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Uma terra onde as flores crescem

por Ana Vidal, em 28.04.12

 

Proponho que se prenda a criatura numa cela pequena mas com muito boa acústica. Depois, que lhe instalem em sessões contínuas uma eterna banda sonora: a canção que quarenta mil pessoas lhe cantaram à porta do tribunal. Ele alega que não é louco? Pois bem, ficaria louco em pouco tempo, e da forma mais adequada. Talvez antes de enlouquecer conseguisse entender o que significa "uma terra onde as flores crescem".

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A melhor resposta

por João Carvalho, em 17.10.11

O selvagem anormal que executou a chacina na Noruega regressa à ribalta. Desta vez, o nome do assassino que protagonizou o cobarde massacre protagoniza ainda uma longa metragem. Bem pode o realizador explicar o que quiser, que jamais deixará de ofender o senso comum.

Como já escreveu aqui com toda a oportunidade o nosso Pedro Correia, referindo-se ao «grau máximo de notoriedade» que está na ansiedade de um assassino, «a repetição até à náusea do seu nome, nos mais diversos órgãos de informação, constitui uma homenagem involuntária à barbaridade do acto que praticou» e, assim, «o seu nome banaliza-se, ganhando uma espécie de estatuto de imortalidade». Só que agora nem pode considerar-se que esta "consagração" na Sétima Arte seja involuntária, como é evidente.

Adivinho que a mente perversa do homicida exulta com a própria perversão das pessoas "normais", que parecem insatisfeitas na procura incessante das mais diversas fórmulas para perpetuarem o seu nome, como sempre aconteceu com os autores de muitos outros crimes horrendos. E este estranho endeusamento tanto pode ser atraente para outras mentes distorcidas, como também pode ser inspirador para os mais diversos "criadores" de receitas para a glória fácil.

É bom que o mercado saiba responder-lhes. Como muito bem disse o Pedro Correia, «retemos na memória o nome de demasiados assassinos, o que constitui uma espécie de caução póstuma aos seus actos criminosos». Para uns e para outros, assassinos e pseudo-intelectuais, é importante estarmos cientes da resposta certa. Merecem ser ignorados.

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A glória póstuma do assassino

por Pedro Correia, em 01.08.11

 

Há um nome de um assassino que nunca me sairá da memória: Shiran Bishara Shiran. Foi o indivíduo que matou traiçoeiramente Robert Kennedy, irmão do malogrado presidente, na cozinha de um hotel em Los Angeles, quando o ex-procurador-geral dos EUA, com apenas 42 anos, acabava de ganhar a decisiva primária da Califórnia pelo Partido Democrata, o que o colocava em excelente posição para concorrer à Casa Branca.

Corria o mês de Junho de 1968. Eu era um miúdo mas já acompanhava com todo o interesse as imagens dos telejornais e Robert Kennedy foi o primeiro dos meus heróis. Fixei para sempre o rosto escuro e triste daquele indivíduo natural da Palestina que, ao premir o gatilho, matou também para sempre os sonhos de milhões de norte-americanos. Escapou por um triz a ser executado, após ter sido condenado à morte, pois a pena capital acabou entretanto por ser abolida no estado da Califórnia, e ainda hoje está detido. Um destino bem diferente do de Lee Harvey Oswald, o assassino de John Fitzgerald Kennedy a 22 de Novembro de 1963 e por sua vez assassinado dois dias mais tarde, em Dallas, por um tal Jack Ruby, figura do bas fond. Este último foi o primeiro homicídio transmitido em directo pela televisão – para os EUA e para o mundo todo. Algo impensável em 14 de Abril de 1865, quando John Wilkes Booth assassinou o presidente Abraham Lincoln enquanto este assistia a uma representação teatral em Washington.

Tenho pensado um pouco em tudo isto por estes dias, a propósito do massacre na Noruega. O que assassinos deste calibre procuram, sob um pretexto político, religioso ou outro qualquer, é um grau máximo de notoriedade – se possível à escala universal. A repetição até à náusea do seu nome, nos mais diversos órgãos de informação, constitui uma homenagem involuntária à barbaridade do acto que praticou. O seu nome banaliza-se, ganhando uma espécie de estatuto de imortalidade. Foi assim com Booth, foi assim com Oswald.

 

 

É por isto que me revejo por inteiro naquilo que Jorge Almeida Fernandes escreveu há dias no Público. «Em Julho de 356 a.C um anódino Eróstrato incendiou o Templo de Artemisa, em Éfeso, de que se dizia ser uma das “sete maravilhas do mundo”. Assumiu que o fizera como desesperado meio de alcançar a glória. O sacrilégio foi condenado com a morte. Como póstuma punição, os magistrados proibiram os efésios de jamais citarem o seu nome, que foi também apagado de todos os documentos. Mas um historiador de outra cidade nomeou-o, outros o repetiram e Eróstrato entrou na História. Ninguém conhece o nome do arquitecto que desenhou o templo de Éfeso. Tal como Eróstrato, B. está a ganhar.»

B. é o assassino norueguês. Recuso-me a escrever e até a fixar o seu nome. Como certamente sucede com Almeida Fernandes, indigna-me vê-lo a toda a hora impresso e difundido pelos órgãos de informação. Como se de um filantropo ou um benemérito se tratasse. Como se fosse uma figura familiar, muito lá de casa. Como, no fundo, fosse um de nós.

Não é um de nós. E, por mim, nenhum jornalista deveria atribuir-lhe o estatuto de Eróstrato do nosso tempo. Retemos na memória o nome de demasiados assassinos, o que constitui uma espécie de caução póstuma aos seus actos criminosos. Entristece-me saber que jamais apagarei da memória o nome de Shiran Bishara Shiran – o primeiro homicida de que ouvi falar quando percebi, menino ainda, que o Mal é capaz de triunfar sobre o Bem e assombrar-nos para sempre. Como um lado lunar dos contos de fadas. Na vida, ao contrário do que sucedia nos filmes e séries da nossa infância, nenhum final feliz está garantido.

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