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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 12.03.17

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Pedro Passos Coelho faz uma história retrospectiva em relação a Ricardo Salgado e esquece-se que ele participou ou esteve presente em reuniões do Conselho de Ministros no início da [passada] legislatura. Já ninguém se lembra. Já ninguém se lembra!»

«Veio nos jornais e nunca ninguém desmentiu. Veio nos jornais...»

«Então ao Conselho de Estado não foi o Mario Draghi?»

 

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Como você imagina, isso [Salgado no Conselho de Ministros] é uma coisa que nunca aconteceu.»

«Então vai alguém que não é ministro ou membro do Governo a uma reunião do Conselho de Ministros?!»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 9 de Março

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Frases de 2017 (5)

por Pedro Correia, em 15.02.17

«Neste momento não tenho nenhum interesse pela política portuguesa. Nem os noticiários portugueses vejo.»

José Pacheco Pereira, 9 de Fevereiro, SIC Notícias

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Pacheco e a "excepção" comunista

por Pedro Correia, em 15.12.16

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 Foto: Fernando Veludo/Lusa

 

O recente congresso do PCP em Almada foi a expressão mais acabada de um acto litúrgico transposto para a política: nada se discutiu, nada se pôs em causa. Todos os delegados se sucederam na tribuna, numa coreografia pré-estabelecida com rigor mecânico, repetindo a velha litania comunista sem o mais leve sobressalto de dúvida.

Foi um congresso que terminou no momento em que começava. Porque tudo já estava decidido de antemão. Para fora do "partido com paredes de vidro", na expressão algo irónica de Álvaro Cunhal, nada transpareceu - aliás com a lamentável cumplicidade de um jornalismo complacente.

 

Registou-se debate interno sobre o adiado processo de sucessão de Jerónimo de Sousa?

Houve críticas à notória subalternização do PCP na impropriamente chamada "geringonça"?

Terão soado alertas perante a contínua descida do partido nas sondagens à custa do PS?

Mulheres comunistas ter-se-ão atrevido a contestar a absurda menorização de género na cúpula partidária, incluindo o Comité Central, onde a representação feminina ronda os 26%?

Escutaram-se vozes de perplexidade perante a acumulação de um  rico património imobiliário no partido que diz representar os pobres?

Alguém terá arriscado insurgir-se contra o facto de o PCP figurar na primeira linha da defesa desse controverso privilégio que isenta igrejas e partidos do pagamento do IMI?

 

Perguntas que permanecem sem resposta.

Nem um sussurro a respeito de qualquer destes temas se escutou no congresso de Almada: o PCP subsiste em larga medida à margem do escrutínio mediático, o que constitui um atestado de incompetência ao nosso jornalismo político, bafejado com a surpreendente condescendência de Pacheco Pereira, em regra tão exigente na necessidade de conferir transparência aos mecanismos de decisão política, não apenas em Portugal mas ao nível das estruturas comunitárias.

Dois pesos, duas medidas.

 

"O PCP não pode ser analisado com os mesmos critérios dos outros partidos. Tem que se usar outro tipo de critério para o PCP, que não é propriamente um partido político: é uma comunidade muito especial, com códigos próprios", declarou há dias o biógrafo de Cunhal no programa Quadratura do Círculo, da SIC Notícias. Caucionando com estas suaves palavras o manto de silêncio que envolve os comunistas, embalados nas certezas do materialismo dialéctico, do determinismo histórico e dessa espécie de fatalidade biológica que impede um burguês de adquirir "consciência operária".

Como se a tribo vermelha permanecesse imune às paixões humanas. Como se ali não houvesse o que existe nas restantes forças partidárias, por vezes até em doses reforçadas: divergências políticas, animosidades pessoais, carreirismo militante, lutas pelo poder, anátemas à dissidência.

Como se o dever dos jornalistas não fosse iluminar o que é obscuro - seja na burocracia de Bruxelas, seja na oligarquia partidária em Lisboa. Sem excepções de qualquer espécie.

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Profetas da nossa terra (75)

por Pedro Correia, em 23.11.16

«Acho pouco provável que Trump ganhe as eleições.»

Pacheco Pereira, TVI 24, 20 Julho de 2016

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Palavras para recordar (2)

por Pedro Correia, em 31.10.16

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JOSÉ PACHECO PEREIRA

Público, 1 de Dezembro de 2007

«Só há uma alternativa a esta política do modelo social europeu e essa alternativa é um consistente, persistente e intransigente programa de liberalismo moderado, reformista, prudente, passo a passo, sempre no mesmo sentido de dar mais liberdade a pessoas e a empresas do domínio abafador do Estado.»

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 30.09.16

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Jorge Coelho (militante do PS)

«A pobreza só se resolve com o crescimento da nossa economia, só se resolve com a criação de empregos, com a criação de trabalho. É preciso haver estabilidade na nossa política fiscal porque isso é importante para o investimento externo.»

 

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Uma política que pretenda diminuir as desigualdades passa também por taxar uma parte da riqueza e por garantir que essa riqueza não cria um mecanismo de acumulação que gera cada vez mais desigualdade. Há muita gente em Portugal que ou foge para os paraísos fiscais e não paga o imposto que devia ou que é muito menos taxada do que são os mais pobres.»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 22 de Setembro

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 27.07.16

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Reconheço que nesta matéria serei um pouco conservador, mas já não estou em idade de mudar: as finanças públicas têm que ser sãs. Isto é uma questão central na vida de um país.»

«Sem finanças públicas sãs Portugal vai sofrer pesadas consequências no futuro.»

«Não pode haver nada que contribua para um descambar da despesa pública.»

«É preciso cumprir os compromissos com as instituições europeias. Estou a referir-me ao défice.»

«Vivemos momentos muito difíceis, no mundo, na Europa e em Portugal. As coisas na economia não estão a correr bem, temos de ser realistas.»

«Era muito importante que o crescimento da economia em Portugal estivesse a ser maior do que está a ser, estariam a crescer postos de trabalho, estaria a diminuir a despesa pública e a normalizar mais as contas da segurança social... Os ratios económicos não estão de acordo com aquilo que foi previsto.»

«O País não tem condições de produzir aumentos de salários reais. Tenho dúvidas de que deva haver qualquer aumento de salários.»

«O funcionamento da banca e das instituições financeiras é absolutamente vital e determinante para que um país seja normal a todos os níveis.»

«Não vai ser Bruxelas que vai fazer cair o Governo em Portugal. [Se o Governo cair] vai ser por dificuldades da plataforma política [que apoia o Governo].»

 

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Tudo indica que o Governo vai cumprir o défice.»

«Ninguém diz que o Governo não está a cumprir os 3% [limite do défice]. Quem não cumpriu os 3% foi o Governo anterior.»

«Discutir 0,1% ou 0,2% para cima ou para baixo não são finanças sãs. É a utilização dos mecanismos de pressão para garantir políticas que eles consideram sãs.»

«Eu conheço a argumentação de que para diminuir as despesas do Estado tem que se controlar os salários, as pensões, as reformas... e depois dão-se milhares de milhões aos bancos.»

«Não é verdade que haja um isolamento das posições portuguesas. Uma parte importante das forças da União Europeia fazem declarações públicas a dizer que Portugal vai no bom caminho.»

«António Costa disse que a actual política europeia conduzia à estagnação. É importante que isto seja dito, porque é verdade.»

«A politica europeia é uma política de estagnação.»

«A Europa não cresce porque esta política não permite o seu crescimento.»

«As imposição europeias não servem o desenvolvimento de Portugal.»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 21 de Julho

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Frases de 2016 (25)

por Pedro Correia, em 25.06.16

«A Europa tornou-se num sítio de onde se entra e não se pode sair a não ser humilhado e ofendido, como aconteceu com os gregos.»

Pacheco Pereira, às 23.45 da noite do referendo britânico (SIC N)

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Inequívoca prova de tolerância

por Pedro Correia, em 04.06.16

Pacheco Pereira recebeu a maior ovação da manhã no congresso do PS. Eis uma inequívoca prova de tolerância dos socialistas: sabem aplaudir sem sectarismos quem se encontra à sua esquerda.

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Pacheco, Sá Carneiro e o PSD

por Pedro Correia, em 03.03.16

Hoje, pela enésima vez, Pacheco Pereira surgiu na Quadratura do Círculo como auto-declarado intérprete do "pensamento autêntico" de Sá Carneiro em matéria de social-democracia. Proclamando que o actual PSD, tão tenazmente combatido por ele próprio, nada tem a ver com o do fundador do partido.

"Os homens de Passos Coelho são tudo menos sociais-democratas, são pessoas que se revêem mais facilmente no CDS do ponto de vista doutrinário. (...) Passos Coelho não tem nada de social-democrata: mostra agora um oportunismo verbal que eu reconheço na personagem pois sempre a conheci assim." Palavras do ex-vice-presidente do PSD, ex-líder da distrital laranja de Lisboa e ex-presidente do grupo parlamentar social-democrata pronunciadas há pouco na SIC Notícias.

Sá Carneiro, tragicamente desaparecido em 1980, já cá não está para exercer o contraditório. Mas até por isso convém recordar aos mais desmemorizados que há pelo menos um elo a ligar o partido nestas duas fases da sua história: Pacheco Pereira combateu ambas.

Porque nunca ele militou no PSD de Sá Carneiro. Pelo contrário, ele militou contra o PSD de Sá Carneiro.

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Incomodidades

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.02.16

"Por isso, a situação actual não é filha de um único evento, mas de dois: a "bancarrota Sócrates" e a governação desastrosa do PSD-CDS dos últimos quatro anos. Como já escrevi várias vezes, a crise de 2008-2011, abriu caminho para uma outra crise, que tem sido responsável pela estagnação da Europa em contraste com os EUA. E o que se seguiu, para países como Portugal, foi menos dramático do que a iminência de não ter dinheiro nos cofres, mas foi, num certo sentido, pior: foi a redução do país a uma política que, acentuando as desigualdades e a pobreza, destruindo os escassos recursos que existiam, erodindo a frágil classe média e obrigando à emigração dos mais qualificados, impedindo qualquer política de desenvolvimento, tornou o país num medíocre executor de políticas com um único objectivo: pagar a dívida que é hoje, no meio da crise bancária e financeira, uma linha de vida para os credores. Pequenos que somos, não contando muito para os balanços, contamos para o exemplo. Aí contamos muito mais do que devemos, daí a enorme pressão política sobre o Governo Costa, que tem garantida a enorme hostilidade dos mesmos que tornaram estas políticas a variante nacional da TINA. O problema não é de "desconfiança", é de hostilidade — ele não é dos nossos, não é o que foi Passos Coelho, logo, vamos ensiná-lo como fizemos aos gregos. Com os resultados brilhantes que se vêem na Grécia.

O contentamento mal escondido da direita radical com as dificuldades do Governo Costa coloca-a com entusiasmo ao lado da vozearia que vem de Bruxelas e Berlim, alguma de uma arrogância que devia ofender já não digo um patriota, mas um português que gosta do seu país." - José Pacheco Pereira

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 30.01.16

«O Governo quer melhorar a situação das pessoas que têm salário, melhorar os direitos laborais, melhorar as reformas, e subitamente este Governo surge aos olhos dos burocratas de Bruxelas como inteiramente subversivo. E estão a pô-lo na ordem. (...) Portugal não é uma colónia dos burocratas de Bruxelas.»

Pacheco Pereira, 28 de Janeiro

 

«A Comissão Europeia está a assaltar o nosso país.»

Catarina Martins, 29 de Janeiro

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Frases de 2016 (10)

por Pedro Correia, em 22.01.16

«Mérito da candidatura de Sampaio da Nóvoa: é a candidatura que mais próxima está da solução governativa actual. E como eu acho que é importante alguma estabilidade dessa solução governativa, é importante que o Presidente possa ser fiável em relação a um apoio a essa solução política.»

Pacheco Pereira, ontem, na SIC Notícias

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Deve ser mais um argumento para o expulsarem

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.12.15

"Face ao convite que me foi feito para a Administração de Serralves, devo dizer que só aceitei por ser um lugar não remunerado e sem qualquer prebenda, condição que coloquei ao convidante. Faço parte igualmente de um Conselho de Patronos do Museu Vieira da Silva / Arpad Szenes, do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, e do Conselho-Geral da Universidade do Porto. Tudo sem qualquer remuneração."


Vê-se pelo silêncio que grassa que ainda devem estar à procura de argumentos para poderem contestar a nomeação. Talvez pelas senhas de presença, se as houver.

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A man for all seasons

por Pedro Correia, em 08.12.15

 

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De vice-presidente de Marcelo Rebelo de Sousa a apoiante de Marisa Matias.

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Horror: o PSD "perdeu o centro"

por Pedro Correia, em 23.11.15

Andavam alguns por aí a clamar contra a suposta "direitização" do PSD, que abandonara o centro e se entregara nos braços pérfidos do CDS. O mentor desta tese, Pacheco Pereira, logo a viu repetida, serão após serão, por uma infindável legião de pequenos e médios comentadores nas pantalhas.

É uma excelente tese. Que só tem um problema: a falta de adesão à realidade.

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Ai coitadinho do Pacheco Pereira

por Rui Rocha, em 17.11.15

Vai ficar todo roxinho de indignação quando descobrir que há deputados da Nação que utilizam este tipo de linguagem.

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Correm rumores

por Rui Rocha, em 06.11.15

Pacheco Pereira terá sido visto a comprar um frasco de pimenta para pôr na língua dos meninos que dizem palavras feias.

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Um dia em cheio para Marcelo

por Pedro Correia, em 16.10.15

Marcelo Rebelo de Sousa venceu ontem em três tabuleiros. Logo de manhã, confirmou-se a não-notícia mais badalada do ano: Rui Rio manter-se-á fora da corrida a Belém. À tarde, outra desistência no mesmo campo político: Alberto João Jardim também não será candidato.

No campo oposto, divisão parece ser a palavra de ordem: ainda ontem o PCP mandava avançar o seu candidato, Edgar Silva, membro do Comité Central comunista, que se apresentou ao País. Em princípio para ir mesmo a votos, dividindo ainda mais a esquerda.

Dois potenciais rivais fora de cena e mais um candidato a baralhar as contas na margem contrária: como se já não bastasse tudo isto, à noite surgiu em antena Pacheco Pereira, no local do costume, disparando críticas ao ex-líder do PSD. Pacheco, que é o decano dos comentadores televisivos e foi vice-presidente de Rebelo de Sousa, considera que este concorre para Belém com  "uma mancha ética": a de ter sido ele próprio comentador na televisão...

Enfim, um dia em cheio para Marcelo. Só boas notícias.

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Frases de 2015 (46)

por Pedro Correia, em 14.10.15

«Eu reconheço-me mais num homem que tem receio de dizer mentiras [António Costa] do que num homem que do princípio ao fim não faz outra coisa senão dizer mentiras [Passos Coelho].»

Pacheco Pereira, na SIC Notícias (17 de Setembro)

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Frases de 2015 (40)

por Pedro Correia, em 28.09.15

«Não há-de ser por mim que a coligação ganha.»

Pacheco Pereira, SIC Notícias, 24 de Setembro

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Manobras de diversão

por Rui Rocha, em 27.09.15

Muito se diz sobre o escândalo da Volkswagen mas pouco se fala das emissões em que participa o Pacheco Pereira.

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Frases de 2015 (36)

por Pedro Correia, em 08.09.15

«Serei sempre mais moderado do que Pacheco Pereira.»

António Costa em entrevista ao Sol, 21 de Agosto

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 09.08.15

No dia em que se fizer a história da blogosfera portuguesa, há um blogue que será sempre incontornável: o abrupto. Há anos que Pacheco Pereira nele escreve persistentemente, sem qualquer receio dos ódios que gera, principalmente no seu próprio partido. Raras vezes estou de acordo com ele, mas aprecio imenso a profundidade das suas análises e a sua incansável luta pelas ideias que defende.

 

Recordo especialmente um momento célebre desse blogue: aquando da escolha desastrada de Santana Lopes para Primeiro-Ministro, Pacheco Pereira limitou-se a publicar uma frase no abrupto: "Pobre país… o nosso". A frase teve honras de notícia nas televisões e marcou para sempre o governo de Santana Lopes, conduzindo-o depois ao patético episódio do discurso sobre o bebé na incubadora. Nessa altura se viu o efeito que o abrupto poderia causar.

 

Devido à sua influência, Pacheco Pereira e o abrupto são frequentemente alvo de ataques na blogosfera. Não lhe causam danos de maior. Pacheco Pereira tem a pele dura e sabe que uma voz livre tem sempre mais influência do que as habituais vozes do dono. Precisamente por isso, foi recentemente objecto de um ataque ainda mais soez que passou pela colocação de falsos cartazes, exibindo-o com uma metralhadora na mão, como um putativo candidato radical às presidenciais. Pacheco Pereira publicou o cartaz no abrupto, e seguramente o mesmo não deixará de integrar o seu precioso arquivo, como mais um exemplo da guerrilha política no séc. XXI.

 

Só tenha pena que ultimamente a actualização do abrupto não esteja a ocorrer com a frequência que merecia. Mas todos os dias blogues nascem e morrem e o abrupto permanece. A permanência é o traço típico das instituições. Por esse motivo, devido à sua enorme importância para a blogosfera, o abrupto é a minha escolha para blogue da semana. 

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Subscrevo

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.03.15

"Alguém me pode explicar por que razão é que o “não” dos responsáveis governamentais valia mais do que o testemunho de centenas de pessoas e das afirmações claramente sólidas do Sindicato? Mas o “não” de Passos e Núncio valia mais do que a denúncia de um facto e a palavra do Sindicato? Pois é, valia mas não valia. Só a subserviência ao poder explica que tão facilmente se aceite a palavra dos governantes. E Passos Coelho, que conhecia a notícia da Visão, não tem um assessor que lhe diga “seja prudente enquanto não se esclarecer esta história da acção de formação”, porque era isso que tinha que ser esclarecido? Não. O poder vive da hierarquia e uma mentira navega muito bem pela hierarquia acima quando é conveniente.

Homens sem qualidades não assumem responsabilidades." - José Pacheco Pereira, aqui, com todas as letras.

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Esse é que é o fundo da questão

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.10.14

"Na verdade, no cômputo global dos três documentos, mesmo incluindo o “bom”, a carga fiscal aumenta, visto que se vai buscar mais dinheiro do que o que se devolve às famílias. Ou seja, o dinheiro que os portugueses vão pagar ao Estado aumenta. Como é que é assim possível que o primeiro-ministro e a ministra das Finanças e os seus propagandistas digam que não há aumentos de impostos? É possível apenas porque somos complacentes com a mentira, tão habituados estamos a viver no seu seio." - Pacheco Pereira, Público, hoje

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Meus senhores: recebam este texto e leiam-no com atenção

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.06.14

Nunca escondi o meu apreço pela sua estatura de intelectual e de historiador comprometido com a verdade, que para alguns será sempre um valor relativo, sem prejuízo de cada um ter a sua. Mas não me querendo antecipar, arriscaria dizer que este texto de José Pacheco Pereira será um dos textos do ano. Do ano? Não, da última década. Está lá tudo, até a vergonha de que muitos têm medo de falar (e de ler). Nesta altura deve haver muita gente a espumar depois de saber da recusa do Banco de Portugal em ver na nova administração os perfumados de sempre. Agora a família vai entregar a instituição a um dos que nunca seria reconhecido como um dos deles. Por falta de pedigree. A República, por vezes, ainda sabe estar à altura das situações.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (103)

por Pedro Correia, em 07.05.14

 

«O Vasco Graça Moura não gostaria nem nunca gostou de lamúrias. Não vou, portanto, entrar naquele tom que às vezes se usa quando se refere à morte de alguém de quem se é próximo. Mas há um combate de Vasco Graça Moura que ele certamente gostaria que continuassem em nome dele: o combate ao acordo ortográfico. (...) As pessoas devem dar continuidade ao combate pela defesa da língua portuguesa, contra o acordo ortográfico.»

Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo (SIC Notícias, 2 de Maio)

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Quadratura da crise

por João Carvalho, em 13.07.12

Entre outros valentes tabefes, Pacheco Pereira disse que o Governo está a menosprezar os efeitos das medidas de austeridade. Foi ontem à noite, no estafado programa que tem na SIC-Notícias, quando se falava do estado da nação e desta crise de quatro lados que nos aperta.

O longo percurso de Pacheco Pereira no PSD é espantoso. Na prática, só andou tranquilo quando Manuela Ferreira Leite foi líder do partido. Ou seja: só andou tranquilo durante um momento. Foi uma oportunidade de rara visão política, embora então se adivinhasse escusada e efémera.

No resto, o sofá de Pacheco Pereira no PSD é mais ou menos como um trono ocupado por um monarca republicano.

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Um partido sem emenda (11)

por Pedro Correia, em 26.05.11

«À esquerda o PS está a ser mais eficaz do que o PSD à direita. Isto é eleitoralmente errado.»

Pacheco Pereira, esta noite, na Quadratura do Círculo (SIC N). Faltam dez dias para as legislativas.

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Um partido sem emenda (8)

por Pedro Correia, em 03.05.11

«Não há um problema pessoal com um homem, há um problema político com um homem, José Sócrates. Não é com o PS, transformado em marioneta, nem com o Governo, inexistente, é com José Sócrates, político. Os puristas podem dizer que este é um terreno perigoso em democracia, a pessoalização das críticas, e repetir a lenda urbana construída pelo próprio Sócrates com a colaboração de Passos Coelho e dos seus amigos, quando estavam a combater Manuela Ferreira Leite, que atribuía as razões do seu falhanço eleitoral aos "ataques pessoais a Sócrates". Tretas! O problema existe mesmo e queiram os autores da lenda no PSD ou não queiram, é exactamente a idiossincrasia do "homem" o que lhes perturba a possibilidade de terem sucesso com todas as vantagens a empurrar a seu favor. (...) Eu não estou a dizer que Sócrates seja um produto da televisão, embora também seja, mas que as suas qualidades pessoais, e o modo profissional como utiliza os media, lhe permitem uma enorme vantagem sobre os seus adversários, mesmo no pior dos contextos.»

 

José Pacheco Pereira, no Público de sábado. Faltam 33 dias para as legislativas.

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Um partido sem emenda (6)

por Pedro Correia, em 30.04.11

«Nós não temos hoje à frente dos dois principais partidos pessoas que tenham capacidade e preparação para enfrentar a crise que temos.»

Pacheco Pereira, quinta-feira, na Quadratura do Círculo (SIC N)

 

«O PSD é um partido sem estratégia.»

Pacheco Pereira, ontem, em entrevista à Antena 1 e reproduzida na RTP

 

Faltam 36 dias para as legislativas.

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Um partido sem emenda (4)

por Pedro Correia, em 26.04.11

«O PS e o PSD não estão a portar-se à altura das dificuldades do tempo presente. (...) Não têm lideranças que correspondam aos interesses nacionais.»

José Pacheco Pereira, esta noite, na SIC Notícias. Faltam 40 dias para as legislativas.

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Um partido sem emenda (3)

por Pedro Correia, em 23.04.11

«O radicalismo inconsciente de "correr o Sócrates o mais depressa possível", a que no PSD se deu ouvidos, ameaça ser ou mantê-lo, contra todas as evidências, ou dar-lhe o melhor cenário possível para um retorno ao poder a curto prazo. E o melhor cenário possível, não custa perceber, é um PSD ganhador por uma pequena margem sobre um PS que sai do seu annus horribilis sem grandes estragos. Sócrates escapará ao pior da crise, a execução do plano de austeridade do FMI passará a responsabilidade do PSD, e este estará na primeira bancada da Assembleia a conduzir uma oposição revanchista e perigosa face a um PSD muito debilitado por uma vitória que será de Pirro.»

José Pacheco Pereira, em artigo de página inteira hoje no Público. Faltam 42 dias para as legislativas.

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As coisas são o que são

por Pedro Correia, em 08.04.11

José Sócrates "só lá está porque os portugueses votaram nele", lembra Pacheco Pereira. E Manuela Ferreira Leite só lá não está porque os portugueses não votaram nela, acrescento eu.

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Exemplar direito à indignação

por Pedro Correia, em 13.03.11

 

 

José Pacheco Pereira - o novo herói da Direcção-Geral da Propaganda - proclamou ontem, abrupto, o seu imenso nojo pela cobertura jornalística das manifestações pacíficas que levaram às ruas cerca de 300 mil pessoas de todas as idades, em várias cidades - a maior iniciativa do género em Portugal, não enquadrada por estados-maiores partidários nem caudilhos sindicais. O que tinha o ilustre pensador a proclamar sobre o assunto? Apenas isto: «Voltou-se ao PREC e aos comícios em directo.» Eis um raciocínio de uma profundidade esmagadora...

Estive na manifestação de Lisboa, sei do que falo: não houve exagero no que se disse, no que se mostrou e no que se escreveu. Não foi o desfile de arruaceiros que muitas bempensâncias previam, nos jornais e nos blogues. Não foi um palco para se exibirem extremismos de várias cores, como algumas aves agoirentas chegaram a vaticinar, em letra impressa ou na pantalha. Nem foi a marcha de "antidemocratas e niilistas" que Mário Soares temia, já esquecido do "direito à indignação" de outros tempos.

Foi, isso sim, uma exemplar demonstração de civismo. E um vigoroso cartão amarelo exibido não só ao Governo mas à generalidade da classe política - uma espécie de clube muito reservado, cujos membros se esgotam nos rituais da pequena intriga, contra adversários e correligionários, indiferentes ao pulsar da sociedade. Pessoas cuja opinião varia em função das conveniências tácticas de circunstância. Pessoas como o deputado Pacheco Pereira, em tempos um dos mais ferozes inimigos do bloco central e que ontem, na página de opinião de que dispõe no Público, apregoava os méritos de um entendimento entre o PS e o PSD (com o CDS a reboque) como "única saída democrática para a nossa crise". Dias depois de ter advogado que o Governo de José Sócrates "deve cumprir a legislatura toda até 2013".

De uma coerência arrasadora: Pacheco certamente continuará a merecer honras de citação da Direcção-Geral da Propaganda. O que diz muito sobre o espírito do tempo. Hei-de sentar-me num banco do jardim de Santo Amaro a meditar sobre o assunto.

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Duas vias para ir a lugar nenhum

por Pedro Correia, em 03.03.11

 

O José Adelino Maltez tem razão: o maior problema actual do PSD é estar cheio de treinadores de bancada que teimam em ditar a táctica. Ex-líderes do partido e antigos presidentes do grupo parlamentar - alguns com uma notável colecção de derrotas nos respectivos currículos - dedicam-se de momento ao que melhor sabem: disparar contra a direcção em funções. Neste edificante passatempo destaca-se Pacheco Pereira, que em entrevista ao Diário de Notícias da Madeira vem agora criticar Passos Coelho por ter uma "navegação de cabotagem, à vista da costa", e sobretudo pela "falta de consistência" do seu discurso. 

 

Muito bem. Querem um discurso "consistente" de alguém incapaz de "navegar à vista"? Têm o exemplo do próprio Pacheco Pereira. A 11 de Novembro, na Quadratura do Círculo, o ex-estratego da fracassada candidatura de Manuela Ferreira Leite falava desta maneira: "Neste momento o grande factor de perturbação da vida política nacional é o primeiro-ministro. Isso é uma realidade objectiva. Nada está bem nesta frente. Se há coisa que neste momento conhece um processo de descredibilização é o primeiro-ministro e o governo. O primeiro-ministro não tem condições para cumprir nada do seu programa eleitoral. O seu programa eleitoral não existe. (...) A legitimidade eleitoral está muito diminuída pela circunstância do programa eleitoral ter ido rapidamente - do cheque-bebé aos medicamentos gratuitos - por água abaixo. É um facto. Qualquer pessoa de bom senso percebe que o engenheiro Sócrates é um problema, é um obstáculo a qualquer entendimento. (...) Alguém tem de lhe dizer que ele está a fazer mal ao País."

 

Isto foi há quatro meses. Como diz Sócrates, o mundo muda muito em dois ou três dias. Nada mais abrupto. Não admira, portanto, que o Pacheco de Março tenha um discurso muito diferente do Pacheco de Novembro. Agora já considera que a legislatura deve ser cumprida até 2013. "As democracias têm procedimentos e não devemos interromper, traumaticamente, esses procedimentos. Se este governo conseguir manter a execução orçamental acho preferível que continue até ao fim da legislatura. (...) O PSD tem de ser visto como um partido responsável."  Curiosa sintonia: a entrevista de Pacheco Pereira ao DN-Madeira foi publicada escassas 24 horas após José Sócrates ter proclamado isto, na apresentação da sua moção estratégica ao congresso do PS: "Qualquer crise política prejudicaria a economia e o País."

 

Imaginem o cenário equacionado por Pacheco na versão Março mesclada com a versão Novembro: os portugueses desgovernados mais dois anos e meio por esse "grande factor de perturbação nacional" que é Sócrates, alguém cuja "legitimidade eleitoral está muito diminuída" e que "está a fazer muito mal ao País".

Teríamos, portanto, de aguentar este primeiro-ministro até Setembro de 2013. Com Pacheco, esse louvável exemplo de "consistência", a fazer de treinador de bancada na última fila do Parlamento.

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Passos Coelho: prós e contras

por Pedro Correia, em 08.04.10

 

Paulo Marcelo, n' O Cachimbo de Magritte, já tinha reconhecido mérito ao novo líder do PSD: "Passos Coelho deu sinais positivos, no discurso de vitória, ao convidar os seus adversários para os órgãos nacionais do partido." Manuel Pinheiro também: "A manutenção de António Capucho no Conselho de Estado foi um bom sinal. Cá estaremos para acompanhar o resto." Mas alguns colegas de blogue nem perante a vitória esmagadora do sucessor de Manuela Ferreira Leite reconheceram as evidências. Fernando Martins, por exemplo, não tardou a escrever "líder" entre aspas, equiparando a nova etapa na vida dos sociais-democratas a uma "borrasca". Pedro Picoito, ainda antes de o novo presidente laranja entrar em funções, apressa-se a denunciar a "inércia de Passos Coelho quanto ao património de liberdade, ao debate democrático e à livre expressão". E esclarece, como se alguém tivesse dúvidas: "Não olhem para mim. Votei Rangel."

Tendo votado em Paulo Rangel, tal como alguns dos seus colegas de blogue, questiono-me se Pedro Picoito se congratula com a decisão, já assumida por Rangel, de aceitar encabeçar a lista ao Conselho Nacional do PSD patrocinada por Passos Coelho, que convidou outro dos derrotados, Aguiar-Branco, para presidir à comissão que vai rever o programa do partido. Confirmam-se as boas expectativas de Paulo Marcelo e Manuel Pinheiro: Passos quer congregar os militantes, começando pelos que estiveram contra ele - precisamente ao contrário do que Manuela Ferreira Leite fez, com os resultados que bem sabemos. Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e soft, de virar as setas do partido para baixo. Já Maria João Marques, livre dos constrangimentos de ser deputada, escreve sem papas na língua n' O Insurgente: "Não há como negar: o passismo é uma coisa funesta." Nem outra coisa seria de esperar de quem considera que "o aparelhismo e o caciquismo foram fundamentais para a vitória" de Passos Coelho, com 61% dos votos.

A boa notícia para José Sócrates é que a oposição interna a Passos Coelho começa já a marcar terreno em certos blogues - ainda antes de o novo líder entrar formalmente em funções. A má notícia, para o PS e para esta oposição interna, é que Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco recusam patrocinar facções, optando por colaborar com Passos Coelho. Puro bom senso, à luz dos interesses imediatos do PSD: o contrário seria retomar a marcha lenta mas cada vez mais alucinante do partido para o suicídio.

A liderança de Passos arrisca-se a ser um mero intervalo de curta ou longa duração nesta marcha. Mas, de momento, não existe alternativa, como Rangel e Aguiar-Branco bem perceberam. Mais tarde se verá quem tem razão: eles ou os bloguistas que já andam aí de espada desembainhada em nome de uma direita que nunca se confundiu nem jamais se confundirá com o PSD.

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Tanto barulho para nada

por Pedro Correia, em 31.03.10

 

Os apelos à desistência do candidato Aguiar-Branco na corrida à presidência do PSD, com destaque para uma abrupta intervenção de Pacheco Pereira num dos seus múltiplos palcos mediáticos, além de revelarem muito da concepção que certa "elite" laranja tem da democracia, não produziriam qualquer efeito, mesmo se tivessem sido escutados. Como os resultados demonstraram, os votos em Passos Coelho ultrapassaram largamente a soma dos obtidos por Aguiar-Branco e Paulo Rangel. Bem fez o líder parlamentar social-democrata em ignorá-los. Às vezes há que deixar o ruído fluir, como se estivéssemos a contemplar a passagem do tempo num banco do jardim de Santo Amaro.

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O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

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Como eles vêem o Delito (III)

por Pedro Correia, em 20.03.10

"É mais popular atacar o delito de opinião do que a corrupção."

José Pacheco Pereira, na 'Quadratura do Círculo' (SIC N)

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Como eles vêem o Delito (I)

por Pedro Correia, em 18.03.10

"Surpreende-me que o partido acabe por ter uma rígida condenação do delito de opinião e nenhuma quanto a actos de corrupção, com que é muito benevolente."

José Pacheco Pereira, na revista Sábado

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A terceira coisa

por João Carvalho, em 06.01.10

Há dois ou três dias, estava eu de regresso a casa, escrevi aqui sobre o Ponto Contra Ponto de Pacheco Pereira e o «Bloco Central das Lareiras» a que acabara de assistir. Distinguia ele os cenários das mensagens natalícias de José Sócrates e de Manuela Ferreira Leite por aquele ter uma Árvore de Natal e esta não dispensar o símbolo religioso que é o Presépio. Contrariei o autor: «ambos têm um Presépio visível em cima da respectiva lareira, embora o de Sócrates seja mais pequeno, esteja mais afastado e não inclua um par de lunetas para ser visto por quem não quer vê-lo».

Um comentador anónimo, ou nem tanto, enviou-me o link para um vídeo da mensagem de Sócrates, no qual pude ver que o que me pareceu um Presépio parece ser, afinal e com as minhas lunetas, um enfeite festivo. Sendo assim, teve Pacheco Pereira razão e não tive eu.

Não acredito que o meu possível lapso contribua para o ano negro a que estamos condenados ou para ser mote de programa televisivo, mas quero acrescentar a estas duas coisas uma terceira: sei que acalmo a arritmia cardíaca do comentador anónimo, ou nem tanto, mas fico eu com palpitações pelo receio de estar a estragar a pré-gravação do próximo Ponto Contra Ponto, fortaleza crítica do que se lê, se ouve e se vê por aí.

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Duas coisas

por João Carvalho, em 04.01.10

1. De regresso a casa, apresso-me a desejar a todos que tenham um bom ano e ofereço uma salada mista de saudades, beijos e abraços. Ou julgavam que se livravam de mim assim sem mais nem menos?

 

2. Entro em casa, ligo o aquecimento, desfaço as malas e ligo a televisão. Pacheco Pereira abre o seu Ponto Contra Ponto com uma coisa engraçada: «O Bloco Central das Lareiras», em que estabelece os pontos de união das mensagens de Natal de Manuela Ferreira Leite e de José Sócrates. Nos dois casos, a lareira acesa, a ideia de recato famíliar, o conforto da intimidade do lar e o décor natalício correspondem a um estilo decalcado que se repete. Com uma pequena diferença, segundo diz Pacheco Pereira: o elemento religioso no Presépio de Manuela Ferreira Leite e a falta do elemento religioso, substituído pela Árvore de Natal de José Sócrates. Ora, acontece que ambos têm um Presépio visível em cima da respectiva lareira, embora o de Sócrates seja mais pequeno, esteja mais afastado e não inclua um par de lunetas para ser visto por quem não quer vê-lo. Como não sou suspeito, isto permite-me concluir que o Ponto Contra Ponto, com pretensões a varanda crítica do que se lê, se ouve e se vê por aí, adivinha-se um programa igual ao ano novo. Ou seja: é pior 'do-có-que' ficou para trás.

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Pacheco Pereira e o seu sósia

por Pedro Correia, em 27.11.09

  

 

José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas contra a tentação tão portuguesa de denegrir a função política e que cede às mais básicas pulsões populistas, tendo servido de fermento à ditadura. José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas sobre a necessidade de introduzirmos racionalidade no debate político português, evitando as infiltrações extremistas susceptíveis de corroer o nobre mas frágil edifício institucional da democracia.

Pensava ontem à noite nisto enquanto concluía que não podia ser o mesmo Pacheco Pereira aquele que se desgrenhava no ecrã à minha frente, atirando argumentos cheios de carga emocional e populista para a fogueira da discussão na Quadratura do Círculo. Fogueira que praticamente só ele alimenta, na permanente tentativa de falar em cima dos restantes intervenientes, procurando a todo o passo travar-lhes o raciocínio. É um Pacheco Pereira que parece sempre à beira do delito passional, agarrado a duas ou três teses férreas das quais não se demove um milímetro em função dos argumentos alheios, o que no fundo inviabiliza qualquer debate. Lobo Xavier, nas raras vezes em que o companheiro de mesa lhe permite falar, é muito mais hábil na defesa dos pontos de vista que interessam ao PSD para se firmar como eficaz partido de oposição. António Costa mal consegue juntar duas frases sem ser de imediato atropelado pela torrente verbal de Pacheco, ao melhor estilo das reuniões gerais de alunos de há várias décadas. Carlos Andrade parece todo o tempo investido da ingrata missão de procurar reduzir o ruído que este irreconhecível Pacheco Pereira provoca em estúdio, olhando nervosamente para o cronómetro, com a angústia do guarda-redes antes do penalti.

O "debate", nesta Quadratura, é nulo: tudo se esgota no incessante martelar das teclas de Pacheco, cada vez mais prisioneiro das suas obsessões, cada vez mais transfigurado pelo ódio cego a José Sócrates. E nestes instantes vou sentindo uma irreprimível nostalgia do Pacheco antigo, que nos mandava tomar as devidas precauções contra o frenesim populista, inimigo desbragado dos "políticos" e de todo o debate travado em moldes racionais. Nada a ver com esta penosa reencarnação do ilustre pensador, tão mal representado pelo seu sósia, que parece desdizer hoje tudo quanto o Pacheco original dizia outrora.

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Vira o disco e toca o mesmo

por Pedro Correia, em 15.10.09

Saio de Portugal com José Pacheco Pereira a queixar-se por toda a parte dos jornalistas em geral, do DN em particular e das agências de comunicação a cada dois parágrafos de prosa. Regresso a Portugal com José Pacheco Pereira a queixar-se por toda a parte dos jornalistas em geral, do DN em particular e das agências de comunicação a cada dois parágrafos de prosa.

Tudo isto, segundo ele, abriu caminho à vitória de José Sócrates nas legislativas. Eu se fosse responsável de uma dessas agências ficava grato a Pacheco Pereira: não pode haver melhor promoção a estes profissionais do que atribuir-lhes uma vitória eleitoral.

Já agora, apetece perguntar ao estratego-mor do PSD de Manuela Ferreira Leite: se as agências de comunicação são assim tão decisivas na vida política, por que motivo os sociais-democratas não recorrem a uma delas? Da melhor de todas, já agora.

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Legislativas (42)

por Pedro Correia, em 24.09.09

 

ABRUPTO E AVANTE!: NINGUÉM OS COMPREENDE

 

É extraordinária a similitude entre o permanente tom de queixume, tipo Calimero, do analista Pacheco Pereira sobre a incompreendida campanha do candidato Pacheco Pereira e os editoriais do Avante!, em contínuo disparo contra os jornalistas rendidos aos putativos encantos do Bloco de Esquerda, a soldo do "grande capital". Almas gémeas unidas contra o mundo da informação. Preparando já, cada qual a seu modo, a linha argumentativa com que hão-de dissecar os resultados de domingo, provavelmente de digestão difícil.

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TGV: vamos ser sérios?

por João Carvalho, em 17.09.09

Está provadíssimo que Manuela Ferreira Leite tem imensa dificuldade, no que toca a fazer-se entender. Ora porque as ideias lhe saem atabalhoadas, ora porque as palavras se soltam entarameladas, ora porque as ironias lhe escapam sem graça, o certo é que abundam as intervenções infelizes. O que permite uma utilização ora escusadamente abusiva, ora intencionalmente distorcida, por parte dos adversários.

Como Pacheco Pereira e outros conselheiros-gurus (?) parece que não andam a ajudar muito, vou ensaiar aqui a recolocação nos trilhos de um assunto que me interessa especialmente: o TGV. Mas aviso já que só o faço porque:

– o PSD e a sua líder não me pagam e esta ajudinha não terá continuidade;

– não sou advogado de defesa de um nem de outra, que nem sabem que estou a dar-lhes uma mãozinha;

– mantenho todas as reservas que já aqui trouxe mais do que uma vez sobre o TGV (v. «Qual TGV, qual quê!?»);

– não estou necessariamente de acordo com a actual posição do PSD e da sua líder sobre o TGV;

– fico estarrecido com a facilidade que algumas máquinas de propaganda profissionais revelam no aproveitamento de declarações pouco ou nada felizes através de interpretações pouco ou nada sérias.

Posto isto, vamos ao assunto, para ver se nos entendemos e deixamos de ser enrolados.

Com um discurso mais claro ou menos claro, Manuela Ferreira Leite disse que Espanha era parte interessada na criação da alta velocidade ferroviária em Portugal. Foi isto que ela disse, porque eu ouvi. E mais disse que achava que Portugal não está (pelo menos, por agora) em condições de pôr o projecto a andar, face ao agravamento inerente da nossa dívida externa.

Resumida e bem situada (creio eu) essa posição, independentemente do que cada um pensa sobre isso, não vejo qualquer motivo para o chinfrim que vai por aí. Porque:

– toda a gente sabe que os espanhóis estão interessados no nosso TGV com ligações à fronteira comum, por causa dos fundos europeus disponíveis para o efeito (e não só);

– é razoável alterar decisões, se as condições reais o aconselharem ou forem alteradas no tempo.

Quem ainda insiste na falta de coerência implícita a este último ponto pode estar a ser sério (eu próprio fico na retranca). Mas também há quem o use para agitar as hostes e manter o sururu na agenda, o que já não é sério. José Sócrates e os seus seguidores sabem bem do que estou a falar, porque:

– a promessa de não subir os impostos não foi cumprida;

– a promessa de referendar o tratado europeu não foi cumprida;

– a promessa de fazer crescer a economia não foi cumprida;

– a promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho não foi cumprida;

– a promessa de controlar as contas públicas não foi cumprida;

– a promessa de encarar os "estudos de viabilidade" do TGV não foi cumprida;

– a promessa de regularizar a situação dos que trabalham para o Estado em regime precário irregular não foi cumprida;

– etc. (não fui exaustivo).

É grave? Há quem diga que sim. Pode ser. Não sei. Quero crer que o rol de promessas que Sócrates não cumpriu tem uma justificação séria: as condições reais não o aconselharam ou foram alteradas no tempo. Não? Se estiver enganado, peço desculpa.

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Alberto João Jardim

por Jorge Assunção, em 10.09.09

Eu não diria que ir à Madeira é um crime, mas como alguém uma vez afirmou: "o PSD tem uma crise de credibilidade e uma parte desta crise deve-se ao facto de se ter permitido que alguns militantes enterrassem a imagem do partido a nível nacional, envolvendo-se em processos, em actividades ou tendo comportamentos que punham em causa a dignidade de homens políticos". Contudo, a coragem, ainda que moderada, que Marques Mendes revelou em 2005, faltou a Ferreira Leite em 2009. Não é a primeira vez que Ferreira Leite demonstra nada ter aprendido com Marques Mendes, a colocação de António Preto na lista de candidatos a deputados prova-o.

Sobre o tema, ler também este post do Carlos Abreu Amorim.

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Extremoso Pacheco

por Pedro Correia, em 03.09.09

Pacheco Pereira preocupa-se com a falta de expressão da extrema-direita nos órgãos de comunicação social. Na Quadratura do Círculo, onde nunca existiu qualquer representante do PCP ou do Bloco de Esquerda.

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