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São João sem balão.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.17

Olha o balão na noite de São João! Não, afinal não. Não há festa nem festança que não seja proibida pela D. Constança.

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Já se passou mais de um mês desde que Rui Moreira declinou o apoio do PS à sua candidatura. A minha percepção da coisa não mudou muito desde então, mas preferi esperar que o pó dos acontecimentos políticos assentasse. E não faltaram outra novidades autárquicas, até o regresso de Valentim Loureiro às batalhas eleitorais. Ou do caso Selminho, que voltou como arremesso de lama eleitoral e que promete continuar a dar que falar.

 

Antes de mais, uma nota: votei em Rui Moreira em 2013 e tenciono voltar a fazê-lo. Aliás, andei a fazer campanha nas ruas, por vezes sob a intempérie, onde a alguns dias da eleição já se notava uma notória tendência de voto no candidato que venceu (não há como a campanha porta a porta para se perceber isso, mais do que os comícios que hoje em dia são sobretudo encontros gastronómicos com presença maciça de militantes arregimentados). Por isso, perdoem a parcialidade, mas também resulta do que observei nestes 4 anos e no que retiro do momento político actual.

 

O rompimento entre o movimento de Rui Moreira e o PS deu-se após alguns sinais de nervosismo por parte do primeiro, com a discussão de lugares e depois de Ana Catarina Mendes considerar que a eventual vitória de Moreira seria contabilizada como sendo do PS. Pelo meio, já tinha havido o desacordo de inúmeros elementos do PS, do Porto e não só (Francisco Assis, por exemplo), a contestação à liderança distrital de Manuel Pizarro e as acusações sibilinas de Manuel dos Santos, lá da sua prateleira dourada no Parlamento Europeu, para além de algumas divergências de Manuel Correia Fernandes, que detinha o importante pelouro do urbanismo. Mas o acordo firmado em 2013 corria bem, e Pizarro tinha a confiança de Moreira. Não era por ele que as coisas dariam para o torto. Como muitas vezes acontece, os movimentos subterrâneos e as intrigas partidárias acabaram por resultar, com a preciosa ajuda da cúpula política. Não sei se era intencional, mas a verdade é que Ana Catarina Mendes conseguiu implodir o acordo e deixou Pizarro numa situação complicadíssima. Alguns socialistas agradeceram. Outros sentiram-se traídos.

 

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Quem ganhou e quem perdeu? À primeira vista, Moreira ficou sem algumas cruzes no boletim e a quase certeza da maioria absoluta. Mas provavelmente ganhou mais do que perdeu. Ficará com menos votos do que os que teria se o PS o apoiasse, mas conseguiu manter a independência formal do seu movimento e afastar a ideia do "domínio da câmara" por parte do PS (cujos vereadores, de resto, renunciaram aos respectivos pelouros). Mantém o apoio do CDS, que conseguiu sempre manter-se no grupo vencedor de forma sabiamente discreta, e agora do MPT e do Nós, Cidadãos, além do grupo que já o apoiava e que tem várias origens políticas. O grande problema, que afectou o executivo nestes quatro anos, é que o núcleo duro se enfraqueceu com os desaparecimentos de Paulo Cunha e Silva e Manuel Sampaio Pimentel (e outros, infelizmente), ou a partida de Azeredo Lopes. Será esse o principal desafio de Moreira, que até agora só prometeu conservar o pelouro da cultura nas suas mãos. De resto, o plano para a cidade tem-se cumprido, com ênfase nos pilares a que deu maior importância (a cultura, a economia e a coesão social), e a saúde financeira não se afasta muito do rigor dos tempos de Rui Rio. E nalguns casos, como a resolução do problema da Feira do Livro, provou-se que pode haver apostas públicas na cultura sem necessidade de enormes gastos. Mas há mais problemas a resolver, como o do trânsito.

 

Quanto ao PS, fica numa situação muito complicada: não pode criticar o executivo de que fazia parte, não pode apresentar um programa demasiado parecido com o da lista de Moreira, com o risco de se secundarizar, nem afastar-se totalmente, sob pena de ser acusado de oportunismo. Pizarro e os seus camaradas têm aqui um quebra-cabeças difícil de resolver. Até porque se Moreira voltar a ganhar sem maioria, poderá muito bem voltar a precisar da confiança do cabeça de lista do PS (não necessariamente dos outros).

 

O PSD perde também o argumento de que a câmara era "controlada pelo PS (ou, numa deriva incompreensível, pela "extrema-esquerda")". Tem como candidato alguém que parece ser a antítese de Luís Filipe Menezes: o independente, discreto e pouco conhecido Álvaro de Almeida. Mas talvez por falta de experiência e de tacto político, ou por total ausência de ideias, Almeida tem levado a cabo uma campanha absurda, em que acusa Moreira de "não ter cumprido nenhuma promessa" (lembrou-se provavelmente das escadas rolantes para o Palácio de Cristal) e de ser um "traidor", "déspota", "populista", etc. Só falta mesmo chamar-lhe terrorista ou jiadista, mas já não deve faltar muito.

 

À esquerda, o regresso do PS a uma candidatura própria pode ser impeditivo de uma maior capitalização de votos nesse espectro. Nesse sentido, a aposta em nomes conhecidos pode não ser a melhor jogada. A CDU volta a lançar Ilda Figueiredo como candidata à câmara, vinte anos depois da sua última candidatura, e para a assembleia municipal o seu sucessor na vereação, Rui Sá, gabado pelo seu trabalho enquanto vereador com pelouro no primeiro mandato de Rui Rio, numa daquelas improváveis coligações "vodca-laranja". O Bloco de Esquerda jogava forte, com a candidatura de João Semedo, ex-"coordenador" do movimento, com larga experiência política e há muito a viver na cidade (e um dos raros bloquistas do Porto que não é nem actor nem sociólogo). Mas hoje mesmo, por razões de saúde, Semedo desistiu da candidatura à câmara e trocou de lugar com João Teixeira Lopes, passando assim a candidato a deputado municipal. A infeliz circunstância pode diminuir as hipóteses do Bloco conseguir pela primeira vez um lugar na vereação do município, até porque Teixeira Lopes por mais do que uma vez experimentou a mesma candidatura e teve sempre resultados bisonhos.

 

As eleições para a câmara do Porto prometiam ser uma maçadoria, mas afinal aqueceram com estes pequenos terramotos políticos. Será mais uma querela autárquica a seguir, a merecer atenção em algumas matérias importantes para a cidade, embora preveja que a ordem dos resultados vá ser a mesma de 2013. Aliás, não faltam motivos de entretenimento no distrito do Porto: temos os regressos de Valentim Loureiro, de Narciso Miranda (que anuncia a candidatura, mesmo a calhar, no dia do Senhor de Matosinhos), de Avelino Ferreira Torres, e até o filho de Vieira de Carvalho concorre à Maia. Vá lá que Fátima Felgueiras e Luís Filipe Menezes resistiram à tentação de ver as suas fotos novamente nos cartazes.

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Uma campanha alegre no Porto.

por Luís Menezes Leitão, em 06.05.17

O PS no Porto tem tido tanto sucesso que decidiu apresentar duas equipas como candidatas à Câmara. Rui Moreira é a equipa A, enquanto Manuel Pizarro é a equipa B. Ao contrário do que sucede no futebol, nas autárquicas as equipas A e B podem jogar na mesma Liga. E já se sabe que no fim repartirão os pelouros na vereação como sempre fizeram. Vai ser uma verdadeira campanha alegre.

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Queremos mais estacionamento?

por Tiago Mota Saraiva, em 19.09.16

 

Se cada cidadão eleitor em Lisboa e no Porto tivesse um automóvel próprio as viaturas estacionadas nas nossas ruas ocupariam 6,2% e 6,5% das respectivas áreas da cidade. Se a esse número acrescermos o da média diária estimada de automóveis que entram nas duas cidades (700.000 e 70.000), podíamos ter o território de cada uma das cidades ocupado em 14,9% e 8,6% por estacionamento automóvel – o que poderá não andar longe do que sucede actualmente. Em Lisboa, os cerca de 1500 hectares potencialmente ocupados por automóveis correspondem à área de duas freguesias de Marvila ou sete Arroios.

Estes números servem para se perceber a radicalidade do problema e a necessidade urgente de construir políticas que alterem esta escalada de ocupação do território. A circulação dentro da cidade ou a existência de famílias com frota automóvel a residir em contexto urbano devem ser desincentivadas ao mesmo tempo que o custo dos transportes públicos deve diminuir e a sua frequência e qualidade aumentar. Por outro lado devem ser aceleradas as políticas de incentivo à mobilidade pedonal e ciclovias que têm vindo a ser desenhadas.

O sucesso do movimento de vizinhos do Jardim do Caracol da Penha em Lisboa - que mobilizou a população através de uma petição entregue na Assembleia Municipal e terá conseguido travar a pretensão da EMEL de construir no decorrer deste Verão um parque de estacionamento a céu aberto nos terrenos de uma antiga quinta com 1 hectare numa das zonas de Lisboa com maior carência de espaços verdes - deve ser motivo de reflexão. A resposta ao problema de estacionamento tem de deixar de ser sempre a criação de mais estacionamento. Temos inúmeros casos que demonstram que a afectação de mais espaço urbano a lugares de estacionamento não só não resolve como, a médio prazo, agrava o problema incrementando a solução do transporte individual.

Sendo certo que esta questão não se resolve da noite para o dia nem com um decreto, devemos trabalhar para que as decisões vão todas no mesmo sentido. Não se pode promover o uso da bicicleta ao mesmo tempo que se estimula o incremento do automóvel e tem de se perceber que, em certas circunstâncias, a criação de uma nova carreira de autocarro pode resolver um problema de estacionamento.

 

(publicado hoje no i)

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Da propriedade dos turistas

por José António Abreu, em 19.01.15

 

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AHAHAHAH

Acabámos de saber (estupefactos) por um Secretário de Estado, que o crescimento do turismo no Porto não se deve nem à política de promoção que a cidade tem feito nem ao extraordinário trabalho que os portuenses (empresários e cidadãos) têm feito.

A razão para o enorme sucesso do turismo deve-se ao trabalho deste Secretário de Estado e à presença do Porto na imprensa internacional que, por sua exclusiva e enorme competência, tem promovido a cidade no estrangeiro.

E é bem verdade, basta olhar para a capa do New York Times, para as centrais da Monocle, para a última página do Libération, para a página 4 do El País para se perceber a presença deste enorme Secretário de Estado e o competente trabalho que o seu Governo tem feito na promoção do Porto. Estão a vê-lo? Reconhecem-no? Chama-se Adolfo Mesquita Nunes... Palavras para quê, é um artista português.

 

Mudei-me de Gaia para o Porto no ano passado. Não votei, pois, em Rui Moreira - mas tê-lo-ia feito se já residisse no Porto em 2013. Isso não me impede de considerar absurda, para além de infantil, a reacção de Moreira às declarações feitas por Adolfo Mesquita Nunes, o secretário de Estado do Turismo, ao Jornal 2 da RTP da passada quinta-feira. Mesquita Nunes disse não apenas o que devia dizer mas o que qualquer portuense com dois dedos de testa sabe: o turismo no Porto cresceu em resultado de uma conjugação de factores, entre os quais se destacam a captação de voos de companhias low-cost para o aeroporto Francisco Sá Carneiro, a estratégia de promoção assente nos meios digitais e na publicação de artigos em revistas e jornais estrangeiros (em vez de em «eventos») e os investimentos privados na cidade, que a dinamizaram muito para além do que as «forças intelectuais» sedentas de subsídios públicos que se opuseram constantemente à acção de Rui Rio alguma vez conseguiram. Aparentemente, Moreira queria mais. Queria (como parece ficar óbvio pela colecção de imagens que afixou na sua página do Facebook) uma palavra de reconhecimento a quem é presidente da autarquia há pouco mais de um ano. Queria palavras bonitas sobre a capacidade de iniciativa dos portuenses (que existiram) mas não palavras realistas sobre outros factores (é evidente que a Ryanair desempenhou um papel crucial). Esta incapacidade para analisar fria e racionalmente os assuntos, prescindindo de vaidadezinhas que seriam estéreis se não fossem afinal prejudiciais, é um dos grandes problemas dos políticos portugueses (e não só deles; trata-se de uma característica bastante disseminada). Lamento que Moreira se esteja a deixar cair em reacções tão básicas, injustas e improdutivas. Até porque, não tendo tido oportunidade de votar nele em 2013, gostaria de poder fazê-lo no futuro.

 

P. S.: Não consegui encontrar o vídeo completo da entrevista. O excerto a que se pode aceder na página do Facebook de Rui Moreira é tão representativo como um quadradinho retirado bem do centro da bandeira portuguesa é representativo das cores que a compõem.

 

Disclaimer: Apesar de Adolfo Mesquita Nunes ser colaborador do Delito, os únicos contactos que mantive com ele foram através de emails genéricos, direccionados a todos os participantes no blogue. Ainda um dia hei-de ir a um almoço de delituosos mas, até lá, o único que conheço pessoalmente - e não tão bem quanto gostaria - sou eu.

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Figura nacional de 2013

por Pedro Correia, em 08.01.14

RUI MOREIRA

Pela primeira vez uma lista independente (embora com o apoio de um partido, o CDS) venceu uma eleição para uma grande cidade portuguesa, conquistando seis dos 13 mandatos em disputa. Aconteceu no Porto, nas eleições autárquicas de 29 de Setembro, quando Rui Moreira, obtendo 39% dos votos, derrotou o socialista Manuel Pizarro e o social-democrata Luís Filipe Menezes, num dos mais disputados confrontos eleitorais de que ali há memória.

Empresário e dirigente associativo, de 57 anos, Rui Moreira distinguiu-se sobretudo como presidente da Associação Comercial do Porto, sucedendo no município da Invicta ao social-democrata Rui Rio, que cumpriu três mandatos consecutivos. Rio foi, aliás, um dos protagonistas da campanha ao anunciar publicamente que não votaria em Menezes, o candidato oficial do PSD. Uma declaração que facillitou a vitória de Rui Moreira, conhecido adepto do FC Porto e ex-comentador de futebol na RTP.

Fala-se já dele para novos voos políticos, mas por enquanto o novo autarca portuense - que tomou posse a 22 de Outubro e obteve entretanto o apoio do PS para obter maioria nos processos de decisão - promete concentrar todas as energias no trabalho camarário do Porto, a que chamou "cidade livre". Um dos seus primeiros actos como autarca foi normalizar as relações entre o município e o FCP, interrompidas no início do mandato de Rio.

 

Rui Moreira foi considerado a figura nacional de 2013 em votação interna do DELITO DE OPINIÃO, sucedendo a José Mourinho (figura nacional de 2010) e Vítor Gaspar (figura nacional de 2011).

Logo a seguir nesta votação ficou o povo português, no seu conjunto, pelos sacrifícios que enfrenta e a forma como os tem suportado. Em terceiro lugar, o presidente do Tribunal Constitucional, Joaquim Sousa Ribeiro. Seguiu-se Vítor Gaspar, que se demitiu de ministro das Finanças no início de Julho.

Houve ainda votos isolados em Rodrigo Leão, Cristiano Ronaldo, Paulo Valente Gomes e Bruno de Carvalho.

Foto Paulo Pimenta/Público

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D. Rui, o desejado

por Teresa Ribeiro, em 01.10.13

Se fosse só o Porto que ele tem nas mãos, não seria tão ciclópica a sua tarefa. Dá-se o caso de também ter as expectativas dos que já não se revêem nestes partidos e a esperança daqueles que acreditam que é da sociedade civil que há-de sair a solução ou, pelo menos, o exemplo inspirador.

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Porto Forte

por Rui Rocha, em 29.09.13

Projecções das televisões dão vitória a Rui Moreira no Porto

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Tanto barulho para nada. Rui Rio arrisca-se a decepcionar uma vez mais aqueles que insistem em chamá-lo ao salão. Numa entrevista concedida em horário nobre à televisão pública, o ainda presidente da câmara do Porto voltou a aflorar o perigoso discurso antipartidos (como se não fosse membro de um, tendo sido aliás seu vice-presidente) com expressões de profundo nojo pela vida política (como se não desempenhasse há mais de duas décadas funções políticas).

Expressões como esta: "Sinto-me cada vez mais longe desta forma de fazer política." E esta: "Isto em que nós vivemos já nem sei bem se é uma democracia."

Palavras dignas de qualquer dos habituais intervenientes da Opinião Pública da SIC Notícias.

 

Seria de esperar algo um pouco mais profundo do ex-vice-presidente da JSD, ex-secretário-geral do PSD, ex-vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e ex-vice-presidente dos laranjinhas, que à beira de concluir 12 anos de mandato na Avenida dos Aliados fala como se não tivesse partido e recomenda - não recomendando - uma via alternativa. "Há um movimento do topo da sociedade portuense para a existência de uma candidatura independente, fora dos partidos", destacou, apontando em direcção de Rui Moreira sem no entanto ter o desassombro de anunciar que lhe destina o voto. A falta de clareza de alguns protagonistas é um dos principais problemas da nossa vida política, como há muito sustento. Incluindo aqueles que, como Rui Rio, tanto gostam de apregoar frontalidade.

De caminho, nesta entrevista, o autarca disparou contra Luís Filipe Menezes, indicado pelo PSD para concorrer à sua sucessão. Nada de admirar, dadas as públicas divergências que ambos mantêm há longos anos. Mas Rio - apresentado pela RTP como "um homem cuja palavra pode ser decisiva para o resultado final" - caiu num lapso: por duas vezes falou como se Menezes tivesse a eleição assegurada. A primeira quando disse isto: "Não posso apoiar, de forma nenhuma, quem vai fazer o contrário daquilo que estive a fazer." A segunda, aqui: "Tenho a obrigação ética de me demarcar muito claramente daquilo que eu sei que vai destruir tudo aquilo que foi feito [no Porto]." Tem a certeza de que Menezes vai fazer e vai destruir, doutor Rio? Essa forma verbal indicia que já dá por garantida a vitória do seu rival.

 

E da entrevista conclui-se o quê? Que Rio tenciona abandonar a política, ingressando na actividade privada, porque precisa de "ganhar um pouco mais pois os salários na política, ao contrário do que as pessoas pensam, são muito baixos".

Tem todo o direito de o fazer, como é óbvio. Mas afinal, com o actual autarca a dissolver-se em breve na nossa linha do horizonte, quem poderá protagonizar a regeneração por que tanto ansiamos na política portuguesa?

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Promessas de campanha numa autarquia sobreendividada

por José António Abreu, em 23.07.13

Só vejo duas hipóteses: ou é mentira ou irresponsabilidade. 

 

Entretanto, na outra margem do rio, o responsável pelo sobreendividamento de Gaia esqueceu-se de colocar o símbolo do PSD nos cartazes de campanha mas promete heliportos, cortar o trânsito em parte da rotunda da Boavista e, numa tentativa de agradar aos abrunhosas do burgo, órfãos de carinho e fundos públicos há doze anos, centros de artes, fazer de Wim Wenders o embaixador do vinho do Porto e forçar a Academia de Hollywood a atribuir o Óscar honorário a Manoel de Oliveira. Diz o candidato: «É no centro-esquerda que se ganha a maioria absoluta e é para aí que aponta o nosso objectivo.» Julgando pela história recente do país, o centro-esquerda é bem capaz de lhe dar a vitória.

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Porto, Texas.

por Luís Menezes Leitão, em 17.07.13

 

Julgava eu que os tribunais tinham julgado Luís Filipe Menezes impedido de se candidatar à Câmara do Porto. Mas, como se escreve nesta crónica, ele não desiste de contrariar as decisões judiciais, podendo até utilizar o slogan: "Ninguém pára o Menezes se ele quiser concorrer 50 vezes!". E de facto parece que vivemos no faroeste, onde os autarcas ignoram olimpicamente os tribunais do país, defendendo o seu direito a ser presidentes de câmara até à eternidade. Deve ser por isso que Menezes faz propostas como de a convidar Wim Wenders, o realizador de Paris, Texas, para embaixador do vinho do Porto ou de fazer a academia de Hollywood dar o óscar de carreira a Manoel de Oliveira em 2015, altura em que o mesmo fará os seus jubilosos 107 anos. Estas propostas têm toda a lógica. Com a eleição de Menezes, o Porto poderá passar a intitular-se Porto, Texas, cidade onde os tribunais não contam, já que é o xerife que tudo decide. E daqui a 100 anos Menezes ainda estará no cargo, já que nem sequer terá atingido os seus trinta mandatos, que é a única limitação que se deve considerar que resulta do espírito da lei de limitação de mandatos.

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Um livro todos os dias

por Pedro Correia, em 29.06.13

A pedido de alguns leitores, lanço aqui uma nova série a partir de segunda-feira. Sugerindo um livro por dia até ao fim do ano. Como já tinha feito em 2012, por ocasião das feiras do livro de Lisboa e Porto - iniciativa que retomei em Maio e Junho de 2013, enquanto durou a Feira do Livro de Lisboa (a do Porto, lamentavelmente, não se realizou este ano, o que revela muito sobre a indigência cultural dos gestores políticos da cidade).

Antes que alguém me faça a pergunta, fica desde já prestado o esclarecimento: todas as obras recomendadas - dos mais diversos autores, géneros e estilos - terão uma característica comum. Essa mesmo, que já adivinharam: são escritas na grafia pré-acordista - a que continua a ser seguida pela larga maioria dos portugueses, incluindo alguns dos mentores políticos do acordês, a quem devia aplicar-se a regra de São Tomás, mas invertida: não faças o que ele diz, faz o que ele faz.

E ninguém diga que não compra livros por rejeitar as aberrações ortográficas plasmadas no convénio pseudo-académico de 1990: são inúmeras as obras que continuam a ser editadas em Portugal segundo a norma pré-acordística. Como procurarei demonstrar também, dia a dia, com as sugestões que aqui deixar.

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Fotografias tiradas por aí (143, 144, 145, 146, 147)

por José António Abreu, em 22.06.13

Já que a Ponte faz hoje 50 anos, algumas fotos dos últimos 15 (a última é a mais antiga, a penúltima a mais recente).

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Meio século

por José António Abreu, em 22.06.13

A Ponte da Arrábida faz hoje 50 anos.

 

(Foto discretamente roubada aqui.)

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Pânico no túnel.

por Luís Menezes Leitão, em 19.05.13

 

Lê-se e não se acredita. Parece que Luís Filipe Menezes não quer abandonar Gaia sem deixar os gaienses afundados — literalmente — em mais um projecto megalómano e despesista. Efectivamente "a Câmara de Gaia está a projectar a construção de um túnel rodoviário mergulhado nas águas do Douro para ligar a praia de Lavadores (Gaia) à zona do Castelo da Foz (Porto). A obra custa 54 milhões de euros. Para o túnel ser sustentável deverá ser portajado". Vão ser assim gastos 54 milhões de euros para permitir aos milhares de carros que todos os dias desesperam na Praia dos Lavadores para chegar ao Castelo da Foz que lá cheguem num moderno túnel. E como não poderia deixar de ser, é necessário pagar a portagem, coisa que não existe em nenhuma ponte do Porto. Naturalmente que o túnel só será viável com mais uma parceria público-privada, em que a autarquia assegurará ao privado o retorno do investimento, já que, se o privado contasse apenas com o dinheiro das portagens a receber, não haveria túnel até ao dia do juízo.


Enquanto houver autarcas com estas ideias despesistas e megalómanas, o país está completamente perdido. Não vale a pena o Governo pedir sacrifícios, pois com autarcas assim nunca veremos a luz ao fundo do túnel.

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Vamos lá, rapaziada

por Rui Rocha, em 14.05.13

Momento 1:

 

Publicação no TAF da seguinte nota:

 

Leio hoje no Público"Em vésperas de extinção Gaianima faz ajustes directos de 130 mil euros." "Os contratos foram feitos com as empresas NextPower Comunicação Lda e com a Boston Media Comunicação Imagem SA".

Conheço relativamente pouco as máquinas partidárias, mesmo a do PSD, mas nesta notícia (além do relato preocupante de um ajuste directo numa empresa municipal) o nome da empresa "NextPower" soou-me familiar e fui investigar. Confirmou-se. Segundo o seu perfil do LinkedInFernando Moreira de Sá (julgo que militante do PSD), um activo apoiante de Luís Filipe Menezes e de Carlos Abreu Amorim, é CEO da NextPower e de outra empresa chamada Comunicatessen. Constatei também que os domínios oficiais na Internet das campanhas para o Porto e para Gaia foram registados em nome da Comunicatessen. Daí que surja naturalmente a pergunta: é afinal a Gaianima (empresa municipal de Gaia presidida por Ricardo Almeida, também presidente da Concelhia do PSD/Porto) que está a pagar as campanhas de Menezes e de Amorim?

 

Momento 2:

 

Miguel Noronha faz eco no Insurgente da nota publicada no TAF.

 

Momento 3:

 

Fernando Moreira de Sá responde no post de Miguel Noronha.

 

Com especial interesse, sublinhem-se

 

3. A Nextpower não trabalha a campanha de Carlos Amorim que, aliás, nem tem nenhuma empresa de comunicação a trabalhar com ele mas sim um assessor de imprensa que nunca trabalhou em agências…

 

11. Por último, deixo uma pergunta: acham que seria assim tão estúpido para fazer tudo às claras se existisse alguma coisa a esconder? Não acham, no mínimo, estranho?

 

Extremamente interessantes são também alguns dos comentários feitos por leitores do post do Miguel Noronha. Quanto ao ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá, importa ter em conta o que se dirá no Momento 4. Já no que diz respeito ao ponto 11, devo desde já salientar que é um argumento tão imbecil que dificilmente se compreende que seja utilizado por alguém que faz da comunicação e da mensagem a sua profissão. 

 

Momento 4:

 

Leitor do post de Miguel Noronha, perante a afirmação do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá recorda que aqui está a time-lapse final da apresentação do candidato Carlos Abreu Amorim (Gaia não pode Parar). Um trabalho que nos orgulha.” – NextPower Norte.


Momento 5:

 

Este vosso servidor tenta contribuir modestamente com a transcrição de uma passagem que encontrou por aí e que também pode ter o seu interesse no esclarecimento do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá:

 

A equipa de comunicação digital da candidatura de Carlos Abreu Amorim/Gaia Não Pode Parar lançou a primeira time-lapse de um evento de apresentação de uma candidatura autárquica em Portugal nas redes sociais.


Publicada na página Vimeo da candidatura e mais tarde partilhada na respetiva página de facebook e twitter, este vídeo resumo em pouco mais de 30 segundos as duas horas e meia do evento realizado no passado sábado nas Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia.

Segundo os seus criadores, a SpinFilmes/Nextpower Norte, a mesma foi filmada com duas diferentes câmaras GoPro (GoPro Hero2 e a mais recente GoPro Hero3) colocadas em dois locais específicos do espaço.

Segundo os autores deste trabalho, "a aposta nas redes sociais permite, de forma mais económica, conseguir passar a mensagem a milhares de pessoas. Estas serão as primeiras eleições autárquicas em Portugal onde o digital e em especial as redes sociais, vão ter um papel muito especial".

A Spinfilmes/Nextpower Norte, segundo dados da empresa, está a gerir, em termos de comunicação digital, mais de uma dezena de perfis de facebook relacionados com as próximas eleições autárquicas.

 

Conclusão preliminar

 

Sim, podíamos investir o nosso tempo discorrendo longamente sobre o momento e a oportunidade em que estas coisas surgem, trazendo ao caso máximas populares sobre comadres e as suas zangas ou aproveitando para salientar que é incrível como se escreve mal em certas actividades de "comunicação". Exacerbadamente rigorosos que fôssemos e até bateríamos no peito com indignação arengando sobre a utilização do dinheiro dos nossos impostos, as funções sociais do Estado ou a taxa de solidariedade imposta aos pensionistas. Claro que nada disto vale a pena. Resta-nos emigrar para longe desta porra toda ou ficar, fazermo-nos de parvos, e cantar com o Emanuel. Vamos lá, rapaziada:

 

 

 

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Daqui por uns milhares de anos, os arqueólogos concluirão com algum espanto que a extinção de uma certa espécie de dinossauros ficou a dever-se ao efeito dos tribunais e que o fenómeno ocorreu no final da era Menezosóica. 

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E vão dois.

por Luís Menezes Leitão, em 15.04.13

 

Depois de Fernando Seara é agora Luís Filipe Menezes que é impedido pelos tribunais de se candidatar à Câmara do Porto. Não sei sinceramente o que passou pela cabeça dos estrategas autárquicos do PSD, ao insistir nesta estratégia de recandidatar dinossauros autárquicos em câmaras distintas. Isto dá para a opinião pública uma imagem desastrosa de total incapacidade de renovação do partido, quando havia tantos jovens quadros capazes de apresentar candidaturas com hipótese de vitória. Mas ao mesmo tempo dá uma imagem de hipocrisia e de inconsistência. Costuma dizer o povo que quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Se o PSD queria candidatar os seus autarcas até à eternidade, nunca poderia ter aprovado uma lei de limitação de mandatos. Se a aprovou, é manifesto que depois não a poderia tornear, procurando deslocar os seus autarcas de concelho para concelho. Tal representa uma autêntica fraude à lei que muito provavelmente os tribunais não sancionariam. E em qualquer caso é uma estratégia politicamente suicida pôr os candidatos a combater os tribunais em lugar de combater os seus adversários. Só de facto quem se está a lixar para as eleições é que pode apresentar uma estratégia semelhante. Insistir nela é provocar o desastre.

 

P.S. Faço esta apreciação independentemente da avaliação do mérito dos candidatos. Na verdade, se não existisse este problema, Seara seria um bom candidato a Lisboa. Já Menezes, pelo contrário, parece-me ser um péssimo candidato ao Porto. Como já observei aqui, achei desastroso ele ter aparecido, depois de anos de gestão equilibrada de Rui Rio, a propagandear as virtudes do despesismo autárquico, prometendo fazer três novas pontes e um túnel no Porto. Se esta decisão judicial contribuir para que surja uma candidatura com propostas mais adequadas ao momento em que vivemos, estou seguro que os portuenses agradecerão.

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Perguntar não ofende

por Rui Rocha, em 06.02.13

Se um presidente de câmara que atinge o limite de mandatos num determinado concelho pode candidatar-se a funções idênticas num concelho limítrofe, pergunto-me se não seria possível o Rui Moreira candidatar-se simultaneamente à presidência das câmaras municipais do Porto e de Gaia. Não sei, digo eu.

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Leio que anda por aí muita indignação com a deslocalização do Praça da Alegria e o corte de financiamento das actividades da Casa da Música. Pelo visto, há até quem proponha a realização de uma manifestação nos Aliados, uma espécie de 15 de Setembro com pronúncia do Norte. Tenho dificuladade em avaliar os fundamentos que levam a tais posições. Mas, de uma coisa estou certo. Se existe situação que justifica um levantamento popular, essa é a indicação pelo PSD de Menezes e de Marco António Costa como candidatos às Câmaras Municipais do Porto e de Gaia. Sejamos sinceros. Isto não se faz a ninguém, carago! 

 

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Apelo público ao CDS

por José António Abreu, em 26.11.12

Vá lá, arranjem alguém que se oponha a Luís Filipe Menezes na corrida à presidência da Câmara Municipal do Porto. Pode ser Rui Moreira (excessivamente portista para os meus gostos mas, enfim, nem eu estou isento de defeitos), pode ser outra pessoa – não caiam é na asneira de se deixarem colar a um dos símbolos da irresponsabilidade orçamental que assolou este país nos últimos (muitos, demasiados) anos.

E, aproveitando estar com a mão na massa, peço-vos que façam o mesmo em Vila Nova de Gaia se o candidato do PSD for o... o... (caramba, nem tenho adjectivos)... Marco António Costa. Evitem-me um comportamento que detesto: votar em branco.

Muito obrigado.

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A troca

por José António Abreu, em 13.09.12

Revelando uma intenção que poucas pessoas no país desconfiavam que tivesse, Luís Filipe Menezes anunciou a candidatura à presidência da Câmara Municipal do Porto. Acho bem. Com as contas equilibradas, o Porto necessita do brilhantismo de Menezes no aumento do endividamento. Como, de resto, a Gaia, com as contas de rastos, faria bem o brilhantismo de Rio na diminuição do mesmo. Não será possível convencê-los a irem trocando de câmara um com o outro?

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Contra a javardice

por Pedro Correia, em 24.08.12

                  

                  

 

Dois membros do Bloco de Esquerda insurgiram-se contra a decisão, em boa hora anunciada pelo Ministério da Administração Interna, de combater as pichagens em locais públicos que conspurcam os edifícios da esmagadora maioria das nossas cidades (e falo em maioria, e não em totalidade, porque recentemente tive o prazer de descobrir Guimarães e Viana do Castelo como cidades praticamente livres deste flagelo). Há ruas inteiras em Lisboa, Porto ou Caldas da Rainha, por exemplo, onde nem um edifício escapa aos semeadores de tags que aproveitam as sombras da noite para as suas acções de poluição visual.

Pensava eu que qualquer cidadão civilizado estaria contra esta javardice. Enganei-me: aqueles dois bloquistas, João Teixeira Lopes e José Soeiro, declaram-se indignados não com quem polui mas com quem procura combater a poluição, bradando contra "o horror higienista" destes últimos. Aguardo as próximas tomadas de posição de tão ilustres sumidades em defesa da manutenção en su sitio dos milhares de beatas e dos dejectos de cão e de pombo que enchem ruas, praças e avenidas. Se a correcção política os conduz ao elogio das paredes conspurcadas, por maioria de razão devem procurar manter a mão da lei fora de jardins e passeios transformados em expositores de lixo: "horror higienista" é que não.

Lamento, mas penso de maneira oposta. Eleitor em Lisboa, prometo desde já apoiar o candidato à eleição municipal de 2013 que inclua com maior visibilidade no seu programa eleitoral o combate à degradação paisagística da cidade - o que implica ter mão firme contra os pseudo-grafiteiros, por mais que alguns procurem elevar os seus rabiscos à dignidade de "arte urbana". Mereciam tais vozes ver os prédios onde habitam "grafitados" da cave ao sótão para melhor se enebriarem com tanta "arte".

 

Estou com Alexandre Delgado, que hoje protesta sem rodeios no Público contra a confusão que alguns pretendem estabelecer entre grafitti e tags: os primeiros são defensáveis, os últimos não. "Quem faz grafitti de arte geralmente escolhe os locais próprios e contribui para enriquecer o espaço público. Até 'mensagens poéticas' são aceitáveis, quando feitas em edifícios devolutos. Os rabiscadores de tags não respeitam nada disso: eles são os primeiros a vandalizar grafitti artísticos (como os da Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, ou os painéis do Elevador da Glória). Não contribuem com nada, a não ser os excrementos do seu ego invasor", defende o compositor, acentuando: "Com a legislação actual, nem vale a pena fazer queixa à polícia. O Ministério da Administração Interna quer simplesmente fazer aquilo que já se devia ter feito há muito tempo: adequar a lei e criminalizar essa forma de vandalização do espaço público. É razão para aplaudir entusiasticamente. Aqui ficam duas sugestões: que a punição dos culpados inclua obrigatoriamente raspar e pintar aquilo que vandalizaram; e que se crie um imposto extraordinário sobre sprays de tinta, destinado a limpar as pichagens que tantos lucros geram a fabricantes e vendedores, e que tantos prejuízos causam a proprietários, instituições e cidadãos em geral. Esta não é uma causa de esquerda ou de direita: é uma causa de civilização contra a barbárie."

Não posso estar mais de acordo. Se Guimarães e Viana conseguem ser cidades limpas, porque não sucederá o mesmo em Lisboa, Porto ou Faro?

 

Em cima, no sentido dos ponteiros do relógio: pichagens em Lisboa (Avenida de Roma), Porto (antigo cinema Batalha), na baixa de Faro e no centro das Caldas da Rainha. Fotos minhas.

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À dúzia é mais barato.

por Luís Menezes Leitão, em 23.06.12

 

Quem ganha esta semana o prémio Despesismo é Luís Filipe Menezes ao propor, não uma nova ponte, mas antes três novas pontes e um túnel a unir Gaia ao Porto. A proposta corresponde apenas a uns modestos 115 milhões de euros. Nas palavras do próprio: "Não é muito dinheiro. Só o que entregamos ao BPN daria para 500 pontes. Se parassem as obras de reabilitação em Mouzinho da Silveira (Porto) ou na Circular do Centro Histórico (Gaia) daria para pagar uma ponte. O investimento no Teleférico ou na Douro Marina ou no Centro de Alto Rendimento Olímpico daria para pagar outra ponte". Já estamos então a perceber para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos. Anda a ser gasto pelos autarcas do país à fartazana, sendo que a unidade de conta dos gastos já não é o euro, tendo passado a ser a ponte.

 

Não sei por que é Luís Filipe Menezes não triplica a sua proposta, passando antes a ser nove pontes e três túneis. Era capaz de se conseguir que à dúzia fosse mais barato e que o valor da unidade de conta ponte acabasse por descer. Na verdade, 12 pontes são uma ninharia comparada com as 500 que custa o BPN. Conforme sabemos todos, o país está muito rico, há ouro no Alentejo e petróleo no Algarve, e não há por isso motivo nenhum para que os autarcas do país não construam todas as pontes que lhes apetecer construir.

 

Há quem aplauda entusiasticamente esta proposta, parafraseando até a canção de Pedro Abrunhosa: "que nunca caiam as pontes entre nós". A mim apetece-me mais traulitar antes outra canção, a Ribeira dos Já Fumega: "A ponte é uma passagem... para a outra margem. Desafio, pairando sobre o rio. A ponte é uma miragem".

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Leitão, substantivo masculino

por Rui Rocha, em 09.06.12

 

Sempre fui sensível ao humor canalha. Aquele que, com a boca na botija, permite ao seu autor sair por cima. Se o humor canalha tivesse uma nacionalidade, havia de ser argentino. E se quiséssemos um exemplo, aí teríamos o de Maradona. A mão da infracção tornou-a Dieguito, à custa dos ingleses, estes habituados a outras variantes de humor, na mão de Deus. Com a língua do Diabo. Que, como se sabe, é tendeiro. É também essa que falam os mânfios de certas zonas do Porto, habituados a controlar ali entre a Ribeira e os relógios desviados da Rua do Loureiro. Foi da lábia destes que me recordei quando ouvi Manuel Leitão afirmar, a propósito do Guia de que é editor e em que aparece na capa a inscrição "Rio és um FDP", que Rio "é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo". É, agora que se sabe que tal inscrição nunca existiu no local e que foi colocada na edição em causa deliberadamente, uma excelente tirada. Sobretudo se tivermos em conta que, em bom português, leitão é porco. Dos pequeninos.

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Porto sentido

por Ana Vidal, em 13.02.12

 

Encontrei o belo milhafre menos grave e sério, espreguiçando as penas sob um glorioso sol de Inverno. Habituado a tiritar num cinzento de chumbo, esse chumbo que lhe feriu um dia a asa, deixou-se por uma vez de lutos e mistérios e recebeu-me alegre como nunca. Por uma vez lhe vi sorridente o rosto de cantaria, franco e aberto o jeito fechado, resplandecente o timbre pardacento. Por uma vez o luto lhe foi aliviado por uma rara benção dos deuses. E vim pensando, no regresso a casa, que, de tão luminoso, o milhafre quase me parecia a minha gaivota moura.

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Qual é a dúvida?

por João Carvalho, em 10.12.11

 

Claro que é uma placa do Metro do Porto. Vê-se bem pelo logótipo. Alguma dúvida? Por isso é que está lá escrito estaçom.

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A reforma da administração local não pode ficar pelas Juntas de Freguesia mas ninguém no governo (muito menos na oposição, onde os socialistas parecem desejar apenas que não lhes façam perguntas sobre o assunto) tem coragem de mencionar Câmaras Municipais que possam ser extintas – ou aglutinadas, para usar o eufemismo do Ministro Relvas (ou ele terá usado «agrupadas»? Não importa, foi um termo assim bonito). Como eu não preciso de cuidar das sensibilidades dos senhores autarcas, deixem-me avançar já com uma: aquela onde resido, Vila Nova de Gaia. A ideia da fusão (outro termo que o Ministro Relvas poderá usar no futuro) entre Porto e Gaia não é nova. Surge de vez em quando e, na minha opinião, faz todo o sentido. Admito que, tendo nascido a cerca de duzentos quilómetros e encontrando-me instalado na zona apenas há quinze anos, o meu estatuto de «imigrante» pode ter contribuído para que eu sempre tenha visto a separação entre as duas cidades como artificial. Mas creio que poucas pessoas, mesmo entre as nascidas e criadas aqui, pensam em Porto e Gaia como duas cidades distintas. O Douro é demasiado estreito e, muito mais do que uma separação, revela-se um elemento unificador. E talvez convenha lembrar que Vila Nova de Gaia já resultou da aglutinação, ocorrida em 1834, de duas vilas (Gaia e Vila Nova). A História não acabou nesse momento; não nos obriga a manter tudo como está. A junção (olha, mais um termo para o Ministro Relvas) dos dois municípios daria origem a um novo com menos de quinhentos e cinquenta mil habitantes (539631, de acordo com os resultados preliminares do Censos 2011), perfeitamente gerível (continuaria com menos população do que Lisboa), eliminando atritos estéreis e permitindo ganhos de eficiência (pelas economias de escala e também pela melhor coordenação de políticas de interesse mútuo). De facto, eu até me atreveria a propor a junção de Matosinhos (mais 174931 pessoas) à nova entidade. E (ainda bem que pouca gente conhece a minha aparência) que se ponderasse a união (mais um termo à consideração do Ministro) entre Gondomar e Valongo (isto se Gondomar não preferir anexar-se ao Porto). E entre a Póvoa do Varzim e Vila do Conde. As razões históricas, hoje expressas em bairrismos inúteis (quem, ao percorrer a marginal da Póvoa e de Vila do Conde, sente estar a passar de uma cidade para outra?), não devem impedir o estabelecimento de formas mais eficientes de administração local. Em especial numa época de aperto financeiro.

 

Quanto a sugestões para outras áreas do país (Lisboa, por exemplo), deixo-as para alguém que as conheça melhor do que eu.

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Os portuenses e o mundo

por João Carvalho, em 27.05.10

São os três portuenses e param ali pela Rotunda da Boavista. O homem nada tem de especial, mas um dos outros é um tipo estranho: ou o frango ou o leitão, um deles quer passar por ser o outro. Um dia destes ainda acabaremos por encontrar na Bairrada um leitão tipo frango. O mundo está a mudar rapidamente. Às vezes já muda em três semanas.

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Passado presente (especial)

por João Carvalho, em 26.04.10

 

Ponte de D. Maria Pia* (Porto, 1877)

 

* — Fotografia de A.Correia, "roubada" aqui.

Inaugurada pelo Rei D. Luís em 1877 (ao fundo, um desenho da época) e baptizada com o nome da Rainha consorte D. Maria Pia de Sabóia, foi projectada por Théophile Seyrig e construída pela Eiffel Constructions Métalliques, sob a direcção de Gustave Eiffel, que morou em Barcelos durante a obra. Trata-se de uma ponte ferroviária sobre o Douro, com uma só linha e há muito incapaz de responder às necessidades, pelas limitações que impunha. Acabou por ser substituída em 1991 pela Ponte de S. João (que se vê em plano mais afastado, em cima) e ficou fechada desde então, acentuando sinais evidentes de corrosão e abandono. Monumento óbvio a preservar, parece pela foto que a velha ponte está a ser tratada. Aguardemos que seja isso, porque há quase duas décadas que a sua decadência era ignorada.

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«Quem vem e atravessa o rio...

por João Carvalho, em 09.03.10

... junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar.»

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31 de Janeiro (2)

por João Carvalho, em 10.02.10

Ainda há poucos dias aqui esteve. É o Porto, carago! A Rua de 31 de Janeiro, agora vista de cima para baixo, em Janeiro de 1914.

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31 de Janeiro

por João Carvalho, em 31.01.10

Este velho postal do Porto é do tempo do Estado Novo, que entendeu chamar Rua de Santo António àquela que vai por ali acima, repescando a toponímia antiga. O regime actual restituiu-lhe o nome que tinha antes disso, a lembrar a revolta falhada: Rua de 31 de Janeiro.

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O percurso portuense...

por João Carvalho, em 23.10.09

... do antigo jovem da Ramada Alta descobre-se aqui (via 31 da Armada). Augusto apoiante de Otelo a Presidente da República nos idos do PREC, vai agora para a Defesa. Não será fácil passar da defesa ao contra-ataque no combate político que se segue. Mas, com aquele percurso, não há-de ser nada.

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Menos palavras e mais trabalho, ok?

por João Carvalho, em 18.10.09

O líder federativo do PS-Porto manifestou o «apoio inequívoco» do partido aos independentes eleitos com Elisa Ferreira. Pudera. Desde o início que o PS fez tudo mal, em relação à candidatura autárquica no Porto, onde deixou a estrutura federativa e a distrital com mais outro tema de discórdia: uma a favor e outra contra a candidata portuense. Depois de tantas cenas gagas, só faltava que os independentes eleitos pelo PS não tivessem o apoio do partido.

É o costume: volta-meia-volta, há-de sempre aparecer alguém o dizer o que é óbvio só para ver o seu nome no jornal (aqui é que não vai ver, não). Aquela declaração foi tão útil como convocar uma conferência de imprensa para anunciar que hoje é domingo em todo o país. Vão mas é trabalhar, que o domingo é só para descanso dos justos.

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Como só no Porto

por João Carvalho, em 12.07.09

Bem, para despedida deste animado fim-de-semana que se viveu por aqui,  estão todos convidados para uma Francesinha como só no Porto se faz.  Por conta da casa, como só no Porto se abraça. Para os amigos, como só no Porto se recebe.

Porquê? Ora, porque as praias e almoçaradas mais as esplanadas e jantaradas destes dois dias devem estar a pedir repouso. Aqui fica, pois, uma coisinha leve e de fácil digestão. Como só no Porto se entende.

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Em que é que ficamos?

por João Carvalho, em 05.07.09

Diz o antetítulo: «Candidata comentou proibição das candidaturas duplas». Lê-se no lead: «A candidata do PS à Câmara do Porto, Elisa Ferreira, recusou-se hoje a comentar a decisão do PS de proibir candidaturas duplas nas próximas eleições». Em que é que ficamos? Ela baralhou o Público?

Depois da candidatura à recente eleição para o Parlamento Europeu, Elisa Ferreira comentou assim a sua candidatura ao lugar de Rui Rio: «Estou no Porto com os pés, a alma e o coração.» Parece que ainda ficou muito para Bruxelas: as mãos, o subconsciente e o fígado, por exemplo. Em que é que ficamos? Ela baralhou o PS?

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Hoje há tripas e corridas

por João Carvalho, em 04.07.09

7o. Grande Pr,mio de Portugal Vintage Poster Fine Art Giclee Print 

File:Vanwall VW5 Aintree 1957.jpgFoi neste belíssimo Vanwall VW5 que Stirling Moss esteve no 7.º Grande Prémio de Portugal, o último que teve lugar no velho circuito urbano da Boavista, no Porto, a 24 de Agosto de 1958.

Alinharam no Circuito da Boavista com Moss (1.º lugar), entre outros: Mike Hawthorn (2.º, Ferrari), Stuart Lewis-Evans (3.º, Vanwall), Jean Behra (4.º, BRM), Jack Brabham (7.º, Cooper-Climax), Tony Brooks (Vanwall), Graham Hill (Lotus-Climax), Jo Bonnier (Maserati) e Maria Teresa de Filippis (Maserati), a primeira mulher a pilotar um bólide da categoria de topo. Quem sabe destas coisas, não se esqueceu de nenhum deles.

O novo Circuito da Boavista está de regresso este fim-de-semana.

(Na foto em  cima à direita: Sir Stirling Moss na actualidade.)

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