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Um apoio de peso.

por Luís Menezes Leitão, em 04.05.17

 

Como se pode ver por este vídeo, Obama acaba de declarar o seu apoio a Macron nas eleições francesas. Considerando a enorme eficácia que Obama tem tido neste tipo de intervenções junto de outros povos — afinal já aconselhou os britânicos a rejeitarem o Brexit e os americanos a escolherem Hillary Clinton — eu, no lugar de Macron, ficaria muito preocupado com este apoio. Mas pode ser que à terceira seja de vez. Ou então não há duas sem três…

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Saudades antecipadas de Obama

por Pedro Correia, em 20.01.17

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Barack Obama não foi o santo milagreiro que alguns desejavam. Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009. Os Estados Unidos, embora longe da prosperidade de outrora, registam crescimento económico, o desemprego foi reduzido para metade, a inflação situa-se a níveis residuais e nunca tantos americanos beneficiaram de medidas de protecção social como no seu mandato.

No plano externo, o Presidente agiu com prudência no vespeiro do Médio Oriente, enfrentou as tentativas de expansionismo russo e pôde anunciar ao mundo a captura de Bin Laden - cérebro dos atentados do 11 de Setembro e autoproclamado inimigo público nº 1 dos EUA. Já nesta recta final do mandato, obteve dois trunfos na frente externa, levando o Irão a admitir restrições ao programa nuclear e pondo fim a quase seis décadas de congelamento das relações diplomáticas com Cuba.

 

"Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas. (...) Acredito que os cidadãos devem ser livres para falarem sem receios, para criticarem os governos e organizarem protestos de forma pacífica. Acredito que o Estado de Direito não inclui a detenção arbitrárias de pessoas por exercerem esses direitos. E, sim, acredito que os eleitores devem poder escolher os seus governos em eleições livres e democráticas. El futuro de Cuba tiene que estar en las manos del pueblo cubano", declarou Obama no Grand Teatro de Havana, num discurso que foi transmitido em directo pelos meios de comunicação do país, ainda há pouco especializados em diabolizar os Estados Unidos.

Importante por este carácter inédito, na primeira viagem de um Presidente americano a solo cubano desde 1928, o discurso confirmou um Obama conciliador e diplomático, mas também firme nos princípios e suficientemente realista para perceber que a prioridade estratégica de Washington quanto ao continente americano é quebrar o eixo Havana-Caracas para isolar o insolvente regime chavista e proporcionar aos cubanos uma abertura idêntica à que Richard Nixon possibilitou na China maoísta em 1972. E ninguém percebeu isso tão bem como Fidel Castro, como demonstraram as farpas dedicadas pelo ex-ditador a Obama, que recusou vê-lo nesta visita.

 

O inquilino da Casa Branca semeou o que o seu sucessor em Washington colherá. Honrando as melhores tradições da política externa do seu país, nomeadamente o que fizeram Nixon ao visitar Mao Tsé-tung em 1972, e Ronald Reagan na sua bem-sucedida deslocação ao Kremlin em 1988. Nada ficou como antes, tanto em Pequim como em Moscovo.

Pressinto que não tardaremos a ter saudades de Obama. Do seu gesto inspirador, da sua palavra eloquente, da sua apaziguadora bonomia. Em suma: da sua decência, que parece um pouco fora de moda e muito deslocada no tempo.

 

Texto reeditado

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Relembro aqui os primeiros três textos que escrevi no DELITO DE OPINIÃO sobre o Presidente Obama:

O que disse Obama (20 de Janeiro de 2009)

Com a graça de Deus (22 de Janeiro de 2009)

Obama: o sonho americano (25 de Janeiro de 2009)

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Frase internacional de 2016

por Pedro Correia, em 18.01.17

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«Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

Barack Obama, 22 de Março

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

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Obama e o atentado de Orlando

por José António Abreu, em 14.06.16

A resposta timorata de Barack Obama ao atentado terrorista de Orlando, evitando relacioná-lo com o Islamismo radical e parecendo atribui-lo exclusivamente à perturbação de uma única pessoa, parece demonstrar que ele ainda não entendeu ser componente essencial do modus operandi do Daesh no Ocidente (e em particular nos Estados Unidos, geograficamente distante dos países onde tem presença militar) o uso de indivíduos perturbados a cujas vidas confere sentido. Ainda que tal não seja verdade e os cuidados de linguagem procurem apenas - por razões tácticas e/ou de convicção - evitar a ideia de que existe uma guerra de civilizações, há momentos em que, não apenas por respeito às vítimas e aos seus familiares, mas também por necessidade de garantir aos cidadãos que se está consciente do grau e das características da ameaça, a ambiguidade é um erro. Estranhamente, Hollande percebeu-o. Obama, não. Donald Trump já está a capitalizar.

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Saudades antecipadas de Obama

por Pedro Correia, em 30.03.16

 

Barack Obama não foi o santo milagreiro que alguns desejavam. Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009. Os Estados Unidos, embora longe da prosperidade de outrora, registam crescimento económico, o desemprego foi reduzido para metade, a inflação situa-se a níveis residuais e nunca tantos americanos beneficiaram de medidas de protecção social como no seu mandato.

No plano externo, o Presidente agiu com prudência no vespeiro do Médio Oriente, enfrentou com firmeza as tentativas de expansionismo russo e pôde anunciar ao mundo a captura de Bin Laden - cérebro dos atentados do 11 de Setembro e autoproclamado inimigo público nº 1 dos EUA. Já nesta recta final do mandato, obteve dois trunfos na frente externa, levando o Irão a admitir restrições ao programa nuclear e pondo fim a quase seis décadas de congelamento das relações diplomáticas com Cuba.

 

"Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas. (...) Acredito que os cidadãos devem ser livres para falarem sem receios, para criticarem os governos e organizarem protestos de forma pacífica. Acredito que o Estado de Direito não inclui a detenção arbitrárias de pessoas por exercerem esses direitos. E, sim, acredito que os eleitores devem poder escolher os seus governos em eleições livres e democráticas. El futuro de Cuba tiene que estar en las manos del pueblo cubano", declarou Obama há uma semana no Grand Teatro de Havana, num discurso que foi transmitido em directo pelos meios de comunicação do país, ainda há pouco especializados em diabolizar os Estados Unidos.

Importante por este carácter inédito, na primeira viagem de um Presidente americano a solo cubano desde 1928, o discurso confirmou um Obama conciliador e diplomático, mas também firme nos princípios e suficientemente realista para perceber que a prioridade estratégica de Washington quanto ao continente americano é quebrar o eixo Havana-Caracas para isolar o insolvente regime chavista e proporcionar aos cubanos uma abertura idêntica à que Richard Nixon possibilitou na China maoísta em 1972. E ninguém parece ter percebido isso tão bem como Fidel Castro, como demonstram as farpas dedicadas pelo ex-ditador a Obama, que recusou vê-lo nesta visita.

 

O inquilino da Casa Branca - que viajou acompanhado de vários membros da sua administração, cerca de 40 parlamentares e uma larga comitiva de empresários - aposta forte na  "sedução da democracia" na ilha, situada a escassos 150 quilómetros da costa norte-americana. Semeia agora o que o seu sucessor em Washington colherá mais tarde. Honrando as melhores tradições da política externa do seu país, nomeadamente o que fizeram Nixon ao visitar Mao Tsé-tung em 1972, e Ronald Reagan na sua bem-sucedida deslocação ao Kremlin em 1988. Nada ficou como antes, tanto em Pequim como em Moscovo.

Venha quem vier depois dele, pressinto que não tardaremos a ter saudades de Obama. Do seu gesto inspirador, da sua palavra eloquente, da sua apaziguadora bonomia. Em suma: da sua decência, que parece um pouco fora de moda e muito deslocada no tempo.

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Obama manobrou para que os países da Zona Euro perdoassem dívida e enviassem mais dinheiro para a Grécia mas recusa-se a ajudar Porto Rico, que acaba de entrar em incumprimento.

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E aqui vamos de novo

por João André, em 03.06.15
Depois do Prémio Nobel da Paz por não ser George W. Bush, Obama receberá este ano o Prémio Nobel da Medicina por ter removido o cancro Blatter.

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O novo Moisés, segundo Soares

por Pedro Correia, em 29.01.15

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Como Obama, "um político de uma inteligência e visão extraordinárias", consegue aplacar "a fúria dos oceanos" baixando o preço do petróleo.

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Frase internacional de 2014

por Pedro Correia, em 14.01.15

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«Somos todos americanos.»

Barack Obama

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

«Os corruptos são um perigo, já que são adoradores de si mesmos.»

Papa Francisco

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Frase nacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

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"Todos somos americanos"

por Pedro Correia, em 19.12.14

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Obama com Raúl Castro em Dezembro de 2013, durante o funeral de Mandela

 

Barack Obama deu o passo que se impunha ao anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, congeladas desde 3 de Janeiro de 1961 pelo presidente Dwight Eisenhower, ainda o actual inquilino da Casa Branca não tinha nascido.

É um passo que deve saudar-se. O embargo económico decretado por Washington à vizinha república das Caraíbas serviu apenas para conferir à ditadura castrista uma aura de legitimidade em defesa da soberania nacional ameaçada por pressões externas. Enquanto a população sofria, o regime ditatorial implantado há 56 anos em Havana tornava-se cada vez mais duro e mais fechado.

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Cuba, governada pelo mesmo partido e pela mesma família desde Janeiro de 1959, subsiste como anacrónico resquício da Guerra Fria. Mais de dois milhões de cubanos abandonaram o país desde que o comunismo ali foi implantado sob a bênção da União Soviética, que transformou o país num protectorado, enquanto guarda avançada do imperialismo vermelho às portas dos Estados Unidos. Quando o comunismo europeu entrou em derrocada, Cuba sofreu anos de dolorosa penúria até Fidel Castro, forçado pelas circunstâncias, abir a economia cubana às divisas estrangeiras proporcionadas pelo turismo internacional.

Mas a abertura não teve repercussões no plano político: as liberdades essenciais continuam a ser espezinhadas, o monolitismo governativo mantém-se incólume e todas as esperanças de abertura foram abortadas por sucessivas purgas que transformaram cada tímido reformista em feroz inimigo da "revolução".

 

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 Fidel Castro recebido em Washington pelo vice-presidente Richard Nixon (Abril de 1959)

 

Extinta a guerra fria, Cuba é hoje um tigre de papel que proclama slogans anti-imperialistas enquanto mendiga uns punhados de dólares para a subsistência elementar dos seus habitantes. Meio século de monocultura agrícola para abastecer de açúcar os camaradas soviéticos e de nacionalização total da propriedade de cultivo foram a receita certa para o fracasso actual: a ilha comunista importa 84% dos alimentos que consome e não faltam bolsas de carência alimentar no país, que dispõe de 6,6 milhões de hectares de solo fértil mas só cultiva pouco mais de três milhões.

O embargo - que atravessou dez administrações norte-americanas - lesou o povo cubano sem servir os interesses de Washington. Obama demonstra ousadia e coragem política ao enfrentar os poderosos lóbis anti-Castro - republicanos e democratas - com as medidas de abertura agora anunciadas.

É uma decisão que só peca por ser tardia. Afinal, os EUA normalizaram há duas décadas as relações com o Vietname - que continua a ser uma ditadura comunista - apesar da sangrenta guerra que ali travaram. E a diplomacia sino-americana vai de vento em popa apesar das divergências ideológicas entre Washington e Pequim.

 

«Todos somos americanos», declarou o Presidente dos EUA no seu discurso de quarta-feira em que anunciou o princípio do degelo com Cuba. Aquela frase de Obama foi pronunciada em espanhol para ampliar o potencial congregador da mensagem.

Condenar Cuba ao perpétuo isolamento dificultaria ainda mais uma transição que nunca será fácil do regime comunista para uma economia de mercado onde as liberdades sejam respeitadas e defendidas. O povo cubano só pode estar grato a Barack Obama.

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Eleições Intercalares nos EUA - cinco notas

por José Gomes André, em 05.11.14

1. Foram ontem escolhidos os 435 membros da Câmara dos Representantes, 36 lugares no Senado e vários Governadores. Os Republicanos venceram em toda a linha, conquistando o Senado e uma claríssima maioria na câmara baixa. Não podemos falar em surpresa. As intercalares são habitualmente “eleições de protesto”, que penalizam o Partido afecto à Presidência, e estas não foram excepção. Acresce que a maioria das disputas mais renhidas decorreu em Estados conservadores e que muitos dos Democratas agora em risco beneficiaram do “efeito Obama” em 2008 para conseguirem uma então improvável vitória.

 

2. Porém, a amplitude da vitória Republicana foi assinalável, implicando um reforço na Câmara dos Representantes (o mais elevado desde a 2ª Guerra Mundial) e triunfos em Estados tendencialmente Democratas (Governadores em Maryland, Massachusetts, Illinois; Senadores no Colorado), que mostram não apenas uma renovada confiança do eleitorado no GOP, como a manifestação de claro repúdio pelos Democratas, que dominam a Casa Branca desde 2008 e o Congresso desde 2006. Com efeito, apesar dos dados económicos mais recentes serem animadores, o eleitorado norte-americano confessa-se globalmente desiludido com o Presidente Obama e não hesitou em “puni-lo”, mesmo que indirectamente.

  

 

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Profetas da nossa terra (52)

por Pedro Correia, em 26.08.14

«Obama leva vantagem e é favorito. Mas pode perder – e cada vez há mais sinais de que isso pode acontecer.»

Santana Lopes, 15 de Agosto de 2008

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Pet shop boys

por Rui Rocha, em 02.08.14

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a sério?

por Patrícia Reis, em 04.03.14

Obama diz que Putin não engana ninguém.

Na televisão, um jovem estudante ucraniano, a viver em Portugal tenta explicar a razão pela qual um conflito terá repercussões no ocidente. A jornalista ignora e pergunta se são muitos os que se manifestaram em frente à embaixada russa.

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A chamada

por Rui Rocha, em 03.03.14

 

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A esquerda caviar

por Rui Rocha, em 12.02.14

A slab of dry-aged rib eye beef, American caviar and salad representing the first lady's garden will be on the four-course menu for the elegant state dinner being given by President Barack Obama for French President Francois Hollande on Tuesday.

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ok, pá, Obama, a malta acredita

por Patrícia Reis, em 18.01.14

Notícia do jornal Público no on-line: http://www.publico.pt/mundo/noticia/obama-vai-anunciar-mudancas-na-espionagem-electronica-da-nsa-1620063

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Em busca do título perfeito

por Rui Rocha, em 12.12.13

A imagem do momento vale um título. Ocorrem-me alguns. What the Helle? ou Me, My Selfie And I não me parecem mal. Melhores, seguramente, do que Pesadelo Em Helle Thorning-Shmidt. Mas, de momento, fico-me com Um Casamento E Um Funeral. Gostava, todavia, de ouvir as vossas sugestões.

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Protocolo

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.12.13

As imagens têm corrido mundo.

São ambos relativamente jovens, intelectualmente interessantes, e, cada um à sua escala, poderosos. Ela tem, para um homem, a vantagem de ser elegante. Diria mesmo bonita, bem sabendo que os padrões são sempre relativos e dependem dos olhos de quem vê. O momento não seria o mais apropriado para a galhofa, mas admito facilmente que ambos se enterneceram reciprocamente. Isto é normal entre gente que se entende, que fala a mesma linguagem e tem nos olhos o espelho da alma.

O tempo de um olhar é muitas vezes o tempo que dura um flirt. E que bem faz à alma!

Foram autênticos. Será isso criticável, esquecendo obviamente as questões protocolares? Não creio.

Evidentemente que não posso falar por ela. Nem colocar-me no seu lugar, embora saiba que como homem dificilmente resistiria. Como ele não resistiu. Não há nada como uma mulher interessante, genuína, para nos tirar do sério. Detesto os emplastros protocolares. E o ciúme.

Os que não conseguem perceber a profundidade de tudo o que se esconde por detrás da autenticidade de um gesto simples, de uma troca de sorrisos, de um olhar rápido e furtivo, nunca perceberão nada da vida.

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No you can´t!

por Rui Rocha, em 11.12.13






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Um gesto para a História

por Pedro Correia, em 10.12.13

 

Em 8 de Abril de 2005, por ocasião do funeral do Papa João Paulo II na Praça de São Pedro, houve um encontro histórico, até aí impensável: o presidente israelita, Moshe Katsav, cumprimentou o seu homólogo iraniano, Muhammad Khatami, com quem trocou breves impressões aproveitando o facto de ser fluente na língua persa por ter nascido no Irão. Este gesto de boa vontade, ocorrido no momento da missa de exéquias em que os fiéis eram convidados a saudar-se "na paz de Cristo", surpreendeu todos os observadores internacionais e suscitou críticas aos dois chefes de estado por parte dos sectores mais extremistas de ambos os países.

Hoje, durante as cerimónias fúnebres de Nelson Mandela em Joanesburgo, aconteceu um gesto ainda ainda mais relevante e mais imprevisto: o aperto de mão trocado entre Barack Obama e Raúl Castro quando o Presidente norte-americano se encaminhava para o púlpito onde fez o seu vibrante discurso de homenagem ao falecido ex-líder sul-africano, a quem justamente chamou "um gigante da História".

Há homens que têm este condão: conseguem congregar os outros mesmo depois da morte. O exemplo de Mandela, Nobel da Paz em 1993, pairava nas tribunas do estádio Soccer City, onde os dirigentes máximos de Cuba e dos EUA começaram a quebrar um gelo acumulado há mais de meio século: os dois países cortaram relações diplomáticas em 3 de Janeiro de 1961.

Mandela –- "personalidade maior do século XX", como o designou a Presidente brasileira Dilma Rousseff, discursando em português pouco antes de Obama, no mesmo local –- teria certamente exibido o melhor dos seus sorrisos perante o aperto de mão entre Obama e Castro. Porque não houve estadista capaz de odiar o ódio como ele.

Falta agora traduzir em acções concretas o belo simbolismo ilustrado nesta fotografia difundida pela cadeia televisiva norte-americana ABC. Obama, para ser verdadeiramente digno do Nobel que lhe foi atribuído em 2009, deve pôr em prática o que nenhum dos seus antecessores –- de Lyndon Johnson a George W. Bush –- teve coragem de fazer: levantar o embargo a Cuba decretado em 1960 pelo presidente Eisenhower e ampliado dois anos depois por John F. Kennedy.

Extinta a guerra fria, Cuba é hoje um tigre de papel que proclama slogans anti-imperialistas enquanto mendiga dólares para a subsistência elementar. Meio século de “revolução” que impôs a monocultura agrícola para abastecer de açúcar os camaradas soviéticos e a nacionalização total da propriedade de cultivo foi a receita certa para o fracasso actual: Havana importa 84% dos alimentos que consome –- e não faltam bolsas de fome na ilha, que dispõe de 6,6 milhões de hectares de solo fértil mas só cultiva pouco mais de três milhões.

É este o momento para a administração norte-americana dar um sinal positivo. Afinal, Washington normalizou as relações com o Vietname –- que se mantém uma ditadura comunista –- apesar da sangrenta guerra que ali travou durante uma década. Desmoronado o império soviético, ultrapassada a guerra fria, Cuba deixou de ser uma ameaça para o poderoso vizinho do norte. Condená-la ao isolamento é dificultar ainda mais uma transição que não será fácil do totalitarismo comunista para uma economia de mercado onde as liberdades sejam respeitadas e defendidas.

Para ser consequente com o histórico gesto de hoje, Obama deve incluir o levantamento do bloqueio a Cuba entre as suas prioridades imediatas.

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Uma de vigilância

por Rui Rocha, em 24.11.13

Criança: Presidente Obama, Presidente Obama, o meu pai diz que o senhor anda a espiar as pessoas...

Obama: Deixa-me dizer-te uma coisa rapazinho: ele nem sequer é teu pai.

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Espionagem

por jpt, em 26.10.13

 

O avanço de Obama para a presidência foi simpático, principalmente pela afronta aos preconceitos racistas, nos Estados Unidos tão misturados com o fundamentalismo cristão popularucho. Mas teve um lado oposto, mais para a minha terra, sintomático que foi da imbecilidade militante de alguma esquerda, identitarista, caída de fervores pelo obamismo. "Eu sou obamista" passou a ser um pin político, "alfinete de peito", iman de geleira, de qualquer candidato a colunista do "Público" ou de comentarista fedorento.

 

À revelia do real Obama, "Obama" é, olhando Portugal, um símbolo do vazio intelectual da primeira década de XXI. Lembro-me disso agora, quando se sabe que os EUA andam espiando tudo e todos, uma série de políticos aliados, etc. O que diriam os democráticos identitaristas, os teclistas do eixo BE-PS, se o presidente americano fosse Bush, pai, filho ou irmão? Mas sendo este presidente devem estar a alisar os posters, lá nos quartos adolescentes. Retardados. 

 

E os outros continuam a lê-los. E a rir-se das piadinhas na TV. Retardados?

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Telefonema Alemanha-EUA

por João André, em 24.10.13

- Boa tarde, serviço de escutas da NSA, em que lhe posso ser útil?

- Estou sim, daqui fala a Angie, és tu Barack?

- Peço desculpa Sra. Merkel, mas temos aqui uma pequena confusão nas linhas. Eu vou passá-la para o telemóvel do senhor presidente.

- Mas eu liguei-lhe directamente para o telemóvel, queria perguntar se me têm o telemóvel sob escuta.

- Senhora Merkel, por favor, nunca faríamos isso. Ter acabado nos nossos serviços foi... hmmm.... um engano. Uma consequência do shutdown, nada mais... É isso... Vou passar a chamada.

- ...

- Sim? Daqui fala Barack.

- Barack? Aqui é a Angie. Que coisa é esta? Afinal temos os dois os telemóveis sob escuta da NSA?

- Sim, nem queiras saber. Da última vez que quis encomendar uma pizza não me deixaram. Disseram-me que na pizzaria trabalha um tipo chamado Mohammed e que não podia encomendar ali.

- Mas isso não pode ser. Vou fazer queixa nas Nações unidas!

- Estás a gozar não? Se lhes ligas levas com uma musiquinha do Barry White e uma voz da NSA a dizer que a tua chamada está a ser autenticada e que quando puder te passam ao Ban.

- Há alguma forma de falarmos sem sermos ouvidos?

- Creio que há uma hipótese, mas não sei se temos um fio longo o suficiente...

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Carta aberta, para o lixo

por Ana Vidal, em 12.09.13

Caro presidente Obama,

Sei que é um homem muito ocupado, não lhe tomo muito tempo. Venho apenas lembrá-lo de que tem em casa um Nobel da Paz. Mais: um prémio que lhe foi atribuído por antecipação, antes de qualquer obra de vulto que o justificasse. Ou seja, um inédito voto de confiança no seu carácter e na sua capacidade de promover a paz no mundo, que o sentou directamente ao lado de pessoas como Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá. Tem agora uma excelente ocasião para provar que mereceu essa honra. Espero, sinceramente, que não a desperdice.

 

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Coisas verdadeiramente importantes

por Pedro Correia, em 20.08.13

"Família Obama tem um novo elemento"

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O Estado da União

por José Gomes André, em 12.02.13

Esta noite, às 21h (2h em Portugal), Barack Obama realizará perante uma sessão conjunta do Congresso o seu "Discurso sobre o Estado da União". Mais do que um mero requisito constitucional, esta é uma tradição fundamental da vida política americana, utilizada pelo Presidente para descrever o ambiente político actual e influenciar decisões futuras do Congresso, traçando as grandes metas e prioridades legislativas dos meses seguintes.

Derivado do precedente britânico (o monarca discursava na sessão de abertura do Parlamento), este procedimento foi seguido à risca desde a entrada em vigor da Constituição, cuja secção 3ª do Artigo 2º determina: "O Presidente deverá, de tempos a tempos ["from time to time"], prestar ao Congresso informações sobre o Estado da União e submeter à sua consideração as medidas que julgue necessárias e convenientes". O objectivo desta disposição era atribuir ao chefe do Executivo a possibilidade de condicionar a agenda legislativa do Congresso, entendendo os Pais Fundadores americanos que o Presidente tinha um papel muito limitado neste domínio (a história alteraria essa situação).

Curiosamente, como vemos, o articulado constitucional não se refere a uma comunicação "anual", mas meramente periódica. Como em tantas outras questões formais, a prática seguida pelo Presidente George Washington (um discurso anual) criou um sólido precedente, ainda hoje respeitado. Todavia, ao contrário do primeiro Presidente americano, muitos foram os chefes do executivo que optaram por transmitir ao Congresso uma declaração escrita e não um discurso oral (desde Jefferson a William H. Taft). Já no século XX, Woodrow Wilson reinstaurou esta última tradição, seguida (com raras excepções) por todos os Presidentes até aos nossos dias.

Um dos acontecimentos políticos mais vistos e comentados nos EUA, este momento solene está também repleto de curiosidades. Uma das mais interessantes refere-se à necessidade de designar um membro da Administração para não estar presente na sessão (ficando em local desconhecido). Devido à (rara) aparição conjunta de várias figuras de topo da hierarquia federal, garante-se assim que, em caso de um atentado ou acidente, um dos membros do governo federal sobrevive a essa tragédia, impedindo que o país ficasse sem uma chefia legalmente reconhecida.

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Os desafios de Obama

por José Gomes André, em 22.01.13

 

São hercúleos os desafios que esperam Obama: crise económica, reforma da saúde, problemas ambientais, controlo de armas, imigração, nova política energética – a nível interno. Instabilidade no Médio Oriente, relações difíceis com a Rússia e a China, a contenção do Irão – a nível internacional. Nada de muito diferente em relação a 2009, quando tomou posse pela primeira vez.

Hoje Obama tem todavia uma grande vantagem: por esta altura, ninguém espera, como no passado, que ele possa resolver todos aqueles problemas de uma só assentada. Obama tem diante de si uma agenda monumental, mas livre do messianismo que o perseguiu há quatro anos, pode agir recorrendo à “arte da política”, sem que a avaliação do seu desempenho esteja sistematicamente sujeita a uma comparação com o Rei Midas.

A nível interno, o maior desafio de Obama será lidar com a enorme bipolarização da política americana. O sistema político dos EUA assenta num sistema de “freios e contrapesos”, concebido para exigir permanentes lógicas de diálogo e construções de consensos entre os diversos agentes políticos. Todavia, os Pais Fundadores não contaram com as particularidades da modernidade, nomeadamente a radicalização ideológica e partidária, que têm minado o sistema e servido como autênticos mecanismos de bloqueio, impedindo os referidos consensos e a tomada de decisões políticas céleres e resolutas. Desde 2004 que Obama defende uma agenda bipartidária e a “reconciliação da América”, mas raramente tem promovido ambas. Com os Republicanos a controlarem a Câmara dos Representantes, as suas capacidades de negociação serão severamente postas à prova neste segundo mandato.

O maior desafio de Obama é contudo um outro, que assola aliás em geral o Ocidente: preservar a estrutura fundamental do “Estado Social”, num quadro económico e demográfico mundial que não permite aos países desenvolvidos manter os mesmos níveis de despesa pública até aqui praticados. Se a nível interno a resposta para esta autêntica quadratura do círculo não foi ainda encontrada, no que toca à política externa e à Defesa, as orientações estão definidas: reduzir os gastos nuns impressionantes 400 mil milhões de dólares, cortando na ajuda a países em desenvolvimento, reduzindo os efectivos militares em vários continentes, diminuindo as operações de vigilância, etc.

Estas orientações têm implicações severas em toda a organização externa norte-americana e por consequência nos alinhamentos estratégicos do poder mundial. Se em alguns casos elas são sobretudo simbólicas (a redução de bases militares na Europa, por exemplo), noutros significam uma efectiva retracção da influência norte-americana, que pode comprometer os seus interesses futuros em áreas estratégicas vitais (designadamente o Médio Oriente e a Ásia).

Obama tem insistido que o recurso ao “soft power” (diplomacia, fortalecimento das relações comerciais, cooperação com as instâncias internacionais), aliado a um posicionamento militar mais diminuto, mas cirúrgico, será suficiente para manter a influência americana intacta, mas só o tempo dirá se os EUA continuarão a ser “a nação indispensável”. Mais um desafio para o mais desafiado Presidente americano.

 

[publicado inicialmente no site da TVI24]

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Número oito dá azar na Casa Branca

por Pedro Correia, em 13.10.12

No século XX, cada presidente norte-americano ocupou em média cinco anos e meio na Casa Branca. Esta média seria inferior se não existisse uma notória excepção: Franklin Delano Roosevelt, único chefe do Executivo dos EUA até hoje eleito sucessivamente para quatro mandatos e que faleceu após 12 anos no poder. Depois da sua morte, uma emenda à Constituição fixou um número máximo de mandatos presidenciais consecutivos: apenas dois. Dos 18 presidentes dos EUA ao longo do século XX – e com a excepção já referida – só quatro cumpriram dois mandatos integrais. Woodrow Wilson, Dwight Eisenhower, Ronald Reagan e Bill Clinton. Vantagem para o Partido Democrático.
Três presidentes não chegaram sequer a cumprir um mandato: Warren Harding, subitamente falecido em 1923, John Kennedy, assassinado em 1963, e Gerald Ford, que ascendeu à presidência por demissão de Richard Nixon, em 1974, e perdeu a eleição de Novembro de 1976. Foi até hoje o único líder norte-americano a entrar na Casa Branca sem ser sufragado pelos eleitores. E Nixon foi o único forçado a resignar, a meio do segundo mandato.

William McKinley, assassinado em 1901, também deixou o segundo mandato por cumprir. Sucedeu-lhe o vice-presidente Theodore Roosevelt. Outros vice-presidentes que ascenderam inesperadamente à presidência foram Calvin Coolidge (1923), Harry Truman (1945) e Lyndon Johnson (1963). Theodore Roosevelt – primo de Franklin – figura ainda hoje como o mais jovem presidente norte-americano de sempre: chegou à Casa Branca com apenas 42 anos. O mais idoso a ser eleito foi Reagan: estava a poucos dias de completar 70 anos quando tomou posse, em Janeiro de 1981.
A baixa média de permanência de inquilinos na Casa Branca durante o século XX explica-se em boa parte pelo facto de quatro deles terem cumprido só um mandato: William Howard Taft (1909-13), Herbert Hoover (1929-33), Jimmy Carter (1977-81) e George Bush (1989-93). Todos acabaram derrotados nas urnas quatro anos depois. Três deles – os republicanos Taft, Hoover e Bush – foram eleitos em anos terminados em oito. Precisamente como sucedeu com Barack Obama, vencedor em 2008.

Um mau prenúncio para o actual presidente?

 

Imagem: Bush, Reagan, Carter, Ford e Nixon (1991)

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Debate nos EUA: a vitória de Romney

por José Gomes André, em 04.10.12

1. Um debate presidencial é sobretudo uma encenação mediática, onde o que importa é parecer melhor: mais confiante e assertivo, mais simpático e descontraído, mais bem preparado, mais "presidenciável". A forma ganha os debates, não o conteúdo.

 

2. Face a estes parâmetros, Mitt Romney foi um evidente vencedor. Face a um Obama surpreendemente cinzento, cansado, tropeçando nas próprias palavras, olhando para baixo enquanto ouvia o adversário, Romney surgiu como um orador talentoso, afirmativo, confiante. A sua linguagem corporal (olhando Obama como um predador olha a presa) mostrou um macho-alfa dominador. E as suas permanentes referências a histórias concretas e ao sofrimento do americano comum quebraram a sua imagem robótica, humanizando-o perante o eleitorado. 

 

3. Mas Romney ganhou noutros campos. Contrariando um dos (até aqui) maiores erros da sua campanha, Romney não se limitou a um discurso crítico do Presidente, como se "ser o outro" candidato bastasse para chegar à Casa Branca. Enviou portanto uma mensagem positiva ao eleitorado, insistindo nos méritos do seu próprio programa, focado na criação de emprego e na eliminação das "gorduras do Estado". Enquanto Obama se perdia em detalhes técnicos aborrecidos, Romney defendia o seu projecto político de forma articulada e sintética, sem soar demasiado abstracto.

 

4. Chegará, por si só, para ganhar a eleição? Provavelmente não. Os debates presidenciais são amplamente escrutinados e têm excelentes audiências, mas os dados mostram que a maioria dos eleitores atentos procuram apenas "confirmar" posições previamente definidas, sendo que muitos dos chamados "indecisos" confessam posteriormente à eleição ter prestado pouca ou nenhuma atenção aos debates. Em todo o caso, numa eleição renhida como esta, alterações em franjas do eleitorado podem ser decisivas. Além do mais, este debate tem desde já o condão de enfraquecer o optimismo dos Democratas e renovar o entusiasmo Republicano (tanto da base eleitoral como dos financiadores da campanha)...

 

5. Faltam dois debates presidenciais, um debate entre candidatos a vice-presidentes e um mês de campanha. Continuo convencido que Obama é favorito e que Romney, apesar desta boa prestação, tem alguns problemas por resolver - nomeadamente a explicação cabal da revolução fiscal prometida, as alterações na Segurança Social e os cortes nos programas de saúde, temas de grande sensibilidade onde a dupla Romney/Ryan gera grande desconfiança. Todavia, se até aqui os eleitores viam Obama como um "mal menor", a excelente prestação de Romney terá pelo menos generalizado a ideia de que ele pode constituir uma alternativa credível. Conseguir isto em hora e meia é notável.

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A utopia de Romney

por José Gomes André, em 31.08.12

Embora extraordinária no aspecto mediático e formal, a Convenção Nacional Republicana deixou-me algo perplexo quanto à substância das propostas da dupla Romney/Ryan nos EUA. Em síntese, os Republicanos propõem reduzir o desemprego, criar 12 milhões de postos de trabalho, revitalizar o crescimento económico, estimular as pequenas e médias empresas, diminuir os impostos aos mais ricos, criar um novo paradigma energético que não dependa da importação de petróleo (limitando contudo a indústria carbonífera e rejeitando igualmente as "energias verdes"), fortalecer o aparato militar (com maior apoio a Israel e um desafio explícito à Rússia de Putin), endurecer globalmente a política externa e reafirmar o poder americano no mundo.

 

Propõem fazer tudo isto sem criar novos impostos às classes médias, nem limitar os gastos militares (em Defesa e Segurança), reduzindo o défice orçamental e diminuindo a dívida pública (nomeadamente a contraída face à China), no meio da maior crise mundial económica e financeira dos últimos 80 anos. Espantoso. Obama foi (justamente) criticado por prometer este mundo e o outro. Mas o que são as propostas de Romney/Ryan senão um programa de intenções absolutamente utópico, tão irresponsável quanto irrealizável?

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Improvável

por Ana Lima, em 02.02.12

Quem poderia, por cá, lançar, a Maria Cavaco Silva, um desafio destes? Sabendo, ainda por cima, que, provavelmente, as despesas da família com o ginásio devem ter sofrido um corte? 

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Follow the leader, er, well... Obama

por Rui Rocha, em 18.01.12

A Gallup segue diariamente a taxa de aprovação de Obama pelos eleitores americanos:

 

Pelo visto, dos últimos oito Presidentes, apenas Bill Clinton apresentava um resultado pior, sendo certo que, como se sabe, este último não valia, por aquelas alturas, um charuto: 
 
Querendo, pode acompanhar a evolução aqui. Não é uma actividade muito estimulante, mas sempre tem mais interesse do que acompanhar as primárias republicanas.

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11 de Fevereiro de 2011

por Pedro Correia, em 12.02.11

  

«There are very few moments in our lives where we have the privilege to witness history taking place. This is one of those moments. This is one of those times. The people of Egypt have spoken, their voices have been heard, and Egypt will never be the same.

By stepping down, President Mubarak responded to the Egyptian people's hunger for change. But this is not the end of Egypt's transition. It's a beginning. I'm sure there will be difficult days ahead, and many questions remain unanswered. But I am confident that the people of Egypt can find the answers, and do so peacefully, constructively, and in the spirit of unity that has defined these last few weeks. For Egyptians have made it clear that nothing less than genuine democracy will carry the day

Barack Obama, esta noite, reagindo à queda de Mubarak

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A importância de um Presidente

por Rui Rocha, em 17.01.11

Os Estados Unidos da América estavam profundamente divididos na sequência do ataque de que foram vítimas, em Tucson, a Congressista Democrática Giffords (ferida) e 19 outras pessoas (6 mortos). A discussão nacional estava extremada e, tendo começado em torno das razões que estão por trás deste tipo de violência, tinha-se já estendido a temas como a segurança individual e colectiva, as leis sobre porte de arma ou a reforma do sistema público de saúde. Com evidente aproveitamento político por parte de conservadores e liberais. Neste cenário, levantou-se a voz de Barack Obama, num discurso de elogio fúnebre às vítimas que serviu também para unir a nação em torno de valores essenciais. A mensagem foi simples, como sempre acontece nestes casos: 'existe vida para além da política e a política é mais do que a defesa de interesses egoistas'. Teve, todavia, impacto imediato. Obama prestou tributo às vítimas (que estavam a ser completamente esquecidas), dirigiu uma palavra de conforto aos familiares e amigos, realçou o exemplo dos que arriscaram as próprias vidas para evitar uma tragédia de maiores proporções e uniu a comunidade em torno do desígnio comum de honrar os mortos através do exemplo da união e da colaboração entre todos. Perante a adversidade, estabeleceu laços entre as pessoas, indicando um caminho de dignidade e respeito. Mais que um discurso político, Obama protagonizou uma oração em que invocou o sentido ético mais profundo dos americanos, num exercício de liderança de que resultou um consenso em torno da condenação da violência. A partir do discurso de Obama, o aproveitamento político da situação ficou completamente inviabilizado, esvaziando-se o potencial de tensão que o assunto assumira:

What we can't do is use this tragedy as one more occasion to turn on one another. As we discuss these issues, let each of us do so with a good dose of humility. Rather than pointing fingers or assigning blame, let us use this occasion to expand our moral imaginations, to listen to each other more carefully, to sharpen our instincts for empathy, and remind ourselves of all the ways our hopes and dreams are bound together.

Face a exemplos como este, percebe-se bem que a tão debatida questão da escassa importância dos poderes presidenciais na Constituição portuguesa é mais uma desculpa do que uma limitação. A verdadeira questão está na capacidade de interpretar, em momentos decisivos, o interesse último da comunidade e de apontar caminhos que não se deixem acorrentar pelos interesses tácticos. E isso está mais no poder da atitude do que no texto. Obama não falou do alto dos seus poderes. Falou ao nível das pessoas comuns e dos seus valores. Por isso foi ouvido. Da mesma maneira que teria sido ignorado se tivesse invocado apenas o seu poder formal. Perante isto diria que: a) é um erro desvalorizar a eleição e a função do Presidente da República. O candidato que for eleito tem, como ninguém, o poder de influenciar a história colectiva com um gesto, com um discurso ou com um exemplo. Ou de a condicionar irremediavelmente através dos seus actos, palavras e omissões; b)  não podemos prescindir de escolher, mesmo que tenhamos mais dúvidas do que certezas sobre a qualidade de todos e cada um dos candidatos. Tal como Isiah Berlin afirmou, '(...) reconhecer a validade relativa das próprias convicções, mas ainda assim defendê-las resolutamente, é o que distingue o homem civilizado do bárbaro. Pedir mais do que isso talvez seja uma necessidade metafísica profunda e incurável, mas permitir que isso determine a nossa prática é sintoma de uma imaturidade moral e política igualmente profunda, e mais perigosa'.

 

* O longo discurso de Obama (34 min.) constitui um documento histórico imperdível e pode ser visto aqui.

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Sinais do Irão

por Teresa Ribeiro, em 10.10.09

 

Ao anunciar estas condenações, desencorajam os opositores do regime e revelam desprezo pela comunidade internacional. Têm uma fábrica de enriquecimento de urânio, know-how para produzir uma bomba nuclear e muito ódio por Israel e pelo ocidente. Alô, Obama. Estás aí? 

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Yes, you can

por José Gomes André, em 13.07.09

 

As (excelentes) intervenções de Obama em África suscitaram um óptimo texto de Nuno Gouveia, do qual salientaria a seguinte passagem: "Obama pediu aos africanos que parem de se queixar do seu passado colonialista, e da exploração que sofreram pelos europeus. A génese dos problemas africanos está sim, na corrupção e nas suas elites. E Barack Obama foi mais longe, dizendo que a ajuda ocidental deve ser acompanhada pela garantia de boa governação e de boas práticas democráticas. [...] ao contrário daqueles que culpam o Ocidente e o capitalismo, o presidente americano urge os governos africanos a abraçaram um modelo de desenvolvimento económico e social responsável, assente nas instituições democráticas."

Obama está perfeitamente ciente de que a sua Presidência assume importantes contornos simbólicos e que esse facto, mais do que simples curiosidade, pode ser utilizado para operar alterações concretas nas políticas públicas. Naturalmente que não se "decreta" por exemplo o fim do racismo nos EUA, nem o fim da corrupção em África, mas quando um Presidente negro se refere a estes dois temas, as suas palavras têm uma amplitude e um significado reforçados. E ao insistir que, quer os afro-americanos, quer os povos africanos, têm de abandonar a referência sistemática à "exploração do passado", e assumir a sua responsabilidade e lutar pelo seu próprio destino, Obama envia claramente a mensagem certa.

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Da Democracia na América

por Jorge Assunção, em 30.04.09

 

É, também, no respeito que os governantes têm por aqueles que governam que se encontra a grandeza do país em causa. E os jornalistas são, além de vigilantes para com os abusos do poder, os melhores intermediários que um povo pode ter na sua relação com quem exerce o poder.

 

A foto foi roubada daqui e uma óptima entrevista com o recém eleito presidente Obama pode ser encontrada aqui.

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"Obama, Roosevelt e as lições do passado"

por José Gomes André, em 30.04.09

É o título de um artigo que tive a oportunidade de escrever para o "Público", a propósito dos primeiros "cem dias" de Obama. Para os interessados, e para quem não pôde ler (o acesso online é restrito a assinantes), fica aqui a peça (longa, desde já previno).

 

"A referência aos primeiros cem dias de governação como um importante barómetro político nasceu com a Presidência de Franklin Roosevelt, cujo início foi caracterizado justamente por uma crucial e frenética acção governativa, determinante para salvar os Estados Unidos de uma crise sem precedentes. O momento era especialmente grave: o desemprego atingira em 1932 os 24%; a economia conhecera uma contracção de 13,4% e o sistema bancário estava à beira do colapso. Impulsionado por uma vitória retumbante, Roosevelt avançou porém com um vasto programa político capaz de combater aquele cenário negro, fazendo jus ao lema que havia enunciado no seu discurso inaugural: «A única coisa de que devemos ter medo é o próprio medo».  

 

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Como perder a razão

por José Gomes André, em 10.04.09

O extremismo é o maior obstáculo à formulação de análises políticas adequadas e congruentes. Um bom exemplo desta máxima diz respeito à forma como têm sido interpretadas a figura e a agenda política de Obama, quando partindo ora de um messianismo insuportável, ora de um ódio visceral. O primeiro caso tem sido mais abundante, mas há igualmente vários exemplos do segundo. 

Veja-se esta análise de Maria João Marques, que parte de uma gaffe inócua de Obama (a referência a um termo em "austríaco") para uma série de inferências de largo espectro (que Obama nada sabe sobre o Anschluss de 1938, nem sobre o problema dos sudetas na Checoslováquia), acabando mesmo a comparar as políticas económicas de Obama e Hitler. De passagem, uma outra referência sobre o "apaziguamento" inglês perante os nazis e a semelhante abordagem de Obama à política externa.

Isto não é apenas um exemplo clássico da "Godwin's Law". É um daqueles casos onde a pressa de chegar a algum sítio levou ao absoluto esquecimento do caminho a percorrer.

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Que nome terá o cão?

por Pedro Correia, em 26.02.09

 

Michelle Obama anda à procura do nome ideal para a nova mascote canina da Casa Branca, que virá de Portugal. Aceitam-se sugestões.

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Regresso ao Afeganistão

por José Gomes André, em 28.01.09

"O Afeganistão representa hoje «o maior desafio militar» dos Estados Unidos, declarou o secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates, durante uma audição no Congresso, prevendo uma «batalha longa e difícil» para vencer a insurreição dos taliban".

 

Um dos maiores erros ligados à Guerra do Iraque foi a forma como dividiu e enfraqueceu a intervenção militar dos Estados Unidos em território afegão, limitando enormemente as suas possibilidades de êxito num dificílimo teatro de guerra. Talvez se tratasse de um conflito menos mediático - e por isso não-prioritário, mas o sucesso na luta contra o terrorismo passava (e passa) bem mais pelo Afeganistão do que pelo Iraque. O facto de a Administração Obama planear uma transferência de recursos (militares e financeiros) deste último para o primeiro é pois uma boa notícia. Esperemos que esses recursos ainda cheguem a tempo.

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Obama: para mais tarde recordar

por Pedro Correia, em 26.01.09

  

 

Obama, o nosso salvador!(?) No Atributos.

Obama terá de, no mínimo, salvar o mundo. No Activismo de Sofá.

Obama, a esperança. No Correio da Manhã.

Good luck, Mr, President! Na Causa Nossa.

Obamei! N' O Avesso do Avesso.

Virar a página na História. No Pátio das Conversas.

O discurso e O discurso 2. Na Causa Nossa.

Obama - discurso da tomada de posse. N' O Divagador.

Obama. Na Esquerda Republicana.

Obama: o regresso aos velhos valores. No Absorto.

Era Obama - já é! Na Causa Nossa.

History channel. No Ex-Ivan Nunes.

Obamapatia. Na Aspirina B.

Obama! No Pátio das Conversas.

Obama's Day. N' A Terceira Via.

O discurso de Obama - a minha América. Na Causa Nossa.

Hoje, o Mundo fica mais limpo. Na Cibertúlia.

O século XXI começa hoje. No Ladrões de Bicicletas.

 

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Obama: o sonho americano

por Pedro Correia, em 25.01.09

Os rituais são indispensáveis em todas as sociedades, em todas as democracias. Acabamos de ver o ritual da saída de um presidente dos Estados Unidos da América, que abandona o poder no prazo previsto pelo sistema constitucional do país, e da chegada do seu sucessor - o filho de um negro nascido numa humilde aldeia do Quénia que personifica hoje, melhor do que qualquer outra pessoa, a materialização desse alvo intangível que além-Atlântico costumam chamar american dream.

Apreciei o discurso de investidura de Barack Obama: dirigiu umas frases de cortesia ao seu antecessor e de imediato deixou palavras inspiradoras para a impressionante multidão que o escutava em Washington.

Obama, o 44.º presidente norte-americano, parece o homem certo para liderar os EUA nesta encruzilhada da história, no termo de uma crise com várias faces: durante a administração Bush, a maior potência do globo mergulhou numa crise financeira, mas também numa crise de confiança e numa crise de autoridade moral. Obama chega à presidência com o país envolvido em duas guerras sem fim à vista, com a imagem manchada por inadmissíveis violações de direitos humanos e o maior défice das contas públicas de que há memória, além da latente ameaça terrorista.

 

Um dos mais jovens inquilinos da Casa Branca de todos os tempos, é ele a pessoa ideal para inspirar e mobilizar as jovens gerações.

Primeiro chefe do Executivo com ascendência africana, ninguém melhor do que ele poderá servir de traço de união entre as diversas comunidades do espantoso mosaico de raças, etnias, crenças e culturas que compõem os Estados Unidos da América.

 

Todos os olhos do mundo se viram agora para este homem. As expectativas são, porventura, excessivamente elevadas: ninguém consegue aguentar o peso de tanta responsabilidade em cima dos ombros. Mas o momento é de celebração: cumpre-se mais um ritual desta sólida democracia que tantas figuras de génio tem dado ao mundo.

Obama na presidência é o exemplo vivo da materialização do sonho americano. Ele tudo fará, sem dúvida, para que o sonho jamais se transforme em pesadelo.

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Depois conversamos

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 23.01.09

Anda o voluntarioso Obama a entusiasmar o mundo com a ideia de esvaziar Guantánamo, esse antro de violações dos direitos humanos, e, horas depois, responde a al-Qaeda com um pedido aos seus agentes disseminados pelo mundo para que ataquem os EUA e o Reino Unido. Conversas, conversas, terrorismo à parte.

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Ainda o discurso de Obama

por José Gomes André, em 21.01.09

Os meus companheiros de blogue já focaram muitos aspectos importantes do discurso, mas gostava de fazer duas observações adicionais.

Uma para destacar a presença da História americana na intervenção de Obama, que citou George Washington, parafraseou Jefferson e invocou Martin Luther King. Obama mencionou também as dificuldades do exército americano na luta pela independência, dos pioneiros na grande aventura da exploração do Oeste, ou dos imigrantes na sua tentativa para singrarem na América. Isto não é uma simples curiosidade, mas sim o sublinhar da grande narrativa comum americana, na qual encontramos de facto uma extraordinária capacidade de superação dos desafios. Há muita gente que ainda não percebeu o que quer dizer Obama com “esperança”. Não se trata de aguardar por soluções messiânicas, mas sim de apelar ao engenho e ao espírito de luta americanos – que nos momentos mais difíceis ergueram uma e outra vez os Estados Unidos.
Por outro lado, é notável a forma como Obama, partindo dessa referência a uma narrativa comum, apela ao esforço pessoal de cada indivíduo e à sua intervenção cívica – percebendo que o verdadeiro progresso de uma sociedade depende afinal do contributo de cada um dos seus membros. Estamos, pois, perante um verdadeiro elogio da cidadania – próprio aliás da tradição política americana – que destaca a singularidade de cada indivíduo, destacando simultaneamente o seu papel determinante num tecido social plural. É uma mensagem que o mundo de hoje – e em particular o espaço europeu (onde os indivíduos parecem cada vez mais avessos a assumirem as suas responsabilidades cívicas) – devia considerar atentamente.

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O país do cão de água

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 20.01.09

Dois milhões de pessoas assistiram, ao vivo, à investidura de Obama? Significativo. Quando em Portugal houver uma investidura de um líder que mobilize pelo menos tantas pessoas quantas estiveram na última manifestação dos professores, talvez seja possível voltar a acreditar em Portugal como país. Enquanto isso não acontece, continuamos a ser um povo sem orgulho, em permanente derrapagem para a cauda da Europa, onde nos sentimos cada vez melhor.

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