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Chego à notícia da TSF, alertado por um uma transcrição feita no Facebook pelo Luis Aguiar-Conraria:

“Estou disponível para comparar a minha folha de vencimentos”, Marisa Matias estará? “É que não se pode dizer metade das coisas”, deixou no ar Maria de Belém, antes mesmo de fazer contas às remunerações dos eurodeputados. Ora, são 8 mil euros de ordenado base, 4 mil em apoios e 304 por cada sessão em que participam, “metade do salário mínimo nacional só por participar numa sessão”, insurgiu-se a socialista.

 

Trata-se de uma afirmação tão confrangedora como reveladora. Se dúvidas houvesse, na ânsia de atacar Marisa Matias, Maria de Belém diz claramente ao que anda. Para a auto-proclamada única candidata socialista, o mecanismo democrático é uma mera formalidade. Marisa Matias foi eleita para o Parlamento Europeu pelo voto livre de cidadãos eleitores portugueses, acedendo por isso também a determinado nível de compensação pelo exercício de funções? Pois bem, Maria de Belém não pode ser menos. Não interessa se se candidatou, se foi ou não eleita, se cumpre as obrigações, se exerce as responsabilidades. Belém compara-se com Matias pelo único ângulo que lhe interessa: o do valor do tacho. E se não chega lá por remuneração directa, tem de aproximar-se por subvenção. A canga, essa estará sempre sobre o cidadão, eleitor e contribuinte, que deve suportar a obrigação de proporcionar-lhe sustento. Belém é,  disse-o Caeiro e tem aplicação universal, do tamanho do que vê e não do tamanho da sua altura. Pequenina, pequenina, portanto. Bem mais pequenina do que a sua própria constituição já de si tão franzina. Com tamanha transparência reveladora  da sua infinita mesquinhez, Belém decreta involuntariamente a derrocada da sua candidatura à Presidência.

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Presidenciais (31)

por Pedro Correia, em 21.01.16

 

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Do debate a nove entre os candidatos presidenciais na RTP, anteontem, saíram uma vencedora clara e uma derrotada óbvia.

A vencedora foi Marisa Matias. Porque teve o mérito de sacudir a modorra discursiva dos seus oponentes considerando "vergonhosa" a decisão do Tribunal Constitucional que manda devolver com retroactivos as subvenções vitalícias a deputados que lhes haviam sido retiradas excepto em situações de comprovadas dificuldades financeiras. O tribunal deu luz verde à reclamação de 30 parlamentares e ex-parlamentares - 21 do PS e nove do PSD - que entendem ter direito àquela subvenção estatal, suprimida em 2005.

Foi preciso Marisa dar um metafórico murro na mesa, naquele debate até aí tão cordato, para assistirmos a um tardio desfile de indignações entre os restantes candidatos: todos a secundaram, com maior ou menor convicção. Nenhum quis ficar mal nesta fotografia.

 

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2

Maria de Belém foi a derrotada. Logo a começar, perdeu por falta de comparência. É certo que alegou estar muito consternada pelo falecimento - ocorrido na noite anterior - de António de Almeida Santos, que a antecedeu na presidência do PS e era um dos seus principais apoiantes nesta campanha. Mas Almeida Santos, que nunca virou costas a um debate, seria certamente o primeiro a incentivá-la a comparecer onde os eleitores dela esperariam a três dias do encerramento da corrida presidencial.

Contra sua vontade, Belém acabou por ser a ausente mais presente. Porque uma fuga de informação cirúrgica, ocorrida escassas horas antes do debate e com amplos ecos nos noticiários dessa tarde, incluía o seu nome entre os 30 peticionários que reclamaram a subvenção ao Tribunal Constitucional e cuja identidade até então se desconhecia.

Foi um golpe dirigido à jugular da candidata que não ocorreu por acaso e parece confirmar o aforismo de Churchill: "Os nossos adversários estão fora do partido enquanto os inimigos estão dentro." Como faria qualquer detective, basta interrogarmo-nos quem mais tem interesse, neste preciso momento, em colocar Maria de Belém fora da corrida.

 

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3

António Sampaio da Nóvoa não foi o principal perdedor. Mas andou lá perto. Desde logo porque lhe competia fazer a diferença, naquele mesmo estúdio, para tentar atenuar a enorme distância que o separa de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas o académico limitou-se a debitar as habituais platitudes, que não demovem nem mobilizam ninguém.

Andou mal ao colar-se à candidata do Bloco de Esquerda em serôdios protestos contra as subvenções.

Andou pior - e habilitou-se a ganhar o campeonato da demagogia - ao pronunciar-se perante os jornalistas, depois de concluído o debate, contra a manutenção da subvenção aos ex-Presidentes da República. Algo que nunca suscitou a menor controvérsia na sociedade portuguesa, por resultar da específica dignidade do cargo de Chefe do Estado reconhecida na Constituição e que abrange apenas quatro cidadãos (António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva - este só a partir de Março).

Três deles, por sinal, seus apoiantes. Suponho que terão gostado.

 

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4

Rompeu-se um tabu em Portugal: a partir de agora voltou a ser possível criticar os acórdãos do Tribunal Constitucional, considerados sacrossantos ainda há bem pouco por um largo segmento da opinião publicada cá no burgo. Bastou para tanto a "vergonha" que Marisa Matias disse ter sentido.

É difícil não concordar com ela, embora indignação seja a expressão mais correcta para exprimir o que muitos de nós sentimos.

Pela minha parte, fiquei também perplexo. Por verificar que, uma vez mais, os doutos magistrados do Constitucional não resistiram à tentação de entrar em concorrência aberta com os políticos no espaço mediático. Nenhum deles poderia ignorar que a divulgação deste acórdão na recta final da campanha presidencial iria condicionar todos os debates e produzir os efeitos que produziu. Estilhaçando desde logo as já escassas perspectivas eleitorais de Maria de Belém, principal vítima deste envolvimento claro dos juízes na política.

Mais um. Como o tabu foi quebrado, podem enfim ser criticados. Já era tempo.

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Frases de 2016 (5)

por Pedro Correia, em 18.01.16

«Socialista candidata sou eu! Socialista candidata sou eu!»

Maria de Belém, ontem, num jantar de campanha em Arcos de Valdevez

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O léxico dos candidatos (8)

por Pedro Correia, em 16.01.16

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ADN

«Uma liderança de proximidade é o ADN de Maria de Belém, característica sintetizada no facto de ser considerada a ministra da saúde mais popular de sempre.»

ASSINATURA

«O percurso de Maria de Belém tem a assinatura da vontade de fazer, da maturidade para agir, da capacidade para preparar um Portugal mais justo e solidário.»

CANETA

«Da sua caneta de jurista saíram diplomas que ajudaram a construir o Estado Social depois do 25 de Abril.»

DIFERENÇA

«Maria de Belém é uma mulher que faz a diferença. Uma mulher de confiança.»

DISCRETA

«Discreta, mas determinada na defesa do Estado Social, Maria de Belém fez ouvir a sua voz além fronteiras enquanto presidente da Assembleia Mundial da Saúde ou como deputada na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.»

HUMANISTA

«A mais nova de cinco irmãos de uma família do Porto demonstrou cedo a sua determinação e independência e uma leitura humanista da sociedade.»

LEMA

«"Razão e coração", o lema do então primeiro ministro António Guterres, foi aplicado exemplarmente por Maria de Belém na pasta da Saúde.»

MARCAS

«Firme nos valores, sensível para ouvir os outros, disponível para integrar a cada passo a ciência e o conhecimento na procura das melhores soluções, estas são marcas de uma mulher de causas sociais e políticas.»

PORTUGUESES

«Os portugueses conhecem-na.»

RETRATO

«Tem presente o retrato dos portugueses que escapa ao prime time mediático ou aos seminários.»

 

Deste texto publicado no sítio da candidatura de Maria de Belém

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Frases de 2016 (2)

por Pedro Correia, em 14.01.16

«Podem dar muitos beijinhos a muita gente, distribuir muitos abraços e dizer muitas gracinhas, mas uma coisa é dizer isto numa campanha eleitoral, outra é transbordar de afecto durante mais de quatro décadas

Maria de Belém, ontem, num comício de campanha em Viseu

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Presidenciais (25)

por Pedro Correia, em 09.01.16

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Debate Maria de Belém-Sampaio da Nóvoa

 

Maria de Belém anunciou a candidatura à Presidência da República cinco meses após Sampaio da Nóvoa. Competia-lhe portanto, neste debate na TVI que encerrou a série de 21 confrontos televisivos a dois entre os candidatos ao Palácio de Belém, estabelecer as diferenças com o seu antagonista. Mas a ex-ministra da Saúde, salvo em dois ou três momentos demasiado fugazes, foi incapaz de apontar esses contrastes. Tal como esteve longe de conseguir replicar aos apoios de peso que Nóvoa tem granjeado sobretudo à esquerda. Ontem mesmo, escassas horas antes do debate, foi a vez de o actual presidente do PS, Carlos César, anunciar que votará no catedrático nascido em Caminha.

Pedindo emprestada a linguagem futebolística à política, dir-se-ia que Nóvoa parecia jogar em casa. Esteve mais seguro, mais desenvolto, mais afirmativo. Foi cordato, aliás como é costume, mas não deixou de lançar as suas estocadas. E a maior de todas foi a acusação que fez a Maria de Belém de ter "faltado à chamada", enquanto deputada socialista, quando foi necessário solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2012 que cortava pensões e salários da função pública.

"Deixou a outros [deputados] essa responsabilidade", acusou. Acrescentando de imediato: "Eu não quero um Presidente da República que transfira as suas responsabilidades para outros."

Maria de Belém até teve um início enérgico, procurando encostar o adversário a estratégias de um "frentismo de extrema-esquerda". E apontou uma contradição ao candidato, que apesar de fazer constantes proclamações em defesa da "renovação" da política "passa a vida a invocar o apoio de três ex-Presidentes da República, aliás dois deles do PS".

Nóvoa reverteu esta crítica em elogio, reivindicando o "apoio de muitos socialistas do País inteiro". E fez questão de transmitir da sua adversária a imagem de uma pessoa hesitante, especialista em "acertar no totobola à segunda-feira". Dizendo uma vez e outra ser arauto de um "tempo novo". Linguagem "messiânica", como Belém referiu. Sem parecer muito segura de poder estar a criticá-lo ou a fazer-lhe outro elogio implícito ao falar assim.

 

Vencedor: Sampaio da Nóvoa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «A minha candidatura tem uma abrangência de muitas pessoas que se situam à esquerda, de muitas pessoas que se situam ao centro, de pessoas que se situam à direita.»

Belém  - «Não aceito que o facto de ser independente dê algo de acrescido e de dignificante ao exercício dum cargo desta natureza.»

Nóvoa - «Eu quero ser um Presidente que protege os portugueses.»

Belém - «Eu estive nas causas todas que o PS empreendeu nestes 40 anos. Como militante de base, como dirigente. Nunca vi o candidato Sampaio da Nóvoa nessas causas, nunca o vi lá, nunca o encontrei.»

Nóvoa - «A candidata Maria de Belém mostrou sempre um grande incómodo com este tempo novo que se criou.»

Belém - «O candidato Sampaio da Nóvoa passa a vida a falar num tempo novo. Eu gostava de saber que tempo novo é esse com a Constituição que temos tido.»

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O melhor:

- Maria de Belém abriu as hostilidades empurrando Nóvoa para posições radicais enquanto se assumia como uma candidata moderada, próxima da social-democracia europeia.

- Carlos César, sucessor de Belém na presidência do PS, anunciara hora antes que votará no ex-reitor da Universidade de Lisboa. Um reforço de peso entre os apoiantes de Nóvoa, como o candidato fez questão em destacar.

O pior:

- Sampaio da Nóvoa acusou Marçal Grilo, mandatário nacional de Maria de Belém, de ter rotulado de "enorme desastre" um executivo PS com apoio parlamentar à esquerda. Exactamente a mesma acusação com que Marcelo Rebelo de Sousa procurara embaraçar a candidata no debate da véspera.

- Começar um debate na TVI a mencionar o aniversário da SIC Notícias, como fez Maria de Belém, é algo semelhante a aplaudir o Benfica no estádio de Alvalade. Pior é invocar alguém já falecido, como o ex-ministro Mariano Gago, como "trunfo" eleitoral.

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Presidenciais (24)

por Pedro Correia, em 08.01.16

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Maria de Belém

 

Na sua melhor prestação em debates nesta campanha, Maria de Belém Roseira incomodou seriamente Marcelo Rebelo de Sousa. Mas isto, paradoxalmente, acabou por ser útil ao ex-líder do PSD: uma corrida presidencial sem controvérsia é o maior convite a uma abstenção em larga escala. E todos os cálculos eleitorais do professor podem estar em causa se a abstenção disparar para índices muito superiores aos que constam das sondagens.

A ex-ministra da Saúde e da Igualdade surgiu em cena como algumas loiras imortalizadas nos filmes de Alfred Hitchcock: capazes de cravar um punhal com um doce sorriso nos lábios. Conduziu de imediato o debate para questões de carácter, questionando a "dualidade" do catedrático, capaz de "dizer uma coisa e logo a seguir outra coisa completamente diferente". A prova, na sua perspectiva, foi patente nos debates anteriores: Marcelo "esteve à esquerda de Marisa Matias, esteve à esquerda de Edgar Silva e esteve concordante com Paulo Morais, que acusa toda a gente de corrupção."

Chegou a desenterrar a expressão "lelé da cuca" com que o então jornalista do Expresso brindou no final da década de 70 o proprietário e director deste semanário. "Não se lembra do que chamou ao doutor Francisco Pinto Balsemão num governo a que pertencia juntamente com ele? Uma coisa que eu nunca diria a ninguém." Matéria tão antiga e desenquadrada da realidade que só pode interessar aos arqueólogos.

Rebelo de Sousa, que até aí se mostrara muito mais cordato do que no debate da véspera com Sampaio da Nóvoa, voltou a desembainhar a espada. E reconduziu o frente-a-frente ao plano político, fustigando a sua opositora com esta exclamação sonante: "A senhora doutora, que não consegue unir o partido dela, quer unir o País!"

Era uma questão chave. Mas Marcelo não parou aí. Confrontado por Maria de Belém com a fama de criador de factos políticos, devolveu-lhe o proveito: "Lança a candidatura no momento em que o líder do partido dela está a dar uma entrevista importantíssima na campanha das legislativas e diz que eu é que crio factos políticos?!"

A política estava de volta ao debate. Virando a vantagem para o militante nº 3 do PSD, em quem Passos Coelho estaria a pensar quando no último congresso do partido se insurgia contra os "cataventos" da opinião. O facto é que acabou por recomendar o voto em Marcelo. Enquanto Costa não deu o menor indício de recomendar o voto na antiga ministra que já foi presidente do PS.

 

Vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa

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Frases do debate:

 

Belém - «Marcelo Rebelo de Sousa é o meu principal adversário.»

Marcelo - «O meu adversário são os problemas dos portugueses.»

Belém - «Intriguista eu nunca fui. E se perguntar aos portugueses quem é o campeão nessa matéria, eu não sou a campeã porque nunca usei a intriga.»

Marcelo - «A senhora tem andado a campanha toda a tentar à direita o que lhe falta à esquerda.»

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O melhor:

- No final, perante questões concretas sobre um possível apoio a novas causas "fracturantes" na Assembleia da República, Marcelo manifestou concordância genérica enquanto Maria de Belém não hesitou: "Sou contra a eutanásia." Quatro palavras que bastaram para pescar votos no terreno político do adversário.

- Confrontado com acusações de instabilidade, o ex-presidente do PSD lembrou ter viabilizado três orçamentos do governo Guterres, evitando crises políticas e permitindo a Maria de Belém ser ministra até ao fim do prazo previsto para essa legislatura.

O pior:

- A ex-ministra da Saúde devia ter evitado suscitar o tema da difícil relação entre Marcelo e a liderança do PSD prevendo que o seu rival neste debate a questionaria de imediato sobre o apoio que António Costa e a grande maioria dos ministros do actual Executivo lhe negaram apesar de ter sido presidente do PS. O tiro fez ricochete.

- "A senhora doutora ouviu o debate de ontem, ou se não ouviu disseram-lhe, provavelmente disseram-lhe, depois deram-lhe umas notinhas e lá veio com as notinhas..." Era desnecessário este remoque de Marcelo, que pecou por arrogância.

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Presidenciais (16)

por Pedro Correia, em 05.01.16

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Debate Henrique Neto-Maria de Belém

 

Maria de Belém Roseira saiu ontem do estúdio da RTP com o rótulo de "candidata de facção" que lhe foi colado pelo seu oponente neste debate, Henrique Neto. A partir daí não saiu de posições defensivas, procurando contrariar o que o empresário da Marinha Grande lhe dissera.

"Não consigo compreender como é que alguém que foi durante seis anos ministra do PS e foi até há pouco presidente do PS e foi escolhida por uma facção no interior do PS para se opor ao actual secretário-geral se apresenta ao País como candidata independente." Palavras duras de Neto que molestaram o suave discurso da candidata: Belém terminou o confronto verbal com uma frase irritada, à laia de insinuação: "Eu nunca tive nenhum processo por dívidas ao fisco!"

Maria de Belém voltou a gastar preciosos minutos, na intervenção inicial de ontem, a enumerar o seu currículo. Como se reconhecesse que padece de um défice de notoriedade. O próprio moderador do debate, João Adelino Faria, pediu-lhe que abreviasse - e foi certamente um bom conselho.

Ficou patente neste confronto de opiniões que os dois candidatos têm leituras diferentes do texto constitucional. Neto seria um Presidente com perfil interventivo, que não hesitaria em dissolver o Parlamento. Belém, com reiteradas proclamações de louvor à estabilidade, tem uma perspectiva mais minimalista dos poderes presidenciais, defendendo um Chefe do Estado que zele sobretudo pela "cooperação institucional". Mais próxima da interpretação de Cavaco Silva, portanto.

Não é necessariamente um trunfo eleitoral.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Belém - «Desempenhei inúmeros cargos que me deram um conhecimento profundo do País.»

Neto  - «Eu tenho uma longa história de fazer previsões correctas.»

Belém  - «O Presidente da República deve ser um construtor da estabilidade.»

Neto - «Preocupa-me que a política portuguesa tenha outra ética: não vendamos gato por lebre.»

 

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O melhor:

- O empresário, chamando "candidata de facção" à sua opositora, confinou Maria de Belém a um segmento do PS.

- A ex-ministra da Saúde manteve a calma durante quase todo o debate.

O pior:

- "O PS frequentemente mente aos portugueses." Não parece mas a frase foi proferida por Henrique Neto, militante socialista.

- Maria de Belém perdeu a calma na intervenção final. Lançar insinuações para o ar é uma atitude pouco elegante.

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Presidenciais (12)

por Pedro Correia, em 04.01.16

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Debate Maria de Belém-Marisa Matias

 

Pode-se começar um debate a perder ainda antes de o opositor abrir a boca? Pode. Maria de Belém Roseira gastou os quatro minutos iniciais da sua intervenção, no frente-a-frente com Marisa Matias ontem à noite na TVI 24, a enumerar diversos pontos do seu percurso biográfico. Deixando pressupor o reconhecimento de que tem um défice de notoriedade junto dos portugueses. Algo insólito numa pessoa que foi deputada e exerceu duas vezes funções ministeriais, além de ter sido presidente do Partido Socialista.

Bastou à eurodeputada do Bloco de Esquerda uma simples frase de réplica para desmontar a lógica argumentativa da sua oponente: "A candidatura à Presidência da República não deve ser vista como um concurso de antiguidade."

Parece faltar um eixo central às intervenções públicas de Maria de Belém, que insiste em falar do seu currículo à falta de melhor tema. Um aspecto que ainda poderá corrigir em futuras intervenções. Marisa Matias, pelo contrário, vai direita ao assunto. Neste debate deixou bem clara a sua posição relativamente ao caso Banif, com palavras que todos entendem: "Eu jamais assinaria de cruz um orçamento que retira 3 mil milhões de euros aos portugueses, que uma vez mais vão pagar os desvarios do sistema financeiro." Para comunicar bem não é necessário esperar pelos cabelos brancos.

 

Vencedora: Marisa Matias

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Frases do debate:

 

Belém  - «O que me separa de Marisa Matias é, fundamentalmente, a minha experiência de vida.»

Marisa - «Entristece-me ver políticos tão experientes a desistir do seu país.»

Belém  - «Eu sou uma feroz defensora do meu país.»

Marisa - «Temos maneiras diferentes de ver o Estado Social.»

 

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O melhor:

- A eurodeputada bloquista lembrou que o executivo Sócrates - que Maria de Belém apoiou - decretou cortes nos abonos de família.

- Maria de Belém induziu que a sua oponente não conhece suficientemente bem a Constituição ao lembrar-lhe que a lei fundamental "impõe limites aos poderes do Presidente da República".

O pior:

- "Enorme experiência, sensibilidade, dedicação a causas": a ex-ministra da Saúde exagerou no auto-elogio.

- Marisa Matias rejeitou que a Presidência da República seja "uma espécie de prémio de carreira", recusando encarar o óbvio.

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Presidenciais (10)

por Pedro Correia, em 03.01.16

 

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Debate Edgar Silva-Maria de Belém

 

A boa preparação dos concorrentes faz a diferença nestes debates.

Edgar Silva, o candidato apoiado pelo Partido Comunista, deu ontem à noite provas disso quando acusou a sua oponente, Maria de Belém, de pretender interromper a legislatura, investida nas supostas funções de Chefe do Estado, se Portugal não cumprisse as metas do Tratado Orçamental. Para o efeito socorreu-se de recortes da imprensa, designadamente de declarações da candidata ao Expresso e ao Jornal de Negócios.

Estava o frente-a-frente na SIC Notícias ainda no início e já o ex-padre madeirense marcava pontos neste confronto com a socialista católica que avançou para uma candidatura presidencial sem pedir autorização ao secretário-geral do PS.

Maria de Belém viu-se remetida a posições defensivas, gastando largos minutos a tentar rebater aquelas imputações. Mas as suas explicações exigiam minudências mal apercebidas pelos espectadores. Afinal, como alegou, o que ela punha em causa nessas declarações era o cumprimento dos tratados europeus a que o Estado português se vinculou.

O debate resvalara para o terreno mais propício a Edgar Silva, que acusou Belém de convergência com a Europa da "senhora Merkel" que ele frontalmente repudia. "O senhor quer encostar-me a uma coisa que não é verdade", protestou a oponente. Mas estava já em fase de contenção de danos e quase não houve tempo para mais.

 

Vencedor: Edgar Silva

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Frases do debate:

 

Belém - «O meu programa é a Constituição da República Portuguesa.»

Edgar  - «A minha candidatura é despudoradamente de esquerda.»

Belém - «Eu sou uma construtora do Estado Social.»

Edgar  - «Temos uma situação de terrorismo social que está a devastar vidas.»

 

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O melhor:

- Maria de Belém não deixou de lançar uma farpa ao ausente Sampaio da Nóvoa, seu concorrente mais directo: "Não surgi aqui de repente. Tenho mais de 40 anos de vida pública e de vida política."

- O ex-sacerdote Edgar Silva faz contínuas alusões à pobreza e à exclusão social, o que o tornam simpático aos olhos de alguns eleitores católicos.

O pior:

- A ex-ministra da Saúde jogou à defesa pelo segundo debate consecutivo.

- O candidato do PCP estava nervoso: as mãos tremiam-lhe quando segurava nas fotocópias dos recortes da imprensa.

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Presidenciais(5)

por Pedro Correia, em 02.01.16

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Debate Maria de Belém-Paulo de Morais

 

Maria de Belém Roseira perdeu o debate inicial dos candidatos presidenciais, travado ontem à noite, na SIC Notícias. Porque começou à defesa, confrontada com críticas duríssimas do seu antagonista neste frente-a-frente, e não foi capaz de recuperar dessa posição.

Paulo de Morais, o oponente, beneficiou do facto de ter sido o primeiro a falar. Deu o mote ao debate, que durou menos de meia hora no canal de notícias da SIC. Levou portanto a discussão para o campo que lhe interessava - o da necessidade de haver um combate sistemático à corrupção.

Esta é a bandeira do candidato que chegou a ser braço direito de Rui Rio na Câmara Municipal do Porto. E já se percebeu que não abdicará dela durante a curta campanha para as presidenciais do próximo dia 24. Isto dá-lhe popularidade fácil e um nicho de mercado nada desprezível entre os eleitores.

Na sua estratégia de contenção de danos, Maria de Belém entregou ao moderador do debate, Anselmo Crespo, um dossiê que supostamente enumera as suas acções mais relevantes no exercício dos cargos públicos que assumiu até hoje - designadamente quando foi ministra da Saúde num dos executivos de António Guterres.

Não havia necessidade, como diria o Diácono Remédios - e como dirão certamente alguns dos seus assessores.

Porquê?

Porque, com esse gesto, a candidata admitiu implicitamente a vitória de Morais neste debate logo à partida. Não há segundas oportunidades para ter uma primeira opinião. Era Guterres quem o dizia.

Vencedor: Paulo de Morais

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Frases do debate:

 

Morais  - «A classe política, na generalidade, está submetida aos grandes grupos económicos. E os candidatos como Maria de Belém personificam esse facto.»

Belém - «As acusações generalizadas são absolutamente inaceitáveis.»

Morais  - «Os partidos viveram nos últimos anos numa actividade sistémica de corrupção.»

Belém - «Tenho a minha vida claramente ao serviço da luta contra a corrupção.»

 

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O melhor:

- Paulo Morais marcou a agenda neste debate, em que acabou por ditar as regras.

- Maria de Belém, visivelmente incomodada, manteve o tom cordato.

O pior:

- Pretender passar atestados de seriedade aos concorrentes confere uma desnecessária nota de arrogância a Paulo de Morais.

- Maria de Belém não teve tempo de sair da posição defensiva: o debate durou apenas 29 minutos.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 18.08.15

«É tempo de Portugal ter uma mulher na Presidência da República.»

Manuel Alegre, no Diário de Notícias

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A implosão do PS.

por Luís Menezes Leitão, em 18.08.15

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Depois do Bloco de Esquerda, que literalmente implodiu em pequenos partidos, o que estamos a assistir agora é à implosão do PS. Efectivamente, o derrube de Seguro por António Costa causou imensas feridas, que se acentuaram com o disparatado posicionamento do PS à extrema esquerda, e ainda mais com o patético apoio a Sampaio da Nóvoa, que obviamente iria fracturar o partido em dois. Se alguém tem dúvidas sobre o posicionamento ideológico de António Costa, que veja a sua última declaração: é contra os contratos de trabalho a prazo. Só que o contrato de trabalho a prazo foi uma invenção de Mário Soares em 1976 para tornear a rigidez da legislação laboral. O que António Costa pretende é assim voltar a 1975, o que também constitui um tempo áureo para o seu candidato presidencial. Na verdade, o que se vê em Nóvoa, para além de uma absoluta ausência de currículo político, é uma ideologia muito marcada, o que naturalmente constitui um grave óbice para uma candidatura a Belém. E não são os seus passeios de bicicleta no Algarve, por baixo de um sol arrasador, que o transformarão num bom candidato.

 

Maria de Belém pode não ser uma candidata muito forte, mas não assusta o eleitorado do centro, ao contrário do que Nóvoa e pelos vistos o próprio António Costa estão a querer fazer. Não admira por isso a multiplicação de apoios que está a ter no PS, a que se associa o ódio declarado dos apoiantes de Nóvoa. Durante a campanha para as legislativas, o que o PS discute acaloradamente são assim os seus candidatos presidenciais, o que demonstra um partido em implosão. E o único responsável por isso é António Costa. Mas em bom rigor, ele está a colher a tempestade dos ventos que semeou. Tivesse Seguro continuado no cargo, e o PS estaria calmamente a caminhar para a vitória. Com António Costa, passou a ficar tudo em causa.

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Presidenciais (1)

por Pedro Correia, em 17.08.15

1. Maria de Belém Roseira, com uma  declaração sucinta à agência Lusa, liquidou hoje as aspirações do  patético candidato Sampaio de Nóvoa ao assumir que irá mesmo concorrer ao Palácio de Belém. Com isto cria uma dinâmica que dificilmente será travada, causando sérios embaraços ao candidato que se proclama independente enquanto mendiga o todo o momento o apoio do Partido Socialista.

A partir de agora ninguém entenderia como é que o PS, tendo no terreno alguém que já foi presidente do partido, poderia endossar oficialmente o apoio na corrida a Belém ao antigo reitor da Universidade de Lisboa, alguém sem credenciais políticas de qualquer espécie.

 

2. Pormenor florentino: a notícia foi tornada pública no preciso instante em que António Costa concedia uma entrevista em directo à SIC Notícias. Confirmando assim que quem vai à guerra (política) dá e leva: Maria de Belém - que apoiou António José Seguro na eleição interna do PS em 2014 - acaba de conseguir que Costa experimente um pouco daquilo que ele próprio provocou no ano passado ao seu antecessor no Largo do Rato.

Escrevi aqui, em devido tempo, que as movimentações de Costa para a deposição de Seguro iriam causar feridas profundas, dolorosas e prolongadas no PS. Assim tem acontecido. Mais do que a situação na Grécia, mais do que a pesada herança socrática, mais do que a incompetência revelada na rocambolesca questão dos cartazes que forçou a substituição do director da campanha socialista, nada afecta tanto o partido da rosa como esse pecado original.

É a vida, como diria o sábio engenheiro Guterres. Tão sábio que se tem mantido à distância disto tudo.

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