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A Europa rendida ao medo (12)

por Pedro Correia, em 11.12.15

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A escola Matteotti, em Florença, cancelou uma visita de estudo dos alunos do ensino básico daquele estabelecimento a uma exposição de arte sacra nesta cidade intitulada Beleza Divina por "compreensão pelas famílias muçulmanas tendo em conta o tema religioso" desta mostra. Entre os quadros expostos no Palácio Strozzi encontram-se A Crucificação Branca, de Marc Chagall (o preferido do Papa Francisco), a Pietà, de Van Gogh,  A Crucificação, de Renato Guttuso, e o Angelus, de Millet, além de telas de Matisse, Munch e Picasso.

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A Europa rendida ao medo (11)

por Pedro Correia, em 10.12.15

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Uma escola da cidade italiana de Rozzano, a 30 quilómetros de Milão, só irá assinalar o Natal a 21 de Janeiro, baptizando-o de "Festa de Inverno", sem cânticos nem símbolos religiosos. Motivo? Segundo o director da escola, após os atentados de Paris, isto poderia ser considerado "uma provocação perigosa" para os cerca de 20% de alunos de origem muçulmana matriculados neste estabelecimento de ensino.

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A Europa rendida ao medo (10)

por Pedro Correia, em 16.02.15

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O tradicional corso carnavalesco em Braunschweig foi anulado pela polícia alemã, hora e meia antes da hora prevista, por fortes suspeitas de um ataque terrorista de matriz islâmica. Em 2014 o Carnaval nesta cidade da Baixa Saxónia atraiu mais de 250 mil visitantes.

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A Europa rendida ao medo (9)

por Pedro Correia, em 12.02.15

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A exibição de L' Apôtre [O Apóstolo], da cineasta Chéyenne Carron, foi adiada em algumas salas francesas, a pedido das autoridades, para evitar "riscos de ataques". Motivo? A comunidade islâmica poderia sentir-se "provocada" pelo filme, centrado num jovem muçulmano francês convertido ao cristianismo.

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A Europa rendida ao medo (8)

por Pedro Correia, em 04.02.15

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Uma  exposição sobre a censura através da história no centro cultural de Welkenraedt (Bélgica) foi encerrada "por precaução" 24 horas após abrir ao público. A exposição incluía um painel sobre o Charlie Hebdo e a censura religiosa contemporânea.

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A Europa rendida ao medo (7)

por Pedro Correia, em 02.02.15

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Um festival de cinema em Tournai (uma das capitais culturais da Bélgica) foi adiado devido a ameaças terroristas. Neste certame estava prevista a exibição do filme Timbuktu, produção franco-mauritana que tem como pano de fundo o extremismo islâmico.

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A Europa rendida ao medo (6)

por Pedro Correia, em 31.01.15

Alegoria ao Charlie Hebdo, com uma caneta no cano de uma arma, proibida no Carnaval em Colónia, contrariando planos iniciais. "Não queremos um carro alegórico que atrapalhe a atmosfera livre e descontraída do Carnaval", diz a comissão de festas.

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A Europa rendida ao medo (5)

por Pedro Correia, em 30.01.15

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Uma instalação artística "blasfema" foi removida de uma exposição nos arredores de Paris por receio de causar protestos violentos. Esta instalação, da franco-argelina Zoulikha Bouabdellah, exibia sapatos de salto alto sobre tapetes de oração islâmica.

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A Europa rendida ao medo (4)

por Pedro Correia, em 29.01.15

A BBC recusa utilizar a palavra "terrorista" em relação aos assassínios do Charlie Hebdo e outros actos criminosos por ser um termo "valorativo" que suscitaria dúvidas sobre a "imparcialidade" da estação entre autores e vítimas dos atentados.

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A Europa rendida ao medo (3)

por Pedro Correia, em 28.01.15

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Museu londrino Victoria & Albert retira da sua galeria on line um poster da autoria de um artista iraniano representando o profeta Maomé. "A imagem foi removida do nosso banco de dados por motivos de segurança", justifica uma porta-voz do museu.

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A Europa rendida ao medo (2)

por Pedro Correia, em 24.01.15

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O cartunista belga Philippe Geluck, talvez já farto de caricaturar Deus, apressa-se a jurar que jamais desenharia Maomé para não ferir a fé islâmica. Uma forma peculiar de homenagear os seus colegas do Charlie Hebdo, assassinados faz hoje 17 dias.

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A Europa rendida ao medo (1)

por Pedro Correia, em 23.01.15

Museu Hergé, na Bélgica, anula in extremis uma exposição de caricaturas satíricas que pretendiam homenagear o Charlie Hebdo com receio de represálias do terror islâmico. "O Museu não existe para atiçar o fogo", justifica o director da instituição.

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O medo

por Helena Sacadura Cabral, em 08.01.15

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Sei alguma coisa do que seja viver com medo. Sobretudo, com o medo que advém de se ter opinião. Durante anos, estive sob o fogo cruzado da PIDE, por causa do marido e do filho mais velho. Depois, nos tempos áureos do PREC, por causa do mais novo e do sogro. Não eram medos mortais, mas era um sentimento de impunidade e de insegurança que advinham do simples acto de pensar pela própria cabeça. Vem daí a minha incapacidade de filiação numa qualquer organização que me obrigue a prescindir de ter pensamento próprio.

Os acontecimentos ocorridos ontem em Paris e os assassinatos de que antes já havíamos tido conhecimento, voltaram a relembrar-me esses estados de ansiedade pelos quais passei há já muitos anos e a perguntar a mim própria como se tornou possível, no século XXI, uma tal ocorrência.

Nunca fui uma apreciadora do estilo corrosivo do Charlie Hebdo, talvez porque ele atacava, sobretudo, o "modo de olhar o mundo". Prefiro o humor de tipo britânico, que obriga a pensar antes de rir. Mas reconhecia-lhes uma criatividade e uma ousadia sem limites. E respeitava-as.

O que ontem se passou visa amedrontar, nomeadamente os mais frágeis, aqueles que não têm a coragem ou a capacidade de serem livres. E ser livre não depende só de nós. Depende também daqueles que nos estão próximos e que podem, directa ou indirectamente, limitar essa liberdade. Quem não tem dinheiro para dar de comer à família não pode sentir-se livre. Daí que o medo se revista de múltiplas roupagens. O atentado de Paris obriga-nos, de novo, a conviver não só com ele, mas também com a angústia que dele resulta. O que, para além das perdas humanas – essas, irreparáveis - constitui uma das mais trágicas condicionantes a que podemos ficar sujeitos.

 

 

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A gestão do medo

por Rui Herbon, em 04.11.14

sem nome.pngA guerra fria foi construída sobre o medo. Cada vez que um presidente americano se reunia com um líder soviético era um acontecimento preparado durante meses, amplamente noticiado e durante o qual se assinavam acordos que serviam de bem pouco. Desde Nixon e Brejnev que o tema recorrente era como reduzir os arsenais nucleares, que se multiplicavam periodicamente para prevenir o ataque do adversário. Esgrimia-se a doutrina da mutual assured destruction (MAD, muito apropriadamente), que consistia em assegurar a completa aniquilação das duas potências caso uma delas disparasse o primeiro míssil. Havia que evitar o primeiro golpe, que, de facto, nenhuma das duas se atreveu a desferir. Havia medo, apesar dos arsenais militares (nucleares e convencionais) que ambos os impérios armazenavam no seu território e no dos seus aliados. 

 

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mau tempo

por Patrícia Reis, em 31.03.13

Estão 14 distritos em alerta, a chuva parece que não vai parar e as janelas da casa mínima onde estou ameaçam cair. Oiço o vento lá fora e, confesso, tenho medo. O melhor será um livro.

 

Leio:

 

---
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...

A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

[Fernando Pessoa, in Chuva Oblíqua]

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O medo global

por Rui Rocha, em 03.06.12

"(...)

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.

Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.

Os automibilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.

A democracia tem medo de recordar e a linguagem medo de dizer.

Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

É o tempo do medo.

Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.

Medo dos ladrões, medo da polícia.

Medo da porta sem fechadura, do tempo sem relógios, da criança sem televisão, da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.

Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver..."

 

Eduardo Galeano, El miedo global (tradução livre).

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Imagem que marca (9)

por André Couto, em 30.04.12



(O medo que se instalou nas pessoas é preocupante. / Assustadas, as pessoas retraem-se e não consomem, o que prejudica o crescimento da economia. / Então é preciso que as pessoas percam o medo. / Está louco? Isso é um perigo! Se as pessoas perderem o medo não vão querer consumir, vão querer mudar a sociedade!...)

"Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torne amado, que outro que se torne temido, pois o amor quebra-se, mas o medo mantém-se" (Maquiavel).

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o medo

por Patrícia Reis, em 08.02.12

 

O medo é instinto. O medo não é piegas, mesmo que o PM ache que possa ser, vem de dentro, instala-se e pode ser controlado, mas não ignorado. Vivemos a medo. Dias seguidos e a pretexto de coisas distintas. Medo de perder do emprego, dos filhos e dos maus caminhos ( por existirem maus caminhos), do frio e da fome, da falta e da solidão, da incompreensão, da rejeição, de não sermos aplaudidos por A ou B, medo da traição do corpo, de ser frontal ou politicamente incorrecto. O medo. Uma variante de vida? Não, para a maioria é uma forma de vida, de estar, de ser. Infelizmente.

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