Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A continuar assim ainda vai a ministro (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.07.17

Mais um candidato modelo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ontem, porém, houve luz na escuridão. O provedor da Misericórdia de Pedrogão Grande induziu Passos Coelho num lapso, de que o líder do PSD decidiu pedir desculpa. Foi a alegria do costismo. Era a sorte outra vez. Mas talvez o sarcasmo do regime tenha desta vez ficado demasiado patente: é que tivemos desculpas do líder da oposição por um pequeno comentário, mas nem uma palavra de contrição do governo pela incompetência e descontrole que mataram 64 pessoas e deixaram mais de 200 feridas.

Rui Ramos, no Observador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O amadorismo na política.

por Luís Menezes Leitão, em 26.06.17

Um líder da oposição não pode soprar um bitaite que acabou de ouvir de uma pessoa ao lado. Especialmente quando esse bitaite seria uma notícia em primeira mão, que ninguém até então tinha dado, e que portanto não se poderia repetir sem ser confirmada. Passos prejudicou objectivamente o PSD com este amadorismo e permitiu que o PS saísse por cima. Mas já se sabe que haverá muitos militantes a tudo perdoar, sabe-se lá à espera de quê. Para mim, há muito tempo que Passos Coelho deveria ter percebido que a sua oposição está a ser totalmente ineficaz e dar lugar a outro. O dia de hoje foi apenas infelizmente mais um exemplo de algo que tem sido recorrente e que explica as sondagens dramáticas que o PSD tem. Agora Passos Coelho vai ter pelo menos que passar a pasta a outra pessoa na questão de Pedrógão Grande, pois já ninguém dará qualquer crédito ao que ele disser sobre este assunto. Vamos ver quanto tempo durará até que venha a ter que passar a pasta nas restantes matérias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A entrevista de Passos Coelho.

por Luís Menezes Leitão, em 07.04.17

A entrevista de Passos Coelho à SIC foi um monumental vazio político. É perfeitamente espantoso que perante a desastrada governação do actual governo, o líder da oposição passe o tempo a justificar-se a si próprio, nada tendo para dizer de relevante ao país. A única mensagem efectiva desta entrevista foi para o interior do PSD, ao dizer que não se demite se tiver um mau resultado autárquico. Passos Coelho parece continuar convencido de que ainda é primeiro-ministro, onde de facto faz sentido que não abandone o governo por causa de eleições autárquicas. Só que Passos Coelho, apesar do pin da bandeira nacional que insiste em pôr na lapela, é neste momento apenas um líder partidário. E um líder partidário que não consegue ganhar eleições que utilidade tem para o seu partido?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bem prega Frei Tomás!

por Luís Menezes Leitão, em 20.03.17

Leio aqui que Marques Mendes considera desastrosa a forma como Passos Coelho geriu a escolha do candidato a Lisboa e que, se as coisas correrem mal, a culpa é do líder. Não poderia estar mais de acordo. Só estranho é que seja Marques Mendes a dizê-lo. Na verdade, se bem me lembro, em 2007 a Câmara de Lisboa estava nas mãos do PSD e só passou para o PS porque Marques Mendes quis demitir Carmona Rodrigues e, quando este recusou, obrigou todos os vereadores do PSD a se demitirem, fazendo cair a Câmara. A seguir lembrou-se de candidatar Fernando Negrão que fez uma campanha desastrosa, só obtendo 15% dos votos, e entregando a Câmara de bandeja a António  Costa. Desde então que a Câmara de Lisboa está nas mãos do PS. 

 

Por tudo isto me parece claro que Marques Mendes é a última pessoa que pode falar de estratégias desastrosas para Lisboa. Mas este exemplo também serve para questionar os nossos jornalistas. Será que nestes espaços de comentário político não há nenhum jornalista que faça lembrar ao comentador o seu próprio currículo no assunto que comenta?

Autoria e outros dados (tags, etc)

TSU e o mau da fita

por José António Abreu, em 25.01.17

1. Economia

Em Portugal, ninguém questiona que tudo passe pelo Estado e tudo dependa do Estado. Ao lidar com o sector público mas também com o privado, o governo age como se o dinheiro dos contribuintes fosse inesgotável e a economia de uma resiliência à prova de bala. Daqui nasce um círculo vicioso: a economia cresce pouco, o Estado não obtém os recursos pretendidos, o orçamento público apresenta défices crónicos, os impostos e a dívida aumentam, a economia cresce ainda menos. Tudo isto perante a complacência – quando não o aplauso – das associações patronais, dos sindicatos, da maioria dos comentadores, do Presidente da República. A polémica em torno da TSU constitui mais um exemplo desta lógica. A medida é péssima: apoia-se em dinheiro dos contribuintes, serve de contraponto a um aumento exagerado (porque muito superior aos ganhos de produtividade) do salário mínimo (já demasiado próximo do salário mediano), e, num país onde ele abrange vinte e tal por cento dos trabalhadores, incentiva as empresas a usá-lo ainda mais. Porém, isto não impediu que as associações patronais a sancionassem. Em vez de defenderem medidas que permitam a subida do salário mediano e forcem o Estado a um nível superior de eficiência (descidas de impostos ou simplificação de processos burocráticos, por exemplo), escolheram (escolhem sempre) alinhar numa lógica de subsidiação, apoiada em cada vez mais regras e excepções. Ou seja: em Portugal, as associações patronais são uma parte não apenas activa mas entusiasta no crescimento desmesurado do Estado - e, por conseguinte, no agravamento dos problemas dos seus próprios associados.

 

2. Política

Passos Coelho é um espinho cravado no sistema político nacional. O homem recusa-se a seguir o guião. Parece que, de repente, até decidiu fazer política. Indivíduos mais atentos teriam notado a forma como ele deu a volta a Paulo Portas em 2013; como aguentou críticas ferozes, vaticínios catastrofistas e distorções variadas (que, evidentemente, nada tinham a ver com «pós-verdade» ou «factos alternativos») enquanto foi primeiro-ministro; como, quebrando a tradição nacional de que uma pessoa não se «rebaixa» a um papel menos importante do que outro já desempenhado, assumiu o lugar de deputado após a queda do seu governo às mãos da «geringonça». Na verdade, Passos é um político. Um excelente político. Nas últimas semanas, António Costa – este sim, considerado por todos um político exímio, para além de um negociador imbatível – deu-lhe oportunidade para o demonstrar. Costa fechou um acordo que violava a Constituição (o escândalo mediático que teria surgido há apenas um par de anos...) e para o qual não garantira apoio parlamentar. Para o fazer passar, contava com a passividade do PCP, do Bloco – ou do PSD. Os dois primeiros foram iguais a si mesmos e mostraram que o governo de Portugal não é estável nem credível (quanto a duradouro, veremos). Por seu turno, Passos resolveu finalmente assumir o papel de líder da oposição e cumprir o que prometera aquando da tomada de posse da «geringonça»: forçá-la a governar. Nos dias seguintes, verificou-se que Costa tinha quase toda a gente «importante» com ele: a intelligentsia mediática, os «patrões», a UGT, a facção «bem-pensante» do PSD, o Presidente da República. Só que Passos aguentou muito mais durante os anos da Troika. Não cedeu, e fez bem. Contudo, assumiu um risco: para os poderes instalados (os mesmos que Ricardo Salgado elogiou explícita e implicitamente no artigo que escreveu aquando da morte de Mário Soares), é cada vez mais importante afastá-lo da liderança do PSD.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lisbonne vaut bien une messe

por Pedro Correia, em 17.12.16

            sol-2016-12-17-4fc82b[1].jpg expresso-2016-12-17-2c6242[1].jpg

 

A indecisão do PSD sobre uma candidatura autárquica em Lisboa ameaçava deixar o partido prisioneiro dos palpites mais inesperados. Raro foi o dia em que nos últimos dois meses não ouvimos apregoar na praça pública o nome de um putativo candidato - de Maria Luís Albuquerque a Nuno Morais Sarmento, de Jorge Moreira da Silva a José Eduardo Moniz(!), de José Eduardo Martins a Laurinda Alves(!), de Carlos Carreiras a Paulo Rangel, de Rui Rio a Marques Mendes. O ensurdecedor silêncio da direcção nacional do partido sobre esta questão autorizava a mais extraordinária torrente de especulações. Isto enquanto todos os eleitores conhecem quem será o candidato socialista e Assunção Cristas, líder do CDS, já se encontra no terreno há vários meses, em arguta manobra de antecipação.

A gota de água surgiu ontem, quando o nome do próprio Pedro Passos Coelho começou a circular rapidamente como eventual protagonista dos sociais-democratas na corrida a Lisboa, o que prometia danos reputacionais ainda mais evidentes ao líder do PSD: numa primeira fase amarrava-o a um combate que nunca pensou disputar; na fase seguinte dir-se-ia que tinha desistido por "receio" de perder contra Fernando Medina. Em qualquer dos casos António Costa - que vem progredindo de sondagem em sondagem - só teria mais motivos para sorrir.

Por uma vez Passos soube reagir a tempo e mandou comunicar aos jornais que pondera fazer aquilo que o bom-senso recomenda: admite apoiar a sua ex-ministra Assunção Cristas na batalha autárquica da capital. Como escrevi aqui há quatro dias, Lisboa justifica um acordo eleitoral entre os dois partidos que à direita do PS estão condenados a um estreito e perdurável entendimento para a formação de uma maioria política alternativa ao actual xadrez dominante no Parlamento. "Paris vale bem uma missa", comunicou à posteridade o Rei francês Henrique IV ao reconverter-se em 1593 ao catolicismo.

Foi outra maneira de sublinhar esta regra de ouro da política: a todo o momento há que saber distinguir o essencial do acessório. Um político que seja incapaz de estabelecer esta diferença equivocou-se manifestamente na vocação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cerco

por Pedro Correia, em 13.12.16

passos_coelho_12_16[1].jpg

 

Paulo Macedo, ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional, aceita o convite de António Costa para liderar a Caixa Geral de Depósitos.

Jorge Moreira da Silva, primeiro vice-presidente do PSD e alegado delfim de Passos Coelho, trocou Lisboa por Paris, assumindo um posto de director-geral nesta organização internacional.

Marco António Costa, talvez a figura mais influente do partido laranja no norte do País, deixou de ser porta-voz dos sociais-democratas.

Carlos Moedas, ex-braço direito de Passos Coelho para os assuntos económicos, é hoje comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

Luís Menezes, que chegou a ser um dos elementos mais próximos do líder e figura em grande destaque no grupo parlamentar, abandonou a Assembleia da República.

Miguel Frasquilho, outro ex-dirigente da bancada parlamentar laranja, elogia António Costa em entrevista: "Esta solução de Governo já não afasta os investidores."

Pedro Lomba, ex-secretário de Estado, acaba de renunciar à coordenação do Gabinete de Estudos do PSD, para que tinha sido indicado por Passos há oito meses.

 

São sinais dispersos. Mas que, todos somados, permitem tornar ainda mais evidente a solidão política actual de Pedro Passos Coelho.

Entrincheirado no seu bunker da Lapa, única sede partidária sem acesso directo à rua, o presidente do PSD vive hoje numa situação de cerco. Condicionado, por um lado, pelos insistentes apelos à aparição do  novo messias laranja e, por outro, pelas sondagens cada vez mais favoráveis a António Costa, Passos só poderá romper este cerco se mudar muito do que fez até aqui.

Precisa de renovar o núcleo de porta-vozes do seu partido, trocar o financês pelo social no seu discurso e mostrar-se não nos corredores palacianos mas no País real. Sobretudo junto de segmentos da população que nunca votaram nele: nada é tão supérfluo na política como pregar aos convertidos.

 

Entretanto, não deve cair nas armadilhas mais óbvias.

Primeira: continuar a fazer da Caixa um alvo preferencial - a partir de agora, em vez de disparar contra o Governo, dispara fatalmente contra Macedo, seu ex-ministro.

Segunda: hostilizar o CDS a propósito das autárquicas, terreno que Assunção Cristas elegeu para consolidar a sua ainda incipiente liderança. PSD e CDS estão condenados por muitos e bons anos a ser parceiros eleitorais: todas as parcerias exigem cedências mútuas. Em 1593, o Rei francês Henrique IV reconverteu-se ao catolicismo, abjurando do protestantismo: "Paris vale bem uma missa", declarou na altura. Salvaguardadas as distâncias e as proporções, Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral.

Terceira, e talvez a mais relevante: manter uma relação crispada com o Presidente da República. Marcelo é oriundo do PSD, foi eleito pela esmagadora maioria dos militantes do partido e mantém elevadíssimas quotas de popularidade. Qualquer  conflito com Belém constitui um inútil desperdício de energias e está antecipadamente condenado ao fracasso - desde logo por ser incompreensível aos olhos do cidadão comum.

 

António Costa, intuitivo como poucos, percebeu isso desde o primeiro instante. Parecer-me-ia incompreensível que Passos Coelho não se apercebesse disto também.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nunca perder de vista o gráfico de uma vida humana, que se não compõe, digam o que disserem, de uma horizontal e duas perpendiculares, mas sim de três linhas sinuosas, prolongadas no infinito, incessantemente aproximadas e divergindo sem cessar : o que um homem julgou ser, o que ele quis ser e o que ele foi.

 

Marguerite Yourcenar, Apontamentos sobre as Memórias de Adriano

Autoria e outros dados (tags, etc)

Manter o esterco à distância

por Pedro Correia, em 21.09.16

Saber escutar críticas é um imperativo na política. E emendar erros antes que se tornem grotescos tiros no pé também. A obstinação, ao confundir-se com casmurrice, nunca é virtude: é sempre defeito.

Elevação e sentido de Estado, tal como os caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém. Devemos distanciar-nos do esterco - nunca aproximarmo-nos dele. Esta é uma regra tão válida para a política como para outra actividade qualquer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Posso desconvidar-me?

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.09.16

hare_leaping.wv.h.jpg

"Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito." (17/09/2016)

 

Ainda bem. Eu também não. De qualquer modo, a geleia que sobrar pode sempre servir como adorno

Autoria e outros dados (tags, etc)

Antes tarde do que nunca!

por Luís Menezes Leitão, em 21.09.16

A polémica sobre o livro de José António Saraiva mostrou infelizmente ao público o pior de Pedro Passos Coelho: a precipitação, a ligeireza e a teimosia. Só a precipitação pode explicar que o líder da oposição de um país, que aspira a voltar a ser primeiro-ministro, aceite apresentar um livro sem sequer o ler. Só a ligeireza explica que, confrontado com o teor do livro, viesse desvalorizar o assunto, não se apercebendo da gravidade do mesmo. E por fim, só a teimosia pode explicar as suas declarações públicas a insistir na apresentação do livro, quando era para todos evidente que o mesmo não poderia ser apresentado.

 

Qualquer líder partidário tem obrigação de pensar nos interesses do partido que lidera antes de toda e qualquer consideração pessoal. O PSD tem o legado de Sá Carneiro, que nunca permitiu que a vida íntima dos adversários fosse explorada, mesmo quando ele próprio sofria ataques em razão da sua vida privada. Nunca um líder do PSD poderia por isso apadrinhar um livro com referências à vida íntima de políticos. Passos Coelho deveria ter sido o primeiro a reconhecer essa situação. Como pelos vistos não foi o caso, ainda bem que alguém lhe explicou o óbvio e ele finalmente percebeu. Antes tarde do que nunca!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Há limites para tudo.

por Luís Menezes Leitão, em 16.09.16

Não li o livro e não gosto de fazer juízos antecipados sobre algo que não conheço. Se de facto se confirmar que é o quem tem vindo a público, trata-se de um objecto absolutamente inqualificável, a merecer o mais vivo repúdio.

Quanto à atitude de Passos Coelho em o ir apresentar, também a ser verdade que isso vai acontecer, parece-me que o qualificativo de amadorismo é muito suave. Nem que se tratasse de uma obra-prima a merecer o prémio Nobel — e acho que o autor tinha pretensões a tal — um ex-Primeiro-Ministro não se pode prestar a essa figura, uma vez que é muito mais do que um apresentador de livros. As pessoas têm que ter respeito pelo seu próprio passado e não devem deslustrar o que já foram.

Agora, se o livro é de facto o que dizem e se, apesar disso, Passos Coelho insiste em o apresentar, acho que é preciso pensar seriamente se ele está de facto em condições de voltar a ser candidato a Primeiro-Ministro. É que nem a um candidato a membro de junta de freguesia deve um partido político permitir semelhante disparate, quanto mais a um candidato a Primeiro-Ministro. Há limites para tudo e sinceramente acho que este espectáculo os vai ultrapassar a todos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O amadorismo dos profissionais

por Pedro Correia, em 16.09.16

Leio hoje no DN que Pedro Passos Coelho acedeu a apresentar um livro de mexericos, cheios de putativas indiscrições sobre personalidades já falecidas. Fê-lo por admirar muito o autor, sem sequer ter lido a obra nem fazer ideia sobre o chorrilho de bisbilhotices lá estampadas - visando pessoas que já cá não estão para exercer o indispensável direito ao contraditório.

Se houvesse prémio para o livro mais execrável do ano no mercado editorial português este seria um sério candidato. Não consigo compreender como Passos aceita associar o seu nome a isto. E uma vez mais me surpreendo ao ver políticos profissionais, com experiência acumulada de décadas, tropeçando em cascas de banana com o descuido do amador mais imprevidente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Duplo mortal à retaguarda

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.16

fotos-de-sapos-meditando.jpg

Em 2013, num processo que levantou muitas incompreensões entre os seus militantes, Passos Coelho impôs a candidatura de Pedro Pinto à Câmara de Sintra, abrindo caminho à vitória de Basílio Horta.

Na sequência desse processo, em que foi recusado o nome (consensual para as estruturas locais) de Marco Almeida, e apesar deste ter na altura o apoio de oito presidentes de juntas de freguesia do PSD, vários militantes foram expulsos por se terem rebelado contra a decisão da direcção do partido e terem apoiado ou resolvido candidatar-se em listas, e não só em Sintra, contra o seu próprio partido. Outros houve que, entretanto, descontentes com a situação saíram pelo seu próprio pé evitando a expulsão automática prevista nos estatutos.

Volvidos estes anos, que não foram tantos como isso, depois do PSD e Pedro Pinto terem sido cilindrados em Sintra, perdendo Marco Almeida a Câmara para o PS por menos de dois mil votos, eis que surgem notícias dando conta de um mais do que provável apoio desse mesmo PSD, ainda e sempre dirigido por Passos Coelho, a uma recandidatura do referido Marco Almeida nas autárquicas de 2017.

Em 7 de Junho p.p., num texto de Cristina Figueiredo, o Expresso anunciava que o PSD estaria a considerar o "endosso" à candidatura de Marco Almeida (Sintra) e, eventualmente, à de Paulo Vistas, em Oeiras. E citava declarações do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, em que este dizia que o partido não iria limitar as suas opções desde que fossem coerentes com "o projecto".

Depois, em Julho, o Público avançava com a notícia do apoio do PSD, do CDS, do MPT e do movimento "Nós Cidadãos em Sintra" à candidatura de Marco Almeida.

Já este mês, no dia 3, o jornal OJE esclarecia que em Sintra, "apesar de nenhuma voz oficial o confirmar, o processo estará também encerrado do lado dos social-democratas", adiantando-se que "várias fontes confirmaram mesmo ao OJE que o acordo entre Marco Almeida e a cúpula do PSD já está fechado, faltando apenas acertar detalhes e nomes integrantes da lista a apresentar."

Na sexta-feira passada (26/08/2016, p. 6) foi a vez do Público informar que Marco Almeida, depois de já se ter reunido com outras forças políticas, entre as quais o PSD, recebeu por unanimidade o apoio da JSD para se candidatar à presidência da Câmara de Sintra.

É, pois, neste momento quase seguro, embora não se saiba muito bem qual "o projecto" autárquico do PSD, que Passos Coelho e a sua direcção se preparam para engolir não um mas várias famílias de sapos, das mais variadas espécies e proveniências, nas autárquicas de 2017, para evitarem uma humilhação política. Humilhação que após a gritaria, aliás inconsequente, para impedir o governo da dita "geringonça" passa agora por fazer um duplo mortal à retaguarda, ainda que para isso seja necessário participar na criação de novas "geringonças" que pragmaticamente garantam o acesso ao poder e o ganha-pão das suas clientelas.

Sabíamos, pelo passado recente, que a coerência não era um forte deste PSD de Passos Coelho. Quanto a esse ponto não há nada de novo. Contudo, seria interessante desde já saber até onde irão o perdão e o acto de contrição e se, por hipótese, Marco Almeida resolver incluir na sua lista alguns dos que foram antes expulsos, convidando de novo, por exemplo, António Capucho, o histórico ex-militante e fundador do PSD, para encabeçar a lista para a Assembleia Municipal de Sintra, se ainda assim o PSD o apoiará. Ou, quem sabe, se o nome desse e de outros ex-militantes, como é agora o de Marco Almeida, que saiu do partido e encabeçou uma lista contra Pedro Pinto, é também negociável em nome do tal "projecto".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coisas que deviam ser óbvias

por José António Abreu, em 30.05.16

“[Seguro] teve medo de ser corrido e por isso foi fazendo a vontade às tribos todas, mas correram com ele na mesma. Quem ande a gerir as tribos com medo de ser corrido não sabe o que há-de fazer se algum dia ganhar.”

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mentir minto, mas minto mal

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.05.16

Pedro-Passos-Coelho.jpg

Compulsivo não se pode dizer que seja, mas minto tão mal e sou tão esquecido que até já cheguei a efectuar uma inauguração depois de terminar o mandato. Não é de estranhar depois do que aconteceu com os meus esquecimentos para com a Segurança Social.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A hipótese inaudita

por José António Abreu, em 16.03.16

Discordo da escolha de Pedro Passos Coelho no caso da votação das ajudas à Grécia e à Turquia. Acho que, a cada oportunidade, devia forçar Bloco e PCP a assumirem as responsabilidades inerentes à viabilização do governo. Mas, por incrível que pareça neste mundo de enviesamentos, no qual a alguns é exigida a perfeição e a outros tudo se perdoa, das políticas mais irresponsáveis à corrupção mais óbvia, até ao instante em que fingir se revela impossível (vide Sócrates, Lula e Dilma, Tsipras, Maduro, Kirchner), por incrível que pareça num político que «nasceu» no partido e se rodeou - e ainda rodeia - de algumas figuras de ética questionável, vai-se a ver e as decisões de Passos Coelho decorrem muito mais daquilo que ele entende ser o interesse nacional do que de jogos político-partidários. Relembrem-se as hipóteses que deu a Sócrates, a tirada «que se lixem as eleições», a insistência durante a campanha num assunto tão pouco eleitoralista como a reforma da Segurança Social ou a resistência, em finais de 2014, ao desejo do CDS de eliminar parte da sobretaxa de IRS no orçamento para 2015 (uma solução que, sabemo-lo hoje, teria sido irresponsável, e que foi substituída por outra que, embora responsável e inteligente, acabou por lhe causar mais problemas do que a cedência pura e simples teria alguma vez causado). Tudo posições na linha do sentido de voto nos casos do Banif e das ajudas à Grécia e à Turquia. Num país de chico-espertos, de orgulhosos especialistas no «desenrascanço», onde se elogia acima de tudo a capacidade de, a cada instante, manobrar as situações em benefício próprio e não a assumpção de responsabilidades ou a visão de longo prazo (e, por conseguinte, onde António Costa é um génio e o radicalismo do PS durante os anos da Troika algo natural), as posições de Passos Coelho constituem uma aberração que pode fazê-lo descer nas sondagens e até mesmo perder a liderança do PSD. Mas - e escrevo-o consciente de que, não obstante as frases iniciais deste texto, rapidamente surgirá quem me acuse de «facciosismo» e/ou «ingenuidade» - podem também constituir um dos poucos gestos dignos de verdadeiro respeito que a política portuguesa produziu nos últimos meses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A muleta.

por Luís Menezes Leitão, em 15.03.16

Há muito tempo que acho que Passos Coelho pode ter sido um bom primeiro-ministro, mas será sempre um péssimo líder da oposição. No governo Sócrates apoiou tudo o que este quis fazer, de tal forma que ele até lhe chamava o seu parceiro de tango. A coisa só terminou com a rejeição do PEC4 quando percebeu (ou alguém lhe explicou) que se o deixasse passar, teria que se sujeitar a eleições no partido.

 

Agora estamos a assistir a mais uma repetição do mesmo filme. Depois de ter dito (e bem) que não contassem com o PSD para aprovar medidas que não tinham o apoio da maioria de esquerda, Passos Coelho volta atrás e afinal manda o PSD viabilizar com a abstenção os apoios à Grécia e à Turquia. O partido ficou assim completamente exposto ao ridículo e até Costa disse que tinha inventado uma "boa desculpa" para mudar o sentido de voto.

 

Será que Passos Coelho não percebe que estes sucessivos volte-faces são fatais para a credibilidade de um partido político? Ponha os olhos em Rajoy em Espanha e veja como o PP tem barrado completamente quaisquer veleidades de a esquerda ascender ao poder, sem apresentar uma maioria estável e coerente.

 

Se Passos Coelho julga que o PSD vai voltar ao poder a servir de muleta a um governo PS, engana-se redondamente. É por isso mais que tempo de abandonar a pose de primeiro-ministro no exílio e começar a fazer oposição a sério. Assim não vai a lado nenhum.

Autoria e outros dados (tags, etc)

É preciso ter memória quando se fala do OE 2016 (8)

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.02.16

"Também por isto, dizem os técnicos, o cenário macroeconómico está envolto em grande incerteza, que é qualificada como uma “enorme incerteza” no que diz respeito ao ajustamento externo para 2015 esperado pelo Governo, em especial tendo em conta os números de sinal contrário dos anos anteriores.

A UTAO calcula mesmo que a procura externa líquida dirigida à economia portuguesa seja mais baixa do que o Governo está à espera em 0,6 pontos percentuais, que seja igualmente mais baixa para a totalidade do presente ano, face à última estimativa revista do Governo." - Observador, 20/10/2014

Autoria e outros dados (tags, etc)

É preciso ter memória quando se fala do OE 2016 (7)

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.02.16

«As projeções para a evolução da economia portuguesa encontram-se rodeadas de uma enorme incerteza e, portanto, com uma margem de erro superior à habitual, pelo que não será de excluir que os efeitos recessivos das novas medidas de consolidação orçamental possam vir a ser superiores aos projetados pelas entidades oficiais», diz a unidade numa análise preliminar à proposta de Orçamento do Estado para 2013 enviada ainda na terça-feira aos deputados." - TVI24, 24/10/2012

Autoria e outros dados (tags, etc)

É preciso ter memória quando se fala do OE 2016

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.02.16

photo.jpg"O Executivo de Passos Coelho podia ter pressionado “de forma visível” a troika para fazer “uma revisão global” das metas do memorando e não soube “fazer a pedagogia necessária” para reduzir a despesa pública, diz. Catroga questiona mesmo a “qualidade” das reformas estruturais levadas a cabo nos últimos três anos. Em termos políticos, o antigo conselheiro do primeiro-ministro diz que a crise política de 2013 “atrasou o processo” da recuperação portuguesa e questiona a falta de consensos." - Observador

Autoria e outros dados (tags, etc)

O cocheiro frustrado.

por Luís Menezes Leitão, em 13.02.16

Não há nada de que eu mais goste de que assistir a ex-políticos, que falharam rotundamente quando estiveram em funções, mas que mais tarde se permitem, do alto do seu estatuto senatorial, tecer comentários críticos sobre quem lhes sucedeu. Provavelmente essas críticas devem ter imenso efeito nas pessoas mais novas ou em gente desmemoriada. Para quem se lembra dos tempos em que eles exerceram funções, como é o meu caso, confesso que o descaramento me espanta.

 

Balsemão foi primeiro-ministro entre Janeiro de 1981 e Junho de 1983, tendo sucedido a Sá Carneiro, após a sua trágica morte a 4 de Dezembro de 1980. Herdou uma maioria absoluta no parlamento, resultante de duas vitórias eleitorais sucessivas de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Apesar disso, foi absolutamente incapaz de assegurar um governo estável, tendo-se demitido por duas vezes do cargo de primeiro-ministro, em virtude de meras críticas internas. Da segunda vez, a pretexto de "se ir dedicar ao partido", resolveu apresentar um primeiro-ministro interposto, Vítor Crespo, que tratou de arranjar um governo de segundas linhas. Freitas do Amaral, vendo o que se passava, demitiu-se a correr de todos os seus cargos políticos. Com o país em estado de choque, só o Presidente Eanes resolveu o assunto, rejeitando o governo proposto e dissolvendo o parlamento. O governo de Balsemão deixou o país em tal estado que, a seguir, o PSD viu-se forçado a aceitar um governo de bloco central com o PS, presidido por Mário Soares, que chamou imediatamente outra vez o FMI. 

 

É espantoso que, tendo este currículo governamental, Balsemão se permita dizer que Passos Coelho é um "cocheiro frustrado" "com os cavalos um pouco cansados". Eu pessoalmente tenho sido muito crítico de Passos Coelho, mas reconheço que foi primeiro-ministro na situação mais difícil que Portugal atravessou desde o 25 de Abril e conseguiu levar o barco a bom porto, resolvendo todas as tormentas que surgiam. Qualquer comparação com Balsemão é arrasadora para o próprio Balsemão. Basta lembrar a maneira como Passos Coelho segurou Portas, quando ele quis fugir do governo, ao contrário do próprio Balsemão, que não só se demitiu duas vezes, como deixou Freitas do Amaral dar às de Vila Diogo.

 

O futuro político de Passos Coelho depende de conseguir ultrapassar ou não a situação política nova que António Costa lhe criou. Mas, venha ou não a ter sucesso, nunca será um "cocheiro frustrado", pois soube conduzir o coche na perfeição na altura em que foi primeiro-ministro. O mesmo não se pode dizer de Balsemão, pelo que, se esse epíteto assenta a alguém como uma luva, é a ele próprio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um erro colossal.

por Luís Menezes Leitão, em 05.02.16

Em política a mensagem tem que ser muito clara e totalmente credível. Esta mensagem da recandidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD é tudo menos isso. O desenho e o slogan "Social-Democracia sempre" remetem-nos para os tempos iniciais do PPD que, nos idos do PREC, propunha a social-democracia como tímido contraponto ao socialismo, que todos os outros partidos sustentavam. Na altura até o CDS reclamava defender um "socialismo personalista".

 

O problema é que esta imagem e este slogan fariam sentido numa candidatura de Pacheco Pereira à liderança do PSD. Numa candidatura de Passos Coelho não fazem sentido absolutamente nenhum. Quem andou nos últimos quatro anos a dizer que o actual Estado Social é insustentável e que os contribuintes já não o conseguem suportar, não pode agora andar a proclamar "Social-Democracia sempre" e a recordar os tempos iniciais do PPD. Primeiro, essa recordação só fará sentido para pessoas com mais de 50 anos, já que a todos os outros nada dirá. Depois, se há imagem que Passos Coelho conseguiu construir foi a de alguém realista e que não iludia as dificuldades presentes que o país atravessa. Apresentar uma imagem mirífica de regresso a um tempo em que tudo parecia possível representa uma contradição total, o que só pode confundir os eleitores. E estes estão preocupados é com a realidade muito concreta da situação económica do país, que ameaça desabar a qualquer momento.

 

Por outro lado, o discurso de Passos Coelho também está a ser um desastre em termos políticos. Passos Coelho não consegue sair da amargura de repetir sucessivamente que "não só não governa quem ganhou as eleições como governa quem as perdeu", o que, sendo a mais pura das verdades, não deixa de representar alguém incapaz de virar a página. Apresentar como principal conteúdo da sua mensagem política o de que "não falhámos" e que "este é o passado com que me apresento" é estar focado no passado e não no presente.

 

Só que o presente não é ser primeiro-ministro, mas líder da oposição. E se no passado Passos Coelho foi um bom primeiro-ministro, não foi seguramente um bom líder da oposição, já que foi incapaz de travar o caminho de Sócrates em direcção à bancarrota, tendo-lhe dado a mão vezes excessivas. É aliás o que está agora outra vez a fazer com António Costa, não se compreendendo como é que alguém pode dizer "não acredito na solução de Governo actual", para depois ser quem lhe salva o orçamento rectificativo.

 

Passos Coelho começa a parecer-se perigosamente com Al Gore, que venceu o voto popular nas eleições dos Estados Unidos, mas não conseguiu impedir que George W. Bush chegasse à presidência, já que teve mais votos no colégio dos grandes eleitores. Al Gore foi incapaz de seguir em frente, e mesmo depois do colapso da presidência de George W. Bush, com Al Gore ninguém mais contou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Azeite muito gorduroso

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.01.16

cursos-cpt-oleo-derramado-2.jpg

Se eu fosse ministro das Finanças teria tido vergonha de receber uma carta de uma comissária europeia a recriminar-me em 2014, ter saído no final de 2015 sem nada ter feito para resolver a situação e ainda ser acusado por uma ex-ministra das Finanças do meu partido de varrer para debaixo do tapete e colocar o prestígio pessoal acima do interesse nacional. Se tivesse sido primeiro-ministro teria tido vergonha de dizer que me estava a lixar para as eleições e depois deixar um problema que eu sabia que tinha urgência em ser resolvido arrastar-se para não prejudicar o resultado eleitoral, sabendo que iria prejudicar o país e os contribuintes mais do que aquilo que seria exigível se o assunto ficasse para outros resolverem ao soar do gongo. Se fosse Presidente da República teria alertado para a situação descrita e não me teria empenhado numa solução de governo conivente com o arrastamento da situação. Se agora fosse oposição procuraria falar de tudo menos do que não fiz durante um anos e devia ter feito para não serem os socialistas a solucionarem e depois virem dizer que foram eles a resolver apesar dos custos financeiros acrescidos. E, finalmente, se agora fosse governo procuraria resolver tudo o que ficou pendente, sem fazer mais ondas, limpava o galheteiro para o azeite não continuar a escorrer e a sujar a toalha, com pouco falatório e evitando mais acusações, mas deixando tudo devidamente documentado e discriminado na factura que há-de ser remetida aos portugueses. De preferência num papel limpo e sem mais manchas de gordura.

Como não sou nada disso tenho que me limitar a ler e a tirar as minhas conclusões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um conto de Natal.

por Luís Menezes Leitão, em 24.12.15

 

Esta mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho constitui um disparate a todos os níveis. Ao afirmar que vai ter uma atitude construtiva e deixar governar aqueles que quiseram assumir essas responsabilidades, Passos Coelho afirma no fundo que o PSD vai ser a muleta do governo, reconhecendo a legitimidade de António Costa como Primeiro-Ministro. Fazer isso apenas um mês depois de ter sido derrubado pela esquerda do cargo de primeiro-ministro pode ser uma atitude muito cristã e típica da época natalícia, mas não é seguramente a que se espera de um líder partidário que foi remetido para a oposição depois de ter ganho as eleições legislativas. Especialmente quando se viu que a coligação de esquerda se desfaz ao mais pequeno sopro, sendo por isso absolutamente incapaz de aguentar uma tempestade.

 

De um líder partidário, que passou à oposição nestas condições, esperar-se-ia um combate frontal a este governo, prometendo para breve um novo governo que assegure melhores dias aos portugueses. Esta mensagem de Natal parece pelo contrário um acto de rendição de Passos Coelho ao governo de António Costa. É verdade que pelo cenário e pelo tom institucional faz lembrar as mensagens de Passos Coelho quando ainda era primeiro-ministro. Só que esse enquadramento parece estranho para quem é hoje líder da oposição, dando a imagem de que Passos Coelho desistiu totalmente do combate político nesta legislatura. 

 

Se o PSD continuar a fazer circular mensagens de Natal deste teor, o seu regresso ao governo será um conto de Natal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A rentabilidade estimada do nosso dinheiro era de 10%

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.12.15

"posso assegurar-vos que durante nove meses o Banif foi radiografado muitas vezes e de várias posições"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O outro braço direito só escapará com uma revisão constitucional

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.11.15

d4aaa9fa94c9529e1c6051570e7f9f07.jpg

De um sabemos da forma como se "licenciou", da sua função agilizadora nos "negócios" e do modo como se foi embora, numa espécie de reedição da saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado, quase que a pontapé. Do outro fica-se agora a aguardar o julgamento.

E registo o que a senhora procuradora, que não é anónima mas que mostra, coisa rara em Portugal, ter tomates, e contra quem certamente se iniciará agora mais uma campanha de desacreditação, escreveu na acusação sobre o arguido Miguel Macedo: "o muito grave e acentuado desrespeito pelos deveres funcionais e pelos padrões ético-profissionais de conduta, evidenciando total falta de competência e honorabilidade profissionais” e a "incompatibilidade absoluta" com a manutenção de qualquer cargo público que pressuponha "zelo, isenção e lealdade".

Mais forte era difícil para a santíssima trindade abençoada por Cavaco Silva e à qual o líder do CDS-PP deu o aval. 

Confesso que não alcanço o que leva tanta gente da nossa classe política, à direita e à esquerda, a agir desta forma, prestando-se a este tipo de situações (confusões?) no exercício de cargos públicos, onde a simples estupidez se confunde com a má formação ética e política, deitando-se tudo a perder: o nome, a carreira (ainda que construída à sombra da politiquice), a reputação.

Dos crimes poderá vir a ser absolvido, do juízo de censura é que não se livra. Ele e quem o meteu lá. Com bananas ou sem bananas, de avental ou em pelota.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os passos de Passos não foram perdidos

por José António Abreu, em 02.10.15

1. Governo

Em Janeiro de 2013, estavam os sinais de retoma económica ainda escondidos pelas peculiaridades da quarta dimensão (o extra-Euclidiano «tempo» e a sua patusca componente «futuro), escrevi que, não obstante muitos defeitos – tinha imensos, já na altura –, achava este governo um dos melhores, se não o melhor, da Terceira República. Muitas coisas ocorreram desde então: os chumbos mais mediáticos do Tribunal Constitucional, as revisões para cima dos objectivos do défice, a crise da «irreversibilidade» de Paulo Portas, o início da descida da taxa de desemprego, o desvanecimento da tão-certa-quanto-maligna «espiral recessiva», o aumento sustentado das exportações, o saldo das contas externas positivo pela primeira vez em décadas, o fim do programa de assistência financeira sem necessidade de segundo resgate ou de programa cautelar, o escândalo dos Vistos Gold, a reforma do mapa judiciário, a confusão na abertura do ano lectivo de 2014, o colapso do Grupo Espírito Santo, o processo de privatização da TAP. Embora acomodando mais algumas discordâncias e desilusões, a minha opinião manteve-se. E gostaria hoje, a dois dias das eleições, de regressar a dois destes temas, que me parecem definir um traço fundamental no governo e, muito particularmente, em Pedro Passos Coelho: a crise provocada pela demissão de Paulo Portas e a falência do Grupo Espírito Santo.

 

2. Desilusão 

Como os políticos gostam de dizer, permitam-me começar por um enquadramento. Na sexta-feira imediatamente anterior às eleições de 2011, escrevi:

9. Gostei da clareza do programa do PSD, apesar de existirem pontos em que não me revejo e outros em que receio se vá demasiado longe no futuro. [...] Desconfio de muitas pessoas que rodeiam Passos Coelho e detesto os aparelhistas e os caciques do partido. Não gosto da falta de clareza que o CDS manteve durante a campanha em relação a vários assuntos delicados, incluindo possíveis cenários de coligação. Considero que nos últimos anos fez uma oposição mais coerente do que do que a do PSD e prefiro, apesar de tudo, a equipa que rodeia Portas, por inexperiente que seja – ou talvez por causa disso.

10. Os próximos anos vão ser muito, muito difíceis.

11. Até domingo decidirei em que partido voto.

Votei CDS. Arrependi-me, acima de tudo por causa das tentativas que Paulo Portas foi fazendo para se dissociar – e dissociar o CDS – das medidas mais impopulares que o governo aplicava. Mesmo gostando pouco de organizações pejadas de gente com mais interesses do que convicções (como são todos os grandes partidos), se PSD e CDS concorressem separados às eleições do próximo domingo, o CDS perderia o meu voto e PSD ganhá-lo-ia.

 

3. Surpresa

Portas pode ter frustrado as minhas expectativas (reconheço-lhe, não obstante, uma capacidade de trabalho notável, que ajudou aos bons resultados das exportações) mas Passos ultrapassou-as – largamente. Contra uma esquerda radical ululante, contra um PS populista que sempre recusou assumir responsabilidades na situação a que o país chegara e colaborar nas medidas para o tirar dela, contra os «barões» do PSD, muitos dos quais afirmando o contrário do que antes haviam defendido, contra uma miríade de comentadores e «especialistas», contra sectores do Estado gordos, ineficientes e pouco habituados a constrangimentos, contra grupos económicos muito habituados aos negócios provenientes do Estado, contra quase toda a comunicação social, de maneira serena e sem autoritarismos (nunca ninguém teve razões para lhe chamar «animal feroz»), Passos aguentou o barco durante quatro anos e meio. Cometeu erros mas soube ultrapassá-los, aguentando firme ou recuando quando se tornou evidente que a alternativa seria pior – para ele, claro, mas também para o país.

 

4. «Não» a Portas

Quiçá por, em 2011, ter derrotado um Sócrates tão combativo, manipulador e histriónico como sempre mas bastante debilitado pelo falhanço clamoroso do rumo que insistira em seguir, muita gente continuou a subestimar as capacidades políticas de Passos Coelho até aos dias que se seguiram à demissão de Paulo Portas, no Verão de 2013. Nesses dias, ele mostrou que – não obstante o virulento cepticismo dos «pais» da República – era afinal um político de primeira. Nesses dias, fez algo que – admito – não julguei possível: manter o governo em funções, forçar Portas a reconsiderar, usando para isso o próprio CDS, e, na sequência dos esforços de Cavaco Silva para arranjar uma solução que envolvesse os socialistas, manter inteligentemente disponibilidade para negociar, ciente de que António José Seguro estava manietado por radicais que não aceitariam – como ainda não aceitam – compromissos. (Os quais – oh, ironias – lhes teriam dado em 2014 o que talvez não venham a conseguir em 2015.) Mais: partiu desse momento crítico para deixar de lado animosidades pessoais e criar uma melhor relação com Portas, bem visível durante a presente campanha. (Passos aproveitou a fraqueza de Portas, que ficara sem margem para novos erros, mas obviamente – até porque estas coisas são mais instintivas do que racionais – este terá parte do mérito na evolução que se constata.)

No Verão de 2013, nasceu outro Passos: o político que ninguém pode subestimar. Algo que os resultados das sondagens vêm confirmando, para surpresa e irritação de quase todos os socialistas, dos «barões» do PSD e de muito comentadores.

 

5. «Não» a Salgado

Se a crise provocada pela demissão de Portas revelou o político, o colapso do GES confirmou que Passos tem uma visão para a Economia. Ao longo destes quatro anos, teve de implementar muitas medidas que certamente lhe desagradam, começando pelos vários aumentos de impostos. Mas nunca tergiversou num ponto: a Economia desenvolve-se à base da iniciativa privada; esta deve funcionar em concorrência e assumir os riscos decorrentes da má gestão.

É ponto assente que o Banco de Portugal foi demasiado suave para com Ricardo Salgado durante demasiado tempo. O governo não. No período democrático (i.e., Terceira República excluindo PREC), nenhum antecessor de Passos teria recusado salvar Ricardo Salgado. Como – estou absolutamente convencido disto – não o teria recusado António Costa, se fosse primeiro-ministro. Há dias, no programa Conversas Cruzadas, da Rádio Renascença, Daniel Bessa (ex-ministro socialista) e Álvaro Santos Almeida (professor de Economia na Universidade do Porto) foram tão claros sobre o assunto que apenas me resta citá-los:

Daniel Bessa (1): Não tenho nenhuma dúvida de que o acto fundador – para o melhor e para o pior com todas as consequências que aí estão – partiu de Passos Coelho e Maria Luís que disseram ‘não’ ao Dr. Ricardo Salgado.

Daniel Bessa (2): Um ‘não' proferido quando o Dr. Ricardo Salgado lá foi e não foi sozinho. Até conheço quem o acompanhou nessa diligência, mas não vou dizer. Até não foram só dois, mas saíram de lá com uma ‘nega’ redonda. O regime caiu aí.

Álvaro Santos Almeida: Se não fosse por mais nada este governo teria valido a pena só por esta decisão.

É cedo para aferir os custos decorrentes do colapso do Grupo Espírito Santo e, ainda que se perceba a intenção subjacente (não permitir impactos no défice), terá sido um erro tentar vender o Novo Banco à pressa. Seja como for, até prova em contrário, a resolução foi a escolha com menos inconvenientes. Mas nem é tanto isso que aqui me interessa. Interessa-me a posição de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque diante do dono disto tudo, absolutamente extraordinária num país onde o cruzamento de interesses entre o Estado e os principais grupos económicos tem imperado, com custos enormes para o bem-estar geral.

 

6. Do passado ao futuro

Critiquei-o várias vezes. Em Março de 2010, num texto intitulado Os passos de Passos não serão perdidos (no qual - de vez em quando sou ainda melhor do que julgo ser - previ que se realizariam eleições em Junho de 2011), cheguei a admitir preferir Paulo Rangel para líder do PSD. Desconfio que, numa perspectiva de imagem para o futuro, seria melhor para Passos perder tangencialmente no próximo domingo. Dentro de vinte ou trinta anos, o seu nome estaria associado ao salvamento (provavelmente temporário) do país; à criação de uma (provavelmente desperdiçada) oportunidade. Vencendo sem maioria absoluta, enfrentará (mais) um período turbulento, o qual, dependendo da versão do Partido Socialista que sair das eleições, pode acabar mal. Mesmo com uma improvável maioria absoluta, está por demonstrar que é possível fazer crescer este país de forma saudável sem a presença de uma forte tutela externa, tão numerosos e poderosos são os interesses instalados (veja-se como o governo, que até se comportou razoavelmente para ano eleitoral, acaba de ceder aos enfermeiros). E ainda há os riscos externos: tirando Centeno e Galamba, alguém acredita que a Economia mundial escapará a um novo solavanco - passe o eufemismo – durante os próximos quatro anos? Seja como for, levando em conta as alternativas, ainda bem que Passos Coelho está na corrida. Se em grande medida o meu voto no próximo domingo configura a recusa de males maiores (a democracia é o jogo do possível; as utopias acabam mal), em parte serve também como reconhecimento do trabalho desenvolvido e (por vezes convém suspender o cinismo e, ainda que sem entusiasmos excessivos, apostar em alguma coisa) sinal de esperança no trabalho a desenvolver pelo homem mais contestado de Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Legislativas (11)

por Pedro Correia, em 17.09.15

           António_Costa_2014_(cropped)[1].jpg225px-Pedro_Passos_Coelho_1[1].jpg

 

DEBATE ANTÓNIO COSTA-PASSOS COELHO

 

Três jornalistas da rádio deram hoje uma excelente lição do que deve ser a condução de um debate político. Uma lição que deve ser assimilada pelos colegas da televisão, que no anterior debate entre António Costa e Passos Coelho não souberam coordenar-se entre si para dali sair um esclarecimento cabal dos eleitores. Interrompendo sucessivamente os dois políticos, fazendo perguntas descabidas, olhando em excesso para o cronómetro, procurando um protagonismo que não lhes cabe.

Hoje o local foi o mesmo - o Museu da Electricidade, em Lisboa. Mas o desempenho dos jornalistas foi muito mais eficaz, o que beneficiou largamente o frente-a-frente. Com mais tempo para as respostas e uma gama de temas mais vasta, incluindo a política europeia e o drama dos refugiados, que estiveram ausentes do debate anterior.

Graça Franco (Rádio Renascença), Maria Flor Pedroso (Antena 1) e Paulo Baldaia (TSF), com larga experiência em jornalismo político, foram responsáveis pela moderação daquele que foi até agora o melhor debate desta pré-campanha - e eu vi-os todos. Fizeram perguntas concretas e objectivas acerca de questões que realmente interessam aos portugueses: emprego, impostos, educação, segurança social.

Merecem ser felicitados por isso.

 

Passos Coelho mostrou-se em melhor forma do que no embate anterior com Costa, em que saiu derrotado. Foi mais enérgico e assertivo: deixou-se de alusões descabidas a José Sócrates, substituindo-as desta vez pelo substantivo "retórica", que colou com eficácia ao secretário-geral socialista.

Costa ia embalado numa espécie de remake do primeiro debate. Tanto assim que abriu as hostilidades com o mesmíssimo tema: acusou o executivo de Passos Coelho de ter sido o primeiro, em trinta anos, a fazer regredir o PIB português. E não tardou a repetir que o primeiro-ministro tudo fez para "ir além da tróica", esmagando o País com doses acrescidas e escusadas de austeridade ao longo da legislatura que agora termina.

"A austeridade teria sido evitada se o PS não tivesse conduzido o País à quase-bancarrota." Bastou esta réplica para se perceber uma diferença assinalável de tom entre o Passos do debate televisivo e o Passos do debate radiofónico.

 

Mas o secretário-geral socialista perdeu o debate de hoje por não ter sabido esclarecer sem equívocos uma medida relevante do seu programa eleitoral apesar de ter sido interrogado com insistência a esse respeito.

Coube a Graça Franco fazer-lhe a pergunta: "No seu programa de Governo propõe, ao longo da legislatura, uma poupança de 1020 milhões de euros com a introdução da condição de recurso em prestações não-contributivas da segurança social. Esses novos cortes vão abranger que tipo de prestações?"

A questão foi-lhe dirigida cinco vezes, com Costa sempre a chutar para canto. Flor Pedroso insistiu, também sem êxito.

Passos aproveitou a deixa para uma estocada no antagonista: "É aqui que se vê como a retórica e a demagogia chocam com a realidade. Mil milhões de euros é muito dinheiro. O senhor tem mesmo de dizer que prestações serão afectadas. Se não sabe dizer, significa que lhe puseram um número que o senhor não compreende a que é que diz respeito."

O incómodo do secretário-geral socialista - que já tinha deixado por esclarecer como tenciona alterar os escalões do IRS, algo igualmente previsto no programa eleitoral do PS - era então bem visível. Faltavam ainda alguns minutos para o debate acabar. Mas para ele, na prática, terminou ali.

 

...................................................................

 

FRASES

Passos - «Tsipras dizia o mesmo que o senhor diz.»

Costa - «A política que o senhor fez foi a política que quis fazer, por isso quis ir além da tróica.»

Passos - «É muito bonito estar agora com esta retórica. Outra coisa é estar no Governo a resolver os problemas.»

Costa - «Todos os dias o senhor é confrontado com o desmentido desse oásis que nos desenha do País.»

Passos - «Está disposto, no dia seguinte às eleições, quer ganhe quer perca, a sentar-se connosco para discutir uma reforma séria da segurança social?»

Costa - «A grande reforma da segurança social foi feita pelo nosso Governo em 2007.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Derrotado em toda a linha.

por Luís Menezes Leitão, em 17.09.15

O debate de hoje teve um vencedor claro: Passos Coelho. Hoje apresentou-se pela primeira vez em forma, perante um António Costa que se manteve absolutamente igual ao debate anterior. Só que a prestação de António Costa, se lhe permitiu vencer um Passos Coelho apagado, já não lhe evitou uma derrota colossal com Catarina Martins. Era por isso evidente que bastaria Passos Coelho crescer um pouco para António Costa sair derrotado em toda a linha. Foi o que se passou.

 

Passos Coelho começou por corrigir os erros do anterior debate, ao não ter respondido à crítica disparatada do aumento da dívida e ao auto-elogio (falso) da sua redução em Lisboa. Desta vez fê-lo de forma esclarecedora, aproveitando ainda para chamar a atenção para as miríficas promessas que António Costa tinha feito aquando da sua campanha em Lisboa.

 

Passos Coelho percebeu ainda o que já era óbvio depois da entrevista com Vítor Gonçalves e do debate com Catarina Martins: António Costa passa a vida a dizer que tem compromissos escritos no programa, mas não percebe nada do que lá está. A Vítor Gonçalves nada respondeu, tendo tido a atitude ridícula de lhe entregar um resumo do programa e a Catarina Martins limitou-se a repetir as acusações ao corte de pensões da direita, sendo incapaz de explicar os números que constavam do seu programa.

 

Hoje António Costa foi igualmente incapaz de dar explicações sobre o seu programa, dizendo apenas generalidades ou acusando o adversário. Até numa pergunta simples sobre o modelo de escalões que defende para o IRS nada disse, alegando que lhe faltava "informação fina". O quadro de receita fiscal constante do orçamento e os dados da sua execução são por acaso "informação grossa"?

 

Curiosamente a estocada decisiva em António Costa não foi dada por Passos Coelho, embora este a tenha imediatamente cavalgado, mas por Graça Franco. Esta perguntou a António Costa a que prestações da segurança social queria aplicar a condição de recurso, conforme tinha previsto no seu programa. António Costa foi incapaz de dar qualquer resposta e, apesar das insistências da jornalista e de Passos Coelho, limitou-se mais uma vez a papaguear generalidades. Provavelmente bem lhe apeteceria repetir o número que fez com Vítor Gonçalves, mas percebeu que não tinha condições para o fazer.

 

No fim do debate, após um briefing com Mário Centeno, lá foi capaz de responder alguma coisa aos jornalistas. A meu ver, foi pior a emenda do que o soneto, pois a imagem que ficou foi a de um político impreparado, que se limita a debitar um programa elaborado por Mário Centeno, do qual nada percebe, a não ser que o mesmo Centeno lhe explique. António Costa bem pode protestar que isto é um "não caso", que a generalidade dos analistas vê nisto um caso muito sério.

 

Tem sido afirmado que os debates em nada influenciam o resultado eleitoral, a não ser que um dos candidatos cometa uma gaffe monumental. A meu ver foi o que se passou hoje. O que torna imprevisível quem vai vencer as eleições. A partir de agora all bets are over.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A carta

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.09.15

977740.jpeg

(Fonte: Público

Autoria e outros dados (tags, etc)

Finalmente

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.09.15

Numa discussão política que tem estado ao nível mais rasteiro que se podia imaginar, e enquanto o primeiro-ministro, aproveitando a sua oferta que afinal não era bem uma oferta para liderar uma subscrição pública a favor dos lesados do BES, não promove uma petição pública para levar o assunto à Assembleia da República e desfazer as dúvidas, parece que finalmente há alguém que assume a responsabilidade pela vinda da troika. Ainda há gente responsável.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eram tantos que agora só com senhas para depois das eleições

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.09.15

"Tem havido manifestações de interesse por parte de várias instituições";

"Estou em crer que haverá condições para vender muito antes do prazo";

"Como tal, a venda deve ser rápida, o que não significa à pressa nem ao desbarato";

O Paribas já começou a identificar potenciais interessados como, por exemplo, três bancos espanhóis, um inglês, um brasileiro e vários fundos financeiros”;

"É uma boa notícia, o Governo entende obviamente que é uma boa notícia, quer o processo estar a decorrer normalmente, quer ter havido manifestações de interesse várias, o que demonstra alguma competitividade e concorrência que é sempre salutar nestes processos";

"É a demonstração de uma boa saúde por parte do sistema financeiro".

(intervalo para negociações com os lorpas)

A Fosun recusou subir a oferta de 1,5 mil milhões de euros, valor que nem chega a metade dos 3,9 mil milhões de euros que o Estado meteu no Fundo de Resolução. Perante este impasse, depois do falhanço da venda à Angbang, a venda será adiada até que sejam conhecidos os resultados dos testes de stress do Banco Central Europeu que ditam em quanto terá de ser reforçado o capital da instituição herdeira do BES. Ainda há a possibilidade de chamar à mesa os americanos da Apollo, mas dado que tinham a oferta financeira mais baixa, o Banco de Portugal, governado por Carlos Costa, pode nem iniciar negociações finais

Segundo a SIC, as negociações com os chineses com a Fosun já terminaram com o mesmo resultado que tiveram as negociações com os também chineses da Anbang, ou seja, o fracasso. Os candidatos estão a oferecer preços muito abaixo dos mínimos pretendidos pelo Banco de Portugal, pelo que se espera que as ofertas possam ser mais elevadas assim que se conhecerem melhor as necessidades de recapitalização da instituição. Recapitalização esta que terá, assim, de ser feita pelo Fundo de Resolução.

 

Partindo do princípio de que a bola de cristal de Marques Mendes está baça, o que inviabilizou a apresentação das contas da Segurança Social que António Costa e Catarina Martins já pediram e permitiram que a ministra da Justiça avançasse com umas sugestões (bitaites), o melhor será o primeiro-ministro e a ministra das Finanças porem-se ao caminho, meterem uma "cunha" ao dr. Mário Soares, que vai lá trocar impressões com alguma regularidade e pode ser que o convença a arranjar espaço na agenda entre as visitas habituais, e irem falar com o inquilino do número 33 da Rua Abade Faria. Não custa nada. Quem sabe se oferecendo com o banco uns computadores Magalhães, uns pares de sapatos e o dr. Marques Mendes, o problema não ficava resolvido?

Estou em crer, com excepção do sempre inconveniente António Lobo Xavier, que Sócrates será o único com experiência acumulada sobre este tipo de situações. O único, como diria o prof. Marcelo, que sabe disto a potes, capaz de transformar situações duvidosas em sucessos retumbantes, e em posição de ajudar a encontrar os parceiros ideais para este tipo de negócios. Talvez fosse a maneira de tramar o António Costa, dar gás ao Seguro, encontrar o consenso nacional que pede o Presidente da República, e poupar mais uns cobres aos novos milionários. Indirectamente, é claro. Essa gente nunca aceitaria benefícios directos. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Legislativas (7)

por Pedro Correia, em 11.09.15

            709890[1].jpg225px-Pedro_Passos_Coelho_1[1].jpg

 

DEBATE CATARINA MARTINS-PASSOS COELHO

 

Um debate com substância. Assim foi o frente-a-frente desta noite, na RTPi, que opôs Catarina Martins a Pedro Passos Coelho. Muito centrado na segurança social - tema que dá pano para mangas, pois interessa a todos os eleitores.

A porta-voz do Bloco de Esquerda - como lhe competia, e sem defraudar expectativas - jogou ao ataque neste debate moderado pelo jornalista Vítor Gonçalves, acusando a coligação PSD/CDS de "esconder os números" enquanto procura entregar parte da segurança social a fundos especulativos.

O presidente do PSD, deixando claro que qualquer alteração só se aplicará a novos contratos, rejeitou que esteja em estudo um corte de 600 milhões da segurança social. Mas continua a induzir a ideia de que nesta matéria o Executivo esconde muito mais do que explica.

O Bloco voltou a evidenciar-se como voz incómoda para a coligação, confirmando que Catarina Martins se apresenta em boa forma nesta campanha e disposta até a alargar as fronteiras tradicionais do seu partido. Ao ponto de hoje ter apelado sem rodeios ao voto "nas pessoas que [em 2011] votaram em Passos Coelho e Paulo Portas e se sentem traídas com o que aconteceu". E também ao apertar Passos com a questão aparentemente irresolúvel da dívida pública, que teima em manter-se com setas ascendentes.

Raros temas incomodam tanto o primeiro-ministro como este.

 

Mais duvidosa é a insistência bloquista em invocar Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix como figuras de referência: isso aconteceu esta noite, pelo segundo debate consecutivo, quando a líder do BE voltou a mencionar estes dois vultos conservadores em abono da sua tese de que "a dívida portuguesa é impagável".

Neste ponto Passos tocou na corda mais sensível dos bloquistas: o modelo grego, que entre Janeiro e Julho Catarina Martins tanto enaltecia. O governo Syriza chegou ao poder de peito feito, anunciando o fim da austeridade e a reestruturação da dívida, e acabou feito em estilhaços, impondo aos gregos um pacote de restrições financeiras ainda mais severas do que o anterior.

"Acho incompreensível que um país que tem que assegurar o pagamento às famílias, às empresas e ao Estado diga aos credores que não está em condições de pagar a dívida. Nesse dia deixa de ter condições para se financiar", declarou Passos, aludindo ao comportamento errante do ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis. Remetida à defesa neste ponto, Catarina viu-se forçada a dar o dito por não dito: "O programa que está hoje a ser imposto à Grécia é um programa mau para a Grécia, mau para a Europa, não é o nosso programa."

 

Não custou a Passos colar a sua oponente ao Syriza - o Bloco grego - neste debate nada morno no fundo, que quase replicou alguns dos tensos diálogos entre Catarina Martins e o primeiro-ministro na Assembleia da República, sem deixar de ser cordato na forma. O chefe do Governo também se esquivou sem grande dificuldade à questão do Novo Banco: enquanto a sua oponente acusava o Executivo de lesar os contribuintes, Passos questionou os custos incomportáveis de um cenário alternativo: "Se a nacionalização do BPN custou 5 mil milhões, a do BES custaria dez vezes mais."

Ficou sem réplica. Catarina Martins optou por virar a agulha: "Nestes quatro anos, o senhor roubou sete meses de salários dos funcionários públicos", disse-lhe ela. "A senhora deputada aparece com um discurso de quem sabe que nunca vai ter que chegar ao Governo e tomar medidas", retorquiu-lhe ele.

Condenados a desentender-se, está mais que visto.

 

...................................................................

 

FRASES

Catarina - «O PIB português recuou 15 anos [desde 2011].»

Passos - «O que trouxe os sacrifícios foi a crise [anterior à posse do Governo].»

Catarina - «Há dez mil novos milionários em Portugal, doutor Passos Coelho.»

Passos - «Acha que eu fiz dez mil novos milionários? Não foi com certeza à custa do Estado, senhora deputada.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

O debate.

por Luís Menezes Leitão, em 10.09.15

Passos Coelho pode orgulhar-se de ter dirigido o governo que conseguiu levar a bom porto o país, depois da situação mais complexa que qualquer governo teve em Portugal desde 1975, em grande parte por culpa do governo anterior. Como primeiro-ministro, revelou-se especialmente em dois momentos extremamente difíceis. O primeiro foi em Julho de 2013, quando segurou o governo, perante a demissão irrevogável do seu parceiro de coligação, Paulo Portas, evitando que a coligação se desfizesse, como sucedeu à AD em 1982 quando Freitas do Amaral tembém decidiu abandonar o barco. O segundo foi em Julho de 2014, quando recusou envolver o dinheiro dos contribuintes no colapso do BES, não repetindo assim o que Sócrates tinha feito com o BPN. Passos Coelho apresenta a seu crédito ter conseguido evitar novos resgates e ter colocado o país novamente a crescer. Por isso, como recentemente escreveu o insuspeito José Silva Pinto neste livro, mesmo que perca as eleições, sairá sempre do governo com a consciência tranquila.

 

O problema é que não se ganham eleições com base nos feitos do governo anterior, e muito menos a referir os deméritos do governo que tinham na altura substituído. Churchill também conseguiu no Reino Unido o enorme feito de vencer uma guerra que no início todos davam como perdida e nas eleições subsequentes foi esmagado pelos trabalhistas. Para ganhar eleições é preciso apresentar um projecto político consistente ao eleitorado e combater eficazmente por ele.

 

A coligação, pelo contrário, convenceu-se de que o balanço que poderia apresentar destes quatro anos chegaria para a vitória e que por isso bastaria aos seus líderes fazerem-se de mortos até às eleições. Diga-se de passagem que até ontem a estratégia parecia resultar, tantos eram os tiros que Costa estava a dar no seu próprio pé. Daí que os debates tenham sido menorizados, não se lhes tendo dado grande importância.

 

Só que a forma como Paulo Portas foi trucidado por Catarina Martins deveria ter feito soar as campainhas de alarme nos partidos da coligação, fazendo prever um combate muito duro com António Costa, no qual Passos Coelho teria que jogar ao ataque. No entanto, este apareceu à defesa, tendo tido muita dificuldade em aparar os golpes do adversário. Nem sequer respondeu a acusações que não tinham qualquer consistência, como a de ter aumentado a dívida. Como é que teria sido possível ela ter sido reduzida depois de o governo anterior ter pedido emprestado 88 mil milhões de euros e continuar todos os anos a existir défice no orçamento do Estado?

 

E deixou passar em claro a afirmação extraordinária de Costa de que tinha vendido terrenos da Câmara de Lisboa e decidido aplicar o montante no pagamento da dívida da autarquia. Como aqui se explica, Costa não vendeu terreno algum, já que eles tinha sido expropriados em 1942. Apenas se limitou a chegar a acordo numa acção que a Câmara tinha instaurado contra o Estado e que não tinha quaisquer garantias de vir a ganhar. E também não decidiu reduzir a dívida com o dinheiro recebido, pois não recebeu dinheiro algum. O acordo no processo foi que o Estado assumiria e passaria a pagar 43% da dívida da Câmara. É espantoso que surjam afirmações deste género num debate e que não surja por parte do adversário uma resposta à altura.

 

Ou os líderes da coligação deixam de fazer de mortos e se preparam a sério para este difícilimo combate ou serão apeados nas próximas eleições sem apelo nem agravo. E quem sofrerá com isso é o país, que passará se calhar a ter o único governo de frente popular da zona euro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Diferenças de estilo e não só

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.09.15

costa passos debate.jpeg

"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

 

O que Vasco Pulido Valente escreveu há quase um ano está actualíssimo depois do debate de ontem. Os comentadores e analistas já decidiram quem ganhou o debate e porquê. Aos pontos ou por "K.O." para o caso é irrelevante, porque a decisão final será tomada em 4 de Outubro pelos que se predispuserem a ir às urnas. Sobre essa estatística não me pronuncio.

Notarei, no entanto, que pela primeira vez se viu uma diferença abissal entre Passos Coelho e António Costa. Refiro-me ao estilo, à  abordagem das questões, na substância e na forma, em especial na clareza. Miguel Relvas dizia depois do debate que Passos Coelho tinha de ser mais agressivo e esta leitura já diz quase tudo. Agressivo? Em quê? Como? Era preciso que Passos Coelho tivesse argumentos.

Da ausência destes resultou a forma como se foi esfarelando sem glória ao longo do debate, o modo como se esgueirava às questões (aliás, habitual nele), querendo a todo o tempo repescar um passado que não contou com António Costa na proa para a sua triste caminhada para o abismo, trocando e rectificando os milhões - cinco milhões eram afinal cinco mil milhões e meio, confusões normais mas que antes serviram para se gozar com Guterres e Centeno -, com Judite de Sousa a insistir para que respondesse, uma, duas vezes, ele dizendo que a resposta era simples mas sem a dar, levando forte e feio por causa das despesas de 2015 continuarem no mesmo nível de 2011, encaixando o crescimento da dívida e a queda do crescimento, completamente aos papéis na acusação de que deixou o país mais endividado do que encontrou e fazendo como seu trunfo o cumprimento de um programa de ajustamento que qualquer outro governo na mesma situação teria cumprido, tal como outros antes dele também cumpriram. Com gráficos ou sem gráficos, na retórica de Passos - sem programa e sem contas, como Costa bem sublinhou - só cabia o discurso gasto, passista e passadista. E é evidente que Costa não poderia deixar passar em branco as suas vitórias eleitorais em Lisboa - é sempre aborrecido recordá-las - ou o programa de incentivos ao retorno para jovens emigrantes, verdadeiro número de ilusionismo político, digno de uma feira para parolos, destinado a abranger 20 pessoas num país que só em 2012 e 2013 viu sair mais de 200.000 pessoas

O erro de Passos Coelho e de quem o aconselhou foi o de pensar que tinha à sua frente para o debate mais um produto formatado numa jotinha, alguém do tipo "Sócrates". Alguém a quem, com a sua verve e a experiência entretanto adquirida, seria fácil cilindrar com meia dúzia de patacoadas e o agitar dos fantasmas do passado. Enganou-se. António Costa é politicamente também o produto de uma jota, mas tem claramente a seu favor muito mais do que isso. Aquilo que Sócrates não tinha, e Passos Coelho também não tem, nem nunca terá, é a consistência curricular, académica e profissional. O que cavou o abismo foi a diferença entre ter uma escola, um passado e uma carreira que são conhecidos de todos, e não ter nada. Foi também a diferença entre depender de si ou depender de uma jota, dos padrinhos no partido, do subsídio de reintegração ou dos amigos para sobreviver, ir enchendo chouriços e se manter à tona da água até chegar a sua hora. Encostado às cordas por Miguel Macedo e a trapalhada dos "vistos gold", a Passos Coelho faltou claramente a muleta de Paulo Portas. Está tudo explicado.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Legislativas (5)

por Pedro Correia, em 10.09.15

            António_Costa_2014_(cropped)[1].jpg225px-Pedro_Passos_Coelho_1[1].jpg

 

DEBATE ANTÓNIO COSTA-PASSOS COELHO

 

O ausente José Sócrates foi uma figura omnipresente no frente-a-frente entre António Costa e Passos Coelho transmitido esta noite em simultâneo pelos três canais televisivos em sinal aberto, numa operação informativa de carácter inédito que - sabe-se já - não será repetida. O presidente do PSD mencionou oito vezes o nome do ex-primeiro-ministro socialista e o próprio secretário-geral do PS não resistiu a falar nele três vezes. No remanso da sua nova residência, onde se encontra sob detenção domiciliária por decisão do juiz Carlos Alexandre, Sócrates certamente terá sorrido. Mesmo suspeito da prática de delitos graves, o antigo líder socialista mantém-se à tona. E vai continuar a interferir na campanha eleitoral para as legislativas de 4 de Outubro.

Passos - mais nervoso do que é habitual, algo denunciado pela forma como fazia girar continuamente a caneta que tinha nos dedos - levava a lição estudada em termos estratégicos: colar Costa a Sócrates e ao Syriza. As referências à Grécia acabaram por ser esporádicas, mas as alusões ao antigo líder do PS foram contínuas.

"As pessoas hoje olham para si e para o PS e vêem o regresso ao passado. Esse é o seu drama, esse é o seu problema", disparou o líder laranja. Exprimindo a sua convicção de que os portugueses não querem "regressar às experiências de Sócrates em 2009 e 2010".

A certa altura Costa irritou-se. E seguiu-se este diálogo:

"Eu percebo que tem saudades de debater com o engenheiro Sócrates. Mas agora terá de debater comigo. Porque sou eu o seu adversário."

"Não é muito diferente."

"As pessoas sabem que eu não minto."

 

Realizado no Museu da Electricidade, à beira-Tejo, com moderação de Judite Sousa (TVI), João Adelino Faria (RTP) e Clara de Sousa (SIC), o debate foi mal-doseado: houve mais tempo para abordar só dois temas (impostos e segurança social) do que tudo o resto. A política pura e dura esteve quase ausente. De alianças políticas pós-eleitorais nada se falou apesar da convicção unânime de que não haverá maioria absoluta nas urnas. Parecia um tête-a-tête entre dois candidatos à presidência de um conselho de administração de uma empresa.

Apesar da relativa decepção gerada por este frente-a-frente (que esteve muito longe de ser o "debate decisivo" anunciado pelas trombetas mediáticas), Costa teve aqui talvez a sua melhor prestação nesta campanha, sobrepondo-se nos minutos iniciais a um Passos Coelho menos acutilante do que nos habituou nos debates quinzenais travados no hemiciclo de São Bento. O socialista exibiu gráficos destinados a demonstrar os pecados austeritários de um Governo que teimou em "governar para além da tróica" e foi eficaz nesta operação de marketing político, sem réplica convincente do seu antagonista.

 

O debate viria a equilibrar-se, com Passos a procurar sacudir a relativa modorra em que caíra. "O doutor António Costa, para a maior parte dos portugueses, representa uma incerteza", disse o líder da coligação Portugal à Frente. Mas não existe uma segunda oportunidade para uma primeira impressão: os 20 minutos iniciais, favoráveis a um Costa muito mais acutilante, contribuíram sem dúvida para o seu triunfo desta noite.

O líder do PS voltou aliás a sobrepor-se ao arrasar um programa governamental denominado Vem, que apesar da propaganda do Executivo até agora não conseguiu trazer um só jovem de regresso à pátria-mãe. Esteve pior ao aludir excessivas vezes à sua passagem pela Câmara de Lisboa, o que de algum modo desgradua a sua condição actual de candidato a primeiro-ministro. E ao irritar-se perante nova alusão de Passos a Sócrates [diálogo que reproduzo nas linhas de baixo] em frases bem reveladoras do seu estado de espírito perante as contínuas intromissões do antecessor na campanha do PS.

Quando alguém do painel de moderadores lhe perguntou se tenciona visitar o engenheiro, a resposta de Costa foi seca e cortante: "Não sei. Não tenho nada previsto."

A verdade é que o fantasma da campanha de 2011 continua a pairar quatro anos depois nestas legislativas. É um risco que vale a pena anotar numa altura em que se receia uma forte abstenção a 4 de Outubro: aludir excessivamente ao passado serve pouco para esclarecer o presente e não mobiliza os eleitores de que Portugal necessita para erguer os alicerces do futuro.

 

...................................................................

 

FRASES

Costa - «O engenheiro Sócrates agora até está em melhores condições para debater consigo. Porque é que não o visita e não faz um debate se tem tantas saudades?»

Passos - «Eu deixo-o a si programar as suas visitas ao engenheiro Sócrates. Ele não concorre a estas eleições mas o senhor não se livra de estar a apresentar-se com as mesmas ideias dele.»

Costa - «O senhor tem muitas saudades, muitas saudades, muitas saudades...»

Passos - «Não é assim tão diferente, deixe-me dizer-lhe.»

Costa - «Tem muitas saudades.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Falência técnica? O que é isso?

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.09.15

Quando é tudo feito à pressa e não há tempo para se avaliar devidamente as credenciais dos concorrentes, é difícil perceber se têm dinheiro para comprar alguma coisa ou se aparecem só para fazer o jeito a tempo das eleições.

De qualquer modo, não há dúvida que vender a TAP a quem está em falência técnica só pode ser visto como um sucesso. E dos grandes. 

Daqui a uns meses voltaremos a falar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma desfeita

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.09.15

images gatofed.jpg

Quero aqui manifestar, como benfiquista, a minha solidariedade ao Ricardo Araújo Pereira pela constrangedora situação em que o primeiro-ministro o deixou ao recusar o convite para ir ao novo programa do Gato Fedorento com o argumento de que Paulo Portas irá lá estar e que "não vale a pena duplicar". Duplicar? Mas duplicar o quê? Depois daquela discussão por causa dos debates televisivos, com Passos Coelho e Paulo Portas a baterem-se para poderem estar os dois num debate com António Costa, é incompreensível que tendo-lhes sido dada a oportunidade de poderem conversar, os dois e à vez, com o Ricardo e sem a oposição a espernear, Passos Coelho lhe tenha dado uma nega. É inacreditável. Em 2009 a coisa tinha corrido muitíssimo bem, e agora népias. Como se o Ricardo Araújo Pereira fosse menos do que o António Costa. Como se não devesse haver alguma coerência nestas coisas e o Ricardo não fosse também do Benfica. E logo agora, desperdiçar um precioso tempo de antena, à borla, quando a máquina das privatizações está tão oleada, quando há tantos candidatos ao Metro do Porto, depois de mais um chumbo no Tribunal Constitucional, e logo quando haveria mais uma oportunidade para o primeiro-ministro esclarecer os portugueses sobre quem vai pagar os buracos do Novo Banco. Se seremos nós, os chineses ou os tesos dos angolanos. Eu sabia que ia sobrar para o CDS/PP. Sobra sempre. Há coisas que não se fazem a ninguém, muito menos aos nossos amigos e "parceiros" de coligação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quanto menos debates, menos gosto de ti

por Rui Rocha, em 23.08.15

Vamos cá ver: ninguém obrigou o PSD e o PP a coligarem-se. Agora, se o fizeram, devem assumir as consequências. E essas são basicamente, para não perdermos muito tempo, que Passos Coelho é o líder da proposta política que a PaF, ou lá como se chama, tem para apresentar e que o PP tem uma posição de absoluta subalternidade. Vai daí, o normal é que a PaF, ou lá o que é, seja representada nos debates por Passos Coelho. E ponto final. A recusa de participação em debates em que o PP não esteja representado é, por isso, uma péssima decisão. Como já ninguém acredita que políticos que não conseguem explicar a embrulhada da Tecnoforma e que apresentam Miguel Relvas e Marco António Costa como parceiros de viagem se movam por princípios ou ideais, os eleitores concluirão, naturalmente, que Passos Coelho se move pelo mais puro tacticismo. Que teme, vá la saber-se porquê, que o debate lhe seja desfavorável. É, portanto, e repito, uma péssima decisão. Se debatesse, ganharia ou não. Não debatendo, já perdeu. Discutir, esclarecer, sujeitar-se ao escrutínio e ao contraditório são a essência da democracia. Quem invoca argumentos de secretaria para furtar-se a um debate não pode ter a aprovação daqueles que valorizam a democracia. Aliás, só existiriam vantagens em que Passos Coelho participasse sozinho. Tendo em conta acontecimentos que não estão assim tão distantes, bem poderia suceder que Passos Coelho e Paulo Portas se desentendessem em pleno debate.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Momento zen

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.08.15

Autoria e outros dados (tags, etc)

Némesis

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.08.15

Global imagens.jpg

 (Global Imagens)

Só em quatro de Outubro é que a deusa se manifestará, dando a uns o que merecem e castigando os que tiraram partido da fortuna para se arruinarem e arruinarem os seus. Assim que passe o Verão estaremos lá. Nessa altura se saberá qual a medida da punição, que a acreditar nos sinais não serão benevolentes.

Aceitar a integração do CDS/PP nas listas do PSD foi uma decisão politicamente acertada e susceptível de acautelar perdas eleitorais substanciais com inequívoco reflexo no número de deputados do CDS na composição da próxima Assembleia da República. Fazer figura de Heloísa Apolónia e ir abrilhantar a festa do Pontal, como se o CDS/PP fosse uma espécie de Verdes alaranjados, é que não me pareceu uma decisão inteligente. Com o Pontal deste ano só houve uma pessoa a ganhar: Ribeiro e Castro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não conseguimos é habituarmo-nos

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.08.15

Não satisfeito de ter ficado conhecido como "o alemão" numa visita que fez à Grécia, ainda se predispõe a ir para o twitter fazer a propaganda que internamente o seu Governo oferece aos indígenas. Convidado pelo economista Philippe Legrand a contrariar os factos que este apresentara e a dar os seus números, amuou e foi à vida. Quando um secretário de Estado se presta a este tipo de operações e depois acaba por ser motivo de gozo internacional, compreende-se que só sirva para consumo interno. O jornalista e ensaísta austríaco Robert Misik chamou-lhe funny clown, pois claro. Ele e os que lhe pagam o salário para que possa andar a twittar vacuidades nas redes sociais. Com o do Licor Beirão e o da Cultura constituem um trio de secretários de Estado de antologia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Está a fazer um ano

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.08.15

Publico-20150803.jpg

Em 4 de Agosto de 2014:

"Passos Coelho tinha dito que o Estado não seria obrigado a salvar o BES. Que não haveria dinheiro dos contribuintes lá metido, que seriam os privados a arcar com os prejuízos. Concluí, ingenuamente, que seriam os "capitalistas" a resolver o problema. Mas o que se vê, ao contrário do que foi afirmado e da mensagem que o governador Carlos Costa quis passar, é que estamos perante uma nacionalização encapotada do BES. Ainda que temporária será paga com o dinheiro que não saiu do bolso dos seus accionistas, que não saiu do bolso dos privados e cujos custos serão pagos, uma vez mais, pouco ou muito, com juros ou sem juros, por todos."

 

Em 3 de Agosto de 2015:

"Ofertas abaixo dos 4900 milhões "atrasam" venda do Novo Banco

Os três candidatos à compra da instituição bancária entregaram propostas bastante abaixo do valor injectado no banco

(...) Assim, qualquer proposta abaixo dos 4900 milhões traduzir-se-á numa perda a suportar pelo sistema, o que afectará a Caixa Geral de Depósitos com 30% do mercado, e, por essa via, os contribuintes. E ao terem de absorver “prejuízos”, os bancos degradam os resultados o que se reflectirá igualmente em menos receitas para o Estado. É a dimensão dos prejuízos que as autoridades procuram agora minimizar potenciando a venda. E, por isso, solicitaram ao Anbang, à Fosun e à Apollo, que até 7 de Agosto submetam ao BdP novas intenções vinculativas. Uma parte de valor será para encaixar pelo vendedor, outra destina-se a recapitalizar o NB, que necessita de nova injecção de fundos até 1500 milhões. Contas feitas (e incluindo o polémico aumento de capital de Junho de 2014, ainda com Ricardo Salgado no banco), com o apoio adicional a ser realizado, a instituição terá recebido nos últimos 14 meses, cerca de 7500 milhões de euros. (...) O Governo e o BdP têm vindo a ajustar as suas expectativas optimistas iniciais de que a transacção do Novo Banco se faria próximo dos 4900 milhões. O que os obrigou a colocar em cima da mesa uma quarta solução “não desejada”: a possibilidade de atrasar o fecho da operação até que as condições de mercado se tornem mais favoráveis. É a via que menos interessa a Pedro Passos Coelho e seria encarada como um falhanço." - Público

 

Espero que as contas finais apareçam antes das Legislativas de 4 de Outubro. Conviria deixar a casa limpa para que os próximos inquilinos não venham também dizer, quatro anos depois, que a culpa do que correu mal foi dos antecessores. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em que ficamos?

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.07.15

"Por acaso, a ideia para o fundo de privatizações da Grécia, o trust de 50 mil milhões de euros que vai absorver o espólio que for vendido nos próximos anos, foi ideia do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, revelou Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu. O primeiro-ministro português disse na segunda-feira que a ideia foi sua."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Seasons

por Rui Rocha, em 13.07.15

O acordo entre a Grécia e os credores marca o final da Syriza Season. Passos Coelho anunciou, entretanto, o início oficial da Silly Season.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

No país dos brandos costumes

por Ana Vidal, em 11.07.15

VIP.pt-14982-15286.jpg

Algumas notas minhas, à margem deste artigo que subscrevo.


1. Fiquei genuinamente espantada (chamem-me naif, devo sê-lo) por constatar que a cabeça nua de Laura Ferreira teve, da parte da esmagadora maioria das pessoas, uma leitura política. Prova-o um facto incontestável: salvo raras excepções, quem é de direita aplaudiu o gesto, quem é de esquerda criticou-o. Onde eu vi apenas uma mensagem pessoal, simples e corajosa, dirigida às mulheres que passam por este calvário tão comum, como quem diz "Uma mulher não deixa de ser inteira por não ter cabelo", muita gente viu um frete eleitoralista, um apelo à piedade ou à simpatia política, ou simplesmente a exibição de uma intimidade incómoda que deve permanecer escondida, sobretudo quando se trata de uma figura pública.


2. Presumir que Laura Ferreira se sujeitaria a este grau de exposição pessoal (e à violência dos comentários que se lhe seguiram, que ela, mais calejada nestas coisas do que eu, provavelmente previu) por outros motivos que não uma decisão pessoal, é duplamente ofensivo. Por um lado, é negar-lhe o direito a vontade, agenda e intenções próprias, fazendo dela um mero fantoche do marido. Por outro, é atirar-lhe à cara que não tem o amor e o respeito dele, se assim oferece à turba, implacável e com as piores intenções, a sua pretensa fragilidade, sem que ela sequer se aperceba disso. Ou, pior ainda, percebendo a marosca mas aceitando o papel, submissa e acéfala. Ou seja, é chamar-lhe imbecil e/ou conivente. Em qualquer dos casos, feitas as contas, tudo isto é profundamente machista. Diz-se-lhe que fique em casa, quietinha e discreta como costumava ser, pelo menos até estar apresentável outra vez.


3. Se as medidas de austeridade impostas por Passos Coelho chegaram ao extremo de negar tratamentos eficazes a doentes oncológicos porque são caros, grite-se bem alto esse atropelo ao direito dos cidadãos portugueses à dignidade e aos cuidados de saúde. Exija-se o recuo, a mudança. Mas não se misture tudo numa açorda de ódio que acaba por ter como alvo uma mulher que é, ela própria, uma doente oncológica. A frustração leva muitas vezes as pessoas a limites de crueldade, caindo nos mesmos erros que apontam aos outros. Muitos dos comentários críticos que li nas redes sociais são de uma violência sub-humana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

De cabeça erguida

por Leonor Barros, em 10.07.15

Tenho andado aqui a digerir a polémica em torno do aparecimento da mulher de Passos Coelho sem cabelo e sem peruca num evento oficial. Confesso que a minha primeira reacção foi 'caramba, mas ela não podia ser mais discreta? Há alguma necessidade de se expor desta maneira?' Depois disto, recolhi-me no meu canto, ouvi opiniões sem fim, que como se sabe somos muito opinadores, e comecei a pensar que o desconforto era mais meu, meu apenas pelo horror que sempre me provocam estas situações. Infelizmente não faço parte daquele leque de pessoas preparadas a priori para lidar com a doença e a degradação e sei bem como se morre de cancro, sem essa história ridícula de chamar a todos guerreiros. Cada um luta como sabe e pode. Acredito piamente que todos lutarão enquanto souberem que vale a pena e que sentirão quando chegou o momento de descansar, não de desistir. Descansar. Não vejo razão por que a mulher do PM se há-de cobrir. Tem cancro. Assumiu. Não tem de ficar em casa para nos poupar ao desconforto e não tem de usar peruca pela mesma razão. A vida é o que é.Tiro-lhe o chapéu pela coragem, isso eu sei, porque se tal me acontecesse/acontecer duvido que deixasse que alguém em público me visse careca. 

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D