos revela-se por diálogos e frases de supina perspicácia e gramática; ninguém fala assim, com réplicas súbitas e argutas, com tamanha agilidade verbal e tanta intuição imediata das questões; ninguém discute desta maneira, tão mental e emotiva, sem, no entanto, descair na mesquinhez, na sua típica forma de insulto pessoal; ninguém em “The newsroom” pergunta que horas são ou se o café está quente, todas as palavras são usadas para exprimir estados de alma estratosféricos. “The newsroom” não imita a realidade, mostra-nos o que na realidade deveria passar no íntimo das cabeças jornalísticas em plena posse das suas faculdades. Que o faça de maneira amável com o espectador, sem lhe dar lições de moral nem fazer com ele chantagens emocionais, e de forma delicada com as personagens, permitindo-lhes a dúvida e a incerteza, que é a maneira de não as ajuizar, faz de “The newsroom” um prodígio de escrita e de narrativa, só ao alcance de talentos e recursos incomparáveis.

Autoria e outros dados (tags, etc)

2014-10-09-FotoPrimeira[1].jpg

 

Sou espectador assíduo da quarta temporada de Segurança Nacional, uma das melhores séries televisivas de todos os tempos. Não só pela trama, não só pela meticulosa criação de atmosferas claustrofóbicas com tendência para se adensarem de temporada em temporada e de episódio em episódio, não só pelo desempenho dos principais intérpretes (começando pela extraordinária Claire Danes, invertendo com êxito o estereótipo de protagonista de comédias românticas a que esteve associada), mas sobretudo pelo impiedoso olhar que lança sobre este nosso tempo em que se vão diluindo elementares direitos, liberdade e garantias em nome do sacrossanto e cada vez mais difuso “interesse nacional”.

 

Bem-vindos ao admirável século XXI, onde o direito à privacidade se tornou miragem e o direito à intimidade não passa de um mito. Homeland (nome original desta série norte-americana iniciada em 2011 e por sua vez inspirada numa produção televisiva israelita, intitulada Hatufim) desvenda-nos um mundo onde toda a gente espia e é espiada em simultâneo, um mundo onde nada é tão relativo como as juras de fidelidade a uma pátria ou a uma bandeira, um mundo onde os direitos fundamentais foram exilados para uma espécie de terra de ninguém, um mundo onde uma conquista civilizacional tão relevante como a clássica separação de poderes teorizada por Montesquieu parece ter sido atirada para o caixote do lixo da História.

Um mundo bipolar, onde as sombras progridem e as luzes recuam. Tão bipolar como a protagonista, Carrie Mathison – alto quadro da CIA, especialista no combate ao terrorismo islâmico, sentinela em permanente vigilância contra as teias inimigas, militante da crença na maldade intrínseca do ser humano, persuadida de que todos os meios são lícitos para atingir os fins.

 

É uma série com uma perturbante capacidade de pôr em causa muitas das nossas convicções mais firmes – desde logo a convicção de que o progresso tecnológico é um aliado natural do destino humano. No mundo que Segurança Nacional nos desvenda, pelo contrário, a tecnologia desenvolve-se na razão inversa dos valores morais e dos parâmetros éticos estabelecidos ao longo de séculos de consenso civilizacional.

É um mundo sob o contínuo escrutínio de sinais de alarme, que comprime a liberdade em nome da segurança como se fossem esferas dicotómicas ou compartimentos estanques - e que assim se vai tornando cada vez menos livre mas afinal também cada vez mais inseguro.

E não adianta colocarmo-nos de fora, resguardados na mera condição de espectadores. De algum modo tudo isto também nos diz respeito. De algum modo cada um de nós também se encontra lá.

Autoria e outros dados (tags, etc)

How to get away with murder

por Patrícia Reis, em 19.10.14

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Elas na TV

por Patrícia Reis, em 19.10.14

Há cerca de dez anos, era comum lerem-se entrevistas a actrizes norte-americanas sobre a falta de papéis interessantes. Hoje, as actrizes têm papéis interessantes e estão a mudar a face de uma certa forma de se fazer televisão. Há dez anos, fazer televisão não era considerado prestigiante. Hoje, é um caminho.

Shonda Rimes (produtora) é uma das protagonistas da mudança. Começou com a Anatomia de Grey (o nome deriva do apelido da personagem que faz voz off e conta a história, Meredith Grey, interpretada por Ellen Pompeo), depois Scandall (com Olivia Pope - a actriz Keira Washington - a dar cartas no mundo da política e da espionagem) e agora surge com How to get away with murder ( Viola Davis a fazer de Annalise Keating, advogada e professora). Além destas séries, podemos ainda ver (abençoado cabo e internet) Madam Secretary (Tea Leoni na Casa Branca, Bess McCord) e Segurança Nacional (Claire Danes a fazer de Carrie Mathison e a lutar na CIA para que o mundo seja mais... qualquer coisa).

O mais pertinente não será entrar na discussão sobre o género, será reconhecer que é possível entregar a actrizes, produtoras, guionistas, todas com com enorme qualidade, séries de televisão que conseguem ter boa audiência e que reflectem o mundo na perspectiva das mulheres. Os maridos (personagens!) podem, ou não, sentir-se ameaçados com o poder que as mulheres têm; os filhos podem compreender ou nem por isso; os receios e as expectativas não são menores por serem personagens mulheres. As personagens prinicipais, mulheres, têm poder, são más, são boas, são interessantes. E a televisão, de acordo com os homens cá da casa, torna-se mais apelativa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (3)

por José Maria Gui Pimentel, em 04.07.14

Comedy Central Stand Up

 

 

Aqui e aqui. Este é um videocast, isto é, um podcast em vídeo. Como o nome indica, são clips (curtos) de espectáculos stand-up de comediantes associados à Comedy Central. O joio não está muito bem separado do trigo, para além de que é um tipo de comédia muito específico, mas foi através deste podcast que descobri, por exemplo, John Oliver, que recentemente teve este momento brilhante a propósito do Mundial 2014.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (2)

por José Maria Gui Pimentel, em 03.07.14

History Extra

 

 

Associado à BBC History Magazine, o History Extra dedica-se sobretudo a entrevistar historiadores de relevo, normalmente por ocasião do lançamento de obras que abordem um período ou uma personagem histórica relevante. Tem algum enviesamento anglo-saxónico nos temas escolhidos, mas não exagerado, comparativamente ao grosso da oferta em termos de programas de História. Por outro lado, o espectro de temas é tão largo que inevitavelmente não interessarão todos o mesmo ao ouvinte. Finalmente, o History Extra tem a enorme vantagem de abordar não apenas o estado-da-arte mas também os progressos mais recentes da historiografia, o que o torna estimulante independentemente do conhecimento que o ouvinte tem de antemão sobre o tema em análise. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (1)

por José Maria Gui Pimentel, em 02.07.14

TSF – Governo Sombra (1)

 

 

Começo pelo programa que ouço mais religiosamente. O Governo Sombra – que começou na rádio em 2008 e entretanto se estendeu à televisão – tem vários méritos. É um programa despretensioso e bem-humorado, que, sendo embora mais leviano do que projectos alternativos, tem a enorme qualidade de dar a conhecer pontos-de-vista que normalmente ficavam de fora dos programas de comentário político tradicional (já tinham tido alguns espaços, lembrarão os leitores mais velhos do que eu, mas estavam na sombra – justamente – nos últimos anos). Para além disso, e de novo ao contrário da maioria dos programas do género, o Governo Sombra consegue manter-se fresco. Os comentadores são – foram escolhidos por isso – completamente independentes daquilo que comentam e isso contribui para que não fiquem rapidamente acantonados em posições repetidas semanalmente, para tédio dos ouvintes, como sucede com programas como O Contraditório da Antena 1.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Série: Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

por José Maria Gui Pimentel, em 02.07.14

 

Já há 7 ou 8 anos que sou um ávido consumidor de programas de rádio, na conveniente forma de podcasts. Este hábito tem essencialmente duas razões. Por um lado, os podcasts permitem-me escolher o que oiço, à semelhança do que faço também com a televisão. Por outro lado, uma das coisas que mais gozo me dão é conseguir momentos “dois-em-um” – ou, como prefiro pomposamente chamar-lhes, os meus Óptimos de Pareto (sim, no sentido lato) –, em que junto a uma tarefa necessária (deslocações rotineiras, tarefas domésticas, etc) outra útil ou agradável.

 

À custa das largas centenas de horas de auricular nos ouvidos que já acumulei, fui durante estes últimos anos descobrindo que se faz boa rádio, tanto cá como lá fora (com algumas excepções: Espanha, por exemplo, se faz, disfarça muito bem).

 

Durante as próximas três semanas, diariamente, partilharei um podcast que costumo ouvir – mais ou menos regularmente –, juntamente com um curto comentário.

 

Espero que gostem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

E agora?

por Pedro Correia, em 22.08.13

 

Abri duas excepções nos últimos anos, com Segurança Nacional e The Bridge. Mas, em regra, sigo sempre as séries televisivas muito depois da estreia - quando posso, quando me interessa, quando me apetece, quando calha.

E sigo-as em bloco, mergulho nelas, como um espectador compulsivo.

Nos últimos 20 dias estive em Copenhaga. Envolvido numa das mais fascinante séries que vi até hoje: Forbrydelsen (palavra que significa crime, em dinamarquês). Conheci a detective Sarah Lund, da polícia dinamarquesa, e acompanhei-a na investigação de um homicídio que quase todos em redor dela consideravam irresolúvel. Sem qualquer vestígio daquele glamour muito maquilhado que costuma contaminar as produções norte-americanas de um insuportável artificialismo.

 

 

Mais de cem países já puderam ver esta série produzida em 2007 pela DR1, canal público dinamarquês, que em Portugal se chamou (à boleia da tosca tradução espanhola) The Killing - Crónica de um Assassinato e abriu caminho a várias outras - italianas e francesas, por exemplo - que através de toda a Europa passaram a ser vistas com legendas, algo que para nós é uma banalidade de longas décadas mas que para outros povos constitui ainda uma novidade.

No diário britânico The Guardian, Sam Wollaston chamou-lhe, e com razão, uma das melhores séries de todos os tempos, dando-lhe nota máxima. E Ben Dowell - que, como eu, também a viu em diferido - compara-a justamente a outra série hipnótica: a mítica Twin Peaks, de David Lynch, elogiando os fabulosos desempenhos de Sofie Gråbøl, no papel de Sarah, e Ann Eleonora Jørgensen, que interpreta Pernille Birk Larsen, a mãe de Nanna, uma jovem universitária violada e barbaramente assassinada.

Os americanos, que são alérgicos a legendas e idiomas que não dominam, preferiram produzir a sua própria série, inspirada nesta. Ainda não a vi e nem sei se me apetecerá. Porque a original - um extraordinário thriller que cruza polícias e políticos, quase sempre depois do pôr-do-sol - me parece imbatível. Em intensidade, autenticidade, criação de atmosfera, desenho de personagens, domínio do tempo e qualidade artística.

E agora?

Após três semanas a conviver com ela (vendo-a e por vezes revendo-a), no pacote de repetições de Verão do AXN Black, interrogo-me se haverá outra ao mesmo nível que mereça a minha atenção exclusiva. Noite após noite, sem dar pela passagem do tempo. Transplantado de Agosto em Lisboa para Novembro em Copenhaga, com um vento nórdico a empurrar para longe o calor deste Verão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Logo à noite estarei em El Paso

por Pedro Correia, em 20.07.13

 

Há uma ponte a dividir dois mundos. De um lado, território dos Estados Unidos - estamos em El Paso, cidade aparentemente pacífica, com apenas meia dúzia de homicídios por ano. Do outro, o inferno na terra: Ciudad Juárez, já no México - a povoação mais perigosa do planeta, onde as malhas do crime ditam a lei. Em 2009, cerca de 2600 foram aqui assassinadas.

Há uma ponte. E, nessa ponte, um cadáver. Precisamente a meio da ponte. Há pontes que unem, mas esta separa. E até o cadáver, ao contrário do que se julgava, vem separado.

O assassínio da juíza cometeu-se de que lado da fronteira? Esta é uma das incógnitas que ficam a pairar desde os instantes iniciais, numa atmosfera nocturna (The Bridge, com reminiscências óbvias do film noir, é uma série inseparável da noite, ameaçadora e viscosa). Outra incógnita relaciona-se com a vida dupla do passageiro da ambulância que fura o bloqueio policial: que mistérios se ocultavam sob a sua verdadeira identidade?

É um policial, claro. Mas parece muito mais que isso: basta olharmos pela primeira vez o rosto magoado da detective Sonya Cross (Diane Kruger), que já viu demasiados corpos vitimados pela violência gratuita ao longo do seu percurso profissional. Entender-se-á ela com Marco Ruiz (Demian Bichir), o seu inesperado parceiro mexicano na investigação do crime, um homem de quem aparentemente tudo a separa?

The Bridge conquistou-me à primeira vista: raras séries o conseguem. Tornei-me espectador fiel. Mais logo, na Fox, são transmitidos, em dose dupla, o primeiro (em repetição) e o segundo episódios.

Não quero saber da crise política nem dos comentadores encartados que falham todos os prognósticos, serão após serão: logo à noite estarei em El Paso.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Poder é uma questão de localização?

por Patrícia Reis, em 15.04.13

Esta série é sobre isso e um pouco mais. Vale a pena.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

A não perder

por Pedro Correia, em 08.10.12

 

Acontecimento televisivo: estreia hoje em Portugal a segunda temporada de Segurança Nacional (Homeland), uma das melhores séries dramáticas dos últimos anos. Galardoada com dois Globos de Ouro e seis Emmy, esta produção da Fox 21 oferece-nos um excelente retrato dos bastidores políticos e dos serviços de informação norte-americanos nesta década posterior ao 11 de Setembro - com os seus fantasmas, as suas crispações e os seus temores. Ingredientes? Argumento de cinco estrelas, suspense digno dos melhores thrillers cinematográficos e um elenco que só pode suscitar aplauso, com destaque para os desempenhos de Claire Danes, Damian Lewie e Mandy Patinkin - o trio de protagonistas.

Façam como eu: marquem encontro com Homeland. É logo à noite, a partir das 23h16. Na Fox.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Zombies!

por João Campos, em 02.05.12

Este post do Sérgio Lavos no Arrastão deixou-me muito triste. Não por aquilo que ele lá diz - se fôssemos levar a sério a todos os disparates que se dizem na blogosfera não fazíamos mais nada da vida - mas por aquilo que me traz à memória. Ora o Sérgio fala dos zombies que, segundo ele, ontem dispensaram a "luta" e correram a uma cadeia de supermercados para aproveitar uma super promoção e, enfim, animar um pouco mais um 1 de Maio particularmente cinzento. Mas o discurso dos zombies do Sérgio, a mim, fez-me pensar não em mercearias mas numa das três melhores séries televisivas dos últimos tempos*, cuja segunda temporada acabou há poucas semanas: The Walking Dead. Que é, basicamente, uma série sobre zombies. Ou melhor: sobre meia-dúzia de personagens que tenta sobreviver num mundo infestado de zombies, com relativo sucesso ainda que a dimensão do grupo seja sempre inconstante. Se ainda não viram, fica a sugestão.

 

 

Acontece que a série é a adaptação televisiva de uma banda desenhada muito boa, também intitulada The Walking Dead, que para não fugir à regra consegue ser ainda melhor que a versão do pequeno ecrã (apesar de esta ter alguns momentos mais bem executados). Esta banda desenhada, escrita por Robert Kirkman, e ilustrada por Tony Moore e Charlie Adlard, já conta com 15 volumes em trade paperback, contendo cada volume seis issues. Comecei no Natal a coleccionar The Walking Dead, e vou já no terceiro volume, recentemente adquirido online (a metade do preço a que se vende por cá). É uma delícia. Claro que também a recomendo - e para quem não gostar de ler em inglês, até há uma tradução portuguesa.

 

Ora o post do Sérgio Lavos deixou-me triste precisamente por causa de The Walking Dead - tanto a série televisiva como a banda desenhada. A terceira e muito promissora temporada só regressa lá para o Outono, por alturas do Halloween; e, de momento, não me dá muito jeito comprar o quarto volume dos trade paperbacks para continuar a seguir esta excelente história com zombies, e a curiosidade é muita, até porque o terceiro álbum acabou com um cliffhanging brutal. Dito de outra forma: tenho muito que esperar. Logo agora que eu estava a tentar não pensar em zombies para ser um consumidor consciente e não cair na tentação de dar um salto à BD Mania, vem o Sérgio e zás! traz os zombies para a ribalta. Não se faz, Sérgio. Não se faz.

 

 

*As outras duas grandes séries do momento, já agora, são Homeland - também a aguardar nova temporada - e Game of Thrones.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D