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As palavras do ano

por Pedro Correia, em 02.01.18

Informa a Porto Editora que os vocábulos em competição até 4 de Janeiro, para conquistarem o título de  Palavra do Ano são incêndios (assim mesmo, no plural), afecto, vencedor, crescimento, cativação, desertificação, gentrificação, peregrino e independentista.

Noutros anos as palavras eleitas foram esmiuçar (2009), vuvuzela (2010), austeridade (2011), entroikado (2012), bombeiro (2013), corrupção (2014), refugiado (2015) e geringonça (2016). De acordo com quase todas, excepto bombeiro, que podia ser palavra de qualquer ano, e entroikado, termo fugaz, que nunca vingou. Vuvuzela - artefacto sonoro popularizado universalmente no campeonato mundial disputado na África do Sul - demonstrou como o futebol pode influenciar o vocabulário comum.

Até devido a tal precedente, aproveito para apresentar uma reclamação à Porto Editora: faltam desta vez aquelas que são para mim, inquestionavelmente, as Palavras de 2017: video-árbitro e cartilha. Raras foram tão usadas nos órgãos de informação e nas redes sociais ao longo do ano.

Vídeo-árbitro, tecnologia inaugurada para reforçar a transparência e o rigor nos campos de futebol, tem a ver com verdade desportiva. Cartilha, espécie de manual de maus costumes para efeitos comunicacionais, está relacionada com a inaceitável perversão do desporto-rei.

Eu votaria na primeira. Para acabar de vez com a segunda.

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Acordo, qual acordo?

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.08.14

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Ó glória de mandar, ó vã cobiça

por Pedro Correia, em 10.06.14

Ao tomar posse como primeiro-ministro do XVIII Governo Constitucional, em Outubro de 2009, José Sócrates retomou uma antiga tradição da política portuguesa citando um verso de Camões que andava um pouco esquecido: “Esta é a ditosa pátria minha amada.” 

Vem n’ Os Lusíadas, um clássico que ainda seduz políticos contemporâneos da mesma forma que seduziu o Rei D. Sebastião quando, segundo se julga, Luís de Camões lho leu pela primeira vez, no início da década de 1570, no paço real. "Esta é a ditosa pátria minha amada, / À qual se o Céu me dá que eu sem perigo / Torne com esta empresa já acabada, / Acabe-se esta luz ali comigo”, escreveu Camões no canto III, 21ª oitava, d’ Os Lusíadas. É uma das mais belas quadras desta obra matricial da língua portuguesa cujo grau de popularidade se afere bem pela presença de muitos dos seus versos na nossa linguagem de todos os dias.

Com efeito, é vulgar aludirmos à "ocidental praia lusitana” (canto I-1), àqueles que foram "dilatando a fé e o império” (I-2), aos que "se vão da lei da Morte libertando” (I-2), ao "engenho e arte(I-2) ou ao "peito ilustre lusitano (I-3). São igualmente familiares, até a quem não leu uma só linha do vasto poema, versos como estes: "Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta!” (I-3); "Vós, poderoso Rei, cujo alto Império / O Sol, logo em nascendo, vê primeiro” (I-8); "(...) julgareis qual é mais excelente, / Se ser do mundo rei, se de tal gente” (I-10); "Duma austera, apagada e vil tristeza” (canto X-145).

 

Os Lusíadas é uma obra marcante também pelas figuras que cria ou recria.

As Tágides ("E vós, ó Tágides minhas, pois criado / Tendes em mim um novo engenho ardente”, I-4); Vasco da Gama, o "forte capitão” (I-44); a deusa Vénus, defensora dos portugueses, que "novos mundos ao mundo irão mostrando” (canto II-45), pois "se mais mundo houvera, lá chegara” (canto VII-79); Inês de Castro, aquela "que depois de ser morta foi rainha” (III-118); o Velho do Restelo com as suas imprecações ("Ó glória de mandar! Ó vã cobiça / Dessa vaidade a que chamamos fama”, canto IV-95); ou o sinistro Adamastor ("Cheios de terra e crespos os cabelos, / A boca negra, os dentes amarelos”, canto V-39).

Já para não falar das incursões autobiográficas do autor no seu poema, como aquela em que se retrata como alguém que tem "numa mão sempre a espada e noutra a pena” (VII-79).

Ou quando, projectado em interposto navegador no célebre episódio da Ilha dos Amores, nos ensina que "Melhor é experimentá-lo que julgá-lo / Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo” (canto IX-83).

 

Camões foi um mestre na arte do aforismo em forma de verso, como Os Lusíadas bem testemunham.

Eis alguns desses aforismos: "É fraqueza entre ovelhas ser leão” (I-68)"Sempre por via irá direita / Quem do oportuno tempo se aproveita” (I-76); "Quanto mais pode a fé que a força humana” (III-111); "Um baixo amor os fortes enfraquece” (III-139); "É grande dos amantes a cegueira” (V-54); "Contra o Céu não valem mãos” (V-58); "Quem não sabe a arte, não na estima” (V-97); "Fraqueza é dar ajuda ao mais potente” (IX-80).

Não admira que o nosso maior poeta continue a seduzir políticos: foi ele quem ensinou que "toda a terra é pátria para o forte” (canto VIII-63). Foi ele que tão bem soube cantar essa "ínclita geração” (IV-50) que se aventurou no ponto exacto "onde a terra se acaba e o mar começa” (VIII-78)".

Foi no entanto também Camões quem ensinou – aludindo a D. Fernando – que "um fraco rei faz fraca a forte gente” (III-138).

Este é um verso que não imaginamos em nenhum discurso de posse. O que não quer dizer que não seja igualmente digno de reflexão.

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Qual é a dúvida?

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.05.14

Com a devida vénia, ao quatro almas, sem perceber se o professor compreendeu o sentido da resposta do aluno.

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As palavras também têm história

por Pedro Correia, em 19.04.14

Palácio Quintela, em Lisboa, onde Junot instalou o seu quartel-general em 1807

 

Muitas vezes não fazemos a menor ideia da origem de algumas das expressões coloquiais que usamos. Mas vale a pena investigar de onde vêm e como se foram generalizando.

Várias remontam ao tempo das invasões francesas, na primeira década do século XIX. Uma das mais frequentes relaciona-se com a chegada do general Jean-Andoche Junot a Lisboa, à frente do exército napoleónico, quando ainda se avistavam no horizonte as velas da frota que conduzia a família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 30 Novembro de 1807. Ficou, portanto, a ver navios.

Portugal acabou por ser devastado pelas tropas gaulesas, que aqui praticaram as maiores atrocidades. Mas Junot, indiferente às situações de penúria e de miséria provocadas pelos invasores também em Lisboa, instalou-se no Palácio Quintela, na Rua do Alecrim, com despudorada ostentação, vivendo à grande e à francesa.

Um dos generais que o acompanharam na invasão, Louis Henri Loison, tornou-se tristemente célebre pela ferocidade com que tratava os portugueses que tinham o azar de lhe surgir ao caminho. Por ter perdido o braço esquerdo numa batalha, logo recebeu a alcunha de Maneta. A partir daí, quando alguém se envolvia numa situação complicada ou perigosa, passou-se a dizer que iria pr'ò Maneta.

Derrotados na batalha do Vimeiro em Agosto de 1808, após o desembarque de forças britânicas em Portugal, Junot e as suas tropas retiraram-se para França após encherem navios de tudo quanto puderam na sequência de incontáveis actos de pilhagem em igrejas, palácios e bibliotecas - num dos maiores atentados desde sempre cometidos ao património nacional. Zarparam assim, de armas e bagagens.

 

Duzentos anos depois, os ecos das invasões francesas perduram no nosso vocabulário corrente. Porque também as palavras têm história.

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Ou???

por João Carvalho, em 12.07.12

«Cadeiras produzidas em Paredes para personalidades como Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Mariza, Maria Bethânia, Manoel de Oliveira, Souto Moura ou (ou?) Mia Couto». Ou? Se fosse para todos eles, seria notícia. Mas se a produção é só para um deles, para este ou para aquele, não tem qualquer interesse. Ainda por cima, o jornalista nem sequer conseguiu saber para qual deles eram as tais cadeiras.

Cheira-me que é um problema de bom português ou de bom jornalismo. O que vos parece?

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Haja mais critério e respeito

por João Carvalho, em 11.07.12

Começa a ser cansativo. Eu sei (sabemos todos por cá) que a expressão oral (e escrita, consequentemente) anda pelas ruas da amargura, mas não entendo que seja necessário bater sempre na mesma tecla. No Parlamento, por exemplo, fartei-me de ouvir hoje (como sempre): «Senhoras e senhores deputados.» É uma gritante falta de critério e até falta de respeito pelas senhoras, comum a todos os quadrantes representados no hemiciclo.

Em bom português, o masculino serve os dois géneros, quando é preciso. Por isso, o (dispensável e escusado) preciosismo obriga a dizer: "Senhoras deputadas e senhores deputados." Quando não for assim, fica bem dizer apenas: "Senhores deputados." Espero que aprendam de vez, mas cheira-me que estou a gastar o meu latim em vão.

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Declaração de Amor à Língua Portuguesa

por Ana Vidal, em 12.06.12

Vale a pena ler esta "redacção" da escritora Teolinda Gersão sobre o actual ensino de português nas escolas. E sobre os atropelos assassinos que, ao abrigo de um acordo idiota e sem sentido, as novas gerações se preparam para fazer à sua língua.

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

 

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço? 
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impor a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros. 
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).

 

Teolinda Gersão, Junho, 2012

Adenda: A pedido da autora, aqui fica o artigo completo.

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Uma aula de português

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.12

A jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de quem sabe do assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta! Daí que diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República.

O mesmo, aliás, faria Helena Roseta quando usou Presidenta, ao retorquir a um  comentário de um jornalista da SICNotícias, muito segura da sua afirmação...

 

O texto que se segue foi elaborado para acabar de uma vez por todas com  qualquer dúvida sobre se devemos usar presidente ou presidenta.

"A presidenta foi estudanta? Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante...

Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade..

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.

Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".

Um bom exemplo do erro grosseiro seria: "A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.

Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".


Não sou especialista de linguística e muito menos sei o que quer que seja após o malfadado/adorado Acordo Ortográfico. Por isso, embora me pareça lógico o texto acima, nada garante que o seu conteúdo corresponda ao que "deve ser". 

Se entre os meus leitores houver quem o confirme, por favor manifeste-se. E no caso contrário também, claro!

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A Lusa encarregada

por João Carvalho, em 28.03.12

«A deputada encarregue de dar o parecer sobre a revisão do Código do Trabalho, a 'bloquista' Mariana Aiveca, considera que a proposta do Governo "não reúne os requesitos (...)" » A notícia da Lusa também não reúne os requisitos: é "encarregada" que se diz, não é "encarregue".

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Pontos nos is (12)

por João Carvalho, em 29.02.12

DESACORDO

I

O secretário de Estado da Cultura disse ontem que o Governo se prepara para alterar o chamado Acordo Ortográfico (AO) até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender.

Ontem à noite, na TVI-24, Francisco José Viegas manifestou o seu desacordo face a algumas normas do AO e lembrou que, «do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial» que pode ser mudada: «Até 2015, podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos de aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer.»

Sobre a polémica em torno da decisão de Vasco Graça Moura, que chegou ao Centro Cultural de Belém (CCB) e cancelou a aplicação do AO que foi encontrar já em vigor, o secretário de Estado da Cultura fez notar que o actual presidente do CCB «é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra» o AO. Mais: notou também que foram aqueles que «não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia», que correram a «criticar e pedir sanções» perante a "ousadia" de Vasco Graça Moura. «Para mim, é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da  nossa língua, escreve como lhe apetecer.»

Francisco José Viegas contou ainda que, «às vezes, quando escrevo como escritor, tenho dúvidas e vou  fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa  possibilidade, isto é, da competência que têm para escolher a sua ortografia». E acrescentou: «Não  há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para  nenhum de nós.»

II

De uma coisa tão simples e que tão escusamente tem feito correr tanta tinta, três conclusões imediatas se tiram.

Uma delas é a de que, se a teimosia bacoca de ex-responsáveis não tivesse impedido a falta de visão que levou a que políticos se substituíssem aos linguistas, não se teria perdido o tempo que se perdeu. Curiosamente, nunca como no passado recente de tais ex-responsáveis se falou tão mal português na vida pública.

Outra conclusão possível pode tirar-se do inexplicável paradoxo da notícia que serviu de base a este post (cujo link está no início), na qual se percebe o ridículo da divulgação desta posição acertada de Francisco José Viegas num texto noticioso escrito (repare-se) segundo o AO. Fica a lição para os apressadinhos-da-silva, aqueles que não aprenderam a reflectir e que, habitualmente, "não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia", porque ridídulo mais ridículo não há.

A terceira conclusão é a que arrasa definitivamente os arautos da desgraça, que tanto espernearam por causa do cancelamento do Ministério da Cultura. Fica mais do que provado que um governo aberto à Cultura e ao que nos caracteriza como povo com História não se mede por ter no topo um ministro ou um secretário de Estado na pasta: parece-me bastante saber que Francisco José Viegas é um homem de Cultura (como já aqui referi).

Finalmente, a talhe de foice, o papel do DELITO DE OPINIÃO enche-nos de satisfação e continuará a contribuir para travar o famigerado AO. Por modesta que possa ser a nossa contribuição, este vosso blogue manter-se-á na senda do bom português e na luta contra o indesejável desacordo (no que, por sinal, temos contado com grande parte dos nossos comentadores). Sem embargo de qualquer dos autores do DO ser livre de fazer o uso da língua que mais lhe aprouver, o facto é que nesta casa se verifica que o DELITO representa um acordo e que o AO é que é um delito.

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Assim se escreve...

por João Carvalho, em 27.02.12

 

... em bom portuense.

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Português Seguro

por João Carvalho, em 03.02.12

Gostei de ouvir António José Seguro interrogar o primeiro-ministro no Parlamento sobre o cumprimento da aplicação do desacordo ortográfico. Tocou-me e comoveu-me. Mas não deixo de sugerir a Seguro que, antes desta suma preocupação que agita a sua veia política, comece por pôr muitos dos deputados socialistas a falar português correcto, que é uma coisa que anda tão arredada dos hábitos dos dirigentes políticos como dos hábitos dos dirigentes desportivos.

Se uma boa parte dos deputados conseguir passar a falar bom português clássico, é meio caminho andado para que a redacção dos diplomas venha a ser publicada numa versão definitiva à primeira e entendida por toda a gente. Como se vê, Seguro tem muito com que se entreter nesta matéria, se estiver verdadeiramente preocupado.

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Portugal está a mudar

por João Carvalho, em 03.02.12

 

Desacordo ortográfico aplicado no Centro Cultural de Belém? Nem pensar. Vasco Graça Moura deu instruções para acabar com isso. Não há dúvida: o País está a mudar. No CCB já mudou.

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Seara em table dance?

por Ana Vidal, em 03.02.12

 

Autarca de Sintra está em cima da mesa para ser candidato à Câmara de Lisboa nas próximas autárquicas.

 

Os tempos estão difíceis: já não basta aos políticos porem-se em bicos de pés. Agora têm de subir às mesas e mostrar o que valem.

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O teatro e o desacordo ortográfico

por João Carvalho, em 21.01.12

Não preciso de ser detetive nem ténico para contatar com os novos textos dos espetáculos teatrais e perceber que estamos no fim exato da interação entre atores e espetadores. Para os atuais diretores de teatro, ratores dos velhos princípios, as regras passaram a ser exceções e a antiga exceção é a regra atual. Confesso que não sou um adeto disto nem vou adotar este sistema de fraco impato.

· • o • ·

Felizmente, nesta casa, continuamos a dar lições diárias de bom português. Por sinal, ao contrário do que faz o serviço público da RTP todas as manhãs, dessa RTP paga por nós para se dar ao luxo de conseguir achar tantas vezes, entre uma chusma de disparates de bradar aos céus, dois modos diferentes de dizer a mesma coisa e considerar pacífica e alegremente que ambos são "bom português".

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Pela defesa de mais rotundas

por João Carvalho, em 10.11.11

O Governo vai eliminar da proposta de Orçamento do Estado para 2012 a norma que proíbe as contratações de novos funcionários para as autarquias, conforme divulgou o Jornal de Negócios. A notícia acrescenta que a Associação Nacional de Municípios Portugueses já informou todos os autarcas disso mesmo, através de um documento onde se lê: «Em situações excepcionais, devidamente fundamentadas, e mediante autorização dos órgãos municipais, pode determinar-se a abertura de procedimentos concursais».

Procedimentos concursais? Con-cur-sais?! Se não deixarem os autarcas continuar a fazer rotundas, eles hão-de matar o tempo a fazer cada vez mais exercícios intelectuais que não lembrariam ao professor Malaca Casteleiro. Vale a pena? Face ao risco de vermos a linguagem autárquica conseguir agravar o famigerado acordo ortográfico imposto pela política, sugiro que nos manifestemos já a favor de mais umas dúzias de rotundas. É melhor isso do que dar-lhes ideias. Eles que esqueçam a língua.

 

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Acordortografiquês

por João Carvalho, em 22.10.11

 

Escreve-se como se lê, acordortográfico o pariu.

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A gente vamos ao Continente?

por João Carvalho, em 06.10.11

Finalmente, começo a perceber que não sou o único chocado com o caso, o que me deixa muito mais aliviado.

O Continente

Somos Todos Nós

O país inteiro tem visto e ouvido isto vezes sem conta. Mas, apesar do massacre orgulhosamente exibido, bem pode a marca limpar as mãos à parede. O Continente somos?! O sujeito na primeira pessoa do singular e o verbo na primeira pessoa do plural? Tipo a gente queremos ir ou a gente vamos? E por que não o Continente é todos nós?

O erro é de palmatória. Longe vai o tempo em que a SONAE Distribuição tinha uma direcção de marketing exigente, que punha qualquer agência a deitar fumo pelas orelhas, se quisesse ficar com a conta do Continente. Adivinha-se que esta falta de exigência hoje em dia nada augura de bom.

Afinal, era tão simples criar a mesmíssima ideia em bom português. E até dava para incluir uma rima no slogan (o que, nestas coisas, às vezes não é totalmente indiferente).

O Continente

É Toda a Gente

Tão simples que até chateia. Claro que "ele é" não gera o mesmo envolvimento que "nós somos", mas não se pode ter tudo ao mesmo tempo. As campanhas servem precisamente para preencher o que falta e resolver isso. Só nunca resolvem a promoção da subcultura.

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RTP: o mau português

por João Carvalho, em 26.07.11

 

Era suposto ser bom em tudo. O programa matinal da RTP-1 Bom Dia Portugal tem um apontamento chamado "Bom Português". Ensina (?) a escrever em conformidade «com o novo acordo ortográfico». Por exemplo:
– "hectare ?"
– "hetare ?"

Depois de testar gente na rua, o apontamento diz como é e conclui invariavelmente que «assim se escreve em bom português».

Porém, valia a pena que o(s) autor(es) do apontamento e toda a hierarquia da RTP Informação soubessem escrever bom português: não existe um espaço antes de um ponto de interrogação (ou ponto de exclamação, ou vírgula, ou ponto final, ou ponto e vírgula, etc.) — bom português é saber escrever: "hectare?"

Este é um erro que a RTP ensina (?) diariamente no seu mau português escrito.

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Eforias

por Ana Vidal, em 09.04.11

Acabo de ouvir uma investigadora da Universidade do Minho (não fixei o nome), entrevistada na RTP1, classificar de "eufusivo" o discurso de Sócrates no congresso. Pareceu-me efórica.

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E quem quer saber disso?

por João Carvalho, em 15.11.10

Segundo a Lusa, o ministro Mendonça disse no Parlamento que «há interpretações que reavaliar é parar tudo o que está em curso e, de facto, não é essa a interpretação». Isto tem também duas interpretações, a primeira das quais é que a construção da frase é completamente estapafúrdia. A segunda é que há montes de razões para ninguém querer saber o que diz o ministro Mendonça mai-las suas interpretações.

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Português inacessível

por Ana Vidal, em 07.10.10

 

Leonooooooooooooooor... por amor de Deus vai lá e emenda esta aberração, que estás mais perto do que eu!

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Mainstream, high tech and so on

por Pedro Correia, em 16.09.10

 

Há hoje uma forma de escrever nos jornais que abastarda a língua portuguesa e dificulta a compreensão dos textos, tornando o acto de comunicar por escrito uma tarefa apenas para iniciados. Refiro-me à invasão descontrolada de vocábulos importados da pátria do Tio Sam, a coberto de um certo jargão “económico” ou “cultural”, que transforma muita prosa numa espécie de crioulo luso-americano, cada vez mais indecifrável para uma camada vastíssima de pessoas.

Com isto afugentam-se os leitores em percentagens crescentes, como se tem visto nos últimos anos. Não perceber isto é não perceber nada de essencial do acto de comunicar – que deve ser claro, conciso e compreensível.
Para se entender melhor a que me refiro, fica um exemplo concreto de um artigo de duas páginas inserido num jornal e assinado por um conhecido jornalista “cultural”. Em certos trechos, que passo a transcrever, aposto que nem ele próprio saberia muito bem o que estava a redigir:

- “Nem é preciso recuar aos tempos de Frank Sinatra e da sua rat pack.”
- “Tão poucos anos e o cool já se gastou.”
- “A série está agora mais high tech.”
- “Parecem todos guest stars do seu próprio filme.”
- “Provavelmente se captou que era o mais disponível para exorcizar este pacto com o entertainment.”
- “O cinema que explorava novos caminhos era também o cinema mainstream.”

- “Em tempo de promoção de uma sequela não se espera que alguém declare morta a franchise.”
“Não é o 13 que é um número azarado, o cool é que já não pode ser o que era.” (Frase de abertura)

Se ler cansa e confunde, transcrever é ainda mais penoso. Desculpem lá, mas agora vou fazer uma pausa. Comigo o cool já se gastou. Seja lá o que isto queira dizer.

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Falar da Constituição em português

por João Carvalho, em 19.07.10

Diz Pedro Santana Lopes que «Marcelo Rebelo de Sousa sabe bem que Francisco Sá Carneiro me solicitou» qualquer coisa relacionada com questões constitucionais e que não vem aqui ao caso. O que vem ao caso é o meu espanto por uma bacoquice de Santana Lopes que eu não esperava dele, tão dado a pergaminhos (?) que é. Ninguém (e muito menos o próprio) deve dizer que outro lhe solicitou algo. Há uma hierarquia em solicitar e pedir: solicita-se de baixo para cima e pede-se de cima para baixo. Além disso, por simples bom gosto, ambos devem dizer que lhes foi pedido (e nunca solicitado), quando reportam o facto a terceiros, para não se inferir que se está a colocar o outro em plano inferior. Assim sendo, só quando se quer dar importância ao outro é que pode usar-se solicitar na primeira pessoa do singular: solicitei.

Por isso, pode ser que Sá Carneiro tenha pedido algo a Santana Lopes, mas seguramente não lhe solicitou. Mesmo que (por absurdo) o tivesse feito, Santana Lopes só devia dizer que Sá Carneiro lhe pediu. Não consigo imaginar Santana Lopes casado e a dizer "a minha esposa", mas a piroseira é a mesma e fica-lhe mal. Ou pior ainda, já que a confusão entre pedir e solicitar não é apenas uma saloiada, mas um problema de bom português.

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Óquei? Hóquei? Hockey, ok?

por Ana Vidal, em 14.07.10

 

Presumo que seja já o malfadado desacordo ortográfico a fazer das suas: na mesma página e na mesma notícia, encontro a mesma palavra escrita de duas formas diferentes. E nenhuma delas é português. E nenhuma delas é inglês. E nenhuma delas é coisíssima nenhuma, ok??

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De visita aos Canaviais...

por Ana Vidal, em 18.06.10

... encontrei esta adenda que a Morgadinha teve a gentileza de dedicar-me, acedendo ao meu pedido. Vamos lá então à prova dos nove, minha fidalga:

 

1. "Sobressaíram" leva acento. Tem razão. Leva e traz, para sermos completamente rigorosas. E é claro que não tenho grande esperança de que ("de que", note) admita ter sido uma gralha minha. Por isso, adiante.

 

2. Lamento informá-la de que (outra vez o "de que", sou uma kosher chata...) “entre duas potências capazes de destruir-se mutuamente” e "(...) capazes de se destruírem mutuamente" são duas formas igualmente aceites como correctas para dizer o mesmo. As opiniões divergem, como em variadíssimas outras questões discutidas por eruditos e leigos em sites da especialidade. Fiz os trabalhos de casa, fui procurar. Sugiro que faça o mesmo.

 

3. “A mim conquistou de vez” em vez de “conquistou-me”. Pois bem, Morgadinha, aqui é que a porca torce o rabo... é que "A mim conquistou-me de vez" seria um pleonasmo. Sabe o que isso é? Informe-se, se não for grande incómodo, porque aqui não há dúvidas.

(Eu disse "porca"? Ai, valha-me Deus, isto não é linguagem de Vicentina que se preze! Vou já ali pôr o segundo cilício, que o que trago está a ficar lasso e já só me faz cócegas).

 

4. “A canção fala-nos”, gramaticalmente kosher mas de gosto questionável. De metáforas e outras figuras de estilo, suponho, nunca ouviu falar. Mas se é de gostos que falamos, então nem discuto.

 

5. Finalmente, a cereja no topo do seu bolo: o malfadado "de". Pois... que maçada, mantenho a minha versão e explico porquê, de forma a que possa perceber facilmente: tem-se pena "de" alguma coisa ou alguém, e não "que" alguma coisa ou alguém. Ainda que fosse uma hipercorrecção,  e não é, prefiro-as sempre à versão "hipo" de que o seu blogue tanto gosta. Em questões de correcção e de educação, mais vale a mais do que a menos.

 

Se lhe estraguei o brilharete, as minhas desculpas.

 

Nota à margem: Já agora, fiquei a saber que sou uma refência das letras pátrias, coisa que desconhecia em absoluto. Só não sei se deva sentir-me feliz ou insultada, porque não sei o que é uma refência. Ignorância minha, naturalmente. Mesmo uma mestre-escola vicentina e holier-than-thou não pode saber tudo.

Mas agradeço-lhe o elogio de ter-se dado ao trabalho de ler a minha "obra" no DO, o que, confesso, não fiz com a sua. Só conheço o post em que me interpela, para defender um colega ultrajado pela minha infinita soberba. Não posso devolver-lhe o seu amigo Talião, portanto. Mas sempre lhe digo, com base apenas nesse texto, que um erro não se "dá". "Faz-se".

 

Adenda sintética, só para encerrar o assunto: Já que a Morgada se deu ao trabalho de ler todos os meus posts e até algumas caixas de comentários do DO em que intervenho (ou não saberia que eu tinha achado graça a um texto seu), pensei que o mínimo que eu podia fazer era retribuir o gesto e o interesse. Fui portanto, com a melhor das intenções (sem ironia), ler a sua "obra" bloguística. Para meu grande espanto, e logo num post recentíssimo, dei de caras com um dos tais "dedos virtuosos apontados às incorrecções gramaticais dos outros" que eu e o João Carvalho fomos acusados de apontar ao 5 Dias. No caso, com link e tudo para o post de "um fulano do 31 da Armada". Depois de tanto moralismo e tanta virtude ofendida, a incoerência não deixa de ser curiosa. Os telhados de vidro são bonitos, mas tãããão frágeis...


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Se tiverem mais de 15 anos

por João Carvalho, em 17.06.10

Tão atentos, tão aplicados, estes. Se não fosse o bafo, até dava gosto. Em breve hão-de começar a perceber a diferença entre gralha e erro, entre bem e bom, entre casa de chá e casa de pasto, entre vida e morte, entre criança e soldado. etc. Se tiverem idade, ainda acabam por conseguir passar do 8.º para o 10.º ano.

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Saber escrever (3)

por João Carvalho, em 17.06.10

Errado: «Saiu do PCP ou foi evacuado pelo PCP? Sejamos rigorosos nas informações que damos!!!»

Correcto: Saiu do PCP ou foi demitido, despedido, afastado (...)

 

O facto é que pode evacuar-se, esvaziar-se, escoar-se o PCP, mas o PCP não pode evacuar, esvaziar, escoar um indivíduo. Cada indivíduo evacua, expele, defeca por si próprio. Por isso é que se evacua um lugar em que estão pessoas — não se evacuam as pessoas que estão num lugar. Sejamos rigorosos nas informações que damos. Mas sejamos mesmo.

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Saber escrever (2)

por Ana Vidal, em 17.06.10

Errado: «O manual que todos suspeitávamos, mas nenhum de nós conhecia».

Correcto: O manual de que todos suspeitávamos (...)

 

Já que estamos em maré de lições de português à borla, aqui fica o meu contributo. E uma sugestão: se não podem acabar com o lixo que produzem, pelo menos ofereçam-no num saco mais apresentável.

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Saber escrever (1)

por João Carvalho, em 16.06.10

Errado: «"Anedotas" melhor esgalhadas do que as do Daniel Oliveira.»

Correcto: (...) mais bem esgalhadas (...)

 

Não é por nada, mas até para escrever em tom coloquial, de forma descontraída, quase négligé, faz falta uma coisa: saber escrever.

É como Picasso: fez retrato antes da abstracção.

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Saltos altos, baixas letras

por Ana Vidal, em 03.06.10

"Já se podem alugar malas de luxo em Portugal."

Este é o título de um post de "A Vida de Saltos Altos, o blogue mais cor-de-rosa do Expresso", recentemente relançado e com uma equipa feminina de luxo. Assim é definido pelo próprio jornal, que anuncia "textos diários que prometem humor e sensibilidade". Só não prometem bom português,  o que é uma pena. Mas suponho que não se pode ter tudo.

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A quem interessar

por João Carvalho, em 09.04.10

Na sequência disto, aproveito para lembrar: se não acompanhar o congresso do PSD que vai durar todo o fim-de-semana e estiver interessado em ficar a saber o essencial do que se tiver passado no pavilhão de Carcavelos onde ele tem lugar, não se apoquente. Na segunda-feira, logo pela manhã, bastará ligar a televisão para saber tudo sobre asche ã-intervençõesche ã-dosche ã-congressistasche ã-sociaische-ã-democratasche ã-e osche ã-apoiosche ã-laranjasche ã-àsche ã-propostasche ã-de Passosche ã-Coelho. No sítio do costume.

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Português: o exemplo de fora

por João Carvalho, em 03.02.10

A propósito deste excerto de reportagem da revista Veja que o Pedro Correia nos trouxe, vale a pena assinalar a qualidade da escrita que nela se encontra, número após número, do editorial à última página. Serve isto para dizer que uma publicação brasileira, como todos os brasileiros com escolaridade, usa a língua portuguesa de modo fluido e esmerado.

Sem necessidade de qualquer acordo linguístico, o Brasil dá-se muito bem com o idioma que nos une. Com um ou outro reflexo a anteceder o verbo e uns quantos gerúndios a mais do que nós, salpicados por raras traduções fonéticas aportuguesadas, a Veja é um exemplo corrente de uma qualidade na escrita que nem em Portugal encontramos facilmente.

Se a agência Lusa (entre outros meios) pusesse os olhos nestes casos que nos chegam do lado de lá do Atlântico e caprichasse mais no uso da língua, depressa concluiria que não precisa de andar a perder tempo com «corretores» pró-acordo – basta-lhe escrever com esmero.

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Estranha forma de vida

por Ana Vidal, em 12.01.10

"Foi uma pena não termos apostado de uma forma pérformante* na qualificação"

 

(Luís Filipe Menezes, em directo do Porto para o jornal de Mário Crespo, na Sic Notícias)

 

*Nota: Acentuado conforme foi pronunciado.

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Português abalroado

por Ana Vidal, em 23.12.09

"E a viatura foi albarroada por causa do mau tempo que se fez sentir na zona oeste do país (...)"

 

(Jornalista da TVI, agora mesmo, no Jornal Nacional)

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Concordo contigo na embirração, Pedro: "asfixia democrática" é uma expressão irritante, mas, mais do que isso, é estúpida e incorrecta. Há nela uma incongruência gritante: por definição, uma asfixia é um gesto impositivo e violento. Logo, não é democrático, só pode ser ditatorial. Já uma democracia, pode ser asfixiada. Ou, em casos excepcionais (de má interpretação ou excesso de zelo), asfixiante. Nem sempre nos saem bem os mabalarismos linguísticos.

 

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A culpa? Está no sítio do costume!

por João Carvalho, em 14.07.09

A Associação de Professores de Português (APP) quer que o governo explique a quase duplicação de negativas relativamente ao ano passado, nos exames nacionais da disciplina. O presidente da APP, Paulo Feytor Pinto, diz que o Ministério da Educação não forneceu os resultados e exige que seja dado conhecimento dos motivos para tais resultados, para que estes possam ser observados pergunta a pergunta.

Para lá de mais este fracasso do ministério de Maria de Lurdes Rodrigues – um ano depois dos resultados extraordinários que mais não foram do que bolhas de ar para as estatísticas – a actual pretensão da APP parece inteiramente razoável. Dar conhecimento com o detalhe possível das fraquezas dos alunos é o mínimo exigível.

A APP só não precisa de esperar explicações do governo sobre as razões para mais este mau resultado, porque essas já foram dadas pelo ministério a propósito das recentes notas de Matemática:  a culpa é da comunicação social, que andou a veicular o facilitismo e falta de exigência que caracterizaram o desastroso mandato da ministra. É um velho costume.

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Resistirei sempre...

por João Carvalho, em 15.06.09

Tem-se acentuado de há uns anos para cá: à medida que o linguajar empobrece, as pessoas tendem a dizer todas as mesmas coisas com as mesmas palavras. Já não é um mero problema de "moda", mas sim de escandalosa falta de vocabulário. Fruto, necessariamente, de estarmos a criar gerações com mais habilitações e menos conhecimentos.

Lembrei-me disto a propósito do Prós e Contras, que ainda vai na primeira parte. Nem estou a prestar muita atenção, mas consigo perceber que é já a quinta intervenção no programa e concluo que devem estar todos a dizer o mesmo, porque todos eles têm falado à exaustão na mudança de paradigma. Mais para uns, menos para outros, a mudança de paradigma é algo que nitidamente os persegue e consome. Até a Fátima Campos Ferreira também já lhes dá a palavra a partir de uma ideia qualquer em torno da mudança de paradigma.

Na minha opinião, a reforma do ensino que continua por fazer era suposto voltar a pôr os portugueses a falar português. Por inteiro e com características individualizadas, porque andamos a assistir permanentemente a pedacitos de língua plagiados e indiferenciados, com total desprezo por direitos de autor.

Tenho feito um grande esforço para resistir a esta triste realidade, que já constitui um risco sistémico. E esta é que é a questão essencial, que era preciso, basicamente, colocar em cima da mesa. A bem da mudança de paradigma...

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Já foi diferente

por João Carvalho, em 25.05.09

Ilegais entre 55 a 75 mil – escreve aqui uma jornalista do Público. É incompreensível, mas esta falta de concordância das preposições tem-se vulgarizado e estendido largamente às próprias televisões.

Se puder ser útil a alguém, aqui lembro como deve ser:

–  entre X e Y;

–  de X a Y;

–  desde X até Y.

Já agora, a talhe de foice, a jornalista do Público comete (ou permitiu que a sua fonte o cometesse sem pedir esclarecimento) um pecado mortal ao escrever que o número de imigrantes ilegais em Portugal se situa entre 55 e 75 mil: dizer entre 55 e 75 mil não é bem a mesma coisa que dizer entre 55 mil e 75 mil.

Não entendo por que motivo os jornalistas mais velhos deixaram de ajudar os mais novos. Poderá não haver pachorra para ensinar coisas básicas a jovens licenciados, mas o clima nas Redacções já foi bem diferente.

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