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Não digam nada ao Daniel Oliveira

por Rui Rocha, em 30.04.16

Mas conheço uma pessoa que vai chamar a Uber para ir às promoções do 1º de Maio do Pingo Doce.

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Fixe, fixe.

por Luís M. Jorge, em 03.05.12

Era um descontozinho em copos Riedel Sommelier. A estúpida da empregada já me partiu três, e a contragosto lhe cortei os subsídios de férias e de Natal para não viver acima das possibilidades. Agora diz que o dinheiro "não chega". Não chega? Todos temos de fazer sacrifícios. Vai ao Pingo Doce, filha. Zombie já tu és.

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Sortido rico do Pingo Doce

por Rui Rocha, em 03.05.12

Diz que foi uma Mixórdia:

 

 
Mas que, em geral, o povo ficou feliz:
  
 
Houve muitos comentadores que se indignaram, mas nem todos o fizeram com despeito:
 
 
E outros lembraram, com alguma pertinência, que na Coreia do Norte o 1º de Maio não se celebra no Pingo Doce:
 

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Comentário do dia.

por Luís M. Jorge, em 03.05.12

"(...) o oportunismo da esquerda, que para se pôr em bicos de pés, massacra um homem que se sabe e quer ser útil à sociedade, não tem resposta racional que a atinja. Mas ontem, o que a esquerda disse, entre bandeiras e de cima de palanques, apagou-se pelo eco de um gesto largo de quem reclama o reconhecimento da obra de um homem que quer bem aos portugueses!"

 

JgMenos nas catacumbas do meu post sobre o Pingo Doce. Há muito servo da gleba contentinho em Portugal.

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Pois...

Era eu miúda quando a Loja das Meias abria os seus lendários saldos de final de Agosto e o Rossio semi paralisava com as filas.

E a 'casa' ficou afectada para sempre...
O Saks faz promoções surpresa em NY, os passeios da zona da 5ª avenida bloqueiam com as fileiras de gente.
E a 'meca' das desperate housewifes da big apple decai, descrédito em descrédito...

A Ralph Lauren, na aristocrática Philadelphia (esta em especial, só porque eu vi) faz rebaixas anunciadas de véspera, a coluna humana caracoleia por Bellevue fora.

E a RL nunca mais foi a mesma...
Agora (mais difícil ainda!) repliquemos o exercício acrobático com produtos alimentares: o efeito será forçosamente mais gravoso, certo? Elementar, meus caros Watson!
Enfim, gente, acordem para o mundo real!
Deixem o capitalismo e o consumismo estrebuchar em assomos de esplendor, sobretudo se perseguir coisas descartáveis e sumptuárias como mantimentos e víveres.

- Quem sabe se os iogurtes não serão Chanel e as cebolas Diorissimo?
Então?

Deviam estar satisfeitos e a tratar das exéquias.

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O Pingo Doce no Parque Eduardo VII

por José Gomes André, em 03.05.12

No 1º de Maio a Feira do Livro estava cheia de gente que se acotovelava nos corredores, procurando beneficar de promoções elevadas, várias vezes superiores a 50%, em stands onde trabalhavam diversas pessoas durante longas horas. 1º de Maio, pessoas a trabalhar, caos generalizado, promoções vistosas, aparente "dumping" das editoras. Nem uma palavra - uma - nas redes sociais, nos jornais, nos media, nos blogs. Porquê? 

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O texto do Arrastão a que o José Gomes André fez referência deixou-me preocupado, a pensar no post que publiquei à hora de almoço (sobre como adquiri vinte e três livros numa única semana de Feira do Livro). Poderia o meu comportamento configurar um caso de consumismo excessivo em época de baixa de preços? Creio que só pode, não é? Coro de vergonha, acreditem. Mas resta-me uma esperança: que, de alguma forma, as pessoas que compram demasiados livros com desconto escapem à classificação de «zombies estúpidos»; que «zombies estúpidos» sejam apenas as que aproveitam promoções para comprar comida e fraldas para os filhos.

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Wal Marx

por Rui Rocha, em 02.05.12

Uma alternativa de esquerda à grande (re)distribuição protagonizada pelo Pingo Doce. Zombie não entra:

 

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Outra coisa.

por Luís M. Jorge, em 02.05.12

Vale a pena perguntar se o Pingo Doce ganhou algo com os descontos de 1 de Maio. A resposta não é simples. Em geral os cortes nos preços dos produtos alteram a percepção do seu valor pelos consumidores, o que prejudica as respectivas marcas a longo prazo. Mas neste caso o corte foi universal, e é de supor que essa desvalorização psicológica não se verifique.

Por outro lado, os cortes costumam servir objectivos tácticos muito concretos: conduzir à experimentação (o que neste caso não se aplica), criar fidelidade (mas tinha de ser uma acção mais prolongada, como está a fazer a Cervejaria Portugália actualmente), dinamizar um novo canal (por exemplo a internet), gerar rotação de stocks (o que vale para produtos sazonais ou de duração limitada), ganhar quota de mercado (com efeito muito discutível) ou provocar uma alta notoriedade em marcas que estão um pouco apagadas, o que neste caso também não era verdade.

Restam portanto os objectivos políticos. Dizer que a Jerónimo Martins afrontou os sindicatos não chega, porque há muito que o poder das centrais sindicais não era um problema para a empresa. Já combater as criticas recentes da esquerda a Soares dos Santos, demonstrando que a empresa tem “o povo do seu lado”, parece-me um motivo mais verosímil.

Mas isto revela alguma irracionalidade da gestão, que talvez esteja disposta a sacrificar margens para ganhar uma conversa de café.

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A Esquerda-caviar

por José Gomes André, em 02.05.12

"[...]a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria. Estão todos bem uns para os outros: [...]; também os zombies estão de parabéns: os milhares (milhões?) de clientes que hoje gastaram dinheiro em mercadorias a granel - é para isso que estes estímulos ao consumo desenfreado servem - não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na ignorância dos estúpidos. [...] E o "povo", essa entidade que, quando quer, sabe comportar-se como uma horda de zombies, esteve literalmente a borrifar-se para a crise e para os direitos dos trabalhadores." [Sérgio Lavos, no Arrastão - óbvio].

 

A esquerda-caviar no seu melhor: o "povo", por quem tanto se preocupa, é afinal uma horda de zombies estúpidos, que vive na ignorância e é manipulada pelo grande capital. Precisa de quem os ilumine, como dizia Rousseau, o pobre do "povo". Gosto quando estala o verniz desta elite gourmet, tão alarmada com os "direitos do povo" quanto alimentada pelo seu sentimento de superioridade moral e intelectual.

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Cenas da luta de classes nos subúrbios

por José Navarro de Andrade, em 02.05.12
Frans Floris, "Banquete dos deuses", 1550

 

O que se passou ontem no Pingo Doce, não a corrida aos supermercados mas o êxtase ideológico que dela decorreu, é mais um episódio do infindável conflito entre platónicos e pragmáticos.

Os platónicos têm a verdade no bolso, sabem perfeitamente quais são os princípios ideais por que se deve reger a boa sociedade e não perdem ocasião para derramá-los sobre qualquer acontecimento que se lhes depare. Os platónicos são moralistas porque tudo para eles é uma questão moral, consequência primeira de quem tem dificuldades em encaixar a realidade nos preclaros princípios. Se estes são incontestavelmente certos e justos, logo aquela, se lhes resiste, está errada ou é má. Os platónicos são, assim, judicativos a outrance, sempre de dedo apontado aos modos e às acções dos outros – os alienados.

No tempo de Marx não havia classe média. Havia pequena-burguesia que era uma categoria social diferente. Os caixeiros e escriturários não constituíam uma chusma significativa para ganhar estatuto de classe. A classe média é uma criação da esquerda, das sociais-democracias europeias e americana, pelo que higienicamente tende a abjurar o conservadorismo. Com bastante pertinência, sobretudo em Portugal onde a classe média é débil e muito recente, ela associa os valores conservadores: 1) ao snobismo dos pretensos fidalgos que mal disfarçam a bastardia do seu arbusto genealógico, mas ainda assim pavoneiam e reivindicam uma pretensa superioridade social; 2) aos suaves modos da elusiva alta burguesia financeira, que desde o sr. Burnay verdadeiramente manipula a economia portuguesa desde o seu refúgio de Cascais; 3) ou à marialva bruteza dos remanescentes latinfundários, que embora nunca tenham lido “O Delfim” já intuíram o fim do tempo em que vinham a Lisboa passar os dias que demoravam a gastar 40 contos em coristas.

Daqui resulta que a classe média vive em permanente crise de identidade marxista, de modo que para aliviar a sua má consciência fez do platonismo de esquerda a sua ideologia. Com indisfarçável desdém aponta baterias ao Cavaco de Boliqueime, ao Passos de Massamá e, sem complexos, ao Jerónimo de Pirescoxe, substituto do grandioso dr. Cunhal. Sobre estes prefere sobremaneira a esquerda gentrificada dos drs. Soares e Louçã.

Como não podia deixar de ser, a classe média platonicamente moralista horrorizou-se com as hordas suburbanas que ontem pilharam os Pingo Doce por 50% do preço de rótulo, vendo nela o fim do mundo saciado, nivelado e elegante com que sonha. Fizeram-se filmes no pressuposto de que as imagens falam por si obliterando a máxima de Godard segundo a qual “un travelling est une affaire de morale” – tudo está no modo como se vê, não no que é visto.

Zombies, alienados, indignos, terceiro-mundistas, consumistas, coitadinhos a tirar a barriga de misérias, a barbárie, eram os outros, ou o Grande Outro, para usar a tranquilizadora terminologia lacaniana, que se agitava nos corredores do Pingo Doce, sem ao menos evocar os uivos de Ginsberg. E claro, para que tudo bata certo, tratou-se de uma provocação. O que não se quis ver foi uma coisa simples e demasiado chã: uma oportunidade. O povo (o que quer que esta designação signifique), sempre pragmático nas suas escolhas, viu essa oportunidade. O moralista chama-lhe oportunismo, mas isso é porque os seus princípios o cegam.

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Pingo Doce, amargos complexos

por Ana Vidal, em 02.05.12

Subscrevo em geral esta opinião do José Gomes André, salientando que "o timing das promoções foi oportunista e provocador". Claro que foi. Um braço-de-ferro que a Jerónimo Martins ganhou aos sindicatos, em toda a linha. Podia ter feito esta promoção em qualquer outro feriado ou Domingo (desde que no final do mês, para garantir algum poder de compra), mas a escolha do 1º de Maio foi intencional e pouco limpa. Mas... what else is new, no mundo dos negócios? Assistimos a um combate de tubarões pelo controle das massas, e o povo, aparentemente, escolheu qual quer que seja his master's voice. Vejo muita indignação com a forma como as pessoas "foram tratadas" e nada sobre a forma como as pessoas "se comportaram". Ao contrário do que se diz por aí, não foram os famintos quem correu para as lojas do Pingo Doce. Foram aqueles que ainda podem dispor de mais de cem euros, de uma só vez, para gastar em compras de supermercado. E esse comportamento é recorrente nos consumidores de todos os países em que estas campanhas acontecem. Mas nós, portugueses, com a nossa habitual mania da auto-flagelação, achamos que somos os únicos a ser manipulados por sinistras forças que nos "obrigam" a reacções terceiro-mundistas, esquecendo que no terceiro mundo não há sequer pingos doces, só amargos.

 

Lembro-me de uma reportagem sobre uma campanha do género num centro comercial australiano, cuja data foi programada para o Natal. Houve gente de todo o país que viajou dias antes - e que por isso perdeu o Natal em família - e se instalou num hotel em frente do tal centro comercial só para estar "a postos" para apanhar a hora de abertura. O espectáculo do abrir de portas era impressionante, uma multidão que parecia correr para salvar a vida entre filas de polícias armados. O que pouparam nos saldos não deve ter chegado para cobrir os gastos de viagem e hotel. Outro caso falado ocorreu, creio que na Polónia, na abertura de um hipermercado que foi literalmente destruído em pouco tempo por uma multidão enfurecida, cega pelos preços mais baixos. E há muitos outros casos relatados, inclusivamente nos países ricos como a Alemanha ou a Inglaterra. O fenómeno não é novo e está estudado à exaustão, por isso é bem aproveitado pela sociedade de consumo que construímos. O terceiro mundo, esse sim, passa fome e não tem nem ideia do que são fraldas descartáveis, a não ser que lhe sejam dadas por uma qualquer ONG.

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Ainda as promoções

por Ana Margarida Craveiro, em 02.05.12

 

Insensibilidade, oportunismo, ganância, etc., etc. Tudo coisas que li a respeito das promoções de ontem. Curiosamente, nunca li nada igual sobre as Black Friday, e os frenéticos "refresh" de página para comprar iPods e quejandos. Ou sobre saldos em qualquer outra loja. Como dizia o Caco Antibes, "eu tenho horror a pobre!". E é esta a insensibilidade, só, de quem compra iPads, livros e roupas com desconto, mas olha de lado para quem agradece um desconto na carne, peixe e fraldas.

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As promoções do Pingo Doce

por José Gomes André, em 02.05.12

O timing das promoções foi oportunista e provocador (o que se esperava depois da guerra nos últimos dias entre supermercados e sindicatos). Mas tirando isto, o que justificou tanta algazarra nos media, tanta indignação (São José Almeida falou mesmo em "atentados à dignidade humana"), tantas "manifestações de pesar"? O Pingo Doce ganhou (pelas vendas e pela publicidade). As pessoas ganharam, poupando dezenas de euros. O Estado ganhou milhares de euros em impostos. Os trabalhadores ganharam um dia de salário a triplicar, o direito a gozar uma folga e desconto de 50% em compras. Caramba, até os jornalistas ganharam tema de reportagem num dia soporífero.

 

O resto é folclore. Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas. Folclore da Esquerda-caviar, que manda umas bocas ao Pingo Doce e aos coitadinhos manipulados pelo grande capital, porque lhe sobra dinheiro para comprar o que bem entende, ao preço que calhar, no Corte Inglés e nas lojas gourmet. E folclore da Esquerda-socialista, que suplica por políticas de crescimento e desenvolvimento, mas quando vê iniciativas bem-sucedidas com origem em empresas privadas, a que as pessoas aderem por sua livre escolha (e interesse), entra de imediato em pânico, face à necessidade de repensar os seus estereótipos intelectuais.

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Não me parece que o Pingo Doce tenha conseguido uma vitória estrondosa sobre os sindicatos. É certo que as lojas da Jerónimo Martins estiveram a abarrotar. Mas, para isso, o Pingo Doce teve que dar promoções de 50% aos clientes. Os sindicatos, por seu lado, já promoveram manifestações com centenas de milhares de trabalhadores. E todos sabemos que não dão nada a ninguém.

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1º de Maio no mundo

por Leonor Barros, em 01.05.12
Atenas
Istambul
Madrid
Moscovo
Há que primar pela diferença.

Proponho que doravante o 1º de Maio passe a ser chamado dia de S. Pingo Doce.

 

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