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Postais de Lisboa (14)

por Pedro Correia, em 19.09.17

 

Ainda há zonas sem esgotos mas já têm parquímetros.

 

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Postais de Lisboa (13)

por Pedro Correia, em 18.09.17

 

Adeus, restaurante panorâmico. Olá, "Open House".

 

 

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Postais de Lisboa (12)

por Pedro Correia, em 14.09.17

Provedor de Justiça considera inconstitucional a taxa municipal de protecção civil lançada pela Câmara de Lisboa.

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Postais de Lisboa (11)

por Pedro Correia, em 24.08.17

 

Tráfico de droga no centro de Lisboa.

 

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Postais de Lisboa (10)

por Pedro Correia, em 04.08.17

«Depois de quase dois anos de arenga política, a Assembleia Municipal de Lisboa foi incapaz de aprovar um regulamento do arvoredo da cidade. Hilariante. Não deixa de ser absurdo que o executivo que gasta milhões em novos espaços verdes seja incapaz de criar um regulamento definitivo. Ou seja, para fazer novos jardins (e eu acho bem), tudo às mil maravilhas, para gerir os espaços verdes que fazem parte da cidade há decadas, ah, isso entrega-se às juntas de freguesia e cada uma faça o que entender. (...) A verdade é que desde que as juntas passaram a tutelar estas matérias os lisboetas assistem ao abate, à poda selvagem e ao abandono de árvores.»

Edgardo Pacheco, hoje, no Correio da Manhã

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Postais de Lisboa (9)

por Pedro Correia, em 05.07.17

«O metro de Lisboa tornou-se nos últimos seis anos uma catástrofe absoluta. Com a diminuição do número de carruagens, com o despedimento de motoristas, o que aconteceu neste período foi muito grave. Temos um problema de transportes a que a Câmara tem dificuldade em responder.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias (30 de Junho)

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Postais de Lisboa (8)

por Pedro Correia, em 04.07.17

 

Preço das casas em Lisboa já é o dobro da média nacional.

 

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Postais de Lisboa (7)

por Pedro Correia, em 27.06.17

«É proibido levar os cães para as praias concessionadas. E no entanto é vê-los a andar pelo areal, fazendo o que os animais fazem quando têm vontade, sem que a polícia faça cumprir a lei. Acontece o mesmo nas ruas de Lisboa, porcaria por toda a parte, um nojo inacreditável, passeios de sujidade medieval.»

André Macedo, no Jornal de Negócios (26 de Junho)

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Postais de Lisboa (6)

por Pedro Correia, em 16.06.17

Nem a Madonna quer nada com Lisboa, apesar da ridícula deslocação do presidente da Câmara ao hotel Ritz para com ela travar um "encontro de cortesia" - seja lá o que isso for. Na hora das compras, a Material Girl proclamou Papa don't preach e optou por adquirir uma "quinta de luxo" no concelho de Sintra. Como eu a percebo: qualquer deslocação no caótico trânsito da capital, seja a que horas for, tornou-se numa penitência só recomendável aos fiéis devotos de Fernando Medina, que lhe entoam hossanas like a prayer. E a hipótese de aqui viver, aos preços actualmente praticados, é cada vez mais uma miragem. Live to tell.

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Postais de Lisboa (5)

por Pedro Correia, em 13.06.17

 

«Há uma overdose de turistas e Lisboa parece Bombaim.»

 

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A mercearia reabriu

por Teresa Ribeiro, em 30.05.17

Mercearia.jpg

 

Depois de uns dias fechada, com uma cruz na porta, a pequena mercearia reabriu, com os mesmos caixotes de fruta no passeio. Tudo igual, excepto a roupa da velhota, antes indistinta, agora uma mancha negra a assombrar pêssegos e limões. Ela e o marido, em guerrilha permanente, eram tema de piadas no bairro. As quezílias diárias deixavam-lhe o olhar velado, carregado de azedume e a ele uma expressão de enfado impossível de disfarçar. Para o cenário trivial de uma mercearia de bairro era drama em excesso, daí ter tanta graça aquele desconcerto a dois. 

O azedume dos olhos dela, por estes dias, desfez-se em tristeza. Todos comentam que de repente ficou uma sombra da mulher que foi. Amar um traste pode ter-lhe envenenado a vida, mas amar um desertor está a matá-la de vez.

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Postais de Lisboa (4)

por Pedro Correia, em 08.04.17

«O homem expropriado de dois prédios na Mouraria para a edificação de uma nova mesquita está doente, falido e desesperado com a Câmara Municipal de Lisboa. Em Maio de 2016, a autarquia tomou posse administrativa dos dois prédios que António Barroso tinha comprado dez anos antes naquela que é uma das artérias mais multiculturais de Lisboa. Apesar de já não ser oficialmente o dono dos prédios, continua a ter de pagar mensalmente quase dois mil euros de prestações pelos empréstimos que contraiu para comprar os imóveis.»

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Postais de Lisboa (3)

por Pedro Correia, em 06.04.17

«A Piscina da Penha de França, em Lisboa, devia ter aberto em Outubro do ano passado. Até se fizeram visitas guiadas a jornalistas. Tudo parecia correr bem para que a piscina, que esteve fechada cinco anos, voltasse a abrir. Passados quase seis meses, não foi isso que aconteceu. Já com muitos inscritos, as portas continuam fechadas.»

 

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Postais de Lisboa (2)

por Pedro Correia, em 28.03.17

«Queremos uma cidade de fachadas limpas e de miolo destruído? Queremos uma cidade cheia de restaurantes de péssima qualidade (basta exemplificar com quase todos os da Baixa) e lojas de souvenirs de mau gosto? Queremos uma cidade com constantes eventos no centro, precisamente a zona da cidade que menos precisa deles? Queremos uma cidade cheia de apartamentos para alugar a turistas, atirando os lisboetas para as periferias? Queremos uma cidade a abarrotar de turistas low-cost que se alimentam em supermercados e vão comendo pelas ruas (sujando-as)? Queremos que a cidade se transforme numa gigantesca Disneylândia cheia de lixo no chão?»

Tiago Guilherme, na revista Evasões (17 de Março)

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Postais de Lisboa (1)

por Pedro Correia, em 24.03.17

«Seguindo em direcção ao Cais do Sodré à procura de uma cadeira e um café, a única coisa que me acompanha, depois de passar a Portugália, é o rio, um barco ou outro e um cheiro intenso a - peço desculpa pela linguagem - mijo.

Eu sei que não faz parte das funções da CML ou da Junta de Freguesia da Misericódia dar lições de civilidade ao bando de energúmenos que se alivia na rua, mas não me parece que, numa altura em que toda a gente enche a boca com o turismo e jura a pés juntos que não temos turistas em excesso, se possa aceitar que uma parcela da margem do Tejo seja um urinol a céu aberto.»

Edgardo Pacheco, no Correio da Manhã (24 de Março)

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 08.11.15

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Fátima, terra de fé no turismo

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 12.03.15

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Casegas, concelho da Covilhã, 6 de Março

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 19.10.14

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 "Pelo Tejo vai-se para o Mundo" (Alberto Caeiro)

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 06.10.14

 

Santa Luzia, sotavento algarvio, 1 de Outubro

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 04.07.14

 

Tavira, há pouco, ao pôr-do-sol

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 01.07.14

Erupção de patriotismo em Tavira

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 23.06.14

Tavira, ao cair desta noite de São João

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Postais de um Fotógrafo de Bairro (XVII)

por Bandeira, em 15.03.14

José Bandeira

 

Dia que passe à rua Direita do Dafundo e veja dois homens como que lutando no interior de uma antiga caixa de electricidade em betão, não se assarapante: é apenas o Ricardo “a levantar o americano”. O americano é o João e a caixa, excrescência no muro de uma quinta apalaçada, é a casa dele. Os velhos de Algés variaram-lhe a nacionalidade quando arranjou trabalho na linha de caminho-de-ferro que levava gente a jogar ao casino do Estoril. Viam-no correr para a estação e metiam-se com ele, “Lá vai o americano”, porque se dava ares de endinheirado e tinha andado pelo estrangeiro todo, para não falar dos mais de dois anos que teve de cumprir na guerra em África.

 

(Talvez houvesse um velho mais velho do que os outros a quem a imagem do João atrasando-se para o emprego lembrasse, por um qualquer mecanismo da imaginação, os carros americanos – sabe, os eléctricos sem electricidade que dantes havia – e desse ao apodo esse outro sentido. Devaneio meu, gosto talvez da ideia porque pensar no carro americano é pensar nas fotografias que há dele.)

 

Hoje vai pausadamente o americano, apoiando-se numa bengala, a caminho dos setenta anos. A bengala, trá-la desde que se lhe queimaram as pernas certa vez que se deixou dormitar frente a uma lareira. Recebe modesta reforma dos anos em que trabalhou no caminho-de-ferro, antes de um processo de lay-off e a sedução de uma pequena indemnização o terem levado a trocar a trilha dos carris dos comboios por uma outra bem mais torcida, a que morre na caixa de electricidade sem serventia à porta de uma quinta apalaçada na rua Direita do Dafundo.

 

O Ricardo, 31 anos, trocou Barca d’Alva (onde o comboio morreu de tristeza em 1988) pelo exército. Serviu na Bósnia e em Timor, e quem sabe por onde andaria hoje não fora o que lhe sucedeu quando estava na ilha. Seguia com um camarada e viu caminhar na sua direcção o comandante, o segundo comandante e o comandante de pelotão, todos com cara de muito caso. Perguntaram-se os dois homens em que teriam asneirado; não tinham. Os superiores vinham comunicar ao Ricardo a notícia da morte da mãe, senhora ainda nova, não tinha cinquenta anos. A sequência dos acontecimentos dá-lhes dimensão trágica: acidentara-se um avião em Timor, o Ricardo telefonara à mãe na noite desse mesmo dia para a tranquilizar, no dia seguinte ela caíra sem vida.

 

Em Lisboa vai fazendo de si o que pode com o que as circunstâncias fizeram dele. Não quis regressar ao Douro. Há já uns cinco anos que trabalha na portaria de uma escola no Restelo. Estimam-no por lá, mas amanhã podem dizer-lhe que olhe já não é preciso (ou já não podemos) e ele terá de se aguentar. Nos dias em que há aulas, levanta-se às quatro e meia da madrugada na casa da namorada, nos arrabaldes de Sintra, para estar na escola às seis. Não chega a receber três euros à hora. É curto, o João há-de emprestar-lhe uns trocos nos dias de maior aperto. Quando sai do trabalho, a meio da manhã, desce ao Dafundo para “levantar o americano”. Ajuda-o a mudar a fralda (mazelas do acidente com a lareira), a vestir-se, a lavar-se, uma vez por semana a tomar banho na Recreativa do Dafundo, que a instâncias suas abriu as portas ao amigo. Depois acompanha-o ao café Africano, do Euclides, que é onde ambos almoçam quase todos os dias, com o acerto das contas atabalhoadas por vezes deixado para as calendas gregas.

 

Almoça-se no Africano. O americano está adoentado, anda a Sumol. Foi o Ricardo quem o levou ao médico de família e é ele quem lhe dá o comprimido e o xarope. Da primeira vez que assim os vi supus uma relação familiar, mas enganei-me: conheceram-se ali mesmo e “ficaram amigos”. É tudo. Se alguma semelhança existe nos dois homens é talvez a de serem em tudo diferentes. O americano viveu façanhas rijas, tem mundo, fez coisas boas e fez coisas más (e às vezes não sabia sequer se as coisas que fazia eram boas ou más porque sobreviver lhe tomava o pensamento todo). Falta-lhe a disponibilidade para a ilusão que se sente muito num Ricardo doente de entusiasmos.

 

 Esperamos os três, frente à caixa de electricidade, pela assistente social que ficou de aparecer para se tentar arranjar, como se diz na política, “uma solução”, uma forma de tirar o João da rua sem o afastar do bairro. Até porque o americano não é indigente, tem uma pequena reforma, o que lhe falta é um quarto com uso de elevador ou um rés-do-chão a preços que ele possa pagar e lhe deixe uma folga para os hábitos de independência. O Ricardo, que passara os últimos dias a telefonar para a Segurança Social e para quem quer que achasse que podia ser útil ao processo, “Tenho um Moche”, dizia, “não pago nada”, impacienta-se com o atraso, corre à Cruz Quebrada para saber na Junta o motivo da demora, garantir que a visita não falha porque eles têm de ver onde e como vive o americano. Este aponta com a barba grisalha o rapaz que corre rua acima e diz-me, "É um filho", e eu faço que sim com a cabeça.

 

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Postais de um Fotógrafo de Bairro (XVI)

por Bandeira, em 03.01.14

José Bandeira

 

Não veste licra quem quer, veste quem pode. Platão escreveria talvez um Sócrates olhando o lustre das nádegas do Alcibíades num calçãozinho de ciclista e dizendo que o Belo é o Justo e vice-versa. O rascunho de atleta que entra no café Africano, ao Dafundo, é de outras partes e já traz de lá a bebedeira feita, vem só por uma bica e uns fiapos de conversa. Faz muitas perguntas ao Euclides, se costuma estar aberto até tarde, se vende isto ou aquilo, se conhece não-sei-quem que é dali da Cruz Quebrada. Enfim, quer dar ideia de que aquele é um encontro ditoso para o proprietário do estabelecimento, que de onde veio aquela moeda de cinquenta há um tesouro de proporções asiáticas, que em sentindo aconchego pode vir a tornar-se cliente frequente e importante. Jamais será uma e outra coisa e o Euclides sabe disso, mas lá vai fazendo que sim com a cabeça e soltando o "'tá bem, 'tá bem" que sói usar quando não está para dar atenção ao que os bêbados lhe dizem.


O ciclista da licra amarfanhada demora-se à porta, quer sair mas luta com alguma coisa que o incomoda ao nível da cintura, do peito, das ancas, talvez um esquecimento. Pense numa dessas pinturas de Jacob lutando com o anjo, tire o anjo e lá fica ele, o ciclista sem bicicleta, atabalhoado e falho de sentido.

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Postais de um Fotógrafo de Bairro (XV)

por Bandeira, em 01.01.14

José Bandeira

 

Dá para viver sem se ter conta no banco? O Euclides, do Café Africano, consegue. Não que seja fácil, note. Por exemplo, ele queria telefonar hoje para o filho, em Cabo Verde, e a papelaria onde costuma fazer carregamentos no telemóvel está fechada, como aliás o Dafundo inteiro. A falta que faz um cartão Multibanco, tem é que haver uns trocos na conta, claro, o problema do Euclides é mais esse. Já de si, os telefonemas para o rapaz exigem uma certa logística. Em casa dele, em São Vicente, não há telefone. É um amigo, dono de uma venda na ilha, que facilita o uso do aparelho. No fim de cada conversa, forçosamente rápida, estuda, porta-te bem, mandei-te 20 euros pela tia, pai e filho combinam dia e hora para o telefonema seguinte. É muito chato, triste até, isso de o rapaz estar à espera na manhã de ano novo de um telefonema do pai e ele não chegar. Então decido ir carregar o telemóvel do Euclides numa caixa da Rua Direita do Dafundo. Cai uma bategada e eu aguardo um pouco debaixo de um toldo antes de regressar. Quando chego ao café já a conversa vai na despedida, os carregamentos pelos vistos são instantâneos, eu não sabia porque sempre tive assinatura. Pergunto ao Euclides como está o miúdo. "Óptimo", diz, "O 12º ano está a correr bem". E depois, com um grande sorriso, "Ele manda um abraço para o fotógrafo". E vai buscar moedas para me pagar.

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Postais de um Fotógrafo de Bairro (XIV)

por Bandeira, em 14.12.13

José Bandeira

 

Não fosse eu a mexer-me e o Euclides deixava que o Natal passasse pelo Café Africano sem árvore nem luzinhas nem nada. Bem sei que ele não tem um tostão, ou se tem é para mandar para o filho na ilha de Santiago, mas estabelecimento de comes e bebes sem árvore de Natal nesta altura do ano é como Campo de Ourique sem a Ferreira Borges, perdoe o paroquialismo. Pergunto ao Euclides onde é que no Dafundo se vendem decorações de Natal e ele diz, “Na loja do chinês”. Parvoíce a minha, a resposta seria a mesma aqui como noutro bairro qualquer. “Olha, uma daquelas latinhas para as pessoas porem moedas é que era”, diz. Metade desta gente tem reformas de brincar, os outros ou estão desempregados ou são mal empregados, há-os até que dormem debaixo da ponte da estação da Cruz Quebrada, e no entanto a ideia não me parece absurda, sei lá porquê. Vou ao chinês e escolho a árvore e uma fiada de luzes. Latas é que só as há com notas de banco estampadas, e logo de 20, 100, 200 e 500 euros. Todas custam o mesmo, 1,5 euros, veja como de facto há diferença entre preço e valor. Pergunto à menina da loja se não tem latas com um motivo mais da época, umas renas, flocos de neve, coisas assim, ou pelo menos que não façam lembrar tanto a alta finança. Ela diz que não com uma expressão que eu poderia jurar de genuína tristeza nos olhos orientais. Decido-me por uma de vinte. Por iniciativa própria, a menina acrescenta-lhe uma estrelinha amarela que faz toda a diferença.

 

Hobbes escreveu no seu Leviatã que roubar um pobre é crime mais grave do que roubar um rico, mas ele publicou isso há já uns quê, quase 400 anos e veja como as coisas evoluíram. Nunca fiando: é preciso engendrar um modo de prender a lata ao balcão. Um dos reformados de serviço à mesa do dominó sugere – talvez por ligeireza na abordagem técnica do problema, ou então é piada, com eles nunca se sabe – que se use cola-tudo. Já o senhor P., que divide o interesse pelo que ali se debate com o que lhe suscita um prato de frango com esparguete, propõe que se lhe faça, à lata, uns buraquinhos e que por estes se corra um arame, sendo depois questão de o prender a qualquer coisa rija; não os havendo na casa, ele mesmo está na disposição de fornecer os materiais, leia-se o arame e a broca, e os imateriais, que são a mão-de-obra. Alguém aponta um buraco no balcão. Era por ali que dantes passava o tubo para a máquina de tirar imperiais que se foi por falta de dinheiro para a manter, já me tinham explicado o mistério daquele buraco, enfim, enquanto houver minis há esperança. É fácil passar por ali o arame. Ainda assim o Euclides está renitente, diz que lhe custa estragar a lata. Só depois de confirmar que ela não tem abertura fácil, que é um sistema fechado, opaco como o são todos os sistemas financeiros, parece conformar-se.

 

Conheço o Euclides, sei que ainda vai dedicar um bocadinho de tempo a pensar no assunto, talvez mesmo esperar pela opinião do Zé, o tal que em miúdo andou ao colo da Condessa de Ribamar e que tem resposta para todas as questões do lado de cá da Física. Logo vão juntar-se uns cinco ou seis de volta da lata e do balcão e da árvore e cada um dará o seu palpite. O Euclides tem todo o tempo do mundo, esta é a sua fortaleza no deserto dos tártaros, se ele está seguro de alguma coisa é de que tão cedo não vai a lado nenhum.

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