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Em louvor de Clement Attlee

por Pedro Correia, em 08.09.17

 Attlee com a mulher, Violet, logo após a vitória eleitoral dos trabalhistas em 1945

 

Clement Richard Attlee (1883-1967) era um homem destituído de carisma. Um esforçado militante de esquerda que, superando inúmeras crises nas suas hostes, alcançou em 1935 a liderança do Partido Trabalhista britânico.

Estavam então no poder os conservadores -- primeiro liderados por Stanley Baldwin, depois por Neville Chamberlain. Quando ocorreu a guerra -- a mais devastadora de todas as guerras -- outro conservador, Winston Churchill, ascendeu à chefia do Governo londrino.

Attlee podia ter-se refugiado na trincheira partidária. Mas não: assumiu uma atitude patriótica, aceitando integrar o executivo liderado por Churchill. Sempre na segunda linha, inicialmente apenas como ministro, depois como vice-primeiro-ministro -- posto até aí inexistente, criado especialmente para ele.

Foi de uma lealdade inquebrantável a Churchill durante os cinco penosos anos de guerra. O governo de unidade nacional -- que integrava ainda os liberais, além dos conservadores e dos trabalhistas -- funcionou sempre como um bloco. Sem que a liderança de Churchill fosse alguma vez discutida, sem que a lealdade de Attlee fosse alguma vez posta em causa.

 

Vencida a guerra, em Maio de 1945, a coligação dissolveu-se e realizaram-se eleições. E os mesmos britânicos que aplaudiram a gestão de Churchill durante o conflito que deixou o Reino Unido depauperado, tanto em vidas humanas como nas finanças públicas, disseram nas urnas que era tempo de confiar a outro político os destinos do país.

Ganhou Attlee, com 47,7%, contra 36% de percentagem atribuída aos conservadores: pela primeira vez o Partido Trabalhista dispunha de uma larga maioria na Câmara dos Comuns. E nos anos seguintes, sob a sua liderança, a esquerda britânica assumiu o poder. Governando com tanta eficácia a Grã-Bretanha em tempo de paz como Churchill a governara nos dias incertos da guerra.

Depois de enterrar os mortos, chegara o tempo de cuidar dos vivos -- como ensinou o nosso Marquês de Pombal. Attlee soube cuidar dos vivos: lançou as bases do Serviço Nacional de Saúde britânico, de base universal e gratuita, alargou a segurança social e delineou um ambicioso programa de habitação pública -- marcos modelares daquilo a que por estes dias chamamos "Estado Social". De tal maneira modelares que Churchill manteve-os inalterados quando regressou ao poder, em Outubro de 1951.

 

Attlee, o político sem carisma, é hoje recordado como um dos melhores primeiros-ministros britânicos de todos os tempos. Quando morreu, em Outubro de 1967, o Guardian acertou em cheio ao prever que a passagem do tempo só engrandeceria a sua figura. Assim aconteceu. Uma sondagem realizada pelo Times em 2010 considerou-o o mais qualificado de todos quantos governaram no século XX.

 

Porquê?

Porque soube agir em dois tempos, conforme as circunstâncias exigiam: baixou bandeiras partidárias quando era esse o seu dever patriótico no momento em que a soberania britânica estava em risco e foi recompensado por isso com dois mandatos sucessivos que lhe permitiram enfim aplicar o seu programa de vastas reformas sociais. Deixando o país numa situação de pleno emprego e a crescer ao ritmo de 3% ao ano.

 

Por vezes lembro-me de Attlee ao analisar o percurso de certos políticos contemporâneos. E concluo sempre que o seu exemplo ganharia em ser seguido por todos quantos, manifestamente equivocados, ambicionam o máximo para o momento seguinte. Como se não houvesse amanhã. Como se o decurso do tempo funcionasse como adversário e não como aliado. Como se a política não fosse sobretudo um exercício inteligente e laborioso de persuasão e persistência. Como se os livros de História pesassem menos do que as manchetes da manhã seguinte.

 

Daqui a um mês, a 8 de Outubro, assinalam-se os 50 anos da morte de Attlee

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Ninguém lhes dá uma boleia?

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.08.16

Ainda lá estão todos? De polegar esticado, à beira da estrada? De um lado e do outro? Será que ninguém lhes oferece um bilhete de ida?

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Vocação oculta.

por Luís Menezes Leitão, em 06.06.16

Há uma coisa que se pode dizer dos políticos da nossa terra: Têm todos uma enorme vocação oculta para serem banqueiros ou construtores civis. Vá lá saber-se porquê.

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E se fosse consigo?

por Ana Vidal, em 19.05.16

Acredito, sem ironias, que Catarina Martins tenha mesmo sido apanhada por acaso no programa "E se fosse consigo?". Por que havemos de pensar sempre o pior das pessoas em todas as situações?

Mas, já que as figuras públicas entraram na dança, tenho uma sugestão para a Conceição Lino: inverter os papéis. Num próximo programa, pôr como actores um político e um jornalista conhecidos à chapada num jardim público (assim de repente, lembrei-me de João Soares e Augusto Seabra, ou Sócrates e um jornalista do Correio da Manhã) e ver as reacções dos transeuntes. Tenho genuína curiosidade de saber se alguém iria separá-los, dar-lhes lições de civismo ou... ajudar à festa.

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Os Yes Men.

por Luís Menezes Leitão, em 02.04.16

Dou inteira razão à Teresa neste post. Infelizmente a vida partidária está cheia de yes men, incapazes de ter algum posicionamento crítico e limitando-se a concordar, atentos, veneradores e obrigados, com aquilo que o líder propõe. Podem os próprios sair beneficiados, com cargos atribuídos para recompensar as fidelidades, mas esse é um factor de enorme empobrecimento dos partidos, e no final acaba por prejudicar os próprios líderes.

 

A este propósito recordo-me de uma conversa elucidativa que tive com um professor norte-americano, logo após a eleição de George W. Bush para presidente dos Estados Unidos. Na altura esse professor norte-americano disse-me que estava muito preocupado com as fracas capacidades intelectuais do presidente eleito, claramente visíveis no seu discurso, considerando que isso poderia ser muito prejudicial para o país. Na altura observei que ele se tinha feito rodear de uma excelente equipa, onde pontificavam nomes como Colin Powell e Condoleezza Rice, e que por isso não havia razão para preocupações. A resposta que ele me deu foi elucidativa: "Não concordo que ele tenha uma excelente equipa, mas mesmo que a tivesse, tem que ter a inteligência necessária para saber a quem ouvir. E se todos lhe estiverem a dizer o mesmo, terá seguramente uma péssima equipa".

 

Pensei muitas vezes nessa observação, quando vi os sucessivos desastres a que George W. Bush conduziu os Estados Unidos. De facto o grande problema dele era estar rodeado de yes men, incapazes de lhe chamar a atenção para os erros das suas políticas.

 

 

Não há efectivamente nada pior para um político que rodear-se de uma corte de yes men, que só lhe dizem aquilo que ele quer ouvir. Cedo ou tarde, isso só pode conduzir esse político à derrota. É estranho por isso que os políticos recorram tanto a esse tipo de gente.

 

Razão tinha Samuel Goldwin quando disse: "Não quero yes men à minha volta. Quero pessoas capazes de me dizerem a verdade, mesmo que isso lhes custe o emprego".

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Um homem invulgar

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.15

Em especial nos esquecimentos.

Para quem não tem, nunca teve, um tostão de dívida à sua Caixa de Previdência ou à sua Ordem, mesmo nos meses mais difíceis, não deixa de ser estranho que gente com estes telhados e uma esteira tão obscura - pelos vistos a todos os níveis -  se dedique a gerir a coisa pública e se atreva a falar de ética e de rigor.

Ainda se fosse por receber o salário mínimo nacional ou rendimentos exíguos...

 

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Frases de 2014 (34)

por Pedro Correia, em 22.12.14

«Não somos [os políticos] todos iguais.»

Pedro Passos Coelho

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A "idade" dos políticos

por Helena Sacadura Cabral, em 26.05.14
Quando se fala dos líderes dos partidos do tal arco governamental, penso que seria importante olhar bem o quadro abaixo:


1. Pedro Passos Coelho - 50 anos de idade
    36 anos de política
2. Paulo Portas - 52 anos de idade
    40 anos de política
3. António José Seguro - 52 anos de idade
    25 anos de política 

 

Este quadro impõe reflexão, sobretudo quando se tem em conta o número de anos que é preciso trabalhar para atingir a reforma. Não será, também, a altura de se pensar no que ele pode significar na "degradação" que caracteriza a actual forma de fazer política que referi no post anterior?

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Diário de campanha

por José Gomes André, em 21.05.14

Selfies (ainda por cima falsas, num cartaz que apela a uma "nova confiança"). Os outros que são um vírus. Outros ainda que são nazis. Sócrates, três, quatro, cinco vezes. Os temas que deviam ser europeus e por isso fala-se das pensões e do Governo. E eu que vou acabar com a pobreza. E nós que salvámos o país do apocalipse. E o outro que nunca mais sobe impostos, nem que a vaca tussa. E o surf no Secundário. E umas arruadas sem gente. E umas piadas sem graça. E uns que são muito democráticos e patrióticos, e os outros que são ainda mais democráticos e ainda mais patrióticos. E as sementes, nos tempos de antena, ao lado do tribunal europeu dos direitos dos animais, uma urgência planetária. E uns figurões que dantes eram do Partido X e agora apoiam o Partido Z, e que no futuro serão independentes, ou dependentes, desde que a coisa dê tacho. E uns relógios em contagem decrescente. E o escudo que salvava a malta num ápice. E o protectorado que agora é soberano outra vez (numa campanha para a União Europeia!).

 

Já sabemos que as campanhas eleitorais são poços sem fundo de demagogia e fait-divers. Mas desta vez estão a abusar. Na noite de 25 de Maio, os agentes políticos irão manifestar o seu "enorme pesar pela elevada abstenção". Pena que não estejam a fazer nada para a evitar.

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Para ler e pensar

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.02.14

Este artigo do circunspecto The Guardian pode não contribuir para a regeneração da terceira via ou da imagem de Tony Blair. Mas pelo menos deixa-nos a pensar sobre o perfil dos governantes que queremos. O que vale para os britânicos também vale para nós, portugueses.

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Políticos no divã - 6

por Teresa Ribeiro, em 31.01.14

- Ele anda muito agitado, sr. doutor. Nem de noite sossega.

- Tem o sono agitado?

- Nem imagina. Ontem esteve toda a noite às voltas na cama a falar enquanto dormia.

- Conseguia perceber o que dizia?

- Dizia que a violência está à porta e mais umas coisas em francês, mas sabe como é, com aquela pronúncia que ele tem, eu não consegui perceber nada.

- Pois, estou a ver. Diga-lhe mas é para vir cá falar comigo.

- Já lhe disse, mas ele manda-me meter o Freud na gaveta e até já ameaçou defenestrar-me se insistisse na conversa.

- Defenestrá-la?!

- Sim, diz que é o que se faz aos traidores à Pátria.

- À Pátria?!

- Pois, doutor, às vezes põe-se a falar dele como se fosse a encarnação da Pátria.

- Como se fosse uma espécie de rei sol...

- Não, que esse era absolutista e o meu marido sempre foi um defensor das amplas liberdades.

- Tem razão. Em todo o caso diria que ele se vê como uma figura patriarcal?

- Sim, uma figura tutelar.

- Icónica.

- Isso.

- Por que não o convence a passar uma temporada em Nafarros, a ver se acalma?

- Não quer, diz que primeiro tem que libertar Portugal da austeridade.

- E como é que ele pretende fazer isso?

- Diz que vai agitar o povo, incendiar o país, levar o governo e o presidente à demissão.

(coça a cabeça) - Bem...

(levanta-se, abre um armário de onde retira um pacote que estende à sua interlocutora)

- Se ele piorar muito, pode usar isto.

- O que é?

- Um colete de forças.

 

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Políticos no divã - 4

por Teresa Ribeiro, em 27.01.14

- Mas essas tendências revelaram-se a partir de quando?

- Assim que eu me recorde foi antes de partir para Bruxelas.

- Sabe-se que foi nessa altura que começou a usar a expressão, mas provavelmente o seu fetiche tem uma origem mais remota.

- Refere-se ao meu período maoísta? Não creio. Apesar de esquerdista não era nada espartano, de modo que a tanga como metáfora do meu ideário socio-político de então não era nada que me entusiasmasse.

- Resta-nos nesse caso uma leitura estritamente freudiana dessa sua fixação. Além da Merkel mais alguém o surpreendeu de tanga?

- Que eu saiba só a Manuela Ferreira Leite, no dia em que anunciei que tinha aceite o convite da Comissão Europeia.

- (entredentes) Hum... Merkel e Ferreira Leite, não por acaso duas figuras femininas, maternais...

- Nessa ocasião fiquei tão eufórico que comecei a rasgar a roupa à saída de uma reunião que tivemos os dois, mas a Ferreira Leite, muito aflita, começou logo a tapar-me com a pasta das Finanças e nais ninguém me viu. Mais tarde, por ocasião da Cimeira das Lajes, tive uma recaída e fui surpreendido em trajes menores por dois assessores, junto a um farol. 

(cogitando de si para si) - Farol, um símbolo fálico... Hum... isto anda mesmo tudo ligado. 

- Acha que consigo superar isto antes que se defina o meu futuro, doutor?

- Bom, a ver vamos. Até lá, procure ser discreto, não faça ondas com a Merkel.

- Esteja descansado, doutor, eu com a Merkel nunca faço ondas. Estou decidido a continuar a minha carreira lá fora, mas... (ruboriza-se) confesso que por um lado tenho pena de desistir da corrida para a presidência da República. (remexe-se, nervoso) A ideia de chefiar um país de tanga... EXCITA-ME!!

- Vá, vá, por hoje terminámos. Não se esqueça é de tomar os comprimidos!

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Políticos no divã - 2

por Teresa Ribeiro, em 23.01.14

- Continua a ter dificuldades em dormir?

- Em adormecer, já não tenho. Desde que passei a ler os meus discursos, como o sr doutor recomendou, pego no sono com bastante facilidade. O problema são os pesadelos.

- (cofiando a barba) Então os pesadelos voltaram...

- (com a voz embargada e o queixo a tremer) É verdade, sr. doutor 

- Lembra-se desses sonhos?

- Ultimamente é sempre o mesmo, o que me deixa ainda mais nervoso.

- Descreva-mo sem omitir os detalhes.

- Vejo uma fonte e eu a caminhar descalço, pela verdura. De repente... (alarga o nó da gravata enquanto sente o sangue a latejar-lhe nas frontes) De repente... aparece o António Costa (procura em vão o olhar solidário do terapeuta) muito risonho. Dá-me uma pancadinha nas costas e diz-me algo que nunca se conclui porque a meio eu acordo, todo suado.

- Consegue recordar-se do começo da frase?

- Sim, ele diz "vai formoso e não..." (engole, afina a voz) É nesta parte que eu acordo a transpirar. 

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Políticos no divã - 1

por Teresa Ribeiro, em 21.01.14

- Eu vim porque a Maria insistiu. Realmente não sei o que estou aqui a fazer.

- Faça favor de se deitar.

- Quer que me deite?!

- Sim, aqui no divã, sff.

- Mas isso está fora de questão.

- Costuma ser esse o protocolo com os meus pacientes, mas se para o sr. Prof isso é um tabu...

- Tabu? Se me começa com paleio de jornalista vou-me já embora.

(entre dentes) - Paleio de jornalista? Vê-se bem que não leu o Freud.

- Como disse?

- Nada, nada. Então o sr. Prof não se sente bem deitado. Reminiscências de algum trauma que sofreu no berço?

- Qual trauma! Não vê que deitado é impossível manter pose de Estado?

- Tem dúvidas quanto a isso?

- EU NUNCA TENHO DÚVIDAS!

- No entanto quando entrou neste gabinete começou por dizer que não sabia o que estava aqui a fazer.

- (irritado, ameaçando sair) Sabe que mais? Nem eu nem a minha Maria ganhamos para pagar este tipo de extravagâncias.

- (tentando reter o paciente) Fale-me de extravagâncias. Quais são as suas?

- (desconfiado) Não me vai fazer perguntas acerca da Coelha e da SLN, pois não?

- Relaxe, esqueça por momentos o político que é e fale-me de si.

- EU NÃO SOU UM POLÍTICO!

- Estou a ver.

Olha o relógio, escreve no caderno de apontamentos "forte distúrbio de personalidade" e anuncia:

- Hoje ficamos por aqui.

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Ministros ou negociadores?

por Helena Sacadura Cabral, em 03.12.13
Durante muito tempo acreditei que os ministros existiam para definir políticas na sua área de responsabilidade e que haviam sido escolhidos para a função pela sua competência. Estava errada.
Hoje um ministro é, sobretudo, um negociador sindical. Essa transformou-se na sua principal tarefa, o que lhe restringe para metade, o tempo disponível para pensar, definir, discutir e pôr em prática. 
Então para que serve um ministro a meio gás, receoso e em permanente navegação à vista, avançando dois passos para depois recuar um? Serve para empatar a vida de todos nós!

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Políticos, esses animais

por António Manuel Venda, em 20.07.13

 

Conheci em tempos (creio que em 1998) um ex-presidente de câmara destronado à tangente nas eleições anteriores por uma candidata estreante. Tinha estado no cargo para cima de vinte anos, os últimos acumulando com a presidência da junta metropolitana da sua área. Numa das reuniões que tivemos estava também presente um ex-secretário de Estado – e futuro, embora na altura eu não soubesse –, ex esse que tinha para com o antigo autarca uma reverência que achei digna de espanto. Tratava-o inclusive por «senhor presidente», coisa que ainda me fez pensar se a certa altura não surgiria alguma retribuição do género «muito bem, senhor secretário de Estado». Isso, contudo, não aconteceu, e inclusive o homem derrotado pela estreante deixou-me a ideia de não ser muito dado a imitações. Aliás, se fôssemos a ligar à roupa, por exemplo, ele distinguia-se logo; era o único que não tinha gravata, como parecia ser moda no seu partido, e esse pormenor se calhar até me deixava mais mal a mim – e ao ex e futuro secretário de Estado – do que a ele, que parecia completamente à vontade. Teria dispensado o artefacto com a saída da câmara? Ou a dispensa seria algo já de muitos anos? Eu tinha-o visto poucas vezes, apenas na televisão e em jornais, e a verdade é que nunca tinha ligado à sua indumentária habitual. O que logo me vinha à cabeça ao ouvir o nome do homem não era a forma como se vestia, era antes uma expressão com que a ele se referiam: «um dinossauro do poder local».

Sempre associei a palavra «dinossauro» ao temível Tyrannosaurus Rex, o maior carnívoro terrestre de que até hoje foram encontrados vestígios. Segundo informam alguns compêndios, e também a Internet, era um bicho assustador, com uma cabeça que ultrapassava um metro de comprimento, e dispunha de meia centena de dentes bem afiados, alguns chegando aos vinte centímetros. Enfim, era uma autêntica máquina de matar e de retraçar. Na posse destas informações, claro que ao encontrar alguém a quem chamavam «dinossauro do poder», ainda que «local», compreende-se que eu não conseguisse evitar certos temores. Mas no caso não se justificaram, porque o ex-presidente de câmara revelou ser uma pessoa bastante afável.

Aliás, pensando melhor, talvez a questão nem tivesse a ver com o verbo justificar, porque ao falar-se de «dinossauros», não de toda a política mas apenas do «poder local», isso não obriga necessariamente a que seja no mau sentido. A expressão até costuma ser utilizada para melhor ilustrar o longo tempo que determinadas pessoas estão nos cargos, e algumas, sabemo-lo bem, estão desde a pré-história da democracia portuguesa, que decorreu lá pela segunda metade da década de 1970. O facto de alguém ser tratado por «dinossauro» não implica necessariamente comportamentos reprováveis, de caciquismo ou até de tendência para falcatruas e cambalachos, por exemplo. Os eleitores podem ter sido, digamos assim, obrigados a gostar da pessoa, mas também podem ter gostado livremente. Ou seja, a expressão «dinossauro do poder local» acaba em determinados casos – não sei se muitos se poucos – por traduzir-se num herbívoro e não no sanguinário Rex. Talvez seja mais o Brachiosaurus, um pachorrento gigante que passava a maior parte do dia a comer folhas de coníferas, que pelos vistos eram as suas árvores preferidas. Calcula-se que bastava duas toneladas de folhas por dia para o pôr de bom humor. A confirmar esta ideia, o meu encontro com aquele ex-autarca, um «dinossauro do poder local» que se revelou uma simpatia de pessoa.

Já para a política em geral não é tão comum o uso do termo «dinossauro». Aí vai-se mais pelas generalizações, chamando «animal» (nunca «bicho») a quem se considera como sendo um verdadeiro político. E faz-se isso sempre no bom sentido, ou seja, pressupondo que a pessoa em causa conhece o mundo da política e vive para ela – e dela, já agora, ainda que não ande lá apenas a tratar da sua vidinha. Enfim, respira política como os poetas respiram poesia, ou como os economistas respiram nem sei bem o quê (mas alguma coisa há-de ser). O «animal político», o verdadeiro, não o de peluche, obviamente, é visto assim. Honesto, com objectivos elevados, capaz de ver mais longe do que os outros, pensando globalmente, na comunidade e não apenas em si próprio. Às vezes faz-se confusão em relação a certos políticos, chamando-se-lhes erradamente «animais», pelas suas múltiplas artimanhas para singrarem na actividade, mas para esses tal terminologia não é adequada. São apenas «sobreviventes» e de cada um deles para usar o termo «animal» só se poderá dizer «é um grande animal», ou até «é uma besta» (ou, se quisermos especificar mesmo o animal, «é um porco», ou «é uma vaca», ou «uma cabra», no caso de se tratar de uma mulher). Nunca «é um animal político».

Outra variante que apareceu na política, ou entre os políticos, tem a ver com a crítica, que não implica necessariamente um julgamento negativo. Crítica é uma análise fundamentada, que pode ser boa ou má; os poderes do vulgo é que levaram o termo a suscitar uma certa carga negativa assim que é pronunciado. Talvez até por isso seja importante determo-nos nessa vertente, a dos aspectos negativos, porque afinal uma das características da política, provavelmente a primeira, é dizer mal. E, além disso, o lado positivo já foi sobejamente referido («é um dinossauro do poder local», «é um animal político»). Uma das manias que já notei na política, como auxiliar da actividade de dizer mal de adversários – e não raras vezes de companheiros –, é a da associação de adjectivos e substantivos nada inocentes a palavras como «político», «política» ou «politicamente» e a expressões como «em termos políticos» ou «politicamente falando», ou mesmo «numa perspectiva política». Entre outras. Veja-se os seguintes exemplos, com semelhanças ao que por vezes circula na comunicação social: «Politicamente cobarde»; «Em termos políticos, é uma fraude»; «Tem uma actuação política ignóbil»; «Não está a ser politicamente honesto»; «Trata-se, sem dúvida, de um camaleão, isto em termos políticos»; «Um autêntico assassino, politicamente falando»; «Um perigoso pirómano da política»; «Uma sanguessuga política»; «Tem ideias de uma pobreza política gritante»; «Numa perspectiva política, um ladrão»; «Politicamente irresponsável»; «De baixo carácter político»… E creio que basta. Já o «pára-quedista», o «prestidigitador», a «amélia» e o «tachista», por exemplo, não costumam requerer acompanhamento, assim como estranhamente não o tiveram «barata tonta», «mosca morta», «picareta falante» e «adiantado mental». Pelo contrário, «deserdado», «dependente» e «desempregado» tiveram («deserdado da política», «político-dependente», «desempregado da política»). E «boy» não teve, ao contrário do que julgo deveria acontecer com «boi», como adiante referirei.

A ajuda de termos ou expressões bastante simples permite dar a volta às coisas e usar o «assassino», o «ladrão», o «cobarde», a «sanguessuga» e outros. Curiosamente, os animais até não são utilizados de uma forma insistente por cá. No Brasil, por exemplo, imagino que seja bem diferente, mas dentro das nossas fronteiras nunca dei por coisas como «gato político» («rato» já ouvi, «rato da política»), «urso, em termos políticos», «politicamente, um boi» ou «cão político», embora já tenha ouvido referências a «rafeiro político», o que até é compreensível. Também não dei por «cobra», «serpente» ou «cascavel». Nem «abutre», nem «gavião», tudo «político». Esta falta de insistência, provavelmente, é apenas fruto do acaso, ou então não é nada disso e eu é que nunca prestei a devida atenção ao que por cá se vai dizendo e escrevendo. Com tantos bichos, sempre que surja a oportunidade, sabe-se lá se não vêm mesmo à baila. Nem que seja um de cada vez. O escaravelho, por exemplo, que para nós é um bicho repelente, embora no antigo Egipto tivesse um carácter sagrado (nos desenhos animados da série «Abelha Maia», lembro-me de que havia um que passava a vida a empurrar bolas de estrume de um lado para o outro). E a doninha, que não é nada bem vista, assim como o furão, que tirando alguns caçadores poucos adeptos consegue juntar. Aliás, o furão já foi utilizado por um programa de televisão, embora apenas para nome de um boneco inspirado num político.

Com o recurso aos artifícios linguísticos, parece que ninguém se ofende, ou pelo menos ninguém se mostra ofendido. Talvez seja até uma forma de evitar o avolumar de processos nos tribunais. Afinal, um dos problemas com que os políticos ainda não sabem como lidar, a par dos da saúde, da educação, da cultura, da economia, da segurança social, do ambiente, dos transportes, do desporto, do emprego, entre outros, é o da justiça. Distraído ou não, com tudo o que já ouvi, devo confessar que, além de mais bichos, espero por novos termos e novas expressões. Por exemplo, coisas tão portuguesas como «cabrão» ou «filho da puta», sempre a emparelharem com o arranjo da praxe – «O senhor, politicamente, é um grande cabrão»; «O senhor, em termos políticos, é um filho da puta, mas só em termos políticos, obviamente, porque a nível pessoal até o considero um bom amigo». A par do «assassino», do «pirómano» e da «sanguessuga», nada disto haveria de ficar muito deslocado. E depois ainda há aquela história das imunidades.

 

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Política portuguesa

por jpt, em 23.01.13

 

Não vim para o Delito de Opinião para opinar sobre política portuguesa, matéria que, diz-me a experiência, rapidamente me transforma em delinquente, tamanho o azedume face à "gasta pátria". Mas uma querida amiga real, e blogoleitora, acaba de saudar esta minha transferência blogal. Através da oferta deste "ex-voto", descoberto no seu sótão. Já agora, e abuso eu, a lembrar tempos outros, também de FMIs. A lembrar, que, e ao contrário do que dizem os furiosos assalariados do jornal "Público", também em Portugal - e em tantas outras austrais paragens - o FMI não foi nem quis ser o coveiro da democracia.

 

E para lembrar/ensinar tempos, não muito longínquos, em que os protagonistas, e mesmo que apesar deles-próprios, eram melhores.

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Os pobrezinhos, tão engraçados

por Ana Vidal, em 11.11.12

 

No rescaldo do "caso Jonet" e sem querer reabrir as hostilidades de um debate levado à esquizofrenia nos últimos dias, tudo o que li e ouvi sobre o assunto me conduz a uma conclusão bizarra: aparentemente, todos neste país desejam que a pobreza se mantenha. O argumentário usado por ambas as barricadas políticas - a da esquerda e a da direita - para esgrimir tiradas de grande efeito e destilar os mais atávicos ódios de estimação, assenta, surpreendentemente, na mesmíssima premissa:

- A esquerda acusa a direita de querer manter os pobres sempre pobres, para poder brincar à caridadezinha e assim exorcizar remorsos e culpas da sua própria opulência, mantendo ao mesmo tempo uma posição de supremacia e ainda ganhando, como bónus, o orgasmo místico da gratidão eterna daqueles a quem dá uma côdea.

- A direita acusa a esquerda de querer manter os pobres sempre pobres, para poder semear e cultivar neles a revolta que só um corpo faminto e uma vida de privações mantêm acesa, sabendo que o conforto e a barriga cheia não dão votos aos partidos do povo e são inimigos mortais de qualquer revolução.

 

E enquanto todos estes intelectuais se lambuzam em delírios de auto-satisfação devidamente acompanhados de um caprichado amuse-bouche no Gambrinus ou na Bica do Sapato, conforme o humor do momento, os pobres - essas curiosas criaturinhas que dão um jeitão para as estatísticas e justificam todas as teorias - fazem fila à porta de uma instituição humanitária, agradecendo ao céu da boca que ainda haja quem se deixe de conversa fiada e lhes ponha alguma coisa no prato.

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Ser ministro para deixar de o ser

por Pedro Correia, em 26.10.12

Qual a vantagem de ser ministro das Finanças?

Em Portugal, só vejo uma: é a única forma de adquirir o estatuto de ex-ministro das Finanças, algo que parece conferir aos seus portadores uma aura exclusiva, misto de senador romano e de profeta hebreu. A toda a hora uma legião de ex-ministros perora em tudo quanto é palco mediático, com ar solene e pose grave, traçando implacáveis vaticínios. Sai um de barbas de oráculo, logo surge outro com cãs de erudito que por sua vez dá lugar a uma altiva dama com fumos de pitonisa. Todos com receitas mágicas para o futuro da nação - receitas que, por sinal, nenhum aplicou quando teve oportunidade efectiva para o efeito.

Gabo a paciência dos jornalistas que vão recolhendo as copiosas declarações desta prolixa tribo intuindo tal como eu que na maior parte dos casos a sabedoria real de tão ilustres sumidades é muito inferior ao generoso tempo de antena de que dispõem. E apenas lamento que não aproveitem ao menos uma vez para recordar aos indígenas o legado dessas sumidades - em (de)crescimento económico, despesa primária, dívida externa e défice real das contas públicas, por exemplo.

Depois era só comparar o que fizeram com o que propõem agora. Muita gente era capaz de ficar surpreendida. Ou talvez não.

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A bandeira está bem

por Rui Rocha, em 05.10.12

Eles é que estão ao contrário:

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Manifestos

por Leonor Barros, em 10.09.12

 

da página Obrigado Bombeiros Portugueses no Facebook.

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A mentira na política.

por Luís Menezes Leitão, em 08.09.12

Há uns dez anos participei num congresso internacional de juristas, tendo falado com um colega holandês. Ele conhecia Portugal, mas tinha uma opinião muito crítica do país, tendo ficado especialmente perplexo com a degradação dos prédios da cidade de Lisboa, que achava lindíssima, achando inacreditável que nada se fizesse para resolver a situação. Mas o que mais o chocava era a mentira que sistematicamente via nos políticos portugueses. Dizia-me: "Vocês, portugueses, são um povo católico, que é ensinado a tudo perdoar após a confissão dos pecados. Nós somos um povo protestante e por isso somos absolutamente intransigentes com a mentira. Um político que nos tenha mentido uma única vez que seja, por muitas qualidades que tenha, nunca é mais considerado como um político em que possamos confiar, pelo que a sua carreira política acabou".

 

Na altura pensei logo no caso Profumo e na reacção que sem excepção todos os deputados ingleses tiveram quando perceberam que o Ministro tinha mentido no Parlamento. Ninguém mais o apoiou, nem sequer do seu próprio partido, dizendo-lhe que um político mentiroso devia era ir para casa. Mas na altura achei exagerada a afirmação. O que posteriormente se passou neste anos de chumbo em Portugal fez-me, porém, dar razão a esse diagnóstico. Sócrates foi apanhado a mentir no Parlamento sobre o caso TVI e foi imediatamente desculpabilizado pelos seus deputados que diziam que se tivesse ocorrido não era grave. O inquérito parlamentar que então foi aberto, e que podia ditar a demissão de Sócrates, evitando o que ocorreu posteriormente, foi convenientemente encerrado com o acordo do PSD. E ficou provado que mentir compensa em Portugal.

 

O governo actual tem sido, porém, especialmente refinado na mentira política. Primeiro foram as juras em campanha eleitoral de Passos Coelho a prometer que não haveria aumentos de impostos nem cortes de subsídios. Agora é o anúncio de que uma subida da TSU para os trabalhadores, aliviando-a para os empresários, é para satisfazer a equidade reclamada pelo Tribunal Constitucional. O CDS faz coro na mentira dizendo que uma subida da TSU não é um aumento de impostos. E um vice-presidente do grupo parlamentar do PSD quer-nos convencer com isto de que a culpa da subida da TSU decidida pelo Governo é de um grupo de deputados socialistas que, exercendo as suas competências, solicitaram ao Tribunal Constitucional que declarasse a inconstitucionalidade de uma medida que toda a gente sabia ser inconstitucional.

 

Confesso que já não sei o que me espanta mais. Se o facto de se recorrer à mentira com esta facilidade, se o facto de isto ser feito de forma tão grosseira, julgando que os outros são parvos. Just try harder.

 

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E depois dizem que não querem ser tratados assim

por José Navarro de Andrade, em 26.08.12

Um das expressões mais bizarras do léxico português é o substantivo plural “políticos”, quase sempre acompanhado pelo artigo definido, pronunciado com inflexão e acinte – “os políticos”.

É uma estranha palavra porque indiferencia uma ampla e heterogénea colecção de objectos, abrangendo na mesma penada os deputados Ribeiro e Castro e Mariana Aiveca, que nada têm em comum, e é incapaz de distinguir entre o sr. Luís Montenegro, prestimoso líder da bancada do PSD, e o sr. Sérgio Azevedo, por exemplo, importante figura do PSD da freguesia do Sacramento (624 eleitores) e de resumidíssima intervenção parlamentar. Um substantivo que se aplica tanto a um Presidente de Junta de Freguesia como ao Presidente da República, deve faltar-lhe alguma qualidade.

E no entanto a expressão “os políticos” costuma fazer todo o sentido na linguagem comum. Porquê? Será porque as pessoas são grosseiras, incultas e pouco dextras com a língua? Ou será porque há qualquer coisa muito nítida que atravessa todos “os políticos” que permite reduzi-los à indiferenciação?

Por exemplo: no dia 29 de Junho a Assembleia da República (AR) votou por unanimidade a transmissão do Canal Parlamento na TDT. Disto pode-se retirar uma importante conclusão: a AR, na abstracção jurídica representante da nação, na prática representa tão somente os interesses corporativos dos seus ocupantes – precisamente “os políticos”.

Tal como os rios, a atmosfera, ou a orla marítima, as frequências televisivas e radiofónicas são considerados bens comuns, pelo que se diz que devem estar sob a alçada do Estado. Este só as cede à prática de terceiros, mediante minuciosa e cuidadosa legislação, concurso público e caderno de encargos. Ora, quando a AR toma a TDT como propriedade sua e não do Estado e delibera o usufruto próprio de uma frequência de TDT, fora das condições que impõe ao resto da sociedade, ela está a ser autocrática, conveniente e irresponsável. Havendo unanimidade nesta votação, só demonstra que os deputados, ou por ignorância ou por má-fé, agiram como uma corporação, ou seja, mesquinhamente em busca da satisfação dos seus interesses particulares.

Assim sendo, a expressão “os políticos” é estúpida, mas, talvez por isso mesmo, faz todo o sentido.

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Nesse tempo, cedo demais

por Laura Ramos, em 07.05.12
   Na tomada de posse do IV Governo, reunido na clássica foto da escadaria de S. Bento, com George Bush e com Mário Soares e Almeida Santos

Foi em 7 de Maio, como hoje, que a sua morte súbita transformou para sempre o país e o PSD: Carlos Mota Pinto tinha 48 anos, uma vida intensa de professor na Faculdade de Direito e uma notável biografia política, para quem se dedicou à causa pública e à pátria por pura e dura missão democrática sem nunca perseguir ambições balofas, procurar sinecuras ou ceder à corrupção da pequena grande vidinha do poder.
Foi fundador do PSD, em 1974. Foi Primeiro Ministro de Portugal no 4º Governo Constitucional, por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes (76/77). Mas vai sempre regressando à sua Universidade, produzindo incansavelmente, criando uma escola científica perene e ensinando, deixando nos seus alunos aquela inesquecível e cativante marca de grandeza que era a sua abertura (tão rara nesses tempos).
Reemerge depois quando é outra vez mais difícil, nos despojos da derrocada que se segue ao triste período do atentado de Camarate e do inexpressivo mandato de Pinto Balsemão, integrando nessa altura a Troika do PSD (com Eurico de Melo e Nascimento Rodrigues), antes de passar à liderança única do partido. Já exercia então as funções de Vice-Primeiro Ministro do 9º Governo Constitucional (83/85), no célebre Bloco Central, chefiado por Mário Soares. O eterno Mário Soares.
Quantos governos em tão pouco tempo...
Carlos Mota Pinto foi acima de tudo um homem destemido e de consensos. Um trabalhador infatigável e enérgico que acreditou em Portugal e dele teve uma visão maior e construtiva. Um não desistente que desprezou jogadas e desconcertou os carreiristas - os de dentro e os de fora do PSD. Os mesmos que lhe iam, aos poucos, fazendo perder a paciência. Esses mesmos, sim, que deixaram semente e se multiplicaram desde então.
Corria o ano de 1985 e Portugal que éramos teria sido de certeza bem diferente se ele não nos tivesse deixado.

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Está certo

por Patrícia Reis, em 05.02.12

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Actors do it. Politicians do it.

por Ana Lima, em 20.12.11

E não é "fall in love".

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Pontos nos is (6)

por João Carvalho, em 07.12.11

EXPLICAÇÕES

«O ex-candidato à liderança do PSD Paulo Rangel afirmou hoje que o Governo devia ter explicado antes e melhor o "excedente" de dois mil milhões de euros resultante da transferência do fundo de pensões da banca para a Segurança Social.» O eurodeputado Paulo Rangel, como quase sempre, gosta de tudo muito bem explicado.

O que Paulo Rangel nunca explicou muito bem é o motivo aparentemente fútil de pequena vaidade que o levou a votar contra uma Emenda proposta no Parlamento Europeu que visava pôr fim às viagens aéreas em classe executiva entre Lisboa (ou Porto) e Bruxelas. Foi nos primeiros meses deste ano, em plena crise.

É bom que comecemos a contrariar o velho vício da memória curta que faz parte dos nossos desleixos colectivos tradicionais. As explicações que ficam por dar não devem apagar os factos nem branquear os princípios.

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Transparência

por António Manuel Venda, em 13.04.11

Este não rouba às escondidas, como os nossos — rouba à vista de toda a gente.

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O problema

por António Manuel Venda, em 05.04.11

O principal problema dos políticos, agora, é que não têm mentiras novas para contar. Talvez seja mesmo o único problema que têm, da esquerda à direita, do centro até ao palácio principal do país.

 

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Chapeau!

por Ana Vidal, em 10.03.11

 

 

Gosto de gente honesta e com Valores, venha ela da esquerda ou da direita.

É esse o meu partido.

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Os políticos não-não

por João Carvalho, em 16.02.11

O inenarrável secretário de Estado Valter Lemos disse ainda há pouco tempo uma não-verdade ao garantir que o desemprego tinha estabilizado. Acabámos de saber que o emprego registou um não-crescimento e uma não-estabilidade. A ministra do Trabalho já garantiu que vai não-baixar os braços e Valter Lemos enrugou ainda mais do que o costume a testa baixa para explicar que é impossível encarar uma não-continuação das medidas muito intensivas em curso — que têm demonstrado uma não-eficácia.

Quer isto dizer que, se os números recentes fossem exactamente ao contrário e que, portanto, tivesse havido uma pequena recuperação do não-desemprego, seria possível um não-levantamento dos braços e mandar as tais medidas para um certo não-sítio?

Por estas e por outras é que temos entre nós uma geração de jovens nem-nem. Jovens que tiveram o azar de esbarrar com uma geração de políticos não-não, que nunca chamam pelos nomes os nomes que as coisas têm. Como nós também esbarrámos, essa é que é a não-inverdade.

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Afronta atrás de afronta

por João Carvalho, em 03.02.11

Jorge Lacão não é um político especialmente simpático no tom das suas habituais intervenções, mas sempre tem a pasta dos Assuntos Parlamentares no actual governo. Era natural, por isso, que a sua proposta para futura redução do número de deputados fizesse parar para pensar os seus pares. Mas não: Francisco Assis recusou que o PS lhe desse atenção e já deu o caso por encerrado. O encontro que Lacão quer ter com o PSD sobre o assunto é, portanto, uma iniciativa sem qualquer significado que não seja afrontar os seus pares. Ele lá saberá porquê. Para os portugueses, fica a dúvida: entre os limites mínimo e máximo possível de deputados, mesmo com o país falido e com o saque institucional ao trabalho dos cidadãos, há algum motivo para o Parlamento continuar a ter o número máximo de deputados que a Constituição permite?

Desastrosa, no mínimo, é a declaração do ministro Silva Pereira para justificar o alheamento perante a proposta: o programa do governo não prevê qualquer alteração à Lei Eleitoral. Mas, com excepção dos homossexuais e transexuais, haverá alguma coisa na acção do governo que coincida com o programa que foi apresentado ao país, ou é outro tipo de afronta de mau gosto aos cidadãos?

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Os sopranos

por João Carvalho, em 24.01.11

A partir do fim da tarde e ao longo da noite, a palavra que mais ouvi e li foi "surpresa". Cavaco Silva foi uma surpresa: as sondagens davam-lhe percentagens muito elevadas e o resultado surpreendeu. Manuel Alegre foi uma surpresa: apoiado por dois partidos e a experiência de uma máquina oleada, teve um resultado modesto. Fernando Nobre foi uma surpresa: sem máquina partidária e sem passado político, conseguiu travar a investida de Alegre. Francisco Lopes foi uma surpresa: com uma máquina afinadíssima e histórica, nada acrescentou ao PCP. José M. Coelho foi uma surpresa: emprateleirado numa ilha e sem máquina e meios capazes, deu nas vistas no plano nacional. Defensor Moura foi uma surpresa: com experiência política autárquica e parlamentar e com parcelas de um partido maioritário, ficou enterrado na rua onde mora. A abstenção foi uma surpresa: no momento delicado que este país atravessa, foi surpreendente a percentagem de eleitores arredados da escolha.

Ora, convenhamos que a maior parte (se não a totalidade) de tais surpresas só existiram nos media, nos mesmos media que davam palpites como trigo-limpo-farinha-amparo. Jornalistas, opinadores, comentadores de opinadores, comentadores de comentadores e jornalistas de opinadores, que são, por norma, sempre os mesmos em círculo fechado, só podiam acabar entalados em surpresas. Fora desses círculos e para lá das reservas e expectativas naturais, só se surpreenderam os incautos, aqueles que se deixaram embalar pelos que passam a vida a soprar o que querem que seja e não aquilo que é. São os que vivem a soprar e para soprar. Não servem para produzir energia alternativa, porque o sopro deles não é limpo, mas não faz mal: só sopram entre si e só se surpreendem uns com os outros. Tornaram-se muito semelhantes a grande parte dos políticos: afugentam os cidadãos e ficam na deles.

Não sopram o que o país anónimo pensa e não pensam o que o país anónimo acha. Os sopranos também deviam ir a votos para ter lugar cativo nos media. Nos media e nas sondagens, já agora.

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De ontem para hoje

por João Carvalho, em 01.01.11

Mudou o ano. Dou por mim a registar mentalmente dois factos.

 

1. Terminou ontem o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Na realidade triste em que a pobreza e as várias formas de exclusão social aumentam e atingem níveis assustadores, não fica apenas a inutilidade quase irónica da ideia aprovada há pouquíssimos anos e lançada em 2010. Fica também esta marca acrescida da lamentável impreparação que caracteriza a actual geração de líderes europeus, genericamente incapazes de prever para lá das paredes dos gabinetes e de encontrar soluções, mesmo para um modesto médio prazo.

 

2. Ficou hoje a saber-se que o Governo decidiu aumentar o capital da Caixa Geral de Depósitos em mais 550 milhões de euros. Face a esta medida, fica a bailar-me na mente a polémica necessidade apontada pelo Governo de injectar mais 500 milhões de euros no BPN, que está a ser gerido pela CGD. É capaz de ser bom endurecer a recusa geral que tem sido manifestada contra essa possibilidade, porque os esquemas ardilosos em que a nossa política tem sido tão fértil não devem deixar-nos dormir.

 

Com estes líderes europeus e, em particular, com os que temos por cá, está nas nossas mãos impedir que o retrocesso seja muito mais grave. Cabe-nos assegurar um futuro melhor. Fatalidade é coisa de indiferentes e de conformados.

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Excepto uma excepção – dia dois

por João Carvalho, em 26.11.10

Jorge Lacão disse-o ontem muitas vezes, mas parece que ninguém lhe ligou. Vai daí, Teixeira dos Santos teve de vir hoje dizer mais uma vez que não há qualquer regime de excepção nos cortes salariais nas empresas públicas: «Adaptação não é sinónimo de excepção.» E acrescentou que os cortes salariais nas empresas públicas serão «da forma que as administrações entenderem», mas que não irá autorizar «nada diferente» do corte de cinco por cento nas remunerações em todo o sector público, «caso contrário, a aplicação da regra dos cinco por cento criaria dificuldades».

Entenderam? Eu explico: não foi aprovado um regime de excepção nos cortes salariais. Com uma excepção: as empresas públicas. Entenderam agora? 

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Sem excepções excepto uma

por João Carvalho, em 24.11.10

«Não foi aprovado qualquer regime de excepção» aos cortes salariais nas empresas públicas, segundo o ministro dos Assuntos Parlamentares, até porque, «se isso acontecesse, seria ao contrário das disposições normativas agora apresentadas». O que se fez, ainda segundo Jorge Lacão, foi «adaptar às especificidades das empresas» os cortes salariais.

Entenderam? Eu explico: não foi aprovado um regime de excepção nos cortes salariais. Com uma excepção: as empresas públicas. Entenderam agora?

 

ADENDA: "O CDS-PP anunciou hoje que vai pedir esclarecimentos ao ministro das Finanças sobre a alteração à norma dos cortes salariais nas empresas públicas."

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Uma frase

por António Manuel Venda, em 07.11.10

«O mal de Portugal é ser um país de submarinos, de políticos que estão muito abaixo da linha de água.»

 

Deixada por um visitante (Manuel Nunes) do meu blog

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Novilíngua

por João Carvalho, em 19.10.10

A frase transcrita no post aqui por baixo é um exemplo da chamada "diminuição positiva da pobreza". Vem em linha com o famoso "crescimento negativo da economia". E com o não menos famoso "abrandamento do crescimento da despesa". E com outras parvoíces quejandas da novilíngua política.

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Muito recomendável

por João Carvalho, em 09.10.10

Sempre atento, o João Severino tem aqui uma excelente reportagem em vídeo, sobre os deputados e a classe política em geral na monarquia constitucional sueca, que recomendo vivamente. Recomendo-a e dedico-a ao deputado socialista Ricardo Gonçalves. Com uma condição: tem de passar a palavra aos seus pares e outros políticos adjacentes. Não que eles não estejam ao corrente, mas vão fingir que nada viram.

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O novo deputado

por António Manuel Venda, em 04.10.10

Com o slogan «Pior do qui tá não fica!», o palhaço Tiririca foi eleito deputado no Brasil com mais de um milhão de votos. Este, pelo menos, assume que é um palhaço.

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O cão cinzento

por António Manuel Venda, em 28.07.10

Foi logo de manhã, quando ia no carro; ultrapassei um ciclista e um cão cinzento. Pareceu-me estranho que o ciclista estivesse a passear o cão numa estrada cujo trânsito aconselha alguns cuidados. E também me pareceu estranho a ausência de capacete, não no cão, já se vê, mas no ciclista. Talvez por isso, pela ausência de capacete, ao fazer a dupla ultrapassagem tive a sensação de que se tratava de um conhecido político (o ciclista), e ainda por cima a revelar-se bem esforçado naquele momento. Pedalava com afinco, como se estivesse a terminar, nem sei, a escrita de um discurso, ou as contas de um orçamento de estado, ou umas papeladas para se reformar ao fim de dois anos de um instituto qualquer. O cão, uns metros atrás dele, fazia o que podia para conseguir acompanhá-lo.

Fui-os observando pelo espelho retrovisor, diminuindo um pouco a marcha do carro. Acabei por confirmar que era mesmo o conhecido político. E notei que o cão ladrava. Claro que eu não ouvia, por causa do barulho do rádio, mas dava para ver os movimentos da boca do cão no espelho retrovisor.

«Ladra de contente», foi o que pensei. Uns segundos, não mais do que isso, até perceber como o cão tinha o focinho muito franzido. E que o político pedalava com afinco porque, afinal, fugia do cão. Alguma coisa ele teria feito ao cão, de certeza.

Ao fim nem de um quilómetro, o político meteu-se por uma estrada secundária, que começava do lado esquerdo. Uma manobra perigosíssima, e sem fazer sinal com o braço nem nada. Não sei por quê, travei. O cão, sempre a ladrar, foi apanhado de surpresa. Pelo desvio do político e pela minha travagem. Acabou por bater-me no carro, com estrondo. E ainda por cima era um cão grande.

Levei o carro para a berma e saí. Dei logo com o cão estendido no alcatrão. Já não ladrava, nem sequer tinha o focinho franzido. Mas estava de olhos abertos, e respirava. Aproximei-me devagar. Ele olhou para mim, parecendo querer ajuda. Achei estranho, pois se estava assim era por causa da minha travagem. Talvez devesse ladrar-me. E perseguir-me como fazia antes ao político ciclista. Mas não. Queria ajuda. Pedia-a com olhar.

Agarrei-o junto às patas da frente, para levá-lo para a berma. Enquanto fazia isso, percebi que ele começava a levantar-se, tentando apoiar-se nas quatro patas. Já na berma, pareceu recuperado, mas ainda confuso, sem saber para onde ir.

Olhei para a estrada, num e noutro sentido. Não vinha nada. Então atravessei para o outro lado, batendo com as mãos nas pernas, um pouco acima dos joelhos. O cão percebeu e seguiu-me. Quando cheguei à estrada secundária, apontei lá bem para o fundo, para onde o político em fuga não era mais do que um pequeno ponto de referência.

O cão pareceu entusiasmar-se. Até que começou a correr, de forma atabalhoada. Ao fim de uns vinte ou trinta metros já dava para ver que recuperava o ritmo normal. A pancada não devia ser coisa séria. Até porque ele já ladrava outra vez. Desejei-lhe sorte e fui ver se o carro tinha alguma amolgadela.

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Camões

por António Manuel Venda, em 27.06.10

Os políticos que gostam de Camões.

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Vícios de antena enchem pneus

por João Carvalho, em 18.03.10

Os vícios da moda na linguagem são muitos e têm dois aspectos comuns: são todos lançados por políticos e são todos insuportáveis. Mas embirro solenemente com um, que é a ocupação de tempos de antena através de truques básicos que apenas alongam as intervenções do forma inútil. Chama-se "pingo a pingo enche o político o espaço". Por vezes, acontece que o truque é usado porque se põem a falar sem saber bem o que vão dizer e menos ainda como irão acabar a frase.

Um desses truques é utilizado com altíssima frequência por Sócrates. Funciona assim (para os distraídos, marcarei a negro as palavras a mais): «nós queremos que o nosso sistema de impostos seja um sistema de impostos mais justo», ou «esta nova escola é uma nova escola que passa a integrar a rede blá-blá-blá-blá».

Como Sócrates usa e abusa desta forma básica, não falta quem a tenha adoptado. Teixeira dos Santos, por exemplo: «esta crise é uma crise que atingiu blá-blá-blá-blá», ou «estamos a passar um momento que tem sido um momento que requer blá-blá-blá-blá». E assim por diante. Não faltam seguidores dispostos a fazer parte do grupo dos que falam sem dizer nada. É moda e serve para encher pneus.

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Touros e ministros

por António Manuel Venda, em 02.07.09

Uma recordação, aqui.

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Se eu fosse deputado...

por António Manuel Venda, em 26.01.09

Uma noite na minha terra, bem no interior da serra algarvia. Monchique. Podem não acreditar mas apareceu lá um deputado (e nem foi o primeiro caso; lembro-me até de uma vez em que o Durão Barroso foi lá e teve de ficar uns minutos dentro do carro porque foi atacado por uma abelha mal abriu a porta). Bom, nessa noite participei num jantar em que o tal deputado também esteve. Era um deputado da costa, eleito pela região sem saber bem para fazer o quê. Haveria de chegar depois a secretário de Estado, igualmente sem saber bem para fazer o quê. Ou o que fazer. Mas adiante… Era a noite de um de Dezembro e o jantar acabou já no dia dois, aí pela uma e tal. Foi precisamente no dia dois, ao fim da manhã, que vim a saber que uma brigada da GNR tinha feito parar o deputado, a cerca de um quilómetro do local do jantar, retardando-lhe assim o seu regresso à costa. Não estranhei a situação, até porque eu próprio encontrei a brigada. Também tive de parar. Mostrei os documentos, carta, título de propriedade, seguro, bilhete de identidade, enfim, uma série de papeladas. E tive o carro inspeccionado de uma ponta à outra, a olho, obviamente, mas inspeccionado. O que me deixou pasmado foi o que me disseram que contou depois o deputado, numa conversa telefónica com um dos organizadores do jantar. Tinha sido obrigado a parar, como qualquer automobilista, e tinham-lhe pedido os documentos. Ele, nesse momento, nem perdeu tempo, sacou da carteira e zás, entregou os documentos todos. Até o cartão da Assembleia da República entregou, com a palavra «deputado» bem visível. Foi o suficiente para abreviar as coisas. O guarda, «um rapazito novo», segundo o deputado da costa, mal viu aquilo ficou num tal estado de atrapalhação que nem quis saber de mais nada. «Siga, siga», e o deputado seguiu. Mesmo deputado, e mesmo a caminho de ser secretário de Estado daí a uns meses, tinha mais era que cumprir a ordem da autoridade. Lembro-me de que depois de saber disto ainda disse para comigo: «Olha se eu fosse deputado...» Procurei até imaginar-me na Assembleia da República, mas por mais que tentasse não consegui.

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