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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.06.17

«A tragédia de Pedrógão Grande, o enorme número de vítimas mortais num incêndio, expõe de forma dramática o abandono a que está votado Portugal. Vimos no fogo e nas mortes o fosso entre um país urbano, pendurado nos direitos e desabituado a ter deveres, e um país que vive entregue a si próprio, esquecido. Foi-nos mostrado, de forma terrível, como são ocas são as palavras e os discursos contra a desigualdade. Desigualdade é isto, é um Estado não ser capaz de proteger aldeias de um incêndio.»

Helena Garrido, no Observador

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.06.17

«No fim de tudo, a Felicidade com maiúscula compõe-se de minúsculos actos felizes; de agradáveis sensações passageiras; de um razoável estado de saúde; de expectativas positivas diante de um futuro sempre aziago, ainda que não totalmente tenebroso; de alguém que goste de ti; de um amigo que está disposto a ajudar-te; de pequenos prazeres inerentes aos cinco sentidos corporais.»

Manuel Vicent, no El País

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.05.17

«Fernando Medina foi criticado por se ter deslocado ao hotel de Madonna, para lhe dar as boas-vindas e ajudá-la a encontrar casa. Há quem diga que se subjugou aos caprichos da cantora, que ela é que devia ter ido à Câmara. Discordo: foi golpe de génio. Se Madonna tivesse de ir do Ritz à praça do Município, demorava três horas só para se desembaraçar da rotunda do Marquês. Provavelmente, desistia de morar numa cidade tão caótica. E perdíamos a honra de ter entre nós a Miley Cyrus dos anos oitenta.

Até há pouco tempo, o sítio onde tivera mais dificuldade em orientar-me fora a medina da cidade de Fez. Agora é a cidade que Medina fez.»

 

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.05.17

«Salvador Sobral tem uma voz relaxada, afinada e extraordinariamente musical - e um estilo muito elegante e espontâneo. Além disso, a canção que ele apresenta é diferente do padrão actual. Não tem os tiques que fizeram dos musicais da Broadway uma chatice desde os anos 1970: tudo parece hino protestante. Amar Pelos Dois tem o refinamento da canção urbana pré-Jesus Christ Superstar. E resulta mais moderna do que as modernices ultrapop da maioria das outras concorrentes - e dos números de caloiros em programas tipo The Voice, The X Factor ou American Idol

Caetano Veloso, em entrevista ao Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.05.17

 

«Um debate por vezes muito intolerante, a propósito da tolerância de ponto que o Governo concedeu para amanhã, dia 12. Um debate que tem quase sempre ignorado o fácil desvirtuamento que se tem feito do conceito de tolerância de ponto. E que, de novo, vai buscar estafados argumentos sobre a traição à laicidade do Estado. Como se os crentes católicos não fossem, também eles, cidadãos de corpo inteiro, com direito a não ser menosprezados pelo Estado.

Aliás, para acabar com esta influência católica sobre o Estado (ou judaico-cristã, para alargar mais o âmbito), tenho uma proposta simples: acabar com o gozo de sábados e domingos enquanto dias de descanso. Afinal, essa pesada herança religiosa que foi a instituição de um dia de descanso semanal (o sábado judaico e o domingo cristão) ainda é, seguramente, uma ameaça à laicidade. Por arrastamento, poderia acabar-se com todos os feriados que cheirem a catolicismo: desde logo, os vários dias de férias à volta do Natal e do Ano Novo (feriado religioso, na sua origem), a "ponte" da Páscoa e todos os outros.»

António Marujo, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 24.03.17

«O Acordo Ortográfico de 1990, em que abundam aberrações de todo o tipo, é mais um dos "monstros" gerados pela governação de Cavaco Silva (o mais famoso dos quais é o da dívida pública). E aqui vão, tão-só, dois exemplos.

O primeiro é o da eliminação arbitrária do uso do hífen. Que me pôs a suspeitar da razão pela qual a expressão "cor-de-rosa" tem hífen e a expressão "cor de laranja" não tem! Terá sido uma profecia política que só agora se consumou, com o traço de união entre o partido cor-de-rosa (PS) e a maioria parlamentar de esquerda que aguenta o governo?! E o partido cor de laranja (PPD-PSD) terá ficado sem hífen porque ameaça desmoronar-se?!

O segundo é o da supressão arbitrária do acento agudo, a provocar situações hilariantes. Veja-se o caso da expressão popular "Alto e pára o baile" (isto é, "stop"). Escrita com acento agudo antes do AO90, passou a escrever-se sem acento agudo - "Alto e para o baile" (isto é, "go") - na grafia do AO90.»

Alfredo Barroso, no i

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 17.03.17

«A degola inocente de consoantes mudas tem originado um caos. Em muitos casos, não respeitando a etimologia também comum a outras línguas (p. ex., actor, factor, sector), permitindo a ambivalência de critérios e o (ab)uso de todo inaceitável do AO (facto, fato; pacto, pato, etc). Já o h no início de uma palavra - a mais muda consoante do nosso alfabeto - subsiste enquanto grafema, dizem os ideólogos do AO, por razões etimológicas. Noutros casos de mudez da consoante, este fundamento não interessa, no h já é decisivo. Haja coerência! Claro que homem sem h seria uma pena impedindo a existência de homens com H grande. E uma hora H, sem o inicial h? seria "Ora O"?»

António Bagão Félix, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.02.17

«Um processo aqui, um caso de corrupção ali, uns empréstimos sem retorno, uns favores a amigos, uns assaltos a empresas, algumas manipulações do mercado, umas transferências para offshores, muita mentira e uma prodigiosa incompetência fizeram da "jóia da coroa" o que ela parece hoje e que faz com que os políticos tenham receio do pântano. Fica-se cada vez mais com a impressão de que o caso da Caixa é o caso do regime: tudo anda ligado, da política à banca, da PT aos telemóveis, das águas aos petróleos, da electricidade à celulose, do BES ao Banif, do BPN ao BCP... Podem fazer-se todos os inquéritos imagináveis, ficará sempre algo de fora, aparecerá sempre, à última hora, novo facto inesperado que permita negociação futura e ocultação passada. Debaixo de cada pedra há lacrau ou veneno. E muitos parecem interessados em esconder e esquecer. Mas acrescentam sempre qualquer coisa. (...) Se a democracia portuguesa não consegue apurar responsabilidades, julgar culpados, castigar nepotes e afilhados e refazer um banco seguro e honesto, se a democracia portuguesa tal não conseguir, condena-se a si própria. O processo da Caixa corre o risco de vir a ser o processo do regime.»

António Barreto, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.02.17

«A Lituânia passou entre 2008 e 2010 por um ajustamento duríssimo, com reduções dos salários públicos de 20% a 30%, com cortes nas pensões acima de 10%, com toda a coreografia dramática das exigências do FMI (pobreza, desemprego, desesperança) e se está hoje onde está é porque o sacrifício valeu a pena. O mesmo aconteceu na Irlanda. Ou, em parte, na Espanha. Se Portugal continua a ter ainda hoje um PIB abaixo do que registava em 2009, se cresce a ritmo de caracol, se a pobreza se mantém na ordem dos 20% da população e se continua a ser ultrapassado pelo cão e o gato, é porque o sacrifício não valeu a pena. Afinal, Portugal não deixou de ser um paraíso para as corporações patrocinadas pelo Estado. Não deixou de ser condescendente com ministros que fogem à verdade. Permite fugas de dez mil milhões de euros para os off-shores perante a passividade das autoridades tributárias. Subalterniza a Matemática e o Português nas escolas. Dá horários de privilégio a funcionários públicos. Isenta os restaurantes da equidade fiscal.»

Manuel Carvalho, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 13.02.17

«Outras questões crescem na sombra de Centeno e mostram a forma como o Estado português está prisioneiro de interesses pessoais. Não é normal que um Governo tenha aceitado abdicar dos poderes do Estado democrático permitindo que um gestor (com o auxílio de uma sociedade de advogados) pudesse ousar mudar uma lei da República para se encontrar uma solução à vontade do freguês. É aqui que está o cerne da questão. E, neste caso, o aroma do caso CGD evoluiu de forma vergonhosa.»

Fernando Sobral, hoje, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 09.02.17

«O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que rejeita a revisão do acordo ortográfico. E eu rejeito essa forma de rejeição, porque a considero autoritária, arrogante, dogmática e deselegante para com a Academia das Ciências. A Academia, que é, de acordo com a lei, conselheira do Governo em matéria da língua, não foi ouvida nem achada no que diz respeito ao acordo. E limitou-se a apresentar, agora, um conjunto de sugestões indicativas para que se começasse a debater este assunto e para tentar melhorar, se possível, um acordo que nasceu mal, um acordo falhado.

Esta posição do ministro [Augusto Santos Silva], que fala em nome do Governo, revela um grande desprezo por todos aqueles que se têm oposto desde o princípio a este acordo. Desprezo por escritores, por gente das letras, por académicos, por professores e por muitos cidadãos que manifestam a sua oposição a este acordo, que está a fragmentar a língua e a dividir os portugueses. Já nem falo de mim, falo do Vasco Graça Moura, que mostrou de mil e uma maneiras todos os erros deste acordo, que, aliás, considerava inconstitucional. Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»

Manuel Alegre, hoje, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 03.02.17

«As redes sociais transmitem a imagem de um povo constantemente furioso, absurdamente furioso. A massa é de tal forma caótica, disforme e precipitada nos julgamentos que se neste momento o poder passasse para as redes sociais não havia poder. É um pouco como o nosso mundo: um mundo que demonizou o poder. Tudo isso não é saudável para a esfera pública. As redes sociais são uma espécie de "Queda da Bastilha" do nosso tempo. Aquele "povo" é um povo propagandeado e indignado. Tudo em pé de igualdade, a dizer qualquer coisa. Mas é óbvio que as coisas que se dizem não têm todas o mesmo valor.»

Pedro Lomba, no Jornal Económico

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.01.17

«Apesar das sugestões razoáveis que propôs, é lastimável que a nossa Academia das Ciências tivesse aprovado um péssimo acordo ortográfico que não acrescenta nada de bom à nossa História.»

Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 07.01.17

«Mário Soares foi o credor da democracia. Quando houve o golpe militar [de 1974], tecnicamente, houve um golpe de Estado, porque é assim que se chama um aparelho que sustenta um governo e o deixa. Depois é que vem a modificação do regime. E apareceram duas correntes que também dividiram a Europa - porque havia um projecto de chegar do Atlântico aos Urais e um projecto de chegar desde Berlim até ao Atlântico. Ganhou o primeiro projecto. Mas dentro do País as duas correntes também se bateram. E quem é que impediu que perdesse a corrente da democratização? Foi o Mário Soares, com a inteira concordância do general Eanes. E essa vitória não é devidamente valorizada na herança dele. Foi uma luta enorme.»

Adriano Moreira, esta noite, na TVI24

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.12.16

«O puzzle sírio está finalmente desenhado: os ditadores da Rússia, do Irão e da Turquia sustentam no poder o ditador sírio, ajudando-o a anular de vez a resistência interna, depois de Alepo; Erdogan recebe luz verde para esmagar os curdos, que são a frente de combate mais activa contra o Daesh em Mossul; Trump junta-se a Putin para, depois da Síria resolvida, esmagar o Daesh e, de caminho, sacrificar os curdos. E a Europa recebe as vítimas da Síria. Quanto ao Daesh, escolhe como alvo privilegiado a Alemanha, que não tem nada a ver com o conflito, excepto na generosidade com que recebe os refugiados do desastre. É a velha e grande política de regresso.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.11.16

«As emoções ocupam o território outrora ocupado pela reflexão e pela interrogação. Este é o mundo do Twitter e do Facebook: um bom insulto vale mais do que uma reflexão séria ou irónica. E a imprensa entrou neste afã suicidário: alimenta-se das "redes sociais", assinando a sua morte perante o seu fascínio pela tecnologia que a destrói.»

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.11.16

«Não tem nenhum sentido esta crise que a administração [da Caixa Geral de Depósitos] provocou. Admitamos que lhes foi feita uma promessa, mas ela não tem suporte legal e portanto, esclarecido esse aspecto - porque a lei se aplica a todos -, é simplesmente feíssimo perante o País que haja uma administração que possa sair por causa disto... Administradores que ganham mais do que Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.10.16

«O blogger António Peixoto, que assinava como "Miguel Abrantes" (não sei porquê: "António Peixoto" já parece um pseudónimo), recebia 3550 euros para bajular o primeiro-ministro e mostrar os caninos aos seus críticos. Se a notícia é verdadeira, só me resta suspirar de alívio: uma coisa é elogiar Sócrates com convicção; outra, mais razoável, é receber algum dinheiro por esse trabalho sujo. A mais velha profissão do mundo não tem que ser a mais velha profissão imunda.»

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 21.10.16

«O miúdo que poupa uma moeda para beber um pirolito paga o novo imposto. Já o alcoólico milionário que abre, logo de manhã, a terceira garrafa de tintol da Herdade das Servas Colheita Seleccionada Balthazar 2011 (a 395,50 euros cada uma) não paga imposto nenhum. Isto é, só paga caso se lembre de misturar o vinho com uma gasosa.»

Miguel Esteves Cardoso, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.09.16

«Comparando o léxico de Mau Tempo no Canal, de 1944, com o romance de um autor contemporâneo, percebe-se que cerca de 20% desapareceu. A língua portuguesa está confinada ao seu ersatz, uma espécie de substituto ligeiro, uma língua de anúncios de aeroporto, de fala de supermercado. A escola é muito responsável pelo desastre, preferindo a pobreza do léxico, desculpabilizando os erros, parlapatando - esquecendo que quem fala e escreve mal pensa mal.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.08.16

«As coisas correram pessimamente ao Governo durante o mês de Agosto. Pelo caso da GALP e pela forma muito amadora como pareceu ser tratada a escolha da administração da Caixa Geral de Depósitos e depois a sugestão de uma proposta de lei para favorecer pessoas especificamente - isso é uma coisa que não se faz. (...) A economia está estagnada. (...) Era preciso haver melhores notícias para os salários, para as pessoas, para o investimento, para o emprego.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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Tempo, amigos e família

por João André, em 09.08.16

Foi na universidade que terei feito mais amizades para a vida. No sentido de amizades que durarão a vida inteira e em que, independentemente do tempo de separação, cada reencontro é vivido como com o calor associado ao retomar da conversa do dia anterior. No final dos estudos cada pessoa segue para seu lado, como é evidente. Nalguns casos as escolhas profissionais serão parcialmente influenciadas pela proximidade geografica a amigos, mas nem sempre isto é possível. Com a vida, os horários de trabalho e desfasamento na escolha de períodos de férias, a chegada de filhos e mil outros afazeres, o contacto reduz-se a uns telefonemas, um fim de semana ou outro e ocasiões não planeadas. Quanto maior a distância entre amigos, maior será a oportunidade para o reencontro.

 

No meu caso, que saí de Portugal há quase 13 anos, as oportunidades são bastante reduzidas. As minhas escolhas profissionais e pessoais reduzem-me a frequência de viagens a Portugal e a diferença de rendimentos entre Portugal e o centro da Europa também conspira para limitar a possibilidade de visitas de amigos - quando há menos dinheiro, é-se mais criterioso na selecção de destinos de férias e um amigo numa pequena cidade holandesa mais conhecida por um tratado que pelas vistas não figura muito alto na lista.

 

Instrumentos como o Facebook, Instagram, blogues e afins ajudam a ir mitigando a saudade. Acompanhamos melhor ou pior as aventuras e desenvolvimentos, vemos as crianças crescer - que grandes que estão!, deixa-me estar calado que detestava quando os amigos dos meus pais me diziam isso! estou igual a eles! - lemos sobre as opiniões, ideias, viagens e outras coisas do género. Comentamos, gostamos, reagimos, retweetamos, partilhamos, reencaminhamos. E no final deixamos sempre a mesma promessa: da próxima vez digo qualquer coisa a ver se vamos beber um café/jantar/sair.

 

A maior dificuldade surge quando temos que equilibrar as pessoas que mais estimamos com aquelas que mais nos estimam. Há pessoas que gostaríamos imenso de rever, mas que não têm exactamente o mesmo apreço por nós e outras haverá que têm saudades mortais nossas mas que nós colocaríamos num segundo patamar. Quando recentemente escrevi a um destes amigos «temos que nos encontrar», dei por mim a pensar que isso será improvável. Não que não tivesse prazer em fazê-lo, mas darei sempre prioridade, no meu tempo limitado, ao encontro com outras pessoas, sejam família ou amigos.

 

Foi uma sensação profundamente inquietante pensar que provavelmente já vi pela última vez com vida certas pessoas e que, se acaso lhes sobreviver, possivelmente não os voltarei a ver ou só lhes verei uma campa, no meio do cemitério, e a conversa será apenas um monólogo onde as respostas serão perfeitas porque imaginadas. Mais inquietante ainda quando este pensamente surge não no final da vida, quando começamos a ver amigos e conhecidos a ficar pelo caminho, mas no meio dela, quando ainda guiamos os nossos filhos e temos legítimas aspirações a ver muito do mundo (geografica e sensorialmente).

 

É nestes momentos que recordo uma frase de um dos meus mais velhos (em idade) amigos: não tenho tempo para ter amizades, só família. Não o compreendi verdadeiramente, quando lhe ouvi essa frase há tanto tempo. Hoje compreendo-a melhor. Tanto melhor porque não mais a ouvirei da sua voz e sem saber que assim o era até 5 segundos antes do telefonema que de tal me informou. Agora, com tal conhecimento - que estará sempre aquém do dele - tento orientar a minha vida nesse sentido. Guardo o meu tempo para a minha família, de sangue e de vida. E espero, desejo, que um dia a mesma vida me atire um rebuçado pelo caminho e eu o possa comer, juntamente com uns camarões e uma cerveja, com esses amigos que eu, cinicamente, vou descartando.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 01.08.16

«A aplicação do Acordo Ortográfico [AO] entrou numa dinâmica perversa. Mal informados, desorientados, os utentes refugiam-se no excesso de zelo, cortando consoantes a torto e a direito, em patéticas violações do Acordo em nome do próprio Acordo. De dezenas de casos documentáveis, citem-se atidão, cócix, helicótero, núcias, oção, óvio, rétil, sução, tenológico. Nem faltam as soluções invencivelmente criativas como "os fatos consumados", "em idade proveta", "travagem abruta", "pato com o diabo" (em reedição de Saramago), "catação de investimento",  "o entusiasmo elipsou-se", "a mulher latente". 

E que fazem os procriadores do Acordo? Encolhem os ombros, sorriem distantes, não é com eles. Há-de passar. Hipercorrecções sempre as houve e haverá. Tirando isso o Acordo é um sucesso. Não lhes ouvimos um público e curial "Não foi isto o que quisemos!", como se até isso os humilhasse.

Ao fim de anos e anos de queixas, denúncias, ataques, implorações, os inventores do AO continuam, pois, a festejá-lo. Nunca, porém, a protegê-lo. A sério: jamais se viu defenderem materialmente o seu produto.»

Fernando Venâncio, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.07.16

«Algumas estrelas do comentário padecem de curto-circuito neuronal. Só isso pode explicar as reacções estapafúrdias aos acontecimentos de Munique: primeiro, quando se imaginava que se tratava de uma réplica de Paris ou Nice, pedindo ao público para não cair na ‘esparrela da islamofobia’; depois, vislumbrando na identidade alemã do assassino uma filiação (que não se comprovou) de extrema–direita, dando largas à homilia do costume sobre o perigo do liberalismo. Não passa por nenhuma dessas pobres cabeças que a reacção contra o terrorismo só pode ser a condenação.

Tal como o nazismo e o comunismo exigiam uma dimensão global para os seus territórios, também o islamismo reivindica todo o planisfério como raio de acção. Ainda não havia identidade do maluquinho de Munique, já o Estado Islâmico matava 80 no Afeganistão e deixava assinatura. Mas o Afeganistão é longe, pensam os mesmos que escreveram que não se podem condenar Boko Haram com argumentos ocidentais, para não ‘diabolizar’ África. O mundo está perigoso, mas os neurónios do relativismo já eram perigosos há muito.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.07.16

«Não será possível manter os padrões actuais de liberdade, tolerância e pluralismo numa sociedade sacudida por matanças regulares de cidadãos. Um dia, esse será o problema que a maior parte dos cidadãos quererá ver tratado, e não a arqueologia da guerra do Iraque ou os confortos devidos aos imigrantes. Um dia, o público ocidental esperará que a polícia tudo faça, incluindo o que agora é inaceitável, para limitar os riscos, de modo que nunca mais se saiba que um terrorista era, afinal, conhecido das autoridades, que nada fizeram ou puderam fazer.»

Rui Ramos, no Observador

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 13.07.16

«A verdade é que o que venceu o Euro foi um novo modelo nacional. E, nesse sentido, o oposto da realidade pátria.

Uma forma de pensar, de ver, de agir, e obviamente um modo de seleccionar e treinar, que insiste mais na realização objectiva e nos resultados (no fundo, naquilo que está em jogo) do que na "beleza" discutível.

Nalgumas alturas, o ataque foi a melhor defesa. Noutras, a defesa, o melhor ataque. E jogou-se com um fito único, até ao último segundo: passar.

Tudo isso é o contrário dos hábitos nacionais, onde se reproduzia em campo o melhor do futebol de praia, e aquilo de que gostamos, os que nos deleitamos a jogar: mais uma finta, mais um adorno. Como no resto da vida comunitária, o que havia era o desporto como forma superior de poesia. Agora é o romantismo da eficácia, a batalha da produção, a frieza dos deveres, o "realismo".»

Nuno Rogeiro, na Sábado

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 12.06.16

«A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, exerceu a sua liberdade de escolha e matriculou as suas duas filhas numa escola privada. Tudo bem. Seria hipocrisia aproveitar esta sua opção para denegrir a sua sinceridade e empenho na defesa da escola pública. Pela sua inteligência, pela sua energia e pela sua convicção, Alexandra Leitão tornou-se o rosto do combate contra a continuidade dos contratos de associação que autorizavam o Estado a financiar escolas privadas em áreas onde o serviço público existe, e esse é um galhardete que ninguém lhe tira. Mas a falta de articulação entre a sua opção privada e a sua luta pública não é neutra no debate em curso. Dos políticos, para lá de palavras, esperamos exemplos. E o exemplo de Alexandra Leitão vai ao encontro dos defensores da liberdade de escolha. O racional é óbvio: a secretária de Estado fez uma opção pela escola privada e pôde pagá-la. Há milhões de portugueses que gostariam de fazer a mesma escolha, mas não têm dinheiro para tal.»

Manuel Carvalho, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.05.16

«O Bloco de Esquerda quer que se possa mudar de sexo aos 16 anos. Infelizmente, os adolescentes que mudarem de sexo mais cedo não vão poder celebrar com champanhe: álcool só aos 18. Mas há mais: propõe que o cartão de cidadão deixe de fazer menção ao sexo. Faz sentido. Um chip com informação privada? Claro. Revelar o sexo? Nunca!»

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.05.16

«Num momento em que a diversidade é aquilo que nós defendemos cada vez mais para todas as áreas da sociedade, defender a unicidade para a língua, para a escrita, é um disparate. Não faz o mínimo sentido. O que faz sentido é respeitar as ortografias que vão mudando nos diversos países, respeitar essa evolução e plasmá-la no papel. Não somos todos iguais, somos diferentes. Toda a evolução foi no sentido de divergirmos foneticamente e essa divergência, naturalmente, tem de reflectir-se na escrita.»

Nuno Pacheco, esta tarde, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 03.05.16

«Nunca percebi porque é que havia um acordo ortográfico. A maior língua do mundo, a língua mais falada, que é o inglês, nunca precisou de nenhum acordo ortográfico. Eu acredito na força da língua portuguesa e na sua pluralidade. E a vida real encarregar-se-á de lhe dar o seu próprio caminho. Se quisermos espartilhar a língua num acordo ortográfico, não creio que daí resulte nada de muito positivo. (...) Neste momento não faz sentido manter artificialmente vivo um acordo ortográfico quando três dos países fundamentais ainda não o ratificaram.»

António Vitorino, há pouco, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.04.16

«A comunicação social está permanentemente a mostrar aquilo em que a Humanidade é incapaz e a ocultar aquilo de que a Humanidade é capaz

Raquel Varela, (O Último Apaga a Luz, RTP3)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 18.03.16

«O "exercício do poder", como a história dos povos o prova tragicamente, transforma-se numa droga dura para alguns aventureiros, atraídos, sobretudo nas eras de crise, para as fornalhas do Estado. Se o Brasil não estivesse no clube restrito das grandes potências, a inacreditável fuga de Lula à justiça, acoitando-se no governo da sua protegida Dilma, seria apenas mais um burlesco episódio onde a jogada política e o banditismo se confundem. Com este gesto, Lula suicidou-se moral e simbolicamente, pois colocou a salvação da sua pele à frente do respeito da lei e da segurança do seu povo.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.03.16

«A mão estendida de Dilma a Lula seria o reconhecimento de que ela não pode nem negar-se a abraço de afogados. Dele, confirma-se o egocêntrico, que não se importa de arrastar o partido para a sua desgraça. Puxado à pressa a ministro, Lula passaria a privilegiado e só pode ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Vindo isto na sequência imediata de uma investigação judicial que indicia Lula ligado à corrupção (Operação Lava-Jato), o cargo ministerial e o privilégio inerente demonstrariam uma certeza: Dilma, Lula e PT estão-se marimbando para o parecer. É um comportamento que em certas circunstâncias até é nobre - quem nada deve à opinião pública pode ignorá-la se ela está errada. Em política, que deve ouvir a opinião pública, marimbar-se para ela é sempre uma de duas coisas: ou é prepotência ou é suicídio. Como democratas nunca se safam.»

 

Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.03.16

«Não existe uma nova ortografia. Existe, sim, um acordo que destrói a noção mais básica de ortografia, a que vem descrita, com clareza e secura, no relatório académico que antecedeu o acordo de 1945: "não se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra da língua portuguesa terá uma grafia única. Não se consideram grafias de uma mesma palavra" (por exemplo: ouro, oiro; louça, loiça; touro, toiro, etc.). Pois a tal "nova ortografia" não só consente como multiplica à exaustão grafias duplas e facultativas. Antes dela, o Brasil tinha uma ortografia. Portugal também. Agora, têm um supermercado de palavras, muitas delas caricatamente deformadas, para usar ao gosto do freguês - o "escrevente".

Ora Marcelo respeitou a ortografia (em vigor, já que nenhuma lei explicitamente a revogou) aprovada em 1945 com bases científicas. O que por aí anda é outra coisa. Chamem-lhe poligrafia, multigrafia, plurigrafia, arbitriografia, o que quiserem. Ortografia é que não. Por isso, se o senhor Presidente quiser poligrafar, poligrafe. Se não quiser, ponha algum tento nisto.»

 

Nuno Pacheco, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.02.16

«Recentemente, a decisão dos médicos belgas que aprovaram o suicídio assistido de uma rapariga de 24 anos que sofria de depressão - e estava há três anos em tratamento psiquiátrico sem sentir melhoras - é uma situação bastante perturbadora. Os números de pedidos de eutanásia de jovens têm crescido brutalmente e, na Holanda, uma criança de 11 anos pode aceder ao suicídio assistido. A morte, diz o povo, é o único problema para o qual não há remédio. Torná-la uma solução de problemas é perturbador e eticamente assustador. Não consigo defender a eutanásia.»

Ana Sá Lopes, no i

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.02.16

«Desde Abril até esta semana, vimos quatro metas socialistas para o défice de 2016: primeiro, 3% do PIB com um crescimento de 2,4%; depois, 2,8% e 2,6% com um crescimento de 2,1%; e, agora, 2,4% com um crescimento de 1,9%. Tomando os números como bons, isso significa que o PS está conscientemente a impor ao País um conjunto de medidas que significam mais austeridade e menos crescimento a troco do apoio das extremas-esquerdas para estar no poder.

Todos os organismos que se pronunciaram sobre os planos orçamentais do PS desaprovaram-nos, nos seus números e orientações. A slot machine de Mário Centeno - gasta um euro, saem quatro - não convencerá nem o próprio. Nos cálculos da UTAO, o ilusório "adeus à austeridade" exigirá que o Estado peça emprestados mais 11 milhões do que estava previsto há três meses. A aliança do PS com os que diabolizam a Europa, os mercados, a banca e os capitalistas está afinal a querer ficar mais dependente de todos eles, fazendo mais dívida para ser paga pelos governos que se lhe seguirem.»

Eva Gaspar, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 01.02.16

«A esquerda marxista clássica lia os grandes livros. Pelo contrário, a nossa doméstica esquerda pós-moderna confunde a bruta e fera realidade, onde se joga o destino pessoal e colectivo de dez milhões de portugueses, com um teste à sua boa consciência. Nem a tragédia do esmagamento da Grécia do Syriza lhe parece ter ensinado a perceber a desagradável diferença entre virtude e razão de Estado.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.01.16

«Quando um documento chega a Bruxelas com um parecer de uma entidade independente, como é o Conselho das Finanças Públicas, a dizer que esse mesmo documento tem "riscos relevantes" e que as previsões são "pouco prudentes", não seria de esperar uma reacção muito diferente da Unidade Técnica de Apoio Orçamental e da Comissão Europeia. O deputado socialista João Galamba, a quem coube a ingrata tarefa de rebater os argumentos do Conselho das Finanças Públicas, lembrou-se de dizer que "sem assumir riscos, não podemos ter resultados". Essa é a primeira frase em que penso quando chego ao Casino do Estoril, mas nunca tal coisa me passaria pela cabeça se estivesse em São Bento a governar e decidir a vida de milhões de pessoas.»

Pedro Sousa Carvalho, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.12.15

«O show televisivo [entrevista a Sócrates] foi o palco do aviltamento de Joana Marques Vidal e do sistema judicial como um todo. Sócrates, cuja deriva histriónica é inegável, fez-nos regressar à democracia ateniense, quando não havia separação de poderes nem processos formais de investigação. Quando a condenação até do mais justo dos heróis da Antiguidade - o general Aristides (530-468 a.C.) - poderia ser induzida por um demagogo, incendiando uma multidão na ágora. Partindo bilhas, e usando os cacos como boletins de voto, no sinistro processo de ostracismo. Um péssimo serviço à democracia que nenhuma guerra de audiências pode justificar.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 20.11.15

 

«A única coisa a que assisti [nos últimos dias] e que achei digna de mudar o mundo foi a curta e eloquente entrevista de rua a uma criança francesa e ao seu pai, gravada durante uma manifestação de solidariedade para com as vítimas deste brutal atentado. Uma entrevista em que a criança vai dando conta do seu medo, e o pai - perante um entrevistador que tem a inteligência de saber estar calado - a vai tranquilizando. "Eles têm armas, podem disparar"; "Mas nós temos flores, as velas e as flores estão aqui para nos proteger." Imperdível lição sobre como o mundo se muda a partir de dentro das nossas casas.»

Nicolau do Vale Pais, no Jornal de Negócios

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Por aqui se vê

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.11.15

"Pelas contas de Simão Ribeiro, dos sete deputados do PSD que foram indicados pela "jota", "pelo menos seis" estão a favor das alterações à lei propostas pela esquerda. O presidente da JSD assume que é favorável a esta alteração, admitindo que, na votação na generalidade, poderá votar a favor de todas as propostas, para depois, em comissão, "analisar com mais cuidado" cada uma das diversas propostas." - Expresso

 

Está tudo aqui neste trecho da notícia do Expresso. São uma espécie de partido dentro do próprio partido, vivem à sombra das quotas internas, e dão-se ao luxo de assumi-lo e vincá-lo publicamente. Têm sete deputados, e apesar de aparentemente integrados numa coligação funcionam como uma espécie de Verdes dentro do PSD. Nunca foram a votos e têm eles próprios o seu "grupo parlamentar" informal, com mais deputados do que os Verdes e com a vantagem de não terem de ser verdes para serem tratados como Verdes. Depois é só uma questão de ir negociando lugares, apoios, contrapartidas e influência para irem singrando na vida e construindo uma "carreira" até chegarem a ministros e aos "negócios". Como Passos Coelho, Miguel Relvas ou Miguel Macedo. E com os brilhantes resultados que temos visto em termos de imagem e reputação da classe política e dos próprios partidos.

A reforma dos partidos devia começar por aqui. Não me refiro à JSD, que é apenas uma de entre várias, mas às juventudes partidárias em geral e ao peso (desproporcionado, em meu entender) que têm nas estruturas internas dos partidos.

Faz sentido que os partidos tenham secções ou departamentos vocacionados para questões de juventude, como para a terceira idade ou questões laborais, por exemplo. Também faz sentido que os partidos tenham uma função pedagógica e formativa e que ela se exerça desde logo em relação aos mais jovens, embora em relação a estes isso devesse ser feito pela família e pela escola. Mas faz algum sentido, pergunto eu, que um partido não seja um todo uniforme e que depois dos dezoito anos se possa continuar a militar numa juventude partidária? Faz algum sentido que matulões bem criados, alguns precocemente anafados e cheios de tiques adultos, já instalados na vida e gozando dos benefícios da meia-idade continuem a ser tratados como "jovens" para efeitos partidários, gozando do estatuto e da influência que isso lhes confere no seio do partido? 

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.11.15

«O PR não deve bloquear o caminho de António Costa, para não acentuar a instabilidade e o alarme que diz querer evitar no País. Mas o futuro PM vai para São Bento apoiado em dois compromissos à sua esquerda que mais parecem listas de compras, em que não aparece uma única vez o nome da coisa que interessa e faz doer: "política europeia". Pode chegar-se ao governo só com legitimidade constitucional, mas para o manter importa ter o suplemento de legitimidade que só o sucesso das boas políticas pode garantir. De políticas capazes de ver o fundo dos problemas e não apenas o que cintila à superfície.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 06.11.15

«A tabuada é a mesma para a direita e para a esquerda. Cumprir os limites do défice, como deve ser e o País se comprometeu, obriga a tomar opções duras. Não se pode distribuir o dinheiro que não se tem e a riqueza que não se cria. Durante muito tempo teremos que continuar a ser governados sob o signo do mal menor. E isso significa que a austeridade terá que continuar, embora em doses cada vez mais reduzidas como, de resto, todas as candidaturas prometiam a ritmos diferenciados. E mesmo assim é preciso que tudo corra bem, hipótese cada vez mais longínqua.

O grande objectivo que os partidos da esquerda podem alcançar se vierem a ser governo não é uma mudança radical de política: é o afastamento da direita do governo. O resto há-de continuar, porque não há milagres. E não tardará até ouvirmos que a austeridade de esquerda é muito melhor do que a austeridade de direita. E que um aumento de 1,8 euros nas pensões feito por um governo de esquerda é uma política social enquanto um aumento de 1,8 euros nas pensões feito por um governo de direita é uma política de miséria e empobrecimento. Em política a aritmética é uma ciência muito pouco exacta, como sabemos.»

Paulo Ferreira, no Observador

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 05.11.15

«Nesta altura já deveríamos ter o Orçamento do Estado para 2016 a ser elaborado com orientações gerais sobre o que pode ser o enquadramento fiscal e de despesa pública, assim como as perspectivas de crescimento. Em vez disso vivemos numa total incerteza, com todos os efeitos negativos que já deverá estar a ter em decisões de investimento. Vamos pagar caro esta estratégia de António Costa. Que, por muito que nos tentem convencer, é tudo menos uma iniciativa que respeite o regime, a democracia e os portugueses. E que só tem margem para se concretizar porque estamos na União Europeia e porque o BCE anda a comprar dívida pública para baixar os juros.»

Helena Garrido, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 21.10.15

«Cavaco Silva não precisa de rendilhados filosóficos, algo que não costuma frequentar, para um dia destes indigitar Passos Coelho para dirigir o País. Consumado o facto, se verá então como se comporta António Costa que ameaçou com uma "maioria de esquerda" que se assemelha a um leite-creme sem consistência. Porque, para lá de uma identidade de interesses (afastar o PSD/CDS do poder), falta uma confiança total entre quem conspira e é inexistente a possibilidade de conciliação de conceitos tão diferentes sobre a Europa, a dívida e o défice. A partir de agora deixa de haver espaço para este jogo de paciências

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 20.10.15

«Ao fechar a porta ao diálogo com a coligação de direita, na base de alegadas divergências políticas, António Costa (AC) parece cada vez mais perdido dentro do personagem que construiu para se esconder da sua derrota eleitoral de 4 de Outubro: o pacificador das esquerdas. O personagem que tomou conta de AC é um futuro primeiro-ministro capaz de sarar um século de feridas entre mancheviques e bolcheviques, com algumas reuniões amenas e sorrisos amáveis. O problema é que a distância entre a direita e o PS, em Portugal e nas respectivas famílias europeias, é de quantidade, enquanto a diferença com os partidos à sua esquerda é de visão do mundo. É ontológica. Tem muito sangue, suor e lágrimas pelo meio. As esquerdas de que AC se sente tão próximo são feitas de fibras, memórias, sonhos, visões de futuro para a Europa que não permitiriam sobreviver mais de um semestre a um governo minoritário do PS.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 18.10.15

«A esquerda tem o dever de salvar o welfare state, mas para isso tem de o racionalizar. A prioridade é o emprego, sobretudo para os jovens, mas para isso exige destruir o apartheid entre os que estão dentro, e são protegidos, e os que estão fora e não têm direitos. O modelo da flexi-segurança, de inspiração nórdica, é uma das vias, contestada embora pelos sindicatos, que denunciam o trabalho precário mas apenas defendem "os que estão dentro".»

(...)

«O Syriza polarizou durante alguns meses a mobilização desta área. Mas a viragem final de Tsipras foi um balde de água fria. Em Espanha, o Podemos chegou a ocupar o  lugar cimeiro nas sondagens e abanou o sistema partidário. Teve o mérito de, ao obrigar os partidos tradicionais a reverem os seus "costumes", ter ajudado a reabilitar a credibilidade da política entre os cépticos cidadãos espanhóis. Hoje parece estar a descer, sendo a quarta força nas sondagens. Esta "esquerda da esquerda" oscila entre o "esplêndido isolamento" e a vontade de fazer alianças que lhe permitam aceder à área da governação, tentando forçar a esquerda reformista a adoptar uma parte dos seus temas. Noutros casos, a denúncia do euro e da autoridade europeia arrisca-se a conduzir a uma radicalização soberanista e a uma perversa convergência entre extrema-esquerda e extrema-direita.»

Jorge Almeida Fernandes, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 08.10.15

«O parco resultado alcançado pelo PS nas eleições do passado domingo constitui mais uma manifestação da crise que percorre a família social-democrata europeia.»

Francisco Assis, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.09.15

«Escreve-se mal por muitas razões. As pessoas não lêem. Vêem analfabetos a falar na televisão. E de imediato escrevem sem pensar. Tudo isso redunda num naufrágio: as redes são um bar de analfabetos.»

Arturo Pérez-Reverte, no El Mundo

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