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Do descaramento

por João Campos, em 09.01.17

des·ca·ra·men·to 

substantivo masculino

  • 1. Falta de vergonha; desfaçatez.
  • 2. Impudência; desaforo.

"descaramento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

"descaramento", por Ricardo Salgado in Jornal de Negócios [em linha], 09-01-2017

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Pesos e medidas

por Ana Vidal, em 25.05.16

"Não gosto de fanatismos, porque nos cegam. Quem defendeu como nós a total liberdade da imprensa e pintou na cara a bandeira francesa quando surgiu a tragédia do Charlie Hebdo, porque se indigna agora ao rubro com um anódino cartaz em que Mário Nogueira vestido de Estaline puxa os cordelinhos a um ME marioneta? Porque o cartaz é da JSD? Porque Mário Nogueira é sacrossanto, intocável e sagrado? Porque é proibido fazer humor com políticos e com sindicatos? Afinal não queremos liberdade de imprensa? E é proibido rir?"

 

(Teolinda Gersão, na sua página do facebook)

 

A verdade é que muita gente ainda não integrou bem o conceito de liberdade de expressão, por isso lida mal com ela quando não é praticada pelos "seus". E quando a esta se associa o humor, tudo piora ainda mais.

 

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Um Ministro Poeta

por Isabel Mouzinho, em 12.04.16

Sou tudo menos socialista, já se sabe. Mas ter um poeta como Ministro da Cultura, parece-me bem, confesso. Porque terá, pelo menos, um peculiar entendimento das coisas, uma sensibilidade maior. E isso é muito importante.

De Luís Filipe Castro Mendes conheço pouco. Mas à esquerda e à direita todos lhe tecem os maiores louvores. Segundo a minha amiga Helena, que o conhece bem, (...) iremos ter como Ministro da Cultura um homem muito inteligente, muito culto, e cuja profissão de origem, a diplomacia, lhe permitiu correr mundo e contactar com culturas muito diversas.

Humanamente é um homem caloroso, cujo olhar sereno mas directo só pode tranquilizar aqueles que, na área que vai conduzir, ponham parte do destino profissional nas suas mãos.

A Helena tem certamente razão. Há uns três anos estive no lançamento de um livro do futuro Ministro e gostei muito. Pude testemunhar a serenidade calorosa de que fala a Helena e tocou-me sobretudo a simplicidade com que pegou no seu livro e leu alguns poemas, que é no fundo a melhor maneira de os apresentar.

Vamos ver como se sai na política, mas lá que promete, disso não restam dúvidas...

 

Para a solidão nascemos. Outras vozes

nos chamam e invocam, outros corpos

se perfilam radiosos contra a noite.

Nós não somos daqui. Num intervalo

de campanhas esquecidas nos dizemos,

abrindo o coração aos de passagem.

Mas quando a manhã chega nós partimos,

mais livre o coração, longa a viagem.

 

                                                          (Luís Filipe Castro Mendes)

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Estado de negação

por José António Abreu, em 04.10.15

Em grande medida, o PS perdeu por abandonar o centro e virar à esquerda. E agora, em vez de extrair lições do resultado e perceber que, na votação do programa de governo e do próximo orçamento, lhe resta a abstenção - ainda que "violenta" -, dá sinais de pretender governar, o que o forçaria a virar ainda mais à esquerda e a tornar-se refém do PC e do Bloco.

Mas neste momento a desilusão é tanta que se perdoam alguns desvarios.

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Cerejas e carapaus

por Rui Herbon, em 23.05.14

 

Numa campanha eleitoral que, como era de esperar, foi tudo menos o que me parecia desejável, ficam todavia algumas ideias fortes dos candidatos e outras tantas opiniões minhas e avulsas:

 

— o PS, em vez de aproveitar o momento para elucidar os eleitores sobre a sua visão e propostas para a Europa, preferiu lançar uma espécie de programa de governo que aumenta, segundo eles, a despesa pública em mais de oitocentos milhões de euros (o que significa para cima de mil milhões), valor a ser compensado fundamentalmente pelo crescimento económico, esse que justificaria e pagaria o TGV, o aeroporto de Beja e a auto-estrada entre Vale da Mula e Preciosas do Vouga, o tal mito socialista-sebastiânico que teimam em esperar mas que nunca chega;

 

— do lado da Aliança Portugal, que por vezes se sugere não ser tão unida assim, ficámos a saber que não têm nojo em beber da mesma garrafa (querem maior confiança e intimidade?): um espumante Murganheira que a Renascença, provavelmente tomada por austeros franciscanos, apelidou de champanhe do melhor;

 

— Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, defendeu a inclusão do surf no currículo escolar, medida que me parece relevante sobretudo no interior, onde, acopladas a essa grande inovação, regressariam as saudosas obras públicas de interesse vital sob a forma de piscina de ondas (uma em cada vila ou aldeia), e quando a troika regressasse pouco depois, não de prancha mas em potentes veículos alemães, lá teríamos a Marisa a surfar a onda do "não pagamos";

 

— o PS que, embora num late act, introduziu Sócrates na campanha por considerá-lo uma mais-valia — suponho eu —, admira-se que os cabeças de cartaz da AP o refiram e critiquem;

 

— Marcelo Rebelo de Sousa disse que vale a pena votar na AP por causa de Jean-Claude Junker, isto nas barbas de Paulo Rangel (que emagreceu pelo menos mais 2Kg) e de Nuno Melo (embora este não tenha barba, facto que compensa com um abundante cabelinho à fosga-se);

 

— a eleição de Marinho Pinto parece-me ser uma boa aposta: são capazes de perdoar-nos parte da dívida se o fizermos regressar;

 

— o futuro eurodeputado Fernando Ruas sabe distinguir um carvalho de uma cerejeira;

 

— o futuro eurodeputado Francisco Assis sabe distinguir uma sardinha de um carapau. 

 

Portanto, entre espumante e cerejas do lado de terra, e surf e carapaus do lado do mar, estamos muitíssimo bem servidos.

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Uma longa apologia da apolitização pessoal

por João André, em 02.04.14

Ultimamente tenho tido trabalho em excesso e pouco tempo para escrever. Confesso: costumo escrever em pausas do trabalho, quando preciso de me desligar das minhas tarefas por uns minutos mas manter o cérebro a funcionar. Chegando a noite tento desligar-me completamente do trabalho. Leio, vejo um filme ou outro, faço desporto, leio umas notícias, ouço música, brinco no computador, passo tempo com amigos... Tenho também os meus momentos em que prefiro desligar o cérebro. Escolho livros muito simples, vejo (ou leio sobre) desporto, escolho filmes ou séries intelectualmente pouco estimulantes. E, peça essencial, evito ler jornais - especialmente a opinião - e blogues portugueses sobre política.

 

A razão é simples: Portugal vive neste momento um debate excessivamente carregado e ideologicamente marcado, mas pouco inteligente. Os debates são marcados por exercícios retóricos mas pouca reflexão. Há lugar para os mortais à rectaguarda e piruetas argumentativas. O spin de tudo o que se diz está na ordem do dia. Nesse aspecto Sócrates seria refrescante se não fosse o facto de eu ter pouca paciência para ele.

 

Os debates vivem um momento em que tudo o que for arma de arremesso é imediatamente utilizado. No passado a pessoa defendeu outra coisa, não importa se noutras circunstâncias ou se mudou de ideia?, usemos de imediato estas contradições ou flip-flop. A pessoa poderá ter um interesse pessoal, mesmo que apenas de passagem, na posição que defende? Sai um ataque ad hominem para a mesa dois. A pessoa defende uma posição de centro-(escrever aqui direita ou esquerda)? Ai Jesus que é um extremista.

 

Basicamente, a retórica portuguesa vive da lógica do espantalho: usa-se uma posição da pessoa a atacar para extremar o ponto de vista e agitar os medos de quem leia. Pessoalmente vejo isto como mais marcante na direita - liderada por um governo que aponta qualquer opção por abrandar a austeridade como convite ao despesismo - mas não faltam arautos na esquerda. Num lado ou noutro falta quem pense a política num contexto moderno e dê opções ideológicas aos (e)leitores.

 

Isto não é fenómeno português. Nos EUA terá começado com iniciativas concertadas por parte da direita conservadora, que apontou baterias à esquerda americana (que eu vejo como ideologicamente semelhante ao centro-direita europeu) numa acção concertada para extremar debates e atiçar paixões. A esquerda americana tentou seguir-lhe o caminho mas, coo sempre, de forma desastrada, extremando o discurso mas sem lhe emprestar valores ideológicos que o sustentem. Este caminho terá ajudado fortemente ao crescimento do fenómeno do Tea Party, o qual acabou a prejudicar mais a direita do que a ajudar. Na Europa a Economist comparou recentemente o PVV holandês, a FN francesa e o UKIP britânico ao Tea Party,  mostrando como um discurso simples, populista (embora extremista) e com bases ideológicas simples (mesmo que pouco convictas) pode ir destruindo a base de apoio dos partidos tradicionais.

 

Em Portugal, à falta de partidos semelhantes (o mais próximo seria o BE, mas que tem tentado ser sério, mesmo que pouco interessado no governo), o PSD e o PS têm acabado por assumir esses papéis. No PSD a facção coelhista (à falta de melhor termo) tomou o partido contra os poderes tradicionais. Baseou-se num apoio online que foi produzindo campanhas difamatórias constantes contra opositores internos e externos. Os seus apoiantes (ou funcionários, nos casos em que são pagos - a dinheiro ou em favores) foram abrindo fogo contra tudo o que se foi mexendo, argumentando que as posições atacadas são de extremistas ou de partes interessadas, ao mesmo tempo que defendiam posições elas próprias extremas.

 

O PS, por seu lado, reservou para si o papel do copiador desastrado, de quem não percebe toda a organização por trás dos ataques e copia-lhes apenas a forma, sem perceber os objectivos. Escolheu uma cabeça oca para líder, colocou uns quantos personagens a escrever em blogues e assim avança, sem qualquer estratégia. Com um CDS/PP cuja única estratégia é a da lapa sem ideologia agarrada ao poder, e uma esquerda que por um lado quer ser poder mas não mobiliza e por outro só quer o poder por via revolucionária, o resultado é um país de eleitores sem escolha e sem força. Apolitizado e anti-política que vai votando pouco e por inércia naqueles que soam mais barulhentos e sólidos.

 

Quando leio posts como o do Rui, tenho que discordar. Penso que ele não entendeu realmente as críticas a Hollande. A subida da FN deve-se de facto ao PSF ter deixado de ser de esquerda. Mais, deve-se ao total esvaziamento ideológico do PSF. Quando um partido de centro-esquerda abandona as suas bandeiras, o vácuo que se gera será ocupado por outros. No passado era-o por outros partidos socialistas ou comunistas. Hoje, com o trabalho de fundo que tem feito, a insistência numa mensagem simples e sólida mesmo que falsa, o FN é o partido que preenche o espaço deixado vazio.

 

Compreendo no entanto a argumentação do Rui. A confusão que este novo mundo do combate político sem ideologia tem provocado ao PS (e ao centro-esquerda pela Europa em geral) faz-nos pensar que é por causa do extremismo do discurso que a esquerda tem perdido o rumo. Não o é. O extremismo é apenas forma, não é conteúdo e, os eleitores quando informados devidamente, optam sempre pelo conteúdo. Num mundo que tem sido sistematicamente esvaziado de ideologia por uma direita tecnocrática (foi pelo lado da direita, mas pdoeria perfeitamente ter sido pelo lado da esquerda), a falta de conteúdo da esquerda perde perante o baixo conteúdo da direita.

 

Tal esvaziamento tira entusiasmo ao discurso e combate políticos. Deixa de ser um frente a frente entre opositores ideológicos mas simplesmente um combate de histrionismos onde o mínimo de bases sólidas vence. A população em geral, exausta pelas dificuldades financeiras - vindas de trás ou causadas por este governo - e pelo barulho de fundo desliga. Vai depois à urna - se não chover ou não estiver sol - e vota na mensagem que soar mais lógica. Depois volta ao sofá e liga a sua telenovela ou jogo de futebol, espera pelo beijo de Mauro a Márcia ou pelo golo de Ronaldo aos boches e reza para que o dinheiro chegue ao fim do mês.

 

E agora, após esta longa reflexão (que vale o que vale) tento fechar o círculo. Este cansaço extravaza fronteiras e atinge até aqueles que, não expostos ao ruído de fundo nem à (mesma) austeridade, tentam seguir o que se passa no país. É o meu caso. O cansaço começa a sobrecarregar-me e a impedir-me de seguir os desenvolvimentos. Com umas eleições aproximar-se, o barulho só terá tendência a aumentar. Por isso aviso que escreverei, sempre que o puder evitar, sobre outros assuntos que não política nacional. É uma demissão consciente das responsabilidades que sobre mim pesam enquanto cidadão (ou bloguer, se quisermos assim argumentar). Escreverei talvez sobre vida, viagens, desporto, televisão, cinema ou outros. Sobre política não. Os ataques que sofro nas caixas de comentários são também a mais. Não tenho a válvula de escape da discussão entre amigos com uma cerveja à frente. Não mata, mas mói.

 

Fica então a minha declaração de intenções: tentarei sempre que possível não escrever sobre política nacional. Se ceder à tentação, peço que me desculpem. Se a argumentação falhar será sempre porque a frustração se me terá sobreposto à lógica e à reflexão cuidada. Pelo meio tentarei compensar isso com mais posts sobre futebol. Afinal de contas aproxima-se um mundial e o ópio, se não resolve os problemas do povo, pelo menos ajuda a esquecê-los por um pouco.

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O naufrágio

por Rui Herbon, em 02.04.14

A esquerda portuguesa já tirou a bissectriz ao resultado das eleições municipais francesas. A derrota dos socialistas, com transferência de voto para a UMP e a Frente Nacional, deveu-se à política de Hollande: como não é suficientemente de esquerda, os eleitores votaram à direita, tendo partidos mais à esquerda para votar. Isto faz sentido? Não? Pois.

 

Por cá, enquanto Seguro e o seu círculo se embrulham com a austeridade (afinal o problema é a dose) e respectivas medidas (são más mas, se formos governo, não sabemos quando poderemos revogá-las), parte do partido (com mais mediatismo que representatividade interna ou externa) põe em prática a linha de pensamento com que analisaram as eleições gaulesas: temos que ser mesmo mesmo de esquerda, da pura e dura, do socialismo ou morte, pá! Até o moderado Assis tem vindo a radicalizar o discurso (merecia ser entrevistado por um jornalista com arquivos, que lhe apontasse todas as contradições; e no seu caso, ao contrário de Sócrates, falamos de meses e não de anos). De certa forma percebe-se: a ambição de uma parte do PS é eclipsar o BE, não para lhe ficar apenas com os votos, mas com o exclusivo do discurso radical — transformar-se, para fanico de Louçã, numa espécie de PSR(R): Partido Socialista Revolucionário (Reconstruído). Esquecem-se que as eleições se ganham ao centro, e descobrirão, por certo com grande espanto e após uma vitória mínima nas europeias e uma derrota nas legislativas, que boa parte do eleitorado que pode votar socialista, cá como em França, não o é de facto. Bon voyage.

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O Grande Irmão partidário

por Ana Vidal, em 17.01.14

 

Notável o que se passou hoje na Assembleia da República: a votação para a realização de um referendo (adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo) levantou um mar de "declarações de voto" de deputados obrigados ao absurdo da disciplina de voto, sobretudo numa matéria que é nitidamente de consciência individual. Esta é uma das razões, talvez a mais importante de todas, por que eu jamais me filiaria num partido. Não admito que pensem por mim.

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Self-awareness is a pathway to happiness

por Rui Rocha, em 18.12.13

Líder da JSD defende que os políticos são mal pagos e assim não é possível atrair os melhores.

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Evitar o contágio

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.11.13

O Público revela na sua edição de hoje alguns pormenores a propósito do convite e da recusa de Rui Rio em assumir a liderança do Banco de Fomento.

Fazendo fé no que ali se conta, e não há razões que me levem a duvidar da seriedade do relato ou acrescento de qualquer ponto, o episódio confirma em absoluto tudo o que eu pensava antes de quem convidou e de quem recusou. E, mais do que isso, demonstra como é fácil a estupidez cruzar-se com a inteligência mantendo-se tudo na mesma.

Desconheço se o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto leu Mazarin e o que este escreveu em 1684 no seu "Breviarium Politicorum". Se não leu indicia todas as qualidades que poderão um dia, se lhe derem o privilégio de umas primárias, vir a ocupar à frente do PSD o lugar que espera António Costa no PS logo que lhe desimpeçam a loja.

Mesmo quem não goste, ou não morra de amores por Rio, desde que conhecesse o seu percurso e estivesse atento à forma como gere as suas intervenções públicas e os tempos em que as faz, dificilmente acreditaria que fosse homem para aceitar liderar neste momento uma instituição - com a importância que nunca terá - como o novel Banco de Fomento. Em especial com o peso político que significa para o actual primeiro-ministro. Menos ainda se o convite formulado por Passos Coelho trazia consigo, como foi o caso, a inacreditável escolha antecipada da equipa que se queria que Rui Rio dirigisse.

Nenhum homem decente, inteligente e sensato q.b. aceitaria, por muito ambicioso ou tributário que fosse ao convidante, ser colocado à frente de uma entidade como o tal Banco tendo de engolir todos os "Franquelins" que lhe fossem impingidos.

O lastro de confusões, demissões, golpadas, convites, "desconvintes" e cegadas várias em que o primeiro-ministro, ou os seus homens de confiança por ele, se tem envolvido desde Junho de 2011, bastariam para obrigar o mais desprevenido a pensar duas vezes antes de, numa altura destas, aceitar meter-se numa embarcação, em mar revolto, sabendo que o almirante que escolheu a tripulação não distingue bombordo de estibordo, é atreito a levantamentos de rancho entre a sua gente, confunde proa com popa e na embarcação que ele próprio dirige já viu a maioria dos seus tripulantes enjoar na ponte, enquanto os sobrantes e os passageiros que foram obrigados a seguir viagem, quase todos velhos, doentes e reformados, se atropelam para ver quem primeiro se atira borda fora na esperança de serem recolhidos por alguém que passe ao largo e lhes atire uma bóia e uma lata de sardinhas.

Uma das coisas que Mazarin aconselhava a um político era que se tivesse de responder negativamente a um pedido fingisse que precisava de reflectir. E que depois se mostrasse sinceramente desolado por não poder atendê-lo. Desconfio que Rio, mesmo que não tenha lido a obra que me veio à memória, nunca precisaria de recorrer a um grau tão grande de perfídia e hipocrisia para recusar o convite. Bastar-lhe-ia ser coerente, como parece ter sido.

Aquilo que para qualquer um de nós seria uma evidência, como o resultado da imposição de uma cura de emagrecimento em quem já dava sinais de subnutrição, não o foi para Passos Coelho.

Pessoalmente estou convencido, no que até Pedro Lomba ou Poiares Maduro num momento de lucidez serão capazes de admitir, que de mais este triste episódio sai um Rio de caudal reforçado que ameaça galgar as margens a qualquer momento, correndo ainda mais violento para a sua foz.

Quanto a Passos Coelho, que neste desgraçado filme comprido e chato faz papel de marujo arvorado, fica a eliminação das dúvidas que restassem sobre a preparação política que recebeu. Ou seja, confirma-se que politicamente possui a preparação de um tarimbado servente de S. Bento. A grande diferença é que este, ainda que convidado para universidades de Verão e convivendo com professores doutores, não aspira ser primeiro-ministro. Nem sequer quando com um grão na asa adormece destapado e virado para a esquerda. Um néscio político não faria pior. Bastar-lhe-ia ir ao calendário e ver que o Primeiro de Dezembro estava à porta e gritar a plenos pulmões: Viva Portugal!

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Haka

por José Navarro de Andrade, em 11.07.13
Na televisão parece tradicional e divertido, mas diz quem recebeu um haka de frente que é mesmo aterrador, pois sabe que dentro de minutos será atropelado por aquelas empolgadas massas musculares. Geralmente os adversários observam de longe o haka neo-zelandês simulando tranquilidade. Mas o embate entre os all blacks e a França no Campeonato do Mundo de 2007 ficou para a história; enquanto os ilhéus evoluíam as suas contorções guerreiras os gauleses não se intimidaram e foram avançando em formação entrelaçada até ficarem a centímetros do adversário - olhos nos olhos.
Os franceses ganharam o jogo.

 

 
 

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Dá-me música

por José Navarro de Andrade, em 11.07.13

Tudo que acontece já foi dito e, sobretudo, cantado - nada de novo sob os céus. E, como de costume, há várias soluções sem sair do mesmo sítio.

Não sei porquê, ontem à noite esta canção ocupava-me a cabeça, sem conseguir parar de a cantarolar. E o melhor é que dela existem duas sublimes versões, uma pungente, obviamente de Billie Holiday, outra desafiante, e muito cool, de Ella Fitzgerald. Billie lacrimeja de dor a pedir-nos empatia pelo mal que lhe fizeram, Ella relata o drama com a voz desprendida de quem sugere que a coisa não fica por aqui.

Faça o leitor a fineza de escolher a versão que pretende, que isto hoje é à vontade do freguês como parece estar na moda. Ah mas a letra...

 

 

 

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Business as usual

por José Gomes André, em 10.07.13

Assistimos apenas a mais uma "jogada" no lamentável jogo de xadrez em que se transformou a política portuguesa. Sabendo à partida que o PS rejeitaria obviamente esta "solução a 3", Cavaco avançou em todo o caso, para entalar Seguro e proteger PSD e CDS. Nos próximos dias, queixando-se da "irresponsabilidade" do PS, empossará a solução governativa negociada por Passos e Portas, em nome da "estabilidade política". Até quando, ninguém sabe. O país, esse, continua a definhar às mãos de excelentes estrategas, mas péssimos servidores do bem comum.

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SNAFU - 2

por José Navarro de Andrade, em 04.07.13

O modernismo fez esquecer a escola tardo-naturalista americana que durante o séc. XIX pintou no Oeste americano. Era uma terra de ninguém cheia de gente, um vazio repleto de histórias. Em menos de 200 anos tudo desapareceu, ou seja, foi preenchido. Sim, faz lembrar muitas coisas actuais e candentes, porque nada de novo se passa sob os céus que não tenha sido já visto, embora esquecido.

Que o exemplo vos faça algum proveito, mesmo que pareça demasiado críptico. 

George Catlin, "Caçada aos bufalos camuflados com pele branca de lobo", 1932

 

Frederick Remington, "O batedor: amigo ou inimigo?", 1902-1905

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SNAFU

por José Navarro de Andrade, em 03.07.13

Depois de ser Campeão Mundial em 2002 e antes de ter vencido a Taça das Confederações em 2013, Luiz Felipe Scolari registou com Portugal o seguinte palmarés: finalista do Euro 2004, semi-finalista do Mundial 2006 (perdeu 0-1 à tangente com uma das melhores Franças de sempre que só viria perder a final para a Itália por penalties e uma cabeçada de Zidane), quartos-de-final no Euro 2008 (perdeu com a finalista Alemanha por 2-3). Talvez Paulo Bento consiga semelhantes proezas, mas objectivamente até hoje ninguém atingiu resultados comparáveis. Todavia, por ter ofendido alguns interesses instalados, foi execrado pela indústria nacional de opinião futebolística.

Isto pode ser visto como uma eloquente parábola sobre os tempos que vivemos.

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As abelhas e Assunção Cristas

por jpt, em 01.05.13

 

Através de ligações colocadas no facebook chego a esta página do Bloco de Esquerda. Como sempre duvido deste locutores, populistas demagogos, procuro confirmar o conteúdo da notícia. Faço-o na SIC. Nas páginas em português não há muito mais informação substantiva actual. Mas fica o fundamental: as causas para a surpreendente e avassaladora hecatombe das abelhas europeias estão encontradas, um trio de pesticidas (ImidaclopridClothianidin e Tiametoxam).  Os indícios científicos são relativamente explícitos, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (que julgo ser um organismo consultivo das instituições europeias) também o considera.

Houve agora uma votação no seio da Comissão Europeia intentando banir estes pesticidas, protegendo a população das abelhas. Mas neste processo não só se introduziram "nuances" (daquelas que minoram os efeitos positivos almejados - no caso julgo que, pelo menos, restringindo a proibição a culturas directamente procuradas por abelhas), como sete países se recusaram a votar favoravelmente, impedindo uma maioria qualificada na votação que permitiria uma rápida, abrangente e eficaz política de protecção.

Portugal, que neste assunto se representa pela ministra Assunção Cristas, numa questão desta gravidade ecológica decidiu ... abster-se. Em defesa das indústrias produtoras (Bayer, Syngenta), pedindo (tal e qual num blockbuster americano) "mais estudos", o velho argumento dilatório. Mais não percebo, pois a imprensa apenas reproduz um qualquer despacho noticioso - e não há um jornalismo "europólogo" em Portugal. Por exemplo, qual a razão efectiva de se constituirem "blocos" de países numa votação destas? Um voto atlântico (abstenção  junto à Grã-Bretanha) contra um voto continental (a Alemanha, casa da Bayer já agora, votou favoravelmente o banimento dos químicos em causa)?  

É sabido que nestas coisas há sempre uns tontos idólatras do mercado livre contra as restrições do demo estatal, que vociferam contra as protecções ecológicas. Virão resmungar contra o catastrofismo, virão com o sarcasmo eunuco apoucando as "abelhas". A questão é simples, são precisos mais estudos? Façam-se. Primeiro trancam-se os pesticidas, depois estuda-se. Se se infirmar a causalidade volta-se a utilizar. Perde-se dinheiro? Paciência. E é também sabido que nestas coisas de cutucar os grandes interesses industriais a pressão sobre os governos e governantes é enorme.


Sem rodeios, numa questão desta importância e com este conteúdo a atitude do governo português é vergonhosa. Inadmissível. É de exigir um volte-face, e um imediato empenho no combate a esta "guerra química". E que caia a ministra Cristas, aqui face de uma política tacanha e selvagem. Não há "política real" que justifique tamanha mediocridade, tamanha inconsciência.

E para que não se diga que quero a cabeça (metaforicamente, por enquanto) de Cristas por  "indignismo" oposicionista, recordo que há dois anos bloguei apelando ao voto no seu partido, que há pouco tempo aqui no DO apelei a que Portas fosse içado a PM. E que há um mês calei, meio por fastio meio por patriotismo, a minha irritação aquando da visita de Cristas a Maputo. Uma viagem risível, que "correu mal" (na suave linguagem diplomática), uma pura pantomina. Mais uma do pacote da indigência política, pois nisto da incompetência para as relações externas e da falta de sentido de estado, a gente está mais do que habituado a encontrá-las nos políticos içados ao poder. Cristas foi, aqui, mais um exemplo dos passeios tontos.

Mas agora, com esta asquerosa abstenção, ultrapassou os limites da mediocridade. Que vá já a ex-ministra. E com o ónus da indecência. A colher o desprezo dos compatriotas. Das várias "cores". (E com menos um voto, com toda a certeza. O meu.)

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O estado do comentário político em Portugal

por José Gomes André, em 28.04.13

"Eu acho que..."

 

Como bem dizia o saudoso Gore Vidal, "the major problem of our time, is that everyone has an opinion, but nobody has a thought".

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por jpt, em 06.04.13

 

Bacelar Gouveia - homem que, nos idos de 1990s, trabalhou em Maputo com evidente garbo e reconhecida competência - foi agora eleito para a direcção do "meu" Sporting. Saúdo isso. Talvez influenciado por esse momento refere-se ao ministro das finanças utilizando o "futebolês", algo que não gosto mas posso assim entender. Diz  que Vítor Gaspar recebeu do Tribunal Constitucional um "duplo cartão amarelo" equivalente a um "cartão vermelho". Repito, não gosto do "futebolês", pacote de metáforas quase sempre empobrecedoras, mas tenho que concordar. O governo e o ministro das finanças repetem um comportamento desajustado, perdão, medidas inconstitucionais e elas são sancionadas. Ou o membro do governo não teve capacidade para imaginar medidas outras ou essas seriam, no quadro actual legal, inimagináveis, inaplicáveis. Em ambos os casos a opção possível parece-me única. A demissão. Pois ou não tem espaço de manobra política (legal, que seja) ou não tem alternativas intelectuais.

Miguel Relvas sai do governo. Por causa da sua biografia. E para satisfação muito alargada. Por causa da impopularidade do governo, em muitos casos. Mas também por causa da sua biografia ministerial: as tropelias com os serviços de informação, o maçonarismo esconso, as afrontas ao jornalismo, são as coisas mais evidentes.

Fica Passos Coelho frágil com isto tudo. Com o evidente insucesso do seu governo. Mas também (fundamentalmente?) por ter a imagem ligada a Relvas, pelo seu empenho na via de Vítor Gaspar, o que implica que PC não surge no governo acima dos seus ministros mais importantes mas sim com eles co-ligado. Do seu destino dependente.

Em Lisboa o sábado é para renovação, azáfama de telefones. Mas o governo já acabou. Mesmo mudando pessoas o seu primeiro-ministro já não o é.

Como fazer avançar o governo de Portugal, em tempos tão difíceis? Este morto, ainda que talvez embalsamável? O PSD não tem alternativas. Desde José Manuel Durão Barroso que o PSD não consegue apresentar a si próprio e ao restante país uma alternativa consistente. Teve uma hipótese aquando da última vitória de Sócrates, e quão danosa foi esta, mas suicidou-se. Agora mesmo os textos "voluntaristas" que chamam Silva Peneda a alternativa de poder são de uma irrealismo inacreditável. É um partido decepado, e porventura sê-lo-á pelos efeitos da partidocracia que o conquistou desde o tempo de Cavaco Silva no poder.

Procurar soluções no Presidente é outro irrealismo. Não pela sua concepção minimalista dos poderes presidenciais, como refere quem lhe lê os prefácios aos discursos. Mas porque Cavaco Silva é fonte de problemas. Não será o momento de procurar no seu consulado tantas das causas do populismo consumista que levou o país ao estado em que está, a idolatria dos grupos financeiros e comerciais, o demencial elogio do improdutivismo, a colonização do estado pelos interesses mais canibais. Mas é com toda a certeza o momento de lembrar o seu conúbio, mesmo que pessoalmente ingénuo, com as forças e os indivíduos que assaltaram a sociedade portuguesa. Em Cavaco Silva não habitam alternativas aos procedimentos políticos - ainda para mais sempre se auto-apresentando como "não político" - nem nunca habitou qualquer visão verdadeiramente desenvolvimentista do país.

Vamos então a eleições, propõe então António José Seguro, como se o seu partido não tivesse governado durante tantos e tantos anos, até este cenário actual. Se o PS dos últimos vinte anos tem sido o cúmulo do populismo, se o pinamourismo e o socratismo resultaram no que resultaram, que poderemos esperar agora? E como se não viesse anunciar que se candidata mas não para resolver problemas, como deliciosamente lembra Rui Rocha aqui abaixo.

É óbvio que o modelo de austeridade, puro e duro, não chega, não é eficaz. Mas o modelo do contrato social populista, o "europeísmo" se se lhe quiser dar um nome "flat", também já tem não espaço para se continuar a reproduzir, o mundo mudou. Disso reacção é surgir o próprio Tribunal Constitucional a aconselhar o governo a fazer reformas estruturais no estado (julgo que algo inédito, os juízes a ditarem políticas aos políticos).

Urge repensar e reformar o país, urge repensar as relações com o(s) exterior(es) e, se necessário, afrontá-lo(s). Sopesando argumentações e práticas.

Ou seja, é urgente a política. E o desenvolvimento.

Para isso é notório que é preciso mudar o governo. "Já", como se dizia antes, em momentos convulsos. Como de convulsões é este. Como mudar?

No quadro "político" actual só vejo uma solução, deixada pela constituição, apesar da nossa prática tradicional ser outra. (Pigarreio ...)

Portas a primeiro-ministro. E a ver vamos.

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Miguel Relvas em Maputo

por jpt, em 02.03.13

 

Miguel Relvas deslocou-se esta semana a Maputo para assinar alguns "protocolos desportivos" - sobre a inutilidade destes nem vale a pena esboçar argumentos. Há quem veja apenas fel nesta minha desilusão com as práticas de "cooperação" portuguesa. Mas não o é, é pura empiria. Em 1997 vim para Maputo e parte do meu trabalho era o acompanhamento das relações de "cooperação" no sector desportivo, sei um pouco do "patois". Daqui a dois anos ou quatro anos faça-se uma verdadeira avaliação dos efeitos destes protocolos e se tiver germinado algo de verdadeiramente real, estruturante, tragam-me o fogo para eu meter lá as mãos. O ministro terá ainda acompanhado uma feira de empresas portuguesas. E, presumo, contactou o estado moçambicano, neste formato actual, em que a desconfiança entre primeiro-ministro e ministro dos negócios estrangeiros o colocou como representante do PM na política externa. Essas já são coisas mais subjectivas, o governo saberá como tecer a sua rede de sustentação. Só espero que benéficas para o país. E, já agora, neste caso, também para Moçambique.

 

Interessa-me o eco local desta visita, e o que ele mostra da apreensão do momento português. "Afinal o Relvas anda por cá?!" (assim mesmo, "o" Relvas), li no mural-FB de um colega académico moçambicano. O qual nem sequer estudou ou trabalhou em Portugal, não tem qualquer relação mais próxima com a realidade portuguesa, este dito vem-lhe mesmo do reconhecimento do ministro português. Sucederam-se alguns comentários jocosos e um outro, de académico bloguista, mais irado. Que se fosse Relvas a uma universidade moçambicana deveria ser boicotado, tal e qual Jonathan Moyo (o académico zimbabweano que como ministro da informação no início de XXI deixou uma vergonhosa imagem, repressiva e venal, e aqui em Maputo foi boicotado). O eco das difíceis relações de Miguel Relvas com alguns jornalistas portugueses a fazerem-se sentir. E, claro, num meio académico, o menosprezo pela vergonha de cidadania que é a "licenciatura" do ministro (e que conspurca letalmente os académicos que dela se tornaram parte, até antropólogo metido naquilo).

 

Miguel Relvas condecorou Mário Coluna. E bem ouvi, num dos locais do "Monstro Sagrado", no qual sou também cliente habitual, a ríspida ironia,o sarcasmo militante, nas mesas de mais-velhos, gente de longa estrada atrás, sem pruridos, sobre quem condecorava o "Monstro Sagrado". Veio ainda lançar o jornal "A Bola" aqui (o jornal colou-se às elites políticas de ambos os países, é seu direito estratégico, mas parece-me que isso lhe denota grave crise económica para assim tanto se subalternizar). Discursou na cerimónia de lançamento e disse algo simpático (um pouco na linha de um texto sobre o assunto que escrevi há dois dias aqui), recordando que lia o jornal desde criança, a inócua e gentil frase "Aprendi a ler no jornal A Bola".

 

Resultado? Logo que o jornal saíu, a primeira edição moçambicana de A Bola, citando o discurso, este foi o curtíssimo rastilho da piada, patrícios a telefonar-se ou a conviver, gargalhando em mesas de café: "Sabes onde é que o Relvas fez a primária?", "Leu a Bola e teve equivalência". Não, não são bloquistas (que não abundam por aqui, felizmente), são mesmo portugueses dos negócios, das empresas, alguns até convidados para estes eventos do "beautiful people" maputense. Gente patrícia, do contexto social e político do ministro e dos diplomatas que o acolhem. E que, tal como os académicos moçambicanos, não o respeitam. Precisarão dele. Acolhem-no, até pressurosos. E temem-no ("não escrevas sobre o Relvas ..." estou farto de ouvir. Entre-paredes e não só.). Mas não lhe têm pingo de respeito.

 

Como se pode governar assim? Mais, como se pode governar democraticamente assim?

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O Torgal Ferreira

por jpt, em 02.03.13

 

O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. Diz que os acusados (sejam lá do que sejam) têm de provar que estão inocentes e a malta cala (o provedor dos advogados, um advogado não castrado como perorou recentemente, fica-se no silvo do eunuco). E de novo vem vituperar o governo e apelar a manifestações ("ai se me pudesse manifestar", geme) de rua? Torgal Ferreira é general, e nessa condição diz o que quiser sobre os homossexuais e diz o que quiser sobre o sistema jurídico? Talvez. Mas quando critica publicamente o governo e apela a manifestações de rua o que se deve fazer? Voz de prisão, sem mais nem menos. Só a cobardia acossada de um sistema político degenerado permite isto.

 

Não, não, dizem os hipócritas dos argumentos a la carte, não é general, é "apenas" um bispo equiparado? Chame-se o Núncio Apostólico, em explícita linguagem diplomática, e ponha-se o vate em ordem - numa qualquer paróquia argelina ou saudita. E, já agora, acabe-se definitivamente com a pantomina (Inconstitucional? Ridícula.) do "capelão das forças armadas". E quando os beatos da "tradição católica", do "santo padroado" vierem resmungar com isso, responda-se-lhes, apenas, "torgal". Será argumento suficiente para acabar a discussão. Que nem sequer o merece ser.

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O Grandolismo

por jpt, em 22.02.13

 

Regresso a casa e leio que em Portugal grassa uma onda ideológica, a do "grandolismo". A juventude universitária, prenha de hormonas esfuziantes (e catapultada por uma bem sucedida pateada ao ministro Miguel Relvas, a qual tem levado a reacções adversas exageradíssimas, que encontram um quasi-criminoso atentado no mero apupar de um ministro até que este desista de botar e se cale, um excesso de pruridos que me parece um bocado patético), alia-se à meia-idade universitária, esta no afã da reorgasmização da vidinha. E o amplexo assim constituído anda por aí a "grandolar" ministros e (presumo) afins.

 

José Afonso foi um enorme músico-compositor, o maior da sua geração, a qual marcou e nisso alimentou nomes queridos como o magnífico Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho e Fausto, estes que felizmente continuam connosco e como tal não precisam de adjectivos. Um pouco como Pedro Ayres de Magalhães (num registo menos heróico) na geração seguinte. Militante, radical, se estivesse vivo muito provavelmente concordaria com este ressurgimento reutilizador da sua "Grândola".

 

Mas ela, em boa medida, já não lhe pertence, como sempre acontece aos símbolos. Pertence a quem a utiliza, cada um à sua maneira, e nisso avaliado pela forma como o faz. A "Grândola" ficou como símbolo do 25 de Abril. Polissémico, como qualquer símbolo. Mas centrado no advento da liberdade, diz, pensa e acima de tudo sente, o discurso higiénico português. Esse que, bem na tradição colonialista da "esquerda", do "centro" e da "direita" portuguesa, esquece que ela é também (fundamentalmente?) o símbolo da paz, do fim do nacionalismo bacoco, serôdio, anacrónico, que se traduzia em práticas político-administrativas-económicas brutais e numa guerra violentíssima, prolongada, injusta. E ... inútil.

 

Assim sendo este "grandolismo", que o indignismo bloquista descobre e agita, não vem apenas retomar a usurpação do sentimento democrático. Subliminarmente (?) armando-se das polaridades de 1974, isso do "nós, democratas, que cantamos" vs "vocês, fascistas, que vão mudos", essa velha vontade monopolista (latifundiária) do pensar democraticamente (a qual que em outros tempos indignistas encheu o país de dísticos e pinturas intitulando de "fascistas" homens como António Barreto, Pezarat Correia ou Franco Charais, como exemplos hoje surpreendentes, mas que convém lembrar para entender o terrorismo intelectual de quem assim ia. E vai.). 

 

 

Na verdade este actual "grandolismo", agit-prop que quer associar o poder político actual à memória do pré-25 de Abril, promove (e disso se alimenta) o esbatimento das características estruturais políticas, repressivas e sociais desse período, para as poder imputar ao hoje. Essas características coloniais, como refiro, mas também as especificamente internas. É um espantalho, um instrumento de desconhecimento desse passado, como tal da actualidade, naquele constituída, daquele tão diversa. O festivo, até erótico, "grandolismo" é um desejado instrumento de desconhecimento, friso. 

 

Por isso mesmo, e por exemplo, um ícone como "Os Vampiros" - tão adequado a uma crítica cantada ao momento actual (concorde-se ou não com a crítica intentada) - não surge. Pois não é a crítica que se pretende, apenas a invectiva (bipolarizadora). E nisso se torna doloroso assistir à promoção disto por quem tem como função profissional investigar (aka, criticar) e ensinar (aka, criticar). Nessa pantomina a fazer-me lembrar Zeca Afonso, cantando magnificamente um obscuro poeta:

 

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Os incómodos

por Laura Ramos, em 25.01.13

Mais um político incómodo que sofre as consequências da hipocrisia nacional.

- Alguém tem dúvidas?

Só que  há gente que não perde tempo com guerras de final previsível, travadas com armas desiguais contra carrascos de cara tapada, manejando forcas feitas com o fio do cinismo.

Paulo Júlio é desses empreendedores que não alinha em jogos florais entretecidos de calúnia. E tem a impaciência típica das pessoas eficientes. 

Foi à sua vida?

Pior para nós, que adoramos palha.

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Política portuguesa

por jpt, em 23.01.13

 

Não vim para o Delito de Opinião para opinar sobre política portuguesa, matéria que, diz-me a experiência, rapidamente me transforma em delinquente, tamanho o azedume face à "gasta pátria". Mas uma querida amiga real, e blogoleitora, acaba de saudar esta minha transferência blogal. Através da oferta deste "ex-voto", descoberto no seu sótão. Já agora, e abuso eu, a lembrar tempos outros, também de FMIs. A lembrar, que, e ao contrário do que dizem os furiosos assalariados do jornal "Público", também em Portugal - e em tantas outras austrais paragens - o FMI não foi nem quis ser o coveiro da democracia.

 

E para lembrar/ensinar tempos, não muito longínquos, em que os protagonistas, e mesmo que apesar deles-próprios, eram melhores.

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Just for the record (2)

por Ana Vidal, em 16.09.12

 

Tal como o José Gomes André, também eu faço questão de manifestar o meu desacordo com o rumo que este governo está a tomar. A diferença é que eu teria ido à manifestação, só não o fiz porque não me foi mesmo possível. O que não significa que subscreva o lema "Que se lixe a troika", que  me parece irresponsável e infeliz. Eu não quero que a troika se lixe, porque seria o mesmo que dizer que quero que a troika nos lixe. Mas, sendo certo que a alternativa ao cumprimento das imposições da troika seria ainda mais desastrosa para o nosso país, com duras consequências a curtíssimo prazo, a verdade é que há sempre alguma margem de negociação e este governo não está a utilizá-la. Esta atitude "mais papista que o papa" tem-se traduzido num esmagamento social intolerável e numa enorme cegueira a todos os indicadores de alarme. Cortar as pensões aos reformados não é retirar-lhes benesses porque os tempos estão maus, é recusar devolver-lhes o seu próprio dinheiro, que entregaram ao Estado confiando numa gestão capaz de assegurar-lhes uma terceira idade tranquila.

 

E também não quero que caia o governo. A última coisa de que precisamos neste momento é o caos que seria uma crise política, a somar a tudo o resto. Espero é que os responsáveis pelo destino das nossas vidas a curto prazo percebam que o significado de tantos milhares de pessoas nas ruas em protesto por todo o país não pode ser ignorado. Somos pacíficos, mas não estamos dispostos a aguentar tudo de cabeça baixa.

 

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Just for the record

por José Gomes André, em 14.09.12

Não vou à manif de amanhã porque não me apetece ser instrumentalizado pelos partidos de esquerda em que não confio e porque não sou contra a "saída da troika" do país (não me dou bem com bancarrotas, desculpem lá). Mas depois dos disparates desta semana - a ridícula proposta da Seg. Social, a patética entrevista de PPC, o desnorte da política económico-financeira e o absoluto pandemónio instalado no Ensino Secundário e Superior - deixei de apoiar este Governo. Só para que conste.

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Pergunta de algibeira

por Ana Vidal, em 25.08.12

É impressão minha ou o ministro com pasta Aguiar Branco desautorizou completamente o ministro sem pasta António Borges?

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Arnaut e a cultura da batata

por Teresa Ribeiro, em 01.07.12

O clima económico dependerá sempre da nossa cultura democrática. O problema é que não há raios que a mudem. E contra isto, batatas!

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Pontos nos is (14)

por João Carvalho, em 26.04.12

LAMAS

Pela boca do deputado Basílio Horta, o PS «considerou hoje "um mau negócio" a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Camargo Corrêa à Cimpor, afirmando que "lesa" o interesse público e o Tesouro.» Até pode ser, mas José Sócrates e os seus pares de má memória também foram um péssimo negócio para o País e fartaram-se de desprezar o interesse público e o Tesouro sem que o ex-centrista ou qualquer outro deputado socialista abrisse a boca para denunciar o descalabro.

A OPA à Cimpor e o desgoverno de Sócrates representam bem o modo como o PS costuma reflectir: dois pesos e duas medidas. Com a agravante de termos agora de vender os parcos haveres nacionais para tentarmos sobreviver e sair do charco socialista e lamacento em que mergulhámos.

Se Basílio Horta ainda vivesse à sombra do CDS-PP, por certo conseguiria reflectir melhor sobre a crise que nos entalou e os maus negócios lesivos do interesse público seriam então outros lamaçais.

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Descoco

por João Carvalho, em 11.04.12

Maria de Lurdes Rodrigues considerou ontem no Parlamento que a Parque Escolar demonstrou boa prática no cumprimento da recuperação de escolas e que o programa foi «uma festa» para todos os envolvidos. Isabel Alçada afirmou hoje perante os deputados que «a derrapagem não foi excessiva» e que a Parque Escolar era a oitava maravilha do mundo. Para ambas, a ausência de concursos públicos foi coisa de somenos.

Percebe-se agora melhor por que motivo as duas ex-ministras da Educação de Sócrates nunca deviam ter chegado a cargos de topo na gestão pública e nunca mais devem voltar. Se Deus existe e é justo, que lhes dê uma longa vida e, sobretudo, que mantenha uma e outra bem afastadas da gestão orçamental do país que deixaram de rastos para nós pagarmos. É que não há saco para tamanho descoco.

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Pontos nos is (8)

por João Carvalho, em 06.01.12

MAÇONARIA

I

José Xavier Mouzinho da Silveira (1780–1849) matriculou-se em Outubro de 1797 na Faculdade de Direito de Coimbra, onde obteve o grau de bacharel cinco anos mais tarde e terminou a formatura com a classificação final de nemine discrepante a 10 de Julho de 1802.

Colaborou na resistência às Invasões Francesas e esteve colocado em Marvão, de onde foi tranferido para ser empossado como juiz de fora na então vila de Setúbal a 29 de Maio de 1813, lugar que manteve até 22 de Novembro de 1816.

«Sete anos mais tarde, o corregedor da comarca vai acusá-lo de ter propagado em Setúbal a seita dos "pedreiros-livres", garantindo constar que até "estabelecera duas lojas deles, sendo um libertino de primeira ordem, e tão escandaloso que nunca ouvia aqui missa". Sem dúvida, quando se fala do movimento liberal, a Maçonaria está necessariamente implícita e faz tempo que Mouzinho, no mínimo, se sente muito chegado aos maçons com quem costuma privar.» (O Supremo Tribunal de Justiça em Portugal: Dois Séculos e Quatro Regimes de Memórias; João Carvalho; STJ, 2003.)

Como se vê, mesmo sem ser líquido que Mouzinho da Silveira fosse já um maçon aos 30 anos, foi acusado de o ser, pois era um libertino que parece que nem ia à missa. Uma acusação proferida e posta a circular por um superior de Mouzinho, que se referia ao eventual comportamento dele sete anos antes.

II

Mouzinho foi uma figura de proa do Liberalismo e até do Portugal que temos hoje. A sua reforma administrativa era totalmente irrealista na dimensão, mas foi em frente com alterações insuficientes e ainda agora está por corrigir. Contudo, a sua construção de raiz de uma nova Justiça independente revelou um trabalho sem paralelo que ainda prevalece e que já então colocava Portugal entre os países mais avançados, segundo um regime com um sistema judicial que ainda é comum aos Estados civilizados.

Em suma: há coisas que a Maçonaria não pode tolher, como sejam a questão civilizacional que nos consome, a transparência do desempenho político, a ética na gestão dos assuntos públicos. Se assim não for, certas obediências, obscuras ou não, tornam-se incongruentes e destituídas de sentido, especialmente quando reclamam o seu altruísmo e os seus elevados valores.

Enquanto se trocam galhardetes ocos, convém recordar que o País fica a marcar passo em discussões menores e o tempo escasseia cada vez mais para os avanços imprescindíveis. Tenham juízo e tentem manter a cabeça levantada. Lembrem-se que Mouzinho foi um exemplo indiscutível de patriotismo, entrega e seriedade.

O único problema que actualmente se coloca entre quem exerce cargos e funções políticas de relevo é simples: estão a ser sérios ou não? Porque o facto é este: a exigência que todos fazemos não tem de estar incluída ou de vir a fazer parte de qualquer estatuto político. Pode incluir-se, sim, se fizerem muita questão disso, mas o que se quer de facto sempre fez parte de qualquer estatuto. Chama-se seriedade — e isso é obrigatório.

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Pontos nos is (3)

por João Carvalho, em 22.11.11

CHOURIÇOS

Estou farto de ouvir dizer cobras-e-lagartos de João Duque e do relatório da comissão que liderou sobre o futuro da RTP. Dizem os opinadores correntes que ele nada sabe de televisão, que as conclusões constituem uma aberração e que o serviço público televisivo deve ser garantido pelo Estado. Ora, como eu também sou parte do Estado, nada mais razoável do que pedir licença para apontar o que penso sobre o assunto. Divido o apontamento nos mesmos três pontos que tanto andam a excitar os comentadores do costume: o que João Duque e a comissão ad hoc sabem de televisão, as consequências do relatório e o papel da RTP.

 

Primeiro, manifesto já o meu enorme espanto por haver tanta gente a achincalhar João Duque. Como é que um tão grande número de iluminados pode acusá-lo de nada saber de televisão, é para mim um mistério. Pois se há tantos a saber tanto sobre televisão ao ponto de tentarem desmontar todo o trabalho realizado, se até é uma característica bem portuguesa todos nós termos uma opinião a emitir sobre tudo, faz algum sentido deixar de fora João Duque? Não faz. Só por preconceito, o que retira imediatamente qualquer valor aos que andam a perorar.

Depois, há que reconhecer um aspecto que ainda não vi focado: ao contrário dos hábitos que nos são mais familiares, a comissão foi célere. Não andou a perder tempo ou a enrolar uma meada sem fim. Foi nomeada, trabalhou como lhe competia, registou o que entendeu e despediu-se. Num ápice, honra lhe seja feita. Concluiu bem ou mal? Na verdade, para se ser justo é preciso que se diga que nem concluiu de facto, porque a última palavra pertence ao poder político. O que a comissão (que integrou nomes reconhecidamente sabedores de televisão, sublinhe-se) fez foi analisar a realidade e acordar numa saída para uma situação claramente insustentável. Cabe ao poder político aceitar ou recusar o trabalho e decidir com a legitimidade obtida recentemente em eleições.

Em terceiro lugar, o serviço público que se esperaria da RTP (usando o exemplo inevitável do canal principal em sinal aberto) está muito, muito longe dos mínimos desejáveis. Ora porque se cola à programação das televisões privadas com o olho nas audiências, ora porque não se cola e não sabe o que há-de fazer além de encher chouriços — chouriços que ficam pela hora da morte, mais caros que as morcelas gourmet da mesa do rei — o certo é que andamos todos a pagar ordenados principescos que seriam obscenos mesmo que fossem entregues aos melhores profissionais do mundo. Convém lembrar ainda que o número de pessoas da RTP, incluindo os que ganham sem trabalhar nem encher chouriços, corre o risco de ultrapassar o dos funcionários da Administração pública.

 

Para terminar, já que nenhum daqueles opinadores habituais o referiu, deixem-me que lembre que o presidente da RTP foi recentemente à Assembleia da República explicar perante os deputados de uma comissão os seus pontos de vista. Disse ele, em resumo, que a RTP é quase fantástica, mas que até consegue fazer melhores enchidos com menos gorduras. Fazer mais com menos? É isso? E ninguem lhe pergunta porque é que não fez? Palpita-me que João Duque seria incapaz de reconhecer que andava a fazer menos com mais. Seguramente, por não ter o perfil dos que sabem imenso de chouriços e de televisão. Ainda bem.

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Pontos nos is (2)

por João Carvalho, em 21.11.11

DECISÕES

I

Sempre que ouço dizer que o Governo atirou fora as questões da Cultura dá-me vontade de rir. Lamento que isto assim dito por pessoas que têm responsabilidades públicas arraste gente anónima que facilmente absorve este tipo de pregões, mas estou-me nas tintas por dois motivos:

— não é a primeira vez que a representação governamental da Cultura deixa de ter um ministro e passa a ter um secretário de Estado;

— a Cultura não dá de comer no imediato a quem tem fome e os tempos são de óbvia e necessária austeridade, o que obriga a hierarquizar com especial critério a intervenção de quem governa.

Porém, acho que há ainda uma boa razão para contrapor aos pseudo-críticos do costume. Desde logo, a vida tem-me demonstrado que a intervenção institucional na Cultura é um tema que suscita sempre ideias geniais à mais distinta intelectualidade da nossa praça, enquanto do lado de fora, mas que os mais iluminados, quando se vêem a decidir, perdem depressa a imaginação criadora e a acção raramente ultrapassa a simples distribuição de verbas (leia-se: redistribuição de impostos).

A boa razão a que me referia é, pois, um dado substantivo e não um devaneio: a Cultura institucional está entregue a um homem de cultura que nada tem a provar para fazer currículo. Chega-me.

II

Vem agora a talhe de foice registar a decisão de Francisco José Viegas, não por ter substituído o director do Teatro Nacional D. Maria II, mas sim por ter demitido Diogo Infante do cargo.

Digo isto sem querer saber das possíveis qualidades de quem foi demitido. Diogo Infante pode ser um excelente actor, encenador, líder de uma companhia de artistas e até um bom economista, dentista, jornalista ou motociclista. Não me interessa. Interessou-me saber, em data recente, que era um mau director do Teatro Nacional D. Maria II, ao exceder as suas funções de modo inadmissível e com consequências públicas de claro impacto.

Ora, ao contrário dos péssimos hábitos portugueses, quando Diogo Infante declarou que a época de 2012 ficava sem efeito, não houve inquéritos nem quaisquer daquelas coisas que ficam a arrastar-se de gabinete em gabinete para intermináveis trocas de argumentos. Nada. O secretário de Estado apontou-lhe a porta de saída sem mais sobressaltos. Caso encerrado.

Teria Diogo Infante fundamentação para encerrar uma das mais importantes instituições culturais do Estado? Dou de barato: até podia ter. Contudo, faltava-lhe o fundamento dos fundamentos, o fundamento supremo, o fundamento indispensável: Diogo Infante não foi eleito pelos portugueses para qualquer posto que lhe permitisse tomar decisões políticas. Não fazia parte das suas atribuições.

O poder político está legitimado por eleições recentes e Francisco José Viegas está à altura do cargo. É bom saber que as questões da Cultura, afinal, não foram atiradas fora, mesmo que os meios sejam modestos. Chega-me.

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Pontos nos is (1)

por João Carvalho, em 19.11.11

EMPOBRECIMENTO

O termo anda gasto. Começou por servir para lembrar que temos um caminho duro para percorrer e, desde então, a nossa (!) Esquerda faz dele uma marca do tempo, uma característica capaz de distinguir a nossa crise da situação periclitante generalizada que consome outros povos por essa crise fora, uma diferenciação que nos confere um lugar marcado na plateia das crises que grassam. E como o faz essa Esquerda? Histericamente, de dedo acusador em riste, como se fosse coisa nunca vista, impensável e completamente ao arrepio de tudo o que pudesse ser razoável acontecer-nos.

Não viria daí qualquer mal ao mundo, se não fosse tal atitude um ditame básico de certa(s) ideologia(s). Aproveita-se a fragilidade dos mais frágeis, acrescenta-se a dos que estão a fragilizar-se e junta-se a dos que temem a fragilidade que se aproxima como um susto. Porquê? Faz parte do plano básico: toda a gente sente o drama e alinha inconscientemente com os que bradam. Não por concessão ideológica, mas por parecer que discordar resolve o assunto e altera a triste realidade. Alinha-se por mero desabafo, portanto.

Vamos então ao ponto. O empobrecimento é chocante? Até pode ser, mas nada existe que o substitua. Todos o sabemos, se pararmos para pensar antes de alinhar no coro de protestos. Sabemos que andámos anos e anos a viver com mais do que tínhamos, a gastar acima do que auferíamos, a comprar mais do que podíamos e a recorrer a linhas de crédito acima das nossas possibilidades.

Chegada a hora de arrumarmos as contas, temos de fazer o quê? Temos de viver com o que temos, de gastar só o que auferimos, de comprar só o que podemos e de esquecer o recurso ao crédito. Isto é: temos de viver com menos, muito menos. Significa isto que temos de viver pior, abaixo dos hábitos que criámos. Claro que devemos trabalhar mais, para minorar as consequências, mas o próprio trabalho escasseia e a receita fica sem tradução.

Ora, isso quer dizer que nos resta empobrecer. É isto o empobrecimento. Inevitável. Fizemos vida de ricos com dinheiro de remediados, agora caímos na realidade, mas já cheios de dívidas e sem posses. Se alguém quiser interromper os protestos para apresentar alternativas, que o diga já ou que se cale para sempre. O resto é folclore de muito mau gosto.

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Os comícios parlamentares

por João Carvalho, em 11.11.11

 

Perante a proposta de Orçamento do Estado, será o comportamento dos diferentes grupos parlamentares idêntico? Ano após ano, a resposta é a mesma: não. Este ano, por exemplo, a proposta pertence ao Governo do PSD e CDS e coube ao PS manter o suspense durante um certo tempo sobre o seu sentido de voto.

Já o PCP e o BE mal esperaram para dar uma vista de olhos à proposta. Saltaram para a praça pública sem demora e apressaram-se a dizer que iam votar contra ela. É suposto que tenham então explicado as suas razões. Devem tê-lo feito, mas também sentiram certamente o receio de não ter sido ouvidos o bastante.

Onde está a diferença entre uns e outros? Uns privilegiam o debate parlamentar, enquanto outros usam o hemiciclo da Assembleia da República como palco para comícios. O PCP e o BE são incapazes de entender um regime que sempre odiaram. Olham para o Parlamento e o que vêem é mais um palanque.

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O tempora, o mores!

por Laura Ramos, em 24.10.11

 

E pensar que há um ano, mais coisa menos coisa, andávamos a discutir o estranho caso da deputada que vivia em Paris e a quem pagávamos uma viagem aérea semanal para regressar ao lar, doce lar.

 

A indignação nacional está muito mais barata.

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Quem me dá um beliscão?

por João Carvalho, em 18.10.11

 

Não sei se as alternativas eram ou não melhores e até ponho de lado se as competências merecem ou não grande confiança. O que não me sai da cabeça é outra coisa: ainda há uns meses o Sócrates jurava que não havia qualquer razão para alarme e mantinha de pé o Mendonça e os maiores projectos. Podem beliscar-me, por favor?

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Só se ele for fermoso

por João Carvalho, em 15.10.11

 

No poço da morte estamos todos nós, atirados para uma espiral de que não há memória. Só me falta perceber se aquele que está de gatas em cima do carro é quem eu penso. Se for, não admira que vá inseguro. Resta-lhe consultar as sondagens para saber se alguém acha que vai fermoso. Mas não me cheira.

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Mais-almoço-menos-rotunda

por João Carvalho, em 04.10.11

Percebe-se agora melhor por que razões o poder local precisa de mudar, depois da discussão do tema ontem à noite na RTP. É uma necessidade que já se arrasta há muito e que urge reparar de raiz e a partir de um novo mapa. A discussão de ontem provou amplamente o quanto o poder local está enquistado, como se viu pelos muitos dinossauros nervosos presentes numa plateia com contornos assustadores de parque jurássico.

Hoje, com a crise que nos afecta e às voltas com dívidas que as autarquias se encarregaram de aprofundar, a única virtude nova do poder local é que, de cada vez que suporta uma refeição numa escola, é menos uma rotunda na cabeça dos autarcas.

Miguel Relvas não poderá ter descanso enquanto não tocar a reforma administrativa para a frente. De preferência, sem rotundas e cortando a direito onde for mais preciso. Sobretudo, resistindo a duas tentações, visto que um novo mapa administrativo deve ser feito pelo interesse nacional e para muitas gerações vindouras. São elas: a sindroma da disputa partidária, que pode envenenar irremediavelmente o alcance do projecto, e o complexo da interioridade, que pode deformar a própria reforma.

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Dois factos a registar

por João Carvalho, em 03.10.11

Um à esquerda e outro à direita, dois factos políticos em redor do PSD atraíram ontem a minha atenção. Passo a registá-los (e a comentá-los, pois claro) para que constem, pois hão-de vir ambos a ser chamados mais tarde, muito possivelmente.

 

1.º – O PS e os limites da reforma administrativa

Num espaço de representantes das autarquias socialistas, António José Seguro abordou a reforma administrativa, enrolou-se no tema e nas ideias e ainda conseguiu usar a frase "autarcas e presidentes de câmara", como se estes não fizessem parte daqueles.

Que achegas deu Seguro para a reforma administrativa, um dos pontos mais importantes e sensíveis da actualidade política? Zero achegas. No geral, quis apenas dizer que não contem com o PS para aprovar qualquer redução das autarquias do interior.

Ora, Seguro tem obrigação de saber mais umas coisas a este respeito. Por exemplo:

— a redução das autarquias é (ou devia ser) imprescindível há muito tempo, porque a realidade actual é completamente inadequada;

— a reforma administrativa do século XIX começou logo aí por ser uma desgraça, quando a proposta de Mouzinho da Silveira copiada do modelo francês foi chumbada pelo exagero da divisão autárquica já então óbvio, mas acabando a seguir por ser aprovado um critério muito semelhante e muito pouco contido face ao modelo de Mouzinho;

— qualquer novo mapa autárquico não se desenha a partir da localização interior ou costeira do território, mas fundamentalmente pelos dados populacionais reais numa determinada área e aquilo que os enforma;

— os contornos gerais da reforma administrativa que o actual governo tem apresentado dão conta de uma intenção medrosa, pouco ou nada profunda, muito aquém do que é necessário e, sobretudo, frustrante para as expectativas mais comuns.

É perante este quadro, que o PS não pode desconhecer, que o líder socialista vem a terreiro anunciar limitações desgarradas e populistas? Sobre um projecto que ainda vai na rama e que está por encarar de frente, Seguro só tem mais limites a anunciar? Ele lá saberá como fazer, mas devia ser escusado lembrar-lhe as suas próprias palavras: a política tem de ser séria.

 

2.ª – O CDS-PP e o buraco mais enjoativo de Jardim

A uma semana das eleições regionais, o líder do CDS-PP da Madeira contou com a presença do seu líder nacional e disse, para quem quis ouvi-lo e com as palavras todas, que parte das verbas tranferidas de Lisboa para a reconstrução da ilha após a catástrofe foi desviada para as vistosas iluminações de Natal e para o Carnaval (imagino incluído o desfile pseudo-brasileiro que costuma abrilhantar a tradição madeirense).

Esse desvio de verbas, que não foi desmentido, configura não só um escândalo enjoativo, mas um novo (tipo de) buraco nas contas que Alberto João Jardim anda há anos a decidir à sucapa. Pelos vistos, o homem não se limita a fazer letra morta das obrigações que tem, mas também descai para opções à revelia do mais elementar senso comum e do respeito que deve aos outros, ao país, aos que foram acudir à reconstrução da Madeira.

Bem pode ele ser reeleito com a esmagadora maioria que anda a pedir para dar uma sova nos políticos de Lisboa, bem pode ele continuar a perorar sobre legítima defesa e independência, bem pode ele inventar mais e novos disparates todos os dias para ocupar os palcos popularuchos levantados à sombra do défice democrático que controla há mais de três décadas. Nada disso servirá para alterar uma coisa: depois de tanto tempo a mostrar a obra feita, acabará por sair de cena um dia (já faltou mais) pela porta baixa.

 

Em breve se verá como estes dois apontamentos aqui focados regressarão à mesa da política.

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O PS tem agora a Madeira a nu

por João Carvalho, em 21.09.11

Seguro e Zorrinho, incansáveis, insistem à exaustão que Passos Coelho devia retirar a confiança política ao chefe do executivo madeirense. Pois bem: retirar a confiança política seria o quê? Seria dizer que retirava a confiança política ao líder do PSD-M e assobiar? Seria o líder do PSD-M continuar a ser líder do PSD-M e o candidato-líder do PSD-M continuar a ser o candidato-líder do PSD-M? Isto parece-me fracote para justificar a teimosia cansativa do PS.

Mais razoável me parece que o PS se tenha manifestado muito interessado em ver a situação financeira da Madeira a nu ainda em tempo útil para as eleições de 9 de Outubro. Isto não só o PS está a obter como até já obteve mais: em plena campanha eleitoral na região e com toda a oportunidade, com a situação financeira da região obrigada a mostrar-se num strip tease escandaloso, o Governo da República tratou já (e muito bem) de anunciar cortes nos benefícios fiscais e nas facilidades insulares que têm vigorado.

Neste quadro, não vale a pena o PS continuar a pedir que Passos Coelho retire a confiança política ao líder madeirense, coisa que não faz o mais pequeno sentido e só serve para perder tempo. Neste quadro, o que vale a pena é o PS aproveitar tudo o que agora lhe é favorável para ganhar as eleições na Madeira. É assim e mais nada.

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Paulo ministro, Paulo presidente

por Ana Vidal, em 30.07.11

 

 

É impressão minha ou o discurso de Paulo Portas no Funchal foi um plágio descarado daquele célebre sketch da Ivone Silva "Olívia patroa, Olívia costureira"?

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O debate e a cassete

por Ana Sofia Couto, em 21.05.11

Passos Coelho ganhou o debate de ontem. O lado surpreendente disto, eu não o explico com as virtudes que atribuo a um bom discurso político, virtudes como a argumentação coerente e a clareza. Passos Coelho, tendo sido eficaz na enumeração dos factos que os argumentos do adversário pretendiam negar, ganhou porque já todos sabíamos como Sócrates iria responder às acusações. Não houve nada de novo. Todos conhecemos de cor a narrativa que inclui a crise internacional, o mau momento para o chumbo do PEC, a falta de responsabilidade atribuída aos outros partidos e o comovente eu dei o meu melhor. Por outro lado, não deixa de ser estranho que, neste e noutros debates, o líder do PSD mostrasse alguma dificuldade em defender certos pontos do seu programa. Fica a sensação de que Passos Coelho está desconfortável quando lhe é exigido que entre na discussão ideológica. É pena.

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O povo, pá, não vai ao Facebook

por Ana Sofia Couto, em 20.04.11

De acordo com o mesmo estudo, os portugueses também não estão impressionados com a actuação do Presidente da República, Cavaco Silva. 85,9% defende que o chefe de estado devia ter sido «mais activo ao longo da crise» e 44,1% diz mesmo que este tem «muita responsabilidade na situação» que o país vive. (ler o resto aqui)

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Perguntas que merecem mesmo resposta

por Ana Sofia Couto, em 19.04.11

"Os portugueses que votaram nestes partidos não gostariam que eles se batessem, em todos os momentos e lugares, junto de todas as instituições, incluindo os organismos que vão comandar esta intervenção, pelas suas soluções?", pergunta o Daniel Oliveira ("Bloco e PCP ausentes e algumas perguntas que merecem resposta").

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Ingénuos & Devoristas

por Laura Ramos, em 17.04.11

 

Escandalizam-se com Fernando Nobre.

E com este, não?!

 

Co-fundador do CDS (secretário-geral e vice-presidente da Comissão Política Nacional e presidente da Mesa do Congresso).

Deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República

Ministro do Comércio e Turismo nos II e VI Governos

Ministro de Estado no VII Governo

Ministro da Agricultura, Comércio e Pescas no VIII Governo

Vice-presidente da Assembleia da República

Conselheiro de Estado

Candidato à Presidência da República

Representante permanente de Portugal na OCDE.

Presidente do Conselho de Administração da AICEP

 

Agora, 400 milhões de saldo negativo de investimento estrangeiro depois...

é cabeça de lista pelo PS em Leiria.

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Eficácia e ineficácia

por João Carvalho, em 16.04.11

«Depois do congresso de Matosinhos, Manuel Carrilho disse, e repetiu por escrito, que o primeiro-ministro era um "candidato eficaz", mas, desgraçadamente, um "governante medíocre". Há aqui um equívoco. Se Sócrates não fosse um candidato eficaz, nunca seria um governante, medíocre ou esplêndido. A primeira obrigação dele é ganhar e Sócrates conseguiu até agora ganhar.» É assim que começa a crónica mais recente de Vasco Pulido Valente, «O triunfo da asneira". Asneira do respeitável cronista, desde logo. Equívoco?

Estou-me nas tintas para o que Carrilho passou a dizer depois de Sócrates lhe ter tirado o bem-bom e fazê-lo regressar à base. Acho que Carrilho, se tem alguma coisa a dizer de Sócrates, deve começar por dizer-lho na cara. O que me espanta é Pulido Valente ser capaz de concluir que um candidato ineficaz não pode dar um governante. A realidade desmonta este raciocínio 'abstrôncio'. Sócrates já provou que é um candidato ineficaz, ao perder a maioria absoluta que já teve e que tanto quis conservar. Mesmo assim, continuou governante. Primeiro, foi medíocre. Depois de provada a ineficácia, foi ainda menos.

Um candidato fraco chega a governante quando os candidatos adversários são ainda mais fracos. Manuela Ferreira Leite, por exemplo, era uma candidata pouco ou nada eficaz e, no entanto, se não tivesse dado ouvidos a Pacheco Pereira e outros "conselheiros" que a ajudaram a dividir o PSD com eleições legislativas à vista, teria derrotado José Sócrates sem grande esforço. Pulido Valente já soube isto, mas deve andar distraído com a Líbia de Kadhafi e os fantasmas do islamismo.

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A ler

por Ana Sofia Couto, em 15.04.11

"Vergonha é não ter vergonha", de Pedro Santos Guerreiro (que eu li no "The Cat Scats").

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De profundis

por Laura Ramos, em 06.04.11

«Será possível ter eleições em silêncio? Sem políticos?»

(lido no facebook)

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Inspirações

por Laura Ramos, em 24.03.11

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O Presidente do Conselho vai a votos

por Laura Ramos, em 16.03.11

 

É a desgraça nacional.

O Presidente Sócrates, ciente de que continua em forma e imbatível na arte do conto do vigário, deu um murro na mesa e desafiou os pachorrentos olhares da sua corte muda:

- Ai querem medir forças? Pois não me tiram daqui!

 

Silva Pereira serviu a segunda rodada de 'absolut-libre', a bebida oficial do Conselho.

 

E pronto, lá vai ele a votos... enganar novamente essa apetecível aldeia de velhinhos mentais (dos 18 aos 88), com quem conta, fiado, para ser devolvido em ombros ao pódio do poder.

Incautos e taralhoucos, estarão eles prontos a entregar a pensão a troco de uma história qualquer, mirabolante? - diz o contraditório.

Pois, porque não?

Vai resultar, mais uma vez...

Não há duas sem três.

 

Em baixo, na Assembleia, por entre o silêncio estupefacto do anfiteatro subitamente ameaçado de desemprego, há um pequeno nicho de actores que se agita, vibrante de contentamento: são os berloques de esquerda, que acabaram de assegurar o aumento da sua esperança de vida.

 

No final da sessão, entram na casa-de-cima pelas traseiras e juntam-se para a terceira rodada de 'absolut-libre' com os conselheiros.

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