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O grande vencedor?

por João Pedro Pimenta, em 02.10.17

 

Ao ver as capas dos jornais, dir-se-ia que o grande vencedor destas autárquicas é Fernando Medina. Que é o PS no seu conjunto não restam quaisquer dúvidas e só alguém muma dimensão paralela o poderá negar. Que Medina ganhou também não. Mas ser o grande destaque? Medina perdeu a maioria absoluta e 9% em relação a há 4 anos, mas parece que todos se esqueceram disso (e Assunção, sem o PSD, apenas juntando o PPM ao CDS e MPT, teve quase tanto como Fernando Seara em 2013). Além do mais, teve todas as facilidades e mais algumas, entre apoios, divisão dos adversários, boas notícias para o Governo, etc. Entretanto, Rui Moreira não só voltou a ganhar... como subiu até aos 44% e conquistou a maioria absoluta. Teve um caminho muito mais espinhoso, não tinha os meios nem os apoios que Medina teve, em termos de partidos apoiantes só contava com o CDS e o MPT a seu lado, e para mais, até as sondagens lhe foram adversas - as mais favoráveis ficaram aquém do resultado real. No entanto, parece que a única matéria de destaque é o seu discurso. E o PS, que teve um extraordinário resultado no Grande Porto (tirando a perda de Vila do Conde), fica arredado da governação da cidade por culpa do pecado da gula da sua direcção nacional. Ao mesmo tempo, o PSD, que até há 4 anos governou esta cidade com maioria absoluta, teve um resultado irrisório. E diga-se o que se disser das crí­ticas de Moreira, a culpa não cabe só a Álvaro Almeida, que realmente, e para o bem ou para o mal, não tem um perfil muito político. Por outro lado, os partidos mais à esquerda tiveram também fracas percentagens: a CDU por pouco ficava pela primeira vez fora do executivo. Talvez seja a altura de se ir renovando, pese o bom currículo de Ilda Figueiredo. O BE subiu um bocadinho, mas como sempre ficou fora. Pela 4ª vez, Teixeira Lopes ficou à  porta da vereação. Também aqui deviam pensar em fazer algumas mudanças, até porque dá ideia que o Bloco no Porto só tem actores ou sociólogos.

 

Ainda sobre as sondagens e seus erros: trabalhei muitas vezes para as sondagens do CESOP da UCP, de urna às costas ou de computador à  ilharga, por terras remotas e por subúrbios que desconhecia. Conheço os métodos rigorosos que utiliza, e por isso é que as suas previsões são as mais certeiras (foram os únicos a prever o triunfo de Moreira há 4 anos, e também os primeiros a prever a revalidação da maioria cavaquista em 1991). Desta vez, ao dar empate com o PS, falharam redondamente. Prova-se que as crí­ticas de Moreira tinham razão de ser. Espero que tenha sido um percalço sem continuidade e que voltem ao rigor e exigência que sempre tiveram.

 

Foto de João Pedro Pimenta.

 

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Já se passou mais de um mês desde que Rui Moreira declinou o apoio do PS à sua candidatura. A minha percepção da coisa não mudou muito desde então, mas preferi esperar que o pó dos acontecimentos políticos assentasse. E não faltaram outra novidades autárquicas, até o regresso de Valentim Loureiro às batalhas eleitorais. Ou do caso Selminho, que voltou como arremesso de lama eleitoral e que promete continuar a dar que falar.

 

Antes de mais, uma nota: votei em Rui Moreira em 2013 e tenciono voltar a fazê-lo. Aliás, andei a fazer campanha nas ruas, por vezes sob a intempérie, onde a alguns dias da eleição já se notava uma notória tendência de voto no candidato que venceu (não há como a campanha porta a porta para se perceber isso, mais do que os comícios que hoje em dia são sobretudo encontros gastronómicos com presença maciça de militantes arregimentados). Por isso, perdoem a parcialidade, mas também resulta do que observei nestes 4 anos e no que retiro do momento político actual.

 

O rompimento entre o movimento de Rui Moreira e o PS deu-se após alguns sinais de nervosismo por parte do primeiro, com a discussão de lugares e depois de Ana Catarina Mendes considerar que a eventual vitória de Moreira seria contabilizada como sendo do PS. Pelo meio, já tinha havido o desacordo de inúmeros elementos do PS, do Porto e não só (Francisco Assis, por exemplo), a contestação à liderança distrital de Manuel Pizarro e as acusações sibilinas de Manuel dos Santos, lá da sua prateleira dourada no Parlamento Europeu, para além de algumas divergências de Manuel Correia Fernandes, que detinha o importante pelouro do urbanismo. Mas o acordo firmado em 2013 corria bem, e Pizarro tinha a confiança de Moreira. Não era por ele que as coisas dariam para o torto. Como muitas vezes acontece, os movimentos subterrâneos e as intrigas partidárias acabaram por resultar, com a preciosa ajuda da cúpula política. Não sei se era intencional, mas a verdade é que Ana Catarina Mendes conseguiu implodir o acordo e deixou Pizarro numa situação complicadíssima. Alguns socialistas agradeceram. Outros sentiram-se traídos.

 

Resultado de imagem para rui moreira pizarro porto

 

Quem ganhou e quem perdeu? À primeira vista, Moreira ficou sem algumas cruzes no boletim e a quase certeza da maioria absoluta. Mas provavelmente ganhou mais do que perdeu. Ficará com menos votos do que os que teria se o PS o apoiasse, mas conseguiu manter a independência formal do seu movimento e afastar a ideia do "domínio da câmara" por parte do PS (cujos vereadores, de resto, renunciaram aos respectivos pelouros). Mantém o apoio do CDS, que conseguiu sempre manter-se no grupo vencedor de forma sabiamente discreta, e agora do MPT e do Nós, Cidadãos, além do grupo que já o apoiava e que tem várias origens políticas. O grande problema, que afectou o executivo nestes quatro anos, é que o núcleo duro se enfraqueceu com os desaparecimentos de Paulo Cunha e Silva e Manuel Sampaio Pimentel (e outros, infelizmente), ou a partida de Azeredo Lopes. Será esse o principal desafio de Moreira, que até agora só prometeu conservar o pelouro da cultura nas suas mãos. De resto, o plano para a cidade tem-se cumprido, com ênfase nos pilares a que deu maior importância (a cultura, a economia e a coesão social), e a saúde financeira não se afasta muito do rigor dos tempos de Rui Rio. E nalguns casos, como a resolução do problema da Feira do Livro, provou-se que pode haver apostas públicas na cultura sem necessidade de enormes gastos. Mas há mais problemas a resolver, como o do trânsito.

 

Quanto ao PS, fica numa situação muito complicada: não pode criticar o executivo de que fazia parte, não pode apresentar um programa demasiado parecido com o da lista de Moreira, com o risco de se secundarizar, nem afastar-se totalmente, sob pena de ser acusado de oportunismo. Pizarro e os seus camaradas têm aqui um quebra-cabeças difícil de resolver. Até porque se Moreira voltar a ganhar sem maioria, poderá muito bem voltar a precisar da confiança do cabeça de lista do PS (não necessariamente dos outros).

 

O PSD perde também o argumento de que a câmara era "controlada pelo PS (ou, numa deriva incompreensível, pela "extrema-esquerda")". Tem como candidato alguém que parece ser a antítese de Luís Filipe Menezes: o independente, discreto e pouco conhecido Álvaro de Almeida. Mas talvez por falta de experiência e de tacto político, ou por total ausência de ideias, Almeida tem levado a cabo uma campanha absurda, em que acusa Moreira de "não ter cumprido nenhuma promessa" (lembrou-se provavelmente das escadas rolantes para o Palácio de Cristal) e de ser um "traidor", "déspota", "populista", etc. Só falta mesmo chamar-lhe terrorista ou jiadista, mas já não deve faltar muito.

 

À esquerda, o regresso do PS a uma candidatura própria pode ser impeditivo de uma maior capitalização de votos nesse espectro. Nesse sentido, a aposta em nomes conhecidos pode não ser a melhor jogada. A CDU volta a lançar Ilda Figueiredo como candidata à câmara, vinte anos depois da sua última candidatura, e para a assembleia municipal o seu sucessor na vereação, Rui Sá, gabado pelo seu trabalho enquanto vereador com pelouro no primeiro mandato de Rui Rio, numa daquelas improváveis coligações "vodca-laranja". O Bloco de Esquerda jogava forte, com a candidatura de João Semedo, ex-"coordenador" do movimento, com larga experiência política e há muito a viver na cidade (e um dos raros bloquistas do Porto que não é nem actor nem sociólogo). Mas hoje mesmo, por razões de saúde, Semedo desistiu da candidatura à câmara e trocou de lugar com João Teixeira Lopes, passando assim a candidato a deputado municipal. A infeliz circunstância pode diminuir as hipóteses do Bloco conseguir pela primeira vez um lugar na vereação do município, até porque Teixeira Lopes por mais do que uma vez experimentou a mesma candidatura e teve sempre resultados bisonhos.

 

As eleições para a câmara do Porto prometiam ser uma maçadoria, mas afinal aqueceram com estes pequenos terramotos políticos. Será mais uma querela autárquica a seguir, a merecer atenção em algumas matérias importantes para a cidade, embora preveja que a ordem dos resultados vá ser a mesma de 2013. Aliás, não faltam motivos de entretenimento no distrito do Porto: temos os regressos de Valentim Loureiro, de Narciso Miranda (que anuncia a candidatura, mesmo a calhar, no dia do Senhor de Matosinhos), de Avelino Ferreira Torres, e até o filho de Vieira de Carvalho concorre à Maia. Vá lá que Fátima Felgueiras e Luís Filipe Menezes resistiram à tentação de ver as suas fotos novamente nos cartazes.

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Uma campanha alegre no Porto.

por Luís Menezes Leitão, em 06.05.17

O PS no Porto tem tido tanto sucesso que decidiu apresentar duas equipas como candidatas à Câmara. Rui Moreira é a equipa A, enquanto Manuel Pizarro é a equipa B. Ao contrário do que sucede no futebol, nas autárquicas as equipas A e B podem jogar na mesma Liga. E já se sabe que no fim repartirão os pelouros na vereação como sempre fizeram. Vai ser uma verdadeira campanha alegre.

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Zangas de comadres.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.17

Não me espantou nada o apoio do PS a Rui Moreira na Câmara do Porto, uma vez que sempre me pareceu evidente que Rui Moreira estava a fazer no Porto uma gestão integralmente socialista. O que sempre estranhei foi que o CDS continuasse a apoiá-lo. Encarei por isso com muita naturalidade o facto de Ana Catarina Mendes dizer que a vitória de Rui Moreira no Porto será a vitória do PS. Isso é evidente para qualquer observador minimamente atento. Azeredo Lopes e Matos Fernandes, respectivamente chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto e presidente das Águas do Porto na gestão de Rui Moreira, não são hoje ministros de António Costa?

 

Mas Rui Moreira, pelos vistos tem um ego do tamanho do mundo, pelo que acha que a vitória será exclusivamente sua e decidiu agora rejeitar o apoio do PS, embora estranhamente não tenha reclamado a restituição dos seus ministros a António Costa. Pelo caminho poderia igualmente rejeitar o apoio do CDS que nunca lhe fez falta alguma na gestão da Câmara.

 

Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes. Se não têm nenhum militante para apresentar como candidato, mais vale irem pastar para outras paragens. E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS é alguém que eu não quereria a gerir a minha cidade. Felizmente que não moro no Porto. Alguém nesta história andará seguramente enganado. Em qualquer caso os eleitores bem podiam ser poupados a estas zangas de comadres.

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Figura nacional de 2013

por Pedro Correia, em 08.01.14

RUI MOREIRA

Pela primeira vez uma lista independente (embora com o apoio de um partido, o CDS) venceu uma eleição para uma grande cidade portuguesa, conquistando seis dos 13 mandatos em disputa. Aconteceu no Porto, nas eleições autárquicas de 29 de Setembro, quando Rui Moreira, obtendo 39% dos votos, derrotou o socialista Manuel Pizarro e o social-democrata Luís Filipe Menezes, num dos mais disputados confrontos eleitorais de que ali há memória.

Empresário e dirigente associativo, de 57 anos, Rui Moreira distinguiu-se sobretudo como presidente da Associação Comercial do Porto, sucedendo no município da Invicta ao social-democrata Rui Rio, que cumpriu três mandatos consecutivos. Rio foi, aliás, um dos protagonistas da campanha ao anunciar publicamente que não votaria em Menezes, o candidato oficial do PSD. Uma declaração que facillitou a vitória de Rui Moreira, conhecido adepto do FC Porto e ex-comentador de futebol na RTP.

Fala-se já dele para novos voos políticos, mas por enquanto o novo autarca portuense - que tomou posse a 22 de Outubro e obteve entretanto o apoio do PS para obter maioria nos processos de decisão - promete concentrar todas as energias no trabalho camarário do Porto, a que chamou "cidade livre". Um dos seus primeiros actos como autarca foi normalizar as relações entre o município e o FCP, interrompidas no início do mandato de Rio.

 

Rui Moreira foi considerado a figura nacional de 2013 em votação interna do DELITO DE OPINIÃO, sucedendo a José Mourinho (figura nacional de 2010) e Vítor Gaspar (figura nacional de 2011).

Logo a seguir nesta votação ficou o povo português, no seu conjunto, pelos sacrifícios que enfrenta e a forma como os tem suportado. Em terceiro lugar, o presidente do Tribunal Constitucional, Joaquim Sousa Ribeiro. Seguiu-se Vítor Gaspar, que se demitiu de ministro das Finanças no início de Julho.

Houve ainda votos isolados em Rodrigo Leão, Cristiano Ronaldo, Paulo Valente Gomes e Bruno de Carvalho.

Foto Paulo Pimenta/Público

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Rui Moreira

por jpt, em 26.10.13

(imagem retirada daqui)

 

Há alguns anos fez-se uma sessão do "Trio de Ataque" aqui em Maputo. Não gosto deste tipo de comentário futebolístico, mais que não seja porque cristaliza a ideia anti-concorrencial de que há três clubes (com destinos escrutinados) e o resto é paisagem. Mas a vinda das figuras público-desportivas animou as hostes da bola. Na véspera do programa fez-se um concorrido jantar no restaurante KaMpfumo, à estação dos CFM, na qual depois se veio a realizar o programa. Acorri ao repasto da bola (e até vim a blogar sobre isso). Na época o representante do pérfido Benfica era António Pedro Vasconcelos, que em dia anterior ali mesmo pontificou numa agradabilíssima tertúlia sobre cinema, organizada pela gerência. Uma simpatia, um agrado de pessoa, e com aquela cultura verdadeira que não precisa de se desfraldar. Pelo Sporting, o tal clube da elite (diz-se) vinha Rui Oliveira e Costa que, enfim ..., se mostrou tudo menos digno desse estereótipo, para não dizer mais. E pelo malvado Porto chegou Rui Moreira. Um senhor, e basta isso. Que inveja, resmungou este sportinguista, acabrunhado com a "representação" que ali lhe cabia.

 

Foi o único, e breve, contacto que tive com o agora presidente da câmara do Porto (essa cidade que dista menos de Lisboa do que Quissico de Maputo mas que há muitos que continuam a dizê-las basto apartadas, muitos mas de pouco mundo como assim se torna óbvio). Tanto pela boa imagem que então criei de Rui Moreira como pela desejada lufada de ar fresco no claudicante sistema partidário português, torci de longe pela sua vitória. E, também, para que Menezes (ainda que sportinguista) não ganhasse, o que seria um total paradoxo face ao estado do país, um contra-ciclo para o que é necessário - sendo que o simples facto do "edil" (como aqui se diz) de Gaia ter agora sido candidato do PSD ao Porto demonstra que em relação a este partido não há nada a fazer nem esperar. Se fosse coisa, o tal partido, era para o lixo. Como é gente, é aguentá-lo e acantoná-lo, se possível. Pois cheinho de más reses, como o episódio gritou.

 

Ok, Moreira ganhou e gostei. Vai daí e continua a "bolar" sobre a bola. Agora vem com isto, invectivar o presidente do Sporting. Está já a espalhar-se ou ainda não saíu da câmara de descompressão? Não é este o papel, nem o registo, de um presidente da câmara. Ainda para mais de uma cidade como o Porto. E ainda mais de quem acaba de chegar como ele chegou, um pouco por cima do rame-rame que vem minando o país. Bruno de Carvalho já lhe respondeu, de modo rude. Apropriado, pois quem anda à chuva molha-se. Entenda-se, populista é um presidente da câmara a surfar as paixões da bola. Está Moreira a espalhar-se? Está. A ver vamos se ele não é apenas isto. Mas, se calhar, é mesmo só isto. Com alguma "patine" de bom berço. Espero que não.

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D. Rui, o desejado

por Teresa Ribeiro, em 01.10.13

Se fosse só o Porto que ele tem nas mãos, não seria tão ciclópica a sua tarefa. Dá-se o caso de também ter as expectativas dos que já não se revêem nestes partidos e a esperança daqueles que acreditam que é da sociedade civil que há-de sair a solução ou, pelo menos, o exemplo inspirador.

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