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Erros meus, má fortuna

por Pedro Correia, em 27.10.16

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Anda muita indignação à solta – até aqui no DELITO DE OPINIÃO – pela atribuição do Nobel da Literatura ao cidadão norte-americano Robert Allen Zimmerman, conhecido há mais de meio século pelo seu nome artístico: Bob Dylan.

Aplaudi o prémio desde a primeira hora e nenhum dos argumentos aduzidos contra a atribuição do Nobel 2016 me convenceu. O júri da Suécia, num gesto inovador, entendeu desta vez galardoar um escritor de canções. Se queremos atribuir-lhe um rótulo, este é o que mais se adequa a Bob Dylan, que encaminhou milhares de jovens em várias latitudes para a poesia ao som de música.

 

É de poesia que falamos, não de “letras”, como alguns mencionam com indisfarçável desdém. Não é preciso puxar do cânone: os monólogos interiores e os sinuosos labirintos estilísticos concebidos por Dylan são poesia. Mais qualificada do que a mediana produção poética de um Derek Walcott, o galardoado de 1992, sem escândalo aparente.

Alegam os críticos que a poesia de Dylan não vale um Nobel por emergir como subsidiária de outra arte ao ter sido escrita para fins musicais. Parece-me um argumento débil. Pela mesma lógica nunca o Nobel devia ter sido atribuído ao italiano Dario Fo ou ao britânico Harold Pinter, prolíficos autores de textos destinados a ser representados nos palcos. O teatro está para ambos como a música para Dylan. E ninguém contestou os prémios que receberam em 1997 e 2005. Ibsen e Lorca, dois outros mestres da arte teatral, também teriam sido dignos destinatários do Nobel da Literatura.

O teatro não os menorizou: engrandeceu-os.

 

Muitos esquecem que a Academia Nobel já distinguiu com este galardão muitos autores fora do padrão dominante, que pretende confinar a literatura à ficção e à poesia. Do historiador alemão Theodor Mommsen (1902) ao filósofo francês Henri Bergson (1941), do ensaísta britânico Bertrand Russell (1950) à jornalista bielorrussa Svetlana Alexeivich (2015). Sem esquecer que também Winston Churchill, vencedor em 1953, integra a lista dos premiados.

Serão as entrevistas de Svetlana Alexeivich mais dignas de encómios literários do que as narrativas musicadas de Dylan?

Julgo que não.

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A poesia teve sempre uma forte ressonância oral: fez-se para ser recitada, declamada, cantada. Assim o comprovam as remotas rimas medievais – cultivadas por alguns dos nossos primeiros reis – e as estrofes trovadorescas. Sem esquecer os clássicos, de Dante a Yeats.

Toda a poesia de Camões, épica ou lírica, pode ser cantada. E muita já foi. Vale a pena lembrar o frémito de indignação que percorreu a intelectualidade pátria, em meados da década de 60, quando a grande Amália se atreveu a cantar Camões – como fez com tantos outros poetas, de Vinicius de Moraes a Alexandre O’ Neill.

Ela estava certa, ao contrário dos intelectuais que a consideraram indigna de intrepretar Lianor e Erros Meus com a sua voz incomparável. Estou convicto de que daqui a uns anos diremos o mesmo do júri que agora ousou distinguir Bob Dylan com o Nobel da Literatura.

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O ridículo do Nobel.

por Luís Menezes Leitão, em 22.10.16

Já tinha escrito aqui o que pensava do disparate da atribuição do Nobel a Bob Dylan. Agora o único autor que de facto deve ter merecido o prémio nos últimos vinte anos, Vargas Llosa, veio criticar a escolha e perguntar se da próxima vez dão o prémio a um futebolista? Acho de facto que a pergunta faz todo o sentido, uma vez que pelo mesmo critério de escolha de Bob Dylan, até as frases de Jorge Valdano poderiam aspirar a um Nobel.

 

Bob Dylan é um excelente autor de canções, mas não é comparável a qualquer escritor a sério. Nunca os textos das suas canções recolhidos em livro podem sequer ser comparados às extraordinárias obras de Vargas Llosa, como A Festa do Chibo, A Guerra do Fim do Mundo, O sonho do Celta ou mesmo até o último Cinco Esquinas. O problema é que muitas pessoas endeusam os cantores da sua juventude e fazem tudo para os premiar, caindo no ridículo. O critério que fez o júri sueco premiar Bob Dylan é o mesmo que fez o Presidente Jorge Sampaio condecorar os U2 com a Ordem da Liberdade: homenagem em saudosismo pela juventude perdida. É também a mesma coisa que faz Marcelo evocar a sua juventude para aplaudir oficialmente a atribuição deste prémio Nobel, e insistir em ver Fidel Castro ao vivo quando se deslocar a Cuba.

 

A questão é que os próprios homenageados também acham ridícula a homenagem. Os U2 foram ao Palácio de Belém receber a condecoração vestidos informalmente e Bob Dylan nem sequer se dá ao trabalho de atender o telefone ao júri sueco, quanto mais deslocar-se a Estocolmo para receber o prémio. Fidel Castro é também capaz de receber Marcelo em fato de treino enquanto aguarda pela enfermeira para os tratamentos matinais. Se há coisa que pessoas em funções de responsabilidade nunca podem perder é a noção do ridículo. Infelizmente esta gente há muito que a perdeu.  

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Quando o telefone toca

por Rui Rocha, em 21.10.16

- Senhor Murakami?

- Sim, o próprio.

- Olá, viva, está bonzinho? Estamos a ligar da Academia Sueca...

- Oh, pá, oh pá. Eu sabia, eu sabia! Quando li... não conseguiam contactar o Dylan, oh pá, oh pá, nem acredito nisto, pensei logo que se iam lembrar de mim!

- É verdade, Senhor Murakami. Estivemos a pensar e chegámos à conclusão que o melhor era mesmo ligar-lhe.

- E fizeram muito bem, valha-me Deus.

- Que bom! Estávamos com medo que levasse a mal. Já sabe: tantos anos à espera e agora... só porque não conseguimos contactar o homem...

- Ora essa! Ora essa. Aqui estou totalmente disponível, não faltava mais nada...

- Pronto, Senhor Murakami. Então se tivesse o número de telefone do Dylan e fizesse a gentileza de o partilhar connosco... Senhor Murakami? Está... Senhor Murakami? Senhor Murakami...!

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 15.10.16

Bob Dylan, o escritor: uma genuína voz americana. De Dwight Garner, no New York Times: «Este prémio [Nobel] reconhece aquilo que há muito nos parecia uma evidência: Dylan está entre as vozes mais genuínas que os Estados Unidos produziram, um artífice de imagens tão audazes e vibrantes como sucedeu com Walt Whitman ou Emily Dickinson.»

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O Nobel tem a importância que lhe quisermos dar

por João André, em 14.10.16

Uma outra nota sobre os que não receberam o prémio. É verdade que a lista de autores não contemplados é longa, distinta e, de certa forma, infâme. O prémio Nobel, qualquer ele seja, é uma reflexão do seu tempo e resultado da reflexão de pessoas, no caso sempre um grupo relativamente pequeno de pessoas. Irão cometer erros e injustiças. Todos teremos a nossa opinião sobre o merecimento e falta dele na atribuição do prémio.

 

Mas deixo uma questão: quantos de nós (e sim, incluo-me na lista) que criticamos a atribuição de qualquer dos prémios conhecíamos antes da mesma a obra do/a contenplado/a? Ainda hoje não li nada de Svetlana Alexievitch. Mo Yan, Tomas Tranströmer, Herta Müller ou J. M. G. Le Clézio ainda me são essencialmente desconhecidos. Li Modiano, mas não sei dizer se é mais ou menos merecedor que De Lillo, Lobo Antunes ou seja lá quem for que continue a ser esquecido.

 

Já levantei esta questão algures no passado: quantas pessoas são capazes de dizer as omissões flagrantes nos prémios Nobel da Física, Química ou Medicina? Ou os erros (entre os quais ou outro Nobel português, Egas Moniz, provavelmente se encontra)? O prémio da Literatura é contestável porque é mais facilmente acessível e porque os seus potenciais laureados existem em enormes números.

 

Quando um prémio é atribuído à porta fechada por uma dúzia ou dúzia e meia de pessoas que não podem, num único ano, ler tudo e mais alguma coisa, temos que aceitar o que o dito prémio é: uma reflexão da opinião dessas pessoas. Mudássemos uma única pessoa do grupo e o resultado seria outro. Mudássemos o grupo para outro país e o panorama seria consideravelmente diferente. Não se trata de um prémiod e popularidade nem devemos tratá-lo com tal. Para tal existem as vendas.

 

Não sou tão ácido como o Luís, mas partilho em parte a sua opinião. O prémio não tem muita importância. Como todos, tem a importância que lhe quisermos dar. Mas o simples facto de, todos os anos, continuarmos a discutir os seus resultados demonstra que ainda lhe damos muita importância. E isso já basta para lhe dar uma certa patina de credibilidade que vai além do valor monetário.

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Zimmermann: músico para ser poeta

por João André, em 14.10.16

Não tenho conhecimentos suficientes sobre poesia (ou literatura em geral) para avaliar se um prémio Nobel da Literatura é bem ou mal atribuído. Sei ler e dizer se, na minha opinião, o que li é bom ou mau. O mesmo vale para a música ou cinema ou teatro ou pintura ou...

 

No caso de Bob Dylan, gosto de algumas músicas e de outras nem tanto. De algumas de que não gosto, consigo no entanto apreciar as letras, a sua poesia. Noto isso ainda mais noutros grandes autores, Leonard Cohen ou no herdeiro de Dylan Bruce Springsteen. Ouço as músicas, não me agarram, mas sendo quem são acabo por pegar nas letras e gostar mais delas lidas, em silêncio.

 

Por isso penso que se podem ler as letras das músicas sem rpestar atenção à música, porque são letras que se sustentam a si mesmas. Noutros casos é necessária a música, as letras seriam ridículas se não incorporadas na melodia e estruturadas por esta. Com Dylan raramente se vê isso.

 

Por isso tenho uma posição diferente da Francisca: penso que as letras, mesmo que escritas para serem inicialmente acompanhadas por música, podem ser lidas separadamente (tal como já li peças de teatro sem as ver em palco). Compreendo no entanto a posição dela e, na maior parte dos casos, estaria de acordo. Há apenas alguns, como os que nomeei acima, onde penso que a música é desnecessária, mesmo quando complementa o conjunto.

 

Robert Zimmermann escolheu o apelido Dylan em homenagem a Dylan Thomas. Aquilo que primeiro chamou a atenção foram as suas letras, mas isso aconteceu porque as cantava. Numa comparação canhestra, lembro-me de algo que li em tempos sobre Puff Daddy e Jay Z: o primeiro era empresário para poder ser rapper, o segundo era rapper para ser empresário. Na minha comparação canhestra, tenho vontade de escrever que Zimmermann se tornou um músico para poder ser poeta, para que o ouvissem e lessem. Para tal se tornou Dylan. E devemos, tanto os leitores como os ouvintes, ficar felizes por isso.

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O que dizem de Dylan

por Pedro Correia, em 14.10.16

"Para mim, foi como terem dado a medalha ao Evereste: ele é o mais alto do mundo."

Leonard Cohen, El País

 

"De Orfeu a Faiz, canção e poesia sempre estiveram estreitamente ligadas. Dylan é um brilhante herdeiro da tradição trovadoresca. Grande escolha."

Salman Rushdie, Twitter

 

"Uma inspirada escolha do Comité Nobel. Muitos de nós fomos (quase literalmente!) assombrados pelas canções de Dylan na década de 60 - poderosos monólogos dramáticos e versos surrealistas (It’s All Over Now, Baby Blue,” “With God on Our Side,” “Blowin in the Wind,” “Like a Rolling Stone”)."

Joyce Carol Oates, Wall Street Journal

 

"Dylan e Leonard Cohen são grandes poetas."

Francisco José Viegas, Correio da Manhã

 

"Dylan é um dos grandes poetas do nosso tempo."

João Pereira Coutinho, Correio da Manhã

 

"Dylan é inegavelmente um grande escritor. A Academia sueca está a usar o Prémio Nobel para restaurar a literatura. Tomara que regresse à literatura oral. As histórias que não são escritas também podem ser grandes e imortais."

Miguel Esteves Cardoso, Público

 

"Já ouvi reacções indignadas de escritores portugueses, e até de um músico, o que é extremamente ridículo. Este é um prémio justíssimo."

Sérgio Godinho, Diário de Notícias

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Dylan

por José António Abreu, em 14.10.16

O primeiro Nobel da literatura que é bom para cantarolar.

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Dylan Once Again

por Francisca Prieto, em 13.10.16

Hoje o mundo veio abaixo, com um míssil disparado de Estocolmo. Atribuiu-se a Bob Dylan, o desgrenhado compositor de voz rouca, o Prémio Nobel da Literatura.

Passei o dia a ouvir opiniões de dois grupos antagónicos. De um lado, gente petrificada com a chegada do apocalipse e, do outro, malta a pulular em euforia pela ousadia da escolha. A mim, coube-me o desconforto. Porque de alguma forma, sentia que letras de canções não encaixavam na categoria.

A Velha do Restelo e a Rapariga Prá Frentex que coexistem no meu córtex pré-frontal e que arbitram os casos difíceis, degladiavam-se em argumentos ininterruptos.

Pois que letras de canções são poesia. E já foi premiado mais do que um poeta. Devia valer. E um dramaturgo? Também já foi premiado, ora. Será uma peça de teatro literatura? E o Chico Buarque? é poeta, caramba. Macacos me mordam.

E andei nisto todo o dia, a querer à brava ser a favor da nomeação de Bob Dylan para ser moderna, mas sem me conseguir render.

Até que, chegando à noitinha, e para meu grande alívio, percebi porque é que letras de canções e peças de teatro não se deviam misturar no campeonato da literatura. A questão é que, se na forma as podemos ver como semelhantes, na função nada têm a ver.

Um letrista escreve poesia para ser cantada. Um dramaturgo escreve teatro para ser levado a cena. À letra acrescenta-se música. Ao argumento, acrescentam-se actores, luzes, som.

A literatura é, simplesmente, para ser lida. Não tem outra função, não é apenas uma parte de outra coisa maior.

E nisso que reside a diferença. E é por isso que não faz sentido premiar a partir do mesmo saco.

 

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Até nem é mau acompanhamento para o Pulitzer...

por José António Abreu, em 13.10.16

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Tudo menos literatura.

por Luís Menezes Leitão, em 13.10.16

Consta que, quando Winston Churchill recebeu o prémio nobel da literatura, Somerset Maugham comentou: "Deveria ter-me dedicado era à política". Acho que todos os escritores do mundo poderão dizer, depois da atribuição do prémio a Bob Dylan, que deveriam ter-se dedicado era à música. Porque podem dar as justificações que quiserem, mas uma obra musical não é uma obra literária. E o prémio destinava-se a premiar os autores de obras literárias, não os compositores de canções, como é o caso de Bob Dylan.

 

A verdade é que isto não conta para nada, uma vez que o prémio Nobel só tem premiado escritores medíocres. Já o imortal Saramago, que até considero um escritor razoável, dizia que nesta treta do Nobel a única coisa que interessa é o dinheiro. Na verdade, se o prémio não fosse de um milhão de dólares ninguém ligaria absolutamente nada a este júri com critérios obscuros, que conseguiu negar sistematicamente o Nobel a grande escritores, como Tolstoi, Jorge Amado, e Jorge Luís Borges. Este chegou a dizer com ironia, depois de ter sido mais uma vez rejeitado: "Não me darem o Nobel é um velho costume sueco. Desde que eu nasci que não mo dão". Por isso, quando o Nobel é raramente atribuído a um grande escritor, como aconteceu com Vargas Llosa, a surpresa é geral. Por isso, terem dado o prémio a Bob Dylan significa apenas a continuidade do absurdo do Nobel. As apostas sobre o  vencedor do Nobel têm por isso tantas hipóteses de ser bem sucedidas como acertar na chave do euromilhões. 

 

Valha-nos que o nosso afectuoso Presidente da República ache mais importante justificar aos portugueses perplexos a atribuição do Nobel do que nos informar a sua posição sobre o brutal aumento de impostos que se avizinha. Temos assim direito a um comunicado presidencial intitulado The Times They Are a-Changin’ que nos informa que "o Presidente da República, evocando a sua juventude, não pode deixar de se associar a esta homenagem, inesperada mas significativa, com a atribuição do Prémio Nobel a Bob Dylan, alguém que para além da riqueza das suas letras se notabilizou pelas suas músicas, sinal claro de que os tempos estão a mudar...". Claro que os tempos estão a mudar, Senhor Presidente. E olhe que é para muito pior. Só é pena que isso não o preocupe nada.

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É sempre a mesma coisa

por Rui Rocha, em 13.10.16

No dia em que anunciam o Nobel toda a gente gosta de mostrar que conhece a obra do premiado. Falam, falam, mas aposto que nunca leram um romance do Bob Dylan.

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Ainda acerca do Nobel da literatura

por José António Abreu, em 13.10.16

Nunca o audiolivro fez tanto sentido.

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Bob Nobel Dylan

por Pedro Correia, em 13.10.16

 

criador de Like a Rolling Stone, The Times They Are a Changin' e Knockin' on Heaven's Door é o vencedor do Prémio Nobel da Literatura 2016.

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E o Nobel vai para...

por José António Abreu, em 13.10.16

Bob Dylan? Bom, suponho que é uma forma de premiar um norte-americano, continuando a ignorar os grandes escritores norte-americanos. E - vejamos as coisas pelo lado positivo - a escolha sempre elimina a discussão anual em torno das hipóteses de Roth, McCarthy, DeLillo e Pynchon. Lá para 2025, se algum deles ainda estiver vivo, talvez voltem a ter uma chance.

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Do Nobel da literatura

por José António Abreu, em 11.10.16

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Quase de certeza será um homem. Em 2015 foi uma mulher (Svetlana Alexievich), em 2014 um homem (Patrick Modiano), em 2013 uma mulher (Alice Munro), em 2012 um homem (Mo Yan). Depois a alternância quebra-se mas o politicamente correcto ganha cada vez mais força.

Será muito provavelmente de fora da Europa. Três anos seguidos para um europeu é impensável. Azar para Milan Kundera (que, ainda por cima, nasceu num país de Leste, tal como Alexievich, e não apresenta o enquadramento político adequado) e para uma das escolhas do Pedro Correia: John Le Carré.

A geografia atribui as melhores hipóteses aos africanos. Infelizmente, é demasiado tarde para Chinua Achebe. Existem outras opções: Ngũgĩ wa Thiong'o e Nuruddin Farah, por exemplo, como lembrou Beatriz em resposta ao desafio que o Pedro Correia lançou na passada sexta-feira (confissão: ainda não li qualquer deles).

Os orientais também têm boas hipóteses. Após escolhas relativamente obscuras, este poderá ser o ano de Murakami, a opção popular.

A Oceania terá uma chance. Peter Carey, talvez. David Malouf. Tim Winton deverá ser demasiado «normal».

Tendo nascido na Índia, Salman Rushdie poderá igualmente ser uma hipótese. Nah, estou a brincar. Intelectuais suecos não são cartoonistas dinamarqueses.

Há a possibilidade de que seja um poeta. Nenhum foi laureado desde 2011, quando o sueco Tomas Transtömer venceu. A propósito: a Suécia é não apenas a sede da Academia Nobel como um dos mais grandiosos berços de gigantes literários, a avaliar pelo número de prémios Nobel conquistados ao longo dos anos - oito (em sete anos distintos, pois em 1974 houve partilha).

Improvável é que seja um norte-americano, não obstante Roth, McCarthy, Pynchon, DeLillo - ou até mesmo Oates, Tyler, Rush. Os norte-americanos, diz a Academia, estão demasiado preocupados com questões locais. Também poderia dizer que são demasiado pessimistas (McCarthy, Roth), demasiado caleidoscópicos (Pynchon, DeLillo) ou - seria mais sincero - não suficientemente críticos da política norte-americana (o que, em vários casos, nem é verdade).

Poderá ser Amos Oz. A menos que a Academia Sueca receie premiar um israelita, mesmo tendo ele uma obra que está longe de glorificar as políticas de Israel. Talvez possa premiá-lo salientando isso mesmo.

Rubem Fonseca? Não nasceu no continente ideal mas pelo menos não é europeu. Contudo, o estilo prejudica-o. Os suecos podem ver nos seus livros apenas violência e cinismo. Ou recear que outros o façam.

Poderá ser um transexual ou alguém com uma obra focada nas questões LGBT - ou, melhor, LGBTTQQFAGPBDSM, que não quero ser acusado de discriminação. Já vai sendo tempo, não é verdade?

 

Eis o grande problema do prémio Nobel da literatura: está cada vez mais político - e mais politicamente correcto. Não estou com isto a dizer que os laureados são maus escritores. De modo nenhum. Nunca se escreveu tanto, pelo que a escolha é vasta; a Academia não precisa de escolher maus escritores. Mas como levar a sério um prémio em que as conveniências parecem sobrepor-se a um juízo sincero?

E, todavia, cá andamos a ler e a escrever sobre ele; a discutir hipóteses; a arriscar vaticínios. Pior ainda, depois do anúncio fica-nos sempre a curiosidade de ler pelo menos uma obra do(a) laureado(a). Mas está certo: como poderíamos ter a certeza de que Kundera merece o prémio se não lêssemos também Modiano?

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À espera do Nobel da Literatura

por Pedro Correia, em 07.10.16

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 Amos Oz

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 John Le Carré

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  Rubem Fonseca

 

Aberta a época da distribuição dos prémios Nobel (apelido que a maioria dos jornalistas televisivos em Portugal continua a pronunciar erradamente com acento no o, quase emudecendo o e da sílaba tónica em sueco), faço desde já um desafio aos leitores do DELITO DE OPINIÃO: deixem aqui os vossos vaticínios sobre quem será o escritor que vai receber o galardão destinado a distinguir a literatura. Só o conheceremos no próximo dia 13, mas a gente arrisca. Ao contrário do outro, que só fazia prognósticos no fim.

Tomo a liberdade de antecipar desde já três escritores que a meu ver há muito mereciam receber o Nobel: Amos Oz, John Le Carré e Rubem Fonseca. Ainda vão a tempo, embora eu duvide do critério da academia de Estocolmo, que em 1978 - só para dar um exemplo - excluiu Graham Greene e Jorge Luis Borges.

Quem vos parece que vai ganhar?

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Admirável mundo novo (VII)

por Rui Rocha, em 10.10.15

Sugestão de leitura para António Costa:

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E aqui vamos de novo

por João André, em 03.06.15
Depois do Prémio Nobel da Paz por não ser George W. Bush, Obama receberá este ano o Prémio Nobel da Medicina por ter removido o cancro Blatter.

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O sortilégio da literatura

por Pedro Correia, em 20.12.14

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Estas coisas nunca acontecem exactamente como as planeamos - aliás, os imprevistos fazem parte do fascínio da leitura.

No final do ano passado tracei um objectivo para 2014: só leria de Janeiro a Dezembro livros da autoria de escritores galardoados com o Nobel. Defini esta meta após concluir que apenas conhecia, enquanto leitor, menos de um terço desses autores: era uma lacuna que urgia colmatar.

 

As coisas correram como planeei, mas só em parte.

Este desafio que lancei a mim próprio foi-me útil, sem dúvida. Li pela primeira vez obras destes 11 escritores que receberam o Nobel: Pär Lagerkvist (vencedor em 1951), Juan Ramón Jiménez (1956), Günter Grass (1999), Anatole France (1921), Luigi Pirandello (1934), Kenzaburo Oe (1994), Ivo Andric (1961), Naguib Mahfouz (1988), Mikail Cholokov (1965), William Golding (1983) e Yasunari Kawabata (1968). Além disso li ou reli romances, novelas ou contos de outros escritores também galoardoados com o Nobel mas cuja obra já conhecia: José Saramago (distinguido em 1998), François Mauriac (1952), William Faulkner (1949) e Ernest Hemingway (1954).

 

Mas a dada altura quebrei a regra que impusera a mim próprio. E acabei por alterar o plano inicial, mudança de que não me arrependo. Como poderia? Sem ela, neste ano que agora acaba não me teriam passado pelas mãos livros de Chesterton, Cortázar, Jack London, Simenon, Ray Bradbury, Joseph Roth, Conrad, Cardoso Pires, Remarque, Rubem Fonseca, Graham Greene, Jane Austen, Virginia Woolf, Scott Fitzgerald e John Le Carré, entre vários outros.

Livros de autores que não se cruzaram com o Nobel, mas que contribuíram para prestigiar, dignificar e engrandecer a literatura. E que, à distância de décadas ou de séculos, mantêm o condão de nos emocionar, de nos dar asas, de nos rasgar horizontes, de nos ensinar a decifrar as encruzilhadas do mundo ou os abismos da alma humana.

 

Nunca considero perdida qualquer parcela do tempo que dou por mim rendido, enquanto leitor grato e arrebatado, ao infindável sortilégio da literatura.

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Os labirintos da memória

por Pedro Correia, em 11.10.14

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Não sei se convosco acontecem coisas destas. Na quinta-feira, quando soube que o escritor francês Patrick Modiano era o vencedor do Nobel, lembrei-me logo que tinha uma obra dele: Domingos de Agosto, editada pela D. Quixote, na sua efémera colecção de livros de bolso.

Ao chegar a casa, e como tenho a biblioteca arrumada, fui logo direito ao livro disposto a lê-lo nos próximos dias. Lá estava a anotação inicial: comprei-o a 27 de Maio de 2000 (certamente na Feira do Livro, por coincidir com a data). A surpresa aconteceu ao espreitar a última página, onde vinha outra inscrição: 11 de Junho de 2000. A data em que terminei de lê-lo, duas semanas depois de o ter comprado.

Lembro-me perfeitamente de livros que li muito antes deste. Acontece que nada retive desta obra. Nada mesmo. Irei (re)lê-la como se fosse a primeira vez. Certamente sem dificuldade, até porque só tem 160 páginas.

Gosto de sublinhar um livro que vou lendo. Quando isso não acontece é sinal inequívoco de que a leitura não está a impressionar-me. Folheio este exemplar e verifico: tem apenas dois sublinhados.

Um na página 33: «É da Primavera que eu tenho medo. Chega sempre como uma vaga de fundo, e eu pergunto-me sempre se não vou desequilibrar-me e sair borda fora.»

Outro na página 107: «Porque é que certas pessoas são como as pastilhas elásticas que em vão tentamos desprender dos saltos dos sapatos, esfragando-os na borda de um passeio?»

Foi uma leitura tão etérea que passou por mim sem deixar rasto. Ao contrário da pastilha elástica mencionada no parágrafo anterior. Já conhecia, portanto, Patrick Modiano. Mas na quinta-feira recebi a notícia do Nobel como se nunca me tivesse sido apresentado.

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Julgar prémios

por João André, em 10.10.14

E pronto, os Nobel estão quase todos atribuídos. Falta apenas o Nobel não oficial, o da economia. Como sempre, os prémios Nobel para a Paz e Literatura são discutidos por quase todos. Criticadas ou elogiadas as discussões. Já os prémios Nobel da Física, Química e Mediciona e Fisiologia são essencialmente ignorados nesta discussão pela sociedade em geral.

 

Pegando no post que o Rui escreveu abaixo, fui ver os nomes dos laureados com os prémios em Química, Física e Medicina dos mesmos anos dos vencedores do prémio da Literatura referidos. A lista é a seguinte:

 

Ano    Literatura Física Química Medicina
1902  T. Mommsen

 H. Lorentz

 P. Zeeman

 H.E. Fischer  R. Ross
1904

 F. Mistral

 J. Echegaray

 Lord Rayleigh  W. Ramsay  I. Pavlov
1915  R. Rolland

 W.H. Bragg

 W.L. Bragg

 R. Willstätter não atribuído
1919  C. Spitteler

 J. Stark

não atribuído  J. Bordet
1939  F.E. Sillanpää  E. Lawrence

 A. Butenandt

 L. Ružička

 G. Domagk

 

Pergunto então: que nomes serão reconhecidos pela maioria do público. Provavelmente, pensando um pouco, será possível identificar de imediato Ivan Pavlov, o dos reflexos pavlovianos. Hendrik Lorentz poderá ser conhecido, pelas equações que têm o seu nome. William Lawrence Bragg, que recebeu o prémio com o seu pai, talvez seja conhecido pelo seu trabalho com a cristalografia de raios X que permitiu decifrar a estrutura do ADN no laboratório Cavendish, enquanto Bragg era precisamente o director. Hermann Emil Fischer será conhecido através de uma das várias reacções que têm o seu nome. Depois destes, quem é conhecido? O meu desconhecimento da área da medicina provavelmente far-me-à falhar nomes óbvios, mas é um reflexo precisamente o ponto que pretendo ilustrar.

 

Se não conhecemos os nomes, como poderemos julgar a justeza da atribuição do prémio? Possivelmente poderíamos apontar vários cientistas que mereceriam o prémio e outros que o terão recebido sem grande mérito (Egas Moniz teria talvez sido um exemplo). O mesmo se passa na Literatura. Não conheço de facto nenhum dos nomes que o Rui referiu (Mommsen é-me conhecido, mas apenas de nome). Como posso julgar a sua escrita?

 

É-nos fácil criticar decisões destas. Prémios, como o Rui argumenta, são subjectivos. Nada nos diz que o nome venha a ficar para sempre como um farol a iluminar o seu campo de trabalho. Os prémios da Literatura, juntamente com os da Paz e da Economia (este menos) são mais fáceis de compreender pela generalidade da população. Os outros menos. Isso coloca-os como alvos fáceis. Não significa, no entanto, que sejam mais ou menos correctos. A nossa cultura geral, normalmente, não chega para o ajuizar. Não significa, no entanto, que os prémios sejam mal atribuídos ou que tenham a mesma validade se escolhidos por um «júri de província».

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Dignidade

por Pedro Correia, em 10.10.14

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Raras vezes o Prémio Nobel da Paz foi tão bem atribuído. Ao contemplar Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa que escapou por um triz a uma tentativa de assassínio talibã por defender o elementar direito à educação a todos os seres humanos, incluindo os do sexo feminino. "Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo", disse Malala em 2013, num comovente discurso pronunciado na sede da ONU, em Nova Iorque.

Impossibilitada de viver no seu país, onde o mais repugnante fanatismo islâmico a condenou à morte física e à morte cívica, Malala vive hoje no Reino Unido, onde tenciona completar os restantes graus de instrução sem pedir licença a nenhum homem, mesmo que use barba e turbante.

Com apenas 17 anos, é a mais jovem laureada até hoje com um Prémio Nobel, repartindo este galardão com Kailash Satyarthi, activista indiano dos direitos das crianças. E será a partir de agora um exemplo ainda mais marcante para milhões de raparigas a quem continua a ser negado o acesso a esse patamar básico de dignidade humana que só a educação proporciona.

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Sobre os prémios literários

por Rui Herbon, em 09.10.14

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Talvez isto dos prémios não seja assim tão importante. Na realidade, qualquer escritor fará bem, se puder, em não conceder a menor importância a um prémio recebido, mas aqueles que o sufragam e outorgam estão obrigados a conceder-lhe a maior importância, se não querem incorrer em cinismo. O premiado é acidental e transitório, para não dizer efémero; os que premeiam, em contrapartida, costumam ser insistentes, para não dizer permanentes, e, em boa medida, a sua lista de galardoados é aquilo que os define e torna mais ou menos prestigiados e respeitáveis enquanto premiadores, enquanto autoridades na matéria. O seu prémio é a sua lista, que têm portanto que ir confeccionando com extremo cuidado. Mas, regressando à importância dos prémios, pensemos por exemplo no Nobel, que, não tendo um carácter meramente local, tem um carácter temporal, pois se os mais recentes não foram submetidos aos rigores do tempo, e portanto podem gozar ainda de crédito na roleta da memória, em relação à maioria dos mais antigos há já décadas que um croupier expedito, insolente e desavergonhado os expulsou para uma pobre mesa de bilhar de um salão recreativo de aldeia. Ora quem se recorda hoje os senhores Mommsen, Mitral, Spitteler, Rolland e Sillanpää? Quem me sabe dizer se o prémio foi concedido a Galsworthy ou Gawsworth e qual a especialidade do dito premiado? E o que dizer da lista dos não premiados, que inclui nomes como Proust, Conrad, Joyce, Musil ou Borges? Na realidade a academia sueca parece cometer erros iguais ou semelhantes aos de qualquer júri de província, e não receber esse prémio, para um grande escritor, talvez seja uma honra muito maior.

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Leituras para o resto do ano

por Pedro Correia, em 12.04.14

 

Numa das últimas passagens de ano, decidi que nos meses seguintes leria apenas clássicos da literatura. Foi uma boa resolução de Ano Novo, que de algum modo me disciplinou o habitual fluxo anárquico de leituras, canalizando-o numa direcção muito precisa.

Para 2014 voltei a impor uma regra a mim próprio: este ano praticamente só lerei autores galardoados com o Prémio Nobel. É uma forma eficaz de colmatar várias das minhas lacunas neste domínio. E de que tive consciência há cerca de meio ano, a partir de um diálogo a três vozes travado com uma leitora e um colega de blogue numa caixa de comentários do DELITO DE OPINIÃO.

Falava-se precisamente de escritores premiados com o Nobel quando me lembrei de contabilizar quantos destes autores já eu conhecia como leitor (valendo, nesta contabilidade, não simples trechos mas obras lidas do princípio ao fim). Apenas 27: tinha a noção de que seriam mais. No diálogo que então se estabeleceu fiquei a saber que ele já tinha lido 34 e ela 42.

Esta informação funcionou para mim como um incentivo suplementar. Daí à resolução de Ano Novo, foi um curto passo. Aliás iniciado ainda em 2013.

 

De então para cá li nove obras de autores que receberam o Nobel: Genitrix e Teresa Desqueyroux (ambas de François Mauriac), O Meu Século (Günter Grass), O Anão (Pär Lagerkvist), Platero e Eu (Juan Ramón Jiménez), A Oitava Mulher do Barba-Azul (Anatole France), A Noite (José Saramago), O Falecido Mattia Pascal (Luigi Pirandello) e Uma Questão Pessoal (Kenzaburo Oe).

Vários outros estão já em lista de espera: o ano promete ser de muitas e variadas leituras. Entretanto, os 27 nomes que constavam daquela minha lista aumentaram para 34.

E tudo começou com uma descontraída troca de impressões aqui no blogue. Às vezes é quanto basta para concretizarmos uma intenção que só aguarda afinal um bom pretexto para se tornar realidade.

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Ah?!!!

por Patrícia Reis, em 04.03.14

Leio no portal do Sapo: Putin candidato a Nobel da Paz.

Nem sei comentar. A perplexidade toma conta de mim e talvez seja melhor agarrar numa pastilha e dormir.

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Este é do meu clube

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.01.14

"Um prémio não honra um escritor, os escritores é que honram os prémios. Devíamos dar os parabéns ao Nobel por alguns grandes escritores o terem ganho..." - António Lobo Antunes, Visão, 23/12/2013

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E o Nobel da Economia que já foi atribuído...

por João André, em 23.10.13

Soares dos Santos gosta mesmo de tomar os outros por parvos. Agora vem com a ideia de colocar as pessoas a trabalhar sete dias por semana mas, e aqui vem a parte hilariante, com um total de horas diárias inferior ao actual. Virão perguntar, então e qual o problema? Pode ser boa ou má ideia, mas por que razão não haveria de se pensar nisso?

 

Quase ninguém trabalha hoje em dia as 40 horas semanais que tem de cumprir. Seja no público ou no privado. Quase toda a gente fica mais tempo no trabalho. Com o esticar da semana de trabalho para 7 dias, Soares dos Santos acabaria por ter gente a trabalhar mais tempo por menos dinheiro. Durante a semana isso não é prático já que os trabalhadores são uns chatos e dizem que têm que ir buscar os filhos, fazer compras, arrumar a casa, etc. Assim, em vez de trabalharem umas 10 a 12 horas por dia e 5 dias por semana (sendo pagos 7 ou 8 horas), acabam a trabalhar as tais 7 ou 8 horas por dia, mas 7 dias por semana. Genial não?

 

E depois Soares dos Santos pode ir gozar os seus lucros para a Holanda, o país genial que não cobra impostos sobre lucros do estrangeiro de empresas sediadas no país, e que por via dessas cobranças fantásticas está agora em recessão e crise orçamental e decidiu ser mais transparente que o país de Passos Coelho e declarar o fim do estado social.

 

Correcção: como vários comentadores referiram, o que Soares dos Santos disse não foi aquilo que eu entendi. Seriam as empresas a trabalhar e não os trabalhadores. Também acho a ideia disparatada, mas disso falarei depois.

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Alice Munro

por Pedro Correia, em 10.10.13

A canadiana hoje galardoada com o Nobel da Literatura só escreve contos, um género literário raramente premiado pelas academias. Está bem editada e bem traduzida entre nós, em português com todas as vogais e consoantes. Com estas seis obras, que estavam provavelmente recolhidas nos famigerados "fundos de armazém" e espero ver a partir de hoje nas montras das livrarias.

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Para o ano é que é

por Rui Rocha, em 10.10.13

Senhor Murakami? Olá, viva. Estamos a ligar de Estocolmo. Sim, da Academia. Parabéns, ganhou o Nobel... Ah,ah, ah. Voltou a cair, não foi? É sempre  a mesma coisa! Então até para o ano e saúdinha, sim...

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Carta aberta, para o lixo

por Ana Vidal, em 12.09.13

Caro presidente Obama,

Sei que é um homem muito ocupado, não lhe tomo muito tempo. Venho apenas lembrá-lo de que tem em casa um Nobel da Paz. Mais: um prémio que lhe foi atribuído por antecipação, antes de qualquer obra de vulto que o justificasse. Ou seja, um inédito voto de confiança no seu carácter e na sua capacidade de promover a paz no mundo, que o sentou directamente ao lado de pessoas como Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá. Tem agora uma excelente ocasião para provar que mereceu essa honra. Espero, sinceramente, que não a desperdice.

 

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«Eu vivi tanto / que me parece tão pouco. E hei-de morrer / desesperado

por não ter vivido.»

Jorge de Sena (1919-1978)

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«Supondo-se que a mentira tem uma história, seria ainda necessário poder contá-la sem mentir.»

Jacques Derrida (1930-2004)

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«A ternura é o dom que me comove, que me sustém, nesta manhã, em todas

as outras manhãs.»

Raymond Carver (1938-1988)

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«que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas / aves que são os segredos da vida / o que quer que cantem é melhor do que conhecer / e se os homens não as ouvem estão velhos»

e. e. cummings (1894-1962)

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«O estado nunca é tão eficiente como quando nos quer extorquir dinheiro.»

Anthony Burgess (1917-1993)

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«Os lugares onde não amámos nem sofremos nunca nos deixam recordações.»

Pierre Loti (1850-1923)

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«Uma página de boa prosa é algo invencível.»

John Cheever (1912-1982)

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«A alma está nos antípodas do corpo. Quando para ela amanhece, para ele

cai a noite.»

Juan Rulfo (1917-1986)

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«Um bom livro deve deixar-nos à beira da exaustão. Nós vivemos várias vidas enquanto lemos.»

William Styron (1925-2006)

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«A existência é esforço, desejo e dor.»

Giovanni Papini (1881-1956)

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«A vida é como uma peça teatral, mas com diálogos muito piores.»

Jean Anouilh (1910-1987)

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«Não há dinheiro na poesia nem poesia no dinheiro.»

Robert Graves (1895-1985)

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«Para nós, a terra é nua e plana. / Não há sombras. A poesia / Mais do que a música há de ocupar / O vazio de um céu sem hinos.»

Wallace Stevens (1879-1955)

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«A paciência é um misto de coragem moral e timidez física.»

Thomas Hardy (1840-1926)

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«O medo é sempre um péssimo conselheiro.»

Giorgio Bassani (1916-2000)

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«Toda a ordem é um acto de equilíbrio extremamente precário.»

Walter Benjamin (1892-1940)

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«O meu medo é que, num mundo completamente são, a loucura seja

a única liberdade.»

J. G. Ballard (1930-2009)

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«A criança dita e o homem escreve.»

Julien Green (1900-1998)

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«A verdade e a justiça são soberanas: só elas asseguram a grandeza das nações.»

Émile Zola (1840-1902)

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