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O PSD sem rei nem roque.

por Luís Menezes Leitão, em 20.04.17

Depois das confusões que se verificaram na candidatura a Lisboa — e que hoje já tiveram graves consequências — imagine-se o que surge agora: uma proposta de Luís Montenegro para criar um sistema eleitoral à grega que desse um bónus de 50 deputados ao partido vencedor. Não me parece que isso fosse minimamente compatível com o sistema de representação proporcional que o art. 288º h) eleva a limite material de revisão, mas até dou isso de barato. O que me parece é que o PSD continua centrado em não aceitar a derrota que teve em 2015, o que o impede de preparar a vitória em eleições subsequentes, desde logo estas autárquicas, que seriam decisivas. 

 

Isto só me lembra Álvaro Cunhal que em 1999 resolveu escrever um livro (A verdade e a mentira na Revolução de Abril), dizendo que o PCP só tinha perdido as eleições de 1975 porque os partidos adversários tinham mentido aos eleitores. Na altura alguém perguntou-lhe se estava a propor que fossem repetidas 24 anos depois as eleições de 1975... Já é mais que altura de o PSD deixar de falar em 2015 e concentrar-se em ganhar as eleições com as regras existentes, que já deram amplas vitórias ao partido. Não peçam bónus de deputados, que a constituição não permite. Peçam mas é a maioria absoluta aos eleitores.

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Lisboa: a derrota anunciada

por Pedro Correia, em 21.03.17

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Pensei que o PSD iria apresentar uma candidatura autárquica em Lisboa que pudesse derrotar o actual presidente da câmara, Fernando Medina. Enganei-me. Afinal o PSD decidiu apresentar uma candidatura destinada a derrotar não o autarca socialista mas a candidata do CDS, Assunção Cristas, que se encontra  há seis meses em campanha.

Promete ser uma refrega muito renhida neste campeonato das equipas pequenas em que aposta a direcção nacional do PSD. No campeonato a sério, Medina – que já seria um oponente difícil – adquire assim o estatuto de imbatível apesar de ter optado por um modelo de gestão em Lisboa que privilegia quem nos visita em desfavor de quem aqui vive ou trabalha.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta. Preferiu escolher como oponente  a líder do CDS, medindo forças na ala direita do tabuleiro político em vez de se concentrar nos problemas de Lisboa. Torna-se assim num aliado objectivo dos socialistas na capital – o que aliás está longe de suceder pela primeira vez.

 

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam escolhido para encabeçar a sua lista de 2017 a dirigente que já integrou a lista de 2013, na segunda posição, saldando-se essa participação no maior fracasso de sempre do partido laranja na capital.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por alguém que surge como enésima escolha após terem sido sucessivamente anunciados e desmentidos na praça pública, durante meses a fio, nomes tão diversos como os de Pedro Santana Lopes, Jorge Moreira da Silva, Nuno Morais Sarmento, José Eduardo Martins, José Eduardo Moniz, Paulo Rangel, Maria Luís Albuquerque, Carlos Barbosa, José Miguel Júdice, Pedro Reis, Sofia Galvão e Teresa Morais.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas teriam optado por alguém disponível para se entregar em regime de dedicação exclusiva à função autárquica em vez de se distribuir pela vice-presidência do partido, a bancada parlamentar e a presidência da Comissão de Finanças, Orçamento e Modernização Administrativa em São Bento.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por anunciar para o topo da sua lista em Lisboa alguém que, enquanto membro da vereação nestes quatro anos, faltou a dois terços das reuniões do executivo municipal.

 

Há derrotas políticas honrosas – as que ocorrem após um combate duro mas leal. Das outras não reza a história – aquelas que acontecem quando se baixa os braços e se abdica de ir à luta, trocando-se o campeonato principal pela divisão secundária. Como acaba de suceder com o PSD a seis meses da ida às urnas.

O PS só poderá sentir-se grato perante tanta gentileza. Espero que Medina já tenha remetido à sede da São Caetano à Lapa um cartãozinho a agradecer.

 

Leitura complementar: O cerco.

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TSU e o mau da fita

por José António Abreu, em 25.01.17

1. Economia

Em Portugal, ninguém questiona que tudo passe pelo Estado e tudo dependa do Estado. Ao lidar com o sector público mas também com o privado, o governo age como se o dinheiro dos contribuintes fosse inesgotável e a economia de uma resiliência à prova de bala. Daqui nasce um círculo vicioso: a economia cresce pouco, o Estado não obtém os recursos pretendidos, o orçamento público apresenta défices crónicos, os impostos e a dívida aumentam, a economia cresce ainda menos. Tudo isto perante a complacência – quando não o aplauso – das associações patronais, dos sindicatos, da maioria dos comentadores, do Presidente da República. A polémica em torno da TSU constitui mais um exemplo desta lógica. A medida é péssima: apoia-se em dinheiro dos contribuintes, serve de contraponto a um aumento exagerado (porque muito superior aos ganhos de produtividade) do salário mínimo (já demasiado próximo do salário mediano), e, num país onde ele abrange vinte e tal por cento dos trabalhadores, incentiva as empresas a usá-lo ainda mais. Porém, isto não impediu que as associações patronais a sancionassem. Em vez de defenderem medidas que permitam a subida do salário mediano e forcem o Estado a um nível superior de eficiência (descidas de impostos ou simplificação de processos burocráticos, por exemplo), escolheram (escolhem sempre) alinhar numa lógica de subsidiação, apoiada em cada vez mais regras e excepções. Ou seja: em Portugal, as associações patronais são uma parte não apenas activa mas entusiasta no crescimento desmesurado do Estado - e, por conseguinte, no agravamento dos problemas dos seus próprios associados.

 

2. Política

Passos Coelho é um espinho cravado no sistema político nacional. O homem recusa-se a seguir o guião. Parece que, de repente, até decidiu fazer política. Indivíduos mais atentos teriam notado a forma como ele deu a volta a Paulo Portas em 2013; como aguentou críticas ferozes, vaticínios catastrofistas e distorções variadas (que, evidentemente, nada tinham a ver com «pós-verdade» ou «factos alternativos») enquanto foi primeiro-ministro; como, quebrando a tradição nacional de que uma pessoa não se «rebaixa» a um papel menos importante do que outro já desempenhado, assumiu o lugar de deputado após a queda do seu governo às mãos da «geringonça». Na verdade, Passos é um político. Um excelente político. Nas últimas semanas, António Costa – este sim, considerado por todos um político exímio, para além de um negociador imbatível – deu-lhe oportunidade para o demonstrar. Costa fechou um acordo que violava a Constituição (o escândalo mediático que teria surgido há apenas um par de anos...) e para o qual não garantira apoio parlamentar. Para o fazer passar, contava com a passividade do PCP, do Bloco – ou do PSD. Os dois primeiros foram iguais a si mesmos e mostraram que o governo de Portugal não é estável nem credível (quanto a duradouro, veremos). Por seu turno, Passos resolveu finalmente assumir o papel de líder da oposição e cumprir o que prometera aquando da tomada de posse da «geringonça»: forçá-la a governar. Nos dias seguintes, verificou-se que Costa tinha quase toda a gente «importante» com ele: a intelligentsia mediática, os «patrões», a UGT, a facção «bem-pensante» do PSD, o Presidente da República. Só que Passos aguentou muito mais durante os anos da Troika. Não cedeu, e fez bem. Contudo, assumiu um risco: para os poderes instalados (os mesmos que Ricardo Salgado elogiou explícita e implicitamente no artigo que escreveu aquando da morte de Mário Soares), é cada vez mais importante afastá-lo da liderança do PSD.

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As baboseiras do Barbosa

por Pedro Correia, em 05.01.17

Leio no Público de hoje que Carlos Barbosa é hipótese para Lisboa, a encabeçar uma putativa lista social-democrata.

Que Carlos Barbosa, senhores do PSD?

O mesmo que concorreu em número dois na lista encabeçada por Fernando Seara para as autárquicas de 2013 que ditaram o pior resultado de sempre dos sociais-democratas na capital?

O mesmo que em Julho de 2013, enquanto vice-presidente do Sporting recém-eleito na lista liderada por Godinho Lopes, anunciou com irresponsável prosápia que o clube passaria a competir daí a um ano com o Barcelona, o Ajax e o Real Madrid, sete meses antes de abandonar aquelas funções por motivos que entendeu não divulgar?

Convém não menosprezar a inteligência dos eleitores de Lisboa na desesperada tentativa de disfarçar uma ausência total de estratégia política. Que outros coelhos saltarão desta cartola? Para pior já basta assim.

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Lisbonne vaut bien une messe

por Pedro Correia, em 17.12.16

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A indecisão do PSD sobre uma candidatura autárquica em Lisboa ameaçava deixar o partido prisioneiro dos palpites mais inesperados. Raro foi o dia em que nos últimos dois meses não ouvimos apregoar na praça pública o nome de um putativo candidato - de Maria Luís Albuquerque a Nuno Morais Sarmento, de Jorge Moreira da Silva a José Eduardo Moniz(!), de José Eduardo Martins a Laurinda Alves(!), de Carlos Carreiras a Paulo Rangel, de Rui Rio a Marques Mendes. O ensurdecedor silêncio da direcção nacional do partido sobre esta questão autorizava a mais extraordinária torrente de especulações. Isto enquanto todos os eleitores conhecem quem será o candidato socialista e Assunção Cristas, líder do CDS, já se encontra no terreno há vários meses, em arguta manobra de antecipação.

A gota de água surgiu ontem, quando o nome do próprio Pedro Passos Coelho começou a circular rapidamente como eventual protagonista dos sociais-democratas na corrida a Lisboa, o que prometia danos reputacionais ainda mais evidentes ao líder do PSD: numa primeira fase amarrava-o a um combate que nunca pensou disputar; na fase seguinte dir-se-ia que tinha desistido por "receio" de perder contra Fernando Medina. Em qualquer dos casos António Costa - que vem progredindo de sondagem em sondagem - só teria mais motivos para sorrir.

Por uma vez Passos soube reagir a tempo e mandou comunicar aos jornais que pondera fazer aquilo que o bom-senso recomenda: admite apoiar a sua ex-ministra Assunção Cristas na batalha autárquica da capital. Como escrevi aqui há quatro dias, Lisboa justifica um acordo eleitoral entre os dois partidos que à direita do PS estão condenados a um estreito e perdurável entendimento para a formação de uma maioria política alternativa ao actual xadrez dominante no Parlamento. "Paris vale bem uma missa", comunicou à posteridade o Rei francês Henrique IV ao reconverter-se em 1593 ao catolicismo.

Foi outra maneira de sublinhar esta regra de ouro da política: a todo o momento há que saber distinguir o essencial do acessório. Um político que seja incapaz de estabelecer esta diferença equivocou-se manifestamente na vocação.

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O cerco

por Pedro Correia, em 13.12.16

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Paulo Macedo, ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional, aceita o convite de António Costa para liderar a Caixa Geral de Depósitos.

Jorge Moreira da Silva, primeiro vice-presidente do PSD e alegado delfim de Passos Coelho, trocou Lisboa por Paris, assumindo um posto de director-geral nesta organização internacional.

Marco António Costa, talvez a figura mais influente do partido laranja no norte do País, deixou de ser porta-voz dos sociais-democratas.

Carlos Moedas, ex-braço direito de Passos Coelho para os assuntos económicos, é hoje comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

Luís Menezes, que chegou a ser um dos elementos mais próximos do líder e figura em grande destaque no grupo parlamentar, abandonou a Assembleia da República.

Miguel Frasquilho, outro ex-dirigente da bancada parlamentar laranja, elogia António Costa em entrevista: "Esta solução de Governo já não afasta os investidores."

Pedro Lomba, ex-secretário de Estado, acaba de renunciar à coordenação do Gabinete de Estudos do PSD, para que tinha sido indicado por Passos há oito meses.

 

São sinais dispersos. Mas que, todos somados, permitem tornar ainda mais evidente a solidão política actual de Pedro Passos Coelho.

Entrincheirado no seu bunker da Lapa, única sede partidária sem acesso directo à rua, o presidente do PSD vive hoje numa situação de cerco. Condicionado, por um lado, pelos insistentes apelos à aparição do  novo messias laranja e, por outro, pelas sondagens cada vez mais favoráveis a António Costa, Passos só poderá romper este cerco se mudar muito do que fez até aqui.

Precisa de renovar o núcleo de porta-vozes do seu partido, trocar o financês pelo social no seu discurso e mostrar-se não nos corredores palacianos mas no País real. Sobretudo junto de segmentos da população que nunca votaram nele: nada é tão supérfluo na política como pregar aos convertidos.

 

Entretanto, não deve cair nas armadilhas mais óbvias.

Primeira: continuar a fazer da Caixa um alvo preferencial - a partir de agora, em vez de disparar contra o Governo, dispara fatalmente contra Macedo, seu ex-ministro.

Segunda: hostilizar o CDS a propósito das autárquicas, terreno que Assunção Cristas elegeu para consolidar a sua ainda incipiente liderança. PSD e CDS estão condenados por muitos e bons anos a ser parceiros eleitorais: todas as parcerias exigem cedências mútuas. Em 1593, o Rei francês Henrique IV reconverteu-se ao catolicismo, abjurando do protestantismo: "Paris vale bem uma missa", declarou na altura. Salvaguardadas as distâncias e as proporções, Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral.

Terceira, e talvez a mais relevante: manter uma relação crispada com o Presidente da República. Marcelo é oriundo do PSD, foi eleito pela esmagadora maioria dos militantes do partido e mantém elevadíssimas quotas de popularidade. Qualquer  conflito com Belém constitui um inútil desperdício de energias e está antecipadamente condenado ao fracasso - desde logo por ser incompreensível aos olhos do cidadão comum.

 

António Costa, intuitivo como poucos, percebeu isso desde o primeiro instante. Parecer-me-ia incompreensível que Passos Coelho não se apercebesse disto também.

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Os iluminados

por Rui Rocha, em 08.12.16

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O "I" avança hoje a possibilidade de Laurinda Alves ser candidata à Câmara de Lisboa pelo PSD. Parece-me bem. Laurinda tem um longo passado de intervenção cívica a propósito de assuntos prementes que afectam a vida dos lisboetas. Ora vejamos o que a pena impiedosa de Laurinda tem para nos dizer:

APAGUEM AS LUZES DE CARNAVAL (Observador, 6.12.2016)
"Abomináveis luzes estas, que espalharam pela cidade de Lisboa, quase todas frias, azuis, brancas, geladas, ou em combinações coloridas de tal maneira histriónicas que ficamos meio estonteados. Nas ruas da Baixa o carnaval é total e há laços e laçarotes pendurados entre prédios que parecem gigantescas mascarilhas venezianas. As colunas do Teatro Nacional D. Maria II foram recobertas de uma terliça toda branca florescente, em quadrados, e quando aquilo acende a fachada torna-se deslumbrante aos olhos de quem adora entradas de casino. Que moda esta, das luzes hiper coloridas, dos mantos eléctricos cheios de brilhos, das inconcebíveis teias de aranha iluminadas que nada têm a ver com a época, nem com a nossa cultura. Já nem falo dos ícones, porque deixou de haver anjinhos e até o pai Natal e as suas renas foram despedidos.
Não sei quem escolhe as luzes ano após ano, mas estão à vista as intenções e os propósitos. É um azar que no Natal se acendam luzes de Carnaval, mas se ao menos estas luzes de feira fossem menos azuis e mais douradas, ou encarnadas e quentes, a cidade brilharia de outra maneira. Assim parece tudo comprado na ‘loja do chinês’ (sem ofensa para os chineses, note-se, até porque conheço muitos, muito bons, e tenho grandes alunos na universidade que nasceram ou vieram da China e, até agora, não houve um único que não fosse inspirador para nós, professores!) e muitas ruas e avenidas parecem alamedas a dar entrada para uma gigantesca feira popular.".

O NATAL COMEÇOU A ATERRAR NA CIDADE (blogue A SUBSTÂNCIA DA VIDA, 23.10.2010)
"Na Rua Garrett, no coração do Chiado, começaram os preparativos para o Natal. Esta noite aterrou um batalhão vindo de Espinho, carregado de estruturas que parecem asas de anjos, para começar a montar as luzes de Natal. Esta certeza de que o Natal está à porta faz uma certa impressão. Ainda por cima porque acabo de chegar do Algarve, onde ainda parece fim de Verão... Na fotografia de cima José Domingues, da empresa que este ano monta as luzes nesta zona da cidade, liga os cabos aos mil fios que são precisos para manter as luzes acesas. Perguntei-lhe se o podia fotografar e ele disse que sim. Muito educado, tirou a luva para me cumprimentar, e quando lhe perguntei se este ano as luzes também eram azuis e frias como as do ano passado ele reagiu como se todo este emaranhado fosse criação sua: "Este ano, quando tudo estiver ligado, vai ver que é como o céu!". Percebi o que me queria dizer. Mostrou-me que as luzes são todas púrpura, já foram testadas e são uma beleza. Acredito.".

AS TRISTES LUZES DE LISBOA (Público, 21.11.2008)
"Da noite para o dia a cidade apareceu enfeitada de Natal mas este ano as luzes de Lisboa são tristíssimas. À excepção de dois ou três passeios considerados mais nobres e, por isso, com direito a uma iluminação quente e vibrante, todas as ruas têm luzes azuis, frias, geladas, sem graça e pior, luzes que choram. Na Avenida da Liberdade, por exemplo, o efeito mágico mais natalício que se inventou foi pôr lágrimas de luz a escorrer pelos fios, numa ilusão permanente de um choro silencioso que entristece e não apetece. Imagino que a iluminação da cidade tenha custos exagerados para os tempos que correm e não me custa acreditar que se não fossem alguns mecenas nem sequer haveria luzes de Natal mas pergunto se as lâmpadas azuis são assim tão mais baratas do que as encarnadas e as douradas. Serão? E a coisa compensa? Ou o azul é a cor de quem paga e, por ser a cor de quem paga, também tem que ser a cor do Natal em Lisboa. Se assim é parece-me absurdo o princípio. Imaginemos que os patrocinadores tinham uma marca conhecida por ser listrada, será que as lâmpadas de Natal passavam a ser luzinhas zebradas e toda a cidade se convertia num bisonho jardim zoológico de espécie única? Pior do estas luzes azuis e frias do Terreiro do Paço e das avenidas só um Pai Natal vestido de pijama azul eléctrico. Sugiro que no próximo ano os responsáveis pelas iluminações revejam os catálogos de cores e ajustem os preços das lâmpadas festivas com os patrocinadores, negociando com eles a possibilidade de recuperar para o Natal as cores do Natal.".

Perante isto, afirmo sem receio que Laurinda é a candidata ideal para pôr esta coisa das iluminações de Natal de Lisboa na ordem.

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Duplo mortal à retaguarda

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.16

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Em 2013, num processo que levantou muitas incompreensões entre os seus militantes, Passos Coelho impôs a candidatura de Pedro Pinto à Câmara de Sintra, abrindo caminho à vitória de Basílio Horta.

Na sequência desse processo, em que foi recusado o nome (consensual para as estruturas locais) de Marco Almeida, e apesar deste ter na altura o apoio de oito presidentes de juntas de freguesia do PSD, vários militantes foram expulsos por se terem rebelado contra a decisão da direcção do partido e terem apoiado ou resolvido candidatar-se em listas, e não só em Sintra, contra o seu próprio partido. Outros houve que, entretanto, descontentes com a situação saíram pelo seu próprio pé evitando a expulsão automática prevista nos estatutos.

Volvidos estes anos, que não foram tantos como isso, depois do PSD e Pedro Pinto terem sido cilindrados em Sintra, perdendo Marco Almeida a Câmara para o PS por menos de dois mil votos, eis que surgem notícias dando conta de um mais do que provável apoio desse mesmo PSD, ainda e sempre dirigido por Passos Coelho, a uma recandidatura do referido Marco Almeida nas autárquicas de 2017.

Em 7 de Junho p.p., num texto de Cristina Figueiredo, o Expresso anunciava que o PSD estaria a considerar o "endosso" à candidatura de Marco Almeida (Sintra) e, eventualmente, à de Paulo Vistas, em Oeiras. E citava declarações do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, em que este dizia que o partido não iria limitar as suas opções desde que fossem coerentes com "o projecto".

Depois, em Julho, o Público avançava com a notícia do apoio do PSD, do CDS, do MPT e do movimento "Nós Cidadãos em Sintra" à candidatura de Marco Almeida.

Já este mês, no dia 3, o jornal OJE esclarecia que em Sintra, "apesar de nenhuma voz oficial o confirmar, o processo estará também encerrado do lado dos social-democratas", adiantando-se que "várias fontes confirmaram mesmo ao OJE que o acordo entre Marco Almeida e a cúpula do PSD já está fechado, faltando apenas acertar detalhes e nomes integrantes da lista a apresentar."

Na sexta-feira passada (26/08/2016, p. 6) foi a vez do Público informar que Marco Almeida, depois de já se ter reunido com outras forças políticas, entre as quais o PSD, recebeu por unanimidade o apoio da JSD para se candidatar à presidência da Câmara de Sintra.

É, pois, neste momento quase seguro, embora não se saiba muito bem qual "o projecto" autárquico do PSD, que Passos Coelho e a sua direcção se preparam para engolir não um mas várias famílias de sapos, das mais variadas espécies e proveniências, nas autárquicas de 2017, para evitarem uma humilhação política. Humilhação que após a gritaria, aliás inconsequente, para impedir o governo da dita "geringonça" passa agora por fazer um duplo mortal à retaguarda, ainda que para isso seja necessário participar na criação de novas "geringonças" que pragmaticamente garantam o acesso ao poder e o ganha-pão das suas clientelas.

Sabíamos, pelo passado recente, que a coerência não era um forte deste PSD de Passos Coelho. Quanto a esse ponto não há nada de novo. Contudo, seria interessante desde já saber até onde irão o perdão e o acto de contrição e se, por hipótese, Marco Almeida resolver incluir na sua lista alguns dos que foram antes expulsos, convidando de novo, por exemplo, António Capucho, o histórico ex-militante e fundador do PSD, para encabeçar a lista para a Assembleia Municipal de Sintra, se ainda assim o PSD o apoiará. Ou, quem sabe, se o nome desse e de outros ex-militantes, como é agora o de Marco Almeida, que saiu do partido e encabeçou uma lista contra Pedro Pinto, é também negociável em nome do tal "projecto".

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Santa aliança volta a funcionar

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.05.16

"O endurecimento de penas por maus tratos a animais gerou uma rara aliança: PSD, PCP e CDS-PP mostraram-se contra as propostas feitas pelo PAN, BE e PS durante a discussão dos projectos em plenário esta quinta-feira." - Público, 13/05/2016

Espero que Carlos Carreiras não se esqueça de escrever mais um artigo no i a malhar nesses partidos oportunistas que fazem alianças com os comunas em vez de procurarem consensos ao centro.

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Chavões

por José António Abreu, em 07.04.16

E, de súbito, a calma antes da tempestade. Tudo parece adormecido, numa paz que muitos, por ingenuidade ou interesse, classificarão de positiva. Ocupado na reversão das tímidas reformas dos últimos anos e ainda sem ter de enfrentar números que exponham de forma clara (indícios não bastarão) o falhanço das suas políticas, o governo limita-se a chavões. Um documento que seria recebido com desdém se proviesse do governo anterior, a abarrotar de verbos no infinitivo («melhorar», «simplificar», «garantir», «lançar», «modernizar», «promover», «reforçar», «incentivar») mas confrangedoramente parco em detalhes (quando? como? com que dinheiro?), passa por base séria para discutir reformas. A ânsia de afastar Passos Coelho da liderança do PSD faz socialistas e comentadores encartados dispararem críticas a Passos por manter a pose de primeiro-ministro mas também por não mostrar sentido de Estado suficiente para aceitar as posições do governo (um «sentido de Estado» que o PS nunca teve enquanto oposição).

No fundo, PS, Bloco e PCP, ajudados por grande parte da intelligentsia, seguem entretidos na reescrita da História recente – ao ponto de o representante dos comunistas no congresso dos sociais-democratas ter declarado por várias vezes, com a convicção inabalável dos dogmas (são afinal tão religiosos), que o PSD ainda não se refez da derrota nas eleições legislativas. Mas presos ao passado estão os partidos da «geringonça». Tudo o que fazem é em função dele, tudo o que propõem conduz a ele. O futuro apenas lhes merece chavões.

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PSD: um congresso em dez nomes

por Pedro Correia, em 04.04.16

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Carlos Carreiras. Sai do congresso de Espinho com uma missão crucial: será o  coordenador da campanha autárquica laranja, que decorrerá em 2017. É um desafio acrescido para o presidente da Câmara de Cascais num partido com forte implantação autárquica, mesmo após o desaire de 2013 face ao PS de Seguro. Vitórias em praças-fortes como Lisboa poderão prenunciar o regresso do PSD à liderança do poder central.

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Francisca Almeida. É um dos raros rostos da renovação geracional nas estruturas dirigentes do partido. Ex-deputada, apoiante da candidatura de Paulo Rangel em 2010, esta advogada minhota de apenas 32 anos a quem alguns auguram voos mais altos nas fileiras sociais-democratas regressa agora como vogal da Comissão Política Nacional de Passos, eleita por 79,8% dos congressistas.

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José Eduardo Martins. Pode suceder a Passos quando o actual ciclo no partido se esgotar. Enfrenta vários concorrentes - Moreira da Silva, Montenegro e Rangel, por exemplo - e por isso tem de marcar território desde já. Não por acaso, inicia esta semana uma participação regular como comentador da RTP3. Foi ao congresso e fez a única intervenção crítica digna desse nome, escutada com atenção. As grandes corridas começam com pequenos passos.

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José Matos Correia. Deixa uma das vice-presidências da Comissão Política Nacional mas recebe em troca a presidência de um novo órgão do partido: o Conselho Estratégico, um órgão consultivo que funcionará junto do líder social-democrata e por onde passará a definição das principais linhas de orientação do PSD enquanto força de clara oposição ao Executivo de António Costa. Um justo prémio para um dos melhores parlamentares da bancada laranja.

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Maria Luís Albuquerque. É talvez a mais "passista" dos membros da nova direcção política do partido. Iludiam-se os que davam como certo o seu afastamento na sequência das recentes revelações em redor do seu nome. Bem ao seu estilo, Passos elevou-a a uma das vice-presidências do partido - onde a partir de agora há quatro mulheres e apenas dois homens. As notícias do funeral político da ex-titular das Finanças eram manifestamente exageradas.

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Nuno Morais Sarmento. É um eterno candidato a candidato e goza de um restrito mas fiel círculo de adeptos entre os jornalistas políticos. Vai produzindo provas de vida, em  entrevistas aos meios de  informação que lhe garantem presença periódica nas primeiras páginas. Mas primou pela ausência em Espinho, parecendo dar razão àqueles que o acusam de dissonância entre as palavras e os actos.

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Paulo Rangel. Fez aquele que foi, de longe, o melhor discurso do congresso. Dando o tom para o que deve ser a marca dos sociais-democratas na oposição, lançou como bandeira do PSD o tema da mobilidade social como forma de reaproximar o partido das gerações mais jovens. E apelou ao fim da discriminação académica entre cidadãos nos documentos oficiais - começando pelo Diário da República - nesta nação de doutores e engenheiros.

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Pedro Passos Coelho. A agremiação dos "analistas políticos" já profetizou mil vezes a sua derrocada. Sem perceber que ele é incapaz de agir em função de estados de alma: quem aguardar que deitará a toalha ao chão, cedendo o lugar a quem o PS mais deseje no PSD, pode esperar sentado. Sai de Espinho com a liderança incontestada. Mas perdeu uma oportunidade para renovar amplamente o partido: no congresso pouco mais houve do que um jogo de cadeiras.

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Pedro Santana Lopes. Voltou com visível agrado aos tempos em que lhe cabiam as declarações mais sonantes dos conclaves laranjinhas. Menos cáustico do que outrora, na respeitável pele de provedor da Santa Casa da Misericórdia, não resistiu no entanto à tentação de lançar farpas a Pacheco Pereira e Rui Rio enquanto deixava em aberto o cenário do regresso à política activa. Se quiser candidatar-se a Lisboa em 2017 terá sem dificuldades o partido a seus pés.

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Rui Rio. Procurou a quadratura do círculo: influenciar o congresso sem lá comparecer. Antes, com uma entrevista à TSF em que prenunciava uma espécie de bloco central, entre tímidas críticas a Passos. Depois, com um artigo - saído já hoje - no Jornal de Notícias em que se confessa "triste" por ter sido alvo de críticas em Espinho. Recusar falar no lugar próprio foi um erro. Mais um, somado aos que o fizeram ziguezaguear durante tempo de mais ao longo de todo o ano que passou.

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Oportunidade perdida

por Diogo Noivo, em 03.04.16

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A política é um jogo de percepções e de expectativas. Se bem ou mal, diz-nos o célebre secretário florentino que pouco importa. Foi assim no passado, é assim no presente e tudo indica que será assim no futuro. Por isso, foi errada a postura do PSD e do CDS quando chumbaram o voto de condenação a Angola pela prisão de 17 activistas.

O chumbo foi errado porque PSD e CDS colocaram-se assim, ainda que inadvertidamente, do lado errado do quadro de princípios. Foi errado porque, como aqui se defende, a aprovação do texto do PS não implicava grandes custos políticos. E sobretudo foi errado por ser uma oportunidade perdida. Num momento em que temos um governo apoiado por dois partidos inenarráveis – um que vê em Cuba e na Coreia do Norte regimes respeitáveis e outro que namorou a esquerda abertzale pró-etarra, entre outros movimentos igualmente pouco edificantes –, o PSD e o CDS perderam uma excelente oportunidade para se diferenciarem ainda mais e, dessa forma, adquirirem respeitabilidade extra e capital político reforçado. A continuar assim, PS e BE ainda acabarão como preceptores morais do regime, o que equivale necessariamente a remetê-lo para um lugar sinistro.

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Ceci n´est pas une arrow

por Rui Rocha, em 02.04.16

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Agarrem-me senão eu bato-lhe

por Pedro Correia, em 31.03.16

Rui Rio deu uma entrevista na antevéspera do congresso do PSD para revelar ao País que não estará presente na reunião máxima dos sociais-democratas. Se fosse, avisou em tom grave, teria que criticar Pedro Passos Coelho e "perturbar" o conclave. Assim limita-se a picar o ponto na comunicação social - onde sempre vence por goleada.

É uma variação, como qualquer outra, daquele velho dito "agarrem-me senão vou-me a ele". Rio é, aliás, especialista neste número. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se a líder do PSD. Faz agora um ano, esteve quase a candidatar-se à Presidência da República. Nunca lhe faltou imprensa amiga a desvendar-lhe o pensamento, dando nota de que estaria pronto para "avançar" fosse para o que fosse.

Eterno candidato a candidato, dá sempre a sensação de que se move. Mas é pura ilusão de óptica, pois acaba por nunca sair do mesmo sítio.

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O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

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Pacheco, Sá Carneiro e o PSD

por Pedro Correia, em 03.03.16

Hoje, pela enésima vez, Pacheco Pereira surgiu na Quadratura do Círculo como auto-declarado intérprete do "pensamento autêntico" de Sá Carneiro em matéria de social-democracia. Proclamando que o actual PSD, tão tenazmente combatido por ele próprio, nada tem a ver com o do fundador do partido.

"Os homens de Passos Coelho são tudo menos sociais-democratas, são pessoas que se revêem mais facilmente no CDS do ponto de vista doutrinário. (...) Passos Coelho não tem nada de social-democrata: mostra agora um oportunismo verbal que eu reconheço na personagem pois sempre a conheci assim." Palavras do ex-vice-presidente do PSD, ex-líder da distrital laranja de Lisboa e ex-presidente do grupo parlamentar social-democrata pronunciadas há pouco na SIC Notícias.

Sá Carneiro, tragicamente desaparecido em 1980, já cá não está para exercer o contraditório. Mas até por isso convém recordar aos mais desmemorizados que há pelo menos um elo a ligar o partido nestas duas fases da sua história: Pacheco Pereira combateu ambas.

Porque nunca ele militou no PSD de Sá Carneiro. Pelo contrário, ele militou contra o PSD de Sá Carneiro.

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Logo haviam de votar na minha ausência

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.02.16

"No momento da votação, não se encontravam no hemiciclo os presidentes do PSD, Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas."

 

Sim, eu sei que o Portas está de saída e vai ter justificação. Sobra sempre para mim. Mas essa coisa de um tipo ter de votar essas "merdices" que o Presidente devolveu e os radicais de esquerda insistem em levar à Assembleia é uma boa chatice. Ainda por cima há uns gajos no partido que votam com eles. E outros que se abstêm. Isso não é muito "social-democrata". Oxalá que quando for a votação do OE não me obriguem a ir aos cigarros. 

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O tempo para mim parou

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.02.16

Por este andar o PSD arrisca-se a fazer o percurso inverso e a regressar aos tempos de Francisco Sá Carneiro, sempre com o mesmo fiel. Com a deriva ideológica do PS e alguma sorte ainda se arrisca a pedir a adesão do partido à Internacional Socialista e a acabar os comícios a cantar a Internacional, como nos idos de 1974. Fazer o pino e dar cambalhotas já ele mostrou que é capaz de fazer sem se rir.

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O país, esse vira-casacas

por Teresa Ribeiro, em 03.02.16

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O que eu mais ouvi nestes últimos quatro anos aos passistas foi que a social-democracia estava morta e enterrada. Muito confortáveis nos seus fatinhos de corte liberal, os laranjinhas do regime sentenciavam em tom de fim de conversa que aquele era um modelo de sociedade obsoleto que só a velharia ainda recordava. E faziam-no com uma veemência tal que a simples enunciação do vocábulo era recebida, por vezes, como um anacronismo indesculpável. Pois qual não foi o meu espanto quando começo a ler nos jornais com alguma insistência que Passos vai tirar da cartola essa relíquia para gáudio dos seus apoiantes e, pasme-se, a fim de "regenerar o partido". 

A acreditar no que li, o slogan para reeleição é "Social-democracia sempre!" Já a defender-se de eventuais bicadas, o líder do PSD disse que não foi ele que mudou, mas o país. E é pelo país que o partido se vai recentrar e reabilitar a sua raiz centro-esquerda.

Perfeitamente alinhado, o CDS espera de Cristas uma aproximação ao centro, "sem purismos ideológicos". Está na hora de meterem o liberalismo na gaveta com as respectivas folhas de excel e pensarem nas... pessoas, no país, no povo, sei lá.

Sociais-democratas e democratas-cristãos forever, eles preparam-se para arrancar com uma agenda de meter inveja às criaturas que lhes fundaram os partidos em nome dos tais valores humanistas bafientos que de resto já começaram a arejar, quais cataventos mediáticos.

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Balanço de Inverno (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.02.16

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2. Quanto ao PSD, embora não se saiba se ainda é o maior partido português, pelo menos é até ver o que tem o maior grupo parlamentar. Os desafios que enfrenta e os tempos que se avizinham não serão fáceis perante a necessidade de conciliar essa dimensão com o estatuto de oposição. O partido terminou, mal, um ciclo de poder incaracterístico, difícil e politicamente ingrato. Mal porque de nada lhe serviu a obediência aos ditames da troika e ao duo Merkel/Schäuble para se manter no poder. Fazer parte da coligação vencedora das últimas legislativas foi uma vitória de Pirro. O PSD não quis correr o risco de se apresentar sozinho, resguardou-se, mas vencendo o resultado final foi desastroso. Para além das centenas de milhares de votos que alienou, sinal de que a "excelência" da sua governação não foi reconhecida pelos eleitores que antes lhe deram o poder, foi deste apeado em circunstâncias atípicas; todavia, nem por isso menos legítimas ou menos democráticas. A tradição, felizmente, não é uma lei em democracia e essa também é a única forma de se mudarem as "más" tradições e se tentarem novos caminhos. A recandidatura de Passos Coelho à liderança do PSD é, por agora e à falta de concorrência, um péssimo sinal para o partido. Com a imagem de um homem sério com muitas fraquezas, rodeado por uma corte de apparatchiks e com o partido infestado de "negreiros" da política de interesses, senhor de uma liderança anódina e destituída da mais leve ponta de carisma, Passos Coelho é a imagem do rapaz da jota que, embora tendo sido primeiro-ministro, não tem futuro que o recomende para os interesses do partido. Sem o jeito de Relvas para se virar e meter nos negócios, tornou-se num empecilho. O seu regresso ao parlamento para dirigir a bancada nos tempos difíceis que aí estão, embora seja louvável do ponto de vista pessoal, é um sinal de vazio e de falta de projecção do partido para o futuro. Ao contrário do que fez o CDS/PP, onde Portas percebeu o esgotamento do seu "modelo de negócio" e procurou acautelá-lo em 4 de Outubro, antes de se retirar, no PSD foi dado um sinal de conformismo. O apagamento será inevitável e de nada lhe servirá fazer uma oposição quinzenal que se limite a agitar os papões dos mercados e do despesismo se o partido não for capaz de inovar o discurso político e de gerar um escol de dirigentes descomprometido com os seus anos de governação. Entalado entre um CDS/PP renovado e um Presidente da República que provocará o reposicionamento do PSD à esquerda para manter a sua base de apoio, a Passos Coelho só resta um de dois caminhos: aceitar uma ainda maior descaracterização da sua liderança, deixando que o partido se vá aos poucos apagando, ou ajustar-se aos novos ventos e gerar uma alternativa à sua liderança que faça face aos novos desafios e leve o partido a uma clarificação ideológica e programática perante o CDS/PP e o PS. O PSD vai ter de sofrer um processo de rejuvenescimento interno que o credibilize aos olhos do seu eleitorado. É que à medida que forem surgindo os rabos-de-palha deixados pela sua governação, dos quais alguns já começaram a ser conhecidos ­— BANIF, EFISA, nomeações de dirigentes paradas há um ror de tempo, descalabro na Saúde, nomeações na Segurança Social, privatizações à pressa para contentar as clientelas, aumentos de 150% dos salários de gestores da ANAC, etc. —, maiores serão as possibilidades de apagamento do partido e do seu presidente. E mais funda será a sensação de orfandade do seu eleitorado, que tenderá a refugiar-se no renovado CDS/PP ou a aceitar passivamente a governação PS (versão frente popular) de cada vez que lhe sejam repostos vencimentos, pensões, subsídios, feriados e caixas de biscoitos.

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E aos costumes disseram nada

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.02.16

"O salário dos gestores foi revisto em outubro pela Comissão de Vencimentos da ANAC, constituída por três elementos eleitos para essas funções: Luís Manuel Santos Pires, escolhido pela então ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque; Eduardo Miguel Vicente de Almeida Cardadeiro, escolhido pelo ministro da Economia, António Pires de Lima; e Luís António Fonseca de Almeida, escolhido pelos administradores da ANAC."

"Luís Ribeiro não poderá exercer as suas funções em razão de incompatibilidades e impedimentos. Do mesmo modo não tem experiência nas matérias internacionais e de segurança. Ou seja, corremos o risco de ter um presidente da ANAC manifestamente pouco preparado para as funções com os riscos daí inerente à aviação civil". Foram as conclusões do relatório da Comissão de Economia e Obras Públicas, apresentado e aprovado por unanimidade em julho de 2015."

"Os nomes indicados pelo anterior governo mereceram muitas reservas da Assembleia da República, mais precisamente da Comissão de Economia e Obras Públicas, que apreciou os currículos. A principal inquietação tinha que ver com o facto de Luís Ribeiro e Seruca Salgado serem quadros da ANA - Aeroportos de Portugal, organismo que é fiscalizado pela ANAC. E Ribeiro também pertencia aos quadros da Portway e foi nomeado num momento em que a ANAC seria chamada a pronunciar-se sobre a venda da TAP ao consórcio Gateway.

Já a vogal Lígia Fonseca transitou do gabinete do ex-secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro para o ainda INAC, em 2014, e foi reconduzida por este governante para a ANAC sem passar pelo crivo da Comissão de Recrutamento (Cresap)."

"Regularizar "a situação" significou aumentar os salários de 6 030,20 euros de Luís Miguel Ribeiro (o presidente) para 16 075,55; de 5 498,65 euros para 14 468,20 no caso de Seruca Salgado (vice-presidente); e de 5141,70 euros para 12 860,62 na folha de vencimentos de Lígia Fonseca, vogal da administração."

 

Está visto que o problema do défice de 2015 era a viagem do outro em executiva.

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E que tal venderem os direitos de transmissão à NOS?

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.01.16

Não sei se terão convidado Mendes Bota e Passos Coelho para a primeira parte do espectáculo, mas oxalá que em Vila Real de Santo António haja bandeiras, camisolas e fotografias em número suficiente para os autógrafos. E painéis com tradução simultânea para os que atravessarem o Guadiana integrados nas caravanas que chegarão de Huelva, do Rompido, e até de Tarragona e de Burgos, e sei lá mais de onde. A malta adora repetir o refrão das letras.

Com os debates das presidenciais a decorrerem num ritmo alucinante e a época de festivais de Verão a começar já em Janeiro, e logo no Sotavento algarvio, vamos ver se quando chegar o Marés Vivas ainda haverá alguém à tona da água.

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Oposição a sério, precisa-se.

por Luís Menezes Leitão, em 23.12.15

Aquando do verdadeiro golpe que constituiu a criação deste governo, Passos Coelho garantiu que o líder do PS não poderia esperar o apoio do PSD e CDS no futuro. E assegurou que António Costa deveria demitir-se se alguma vez precisasse dos votos do PSD. Palavra dada tem que ser palavra honrada. É por isso que, se o PCP, que apoiou a formação deste governo, não viabiliza o orçamento rectificativo, muito menos o PSD ou o CDS o podem viabilizar. Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

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Situação política

por Tiago Mota Saraiva, em 06.12.15

Foi particularmente interessante assistir aos debates parlamentares que decorreram durante a semana.
A maioria que sustentou o actual governo demonstra estar tranquila com a sua diversidade. Um governo do PS, uma maioria de esquerda à qual só faltará juntar um presidente de esquerda - mas esta questão fica para outros escritos.
A posição conjunta entre PS e BE, PCP e PEV é um bom ponto de partida que parece ser simpático para todos. Ainda assim, muitos desafios terão pela frente. Ao contrário do que a trupe de comentadores que se repete nas TV's, demasiado ocupados a papaguear questões financeiras, o grande engulho para a maioria parlamentar não será o orçamento ou o défice mas, muito provavelmente, as eleições autárquicas - caso não sejam preparadas em conjunto (que não quer dizer em coligação) e com tempo.
Ao invés, PSD e CDS, estão em processo de auto-flagelação. A tese da ilegitimidade e o ataque de carácter a Costa tem eco na população. O problema é que não se consegue resistir quatro anos a dizê-lo. O pico máximo de popularidade dessa tese ocorreu no dia em que foi declarada pela primeira vez. A partir daí só perde simpatizantes. Mais dia menos dia o PSD deverá ir para Congresso. Fora do poder, com um Passos Coelho radicalmente contra o governo de Costa e, muito provavelmente, com algumas das suas medidas sob investigação (política e judicial) surgirá, certamente, um candidato que procure retomar as pontes ao centro porque isso significa mais votos e muitos lugares na administração pública, mesmo com um governo do PS. Para já o CDS parece-me imprevisível. Veremos se os próximos tempos ajudarão a clarificar-se.

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Horror: o PSD "perdeu o centro"

por Pedro Correia, em 23.11.15

Andavam alguns por aí a clamar contra a suposta "direitização" do PSD, que abandonara o centro e se entregara nos braços pérfidos do CDS. O mentor desta tese, Pacheco Pereira, logo a viu repetida, serão após serão, por uma infindável legião de pequenos e médios comentadores nas pantalhas.

É uma excelente tese. Que só tem um problema: a falta de adesão à realidade.

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O outro braço direito só escapará com uma revisão constitucional

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.11.15

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De um sabemos da forma como se "licenciou", da sua função agilizadora nos "negócios" e do modo como se foi embora, numa espécie de reedição da saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado, quase que a pontapé. Do outro fica-se agora a aguardar o julgamento.

E registo o que a senhora procuradora, que não é anónima mas que mostra, coisa rara em Portugal, ter tomates, e contra quem certamente se iniciará agora mais uma campanha de desacreditação, escreveu na acusação sobre o arguido Miguel Macedo: "o muito grave e acentuado desrespeito pelos deveres funcionais e pelos padrões ético-profissionais de conduta, evidenciando total falta de competência e honorabilidade profissionais” e a "incompatibilidade absoluta" com a manutenção de qualquer cargo público que pressuponha "zelo, isenção e lealdade".

Mais forte era difícil para a santíssima trindade abençoada por Cavaco Silva e à qual o líder do CDS-PP deu o aval. 

Confesso que não alcanço o que leva tanta gente da nossa classe política, à direita e à esquerda, a agir desta forma, prestando-se a este tipo de situações (confusões?) no exercício de cargos públicos, onde a simples estupidez se confunde com a má formação ética e política, deitando-se tudo a perder: o nome, a carreira (ainda que construída à sombra da politiquice), a reputação.

Dos crimes poderá vir a ser absolvido, do juízo de censura é que não se livra. Ele e quem o meteu lá. Com bananas ou sem bananas, de avental ou em pelota.

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Isto é só um "supônhamos", claro

por Rui Rocha, em 19.10.15

Cavaco indigita Passos Coelho. Passos Coelho não consegue acordo com o PS. O Governo minoritário de Passos Coelho apresenta ao Parlamento um Programa de Governo declacado sobre o Programa Eleitoral do PS. Avulta, entre outros, o propósito de promover a educação de adultos.  António Costa é acometido por uma febre súbita e tem de ausentar-se no momento em que o PS acaba, depois de muitos avanços e recuos, por abster-se, viabilizando a continuidade em funções do Governo. Costa fica melhorzinho. O Governo de Passos Coelho apresenta no Parlamento um Orçamento decalcado sobre o Cenário Macroeconómico do Centeno e que segue muito de perto o Programa Eleitoral do PS e as medidas que Costa foi prometendo de forma avulsa. Avultam, entre outras, uma verba generosa para a educação de adultos, as descidas do IVA da restauração e da TSU, esta compensada pelo aumento das portagens em todo o país, com excepção das da zona da Covilhã (onde baixam significativamente).  Costa desmaia e é retirado do hemiciclo em braços.

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Legislativas (17)

por Pedro Correia, em 30.09.15

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PORTUGAL À FRENTE: MEDIDAS EMBLEMÁTICAS

(para ler e comentar)

 

Programa eleitoral da coligação

Título genérico: Agora Portugal Pode Mais

Número de páginas: 148

Data de apresentação: 30 de Julho de 2015

Frase-chave: «Queremos estar ao serviço dos portugueses e de Portugal.» (Pedro Passos Coelho)

 

1. Aprofundar o quociente familiar no IRS.

2. Aumentar a cobertura na rede de creches.

3. Extender aos avós o direito de gozo de licença atribuído aos pais para acompanhamento de filho menor ou doente.

4. Introduzir a reforma a tempo parcial, "por forma a estimular o envelhecimento activo".

5. Facilitar o prolongamento da vida laboral, de forma voluntária, após os 70 anos, estendendo à administração pública o regime já existente no sector privado.

6. Universalizar a oferta da educação pré-escolar, desde os 4 anos, a partir do ano lectivo 2016/17.

7. Rever o regime jurídico das instituições de ensino superior, "garantindo uma autonomia institucional adequada à melhoria do serviço público".

8. Combater a violação do direito de autor e direitos conexos.

9. Renovar o aumento das pensões mínimas, sociais e rurais.

10. Desenvolver o Portal do Cidadão, tendo em vista funcionar como uma loja do cidadão on line.

11. Lançar Programa Saber Mais, centrado em alunos com dificuldades de aprendizagem e oriundos de famílias desfavorecidas.

12. Alterar a bonificação do abono de família por deficiência.

13. Promover o voluntariado em todas as idades.

14. Garantir que cada português tenha um médico de família até final de 2017.

15. Aumentar progressivamente a liberdade de escolha, na rede pública de cuidados de saúde, para todos os utentes do SNS.

16. Atingir uma quota de três quartos de genéricos no total de medicamentos no mercado.

17. Avançar para a criação do Hospital Lisboa Oriental.

18. Prosseguir o processo de devolução dos hospitais às misericórdias.

19. Reduzir taxa geral do IVA de 21% para 20% em 2016, prosseguindo esta redução ao ritmo de um ponto percentual por ano até 17% em 2019.

20. Consolidar o processo de liberalização do mercado da energia, "simplificando o processo de mudança de comercializador".

21. Concluir o processo de privatização da TAP.

22. Aumentar o tráfego fluvial de carga no estuário do rio Tejo.

23. Liberalizar o transporte fluvial de passageiros entre as margens do Tejo.

24. Propor a partir e 2016 a revisão do acordo com a Santa Sé sobre a questão dos feriados religiosos.

25. Criar o Portal do Empreendedorismo.

26. Abolir em 2018 a Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético.

27. Transferir processos pendentes nos tribunais judiciais para os tribunais arbitrais.

28. Eliminar progressivamente a sobretaxa do IRS.

29. Flexibilizar o sistema de pagamento de dívidas fiscais em prestações.

30. Prosseguir a redução da taxa do IRC.

31. Promover estágios para funcionários públicos em empresas privadas, sobretudo em áreas de forte componente tecnológica.  

32. Reverter cortes salariais na administração pública, ao ritmo de 20% ao ano.

33. Dinamizar o contrato de arrendamento, atraindo população mais jovem para os centros urbanos.

34. Fomentar o mercado social de arrendamento.

35. Alargar o peso da reabilitação urbana no volume de negócios da construção, passando de 10% em 2013 para 23% em 2030.

36. Rever o regime de referendos e de iniciativa legislativa popular, simplificando procedimentos e requisitos.

37. Desenvolvimento de projectos-piloto de voto electrónico e de voto em mobilidade, especialmente para as comunidades no estrangeiro.

38. Prosseguir a política de dignificação dos antigos combatentes.

39. Reforçar o apoio ao projecto de turismo militar.

40. Aprofundar a lei da transparência no acesso à informação pública.

41. Prosseguir o reequipamento e modernização das forças de segurança.

42. Reforçar o papel do Sistema de Informações da República Portuguesa no combate às ameaças internas e externas.

43. Intensificar acções de patrulhamento policial em "zonas urbanas sensíveis".

44. Concretizar a introdução da carta de condução por pontos.

45. Aprovar o Estatuto da Força Especial de Bombeiros, conferindo-lhe estabilidade.

46. Combinar todas as formas de discriminação de género.

47. Desenvolver acções de apoio ao empreendedorismo feminino.

48. Reforçar a formação das forças e serviços de segurança e inspectores do trabalho no combate a situações de tráfico de seres humanos.

49. Combater o terrorismo internacional, "nomeadamente o Estado Islâmico e seus aliados".

50. Incrmentar relações com a China, Indonésia, Índia, Coreia do Sul e Japão.

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Um dia isto muda

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.09.15

No dia 9 de Julho de 2015, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, através do Louvor 340/2015, reconhecia a qualidade do desempenho do adjunto do seu gabinete, enfatizando o seu papel na reestruturação do sector da água e dos resíduos.

Menos de dois meses volvidos fiquei a saber pelo Expresso que a Águas de Portugal (AdP) aprovou para o conselho de administração de uma das suas empresas, a AdP Serviços, a entrada desse mesmo adjunto que até ao final de Junho trabalhara com Jorge Moreira da Silva na reestruturação do sector da água.

 

Para alguns, o serviço público continua a ser uma via verde, rosa, laranja, azul-bebé, a cor é indiferente, para se ser premiado e subir na vida.

Há tempos, alguém reproduziu-me uma frase que ouvira a um seu antepassado que fora ministro: "no dia em que entrei para o Ministério os meus cavalos estavam calçados a prata, quando eu saí estavam calçados a ferro". Os tempos mudaram e já ninguém exige que o serviço público seja um serviço à borla e que uma pessoa não seja devidamente compensada pelas funções que desempenha em benefício da comunidade. Um tipo não deve, não pode, ser prejudicado, mas o exercício desse serviço à comunidade não pode servir de razão para que se transformem funções banais, desempenhadas num qualquer gabinete ministerial, num tgv social e profissional. Por muito mérito que possua quem prestou esse serviço, essa é uma imagem errada que continua a ser transmitida para as futuras gerações. Qualquer que seja a cor do governo.

Aquilo que era uma vergonha - e para mim já era e continuará a ser - com os antecessores, repete-se à beira das eleições com os laranjinhas. E não há sequer a preocupação de lhes arranjar um lugar noutra área que não tivesse estado na sua dependência ou numa relação directa com o ministro de onde se saiu. Quando o lugar desejado não é soprado ou imposto, sabe-se como se faz. Dá-se o lamiré, avança-se com a sugestão, formula-se a recomendação, e rapidamente os serventes põem o comboio em marcha. O decoro, o pudor, a vergonha, a decência, tudo isso são conceitos que há muito caíram em desuso. Nas universidades e escolas de quadros estivais ensina-se hoje que tudo deve ser feito com "transparência", às claras, tal e qual como alguns outros de má memória faziam, para que ninguém seja "prejudicado" na "carreira". Tudo de janela aberta, se possível escancarada, com direito ao louvor da praxe no jornal da caserna para que ninguém duvide dos méritos do elogiado. Às vezes, se bem me recordo, os méritos resumem-se ao transporte da mulher e dos filhos de quem elogia durante o período em questão.  

Tempos houve em que a mulher de César era e fazia questão de parecer séria. Hoje em dia tudo mudou. Caiu em desuso. Nos dias que correm a mulher de César não precisa de parecer séria porque toda a gente sabe que é uma devassa das piores, uma concubina que gosta de se exibir toda descascada nos jornais, nas revistas cor-de-rosa e nas televisões populares e do regime. E não se importa de ser vista como uma devassa porque só assim garante o futuro. Os seus amantes também não se importam de partilhá-la e de vê-la publicamente partilhada porque entram invariavelmente pela porta do cavalo, são promíscuos, dependentes e poucos dados ao recato. César, esse, lá vai pagando os seus impostos, enquanto vai fazendo figura de cornudo.

No dia 4 de Outubro, César irá colocar a cruzinha nas promessas que lhe fizeram durante dois meses. Para que tudo possa continuar na paz do Senhor. Como convém a qualquer cornudo agradecido por os amantes o deixarem continuar a viver lá em casa. Na sua casa. Na terra dos cornudos agradecidos.

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Que confiança merece um político destes?

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.08.15

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"Não misturamos justiça com política. Uma coisa é a legitimidade institucional do primeiro-ministro ou a confiança institucional que nele se pode ter e essa continua a ser total. Outra coisa é a fiabilidade política ou o valor da confiança política"

"Os partidos não são associações criminosas nem associações mafiosas. Os partidos não podem ser responsabilizados por actos que são praticados por agentes individualmente"

"Na minha análise – e estou convencido que é também a do PSD – não existe nenhuma diminuição do primeiro-ministro. Pelo contrário, sob o nosso ponto de vista, ele merece a nossa confiança institucional"

Pode não parecer, mas o mesmo político que em 2009, quando os socialistas estavam no poder, dizia o que acima se transcreveu, caucionando a actuação de José Sócrates no caso "Freeport", é exactamente o mesmo que agora veio perguntar se "alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?

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Mas é preciso um parecer?

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.15

Passos-Coelho-primeiro-ministro-de-Portugal-3.jpg

A gente sabe que no afã das distribuição de prebendas e das privatizações em cima do joelho, só para cumprir calendários em fim de ciclo e contentar os amigos, há muita coisa que passa despercebida. E também sabemos, por exemplo, que em casos como o da RTP a aquisição dos direitos para a transmissão dos jogos da Liga dos Campeões foi apenas um pretexto para correr com Alberto da Ponte, pois esses mesmo jogos, entretanto, já foram apresentados como um trunfo à beira das eleições. É claro que com o futebol ninguém se chateia, mas a situação deste cavalheiro que o ex-ministro Relvas promoveu inicialmente para um instituto público ultrapassa os limites do decoro, e revela o opróbrio em que medra a reforma do Estado que a coligação PSD/CDS-PP prometeu aos portugueses quando estes correram com José Sócrates.

O problema não é a competência do presidente da PT Portugal ou a legalidade da situação, mesmo que uma "entidade externa", como muitas outras que o governo de Passos Coelho contratou por ajuste directo para não perder tempo, venha dizer que é legal.

Qualquer pessoa decente facilmente compreende que o problema é de moralidade, de ética, de coerência com aquilo que se apregoou e com a agenda que se impôs aos portugueses à revelia do seu contrato eleitoral.

Porque só num Estado doente, em fase terminal de desmantelamento, corroído pelo clientelismo, sem gente às direitas, e com primeiros-ministros e políticos sem estatuto, dependentes desse mesmo Estado, dos partidos e dos empresários que vivem à sombra de ambos, é que se fica à espera de pareceres (pagos com o dinheiro que se desviou da sua segurança social, educação e saúde) para se acabar com o deboche.

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Némesis

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.08.15

Global imagens.jpg

 (Global Imagens)

Só em quatro de Outubro é que a deusa se manifestará, dando a uns o que merecem e castigando os que tiraram partido da fortuna para se arruinarem e arruinarem os seus. Assim que passe o Verão estaremos lá. Nessa altura se saberá qual a medida da punição, que a acreditar nos sinais não serão benevolentes.

Aceitar a integração do CDS/PP nas listas do PSD foi uma decisão politicamente acertada e susceptível de acautelar perdas eleitorais substanciais com inequívoco reflexo no número de deputados do CDS na composição da próxima Assembleia da República. Fazer figura de Heloísa Apolónia e ir abrilhantar a festa do Pontal, como se o CDS/PP fosse uma espécie de Verdes alaranjados, é que não me pareceu uma decisão inteligente. Com o Pontal deste ano só houve uma pessoa a ganhar: Ribeiro e Castro.

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Marques Mendes, quando tiver tempo, há-de explicar os critérios

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.08.15

Ouvidas que foram as críticas a António Costa pela constituição das listas do PS, designadamente quanto à exclusão de seguristas, ficámos entretanto a saber que no PSD também houve quem não ficasse satisfeito e venha dizer que as listas são o espelho da direcção do partido. Os que há tempos criticaram Manuela Ferreira Leite estão agora todos calados. Como convém aos ratos de sacristia que tomaram o poder nessa paróquia. Apesar de tudo, isso é normal quando se trata do mesmo partido que foi a correr expulsar António Capucho, por causa do episódio das autárquicas em Sintra, para vir agora integrar entre os candidatos a deputados os homens de Isaltino Morais que em Oeiras se candidataram contra o próprio partido. O argumento que serviu num caso já não serve ao outro. Só foi pena que não tivessem também integrado o próprio Isaltino nas listas. Sempre seria mais abrangente, uma forma mais elegante de lhe pedirem desculpa e mais coerente com os objectivos que a "coligação" tem em vista nas próximas eleições. 

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Na primeira pessoa

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.15

Vale a pena ler este testemunho. Nada do que ele diz é novidade para quem estuda estas coisas, mas não deixa de ser o depoimento triste e amargurado de quem acompanhou a subida ao poder do PSD. Podia ter sido com o PS ou com qualquer outro. Exemplos desses não faltam. Este saiu como entrou. Não mudou a cerviz. Alguns saíram e já estão de volta, com os bolsos mais pesados e cagança redobrada. São os sem-vergonha. E depois há os outros que estão onde sempre estiveram. Junto à manjedoura, à espera do feno. São estes que temo que nunca de lá hão-de sair. E no fim o que fica? A promoção do Licor Beirão. Para desgraça deste país.

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Perfil não sei se tem, cartão do partido tem de certeza

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.07.15

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Continuo a dizer que não foi o facto de anteriores executivos - incluindo socialistas - terem procedido a nomeações de favor do seu pessoal político, muitas vezes sem qualificações que os recomendassem para os cargos para que foram nomeados, que me irá impedir de me manifestar contra o verdadeiro assalto ao pote que está a ocorrer neste final de legislatura por parte dos mais conhecidos caciques do PSD. Aquilo que hoje critico no PSD foi o mesmo que antes critiquei no PS ou em qualquer outro governo, e só os mais distraídos é que não repararam nisso. Daí que considere absolutamente inaceitável, e não me canse de dizê-lo, que se continue a utilizar a máquina do Estado para colocar os amigalhaços, quantas vezes sem qualquer justificação em termos de boa gestão, interesse público ou simples necessidade, ainda que transitória, dos serviços. O que aconteceu antes com a ordem de reabertura de embaixadas e postos consulares que Paulo Portas mandara encerrar, para que amigos e protegidos sejam colocados e não fiquem "pendurados", nem à mercê dos que vierem a seguir, repete-se agora com a mais discreta, mas nem por isso menos escandalosa, nomeação de uma senhora deputada (que antes era profesora numa escola secundária, tradutora num tribunal e formadora no IEFP), em final de mandato, para a Embaixada de Portugal em Berna. Se, como refere um deputado socialista, havia necessidade de se preencher o cargo, então por que motivo ficou o lugar vago durante três anos? Seria preferível que o secretário de Estado, em vez de atirar areia para os olhos das pessoas, como é seu hábito, dissesse, por exemplo, que há poucas possibilidades da senhora voltar a ser eleita deputada por não haver garantias de ficar nas listas em lugar elegível, e que havia necessidade, atenta a probabilidade da coligação perder as próximas eleições, de acautelar o seu futuro, tanto mais que é deputada pelo seu círculo de Viseu e com ele tem colaborado. Dizer qualquer uma destas coisas seria mais honesto. E já ninguém estranharia. 

 

(razões que recomendam a nomeação da senhora deputada para Berna e que não constam da sua página pessoal no site da Assembleia da República: "Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul, é membro da Assembleia Distrital de Viseu do Partido Social Democrata, membro da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões e Directora-Adjunta do jornal regional “Gazeta da Beira” e Directora da Revista “Terras de Lafões”. Foi também Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul nos três mandatos anteriores, Presidente da Comissão Política da Secção de S. Pedro do Sul da JSD entre 1981 e 1983, foi membro de diversas Comissões Políticas da Secção de S. Pedro do Sul do PSD , tendo sido sua Presidente na década de 90. Foi também membro da Comissão Política Distrital da JSD entre 1982 e 1984. Ao nível associativo destaca-se as funções de Grã-Mestre da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, Vice-Presidente do Conselho Europeu de Confrarias, Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2/3 de S. Pedro do Sul, entre 1997 e 2002 e Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária de S. Pedro do Sul, entre 2002 e 2008" - aqui).

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Junk food

por Rui Rocha, em 25.06.15

Marco António Costa está a braços com acusações de diversa natureza. Algumas delas, encontram-se sob investigação do Ministério Público e, relativamente a estas é necessário dar tempo ao tempo da Justiça antes de formular um julgamento político. Mas, relativamente a factos de outra natureza, há já indícios mais do que suficientes para avaliar politicamente a sua conduta. A gestão da Câmara de Gaia, na qual esteve directamente envolvido, assumindo responsabilidades de co-autoria moral e material de quantos desvarios ali se praticaram, com evidência do mais despudorado desprezo pelo interesse público e pela sustentabilidade das contas municipais, deveria ser objecto de estudo para exemplo de práticas que deveríamos ver erradicadas definitivamente da gestão da coisa pública. Mas a leitura política da condução dos assuntos de Gaia perpetrada por Marco António Costa e companhia não pode limitar-se à sua pessoa isolada. Marco António Costa tem funções relevantíssimas no PSD e é um compagnon de route de Passos Coelho. Desse PSD e desse Passos Coelho que são responsáveis por quatro anos de medidas gravosas para a generalidade dos portugueses que foram vendidas como contrapartida da governação irresponsável de José Sócrates. Pois bem. Se é verdade que as opções políticas do governo de Passos Coelho eram numa apreciação global inevitáveis, discutindo-se apenas a sua calibração e critério de aplicação, há todavia uma matéria em que o país não estava condicionado pelas imposições da Troika. Na verdade, no que respeita à seriedade, nada nos obrigava nem obriga a ser menos exigentes. Pelo contrário. Em momentos em que são impostos sacrifícios generalizados à população, é obrigatório que os que exercem o poder assumam um comportamento exemplar e uma prática e um discurso absolutamente coerentes. Ora, não é sério um partido apresentar o rigor nas contas públicas como bandeira, carregando entretanto sobre a sociedade com um brutal aumento da carga fiscal, enquanto mantém como número 2 alguém responsável por uma gestão desbragada. Pedro Passos Coelho apresentou-se aos eleitores com o desígnio de cortar gorduras. É portanto politicamente inaceitável que mantenha o famoso Big MAC a seu lado. No que me diz respeito, pelo menos, há já muito tempo que enjoei de junk food.

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Hino a Dias Loureiro

por Rui Herbon, em 02.05.15

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Uma coligação oportuna

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.04.15

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(foto JN) 

A decisão de PSD e CDS-PP de se apresentarem coligados às próximas eleições legislativas é uma decisão oportuna por várias razões.

Em primeiro lugar, porque é natural que quem governou em coligação se apresente ao eleitorado nos mesmos termos em que governou, ou seja, em coligação. Se governaram juntos, se foram parceiros nas boas e nas más decisões, se entendem que o caminho que percorreram deve continuar a ser trilhado no futuro, então a decisão é perfeitamente compreensível e, em meu entender, sensata. Essa será a melhor forma do eleitorado avaliar o desempenho do Governo de Passos Coelho e manifestar o que pensa sobre o futuro que deve ser reservado aos coligados.

Depois, é uma decisão oportuna porque introduz clareza numa área tradicionalmente confusa. A coligação é uma medida higiénica que traz transparência ao eleitorado, promove uma adequada separação de águas e mostra ao eleitorado que ao centro há, por agora, pelo menos dois caminhos. Um mais à direita, outro mais à esquerda.

Também é uma decisão oportuna porque permitirá ao PS saber com o que conta, podendo dessa forma ver facilitada a sua estratégia eleitoral e consolidar as suas propostas para o país. Os portugueses sabem que o PS não irá manobrar nos bastidores um qualquer governo de "consenso" para o país. 

Por outro lado, é ainda uma decisão oportuna porque também responsabilizará daqui para a frente o Presidente da República naquilo que disser e no que pontualmente venha a fazer quanto ao pouco, pouquíssimo, que lhe for exigido. Se Cavaco Silva pensava que ia ter um final de mandato calmo, fica agora com a certeza de que depois de todas as "asneiras" que promoveu as suas hipóteses de chegar ao fim sem mais problemas ficam ainda mais reduzidas. Essa é para ele uma recompensa merecida pelo seu desempenho até aqui.

Finalmente, a coligação que acabou de se apresentar ao país para as próximas eleições é também uma decisão oportuna porque mostra aos portugueses o pânico que grassa entre as hostes do PSD e do CDS-PP. Depois de todos os amuos, traições, sacudir da água do capote, intrigas e golpes a que o país assistiu, a coligação é uma imagem do estado a que chegaram e é a prova acabada de que só existe e só é anunciada nesta altura porque o desastre foi tão grande que nenhum dos partidos se sente à-vontade para se apresentar sozinho a eleições.

Esta é, pois, uma boa notícia para o país e que deve por isso mesmo ser devidamente saudada.

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A resposta que deve ser dada de megafone

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.04.15

"Gostava imenso que o Conselho de Finanças Públicas analisasse estas propostas e estas simulações. Teríamos todo o gosto." - Paulo Trigo Pereira, à Renascença

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Pedro Saraiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.04.15

Já se tinha percebido que o trabalho que estava a ser produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES não estava a ser igual ao de outras comissões anteriores. Comprova-se finalmente que quem lá esteve não andou a fazer fretes aos respectivos partidos. Estão todos de parabéns e isso deve ser assinalado, mas em especial convém fixar o nome deste senhor deputado. Ele fez aquilo que qualquer português espera dos seus deputados: um trabalho sério. Seja pela sua formação, maneira de ser ou carácter, isso foi também reconhecido pelos seus pares, deputados de outros partidos, incluindo os da oposição. E isto não pode deixar de ser devidamente elogiado, até para servir de exemplo aos portugueses que com razão criticam a sua classe política e o estado de podridão que o regime e o sistema político atingiram. Nos partidos políticos, como por aqui se vê, não há só cábulas, carreiristas e facilitadores de negócios.

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Não aprendem nem querem aprender

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma "minimização" de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.

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É o PSD.

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Em poucas palavras

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.14

"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de  ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

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Desconcertante Matilde

por Francisca Prieto, em 03.10.14

Para quem ainda não conhece a Matilde Campilho, faça-se o favor de a ouvir no seu desconcertante português, sempre dito à portuguesa,  mas temperado a gosto com vocábulos brasileiros.

Joquéi, o seu livro de estreia saiu há um par de meses e cai fora de tudo o que se possa ter lido deste ou do outro lado do oceano.

Tão bom, meu Deus.

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A paz quer-se podre

por Teresa Ribeiro, em 26.09.14

Já se ouve por aí dizer a propósito do que tem saído na Imprensa sobre a Webrand/ PSD e a Tecnoforma/ Passos Coelho que "qualquer dia ninguém vem para a política, porque ninguém é santo". São desabafos laranjinhas, mas se fossem outros os apertos logo mudariam de cor. O que interessa é perceber que mais do que reflectirem um nervosismo "clubista" denunciam uma total indiferença pela coisa pública. A preocupação não se foca nos eventuais dolos, mas nos putativos infractores, vistos neste contexto como vítimas de uma caça às bruxas. Esta é a nossa cultura cívica. Temerosa, reticente e dual. Se para moralizar o sistema é preciso escrutinar os nossos, o melhor é deixar estar.

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Há sempre uma explicação para os maus hábitos

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.08.14

Bem sei que este é quase um desporto nacional dos partidos quando estão no poder. Como também sei que os maus hábitos, os vícios enraizados, à semelhança de algumas nódoas e da sujidade entranhada, são coisa difícil de eliminar. O que ainda assim não serve de justificação para este deboche que transforma uma Misericórdia num asilo.

Um comandante tem obrigação de saber que nem toda a carga pode subir para bordo. E que meter na embarcação as amigas e os amigos dos marujos normalmente dá para o torto à vista da linha do equador.

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Um laranjal de sucessos

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.14

"Apesar de todos os sacrifícios, Portugal que passou de uma dívida de 94% do PIB em janeiro de 2011 para os atuais 132%, é um claro exemplo de que os diagnósticos da crise do euro estão errados, as terapias são contraproducentes e as regras da UEM, que permitem a fragmentação financeira e a anarquia fiscal da zona euro, são perfeitamente suicidárias." - Viriato Soromenho Marques, no DN

 

Agora que troika "se foi embora", o programa de ajustamento foi concluído com êxito, a situação estabilizou e os encómios ao primeiro-ministro não cessam, vem à tona o laranjal de sucessos que já motiva pedidos de explicações do deputado Luís Menezes (PSD).

 

(entretanto, aguardarei que os entendidos esclareçam o que se está a passar com os juros e como deverá ser ultrapassada esta situação que, com uma oposição adormecida e quando tudo corria sobre rodas, voltou a catapultar Portugal para as páginas da imprensa internacional) 

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Preto no branco

por Sérgio de Almeida Correia, em 09.07.14

Lido o excerto da carta do Presidente cessante da Imprensa Nacional Casa da Moeda, publicada hoje no Público (página 18) e que aquele jornal classifica de "insólita", onde entre outras coisas se pode ler que "os últimos meses, por razões internas e externas, foram marcados por um conjunto de dificuldades que não pensava ter de enfrentar enquanto presidente de um órgão colegial" e que "não se pode agradar a gregos e a troianos", seria bom saber o que levou a este triste epílogo que mereceu destaque em Angola e implica para os contribuintes portugueses o pagamento de uma indemnização equivalente ao valor dos salários de toda a administração por conta dos meses que ainda faltavam cumprir até final do mandato de quem sai. 

Mas sabendo quem nomeou esta administração, e não tendo sido os administradores exonerados com justa causa, seria muito importante conhecer, até por razões de transparência e accountability, o que se passou de tão grave que vai obrigar o erário público a pagar mais umas dezenas (centenas?) de milhares de euros, pelo menos, a quem deixa de exercer funções. E, já agora, que se esclareça quem são os gregos e os troianos sem que tenhamos todos de ficar "à espera do comboio na paragem do autocarro".

Que diabo, não é por nada, mas tendo sido a administração cessante nomeada pelo actual executivo, não tendo ninguém transitado do anterior órgão de gestão, era imperioso saber o que correu mal que justifique esta inusitada decisão. Não havia um plano a ser cumprido? É que com eleições legislativas daqui a um ano o normal seria, se estavam a trabalhar bem, que terminassem os respectivos mandatos, sem que houvesse duplicação de encargos para os contribuintes numa altura de grave crise. 

Sabemos que para lá vai mais um militante do PSD, ou mais do que um, e que a CReSAP deu parecer favorável às escolhas, sendo tudo conforme a lei, tal como aliás já tinha sido feito com anteriores nomeados. Logo, conclusão minha, todos deviam ter à partida currículo, qualificações e competência para as funções. Então, não tendo eu nada contra a competência qualquer que seja a cor política, que correu mal?

Não acredito que a ministra das Finanças, que para lá tinha "despachado" a sua ex-chefe de gabinete, não se entenda com o sempre educado ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares. O facto do PS estar em crise não quer dizer que a opinião pública esteja a dormir. Ou a banhos.

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Eleições antecipadas?

por Luís Menezes Leitão, em 11.06.14

 

As eleições europeias demonstraram, para quem tivesse alguma dúvida, que afinal o país é terreno fértil para o surgimento de novos partidos e movimentos, a partir do momento em que os partidos do arco da governação não conseguem encontrar alternativas à actual situação. Na verdade, PS e PSD continuam amarrados à ortodoxia europeia e dela não conseguem sair, mesmo quando a União Europeia se vai paulatinamente transformando numa instituição antidemocrática, gerida pela Alemanha. O facto de Merkel e Cameron terem discutido sem problemas uma alternativa a Juncker, mesmo depois da farsa que foi a sua apresentação como candidato nas eleições europeias, diz bem daquilo que é hoje a União Europeia.

 

Impossibilitado de encontrar uma alternativa à sua política actual, o PSD decidiu agora entrar numa guerra contra o Tribunal Constitucional, de que esta entrevista de Teresa Leal Coelho é o mais recente exemplo, onde chega a ameaçar os juízes com sanções, a fazer lembrar Afonso Costa na I República. É preocupante a forma como o Presidente tem lavado as mãos destes ataques, mas o que é duvidoso é se ficarão por aí. Na verdade, isto pode ser uma tentativa de o Governo antecipar as eleições legislativas, alegando impossibilidade de governar, perante novos chumbos do Tribunal Constitucional. Cavaco também pode estar a preparar essa solução, alegando a impossibilidade de a actual legislatura conseguir o consenso que voltou ontem a exigir. Ora, eleições legislativas neste momento poderiam ser dramáticas para o PS, embrulhado num longo conflito interno, e com um líder que todos os dias perde terreno, mas que seria apesar disso o candidato a primeiro-ministro.

 

É por isso que tenho defendido que António Costa cometeu um sério erro político quando aceitou primárias no PS, em lugar de exigir o Congresso, erro que só agora está a tentar corrigir, mas que não sei se ainda irá a tempo. Na verdade, com esta história das primárias, o PS vai ficar durante meses em posição altamente vulnerável, e será grande a tentação dos partidos da maioria de aproveitar a situação para desencadear já eleições. Claro que há o simbolismo de a coligação levar pela primeira vez uma legislatura até ao fim, mas não me parece que esse simbolismo valha mais do que a continuação dos partidos da maioria no poder. No fundo o raciocínio poderá ser este: se o PS de Seguro nunca foi alternativa, porque não fazer eleições no último momento em que este continuará a não o ser?

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O ponto e a vírgula

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.06.14

Um acusa o maior partido da oposição de ser um "foco de instabilidade política nacional". O outro vem dizer que "jamais" uma disputa partidária foi tão violenta e atreve-se a falar sobre falta de "lealdade política e institucional" nesse mesmo partido da oposição.

Um esqueceu-se que é dirigente de um partido que já deu a conhecer dezassete líderes em quarenta anos de democracia, produzindo qualquer coisa como trinta e cinco congressos, onze dos quais nos últimos dez anos. O outro ainda devia andar a mudar as fraldas quando Henrique Chaves deu o golpe de misericórdia na creche desgovernada de Santana Lopes. Por isso não sabe o que então foi dito à hora dos telejornais.

Um, enquanto aguarda a promoção a ministro na próxima remodelação, depois do êxito da gestão recorrentemente superavitária do seu partido em Gaia, está visto que assumiu o papel de ponto em toda a sua plenitude. O outro, a avaliar por este magnífico texto que deu à estampa no Expresso, será mais a vírgula. Um duo que promete animar o Verão.

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