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Previsões

por Alexandre Guerra, em 23.04.16

“Tivesse a economia americana tido um desempenho como aquele que o Congressional Budget Office previra em Agosto de 2009 – já depois das medidas de estímulo aprovadas e da recuperação em andamento – e o PIB dos Estados Unidos teria de ser hoje 1,3 bilião de dólares (trillion em inglês) maior do que aquilo que é.”

Esta constatação é de Lawrence H. Summers, antigo Secretário do Tesouro, que, na última edição da Foreign Affairs, refere que ninguém esperava que os níveis de recuperação do crescimento económico nos últimos anos fossem tão tímidos. Um erro de expectativa criado, em parte, pela experiência de outras recessões, a seguir às quais se assistiu a uma recuperação relativamente rápida, tanto ao nível do desempenho económico, como na criação de emprego. Desta vez, e apesar de todas as medidas de estímulo e das “agressivas políticas monetárias” da Reserva Federal, não foi assim.

Summers, actualmente professor de Economia em Harvard, lembra que em 2009 ninguém imaginaria que as taxas de juro norte-americanas estivessem perto do zero durante seis anos, que na Europa viessem mesmo para terreno negativo, e que os bancos centrais do G7 inundassem massivamente os respectivos mercados com liquidez. Mais, diz Summers, que se isto fosse dito na altura a qualquer analista ou economista, este não teria qualquer dúvida em prever um problema de inflação generalizada nas economias desenvolvidas. Ora, a verdade é que nem esta previsão se concretizaria.

Seja como for, por mais modelos matemáticos e sistemas estatísticos que se usem na elaboração de uma qualquer previsão económica, o mais provável é que esta nunca se concretize exactamente nos moldes em que foi pensada. O que é perfeitamente aceitável, já que existem inúmeros factores (alguns até à partida desconhecidos) que são de impossível antecipação.

É, por isso, fundamental que, além de toda a componente científica e técnica, exista bom senso e sensibilidade por parte de quem elabora ou defende uma previsão, porque, por vezes, é a essa componente subjectiva que se deve a credibilidade (e o sucesso) de algumas previsões, não apenas no campo económico, mas também noutras áreas de interesse da sociedade.

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Eu pelo menos interrogo-me

por Rui Rocha, em 12.04.16

Não ganhamos nada em entrar em pânico. Mas as previsões mais recentes não são animadoras: PIB mais baixo, défice mais alto, desemprego a aumentar... A pergunta que qualquer pessoa razoável faz num momento destes é: que país vamos deixar aos animais das próximas gerações?

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Pré-Visões do Euro 2016 - Portugal (2)

por João André, em 08.01.16

Fazer previsões sobre o desempenho específico de Portugal é naturalmente difícil a pouco menos de 6 meses de distância. As considerações que fiz sobre as outras equipas dirigiram-se a ideias gerais, sem especificar que jogadores serão chamados, quem estará em forma ou lesionado ou se haverá ainda outras circunstâncias que condicionem uma participação. Isto é tão óbvio que não deverá suscitar contestação. Ainda assim tentarei deixar algumas ideias gerais.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Portugal (1)

por João André, em 06.01.16

Quando a qualificação começou, o onze inicial de Portugal poderia ser adivinhado pela maioria. Era um onze experiente mas pouco rodado. Paulo Bento é uma criatura de hábitos e gosta de utilizar os jogadores que lhe deram garantias no passado. Como se viu no início, isso não chegou. Uma derrota em casa com a Albânia fez saltar Paulo Bento e chegar Fernando Santos. Na altura (como o indiquei aqui no blogue), achei que era uma má escolha. Não tanto pelas qualidades técnicas mas essencialmente pelo castigo de 8 jogos que pairava sobre Santos. Dei a minha opinião - que reitero agora - que um seleccionador não pode estar fora do banco por demasiado tempo, dado que o seu trabalho enquanto treinador é limitado. Felizmente o castigo foi reduzido para dois jogos e os estragos foram assim mais limitados.

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Por motivos pessoais não me foi possível ir escrevendo a parte relativa a Portugal até agora. Retomo as minhas reflexões com o texto abaixo. Devido à sua extensão será necessário clicar em "Ler mais" para o resto.

 

Portugal chega a este Europeu em condições diferentes das de anos passados. A "geração de ouro" está completamente reformada e apenas um sucedâneo da mesma sobrevive em Ricardo Carvalho. Esta equipa verá Cristiano Ronaldo chegar ao Europeu já com 31 anos, longe dos 19 aquando do seu primeiro, em solo português em 2004. Foi também nesse ano que Portugal chegou mais longe em competições internacionais, com o segundo lugar, marcando o ponto máximo em termos de classificações da selecção portuguesa. Do meu ponto de vista não foi, no entanto, a melhor prestação. Abaixo analiso os últimos 20 anos de Europeus.

 

 

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Pré-Visões do Euro 2016 - Restantes

por João André, em 22.12.15

Depois dos favoritos, dos potenciais e dos chatos chega a vez dos outros, aqueles que vão ao Euro para fazer figura de corpo presente, sonhar com um empate ou até uma vitória e que só em casos excepcionais conseguem mais do que retirar um pontinho às outras equipas. Não quero ser injusto: alguns deles poderiam merecer lugar noutra das listas. A Grécia em 2004 possivelmente cairia aqui. Nada impede que a campanha de uma destas equipas se torne excepcional, mas à partida isso não sucederá.

 

Albânia

Enfrentaram Portugal duas vezes e não me importaria que repetissem a dose em França. Irão provavelmente jogar de forma defensiva, de tracção atrás e tentando os contra-ataques rápidos como no golo que marcaram a Portugal. São, à excepção de um ou outro jogador, excessivamente tenrinhos e provavelmente sofrerão. Estarão felizes de ali estar e isso provavelmente levará a entusiasmo a mais. Lorik Cana tem experiência do futebol italiano e deverá organizar a defesa. No meio-campo veremos o irmão do Síço Granit Xhaka, Taulant, ambos nascidos na Suíça. Estes serão os nomes mais conhecidos da equipa que depende de alguns elementos da diáspora para compensar a falta de experiência. Um dia os albaneses poderão ser um nome de maior peso, mas para já vão essencialmente participar para mostrar a bandeira.

 

Hungria

Esta não é a Aranycsapat dos anos 50. Nem sequer uma das sólidas equipas do passado mais recente. É uma equipa de jogadores que teriam dificuldade em entrar na maioria das outras selecções. No entanto, treinada pelo alemão Bernd Storck, a Hungria ultrapassou estes obstáculos para se qualificar para o Europeu. Não será um sinal de ressurgimento deste país no panorama futebolístico europeu (é justo reconhecer que provavelmente não se teriam qualificado no formato anterior) mas demonstra que o espírito de grupo, a coragem e a sorte também têm o seu lugar (por exemplo no play-off com a Noruega). Os nomes mais conhecidos serão Ádám Bogdán (suplente no Liverpool), Gábor Király (o velhinho guarda-redes), Zoltán Gera (agora com 36 anos, chegou a jogar no Fulham), o capitão Balázs Dzsudzsák (andou pelo PSV, na Holanda) e Ádám Szalai (que fez nome no Mainz na Alemanha). Será difícil avaliar aquilo que pdoerão atingir, mas certamente que um ou dois pontos seriam já razão para alguma satisfação.

 

Irlanda do Norte

Venceram inesperadamente o grupo teoricamente mais fraco, mas também o mais equilibrado. Isso pode não dizer muito da sua qualidade mas garante mentalmente estes irlandeses do norte da ilha são bastante fortes. Também aqui estrelas são poucas ou nenhumas. O nome mais conhecido será Jonny Evans, central formado no Manchester United, durante muito tempo considerado o sucessor de Ferdinand, mas agora despachado para o West Bromwich Albion. Para lá de Evans será possível reconhecer Roy Carrol agora com 38 anos, que em tempos também andou pelo Manchester United (emora não muito a titular). Há depois alguns jogadores a alinhar nas Premier League inglesa e escocesa, com os outros em equipas de menor dimensão. Não os conhecendo bem, corro o risco do estereótipo. Praticarão um futebol à inglesa, durinho, forte, directo e fundamentalmente pouco adequado a um torneio destes. A minha espectativa? 3 derrotas e um goleada. Os adeptos irão no entanto divertir-se.

 

Islândia

Qualificaram-se à frente de República Checa e Turquia no grupo e no entanto coloco-os mais abaixo deles nas minhas expectativas. Isto resulta da sua muito pouca experiência e do futebol pouco adequado a um Euro jogado no Verão. Têm em Guðjohnsen o seu jogador mais conhecido e em Sigurðsson o melhor da actualidade. Em Finnbogason têm um avançado com experiência de melhores ligas (espanhola, holandesa e grega) e depois mais um ou outro em equipas de segunda linha. Do que lhes vi na qualificação, beneficiram de ser uma equipa com entusiasmo, solidária, e beneficiaram da sorte. Esta não estará excluída em França, mas provavelmente será menos importante. Ainda assim, se apanharem o adversário ideal, poderão surepreender alguma equipa.

 

República da irlanda

Mais uma equipa britânica a chegar inesperadamente à fase final. A Irlanda foi, nos tempos de Jack Charlton, uma equipa sólida com alguns bons jogadores que desequilibravam. Hoje em dia tenta manter-se solidária, disciplinada e esforçada, esperando que algum dos jogadores tenha um rasgo de sorte e mude o jogo. Foi assim que surpreenderam a Alemanha e que foram conseguindo ir obtendo uns resultados esforçados que os levaram ao play-off com a Bósnia e Herzegovina, o qual venceram de forma algo surpreendente. Os melhores jogadores serão James McCarthy, Aiden McGeady e Shane Long, sem esquecer os veteranos John O'Shea e Robbie Keane. É uma equipa onde os jogaodres frequentemente têm melhores desempenhos que nos seus clubes e praticam um futebol pouco complicado. Em Martin O'Neil têm também um excelente treinador que os organiza perfeitamente e extrai o máximo daquilo que podem dar. Num grupo com equipas baixas e mais fracas poderão obter um ou outro ponto em resultado do jogo musculado, remates de longe ou bolas paradas. Mais que isso não deverão conseguir.

 

Roménia

Mais uma equipa vinda do mais fraco grupo de qualificação (e que beneficiou do colapso da Grécia). Jogadores conhecidos são poucos: Răzvan Raț (o capitão), Săpunaru (que passou pelo FC Porto), Chiricheș e Torje (que passaram por ligas de peso), e os guarda-redes Tătărușanu (Fiorentina) e Pantilimon (que andou no banco do Manchester City). Há alguns jogadores a emergir nas camadas jovens (incluindo o filho de Gheorghe Hagi), mas é ainda cedo para terem um impacto. Vale-lhes terem ainda Iordănescu como seleccionador e figura tutelar da equipa (foi o responsável pela grande equipa romena dos anos 90) para equilibrar, mas este será um torneio para marcarem presença e (re)ganharem experiência.

 

Em resumo: nenhuma destas equipas é uma imediata candidata e as suas probabilidades serão baixas, mas nas condições ideais - atingido o pico de forma, uma ou duas exibições perfeitas moralizadoras, falta de pressão, sorte, etc - poderão levar a que cheguem longe e, excepcionalmente, vençam o torneio. É também muito provável que uma destas equipas seja a principal desilusão. Mas na maior parte dos casos será divertido vê-las jogar.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Chatos

por João André, em 21.12.15

Nesta lista colocarei aquelas equipas que, não sendo candidatas nem tendo sequer a capacidade para, em condições especiais, vencerem a competição, são daquelas que chateiam e, em um ou dois jogos, poderão eliminar favoritos. Nalguns casos será pelo poder das suas estrelas, noutros pelo colectivo. Em qualquer deles serão incómodos caso não impludam (e isso sucederá com alguns deles).

 

Eslováquia

Apesar de ter jogadores conhecidos como Škrtel e Hamšík, a grande força da Eslováquia é o seu colectivo. Deram muitos problemas à Espanha no início da qualificação com a sua capacidade de jogarem compactos e com entreajuda. Têm um conjunto de jogadores secundários com alguma qualidade em Hubočan, Weiss, Kucka, Nemec ou Stoch e podem assustar. Não irão provavelmente muito longe - passar a fase de grupos seria um sucesso - mas farão a vida difícil a alguns adversários.

 

Gales

É uma equipa cujo sucesso depende essencialmente da sua estrela: Gareth Bale. Felizmente para eles, Bale poderá beneficiar muito de Gales ser uma equipa que terá de defender com frequência e atacará essencialmente em velocidade. Bale será quase inigualável na sua capacidade de fazer longos sprints em velocidade e apoiado também em grande força física. A sua capacidade de atirar de distância também ajuda e não é por acaso que marcou 7 dos 10 golos da equipa na qualificação.

A equipa depende muito de uma defesa que defende atrás com a presença sólida se pouco espectacular de Williams e Davies e com Joe Allen e Aaron Ramsey no meio campo. O resto da equipa é medíocre, mas um contra-ataque galês conduzido por Bale poderá descarrilar a campanha de qualquer favorito.

 

República Checa

Mais uma equipa que se apoia na solidez. Tanto que a estrela é o guarda-redes Petr Čech. Dos restantes jogadores ainda se destaca o nome de Tomáš Rosický e poderemos reconhecer Gebre Selassie, Pilař, Kalas ou Necid. A verdade é que é uma equipa que depende enormemente não só das defesas de Čech como na sua voz de comando - dentro e fora do campo. No ataque não ameaçarão (poderão causar problemas em bolas paradas às equipas mais baixas) mas serão difíceis de quebrar defensivamente.

 

Rússia

Talvez alguns colocassem os russos no patamar acima, no de potenciais. A verdade é que os russos têm ainda um futebol excessivamente insular para dar o passo seguinte. Os jogadores ficam demasiado tempo na Rússia e são pouco expostos aos estilos do resto da Europa. Depois da modorra de Capello, Leonard Slutsskí revitalizou a equipa e fez os jogadore mais confiantes e capazes de jogar melhor futebol. Um dos problemas da equipa é o seu relativo envelhecimento: têm jogadores como Ignachevitch, Berezutski (ambos), Chirokov, Denissov, Jirkov ou Kerjakov que estão já nos seus 30 e não viram a sua geração renovada. Por outro lado ainda faltam jogadores mais jovens e só agora jogadores como Tcherichev, Dzagoev, Chtchenikov, Dzíuba (nenhum deles assim tão jovem quanto isso) começam a ter a sua oportunidade.

Em teoria esta seria uma equipa capaz de competir com qualquer adversário, especialmente quando lhe adicionamos Akinfeev, mas até este último sofreu por ter ficado apenas na Rússia: tivesse ele sido exposto a outras escolas e talvez falássemos dele como outro Neuer. É uma equipa com potencial para incomodar muito, mas provavelmente não mais que isso. No final, a veterania de uns e a falta de experiência de outros acabará por falar mais alto.

 

Suécia

Um nome: Zlatan Ibrahimović. Isto basta para que qualquer equipa encare um jogo com os suecos com cuidado. Não haverá muitos jogadores no mundo tão capazes de inventar um golo do absoluto vácuo como Le Zlatan. É também a personalidade mais divertida na competição e uma lufada de ar fresco ver como não se leva a sério a si mesmo.

Infelizmente o resto da equipa é relativamente medíocre, mesmo que relativamente sólida. Possuem os tradicionais centrais altos, forte e lentos, os médios altamente trabalhadores e os jogadores capazes de trabalhar para as estrelas. Quando enfrentarem algumas equipas poderão ser mesmo muito chatos, especialmente se defenderem muito atrás e usarem as bolas paradas (Larsson e Källström são excelentes nisso). E depois têm Zlatan. Poderão ser uma equipa chata de enfrentar, mas com Zlatan valerá sempre a pena ver os seus jogos.

 

Ucrânia

Iármolenko e Konopliánka: os dois extremos que farão a cabeça em água a qualquer adversário. É por eles que passará qualquer potencial sucesso ucraniano em solo francês. Da restante equipa sobram Piatov, Kutcher, Stepanenko, Ribalka e Kravets. Serão o elenco secundário. O plano será simples: dar a bola aos extremos e esperar que eles inventem golos do nada. É simples mas em certos jogos será provavelmente eficaz.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Potenciais

por João André, em 20.12.15

Nesta lista escrevo sobre aquelas equipas que, não sendo óbvias candidatas, poderão surpreender e ir longe na competição ou mesmo vencê-la. Seriam surpresas do mesmo tipo que a Dinamarca em 1992 ou a Grécia em 2004 (ou mesmo a Checoslováquia em 1976). São equipas que precisarão de vários factores do seu lado: nenhuma lesão, as estrelas a atingirem os seus picos de forma, elencos secundários sem falhas e até mesmo a jogarem os jogos da sua vida, um sorteio amigo e, extremamente importante, precisarão de sorte. Contudo, se todos estes factores se conjugarem, poderíamos ter um vencedor completamente surpreendente.

 

Áustria

É uma equipa a que não se costuma dar muita atenção, mas de forma injusta. Qualificaram-se como vencedores de um grupo com Rússia, Suécia e Montenegro (sempre incómodas) e são um grupo sólido e solidário no seu jogo. Não têm grande quantidade de estrelas mas jogadores como Fuchs, Prödl, Arnautović, Harnik e Janko são habitualmente incómodos e têm uma estrela capaz de jogar em meia-dúzia de funções diferentes em David Alaba. É improvável que deslumbrem ou que vençam a competição, mas fazem lembrar certamente a Grécia de 2004 (ou até a República Checa no mesmo ano). Pessoalmente preferiria não os enfrentar.

 

Croácia

Antes de mais nada, a razão para os colocar nesta lista: o meio campo Modrić-Rakitić-Kovačić. Se quiséssemos escolher um meio campo de tecncistas capazes de jogar de forma tacticamente sólida, dificilmente precisaríamos de ir mais além que este trio. Há depois alguns outros bons jogadores na equipa, como Ćorluka, Srna, Lovren, Perišić, Badelj, Kalinić ou Mandžukić. Chegaria para a maior parte das equipas. A grande questão é se Ante Čačić, o seleccionador, será capaz de levar este conjunto de jogadores a atingir o seu potencial.

 

Polónia

Em Lewandowski têm provavelmente o melhor ponta de lança do mundo de actualidade. Um jogador que mistura as qualidades de aríete, finalizador, organizador e pit-bull num só jogador. Em Szczęsny, Piszczek, Glik e Błaszczykowski têm um forte elenco de luxo e em Krychowiak uma parede em frente da defesa. Se a Áustria me faz lembrar a Grécia'04, a Polónia tem laivos da Dinamarca'92, especialmente se Szczęsny controlar as suas tendências para gaffes. Caso se aguentem na retaguarda e Lewandowski chegue saudável e em forma, podem ser uma surpresa.

 

Suíça

O que escrevi acima sobre a Áustria poderia escrever de novo sobre a Suíça. Nos últimos anos e especialmente sob a batuta de Ottmar Hitzfeld, a Suíça progrediu de equipa chata para equipa perigosa e com aspirações a mais. Para isso contribuiu muito a entrada da enorme comunidade de descendentes de imigrantes no país e que deram outro cariz à equipa.

Jogadores como Sommer, Bürki, Schär, Inler, Behrami, Xhaka, Frei ou Mehmedi poderiam ter lugar nos plantéis da maior parte das equipas do mundo. Lichtsteiner, Shaqiri, Drmić ou Rodríguez estarão na antecâmara da "classe mundial". Pessoalmente muito gostava de ter alguns destes jogadores a alinhar por Portugal. O ponto fraco poderá ser o seleccionador Vladimir Petković que chegou ao cargo de forma algo controversa e sofre com as comparações com Hitzfeld. Seja como for, são outra Dinamarca'92 em potência (senão mesmo Checoslováquia'76).

Turquia

Esta equipa anda há anos a pedir para nos surpreender. Formam talentos em série e, quando associados aos jogadores formados na diáspora (especialmente alemã) que trazem a disciplina, podem um dia destes explodir. O principal entrave costumam ser a falta de disciplina (que é compensada com uma paixão enorme) e os conflitos que possam surgir entre as facções religiosa e laica na equipa. Contudo, uma equipa com Turan, Çalhanoğlu, Yılmaz, Şahin e uma série de outros guerreiros e guiada por Fatih Terim (talvez o melhor seleccionador na prova) não pode nunca ser desprezada.

 

Em resumo: nenhuma destas equipas é uma imediata candidata e as suas probabilidades serão baixas, mas nas condições ideais - atingido o pico de forma, uma ou duas exibições perfeitas moralizadoras, falta de pressão, sorte, etc - poderão levar a que cheguem longe e, excepcionalmente, vençam o torneio. É também muito provável que uma destas equipas seja a principal desilusão. Mas na maior parte dos casos será divertido vê-las jogar.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Bélgica

por João André, em 17.12.15

A Bélgica é no papel uma das mais fortes selecções que estarão presentes em França. Nomes conhecidos não faltam: Courtois, Kompany, Witsel, Hazard, De Bruyne, etc. Todos estes são nomes que dão garantias, mas a segunda linha não deixa de impressionar.Posição por posição, poder-se-ia fazer uma comparação entre Bélgica e Portugal e só sobrariam Ronaldo e um ou outro jogador luso na combinação.

 

2016 afigura-se então como a grande oportunidade belga para ganhar alguma coisa. A Alemanha e a Espanha não estão tão fortes como no passado e os "diabos vermelhos" estão a entrar na fase de maturidade de alguns jogadores e de explosão das estrelas. Depois da semi-desilusão do Mundial (em que foram eliminados pelo génio de Messi), há a sensação que "desta vez é que é". Há no entanto três pequenos engulhos. Avancemos com eles:

  • O treinador Wilmots é respeitado mas há a sensação que lhe falta o extra táctico necessário para vencer uma competição destas. Para as qualificações isso não é um problema. Há pouco tempo para trabalhar e os mecanismos vêm dos clubes. Já antes da fase final há um mês inteiros para preparar a equipa e Wilmots não parece estar ao nível necessário para o fazer.
  • A fricção entre flamengos e valões. Este é curiosamente um aspecto que Wilmots parece ter conseguido fazer desaparecer (ou pelo menos minimizar). Há no entanto o risco que expluda a qualquer momento.
  • À táctica (relacionada com Wilmots mas não só) falta um defesa esquerdo. Isto pode parecer um pequeno pormenor, mas não o é. No papel a estrela é Hazard, só que na sua posição (ala esquerdo "invertido") ele necessita de um lateral que suba e arraste o lateral, de forma a que Hazard possa flectir para o centro. Vertonghen é habitualmente o lateral esquerdo, mas não sendo mau, o seu instinto não é o de subir, o que o atrasa e permite que a defesa se organize. Este pode parecer um aspecto menor, mas nega à Bélgica aquele que poderia ser o seu melhor jogador. É por isso que Wilmots chegou a experimentar Lukaku (um ponta de lança canhoto) a lateral esquerdo durante o jogo com Andorra. Vertonghen deveria ter um ala esquerdo clássico (canhoto) à sua frente, mas com Hazard o jogo fica demasiado afunilado e a influência da estrela é limitada.

 

Noutros aspectos a Bélgica está extremamente bem equilibrada. Courtois é dos melhores guarda-redes do mundo. Em Kompany e Vermaelen (se saudável) têm uma boa dupla. Alderweireld é sólido na defesa e no ataque a lateral direito. Witsel oferece serenidade, posicionamento e passe, Naingolan corre muito e é sólido em tudo. De Bruyne e Hazard oferecem qualidade, assistências, golos e imprevisibilidade. Mertens e Ferreira-Carrasco dão velocidade e irreverência, Januzaj é o joker e Benteke e Lukaku são os pontas de lança que Portugal mataria para ter. Além disso ainda sobram como reservas Fellaini, Mirallas, Lombaerts ou Dembelé entre outros.

 

Correndo tudo bem, com Vertonghen a cumprir o seu papel, Vermaelen saudável, Hazard a funcionar e bom espírito de grupo, a Bélgica será certamente uma das principais candidatas. Pessoalmente colocá-la-ia talvez acima da Alemanha e Espanha. O Verão nos dirá.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Inglaterra

por João André, em 16.12.15

Mais uma competição e mais uma vez o famoso ciclo inglês: criar expectativas, ficar lentamente desiludido com a prestação, reconhecer que a qualidade não é suficiente, ficar deprimido com a selecção. Basta ler os jornais ingleses para perceber que a Inglaterra anda há décadas presa a este ciclo. Vivem da glória do Mundial conquistado em casa em 1966 e com a ilusão que a próxima vitória está ao virar da esquina.

 

Isto esteve mais perto de ser realidade durante a geração de Beckham, Gerrard e outros. Foram derrotados apenas com grande esforço por brasileiros e portugueses em 2002 e 2004, respectivamente, e poderiam ter chegado longe. Hoje, com esses jogadores quase todos retirados ou afastados (apenas Rooney ainda está na selecção, tendo sido o menino prodígio em 2004), as expectativas são mais baixas, mas sobem sempre que um ou mais jovens excitantes começam a desabrochar.

 

Em termos de qualidade pura, a Inglaterra nunca está assim tão mal quanto se possa pensar. Na selecção actual tem um bom conjunto de jogadores. Carrick poderia ter jogado por um Barcelona; Rooney não terá chegado aos níveis que os compatriotas esperavam mas é um jogador excelente; Hart é uma guarda-redes com erros clamorosos ocasionais mas também na categoria imediatamente inferior às de Neuer, de Gea ou Courtois; Sterling, Barkley, Kane, Smalling, Stones, Wilshere (quando não lesionado) e Sturridge são simultâneamente altamente promissores e já temíveis. É uma equipa que, vista jogador a jogador, deveria aspirar pelo menos às meias-finais.

 

O problema é que os ingleses acabam sempre por falhar nas fases finais. As razões não são sempre claras, mas há algumas que saltam à vista. Antes de mais a falta de uma pausa de Inverno (quando jogam de forma ainda mais frequente) que não permite aos jogadores descansarem. Isto torna-se ainda mais premente quanto a Inglaterra gosta de jogar em velocidade. Ainda pior fica o cenário quando os torneios têm lugar no Verão, o que torna o jogo rápido e intenso da Inglaterra mais difícil, especialmente considerando que os ingleses gostam pouco de calor quando não numa praia de Tenerife.

 

O estilo de jogo inglês também é excessivamente simples. Não é coincidência que os jogadores europeus de ligas mais tecnicistas tenham sucesso na Premier League (após um período de adaptação ao aspecto mais físico) mas os ingleses tenham dificuldades no continente. Há muita vocação para o ataque rápido, desenfreado e pouco estruturado e para o jogo "mais com o coração que com a cabeça". Isto é motivado e impulsionado pelos adeptos, que querem um jogo emotivo e menosprezam discussões tácticas. É também o resultado de uma formação muito focada na parte física e pouco nas partes técnica e táctica. Tudo junto forma um estereótipo de jogador forte, rápido, com muito coração mas que não compreende o conceito de "pausa" no meio do jogo: parar e ver.

 

Outros aspectos contribuem: há pouca familiarização dos jogadores ingleses com outros estilos (as equipas na Liga dos Campeões têm poucos ingleses e as da Liga Europa consideram a competição exclusivamente como um fardo senão mesmo um castigo); a pressão exercida é excessiva (Peter Schmeichel foi para o Sporting perto do final da carreira porque queria um ambiente mais calmo); há sempre um circo a rodear a equipa (com WAGs, agentes, televisões, etc); a preparação nem sempre é a ideal; etc.

 

Ignorando este último aspecto, debrucemo-nos sobre aspectos tácticos e de jogadores. Antes de mais o maior problema de Roy Hodgson: não existe um onze ideal na sua cabeça. Existem variações do mesmo, mas ainda há muitas experiências a decorrer, especialmente à medida que jogadores jovens vão emergindo. Há jogadores que serão certos, senão no onze, pelo menos lá perto: Hart, Smalling, Jones, Stones, Clyne, Carrick, Wilshere, Henderson, Sterling, Sturridge, Barkley, Rooney. O problema é quais deles estarão aptos (Wilshere por exemplo está mais tempo lesionado que saudável) e como os integrar. Rooney é o principal problema, uma vez que há a sensação que deve jogar mas nas suas possíveis posições há jogadores mais capazes (Sturridge a ponta de lança, Barkley a "10", Sterling ou Oxlade-Chamberlein nas alas, Henderson no meio campo). Isto leva a um certo desequilíbrio táctico que torna difícil criar uma equipa.

 

Além disso, a relativa juventude (e impetuosidade) de muitos dos promissores jogadores que vão sendo integrados (entre eles Eric Dier, formado no Sporting), torna difícil a adopção de um estilo de jogo mais pausado, o qual é habitualmente mais adequado a estas competições. Também limita as opções tácticas, dada a inexperiência destes jogadores não só em relação aos seus colegas mais experientes como em relação aos outros jogadores jovens de outras partes do continente.

 

Num bom dia a Inglaterra será impossível de parar. Se nesse dia não houver lesionados, o sol não brilhar, a temperatura for baixa e a equipa adversária se atemorizar com a impetuosidade, a Inglaterra pode vencer qualquer um. Num torneio destes esse tipo de dia só costuma aparecer uma vez. A Inglaterra terá qualidade suficiente para sair da fase de grupos, mas provavelmente não mais que isso. E a espera e o ciclo repetitivo conitnuarão.

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Pré-Visões do Euro 2016 - França

por João André, em 15.12.15

Antes de mais e sem rodriguinhos: considero a França a mais forte candidata ao título nopróximo europeu. Faço-o com a consciência que podem sair ao fim de três joguinhos sofríveis e terei depois aqui os leitores a ridicularizarem o meu post, mas também o faço "de peito aberto" para que esta opinião possa ser seguida.

 

Em geral as minhas razões: uma equipa muito forte, com mistura jogadores experientes e jovens; um treinador inteligente e pragmático; um torneio em casa, pouco mais de seis meses depois dos ataques em Paris. Pontos fracos: algumas lacunas na equipa; a por vezes excessiva precaução de Deschamps; e a falta de jogos competitivos.

 

Em relação à equipa, veja-se o seguinte elenco: Lloris (dos melhores guarda-redes do mundo), Sagna, Digne, Koscielny, Varane, Sakho, Zouma, Pogba, Schneiderlin, Cabaye, Matuidi, Kondogbia, Payet, Valbuena, Benzema, Griezmann, Giroud, Martial, Lacazette, Fekir, etc. Há pontos fracos: a alternativa a Sagna a defesa direito é fraca; na esquerda é uma escolha entre o inexperiente Digne e o excessivamente experiente Evra. Há dúvidas no meio campo criativo: Payet, Cabaye ou Valbuena podem oferecer essa opção, mas não é óbvio qual deles o fará e sob que forma (mais livre, mais recuado ou mais avançado, respectivamente). Martial (ou Coman) são excitantes mas ainda tenrinhos a este nível. Benzema poderá estar afectado pelas suas tribulações privadas. Giroud oferece outras opções mas não é o mais temível.

 

Há portanto muitas questões a que Deschamps terá encontrar resposta antes do torneio começar. A preparação poderá no entanto ser uma forma de colmatar essas lacunas e a falta de jogos competitivos. Deschamps sabe treinar e é esse o trabalho do seleccionador antes de um torneio começar. Aqui estará em vantagem a relação a treinadores que são figuras paternas ou motivadores (Wilmots na Bélgica, por exemplo). Os franceses também já demonstraram serem capazes de se exceder perante o seu público (Euro 1984, Mundial 1998) e assim que as coisas se afiguram difíceis lá irrompe a marselhesa no estádio, o que é sempre capaz de galvanizar. Associe-se a isto a ressaca dos ataques em Paris e o apoio à selecção francesa atingirá níveis estratoféricos.

 

Um dos maiores problemas é a tendência para a implosão do grupo. Ben Arfa tem vindo a apresentar-se como opção renovada, mas também costuma trazer tensões. O caso Valbuena-Benzema não está esclarecido. Não há um líder natural no grupo, alguém com a voz de comando presente nos anteriores sucessos franceses (Platini em 84, Deschamps em 98/2000). Falta também uma super-estrela (também Platini em 84, Zidane em 2000 mas essencialmente ausente em 98). Esse papel poderá ser reservado a Pogba, mas este parece ser cada vez mais um super-jogador que não se especializa em nada apesar de ser excelente em tudo. Fekir poderá ser a peça que falta ao puzzle, o que será uma surpresa para quem não o conheça (e ainda traz o bónus de estar lesionado parte da época mas em princípio recuperar perfeitamente a tempo de atingir o pico de forma).

 

É difícil prever o desenho táctico de Deschamps porque não sabemos quais os jogaodres que tem em mente (ou vice-versa: sem saber os jogadores não podemos prever a táctica). Na defesa Varane será quase garantido com boas possibilidades de emparceirar com Koscielny. À direita é Digne e à esquerda a ver vamos. No meio campo Pogba é garantido, mas não sabemos em que funções. Poderá ter Matuidi e/ou Kondogbia por parceiros num meio campo musculado ou Cabaye e Valbuena e/ou Payet num meio campo mais técnico e imprevisível. Benzema poderá ter Griezmann ao lado ou a flanqueá-lo. Neste caso será necessário procurar o outro extremo (Martial, Coman ou mesmo Matuidi seriam opções). Onde Fekir cabe não se sabe. Talvez no ataque ou no topo do meio campo. Depende da táctica.

 

Deschamps poderá ter à disposição variações entre 4-3-3, 4-2-3-1 (com extremos clássicos ou invertidos) ou 4-4-2 (com o meio campo em linha ou losango ou mais flexível). Do meio campo para a frente as opções são imensas. Na defesa Deschamps estará a rezar para que alguns dos seus jogadores permaneçam saudáveis. Seja como for, é esta a minha (pre)visão: Deschamps conseguirá escolher uma equipa equilibrada, irá treinar os jogadores correctamente, uma estrela saberá assumir as responsabilidades e o espírito do país irá unir os jogadores. Tudo isso se juntará para fazer a França campeã europeia.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Nota intermédia

por João André, em 15.12.15

Uma pequena adenda aos posts sobre as minhas antevisões: foram todos escritos (excepto os que virão sobre Portugal) antes do sorteio da passada sexta-feira. Por isso terão alguns deles uma referência ou outra a ter sorte com as equipas que calhem.

 

Uma (pré-)visão mais específica sobre o torneio só virá, da minha parte, daqui a uns meses, quando for para mim mais claro que jogadores estarão em forma, lesionados, que esquipas parecem estar a evoluir, etc.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Alemanha

por João André, em 14.12.15

E prontos. A Alemanha é a campeã mundial em título, continua a ter uma equipa temível e uma máquina de produção de talentos excepcional. Só pode ser a favorita ao título europeu.

 

Em princípio seria difícil dizer outra coisa. A qualificação não foi tão simples quanto desejariam os alemães, mas a verdade é que o formato os deixou relaxados. Joachim Löw tratou os jogos como amigáveis mais intensos e usou o tempo possível para procurar soluções e alternativas aos jogadores que abandonaram após o Mundial e outras hipóteses para certas posições.

 

Neste aspecto parece ter encontrado uma solução para defesa esquerdo em Jonas Hector, jogador do Colónia. Não tem muita experiência mas adaptou-se bem e parece ser o tipo de jogador sólido e pouco espectacular que vai sendo necessário em qualquer grande equipa. A grande questão é como reagirá quando enfrentar directamente alguns dos melhores jogadores do mundo. Na lateral direita está o principal problema para Löw, onde existe um buraco enorme buraco na forma gigante de Phillip Lahm para tapar. Löw tem promovido muitas experiências (com centrais e médios testados ali) mas ainda não encontrou soluções. O progresso de Matthias Ginter nessa posição é promissor, mas Löw tem a fama de preferir não usar jogadores do Dortmund.

 

No resto da equipa já vão sobrando as alternativas. Num meio campo cheio de excelentes jogadores a tratar a bola, a recuperação e forma de Sami Khedira será essencial, já que é a cola e o músculo da equipa. No mundial a sua reentrada na equipa (e subsequente passagem de Lahm do meio campo para defesa direito) foi fundamental para a caminhada para o título. No presente meio campo apenas ele e Kramer têm a capacidade de emprestar força a um meio campo capaz e fazer 300 passes em meio minuto mas que tem dificuldades quando enfrenta jogadores durinhos.

 

Para a engrenagem do ataque, muito dependerá de manter Gündoğan em forma, já que é o motor do meio campo e compensa o declínio de Schweinsteiger. Com o Dortmund a competir na muito longa Liga Europa pode acontecer no entanto que Gündoğan chegue ao Europeu com as baterias vazias. Kroos é também importante, mas neste momento ocupa uma posição semelhante à de Gündoğan e nessas funções este é actualmente um jogador superior (e Kroos também poderá chegar exausto ao final da época, à semelhança da passada).

 

No ataque o jogador mais excitante será talvez Marco Reus que é fenomenal mas não parece ser capaz de jogar mais que quatro jogos sem se lesionar por dois meses. Claro que uma equipa que tem o Raumdeuter Thomas Müller, Mesut Özil, Julian Draxler, André Schürrle, Mario Götze, etc, nunca deixará de ter poder de fogo suficiente. O problema é a falta de um ponto de referência no centro como Klose o era e em redor do qual os restantes jogadores se podem mover e criar espaços.

 

Não deixa de ser curioso que aquele que é potencialmente a estrela da equipa seja o seu guarda-redes. Manuel Neuer não é só possivelmente o melhor guarda-redes do mundo, oferece também uma capacidade de jogar a líbero (defensiva e ofensivamente) que liberta outros jogadores como Hummels e Boateng para participarem no ataque. Para o sucesso da equipa muito dependerá do trabalho de pré-competição desenvolvido por Löw no mês antecedente ao torneio e que tão bons resultados deu no Brasil. Também será fundamental que alguns jogadores cheguem relativamente frescos a França, sem jogos a mais nas pernas.

 

Quando tudo se proporciona, a Alemanha é provavelmente a melhor equipa do mundo. Neste momento, no entanto, sinto que lhes falta um bocadinho assim...

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Pré-Visões do Euro 2016 - Itália

por João André, em 13.12.15

A Itália chega a este Europeu com mais fama que qualidade. Longe vão os tempos em que era de facto ameaçadora no ataque e simultâneamente sólida na defesa. Nos dias de hoje Antonio Conte depende de dois jogadores que até há pouco eram desconhecidos (Pellè e o oriundo Éder) para o ataque e ainda procura o Andrea Pirlo de outrora (quando o convoca) ou de hoje (quando testa outros jogadores). Há no entanto uma característica que a Itália sempre teve e que poderá mudar a equação: o seu hábito de, chegada ao torneio, de repente encontrar a forma perfeita e surpreender. Não o fez em 2014 no Brasil mas chegou inesperadamente à final em 2012. A questão é se o pode fazer agora.

 

Jogador a jogador, a Itália continua a ter grandes individualidades: Buffon continua imperioso, Chiellini e Bonucci são excelentes centrais, Marchisio faz várias funções e quase todas de forma excelente, De Rossi continua a ser excelente, Verratti está prestes a assumir as funções de Pirlo e Insigne, Ballotelli, Zaza ou El Shaarawy oferecem excelente variedade de opções no ataque. O resto da equipa está preenchida de jogadores sólidos, alguns muito experientes e outros extremamente promissores. O problema é precisamente esse: há jogadores experientes que não são sempre fiáveis (De Rossi é um exemplo) e jogadores promissores que ainda não "estão lá". Ballotelli ainda não concretizou toda a sua promessa (e provavelmente não o fará), El Shaarawy tarda um pouco a fazê-lo e alguns outros ainda demorarão (a Itália é um país futebolístico onde os jogadores explodem tarde - a experiência é valorizada).

 

Outro problema é a excessiva dependência de jogadores da Juventus. Estes estão habituados a jogar juntos mas estão também habituados a ter outro tipo de soluções à sua disposição (Pogba, Dybala, Cuadrado, Lichtsteiner, Khedira, etc). Com outros jogadores à disposição poderão sentir-se mais bloqueados. Em termos tácticos, Conte é um adepto do uso de três centrais, tendo usado a sua combinação "BBC" (Bonucci, Barzagli, Chiellini) com frequência. Isto funciona quando a oposição joga com dois avançados (comum em Itália) mas enfrenta mais problemas quando os adversários apresentam apenas um ou mesmo nenhum (como a Juventus com Conte viu na Europa).

 

Conte é contudo flexível e está aberto a jogar em 4-4-2 ou 4-3-3 (e subvariações destes sistemas). O problema é a falta de jogadores para esse tipo de jogo. No 4-4-2 faltam-lhe médios "laterais" (que preencham as alas) e no 4-3-3 faltam os alas clássicos (normalmente coloca lá avançados móveis, mas pouco habituados a jogar na linha). Esta situação coloca problemas à Itália no confronto com os principais avançados. Das equipas mais de topo, apenas a Inglaterra poderá alinhar com dois avançados e praticamente todas gostarão de usar as alas (para profundidade com extremos mais "clássicos" ou para dar largura usando médios que preencham os espaços). A Itália usa laterais ofensivos para estas funções, mas no futebol moderno eles poderão ser sobrecarregados pelas combinações ala-lateral dos adversários.

 

É muito possível que Conte reverta para um sistema simplista: defesa a dois ou três centrais, equipa recuada a defender de forma sólida, ataques mais directos com passes longos (mas bem medidos - há qualidade suficiente para isso) para Pellè e ataque com a fantasia de um ou dois outros jogadores, tentando explorar os espaços deixados pela equipa adversária no ataque. A Itália já foi bem sucedida no passado com tais sistemas e poderá resultar bem, especialmente contra equipas menos rotinadas ou sofisticadas. Contra a oposição mais forte isso provavelmente não resultará. Alemanha, Espanha ou França provavelmente pressionarão intensamente e têm jogadores na retaguarda que saberão lidar com o contra-ataque italiano. No ataque serão equipas com paciência e capacidade para furar a muralha defensiva. A Itália é uma equipa clássica nos torneios, mas neste faltar-lhe-à ainda algo para poder brilhar.

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Pré-Visões do Euro 2016 - Espanha

por João André, em 12.12.15

Em muitas conversas de café a Espanha desceu vertiginosamente da lista de favoritos à conquista do torneio europeu. É normal apontar os espanhóis como um dos favoritos mas a aura de invencibilidade desapareceu com o 1-5 contra a Holanda no mundial.

 

Isso não deixa de ser curioso, uma vez que a Holanda poderia perfeitamente ter perdido esse jogo (esteve a um chapéu mal feito de David Silva de estar a perder 2-0 momentos antes da igualdade) e porque os holandeses desapareceram de cena, demonstrando como os ventos podem mudar de direcção. Fazer o downgrade à Espanha é não só injusto como enganador. Se perderam o jogador que melhor os definiu e que será talvez o mais importante na sua história - Xavi - também não deixa de ser verdade que continuam a ter jogadores fantásticos, misturando experiência e juventude como poucas equipas poderiam sonhar em fazer.

 

Dos previamente campeões (europeus e/ou mundiais) convém lembrar que Casillas, Ramos, Piqué, Alba, Busquets, Iniesta, Fàbregas, Silva, Cazorla, Mata, Pedro ou Albiol ainda jogam e são chamados. Dos mais novos incluem-se nomes como de Gea, Bernat, Gaya, Isco, Thiago, Koke, Costa ou Morata. Desta mistura poderiam resultar bancos que quase todas as outras selecções adorariam apresentar de início. Isto não é o mesmo que dizer que são os mais óbvios candidatos ao título. Xabi Alonso e Busquets combinavam na perfeição para dar solidez ao meio campo e na ausência daquele, Busquets tem de fazer o trabalho de dois. Está cada vez melhor (vejam os jogos do Barcelona) mas Alonso deixa um buraco grande no meio-campo. No centro da defesa faltam alternativas a Piqué e Ramos, com Iñigo Martinez e Marc Bartra a não estarem sequer perto do mesmo nível e a tardarem a concretizar a promessa que fazem há anos. Javi Martinez é uma alternativa, mas é um trinco adaptado, oferecendo qualidades diferentes. Na baliza há a questão: Casillas (o capitão, líder e lenda) ou de Gea (neste momento já o melhor guarda-redes espanhol). A questão parece menor, dada a qualidade, mas pode ter repercussões no resto da equipa e será por isso que del Bosque trata o assunto com pinças.

 

No ataque há ainda a questão de qual o esquema a utilizar. Um 4-4-2 com Costa e Morata que torna a equipa muito afunilada ou um 4-6-0 que deu resultados no Euro 2012 mas para o qual os adversários já se prepararam? Ou algo de permeio, com o risco de os pontas de lança não funcionarem bem no estilo da equipa (Morata e Costa são, cada um à sua maneira, mais directos que a maior parte dos colegas). Jogadores certos deverão ser Ramos, Piqué, Alba, Busquets, Iniesta. Thiago provavelmente também e o meio campo deverá ser completado com Koke (que combina técnica com capacidade física).

 

Muito depende no entanto do objectivo de del Bosque em cada jogo. Fàbregas oferece outras características e é mais efectivo perto dos avançados, Isco traz imprevisibilidade e a velocidade e largura de Nolito e Pedro obrigam a outro estilo de jogo. Será esta imprevisibilidade que poderá ser o problema da Espanha. Del Bosque ainda não pareceu ter acertado num esquema definido e era essa grande parte da força da Espanha em torneios anteriores: a sua capacidade de jogar com os mesmos jogadores fazendo apenas ajustes pontuais de acordo com a oposição ou o desenrolar de um jogo.

 

Neste momento há a sensação que bastará um plano falhado para a equipa se desmoronar - ou na fase de grupos ou nas eliminatórias. É uma favorita, mas não consigo deixar de a colocar talvez como terceira na minha lista. Só que ainda é cedo...

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Pré-Visões do Euro 2016 - a qualificação

por João André, em 11.12.15

Quando a expansão do número de equipas no Europeu foi anunciada a maior parte dos comentadores manifestaram-se contra a mesma. Eu fui dos que pensou que a qualificação se tornaria aborrecida, um passeio para as equipas mais fortes, e a fase final seria inicialmente incómoda, por possibilitar alguns massacres das equipas mais fracas que se apurassem. Em relação a este último ponto ainda estará tudo em aberto, mas a qualificação, essa, foi tudo menos aborrecida.

 

Não é difícil ver as consequências de uma qualificação inesperadamente aberta. Apesar de os dois primeiros de cada grupo se qualificarem automaticamente, juntamente com o melhor terceiro, e de os restantes terceiros classificados disputarem um play-off, algumas equipas relativamente fortes foram ficando pelo caminho. O nome mais sonante foi obviamente a Holanda, mas poderíamos também apontar a Grécia ou a Dinamarca.

 

As razões poderão ser difíceis de identificar. Cada caso será diferente e não é complicado verificar que se a Grécia e Holanda colapsaram completamente, a Dinamarca falhou a qualificação por relativamente pouco. A Holanda, apesar da surpresa, pagou o preço de viver num período inter-geracional onde os grandes jogadores do passado recente começam a ser excessivamente veteranos e os emergentes são ainda demasiado poucos e jovens. O Mundial foi o resultado de um estilo muito pouco holandês, onde van Gaal se virou para o pragmatismo, fechou a defesa a sete chaves e viveu de Robben na forma da sua vida. Resultou no espaço de um mês, mas não seria sustentável, especialmente com Hiddink, o seu sucessor, a reverter para o 4-3-3 tradicionalmente holandês mas para o qual não tem intépretes da qualidade do passado.

 

A Grécia falhou devido a também um render da guarda, uma aposta falhada em Claudio Ranieri e diversos outros problemas internos. A partir do momento em que ficou óbvio que falhariam, acabaram por atirar a toalha e cair para o último lugar do grupo. Já a Dinamarca, com poucos jogadores de qualidade, acabou por perder devido a mediania. Analisando a equipa, este resultado não é de espantar.

 

Onde as surpresas surgiram foi em vários resultados individuais pelos grupos. A Alemanha perdeu com Polónia e Irlanda e viu-se em apuros com algumas outras equipas. A Espanha perdeu com a Eslováquia. A Islândia qualificou-se directamente, Gales também e a Albânia idem. Por um lado este resultados reflectem uma das frases mais conhecidas do futebol mas que nunca foi tão verdade quanto agora: já não há jogos fáceis.

 

As equipas sabem hoje organizar-se defensivamente - é este o aspecto mais simples de treinar - e compreendem o valor do contra-ataque. A disseminação das transmissões televisivas (inclusivamente por internet), permitem que qualquer nova evolução táctica esteja imediatamente disponível para outros e nenhumas são mais fáceis de compreender que as defensivas. Além disso, o desenvolvimento das técnicas de condicionamento físico permitem que até equipas mais fracas consigam aguentar o ritmo de um jogo de futebol de alto nível ao longo de 90 minutos. Por fim, as longas épocas futebolíticas fazem com que os melhores jogadores se resguardem, sabendo que numa qualificação um resultado de 1-0 tem o mesmo valor na maior parte das vezes que um resultado de 5-0.

 

Não devemos no entanto menosprezar o efeito da motivação e da complacência. As equipas mais pequenas viram neste alargamento a possibilidade de se qualificarem para o torneio, o que lhes deu mais motivação para tentar ir buscar pontos aos grandes. Isto tornou-se ainda mais evidentes porquanto as melhores equipas sabiam que podiam orçamentar para pontos perdidos aqui e acolá, seguras no conhecimento que o resto da qualificação lhes permitiria recuperar qualquer terreno perdido. Além disso, alguns seleccionadores trataram os jogos da qualificação como uma espécie de pariculares-plus, onde podiam experimentar sabendo que os adversários se esforçariam mais do que em jogos irrelevantes.

 

Tudo isto levou à qualificação mais interessante das últimas décadas. É perfeitamente possível que algumas destas equipas mais fracas acabem por fazer o papel de bombos da festa na fase final, mas do seu ponto de vista é legítimo imaginar que essa é uma consequência que não os preocupa: é necessário estar no torneio para poder perder. Com o torneio a ter lugar num país facilmente acessível, com boas infraestruturas e muitas actividades paralelas possíveis, o Euro 2016 "arrisca-se" a ser dos mais coloridos de sempre.

 

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Pré-Visões do Euro 2016

por João André, em 10.12.15

O Europeu de Futebol está ainda a cerca de seis meses de distância mas gostaria de deixar alguns apontamentos sobre o mesmo. A distância pode fazer com que estas reflexões sejam desadequadas, mas a verdade é que tenho imensa curiosidade em ver até que ponto terei acertado. Ademais, quanto mais perto chegarmos do Euro, mais o ruído de fundo aumentará e menos se tornará interessante colocar estas reflexões mais extensas em forma de posts.

 

Separarei a análise entre diversas secções. Inicialmente olharei para a qualificação, a qual apresentou um novo formato que terá dado a muitas surpresas. Depois debruçar-me-ei sobre as selecções, inicialmente analisando uma a uma as equipas que considero mais fortes candidatas, agruparei depois as que poderão surpreender, as que poderão ser problemáticas e aquelas que se não perderem todos os jogos já não darão a participação como perdida.

 

Outra parte da análise será naturalmente dedicada à selecção portuguesa: a equipa possível, as tácticas, a importância dos jogadores, o futuro, etc. Irei fazer também uma comparação com torneios passados e como Portugal se portou nessas alturas.

 

Com estas análises não quero fazer futurologia nem alardear quaisquer conhecimentos secretos. Gosto apenas da ideia de fazer as minhas apostas tanto tempo em avanço e voltar aqui dentro de uns tempos para ver como as coisas estão. Será divertido ver o apontar de dedos àquilo em que errarei estrondosamente mas também o elogio aos aspectos que previrei de forma correcta (certamente menos que os errados). Será um exercício em estatística: fazendo muitas previsões, em alguma acertarei.

 

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Os amanhãs que cantam

por Pedro Correia, em 31.10.15

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"A austeridade acabou de facto." (Pedro Lains, 29 de Outubro)

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De novo o Dr. Doom.

por Luís Menezes Leitão, em 07.07.15

Em 2013 quando tive ocasião de receber Roubini em Lisboa, ele fez uma previsão que achei muito mais arrepiante do que as preocupações que já então tínhamos com a crise grega, da qual na altura Portugal ainda não se dissociado claramente. A sua previsão foi a de que a China iria inevitavelmente cair, só não sabia se seria uma queda a pique ou uma aterragem suave. Pouco tempo depois em Davos repetiu essa previsão. Agora com a bolsa chinesa em queda imparável parece que os seus piores receios se confirmaram. Conforme diz a velha maldição chinesa, estamos manifestamente a viver em tempos interessantes.

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Falharam

por Pedro Correia, em 22.04.15

Previram uma irreparável "espiral recessiva". Não houve.

Previram um ameaçador "programa cautelar". Nunca apareceu.

Previram um  "gigantesco risco sistémico" no sistema financeiro português. O colapso jamais ocorreu.

Previram um inquestionável "segundo resgate". Ninguém o vislumbrou.

Previram até, com ênfase de profissão de fé, a saída de Portugal do euro. Que só existiu em sonhos. Ou pesadelos.

 

Durante um par de anos levámos com todos estes profetas da desgraça, num concurso de cassandras levado ao domicílio antes, durante e depois dos telediários. Dia após dia, noite após noite.

Nunca ninguém lhes pedirá contas sobre o imenso rol de profecias falhadas. É o que lhes vale.

 

Mas a maior prova desse falhanço está no pacote de medidas de carácter económico que o PS acaba de desvendar para um hipotético executivo a sair das eleições do Outono. Os socialistas - ultrapassando agora o  Governo (2,3%) e o  Banco de Portugal (1,9%) em optimismo - antecipam um crescimento médio anual da economia portuguesa de 2,6% no período em que vigorar a próxima legislatura.

Contagiados por este optimismo, que avaliza afinal o desempenho do executivo ainda em funções, os do costume - aqueles que falharam todas as previsões - voltarão aos jornais de sempre e às televisões da praxe a dar o dito por não dito. Só nessa matéria conseguem ser exímios.

 

Leitura complementar:

Cautela. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS. De Ricardo Paes Mamede, no Ladrões de Bicicletas.

Texto do PS: boa jogada política a curto prazo mas sem credibilidade económica. De Luís Salgado de Matos, n' O Economista Português.

PS prescinde de quase 1% do PIB no Orçamento e diz que baixa défice. De Sérgio Aníbal, na Economia Info.

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Cinco meses é muito tempo

por Pedro Correia, em 21.04.14

Nicolau Santos, Expresso, 16 de Novembro de 2013:

«O anúncio de que a Irlanda vai terminar o seu processo de ajustamento sem pedir a seguir um programa cautelar é negativo para Portugal. Percebe-se a estratégia irlandesa. Com taxas de juro da dúvida pública a dez anos em 3,55% no dia 14, o risco de que o País corre de regressar aos mercados pelo seu pé é bastante reduzido. Só que assim ficamos sem saber como será o tal programa cautelar. Ora as autoridades portuguesas têm seguido a estratégia de Dublin a par e passo, com um desfasamento de seis meses. Foi assim com a emissão de dívida pública a dez anos, seria agora em relação ao programa cautelar. As nossas taxas de juro a dez anos, contudo, estão mais de dois pontos acima do patamar irlandês e não nos permitem um regresso aos mercados sem o amparo do BCE.»

 

Nicolau Santos, Expresso, 18 de Abril de 2014:

«O ajustamento está a correr bem. Na imprensa internacional somos apresentados como um caso de sucesso, que ainda vai surpreender mais. Os investidores acorrem em força aos leilões de títulos de dívida pública a República Portuguesa. As taxas de juro caem de forma sistemática e a dez anos aproximam-se dos 3,5%, patamar no qual a Irlanda optou pela saída limpa do seu programa de ajustamento. Prevêem-se crescimentos moderados para os próximos três anos. Os desequilíbrios externos estão domados, a taxa de desemprego cai e a troika vai deixar o País.»

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O que Nouriel Roubini disse sobre a crise em geral e Portugal em particular:

 

Julho de 2009

O pior da crise já está para trás: recessão acaba este ano.

 

Junho de 2011

Uma "tempestade perfeita" pode afectar a economia mundial a partir de 2013. (...) Dívidas da Grécia, da Irlanda e de Portugal precisam de ser reestruturadas o mais rápido possível. Adiar essa decisão pode resultar num processo de default mais desordenado.

 

Junho de 2011

A zona euro encaminha-se para uma ruptura, com a saída dos membros mais fracos, incluindo Portugal, com a actual abordagem à crise.

 

Setembro de 2011

Portugal e Grécia são os países da zona euro com maior probabilidade de abandonar a moeda única, podendo fazê-lo num horizonte de três a cinco anos.

 

Setembro de 2011

A zona euro é uma fonte de risco sistémico. Se existir uma situação de desordem na zona euro, será pior que o Lehman Brothers.

 

Março de 2012

A Grécia sairá da zona euro, talvez no início de 2013. Portugal também pode abandonar a moeda única.

 

Julho de 2012

Hipóteses de Portugal e Grécia saírem do euro é de 85%

 

Julho de 2012

Zona euro vai desmoronar-se dentro de seis meses

 

Setembro de 2013

Se o Tribunal Constitucional chumbar mais medidas no corte da despesa em Portugal, um segundo resgate pode ser inevitável.

 

Novembro de 2013

A dívida de Portugal precisará de uma reestruturação. A situação de Espanha é insustentável.

 

 

O que o mesmo especialista diz agora (teme-se o pior):

 

Janeiro de 2014

A zona euro já está no ponto de viragem no que toca à superação da crise das dívidas soberanas na região e os riscos de um país abandonar o euro são hoje menores. O pior da crise já passou.

 

Gravura: "quadradinho" do álbum Le Devin, de Astérix (Uderzo/Goscinny)

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Lembrei-me hoje bem cedo, enquanto caía o granizo: fez agora um ano, na noite de 15 de Janeiro de 2013, surgia em nossas casas, por cortesia da TVI, um senhor de cabelos brancos e olhos muito abertos, assustado e assustando com palavras que soavam a dobre de finados. Em entrevista conduzida por Judite Sousa, o professor Freitas do Amaral trocou por largos minutos a gravitas de catedrático pelo alvoroço do decifrador de conjunturas astrais, profetizando épicas pragas bíblicas sobre os frágeis ombros dos portugueses.

 

Disse nada menos que isto:

«[Em 2013 haverá] um agravamento muito grande da espiral recessiva.»

«O ano de 2013 só terá comparação, em dificuldades e perigo, com o de 1975.»

«A crise do sistema político português pode pôr o poder na rua.»

«Entre Abril e Junho/Julho, com a recessão a piorar, surgirá um tal sentimento de indignação que força o sistema político a reagir.»

«A hipótese mais provável é que o Presidente da República dissolva o parlamento.»

«É inevitável que haja eleições entre Abril e Setembro.»

«O PS tem grandes hipóteses de sair vencedor dessas eleições.»

 

Crédulo que sempre sou perante a doutrina dos eminentes vultos nacionais, anotei meticulosamente numa sebenta o que o ilustre professor entendeu proferir nessa noite memorável, bebendo-lhe a sapiência. E à sebenta fui regressando, 2013 adiante, para aferir o grau de acutilância de quanto fora dito em tom tão grave perante uma Judite provavelmente tão perplexa como eu.

Fui aguardando a queda do poder na rua, a dissolução antecipada da legislatura face à força indómita da luta popular, as eleições antecipadas e a emergência de António José Seguro como novo condutor e pacificador da nação. Fui aguardando o "agravamento muito grande da espiral recessiva" e recordando aquele remoto ano de 1975, em que Portugal esteve mais de uma vez a milímetros da guerra civil, com as armas empunhadas e os dedos prontos a premir gatilhos.

 

E eis que chega Agosto: em vez da anunciada campanha eleitoral para as legislativas antecipadas, surge nas manchetes a inesperadíssima notícia de que Portugal saía da recessão, após dez trimestres consecutivos de declínio económico. Volvidos mais uns meses, continuava o poder sem cair na rua, contrariando o vaticínio do douto entrevistado da TVI. Em compensação, caíam os juros da dívida, o Estado garantia antecipadamente o financiamento para 2014 e até as famigeradas agências de notação davam sinais de encolher as garras.

A "espiral recessiva" eclipsou-se do discurso político e, pasme-se, o défice das contas públicas promete situar-se abaixo dos 5% - aquém da meta fixada por essas aves agoirentas a que se convencionou chamar tróica. Mesmo sem dissolução do parlamento, legislativas antecipadas e triunfo esmagador de Seguro nas urnas.

 

Quando o ano chegou ao fim, senti-me aliviado: afinal o mais parecido que tivemos em 2013 com a tomada do palácio do czar em Petrogrado foi a ruidosa confraternização entre polícias no alto das escadarias de São Bento - algo que nem o falecido Zandinga, com os seus dons divinatórios quase infalíveis, seria capaz de antecipar.

Guardei a sebenta no fundo de uma gaveta. Mas, pelo sim pelo não, já comprei um exemplar do Borda d'Água: homem prevenido vale por dois. E assim consegui escapar incólume à queda do granizo esta manhã.

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É fácil. Está tudo na edição de 2013 do Borda d´Água:

 

 

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Paulo Portas

por Pedro Correia, em 31.12.12

 

Candidato desde já a figura nacional do ano que começará daqui a poucas horas. Será um ano muito difícil a vários níveis - e não só em Portugal. Um ano que todos lembraremos mais tarde. Um ano em que cada gesto do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros será alvo de escrutínio máximo. Ele sabe, melhor do que ninguém, que somos escravos das nossas palavras e donos dos nossos silêncios. E procederá em conformidade, sem nunca esquecer este lema. Crucial na política, como na vida em geral.

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Professor Karamba

por José Gomes André, em 10.04.12

"qualquer governo que saia das eleições de 5 de Junho dura só até à Páscoa de 2012. E vai com sorte." (Maio de 2011)

 

"este governo não dura até à Páscoa." (Julho de 2011)

 

"Sejamos claros: a Europa está à beira da implosão. Pode durar mais quinze dias, não dura certamente até ao Natal." (Setembro de 2011)

 

Definitivamente, desde que se apaixonou pelo "socratismo" Eduardo Pitta não acerta uma.

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Um verdadeiro dilema

por Ana Lima, em 03.01.12

Ontem de manhã, por ter de esperar a minha vez num consultório, dei por mim a ver um programa de televisão (vi agora numa pesquisa que se chama "Cartas da Maya - O Dilema") no qual a taróloga Maya respondia às dúvidas de uma senhora que tinha ligado para o canal através de um número de telefone começado por 760. Segundo se dizia são consultas de orientação pessoal ao vivo e em directo. Para lá da importância que se atribui à tarologia, numerologia ou astrologia a forma como as previsões ou conselhos são interpretadas por cada um também varia. Mas confesso que fiquei verdadeiramente boquiaberta quando, perante queixas de dores nas costas, por parte da tal senhora, ouvi, num tom de voz peremptório, expressões como: "é um problema muscular, não é grave, não é operável, passa com anti-inflamatórios". E, pelos vistos, há várias "consultas" deste género por programa.

Podemos pensar, claro, que ninguém confia, mais que um tanto, nestes conselhos. Quando muito considera-os complementares. No entanto só a existência da dúvida numa matéria deste tipo parece-me bastante grave. Tanto investimento na formação de médicos e em meios de diagnóstico e depois, em segundos, as cartas que saem de um baralho dão, de uma penada, o diagnóstico e a terapêutica?

O dilema é portanto optar entre ir consultar um médico e pagar as novas taxas moderadoras ou fazer uma chamada telefónica o que, mesmo que seja para um número de valor acrescentado, sempre ficará mais barato. E daí...

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Quando a bola de cristal se embacia

por Pedro Correia, em 16.06.11

 

"O PSD começou a dar gigantes passos para perder as próximas eleições."

Clara Ferreira Alves, SIC N (20 de Março)

 

"Passos provavelmente não chegará a governante, medíocre ou não."

Vasco Pulido Valente, Público (15 de Abril)

 

«Por este andar, o PSD só governará quando os maluquinhos da Exponor lhe pedirem ou as galinhas do dr. Nobre tiverem dentes, de acordo com o que acontecer primeiro.»

Alberto Gonçalves, DN (17 de Abril)

 

«O radicalismo inconsciente de “correr o Sócrates o mais depressa possível”, a que no PSD se deu ouvidos e cujo resultado ameaça ser ou mantê-lo, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos.»

Pacheco Pereira, Público (23 de Abril)

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