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Parabenização

por Rui Rocha, em 10.06.17

Aproveito este espaço de discussão franca e partilha de opinião para enviar os meus parabéns ao poeta Manuel Alegre pela atribuição do Prémio Camões. Apresento ainda sinceras desculpas por não o ter feito mais cedo.

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Eduardo Mendoza

Não queria incomodar nem tem feitio para isso. Só queria escrever uma boa história. Escreveu e fez de Los soldados de Cataluña o seu primeiro livro. Para início de conversa, não esteve nada mal. Começou por incomodar a censura franquista, que lhe impôs uma mudança de título – La verdad sobre el caso Savolta, na versão que chegou aos escaparates e que o celebrizou enquanto escritor. Mas, mais importante, esta boa história inaugurou uma nova etapa na literatura espanhola, sendo consensualmente descrita como a primeira novela da Espanha pós-franquista. Em 1975, aos trinta e poucos anos, Eduardo Mendoza consegue com o seu primeiro livro aborrecer o regime – que descreveu o texto como “estúpido e confuso, escrito sem pés nem cabeça” – e provocar uma ruptura no estilo literário espanhol. Tudo isto para quem apenas queria contar uma boa história.
Os anos sucederam-se e os livros também. A ironia fina e certeira, a sobriedade, e a erudição expressa em linguagem simples tornaram-se a marca distintiva da identidade literária de Eduardo Mendoza. Poucas vezes participou em discussões candentes – a reprodução no El País de um discurso sobre a independência da Catalunha é uma das raras e admiráveis excepções. Ao contrário de outros escritores espanhóis, omnipresentes e ferozes no debate político, Mendoza não quis reclamar o estatuto de intelectual público. O que interessa são as histórias e os livros.
Em 2015, quando se assinalaram os 40 anos de La verdad sobre el caso Savolta, a imprensa espanhola dedicou muitas e boas linhas à revisitação de um livro que, segundo o escritor Javier Marías, é um “marco, uma revelação, um grande êxito, uma novidade distinta, e por isso se diz que, na literatura, marcou o início da democracia e a defunção do Franquismo”. Para António Muñoz Molina, “Mendoza não escrevia para submeter a exame as faculdades intelectuais do leitor, nem para lhe mostrar os seus conhecimentos sobre o nouveu roman francês, ou o monólogo interior ou as obscuridades mais difíceis de William Faulkner; não escrevia para doutrinar politicamente o leitor, nem para jactar-se das suas audácias sintácticas e sexuais. Mendonza, como Marsé, embora com recursos muito diferentes, procura a forma de contar, com a maior eficácia possível, uma história que é muito importante para ele, tão importante que decidiu dedicar-lhe um livro longo e complexo que talvez não chegasse a ser publicado”.

 

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A obra criou uma ruptura e o autor também. Para Muñoz Molina, Eduardo Mendoza é imune à “arrogância despectiva”, à “postura jactante”, à “desqualificação frívola daquilo de que não se gosta”, vícios predominantes na cultura intelectual espanhola da época, inclusive da anti-franquista. Não é hagiografia. Tive oportunidade de conhecer Eduardo Mendoza na última feira do livro de Madrid. Quando soube desta oportunidade, hesitei. Conhecer pessoalmente alguém que admiramos pode facilmente dar azo a uma decepção descomunal. E, por outro lado, o homem mudou o romance espanhol e eu nunca mudei nada digno de registo. Hesitei, mas lá fui. E ainda bem, porque o gigante é de uma simpatia distendida e desarmante. Falámos dos livros dele, claro. Embora, curiosamente, Mendoza tenha falado deles como entidades independentes, com vida própria, nunca usando o pronome possessivo “meus”. As histórias têm que valer por si. Com alguma vergonha, disse-lhe que comecei a lê-lo pelos livros mais recentes, nomeadamente pela série do detective anónimo, razão pela qual ainda não tinha acabado o Caso Savolta, que aliás levava debaixo do braço. Eduardo Mendoza pede-me o exemplar e na dedicatória da praxe (que muito agradeço e estimo) não refere importância literária ou pessoal do livro, ou mesmo que se trata de um livro. É tão simplesmente uma velha história. Juan Cruz tem razão quando escreve que Eduardo Mendoza é um cavalheiro que não alardeia os seus triunfos nem as suas feridas.
Na semana passada, Eduardo Mendoza foi galardoado com o Prémio Cervantes, habitualmente descrito como o Nobel da Literatura para as letras em espanhol. Tenho quase a certeza que, ao receber o prémio, não dirá que é dele ou dos seus livros, mas sim das histórias que pôde contar.

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À espera do Nobel da Literatura

por Pedro Correia, em 07.10.16

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 Amos Oz

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 John Le Carré

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  Rubem Fonseca

 

Aberta a época da distribuição dos prémios Nobel (apelido que a maioria dos jornalistas televisivos em Portugal continua a pronunciar erradamente com acento no o, quase emudecendo o e da sílaba tónica em sueco), faço desde já um desafio aos leitores do DELITO DE OPINIÃO: deixem aqui os vossos vaticínios sobre quem será o escritor que vai receber o galardão destinado a distinguir a literatura. Só o conheceremos no próximo dia 13, mas a gente arrisca. Ao contrário do outro, que só fazia prognósticos no fim.

Tomo a liberdade de antecipar desde já três escritores que a meu ver há muito mereciam receber o Nobel: Amos Oz, John Le Carré e Rubem Fonseca. Ainda vão a tempo, embora eu duvide do critério da academia de Estocolmo, que em 1978 - só para dar um exemplo - excluiu Graham Greene e Jorge Luis Borges.

Quem vos parece que vai ganhar?

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Injúria póstuma a Graça Moura

por Pedro Correia, em 29.08.16

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 Foto Nuno Ferreira Santos / Público

 

Mais do que uma desconsideração intelectual, constitui uma injúria que um organismo público como a Imprensa Nacional Casa da Moeda utilize o nome de Vasco Graça Moura para atribuir um  prémio literário destinado a distinguir uma obra forçosamente escrita em acordês.

 

O grande poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor já cá não está para zurzir os responsáveis daquela instituição com a verve que todos lhe conhecíamos e a paixão que sempre colocou nesta batalha de ideias. Mas até por isso é dever de todos os seus amigos e admiradores insurgirem-se contra o abuso que constitui a associação de Graça Moura a um prémio que exige a utilização das normas ortográficas que ele sempre combateu.

Não há outra leitura possível do artigo 10.º do regulamento do concurso, escrito na ortografia que o autor de Naufrágio de Sepúlveda abominava: “O autor premiado aceita que a INCM execute uma revisão literária dos originais, na qual sejam eliminadas todas as incorreções [sic] ortográficas ou gramaticais, e resolvidas as inconsistências com as normas de estilo adotadas [sic] para a publicação do Prémio INCM/Vasco Graça Moura.”

Como alertou Octávio dos Santos, num artigo no Público que chamou pela primeira vez a atenção para o caso, a administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, por ele contactada, confirmou por correio electrónico: "O texto vencedor será publicado de acordo com a ortografia do Acordo Ortográfico de 1990."

De resto, a tocante preocupação da INCM pelas "incorreções" [sic] devia começar pela própria redacção deste regulamento: onde se lê "usa" em vez de "sua" no artigo 9.º, n.º1 (curioso lapso, daqueles que em linguagem freudiana costumam merecer o rótulo de acto falhado).

 

Além do inaceitável paternalismo que revela, só lhe faltando vir acompanhado da antiga "menina dos cinco olhos", o artigo 10.º impõe carácter obrigatório à escrita acordística, fazendo tábua rasa dos mais elementares princípios de liberdade intelectual.

Como Octávio dos Santos justamente questionou: "Será possível que na INCM não exista quem conheça e tenha lido o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos nacional, que também reflecte e replica legislação e jurisprudência internacionais, e que dá inequivocamente a todos os artistas a prerrogativa de utilizarem e de verem respeitada a linguagem que eles quiserem?” 

Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Teixeira de Pascoaes, entre outros escritores que foram firmes adversários da reforma ortográfica de 1911, ficariam liminarmente excluídos deste concurso se por acaso cá estivessem e quisessem concorrer.

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Coisas que nenhum Acordo Ortográfico resolve

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.16

"Tem toda a obra traduzida em Portugal o escritor que ontem foi anunciado como vencedor do Prémio Camões, o mais importante da língua portuguesa."

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Parabéns, cidadão Jorge Sampaio

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.07.15

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 Um prémio à cidadania

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Um prémio justíssimo!

por Helena Sacadura Cabral, em 02.03.15

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Ontem, no dia em que se comemorava o 725º aniversário da Universidade de Coimbra, teve lugar na sua Reitoria a entrega a José Quitério do "Prémio Universidade de Coimbra" 2015.

Trata-se de um jornalista português que dedicou mais de quatro décadas da sua vida à cultura da gastronomia. 

O elogio do premiado foi feito por José Bento dos Santos, outro nobre da gastronomia portuguesa, actual presidente da Academia Internacional de Gastronomia.

Anteriormente, havia sido feita a leitura de um belíssimo e clássico texto do homenageado.

A unanimidade é muito difícil de se obter, em qualquer área da vida e em particular em Portugal, onde a inveja oblitera os nossos raciocínios.

Pois José Quitério conseguiu o feito de ter juntado à sua volta um conjunto diverso de personalidades que apoiaram a sua candidatura, proposta, aliás, pelo jornalista Fortunato da Câmara, que desde há semanas lhe sucedeu como crítico gastronómico do "Expresso".

Ainda há felizmente, entre nós, casos como o de José Quitério, para nos darem fundada alegria!

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Julgar prémios

por João André, em 10.10.14

E pronto, os Nobel estão quase todos atribuídos. Falta apenas o Nobel não oficial, o da economia. Como sempre, os prémios Nobel para a Paz e Literatura são discutidos por quase todos. Criticadas ou elogiadas as discussões. Já os prémios Nobel da Física, Química e Mediciona e Fisiologia são essencialmente ignorados nesta discussão pela sociedade em geral.

 

Pegando no post que o Rui escreveu abaixo, fui ver os nomes dos laureados com os prémios em Química, Física e Medicina dos mesmos anos dos vencedores do prémio da Literatura referidos. A lista é a seguinte:

 

Ano    Literatura Física Química Medicina
1902  T. Mommsen

 H. Lorentz

 P. Zeeman

 H.E. Fischer  R. Ross
1904

 F. Mistral

 J. Echegaray

 Lord Rayleigh  W. Ramsay  I. Pavlov
1915  R. Rolland

 W.H. Bragg

 W.L. Bragg

 R. Willstätter não atribuído
1919  C. Spitteler

 J. Stark

não atribuído  J. Bordet
1939  F.E. Sillanpää  E. Lawrence

 A. Butenandt

 L. Ružička

 G. Domagk

 

Pergunto então: que nomes serão reconhecidos pela maioria do público. Provavelmente, pensando um pouco, será possível identificar de imediato Ivan Pavlov, o dos reflexos pavlovianos. Hendrik Lorentz poderá ser conhecido, pelas equações que têm o seu nome. William Lawrence Bragg, que recebeu o prémio com o seu pai, talvez seja conhecido pelo seu trabalho com a cristalografia de raios X que permitiu decifrar a estrutura do ADN no laboratório Cavendish, enquanto Bragg era precisamente o director. Hermann Emil Fischer será conhecido através de uma das várias reacções que têm o seu nome. Depois destes, quem é conhecido? O meu desconhecimento da área da medicina provavelmente far-me-à falhar nomes óbvios, mas é um reflexo precisamente o ponto que pretendo ilustrar.

 

Se não conhecemos os nomes, como poderemos julgar a justeza da atribuição do prémio? Possivelmente poderíamos apontar vários cientistas que mereceriam o prémio e outros que o terão recebido sem grande mérito (Egas Moniz teria talvez sido um exemplo). O mesmo se passa na Literatura. Não conheço de facto nenhum dos nomes que o Rui referiu (Mommsen é-me conhecido, mas apenas de nome). Como posso julgar a sua escrita?

 

É-nos fácil criticar decisões destas. Prémios, como o Rui argumenta, são subjectivos. Nada nos diz que o nome venha a ficar para sempre como um farol a iluminar o seu campo de trabalho. Os prémios da Literatura, juntamente com os da Paz e da Economia (este menos) são mais fáceis de compreender pela generalidade da população. Os outros menos. Isso coloca-os como alvos fáceis. Não significa, no entanto, que sejam mais ou menos correctos. A nossa cultura geral, normalmente, não chega para o ajuizar. Não significa, no entanto, que os prémios sejam mal atribuídos ou que tenham a mesma validade se escolhidos por um «júri de província».

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Notícia do Expresso

A Latin Recording Academy anunciou hoje ter agraciado o cantor de "Um Homem na Cidade" com o Prémio à Excelência Musical - "Lifetime Achievement" no original em inglês -, uma distinção única que pretende celebrar a carreira de um artista.

 

Carlos do Carmo é o primeiro português a conquistar um Grammy

Carlos do Carmo tornou-se o primeiro português a ganhar um Grammy e logo numa das categorias mais consideradas, o "Lifetime Achievement", entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou álbum.

O fadista português foi ontem informado pelo próprio presidente da Latin Recording Academy,  Gabriel Abaroa Jr., que havia vencido o Grammy, tornando-se assim no primeiro português a conquistar um galardão que também já foi entregue a Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, Miles Davis, Bob Dylan, Billie Holiday, James Brown, Tom Jobim, David Bowie, Leonard Cohen, Johnny Cash ou, já este ano, Kraftwerk, Ney Matogrosso e Los Lobos.

O Grammy é considerado o maior e mais prestigiado prémio da indústria discográfica, estando previsto que o troféu seja entregue a Carlos do Carmo no próximo dia 19 de novembro deste ano, no Hollywood Theater da MGM, em Las Vegas, Estados Unidos da América. Nesse mesmo mês estreará em Portugal um filme documental sobre a vida e a obra de Carlos do Carmo realizado por Ivan Dias.

Neste momento, e até ao final do ano, estará patente na Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição "Carlos do Carmo 50 Anos" cuja inauguração sucedeu depois do lançamento do álbum "Fado É Amor", também ele publicado em jeito de celebração do 50º aniversário da sua carreira e onde contou com a colaboração de Mariza, Ana Moura, Carminho, Camané e Aldina Duarte entre outros fadistas das mais recentes gerações. 

Aos 74 anos de idade, Carlos do Carmo chega assim ao ponto mais alto da sua carreira. Filho de Alfredo de Almeida, que veio a ser proprietário da casa de fados O Faia, situada no Bairro Alto, e de Lucília do Carmo, uma das mais distintas fadistas do século XX, de quem viria a adotar o apelido, Carlos do Carmo nasceu em Lisboa a 21 de dezembro de 1939 onde ainda hoje vive.

A sua carreira teve início aos 9 anos de idade,  quando gravou um primeiro disco, mas os registos oficiais dão 1964 como o tiro de partida para um percurso carregado de canções que ficaram na história da música portuguesa.

São igualmente inúmeros os prémios e distinções que ao longo de uma carreira de mais de 50 anos distinguiram a sua arte de respeitar e, ao mesmo tempo, inovar o fado. Partindo do chamado fado tradicional, mas com uma bagagem musical onde podemos encontrar Frank Sinatra, Jacque Brel, Elis Regina ou José Afonso, Carlos do Carmo foi construindo um reportório de onde se destaca o álbum "Um Homem na Cidade" entre muitos outros espécimes da mais alta estirpe que gravou ao longo da sua carreira.

De entre as sua canções mais populares destacam-se interpretações como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo", "O Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Duas Lágrimas de Orvalho" muitos deles escritos com José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho.

Carlos do Carmo foi também um dos maiores defensores do património fadista. Com Rui Vieira Nery protagonizou a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela UNESCO em novembro de 2011. Para a divulgação do fado "lá fora" também foi instrumental o seu papel no filme "Fados", dirigido pelo realizador espanhol Carlos Saura e estreado em 2007 com a sua participação e também a de Mariza, Camané, Carminho, Argentina Santos além de Chico Buarque de Hollanda e Caetano Veloso.

Entre as suas apresentações públicas mais relevantes contam-se espetáculos nalgumas das mais prestigiadas salas de todo o mundo como o Olympia de Paris, Ópera de Frankfurt, Royal Albert Hall de Londres, Canecão do Rio de Janeiro, Savoy de Helsínquia ou a Ópera de Wiesbaden. Em Portugal, atuou no Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém, no Grande Auditório da Gulbenkian, no Coliseu dos Recreios ou no Casino Estoril.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/carlos-do-carmo-e-o-primeiro-portugues-a-conquistar-um-grammy=f878643#ixzz36DirYHVT

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:)

por Patrícia Reis, em 30.05.14

Egoísta ganhou o Grande Prémio de Design na edição anual dos Papies. Foi ontem de madrugada na Figueira da Foz. Os prémios que a revista tem recebido ao longo dos anos são todos o reconhecimento do nosso trabalho (isto só quer dizer que nenhum envolve dinheiro) e são uma benção para nós que estamos no atelier 004. Obrigada por saberem que nos esfolamos a trabalhar para termos uma revista como esta, há 14 anos, propriedade da Estoril-Sol. Obrigada a todos os que colaboram connosco (e são muitos!) Ao fim deste tempo, não sei como faremos melhor, mas faremos:)

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Será que ela teria direito a ser uma das "belles toujours"?

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.01.14

Tal como Truffaut, também eu nunca me cansarei de apreciar a beleza, a estética ou o encanto de uma mulher. Mas como não discuti isso previamente com o Pedro, não sei se Lady Victoria Hervey com esta indumentária teria direito às "primeiras páginas" dele. De qualquer modo, arrisco dizer que quer o meu amigo Pedro, quer as nossas co-autoras, quer os demais cavalheiros e os leitores deste blogue, concordarão comigo de que este vestido, independentemente de quem o use, é susceptível de provocar torcicolos e engarrafar o trânsito em qualquer cidade, vila ou aldeia.

Para quem quiser copiar o modelo, e, se não se importam, tiver corpo para isso, deixo aqui o link para as outras fotos.

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Justo prémio

por Pedro Correia, em 31.05.13

Se há prémio justo, é este que acaba de ser atribuído ao Ricardo Araújo Pereira. Que escreve com todas as vogais e consoantes.

 

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Parabéns!

por Ana Vidal, em 28.05.13

 

A Mia Couto, que acaba de ganhar o prémio Camões. É actualmente um dos meus escritores preferidos de língua portuguesa e o único (repito, o único) que me leva ao sacrifício de ler um livro escrito em acordês. Porquê? Porque, simplesmente, pior do que isso seria não poder lê-lo. Mas é pena que tenha cedido ao AO e ao enganador argumento da uniformização do português. Logo ele, que tem um vocabulário tão próprio e por isso contribui de forma tão expressiva para a diversidade da nossa língua.

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Nem só de pão vive o homem

por Ana Vidal, em 16.05.13

 

É um homem sereno, tímido, afável e generoso. Tão generoso que me prefaciou um livro e depois se dispôs a fazer de propósito, com toda a naturalidade, uma viagem de 300 Km só para apresentá-lo. Bastaria isso para elogiá-lo e ficar feliz por ele. Mas é por ser o ENORME poeta que é - leio-o há anos, sempre em estado de puro deslumbramento - que o felicito pela notícia que acabo de saber: Nuno Júdice, pelo conjunto da sua obra, publicada pela Dom Quixote, acaba de ser anunciado vencedor da XXII Edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana.

 

Muitos parabéns, Nuno, o prémio é merecidíssimo!

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Alastrar

por Patrícia Reis, em 10.01.13

O livro ganhou um prémio. É um bom livro, está bem escrito e, de repente, aqui está: alastrou-se. E eu fico logo com comichão. Alastrar não é reflexo. Podem por favor informar o povo em geral e os escritores em particular? Continuei a ler. Temos sete vezes "alastrou-se". Avisem os editores também.

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Crónica comprida

por António Manuel Venda, em 03.01.13

Isso de receber um prémio
Nos meus tempos finais da faculdade, houve uma ocasião em que estive quase a receber um prémio das mãos de um secretário de Estado; calhou-me logo o Santana Lopes. Foi na sede de uma seguradora, num edifício antigo do Chiado, em Lisboa, um edifício por sinal bem bonito, embora um bocadinho mal conservado, coisa que depois acabou por ser corrigida. Santana Lopes pertencia então a um governo de Cavaco Silva; tratava da cultura, que já com Cavaco, como poucos hão-de estranhar, não tinha honras de ministério – e se calhar até ia com sorte em ter as de secretaria de Estado. Ora precisamente por tratar então da cultura em Portugal, Santana Lopes tinha sido convidado para presidir à entrega dos prémios literários do Centro Nacional de Cultura. Era essa cerimónia que a sede da seguradora acolhia, e eu estava presente porque ia receber – pelo menos era o que eu pensava quando me dirigia para o local –, ia receber, dizia, o prémio para a categoria a que tinham chamado «revelação».

Foi num fim da tarde de Maio de 1991. Em Roterdão, no Estádio De Kuip, conhecido como «a banheira de Roterdão», iam jogar as equipas de futebol do Barcelona e do Manchester United. Estava em disputa a Taça dos Clubes Vencedores das Taças, que nessa altura ainda existia. Eu dirigia-me para a sede da seguradora um bocado contrariado, por um lado porque ia perder o jogo – coisa que anos mais tarde pouco me importaria, mas que na altura achava importante. Além disso, estava curioso em saber no que daria uma disputa entre uma equipa bastante forte – a do Barcelona – e outra – a do Manchester United – que era classificada pelos especialistas do pontapé na bola como outsider, depois de vinte e tal anos de alguma obscuridade a seguir à vitória na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1968, frente ao Benfica. Isto por um lado. Por outro, eu dirigia-me para a sede da seguradora um bocado contrariado porque imaginava que a cerimónia haveria de ser uma coisa chata. O que eu estava longe de imaginar é que haveria de ser pior do que isso. 
Um colega de curso estava na esplanada da Brasileira à minha espera. Entrámos na sede da seguradora e aí encontrámos logo mais dois ou três colegas. Faltava uns vinte minutos para a cerimónia começar e já estava muita gente no local. Talvez umas duas ou três centenas de pessoas. Lembro-me de que comentámos que aquela afluência devia ter muito a ver com o premiado principal, que era bastante conhecido, e também com a presença de nomes importantes para abrilhantar a ocasião, como o escritor José Saramago, que ia falar das obras premiadas, precisamente no mesmo dia em que estreava ali mesmo ao lado, no S. Carlos, daí a umas duas horas, a ópera «Blimunda», inspirada no seu romance «Memorial do Convento».
Enfim, lá nos metemos pelo meio daquela gente toda, até que chegámos perto de uma divisão que parecia ser o salão nobre ou coisa do género. Um senhor que fazia uma espécie de triagem, assim tipo porteiro de discoteca, mandou-nos esperar, franzindo o sobrolho quando eu lhe disse o nome e que era um dos premiados. Depois meteu-se em direcção ao salão, avisando-nos novamente de que devíamos esperar ali. Sentámo-nos num enorme sofá, sem nos preocuparmos muito, até que daí a uns minutos ele voltou, acompanhado por um outro senhor, meio enfezado, que com uma das mãos nos fez sinal para que esperássemos, desaparecendo logo em seguida.

– Aquele senhor é que sabe tudo – disse o porteiro. 
E o tempo foi passando. Até que para meu espanto percebi que no interior do salão a cerimónia estava a começar. Levantei-me e tentei espreitar para o interior, para a zona do fundo onde tinham colocado a mesa dos premiados e dos outros intervenientes, isto enquanto o porteiro praguejava para dentro com a minha insolência. Logo a seguir, voltou a aparecer o senhor que segundo ele é que sabia tudo, só que em menos de nada desapareceu outra vez. As pessoas que entretanto tinham entrado no salão formavam um conjunto compacto que já não respeitava nem a ordenação das cadeiras, nem os espaços de circulação. Por entre as cabeças, consegui ver o que se passava na mesa do fundo. Distingui um escritor um bocado entradote, o tal que ia receber o prémio principal, uma rapariga que ia receber o da categoria de «literatura infantil», José Saramago para falar das obras e o secretário de Estado para as entregas. Havia também uma cadeira vazia, que presumi tratar-se da minha. 
De repente, o tal senhor que sabia tudo voltou. Vinha todo esbaforido; assim que o porteiro apontou para mim, olhou-me e disse: 
– Ah, mas você é o premiado!... 
Eu fiz que sim com a cabeça e ele apresentou-se, acrescentando que era o responsável pela organização da cerimónia. Aquilo despertou-me a atenção, porque os apelidos coincidiam com os da presidente da instituição que promovia os prémios. Era o filho. Voltou a falar: 
– É pá, isto é um problema, porque... 
Um dos meus colegas interrompeu-o: 
– Ouça lá, a gente está aqui há mais de um quarto de hora e ninguém veio receber o meu colega, e agora você diz que é um problema?! 
– Pois – retorquiu o senhor que sabia tudo –, mas sabe que... 
– Olhe – acabei por dizer –, se me tivessem deixado passar eu tinha ido para a minha cadeira na altura em que os outros ocuparam as deles. 
– Pois – insistiu o senhor que sabia tudo –, isto agora é mesmo um grande problema. 
Parecia procurar uma solução. De repente, todo decidido, disse: 
– Pronto, você entra ali, devagar, passa por entre as pessoas e senta-se na cadeira livre. 
Eu disse-lhe que ele devia estar mas era maluco… 
– Você deve estar mas é maluco! 
Ele ficou calado, até que outro dos meus colegas lhe disse: 
– Bom, você o que tem a fazer é levá-lo até lá! 
– Levá-lo até lá?! 
– Pois, interrompa as coisas e explique o que aconteceu! 
– Isso não faço! – disse o senhor que sabia tudo. 
Perante aquela resposta, decidi não entrar. 
– Recebo o prémio no fim – disse-lhe, e ele virou-me as costas. 
Entretanto, José Saramago tinha começado a falar. De onde eu estava, não conseguia ouvir grande coisa, mas a certa altura percebi que falava ou de mim, ou do livro pelo qual eu tinha sido premiado, ou talvez dos dois. Pareceu-me ouvi-lo dizer algo como ser uma pena não estar presente o autor que escrevia assim. Ainda hoje estou para saber o que é que ele teria querido significar com tais palavras. Seria assim tão bem? Ou assim tão mal? Ou teria dito assim-assim e eu só consegui apanhar o primeiro assim? Ou teria eu ouvido tudo mal e José Saramago não estava a falar nem de mim, nem do livro? 
Até que a cerimónia terminou. Quando as pessoas começaram a dispersar, o senhor que segundo o porteiro sabia tudo voltou a dar as caras. Eu estava novamente sentado no sofá, à espera, enquanto um dos meus colegas andava de um lado para o outro, como se a ele é que tivessem impedido de receber o prémio. Os outros já tinham saído, com a promessa de esperarem por nós na Brasileira. 
– Olhe, já temos ali o prémio – disse o senhor que sabia tudo. 
Fui buscar o prémio, com ele à frente, e com o meu colega ao lado, cada vez mais impaciente, porque éramos do mesmo grupo na faculdade e tinham ficado duas das raparigas que também o integravam a adiantarem um dos trabalhos de fim de curso. O secretário de Estado estava a falar com um tipo que eu nunca tinha visto mais gordo. Aliás, mesmo que já o tivesse visto, era um tipo tão sobredimensionado que seria difícil tê-lo alguma vez visto ainda mais gordo. Ainda pensei que seria ele a entregar-me o prémio, ele o secretário de Estado, não o tipo sobredimensionado, mas nenhum dos dois olhou para mim. Como estavam junto à porta da sala para aonde nos dirigíamos, o meu colega teve de pedir licença para que nos deixassem passar, depois de o senhor que sabia tudo ter aproveitado uma nesga momentaneamente livre para se esgueirar. Mas nem o tipo sobredimensionado nem o secretário de Estado se desviaram. O meu colega voltou a pedir, mas nada. Repetiu o pedido, e nada outra vez. Foi então que disse uma coisa de que eu nunca mais me esqueci. Mais palavra, menos palavra, terá sido assim: 
– Este gajo, lá porque é do governo, deve pensar que não precisa de dar passagem a ninguém! 
Fê-lo em voz bem alta, tanto que algumas pessoas se puseram a olhar, talvez na esperança de assistirem a uma cena apetitosa. Mas o secretário de Estado continuou sem se desviar, e sem sequer olhar para trás, para onde nós estávamos. O tipo sobredimensionado é que acabou por desviar-se, mas também ele sem nos olhar. E nós passámos, não sem que eu me lembrasse de que se calhar, neste país, há governantes que usam sempre um assessor para se desviar por eles. 
O prémio, afinal, estava na posse de um senhor que, segundo julgo recordar-me, era o presidente da empresa patrocinadora. Quando o senhor que sabia tudo o informou de que eu era o «premiado faltoso», virou-se para mim e disse: 
– Ah, então é você! 
Entregou-me um envelope. Abri-o e estava lá um cheque. 
– Está tudo bem? – perguntou o meu colega, enquanto virávamos as costas. 
– Deve estar – disse eu. 
– Convém, porque tens uns copos para pagar à malta toda! 
Nessa altura, o presidente da empresa patrocinadora chamou-me: 
– Olhe, não se vá ainda embora! 
Virei-me para ele. 
– Está aqui um livrinho sobre automóveis, que temos todo o gosto em oferecer-lhe. Foi a nossa empresa que o editou. 
– Ah, obrigado! Como é que sabe que eu gosto de automóveis? 
– Não sei. Quer dizer, fico agora a saber. 
– Ah, compreendo – disse eu. 
– É que damos isso a toda a gente. Já que editámos... 
– Boa – disse eu, e virei as costas definitivamente. 
O meu colega tinha desaparecido a caminho da Brasileira. Quando saí da sala, já não vi o secretário de Estado, nem tão-pouco o tipo sobredimensionado, o tal gordo que nunca ninguém alguma vez poderia ter visto mais gordo. 
«Agora tenho o caminho livre», pensei. 
Desci as escadas em direcção à rua. Os meus colegas não tinham conseguido arranjar mesa na Brasileira, de forma que fomos a correr petiscar qualquer coisa a uma tasca do Bairro Alto. Ainda não tinha aparecido por cá o McDonald’s. Eu, tal como o meu colega de grupo, tinha o trabalho da faculdade à espera, ainda por cima de uma das cadeiras mais complicadas do curso, e se calhar com as raparigas já a dizerem mal de nós. Por certo, teríamos que fazer serão em frente do computador, enquanto elas dormiam um bocado. 
– Porcaria do trabalho!! – desabafou o meu colega. 
Era mesmo uma porcaria. E consumiu-nos a noite toda. Mesmo assim, ainda conseguimos ver um resumo do jogo de Roterdão no «Eurosport». O Manchester United ganhou surpreendentemente por dois a um, com dois golos de um jogador galês de nome Mark Hughes, que depois haveria de jogar no Barcelona. Pelo Barcelona já não me lembro quem marcou, mas talvez perguntando ao secretário de Estado, que acabou por tornar-se comentador desportivo... Além de presidente de câmara, primeiro-ministro, presidente do meu clube e outras coisas que nem interessa estar aqui a lembrar.

 

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Catch me if you can

por José Navarro de Andrade, em 23.11.12

"Camera traps" ou armadilhagem fotográfica, são câmaras fotográficas com sensores que as fazem disparar quando detectam movimento. Muito úteis para investigações de vida selvagem porque, deixadas em lugares estratégicos, permitem fotografar sem a presença humana. De tal modo que a BBC Wildlife tem um prémio anual para a melhor foto. Neste ano de 2012 ano entre as eleitas estava este prodígio de Beatriz Estanque, bióloga da LPN em Castro Verde. Por estas e por outras, começo a ter a sensação que a fotografia portuguesa está atingir um nível artístico de classe mundial.

 

 

 Beatriz Estanque, "Lebre e tempestade", 2011

 

 - o seu a seu dono: obrigado Maradona 

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Lendas da Índia

por Helena Sacadura Cabral, em 12.06.12

  

Luís Filipe Castro Mendes nasceu em 1950, em Idanha-a-Nova. Licenciado em Direito em 1974, pela Universidade de Lisboa, seguiu a carreira diplomática e estreou-se em 1983, com o livro de poesia Recados

Em 1984 publica a ficção Areias Escuras e no ano seguinte regressa à poesia com Seis Elegias e Outros Poemas, galardoado com o Prémio da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Publicará ainda Ilha dos Mortos (1991), Viagem de Inverno (1993), O Jogo de Fazer Versos (1994), Modos de Música (1996), Outras Canções (1998), Poesia Reunida (1985-1999) e Os Dias Inventados (2001).


O seu último livro, Lendas da Índia, publicado pela Dom Quixote em Junho de 2011acaba de ser distinguido com o Prémio António Quadros, atribuído pela Fundação com o mesmo nome. 

De acordo com os membros do júri - José Carlos Seabra PereiraAntónio Cândido FrancoFernando J.B. MartinhoNuno Júdice e Pedro Mexia -Lendas da Índia inscreve-se no “horizonte de um diálogo de culturas, com aspectos relevantes do pensamento universalista e da abertura de espírito do patrono deste Prémio (…) dando prossecução a um trajecto literário de grande qualidade estética.” 

Para o júri, Lendas da Índia versa sobre a identidade “sem complexos históricos com o passado dos Descobrimentos.”


Tal como o nome o indica, trata-se de um livro que reúne um conjunto de poemas sobre a Índia ou sobre outros temas descritos com o olhar de quem viveu naquele país.


Só posso recomendar, vivamente, a sua leitura, uma vez que o considero, a par de Pedro Tamen, e entre os vivos, um dos meus dois poetas preferidos. 

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Roth Vencedor do Astúrias!

por Patrícia Reis, em 06.06.12

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Mais prémios para a Egoísta

por Patrícia Reis, em 25.05.12

A Egoísta GANHA mais prémios (sim, no plural!). Na 24ª edição dos Papies, a Egoísta levou para casa o Grande Prémio na Categoria de Revistas com a edição Viagem, outra na edição Cartas e ainda menção honrosa com a Egoísta Traço. A Estoril Sol, proprietária da revista, e a equipa da 004, que faz a mesma publicação há quase 12 anos, estão FELIZES.
Os Prémios Papies são promovidos anualmente pela Revista do PAPEL (DP), uma publicação mensal da Pixelpower dedicada à comunicação gráfica.Mais prémios para a Egoísta

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Ah? Globos quê?

por Patrícia Reis, em 21.05.12

Alguém viu os Globos de Ouro? Eu confesso já que não vi, por isso este post é altamente suspeito, ok? Pronto. Feito o mea culpa, fui informada que o prémio de carreira foi atribuído a Francisco Pinto Balsemão, no palco, surpreendido, mas preparado de discurso, depois de um filme com fotografias do senhor em pequeno e, cereja no topo do bolo, os filhos a dar o prémio ao dono da estação.

Dizem-me, ainda, que a Bárbara Guimarães não foi simpática com Luís Miguel Cintra e que os vencedores foram todos meninos ou meninas com ligação à SIC. Salvaram-se as meninas das unhas, Rueff e Bola, sempre geniais. O texto da gala era de quem? Não me sabem dizer, mas é a sexta pessoa que me pergunta: tu viste aquela coisa ontem à noite? Quem é que escreve aquilo? E viste o Luís Miguel Cintra ao lado José Castelo Branco? Não vi nada e ainda bem.

Cada vez estou mais convencida de que o melhor do mundo são os livros.

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Habituem-se

por Luís Menezes Leitão, em 28.09.11

Eu não concordo muito que o Estado dê prémios pecuniários aos alunos, mas acho absolutamente inconcebível que um prémio já atribuído possa ser retirado a 48 horas de antecedência da cerimónia, quando os alunos já tinham sido avisados que o iriam receber. Imagino a enorme decepção que todos os alunos contemplados irão sofrer quando forem à cerimónia e não receberem prémio algum. E o que terão que passar as suas famílias para compensar a sua desilusão.

Mas há que reconhecer que com esta decisão o Ministério da Educação acaba de prestar um grande serviço pedagógico aos alunos. Ficaram desde já a saber que é este o Estado Português com que terão de conviver em adultos: um Estado que a todo o tempo pode desrespeitar os seus compromissos, cortar unilateralmente os salários aos seus funcionários, as pensões aos seus pensionistas e aumentar retroactivamente os impostos que cobra. Os alunos podem assim desde já habituar-se a que é este o país em que vivem e pensar em emigrar para o estrangeiro. Só essa lição vale mais que o prémio.

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Ruben Faria no 'Dakar'

por João Carvalho, em 20.01.11

Uma bela foto do português Ruben Faria na sua KTM, tirada a 9 deste mês, na 7.ª etapa (Arica-Atacama) do Rally Dakar 2011 (que regressou à América do Sul e percorreu a Argentina e o Chile). Ruben Faria subiu ao segundo lugar do pódio em Buenos Aires.

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Então?

por João Carvalho, em 21.12.10

É assim que nos pagam? Davam mais se fôssemos os palhaços do circo? Já viram bem quantos dias faltam? Afinal como é? 'Bora lá votar em nós aqui. E depressa, sim?

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Isso faz-se?

por João Carvalho, em 20.12.10

Viajo de Angra a Lisboa expressamente para estar na reunião do DELITO DE OPINIÃO, onde se analisam todos os detalhes que possam melhorar e interessar ainda mais os nossos prezados comentadores e leitores em geral. E qual é a paga que nos dão? Vejo o DO a ficar para trás na votação. Isso faz-se? Ora vão lá votar em nós — e depressinha, que é a vossa obrigação e já não falta muito tempo para recuperarmos. Aqui.

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Apelo descarado

por Leonor Barros, em 20.12.10

Votai! Votai em nós! Votai em nós aqui!

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Chapelada

por Ana Vidal, em 19.12.10

Chama-se Maria do Carmo Fonseca e foi distinguida com o Prémio Pessoa 2010, pelo seu importante contributo para o conhecimento do genoma humano. Com o galardão vieram também 60.000 euros, um prémio pecuniário pessoal que o premiado pode, naturalmente, gastar como quiser. Em entrevista, a cientista revelou que essa verba será integralmente aplicada na compra de um microscópio essencial para as suas investigações, que não existe no laboratório onde trabalha. Um caso exemplar, e ao mesmo tempo uma notável e irónica chapelada aos imperiais polegares que decidem os destinos  dos dinheiros públicos. Infelizmente, é pouco provável que alguma cabeça enfie a carapuça, num país e numa época em que se vive de aparências. Mas vale a pena meditar nisto: o valor de um só carro de alta cilindrada de uma qualquer empresa pública chegaria para comprar o equipamento em falta. Fica a lição.

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E o vencedor é...

por João Carvalho, em 08.12.10

... o que iremos saber em breve.

O Pedro Correia está nomeado para Blogger do Ano pelo programa da TVI24 Combate de Blogs — pelo serviço público que presta aqui, sem sombra de dúvida. Também o nosso Luís M. Jorge foi colocado na luta para o mesmo troféu, pela prestação no seu espaço solitário Vida breve.

Nas restantes duas categorias (uma é dedicada ao Blog Revelação do Ano), o DELITO DE OPINIÃO está nomeado para Blog do Ano, o que nos deixa babados até aos pés. Mas prometemos desde já não baixar os braços nem deitar a toalha ao chão.

Até conhecermos os resultados destas palpitantes nomeações e pelo-sim-pelo-não, vamos já bebendo um copo por conta, não vá dar-se o caso de um dos prémios ser arrebatado por outro quase tão bom como nós.

 

ADENDA: Para votar é aqui.

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Sobre prémios

por António Manuel Venda, em 05.07.10

 

A recusa de um prémio por parte de Paulo Nozolino trouxe-me à memória um outro, da Comissão dos Descobrimentos, que acabei por não receber. Depois de me ter sido atribuído, nunca o entregaram. Acabei por recusá-lo passados uns anos, por telefone. Deram-me uma resposta que me deixou verdadeiramente surpreendido: só aceitavam recusas por escrito (qualquer coisa como «precisamos de ficar aqui com um papel»). Eu então disse que era só o que faltava estar a perder mais tempo com eles a escrever uma carta. Presumo que por isso fiquei para sempre como premiado. Presumo também que agora, com a moda das escutas, já é possível recusar prémios por telefone.

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Um presente envenenado

por Ana Vidal, em 03.07.10

Como não tenho o link, aqui fica, na íntegra, a notícia que recebi por mail:

 

Fotógrafo Paulo Nozolino vai devolver Prémio do Ministério da Cultura

02 de Julho de 2010

 

O fotógrafo Paulo Nozolino anunciou hoje que vai devolver o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura (AICA/MC) 2009 em repúdio pelo "comportamento obsceno e de má fé" na actuação do Estado português.

O artista tinha sido contemplado com a edição 2009 do prémio na área das artes visuais, no valor de dez mil euros, patrocinado pelo Ministério da Cultura através da Direcção-Geral das Artes (DGArtes).

Numa carta de Paulo Nozolino divulgada hoje pela Galeria Quadrado Azul, que o representa, o artista justifica a decisão comentado que "em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o!".

"Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10 por cento em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas", escreve o artista de 54 anos, premiado em Portugal e no estrangeiro.

A decisão de Paulo Nozolino devolver o prémio surge num momento de grande contestação por parte dos artistas do país, na sequência do anúncio do Ministério da Cultura de aplicar cortes orçamentais de 10 por cento.

A ministra da cultura reage hoje às críticas num artigo de opinião publicado no jornal Público. Gabriela Canavilhas defende que a "leitura histórica" do "trabalho hercúleo" do governo será feita a seu tempo, dizendo que o "contributo e empenho para a consolidação das finanças públicas são pedidos a todos os cidadãos, sem excepção".

Um prémio que se revelou um "presente envenenado"


No comunicado divulgado pela Galeria, o artista relata: "Na cerimónia de atribuição do prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier", director-Geral das Artes.

"No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10 por cento, cuja existência é justificada pelo diretor-Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”, descreve ainda.

Para Paulo Nozolino, o pedido de apresentação das certidões "é como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGArtes. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento".

"Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste, não teria aceite passar por esta charada", acrescenta.

O fotógrafo devolve o prémio à AICA, rejeita o dinheiro e exige que o seu nome não conste do historial dos premiados.

A cerimónia de entrega do prémio, com a presença de representantes da AICA e da DGArtes decorreu no passado  dia 29 de Junho, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa.

 

@SAPO/LUSA

 

Adenda: descobri, entretanto, estes três textos referentes ao mesmo assunto. É sempre bom vermos as coisas de várias perspectivas.

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Os prémios que a crise produz

por João Carvalho, em 07.04.10

Não há dúvida de que o sortudo presidente da EDP está a ser um mau exemplo: os pilotos da TAP arrecadam mais oito milhões de euros, quatro milhões de aumento salarial e mais quatro milhões em prémios de produtividade. Portugal é um país que produz pouco, mas é evidente que produz prémios de produtividade como nenhum outro.

António Mexia diz que o seu chorudo prémio é devido por a EDP ter ultrapassado os objectivos traçados. E os pilotos? Puseram-se a voar por rotas que a TAP não tem e aterraram em destinos onde a TAP não vai?

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Apostolado e cultura

por João Carvalho, em 11.12.09

Ora aí está. Certos homens são tão apressadamente associados às suas opções de vida e tão aligeiradamente separados da sua condição humana que até nos esquecemos, por vezes, de que eles também são feitos de virtudes e de fraquezas.

O Prémio Pessoa 2009 – decidido por Pinto Balsemão, Faria de Oliveira, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Vieira Nery – é atribuído a um homem de reconhecidas virtudes, com uma vida rica de apostolado e vasta de cultura: D. Manuel Clemente, bispo do Porto e «uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo».

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Feminino singular

por Pedro Correia, em 29.04.09

 

A Joana atribuiu ao DELITO DE OPINIÃO o prémio Este blogue é tão bom que até arrepia. E desafia-me a mencionar outros blogues que mereçam esta distinção.

Para validar a escolha, há que dar os seguintes passos:

 

· Reencaminhar este prémio para dez blogues
· Exibir a imagem do prémio
· Publicar o endereço do blogue que o premiou
· Indicar dez blogues para fazerem parte do "este blogue é tão bom que até arrepia"
· Avisar os indicados
· Publicar as regras
 
Parece complicado, mas não é. Aqui ficam as minhas escolhas. Todas com nome próprio. Feminino. E singular.

 

Ana

Ângela

Carla

Eugénia

Isabela

Joana

Leonor

Luísa

Rita

Sofia

 

Agradeço a distinção, em nome de toda a tribo 'delituosa'. Falta acrescentar um agradecimento à Eugénia de Vasconcellos e ao José Simões, que também nos distinguiram. E sublinhar que Entre as Brumas da Memória, da própria Joana Lopes, também deve, por mérito próprio, ser incluída nesta galeria de blogues que admiro.

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Uma história de futebol, de paz e de literatura

por António Manuel Venda, em 13.01.09

Um dia o Comité Norueguês do Nobel recebeu uma carta da Suécia. Nela ia a proposta de que futebol fosse distinguido com o Prémio Nobel da Paz do ano de 2001. Assinava-a um senhor chamado Lars Gustafsson – não sei bem se o conhecido escritor de romances se apenas um escritor de cartas –, cidadão da Suécia, precisamente o país onde são atribuídos todos os Prémios Nobel excepto o da Paz, que é uma iniciativa norueguesa.

Lars Gustafsson, na carta enviada para a capital da Noruega, realçou o facto de o futebol promover a harmonia e a compreensão entre as nações. Para ele, o futebol desempenhava, e haveria de continuar a desempenhar, «um papel importante na aldeia global» em termos de «criação do entendimento entre as pessoas». Além disso, realçava, «muitas vezes nações hostis encontram-se nos campos de futebol»; dava mesmo alguns exemplos, como o jogo entre os Estados Unidos e o Irão, no Mundial de 1994, e a selecção única apresentada pela Coreia do Norte e pela Coreia do Sul no Mundial de Sub-20 de 1991, realizado em Lisboa e onde a selecção portuguesa (de Figo, Peixe, Rui Costa, João Pinto, Jorge Costa, Capucho e mais alguns) acabaria como campeã.
Confesso que ao ler a notícia pela primeira vez (lembro-me de que era da Agência Lusa) não me veio logo à cabeça a FIFA para receber o prémio. Ainda fiquei um bocadinho a pensar, mas depois percebi que teria mesmo de ser a FIFA, ou melhor, o seu presidente, a deslocar-se a Oslo.
Quanto a reacções, algumas, embora de cá, que eu tenha tomado conhecimento, apenas uma… Gilberto Madaíl, que já era presidente da Federação Portuguesa de Futebol na altura, considerou que se tratava de «uma excelente notícia» e de «uma honra para o futebol mundial». Não falou foi do futebol português, de como é que poderia ficar no meio de tudo aquilo – aquilo, o prémio, já se vê, se o Comité Norueguês do Nobel fosse na conversa do senhor Lars Gustafsson. Talvez devesse ter falado, ou talvez não. A verdade é que não sei ao certo. A federação presidida por Gilberto Madail integra a FIFA – seria isso suficiente para reclamar nem que fosse só um bocadinho de um eventual Prémio Nobel da Paz?
Há outro prémio em que a situação seria diferente. Aí as minhas dúvidas dissipam-se; inclusive, eu recomendaria com algum entusiasmo o futebol português para esse prémio. Refiro-me ao Grande Prémio do Romance e da Novela, da Associação Portuguesa de Escritores. Creio que o valor anda pelos quinze mil euros. Para o futebol cá da terra até não será muito, mas também o dinheiro não é o mais importante. Acima de tudo, está o prestígio.
O futebol português, não por causa de romances, mas indiscutivelmente pelas suas novelas, por qualquer uma das muitas que vai produzindo, haveria de merecer a atenção. Resta saber se haverá alguém disposto a mandar uma carta à Associação Portuguesa de Escritores sugerindo a distinção; nem que seja um escritor, de romances ou apenas de cartas, como o senhor Lars Gustafsson.
E haveria de ser uma bela cerimónia, a da entrega do Grande Prémio do Romance e da Novela ao futebol português, de certeza representado ainda por Gilberto Madail. No Verão, em Tróia ou na Gulbenkian – locais de que me lembro de algumas entregas –, lá estaria mais uma vez o presidente da República a abrilhantar a ocasião. Ainda por cima um presidente como o de agora, doutorado em Literatura, mesmo que a coisa tenha sido arranjada nas índias e muito provavelmente sem que os doutoradores soubessem bem o que estavam a fazer. Na volta, para o nosso futebol, até nem ficava mal.

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