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Um ano depois

por Pedro Correia, em 24.01.17

 

Sampaio da Nóvoa: este nome diz-vos alguma coisa?

 

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Pós-eleitorais (10)

por Pedro Correia, em 08.02.16

Continuo a ler por aí que Marcelo Rebelo de Sousa venceu com evidente facilidade a eleição presidencial "por não ser o candidato que a direita verdadeiramente queria". Esta tese, disseminada pelos cultores de etiquetas que proliferam na "análise política" à portuguesa, baralha os factos com brutal desfaçatez. As invectivas contra Marcelo, por parte dos seus adversários à esquerda, não pouparam pormenor algum nos meses que antecederam o escrutínio - dele disseram que era um novo Cavaco, que escrevia cartas a Marcelo Caetano, que fugiu à tropa, que tocava às campainhas das portas quando era miúdo, que chamou lelé da cuca ao doutor Balsemão, que mergulhou no Tejo, que perdeu um debate televisivo em mil novecentos e troca o passo.

Os eleitores votaram como lhes apeteceu, indiferentes à vozearia dos tudólogos. Agora aqueles que o invectivaram apressam-se a reclamar sem pudor um quinhão da vitória, garantindo ao País que "a direita anda aziada", Costa ficou feliz e Passos Coelho teve de engolir um elefante. Falam como se Marcelo fosse troféu de estimação em vez do alvo a que fizeram pontaria nos últimos meses. Sobre Sampaio da Nóvoa, que foi o candidato de quase todos eles, ninguém voltou a ouvir-lhes sequer um sussurro. Aplicam à política os versos do António Variações: "Eu só quero ir / Aonde eu não vou / Porque eu só estou bem / Onde não estou."

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Frases de 2016 (14)

por Pedro Correia, em 05.02.16

«[Eleição presidencial] foi uma derrota de toda a esquerda e uma derrota da esquerda é também uma derrota do PS.»

Manuel Alegre, na noite de 24 de Janeiro

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Pós-eleitorais (8)

por Pedro Correia, em 04.02.16

Três eleições presidenciais, três derrotas sucessivas dos candidatos da área socialista. Por clamorosos erros de estratégia política - todos atribuíveis ao chamado sector soarista do PS. Em 2005 Manuel Alegre já estava no terreno quando viu levantar-se uma onda interna destinada a derrubá-lo: a onda afinal era pequenina mas bastou para sagrar Cavaco Silva vencedor à primeira volta. Em 2010, novamente com Alegre em palco, do mesmo sector surgiu a candidatura alternativa de Fernando Nobre - e de novo Cavaco agradeceu o brinde. Na Primavera de 2015 eis que da mesma trincheira irrompe um ilustre desconhecido: Sampaio da Nóvoa. Era o impulso que faltava para um passeio triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa com destino a Belém.

Tanto erro acumulado - e nenhuma lição extraída.

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Pós-eleitorais (6)

por Pedro Correia, em 02.02.16

De todos os lamentos pós-eleitorais oriundos da área do partido do Governo, o mais original foi este veemente desabafo da inconfundível Ana Gomes: «Teria gostado que o PS tivesse apoiado claramente um candidato», disparou a eurodeputada. Bem prega Frei Tomás: muitos socialistas teriam gostado que Ana Gomes começasse por clarificar a sua própria posição em matéria de campanha presidencial. Foi ela quem lançou Maria de Belém como candidata para depois apoiar Sampaio da Nóvoa. Todo um modelo de coerência.

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Pós-eleitorais (5)

por Pedro Correia, em 01.02.16

O PCP parece viver numa realidade paralela, como bem demonstra a mais recente edição do jornal oficial dos comunistas. Analisando o escrutínio presidencial de 24 de Janeiro, o impagável Avante! conclui o seguinte: «Não há resultados eleitorais capazes de apagar o carácter ímpar da candidatura de Edgar Silva e do colectivo imenso a que deu expressão; o projecto que corporizou é, também ele, inapagável, pois radica nas aspirações mais profundas dos trabalhadores e do povo.» Dir-se-ia a celebração de uma vitória. Mas não: trata-se afinal da leitura que os comunistas fazem do descalabro oficial do seu candidato - o pior resultado de sempre do PCP nas urnas. Por mais pesada que seja a derrota, o partido da foice e do martelo transforma-a sempre numa radiosa tomada do Palácio de Inverno. Com esta lógica discursiva, os amanhãs jamais cessarão de cantar.

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Piadola de Livararia

por Francisca Prieto, em 29.01.16

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Pós-eleitorais (4)

por Pedro Correia, em 29.01.16

Continuo a ler e a escutar alguns tudólogos que anunciam ao País ter sido Sampaio da Nóvoa um dos "vencedores" da eleição presidencial. Isto autoriza-me a revisitar a história. E a reescrevê-la. Estou assim em condições de garantir-vos que foram estes os verdadeiros "vencedores" das eleições presidenciais ocorridas nos últimos 40 anos: Otelo Saraiva de Carvalho em 1976, Soares Carneiro em 1980, Freitas do Amaral em 1986, Basílio Horta em 1991, Cavaco Silva em 1996, Ferreira do Amaral em 2001 e Manuel Alegre em 2006 e 2011. Triunfadores, todos eles.

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Pós-eleitorais (3)

por Pedro Correia, em 28.01.16

As chamadas esquerdas quiseram medir forças nas presidenciais. Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas (e em novo round das primárias do PS, no caso do confronto Nóvoa/Belém). Alegavam que só a multiplicação das candidaturas conseguiria travar o passo ao "candidato da direita". Pura mistificação, como a linguagem das urnas demonstrou: as esquerdas multiplicadas valem hoje apenas 38,1%. Em política o aumento de parcelas costuma produzir efeitos destes: subtrair em vez de somar.

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Pós-eleitorais (2)

por Pedro Correia, em 27.01.16

Pedro Silva Pereira salientava na noite de segunda-feira, na TVI 24, que o bom resultado eleitoral de Marisa Matias "premeia o contributo do BE para uma governação à esquerda". Este raciocínio do eurodeputado socialista conduz-nos fatalmente à conclusão que o PCP tem dado um contributo negativo à governação, visto ter obtido o seu pior resultado eleitoral de sempre.

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Pós-eleitorais (1)

por Pedro Correia, em 26.01.16

Ouço e leio que Sampaio da Nóvoa, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, "cumpriu os seus objectivos". O jornal Público,  para meu espanto, chegou a incluí-lo entre os vencedores da eleição presidencial. Pensava eu que o maior objectivo do antigo reitor era passar à segunda volta. Afinal estava enganado.

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Há-de aparecer alguém para pagar

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.01.16

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Nestas coisas, como nas PPP, convinha ter alguma cautela para depois não faltar dinheiro para pagar a conta. Eu bem sei que no fim há-de aparecer alguém para pagar, que até poderá ser o próprio, mas estar a contrair encargos sem saber como se irá pagá-los, estar a contar com a subvenção estatal e os donativos dos contribuintes sem saber se os irá receber, tudo isso me parece pouco sério e uma imprudência.

Vi o seu apelo à recolha de donativos para fazer face à factura das presidenciais e só estranhei que no pedido que fez não tivesse logo avisado os potenciais doadores de que irá recusar todos os donativos que possam vir de pessoas singulares ou colectivas que estivessem na disposição de ajudar mas que andaram a ganhar a vida emitindo pareceres, foram ou são deputados ao serviço dos grandes interesses empresariais, advogados que trabalham em grandes escritórios, gestores e administradores de empresas com grandes negociatas com o Estado, de gente que trabalhe ou tenha trabalhado para o BES, para o BPN, para o lobby dos construtores, da banca, dos laboratórios médicos, dos manuais escolares, das farmácias, das autarquias, e por aí fora. Isso teria sido coerente e consequente com o que antes defendeu.

Sei que as contas da campanha serão apresentadas, serão claras e que baterá tudo certo, mas é pena que em questões tão sérias como as que abordou tivesse andado a dar tiros para o ar, acabando a acusar tudo e todos e desperdiçando o capital de simpatia e apoio que inicialmente gerou para a sua causa. A causa do combate à corrupção, aos lobbies, ao clientelismo político e de Estado, ao tráfico de influências, à fraude em geral, é um combate e uma causa de todos os cidadãos portugueses livres e sérios, que não pode continuar a ser tratada da forma que Paulo Morais tem feito. E não pode servir de bandeira para alimentar egos e protagonismos. Por isso, lamento ver Paulo Morais, por cuja causa tenho simpatia e na qual também me tenho empenhado à minha maneira e com os meios que tenho, a acabar assim a sua participação, desta forma inconsequente. 

Já não bastava o resultado miserável que obteve como ainda acaba a pedir dinheiro aos contribuintes para pagar os custos da sua campanha. Se não tinha dinheiro não gastava. É tão simples quanto isto.

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Frases de 2016 (13)

por Pedro Correia, em 26.01.16

«Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha.»

Jerónimo de Sousa, na noite eleitoral

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Breves notas sobre os resultados

por Tiago Mota Saraiva, em 25.01.16

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, como se esperava. Teve mais votos que Cavaco em 2011 e, provavelmente, conseguiu ir buscar votos a todos os partidos. Fez um discurso de unidade nas antípodas do do anterior Presidente da República. Saberá ser popular.

 

Sampaio da Nóvoa é, na verdade, uma surpresa. Teve uma percentagem maior do que a maioria das sondagens lhe deram e do que Alegre em 2011. Não atingiu o objectivo de uma segunda volta, mas não sai desta eleição politicamente morto.

 

Marisa Matias é a grande surpresa da noite. Não conseguiu apenas consolidar uma parte muitíssimo significativa dos votos do BE, como terá conseguido penetrar no tradicional eleitorado comunista (veja-se, por exemplo, os resultados das autarquias comunistas de Constância ou Almada). As notícias de uma fuga de votos do eleitorado do BE para Marcelo eram manifestamente falsas.

 

Maria de Belém não foi alvo de um assassinato de carácter, como os seus apoiantes repetiram. Belém revelou-se. Não conseguiu conquistar o eleitorado socialista como pretendia, enfraqueceu o segurismo e demonstrou a fraca expressão eleitoral que a poderosa ala direita do PS tem. Desaparecerá sem fama nem glória da vida política, podendo levar para casa a sua pensão vitalícia.

 

Edgar Silva não deve ser visto como o culpado do mais fraco resultado eleitoral de um candidato com o apoio do PCP. Viu-se pouco o Edgar que trabalha com os que nada têm e que intervém junto do lumpén, para assumir uma postura institucional de porta voz do partido. A sua candidatura demonstrou que o eleitorado do PCP não é estanque, nem é alheio aos discursos políticos das candidaturas de Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa.

 

Tino de Rans não é uma surpresa. Repete, com menos vigor, o resultado de José Coelho das eleições de 2011. 

 

Paulo de Morais e Henrique Neto são figuras instrumentais para o sistema ao lançarem a suspeita de corrupção sobre todos sem concretizar acusações. Foram duas candidaturas com discursos semelhantes, mas sem brilhantismo. Morais destacou-se no resultado, ainda que fique aquém do que o próprio pensava poder alcançar.

 

Jorge Sequeira era o único candidato sem qualquer relação passada com algum partido político. Teve 0,3% dos votos expressos.

 

Cândido Ferreira nem em Leiria, de onde provinha, conseguiu votação significativa. Cumpriu o seu papel de manter dúvidas sobre a licenciatura de Nóvoa, como se o ex-reitor não as tivesse esclarecido de imediato. Fica a dúvida sobre como terá conseguido o número de assinaturas necessárias.

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Marcelo: o que ficou escrito

por Pedro Correia, em 25.01.16

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31 de Janeiro de 2014:

«Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro a anunciar a candidatura à Presidência da República, condicionando todas as outras estratégias, à esquerda e à direita. Enquanto outros fazem que andam mas não andam, ele sabe o que quer. E quer que se saiba.»

 

23 de Fevereiro de 2014:

«Era um congresso "sem história", diziam. O PSD sai deste congresso com um cabeça de lista às europeias e um candidato presidencial. O novo ciclo político já começou.»

 

24 de Fevereiro de 2014:

«Marcelo Rebelo de Sousa deu o pontapé de saída na campanha presidencial sem necessidade sequer de abordar o tema. Fê-lo em horário nobre, com os canais informativos de televisão a transmitir em directo, e aproveitando a seu favor o palco do congresso do PSD, que fora montado para outro efeito.»

 

22 de Maio de 2014:

«Podem as sumidades dos aparelhos inventar as alternativas que quiserem na desesperada recusa de enxergarem o óbvio. É inútil: PSD e CDS estão reféns de Marcelo. E quem não perceber isto não percebe nada.»

 

6 de Fevereiro de 2015:

«Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa mal precisará de percorrer o País em sessões de campanha: já o faz, de algum modo, no telecomício semanal em que se confirma como um dos mestres da comunicação política portuguesa. Com uma linguagem que todos entendem.»

 

16 de Outubro de 2015:

«Dois potenciais rivais fora de cena e mais um candidato a baralhar as contas na margem contrária: como se já não bastasse tudo isto, à noite surgiu em antena Pacheco Pereira, no local do costume, disparando críticas ao ex-líder do PSD. Pacheco, que é o decano dos comentadores televisivos e foi vice-presidente de Rebelo de Sousa, considera que este concorre para Belém com "uma mancha ética": a de ter sido ele próprio comentador na televisão... Enfim, um dia em cheio para Marcelo. Só boas notícias.»

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Presidenciais (34)

por Pedro Correia, em 24.01.16

1. Não haverá segunda volta. O País é poupado a três semanas extra de campanha que se destinariam apenas a ampliar a vitória hoje conseguida por Marcelo Rebelo de Sousa, com 52% dos sufrágios. Vencendo em todos os distritos do País.

 

2. Nenhum partido pode reclamar este triunfo. É um capital político de Marcelo, pessoal e intransmissível. Ele fará desse capital o que entender. E não vai desperdiçá-lo, estou certo disso.

 

3. Não havendo partido vencedor neste escrutínio, há um partido claramente derrotado. O PS de António Costa, que perdeu por falta de comparência - algo inédito em 40 anos de vida democrática. A ausência de clareza paga-se cara.

 

4. Sem candidato oficial, os socialistas tiveram no entanto um candidato oficioso. Que contou com parte do aparelho do partido, o apoio do presidente do PS e cinco ministros em comícios (Adalberto Campos Fernandes, Augusto Santos Silva, Capoulas Santos, Eduardo Cabrita e Vieira da Silva). Tanto aparato para nada.

 

5. Sampaio da Nóvoa candidatou-se para "unir a esquerda". Não só não a uniu como conseguiu dividir as hostes socialistas. Com 22,9%, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, é um dos derrotados da noite. Recolheu menos de metade dos votos obtidos por Marcelo.

 

6. Maria de Belém protagonizou uma campanha que merece figurar em futuros manuais como exemplo de tudo quanto não se deve fazer: errante, desconexa, sem força anímica nem fio condutor. Obteve apenas 4,2% dos votos: sai humilhada das urnas.

 

7. Nunca o PCP, em nome próprio ou por interposta figura, teve tão pouca expressão eleitoral: Edgar Silva, sem chama nem carisma, quedou-se nos 4% - pouco acima do Tino de Rans, que chegou aos 3,3%. Prova de que as personalidades contam, até num partido colectivista.

 

8. Marisa Matias é, após Marcelo, a segunda vencedora da noite. Fez uma boa campanha, sem chavões, usando uma linguagem que todos entenderam. Confirma a importância crescente das mulheres na política portuguesa. E, com 10,1%, alarga a influência social do Bloco.

 

9. Algumas luminárias, sempre desconfiadas da capacidade de julgamento dos eleitores, receavam um crescimento das forças populistas. Não havia motivo para tanto receio. Os portugueses não votam às cegas. E sabem distinguir o trigo do joio.

 

10. Estas presidenciais terão consequências inevitáveis na base de apoio do Governo. Os comunistas, que em três meses ficam pela segunda vez atrás do BE nas urnas, farão a partir de agora um esforço acrescido de autonomia. Para evitarem pagar um preço eleitoral futuro ainda maior que os conduza à irrelevância actual dos partidos irmãos em França ou Espanha, reduzidos a escombros. Costa que se acautele.

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Frases de 2016 (11)

por Pedro Correia, em 24.01.16

«É o povo quem mais ordena e foi o povo que me quis.»

Marcelo Rebelo de Sousa, há pouco, no discurso da vitória eleitoral

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Presidenciais (33)

por Pedro Correia, em 22.01.16

Os adversários abriram a Marcelo Rebelo de Sousa uma auto-estrada rumo ao Palácio de Belém.

Primeiro os adversários internos: mesmo promovidos pela imprensa amiga, durante meses a fio, nenhum deles saiu da sombra.

Depois, os da "verdadeira direita", seja lá o que isso for: ei-los adormecidos à sombra da bananeira enquanto ruminam um ódio antigo ao candidato "bacteriologicamente impuro" em quem fatalmente votarão.

A seguir, o PS: a estratégia suicida dos socialistas foi o condimento que faltava para a vitória anunciada do ex-presidente do PSD nesta eleição presidencial.

E desta vez Marcelo nem precisou de mergulhar no Tejo. Seria mais fácil, aliás, vermos Sampaio da Nóvoa a praticar tal gesto.

Pouco mais lhe resta senão isso.

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Declaração de voto

por Tiago Mota Saraiva, em 22.01.16


O nosso futuro próximo não é um mar de rosas. A pressão dos directórios europeus já nos fez pagar o BANIF e prepara uma batalha de imposição do seu orçamento cujas consequências ainda são difíceis de prever. O futuro Presidente da República fará sempre parte dessa batalha, seja seguindo a estratégia de quem manda na UE, seja na defesa do direito soberano de ser o país, e o seu povo, a decidir as suas principais opções estratégicas.
Depois deste período de campanha não me parece haver grandes dúvidas que dos dez candidatos, apenas três, escolhem a segunda opção: Sampaio da Nóvoa, Marisa Matias e Edgar Silva. Os outros sete ou não têm consciência desta dicotomia ou são ideologicamente afectos às escolhas dos mercados e das famílias políticas que mandam na UE.
Com os dados que temos das sondagens permito-me concluir duas coisas. Em primeiro lugar, Marcelo Rebelo de Sousa não aparece tão destacado que possamos dar como garantida a sua eleição à primeira volta. Curiosamente, os resultados de Marcelo nas sondagens são muito similares aos de Cavaco antes das eleições de 2006 e 2011 (em que obteve respectivamente 50,54% e 52,95%) - será interessante analisar, posteriormente, se o eleitorado de Marcelo não é praticamente o mesmo que o de Cavaco. Por outro lado, com o colapso de Maria de Belém, não parece haver grandes dúvidas que, a haver segunda volta, está será disputada entre Marcelo e Nóvoa.
Sendo assim o meu voto em Edgar Silva é óbvio e combativo. Além de ser do meu campo político, Edgar defende uma ideia para o país e para a presidência da república que é a que me está mais próxima.
Contudo o resultado de Edgar Silva nesta primeira volta pode vir a ter outra leitura. Apesar de haver diferenças entre eleições e de nas presidenciais se votar em pessoas, um resultado entre os 2-3%, como lhe é atribuído nas sondagens, penalizará o PCP. A escolha corajosa de levar a candidatura até ao fim - teria sido mais fácil se tivesse apoiado outra candidatura, mas correr-se-ia o risco de desmobilizar algum eleitorado, o que só beneficiaria Marcelo - poderá ter o reverso da medalha num momento difícil para a intervenção política do partido. Se Edgar Silva mantiver ou superar o eleitorado que tradicionalmente vota no candidato apresentado pelo PCP será um novo tónico na intervenção do partido e, sobretudo, nas batalhas que, a cada dia, terá de travar na Assembleia da República.

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Presidenciais (32)

por Pedro Correia, em 22.01.16

Em recente entrevista à SIC Notícias, o primeiro-ministro disse abertamente que não teria tomado a iniciativa de promover o chamado "acordo ortográfico" e lembrou que a ortografia continua a não ser aplicada de modo uniforme pelos países de língua oficial portuguesa, o que aliás basta para anular o suposto mérito do dito (des)acordo.

António Costa é outro resignado - como tinha sido Passos Coelho antes dele. Discorda, mas acha que não deve mexer-se naquilo porque já está. Não dá um passo para defender o que não merece defesa.

 

É, de resto, cada vez mais difícil encontrar algum entusiasta da escrita acordística, como ficou bem patente nesta campanha presidencial. Vários candidatos em liça são declaramente contra o (des)acordo. Basta ler os textos programáticos que divulgaram para perceber isso. Edgar Silva, Henrique Neto, Marisa MatiasPaulo de MoraisSampaio da Nóvoa utilizam a grafia pré-acordística sem rodeios nem complexos. Tal como sucede no site eleitoral de Maria de Belém.

Nas próprias declarações públicas proferidas antes ou durante a campanha ficou bem patente a distância que diversos protagonistas desta corrida presidencial mantêm face às normas contidas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90).

 

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"A minha posição é contrária ao novo acordo por considerar que a questão não foi suficientemente discutida na sociedade portuguesa, mas também nos órgãos de poder", afirma Henrique Neto.

"Sou contra. Acho que a língua não muda por decreto. É por isso que continuo a escrever sem as normas do acordo", considera Marisa Matias.

"Sou claramente contra. A língua é que se deve impor às normas e não o contrário. É uma matéria sobre a qual o Parlamento tem de se pronunciar rapidamente e se houver necessidade faz-se um referendo", observa Paulo de Morais.

"Conhecidas que são opiniões divergentes e as reticências de alguns países na sua aplicação, não pode deixar de ser ponderada a necessidade de alterações profundas no processo de elaboração e dos conteúdos do AO90 ou mesmo uma eventual desvinculação de Portugal", conclui Edgar Silva.

"[O acordo] deve ser reavaliado com muita determinação", sustenta Sampaio da Nóvoa.

"Tem de ser feita uma reavaliação do AOLP", defende Maria de Belém.

 

Mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, único candidato que revela alguma simpatia pela grafia pseudo-unificada, confessou: "Ainda escrevo como escrevi toda a vida. Não vou mudar."

Chega e sobra para avaliar o grau de popularidade do dito "acordo": quase ninguém consegue vislumbrar a menor vantagem na sua aplicação. Não fosse este um país onde por sistema se pensa uma coisa e se pratica outra, já há muito o AO90 tinha sido revisto ou revogado.

 

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Frases de 2016 (9)

por Pedro Correia, em 21.01.16

«Era só o que faltava que o Tribunal Constitucional fosse o único órgão de soberania que estivesse acima do escrutínio e da crítica pública.»

Marisa Matias, ontem, num comício em Braga

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Presidenciais (31)

por Pedro Correia, em 21.01.16

 

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1

Do debate a nove entre os candidatos presidenciais na RTP, anteontem, saíram uma vencedora clara e uma derrotada óbvia.

A vencedora foi Marisa Matias. Porque teve o mérito de sacudir a modorra discursiva dos seus oponentes considerando "vergonhosa" a decisão do Tribunal Constitucional que manda devolver com retroactivos as subvenções vitalícias a deputados que lhes haviam sido retiradas excepto em situações de comprovadas dificuldades financeiras. O tribunal deu luz verde à reclamação de 30 parlamentares e ex-parlamentares - 21 do PS e nove do PSD - que entendem ter direito àquela subvenção estatal, suprimida em 2005.

Foi preciso Marisa dar um metafórico murro na mesa, naquele debate até aí tão cordato, para assistirmos a um tardio desfile de indignações entre os restantes candidatos: todos a secundaram, com maior ou menor convicção. Nenhum quis ficar mal nesta fotografia.

 

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2

Maria de Belém foi a derrotada. Logo a começar, perdeu por falta de comparência. É certo que alegou estar muito consternada pelo falecimento - ocorrido na noite anterior - de António de Almeida Santos, que a antecedeu na presidência do PS e era um dos seus principais apoiantes nesta campanha. Mas Almeida Santos, que nunca virou costas a um debate, seria certamente o primeiro a incentivá-la a comparecer onde os eleitores dela esperariam a três dias do encerramento da corrida presidencial.

Contra sua vontade, Belém acabou por ser a ausente mais presente. Porque uma fuga de informação cirúrgica, ocorrida escassas horas antes do debate e com amplos ecos nos noticiários dessa tarde, incluía o seu nome entre os 30 peticionários que reclamaram a subvenção ao Tribunal Constitucional e cuja identidade até então se desconhecia.

Foi um golpe dirigido à jugular da candidata que não ocorreu por acaso e parece confirmar o aforismo de Churchill: "Os nossos adversários estão fora do partido enquanto os inimigos estão dentro." Como faria qualquer detective, basta interrogarmo-nos quem mais tem interesse, neste preciso momento, em colocar Maria de Belém fora da corrida.

 

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3

António Sampaio da Nóvoa não foi o principal perdedor. Mas andou lá perto. Desde logo porque lhe competia fazer a diferença, naquele mesmo estúdio, para tentar atenuar a enorme distância que o separa de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas o académico limitou-se a debitar as habituais platitudes, que não demovem nem mobilizam ninguém.

Andou mal ao colar-se à candidata do Bloco de Esquerda em serôdios protestos contra as subvenções.

Andou pior - e habilitou-se a ganhar o campeonato da demagogia - ao pronunciar-se perante os jornalistas, depois de concluído o debate, contra a manutenção da subvenção aos ex-Presidentes da República. Algo que nunca suscitou a menor controvérsia na sociedade portuguesa, por resultar da específica dignidade do cargo de Chefe do Estado reconhecida na Constituição e que abrange apenas quatro cidadãos (António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva - este só a partir de Março).

Três deles, por sinal, seus apoiantes. Suponho que terão gostado.

 

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4

Rompeu-se um tabu em Portugal: a partir de agora voltou a ser possível criticar os acórdãos do Tribunal Constitucional, considerados sacrossantos ainda há bem pouco por um largo segmento da opinião publicada cá no burgo. Bastou para tanto a "vergonha" que Marisa Matias disse ter sentido.

É difícil não concordar com ela, embora indignação seja a expressão mais correcta para exprimir o que muitos de nós sentimos.

Pela minha parte, fiquei também perplexo. Por verificar que, uma vez mais, os doutos magistrados do Constitucional não resistiram à tentação de entrar em concorrência aberta com os políticos no espaço mediático. Nenhum deles poderia ignorar que a divulgação deste acórdão na recta final da campanha presidencial iria condicionar todos os debates e produzir os efeitos que produziu. Estilhaçando desde logo as já escassas perspectivas eleitorais de Maria de Belém, principal vítima deste envolvimento claro dos juízes na política.

Mais um. Como o tabu foi quebrado, podem enfim ser criticados. Já era tempo.

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Frases de 2016 (8)

por Pedro Correia, em 20.01.16

«Isto é uma corrida de Fórmula 1. Eu entro aqui com um carrinho de rolamentos.»

Candidato presidencial Jorge Sequeira, ontem, em declarações à RTP

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Presidenciais (30)

por Pedro Correia, em 20.01.16

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 Foto Mário Cruz/Lusa

 

Não adianta iludir o iniludível. O PS tem candidato nesta eleição presidencial: chama-se António Sampaio da Nóvoa. A garantia do líder socialista de que sabe "muito bem" em quem votará, expressa no mesmo dia em que o presidente do partido manifestou o apoio público a Nóvoa e em que o candidato teve o frente-a-frente televisivo com Marcelo Rebelo de Sousa, desfez as últimas dúvidas.

Mas não desfez a sensação de que faltou envergadura ao secretário-geral do PS em todo este processo.

A ausência de clareza é um dos pecados maiores da nossa vida política. Julgo que as manobras de dissimulação em que o PS se enredou durante meses a propósito das presidenciais em nada beneficiarão o partido. António Costa andou a milhas do desassombro que se exige dos políticos aspirantes a ser estadistas. Se não fosse assim, teria pronunciado com todas as letras o apoio a Nóvoa.

Tresanda a hipocrisia a tese oficial da "neutralidade" do partido, logo quebrada por Carlos César - figura cimeira na hierarquia oficial do PS - na senda do que já havia feito Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta, braço direito de Costa. Um partido "neutral" não envolve o aparelho de norte a sul do País numa dispendiosa campanha que jamais poderia ser assumida pelo candidato independente nem manda avançar cinco ministros para os palcos dos comícios num momento em que o Executivo elabora a contra-relógio o próximo Orçamento do Estado, prioridade máxima da governação.

Numa eleição presidencial cujo vencedor se anuncia sem suspense algum, o PS acabará por perder sempre. Porque sai dela mais fragilizado e dividido do que entrou. E mais fragilizado ainda sairia se Maria de Belém tivesse o estofo e o fôlego revelado em 2006 por Manuel Alegre, outro vulto do partido abandonado pela estrutura dirigente numa campanha que começou mal e terminou pior para a máquina socialista.

Na noite de domingo e na manhã de segunda-feira muitos questionarão Costa se mereceu a pena pagar o preço de mais uma derrota eleitoral e de uma nova querela interna que deixará feridas ao envolver a sua nomenklatura no apoio não assumido a um académico sem filiação partidária e sem sombra de carisma que permaneceu seis décadas escondido dos olhares públicos.

Eu antecipo-me, questionando-o desde já. Valeu de quê este flirt com Nóvoa?

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Frases de 2016 (7)

por Pedro Correia, em 20.01.16

«É uma alegria estar aqui a fazer democracia.»

Sampaio da Nóvoa, no debate com oito outros candidatos, ontem na RTP

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Frases de 2016 (6)

por Pedro Correia, em 19.01.16

«Última piada boa que me contaram? Que o Sporting ia ser campeão.»

Marisa Matias, demonstrando que despreza os votos dos sportinguistas

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Frases de 2016 (5)

por Pedro Correia, em 18.01.16

«Socialista candidata sou eu! Socialista candidata sou eu!»

Maria de Belém, ontem, num jantar de campanha em Arcos de Valdevez

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Presidenciais (29)

por Pedro Correia, em 18.01.16

Os candidatos da esquerda clássica - mesmo a que surge aureolada de "tempo novo" - procuram mobilizar o voto dos descontentes na eleição de domingo, tendo Marcelo Rebelo de Sousa por alvo. Acontece que, exceptuando aqueles eleitores que o fazem por estrito dever partidário, essa mobilização está condenada ao fracasso. Porque Marcelo tem índices de rejeição baixíssimos, como todas as sondagens demonstram.

Contra o ex-presidente do PSD, apelar ao voto negativo - em inflamados discursos que começam por reconhecer logo a derrota a 24 de Janeiro, invocando uma mirífica "segunda volta" como se fosse o Santo Graal - é tarefa inútil.

O problema de Marcelo - talvez o mais popular político português do momento - não é a rejeição: é a indiferença de muitos eleitores, desde logo os que nunca votaram ou os que há muito deixaram de votar. A palavra "abstenção", que já foi uma espécie de anátema na nossa vida colectiva, quando a política contaminava todo o quotidiano português, reabilitou-se e hoje é quase motivo de orgulho cívico.

Mas esse não é um problema só de Marcelo - é um problema mais vasto do nosso regime político. Cresce por cá, como por quase toda a Europa, o desapego dos cidadãos pela política e vai esmorecendo de escrutínio em escrutínio a mobilização por esse valor sem preço que é o sufrágio universal. Para muitos dos nossos contemporâneos, tanto faz viver em democracia ou em ditadura.

As mensagens inflamadas devem virar-se contra esta "anorexia democrática". Evitando rótulos anquilosados e todo o jargão de seita que só servem para afugentar o cidadão comum. A renovação da política passa desde logo pela renovação da linguagem. Alguns adversários de Marcelo acusam-no de se ter servido dos meios de comunicação para se aproximar das pessoas, como se isso fosse um defeito. Deviam antes interrogar-se por que motivo, com largas dezenas de políticos a surgirem diariamente na televisão, ano após ano, apenas ele alcançou esse efeito de proximidade.

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Presidenciais (28)

por Pedro Correia, em 17.01.16

Lamento que o jornalismo abdique cada vez com mais frequência de um olhar autónomo sobre os protagonistas da cena política portuguesa. Isto tem vindo a ser patente nesta campanha eleitoral. Reparem em boa parte das peças televisivas sobre os candidatos no terreno: parecem ser feitas no mesmo molde. Tanto faz o candidato ter em torno de si cem ou dez ou cinco pessoas, o registo não foge da mais estrita banalidade: um plano fechado, com o candidato no centro e dois ou três rostos anónimos a espreitarem-lhe por cima do ombro, e o registo de inócuas declarações do visado sobre um tema qualquer em foco nas manchetes desse dia. Mesmo que esse tema nada tenha a ver com os poderes do Presidente da República definidos na Constituição.

 

Estas peças produzem efeitos miméticos: contagiam outras, acabando por tornar-se todas semelhantes, configurando um jornalismo preguiçoso e reverente, que abdica de um olhar crítico sobre os agentes políticos e a mensagem - tantas vezes desprovida de conteúdo - que estes pretendem passar.

Raras vezes assistimos ao desassombro que se impõe no discurso de um repórter: "Este candidato não atraiu ninguém"; "passou totalmente despercebido", "só havia escassos membros da máquina partidária nesta acção de campanha"; "apenas esteve no terreno enquanto havia câmaras de televisão e microfones da rádio em seu redor."

Raras vezes existe sequer um plano mudo, mostrando uma plateia vazia ou uma rua despovoada porque ninguém acorreu afinal ao encontro dos candidatos, que pretendem usar as câmara de televisão como mero veículo de propaganda.

 

Tanto se fala sobre a crise do jornalismo. Há muitos factores a explicá-la. Mas o primeiro acontece logo aqui.

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Frases de 2016 (4)

por Pedro Correia, em 16.01.16

«Há políticos que falam palavras muito caras e depois, espremendo, zero. Há bocadinho comi ali uma tangerina: tinha sumo. É preciso discursos com sumo.»

Candidato presidencial Vitorino Silva, ontem, no Porto

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O léxico dos candidatos (8)

por Pedro Correia, em 16.01.16

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ADN

«Uma liderança de proximidade é o ADN de Maria de Belém, característica sintetizada no facto de ser considerada a ministra da saúde mais popular de sempre.»

ASSINATURA

«O percurso de Maria de Belém tem a assinatura da vontade de fazer, da maturidade para agir, da capacidade para preparar um Portugal mais justo e solidário.»

CANETA

«Da sua caneta de jurista saíram diplomas que ajudaram a construir o Estado Social depois do 25 de Abril.»

DIFERENÇA

«Maria de Belém é uma mulher que faz a diferença. Uma mulher de confiança.»

DISCRETA

«Discreta, mas determinada na defesa do Estado Social, Maria de Belém fez ouvir a sua voz além fronteiras enquanto presidente da Assembleia Mundial da Saúde ou como deputada na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.»

HUMANISTA

«A mais nova de cinco irmãos de uma família do Porto demonstrou cedo a sua determinação e independência e uma leitura humanista da sociedade.»

LEMA

«"Razão e coração", o lema do então primeiro ministro António Guterres, foi aplicado exemplarmente por Maria de Belém na pasta da Saúde.»

MARCAS

«Firme nos valores, sensível para ouvir os outros, disponível para integrar a cada passo a ciência e o conhecimento na procura das melhores soluções, estas são marcas de uma mulher de causas sociais e políticas.»

PORTUGUESES

«Os portugueses conhecem-na.»

RETRATO

«Tem presente o retrato dos portugueses que escapa ao prime time mediático ou aos seminários.»

 

Deste texto publicado no sítio da candidatura de Maria de Belém

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Frases de 2016 (3)

por Pedro Correia, em 15.01.16

Já vi muita gente cheia de dinheiro no bolso e a ressacar por um abraço.»

Candidato presidencial Jorge Sequeira, ontem, no Porto

 

 

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O léxico dos candidatos (7)

por Pedro Correia, em 15.01.16

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AQUI

«Agora, a democracia está a passar por aqui. Ela chama por todos nós, e chamou também por mim. E aqui estou: serei candidata à presidência da República.»

BAFIO

«Num Palácio de Belém que cheira a bafio vai ser preciso abrir as janelas para entrar ar fresco. É a força da democracia que as vai abrir. É a vossa força.»

CHANTAGEM

«A direita anda desesperada como nunca a tínhamos visto, os grandes interesses consideram-se em risco e, em conjunto, têm um projecto: onde cresce a esperança, espalham o medo; onde se forma a união, semeiam a chantagem; onde há sinais de mudança, tentam manter o status quo

CONSTITUIÇÃO

«Uma Presidente que ajude a meter a austeridade na gaveta, mas que tire da gaveta a Constituição.»

DUROS

«Os próximos tempos serão duros, temos de preparar-nos para isso. E uma forma de nos protegermos é garantir que temos na Presidência da República alguém que não dê cobertura aos ataques contra o país e contra a democracia.»

ELITES

«Candidato-me para ajudar a derrotar este projecto das elites. Porque a presidência da República, no nosso regime constitucional, é um dos centros nevrálgicos da definição do perfil do país que queremos. Não me candidato para fazer número, para animar a campanha ou para erguer a bandeira do partido.»

ESPERANÇA

«Candidato-me em nome da esperança de um país novo e justo.»

ESQUERDA

«Sou uma mulher de esquerda, assumo as minhas causas, e não tenciono fingir que sou neutra para conquistar simpatias. Não quero ser politicamente correcta, quero ser politicamente verdadeira.»

FUTURO

«Este é o tempo de dar as mãos e de agarrar 0 futuro, o tempo de perceber que a vida não tem de ser sinónimo de sofrimento.»

IATE

«Candidato-me partindo de uma premissa radical: é possível chegar à presidência sem a protecção do Espírito Santo. Nunca fui avençada do dito, em claro conflito de interesses com funções públicas na mesma área, e nunca festejei a passagem de ano no iate do Ricardo Salgado.»

MERCADOS

«Precisamos de uma Presidente de todos os portugueses e não de todos os mercados.»

MUNDO

«Já corri muito mundo, já vi muitas coisas que não queria ver, já escutei muitas palavras que não queria ter escutado.»

POVO

«É em nome deste povo que sofre, mas que resiste, que me candidato.»

REFRESCANTE

«Vivemos tempos exaltantes. São tempos de uma esperança muito refrescante. Esperança num país solidário, num país desenvolvido, num país soberano. Esperança num Portugal de que nos possamos orgulhar

SOMAR

«Esta candidatura vem para somar e não para subtrair, vem para agregar, vem para mobilizar.»

 

Do manifesto de Marisa Matias

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Presidenciais (27)

por Pedro Correia, em 14.01.16

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Foram 21 debates televisivos a dois, em três canais. Acompanhei-os todos e nunca deixei de apontar um vencedor. Fica agora o balanço.


Paulo de Morais venceu cinco. Contra Belém, Marisa, EdgarNóvoa e Marcelo.

 

Marisa Matias venceu também cinco. Contra Nóvoa, Belém, MarceloNeto e Edgar.

 

Henrique Neto venceu outros cinco. Contra Edgar, Nóvoa, MarceloBelém e Morais.


Marcelo Rebelo de Sousa venceu três. Contra EdgarNóvoa e Belém.

 

Sampaio da Nóvoa venceu dois. Contra Edgar e Belém.

 

Edgar Silva venceu um. Contra Belém.

 

Maria de Belém não venceu nenhum.

 

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Frases de 2016 (2)

por Pedro Correia, em 14.01.16

«Podem dar muitos beijinhos a muita gente, distribuir muitos abraços e dizer muitas gracinhas, mas uma coisa é dizer isto numa campanha eleitoral, outra é transbordar de afecto durante mais de quatro décadas

Maria de Belém, ontem, num comício de campanha em Viseu

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O léxico dos candidatos (6)

por Pedro Correia, em 14.01.16

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ASSIM

«Aqui estou, sem qualquer apoio partidário nem financiamento de ninguém. Estou bem assim.»

COLECTIVO

«A Presidência da República é um órgão de soberania solitário, formalmente. Na prática, ser Presidente é o mais colectivo dos cargos políticos nacionais.»

CRIANÇAS

«Dirigentes nacionais e estrangeiros, uns eleitos, outros não, tratam-nos como crianças mal comportadas. Dizem-nos que temos de trabalhar mais sem haver trabalho, que ser reformado é um luxo para esquecer, que ser jovem é uma doença que passa no estrangeiro, que adoecer e procurar médicos onde eles estão é abusar do sistema, que as escolas são bem melhores quando são privadas, que as pessoas podem ir à falência mas os bancos não.»

DIFERENÇAS

«É possível começar de novo sem confrontos. Sem ajustes de contas. Com respeito pelas diferenças.»

HORIZONTE

«Os rostos que hoje se cruzam nas ruas do nosso país são muito diferentes dos que se viam nos mesmos locais em Abril de 1976. As pessoas andavam mais direitas, sorriam, havia esperança. Conseguimos muito desde então, mas parece que não somos mais felizes.  Perdemos horizonte, objectivos, rumo. Perdemos sobretudo a crença de que temos futuro e de que vai ser melhor.»

IMPULSO

«A Presidência da República pode ser o impulso para movimentos de gente cidadã, interessada e com muito a dizer sobre o destino colectivo. Movimentos que façam justiça à idade adulta da nossa democracia e ao exemplo que a nossa Constituição é, ainda hoje, para o mundo.»

INCENTIVO

«De cima, de onde vêm os exemplos, pode vir o incentivo para recomeçar de outra maneira.»

JUNTAS

«Acredito que pessoas simples podem fazer coisas extraordinárias – juntas

QUASE

«O Presidente representa todos. É eleito para isso, é esse o seu grande poder. Nunca se fará com todos, é verdade, mas com o apoio de muitos, o Presidente pode quase tudo.»

 

Do texto intitulado Porque Sou Candidato, de Cândido Ferreira

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Frases de 2016 (1)

por Pedro Correia, em 13.01.16

«Não me candidato por interesse, mas por amor.»

Marisa Matias, ontem, num comício de campanha em Leiria

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O léxico dos candidatos (5)

por Pedro Correia, em 12.01.16

 

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CORRUPÇÃO

«Desde sempre me interessei pela política, essa tal arte nobre que tem por finalidade a resolução dos problemas que afectam os cidadãos. E porque sempre vi nesses problemas o mal da corrupção a grassar e a minar o que poderia ser um espaço de desenvolvimento humano e social, procurei ao longo da minha vida denunciar, combater e actuar contra esse benefício de privados em detrimento do interesse de todos

DONATIVOS

«Ainda que a lei permita donativos até 25.560€ por doador, esta candidatura considera injustificável esta ordem de grandeza. Só aceitamos donativos até um máximo de 100 euros, pois só assim se garante total independência de acção da candidatura. Qualquer valor dentro desta margem - seja 10, 20, 50 ou 100 euros – é importante e essencial.»

ESTRELAS

«Ainda adolescente, queria ser astrónomo e isso levou-me a escolher a matemática como formação superior. Deste gosto inicial pelas estrelas - que acabou por se ficar apenas pelas observações nocturnas na varanda da casa de Viana do Castelo – veio assim um interesse que ficou para a vida.»

INDEPENDENTE

«Vamos financiar uma campanha sóbria, independente de financiamentos partidários e criteriosa nas suas opções de despesas.»

INICIATIVA

«Esta campanha presidencial é uma iniciativa cívica e cidadã que depende das contribuições de todos para se financiar.»

INTEGRIDADE

«A integridade e a verticalidade foram sempre princípios que valorizei.»

MATEMÁTICA

«Da minha apreciação da Matemática nasceu a motivação para o rigor dos números, pela identificação clara dos problemas, pela observação atenta dos mecanismos que estão na origem dos vários fenómenos sociais.»

PERCURSO

«O meu percurso de vida andou sempre nos caminhos do interesse público e do combate à corrupção.»

POUPANÇA

«Não serão gastos quaisquer valores em cartazes, telas, painéis exteriores, brindes e refeições. Os limites permitidos pela lei são exagerados e perdulários.»

TRANSPARÊNCIA

«Integrei a vereação municipal no Porto por quatro anos. Desta experiência, saiu reforçada a minha luta pela transparência na vida pública que quero levar ao mais alto cargo da nação.»

 

Da Carta de Apresentação e texto intitulado Donativos, de Paulo de Morais

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Presidenciais (26)

por Pedro Correia, em 12.01.16

Oiço comentadores televisivos, muito enojados, defendendo a discriminação entre candidatos presidenciais. Do alto das suas tribunas na pantalha, onde quase nunca têm nada de relevante a dizer, alguns destes comentadores, incluindo jornalistas, proclamam ao País que vários desses candidatos não deviam ter concorrido e que é uma maçada os órgãos de informação terem o dever deontológico de acompanhar minimamente todas as campanhas no terreno.

Facto notável, este: ouvir jornalistas a defender a discriminação. Com todas as letras.

Um desses jornalistas/comentadores chegou ao ponto de defender que jornais e televisões deviam seleccionar a cobertura desta corrida presidencial em função do que dizem as sondagens, ignorando tudo quanto não se encontrar "bem posicionado" nos inquéritos de opinião. Trata-se, por sinal, da mesma figura que anda há anos a clamar pela necessidade de haver "profundas alterações" na política portuguesa, com novos rostos e novos nomes.

Escuto outra, eleição após eleição, suspirando de nostalgia: antigamente, sustenta esta, é que havia campanhas políticas feitas de emoção e com personalidades de altíssimo nível. Esquece que nessa altura ela própria já falava assim das anteriores. Para certas criaturas o tempo óptimo é sempre aquele que ficou para trás. Um dia dirão isso mesmo do tempo actual.

Adoro estas certezas de geometria variável, sempre sujeitas aos ventos dominantes. Alguns, quanto mais apelos fazem à mudança, mais desejam que nada mude.

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O léxico dos candidatos (4)

por Pedro Correia, em 11.01.16

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ABRIL

«Como candidato ou como Presidente da República defenderei, intransigentemente, os ideais libertadores de Abril, a nossa Constituição da República e o regime democrático que ela consagra e projecta.»

AMARRAS

«Comprometo-me com a causa da libertação das amarras da pobreza, encarando-a como dever do Presidente da República, na imperiosa tarefa de intervenção na defesa dos direitos humanos, na promoção de uma sociedade democrática assente nos valores da dignidade humana, da Justiça Social e da responsabilidade colectiva.»

CIDADANIA

«Na Constituição da República, o Presidente da República não governa, mas não renuncia à sua cidadania e, muito menos, aos deveres de defesa do interesse nacional.»

COLECTIVO

«Esta candidatura é indissociável de um colectivo que a impulsiona e inseparável de uma memória viva, de uma longa história de resistência e de projecto.»

CONSTITUIÇÃO

«A exigência do cumprimento e respeito pela Constituição tornou-se um factor crucial na defesa do regime democrático, um referencial para qualquer política que se assuma como patriótica e de esquerda.»

DEMOCRACIA

«A alternativa à democracia existente é mais e melhor Democracia.»

LABORAL

«Comprometo-me a tudo fazer quanto à salvaguarda da “Constituição Laboral”, naquele que é o capítulo sobre os direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores.»

NATUREZA

«Quem acolhe o grito da Natureza? Quem responde pelos danos humanos e ambientais, como o das aldeias sem vida, da desflorestação, dos fogos florestais, dos mares e dos rios poluídos, da destruição das fontes de água doce e dos obstáculos ao fundamental acesso à água potável e pública?»

OFENSIVA

«A degradação do regime democrático é inseparável de uma intensa e prolongada ofensiva contra os direitos económicos, sociais e culturais dos trabalhadores, e de uma persistente desvalorização do trabalho.»

PATRONATO

«Quando o grande patronato aumenta o seu poder sobre os trabalhadores, generalizam-se as formas de precariedade no trabalho, é brutal a violência do ataque aos direitos laborais, aumenta a exploração e a liquidação de direitos e conquistas - como se verifica em relação ao direito à contratação colectiva.»

POSSÍVEL

«Defendo que um outro Portugal é possível. Com uma economia mista que defenda os recursos e a produção nacional, o emprego, que promova a ciência e a tecnologia, que desenvolva e modernize as capacidades produtivas nacionais, que desenvolva a economia do mar e apoie os pescadores, apoie e incentive as micro, pequenas e médias empresas.»

RAPINA

«Existem práticas de exploração, de injustiças e de rapina, benefícios que só a alguns poucos aproveitam, formas de dominação em função do lucro, que são a raiz profunda da desordem.»

RETROCESSOS

«Existem em muitos aspectos da realidade presente desfiguramentos e retrocessos, e uma clara degradação do regime e da ética democráticas a que é necessário dar resposta.»

RUMO

«Esta é uma candidatura que afirma que há um outro rumo e uma outra política capazes de responder aos problemas de Portugal.»

RUPTURA

«A ruptura com a dependência e subordinação externas - nas suas variadas expressões, dimensões e domínios de política de Estado – constitui uma condição crucial para a afirmação da independência e soberania nacionais.»

 

Da declaração de candidatura de Edgar Silva

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Presidenciais (25)

por Pedro Correia, em 09.01.16

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Debate Maria de Belém-Sampaio da Nóvoa

 

Maria de Belém anunciou a candidatura à Presidência da República cinco meses após Sampaio da Nóvoa. Competia-lhe portanto, neste debate na TVI que encerrou a série de 21 confrontos televisivos a dois entre os candidatos ao Palácio de Belém, estabelecer as diferenças com o seu antagonista. Mas a ex-ministra da Saúde, salvo em dois ou três momentos demasiado fugazes, foi incapaz de apontar esses contrastes. Tal como esteve longe de conseguir replicar aos apoios de peso que Nóvoa tem granjeado sobretudo à esquerda. Ontem mesmo, escassas horas antes do debate, foi a vez de o actual presidente do PS, Carlos César, anunciar que votará no catedrático nascido em Caminha.

Pedindo emprestada a linguagem futebolística à política, dir-se-ia que Nóvoa parecia jogar em casa. Esteve mais seguro, mais desenvolto, mais afirmativo. Foi cordato, aliás como é costume, mas não deixou de lançar as suas estocadas. E a maior de todas foi a acusação que fez a Maria de Belém de ter "faltado à chamada", enquanto deputada socialista, quando foi necessário solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2012 que cortava pensões e salários da função pública.

"Deixou a outros [deputados] essa responsabilidade", acusou. Acrescentando de imediato: "Eu não quero um Presidente da República que transfira as suas responsabilidades para outros."

Maria de Belém até teve um início enérgico, procurando encostar o adversário a estratégias de um "frentismo de extrema-esquerda". E apontou uma contradição ao candidato, que apesar de fazer constantes proclamações em defesa da "renovação" da política "passa a vida a invocar o apoio de três ex-Presidentes da República, aliás dois deles do PS".

Nóvoa reverteu esta crítica em elogio, reivindicando o "apoio de muitos socialistas do País inteiro". E fez questão de transmitir da sua adversária a imagem de uma pessoa hesitante, especialista em "acertar no totobola à segunda-feira". Dizendo uma vez e outra ser arauto de um "tempo novo". Linguagem "messiânica", como Belém referiu. Sem parecer muito segura de poder estar a criticá-lo ou a fazer-lhe outro elogio implícito ao falar assim.

 

Vencedor: Sampaio da Nóvoa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «A minha candidatura tem uma abrangência de muitas pessoas que se situam à esquerda, de muitas pessoas que se situam ao centro, de pessoas que se situam à direita.»

Belém  - «Não aceito que o facto de ser independente dê algo de acrescido e de dignificante ao exercício dum cargo desta natureza.»

Nóvoa - «Eu quero ser um Presidente que protege os portugueses.»

Belém - «Eu estive nas causas todas que o PS empreendeu nestes 40 anos. Como militante de base, como dirigente. Nunca vi o candidato Sampaio da Nóvoa nessas causas, nunca o vi lá, nunca o encontrei.»

Nóvoa - «A candidata Maria de Belém mostrou sempre um grande incómodo com este tempo novo que se criou.»

Belém - «O candidato Sampaio da Nóvoa passa a vida a falar num tempo novo. Eu gostava de saber que tempo novo é esse com a Constituição que temos tido.»

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O melhor:

- Maria de Belém abriu as hostilidades empurrando Nóvoa para posições radicais enquanto se assumia como uma candidata moderada, próxima da social-democracia europeia.

- Carlos César, sucessor de Belém na presidência do PS, anunciara hora antes que votará no ex-reitor da Universidade de Lisboa. Um reforço de peso entre os apoiantes de Nóvoa, como o candidato fez questão em destacar.

O pior:

- Sampaio da Nóvoa acusou Marçal Grilo, mandatário nacional de Maria de Belém, de ter rotulado de "enorme desastre" um executivo PS com apoio parlamentar à esquerda. Exactamente a mesma acusação com que Marcelo Rebelo de Sousa procurara embaraçar a candidata no debate da véspera.

- Começar um debate na TVI a mencionar o aniversário da SIC Notícias, como fez Maria de Belém, é algo semelhante a aplaudir o Benfica no estádio de Alvalade. Pior é invocar alguém já falecido, como o ex-ministro Mariano Gago, como "trunfo" eleitoral.

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Presidenciais (24)

por Pedro Correia, em 08.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Maria de Belém

 

Na sua melhor prestação em debates nesta campanha, Maria de Belém Roseira incomodou seriamente Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isto, paradoxalmente, acabou por ser útil ao ex-líder do PSD: uma corrida presidencial sem controvérsia é o maior convite a uma abstenção em larga escala. E todos os cálculos eleitorais do professor podem estar em causa se a abstenção disparar para índices muito superiores aos que constam das sondagens.

A ex-ministra da Saúde e da Igualdade surgiu em cena como algumas loiras imortalizadas nos filmes de Alfred Hitchcock: capazes de cravar um punhal com um doce sorriso nos lábios. Conduziu de imediato o debate para questões de carácter, questionando a "dualidade" do catedrático, capaz de "dizer uma coisa e logo a seguir outra coisa completamente diferente". A prova, na sua perspectiva, foi patente nos debates anteriores: Marcelo "esteve à esquerda de Marisa Matias, esteve à esquerda de Edgar Silva e esteve concordante com Paulo Morais, que acusa toda a gente de corrupção."

Chegou a desenterrar a expressão "lelé da cuca" com que o então jornalista do Expresso brindou no final da década de 70 o proprietário e director deste semanário. "Não se lembra do que chamou ao doutor Francisco Pinto Balsemão num governo a que pertencia juntamente com ele? Uma coisa que eu nunca diria a ninguém." Matéria tão antiga e desenquadrada da realidade que só pode interessar aos arqueólogos.

Rebelo de Sousa, que até aí se mostrara muito mais cordato do que no debate da véspera com Sampaio da Nóvoa, voltou a desembainhar a espada. E reconduziu o frente-a-frente ao plano político, fustigando a sua opositora com esta exclamação sonante: "A senhora doutora, que não consegue unir o partido dela, quer unir o País!"

Era uma questão chave. Mas Marcelo não parou aí. Confrontado por Maria de Belém com a fama de criador de factos políticos, devolveu-lhe o proveito: "Lança a candidatura no momento em que o líder do partido dela está a dar uma entrevista importantíssima na campanha das legislativas e diz que eu é que crio factos políticos?!"

A política estava de volta ao debate. Virando a vantagem para o militante nº 3 do PSD, em quem Passos Coelho estaria a pensar quando no último congresso do partido se insurgia contra os "cataventos" da opinião. O facto é que acabou por recomendar o voto em Marcelo. Enquanto Costa não deu o menor indício de recomendar o voto na antiga ministra que já foi presidente do PS.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

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Frases do debate:

 

Belém - «Marcelo Rebelo de Sousa é o meu principal adversário.»

Marcelo - «O meu adversário são os problemas dos portugueses.»

Belém - «Intriguista eu nunca fui. E se perguntar aos portugueses quem é o campeão nessa matéria, eu não sou a campeã porque nunca usei a intriga.»

Marcelo - «A senhora tem andado a campanha toda a tentar à direita o que lhe falta à esquerda.»

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O melhor:

- No final, perante questões concretas sobre um possível apoio a novas causas "fracturantes" na Assembleia da República, Marcelo manifestou concordância genérica enquanto Maria de Belém não hesitou: "Sou contra a eutanásia." Quatro palavras que bastaram para pescar votos no terreno político do adversário.

- Confrontado com acusações de instabilidade, o ex-presidente do PSD lembrou ter viabilizado três orçamentos do governo Guterres, evitando crises políticas e permitindo a Maria de Belém ser ministra até ao fim do prazo previsto para essa legislatura.

O pior:

- A ex-ministra da Saúde devia ter evitado suscitar o tema da difícil relação entre Marcelo e a liderança do PSD prevendo que o seu rival neste debate a questionaria de imediato sobre o apoio que António Costa e a grande maioria dos ministros do actual Executivo lhe negaram apesar de ter sido presidente do PS. O tiro fez ricochete.

- "A senhora doutora ouviu o debate de ontem, ou se não ouviu disseram-lhe, provavelmente disseram-lhe, depois deram-lhe umas notinhas e lá veio com as notinhas..." Era desnecessário este remoque de Marcelo, que pecou por arrogância.

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Presidenciais (23)

por Pedro Correia, em 08.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Sampaio da Nóvoa

 

Sampaio da Nóvoa não é o maior adversário de Marcelo Rebelo de Sousa nesta campanha eleitoral. O que o ex-director do Expresso tem mais a temer é a abstenção: os portugueses votaram três vezes em menos de dois anos e é notório o desinteresse em torno das presidenciais, que muitos consideram já com desfecho anunciado.

O potencial risco desmobilizador desta convicção que se instalou junto de tanta gente é o maior obstáculo que Marcelo enfrenta. E o tom de bonomia em que têm decorrido os debates, sem crispação nem aquelas "dramatizações" que noutros tempos faziam as delícias do comentador Rebelo de Sousa, só contribui para acentuar o desinteresse.

Faltava portanto "dramatizar". Marcelo precisava de concretizar esse desígnio no frente-a-frente com António Sampaio da Nóvoa em horário nobre da SIC, ontem à noite. Assim fez. Surpreendeu o seu antagonista ao "entrar em campo" como costumam fazer as equipas treinadas por Jorge Jesus no campeonato nacional de futebol: exercendo pressão alta desde os instantes iniciais, confundindo e contundindo o adversário.

Nóvoa demorou a reagir, traindo o embaraço com exclamações como estas: "Muito me surpreende..."; "é a primeira vez que ouço..."; "não estava à espera..." E quando recuperou do embaraço inicial notou-se bem que lhe faltam os dotes histriónicos e a experiência televisiva do colega catedrático que tinha à sua frente.

Foi um debate vivo, à moda antiga - daqueles de que se falarão mais tarde. Um debate em que Nóvoa proclamou: "O Presidente da República tem de se bater por causas. Eu não vim para deixar tudo na mesma." O primeiro debate a sério desta campanha até agora feita de palavras demasiado dóceis. De tal maneira que a moderadora, Clara de Sousa, acabou por ter uma intervenção residual - o que aliás fazia todo o sentido pois tratava-se de um verdadeiro confronto, não apenas de uma troca de amabilidade para cumprir calendário.

Deste debate as frases que os telespectadores mais retiveram foram, em larga medida, proferidas pelo candidato que conta com o apoio do PSD e do CDS: "Os portugueses sabem onde eu estive. O professor apareceu agora, virgem. Onde é que esteve? Onde é que esteve? Onde é que esteve?"

Embalado, Marcelo acusou o antagonista de querer passar "de soldado raso a general" e de possuir muito mais meios do que ele para fazer campanha eleitoral: "Eu não tenho a sua estrutura nem os seus gastos de campanha." Visivelmente incomodado, o ex-reitor de Lisboa advertiu-o: "Não vá por aí, professor, não vá por aí."

Estava o verniz quebrado. Era precisamente o que Marcelo queria.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «Sobre cada matéria nós temos 20 citações suas a dizer uma coisa e 20 citações a dizer o contrário.»

Marcelo  - «Mas disse! Eu dizia e o senhor não dizia. Eu expunha-me e o senhor não se expunha.»

Nóvoa - «Eu venho da crítica às políticas de austeridade. O professor Marcelo Rebelo de Sousa vem do apelo ao voto em Passos Coelho e Paulo Portas.»

Marcelo - «O senhor tem que trazer na lapela três ex-Presidentes da República. Eu não, eu não preciso.»

Nóvoa - «As suas afirmações sobre gastos excessivos na campanha em período de crise são antidemocráticas. É evidente que a democracia tem custos. A ditadura é muito mais barata, até se faz à borla.»

Marcelo - «Sabe quem é que meteu dinheiro na minha campanha até agora? Fui eu.»

...............................................................

 

O melhor:

- Num eficaz golpe de retórica, Sampaio da Nóvoa transformou o comentador Marcelo num adversário do candidato Marcelo: "Eu não me ouço só a mim mesmo. Não gosto de passar o tempo todo a falar sem ouvir ninguém. Essa é uma diferença fundamental que nos separa no exercício do cargo."

- Quando Nóvoa questionou a "forma no mínimo discutível" como o ex-presidente do PSD aproveitou a sua enorme exposição mediática como trampolim para a política, Rebelo de Sousa retorquiu de imediato: "Isso impediria António Costa de ser candidato a primeiro-ministro". Aludindo à participação de Costa, durante anos, no programa de comentário político Quadratura do Círculo.

O pior:

- O ex-reitor da Universidade de Lisboa fala na necessidade de "sangue novo" e "outras pessoas" na política. Mas confessa que só avançou na corrida a Belém após "longuíssimas conversas" com três ex-Chefes do Estado: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

- Marcelo denunciou o "apoio tóxico" do MRPP à candidatura de Nóvoa, dando relevo a um facto irrelevante.

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"A Quinta", edição candidatos à presidência

por José António Abreu, em 08.01.16

A falta de desteridade que há muito pulverizou as minhas esperanças de conseguir uma carreira brilhante (embora discreta) no carteirismo, bem como as dimensões minúsculas das teclas do telecomando (seguirá queixa para a Anacom), levaram a me encontrasse, impreparado como um recém-nascido (excepto pela nudez, que o Inverno chegou finalmente), a assistir ao debate de ontem entre Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa. Foi muito estranho. Não obstante sentir imediatamente uma forte vontade de mudar de canal, permaneci incapaz de o fazer, o corpo paralisado, os olhos esbugalhados e a boca semiaberta num arremedo de sorriso. Mais tarde, o cérebro já liberto por acção da publicidade (quem diria...), percebi que era afinal lógico: não passara do conhecido efeito dos reality shows. E, nessa perspectiva, a minha crítica tem de ir para Clara de Sousa. Apenas ela destoou, ficando longe de fazer esquecer Teresa Guilherme.

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Presidenciais (22)

por Pedro Correia, em 07.01.16

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Debate Henrique Neto-Paulo de Morais

Não basta ser candidato presidencial: é preciso parecê-lo. Ora Paulo de Morais nunca esteve tão longe de parecer um candidato presidencial do que no confronto da noite passada, na SIC Notícias, com Henrique Neto. Um debate onde as diferenças foram mais de estilo do que de substância. Ambos revelaram sintonia em diversas matérias - da oposição firme ao acordo ortográfico à crítica frontal à permanência da Guiné Equatorial como Estado-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mas Morais fez duas declarações que o dissociam claramente do cadeirão presidencial. A primeira visou o antecessor de Passos Coelho no cargo de primeiro-ministro: "Não tenho dúvida nenhuma de que José Sócrates é uma das caras da corrupção em Portugal." Sabendo-se que o antigo chefe do Governo está a contas com a justiça e que compete apenas a esta investigar, no âmbito dos seus poderes soberanos, não faz o menor sentido que um candidato presidencial se pronuncie desta forma sobre o tema.

A segunda foi aparentemente ditada por um irreprimível impulso demagógico: "Se eu for eleito há duas viagens que vou fazer muito rapidamente: uma a Angola, outra ao Brasil. Para explicar quer ao Presidente de Angola quer à Presidente do Brasil que Lisboa vai deixar de ser a máquina de lavar a corrupção destes três países." O candidato parece esquecer-se, desde logo, que só viajaria a Brasília e Luanda se recebesse convite prévio dos seus homólogos.

Num e noutro caso, Neto proferiu declarações sensatas. Sobre Sócrates disse que compete à justiça pronunciar-se. Sobre as visitas presidenciais, elegeria Washington: "Eu faria o contrário. Começaria pelos Estados Unidos. Porque é a maior economia mundial. É de lá que vem a inovação, é de lá que vêm as ideias." 

Se a frontalidade é um atributo, a ponderação é uma virtude. E por vezes, entre tanta afirmação empolgada para encher títulos de jornal, sabe bem escutar frases que parecem derivar apenas do mais elementar senso comum.

 

Vencedor: Henrique Neto

...............................................................

 

Frases do debate:

Neto - «Nenhum português bem informado e atento tem dúvidas de que a corrupção é um caso sério em Portugal.»

Morais  - «Alguns casos de corrupção em Portugal são feitos tão às claras que para procurar provas basta ir ao Diário da República

Neto  - «A nossa justiça não tem capacidade para investigar a corrupção.»

Morais - «A justiça não é verdadeiramente independente tal como exige a Constituição.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- O ex-vice-presidente da Câmara Municipal do Porto proporá, se chegar ao Palácio de Belém, um referendo sobre o acordo ortográfico. E adianta desde já a sua opinião sobre a matéria: "Sou claramente contra."

- "É um escândalo que a Guiné Equatorial esteja na CPLP", diz Henrique Neto. Quem fala assim não é gago.

O pior:

- Paulo de Morais elegeu Manuel de Arriaga como seu modelo de Presidente. Esqueceu-se que Arriaga não completou o mandato, o País viveu em convulsão permanente naqueles anos e o seu magistério presidencial abriu caminho à breve ditadura do general Pimenta de Castro.

- Se perder a eleição, Neto faz-se desde já convidado para comentador na SIC Notícias: "Espero que vocês me convidem algumas vezes a vir aqui, como faziam antes." Deve ser isto a que alguns chamam empreendedorismo...

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Presidenciais (21)

por Pedro Correia, em 07.01.16

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Debate Edgar Silva-Marisa Matias

 

Haverá fronteiras geográficas para a defesa dos direitos humanos? Quem assistisse ao debate televisivo de ontem na RTP entre Edgar Silva e Marisa Matias seria eventualmente levado a suscitar esta questão perante a aparente contradição do candidato comunista, tão lesto a fazer a defesa desses direitos em Portugal e tão relutante em expressar-se da mesma forma quando estão em causa países dirigidos por "partidos irmãos" do PCP. A Coreia do Norte, por exemplo.

Parece não haver tema tão incómodo para um comunista português como este, suscitado pelo moderador do debate, João Adelino Faria, numa pergunta simples, directa e clara a Edgar Silva:

- Considera a Coreia do Norte uma democracia?

- Pergunta-me se eu a considero uma democracia?

- ...Ou uma ditadura.

- Eu acho que o Presidente da República tem o dever, em relação a cada um dos países, e a cada um dos Estados, de ter com todos os países e Estados uma relação de cooperação e solidariedade, independentemente da apreciação subjectiva do Chefe do Estado sobre as políticas...

- Mas qual é a sua apreciação sobre a Coreia do Norte? É uma ditadura ou uma democracia?

- Eu reconheço que em vários países do mundo existem situações de insuficiente respeito pelos direitos humanos...

- Não me respondeu.

- Não vejo que esse seja um privilégio da Coreia do Norte.

O membro do Comité Central do PCP não saía disto. Era a vez de o jornalista conceder a palavra à eurodeputada do Bloco. Marisa Matias não hesitou: "Eu respondo de forma directa. Considero a Coreia do Norte uma ditadura que ataca o seu povo."

Este debate esteve muito centrado na tentativa de encontrar diferenças entre os dois candidatos. Não havia necessidade de procurar mais: estava encontrada. E não era nada lisonjeira para Edgar Silva.

 

Vencedora: Marisa Matias

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Edgar - «Tenho um compromisso com o mundo do trabalho.»

Marisa  - «É preciso uma Presidente da República que se bata pelo País.»

Edgar - «Dissolveria a Assembleia [se os deputados confirmassem em segunda votação parlamentar um orçamento vetado pelo Chefe do Estado]?»

Marisa - «Desculpe... não é sério.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- A propósito da viabilização do orçamento rectificativo, Edgar Silva levou Marisa Matias a irritar-se ao insinuar que a candidata tem um conhecimento insuficiente dos poderes do Chefe do Estado definidos na Constituição.

- A eurodeputada disse o que muitos portugueses pensam quando criticou a intervenção no Banif: "Este orçamento rectificativo de três mil milhões de euros equivale exactamente ao corte que tivemos no Serviço Nacional de Saúde."

O pior:

- "Eu conheço bem os poderes do Presidente da República", justificou-se Marisa, como se tivesse sido apanhada em transgressão. Não havia necessidade.

- O antigo sacerdote estava mal informado quando assegurou que a sua oponente, enquanto membro da eurocâmara, aprovou a intervenção militar na Líbia. "Eu aconselhava-o a ver as actas do Parlamento Europeu. Porque eu votei contra e foi voto nominal", retorquiu-lhe a dirigente bloquista,

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Presidenciais (20)

por Pedro Correia, em 07.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Paulo de Morais

 

Ainda comecei a contar as vezes em que, no frente-a-frente de ontem da TVI 24, Marcelo Rebelo de Sousa concordou com o seu oponente. Às tantas, desisti. Era evidente que o ex-vice-presidente da Câmara do Porto vencera o debate - precisamente aquele em que surgiu mais descontraído e sorridente.

Marcelo, bem ao seu jeito, desfez uma eventual atmosfera de crispação mal abriu a boca: "Boa noite, Paulo." Levando o rival nesta corrida presidencial a chamá-lo também pelo nome próprio. De resto Morais esteve muito mais cordato com o antigo presidente do PSD do que com qualquer outro adversário que já defrontou nos debates televisivos desta campanha. "Com todo o respeito" foi uma expressão com que o brindou mais de uma vez.

"Marcelo é o candidato que, neste regime, desdramatiza tudo", salientou o antigo autarca, chamando "candidato da estabilidade" ao conselheiro de Estado. Este pareceu satisfeito: o epíteto agradava-lhe. E é até bem capaz de utilizá-lo como slogan de campanha.

Com bonomia, Marcelo congratulou-se de ser com Paulo de Morais um dos candidatos que gastam menos dinheiro nesta corrida a Belém - a mais barata de que há memória. E acenou-lhe com mais um elogio: "Acompanho com apreço a sua luta." Sorria enquanto dizia isto. Aliás, sorriam ambos. Há noites assim.

 

Vencedor: Paulo de Morais

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Morais  - «Se as pessoas querem mudança não podem ter medo da mudança.»

Marcelo  - «Quem mais ordena é o povo.»

Morais - «É uma vergonha viver na Europa e ter tanta gente na sopa dos pobres.»

Marcelo - «O Presidente da República deve ter uma magistratura de equilíbrio, de fazer pontes, de cicatrizar feridas.»

...............................................................

 

O melhor:

- Paulo de Morais falou como provedor dos contribuintes: "Em Portugal, para elaborar um Orçamento do Estado, programa-se a despesa e depois vai-se ver como sacar a receita lançando impostos de forma quase feudal sobre as empresas e as pessoas."

- O antigo presidente do PSD não perde uma oportunidade de piscar um olho aos eleitores de esquerda: "Devemos ser politicamente imparciais mas socialmente parciais. Temos que ser socialmente parciais a favor daqueles que menos têm e mais sofrem."

O pior:

- A questão do preço dos livros escolares pode ser muito relevante mas está longe de figurar nos poderes do Presidente da República, o que não inibiu Morais de discorrer sobre ela.

- "Concordo consigo", ia repetindo Rebelo de Sousa. Música para os ouvidos do rival nesta campanha.

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Presidenciais (19)

por Pedro Correia, em 06.01.16

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Debate Edgar Silva-Marcelo Rebelo de Sousa

 

Marcelo Rebelo de Sousa, imparável criador de factos políticos, voltou à ribalta após um período na clandestinidade. O regresso ocorreu no debate da noite passada na RTP, quando o militante nº 3 do PSD defrontava o candidato apoiado pelo Partido Comunista, Edgar Silva.

Este, ontem com maior desenvoltura verbal do que nos anteriores debates, compareceu em estúdio alertando para as habilidades de Marcelo na "arte do engodo", acusando-o de "procurar no essencial manter a lógica dos mandatos de Cavaco Silva na Presidência da República" e de iludir os portugueses sobre eventuais distâncias entre as suas posições e as do PSD.

Com instinto felino, Marcelo emitiu um desmentido que lançava uma sombra de insinuação sobre o seu antagonista: "Eu não estou a concorrer para líder partidário, estou a concorrer para Presidente da República. Para líder partidário já concorri noutros tempos."

O moderador, João Adelino Faria, tentou desviar o rumo do diálogo, mas os dois contendores - aliás de modos muito cordatos - estavam imparáveis. Edgar decidiu questionar o ex-presidente social-democrata. Travou-se este diálogo:

- Exclui liminarmente a hipótese de se candidatar à direcção do seu partido?

- Nunca mais. E você admite uma candidatura à direcção do seu partido?

- Eu?

- Sim.

- Quem decide isso são os militantes...

Era visível o embaraço do membro do Comité Central comunista, que não esperava aquela réplica. Estava encontrado o facto político do mês ou até do ano: Edgar participa nesta campanha como tirocínio à sucessão de Jerónimo de Sousa, que abandonará as funções de secretário-geral em 2016. Marcelo de regresso aos velhos tempos: há coisas que nunca mudam.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Edgar - «Marcelo Rebelo de Sousa é um Cavaco Silva a cores.»

Marcelo  - «Quem olhar para o professor Cavaco Silva e olhar para mim... dizer que eu sou uma versão a cores... é uma coisa um pouco estranha.»

Edgar - «[Marcelo] é um mestre na arte do disfarce.»

Marcelo - «Sabe quem é que [no PSD] restabeleceu relações com o PCP? Fui eu. Ao fim de 35 anos de corte de relações.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- António Costa pode dormir descansado. Segundo Marcelo, o próximo magistério presidencial "deve ser equilibrado, pedagógico e sobretudo não ser um magistério de contrapoder em relação ao Governo".

- Edgar Silva procurou mobilizar e fixar o eleitorado comunista assumindo o seu "compromisso com o mundo do trabalho" e fazer cumprir a "Constituição laboral".

O pior:

- "Eu sou independente, quem me conhece sabe que eu sou. Fui sempre e sou sempre", assegurou o militante nº 3 do PSD. Convém não exagerar.

- O candidato apoiado pelo PCP esqueceu-se de limpar as marcas de transpiração no rosto, algo que causa sempre má impressão num ecrã televisivo.

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Presidenciais (18)

por Pedro Correia, em 06.01.16

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Debate Henrique Neto-Marisa Matias

 

Qualquer político sonharia com um debate assim: ei-lo a expor a sua tese enquanto o suposto opositor passa o tempo a acenar com a cabeça em sinal de aprovação. Aconteceu ontem, na SIC Notícias, com Marisa Matias: a candidata do Bloco de Esquerda ia explanando os seus pontos de vista sobre a situação do País entre proclamações de concordância de Henrique Neto, sentado à sua frente.

"Se o saldo da balança comercial [portuguesa] não se degradou foi porque as pessoas deixaram de ter dinheiro para comer", declarou a eurodeputada. Do outro lado da mesa, Neto anuiu: "De acordo."

"Temos salários e pensões muito baixos, que foram muito atacados no último ano", salientou Marisa. Neto não deixou lugar a dúvidas: "Cem por cento de acordo."

"O trabalho com direitos é uma questão essencial. Temos uma sociedade onde não há trabalho e o que há é precário", observou a candidata. Neto rematou: "Estou de acordo com tudo quanto disse."

Ia o debate a meio e já não restavam dúvidas sobre quem levara a melhor: o empresário da Marinha Grande, cavalheiresco, desistia do confronto preferindo discorrer sobre a macroeconomia neste mundo globalizado. Marisa reconduziu a conversa à escala nacional, mostrando-se mais em sintonia com os eleitores. Pormenor talvez irrelevante: de poderes presidenciais ninguém falou.

 

Vencedora: Marisa Matias

...............................................................

 

Frases do debate:

Neto - «Considero a subida do salário mínimo nacional uma vergonha nacional. Porque é pouco, obviamente.»

Marisa  - «Não precisamos de estar zangados com tudo.»

Neto  - «Peço aos portugueses que votaram em Cavaco Silva que não cometam os mesmos erros nesta eleição.»

Marisa - «Há candidatos que se apresentam a estas eleições como se o País lhes devesse alguma coisa.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- "Tenho a obrigação de defender a minha geração, que não conheceu outra coisa que não seja a austeridade": Marisa Matias procurando mobilizar os eleitores jovens, mais seduzidos pela abstenção.

- Henrique Neto, um industrial com preocupações sociais: "Na minha empresa nunca tive trabalhadores a prazo."

O pior:

- "Os partidos do arco do poder têm destruído o País." A frase do ex-deputado socialista é sonante, mas de um populismo extremo.

- Há um ano, a eurodeputada do BE abraçava Tsipras nos comícios do Syriza. Hoje prefere nem falar da Grécia.

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Presidenciais (17)

por Pedro Correia, em 06.01.16

      

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Debate Paulo de Morais-Sampaio da Nóvoa

 

António Sampaio da Nóvoa fez uma boa proposta no frente-a-frente da noite passada na TVI 24. Fê-lo com algum atraso, no quarto debate televisivo a dois em que participou, dando finalmente a ideia de que é capaz de subir ao concreto nesta farpa a Cavaco Silva: "O Presidente da República, infelizmente, não cumpre o código dos contratos públicos e não procede à publicitação on line dos seus contratos. Isto é uma prática que tem que mudar. Aquele que promulga as leis tem de ser o primeiro a dar o exemplo."

Foi o seu melhor momento neste confronto com Paulo de Morais. Mas foi também aquele que permitiu evidenciar mais a destreza verbal do seu antagonista. O ex-braço direito de Rui Rio na câmara do Porto pegou-lhe na palavra e correu com ela pista adiante: "Não chega ao Presidente da República dar o exemplo. O Presidente tem que exigir transparência a toda a classe política." Contestou os apelos de Nóvoa à estabilidade revelando que nessa manhã deixara um cravo vermelho junto à tumba do primeiro Rei de Portugal. "Não foi com estabilidade que D. Afonso Henriques fez o País. Não foi com estabilidade que se fez o 25 de Abril. Tem que haver instabilidade para haver progresso. A estabilidade só é boa quando as coisas estão bem."

No resto, cumpriu-se o guião: Morais conduziu o debate para o campo que lhe garante votos, o do justiceiro contra a corrupção, disparando contra as sociedades de advogados de Lisboa e o Parlamento, que a seu ver "está organizado como uma central de negócios". Nóvoa refugiou-se em fórmulas vagas: "Corrupção? Reconheço que há problemas, que há dificuldades. Muitas denúncias que o doutor Paulo Morais tem feito estão certas."

Era precisamente isto o que o seu opositor pretendia ouvir.

 

Vencedor: Paulo de Morais

...............................................................

 

Frases do debate:

 

Nóvoa  - «É muito estranho que alguns considerem a política como uma espécie de clube privado.»

Morais - «Há sociedades de advogados que são verdadeiras irmandades, para não dizer máfias.»

Nóvoa  - «Estabilidade não é estagnação. Estabilidade é um processo de mudança.»

Morais - «A justiça em Portugal tem meios ridículos. O Ministério das Finanças tem verbas disponíveis para tapar buracos superiores ao orçamento da justiça.»

 

...............................................................

 

O melhor:

- Sampaio da Nóvoa deixou claro qual é o eleitorado a que se dirige: "Desde 4 de Outubro abriu-se uma nova cultura de diálogo e de compromisso na sociedade portuguesa."

- O ex-vice-presidente da Câmara do Porto revelou enfim alguma consciência social: "Que dignidade existe numa idosa de 80 anos que vive com 200 euros de reforma? Neste momento há mil cantinas sociais em Portugal que dão de comer às pessoas por esmola."

O pior:

- Os assessores da campanha do antigo reitor da Universidade de Lisboa devem recomendar-lhe que não baixe constantemente os olhos para os papéis enquanto fala. Dá a sensação de que procura a cábula.

- "Parece-me normal que tenha havido acusação no caso Sócrates", disse Morais. O problema é que ainda não houve acusação alguma.

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