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O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

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Que confiança merece um político destes?

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.08.15

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"Não misturamos justiça com política. Uma coisa é a legitimidade institucional do primeiro-ministro ou a confiança institucional que nele se pode ter e essa continua a ser total. Outra coisa é a fiabilidade política ou o valor da confiança política"

"Os partidos não são associações criminosas nem associações mafiosas. Os partidos não podem ser responsabilizados por actos que são praticados por agentes individualmente"

"Na minha análise – e estou convencido que é também a do PSD – não existe nenhuma diminuição do primeiro-ministro. Pelo contrário, sob o nosso ponto de vista, ele merece a nossa confiança institucional"

Pode não parecer, mas o mesmo político que em 2009, quando os socialistas estavam no poder, dizia o que acima se transcreveu, caucionando a actuação de José Sócrates no caso "Freeport", é exactamente o mesmo que agora veio perguntar se "alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?

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Ele quer ainda mais selfies?

por Luís Menezes Leitão, em 21.05.14

 

Paulo Rangel exige que Seguro e Assis se retratem. Mas, pelo que tenho visto, eles não têm feito outra coisa.

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Monos

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.05.14

Paulo Rangel, cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS-PP às eleições europeias, sendo um homem bem formado, sério, culto e inteligente, na hora das pré-campanhas e campanhas eleitorais perde facilmente o estribo. Quando abre a boca em campanha revela a sua face desconhecida e tudo serve para ganhar votos. Numa das suas tiradas de antologia, em Almada, há pouco mais de um mês, em 10 de Abril pp., disse impante que a lista de candidatos do PS era formada pelos "rostos do despesismo" de Guterres e Sócrates. Acrescentou que as políticas dos antecessores do excelso e impoluto Passos Coelho tinham conduzido o País à bancarrota, mas injustamente não incluiu nesse número aquela espécie de executivo, inspiradora de séries do tipo "morangos com açucar", da dupla maravilha Barroso/Santana Lopes. Rangel lamentou-se que tivesse recaído sobre o seu partido e o parceiro de coligação o ónus de rectificarem esse despesismo. Eu também lamento. O problema é que Rangel e os seus pares quando dizem estas coisas riem muito, em especial os meninos das jotas. Riem e batem palmas com o ar mais ignorante e glutão que se adeqúe ao momento.

Pois bem, esta manhã, ao ler o Público deparo com uma desenvolvida notícia, de página inteira (a 18), pela qual eu e os portugueses ficámos agora a saber que o comboio entre o Porto e Vigo transporta 26 passageiros por dia, e que em nove meses acumula prejuízos de 1,2 milhões de euros. Em Agosto de 2013, mês de maior procura, teve uma média de 57 passageiros. A taxa de ocupação de cada automotora é de 12%, sim, leram bem, doze por cento, e o serviço - de acumulação de prejuízos, creio - foi criado por decisão conjunta dos governos do Sr. Coelho e do Sr. Rajoy. Gente séria, portanto, que procedeu à sua inauguração em Julho de 2013. Um marco da retoma em pleno consulado da troika

O presidente da CP, numa manifestação extrema de solidariedade para com quem deu tudo o que tinha, e o que não tinha, ao governo do Sr. Coelho, diz que a criação do serviço se deveu a um "impulso" do ex-ministro da Economia do Governo PSD/CDS-PP.

Enfim, para quem, como aquele rapazola que queria responsabilizar criminalmente os responsáveis dos anteriores governos, esta será uma boa oportunidade para começar a pedir já responsabilidades. A começar pelo Sr. Coelho dos discursos em Quarteira, no "calçadão".

Em primeiro lugar, no lugar dele, eu começaria por pedir os estudos económicos e de mercado que suportaram a decisão. Sim de mercado, porque nestas coisas, tal como na Saúde e na Educação, o mercado é que deve mandar. Depois, aproveitaria a embalagem para lhe perguntar como é que numa altura de tantos cortes em serviços essenciais, depois de aumentar impostos, diminuir funcionários públicos, alargar horários de trabalho e de acusar os antecessores de despesismo e irrealismo, o Sr. Coelho se dá ao luxo de derreter tantos milhões num serviço ferroviário que transporta 26 passageiros por dia! Melhor só me lembro mesmo daquela coisa que o bom do Isaltino fez em Oeiras e que chega a circular sem nenhum passageiro. Ou dos resultados de empresas por onde alguns andaram aos 40 anos a fazer o estágio para "estadistas".

Não sei a quem é que Paulo Rangel e os meninos da JSD irão imputar os custos deste serviço da linha Porto-Vigo, que pelos vistos agora ninguém tem coragem (ou melhor, tomates, num vernáculo que os leitores me perdoarão mas todos entendem) de encerrar já.

O descalabro que a linha Porto-Vigo evidencia é que, uma vez mais, o problema não é só político. É um problema de gestão, é certo, mas mais de decência. Ou de falta dela, por parte de quem, desde os tempos do cavaquismo, inaugurou este ciclo que teima em persistir. A qualidade de quem decide, de quem acusa e de quem gere, vem ao de cima nestes momentos. Qualquer que seja o partido em questão.

Não sei se Rangel será agora capaz, como uma pessoa decente faria, de criticar com a mesma veemência esta situação e de acusar o seu primeiro-ministro de despesismo e de irresponsabilidade. Ou se Nuno Melo proporá uma comissão parlamentar de inquérito, daquelas que a actual maioria estimula sob o impulso da JSD para deslustrarem a actividade parlamentar e desqualificarem os seus próprios deputados. 

Os custos deste descalabro da linha Porto-Vigo são ainda mais graves porque desencadeados numa altura de imposição de profundos sacrifícios e de cortes em áreas sensíveis. Conjugados com um aumento brutal de impostos e uma política de cortes destinada a alimentar lobbies e camarilhas produzidas pelas desregulação dos mercados, devem ser imputados, e já, a quem ainda está na cadeira do poder e já se conhecem os resultados.

A responsabilização, tal como a justiça, deve ser rigorosa e feita em tempo útil. Imputar os louros por mais este feito aos mesmos de sempre parecer-me-ia excessivo. Está na hora de começar a medalhar quem em tão pouco tempo e perante condições tão adversas já produz rebentos desta dimensão. Bastaram nove meses para se ver a excelência da gestão, da preparação e, já agora, do "impulso". Agora imaginem o que seria se não estivéssemos sob a tutela da troika. Falar não custa, pois não, Dr. Rangel?

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Happy feet vs Chicken Little

por Rui Rocha, em 08.03.14

Posso, claro, estar a deixar-me influenciar pelo imaginário da filmografia infantil na sequência do episódio 101 Dálmatas. Mas lá que não me sai da cabeça que o próximo embate eleitoral nos traz uma disputa, no bloco central, entre o Mumble

 e o Chicken Little

lá isso não posso negar.

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Vale tudo

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.03.14

Mas isto é sério? E se o Francisco Assis lhe respondesse na mesma moeda, "twitando"? É assim que se deve tratar a política? É assim que se debatem ideias e se apresentam projectos?

Espero que o gajo não esteja a pirar com o convívio e que tudo não tenha passado de um mau momento. Para vender na feira da ladra também é preciso aprender primeiro algumas coisas antes de se estender o pano. Nem todos os eleitores são mentecaptos.

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A agência nacional para a emigração

por Luís Menezes Leitão, em 21.12.11

 

Esta história do convite à emigração fez surgir uma competição entre os políticos para ver qual deles diz mais disparates. Mas neste momento quem ganha o prémio é seguramente Paulo Rangel com a sua proposta de criação de uma agência nacional para a emigração. Neste país infelizmente tudo serve de pretexto para criar novas instituições absolutamente inúteis, que só servem para aumentar a despesa pública. Há dificuldades de controlo das finanças públicas? Cria-se um Conselho para as Finanças Públicas. Celebrou-se um memorando com a troika? É obviamente necessário criar uma estrutura para acompanhamento do memorando. O Primeiro-Ministro apelou à emigração? Óptimo pretexto para se criar desde já uma agência para facilitar a emigração.

 

Estou mesmo a imaginar como irá funcionar esta agência. Paulo Rangel, com a sua experiência de emigrante no Parlamento Europeu, é a pessoa ideal para assumir as funções de Presidente. Depois é necessário arranjar instalações condignas no centro de Lisboa. A seguir será preciso contratar cem funcionários em ordem a que a agência possa atender a todos os pedidos dos que querem emigrar. Como essa estimativa deve provavelmente ser insuficiente, o número deverá ser rapidamente elevado para mil, com delegações em todo o território, pois a emigração pode fazer-se por qualquer fronteira. Se se verificar que os portugueses emigram sem darem cavaco à agência, é necessário contratar uma agência de publicidade para a tornar conhecida. Há vários slogans que essa agência de publicidade poderá criar, tais como: "Antes de deixar a nossa nação, visite a agência para a emigração" ou "não dê o salto para Argel sem falar com o Rangel".

 

Com este potencial de crescimento, a agência será mais um sorvedouro de dinheiros públicos, só contribuindo para aumentar o défice e provavelmente os portugueses continuarão a emigrar sem lhe ligar nenhuma. Mas ninguém depois se atreverá a extingui-la. Afinal de contas foram criados mil postos de trabalho na função pública que não se podem extinguir. E a agência até é capaz de fazer um balanço muito positivo, referindo o enorme sucesso que constituiu a sua criação: afinal houve mil portugueses que deixaram de emigrar. 

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Passos Coelho: prós e contras

por Pedro Correia, em 08.04.10

 

Paulo Marcelo, n' O Cachimbo de Magritte, já tinha reconhecido mérito ao novo líder do PSD: "Passos Coelho deu sinais positivos, no discurso de vitória, ao convidar os seus adversários para os órgãos nacionais do partido." Manuel Pinheiro também: "A manutenção de António Capucho no Conselho de Estado foi um bom sinal. Cá estaremos para acompanhar o resto." Mas alguns colegas de blogue nem perante a vitória esmagadora do sucessor de Manuela Ferreira Leite reconheceram as evidências. Fernando Martins, por exemplo, não tardou a escrever "líder" entre aspas, equiparando a nova etapa na vida dos sociais-democratas a uma "borrasca". Pedro Picoito, ainda antes de o novo presidente laranja entrar em funções, apressa-se a denunciar a "inércia de Passos Coelho quanto ao património de liberdade, ao debate democrático e à livre expressão". E esclarece, como se alguém tivesse dúvidas: "Não olhem para mim. Votei Rangel."

Tendo votado em Paulo Rangel, tal como alguns dos seus colegas de blogue, questiono-me se Pedro Picoito se congratula com a decisão, já assumida por Rangel, de aceitar encabeçar a lista ao Conselho Nacional do PSD patrocinada por Passos Coelho, que convidou outro dos derrotados, Aguiar-Branco, para presidir à comissão que vai rever o programa do partido. Confirmam-se as boas expectativas de Paulo Marcelo e Manuel Pinheiro: Passos quer congregar os militantes, começando pelos que estiveram contra ele - precisamente ao contrário do que Manuela Ferreira Leite fez, com os resultados que bem sabemos. Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e soft, de virar as setas do partido para baixo. Já Maria João Marques, livre dos constrangimentos de ser deputada, escreve sem papas na língua n' O Insurgente: "Não há como negar: o passismo é uma coisa funesta." Nem outra coisa seria de esperar de quem considera que "o aparelhismo e o caciquismo foram fundamentais para a vitória" de Passos Coelho, com 61% dos votos.

A boa notícia para José Sócrates é que a oposição interna a Passos Coelho começa já a marcar terreno em certos blogues - ainda antes de o novo líder entrar formalmente em funções. A má notícia, para o PS e para esta oposição interna, é que Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco recusam patrocinar facções, optando por colaborar com Passos Coelho. Puro bom senso, à luz dos interesses imediatos do PSD: o contrário seria retomar a marcha lenta mas cada vez mais alucinante do partido para o suicídio.

A liderança de Passos arrisca-se a ser um mero intervalo de curta ou longa duração nesta marcha. Mas, de momento, não existe alternativa, como Rangel e Aguiar-Branco bem perceberam. Mais tarde se verá quem tem razão: eles ou os bloguistas que já andam aí de espada desembainhada em nome de uma direita que nunca se confundiu nem jamais se confundirá com o PSD.

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O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

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O PSD a votos (21)

por Pedro Correia, em 23.03.10

 

Ao fim dos primeiros dois minutos, já Pedro Passos Coelho tinha ganho o debate desta noite na RTP. O seu principal rival, Paulo Rangel, entrou em antena sob fogo cerrado de José Pedro Aguiar-Branco: aqueles que ainda sonhavam com a fusão destas duas candidaturas perderam definitivamente as ilusões. A poucos dias das directas.

Aguiar-Branco e Rangel começaram por tratar-se por tu, mas à medida que a conversa ia azedando passaram a uma fórmula mais distante e cerimoniosa. Está visto que o primeiro não perdoa ao segundo - que foi seu secretário de Estado no Governo de Santana Lopes - ter avançado para uma candidatura à liderança sem lhe dar conhecimento prévio.

Por este ou outro motivo, Rangel parece sempre nervoso quando partilha o ecrã com Aguiar-Branco. Desta vez foi confrontado com supostas declarações suas em que punha em causa a validade das assinaturas dos apoiantes do líder parlamentar. "Trouxe-lhe o duplicado das assinaturas", atirou-lhe Aguiar-Branco, mais ríspido que nunca. Rangel acabou por reagir da pior maneira, acusando o toque: "Há candidatos a sério e outros que só fazem números mediáticos." Saiu-lhe mal o tiro, dando de si próprio uma imagem de arrogância.

Perante isto, Passos Coelho limitou-se a gerir a vantagem que já trazia de debates anteriores. Este, bem menos interessante do que qualquer dos frente-a-frente travados na SIC Notícias, juntou também Castanheira Barros, um outsider bem disposto que ninguém percebe por que motivo entra neste filme - talvez nem ele próprio. "Sou o único candidato capaz de disciplinar o PSD", garantiu. Sem se rir.

 

 

Passos foi o mais claro no discurso sobre o PEC: a seu ver, o maior partido da oposição deve chumbá-lo. Rangel foi atrás desta posição, o que proporcionou uma oportunidade a Aguiar-Branco para lhe dirigir nova farpa: "Isso é uma crítica à presidente do partido. O grupo parlamentar age em sintonia com a direcção do partido e a presidente do partido. Eu mantenho um registo de lealdade em qualquer situação." Ele, enquanto líder parlamentar, advoga uma "atitude responsável", na linha do que o Presidente da República e a líder laranja preconizam: o eventual chumbo do PEC pode precipitar uma crise política. Na questão do procurador-geral da República, repetiu-se a dose: Passos quer ver outro magistrado no lugar de Pinto Monteiro, enquanto os seus antagonistas advogam maior prudência. Aguiar-Branco fez mesmo um apelo ao "sentido de Estado".

Este debate teve pelo menos o mérito de tornar ainda mais evidentes as linhas de clivagem na corrida à liderança: Aguiar-Branco está totalmente comprometido com a direcção cessante de Manuela Ferreira Leite, da qual é vice-presidente. Passos Coelho, que Ferreira Leite excluiu das listas eleitorais, personifica a mudança: é o que surge mais à vontade precisamente por vir de fora. Rangel oscila entre as duas águas, sem se perceber verdadeiramente em quais navega.

Mudar ou não mudar? Eis a questão. Caído o pano sobre os debates televisivos, os eleitores do PSD já saberão certamente em quem votar.

 

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Gato escondido com rabo de fora...

por Paulo Gorjão, em 21.03.10

E que grande gato...

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Um mito

por Paulo Gorjão, em 19.03.10

Cada dia que passa contribui para desmascarar o mito que se criou à volta de Paulo Rangel. Um dia é o trabalho de casa que ficou por fazer que se torna óbvio. Noutro são as inconsistências do seu discurso. Rangel até discursa bem, mas o dom da oratória e a retórica não lhe permitem encobrir a mais do que evidente falta de preparação, bem como a ausência de propostas e de soluções. Sempre que é confrontado, sempre que enfrenta contraditório, a falta de substância de Rangel vem imediatamente ao de cima.

Não estou com isto a dizer que Rangel não tem qualidades, que isto fique bem claro. Muito simplesmente, este não é o seu momento. A falta de preparação é notória e o improviso é a regra. Inevitavelmente, as incoerências e as insuficiências acabam por se notar.

Como notou Abraham Lincoln, you may fool all of the people some of the time; you can even fool some of the people all the time; but you can't fool all of the people all of the time. Caso fosse necessário, Rangel confirma-o.

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Expliquem-me, muito devagarinho...

por Paulo Gorjão, em 16.03.10

Se as obras são "megalómanas" e "ninguém [as] compreende", então por que motivo Paulo Rangel pede apenas a sua suspensão ou adiamento em vez de propor o seu fim? Alguém consegue perceber? Qual é a lógica de suspender apenas algo que é megalómano e incompreensível?

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Um caso atípico de bipolarização

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 12.03.10

Tenho alguns amigos - estive a fazer as contas e acho que tenho mais amigos de esquerda do que de direita - que são, desde o princípio, admiradores de José Sócrates. Já tive com alguns deles algumas discussões homéricas sobre o assunto, pela razão simples de que não consigo descortinar - depois de uns primeiros tempos de hesitação - onde está a valia do homem enquanto primeiro-ministro.

Nos últimos tempos, recorro com frequência ao teste empírico de ir fazendo, a quem encontro (apoiantes de Sócrates e não apoiantes de Sócrates), a tradicional pergunta: «Compraria um carro em segunda-mão a José Sócrates?». As respostas variam. Há quem diga que nem que o carro fosse novo; há quem diga que, bem, em segunda-mão e sem garantia, nem pensar; há quem estrebuche um bocadinho (os meus amigos apoiantes de Sócrates desde a primeira hora) e evite a resposta clara. Na minha sondagem empírica, vou, pois, percebendo que, tirando os boys que gravitam à volta do governo e dos entes públicos, já ninguém dá muito pelo homem. E no entanto, segundo uma sondagem de hoje do JN, se houvesse eleições neste momento, o PS arriscava-se a ganhar e muito próximo da maioria absoluta. Donde resulta que, ou são os meus amigos que fazem parte de uma casta à parte e não são representativos do eleitorado português, ou, então, o problema é mais grave. Reflectindo, ainda que vagamente, sobre o assunto, opto pela segunda solução: o problema é grave. E qual é o problema? Simples: os portugueses confrontam-se com um singular cenário de bipolarização política: num polo está José Sócrates; no outro polo está... ninguém. Desgraçadamente. Desgraçadamente para o país.

Sem renegar a minha ligação ao PSD, sou obrigado a concluír que o eleitorado não deixa de ter razão, mesmo que em sondagens. Se é verdade que, neste momento, poucos ousariam comprar um carro em segunda-mão a Sócrates, também é verdade que, olhando para o stand do lado, não se vê mais quem possa vender automóvel. O que se vê pelas bandas do PSD é uma luta fraticida para saber quem, daqui a uns tempos, manda no stand e define as regras do negócio. Só que, enquanto tal, os automóveis vão apoderecendo e, chegada a hora, dificilmente alguém quererá comprá-los. E, entretanto, tal vai sendo a conflitualidade interna no PSD, não espanta que, mesmo depois de saber quem manda na loja, assistamos, logo a seguir, a concorrência desleal dentro do stand. É este o cenário que espera os portugueses. E é por isso que o PS vai ganhando folgadamente nas sondagens.

Nunca percebi - talvez alguém seja capaz de me esclarecer - por que razão o PSD não arrumou a casa logo a seguir ao penoso resultado que obteve nas últimas legislativas. Manuela Ferreira Leite - que nunca me seduziu - demonstrou que seduz muito poucos. Numa altura em que devia estar de casa arrumada, anda o povo social-democrata a tentar perceber quem é o menos mau de todos: se Passos Coelho, se Rangel, se Aguiar-Branco. Sim. Porque o que está em causa é saber qual deles é o menos mau, qual deles é capaz de ter mais cimento que agregue um partido que tende a esboroar-se. É esta a ideia que germina nas bases e é esta a ideia que passa para o eleitorado. Enquanto devia estar a tentar propor ideias alternativas para o país, numa altura em que era suposto o governo estar fragilizado e com a cabeça a jeito, anda o PSD a desgastar-se em lutas internas nem sempre cordiais, cada um dos candidatos com ideias diferentes sobre tudo e sobre nada, deixando o eleitorado sem saber com o que conta. O problema seria apenas relativamente grave se, passadas as directas, a questão ficasse esclarecida. Mas não fica. Ganhe quem ganhar, a luta pela queda do líder que vier começará no dia seguinte. E Sócrates continuará a ganhar nas sonsagens e nas urnas. E Portugal continuará a penar com um primeiro-ministro que, em rigor, poucos querem, mas-que-se-há-de-fazer? Haverá futuro assim? Enquanto isso, o CDS-PP mantém-se firme.

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Currículos e cadastros...

por Paulo Gorjão, em 10.03.10

Há quem tenha currículo e parece que há quem tenha cadastro. Mas bem vistas as coisas, o melhor talvez seja não atirar lama ao parceiro...

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O desmentido

por Paulo Gorjão, em 07.03.10

Aqui. Uma história incompleta ou mal contada.

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Fossem outras as circunstâncias...

por Paulo Gorjão, em 05.03.10

...e hoje José Pacheco Pereira estaria a empregar exactamente os mesmos argumentos que utiliza para justificar o apoio à candidatura de Paulo Rangel para apoiar José Pedro Aguiar-Branco. A última vez que vi Pacheco Pereira a fazer de intérprete e de tradutor de alguém a coisa acabou a correr mal. Parece que agora trilhamos o mesmo caminho. É a vida...

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O PSD a votos (8)

por Pedro Correia, em 05.03.10

    

 

Debate Paulo Rangel - José Pedro Aguiar-Branco

 

José Pedro Aguiar-Branco superiorizou-se claramente no debate desta noite, na SIC N, com Paulo Rangel. Venceu-o em três etapas distintas: ao desmistificar a tese da "ruptura", ao referir que uma das principais propostas do seu antagonista lhe lembra o PS de António Guterres e ao comparar a estratégia de "vitimização" ensaiada por Rangel ao complexo de Calimero tão popularizado por José Sócrates.

Quem esperava um Aguiar-Branco cordato e contemporizador, equivocou-se. E o primeiro a equivocar-se parece ter sido Rangel, que a espaços não escondia expressões de incredulidade perante a contundência do actual presidente do grupo parlamentar do PSD, que não teve problema em invocar a condição de "militante recente" do seu ex-secretário de Estado da Justiça. "Eu vou até ao fim, como é óbvio", assegurou o antigo ministro da Justiça de Santana Lopes, desfazendo as últimas ilusões da candidatura de Rangel sobre uma possível desistência de Aguiar-Branco.

O chefe da bancada parlamentar social-democrata foi particularmente eficaz ao reduzir a pó uma das propostas emblemáticas de Rangel, que prevê a equiparação a secretários de Estado, sob a dependência directa do primeiro-ministro, dos cinco coordenadores regionais - em nome da descentralização territorial. "Isso não é ruptura nenhuma. É o regresso ao guterrismo", afirmou Aguiar-Branco, acusando Rangel de "copiar" esta proposta de Elisa Ferreira, que foi ministra de Guterres.

"Isso são larachas", replicou o eurodeputado, incapaz de articular melhor resposta. Já então Aguiar-Branco marcava o ritmo do debate, o que certamente surpreendeu aqueles analistas que o encaravam como carta fora do baralho. Lembrou, por exemplo, que foi ele o coordenador da vitoriosa campanha de Rangel às europeias - facto que o eurodeputado tem escamoteado na sua persistente tentativa de se assumir como responsável único desse triunfo eleitoral contra o PS encabeçado por Vital Moreira. "Eu não digo, ainda que de forma indirecta, que a certa altura saí do processo decisório", atirou ainda Aguiar-Branco a um Rangel que oscila entre as proclamações de fidelidade a Manuela Ferreira Leite e críticas cirúrgicas a decisões tomadas pela direcção cessante do partido.

Este foi o segundo debate perdido por Rangel. E foi, sem dúvida, o melhor momento da campanha de Aguiar-Branco até agora.

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Advinhe, caro leitor, quem salientou a necessidade de romper com as políticas socialistas que ocorreram nos últimos 15 anos e hoje, no âmbito dessa suposta ruptura, advogou a criação de um Ministério do Planeamento com os presidentes das CCDR equiparados a secretários de Estado? Valerá a pena lembrar que foi Elisa Ferreira no Governo PS de António Guterres quem equiparou os presidentes das CCDR a subsecretários de Estado, decisão essa que foi posteriormente extinta por Miguel Relvas e pelo Governo do PSD de Durão Barroso?

É esta a ruptura com as políticas socialistas que Paulo Rangel tem para apresentar? Uma ruptura que passa por recuperar medidas de um Governo socialista? Realmente, como nota Miguel Relvas, estamos perante mais um exemplo de uma proposta "sem sentido, inadequada, do passado e sem bom senso".

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Um momento...

por Paulo Gorjão, em 03.03.10

... e uma foto que quase dispensam palavras.

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O PSD a votos (7)

por Pedro Correia, em 02.03.10

 

 

Debate Paulo Rangel- Pedro Passos Coelho

 

1. Se hoje o PS de José Sócrates está no Governo, isso deve-se em boa parte à incompetência do PSD de Manuela Ferreira Leite, de cuja direcção Paulo Rangel fez parte. Pedro Passos Coelho deixou isto claro no debate desta noite na SIC Notícias - o primeiro frente-a-frente televisivo entre os candidatos à liderança social-democrata.

Rangel fez questão de acentuar que não exerceu efectivas responsabilidades directivas no partido entre Junho de 2009, quando o PSD venceu as europeias, e Setembro, quando o partido laranja foi derrotado nas legislativas. Mas perdeu a oportunidade de se demarcar, neste debate, da decisão de excluir Passos Coelho das listas eleitorais - uma manifestação de 'asfixia democrática' da direcção social-democrata que logo se virou contra o partido.

 

2. O eurodeputado mostrou-se mais nervoso e muito mais à defensiva neste confronto em que Passos Coelho esteve francamente melhor na abordagem das questões económicas, que tanto preocupam os portugueses. E foi incapaz de rebater o argumento central do seu antagonista sobre o Orçamento de Estado, já aprovado graças à abstenção do PSD (e do CDS).

"O PSD viabilizou o Orçamento para 2010 sem forçar o PS a suspender os grandes projectos de obras públicas. (...) Esta é a primeira vez que se faz um Programa de Estabilidade e Crescimento num tempo diferente do Orçamento", criticou Passos Coelho. Rangel, remetido à defesa, não deu nenhuma justificação satisfatória.

Foi igualmente incapaz de rebater outro argumento central de Passos: é inútil encher a boca com a palavra "ruptura", pois as grandes mudanças na sociedade portuguesa envolveram sempre o entendimento entre os dois maiores partidos. Foi assim em 1982, quando a revisão constitucional eliminou a tutela do Conselho da Revolução sobre as instituições políticas, e também em 1989, quando outra revisão da lei fundamental pôs fim ao primado da economia pública em Portugal.

 

3. Rangel, procurando legitimar-se, invocou os exemplos de Francisco Sá Carneiro - fundador do partido - e Aníbal Cavaco Silva para justificar os seus contínuos apelos à "ruptura". Mas em nenhum momento como este foi tão visível a discrepância entre o candidato que milita há três décadas no partido e aquele que só assinou a ficha de inscrição há quatro anos, após um percurso algo enigmático pelo PP de Manuel Monteiro.

Rangel: "Se lermos o discurso de Cavaco Silva no congresso da Figueira da Foz..."

Passos: "Paulo, eu estive lá. Eu ouvi-o."

 

4. Em democracia, a melhor ruptura obtém-se pelo voto. Nenhum militante antigo ou recente, diga Paulo Rangel o que disser, imagina Sá Carneiro ou Cavaco a perder uma eleição contra Sócrates como sucedeu ao PSD de Manuela Ferreira Leite. Os seus herdeiros políticos terão de responder por isso nesta campanha interna. E Rangel é um herdeiro político de Ferreira Leite, o que talvez explique a incomodidade que revelou neste debate.

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A herança que pesa...

por Paulo Gorjão, em 02.03.10

 ...toneladas. E depois a bota não bate com a perdigota.

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Libertar o futuro, mas pouco... (2)

por Paulo Gorjão, em 28.02.10

Da entrevista de hoje de Paulo Rangel ao Correio da Manhã retenho que não quer privatizar nem a RTP nem a Lusa. Só com a RTP, em 2009, o Estado teve de suportar quase 400 milhões de euros, como lembrou recentemente Pedro Passos Coelho. Rangel, pelos vistos, quer libertar o futuro, mas não pretende mexer nesta despesa. Sobre as SCUT também não me recordo de lhe ter escutado uma palavra nos tempos mais recentes. O mesmo se pode dizer sobre as parcerias público-privadas. Ou sobre as despesas do Estado em geral.

Como é que pretende libertar o futuro é um mistério. Dito de outra maneira, ninguém sabe -- e o próprio não explica -- como é que pretende reduzir o endividamento externo e o défice do Estado. Convenhamos que insistir apenas em citar o novo aeroporto e o TGV é curto, muito curto. Bem sei que aquilo que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, mas mesmo assim convinha dizer alguma coisa substantiva. Para já, a bota não bate com a perdigota. Até ao momento o candidato da ruptura é, na verdade, o candidato do statu quo. É o candidato da continuidade da actual direcção do PSD que, convém lembrar, obteve 29,1% nas últimas eleições legislativas. Mais grave, e pelo que se começa a ver, é o candidato da continuidade também nas orientações políticas que nos conduziram até aqui.

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Libertar o futuro, mas pouco...

por Paulo Gorjão, em 25.02.10

Contradições inerentes à superficialidade com que atiram sound bites para o ar.

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Cada tiro, cada melro

por Paulo Gorjão, em 24.02.10

Sempre PSD (4).

 

[Adenda]

Ler "Paulo Rangel e a dívida". Paulo Rangel esqueceu-se -- ou terá deixado para data posterior? -- que cada pescador também é um soldado. Na entrevista concedida a Judite Sousa em Outubro de 2009, entre outras coisas, Paulo Rangel incluía também as pescas nas suas preocupações de segurança e defesa nacional.

Na altura entendia também que havia imensas pessoas qualificadas no PSD para serem líderes do PSD. Pelos vistos candidataram-se os únicos três militantes que ele entendia que não reuniam as qualificações. É preciso ter azar. Habituem-se.

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Pior a emenda do que o soneto

por Paulo Gorjão, em 23.02.10

"Não vejo mal em ter sido militante de outro partido. O que me preocupa é a tentativa de [Paulo Rangel] ocultar ou omitir", refere Miguel Relvas. Paulo Rangel, infelizmente, insiste: "nunca escondi a ligação ao CDS, apenas disse que não me recordava de me ter filiado".

Alguém acredita que Paulo Rangel não se lembrava de se ter filiado? Será que também não se lembra de ter escrito a Paulo Portas? Paulo Rangel lembra-se que no 25 de Abril a sua "mãe acabou de bordar um pullover com dois elefantes vermelhos" -- tinha Paulo Rangel seis anos na altura -- e não se lembra de ter sido militante do CDS quando tinha 28 anos? Alguém se filia num partido de ânimo leve ao ponto de não se lembrar se o fez?

Lamento que Paulo Rangel insista numa versão dos factos que não o dignifica.

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Política de Verdade

por Paulo Gorjão, em 22.02.10

Sempre PSD (3).

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Miopia

por Paulo Gorjão, em 21.02.10

À pergunta se contaria com Pedro Passos Coelho como deputado caso vença as eleições internas, Rangel opta por não se comprometer. Um péssimo sinal. Pelos vistos, Paulo Rangel quer continuar pelo mesmo caminho de divisões internas. Em sentido contrário, José Pedro Aguiar-Branco e Pedro Passos Coelho -- que já perceberam que essa é uma questão fulcral na vida interna no PSD -- adoptam uma abordagem inclusiva. É também nestas pequeninas coisas que se vê a visão e a dimensão dos políticos.

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Pior a emenda...

por Paulo Gorjão, em 21.02.10

...do que o soneto.

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Um submarino político...

por Paulo Gorjão, em 20.02.10

...do CDS infiltrado no PSD.

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Já não percebo nada

por Paulo Gorjão, em 19.02.10

Mas, afinal, foi ou não militante do CDS

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Silêncio

por Paulo Gorjão, em 17.02.10

Muito silêncio.

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O candidato 'déjà vu'

por João Carvalho, em 15.02.10

Aguiar Branco e Paulo Rangel não abdicam das suas candidaturas à liderança do PSD (agravando o fim da amizade que os unia, como na objectiva de Adriano Miranda/Público). Com um congresso extraordinário (e de utilidade misteriosa) pela frente, nada disto é necessariamente definitivo. Parece-me, no entanto, que há uma diferença entre os dois. Se Aguiar Branco vier a desistir, ainda poderá dizer-se que o fará em nome de interesses superiores, que não os dele. Já se for Paulo Rangel a deixar a corrida, a história é déjà vu: Rangel também garantia abespinhado que não seria candidato, horas antes de anunciar a sua candidatura.

Também déjà vu é a viragem de 180 graus três meses após ter declarado com pompa que cumpriria o mandato no Parlamento Europeu para que foi eleito. Mais? Sacrificar uma amizade a uma candidatura é outro caso déjà vu. «A minha candidatura é de ruptura» – diz o ainda eurodeputado. É capaz de ser: de uma só penada, a ruptura foi na lealdade que devia ao amigo.

Pela parte que me toca ao olhar a vida pública, estou esclarecido sobre as qualidades do candidato. Tudo isto começa a ser demasiadamente semelhante a outros políticos em diversos momentos, aqueles que não deixaram saudades. É tão semelhante que até pode pensar-se que, de ruptura, é tudo: ruptura do mandato europeu, ruptura no distanciamento da eleição partidária e ruptura com o seu velho amigo.

Acabaram aqui as rupturas, talvez, porque este modus faciendi de Rangel é tão semelhante ao de tantos outros que não se encontram diferenças para uma desejável viragem. Palavras inflamadas, promessas juradas, o-dito-por-não-dito – é tudo o que o País está cansado de ver e ouvir.

 

P.S. — Depois do congresso se saberá se o candidato que começou mal e que Pacheco Pereira apoia (na rota do seu habitual feeling) opta por uma derradeira ruptura com esta corrida. Ou se o seu ex-amigo desiste ou não. Se nenhum sair, Passos Coelho agradece.

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Jardim abre 'guerra' a Passos

por Paulo Gorjão, em 14.02.10

Pedro Passos Coelho assume a posição mais correcta do ponto de vista do interesse nacional e ainda tem como bónus a 'guerra' declarada por Alberto João Jardim. De facto, Passos Coelho tem de agradecer a Jardim o empenho assumido em dar visibilidade à sua posição.

Sejamos claros. Começa a ser altura de acabar com o ciclo em que o PSD anda a reboque de Jardim. Com Passos Coelho acaba de certeza absoluta. Com o senhor que lê "jornais alemães", o homem que quer romper, afinal, o statu quo é para manter. The tail will continue to wag the dog.

[Adenda]

"É por esta e por outras..."

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Peremptoriamente

por Paulo Gorjão, em 11.02.10

(Via Carlos Abreu Amorim.)

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Os termos de um 'contratualito'

por João Carvalho, em 11.02.10

É através deste post mais abaixo, do Sérgio de Almeida Correia, que ficamos a perceber melhor como as coisas funcionam para Paulo Rangel. «Agora contratualizei com os portugueses fazer este serviço em Bruxelas e é isso que eu quero fazer» – garantia Rangel em finais de Outubro, em jeito que parecia confirmar a promessa de cumprir o mandato para que fôra eleito.

Vejamos bem: ele disse que tinha acabado de contratualizar esse mandato. Afinal, o que vem a ser contratualizar? É o mesmo que contratar, só que é mais longo. O que significa que, se ele tivesse contratado em vez de contratualizado, a coisa seria mais curta e ele até podia muito bem ter dado a promessa por cumprida ao fim de 48 horas, digamos.

Afinal, nós é que precisamos de estar atentos às letras pequeninas dos contratos...

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O candidato da continuidade (2)

por Paulo Gorjão, em 11.02.10

"Toda a gente percebia, não sejamos ingénuos, que Manuela Ferreira Leite queria Paulo Rangel, vou mesmo mais longe, Paulo Rangel é o candidato do cavaquismo. Acho que o PSD precisa de um homem mais liberal mas não tão à direita. Quando souberam que a candidatura de Aguiar Branco ia ser anunciada, [Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel] apressaram-se para se antecipar a ele, que aparece de certa forma desalinhado como candidato não oficial. Paulo Rangel é a pessoa da confiança da líder do PSD, que conseguiu o milagre de perder as eleições com o engenheiro José Sócrates", salienta Luís Mira Amaral.

Relembro: 29,1% foi o resultado do PSD nas legislativas de 2009. Rangel está envolvido até à medula neste resultado. Ele, mais do que ninguém, é o delfim de uma líder desastrosa. O fiel executor de uma estratégia errada e que culminou num fracasso estrondoso.

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O candidato da continuidade

por Paulo Gorjão, em 10.02.10

Paulo Rangel é "continuidade com a actual direcção", destaca Miguel Relvas. Como é óbvio. É o candidato desejado por Manuela Ferreira Leite. É o candidato a quem, para já, dois vice-presidentes -- Paulo Mota Pinto e Sofia Galvão -- já manifestaram o seu apoio. É, pura e simplesmente, o candidato do establishment. É o candidato, vale a pena lembrar, comprometido até à medula com os 29,1% obtidos nas eleições legislativas de 2009. Querem maior continuidade?

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À procura de emprego

por Pedro Correia, em 10.02.10

Paulo Rangel encabeçou em Junho de 2009 a candidatura social-democrata ao Parlamento Europeu, entre ferozes críticas a duas candidatas socialistas ao mesmo órgão, Elisa Ferreira e Ana Gomes, que eram simultaneamente candidatas autárquicas, facto que considerou "inaceitável", como sublinhou na altura. "Ninguém se candidata a dois ou três lugares, a não ser que esteja à procura de emprego" , bradou então. Há escassos oito meses.

Lembrei-me destas virtuosas proclamações do eurodeputado ao confirmar hoje aquilo que todos já adivinhavam: será ele o candidato do aparelho laranja contra Pedro Passos Coelho. Anda à procura de emprego, só pode ser.

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Não há espelhos no PE, pois não?

por Paulo Gorjão, em 08.02.10

Para que Paulo Rangel possa ver a figura ridícula que está a fazer? Porquê ficar pelo PE e não ir mesmo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU?

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Faites vos jeux...

por Paulo Gorjão, em 29.01.10

Ainda não é claro quem serão os candidatos na disputa pela liderança do PSD. Pedro Passos Coelho é o único candidato assumido até ao momento, continuando por agora a especulação sobre quem será o seu eventual concorrente. Independentemente de quem venha a estar na corrida, era importante que os futuros candidatos se sentassem à mesa e estabelecessem entre si um pacto de não agressão pessoal. Era relevante que elaborassem um compromisso sobre as regras formais e informais da campanha eleitoral, bem como sobre o dia seguinte às eleições directas.

Discuta-se política, pura e dura, mas deixe-se de lado as questões pessoais. Confrontem-se propostas e defina-se um rumo. A seguir que se construa em comum uma alternativa política e partidária. Pela parte que me toca, mero cidadão atento e interessado, independentemente das minhas preferências políticas e pessoais, conhecidas de todos, se forem observadas as regras mínimas de cordialidade na campanha  -- e pela primeira vez desde há algum tempo temos algumas condições para isso --, quem quer que seja o vencedor, no dia seguinte às eleições directas terá a minha lealdade política.

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Consenso e sensibilidades

por Paulo Gorjão, em 20.10.09

Constato que há algumas pessoas muito preocupadas com o consenso e com o respeito pelas diferentes sensibilidades internas no PSD. Muito bem. Pedro Passos Coelho já assumiu que será candidato nas próximas eleições directas. Não tenho a mais pequena dúvida que ele reúne as condições para federar as diferentes sensibilidades e gerar esse tal consenso. Acresce que, como não se trata de um problema de pessoas ou de lugares, não faz sentido que ele, depois de ter anunciado a sua intenção de se candidatar, venha agora dizer o contrário. O que é mais natural é que terceiros não avancem quando há já alguém no terreno. Assim sendo, quando é que Marcelo Rebelo de Sousa, José Pedro Aguiar-Branco, Paulo Mota Pinto, Paulo Rangel, Nuno Morais Sarmento, entre outros, manifestam o seu apoio à sua candidatura? Aposto que ele terá muito gosto em os receber para elaborar um programa que inclua o seu input e as suas 'sensibilidades'. Um programa de união, em suma.

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Paulo Rangel

por Jorge Assunção, em 01.10.09

A sua ascensão política no PSD terá sido das poucas coisas boas que a liderança de Ferreira Leite deixa ao partido. Num partido com tantas derrotas eleitorais no passado recente, ter alguém que já demonstrou saber ganhar eleições é uma mais valia. O PSD, nestes tempos difíceis e recheados de mediocridade, não se pode dar ao luxo de manter Paulo Rangel 'exilado' em Bruxelas. Se me é permitida uma última nota de solidariedade para com Manuela Ferreira Leite, a confirmação do cenário aqui retratado seria do meu agrado.

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Numa altura em que entra em cena...

por Paulo Gorjão, em 21.09.09

... o bombeiro Paulo Rangel, em que Marcelo Rebelo de Sousa também já deu um ar da sua graça, interrogo-me se José Pacheco Pereira já terá conseguido falar com Miguel Relvas?

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Da ética na política (parte II)

por Pedro Correia, em 27.08.09

 

Depois da notável lição de Marques Mendes na véspera, Paulo Rangel foi ontem à Universidade de Verão do PSD contrariá-lo no essencial. Não encontrou melhor autor para recomendar aos jovens sociais-democratas que fazem o seu tirocínio político em Castelo de Vide do que Maquiavel. "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política. E essa é a grande lição d' O Príncipe", sublinhou o novo eurodeputado social-democrata. Contrariando assim uma das pedras basilares do pensamento do fundador do PSD, Francisco Sá Carneiro: "A política sem ética é uma vergonha."

Sá Carneiro era certamente leitor de Maquiavel. Mas sou incapaz de imaginá-lo a recomendar a um grupo de jovens estreantes nas lides partidárias o autor renascentista como caução intelectual para a separação entre ética e política. Sabendo-se que este é um dos problemas de fundo da vida política portuguesa, mais me custa ainda perceber as vias sinuosas subjacentes ao discurso de Paulo Rangel. Uma tremenda desilusão.

 

Imagem: fotograma de Júlio César, de Joseph L. Mankiewicz (1953), com Marlon Brando

 

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Melhores deputados do ano

por Pedro Correia, em 17.08.09

  

 

4. PAULO RANGEL (PSD)

 

Já havia dado o mote, em 2007, ao proferir um excelente discurso na sessão solene do 25 de Abril, em que se pronunciava contra o clima de "claustrofobia democrática" instalado pelo Governo de maioria absoluta. Daí para cá, continuou a marcar pontos - ascendendo à liderança parlamentar do PSD, que soube conduzir com talento e tenacidade. À frente daquela que foi, com grande probabilidade, a mais fraca bancada social-democrata de sempre, Paulo Rangel destacou-se pela qualidade das suas intervenções, aliás recompensadas com o desafio que Manuela Ferreira Leite lhe lançou para encabeçar a lista do seu partido às europeias. A vitória registada a 7 de Junho só confirmou as aptidões deste político que há-de chegar ainda mais longe.

 

Memória: há um ano foi esta a minha escolha.

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Uma mera opinião

por Paulo Gorjão, em 15.06.09

É impressão minha, ou Paulo Rangel levou um puxão de orelhas?

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Vencedores (28)

por Pedro Correia, em 11.06.09

Paulo Rangel

 

Deixas criar às portas o inimigo

Por ires buscar outro de tão longe,

Por quem se despovoe o Reino antigo,

Se enfraqueça e se vá deitando a longe!

Buscas o incerto e incógnito perigo,

Por que a fama te exalte e te lisonje,

Chamando-te senhor, com larga cópia,

Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia!

 

Os Lusíadas, Canto IV

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O que vale o resultado?

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 07.06.09

Perguntam-me, esta noite: Será que este resultado das "europeias" é o fim do socratismo? Respondo: Não sei. Mas sei que se o PSD não tivesse vencido, o fim do socratismo não estaria para breve. Agora tudo é possível. Foi a pensar que seria esse o sentimento de muitos portugueses, que não hesitei em vaticinar - antes do fim do jogo... - a vitória de Paulo Rangel. Sim, de Paulo Rangel. Porque a persistência e a boa prestação de Rangel teve a sua importância no resultado. Admito-o, mesmo quando é certo que, em determinado momento, tive dúvidas do acerto da escolha. Paulo Rangel pode ir longe. E mais depressa do que se julga.

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