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Zangas de comadres.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.17

Não me espantou nada o apoio do PS a Rui Moreira na Câmara do Porto, uma vez que sempre me pareceu evidente que Rui Moreira estava a fazer no Porto uma gestão integralmente socialista. O que sempre estranhei foi que o CDS continuasse a apoiá-lo. Encarei por isso com muita naturalidade o facto de Ana Catarina Mendes dizer que a vitória de Rui Moreira no Porto será a vitória do PS. Isso é evidente para qualquer observador minimamente atento. Azeredo Lopes e Matos Fernandes, respectivamente chefe de gabinete do presidente da câmara do Porto e presidente das Águas do Porto na gestão de Rui Moreira, não são hoje ministros de António Costa?

 

Mas Rui Moreira, pelos vistos tem um ego do tamanho do mundo, pelo que acha que a vitória será exclusivamente sua e decidiu agora rejeitar o apoio do PS, embora estranhamente não tenha reclamado a restituição dos seus ministros a António Costa. Pelo caminho poderia igualmente rejeitar o apoio do CDS que nunca lhe fez falta alguma na gestão da Câmara.

 

Isto só demonstra que os partidos erram profundamente quando apoiam candidaturas pretensamente independentes. Se não têm nenhum militante para apresentar como candidato, mais vale irem pastar para outras paragens. E sinceramente um independente, que consegue simultaneamente receber o apoio do PS e do CDS é alguém que eu não quereria a gerir a minha cidade. Felizmente que não moro no Porto. Alguém nesta história andará seguramente enganado. Em qualquer caso os eleitores bem podiam ser poupados a estas zangas de comadres.

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Como por milagre

por Pedro Correia, em 03.05.17

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Há dias houve um ínfimo mas muito mediático clamor numa fracção da ala bloquista do grupo parlamentar do PS contra a concessão da "tolerância de ponto" decretada pelo Governo aos funcionários públicos a 12 de Maio, dia da chegada do Papa Francisco a Fátima. Pretexto invocado: tal medida fere o princípio da "laicidade do Estado", que andou esquecido na recente Sexta-Feira Santa, feriado obrigatório em Portugal sem um sussurro de indignação daqueles deputados. Como se tal princípio fosse de geometria muito variável. 

Curiosamente, em nenhum momento vi os referidos parlamentares preocupados com uma consequência imediata da mais recente decisão governamental: acentuar a chocante desigualdade registada num país que funciona a duas velocidades - a da administração pública e a da economia privada. Com esta a ter salários mais baixos, jornadas laborais maiores, aposentações mais tardias e sobretudo o espectro do desemprego sempre presente, enquanto vai financiando a primeira, domínio exclusivo das "tolerâncias de ponto".

Devia assim António Costa ter procedido de maneira diferente com alguém que o falecido ex-Presidente Mário Soares afirmava "idolatrar" e a jornalista Teresa de Sousa considera "mais inspirador do que qualquer líder europeu"? Não. Porque este Francisco que está prestes a desembarcar em solo português como peregrino católico não merece menos do que o seu predecessor Bento XVI, que em 2010, quando cá esteve, levou o primeiro-ministro José Sócrates a decretar medida idêntica - alargada aliás à tarde de 11 de Maio em Lisboa e à manhã de 14 de Maio no Porto.

Apesar de eu presumir que alguns deputados socialistas talvez pensem assim, pois em 2013  recusaram subscrever um voto de congratulação da Assembleia da República pela ascensão ao trono de São Pedro do ex-arcebispo de Buenos Aires, primeiro Papa não-europeu em 1200 anos.

Alguns deles, como por milagre, são bem capazes de estar agora com ele em Fátima.

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O odor dos animais ferozes

por José António Abreu, em 09.03.17

O que se passou ontem no Parlamento revela muito sobre a incapacidade deste PS debater os assuntos. Quando questionado, ataca, procurando desviar as atenções. Não aceita críticas, venham elas de organismos independentes como o Conselho da Finanças Públicas, venham de deputados cujo mandato inclui precisamente o escrutínio da acção governativa. Nem nos piores momentos da estadia da Troika em Portugal, com a oposição nas ruas, Passos Coelho reagiu como Costa o tem feito.

Mas já vimos este filme. As passagens de Sócrates pela Assembleia seguiam o mesmo guião. E, na verdade, não surpreende que ele continue a ser aplicado: Costa, Galamba, César, Ferro, Nuno Santos foram apoiantes entusiásticos de Sócrates e, como ele, parecem outorgar-se o direito de ocupar um plano acima daquele onde se movimentam todos os outros - e de todas as regras. Enrobustecido pelas necessidades da gerinçonça mas, na verdade, intrínseco, o jacobinismo deste PS é gritante. Adicionem-se-lhe factores como a fragilidade das contas públicas, o «optimismo» comprado com medidas demagógicas, a complacência da União Europeia, e depressa o odor a 2009 se torna indisfarçável.

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Como se sabe, há um perdão fiscal que, sendo apenas diferente de um perdão fiscal porque até autoriza os infractores a pagar as dívidas a prestações, de modo nenhum é um perdão fiscal, muito menos se destina a recolher uns euros suplementares até ao final do ano.

E parece que também há uma medida de incentivo à reavaliação de activos que, embora transfira receitas do futuro para o presente e ajude muito mais as grandes empresas do que as pequenas e médias, não decorrerá certamente de necessidades orçamentais (todos sabemos que, nestes tempos pós-austeridade, as contas públicas andam über-catitas) mas do facto de estarmos perante um governo que se preocupa acima de tudo com os mais fracos.

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Perdão?

por José António Abreu, em 06.10.16

Em 2013, em tempos que ninguém negava serem de crise, o PS criticava os perdões fiscais. Hoje, em tempos que era suposto serem de crescimento e desafogo, com (dizem-nos) as contas públicas perfeitamente controladas, o governo do PS institui perdões fiscais. A ironia é grande mas, por baixo dos sorrisos amplos e das tiradas plenas de certezas, a angústia deve ainda ser maior.

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decoro

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.09.16

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"decoro (ô), s.m. respeito de si mesmo e dos outros; decência; compostura; dignidade; honestidade; vergonha; pundonor; nobreza. (Do lat. decôru-, "que convém")." - Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 6.ª edição

 

Mas será que é preciso ser arguido, acusado e condenado com trânsito em julgado para ter decoro? E vergonha? E senso? É cada vez mais evidente em cada dia que passa que não há um, dois ou três Partidos Socialistas, mas sim quatro. Há o de José Sócrates, há o dos amigos de José Sócrates, que se confunde com o primeiro em função das ocasiões, há o de António Costa e do Governo, que corre atrás das metas do défice e se esforça por cumprir compromissos com toda a gente e mais alguma, e depois há o dos portugueses que se revêem no PS e que não sabem em que PS hão-de confiar.

Oxalá esteja enganado, mas neste momento, se forem todos como eu, quer-me parecer que em nenhum deles. O pior é que nos outros também não se pode confiar.

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Pelo visto, a Mariana Mortágua veio tentar esclarecer (já sabemos o que se diz sobre a clareza de uma proposta quando quem a fez tem necessidade de a vir esclarecer) que "tirar riqueza acumulada não é taxar poupança". Quer a Mariana dizer que o alvo da sua intervenção é apenas a riqueza acumulada de forma ilícita? Não sabemos porque a Mariana continua a não explicar-se bem. Mas, se for, devia ter dito isso logo durante o Encontro do Partido Socialista em Coimbra. Nesse caso, em vez de aplausos da assembleia era bem capaz de ter recebido vaias e apupos. Porque se for para "tirar" riqueza a quem a acumulou ilicitamente é provável que o PS seja contra.

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A Sorbonne em Lisboa

por José António Abreu, em 19.09.16

José Sócrates é um dos convidados da universidade de Verão do PS Lisboa. Nada mais normal. Desde que não vá fazer algo relacionado com livros...

Aliás, peço desculpa, fui demasiado genérico. No caso de Sócrates, há muitas coisas relacionadas com livros que seriam aceitáveis. Apenas apresentar um, pouco edificante e escrito por um amigo, talvez não o fosse. A menos que o amigo fosse Carlos Santos Silva. Nesse caso, toda a gente entenderia.

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Não vejo onde está o problema

por Rui Rocha, em 02.09.16

Com que então o PS enfrenta gravíssimas dificuldades financeiras? Sem stress. É caso de aumentar os salários dos funcionários do partido e de reduzir o respectivo horário semanal para 35 horas e o problema resolve-se num instantinho. Não é?

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Desabafo

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.08.16

Um gajo pode estar no Governo sem poder decidir sobre certas matérias? Ó António, que merda é esta? Está tudo doido? Queres que aí vá?

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Vícios privados, públicas virtudes

por José António Abreu, em 09.06.16

Brada-se há quase uma década (o tempo voa, mesmo quando não nos divertimos) contra o salvamento dos bancos pelos contribuintes. Justificadamente, admita-se. Os erros de gestão foram gigantescos, quando não criminosos. Todavia, a irritação pareceu e parece dirigir-se apenas ao salvamento dos bancos privados. Pouca ou nenhuma comoção se detectou ou detecta na sequência dos aumentos de capital da Caixa Geral de Depósitos, igualmente realizados à custa dos contribuintes (como se sabe, o próximo é de 4 mil milhões de euros). Ora a CGD até constitui o banco-refúgio dos portugueses; imagine-se a situação em que estaria sem todos os depósitos que esse estatuto lhe proporcionou. Ainda assim, e ao contrário do que se passou no BPN, no BES e no BANIF, cenários de venda ou de resolução encontram-se afastados e os actos da gestão não irritam vivalma nem (cruz credo) constituem fundamento para inquérito parlamentar. Sem grande oposição, o governo propõe-se até subir os ordenados dos administradores.

Mas não espanta. Em 2011 como nos anos seguintes, também ninguém pareceu irritar-se com o salvamento da totalidade do sector público, tão mal gerido e tão falido como os bancos, pelos contribuintes. Fica evidente que a má gestão privada desagrada muito mais do que a má gestão pública - certamente porque a primeira é motivada pelo lucro enquanto a segunda (ouvem violinos?) decorre quase sempre de boas intenções. (Na verdade, nem sequer se trata de desagradar mais ou menos; imensa gente defende com entusiasmo a gestão pública ruinosa: basta ver o que se passa em torno da «geringonça».) E, claro, fica também (ainda mais) evidente a diferença no nível de respeito suscitado pelos trabalhadores de um e outro sector. Como já se viu com pessoal do têxtil, da construção civil ou da restauração, bancários de bancos privados atirados para o desemprego (muitos foram-no, outros estão a sê-lo) geram infinitamente menos empatia do que professores, enfermeiros ou maquinistas de comboio forçados a trabalhar com supressão de regalias e cortes moderados em salários globalmente simpáticos.

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Rábulas

por José António Abreu, em 07.06.16

O grupo parlamentar do PS já enviou para os restantes grupos parlamentares um projecto de voto contra as eventuais sanções da União Europeia a Portugal. Os socialistas esperam agora que as restantes bancadas apreciem o documento e proponham, ou não, alterações. O objectivo é chegar a um texto consensual que possa ser aprovado por todos os partidos.

Observador (com um par de consoantes da minha autoria).

 

Exceptuados os constrangimentos decorrentes da geringonça (foi bonito ver António Costa colocar na ordem os «patrões» do Porto de Lisboa assim que Catarina e Jerónimo lhe disseram para o fazer) e uma ou outra deriva convicta para a esquerda (o Ministro da Educação gosta de ser uma marioneta nas mãos de Mário Nogueira), o PS de 2016 é o PS de 2009 e 2010. Com espantoso descaramento, minimiza resultados negativos (no que respeita ao crescimento económico, hoje informaram-nos de que voltámos à nossa aconchegante mediocridade) e, ajudado por uma comunicação social mais acéfala do que uma amiba amnésica, gera «factos políticos» para tentar desviar as atenções, arranjar inimigos externos (velha táctica, velha táctica), clamar pequenas vitórias (se as sanções não vierem, a «posição de força» terá sido fundamental) e embaraçar a oposição.

E, como em 2010, não vale a pena dizer-lhes para se deixarem de rábulas e começarem a governar a sério. Pela simples razão de que, para além das rábulas, o PS apenas é competente numa coisa: a ocupação do poder.

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Transformações

por Diogo Noivo, em 04.06.16

Tiago Barbosa Ribeiro, deputado socialista e uma espécie de João Galamba em fase larvar, subiu ao palanque do congresso deste fim de semana para afirmar que “o PS é um partido transformador da sociedade portuguesa”. Há umas décadas, um senhor chamado Eric A. Blair, socialista confesso, escrevinhou umas coisas a propósito dos ímpetos transformadores da política e suas consequências. Dando por descontada a modéstia da afirmação ‘transformista’, Tiago Barbosa Ribeiro deveria visitar o trabalho de Blair antes de se adensar em grandes proclamações. Sob pena de pagarmos todos. 

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Inequívoca prova de tolerância

por Pedro Correia, em 04.06.16

Pacheco Pereira recebeu a maior ovação da manhã no congresso do PS. Eis uma inequívoca prova de tolerância dos socialistas: sabem aplaudir sem sectarismos quem se encontra à sua esquerda.

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Prémio Multiópticas

por Pedro Correia, em 04.06.16

«De Daniel Adrião, o homem que apresentou uma moção contra António Costa e até concorreu a secretário-geral contra António Costa nas eleições directas, ainda não há sinal, ainda não o vimos por aqui no congresso do PS esta manhã.»

Repórter da SIC, em directo, enquanto Adrião discursava no púlpito do congresso

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Ponto de divergência

por José António Abreu, em 16.05.16

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 Bate tão certo que até parece mentira.

 

Fonte: BCE.

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Roubado n'O Insurgente.

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O maior cego

por José António Abreu, em 13.05.16

O desemprego aumenta mas não aumenta.

As exportações diminuem mas a economia permanece no rumo certo.

O crescimento do PIB encontra-se bastante abaixo das previsões mas não há motivo para alarmes.

Os diferenciais das taxas de juro da dívida pública agravam-se mas tudo corre bem.

O investimento desce mas as perspectivas são excelentes.

Os impostos sobem mas a austeridade diminui.

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Tarde de cinema

por Rui Herbon, em 30.04.16

Peter Greenaway realizou "O cozinheiro, o ladrão, a sua mulher e o amante dela". O líder parlamentar do PS apresenta-nos "O pai César, a mulher, o filho, a nora e o irmão". Enfim, "Tudo bons rapazes".

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Chavões

por José António Abreu, em 07.04.16

E, de súbito, a calma antes da tempestade. Tudo parece adormecido, numa paz que muitos, por ingenuidade ou interesse, classificarão de positiva. Ocupado na reversão das tímidas reformas dos últimos anos e ainda sem ter de enfrentar números que exponham de forma clara (indícios não bastarão) o falhanço das suas políticas, o governo limita-se a chavões. Um documento que seria recebido com desdém se proviesse do governo anterior, a abarrotar de verbos no infinitivo («melhorar», «simplificar», «garantir», «lançar», «modernizar», «promover», «reforçar», «incentivar») mas confrangedoramente parco em detalhes (quando? como? com que dinheiro?), passa por base séria para discutir reformas. A ânsia de afastar Passos Coelho da liderança do PSD faz socialistas e comentadores encartados dispararem críticas a Passos por manter a pose de primeiro-ministro mas também por não mostrar sentido de Estado suficiente para aceitar as posições do governo (um «sentido de Estado» que o PS nunca teve enquanto oposição).

No fundo, PS, Bloco e PCP, ajudados por grande parte da intelligentsia, seguem entretidos na reescrita da História recente – ao ponto de o representante dos comunistas no congresso dos sociais-democratas ter declarado por várias vezes, com a convicção inabalável dos dogmas (são afinal tão religiosos), que o PSD ainda não se refez da derrota nas eleições legislativas. Mas presos ao passado estão os partidos da «geringonça». Tudo o que fazem é em função dele, tudo o que propõem conduz a ele. O futuro apenas lhes merece chavões.

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Nem daqui a três gerações

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.03.16

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Já houve tempo em que acreditei que um dia isto mudaria. Hoje tenho a certeza de que nunca irá mudar. Há muitos prismas de análise, muitas maneiras de justificar a forma como estas práticas se vão enraizando e reproduzindo, e até agora têm sido todas igualmente más. Para fazer melhor era também preciso saber fazer diferente. Correr riscos, dar o exemplo, mudar. E não é o facto de se manterem dois ou três da cor dos outros que serve de desculpa para o que se faz. Assunção Cristas também lá ficou com um comissário que não tinha para onde ir durante a travessia do laranjal.

Porque para contas de somar, subtrair, multiplicar e dividir há merceeiros que não falham e também apresentam resultados. Por isso nunca me revi neste tipo de práticas, nunca as aceitei, e serem feitas pelo PS não altera a minha maneira de ver as coisas. São tão medíocres os centristas e social-democratas que justificavam as suas miseráveis nomeações com o que se passava no tempo de Sócrates, como os que agora fazem o mesmo e saem em defesa do Governo justificando com o que se fez no tempo de Passos Coelho e Paulo Portas. Não há boys bons e boys maus.

A maré vai e volta mas os detritos que se mantêm à superfície e chegam à praia são sempre os mesmos. Latas velhas, bocados de esferovite, plásticos imundos, peixe podre. Muito. Ninguém se importa, ninguém os quer limpar porque isso dá muito trabalho. E continua-se a estender a toalha na praia, a levar a cadeirinha, mais o jornal com as palavras cruzadas, a grafonola para ouvir os discos pedidos e o bronzeador. Por mais janelas que se abram o cheiro será o de sempre.

Não há regime que aguente. Não há confiança que resista. No meu país só a inércia é que se reproduz. A inércia e os maus exemplos.

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Bingo

por José António Abreu, em 26.02.16

O governo e a sua maioria têm sido acusados de dar com uma mão e tirar com a outra, mas o que importa nessa ginástica não é quanto ganham as pessoas, mas que ganhem por vontade do poder político: o rendimento de cada cidadão não deve depender do seu esforço, mas da sua relação com o governo. O PS, PCP e BE nada têm contra quem ganha muito, desde que ganhe muito no Estado ou através do Estado. Banqueiros e empresários disponíveis para “parcerias” nunca terão dificuldades.

Rui Ramos, no Observador.

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O início da era pós-impostos

por José António Abreu, em 22.02.16

O BE quer alargar a aplicação da tarifa social de energia, que neste momento beneficia cerca de 120 mil pessoas. A ideia é dar acesso automático à tarifa social a todos os beneficiários do abono de família do 1º e 2º escalões, complemento social de idosos, pensão social de invalidez ou de velhice, subsidio social de desemprego e rendimento social de inserção. O partido liderado por Catarina Martins propõe ainda que os custos desta tarifa passem a ser integralmente suportados pela EDP Produção, deixando de onerar o Estado em cerca de seis milhões de euros.

 

Há um momento na descida para a paralisia económica em que ao Estado já não basta cobrar impostos. A solução? Colocar empresas privadas a garantir o pagamento de benefícios sociais. Como a mentalidade da «verdadeira esquerda» (Bloco, PCP, actual PS) exclui o conceito de relação causa-efeito, fazê-lo não implica obrigar essas empresas a distribuir os custos da medida por todos os seus clientes ainda não suficientemente pobres para terem eles mesmos direito aos benefícios mas apenas diminuir-lhes o nível «obsceno» de lucros (é sabido: para a esquerda, uma empresa privada ou tem lucros obscenos ou gestão criminosa). Começa-se pela EDP, entidade fornecedora de um bem que muitos, consciente ou inconscientemente, acham que devia ser gratuito (ei, a electricidade é uma espécie de download, certo?) e que todos apreciam odiar. E abre-se caminho para ir mais longe. Para, sei lá, tornar obrigação do Continente, do Pingo Doce e do Lidl a distribuição mensal de cento e tal mil cabazes de compras; para tornar obrigação da Galp, da BP e da Repsol a oferta mensal do combustível correspondente a cento e tal mil depósitos; para tornar obrigação da McDonald's, da Pizza Hut e da H3 a entrega mensal de dez (ou talvez quinze) vezes cento e tal mil menus; para tornar obrigação da Fidelidade, da Tranquilidade e da Allianz a subscrição anual de cento e tal mil apólices de seguro; para tornar obrigação da MEO, da NOS e da Vodafone a disponibilização de cento e tal mil pacotes de telemóvel, televisão e internet (sem período de fidelização); para tornar obrigação da Zara, da Cortefiel e da H&M o fornecimento de cento e tal mil vales de trezentos euros em roupa e calçado (bastará por estação, que os beneficiários da medida não pertencem à esquerda-caviar); para tornar obrigação da Mota-Engil, da Teixeira Duarte e da Soares da Costa a construção e oferta de cento e tal mil habitações (mantenhamos os pés na terra e digamos em cinco anos). Ou, melhor ainda, por que não obrigar que todas as empresas privadas desviem cinco (e, mais tarde, dez) por cento da facturação para apoios que o Estado, gordo e deficitário (pudera), será cada vez mais incapaz de providenciar?

O maravilhoso país que emergirá de toda esta consciência social é, evidentemente, um país sem competitividade mas também sem empresas privadas. No fundo - e aqui se encontra afinal uma relação de causa-efeito bem delineada -, o sonho da esquerda.

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Costa vs. Costa

por José António Abreu, em 19.02.16

A recusa do governo de Passos Coelho em salvar o BES foi o ataque mais forte das últimas décadas ao status quo político-financeiro-empresarial - i.e., à oligarquia que se habituou a dominar o país. Hoje, Costa (António) ataca Costa (Carlos) não porque este tenha cometido erros mas porque a sua acção (e, por conseguinte, os seus eventuais erros) não decorre dos interesses dos socialistas e/ou dos amigos dos socialistas. Mais: não decorre sequer dos interesses do governo (deste ou do anterior). É aliás sintomático que os socialistas teimem numa solução para os «lesados» do BES sem avançarem com uma proposta clara e, mais importante, sem explicarem (de preferência evitando a necessidade de uma série infinita de erratas) quanto poderia ela custar aos contribuintes. Para Costa (António), interessa acima de tudo docilizar o Banco de Portugal e surgir como o fautor de uma «solução» conciliatória que esconda dos eleitores o preço dessa conciliação. Estabelecer um precedente, numa situação de fragilidade do sistema bancário, não o preocupa. Costa (António) trabalha no presente, manobrando instante a instante.

Depois há ainda outro motivo. Costa (António) tem procurado espicaçar Passos Coelho, alternando acusações com propostas de concertação. Passos, ciente de que não deve ajudar os socialistas numa área em que são peritos incontestados (inventar desculpas e eximir responsabilidades), tem mantido a pose de estadista. Isto não interessa ao governo, urgentemente necessitado de um adversário. Costa (Carlos) encaixa no papel. E, se a situação for bem manobrada, até poderá permitir expulsar Passos Coelho da toca, de modo a ser desgastado antes de começarem a sair os primeiros números da execução orçamental.

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O admirável tempo novo

por Diogo Noivo, em 13.02.16

Acabaram-se as dúvidas. O Governo dissipa a cortina de fumo que tem alimentado no Parlamento e em plateaux televisivos com a simples alteração de uma palavra: onde se lia “redução” da carga fiscal lê-se agora “manutenção”. Numa errata invulgarmente extensa, entre a correcção de gralhas e pequenos ajustes no texto, o Executivo de António Costa reconhece o que já era evidente para a maioria dos observadores. Afinal, não se vira a página da austeridade o que, consequentemente, atesta que toda a base do argumento socialista nas últimas eleições cai por terra. Não fosse a mentira um exclusivo dos partidos de centro-direita e o actual Executivo (bem como os partidos que o apoiam) seriam acusados de faltar à verdade.

 

[Adenda] Parece que há errata da errata. Alguns poderão pensar que se trata amadorismo, mas creio que não. Temo que seja método. Ocorreu algo parecido com as 35 horas. Em campanha, era para implementar de imediato. Chegados ao Governo, afinal só depois de 1 de Julho. Isto na opinião do Primeiro-Ministro, pois o Ministro das Finanças não se queria comprometer. Então, assumiu António Costa o compromisso para pouco tempo depois Mário Centeno afirmar que só seriam aplicadas se não tivessem impacto orçamental. Hoje, no Expresso, António Costa já fala das 35 horas como fetichismo. Confuso? Não vale a pena. É o tempo novo.

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Falhanço

por José António Abreu, em 12.02.16

As declarações do primeiro-ministro no sábado passado, amplamente glosadas na Internet (incluindo aqui no Delito), teriam levado Bloco de Esquerda e PCP a exigir a demissão do governo (e Pacheco Pereira a escrever uma crónica demolidora) se o primeiro-ministro ainda fosse Pedro Passos Coelho. Mas a hipocrisia da esquerda é secundária quando as declarações indiciam uma falta de respeito muito mais profunda do que a decorrente de simples - e, em condições normais, razoavelmente fácil de desculpar - ausência de tacto.

O plano dos economistas liderados por Mário Centeno com que António Costa se apresentou às eleições baseava o crescimento no consumo interno, trocando mesmo receitas públicas actuais por receitas futuras (a famosa descida da TSU). Era um plano arriscado, com tantas probabilidades de resultar neste mundo conturbado (e, acima de tudo, sobreendividado) como eu tenho de ainda hoje - e por esta ordem - conquistar o coração da Jessica Chastain e ganhar o euromilhões, mas pelo menos apresentava alguma coerência formal. Fazemos isto e isto e isto, de modo a obter este e este e este resultado, sendo que, em tese, havia compatibilidade entre o que se fazia e o que se esperava. Só que o plano foi estraçalhado, primeiro num sentido pelos parceiros da «geringonça», depois no outro pelos técnicos da Comissão Europeia, transformando-se numa manta de retalhos que não apenas dá às corporações o que tira à generalidade dos cidadãos e das empresas (já seria mau, por dificultar a recuperação) mas pura e simplesmente não bate certo.

A UTAO, o Conselho de Finanças Públicas, a Comissão Europeia, o FMI, o Eurogrupo, os bancos de investimento, as agências de notação e os mercados (é estranho que as taxas subam tanto: afinal, não tinham descido apenas por acção do mesmo BCE que continua a comprar paletes de dívida nacional?) sabem-no. O desconforto de Mário Centeno (claro opositor da implementação das 35 horas de trabalho na função pública no decorrer de 2016, já enredado em justificações entre o populismo e a absurdidade, agressivo em Lisboa, humilde em Bruxelas) ou de Trigo Pereira (que se força a escrever elogios ocos ao orçamento) mostra que até mesmo na área do governo há quem perceba que a situação pode descambar rapidamente. (Galamba, à altura do mestre Sócrates, permanecerá firme até muito depois do colapso.)

Mas António Costa (especialista em questões de poder) sabe que o seu futuro (o único que lhe interessa) depende do timing e das características da próxima crise. Isto fá-lo-á resistir durante tanto tempo quanto lhe for possível, tentando distorcer os acontecimentos, manobrar as expectativas e, acima de tudo, aguardando um golpe de sorte. De vez em quando, porém, não evitará declarações como as do sábado passado. Ao recomendar aos portugueses menos consumo depois de assentar todo o programa de governo em mais consumo, António Costa, consciente ou inconscientemente (talvez como quando chamou primeiro-ministro a Passos Coelho), admite o falhanço da sua estratégia. O resto é uma questão de tempo.

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O PCP e o Bloco sabem?

por José António Abreu, em 05.02.16

Depois de tudo o que o que António Costa disse sobre o assunto, o orçamento para este ano prevê menos dinheiro para as escolas públicas e mais para as privadas.

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Crónica do fim da austeridade

por Diogo Noivo, em 05.02.16

Sobem os impostos sobre os combustíveis. É, portanto, normal e expectável que todos os bens – produtos alimentares, vestuário, entre outros – transportados por via rodoviária fiquem mais caros. O sector da distribuição não é conhecido pelo seu altruísmo e, por isso, haverá impacto no preço final do produto vendido ao consumidor. Abreviando, a vida ficará mais cara.

Depois vêm as famílias com filhos. O fim do quociente familiar, substituído por um valor fixo, tornará mais caro ter filhos, sobretudo para casais com um vencimento conjunto igual ou superior a 2000€ mensais. Qualquer semelhança entre este país e aquele que rasgou as vestes por causa dos problemas de natalidade é pura coincidência.

E, para que os exemplos sejam três, olhemos para o comércio. Todos os comerciantes, pequenos e grandes, pagarão mais por transacções feitas com cartões de débito e de crédito, sendo provável que o aumento seja transferido para o cliente.

Pelo meio, o crescimento da economia será inferior ao previsto. Quanto ao défice, parece que ainda não se percebeu ao certo o que vai acontecer.

Face ao exposto, caro leitor, saiba que acabou a austeridade. Palavra do Governo. E palavra dada é palavra honrada.

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Da lógica

por José António Abreu, em 04.02.16

1. No esboço original do orçamento, o governo previa um crescimento da economia de 2,1% e um défice público de 2,6% do PIB;

2. Partindo do esboço original do orçamento, a Comissão Europeia antecipou um crescimento de 1,6% e um défice de 3,4% e o FMI um crescimento de 1,4% e um défice de 3,2%;

3. O governo e o PS asseguram que as previsões da Comissão Europeia e do FMI se baseiam em dados desactualizados, por não levaram em consideração as medidas entretanto propostas pelo governo;

4. Como é que isso justifica os desvios?

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Pós-eleitorais (8)

por Pedro Correia, em 04.02.16

Três eleições presidenciais, três derrotas sucessivas dos candidatos da área socialista. Por clamorosos erros de estratégia política - todos atribuíveis ao chamado sector soarista do PS. Em 2005 Manuel Alegre já estava no terreno quando viu levantar-se uma onda interna destinada a derrubá-lo: a onda afinal era pequenina mas bastou para sagrar Cavaco Silva vencedor à primeira volta. Em 2010, novamente com Alegre em palco, do mesmo sector surgiu a candidatura alternativa de Fernando Nobre - e de novo Cavaco agradeceu o brinde. Na Primavera de 2015 eis que da mesma trincheira irrompe um ilustre desconhecido: Sampaio da Nóvoa. Era o impulso que faltava para um passeio triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa com destino a Belém.

Tanto erro acumulado - e nenhuma lição extraída.

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Balanço de Inverno (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.02.16

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 (Olivier Hoslet/EPA)

3. Ainda sem um orçamento que lhe oriente o rumo, o PS está por agora enfiado numa camisa-de-onze-varas. Cumprido o objectivo de apear do poder a coligação PSD/CDS-PP, ainda sem perceber o que lhe aconteceu nas presidenciais, sofrendo de um problema de astigmatismo crónico que lhe distorce a visão que tem do seu próprio eleitorado qualquer que seja o ponto do Largo do Rato onde se encontre, o PS procura ir dando resposta às exigências de apoiantes e parceiros sem adornar a embarcação. A experiência Sócrates deixou em todos os portugueses amargos de boca, com excepção daquele grupo de convivas que com ele assistia aos debates televisivos, e não tanto por causa do PEC IV, mera consequência da deriva populista dos habituais trauliteiros, mas mais em razão do adormecimento do partido, da passividade dos seus militantes perante o descalabro e da incompetência generalizada da direcção política do partido, pelo que quaisquer iniciativas a que neste momento se aventure são olhadas com desconfiança. A esta junta-se o clima de vindicta que diariamente lhe é movido pelos fedayeen do Estado laranja, amplamente suportados na comunicação de blogues e em comentadores disfarçados e jornalistas isentos, sempre ansiosos por atearem o fogo e verem as chamas para serem os primeiros a chamar os bombeiros. Libertado da eleição presidencial, com Cavaco Silva a fazer caixotes e Marcelo Rebelo de Sousa a preparar-se para dar um novo dinamismo ao eixo Cascais-Lisboa, o PS tem que encontrar as condições ideais de acção política num instável equilíbrio parlamentar, entre os compromissos internacionais, as necessidades de convergência com a Europa e a recuperação do desemprego e do crescimento sem comprometer as metas do défice. Por agora, a mais sólida garantia de que o partido goza é a de saber que qualquer desvio dos compromissos assumidos com o BE e o PCP atirará tudo por terra, gerando o caos e provocando eleições antecipadas. Uma rápida aprovação do orçamento seria o ideal, pelo que qualquer atraso nesse desiderato aumentará os receios de nova deriva. O PS tem a obrigação de restaurar a confiança dos portugueses no Governo, sem prejuízo de à capacidade para ouvir e negociar aliar a firmeza, sem o que dificilmente alcançará quaisquer metas. Em finais de Junho já se perceberá melhor o estado a que chegamos e que caminho haverá a percorrer. Até lá, todas as provas de sentido de Estado, bom senso e contenção verbal serão poucas e recomendam-se vivamente. O tempo não está para fracturas e uma relação de confiança leva tempo a construir.

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Um dever

por José António Abreu, em 03.02.16

Uma das tácticas mais habituais no totalitarismo passa por associar qualquer vestígio de oposição a forças contrárias aos superiores interesses da nação. Ao longo da História, inúmeras purgas assentaram neste argumento. O PS de Costa, como antes o de Sócrates (no fundo, é basicamente o mesmo), não tem poder para iniciar purgas. Contudo, em declarações dos seus membros como nas de alguns idiotas úteis, a mentalidade encontra-se bem presente: quem discorda do rumo seguido trai o interesse nacional. Deixem-me pois ser muito claro. Na minha opinião, o interesse de Portugal passa por contas públicas equilibradas e não por mais dívida; por uma economia que liberte o sector privado e não por uma que o asfixie ainda mais; por políticas que permitam captar investimento externo e não que o afugentem; por um governo que se dê ao respeito e não por um assente em chico-espertice e retórica 'chavista'. No que me diz respeito, o governo actual representa um perigo para o país e combatê-lo é um dever.

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Estado da Arte orçamental

por Diogo Noivo, em 30.01.16

O homem quer, o homem sonha, a austeridade morre. É esta a convicção do Governo e dos partidos de esquerda que o apoiam. O problema é que, com excepção da aliança frentista, ninguém acredita neste aforismo.

As agências de rating não estão convencidas com o esboço de Orçamento de Estado para 2016. Mas deixemos as agências de rating. São pérfidas, a face mais visível do grande capital especulativo que oprime os trabalhadores e o povo.

Os bancos, entre os quais o Commerzbank, tão pouco estão convencidos com as intenções oníricas do Executivo nacional. Mas deixemos os bancos. São geridos de forma irresponsável. São os sicários que estiveram na origem da crise internacional.

A Comissão Europeia une-se ao coro de receios. Teve a ousadia de, por carta, questionar o Governo socialista e, pasme-se, alerta para o incumprimento de metas com as quais o Estado português se comprometeu. Mas deixemos a Comissão. Todos sabem que Bruxelas é parte integrante de um pacto mefistofélico com bancos, com as agências de rating e, pior, com o anti-cristo que dá pelo nome de Angela Merkel.

O Conselho de Finanças Públicas, já em terras lusas, também suspeita das contas apresentadas no esboço de Orçamento. Mas deixemos o Conselho de Finanças Públicas. Na sua maioria, são cinzentões académicos, destituídos de uma noção real das coisas.

Por último, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) não só questiona as contas do Governo, como afirma que contribuem “para melhorar artificialmente o esforço orçamental, interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e reflectido na Lei de Enquadramento Orçamental”. Em bom português, as contas estão marteladas. Mas deixemos a UTAO. De acordo com o deputado Paulo Trigo Pereira, em declarações proferidas há dias na RTP, a unidade técnica pecou na forma como se pronunciou e está a fazer o jogo da direita.

No meio de tudo isto, o que é real? A realidade é a pátria soberana, diz-nos José Pacheco Pereira. E essa quem a define é o Governo.

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Esboço de orçamento para enganar papalvos

por José António Abreu, em 29.01.16

trafulhice não surpreende: imagem de marca dos governos socialistas recentes, só confirma as suspeitas sobre a falta de seriedade intelectual de Costa e de Centeno. Mas classificar como extraordinárias medidas que obviamente representam despesa corrente constitui tamanho insulto à inteligência alheia que ainda incomoda ligeiramente - e acima de tudo envergonha, por recuperar o lugar-comum do português que utiliza todos os expedientes para tentar evitar o que tem de fazer. Depois disto, será lícito esperar respeito por parte de técnicos e ministros das finanças europeus? Há um ano, Varoufakis perdeu a consideração dos colegas por arrogância (faça-se-lhe a justiça: claramente assumida); Centeno, com o sorriso cada vez mais parecido com o de um vendedor de carros usados (as minhas sinceras desculpas aos vendedores de carros usados), irá perdê-la por esperteza saloia.

Mas enfim, sejamos positivos: pelo menos como espectáculo para consumo de pipocas, a coisa promete. Vai ser divertido assistir ao braço de ferro entre governo, comissão europeia, bloco de esquerda e partido comunista. E pode ser que entretanto a DBRS resolva juntar-se à festa. Nesse caso, os tempos ficarão mesmo muito, muito interessantes.

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Gente desta não interessa a ninguém

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.16

Há acordos que os arguidos podem e devem fazer com o Ministério Público. Com o partido espero que quem manda tenha o bom senso de não fazer qualquer acordo e que sejam seguidos os procedimentos estatutariamente previstos para situações desta natureza. Quem assim procedeu não merece qualquer confiança, não está na política de forma séria, limpa, não faz qualquer falta aos partidos nem à democracia e, além do mais, dá cabo do nome da agremiação. Para esses só vejo um caminho. 

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O regresso dos maus da fita e o poder do pensamento positivo

por José António Abreu, em 26.01.16

Moodys afirma que esboço do orçamento de Estado é optimista e repete erros do passado.

Fitch considera que orçamento assenta em pressupostos de crescimento «irrealistas» e ameaça descer rating de Portugal.

Não será altura de a intelligentsia nacional começar novamente a bramir contra as agências de rating? (Poupando a DBRS, claro - por enquanto.)

 

Governo acredita que por cada euro de estímulos, retoma devolve quatro.

Funcionou bem em 2009 e 2010, não foi? E as PPP até se pagaram a elas mesmas...

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Presidenciais (30)

por Pedro Correia, em 20.01.16

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 Foto Mário Cruz/Lusa

 

Não adianta iludir o iniludível. O PS tem candidato nesta eleição presidencial: chama-se António Sampaio da Nóvoa. A garantia do líder socialista de que sabe "muito bem" em quem votará, expressa no mesmo dia em que o presidente do partido manifestou o apoio público a Nóvoa e em que o candidato teve o frente-a-frente televisivo com Marcelo Rebelo de Sousa, desfez as últimas dúvidas.

Mas não desfez a sensação de que faltou envergadura ao secretário-geral do PS em todo este processo.

A ausência de clareza é um dos pecados maiores da nossa vida política. Julgo que as manobras de dissimulação em que o PS se enredou durante meses a propósito das presidenciais em nada beneficiarão o partido. António Costa andou a milhas do desassombro que se exige dos políticos aspirantes a ser estadistas. Se não fosse assim, teria pronunciado com todas as letras o apoio a Nóvoa.

Tresanda a hipocrisia a tese oficial da "neutralidade" do partido, logo quebrada por Carlos César - figura cimeira na hierarquia oficial do PS - na senda do que já havia feito Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta, braço direito de Costa. Um partido "neutral" não envolve o aparelho de norte a sul do País numa dispendiosa campanha que jamais poderia ser assumida pelo candidato independente nem manda avançar cinco ministros para os palcos dos comícios num momento em que o Executivo elabora a contra-relógio o próximo Orçamento do Estado, prioridade máxima da governação.

Numa eleição presidencial cujo vencedor se anuncia sem suspense algum, o PS acabará por perder sempre. Porque sai dela mais fragilizado e dividido do que entrou. E mais fragilizado ainda sairia se Maria de Belém tivesse o estofo e o fôlego revelado em 2006 por Manuel Alegre, outro vulto do partido abandonado pela estrutura dirigente numa campanha que começou mal e terminou pior para a máquina socialista.

Na noite de domingo e na manhã de segunda-feira muitos questionarão Costa se mereceu a pena pagar o preço de mais uma derrota eleitoral e de uma nova querela interna que deixará feridas ao envolver a sua nomenklatura no apoio não assumido a um académico sem filiação partidária e sem sombra de carisma que permaneceu seis décadas escondido dos olhares públicos.

Eu antecipo-me, questionando-o desde já. Valeu de quê este flirt com Nóvoa?

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Porte doutoral, mas atira à canela

por Diogo Noivo, em 20.01.16

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Augusto Santos Silva tem a subtileza política de um aríete medieval. Mas foi o que se arranjou para ocupar o Palácio das Necessidades. Talvez esperassem que a função fizesse o homem. Se foi esse o caso, está visto que não o conhecem.

O responsável pela política externa nacional veio a terreiro dar um ar da sua graça no melhor estilo caceteiro. Era uma questão de tempo. Porém, desta vez inovou: à habitual índole rufia juntou-lhe um laivo indisfarçável de pedantismo. Em reacção ao caso da condecoração que França atribuiu ao cantor Tony Carreira, S. Exa. o Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou:

 

Nunca consegui cumprir um dos meus sonhos sociológicos que foi assistir a um concerto de Tony Carreira, porque me dizem que é um dos acontecimentos que um sociólogo deve observar.”

 

Sempre com o Povo na boca, mas jamais misturado com ele.

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Virgem (apesar da «geringonça»)

por José António Abreu, em 14.01.16

O deputado socialista (e, dizem alguns - eu tentarei evitar os insultos -, reputado economista) Paulo Trigo Pereira, co-autor do programa de estímulo ao consumo com que o PS se apresentou às eleições, escreveu um artigo para o Observador. Nele, após considerações de cariz político-filosófico, estranha a ânsia demonstrada por PCP e Bloco em repor a semana das 35 horas de trabalho na função pública. Pede contenção, alerta para as fragilidades da economia, faz questão de mencionar que sempre defendeu a «durabilidade» e a «estabilidade» das políticas. O termo mais adequado para descrever a minha reacção é - lamento - asco. Ou nojo. Ou náusea. Ou - tentemos alguma contenção; não quero mesmo tombar em insultos - repulsa. Este pessoal, equipado com cérebros putativamente brilhantes, surpreende-se afinal com o que qualquer humanóide provido de dois neurónios funcionais (e o segundo operando apenas como redundância) percebeu no momento em que António Costa abriu os braços (sim, «os braços»; a última coisa que desejo é insultar) a comunistas e bloquistas: estes não são prudentes nem se acham vinculados ao «programa do PS», sobre o qual estas alminhas ingénuas (trata-se de um termo carinhoso, não de um insulto) clamam haver-se fundado a «geringonça». Não perceberam, aliás, ainda outra coisa: António Costa estava inteiramente disponível para aceitar o que quer que fosse a troco da conquista do poder - e conserva idêntica disposição quando o objectivo é mantê-lo. Nada ingénuos (vêem? aqui não há insulto mas também não há carinho), comunistas, bloquistas e sindicalistas perceberam-no no primeiro instante. Repare-se no extraordinário momento de stand-up comedy protagonizado ontem por Ana Avoila, quando inquirida sobre o processo negocial em torno da tal questão das 35 horas: «O governo marcou a reunião para 28 e nós pedimos para ser 28 de manhã porque à tarde temos muito trabalho de preparação para a greve.» Que é como quem diz: «Vão-se fazer inserir um objecto rombo num tracto digestivo da vossa conveniência.» (Acredito que ela também não deseja insultar.) Avoila sabe ter a «geringonça» na mão e sabe ainda que qualquer homem (António Costa - e isto até enforma uma espécie de elogio - não será excepção) entra num particular estado de fragilidade quando alguém lhe agarra essa parte da anatomia. 

No fundo, é um bocadinho como se Trigo Pereira, tendo ignorado avisos e mantido relações sexuais sem protecção num bordel tailandês (preferindo, pode escolher Cuba ou a Venezuela, que na Coreia do Norte não devem existir), estranhasse ter apanhado um esquentamento. Ou como se, três meses após o primeiro acto sexual consumado (não daqueles à Bill Clinton), desejasse recuperar a virgindade. Lamento mas das duas, uma: se percebeu finalmente o sarilho que António Costa arranjou ao enfiar a «geringonça» pelo tracto digestivo dos portugueses, que salte fora e então - ainda que heterossexual, sou sensível a covinhas no queixo - terá direito a um módico de apreço; caso contrário, mais vale o silêncio. Para as mulheres existem operações mas, num homem, a virgindade é irrecuperável. Especialmente depois de ter sido perdida com uma «geringonça» disforme.

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Eternos cultores do curto prazo

por José António Abreu, em 13.01.16

Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque propunham-se economizar nos juros, antecipando pagamentos ao FMI. Como José Sócrates e Teixeira dos Santos em 2009 (relembre-se a delícia que constituiu a renegociação dos contratos das PPP), Costa e Centeno preferem assumir mais juros e adiar o pagamento das dívidas. A partir de 2018 (terá entretanto ocorrido nova crise económica? Permanecerão os mercados de dívida abertos para Portugal? Será comportável o custo de a eles aceder?) logo se verá como pagar. Sendo improvável que os cofres continuem cheios, pode sempre exigir-se um perdão.

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Pregar aos peixes

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.01.16

Ainda há um mês critiquei a linguagem do deputado Duarte Marques. Nem de propósito, desta vez quem recorre ao mesmo estilo de linguagem é o próprio secretário-geral do PS. Ouvi-o numa reportagem da RTP Internacional, confirmei-o hoje pela leitura da imprensa. Agora é a direita que está "raivosa". 

Quanto mais recorrem a este tipo de linguagem menos gente decente atraem para a política. Os motivos para gente interessada e civilizada perder tempo com a actualidade política e os partidos já são poucos. Com mimos destes e a sua recorrência deverá faltar ainda menos para acabarem todos a falar para canis. Percebe-se, apesar de tudo, que esse possa ser um objectivo, pois basta pensarmos que quando os eleitores forem substituídos por cães o voto há-de ser menos volátil, mais fiel. Não sei é se nesse momento a política e a participação ainda dirão alguma coisa às pessoas. Às que não ladram. Às normais, quero eu dizer.

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Do regresso à opacidade como forma de evitar críticas

por José António Abreu, em 30.12.15

Já tem uns dias mas convém ler E os nomeados são, de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

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Regresso à normalidade

por José António Abreu, em 30.12.15

Lentamente, os contornos do caso Banif vão ficando mais claros. O processo foi fechado antes de 1 de Janeiro de 2016, evitando as novas regras europeias para a resolução bancária, que forçam uma contribuição dos maiores depositantes e dos detentores de dívida sénior. Ao contrário do que sucedeu no Novo Banco, a venda do «banco bom» foi restringida a entidades com licença bancária, o que permitiu um excelente negócio ao Santander - e um péssimo negócio para os contribuintes. Para grande satisfação dos principais bancos, o Fundo de Resolução foi não apenas poupado a contributos desagradáveis (o que forçou o ministro das Finanças a declarações de veracidade questionável) mas capitalizado - ambas as coisas, mais uma vez, à custa dos contribuintes. Com a ajuda de uma comunicação social acéfala ou alinhada (não sei o que será pior), o ónus de toda a situação foi empurrado para o governo PSD-CDS.

Resta admitir mérito a quem o merece. A operação foi excelentemente montada e perfeitamente executada. Até já se percebe o apoio de Fernando Ulrich (quase sempre alinhado com o PSD) à formação de um governo liderado por António Costa: enquanto o PS é de confiança, a versão do PSD liderada por Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque demonstrara não saber respeitar os costumes e as hierarquias da República.

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Era só o que faltava...

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.12.15

A simples perspectiva de haver coisas nos Açores que reeditam os maus hábitos da Madeira, aproximando a governação socialista da de Alberto João Jardim, tira-me do sério. Com tudo o que já aconteceu seria bom que as coisas ficassem em pratos limpos. Limpos e transparentes. Ninguém está disponível para daqui a uns tempos cobrir os buracos do anticiclone.  

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Alguma coisa tem de mudar

por Tiago Mota Saraiva, em 22.12.15
Em 2012, a troika obrigou o Estado português a criar um fundo de resolução a que todos os bancos podiam recorrer, com uma parte significativa do valor que ia emprestar. Como era previsível, este valor serviu ao BANIF para mais uns poucos anos de regabofe e, sobretudo, para conseguir que os principais accionistas fossem conseguindo diluir as suas responsabilidades no banco.
O Orçamento Rectificativo que a Assembleia da República votará amanhã, transforma a dívida do BANIF num custo para o erário público, sem responsabilização da troika (que obrigou o Estado a criá-lo) ou dos responsáveis do banco - administradores e accionistas. Mais, abre um precedente ao qual todos os bancos poderão recorrer.
O PCP faz muito bem em não aprovar este orçamento rectificativo. Espero, sinceramente, que BE e PEV também o façam.
 
 

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Em Bruxelas, António Costa garantiu que a TAP voltará para o Estado, ainda que o governo falhe um acordo com os compradores. O tema de saber a quanto poderá ascender a conta de tal decisão, para a empresa e para os contribuintes, não terá sido abordado.

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Eterna dualidade de critérios...

por José António Abreu, em 18.12.15

Quanto aos pensionistas, não precisam sequer de perder tempo a fazer contas à nova situação do seu orçamento familiar. O aumento mais elevado vai atingir 2,5 euros por mês, para as pensões de 628,8 euros por mês. A partir daqui, não haverá aumentos. Quanto às pensões mais baixas, até 262 euros, o aumento vai ser de um euro por mês – já agora, a proposta do PSD/CDS era de um aumento de 2,5 euros para estas pensões mais baixas.

É mesmo assim e não vale a pena iludir a forma como estas coisas são vistas: se um governo de esquerda aumenta as pensões mais baixas em um euro está a fazer uma política social, de combate às assimetrias e de irradicação da pobreza; se um governo de direita aumenta essas mesmas pensões em 2,5 euros, está a fazer uma política de pobreza, miserabilista, austeritária e neoliberal.

Paulo Ferreira, no Observador.

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Um desafio

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.12.15

O apoio que quero ter do grupo parlamentar não é o apoio acrítico, de seguidismo; mas o apoio que o Governo merece e precisa de ter: apoio empenhado, aplaudindo quando é de aplaudir, mas criticando quando é de criticar

 

O que foi dito deve ser levado muito a sério pelos senhores deputados. De maus exemplos está o passado cheio. Por isso, espero que os que lá estão estejam à altura do desafio quando dentro de algumas semanas o orçamento chegar à AR e começarem os debates. A avaliação que os portugueses fizerem destas intenções será impiedosa.

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Ou há juízo...

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.12.15

Parece-me muito bem que reponham as viagens gratuitas para ferroviários e familiares. De preferência até à terceira geração, sendo o direito extensivo até ao terceiro grau da linha colateral. Como neto de um ferroviário e sindicalista que esteve preso e acabou deportado também devo poder vir a ser abrangido.

De qualquer modo, se o concretizarem, e quando tal acontecer, sugiro que também sejam estendidos a outros trabalhadores direitos de idêntica natureza. Isto é, os professores e seus familiares deixam de pagar propinas nos cursos em que entendam inscrever-se, os farmacêuticos e familiares deixam de pagar medicamentos, os trabalhadores das empresas de água e familiares deixam de pagar consumos, os das empresas de gás e electricidade idem aspas aspas, os trabalhadores da ANA e familiares não pagam taxas de aeroporto quando viajarem, os das petrolíferas de pagar gasolina e afins, os da Brisa e seus familiares não pagam portagens, e por aí fora. Que diabo, deve haver uma maneira de pôr os outros a pagarem tudo por nós. 

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