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Viagem ao Egipto (11).

por Luís Menezes Leitão, em 14.01.17

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Um dos mais belos inícios de um romance em língua portuguesa é o de Luandino Vieira, De Rios Velhos e Guerriheiros: "Conheci rios. Primevos, primitivos rios, entes passados do mundo, lodosas torrentes de desumano sangue nas veias dos homens. Minha alma escorre funda como a água desses rios". Eu também conheci muitos rios, primevos, primitivos, entes passados do mundo, mas nenhum se compara ao Nilo.

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O Nilo não é apenas o maior rio do mundo  em extensão — já em volume de água é ultrapassado pelo Amazonas — como também é um rio absolutamente único, cujas características espantavam os antigos. Em primeiro lugar desce de Sul para Norte. Depois, uma vez juntos o Nilo Branco e o Nilo Azul, já não tem afluentes, dividindo-se num enorme delta antes de chegar à foz. E a sua cheia não coincidia com as cheias dos outros rios que desaguam no Mediterrâneo. Enquanto nestes a cheia é no Inverno, secando o rio no Verão, no Nilo a cheia era em Julho, no pico do Verão, altura em que a água alagava os campos tornando-os férteis sob uma temperatura de mais de 40 graus. A explicação é que era nessa altura que surgiam as grandes chuvas tropicais no centro da África, levando a que o rio enchesse, provocando inundações a milhares de quilómetros de distância.

 

Por isso os egípcios entoavam hinos à cheia do Nilo como nos excertos seguintes:

 

"Salve ó Nilo, que sai da terra e vem vivificar o Egipto

de natureza misteriosa, tenebroso em pleno dia!

A sua saída canta-o,

ele que faz viver todo o gado,

ele que sacia o deserto

quando a água distante aparece (…)".

 

"Ele traz a sua plenitude e nenhum dique se ergue à sua frente.

Ele atingiu as montanhas,

senhor dos peixes, com muitos pássaros

[Ele traz] todos os seus [produtos] úteis.

Ele é alimento e todos os corações estão doces (…)

(recolhidos em Luís Manuel de Araújo, Mitos e Lendas do Antigo Egipto, págs. 103 e 107)

 

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Hoje tudo isto acabou. O Nilo, que nenhum dique impedia, está hoje represado pela grande barragem de Assuão, que criou o Lago Nasser com 550 Km de comprimento e 5250 km2 de área, seguramente o maior lago artificial do mundo. E assim, para além de ter alagado importantíssimos sítios arqueológicos, esta barragem terminou com a cheia do Nilo, que existia desde a antiguidade. Na verdade, o homem tudo faz para vergar a Natureza à sua vontade e nem o maior rio do mundo lhe consegue resistir.

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Por estes rios acima (balanço IV)

por Pedro Correia, em 21.12.09

   

Rio Erges                      Rio Estorãos              Rio Ferreira                  Rio Fervença

   

Rio Gilão                       Rio Leça                        Rio Neiva                       Rio Ovelha

   

Rio Ponsul                    Rio Rabaçal                Rio Vez                         Rio Vizela 

                                         Rio Xarrama               Rio Xévora

 

Com este painel termina a série sobre os rios de Portugal aqui publicada diariamente desde o dia 1 de Novembro. Muito em breve começará uma outra - logo no primeiro dia do ano.

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Por estes rios acima (balanço III)

por Pedro Correia, em 21.12.09

   

Rio Tâmega                  Rio Tejo                        Rio Tua                         Rio Tuela

   

Rio Vouga                    Rio Zêzere                  Rio Almonda               Rio Alviela

   

Rio Caia                        Rio Caima                      Rio Caldo                     Rio Chança

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Por estes rios acima (balanço II)

por Pedro Correia, em 21.12.09

   

Rio Homem                  Rio Lima                       Rio Lis                          Rio Minho

   

Rio Mira                        Rio Mondego             Rio Nabão                   Rio Paiva

   

Rio Rabagão                Rio Sabor                     Rio Sado                       Rio Sousa

 

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Por estes rios acima (balanço I)

por Pedro Correia, em 21.12.09

   

Rio Águeda                   Rio Alva                       Rio Arade                     Rio Arda   

Rio Ave                         Rio Cávado                   Rio Côa                         Rio Corgo

   

Rio Coura                    Rio Dão                          Rio Douro                     Rio Guadiana

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Mais vinte rios de Portugal (20)

por Pedro Correia, em 20.12.09

 

RIO XÉVORA

 

Nascente: Serra de São Mamede, concelho de Portalegre

Foz: Rio Guadiana, em Badajoz (Espanha)

 

"Ao aproximarmo-nos da que já foi vila sede de concelho [Ouguela], a primeira visão que temos é de uma elevação coroada por muralhas de um castelo medieval. Subindo a encosta, em breve se vêem as casas do arrabalde, organizadas em três ruas íngremes com vista para a planura que se estende no sopé do monte, fruto do trabalho de deposição dos dois cursos de água que aqui confluem: a Ribeira de Abrilongo e o Rio Xévora."

Do blogue Entre Tejo e Odiana

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Mais vinte rios de Portugal (19)

por Pedro Correia, em 19.12.09

 

RIO XARRAMA

 

Nascente: a noroeste de Évora, por confluência de várias linhas de água

Foz: Rio Sado, na freguesia do Torrão, concelho de Alcácer do Sal

Extensão: cerca de 70km

 

"Numas partes, nos vales por onde elas correm, encontram-se campos cultivados de cereais, e com algum arvoredo: é o que sucede em diversos sítios das ribeiras de Odivelas, de Xarrama e de São Cristóvão."

Andrade Corvo

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Mais vinte rios de Portugal (18)

por Pedro Correia, em 18.12.09

 

 

RIO VIZELA

 

Nascente: Alto de Morgair, freguesia de Gontim, concelho de Fafe

Foz: Rio Ave, na confluência das freguesias de Vila das Aves e Rebordões, concelho de Santo Tirso

Extensão: cerca de 45km

 

"Correm os dias como a água de um rio..."

Blogue Das Margens do Rio Vizela

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Mais vinte rios de Portugal (17)

por Pedro Correia, em 17.12.09

  

RIO VEZ

 

Nascente: Parque Nacional da Peneda-Gerês

Foz: Rio Lima, em Milhundos-Souto, concelho de Arcos de Valdevez

Afluente: Rios Azere, Cabreiro

Extensão: cerca de 40km

 

"Este Rio Vez, por alturas do Sistelo, que é onde o viajante o alcança, e depois o Rio Cabreiro, que a ele aflui, são maravilhas verdadeiras que juntam a doçura e a aspereza, a harmonia dos socalcos verdes e o pedregar das águas, sob a fortuna duma luz que começa a baixar e recorta, linha por linha, cor por cor, a mais bela paisagem que cabe nas imaginações. "

José Saramago, Viagem a Portugal

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Mais vinte rios de Portugal (16)

por Pedro Correia, em 16.12.09

 

 

RIO RABAÇAL

 

Nascente: Galiza

Foz: Confluência com o Rio Tuela, perto de Mirandela, formando o Rio Tua

Afluente: Rio Mente

Extensão: cerca de 45km

 

"Recordo aquele Estio deleitoso / Perfumado de feno, pinho e alecrim / O recanto edílico do rio Rabaçal / Escondido entre fraguedos (...)"

Henrique Pedro

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Mais vinte rios de Portugal (15)

por Pedro Correia, em 15.12.09

 

 

RIO PONSUL

 

Nascente: Serra do Ramiro, concelho de Idanha-a-Nova

Foz: Rio Tejo, em Malpica do Tejo, no limite entre os concelhos de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão

Extensão: cerca de 82km

 

"Fui de bicicleta ao Rio Ponsul."

Título de poema de João Camilo

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Mais vinte rios de Portugal (14)

por Pedro Correia, em 14.12.09

 

 RIO OVELHA

 

Nascente: perto de Covelo do Monte, freguesia da Aboadela, concelho de Amarante

Foz: Rio Amarante, na freguesia de Fornos, concelho de Marco de Canaveses

Extensão: cerca de 32km

 

"Na terra da Carmen Miranda corre um ribeirito chamado Rio Ovelha, que deu o nome à freguesia de Várzea da Ovelha."

Jotta Mota

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Mais vinte rios de Portugal (13)

por Pedro Correia, em 13.12.09

 

 

RIO NEIVA

 

Nascente: Serra de Oural, concelho de Ponte de Lima

Foz: Oceano Atlântico, entre Castelo do Neiva, freguesia do concelho de Viana do Castelo, e Antas, freguesia do concelho de Esposende

Extensão: cerca de 45km

 

"... / corren lágrimas justas sin parar / Mientras Neiva también corre a la mar / ..."

Sá de Miranda, Écloga Célia

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Mais vinte rios de Portugal (12)

por Pedro Correia, em 12.12.09

 

RIO LEÇA

 

Nascente: Monte Córdova, concelho de Santo Tirso

Foz: Porto de Leixões

Afluente: Rio Almorode

Extensão: cerca de 45km

 

"Não quero chamar-vos a atenção para a celebrada ponte, onde se ajunta um braço de mar, filho das ondas impetuosas, com o manso arroio do Leça, que lhe entra no seio, sereno e límpido como... consentis-me uma metáfora audaciosa?, como o homem de santa vida e coração sem espinhos, no seio tenebroso da sepultura."

Camilo Castelo Branco, Duas Horas de Leitura

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Mais vinte rios de Portugal (11)

por Pedro Correia, em 11.12.09

 

 RIO GILÃO

 

Nascente: Serra do Caldeirão, na confluência das ribeiras de Alportel, Asseca e Zimbral. Toma o nome de Rio Séqua até chegar a Tavira.

Foz: Ria Formosa, no sítio das Quatro Águas

Extensão: cerca de 40km

 

"Cheguei finalmente à vila da minha infância. / Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei. / (Tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado). / Tudo é velho onde fui novo. (...) / Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."

Álvaro de Campos, Notas sobre Tavira

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Mais vinte rios de Portugal (10)

por Pedro Correia, em 10.12.09

 

RIO FERVENÇA

 

Nascente: Serra da Nogueira, no concelho de Bragança

Foz: Rio Sabor

Extensão: cerca de 100km

 

"Um recanto de verde que nem o calor de Trás os Montes consegue apagar."

Jorge Soares, no blogue Momentos e Olhares

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Mais vinte rios de Portugal (9)

por Pedro Correia, em 09.12.09

 

RIO FERREIRA

 

Nascente: em Raimonda, no concelho de Paços de Ferreira

Foz: Rio Sousa, na Foz do Sousa, concelho de Gondomar

Afluentes: Ribeiras da Covilhã, Belói, Méguas, Ferreirinha, Trabaços

Extensão: cerca de 40km

 

"Nasce na Serra de Santa Águeda, e tem o princípio com duas fontes, que nascem separadas meio quarto de légua; uma nasce em São Pedro de Raimonda, outra em São João de Codeços, freguesias do Arcebispado de Braga; juntam-se estas fontes ambas por baixo da Ponte de Sobrão na freguesia de Paços de Ferreira, que dista de seus nascimentos uma légua."

Memórias Paroquiais do Rio Ferreira

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Mais vinte rios de Portugal (8)

por Pedro Correia, em 08.12.09

 

RIO ESTORÃOS

 

Nascente: Ponte de Mãos, no concelho de Ponte de Lima

Foz: Rio Lima, a 5km de Ponte de Lima

Extensão: cerca de 15km

 

"São muitas as singularidades de Ponte de Lima. A primeira é que a sede do concelho persiste, orgulhosamente, em ser vila, quando quase todas as nossas outras localidades de dimensão semelhante há muito que quiseram proclamar-se cidades. Por isso é a vila mais antiga de Portugal; uns anos mais e será, simplesmente, 'a' vila de Portugal. A segunda singularidade é o espaço público impecavelmente cuidado, o que inclui, além da limpeza e do bom planeamento, uma arborização abundante (sem vestígios de podas camarárias) e a manutenção escrupulosa dos belos jardins.
A cinco quilómetros da vila, acessível por um caminho pedonal ao longo do rio, há uma reserva natural com cerca de 350 hectares, centrada nas lagoas de Bertiandos e de São Pedro d'Arcos e atravessada pelo rio Estorãos, que ali desagua no Lima. Declarada como zona húmida em 1990, foi inscrita em 1995 no Plano Director Municipal de Ponte de Lima como parte da Reserva Ecológica Nacional. E aqui manifesta-se uma terceira singularidade: em vez de pedir sucessivas desanexações à reserva, como costumam fazer, com a pressurosa colaboração do Governo da República, as autarquias preocupadas com o «desenvolvimento», a Câmara de Ponte de Lima ainda reforçou o seu estatuto de protecção, fazendo-a classificar em 2000 como
área de paisagem protegida de âmbito regional."

Do blogue Dias com Árvores

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Mais vinte rios de Portugal (7)

por Pedro Correia, em 07.12.09

 

RIO ERGES

 

Nascente: Serra da Gata (Extremadura, Espanha)

Foz: Rio Tejo, perto de Alcántara (província de Cáceres, Extremadura)

Extensão: durante cerca de 50km faz fronteira entre Portugal e Espanha, na zonas das Termas de Monfortinho, Salvaterra do Extremo e Segura.

 

"Quando os homens partiram da vila, em grupos separados, disfarçando o seu propósito por atalhos, ainda a noite se escondia na espessura das nuvens. Chegariam, dia claro, perto do Rio Erges e aí deviam aguardar novamente a cumplicidade das trevas."

Fernando Namora, A Noite e a Madrugada

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Mais vinte rios de Portugal (6)

por Pedro Correia, em 06.12.09

 

RIO CHANÇA

 

Nascente: Serra de Aroche (Espanha)

Foz: Rio Guadiana, no Pomarão, aldeia do concelho de Mértola

Extensão: cerca de 100km

 

"O Rio Guadiana é um rio importante porque é um rio de fronteira numa grande extensão do seu curso. (...) Herança também dos autores setecentistas parece ser a preocupação de referenciar os locais onde começa e termina como limite político: entre Monsaraz e Mourão, a confluência do Chança, ou então, pelo contrário, indicam-se os troços internacionais: do Caia a Monsaraz, do Pomarão a Vila Real de Santo António."

João Carlos Garcia

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Mais vinte rios de Portugal (5)

por Pedro Correia, em 05.12.09

 

RIO CALDO

 

Nascente: Serra do Gerês, concelho de Terras do Bouro

Foz: Rio Cávado, na freguesia de Rio Caldo, concelho de Terras do Bouro

 

"Há sítios do mundo que são como certas existências humanas; tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles."

Miguel Torga, Diário VII

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Mais vinte rios de Portugal (4)

por Pedro Correia, em 04.12.09

 

 

RIO CAIMA

 

Nascente: Serra da Freita, freguesia de Albergaria da Serra, concelho de Arouca

Foz: Rio Vouga, na povoação de Sernada do Vouga, concelho de Águeda

Extensão: cerca de 50km

 

"Faltava-me liberdade para determinados gestos e o meu orgulho nascente sofria com isso. Sobretudo, no Verão, quando eu ia tomar banho ao rio. Éramos sempre quatro ou cinco. Saíamos da escola no período do segundo recreio e, galgando ínvios caminhos, saltando combros e rompendo milharais, íamos mergulhar nas águas frias e azuis do Caima, entre amieiros sussurrantes."

Ferreira de Castro

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Mais vinte rios de Portugal (3)

por Pedro Correia, em 03.12.09

 

 

RIO CAIA

 

Nascente: Serra de São Mamede, concelho de Portalegre

Foz: Rio Guadiana, em Santo Ildefonso, no concelho de Elvas

Afluentes: Ribeiras de Arronches e de Algalé

Extensão: cerca de 67km

 

"Concebi o livro, uma tarde, em casa de uma senhora, estando só com ela; ela tocava ao piano a gavotte favorita de Marie Antoinette - e eu, ao pé do lume acariciava um cão. De repente, sem motivo, sem provocação - lembrou-me, ou antes flamejou-­me, através da ideia todo esse livro tal qual o descrevo: singular, não? Fiquei aterrado: supus ser um bom pressentimento, ou uma visão. Depois a minha segunda exclamação mental foi esta: - Que escândalo no País! Você conhece-me e está daí a ver que me despedi da senhora, e vim para casa lançar o esboço do escândalo para o País . E simplesmente o que eu quero fazer é dar um grande choque eléctrico ao enorme porco adormecido (refiro-me à Pátria)."

Eça de Queiroz, carta a Ramalho Ortigão de 10 de Novembro de 1878, referindo-se à génese da sua projectada obra A Batalha do Caia.

(Em Dicionário de Eça Queiroz, verbete 'A Batalha do Caia')

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Mais vinte rios de Portugal (2)

por Pedro Correia, em 02.12.09

  

 

RIO ALVIELA

 

Nascente: Gruta do Alviela, freguesia da Louriceira, concelho de Alcanena

Foz: Rio Tejo, perto de Vale de Figueira, concelho de Santarém

Afluentes: Ribeiras de Carvalhos, Gouxaria, Amiais

Extensão: cerca de 100km

 

"Em 1886, já tinham sido introduzidas em Lisboa algumas das inovações que facilitavam a vida urbana: em 1848, tinham aparecido os primeiros candeeiros a gás e, em 1878, haviam sido instalados, no Chiado, seis candeeiros eléctricos. (...) Apesar de a recente captação do Rio Alviela ter permitido instalar uma rede de distribuição de água ao domicilio, o benefício chegava a poucas casas."

Maria Filomena Mónica, revista Prelo (1986)

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Mais vinte rios de Portugal (1)

por Pedro Correia, em 01.12.09

 

RIO ALMONDA

 

Nascente: Serra de Aire, 5km a noroeste de Torres Novas

Foz: Rio Tejo, no síto da Igreja Grande, concelho da Golegã

Extensão: cerca de 30km

 

"Dizem que o rio chora toda a noite / Nas lágrimas tombadas dos salgueiros. / (...) E as pedras nuas da distância? / Almonda! Almonda! Almonda! / Um eco... // São as rãs da memória que chamam as cigarras / Quando o Verão se chega mais à terra / E a cidade amanhece ao som do rio que canta. // Dizem que o rio canta / Nos olhos molhados dos salgueiros!"

Maria Sarmento, Almondinas

(o meu agradecimento ao leitor José Catarino, que aqui trouxe estes versos)

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Portugal: por estes rios acima (30)

por Pedro Correia, em 30.11.09

 

 

 

 

RIO ZÊZERE

 

Nascente: Serra da Estrela, junto ao Cântaro Magro

Foz: Rio Tejo, em Constância

Afluentes: Rios Alge, Cabril, Nabão

Extensão: cerca de 240km

 

"Era uma pobre, trémula fita de água, ora muito estreita, ora mais larguita, às vezes quase invisível, que se lançava lá do alto por um sulco ou diáclese da rocha negra, aberta para lhe dar melhor caminho."

Ferreira de Castro, A Lã e a Neve 

 

ADENDA: Esta série chega hoje ao fim: conforme prometido, era para durar todo o mês de Novembro. Mas a pedido de vários leitores seguir-se-ão outros rios numa série complementar. Já a partir de amanhã. Até 20 de Dezembro.

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Portugal: por estes rios acima (29)

por Pedro Correia, em 29.11.09

  

 

 

 

RIO VOUGA

 

Nascente: Serra da Lapa, freguesia de Quintela, concelho de Sernancelhe

Foz: Ria de Aveiro

Afluentes: Rios Sul, Caima, Ul, Águeda, Marnel, Teixeira

Extensão: cerca de 140km

 

"Todas as águas do Vouga, do Águeda e dos veios que nestes sítios correm para o mar encharcam as terras baixas, retidas pelas dunas de 40 quilómetros de comprido, formando uma série de poços, de canais e de lagos de uma vasta bacia de água salgada."

Raul Brandão

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Portugal: por estes rios acima (28)

por Pedro Correia, em 28.11.09

  

  

 

 

RIO TUELA

 

Nascente: Parque Natural do Lago de Sanábria, Serra Secundera (Castela e Leão, Espanha)

Foz: Rio Tua, que forma ao juntar-se ao Rio Rabaçal, perto de Mirandela

Afluente: Rio Baceiro

Extensão: cerca de 100km

 

"O melhor deste dia será a passagem do Rio Tuela. Da ponte não tem o viajante memória, nem sequer do rio, talvez, e só, o espumejar da água entre as pedras, mas isto é o que tem para oferecer qualquer rio ou ribeira destes sítios. Aquilo que ao viajante não esquecerá enquanto viver é a sufocante beleza do vale neste lugar, nesta hora, nesta luz, neste dia."

José Saramago, Viagem a Portugal

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Portugal: por estes rios acima (27)

por Pedro Correia, em 27.11.09

 

 

 

RIO TUA

 

Nascente: A norte de Mirandela, por junção dos rios Tuela e Rabaçal

Foz: Rio Douro, na aldeia de Foz Tua, concelho de Carrazeda de Ansiães

Extensão: cerca de 57km

 

"Encosta abaixo medra o carvalho negral, o castanheiro, a oliveira e o sobreiro; e sazonam em frutos incomparáveis as laranjas do Tua, as vinhas do Roncão, as cerejeiras de Penajóia e as amendoeiras de Freixo de Espada à Cinta."

Jaime Cortesão, Portugal - A Terra e o Homem

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Portugal: por estes rios acima (26)

por Pedro Correia, em 26.11.09

 

 

 

 

RIO TEJO

 

Nascente: Serra de Albarracim (Aragão, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Lisboa

Afluentes em Portugal: Rios Erges, Ponsul, Ocreza, Zêzere, Almonda, Alviela, Jamor, Trancão, Sever, Sorraia

Extensão: cerca de 1000km

 

"Olho o Tejo e de tal arte / Que me esquece estar olhando, / E de súbito isto me bate / De encontro ao devaneando - / O que é ser-rio, e correr? / O que é está-lo eu a ver?"

Fernando Pessoa

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Portugal: por estes rios acima (25)

por Pedro Correia, em 25.11.09

  

  

 

 

RIO TÂMEGA

 

Nascente: Verín, Ourense (Galiza)

Foz: Rio Douro, em Entre-os-Rios

Afluentes: Rios Odres e Ovelha

Extensão: cerca de 145km

 

"Ó meu Tâmega obscuro, água dormente... / Ó rio, à noite, a arder, todo estrelado! / Água meditativa, ao luar nascente, / Água coberta de asas, ao sol-nado!"

Teixeira de Pascoaes

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Portugal: por estes rios acima (24)

por Pedro Correia, em 24.11.09

 

 

 

RIO SOUSA

 

Nascente: Friande, concelho de Felgueiras

Foz: Rio Douro, na freguesia de Foz do Sousa, concelho de Gondomar

Afluentes: Rios Ferreira e Cavalum

Extensão: cerca de 180km

 

"A igreja do Mosteiro de S. Salvador está num rebaixo plano e arborizado, passa mesmo ali ao lado um ribeirito que irá desaguar no Rio Sousa. A tarde está no fim, e ainda bem. Esta é a atmosfera que convém, cinza sobre verde, rumor de águas rápidas. A chave vem dá-la o próprio padre. O viajante, se tivesse de confessar-se, acusar-se-ia de negra e vesga inveja. É que todo este sítio, sem particulares grandezas, é dos mais belos lugares que o viajante tem visto."

José Saramago, Viagem a Portugal

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Portugal: por estes rios acima (23)

por Pedro Correia, em 23.11.09

 

 

 

 

RIO SADO

 

Nascente: Serra da Vigia, concelho de Ourique

Foz: Oceano Atlântico, em Setúbal

Afluentes: Rios Xarrama, Marateca, Corona, Alvalade, Arcão

Extensão: cerca de 180km

 

"Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado, / Mansa corrente, deleitosa, amena, / Em cuja praia o nome de Filena / Mil vezes tenho escrito, e mil beijado: // Nunca mais me verás entre o meu gado / Soprando a namorada, e branda avena, / A cujo som descia mais serena, / Mais vagarosa para o mar salgado."

Bocage

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Portugal: por estes rios acima (22)

por Pedro Correia, em 22.11.09

 

 

 

RIO SABOR

 

Nascente: Serra da Culebra, província de Zamora (Espanha)

Foz: Rio Douro, na aldeia de Foz do Sabor, concelho de Torre de Moncorvo

Afluentes: Rios Maçãs, Angueira, Fervença, Azibo

Extensão: cerca de 120km

 

"A alma de Dona Antónia, a Ferreirinha, ainda paira por estes caminhos. Entre a velha linha do Rio Sabor e as margens do Douro altivo. Quintas magníficas e uma paragem chamada Vesúvio."

Francisco José Viegas

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Portugal: por estes rios acima (21)

por Pedro Correia, em 21.11.09

 

 

 

 

RIO RABAGÃO

 

Nascente: Serra do Larouco, concelho de Montalegre

Foz: Rio Cávado

Extensão: cerca de 37km

 

"Depois de Pitões das Júnias o trilho levou-nos a um dos sítios mais enigmáticos do Gerês, com quebrantos, diabos e lendas à mistura. A Ponte da Misarela, eternizada na voz de Sebastião Antunes (Quadrilha). Aqui o diabo anda mesmo à solta, o Rio Rabagão corre livre, sulcando rochas e falésias, deixando atrás de si um rasto de lagoas e belas cascatas."

Do blogue Os Meus Trilhos

 

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Portugal: por estes rios acima (20)

por Pedro Correia, em 20.11.09

  

 

 

 

RIO PAIVA

 

Nascente: Serra da Nave, freguesia da Pera Velha, concelho de Moimenta da Beira

Foz: Rio Douro, em Castelo de Paiva

Afluentes: Rios Frades, Paivô, Ardena

Extensão: cerca de 110km

 

"Também os tempos eram outros. O Paiva não tinha rincolheira que não desse um prato de pescado, vivinho de arregalar o olho, trutas finas e taludas como bacalhaus, bogas e bordalos gordos como lontros."

Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas

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Portugal: por estes rios acima (19)

por Pedro Correia, em 19.11.09

 

 

 

RIO NABÃO

 

Nascente: Ansião

Foz: Rio Zêzere

Afluente: Rio Agroal

Extensão: 66km

 

"O Hotel dos Templários mergulhava na sua profundeza e no meio da vegetação, frondosa, fresca e verde, entrelaçando o Rio Nabão, numa posição da vassalagem, a seus pés."

Armando Figueiredo

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Portugal: por estes rios acima (18)

por Pedro Correia, em 18.11.09

 

 

 

RIO MONDEGO

 

Nascente: Serra da Estrela

Foz: Oceano Atlântico, na Figueira da Foz

Afluentes: Rios Dão, Alva, Ceira, Ega, Arunca, Pranto

Extensão: cerca de 230km

 

"Doces e claras águas do Mondego, / Doce repouso de minha lembrança, / Onde a comprida e pérfida esperança / Longo tempo após si me trouxe cego."

Luís de Camões

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Portugal: por estes rios acima (17)

por Pedro Correia, em 17.11.09

  

 

 

 

RIO MIRA

 

Nascente: Serra do Caldeirão

Foz: Oceano Atlântico, em Vila Nova de Milfontes

Afluentes: Rios Luzianes, Perna Seca, Macheira, Guilherme, Telhares

Extensão: cerca de 140km

 

"O rio Mira, senhor da planície / e das escarpas, / majestoso e largo, / chega por fim às portas do oceano. / Sem temer o seu destino de rio, / enfrenta as vagas eternamente em fúria / e diz-lhes simplesmente, tranquilamente: Aqui estou."

Carlos Domingos

 

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Portugal: por estes rios acima (16)

por Pedro Correia, em 16.11.09

 

 

 

RIO MINHO

 

Nascente: Serra do Meira (Galiza, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Caminha

Afluentes em Portugal: Rios Mouro, Trancoso, Gadanha, Coura

Extensão: cerca de 300km

 

"Vendo-os assim tão pertinho / A Galiza mais o Minho / São como dois namorados / Que o rio traz separados / Quase desde o nascimento. // Deixá-los, pois, namorar, / Já que os pais para casar / Lhes não dão consentimento."

João Verde

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Portugal: por estes rios acima (15)

por Pedro Correia, em 15.11.09

  

 

 

 

RIO LIS

 

Nascente: perto da freguesia de Cortes, concelho de Leiria

Foz: Oceano Atlântico, a norte da praia de Vieira, concelho da Marinha Grande

Afluentes: Rios Fora, Lena, Alcaide

Extensão: cerca de 40km

 

"Fermoso Rio Lis, que entre arvoredos / Ides detendo as águas vagarosas, / Até que üas sobre outras, de invejosas, / Ficam cobrindo o vão destes penedos; // Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos / Sois morada das Ninfas mais fermosas, / Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas, / Em quem esconde Amor tantos segredos; // Se vós, livres de humano sentimento, / Em quem não cabe escolha nem vontade, / Também às leis de Amor guardais respeito, // Como se há-de livrar meu pensamento / De render alma, vida e liberdade, / Se conhece a razão de estar sujeito?"

Francisco Rodrigues Lobo

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Portugal: por estes rios acima (14)

por Pedro Correia, em 14.11.09

 

 

 

 

RIO LIMA

 

Nascente: Monte Talariño (Ourense, Galiza)

Foz: Oceano Atlântico, em Viana do Castelo

Afluentes: Rios Vez, Labruja, Trovela, Estorãos

Extensão: cerca de 108km

 

"Junto ao Lima claro e fresco rio / que Lethes se chamou antigamente (...) // O rio que vês tão sossegado / que te parecerá que se arrepende / de levar água doce ao mar salgado."

Diogo Bernardes

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Portugal: por estes rios acima (13)

por Pedro Correia, em 13.11.09

  

 

 

 

RIO HOMEM

 

Nascente: Portela do Homem, Serra do Gerês, concelho de Terras do Bouro

Foz: Rio Cávado, em Soutelo, concelho de Vila Verde

Extensão: 37km

 

"O início da caminhada é feito junta à cascata da Portela do Homem, ao lado da ponte São Miguel. A cascata não é muito alta, mas o enquadramento que proporciona é magnífico. Os turistas apinham-se, normalmente, do cimo da ponte para tirar as fotografias da praxe. Como é fácil perceber, já tomámos banho no buraco onde cai a lagoa. A profundidade é de cerca de quatro metros na parte mais funda, para onde nos podemos atirar de uma rocha. A água é límpida mas normalmente fria. De Verão é muito agradável tomar lá banho. De Inverno, só de fato de mergulho."

Do sítio Serra do Gerês.

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Portugal: por estes rios acima (12)

por Pedro Correia, em 12.11.09

  

 

 

 

RIO GUADIANA

 

Nascente: Lagoas de Ruidera (província de Ciudad Real, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Vila Real de Santo António

Afluentes em Portugal: Rios Xévora, Caia, Degebe, Cobres, Vascão, Ardila, Chança

Extensão: cerca de 870km

 

"O Guadiana [...] corre esverdeado entre montes abruptos e severos, que à medida que o barco navega vão surgindo sempre uns atrás dos outros - à esquerda a Espanha, à direita Portugal -, os nossos mais pacíficos e às vezes cultivados até ao rio, os dos vizinhos austeros, pedregosos e bravios - grande uniformidade deserta onde aparece, isolada e perdida no cenário, uma ou outra casinha colmada. Diante de nós, a água que anima tudo isto, lisa e unida à proa do vapor, com veios longínquos mais quietos e riscos que estremecem à superfície; e naquela braveza de fragas e vegetação quase negra das encostas, irrompe de quando em quando uma amendoeira, que se entreabre no Inverno em milhares de pequeninas flores, como se toda ela criasse asas."

Raul Proença, Guia de Portugal

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Portugal: por estes rios acima (11)

por Pedro Correia, em 11.11.09

 

 

 

RIO DOURO

 

Nascente: Serra de Urbión (província de Sória, Castela-Leão, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, no Porto

Afluentes portugueses: Rios Águeda, Côa, Sabor, Tua, Pinhão, Torto, Corgo, Varosa, Teixeira, Cabrum, Bestança, Paiva, Tâmega, Arda, Sousa

Extensão: cerca de 930km

 

"Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."

Miguel Torga, Diário XII

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Portugal: por estes rios acima (10)

por Pedro Correia, em 10.11.09

  

 

 

 

RIO DÃO

 

Nascente: No Planalto Beirão, freguesia do Eirado, concelho de Aguiar da Beira

Foz: Rio Mondego, na barragem da Aguieira

Aflluentes: Rios Carapito, Sátão, Pavia, Criz

Extensão: cerca de 90km

 

"A Foz do Dão tinha grande manancial de água. Se outro não houvesse, bastavam os dois rios que banhavam a aldeia. A água para uso doméstico provinha de uma fonte de chafurdo que ficava no meio do areal do rio Mondego. Água boa! No Verão, fresca como que saída de um frigorifico. De Inverno, tépida.
Sempre que havia enchente a fonte ficava submersa mas a mãe natureza não nos deixava sem água de boa qualidade, pois, logo que a fonte submergia, brotava uma bica na barreira do encontro do lado esquerdo da ponte."

Do blogue Foz do Dão

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Portugal: por estes rios acima (9)

por Pedro Correia, em 09.11.09

 

 

 

RIO COURA

 

Nascente: Lagoa da Salgueirinha, freguesia de Vascões, concelho de Paredes de Coura

Foz: Rio Minho, em Caminha

Afluente: Rio dos Cavaleiros

Extensão: cerca de 50km

 

"O rio mais truteiro do universo."

Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães

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Portugal: por estes rios acima (8)

por Pedro Correia, em 08.11.09

 

 

 

RIO CORGO

 

Nascente: Serra da Padrela, concelho de Vila Pouca de Aguiar

Foz: Rio Douro, no Peso da Régua

Afluentes: Rios Cabril, Sordo, Tanha

Extensão: cerca de 44km

 

"Ontem, a CP encerrou as linhas do Corgo e do Tâmega sem avisar ninguém. Contava com o silêncio de todos e fê-lo pela calada, desprezando toda a gente. Mas a culpa não é da CP; é, antes, de todos os pacóvios que transformaram o país num tapete de asfalto, bom para a camionagem, para as empresas de obras públicas e para o consumo de gasolina. (...) Há alcatrão, cimento, camionagem e gasóleo. Tudo caro. Os comboios portugueses inventaram um país, povoaram-no, desenharam a nossa geografia. Era um país mais bonito do que este.

Francisco José Viegas

 

 

 

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Portugal: por estes rios acima (7)

por Pedro Correia, em 07.11.09

  

 

 

 

RIO CÔA

 

Nascente: entre as Serras da Malcata e da Gata, em Fóios, concelho do Sabugal

Foz: Rio Douro, perto de Vila Nova de Foz Côa

Afluentes: Rios Noéme e Diz.

Extensão: cerca de 135km

 

"Nem versos faço. Para quê? Poema é toda a página aberta diante de mim, caligrafada de esperança e de calma."

Miguel Torga, Portugal

 

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Portugal: por estes rios acima (6)

por Pedro Correia, em 06.11.09

  

 

 

 

RIO CÁVADO

 

Nascente: Serra do Larouco, concelho de Montalegre

Foz: Oceano Atlântico, em Esposende

Afluentes: Rios Homem, Prado, Rabagão, Saltadouro

Extensão: cerca de 130km

 

"Um dos passeios que mais gosto de dar é ir a Esposende ver desaguar o Cávado."

Ruy Belo, Todos os Poemas

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