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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 19.10.17

«Ninguém pode assistir sem dor e sem revolta ao colapso do sistema nacional de protecção civil. Quando as pessoas desamparadas, um pouco por todo o Norte e Centro do País, tentavam apagar as chamas com baldes e enxadas e acabavam a chorar os seus mortos, não se pode dizer-lhes que sejam resilientes. Nem falar em férias sacrificadas. Nem voltar a remeter para relatórios. Não se pode. O Estado falhou e o Governo não foi capaz de perceber a dimensão da tragédia.»

Helena Roseta, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 01.10.17

«Si ustedes se fijan, nadie en Cataluña, y muy pocos en el resto de España, insultan a los independentistas. Se trata de una opción legítima y desde luego legal, siempre que no se intente imponerla a los demás mediante la intimidación, la exclusión, el chantaje, la represalia o la amenaza directa: la que han sufrido ya muchos alcaldes reacios a ceder sua ayuntamientos para la pantomima. Porque es pantomima, si es que no pucherazo, um referéndum com ocultaciones, con un censo fantasma, una transparencia inexistente, un control llevado a cabo por los partidarios del "Si", sin cabinas, sin plazo cuerdo, sin uma participación mínima para considerarlo válido y sin más requisito para dar por cierto su resultado que un solo voto más para la opción ganadora, que además ya está decidida y cantada: si sólo acuden a votar los que votan "Si", me dirán ustedes dónde está el misterio. Este referéndum es tan sólo un mal adorno. La Generalitat lleva tiempo obrando como si se hubiera celebrado ya, con el resultado propugnado por ella, casi impuesto (su "neutralidad" es un chiste).»

 

Javier Marías, no El País

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 14.09.17

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«Em 2004 foi notícia a criação da Casa-Museu [do ex-Presidente Sidónio Pais, em Caminha] que recuperaria o imóvel a partir do ano seguinte, para consagração do grande estadista. Em 2017, na última Feira Medieval que a autarquia organiza, o seu espaço serviu, entre escombros, para a instalação das casas de banho. De casa-mãe do Presidente-rei a mictório público, é obra. Diz muito da absoluta derrocada daquilo que há de mais importante num povo. Não são algumas paredes apenas. São os valores e é sobretudo a memória.»

 

Nuno Melo, no Jornal de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 31.08.17

«O triste caso dos cadernos de exercícios da Porto Editora é o reflexo das leviandades, superficialidades e de um frenesim histérico em que estamos integrados, sendo de gargalhada que tenha sido um humorista a reconduzir os factos à sua significância. Grave é que não se atalhem outras realidades lesivas da dignidade humana, da igualdade de género e das injustiças que persistem. Grave é que, 43 anos depois de 25 de Abril, com a Esquerda no poder, em registo bafiento, o governo intervenha em tons de azul para recomendar a retirada de publicações. Grave é que, nesta como noutras matérias, as designadas referências morais da Liberdade, dos Serviços Públicos e de outras expressões comunitárias se remetam a um ensurdecedor silêncio.»

António Galamba, no i

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 30.08.17

 

«Este caso [da polémica em torno de dois cadernos de exercícios pré-escolares da Porto Editora] encerra várias histórias exemplares sobre o Portugal contemporâneo. Desde logo, a história do jornalismo-militante, que por vezes é mais militante do que jornalismo, e a da crise da imprensa (como é que em vários jornais e televisões, que se querem instituições sólidas e confiáveis, passou a mesma manipulação da realidade, sem o mínimo crivo hierárquico editorial sobre a relevância do assunto e a veracidade dos factos?). Mas também a história de um poder político que censura livros "polémicos" e a de um capitalismo tendencialmente receoso do Estado. Se Portugal fosse uma economia de mercado mais saudável, a Porto Editora tinha mandado o ministro Cabrita dar uma volta, de mão dada com a sua estratosférica prepotência. No fundo, esta é a história do estado das nossas elites. A democracia depende tanto da cacofonia das massas como da mediação dessa cacofonia. O que vimos foi a demissão total das elites que deviam fazer essa mediação, que claudicaram ao primeiro rugir da turba inorgânica das "redes sociais".»

Francisco Mendes da Silva, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.08.17

«Há uns livrinhos para crianças do pré-primário que - imagine-se! - têm cores diferentes consoante o sexo dos destinatários. Dizem-nos, agora, que o cor-de-rosa para meninas e o azul para meninos é coisa reaccionária. Vai daí, uma Comissão para a Igualdade de Género (é assim que se diz, não é?), depois de instruída por um ministro sagaz deste Governo, "sugeriu" a erradicação de tal discriminação. (...) Assim, o assunto - entre incêndios e outras desgraças - virou matéria de Estado, com uma solene admoestação à incauta editora, na esteira do tique interventivo de que alguns jamais se libertam. (...) Pus-me a pensar quando chegará o tempo certo de um auto-de-fé para os livros da Anita ou da Sofia, por óbvia discriminação. Ou, então, porque não substituir na Branca de Neve um dos sete anões que, coitados, trabalhavam como mineiros, por uma anã mineira? E, que diabo, no Ali Babá e os 40 ladrões nem uma quota simbólica de ladras? E a Heidi de saias, não pode ser!»

António Bagão Félix, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.08.17

«Uma coisa é promover a igualdade e a liberdade total quanto aos gostos, escolhas e percursos de meninos e meninas. Outra, bastante diferente, é considerar que esse caminho implica abolir diferenças (incluindo de gosto) e roubar o rosa às meninas. O objectivo da luta pela igualdade é adicionar oportunidades a ambos os sexos, não limitá-las ou subtraí-las.»

Inês Cardoso, no Jornal de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.08.17

«Importa chamar as coisas pelo seu nome: os incêndios na escala de escândalo que assumem em Portugal são um problema de soberania e defesa nacional. Devem ser combatidos directamente pelo Estado, com meios próprios permanentes. (...) Mesmo com meios próprios das Forças Armadas num modelo mais ágil de combate, será necessário decretar um longo estado de emergência nas áreas florestais, de modo a garantir a limpeza compulsória das matas e florestas, bem como a vigilância contra incendiários e eventuais actos de terrorismo.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 07.08.17

«A tentação totalitária existe. Desmonta-se com facilidade o mito de que certas eleições não são, na realidade, hologramas. A propagandeada por Nicolás Maduro na Venezuela (aplaudida em Portugal por quem parece preferir um regime onde a paz e o pão são hoje miragens) é uma das grandes mentiras contadas aos crédulos e aos idiotas úteis. Quando Maduro perdeu as eleições legislativas de forma clara, começou a congeminar uma solução milagrosa para se manter no poder. Sem a bênção dos preços altos do petróleo para abençoar a sua deriva totalitária, Maduro tirou uma carta marcada da manga: criou a farsa de uma Assembleia Constituinte para tirar legitimidade ao Parlamento eleito. Nesse aspecto, Trump é um perfeito aliado para Maduro, porque assim tenta aparecer como uma ovelha prestes a ser abatida por um carniceiro sem escrúpulos. Se Portugal tem de ser sensato na relação com a Venezuela, não pode fingir que não se passa nada.»

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 01.08.17

«Em 2017, esperaríamos que o governo, através do Ministério da Administração Interna, tivesse uma página de internet com toda a informação actualizada sobre a tragédia de Pedrógão Grande. Mas surpreendentemente não há um site oficial com a informação actualizada dos mortos, desaparecidos, feridos (e a evolução da gravidade), área ardida, valores das perdas económicas causadas pelos incêndios, estatísticas socio-económicas das habitações danificadas, apoios à população, alocação dos donativos privados. O mesmo ministério que usa as redes sociais abundantemente (onde, por engano, faz publicidade a sondagens favoráveis ao PS) não acha especialmente necessário oferecer informação oficial actualizada aos seus cidadãos.»

Nuno Garoupa, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 27.07.17

«Em todos os maus anos - e são muitos - há sempre um pequeno punhado de incêndios - quase sempre menos de 1% - que destroem por vezes mais de 90% da área total. Não é só azar, é também muita aselhice. Tal como o drama de Pedrógão Grande não foi um azar, foi uma consequência. Aliás, o incêndio da Sertã - que já lavra por Mação e Proença, ameaçando ser o pior de sempre - parece ser um caso paradigmático de aselhice: nas primeiras horas após a ignição, ainda com pequena dimensão, o fogo conseguiu quase o impossível: progredindo pela encosta abaixo, atravessou o IC8, perto de uma praia fluvial e chegou ao "barril de pólvora" (pinhal contínuo), tornando-se incontrolável. Ou seja, não houve azar nenhum. O combate a este incêndio será avaliado de forma independente e com rigor? E se houver conclusões, servirão para alguma coisa?»

Pedro Almeida Vieira, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.07.17

«Ao mais alto nível da chefia do Exército foi comunicado ao País que: a) os ladrões fizeram um favor ao Exército assaltando o paiol de Tancos, onde só havia sucata militar, assim poupando aos responsáveis o problema da sua inutilização; b) em lugar de apurar e explicar as circunstâncias em que um paiol de um quartel é assaltado e tratar de corrigi-las para que idêntica vergonha não se repita, optou-se por fechar de vez o paiol, assim garantindo o sucesso eterno da sua guarda e o fracasso de futuros assaltos semelhantes; c) nada de grave se tendo, pois, passado e nada havendo a lamentar ou a temer no futuro, os cinco oficiais provisoriamente suspensos foram reintegrados nas mesmíssimas funções - entre as quais as de guardar o paiol... que já não existe. Não foi anedota, foi genuíno fado lusitano.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 07.07.17

«Infelizmente, o Governo de António Costa tem dado muitos sinais errados. Nestes dois casos graves, por exemplo, já se percebeu que quer enveredar pela via do "fenómeno natural nunca visto" e do "nos outros países também roubam armas" - prevê-se, por isso, o pior em matéria de responsabilização (o maior incentivo para evitar erros futuros). Nas finanças públicas a história não é melhor. O Governo que usa a margem de não ter uma troika às costas e de ter vento a favor na economia para repor as 35 horas de trabalho no Estado ou baixar o IVA aos restaurantes mostra um entendimento sagaz das prioridades eleitorais, mas uma pobre leitura sobre as prioridades a dar ao dinheiro público (as cativações recorde, em despesas correntes que deixam serviços sem verba para gastos básicos, são mais um exemplo dessa má estratégia).»

Bruno Faria Lopes, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.06.17

«Sabe-se que o Eucalyptus Globulus consome recursos hídricos, arde com relativa facilidade, alimenta uma forte fileira industrial e ocupa aproximadamente 25% da floresta portuguesa. Sabe-se também que é uma das raras fontes de rendimento de populações do interior, como os autarcas da Região Centro frequentemente salientam. E sabe-se, por fim, que nos 200 mil hectares de eucaliptos, sobreiros e pinheiros geridos directamente pela indústria da celulose a área ardida é anualmente inferior a 1%. Aqui chegados, onde acaba a culpa do eucalipto e começa a dos proprietários?»

Luís Nazaré, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.06.17

«A tragédia de Pedrógão Grande, o enorme número de vítimas mortais num incêndio, expõe de forma dramática o abandono a que está votado Portugal. Vimos no fogo e nas mortes o fosso entre um país urbano, pendurado nos direitos e desabituado a ter deveres, e um país que vive entregue a si próprio, esquecido. Foi-nos mostrado, de forma terrível, como são ocas são as palavras e os discursos contra a desigualdade. Desigualdade é isto, é um Estado não ser capaz de proteger aldeias de um incêndio.»

Helena Garrido, no Observador

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.06.17

«No fim de tudo, a Felicidade com maiúscula compõe-se de minúsculos actos felizes; de agradáveis sensações passageiras; de um razoável estado de saúde; de expectativas positivas diante de um futuro sempre aziago, ainda que não totalmente tenebroso; de alguém que goste de ti; de um amigo que está disposto a ajudar-te; de pequenos prazeres inerentes aos cinco sentidos corporais.»

Manuel Vicent, no El País

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.05.17

«Fernando Medina foi criticado por se ter deslocado ao hotel de Madonna, para lhe dar as boas-vindas e ajudá-la a encontrar casa. Há quem diga que se subjugou aos caprichos da cantora, que ela é que devia ter ido à Câmara. Discordo: foi golpe de génio. Se Madonna tivesse de ir do Ritz à praça do Município, demorava três horas só para se desembaraçar da rotunda do Marquês. Provavelmente, desistia de morar numa cidade tão caótica. E perdíamos a honra de ter entre nós a Miley Cyrus dos anos oitenta.

Até há pouco tempo, o sítio onde tivera mais dificuldade em orientar-me fora a medina da cidade de Fez. Agora é a cidade que Medina fez.»

 

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.05.17

«Salvador Sobral tem uma voz relaxada, afinada e extraordinariamente musical - e um estilo muito elegante e espontâneo. Além disso, a canção que ele apresenta é diferente do padrão actual. Não tem os tiques que fizeram dos musicais da Broadway uma chatice desde os anos 1970: tudo parece hino protestante. Amar Pelos Dois tem o refinamento da canção urbana pré-Jesus Christ Superstar. E resulta mais moderna do que as modernices ultrapop da maioria das outras concorrentes - e dos números de caloiros em programas tipo The Voice, The X Factor ou American Idol

Caetano Veloso, em entrevista ao Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.05.17

 

«Um debate por vezes muito intolerante, a propósito da tolerância de ponto que o Governo concedeu para amanhã, dia 12. Um debate que tem quase sempre ignorado o fácil desvirtuamento que se tem feito do conceito de tolerância de ponto. E que, de novo, vai buscar estafados argumentos sobre a traição à laicidade do Estado. Como se os crentes católicos não fossem, também eles, cidadãos de corpo inteiro, com direito a não ser menosprezados pelo Estado.

Aliás, para acabar com esta influência católica sobre o Estado (ou judaico-cristã, para alargar mais o âmbito), tenho uma proposta simples: acabar com o gozo de sábados e domingos enquanto dias de descanso. Afinal, essa pesada herança religiosa que foi a instituição de um dia de descanso semanal (o sábado judaico e o domingo cristão) ainda é, seguramente, uma ameaça à laicidade. Por arrastamento, poderia acabar-se com todos os feriados que cheirem a catolicismo: desde logo, os vários dias de férias à volta do Natal e do Ano Novo (feriado religioso, na sua origem), a "ponte" da Páscoa e todos os outros.»

António Marujo, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 24.03.17

«O Acordo Ortográfico de 1990, em que abundam aberrações de todo o tipo, é mais um dos "monstros" gerados pela governação de Cavaco Silva (o mais famoso dos quais é o da dívida pública). E aqui vão, tão-só, dois exemplos.

O primeiro é o da eliminação arbitrária do uso do hífen. Que me pôs a suspeitar da razão pela qual a expressão "cor-de-rosa" tem hífen e a expressão "cor de laranja" não tem! Terá sido uma profecia política que só agora se consumou, com o traço de união entre o partido cor-de-rosa (PS) e a maioria parlamentar de esquerda que aguenta o governo?! E o partido cor de laranja (PPD-PSD) terá ficado sem hífen porque ameaça desmoronar-se?!

O segundo é o da supressão arbitrária do acento agudo, a provocar situações hilariantes. Veja-se o caso da expressão popular "Alto e pára o baile" (isto é, "stop"). Escrita com acento agudo antes do AO90, passou a escrever-se sem acento agudo - "Alto e para o baile" (isto é, "go") - na grafia do AO90.»

Alfredo Barroso, no i

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 17.03.17

«A degola inocente de consoantes mudas tem originado um caos. Em muitos casos, não respeitando a etimologia também comum a outras línguas (p. ex., actor, factor, sector), permitindo a ambivalência de critérios e o (ab)uso de todo inaceitável do AO (facto, fato; pacto, pato, etc). Já o h no início de uma palavra - a mais muda consoante do nosso alfabeto - subsiste enquanto grafema, dizem os ideólogos do AO, por razões etimológicas. Noutros casos de mudez da consoante, este fundamento não interessa, no h já é decisivo. Haja coerência! Claro que homem sem h seria uma pena impedindo a existência de homens com H grande. E uma hora H, sem o inicial h? seria "Ora O"?»

António Bagão Félix, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.02.17

«Um processo aqui, um caso de corrupção ali, uns empréstimos sem retorno, uns favores a amigos, uns assaltos a empresas, algumas manipulações do mercado, umas transferências para offshores, muita mentira e uma prodigiosa incompetência fizeram da "jóia da coroa" o que ela parece hoje e que faz com que os políticos tenham receio do pântano. Fica-se cada vez mais com a impressão de que o caso da Caixa é o caso do regime: tudo anda ligado, da política à banca, da PT aos telemóveis, das águas aos petróleos, da electricidade à celulose, do BES ao Banif, do BPN ao BCP... Podem fazer-se todos os inquéritos imagináveis, ficará sempre algo de fora, aparecerá sempre, à última hora, novo facto inesperado que permita negociação futura e ocultação passada. Debaixo de cada pedra há lacrau ou veneno. E muitos parecem interessados em esconder e esquecer. Mas acrescentam sempre qualquer coisa. (...) Se a democracia portuguesa não consegue apurar responsabilidades, julgar culpados, castigar nepotes e afilhados e refazer um banco seguro e honesto, se a democracia portuguesa tal não conseguir, condena-se a si própria. O processo da Caixa corre o risco de vir a ser o processo do regime.»

António Barreto, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.02.17

«A Lituânia passou entre 2008 e 2010 por um ajustamento duríssimo, com reduções dos salários públicos de 20% a 30%, com cortes nas pensões acima de 10%, com toda a coreografia dramática das exigências do FMI (pobreza, desemprego, desesperança) e se está hoje onde está é porque o sacrifício valeu a pena. O mesmo aconteceu na Irlanda. Ou, em parte, na Espanha. Se Portugal continua a ter ainda hoje um PIB abaixo do que registava em 2009, se cresce a ritmo de caracol, se a pobreza se mantém na ordem dos 20% da população e se continua a ser ultrapassado pelo cão e o gato, é porque o sacrifício não valeu a pena. Afinal, Portugal não deixou de ser um paraíso para as corporações patrocinadas pelo Estado. Não deixou de ser condescendente com ministros que fogem à verdade. Permite fugas de dez mil milhões de euros para os off-shores perante a passividade das autoridades tributárias. Subalterniza a Matemática e o Português nas escolas. Dá horários de privilégio a funcionários públicos. Isenta os restaurantes da equidade fiscal.»

Manuel Carvalho, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 13.02.17

«Outras questões crescem na sombra de Centeno e mostram a forma como o Estado português está prisioneiro de interesses pessoais. Não é normal que um Governo tenha aceitado abdicar dos poderes do Estado democrático permitindo que um gestor (com o auxílio de uma sociedade de advogados) pudesse ousar mudar uma lei da República para se encontrar uma solução à vontade do freguês. É aqui que está o cerne da questão. E, neste caso, o aroma do caso CGD evoluiu de forma vergonhosa.»

Fernando Sobral, hoje, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 09.02.17

«O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que rejeita a revisão do acordo ortográfico. E eu rejeito essa forma de rejeição, porque a considero autoritária, arrogante, dogmática e deselegante para com a Academia das Ciências. A Academia, que é, de acordo com a lei, conselheira do Governo em matéria da língua, não foi ouvida nem achada no que diz respeito ao acordo. E limitou-se a apresentar, agora, um conjunto de sugestões indicativas para que se começasse a debater este assunto e para tentar melhorar, se possível, um acordo que nasceu mal, um acordo falhado.

Esta posição do ministro [Augusto Santos Silva], que fala em nome do Governo, revela um grande desprezo por todos aqueles que se têm oposto desde o princípio a este acordo. Desprezo por escritores, por gente das letras, por académicos, por professores e por muitos cidadãos que manifestam a sua oposição a este acordo, que está a fragmentar a língua e a dividir os portugueses. Já nem falo de mim, falo do Vasco Graça Moura, que mostrou de mil e uma maneiras todos os erros deste acordo, que, aliás, considerava inconstitucional. Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»

Manuel Alegre, hoje, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 03.02.17

«As redes sociais transmitem a imagem de um povo constantemente furioso, absurdamente furioso. A massa é de tal forma caótica, disforme e precipitada nos julgamentos que se neste momento o poder passasse para as redes sociais não havia poder. É um pouco como o nosso mundo: um mundo que demonizou o poder. Tudo isso não é saudável para a esfera pública. As redes sociais são uma espécie de "Queda da Bastilha" do nosso tempo. Aquele "povo" é um povo propagandeado e indignado. Tudo em pé de igualdade, a dizer qualquer coisa. Mas é óbvio que as coisas que se dizem não têm todas o mesmo valor.»

Pedro Lomba, no Jornal Económico

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.01.17

«Apesar das sugestões razoáveis que propôs, é lastimável que a nossa Academia das Ciências tivesse aprovado um péssimo acordo ortográfico que não acrescenta nada de bom à nossa História.»

Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 07.01.17

«Mário Soares foi o credor da democracia. Quando houve o golpe militar [de 1974], tecnicamente, houve um golpe de Estado, porque é assim que se chama um aparelho que sustenta um governo e o deixa. Depois é que vem a modificação do regime. E apareceram duas correntes que também dividiram a Europa - porque havia um projecto de chegar do Atlântico aos Urais e um projecto de chegar desde Berlim até ao Atlântico. Ganhou o primeiro projecto. Mas dentro do País as duas correntes também se bateram. E quem é que impediu que perdesse a corrente da democratização? Foi o Mário Soares, com a inteira concordância do general Eanes. E essa vitória não é devidamente valorizada na herança dele. Foi uma luta enorme.»

Adriano Moreira, esta noite, na TVI24

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.12.16

«O puzzle sírio está finalmente desenhado: os ditadores da Rússia, do Irão e da Turquia sustentam no poder o ditador sírio, ajudando-o a anular de vez a resistência interna, depois de Alepo; Erdogan recebe luz verde para esmagar os curdos, que são a frente de combate mais activa contra o Daesh em Mossul; Trump junta-se a Putin para, depois da Síria resolvida, esmagar o Daesh e, de caminho, sacrificar os curdos. E a Europa recebe as vítimas da Síria. Quanto ao Daesh, escolhe como alvo privilegiado a Alemanha, que não tem nada a ver com o conflito, excepto na generosidade com que recebe os refugiados do desastre. É a velha e grande política de regresso.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.11.16

«As emoções ocupam o território outrora ocupado pela reflexão e pela interrogação. Este é o mundo do Twitter e do Facebook: um bom insulto vale mais do que uma reflexão séria ou irónica. E a imprensa entrou neste afã suicidário: alimenta-se das "redes sociais", assinando a sua morte perante o seu fascínio pela tecnologia que a destrói.»

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.11.16

«Não tem nenhum sentido esta crise que a administração [da Caixa Geral de Depósitos] provocou. Admitamos que lhes foi feita uma promessa, mas ela não tem suporte legal e portanto, esclarecido esse aspecto - porque a lei se aplica a todos -, é simplesmente feíssimo perante o País que haja uma administração que possa sair por causa disto... Administradores que ganham mais do que Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 23.10.16

«O blogger António Peixoto, que assinava como "Miguel Abrantes" (não sei porquê: "António Peixoto" já parece um pseudónimo), recebia 3550 euros para bajular o primeiro-ministro e mostrar os caninos aos seus críticos. Se a notícia é verdadeira, só me resta suspirar de alívio: uma coisa é elogiar Sócrates com convicção; outra, mais razoável, é receber algum dinheiro por esse trabalho sujo. A mais velha profissão do mundo não tem que ser a mais velha profissão imunda.»

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 21.10.16

«O miúdo que poupa uma moeda para beber um pirolito paga o novo imposto. Já o alcoólico milionário que abre, logo de manhã, a terceira garrafa de tintol da Herdade das Servas Colheita Seleccionada Balthazar 2011 (a 395,50 euros cada uma) não paga imposto nenhum. Isto é, só paga caso se lembre de misturar o vinho com uma gasosa.»

Miguel Esteves Cardoso, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.09.16

«Comparando o léxico de Mau Tempo no Canal, de 1944, com o romance de um autor contemporâneo, percebe-se que cerca de 20% desapareceu. A língua portuguesa está confinada ao seu ersatz, uma espécie de substituto ligeiro, uma língua de anúncios de aeroporto, de fala de supermercado. A escola é muito responsável pelo desastre, preferindo a pobreza do léxico, desculpabilizando os erros, parlapatando - esquecendo que quem fala e escreve mal pensa mal.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.08.16

«As coisas correram pessimamente ao Governo durante o mês de Agosto. Pelo caso da GALP e pela forma muito amadora como pareceu ser tratada a escolha da administração da Caixa Geral de Depósitos e depois a sugestão de uma proposta de lei para favorecer pessoas especificamente - isso é uma coisa que não se faz. (...) A economia está estagnada. (...) Era preciso haver melhores notícias para os salários, para as pessoas, para o investimento, para o emprego.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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Tempo, amigos e família

por João André, em 09.08.16

Foi na universidade que terei feito mais amizades para a vida. No sentido de amizades que durarão a vida inteira e em que, independentemente do tempo de separação, cada reencontro é vivido como com o calor associado ao retomar da conversa do dia anterior. No final dos estudos cada pessoa segue para seu lado, como é evidente. Nalguns casos as escolhas profissionais serão parcialmente influenciadas pela proximidade geografica a amigos, mas nem sempre isto é possível. Com a vida, os horários de trabalho e desfasamento na escolha de períodos de férias, a chegada de filhos e mil outros afazeres, o contacto reduz-se a uns telefonemas, um fim de semana ou outro e ocasiões não planeadas. Quanto maior a distância entre amigos, maior será a oportunidade para o reencontro.

 

No meu caso, que saí de Portugal há quase 13 anos, as oportunidades são bastante reduzidas. As minhas escolhas profissionais e pessoais reduzem-me a frequência de viagens a Portugal e a diferença de rendimentos entre Portugal e o centro da Europa também conspira para limitar a possibilidade de visitas de amigos - quando há menos dinheiro, é-se mais criterioso na selecção de destinos de férias e um amigo numa pequena cidade holandesa mais conhecida por um tratado que pelas vistas não figura muito alto na lista.

 

Instrumentos como o Facebook, Instagram, blogues e afins ajudam a ir mitigando a saudade. Acompanhamos melhor ou pior as aventuras e desenvolvimentos, vemos as crianças crescer - que grandes que estão!, deixa-me estar calado que detestava quando os amigos dos meus pais me diziam isso! estou igual a eles! - lemos sobre as opiniões, ideias, viagens e outras coisas do género. Comentamos, gostamos, reagimos, retweetamos, partilhamos, reencaminhamos. E no final deixamos sempre a mesma promessa: da próxima vez digo qualquer coisa a ver se vamos beber um café/jantar/sair.

 

A maior dificuldade surge quando temos que equilibrar as pessoas que mais estimamos com aquelas que mais nos estimam. Há pessoas que gostaríamos imenso de rever, mas que não têm exactamente o mesmo apreço por nós e outras haverá que têm saudades mortais nossas mas que nós colocaríamos num segundo patamar. Quando recentemente escrevi a um destes amigos «temos que nos encontrar», dei por mim a pensar que isso será improvável. Não que não tivesse prazer em fazê-lo, mas darei sempre prioridade, no meu tempo limitado, ao encontro com outras pessoas, sejam família ou amigos.

 

Foi uma sensação profundamente inquietante pensar que provavelmente já vi pela última vez com vida certas pessoas e que, se acaso lhes sobreviver, possivelmente não os voltarei a ver ou só lhes verei uma campa, no meio do cemitério, e a conversa será apenas um monólogo onde as respostas serão perfeitas porque imaginadas. Mais inquietante ainda quando este pensamente surge não no final da vida, quando começamos a ver amigos e conhecidos a ficar pelo caminho, mas no meio dela, quando ainda guiamos os nossos filhos e temos legítimas aspirações a ver muito do mundo (geografica e sensorialmente).

 

É nestes momentos que recordo uma frase de um dos meus mais velhos (em idade) amigos: não tenho tempo para ter amizades, só família. Não o compreendi verdadeiramente, quando lhe ouvi essa frase há tanto tempo. Hoje compreendo-a melhor. Tanto melhor porque não mais a ouvirei da sua voz e sem saber que assim o era até 5 segundos antes do telefonema que de tal me informou. Agora, com tal conhecimento - que estará sempre aquém do dele - tento orientar a minha vida nesse sentido. Guardo o meu tempo para a minha família, de sangue e de vida. E espero, desejo, que um dia a mesma vida me atire um rebuçado pelo caminho e eu o possa comer, juntamente com uns camarões e uma cerveja, com esses amigos que eu, cinicamente, vou descartando.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 01.08.16

«A aplicação do Acordo Ortográfico [AO] entrou numa dinâmica perversa. Mal informados, desorientados, os utentes refugiam-se no excesso de zelo, cortando consoantes a torto e a direito, em patéticas violações do Acordo em nome do próprio Acordo. De dezenas de casos documentáveis, citem-se atidão, cócix, helicótero, núcias, oção, óvio, rétil, sução, tenológico. Nem faltam as soluções invencivelmente criativas como "os fatos consumados", "em idade proveta", "travagem abruta", "pato com o diabo" (em reedição de Saramago), "catação de investimento",  "o entusiasmo elipsou-se", "a mulher latente". 

E que fazem os procriadores do Acordo? Encolhem os ombros, sorriem distantes, não é com eles. Há-de passar. Hipercorrecções sempre as houve e haverá. Tirando isso o Acordo é um sucesso. Não lhes ouvimos um público e curial "Não foi isto o que quisemos!", como se até isso os humilhasse.

Ao fim de anos e anos de queixas, denúncias, ataques, implorações, os inventores do AO continuam, pois, a festejá-lo. Nunca, porém, a protegê-lo. A sério: jamais se viu defenderem materialmente o seu produto.»

Fernando Venâncio, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.07.16

«Algumas estrelas do comentário padecem de curto-circuito neuronal. Só isso pode explicar as reacções estapafúrdias aos acontecimentos de Munique: primeiro, quando se imaginava que se tratava de uma réplica de Paris ou Nice, pedindo ao público para não cair na ‘esparrela da islamofobia’; depois, vislumbrando na identidade alemã do assassino uma filiação (que não se comprovou) de extrema–direita, dando largas à homilia do costume sobre o perigo do liberalismo. Não passa por nenhuma dessas pobres cabeças que a reacção contra o terrorismo só pode ser a condenação.

Tal como o nazismo e o comunismo exigiam uma dimensão global para os seus territórios, também o islamismo reivindica todo o planisfério como raio de acção. Ainda não havia identidade do maluquinho de Munique, já o Estado Islâmico matava 80 no Afeganistão e deixava assinatura. Mas o Afeganistão é longe, pensam os mesmos que escreveram que não se podem condenar Boko Haram com argumentos ocidentais, para não ‘diabolizar’ África. O mundo está perigoso, mas os neurónios do relativismo já eram perigosos há muito.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.07.16

«Não será possível manter os padrões actuais de liberdade, tolerância e pluralismo numa sociedade sacudida por matanças regulares de cidadãos. Um dia, esse será o problema que a maior parte dos cidadãos quererá ver tratado, e não a arqueologia da guerra do Iraque ou os confortos devidos aos imigrantes. Um dia, o público ocidental esperará que a polícia tudo faça, incluindo o que agora é inaceitável, para limitar os riscos, de modo que nunca mais se saiba que um terrorista era, afinal, conhecido das autoridades, que nada fizeram ou puderam fazer.»

Rui Ramos, no Observador

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 13.07.16

«A verdade é que o que venceu o Euro foi um novo modelo nacional. E, nesse sentido, o oposto da realidade pátria.

Uma forma de pensar, de ver, de agir, e obviamente um modo de seleccionar e treinar, que insiste mais na realização objectiva e nos resultados (no fundo, naquilo que está em jogo) do que na "beleza" discutível.

Nalgumas alturas, o ataque foi a melhor defesa. Noutras, a defesa, o melhor ataque. E jogou-se com um fito único, até ao último segundo: passar.

Tudo isso é o contrário dos hábitos nacionais, onde se reproduzia em campo o melhor do futebol de praia, e aquilo de que gostamos, os que nos deleitamos a jogar: mais uma finta, mais um adorno. Como no resto da vida comunitária, o que havia era o desporto como forma superior de poesia. Agora é o romantismo da eficácia, a batalha da produção, a frieza dos deveres, o "realismo".»

Nuno Rogeiro, na Sábado

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 12.06.16

«A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, exerceu a sua liberdade de escolha e matriculou as suas duas filhas numa escola privada. Tudo bem. Seria hipocrisia aproveitar esta sua opção para denegrir a sua sinceridade e empenho na defesa da escola pública. Pela sua inteligência, pela sua energia e pela sua convicção, Alexandra Leitão tornou-se o rosto do combate contra a continuidade dos contratos de associação que autorizavam o Estado a financiar escolas privadas em áreas onde o serviço público existe, e esse é um galhardete que ninguém lhe tira. Mas a falta de articulação entre a sua opção privada e a sua luta pública não é neutra no debate em curso. Dos políticos, para lá de palavras, esperamos exemplos. E o exemplo de Alexandra Leitão vai ao encontro dos defensores da liberdade de escolha. O racional é óbvio: a secretária de Estado fez uma opção pela escola privada e pôde pagá-la. Há milhões de portugueses que gostariam de fazer a mesma escolha, mas não têm dinheiro para tal.»

Manuel Carvalho, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.05.16

«O Bloco de Esquerda quer que se possa mudar de sexo aos 16 anos. Infelizmente, os adolescentes que mudarem de sexo mais cedo não vão poder celebrar com champanhe: álcool só aos 18. Mas há mais: propõe que o cartão de cidadão deixe de fazer menção ao sexo. Faz sentido. Um chip com informação privada? Claro. Revelar o sexo? Nunca!»

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.05.16

«Num momento em que a diversidade é aquilo que nós defendemos cada vez mais para todas as áreas da sociedade, defender a unicidade para a língua, para a escrita, é um disparate. Não faz o mínimo sentido. O que faz sentido é respeitar as ortografias que vão mudando nos diversos países, respeitar essa evolução e plasmá-la no papel. Não somos todos iguais, somos diferentes. Toda a evolução foi no sentido de divergirmos foneticamente e essa divergência, naturalmente, tem de reflectir-se na escrita.»

Nuno Pacheco, esta tarde, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 03.05.16

«Nunca percebi porque é que havia um acordo ortográfico. A maior língua do mundo, a língua mais falada, que é o inglês, nunca precisou de nenhum acordo ortográfico. Eu acredito na força da língua portuguesa e na sua pluralidade. E a vida real encarregar-se-á de lhe dar o seu próprio caminho. Se quisermos espartilhar a língua num acordo ortográfico, não creio que daí resulte nada de muito positivo. (...) Neste momento não faz sentido manter artificialmente vivo um acordo ortográfico quando três dos países fundamentais ainda não o ratificaram.»

António Vitorino, há pouco, na SIC Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.04.16

«A comunicação social está permanentemente a mostrar aquilo em que a Humanidade é incapaz e a ocultar aquilo de que a Humanidade é capaz

Raquel Varela, (O Último Apaga a Luz, RTP3)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 18.03.16

«O "exercício do poder", como a história dos povos o prova tragicamente, transforma-se numa droga dura para alguns aventureiros, atraídos, sobretudo nas eras de crise, para as fornalhas do Estado. Se o Brasil não estivesse no clube restrito das grandes potências, a inacreditável fuga de Lula à justiça, acoitando-se no governo da sua protegida Dilma, seria apenas mais um burlesco episódio onde a jogada política e o banditismo se confundem. Com este gesto, Lula suicidou-se moral e simbolicamente, pois colocou a salvação da sua pele à frente do respeito da lei e da segurança do seu povo.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 16.03.16

«A mão estendida de Dilma a Lula seria o reconhecimento de que ela não pode nem negar-se a abraço de afogados. Dele, confirma-se o egocêntrico, que não se importa de arrastar o partido para a sua desgraça. Puxado à pressa a ministro, Lula passaria a privilegiado e só pode ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal. Vindo isto na sequência imediata de uma investigação judicial que indicia Lula ligado à corrupção (Operação Lava-Jato), o cargo ministerial e o privilégio inerente demonstrariam uma certeza: Dilma, Lula e PT estão-se marimbando para o parecer. É um comportamento que em certas circunstâncias até é nobre - quem nada deve à opinião pública pode ignorá-la se ela está errada. Em política, que deve ouvir a opinião pública, marimbar-se para ela é sempre uma de duas coisas: ou é prepotência ou é suicídio. Como democratas nunca se safam.»

 

Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.03.16

«Não existe uma nova ortografia. Existe, sim, um acordo que destrói a noção mais básica de ortografia, a que vem descrita, com clareza e secura, no relatório académico que antecedeu o acordo de 1945: "não se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra da língua portuguesa terá uma grafia única. Não se consideram grafias de uma mesma palavra" (por exemplo: ouro, oiro; louça, loiça; touro, toiro, etc.). Pois a tal "nova ortografia" não só consente como multiplica à exaustão grafias duplas e facultativas. Antes dela, o Brasil tinha uma ortografia. Portugal também. Agora, têm um supermercado de palavras, muitas delas caricatamente deformadas, para usar ao gosto do freguês - o "escrevente".

Ora Marcelo respeitou a ortografia (em vigor, já que nenhuma lei explicitamente a revogou) aprovada em 1945 com bases científicas. O que por aí anda é outra coisa. Chamem-lhe poligrafia, multigrafia, plurigrafia, arbitriografia, o que quiserem. Ortografia é que não. Por isso, se o senhor Presidente quiser poligrafar, poligrafe. Se não quiser, ponha algum tento nisto.»

 

Nuno Pacheco, no Público

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.02.16

«Recentemente, a decisão dos médicos belgas que aprovaram o suicídio assistido de uma rapariga de 24 anos que sofria de depressão - e estava há três anos em tratamento psiquiátrico sem sentir melhoras - é uma situação bastante perturbadora. Os números de pedidos de eutanásia de jovens têm crescido brutalmente e, na Holanda, uma criança de 11 anos pode aceder ao suicídio assistido. A morte, diz o povo, é o único problema para o qual não há remédio. Torná-la uma solução de problemas é perturbador e eticamente assustador. Não consigo defender a eutanásia.»

Ana Sá Lopes, no i

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