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O clima tóxico do debate futebolístico

por João André, em 18.04.17

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

  

 

Também aqui.

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A melhor propaganda é a que passa como notícia

por Teresa Ribeiro, em 19.08.15

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O aumento dos nascimentos claro que é uma boa notícia, isso nem se discute. Já a forma como a informação é dada pode, em contrapartida, ser fonte de preocupação. A primeira que me chegou sobre o assunto foi nestes termos: "O fim da crise contribuiu em grande parte para que 2015 registasse um maior nascimento de bebés". Não saiu no Povo Livre nem na Folha do CDS, "o fim da crise" é anunciado num texto que consta de um serviço de notícias aparentemente isento. Resta saber se a história foi ditada por um assessor político ou se saiu espontaneamente da pena do jornalista que a escreveu.

Assim vai o nosso jornalismo.

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A moda da política sem filtros na TV

por Teresa Ribeiro, em 17.03.15

 

 

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Nunca vi, em tão pouco tempo, estrearem na televisão tantas séries sobre os bastidores da política. Dos EUA veio a viciante House of Cards, da Dinamarca, a Borgen e agora passa na RTP2 a primeira temporada da série francesa Os Influentes (no original, Les Hommes de L'Ombre).

Todas excelentes, e de sucesso internacional, reflectem uma tendência ditada pelo impacto público das primeiras produções do género. Ignoro se foi House of Cards a acender o rastilho, mas o que me interessa é perceber porque só recentemente os jogos de poder, tão velhos como o mundo, passaram a receber este tratamento laboratorial. Filmes documentais ou ficcionais sobre política e políticos existem desde os primórdios do cinema. Da propaganda aos filmes de causas, pensávamos já ter visto tudo, mas afinal faltava a versão hard-core.

"- Daqui a uma semana acaba tudo.

 - Não tem planos?

 - Nada. Fico na reserva da República. Sabe o que é um reservista? É o tipo que chamam à últma hora quando não há pessoas suficientes para agitar as águas.

 - Proponho-lhe algo mais gratificante.

 - E melhor pago? Isso também conta. O meu nível de vida vai ser reduzido.

 - O que lhe proponho é legal e simples. Quando deixar de ser Primeiro-Ministro contrato-o como advogado para defnder os interesses da empresa.

 - Adorava aceitar a proposta, mas não sou advogado.

 - Todos os parlamentares podem ser. Demora exactamente três semanas, basta-lhe prestar juramento.

 - E defendo quem? O quê?

 - As emendas que lhe sugerir para levar à Assembleia.

 - Não é clientela.

 - Explico de outra maneira. Como advogado parlamentar não pode apresentar emendas em nome dos seus clientes. Mas pode fazê-lo a favor dos meus. Intervém por conta da empresa que age em nome dos clientes. É muito simples.

 - É legal?

 - Evidentemente. É por agirem com absoluta legalidade que muitos parlamentares são também advogados. Quando explicam as escusas para intervir em comissões às quais pertencem, provam a sua honestidade.

 - A menos que peçam a colegas para agirem em seu nome.

 - Ou apresentem conselhos de agências como a minha. Tudo isso permite apagar as ligações entre um projecto-lei e o deputado que o defende. Não existe nenhum conflito de interesses aparente entre as partes.

 - Conhecia a prática mas nunca pensei nessas subtilezas.

 - Se aceitar a minha proposta contrato-o como advogado com o salário de um Primeiro Ministro." - este é um exemplo (retirado do episódio 6) de um dos excelentes diálogos que podemos seguir em Os Influentes.

A novidade nestas produções é a exposição total. Nenhum detalhe é esquecido. Quem nunca passou pelos bastidores da política pode agora fazê-lo em casa, sentado no sofá. O papel decisivo dos spin doctors na intriga política, a extraordinária importância que se dá, quando se trabalha a um nível muito profissional, a pormenores como a largura do tampo da mesa que vai estar em estúdio para um debate televisivo, a promiscuidade entre assessores e jornalistas e consequente instrumentalização da Comunicação Social, a apropriação da mensagem política pelo marketing, a transformação de candidatos em produtos, os golpes da baixa política, tráfico de influências, conflitos de interesses, corrupção, tudo se desvenda.

A House of Cards falta-lhe a contenção europeia. A luta pelo poder do protagonista, Frank Underwood (Kevin Spacey interpreta-o tão bem que se arrisca a ficar para sempre com este personagem colado à pele), embora fortemente inspirada na realidade cede a exigências comerciais e até morais. Exagerando na amoralidade da política - Frank já teve que semear alguns cadáveres na sua ascensão ao Nirvana - a série, ao mesmo tempo que atrai nos EUA audiências que gostam de acção, não fere as susceptibilidades de um público mainstream que apesar de tudo prefere uma barreira protectora de ficção à volta das suas instituições. Não por acaso, Obama já disse publicamente que é fã desta série. Prova maior de que é confortável para o meio que pretende retratar.

Mas desviei-me do ponto. Porquê isto agora? Penso que se trata de uma questão de percepção de maturidades. A crise das democracias revelou eleitorados cada vez mais difíceis de conquistar, porque tal como nos casamentos gastos, já não têm mais nada a aprender com o outro. Sabem tudo, não vão em conversas. Sabem demais. Daí os níveis crescentes de abstenção, o desinteresse.

Já não há nada a esconder, nem os podres, que escândalo a escândalo, se foram derramando nos jornais, por isso por que não desocultar segredos de polichinelo e partilhá-los na praça pública? Alguém ligado aos media um dia pensou nisto. Pensou que podia fazer da fonte das nossas frustrações cívicas um sucesso mediático. E acertou em cheio. Seguir estas séries é catárctico. Estávamos mesmo a pedi-las.

 

Foto de: Os Influentes

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Boa pergunta

por Teresa Ribeiro, em 10.02.15

Se há questões que não devem passar pelos intervalos da chuva, esta é uma delas. Infelizmente nem sempre um bom artigo de jornal é replicado vezes suficientes para que se transforme num assunto incómodo para os poderes que interpela. Na Imprensa portuguesa acontece com demasiada frequência e é uma pena.

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Destaques de um jornal de referência

por Teresa Ribeiro, em 22.06.14

 

São doze e estão no online da edição de hoje do Diário de Notícias:

 

1 - Mãe do Daniel foi detida

2 - Filhos de Will Smith dormem com cobras na cama

3 - Futebol (Ronaldo)

4 - Futebol

5 - Avó baleada por neto de 16 anos

6 - O que fazer quando os filhos pedem para sair à noite

7 - Futebol

8 - Jornalista grávida de gémeos

9 - Futebol

10 - Futebol

11 - Neandertais: o segredo está nos dentes

12 - Futebol

 

 

Hesitei entre o Ronaldo e o Ronaldo. Mas depois achei mais palpitante a notícia da jornalista que engravidou, de modo que foi aí que cliquei, mas devagarinho para não incomodar os bebés.

"Diário das Festas" não anda a despedir. Anda é a despedir-se.

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O diabo está nos detalhes

por Teresa Ribeiro, em 12.06.14

 

Ontem, no dia em que se soube que o grupo a que pertence o Diário de Notícias ia despedir 160 trabalhadores passei pelo Marquês de Pombal, depois de mais uma visita à Feira do Livro. E o que vejo a cobrir a fachada do edifício do DN? Um animado anúncio, com o slogan "O Diário das Festas", referindo-se às Festas de Lisboa, que agora começaram. Irónico. Mais que irónico, irritante, provocador, obsceno.

Alguém que habita a direcção do grupo pensou no efeito desta bestial dissonância entre o que agora se passa dentro das quatro paredes do edifício e o que a sua fachada anuncia? Talvez sim, talvez não. Em qualquer dos casos revela-se o mesmo: insensibilidade e falta de respeito pelas pessoas. E, note-se, não estamos a falar de uma empresa de lacticínios, mas sim de uma empresa de comunicação. 

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Cromos no DN

por Teresa Ribeiro, em 17.09.13

Gosto, para variar, de ver num jornal investigação e não a agenda do governo e dos partidos. Só de uma opinião pública forte poderá emergir uma sociedade civil influente e nada disto é possível sem a intervenção cívica dos media. Jornalismo é serviço público, por isso saúdo a iniciativa Grande Investigação que o DN lançou há vários meses e que agora retoma em força a propósito das autárquicas.

Não estou a conseguir fazer o link para a reportagem que hoje se publica neste jornal sobre o modus operandi de alguns dos nossos autarcas, suas ligações e expedientes, mas recomendo. É bom conhecermos os cromos que os partidos políticos põe ao "serviço" de todos nós e da pátria antes de decidir como votar.

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Este post do Pedro fez-me voltar a esta notícia do Público e a reflectir sobre a qualidade da informação (não só portuguesa) e da influência que isso terá no declínio dos media tradicionais.

 

Veja-se o caso retratado pelo Pedro: uma televisão decidiu não exercer o contraditório assim subscrevendo a posição de um dos lados. Neste caso foi a TVI, mas no passado poderemos certamente encontrar outros exemplos semelhantes por parte de outras televisões. A sensação que me fica é que o exercício de contraditório é uma decisão do jornalista e não é verficado pela direcção/revisão.

 

Temos ainda o caso da entrevista de Judite de Sousa, que procurou enxovalhar em directo um convidado (não vou discutir a hipocrisia, não me parece condição necessária para um jornalista praticar seja lá o que for). Acaba por ter em público uma atitude que é vista como popularucha e que serve para atrair espectadores. Aquilo que ninguém parece questionar é o interesse jornalístico da entrevista.

 

Um outro caso aqui, no Público. Se querer menosprezar o sofrimento da família, pergunto-me qual a relevância nacional de um afogamento de uma criança. Infelizmente são acidentes que sucedem todos os anos, em rios e no mar. Tal como todos os dias haverá gente a morrer em acidentes de viação ou domésticos ou de outro tipo. Cada morte é uma tragédia, mas nem todas as tragédias são notícia.

 

Lembro-me de ter no passado jornais com secções muito bem definidas e critérios editoriais que não passavam por aspirar a ser novos Correios da Manhã. Lembro-me também de telejornais que duravam 30 minutos, começavam com a principal notícia do dia, passavam por notícias nacionais, internacionais, culturais e desportivas e onde os directos não serviam para o jornalista no local papaguear exactamente a mesma informação que o pivot deu uns momentos antes. Até me lembro de não precisar de ter uma aplicação de Adblock no navegador da internet para evitar ter 50% do meu ecrã preenchido por anúncios quando leio notícias online.

 

É verdade que a internet veio romper com o anterior modelo de negócio dos media. Só que, tal como noutros casos (música, televisão, cinema), a internet acaba por ser o bode expiatório de todos os fracassos. Se a internet permite satisfazer, a baixo custo, a sede de notícias e a uma velocidade que os media tradicionais não podem igualar, também não deixa de ser verdade que, enquanto quarto poder, os media não podem aceitar ser ultrapassados por simples blogues, facebook ou twitter.

 

É certo que qualquer evolução dos media embate na disponibilidade de pagar por conteúdo, mas se o conteúdo for de fraca qualidade, mal organizado e sem critério claro, é óbvio que essa disponibilidade se reduz. Num momento em que se olha em frente para procurar novos modelos de negócio (vide a compra do Washington Post por Bezos), talvez fosse uma boa ideia olhar para o passado em busca de inspiração.

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Maus hábitos jornalísticos

por João André, em 31.07.13

No caso do acidente ferroviário em Espanha, aquilo que mais me incomoda é a forma como a vida do condutor tem sido completamente devassada pela comunicação social. Ainda antes de se saber o que tinha sucedido (além da existência de muitos mortos) já se sabia quem era o condutor, que idade tem, que tinha colocado uma foto na sua página do Facebook, etc. Perante o tratamento dado ao caso pela comunicação social, é normal que o público tenha reagido como uma turba raivosa com ganas de enforcar o condutor da árvore mais alta da Galiza.

 

Neste aspecto não seria de desdenhar o hábito que eu vejo na Holanda. Perante um acusado de um crime, a comunicação social dá habitualmente o primeiro nome e a inicial do apelido, desfocando sempre as fotografias em que ele (ou ela) apareça. A lógica é simples: se a pessoa for considerada inocente (ou mesmo que cumpra pena e depois saia em liberdade), é importante que possa voltar a ter uma vida normal. Como tal, faz sentido que a sua identidade seja mantida em segredo.

 

Não sei se é um compromisso dos media ou uma determinação legal. Para bem da justiça, no entanto, seria bom que fosse adoptado (pelo menos) em Portugal.

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Uma manchete rasca

por Fernando Sousa, em 17.07.13

Quem apesar das contingências destes tempos difíceis mantém algum amor pela profissão de jornalista não pôde esta manhã deixar de ficar ora branco de espanto ora vermelho de raiva com a manchete do Jornal de Notícias. Por vergonha, uma imensa vergonha, nem a reproduzo. O leitor pode no entanto espreitá-la aqui. O JN tem na sua redacção (ainda) grandes profissionais, amantes do rigor e inimigos figadais da ambiguidade barata. Não foi seguramente nenhum deles o autor deste título tão rasca, que nos envergonha a todos. 

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Aproveitem; acaba à meia-noite

por Fernando Sousa, em 03.05.13

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Lidar com o comentador

por João André, em 26.03.13

Não posso dizer que tenha simpatias por José Sócrates. Não votei nele nem teria intenções de o fazer. Para mim, a única coisa que fazia dele um socialista era a sua palavra e sabemos qual o valor que tem (quase nenhum, mas superior ao de qualquer actual ministro).

 

Seja como for, as reacções à sua ida para comentador são geralmente ridículas. Variadíssimos comentadores sem qualquer qualidade ou credibilidade populam os nossos media e nós não pedimos a sua exoneração, iniciamos petições para boicotar o media em questão ou de uma forma geral fazemos muito barulho. Sei que muita desta indignação é fabricada para poder desviar atenções daquilo que o governo vai fazendo. É estratégia tão velha que Carbono-14 não serve para a datar. E funciona.

 

Há, no entanto, uma forma muito mais simples de evitar ouvir as opiniões de José Sócrates: desliguem a televisão. Também se evita assim muito outro lixo televisivo bem pior que as declarações de um ex-governante.

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Terceiro mundo?

por João André, em 21.01.13

Portugal foi assolado pela tempestade e o caos apareceu. Pelas redes sociais notei que muitos começaram a dizer que era um país do terceiro mundo, que bastam umas chuvas e um vento mais forte e a infraestrutura vai abaixo. Discordei sempre que vi essas opiniões. Qualquer país sofreria com mau tempo extremo. Há uns anos caiu aqui na Holanda um nevão forte seguido de um degelo parcial e de novo congelamento e neve. Devido a isso ficaram algumas localidades sem água, luz e gás. Terceiro mundo? Não, apenas clima.

 

Aquilo que foi do terceiro mundo, no entanto, foi a informação. Se houver corte de luz, telecomunicações ou outra coisa qualquer, posso ir à página da net da empresa e ver qual é o problema e quais são as previsões para a resolução do mesmo. Em Portugal nada disso estava disponível. Estive desde sexta-feira à noite até ontem às 23:00 sem nada saber da família. Nem deles nem das previsões. A EDP, REN ou a ERSE nada diziam. A TMN, Vodafone ou PT estavam mudas. Procurar informações nas páginas dos jornais, rádios ou televisões era esforço em vão. A única fonte de informação foi um jornal regional ou as informações de amigos que se iam ligando à internet a espaços usando os telemóveis.

 

Não, Portugal não é um país do terceiro mundo. Mas os responsáveis de muitas das suas empresas bem para lá podiam ir.

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The show must go on

por Ana Vidal, em 17.12.12


Há qualquer coisa de necrófago e pornográfico na forma como os media filam uma tragédia e a descascam até ao tutano, fazendo-a render o mais possível sem qualquer pejo ou hesitação. Não o fazem pelo desejável brio profissional de revelar a verdade, mas para manter altas as audiências, numa concorrência desenfreada que os faz perder completamente as mais básicas noções de decência e de respeito pela privacidade. O osso só é largado quando outra qualquer desgraça, maior, mais sangrenta ou mais escandalosa, se perfila no horizonte. 

Agora, descobriram um pai que se despediu em português da filha pequena morta na carnificina da escola americana, e esse facto irrelevante parece ter-se tornado importantíssimo em todos os telejornais, como se fosse uma espécie de deferência especial para com Portugal. E como se o horror anónimo, em qualquer língua, não fosse já suficientemente insuportável.

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Baixa política

por Teresa Ribeiro, em 29.08.12

O argumento de que a RTP era um sorvedouro de dinheiro, que sugava aos contribuintes 1 milhão por dia, sensibilizou-me. De resto, há muito que me interrogava sobre o interesse de manter dois canais, sobretudo em manter um canal com características indistintas dos outros canais generalistas, com o dinheiro do Estado. Agora, do nada, caem do céu números que nos apresentam outra realidade e que - pasme-se - são grosso modo corroborados pelo governo.

Sabendo-se que a privatização de mais um canal vai rebentar com o mercado publicitário, base de sustentação dos media e que essa crise vai ter um efeito dominó, afectando não só as televisões como todos os outros órgãos de informação,  porque raio não se fecha pura e simplesmente um dos canais? Se afinal o "sorvedouro" até já pode dar lucro, chamem as coisas pelos nomes e não afirmem que é por razões financeiras que querem descartar o canal público de televisão. Não vou sequer discutir aqui a importância de manter o serviço público. Propositadamente limitei-me às razões financeiras, as que sempre têm sido invocadas para defender a necessidade de despachar a RTP.

Mas se dúvidas houvesse, percebe-se agora que esta decisão é política e de forte base ideológica. E se é política e lesiva para um sector estratégico como o da Comunicação Social, então é muito grave o que se está a preparar.

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Os jornanalistas 2

por Teresa Ribeiro, em 30.07.12

A Associated Press distribuiu aos seus jornalistas um caderno de encargos que ajuda a dividir as águas entre opinião e jornalismo. Algo que se impõe num universo em que as redes sociais vieram baralhar ainda mais a comunicação, expondo os profissionais de informação a situações pouco recomendáveis - diz a AP - como emitir opinião nas suas páginas de Facebook sobre os assuntos que andam a escrever para a agência. Não se trata de não reconhecer a estes profissionais o direito a expressar livremente opiniões em canais de comunicação pessoais e privados, sublinha, mas de admitir que não é possível fazê-lo sem que tal tenha reflexos na credibilidade do seu trabalho, supostamente independente e, por consequência, na credibilidade da agência.

Elementar? Só se for para estes senhores, pois por cá é ver a confusão que reina nos twiters, blogs e páginas de facebook de jornalistas que às horas de expediente produzem informação "escorreita, objectiva e independente" e nas folgas e horas nocturnas a comentam livremente nas suas redes pessoais. Alguns, como já aqui afirmei, até se dão ao luxo de comentar na televisão o que escrevem.

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Os jornanalistas

por Teresa Ribeiro, em 09.07.12

Escrevem notícias e depois comentam-nas nos seus blogues, nas redes sociais e até nas televisões. Se o assunto não morreu ali, prosseguem com a isenta investigação jornalística, aproveitando para reforçar com factos as suas doutas opiniões. É o chamado jornanalismo, também conhecido por jornalismo de rabo na boca.

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off

por José Navarro de Andrade, em 25.05.12

Daniel Carton foi durante mais de 10 anos editor de política do “Le Monde” e depois grande repórter do “Nouvel Obs”. Em 2003 chateou-se, retira-se e publica o livro “Bien Entendu… C’Est Off” sobre o metier que fora o seu. Algo me diz que passados quase 10 anos continua bastante actual.

Reproduzem-se aqui 3 passagens no original francês. Afinal, este é um assunto que não convém divulgar à boca cheia.

 

“La politique était d’abord l’art de se servir des médias. Le tutoiement entre politiques et journalistes, cet insupportable tutoiement, devenu signe de ralliement d’une caste, assurance tous risques et gage de compréhension mutuelle. Ah ! la belle affaire, paraît-il. Je tutoie, tu tutoies, nous nous tutoyons. Pas devant micros et caméras, ah ! ça, non, surtout pas. Jamais ! Il faut que le " tu " reste entre soi. Le peuple requiert quand même quelques mises en scène. Ainsi un Grand Jury RTL-Le Monde, rendez-vous politique du dimanche soir si prisé. Vous venez dans les studios une demie-heure avant. L’invité arrive, on se tutoie. Après l’émission, pendant la collation où tout le monde se pousse autour de l’invité pour lui dire que, décidément, il est le meilleur, on se tutoie.” 

 

“Aux petits déjeuners, déjeuners, dîners, les assiettes en débordent ! Off the record. Confidentiel. Secret. A ne jamais répéter, du moins pas à plus d’une personne à la fois. C’est la première chose que j’ai découverte en arrivant à Paris. Savoir se taire est devenu la suprême qualité d’un journaliste politique voulant être reconnu et admis.”

 

“Le tutoiement n’est qu’un début. Les consœurs sont sujettes à des traitements particuliers, parfois même très particuliers, pouvant mener à une certaine confusion des genres. D’abord on se tutoie, ensuite on s’embrasse et après on voit. Bisous par-ci, bisous par-là, avec un petit problème cependant pour les initiés : à la télévision, sur les images montrant par exemple les arrivées dans les réunions, les attroupements dans les couloirs de l’Assemblée ou les attentes dans les états-majors, on ne les entend pas se tutoyer, mais on les voit s’embrasser.”

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Media wars

por José Navarro de Andrade, em 19.01.12

Christopher Wool, "Hole", 1992

 

Como Portugal é um arrepiante deserto na criação comercial de conteúdos e como boa parte dessa minúscula criação é financiada por concurso estatal, ou seja, independente das condições do mercado, aquilo que se passou ontem deixa-nos indiferentes.

E no entanto esteve em cena um conflito que pode mudar profundamente a nossa vida. Habituámo-nos a usufruir do acesso cómodo e a muito baixo custo de uma miríade de conteúdos criativos. Entre eles alguns que nos deviam estar vedados.

O que se passou? A Wikipedia esteve em blackout durante o dia de ontem, em sinal de protesto contra a aprovação, por parte do congresso dos EUA, de uma lei que reforça os direitos de autor e de propriedade criativa. Todo o Sillicon Valley alinha com esta posição, nomeadamente gigantes como o Google, o YouTube, etc.

Quem dinamiza esta lei? A indústria cinematográfica, numa palavra: Hollywood. De que se queixa ela? Do aumento exponencial da pirataria, ou seja do download gratuito de filmes em plena fase de exploração comercial a partir de plataformas informáticas. A indústria de cinema gasta milhões a produzir e a promover filmes, cuja rentabilidade é gravemente afectada ao serem usufruídos de graça.

Como é isto possível? Porque certos países como a Rússia e a China, são verdadeiros offshores informáticos, onde a lei dos direitos de autor não chega e onde a pirataria tem porto de abrigo.

Face a esta proposta legislativa, do lado dos distribuidores on line e, sobretudo, dos negócios que dependem do volume de circulação na internet (Google, Yahoo, You Tube, etc.) o alarme foi generalizado e compreensível: esta lei cerceia alguns modelos de negócio, desincentiva bastante a criação de novos negócios, e atira para cima deles o ónus do controle da circulação e acesso a conteúdos, com os tremendos custos de hardware, software e legais que implica tal tarefa. Além disso, diminui a base de clientes.

Uma guerra de milionários, portanto? Não só. A defesa dos direitos de autor e o combate à pirataria é a pedra basilar da actividade criativa. Imagine o leitor que compõe uma canção. Imagine que ela se torna um êxito tremendo no Youtube e nas plataformas de descarga gratuita de música. Toda a gente trauteia a sua canção e anda com ela no mp3 ou no ipod. Toda a indústria ligada à internet ganhou com a sua canção, só autor é que não viu um tostão da sua obra.

Aparentemente a lei proposta além de onerosa é inaplicável. No entanto é necessária. Mas o que temos em cena, debaixo do conveniente nome da liberdade de expressão, é uma guerra de titãs: entre o mega produtores e distribuidores de cinema e os mega operadores e distribuidores informáticos. O que temos, pois, é uma guerra entre duas indústrias, dois modelos de negócio, cujo resultado está a moldar e moldará o futuro da indústria de conteúdos. Precisamente o futuro do tal compositor.

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RIP

por José António Abreu, em 24.07.11
Detesto Lady Gaga. Mas há umas semanas, num segmento que o Sixty Minutes lhe dedicou e no qual teve atitudes tão ridículas como aparecer ao repórter quase nua porque naquele dia «não lhe apetecera vestir-se», admirei a consciência que ela tem da forma como é encarada ao afirmar que os media e muito público lhe seguem os passos esperando assistir à sua queda. Querendo estar lá quando exagerar, quando algo de horrível lhe acontecer. Quando morrer. Mas, acrescentou, sabe perfeitamente o que faz e não lhes (nos) vai dar essa satisfação. Admirei-a pela lucidez (sim, somos vampiros desejosos do sangue – real ou metafórico – dos famosos que não apreciamos) mas pensei que é por este calculismo, pelo modo como a música parece nela apenas um meio para atingir o verdadeiro objectivo – a fama – que não a aprecio. São os genuínos que ficam para a história. Os que, cantem, dancem, escrevam ou pintem, não parecem fingir. Os que mostram sentimentos em que se pode acreditar. E destes – é duro admiti-lo –, especialmente os que morrem cedo e de forma violenta. Porque não se tornam banais e porque provam que todas as fragilidades eram verdadeiras. Descansa em paz, Amy.

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A nossa obsessão por discutir os pequenos casos da campanha é já mais cansativa do que exasperante. Com o país à beira do colapso financeiro, com a soberania significativamente limitada, com medidas muito duras e ainda mal compreendidas no horizonte, entretemo-nos com uma pletora de «factos» acessórios. Não deixa de ser curioso reparar como quase todos os que adquirem relevância noticiosa, dos «pintelhos» ao «querem proibir o aborto», são negativos para o PSD. Os socialistas parecem nada dizer de inconveniente. Por não dizerem mesmo? Não, apenas por ninguém estar a usar com o PS a táctica que o PS está a usar com o PSD (de vez em quando há quem tente mas falta a convicção que só experiência e dissociação da realidade permitem) e por, como já foi dito e redito, o PS ser insuperável no uso dos meios de comunicação social. Sócrates, esse, transmutado em menos de dois anos de vendedor de ilusões em instigador de medos, livre de ter de defender ideias concretas por obra e graça de um programa eleitoral em que elas não existem, mostra-se chocado três dúzias de vezes por dia, acusando de cada uma delas o PSD de pretender acabar com tudo o que de bom tem o Estado Social (numa versão anterior àquela que ele mesmo amputou). É compreensível. Ao fazer propostas ou ao rebatê-las, Sócrates sempre operou com base em chavões e ideias simples. De resto, sempre foi elogiado por isso – não é uma das críticas que fazem a Passos Coelho, ser demasiado palavroso, não apresentar apenas uma ou duas ideias fortes? Claro que o facto desta táctica ter resultado antes diz muito acerca dos portugueses e claro que dirá ainda bastante mais se resultar novamente. E diz também imenso acerca do papel que a comunicação social, com a inestimável ajuda de dezenas de comentadores, aceita desempenhar, ao dedicar horas à discussão destas minudências (para fugir ao termo de Eduardo Catroga) em vez de focar as atenções nos pontos realmente importantes: as medidas constantes do memorando de entendimento com FMI, UE e BCE e a forma como cada partido se propõe (ou não) implementá-las. Mas, como Philip Roth escreveu em O Animal Moribundo a propósito de algo totalmente diferente, a TV está a fazer o que faz melhor: o triunfo da banalização sobre a tragédia. Com o PS a orquestrar e muita gente a dar uma mãozinha.

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As dúvidas e opiniões que Patrícia Reis (que tem um livro novo) expressa neste texto são partilhadas por muita gente. Porque dispõe o futebol de tamanha exposição mediática? Porque não obtêm outros desportos mais do que alguns segundos nos noticiários e isto apenas nas raras ocasiões em que, contra expectativas e razoabilidade, um português consegue alcançar um resultado de topo? Porque esquecemos os atletas que mais medalhas trazem para Portugal – os para-olímpicos?

 

Eu concordo que não devia ser assim. Desde logo, faz-me espécie prestar-se atenção apenas ao futebol masculino mas aceito que esta possa ser uma questão eminentemente pessoal – por razões ergonómicas, tendo a preferir a versão feminina da maioria dos desportos (e depois há uns casos em que me é indiferente). Mais importante, tal como a Patrícia acho exasperante que se dedique tanto tempo a apenas um desporto – qualquer que ele seja. Mas julgo perceber porque é que isso acontece.

 

Quem vê desporto na televisão e compra jornais desportivos? Quem até, provavelmente, compra a maioria dos restantes jornais? Os homens. As mulheres não ligam a desporto. Pelo menos o bastante para se sentarem à frente de um televisor ou comprarem um jornal. (Generalizo, obviamente.) De quando em quando, as mulheres podem pensar, com um carinho inteiramente sincero, que os campeonatos para-olímpicos são uma coisa bonita, podem espreitar uma prova de ginástica ou de patinagem artística, mas ver mesmo desporto – não vêem. Preferem a Oprah, séries, filmes, telenovelas, o What Not to Wear e o Rachel Zoe Project. Se as mulheres gostassem tanto de patinagem artística como gostam de roupa, maquilhagem e decoração, a SIC Mulher apresentaria patinagem artística duas vezes por dia, existiriam revistas e jornais só acerca de patinagem artística e rapidamente os canais generalistas de televisão teriam programas de debate em que se analisaria a qualidade dos triplos Axel realizados nas provas do fim-de-semana anterior. Hélas, as mulheres não gostam assim tanto de patinagem artística nem de qualquer outro desporto. Isso faz com que sejam os homens a definir que desportos se vêem na televisão e sobre que desportos se lê nos jornais. Ora os homens são seres simples, de gostos limitados e com tendência para a conformidade (continuo a generalizar). A partir do momento em que as mulheres lhes deixam o campo livre pode dizer-se adeus aos para-olímpicos na televisão. E até à patinagem artística. Para a sensibilidade masculina (nem sempre é oxímoro), as provas para-olímpicas são um mau espectáculo televisivo e a patinagem artística não é muito melhor. E como é o gosto pelo futebol que é inculcado nos homens desde criança e o futebol é que dá para discutir durante a pausa para o café por ser o que vêem todos os outros homens (menos uns tipos esquisitos como eu), vê-se futebol. As televisões (como as rádios e os jornais) não podem então fazer outra coisa senão ir atrás do consumidor-tipo (que, neste caso, é um consumidor-gajo) e, numa espécie de pescadinha de rabo na boca, começam a passar apenas futebol.

 

Este é o pecado original. Depois existem factores agravantes. A passagem de alguns desportos para canais de assinatura retirou-lhes notoriedade. Por exemplo, há dez ou quinze anos via-se bastante automobilismo (especialmente Fórmula 1) na televisão de sinal aberto. Agora, esta raramente aborda o tema. Por outro lado, a fauna que gravita em torno do futebol, dos dirigentes aos adeptos passando pelos árbitros e comentadores, nem sempre representa as fatias mais sensatas da população, o que facilita o nascimento de «polémicas» ou «casos». As regras também não ajudam (ninguém fica duas semanas a discutir se uma bola do Federer foi dentro ou fora do court porque isso é imediatamente verificado). O factor de tribo que se gera ao aderir a um clube (e, mais ainda, a uma claque) e a necessidade de arranjar formas de escape numa sociedade que reprime cada vez mais a exteriorização dos instintos (ver esta excelente entrevista feita por Paulo Moura a J. G. Ballard em 2005) tornam os actos de violência mais prováveis. A conjugação disto tudo é um cocktail explosivo que os meios de comunicação agradecem e cujos efeitos amplificam, num encantador efeito bola de neve. Outros desportos podem apresentar alguns destes elementos (também há fanáticos da Ferrari, por exemplo) mas, na falta dos restantes, o efeito bola de neve é inexistente ou muito menor (não andam à batatada com os adeptos da McLaren.)

 

De qualquer modo, nenhum destes factores invalida a tese, pelo que a conclusão é inevitável: a culpa de se prestar pouca atenção a desportos que não o futebol nos meios de comunicação (e, por conseguinte, na sociedade) é essencialmente das mulheres. E, pronto, um bocadinho – mas só um bocadinho – dos homens.

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Hoje é um dia histórico

por José António Abreu, em 18.05.11

Hoje é um dia histórico. Reportagem no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Um adepto do Porto comprou o bilhete há meses porque tinha «fé». Um adepto do Braga chegou às três da manhã para apanhar um avião que sai às nove. Regresso ao estúdio. Excerto de It's a Beautiful Day, dos U2. Ligação a Dublin onde, afinal, chove. Reportagem com o tio de Domingos Paciência, que prepara uma sardinhada num pavilhão de Matosinhos. Vai levar entre duzentos e trezentos pães mas não apanhei o número de sardinhas.

 

É possível que o noticiário (?) das oito da TSF tenha incluído notícias (?) ainda mais bonitas mas eu, que admito ter uma relação complicada com a paciência (com o Paciência não tenho problemas, pelo menos enquanto ele não for treinador do Sporting), saí do carro antes de se chegar, sei lá, à informação (essa sim, seria relevante) de que hoje as strippers minhotas oferecem lap dances gratuitas aos sócios do Braga. (Aos do Porto parece que já ofereciam – ou era só aos dirigentes?) Enfim, acima de tudo, não esquecer de repetir pelo menos dez vezes durante o dia: hoje é um dia histórico.

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Falta memória nos jornais portugueses

por Teresa Ribeiro, em 01.05.11

 

Há três dias o jornal Público noticiou a morte do historiador e ex-ministro da Educação Vitorino Magalhães Godinho publicando a toda a largura da capa a fotografia do seu irmão, José, ex-Provedor de Justiça, falecido há vários anos. Ninguém neste jornal, dito de referência, detectou a troca. Nem quem  escreveu a notícia, nem o editor que a leu, nem os jornalistas que visaram a primeira página na hora do fecho. Todos distraídos? A hipótese não se coloca. O processo passa por mãos e olhos suficientes para se perceber que o que faltou a esta gente foi memória. Há cada vez menos nos nossos jornais.

À medida que se foram afastando das redacções os jornalistas seniores, a memória começou a falhar. Num jornal é grave. Num sector tão ameaçado pelas novas tecnologias como a Imprensa é contribuir ainda mais para a sua precariedade. Pena os gestores continuarem sem perceber que não é a cortar no seu principal activo - o capital humano - que defendem o futuro do seu negócio. Pena não perceberem que neste sector só a qualidade terá possibilidade de sobreviver.

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Eleições e queixinhas

por João Carvalho, em 12.10.09

 

A noite dos resultados eleitorais suscitou uma série de queixas por parte de variadíssimos candidatos que culminou uma campanha que já tinha originado queixas idênticas e que, por sua vez, repisavam queixas já ouvidas à exaustão nas eleições anteriores. Resumem-se a isto: a comunicação social (as televisões em especial) não lhes deram a cobertura que acham que lhes era devida.

Esta queixa partiu da maioria dos partidos, não só dos pequenos (o que pode entender-se), mas também dos maiores (o que já tem que se lhe diga). Dou dois exemplos retirados das autárquicas após os resultados: Luís Filipe Menezes, social-democrata e vencedor, e Ana Gomes, socialista e derrotada. Esta referiu mesmo que a derrota foi por não ter contado com os media nacionais para chegar aos sintrenses.

A gente sabe dos defeitos e das fraquezas do jornalismo de sempre e reconhece que uns e outras têm vindo a agravar-se e a sofrer desvios pouco recomendáveis. Porém, era suposto que as campanhas eleitorais fossem dirigidas aos eleitores. Mesmo que tenham sido mal planeadas (e há sempre disso), é só o que faz sentido. Por muito jeito que dê a imprensa, sem comprar espaço publicitário nada pode estar garantido.

Pode ser que eu esteja enganado. Nesse caso, todas as iniciativas de campanha foram mal pensadas e os queixosos só podem queixar-se deles mesmos e dos seus conselheiros. Portanto, agora já sabem: para a próxima, poupam no custo do folclore, escolhem os media que mais lhes convém e passam a fazer uns espectáculos à porta deles. E bastam as esferográficas, porque de enfiar bonés parece que já estão fartos.

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Os recuos de Sócrates

por João Carvalho, em 26.06.09

Ao anunciar hoje que o Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT, o primeiro-ministro desdiz o que tinha dito ontem: que o governo não estava informado sobre aquele negócio e que nem tinha de estar. Ainda escaldado com o episódio caricato da véspera sobre o recente arguido do caso Freeport e o ministro da Agricultura, José Sócrates volta a ficar mal na fotografia.

Depois de adiar o TGV, de recuar no negócio TVI-Media Capital e do mais que se verá, temos um chefe do governo a especializar-se à pressa em manobras de marcha-atrás. Como ontem escrevi aqui, era só esperarmos um dia ou dois para vermos quem ficava mal. Também escrevi que Manuela Ferreira Leite teria o mérito de pôr fim ao obscuro negócio que se preparava. Dito e feito.

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A ler

por Jorge Assunção, em 26.06.09

Ontem havia suspeitas que era o governo quem efectivamente mandava na Portugal Telecom. Hoje, o Primeiro-Ministro esclareceu. Para que não restem dúvidas sobre potenciais interferências políticas o governo manda que o negócio não se realize.

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Quites?

por João Carvalho, em 25.06.09

2004

O PSD no governo acorda o TGV com o governo espanhol e manifesta que quer avançar com o projecto.

O PS na oposição manifesta-se pela boca de Sócrates contra qualquer controlo directo ou indirecto do Estado sobre os media para lá do serviço público.

2009

O PSD na oposição diz que não há condições para avançar com o TGV e desvaloriza o acordo luso-espanhol.

O PS no governo diz que nada sabe nem tem de saber sobre o negócio PT-Media Capital e desvaloriza os interesses do Estado junto da PT.

Conclusão

Quites? Não me cheira.

Mais um dia ou dois e veremos quem fica mal.

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Erro de "casting" na SIC

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 02.02.09

Desde que Nuno Santos foi para SIC que uma das grandes apostas em Carnaxide é conquistar o espaço entre as 19 e as 20 à RTP. Compreende-se, até porque esse foi um dos objectivos anunciados por  Balsemão, há tempos, num Prós e Contras em que se debatia a televisão pública.
A primeira tentativa de assalto ao “Preço Certo” de Fernando Mendes, cujo êxito me é difícil  compreender, foi feita por Herman José, com “A Roda da Sorte”. Contra todas as expectativas,  “A Roda” redundou em fracasso.
Início do ano, a SIC lança uma nova arma: Nós por Cá”. A campanha de promoção do programa teve moldes inéditos, com a simpática e esforçada Conceição Lino a percorrer feiras e mercados, na tentativa de cativar para o seu programa o público–alvo de Fernando Mendes.
No final do primeiro mês de emissão, adivinha-se nova tentativa falhada. “Nós por Cá” não só é largamente batido pelo “Preço Certo”, mas também por outro programa da RTP 1 (Portugal em Directo) que o antecede e que aborda várias questões sobre o país.
Aparentemente não é fácil perceber as razões da preferência dos espectadores por um programa com um modelo aparentemente gasto (Portugal Directo), em detrimento de outro que surge como “upgrade” de um modelo de curta duração, onde o país é apresentado como um berçário de anomalias
A crise, porém, é capaz de explicar. Os portugueses estão fartos de notícias que os deprimem. A crise, as guerras intestinas do PSD, o caso Sócrates, a guerilha surda entre o PR e o PM, a Operação Furacão, os Apitos, os bancos a falir e os banqueiros a gozar férias em paraísos terrenos com o dinheiro dos depositantes, é depressão a mais para qualquer comum mortal.

Por isso não é esta a altura apropriada para lhes impingir programas onde o país é apresentado como uma colectividade excursionista dirigida por indigentes que só fazem disparates. 

Apesar de tudo, as pessoas têm auto-estima e não gostam de se ver ao espelho.

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