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Frases de 2017 (38)

por Pedro Correia, em 08.09.17

«Quando viro à direita em Portugal, a direita está distraída a bater na esquerda, não nota. Em vez de aproveitar, não nota.»

Marcelo Rebelo de Sousa, hoje, em Andorra

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Para o ano é que vai ser

por Rui Rocha, em 31.07.17

"Eu próprio acompanharei muito de perto para ter a certeza de que no pino do Inverno ninguém se esquece do que aconteceu no Verão." - Marcelo Rebelo de Sousa, Agosto de 2016.

 

"Temos ainda dois anos de legislatura, era importante que, no caso que espero que não aconteça das condições naturais serem tão adversas como este ano, podemos poupar a experiência do ano que está em curso e isso passa por aproveitarmos todo o tempo, a partir de Setembro/Outubro, até à Primavera do ano que vem para em conjunto ver o que é que é possível." - Marcelo Rebelo de Sousa, Julho de 2017.

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Mais perguntas sem resposta

por Pedro Correia, em 26.07.17

Depois destas, agora estas. Demasiadas perguntas ainda sem resposta. Como se vivêssemos no reino da opacidade, que suscitou espanto ao próprio ex-Procurador Geral da República, Pinto Monteiro. Apesar de o Presidente da República - tendo em vista o lamentável precedente das inundações de Novembro de 1967 em Lisboa - ter dito ontem à noite, em Mação, as palavras que se impunham: «Em ditadura, há 50 anos, eu lembro-me, era possível haver tragédias e nunca ninguém percebia bem quais eram os contornos porque não havia Ministério Público autónomo, juízes independentes ou comunicação social livre.»

Meio século depois, gosto de ouvir o Chefe do Estado sublinhar isto. A política é feita de comparações, a todo o momento. Goste-se ou não.

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O Presidente em Tancos.

por Luís Menezes Leitão, em 05.07.17

Se Marcelo quisesse actuar como um verdadeiro Presidente, exigia as demissões dos Ministros. Foi o que Sampaio fez com Armando Vara e Luís Patrão no episódio da Fundação para a Prevenção e Segurança perante um governo, que até era do seu partido, num episódio com gravidade muito inferior ao que se está a passar. Mas Marcelo sempre foi um "entertainer" político, pelo que prefere recorrer a actos de "show off" como uma passeata a Tancos, que naturalmente não terá quaisquer consequências. Outros podem apreciar este estilo. Eu não. Acho que o Presidente deve estar em Belém a exigir do governo as medidas que se impõem e não a passear por quartéis para a comunicação social ver. De um presidente eleito por sufrágio universal espera-se que assegure o regular funcionamento das instituições e não que se dedique a operações de propaganda. Para a mesma, já basta a que vem do próprio governo.

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O presidencial puxão de orelhas

por Pedro Correia, em 04.07.17

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 Foto: Paulo Novais/Lusa

 

O Presidente da República forçou hoje o ministro da Defesa, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, e o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, a acompanharem-no numa visita a Tancos. Uma visita onde nem sequer faltou uma espreitadela aos paióis de onde foram roubadas dezenas de granadas, centenas de munições e dezenas de quilos de explosivos neste momento talvez já a caminho do Médio Oriente.

A visita terá incluído uma vistoria às 25 torres de controlo em risco de colapso e confirmado que o sistema de videovigilância se mantém há dois anos desactivado e que o perímetro de segurança foi violado como se estivéssemos numa fita de políticas e ladrões, além de as patrulhas serem ali feitas por sentinelas sem munições, talvez como medida de poupança. Isto apesar de o Ministério da Defesa ter devolvido em 2016 às arcas do Estado 242,2 milhões de euros que estavam orçamentados e não chegaram a ser gastos.

Marcelo Rebelo de Sousa fez assim aquilo que o próprio Azeredo Lopes e o CEMGFA deviam ter feito logo quando a notícia que deu a  volta ao mundo se tornou conhecida.

"Foi muito útil, em termos informativos, a vinda cá. É completamente diferente ter uma noção distante. A vinda ao terreno é outra coisa", acentuou Marcelo Rebelo de Sousa. Deixando ainda mais claro, para quem não percebesse, o que o levara àquelas instalações militares, que há décadas não recebiam a visita de um Chefe do Estado em funções.

O ministro Azeredo Lopes nem abriu a boca. Fez muito bem, depois da sua lamentável intervenção da passada sexta-feira na SIC, onde foi entrevistado por Clara de Sousa.

Quanto ao Presidente, se eu fosse militar, fazia-lhe continência. Assim limito-me a tirar-lhe o meu chapéu.

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Agora é sem limites e sem medos

por Helena Sacadura Cabral, em 25.06.17

Nas palavras dirigidas ao semanário Expresso, o Presidente da República pede que seja apurado "sem limites ou medos", tudo o que se passou no inferno dos fogos.

A expressão "sem limites" e "sem medos", agora usada por Marcelo, difere bem do seu assertivo e categórico  “era impossível ter feito mais”, usado há uma semana.

A expressão hoje utilizada era a que eu esperava dele, nesse sábado, quando, pela primeira vez, se dirigiu aos portugueses.

Chegou a altura em que o Presidente enfatiza que é tempo de se apurar - estrutural ou conjunturalmente - o que possa ter causado ou tido influência no que aconteceu ou na resposta dada. É tardia a intervenção, mas correcta. 

É esta a atitude que todos esperamos dele. Como esperamos que ele seja o garante – já aqui o referi antes –, o atento observador de que nada disto terá sido em vão. Que esqueça, por momentos, os consensos impossíveis - ele conhece, melhor que ninguém, os partidos que temos - e “exija, lembre, insista”, que os mortos merecem ser honrados.

O Presidente da República não define prazos, mas pode e deve estar vigilante de que é preciso não deixar esvaziar o significado, ou retirar utilidade às conclusões. E, se o não fizer, se por momentos o descurar, creia que nada nem ninguém lho irá perdoar. Nem o seu crédito de afecto...

Quanto a António Costa exige-se-lhe que peça responsabilidades a quem as possa ter tido, atenta a hierarquia daqueles a quem o assunto respeita. Sem apelo nem agravo. Porque a morte é das poucas prerrogativas que, em política, pode ser tremendamente adversa.

 

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Ouvi as palavras do Presidente da República sobre a tragédia de Pedrógão Grande. São uma vergonha. O Senhor Presidente afirma peremptoriamente que era impossível ter feito mais. Ora, numa situação destas o que é impossível é saber já se podia, ou não, ter sido feito mais. Dizer o que o Senhor Presidente diz tem o único objectivo de paralisar qualquer investigação séria. E o que um país sério faria numa circunstância destas seria apurar integralmente as responsabilidades, se existem, e promover um plano estratégico de prevenção e combate a situações futuras. As palavras do Presidente deveriam ser neste sentido e não no de encerrar apressadamente o tema. Mais tarde ou mais cedo há um preço de irresponsabilidade a pagar por ter um país dirigido por pantomineiros.

 

Leitura complementar: este post lapidar do Henrique Pereira dos Santos.

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Um general com sorte

por Pedro Correia, em 22.05.17

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Diz-se que o primeiro critério de Napoleão para atrair generais ao seu estado-maior não era o da competência técnica. "Quero generais com sorte", exigia o imperador francês, curtido de vitórias em mil batalhas.

Há poucas coisas tão difíceis de definir como a sorte. Não falta até quem jure que conceitos como a sorte e o azar são totalmente desprovidos de sentido. A verdade, porém, é que estas palavras têm uso corrente entre nós. Por vezes olhamos para certa pessoa e desde logo sentimos que se trata de alguém bafejado pela sorte. Ou pelo azar, conforme as circunstâncias.

Veja-se o caso de Marcelo Rebelo de Sousa: basta olhar para ele para se perceber que é alguém que goza de boa fortuna. Não a fortuna pecuniária, mas aquela que mais interessa: a que vai removendo cada obstáculo do caminho por artes inexplicáveis dos humores astrais.

Reparem: desde que ascendeu à Presidência da República, por uma fabulosa conjunção de factores (impossibilidade de reeleição de Cavaco, processo judicial contra Sócrates, indisponibilidade de Guterres, recusa de Durão, falta de comparência de Rui Rio, o extravagante professor Tornesol como rival na corrida ao Palácio de Belém), os portugueses não param de celebrar boas notícias: inédita conquista do Campeonato Europeu de Futebol em França; eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU; a  arte da falcoaria portuguesa e a  olaria negra de Bisalhães declaradas património da Humanidade; produtor musical André Allen Anjos torna-se o primeiro português a ser distinguido com um Grammy em competição; vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão; triunfo de Leonardo Jardim como treinador do Mónaco, novo campeão de futebol em França; maior crescimento trimestral da economia nacional desde 2010.

O que vai seguir-se? Uma actriz portuguesa a conquistar o Óscar em Hollywood? Lobo Antunes a receber enfim o Nobel da Literatura? O futebol pátrio a erguer o troféu na Taça dos Libertadores? Marcelo vai sorrindo, distribuindo abraços, figurando em fotografias de grupo - espécie de amuleto desta nação bisonha habituada durante séculos a rogar pragas ao destino.

Vejo-o nos telejornais, sem falhar um dia, e penso no que diria Napoleão se o conhecesse: "Eis aqui um general com sorte." Portugal estava a precisar dele.

 

Texto ampliado e actualizado, no dia em que a Comissão Europeia, por unanimidade, propôs o fecho do procedimento por défices excessivos aberto a Portugal em 2009

 

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Ouch!

por Rui Rocha, em 12.05.17

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Novamente na direcção errada

por Pedro Correia, em 05.05.17

Uma vez mais, o PSD a disparar na direcção errada, transformando o Presidente da República em alvo político. Não haverá maneira de os estrategos entrincheirados na Lapa perceberem que assim só cavam cada vez mais fundo um fosso destinado a separá-los do país real?

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Em exibição

por Rui Rocha, em 19.04.17

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«Comic relief»

por José António Abreu, em 17.04.17

Título do Observador: Avioneta cai em Tires, 5 mortos. Marcelo já chegou.

 

(Mais tarde foi alterado para Marcelo no local.)

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 11.03.17

Temos de ajudar o Presidente Marcelo a não acabar com a dignidade durante o mandato.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Buracos

por Rui Rocha, em 11.03.17

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A boca de Marcelo fugiu para a verdade

por Rui Rocha, em 04.03.17

Pode questionar-se o contexto e a oportunidade, mas por uma vez o Presidente Marcelo teve razão. O défice de 2016 não ficou de facto a dever-se a qualquer milagre, mas saiu efectivamente do pêlo dos portugueses. Saiu do pêlo dos portugueses que viram os serviços públicos degradarem-se pelo efeito das cativações. Saiu do pêlo dos portugueses e continuará a sair na medida em que a contracção dramática do investimento afecta o potencial futuro de crescimento da economia. Saiu do pêlo dos portugueses que sofreram com o aumento da carga fiscal global por via da subida dos impostos indirectos. Saiu e continuará a sair-lhes do pêlo na medida em que sendo um resultado em parte obtido por via de medidas que não resolvem os problemas estruturais da economia e, em alguns casos os agravam, acentuando as suas distorções, acaba por traduzir-se numa subida dos juros da dívida, condicionando o presente mas sobretudo o futuro dos portugueses. Na ânsia de responder a Teodora Cardoso e de proteger Costa uma vez mais, Marcelo fez o diagnóstico cru da realidade. Ao contrário do que diz o discurso oficial do governo, não se fechou de todo a página da austeridade. O pêlo dos portugueses pagou e continuará a pagar.

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Marcelo, o ardina.

por Luís Menezes Leitão, em 04.03.17

Marcelo Rebelo de Sousa tem um problema político sério. Desde muito novo se habituou a marcar a agenda política, especialmente através da sua célebre página 2 do Expresso onde todas as semanas inventava factos políticos como quem constrói castelos de cartas. Por isso, quando foi desafiado para concorrer à Câmara de Lisboa nos anos 80, Marcelo ficou convencido de que facilmente poderia ganhar a eleição. Nessa altura recebeu, porém, com grande surpresa a notícia de que era totalmente desconhecido do grande público. Desde então Marcelo passou de criador de factos políticos para criador de factos mediáticos, inventando sucessivos shows, apenas com o fim de se tornar conhecido, como mergulhar no Tejo ou conduzir um táxi em Lisboa. Não percebeu, no entanto, que esses shows eram fatais para a credibilidade da sua candidatura. Jorge Sampaio apresentou apenas um slogan: "a responsabilidade" e facilmente ganhou essa eleição.

 

Marcelo perdeu, mas não desistiu de até hoje manter uma presença constante nos media, julgando ser esse o caminho para atingir o poder.  Inicialmente na TSF, e depois na TVI ou na RTP, Marcelo foi laboriosamente, ao longo de mais de duas décadas, construindo uma persona televisiva, julgando que o amplo reconhecimento do grande público seria suficiente para ganhar todas as eleições a que se apresentasse. Mas a verdade é que o mediatismo é insuficiente, e até permite expor muitas vezes a falta de conteúdo da mensagem política dos candidatos mediáticos. Ao contrário do que muitos julgam, Donald Trump não ganhou as eleições presidenciais americanas por ser uma estrela de reality shows, mas antes porque surgiu com um discurso político que teve grande impacto nos estados decisivos. Ora, Marcelo nunca conseguiu ter qualquer discurso político consistente e daí o seu fracasso na liderança do PSD, perdendo a oportunidade de ser primeiro-ministro. É verdade que conseguiu ganhar as eleições presidenciais, apenas falando em afectos, mas isso aconteceu porque António Costa quis essa eleição, tendo por isso apresentado contra ele um candidato anódino, cujo discurso radical de esquerda afugentava o eleitorado de centro. Pode dizer-se que António Costa ofereceu a eleição presidencial numa bandeja a Marcelo Rebelo de Sousa, e ele não tem deixado de lhe retribuir o favor, apoiando o seu governo em tudo e mais alguma coisa, até nas críticas a um simples aviso de Teodora Cardoso.

 

A questão é que, da mesma forma que Donald Trump não consegue largar o twitter, Marcelo está absolutamente viciado na presença mediática e não perde uma oportunidade para surgir nos meios de comunicação social, enquanto que o cargo de Presidente exigiria antes recato e distanciamento. Parece que Marcelo não acredita que existe se não aparecer nos media. É assim que agora vai aparecer como ardina a vender a revista Cais nas ruas. Maurice Duverger disse uma vez que se virmos o Rei na rua, sempre que vamos ao quiosque comprar jornais, a Coroa deixa de inspirar respeito. Imagino o que ele diria se o Rei aparecesse nas filas de trânsito a vender uma revista aos automobilistas. As boas intenções, que o povo diz que enchem o inferno, não justificam tudo. E a dignidade do cargo de Chefe de Estado deve ser sempre preservada.

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Diz-me quem te critica...

por Pedro Correia, em 17.02.17

A semana começou com críticas do PSD a Marcelo Rebelo de Sousa e aproxima-se do fim com críticas do PS a Marcelo Rebelo de Sousa.

Prova evidente de que o Presidente da República está a cumprir bem o seu papel.

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O novo sistema político.

por Luís Menezes Leitão, em 14.02.17

Se há alguém que tenha dúvidas sobre a fraqueza que constitui a solução política engendrada por António Costa, o imbróglio em que se envolveu Centeno e especialmente a resposta de Marcelo demonstram-no claramente. Sobre Centeno nada mais há a dizer e a avaliação está feita. Vir afirmar que houve conversas informais, mas não acordo, e que tudo não passou de um mal-entendido, corresponde à velha desculpa esfarrapada de quem não honra a palavra dada, quando António Costa gosta tanto de dizer que ela tem que ser honrada. Querer fazer as pessoas acreditarem que não havia acordo, quando até se colocou um escritório de advogados a redigir leis à medida do presidente da Caixa, que pelos vistos foram depois assinadas e promulgadas de cruz pelos órgãos de Estado, é chamar parvos aos portugueses. Mas a personagem vai se manter no cargo, em homenagem ao "estrito interesse nacional", que determina a abolição de qualquer responsabilidade política. Noutros países há outra concepção do "estrito interesse nacional" que implica não deixar degradar as instituições. Mas aqui, tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

 

O que é novo, no entanto, nisto tudo é o comunicado de Marcelo, que dá a entender que o Ministro das Finanças se mantém no cargo por decisão sua. Será que Marcelo não conhece o art. 191º da Constituição que diz claramente que não há responsabilidade política dos Ministros perante o Presidente da República? Como se já tinha visto no caso da Cornucópia, Marcelo parece querer assumir-se como chefe do governo, ouvindo explicações dos Ministros, dando-lhes ordens e até os podendo demitir, enquanto que o Primeiro-Ministro assiste a isto tudo sem um protesto, assumindo perante o presidente a posição mais subserviente que alguma vez teve um Primeiro-Ministro de um governo constitucional. Nem nos governos de iniciativa presidencial de Ramalho Eanes se assistiu a algo semelhante.

 

Há uns anos, quando estava na Guiné-Bissau, houve nesse país uma crise política, porque o Presidente exigiu a demissão de um Ministro e o Primeiro-Ministro recusou-se a fazê-lo, dizendo que a competência era sua, o que era verdade em termos constitucionais. Na altura, discutindo com colegas juristas guineenses, os mesmos foram de opinião que tinha sido um erro o país ter adoptado o sistema político semipresidencial, por recomendação dos constitucionalistas portugueses. Segundo eles, em África o sentimento popular exigia uma autoridade forte, e o povo não conseguia compreender que alguém pudesse ser Presidente e não mandar no governo. Concordei com eles, e por isso não me espantei quando posteriormente Angola alterou a sua constituição, abandonando o sistema semipresidencial, e concentrando o poder executivo no Presidente.

 

O que nunca pensei é que em Portugal o sistema político também pudesse ficar ameaçado por estas sucessivas investidas de Marcelo, a querer assumir competências que manifestamente não tem. Mas o que isto demonstra claramente é a fragilidade política de António Costa. Estando o seu apoio parlamentar em colapso, Antóno Costa precisa do braço do presidente para se manter no arame, pelo que o deixa ingerir-se nas suas próprias competências. Só que em política nem tudo vale a pena, e António Costa deveria pensar se o seu apego ao poder justifica permitir tanta menorização do seu próprio cargo.

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Palavras para recordar (16)

por Pedro Correia, em 06.02.17

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BELMIRO DE AZEVEDO

Expresso, 16 de Outubro de 2004

«Marcelo Rebelo de Sousa é um entertainer, não poderia ser primeiro-ministro. É bom para aquilo da televisão, valha-nos Deus.»

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Há dívida para além do défice

por Rui Rocha, em 30.01.17

Há um par de semanas, Portugal pagou 4,2% de juros pela emissão de dívida a 10 anos. Entretanto, em entrevista à SIC, o Presidente Marcelo sossegou-nos: logo após a emissão os juros tinham regressado a níveis muito mais confortáveis. Hoje, as yields da obrigação portuguesa a 10 anos voltaram a ultrapassar os 4,2%. Passaram oito dias desde a entrevista do Presidente Marcelo.

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De Belém, com afecto

por Diogo Noivo, em 26.01.17

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O conceito "pós-facto" já entrou no léxico diário. Trump é a epítome desse mundo detestável onde a realidade é torcida e retorcida com o intuito de servir agendas próprias, ignorando os interesses nacionais e, por definição, os factos. Cá, em Portugal, não temos disso. Ou se calhar temos, mas a coisa é menos grave porque é feita com abraços, afecto e votos de saudinha a quem passa.

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MARCELO, O MEDIADOR

por Rui Rocha, em 25.01.17

 

17.12.2016 - "O Presidente da República serviu de mediador numa conversa entre o fundador e director do Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, e o ministro da Cultura para evitar o fim desta companhia".
19.12.2016 - "Em comunicado, Luís Miguel Cintra esclarece "equívoco" criado após visita de Marcelo. Teatro vai mesmo fechar no início do ano".

 

11.01.2017 - "Marcelo obtém do Rei de Espanha garantia de que não serão tomadas decisões unilaterais sobre Almaraz".
12.01.2017 - "Não há acordo sobre Almaraz. Portugal avança com queixa em Bruxelas".

 

29.12.2016 - "Marcelo e Passos almoçam em Belém".
13.01.2017 - "Passos votará contra redução da TSU"

 

22.01.2017 – “Em entrevista a jornalistas da SIC, Marcelo revela confiança: ainda é possível consenso para a redução da TSU”.
25.01.2017 – “Redução da TSU chumbada na Assembleia da República”.

 

(post em actualização permanente)

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Um ano depois

por Pedro Correia, em 24.01.17

 

Sampaio da Nóvoa: este nome diz-vos alguma coisa?

 

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Neve no Algarve

por Rui Rocha, em 19.01.17

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O agente propagador

por Rui Rocha, em 03.01.17

A disputa política não pode justificar atitudes demagógicas quando estão em causa questões de saúde pública. O país enfrenta um surto de gripe de dimensões assinaláveis? Pois enfrenta. E por isso mesmo não é o momento de investir as nossas energias no jogo do passa-culpas e do arremesso de responsabilidades. Mais à frente haverá oportunidade para discutir tudo isso. Agora, é o tempo de controlar o agente propagador.

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O hacker Marcelo

por Diogo Noivo, em 26.12.16

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Depois de uma mensagem sobre a ginginha do Barreiro, a página oficial da Presidência da República lamenta a morte de George Michael. Por momentos, pensei que a página da Presidência tivesse sido alvo de um ataque informático com o fito de gozar com o Presidente. Mas não. Não há nada que um hacker possa fazer que Marcelo não faça sozinho.

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A promulgação do Orçamento.

por Luís Menezes Leitão, em 22.12.16

— Oh Marcelo, para ser mais depressa, promulga o Orçamento mesmo de cruz.

— Porquê? Há outras maneiras de promulgar?

 

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Não há abraços grátis

por Rui Rocha, em 21.12.16

Um dos problemas do debate político é ter sido tomado por um discurso demasiado preso a aspectos tecnocráticos e financeiros. É preciso traduzir os números abstractos para linguagem que as pessoas percebam. Tomemos um exemplo. A dívida subiu 14 mil milhões de euros em 2016. É uma ordem de grandeza que o cidadão comum não domina. Está tão fora da sua realidade que não consegue tomar posição. Ajudemos então o cidadão com alguns dados complementares, estabelecendo depois relações que lhe sejam perceptíveis. Marcelo, que diz que está tudo a correr muito bem, dá muitos abracinhos. Estimemos que são, em média, 10 abracinhos por hora. Pois muito bem. Isto significa que de cada vez que Marcelo dá um abracinho a dívida sobe coisa de 160 mil euros. Portanto, em linguagem simples, Marcelo e Costa saem-nos, por atacado, à módica quantia de 160 mil euros por abracinho. Ou seja, o equivalente a um apartamento de gama média. Aqui está algo que o português comum não tem qualquer dificuldade em compreender.

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Ir buscar lã e sair tosquiado.

por Luís Menezes Leitão, em 21.12.16

Marcelo Rebelo de Sousa foi sempre conhecido por conseguir fazer sozinho a festa, lançar os foguetes e apanhar as canas. A questão é que quem quer mexer em material pirotécnico muitas vezes acaba por se queimar. Neste caso da Cornucópia, uma verdadeira birra de alguém, que de repente descobriu que o subsídio que recebeu durante três anos afinal não chega, tudo aconselhava a que o Presidente se colocasse a milhas do assunto, até porque a sua intervenção, ao contrário do que é habitual, não fora solicitada. Marcelo, porém, resolveu mergulhar de cabeça no caso, a fazer lembrar o seu célebre mergulho no Tejo, e arrastou para as águas do mesmo um estrebuchante Ministro da Cultura, que bem se deve ter perguntado o que tinha ido lá fazer, quando o esperavam em Castelo Branco, onde seguramente estaria livre de sarilhos. Porque Marcelo, que declarou ter uma ligação à Cornucópia tão profunda que até tinha estado na sua sessão inaugural, reclamou imediatamente um estatuto de "excepção" para evitar o encerramento da mesma, que naturalmente seria reclamado a seguir por todos os outros teatros do país. A verdade é que o Ministro caiu na esparrela, tendo chegado a declarar que a Cornucópia tinha uma história extraordinária e "uma situação especial" e que, se a companhia quisesse sobreviver, o Governo estaria disposto a conversar. E com isto Marcelo saiu do teatro no papel do rei salvador da Pátria, ou mais prosaicamente da Cornucópia, ao mesmo tempo que meteu o Ministro da Cultura no bolso, cuja função no governo passaria a ser apenas a de assinar os cheques das "excepções" aceites pelo Presidente.

 

Só que a peça acabou por sofrer um twist inesperado, já que os encenadores decidiram alterar o papel de Marcelo à última hora, que passou de rei salvador da Pátria a bobo da corte. Foi assim que em primeiro lugar Luís Miguel Cintra declarou que nunca tinha pretendido qualquer estatuto de excepção, mas apenas encerrar o teatro. Depois foi Jorge Silva Melo a contestar que Marcelo tivesse assistido à primeira sessão do teatro, ao contrário do que este tinha afirmado. Vendo Marcelo a afundar-se, o Ministro da Cultura saltou logo borda fora, dizendo que a proposta de Marcelo de um estatuto de excepção, que lhe tinha parecido tão boa no palco, afinal não era uma boa ideia.

 

Chama-se a isto ir buscar lã e sair tosquiado.

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Um tipo vê as notícias sobre a mediação no caso da Cornucópia e não pode deixar de sentir uma pontinha de tristeza. Se Marcelo fosse Presidente há mais tempo talvez a Bárbara Guimarães e o Manuel Maria Carrilho ainda estivessem juntos.

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Tradução.

por Luís Menezes Leitão, em 23.11.16

Afirma Marcelo que "em Portugal há em cada esquina um constitucionalista e um especialista de estatísticas". Eu traduzo: Não vou deixar a Constituição ou as estatísticas perturbarem as minhas viagens ao estrangeiro. A próxima é já ao Egipto.

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Entretanto, no Palácio de Buckingham

por Rui Rocha, em 18.11.16

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Incríveis, os Simpsons

por Rui Rocha, em 18.11.16

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Lisboa, Fevereiro de 1957

por Rui Rocha, em 18.11.16

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Os neurónios apelam ao consenso.

por Luís Menezes Leitão, em 17.10.16

Leio aqui que Marcelo diz que os especialistas do cérebro dão razão ao seu apelo aos consensos. Deve querer dizer que quem não estiver com ele a defender os consensos só pode estar lelé da cuca!

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Não haveria condecoração mais adequada?

por Luís Menezes Leitão, em 12.10.16

Leio aqui que Marcelo surge num vídeo de propaganda do Estado Islâmico que se destina a atacar o Rei de Marrocos por ter aceite uma condecoração das mãos do infiel que preside à República Portuguesa. Não sei se o dito Estado pretende proibir todos os infiéis de condecorarem muçulmanos, mas confesso que a escolha da condecoração me deixa perplexo. Em primeiro lugar, a condecoração implicou pôr uma cruz ao peito de um monarca que é descendente do Profeta Maomé — que a paz esteja com ele! — e sabe-se perfeitamente que a cruz é um símbolo ofensivo para os muçulmanos. Efectivamente, a sua religião acredita que o Profeta Isa não morreu na cruz, tendo ascendido directamente aos céus, pelo que a exibição da cruz implica a negação de um dos dogmas do Islão. Por outro lado, a condecoração é a da Ordem de Santiago, um santo invocado precisamente em apoio da reconquista cristã de terras islâmicas: "Por El-Rey e Santiago aos Mouros". Consta aliás que Santiago Maior foi o responsável por tantos milagres que permitiram a vitória dos cristãos, que ficou precisamente conhecido como o Mata-Mouros, já que a sua invocação era garantia de que os mouros não escapavam à derrota e ao massacre. Neste quadro, a condecoração do Rei de Marrocos com a Ordem de Santiago é de bradar aos céus. Não há ninguém na entourage de Marcelo com um mínimo de bom senso?   

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Jornalismo, dizem eles

por Inês Pedrosa, em 04.10.16

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No sábado passado houve celebração internacional conjunta dos idosos e da música. O Presidente da República foi à Casa do Artista, que apresentou um curto espectáculo musical, e prestou homenagem à minha querida amiga Nini Remartinez, antiga cantora do dueto Irmãs Remartinez, que aos 97 anos é uma das pessoas mais jovens e inspiradoras que conheço. Como o Presidente chegou rodeado de câmaras de televisão, à noite passeei pelos telejornais em busca da reportagem da visita. Na RTP, mostraram o Presidente a falar do sigilo bancário, à porta da Casa do Artista, sem qualquer referência ao local e ao motivo da visita. Sobre o dia do idoso, o telejornal do canal público de televisão apresentou uma reportagem sobre a crescente obesidade dos mais velhos, por preferirem dietas pouco saudáveis. A TVI foi mais longe no esticar dos princípios deontológicos do jornalismo: utilizou o coro de crianças que cantou para o Presidente na Casa do Artista como ilustração do "coro das críticas da esquerda" ao veto presidencial da lei sobre a quebra do sigilo bancário. Nem uma referência à instituição, à homenagem, ou ao anúncio feito por Marcelo de que realizaria em breve, na Presidência, um evento conjunto com a Casa do Artista. Só a SIC apresentou, depois das declarações sobre o sigilo bancário, uma reportagem sobre o evento em que tais declarações haviam sido feitas.

O bom-senso e a boa educação mandariam que, em visitas oficiais a instituições de solidariedade ou cultura, o Presidente se limitasse a falar dos temas das visitas. Isso não evitaria o uso abusivo de imagens ( no caso, ainda por cima, de crianças), mas obrigaria a chamar a atenção dos meios de comunicação para o assunto ou a instituição em causa. Os afectos não podem ser só cenário, pois não?        

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Salaam Aleykum!

por Luís Menezes Leitão, em 03.10.16

A candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU pode morrrer na praia, mas até lá vai fazer crescer em progressão geométrica as figuras ridículas feitas pelos portugueses. Leio agora aqui que Marcelo Rebelo de Sousa defende que qualquer português num lugar internacional é um embaixador do mundo árabe. Não sei qual será o efeito destas declarações na campanha de Guterres, designadamente a simpatia com que serão recebidas em Israel, nos Estados Unidos, na Rússia, na China ou até no Irão. Em qualquer caso, os nossos antigos reis devem estar-se a revolver no túmulo, já que depois de séculos a conquistar esta terra aos mouros, vêem agora o seu sucessor na chefia do Estado a proclamar todos os portugueses como embaixadores do mundo árabe. Salaam Aleykum! 

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Sugestões para as comemorações do 10 de Junho.

por Luís Menezes Leitão, em 22.09.16

Leio aqui que o Presidente Marcelo promete comemorar o 10 de Junho fora do país "ano após ano". E que o Primeiro-Ministro António Costa naturalmente concorda com a iniciativa. Assim, depois de Paris ("teremos sempre Paris!"), deixo já aqui as minhas sugestões para os locais a escolher para as próximas comemorações do 10 de Junho:

2017: Las Vegas.

2018: Ilhas Maldivas.

2019: Bora-Bora.

2020: Ilhas Seychelles.

Justifica-se plenamente a escolha destes lugares para as comemorações do 10 de Junho, uma vez que haverá de certeza pelo menos um português em Junho em qualquer desses locais. E onde está um português está Portugal. Já se vê que vamos passar a ter uns 10 de Junho muito mais agradáveis.

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Marcelo: deixar o País melhor

por Pedro Correia, em 13.09.16

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Seis meses depois, Marcelo Rebelo de Sousa reaproximou a Presidência da República da sua mais genuína vocação: constituir um poderoso traço de união entre os portugueses.

De tal maneira que já quase ninguém se lembra dos restantes candidatos presidenciais. A começar por aquele que contou com o apoio implícito ou explícito de António CostaCarlos César e Augusto Santos Silva.

 

Fiel à sua imagem de marca, o sucessor de Cavaco Silva confirmou as elevadas expectativas que rodearam a apresentação da sua candidatura - contra os que o criticaram por obrigação partidária ou por manifesta incapacidade de perceberem até que ponto o Presidente pode funcionar como suprema válvula de segurança do nosso sistema político.

Relendo tudo quanto se escreveu sobre Marcelo nos meses que antecederam a sua eleição, é confrangedor verificar como alguns "analistas políticos", à esquerda e à direita, falharam em toda a linha ao aludirem à alegada imaturidade ou impreparação do candidato para fazer face aos complexos desafios que Portugal enfrenta nesta hora de incerteza a nível nacional e do próprio espaço continental em que estamos inseridos.

Marcelo reaproximou o Palácio de Belém dos portugueses. Revalorizou o semipresidencialismo inscrito na letra e no espírito da nossa lei fundamental, assente na eleição do Chefe do Estado por sufrágio universal e directo. Estabeleceu um contraste nítido com a prática constitucional do antecessor, figura esfíngica e remota que se refugiava num silêncio majestático cada vez que o País lhe exigia clareza política. Mais do que uma magistratura de influência, pratica a magistratura do exemplo: ao contrário do anterior inquilino de Belém, seria incapaz de renunciar ao salário presidencial para optar por uma pensão de reforma que lhe garantisse mais uns euros no fim de cada mês.

Cavaco foi por aí, no auge da intervenção financeira externa em Portugal: os portugueses nunca lhe perdoarão isso.

 

Devemos habituar-nos a avaliar o mérito dos políticos respondendo a esta questão muito simples: deixaram o País em melhor ou pior estado do que encontraram no início dos mandatos?

Cavaco Silva merece nota positiva pela actuação como chefe do Governo e negativa enquanto Chefe do Estado. É um facto incontestável que Portugal estava muito melhor em Outubro de 1995 do que em Novembro de 1985. Mas entre Março de 2006 e Março de 2016 o País retrocedeu em vez de avançar.

De Marcelo espero o contrário. Acredito que em Março de 2021, quando cessar funções em Belém (creio que irá cumprir só um mandato), Portugal estará melhor do que no dia em que tomou posse, a 9 de Março de 2016.

O essencial é isto. O resto vai-se dissolvendo com a espuma dos dias.

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Quando dava formação a jovens candidatos a jornalistas, costumava fazer testes de elementar cultura geral a esses estagiários. Entre outras perguntas, pedia-lhes que me dissessem o nome da capital das Honduras. E logo ali ficava evidente quem tinha leituras e saberes acumulados, mesmo sem alguma vez lhe passar pela cabeça visitar Tegucigalpa.

Testes deste tipo pelos vistos prosseguem, com as perguntas mais diversas e nas ocasiões mais inesperadas. Por vezes até em directo nas televisões.

Juan Carlos Monedero, um dos fundadores do Podemos e presença habitual nas tertúlias televisivas em Espanha, lembrou-se há dias de perguntar a um jornalista, seu parceiro de painel num acalorado debate no programa Espejo Público, da Antena 3, se ele sabia o nome do Presidente da República de Portugal.

Estupefacção em estúdio: ninguém parecia ter ouvido alguma vez falar em Marcelo Rebelo de Sousa. E a própria apresentadora do programa - Susanna Griso, uma das mais conhecidas jornalistas da televisão espanhola - acabou mesmo por dizer: "Quase ninguém sabe como se chama o Presidente de Portugal."

Este momento lapidar de Espejo Público funciona como espelho, sim. Da gritante ignorância espanhola em relação ao nosso país e da chocante incultura dos tudólogos que pululam nos estúdios televisivos. Tanto lá como cá.

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A direita burra

por Pedro Correia, em 28.07.16

A direita burra critica Marcelo Rebelo de Sousa.

Não o critica só agora. Já o criticava antes de ele anunciar a candidatura à Presidência, criticou-o durante a campanha, criticou-o mal foi eleito.

Sem perceber que Marcelo é um dos mais experientes políticos portugueses: sabe mais a dormir do que toda a direita burra acordada.

Sem perceber que Marcelo segue uma espécie de manual. Por ele próprio elaborado mas obedecendo a um padrão clássico. Onde cada peça encaixa muito bem na outra.

Como, de resto, o futuro demonstrará.

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Estes também merecem comendas (actualizado)

por Pedro Correia, em 25.07.16

Portugal conquista sete medalhas na Taça do Mundo de Canoagem.

 

Primeira medalha portuguesa de natação ao fim de 31 anos.

 

Katarina Larsson, do Sporting, campeã europeia de triatlo.

 

Surfista portuguesa Teresa Bonvalot campeã europeia de juniores

 

Ciclismo: Ivo Oliveira sagra-se vice-campeão europeu de perseguição.

 

Dupla portuguesa campeã do mundo de vela.

 

Portugal sagra-se vice-campeão mundial de atletismo T21.

 

Filipe Santos conquista medalha de ouro europeia em natação adaptada.

 

Nadadora júnior Diana Torres: recordes do mundo e da Europa.

 

Ricardo Silva Pires vence medalha de ouro internacional em ténis de mesa.

 

Portugal vence campeonato internacional de columbofilia.

 

Moscatel roxo de Setúbal traz título mundial para o nosso país.

 

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Profetas da nossa terra (71)

por Pedro Correia, em 21.07.16

«Acho que Marcelo Rebelo de Sousa já desistiu de ser Presidente da República.»

Francisco Louçã, Março de 2003

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A farsa repete-se como realidade

por Rui Rocha, em 17.07.16

Em "O Bem Amado" não havia meio de alguém morrer na cidade fictícia de Sucupira para se poder inaugurar o cemitério que o Prefeito Odorico Paraguaçu, acolitado pelo incondicional Dirceu Borboleta, tinha mandado construir. Em Portugal, uma espécie de Sucupira real mas em ponto maiorzinho, desde que Marcelo anunciou as comendas para os futebolistas, ainda não parámos de ganhar títulos desportivos. Marcelo é um Odorico Paraguaçu ao contrário. Vê-se sem mãos a medir para distribuir comendas da mesma forma que ao Prefeito de Sucupira escasseavam defuntos. E nem lhe falta o acólito Borboleta, agora interpretado por Costa, o Primeiro. Em matéria de ridículo, a realidade parece encarregar-se uma vez mais de superar a ficção.

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Futebol e Fátima

por Rui Rocha, em 12.07.16

Li por aí que o Professor Marcelo, o mais alto beato da Nação, rezou muitos terços para que a selecção nacional tivesse um bom resultado e que admite ir a Fátima. Ora, há coisas que não percebo. Quer dizer, se eu fosse crente, era capaz de rezar pela saúde e pela felicidade da minha mulher, dos meus filhos ou da humanidade em geral. Pela nossa saúde ou por uma felicidade nossa que não prejudicasse a dos outros. Mas neste caso, rezar pelo sucesso da selecção de Portugal é pedir o insucesso da selecção de França. E parece-me que isto não é assunto em que se deva meter Nossa Senhora de Fátima. Como é que Nossa Senhora de Fátima fica? Qual é o critério de decisão? Favorece os que pedem mais, os que fazem mais barulho? Beneficia os que se portam melhor? Mas como? O Bruno Alves é melhor do que o Payet? Há coisas que pessoas bem formadas não pedem. Muito menos a Nossa Senhora de Fátima. Na verdade, o que Marcelo e os outros como ele querem é tráfico de influências. Que Nossa Senhora mexa uns cordelinhos, que interceda aqui e ali, para beneficiar uns e prejudicar outros. Aliás, se eu fosse Nossa Senhora de Fátima e me aparecesse o Marcelo ou outros como ele com um tercinho na mão e conversa do tipo "ah e tal podias dar aqui um jeito" mandava-os logo foder.

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Pela mesma ordem de ideias, suponho que devemos estar agradecidos ao Director do Museu da Presidência pelo cuidado com que guardou as obras em casa.

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As comparações de Marcelo...

por Helena Sacadura Cabral, em 14.06.16
Encantado consigo próprio, o nosso Presidente da República continua filosoficamente a divagar sobre Portugal e os portugueses. Desta vez o ataque recaiu sobre os políticos, que são piores do que o povo. E tudo isto dito no dia de Camões e em França, ultrapassando assim o que ele denomina de espaço físico do país.
Senhor Presidente a opinião nacional sobre os políticos é má. Todos o sabemos. Mas será que não lhe compete a si, no desempenho das suas funções, ajudar a desfazer essa ideia, que mais não seja, pelo seu exemplo?
Francamente não percebo que "febre" assolou o mais alto graduado da nação, ao criar - parece um membro do Bloco - tamanhas clivagens entre as elites, os políticos e o povo. Não é, aliás, desse povo que saem uns e outros? Então para quê dividi-los e ajudar a criar uma tão má imagem de cada um deles?
O tema é tanto mais grave quanto o Senhor Presidente não pode deixar de pertencer a ambas as classes atacadas. Por um lado, é um político que sempre fez política e, por outro, integra e corporiza essa elite especial que é a Academia.
Esperemos que não venham mais comparações. Em França ele já ousou dizer que os portugueses são melhores do que os franceses. O que, mesmo em jeito de brincadeira, pode ser diplomaticamente arriscado.
Sugere-se, assim, um breve interregno nestas delicadas comparações. É que, em última análise, elas não  lhe são nada favoráveis!

 

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