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O momento zen de Ferreira Leite

por Pedro Correia, em 10.02.17

1. Comentário de ontem de Manuela Ferreira Leite na TVI 24:

«Ainda não percebi se querem, desculpem a expressão, dar cabo da Caixa de vez ou se não estão interessados em colaborar na recuperação da Caixa Geral de Depósitos. Cada um dos cenários é absolutamente inaceitável. É absolutamente inaceitável, porque estamos a discutir tricas. Eu quero cá saber o que foram os emails trocados entre o ministro das Finanças e o presidente da Caixa, que já não é presidente da Caixa, porque se ainda fosse talvez ainda percebesse que houvesse algum interesse em esclarecer quem era a pessoa que estava à frente da Caixa. Mas o senhor já se foi embora, ele já desapareceu da circulação da Caixa, nós já não temos nada a ver com ele, já temos outra administração nomeada e em funções.»

 

2. Editoriais da imprensa de hoje:

«Do penoso caminho que culminou com a ejecção de António Domingues sai um responsável pelas Finanças enfraquecido e desacreditado, apesar da defesa intransigente de António Costa e dos "até ver" de Marcelo Rebelo de Sousa. Uma pasta tão importante para a credibilidade de Portugal não se compadece com a descoberta de ‘pós-verdades’ que vêm provar que agir dentro da Caixa pode ser perigoso quando se pensa fora dela.»

Leonardo Ralha, Correio da Manhã

«O momento em que Mário Centeno não mente é em 25 de Outubro passado, quando assume com uma clareza infinita que os gestores da CGD não terão que entregar declarações de rendimentos. Isso está escrito: é um comunicado oficial do Ministério das Finanças enviado a várias redacções. Se Marcelo quer um papel escrito a defender uma posição que, a seu ver, seria “inaceitável”, já tem este. Não foi um erro dos assessores. Foi assumido dias depois em voz alta pelo próprio ministro.»

Ana Sá Lopes, i

«Em todo este processo há factos tão ou mais graves que todos parecem, agora, ignorar e que mostram à exaustão a forma atabalhoada como este processo foi conduzido. E mesmo dizer que foi tudo por um bem maior não chega. É muito positivo que a CGD tenha uma recapitalização aprovada em Bruxelas e que não seja considerada ajuda de Estado. Mas não pode valer tudo.»

Vítor Costa, Público

«O caso não deixa de ter consequências políticas. O ministro enfiou-se numa camisa-de-onze-varas porque geriu mal o dossiê. Mesmo que não tenha de demitir-se, o que não é certo porque a oposição está a fazer o seu papel, Centeno sai irremediavelmente fragilizado.

André Veríssimo, Jornal de Negócios

«Coisas verdadeiramente importantes: como é que um candidato a presidente da CGD contrata uma consultora para desenhar o plano de reestruturação, quando ainda está sentado na vice-presidência de um banco da concorrência? Ou como é que esse candidato consegue convencer o Estado de que o melhor mesmo é pôr o escritório de advogados que o representa a ele a redigir alterações à lei desenhadas à medida? Demos as voltas que dermos e, por estes dias, tudo aponta para um Estado frágil e para uma regulação inexistente.»

Paulo Tavares, Diário de Notícias

 

3. Conclusão de António Costa, hoje, em sintonia com Ferreira Leite:

«Nós não podemos perder tempo com tricas, temos de nos concentrar no essencial e o que é essencial é termos uma CGD forte, continuar a reduzir o défice, aumentar as exportações e o emprego. PSD e CDS-PP não têm nada de substancial a dizer e, por isso, dedicam-se àquilo que ontem (quinta-feira) a doutora Manuela Ferreira Leite dizia, e com muita propriedade, serem pequenas tricas.»

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Frases de 2015 (39)

por Pedro Correia, em 25.09.15

«Tenho alguma simpatia pelo Syriza.»

Manuela Ferreira Leite, ontem, na TVI 24

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Dir-se-ia monozigóticos

por Rui Rocha, em 21.08.15

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Afinal havia outra.

por Luís Menezes Leitão, em 21.08.15

Primeiro António Costa anda a distribuir papéis elaborados por Mário Centeno, de onde resulta, tão certo como dois e dois serem quatro, que o PS irá criar 207.000 empregos até 2019. No dia seguinte António Costa desmente que tenha feito qualquer promessa e chama-lhe antes um compromisso de políticas nesse sentido, enquanto que Mário Centeno diz que o tal papel era um exercício de simulação. Hoje António Costa aparece a dizer ao Sol que há uma identidade de pontos de vista muito significativa entre ele e Manuela Ferreira Leite. Parece que afinal António Costa defende as políticas de Manuela Ferreira Leite para o controlo do défice: obtenção de receitas extraordinárias a qualquer custo, incluindo a venda antecipada de créditos fiscais ao Citygroup. Daqui, no entanto, resulta uma conclusão óbvia: o célebre Mário Centeno, que já era visto como o futuro Ministro das Finanças do PS, afinal vai apenas andar aos papéis.

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Frases de 2015 (31)

por Pedro Correia, em 21.08.15

«Há entre mim e Manuela Ferreira Leite uma identidade de pontos de vista muito significativa.»

António Costa, hoje, em entrevista ao Sol

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Grécia antiga (21)

por Pedro Correia, em 10.06.15

«A escolha dos gregos deve ser objecto de ponderação muito séria por parte de todos os responsáveis europeus e não objecto de desprezo como se se tratasse de decisões próprias de inimputáveis. Na verdade, constituiria um contributo positivo para toda a Europa, se essa ponderação ajudasse a introduzir preocupações de natureza social e também a eliminar fantasias na análise da realidade, tal como, por exemplo, aquela que acredita numa milagrosa recuperação apenas com base no valor do défice, como se uma abóbora sem pevides, por um toque de uma varinha mágica, se transformasse numa carruagem reluzente.»

Manuela Ferreira Leite, no Expresso (31 de Janeiro de 2015)

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Les beaux esprits

por Pedro Correia, em 23.02.15

«Não concordo nada que haja uma resposta histórica [do Banco Central Europeu] à crise. Não concordo nada com isso. Há é uma resposta da evidência. Há pouco a doutora Manuela Ferreira Leite estava aqui, neste mesmo estúdio, e dizia exactamente isso. Eu estou muito de acordo com ela: o que há é uma resposta da evidência. Esta tomada de decisão do BCE é pura e simplesmente isso.»

José Manuel Pureza, Prova dos Nove (TVI 24), 22 de Janeiro

 

«A doutora Manuela Ferreira Leite estava aqui há poucos minutos e exprimiu-se de uma forma muito clara e eu quero registar isso: a destruição de uma sociedade através de políticas de corte drástico na despesa social não é outra coisa senão radicalismo. Aquilo que aconteceu na Grécia foi a maior expressão de radicalismo, que destrói uma sociedade e determina o deslaçamento social completo. Radicalismo é isso: destruir as raízes do laço social.»

José Manuel Pureza, Prova dos Nove (TVI 24), 29 de Janeiro

 

«Há a esperança de devolver a largos sectores sociais da Grécia o reconhecimento da sua dignidade essencial. Volto a lembrar: a doutora Manuela Ferreira Leite falou disso há bocadinho e falou muito bem. É exactamente isso: é resgatar a dignidade de grande parte [da população grega].»

Idem, ibidem

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Sobre o manifesto (9)

por Pedro Correia, em 24.03.14

- O que acha do manifesto dos 70, que agora são 74 ou 75, fora os 74 estrangeiros?

- Há que falar verdade: sou contra a reestruturação da dívida.

- Porquê?

- Se queremos ser economicamente independentes, então temos de nos conter dentro dos limites do que podemos pagar.

- Mas devemos ser nós a mandar no nosso País!

- Quem manda é quem paga e nós não mandamos nada. Este foi um princípio por que sempre me guiei. Até na educação dos meus filhos. E pode crer: a situação não se resolve em dois ou três anos. Para se chegar a bom termo, para que estes sacrifícios valham a pena, é preciso que não sejam desperdiçados em manobras políticas talvez convenientes mas intoleráveis.

- Muitos de nós temos a esperança de que os nossos credores acabem por perdoar uma parte substancial da dívida pública portuguesa.

- Que não se criem ilusões, porque nada pior do que expectativas frustradas que alimentam a revolta.

 - O dinheiro há-de vir sempre de algum lado...

- Nós estamos em ruptura financeira e quem o encobrir não está a falar verdade aos portugueses.

- Mas...

- E digo mais: tudo será inútil se, na ânsia de falsos louros, ao primeiro sinal positivo se recuar no rumo traçado.

- No entanto Francisco Louçã diz que...

- Louçã? Imagina-o eleito primeiro-ministro? Eu não quero imaginá-lo nessas funções.

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Sobre o manifesto (3)

por Pedro Correia, em 16.03.14

- É nesta altura, em que estamos a dois meses da saída da tróica, que nós vamos ter com os nossos credores e dizemos: "Desculpem lá, mas afinal não podemos... temos de repensar a maneira como os bancos nos pagam."

- Não sei se leu o papel...

- Li.

- Bom. Espero que o tenha assimilado convenientemente.

- (...)

- Há um conjunto de criaturas que se lembra de reflectir sobre um papel e os mercados ficaram todos assarapantados. Eu penso mesmo que devemos ter tirado o sono à senhora Merkel e com isso eu fico preocupada: não era nossa intenção retirar o sono a ninguém. Há-de concordar que isto é ridículo!

- E o argumento da agenda política de alguns dos subscritores?

- Considero que isso é um insulto! Como não há mais nada para dizer agora insultam-se as pessoas. Estamos numa sociedade livre e democrática. Fizemos uma mera reflexão sobre um tema. Não pusemos esse tema em nenhum jornal estrangeiro, não criámos nenhum problema de natureza política que pudesse criar alguma instabilidade. (...) As pessoas que assinaram aquela reflexão poderão dizer o que entenderem. Eu, pela parte que me toca, repudio completamente. (...) Sou uma pessoa livre, independente e que tenho este grande benefício: não tenho nada para agradecer nem nada para pedir.

- Este manifesto fez rolar duas cabeças, de dois assessores da Casa Civil da Presidência da República...

- Eu não... aah... tudo quanto eu posso dizer é que são duas pessoas de quem sou amiga e por quem tenho enormíssima consideração mas é evidente, como bem compreende, não vou falar de um assunto que desconheço.

- Mas sendo uma sociedade democrática e tendo as pessoas direito à opinião...

- Desculpe, mas eu para analisar uma situação dessas teria de saber exactamente os contornos do que é que se passou. E eu não sei. Como não sei, não falo.

 

Senhora [Manuela Ferreira] Leite, em diálogo com o jornalista Paulo Magalhães.

TVI 24, 13 de Março

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Ser e não ser ou talvez não

por Pedro Correia, em 17.07.13

«Qualquer pessoa que conheça minimamente o PSD - e eu faço parte dessas pessoas - pensa que a última coisa que o partido podia aceitar seria essa proposta que o presidente do partido fez [ao Presidente da República]. Porque é primeiro-ministro mas é presidente do partido. É preciso não conhecer o partido - e ele conhece-o, com certeza - para pensar que o partido aceitaria uma coligação com o CDS-PP em que o CDS-PP fosse a parte mais forte dessa coligação.»

«Do ponto de vista do partido, era uma proposta que não tinha a mínima hipótese de ser aceite. Em qualquer órgão - o Conselho Nacional, o Congresso - seria inimaginável o partido aceitar.»

«Os partidos não aceitam tudo aquilo que os líderes dizem que querem fazer. É sempre bom consultá-los.»

 

«É evidente que o pedido do PS de eleições antecipadas tem muito de táctica e muito de interesse partidário e muito pouco de interesse nacional.»

 

Palavras de Manuela Ferreira Leite, no seu mais recente comentário na TVI 24.

Notável raciocínio: Pedro Passos Coelho é duramente acusado de não olhar aos interesses do PSD e António José Seguro é duramente acusado de só olhar aos interesses do PS.

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A perigosa retórica antipartidos

por Pedro Correia, em 17.07.13

 

No seu habitual espaço de comentário da TVI 24, Manuela Ferreira Leite louvou o «belíssimo discurso» ao País do Presidente da República. Como seria de esperar. Chegou a dizer o seguinte, que aqui registo para memória futura: «Se a atitude do Presidente da República provocasse um terramoto interno nos partidos não seria mau. Se há coisa sobre a qual a opinião pública não tem uma boa opinião é relativamente aos partidos», havendo portanto que «metê-los na ordem».

Anotei a perfeita sintonia destas palavras com declarações quase simultâneas de Rui Rio, também em claro elogio ao inquilino de Belém. «Não sei se os partidos se conseguem entender. Mas foi-lhes dada pelo Presidente da República uma oportunidade única de se poderem credibilizar perante a opinião pública», declarara horas antes o presidente da Câmara Municipal do Porto.

Começa a fazer caminho, entre as personalidades que têm como principal referência política o actual Chefe do Estado, a ideia de que a democracia portuguesa está degenerada por culpa dos partidos.

É um caminho perigoso e que contradiz todo o património histórico do PSD desde os tempos do seu fundador, Francisco Sá Carneiro.

Vale a pena reler com atenção a última entrevista concedida por Sá Carneiro, publicada no próprio dia da sua trágica morte, a 4 de Dezembro de 1980, na revista espanhola Cambio 16. «Eanes, com este projecto impossível de acordo entre os socialistas e os sociais democratas, é um factor de instabilidade», criticava o malogrado fundador do PSD, visando o então Presidente da República, a quem acusava sem rodeios: «Eanes é um homem que provoca crises nos partidos porque tem uma visão da política que é a do poder pessoal.»

A história repete-se, com mais frequência do que muitos imaginam. Não deixa de ser irónico que Cavaco - ex-ministro das Finanças de Sá Carneiro - sirva hoje de bandeira à retórica antipartidos emanada de alguns dos seus apoiantes mais notórios.

 

Imagem: Cavaco Silva e Sá Carneiro em 1980

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Manuela Ferreira Leite, a democrata

por João André, em 11.07.13

Julguei-a mal. Ela só propôs suspender a democracia por seis meses. O mentor suspende-a efectivamente por um ano (até ver).

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Manuela Ferreira Leite, em Novembro de 2010:

«Este Orçamento de Estado [de 2011, o último elaborado por José Sócrates] é o que o País precisa.»

«Não há outra solução, pode haver umas medidas melhores, outras piores, medidas assim, medidas assado, mas temos de percorrer este caminho.»

«É o início de um percurso longo e muito exigente. E que não pode ser desperdiçado com manobras políticas.»

«Ao primeiro sinal positivo, o Governo não deve recuar ou relaxar.»

«É preciso dizer às pessoas que este tratamento não é de um ano, nem de dois. O Governo dá a entender que em 2013 já estamos todos bem e não vamos estar todos bem.»

«Portugal está refém dos credores. (...) Quem manda é quem paga.»

 

Manuela Ferreira Leite, em Setembro, Outubro e Novembro de 2012:

«Este Orçamento é um afundamento total.»

«Quando olho para o Orçamento e o leio com a atenção devida tenho duas certezas: uma é de que não é exequível e outra é que abre um buraco negro muito grande sobre o nosso futuro.»

«Não tomaria nunca uma medida que tivesse um impacto tão violento.»

«Se não alterarmos a política, nada nos indica que vamos melhorar.»

«Só por teimosia se pode insistir na receita.»

«Sobre o mesmo assunto pode haver várias opiniões válidas. Um País governado com modelos é algo que me dá um enorme desconforto. Não podemos transformar o País num exercício de experimentação.»

«Este Orçamento deveria apresentar um plano B porque se por volta de Maio ou Junho se perceber que não vamos alcançar os objetivos então o que é que se faz? Vamos insistir?»

«Quando estamos no meio da ponte, temos que ter a maior das precauções, pois se vamos tomar as medidas todas muito depressa vamos cair ao fundo e quando surgirem as medidas [na Europa] já estamos afogados lá em baixo.»

«Estamos a tentar passar um atestado de estupidez aos credores, eles estão a perceber que não vamos conseguir cumprir.»

«Se conseguirmos fazer a consolidação orçamental até 2014 interessa-me pouco não entrar em falência se, simultaneamente, está tudo morto.»

«Se não houver uma alteração profunda de todo este processo de degradação política, efectivamente podemos continuar a dizer que se está em democracia mas na prática não é uma democracia.»

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A entrevista de Manuela Ferreira Leite.

por Luís Menezes Leitão, em 13.09.12

 

Manuela Ferreira Leite, a meu ver, enterrou ontem definitivamente Vítor Gaspar, demonstrando em absoluto a sua total incompetência. O seu discurso foi o mais mortífero que alguma vez vi fazer para um  Ministro das Finanças, mas tudo o que disse constitui a verdade nua e crua. Efectivamente, um Ministro das Finanças não é um teórico que julgue que pode testar modelos abstractos, transformando o país em cobaia das suas experiências. É uma pessoa de bom senso que tem que conhecer profundamente a estrutura produtiva do país e o impacto que as suas medidas têm, ajustando as mesmas perante os efeitos que produzem nas pessoas. Afinal é para as pessoas que se governa. E nem na União Soviética se viu o Ministro das Finanças a gerir a tesouraria das empresas. Como ela bem disse, o Ministro das Finanças perante a contestação generalizada a uma medida, não pode julgar que é o único soldado com o passo certo no batalhão.

 

Passos Coelho julgava que tinha o partido na mão, convidando para o Governo Paulo Rangel (que não aceitou) e Aguiar-Branco, os seus opositores na última eleição. Deixou, porém, de fora Manuela Ferreira Leite, que teria tido um desempenho como Ministro das Finanças muito melhor do que Vítor Gaspar, como qualquer comparação demonstra, incluindo as duas entrevistas desta semana. Se Durão Barroso não tivesse decidido entregar o governo e o país a Santana Lopes nada do que se passou desde então teria ocorrido. Passos Coelho tem agora o rosto da oposição interna à sua frente a apelar aos deputados do partido para que não alinhem nesta aventura. 

 

É bom que os deputados do partido oiçam Manuela Ferreira Leite e terminem de vez com este disparate. Margaret Thatcher foi um dos melhores governantes que a Grã-Bretanha alguma vez já teve, mas o seu partido não hesitou em a derrubar quando ela teimou no disparate da "poll tax", que pôs o país a ferro e fogo e iria arrasar eleitoralmente o Partido Conservador. Efectivamente, um partido político tem que atender ao interesse nacional, não tendo que ir cegamente atrás dos governantes quando eles embarcam em aventuras disparatadas.

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Perder a opção de morrer

por José António Abreu, em 06.05.12

Nunca usei outro perfume a não ser o que foi criado para mim a pedido de Guillaume nessa viagem a Paris. Substituiu o Bounce, fala por mim e recorda-me de que existo. Uma das minhas companheiras de apartamento passou vários anos a estudar teologia, arqueologia e astronomia, para perceber quem foi o nosso criador, quem somos, por que motivo existimos. Todas as noites, chegava a casa não com respostas mas com novas questões. Eu nunca me questionei sobre coisa alguma a não ser sobre o momento em que poderia morrer. Deveria ter escolhido esse momento antes da chegada dos meus filhos, pois desde então perdi a opção de morrer. O cheiro acre dos seus cabelos ao sol, o cheiro a transpiração nas suas costas à noite ao acordarem depois de um pesadelo, o cheiro poeirento das suas mãos quando voltam da escola obrigaram-me e obrigam-me a viver, a ficar deslumbrada com a sombra das suas pestanas, comovida com um floco de neve, transtornada com uma lágrima nas suas faces. Os meus filhos deram-me o poder exclusivo de soprar numa ferida para tirar a dor, de perceber palavras não pronunciadas, de ser dona da verdade universal, de ser uma fada. Uma fada apaixonada pelos seus cheiros.

Kim Thúy, Ru.

Edição Alfaguara, tradução de Paula Centeno.

 

No Dia da Mãe do ano passado, pouco tempo antes de ser convidado a colaborar no Delito, coloquei este excerto no meu blogue. Mas penso que merece uma audiência superior. Tal como o livro.

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Contra Corrente.

por Luís M. Jorge, em 11.01.12

Manuela Ferreira Leite voltou a exibir o seu tacto diplomático na televisão. Com a internet em chamas (é um déjà vu), temo que nos afastemos da pergunta que ontem fazia a mim próprio e hoje gostaria de fazer a alguém: que motivos existem para que um programa de análise política convide o proprietário do canal em que é transmitido, o partner de uma grande sociedade de advogados lisboeta, o presidente de uma fundação da Jerónimo Martins e uma senhora que ainda há pouco criticava os ”ataques àqueles de acumulam vencimentos” para discutirem, vejam bem, os sacrifícios que é preciso impor ao país?

 

Há aqui uma resistência à vergonha de que os nossos jornalistas aparentemente não suspeitam, enquanto promovem mandarins a senadores.

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Declarações, declarações

por Ana Margarida Craveiro, em 11.01.12

1. Manuela Ferreira Leite tem um talento especial para a declaração explosiva. É o chamado efeito de bombista suicida: rebenta com tudo, incluindo a si própria. Evidentemente, nas suas declarações há uma parte verdadeira, de fundo, e uma parte disparatada, que gera o tal efeito de explosão. É evidente para todos, incluindo o sr. dr. Arnaut, que o SNS tem problemas graves de sustentabilidade, e que urge resolvê-los. Também é relativamente claro para muitos que a igualdade de acesso e tratamento não significa necessariamente igualdade na participação dos custos. Não pagamos todos o mesmo de IRS, o nosso contributo para o sistema não é igual. Para alguns, incluindo o actual executivo, o pagamento do acto médico deve também ser diferenciado, conforme o rendimento. É esta a parte verdadeira: o pagamento pode, numa determinada visão, não ser todo igual. Quem tem mais, pode pagar mais. O erro de Ferreira Leite foi misturar os pagamentos com critérios etários. 

 

2. Erro? Mas será mesmo assim? Eu discordo fundamentalmente desta visão determinista, que assume que a partir de certa idade os idosos são um peso para a sociedade. Independentemente de questões médicas (alguns processos são mais lentos, doenças que seriam fulminantes num jovem têm um desenvolvimento bastante mais lento num idoso), pressupõe uma redução dos direitos básicos de uma classe etária. Parece aberrante, assim dito, mas é feito. Dou-vos um exemplo muito concreto: perto dos 80 anos, o meu avô foi diagnosticado com um cancro específico, que poderia ser operado. Seguido num IPO, foi comunicado à família e doente que não seria operado, por causa da idade. Numa idade tão tardia, não fazia sentido sujeitar um doente a uma operação. Era um desperdício do tempo de vida do doente, a quem foi proposto um tratamento paliativo, e era um desperdício dos recursos financeiros do próprio IPO. Isto pôs-nos um dilema moral enorme, que infelizmente foi resolvido pelo agravamento súbito da doença, a que se seguiu uma morte relativamente rápida. Mas voltando à questão central: podemos decidir, só pela idade, se uma pessoa "merece" sequer a escolha de um tratamento? Então, que pensar de idosos tão famosos e activos como Gentil Martins, Mário Soares, ou Manoel de Oliveira? 

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Cavaco, Ferreira Leite e Sócrates

por Pedro Correia, em 18.11.10

 

Quem espera que Cavaco Silva, na hipótese de ser reeleito, comece por dissolver o Parlamento, abrindo assim caminho a uma eventual vitória eleitoral do PSD, pode esperar sentado. Cavaco falou há dias, na Assembleia da República, pela voz de Manuela Ferreira Leite. A aprovação do Orçamento do Estado que entrará em vigor em Janeiro de 2011 é não só “necessária” mas “indispensável”, daqui decorrendo que a sua aplicação não pode sofrer atropelos de ordem política.

Aníbal Cavaco Silva, de resto, tem horror à agitação política: prefere a certeza do que já existe às incertezas do que apenas se esboça em cenário. Falta-lhe o sentido do risco que Mário Soares revelou em 1987, quando dissolveu o Parlamento, abrindo dessa forma caminho à primeira maioria absoluta do próprio Cavaco.

O Presidente da República teme, acima de tudo, os julgamentos da História. E como nunca alimentou qualquer simpatia pelo actual líder do PSD nada fará para lhe tornar a vida mais fácil. A própria Manuela Ferreira Leite, aliás, encarregou-se de desfazer qualquer dúvida a este respeito quando no referido discurso – muito aplaudido pelos socialistas e naturalmente elogiado por José Sócrates – deixou claro que a questão da crise exige estabilidade política, o que implica naturalmente a manutenção em funções do actual Governo. “É tempo de as tentações partidárias cederem ao interesse nacional”, declarou, em evidente recado à direcção social-democrata e àqueles que no seu partido se sintam suficientemente estimulados pelas mais recentes sondagens para avançarem com uma moção de censura ao Governo PS logo após as presidenciais. Não com ela. Nem com Pacheco Pereira, que a secundou nas duas últimas emissões da Quadratura do Círculo.

Aliás derrubar o Governo para quê se o Orçamento do Estado socialista agora viabilizado pelo PSD “é o que o País precisa”? Esta lapidar declaração de Cavaco, pela voz de Ferreira Leite, não podia ser mais tranquilizadora para Sócrates. Tradução prática: Belém e a oposição interna a Passos Coelho preferem esperar, até que uma nova direcção social-democrata acabe por surgir no horizonte.

Que o País permaneça entretanto entregue a Sócrates e Teixeira dos Santos é um pormenor de somenos nesta lógica do mero ajuste de contas. Razão tinha Churchill: em política, os adversários estão fora de portas; os inimigos estão intramuros. De facas muito mais afiadas do que os primeiros.

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Um longo caminho

por Pedro Correia, em 04.11.10

Da política de verdade em 2009 à política do fingimento em 2010.

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Cavaco na voz de Ferreira Leite

por Pedro Correia, em 04.11.10

 

Os socialistas não escondiam ontem a satisfação pelo discurso do PSD no encerramento do debate do Orçamento na generalidade. Nada mais natural: esse discurso esteve a cargo de Manuela Ferreira Leite. Com o talento político que a caracteriza, a antecessora de Passos Coelho conseguiu argumentar a favor do péssimo Orçamento do Estado para 2011 com mais convicção do que o próprio ministro das Finanças, suscitando comentários apreciativos dos socialistas e um expressivo sorriso do primeiro-ministro.

Fiel ao seu estilo de sempre, a antiga líder social-democrata justificou a terapia de choque do PS e pretendeu até prolongá-la ainda mais do que os socialistas: "É preciso dizer às pessoas que este tratamento não é de um ano, nem de dois. O Governo dá a entender que em 2013 já estaremos todos bem e não vamos estar todos bem."

 

E que mais disse a ex-ministra das Finanças? Não só que este orçamento é "inevitável" mas também que é "o único caminho". Imagine-se a alegria que deu a José Sócrates e a Teixeira dos Santos com estas palavras, que no actual contexto soam a prémio político. Palavras que a partir de agora vão ser utilizadas até à exaustão pelos socialistas, debate após debate, no confronto político com o PSD.

"É o orçamento de que o País precisa no sentido em que corresponde ao que nos é exigido por terceiros", declarou Ferreira Leite. Bastou uma frase para resumir o pensamento do ministro das Finanças e dissipar qualquer dúvida que pudesse existir até na bancada socialista sobre o Orçamento do Estado. A ex-ministra, que viabilizou o orçamento para 2010 e o PEC1 - documentos que continham previsões macro-económicas incorrectas, ilusórias e enganadoras, como rapidamente se percebeu, e em nada contribuíram para estancar a crise - foi ainda mais longe na defesa deste instrumento essencial da governação socialista: "Não há outra solução. Pode haver umas medidas melhores, outras piores, mas temos de percorrer este caminho", que "não pode ser desperdiçado com manobras políticas". Até porque "quem paga é quem manda".

Percebe-se agora por que motivo Ferreira Leite quis que o PSD viabilizasse o péssimo documento, logo de início, sem lhe introduzir qualquer correcção ou melhoria.

 

Extraordinário, sendo as coisas o que são, não é que este discurso tenha sido proferido. Nem que corresponda, no essencial, ao pensamento político de Cavaco Silva, que Ferreira Leite tão bem exprimiu no hemiciclo de São Bento. Extraordinário é que tenha sido aplaudido de pé pela bancada social-democrata, a partir da última fila até à primeira, como uma 'onda' de claque num estádio de futebol.

Os socialistas, naturalmente, exultaram. "Manuela Ferreira Leite adquiriu um estatuto especial na vida política portuguesa", elogiou o líder parlamentar, Francisco Assis. Afonso Candal, também da direcção da bancada do PS, disse rever-se "em grande parte ou na íntegra" do discurso de Ferreira Leite, a quem agradeceu, sem ironia, "o apoio e o estímulo" que deu ao Governo. E Sócrates, naturalmente, foi o primeiro a agradecer: "Finalmente, fui ouvido. Portugal precisa deste orçamento, que tem medidas corajosas para fazer face à situação do País."

Apetece perguntar aos deputados do PSD: afinal aplaudiram o quê?

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Malmequer, bem-me-quer

por Pedro Correia, em 19.05.10

Entrevistando esta noite Pedro Passos Coelho na TVI, Constança Cunha e Sá pergunta-lhe se tenciona pedir desculpa pelas críticas feitas a Manuela Ferreira Leite. Espero que um dia, quando entrevistar Ferreira Leite, a Constança lhe pergunte também se tenciona pedir desculpa a Passos Coelho por o ter escorraçado das listas eleitorais do PSD escassos sete meses antes de ele ter sido eleito presidente do partido.

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Coisas que nunca mudam...

por Paulo Gorjão, em 08.04.10

"A ex-líder Manuela Ferreira Leite foi a primeira a sair da reunião, em passo de corrida, logo seguida de Pacheco Pereira."

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Foi-se

por João Carvalho, em 28.03.10

 

 

 

Ao fim de dia e meio de tentativas frustradas, confirma-se o pior: o velho carregador do telemóvel de Manuela Ferreira Leite já deu o que tinha a dar. Calou-se e pronto.

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O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

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O PSD a votos (31)

por Pedro Correia, em 27.03.10

Manuela Ferreira Leite já terá carregado a bateria do telemóvel para poder felicitar Pedro Passos Coelho pela sua inequívoca vitória eleitoral?

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O PSD a votos (27)

por Pedro Correia, em 27.03.10

Mesmo depois de deixar a presidência do PSD, Manuela Ferreira Leite continua a fazer estragos. O novo líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, tem à partida a missão mais dificultada do que devia porque a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso decidiu vetar a sua participação nas listas eleitorais do partido, numa das mais arrogantes manifestações de sectarismo de que há memória num líder social-democrata. Por vontade expressa de Ferreira Leite - secundada pela direcção cessante, onde se incluía Aguiar-Branco, e com o apoio entusiástico da blogosfera de "direita" que durante meses chispou ódio contra o ex-líder da JSD - Passos é hoje um líder sem assento no grupo parlamentar, o que facilita a vida a José Sócrates. E o mesmo sucede com alguns dos seus homens de confiança, a começar por Miguel Relvas. É bom que este facto seja assinalado no momento em que se vira uma página relevante na vida do partido que Francisco Sá Carneiro fundou em 1974.

 

ADENDA às 0.40 - Na declaração de derrota, a primeira da noite, Aguiar-Branco fez votos para que "não voltemos a ter excluídos e marginalizados no partido". Uma autocrítica que me pareceu sincera.

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O PSD a votos (23)

por Pedro Correia, em 25.03.10

À hora a que escrevo, já todos conhecemos com clareza as posições que os partidos parlamentares tomarão esta tarde na votação da resolução sobre o PEC. Todos menos um. O do costume.

O PS, naturalmente, vota a favor. CDS, PCP e Bloco de Esquerda anunciaram oportunamente que votarão contra. A incógnita, uma vez mais, parte do PSD: o grupo parlamentar social-democrata permanece reunido, sem linha definida, como se não soubesse bem se há-de assumir-se enfim como um verdadeiro partido da oposição ou continuar a ser a muleta do Governo. Uma imagem perfeita do desnorte desta direcção cessante, encabeçada por Manuela Ferreira Leite, que atende mais aos anseios de Belém do que aos interesses do partido. Daí o inaceitável tornar-se inevitável.

Muitos deputados estão naturalmente divididos entre a obediência àquela que será apenas durante mais umas horas a "líder" social-democrata e a sintonia com o futuro líder, a eleger amanhã. Passos Coelho e Paulo Rangel - ao menos eles - já deixaram claro que se opõem ao PEC e que o partido deve ser consequente com esta conclusão, votando contra. Só Aguiar-Branco, na linha de Ferreira Leite, defende a abstenção.

Se a tese que prevalecer for esta última, que permitirá viabilizar um documento que viola o programa do Governo, merece críticas de destacados socialistas e o próprio partido laranja considera lesivo dos interesses nacionais, estaremos perante uma fraude política que descredibilizará ainda mais o PSD. Hoje, com a "líder" cessante, a abstenção; amanhã, com um novo líder, um voto contra que já não chega a tempo.

Ninguém no País entenderá uma posição destas. Salvo talvez o Presidente da República, que quer evitar a todo o custo uma crise política que perturbe a doce sonolência do Palácio de Belém.

 

ADENDA às 15.45 - A fraude política consumou-se. Manuela Ferreira Leite demonstra o que vale até ao último dia do seu mandato à frente do PSD.

 

Ler também:

- Da credibilidade. Do Francisco Almeida Leite, no Albergue Espanhol.

- PSD é Fitch. De Manuel Castelo-Branco, no 31 da Armada.

- PSD suicida-se. De Gabriel Silva, no Blasfémias.

- Seppuku político. Do António de Almeida, no Direito de Opinião.

- O triste fim de Manuela Ferreira Leite. De Alexandre Homem Cristo, n' O Cachimbo de Magritte.

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Frases do ano (17)

por Pedro Correia, em 21.03.10

"Espero que o próximo líder do PSD não seja escolhido pelo aspecto físico."

Manuela Ferreira Leite, em entrevista à Antena 1

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Marcelo e «a unidade para o futuro»

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 20.03.10

Já por aqui escrevi e repito: o próximo líder do PSD - seja quem for - será sempre um líder de facção e um líder transitório. A não ser que, por uma qualquer razão do destino, Sócrates caia antes do tempo - fulminado - e o PSD chegue ao poder, momento em que, em nome do poder, todas as divergências se esquecem. Não estou sozinho nesta reflexão - há mais quem assim pense. Lendo o Expresso de hoje, creio que esta será também a perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, que resiste a apoiar qualquer dos candidatos à liderança, optando pela neutralidade. Justificação: «Alguém vai ter de preservar a unidade para o futuro». Alguém? Trocada por miúdos, a expressão quererá dizer que Marcelo sabe que a próxima liderança do PSD é apenas um interlúdio. E sabe que, a seguir, a solução passa por alguém capaz de unir os destroços do PSD. E sabe que, nesse momento, talvez não haja ninguém, para além dele, tão bem colocado para o fazer. E sabe que, nesse momento, Sócrates estará mais frágil do que agora. Malandro, este Marcelo. Mas não deixa de ter razão.

 

P.S.: (DECLARAÇÃO DE VOTO) Nas últimas directas votei em Pedro Passos Coelho. Mais por exclusão de partes do que por convicção. Não me revia em Manuela Ferreira Leite e no seu baronato tantas vezes insuportável, do mesmo modo que achava que a candidatura de Santana Lopes andava ali a destempo. Se eu fosse um tipo esperto, agora que tudo indica que PPC vai ganhar, diria agora publicamente que o meu voto era seu, cavalgando a onda. Mas não sou um tipo esperto. Por isso, não tenho qualquer problema em dizer que vou votar em José Pedro Aguiar-Branco, mesmo sabendo que não tem hipóteses de ganhar. Voto por uma questão de proximidade pessoal, porque confio nas suas capacidades, porque sei que a sua vida resiste a um escrutínio apertado e, também, porque me parece que é o único candidato que pode fazer a síntese entre os barões e a "carne assada". Isto é: parece-me o candidato "mais PSD" de todos.

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O PSD a votos (17)

por Pedro Correia, em 14.03.10

A senhora que andou meses a esganiçar-se contra a "asfixia democrática" acha "muito bem" ver o seu próprio partido asfixiado. Parece apostada em prestar um péssimo serviço ao PSD até ao último dia do mandato.

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Um caso atípico de bipolarização

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 12.03.10

Tenho alguns amigos - estive a fazer as contas e acho que tenho mais amigos de esquerda do que de direita - que são, desde o princípio, admiradores de José Sócrates. Já tive com alguns deles algumas discussões homéricas sobre o assunto, pela razão simples de que não consigo descortinar - depois de uns primeiros tempos de hesitação - onde está a valia do homem enquanto primeiro-ministro.

Nos últimos tempos, recorro com frequência ao teste empírico de ir fazendo, a quem encontro (apoiantes de Sócrates e não apoiantes de Sócrates), a tradicional pergunta: «Compraria um carro em segunda-mão a José Sócrates?». As respostas variam. Há quem diga que nem que o carro fosse novo; há quem diga que, bem, em segunda-mão e sem garantia, nem pensar; há quem estrebuche um bocadinho (os meus amigos apoiantes de Sócrates desde a primeira hora) e evite a resposta clara. Na minha sondagem empírica, vou, pois, percebendo que, tirando os boys que gravitam à volta do governo e dos entes públicos, já ninguém dá muito pelo homem. E no entanto, segundo uma sondagem de hoje do JN, se houvesse eleições neste momento, o PS arriscava-se a ganhar e muito próximo da maioria absoluta. Donde resulta que, ou são os meus amigos que fazem parte de uma casta à parte e não são representativos do eleitorado português, ou, então, o problema é mais grave. Reflectindo, ainda que vagamente, sobre o assunto, opto pela segunda solução: o problema é grave. E qual é o problema? Simples: os portugueses confrontam-se com um singular cenário de bipolarização política: num polo está José Sócrates; no outro polo está... ninguém. Desgraçadamente. Desgraçadamente para o país.

Sem renegar a minha ligação ao PSD, sou obrigado a concluír que o eleitorado não deixa de ter razão, mesmo que em sondagens. Se é verdade que, neste momento, poucos ousariam comprar um carro em segunda-mão a Sócrates, também é verdade que, olhando para o stand do lado, não se vê mais quem possa vender automóvel. O que se vê pelas bandas do PSD é uma luta fraticida para saber quem, daqui a uns tempos, manda no stand e define as regras do negócio. Só que, enquanto tal, os automóveis vão apoderecendo e, chegada a hora, dificilmente alguém quererá comprá-los. E, entretanto, tal vai sendo a conflitualidade interna no PSD, não espanta que, mesmo depois de saber quem manda na loja, assistamos, logo a seguir, a concorrência desleal dentro do stand. É este o cenário que espera os portugueses. E é por isso que o PS vai ganhando folgadamente nas sondagens.

Nunca percebi - talvez alguém seja capaz de me esclarecer - por que razão o PSD não arrumou a casa logo a seguir ao penoso resultado que obteve nas últimas legislativas. Manuela Ferreira Leite - que nunca me seduziu - demonstrou que seduz muito poucos. Numa altura em que devia estar de casa arrumada, anda o povo social-democrata a tentar perceber quem é o menos mau de todos: se Passos Coelho, se Rangel, se Aguiar-Branco. Sim. Porque o que está em causa é saber qual deles é o menos mau, qual deles é capaz de ter mais cimento que agregue um partido que tende a esboroar-se. É esta a ideia que germina nas bases e é esta a ideia que passa para o eleitorado. Enquanto devia estar a tentar propor ideias alternativas para o país, numa altura em que era suposto o governo estar fragilizado e com a cabeça a jeito, anda o PSD a desgastar-se em lutas internas nem sempre cordiais, cada um dos candidatos com ideias diferentes sobre tudo e sobre nada, deixando o eleitorado sem saber com o que conta. O problema seria apenas relativamente grave se, passadas as directas, a questão ficasse esclarecida. Mas não fica. Ganhe quem ganhar, a luta pela queda do líder que vier começará no dia seguinte. E Sócrates continuará a ganhar nas sonsagens e nas urnas. E Portugal continuará a penar com um primeiro-ministro que, em rigor, poucos querem, mas-que-se-há-de-fazer? Haverá futuro assim? Enquanto isso, o CDS-PP mantém-se firme.

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Happy together

por Pedro Correia, em 01.02.10

 

Alguns comentadores da blogosfera afectos ao PSD não escondem a sua decepção pelo facto de o partido ter viabilizado o Orçamento de Estado para 2010 apresentado pelo ministro Teixeira dos Santos, que está definitivamente desprestigiado. Nenhuma conta que o titular da pasta das Finanças apresentou até agora foi confirmada pelos factos e ninguém imagina que alguma operação de aritmética que emane do seu gabinete do Terreiro do Paço passe a bater certo a partir de agora. Apesar disso, o presidente da bancada parlamentar laranja não teve a mínima dúvida em considerar que seria "uma leviandade e uma falta de maturidade" a mera hipótese de os sociais-democratas poderem votar contra o mais decisivo instrumento da acção governativa. Uma réplica evidente àqueles que, como José Pacheco Pereira, andaram desde Outubro a pregar no deserto, bradando que "não é sadio considerar que pode ser objecto de negociações o núcleo fundamental que diferencia o PS e o PSD."

Motivo de espanto? Nenhum. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial"  a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.

Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates está a construir a sua nova maioria no Parlamento.

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Há sempre espaço para mais um prego...

por Paulo Gorjão, em 30.01.10

"Aquilo que o país precisa neste momento não é de políticos, é de estadistas", disse Manuela Ferreira Leite. Infeliz, sempre infeliz, até ao último dia.

Eis, uma vez mais, a sempre repetida tentativa de emulação de Cavaco Silva, infelizmente sempre para pior, muito pior. Será quase desnecessário salientar que esta dicotomia não tem pés nem cabeça. Pior. O nojo que daqui se subentende em relação à política, como se os estadistas pairassem sobre a política sem nunca nela sujar as mãos, é apenas mais um episódio que contribui para a descredibilizar. Do primeiro até ao último dia, a passagem de Manuela Ferreira Leite pela presidência do PSD é um enorme equívoco. Já faltou mais para acabar, felizmente.

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A questão da inconsistência

por Pedro Correia, em 10.12.09

 

Invejo o Pedro Lomba pelo mais elementar dos motivos: ele é um homem de certezas. Informa-nos este excelente articulista do Público que desfez as últimas dúvidas "sobre a ausência de convicções" de Pedro Passos Coelho ao ler a entrevista que o único candidato assumido à presidência do PSD deu no domingo ao Jornal de Notícias. E porquê? Porque, espantosamente, Passos Coelho quer agora "suspender o TGV", em "alinhamento com o discurso seguido por Ferreira Leite no último ano". Mais informa o Pedro Lomba neste seu artigo intitulado «A questão do carácter» que em Janeiro, em entrevista à RTP, Passos Coelho não pensava como hoje e terá mesmo dito que "o TGV é um projecto estratégico que envolve compromissos assumidos por vários governos".

Verdadeiramente escandaloso. "Há nisto todo um método que é bem revelador da inconsistência e falta de convicções que abundam na política portuguesa", sentencia o Pedro Lomba, acrescentando que Ferreira Leite "até tinha razão sobre o TGV".

O exemplo, por acaso, não é dos mais felizes. Por este simples motivo: esquece o ilustre articulista de referir que ninguém mudou tão radicalmente de opinião sobre o TGV do que a própria Manuela Ferreira Leite. "Ausência de convicções", "inconsistência"? É precisamente isso que podemos apontar a quem em 2004, enquanto ministra de Estado e das Finanças acordou solenemente com as autoridades espanholas um traçado completo para o TGV , prevendo o arranque deste megaprojecto no Orçamento de Estado desse ano, e em 2008, quando ascendeu à liderança do partido, rasgou o compromisso como governante que celebrara com Madrid sobre a alta velocidade ferroviária.

Lamento informar o Pedro Lomba, mas não foi Passos Coelho que mudou 180 graus nesta matéria, desdizendo na oposição o que dissera no Governo. Não foi Passos Coelho que declarou em 2004 que o TGV estimularia a economia portuguesa até 1,7% do produto interno bruto - foi o primeiro-ministro da época, Durão Barroso. Quem mudou foi precisamente Manuela Ferreira Leite, ministra de Barroso. Talvez por não gostarem de tamanha "inconsistência", os portugueses recusaram dar-lhe a vitória a 27 de Setembro.

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PSD: como perder ganhando

por Pedro Correia, em 29.10.09

Muitas vezes o caminho mais rápido para a derrota é a vitória. Tenho pensado nisto a propósito da vitória eleitoral do PSD em Junho, nas europeias. Foi uma vitória que fez mal ao partido. Apesar de ter sido pouco expressiva, criou um ambiente de euforia na direcção social-democrata e entre os seus apoiantes mais acérrimos que lhes fez perder todo o discernimento. Pensaram que a partir daí eram favas contadas: bastava o inegável descontentamento existente no País contra o Governo socialista para que isso se traduzisse automaticamente em votos no PSD em Setembro. Os blogues que apoiavam Manuela Ferreira Leite foram a melhor confirmação deste prematuro estado de euforia, nada condizente com a realidade: já se profetizava, com inabalável convicção, o novo poder laranja. Alguns lançaram até anátemas internos contra aqueles que, nas hostes sociais-democratas, não seguiam a ‘linha justa' e teimavam em criticar a líder pela desastrada escolha dos temas prioritários da campanha e pelos erros cometidos na formação das listas eleitorais.

Quem tinha razão eram os críticos, sabe-se agora. Aqueles que não se iludiram com o bom resultado do PSD em Junho e alertaram em devido tempo contra os excessos de euforia e a necessidade de unir primeiro o partido para depois conquistar o País. A ‘linha dura’ de Ferreira Leite fez orelhas moucas a tais conselhos, escutando apenas as vozes acríticas dos incondicionais. Os resultados estão hoje à vista. 

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Apanhados pela mesma objectiva

por João Carvalho, em 16.10.09

Fico pouco espantado que Deus Pinheiro tenha sentido necessidade de vir, tarde e a más horas, dar uma desculpa qualquer sobre a sua inesperada e traiçoeira deserção. Ainda assim, a pressão porventura sentida não resultou em mais do que uma qualquer desculpa esfarrapada e sem nexo. Do que disse hoje publicamente, registo apenas dois pontos.

 

1. Diz ele que a líder do PSD precisava de um candidato com o perfil dele para cabeça-de-lista em Braga. Fica provado o grande e raro perfil que ele tem.

 

2. Diz ele que ela insistiu, que ele recusou três vezes e que só à quarta vez aceitou. Fica provado que, para ela, um Alberto João Jardim a mais ou a menos lhe era totalmente indiferente.

 

O falso candidato ficou muito mal no retrato. Mas Manuela Ferreira Leite também está na mesma fotografia.

 

(Antes que alguém menos atento venha lembrar que ele hoje manifestou motivos de doença, recordo eu que ontem, a quem lhe perguntou se estava doente, ele respondeu que não e riu-se alarvemente. Vá lá saber-se a graça que achou.)

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Algo que não bate certo...

por Paulo Gorjão, em 16.10.09

José Pedro Aguiar-Branco avança para a liderança da bancada parlamentar sem o aval de Manuela Ferreira Leite? Há qualquer coisa mal contada nesta história. A lista de vice-presidentes propostos, aliás, é muito establishment. Definitivamente, algo está mal contado nesta história.

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Sá Carneiro não se comportava assim

por Pedro Correia, em 14.10.09

 

Ontem, à saída da Comissão Política do PSD, na sede nacional do partido, Manuela Ferreira Leite abandonou o edifício em passo acelerado, evitando os jornalistas que lá se encontravam, sem sequer lhes dirigir uma palavra de boa noite. Deixando uma vez mais as perguntas sem resposta, bem ao seu timbre, refugiou-se no carro e zarpou dali a grande velocidade. Vejo a cena nas televisões e não posso deixar de me interrogar: como é possível um partido com a envergadura do PSD continuar a ser dirigido por uma pessoa que toma estas atitudes da mais elementar falta de consideração pelos profissionais da informação - e pelo público a quem estes se dirigem?

Há agora por aí, em blogues claramente alinhados com os sociais-democratas, quem pretenda desvendar as causas dos insucessos eleitorais deste partido. Não precisam de procurar muito: a primeira das causas é esta permanente atitude de hostilidade de Ferreira Leite perante os órgãos de informação, como se não tivesse de lhes prestar esclarecimentos de espécie alguma. Esquecendo-se de que o militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão, é ele próprio um jornalista.

Com ela ao leme do partido, nem a mais eficaz agência de comunicação lhe conseguiria o milagre da popularidade. Reparo nela e penso: Francisco Sá Carneiro, que conhecia bem a importância da comunicação social, jamais se comportaria assim.

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O factor Santana

por Paulo Gorjão, em 03.10.09

Leio repetidamente nos jornais dos últimos dias o argumento de que Manuela Ferreira Leite deixará de ter condições para continuar à frente do PSD se Pedro Santana Lopes perder em Lisboa. Vamos por partes. De facto, se o PSD perder em Lisboa é um péssimo resultado. Isto dito, olhando para o quadro global em que o PSD se encontra, o resultado em Lisboa é indiferente para o futuro de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD. Mais. O resultado do PSD nas autárquicas é irrelevante para o futuro de Ferreira Leite. Sejamos claros: a sua liderança terminou no dia 27 de Setembro. O resto são paliativos que não alteram o diagnóstico global. Utilizando uma imagem de Ferreira Leite, a vitória ou a derrota de Santana Lopes apenas altera os metros de profundidade em que o PSD se encontra. Não evita o afogamento. O afogamento ocorreu no dia 27 e é irreversível.

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Legislativas (51)

por Pedro Correia, em 29.09.09

    

LAMENTO TER ACERTADO

 

28 de Maio de 2008, Groucho Marx no PSD: "As primárias no PSD revelam que neste partido cresce exponencialmente a cartilha marxista - tendência Grocho. 'Estes são os meus princípios. Se não gostarem, tenho outros', dizia o genial mestre da comédia norte-americana. Nada define tão bem a campanha em curso no partido laranja rumo a coisa nenhuma. Como o futuro próximo amplamente demonstrará."

 

29 de Maio de 2008, Mais do mesmo: "Se [Manuela Ferreira Leite] for eleita para a presidência dos sociais-democratas, Sócrates tem todos os motivos para ficar satisfeito."

 

31 de Maio de 2008, Rota de solidão: "Manuela Ferreira Leite, com apenas 37,91% dos votos dos militantes e sem assento na Assembleia da República, prepara-se para governar um partido dividido em três. Não lhe gabo a sorte."

 

31 de Maio de 2008, Mau perder: "Há oito meses foi assim: Menezes, que acabara de vencer a eleição por 56%, não teve um momento de trégua interna. O que sucederá agora a Manuela Ferreira Leite, com uma vitória bem mais escassa? Não custa vaticinar."

 

1 de Junho de 2008, As coisas são o que são: "Alguém se lembra de uma só ideia expressa por Manuela Ferreira Leite durante a campanha interna? Eu também não. Haja fé."

 

2 de Junho de 2008, Previsão: "António Preto vai ter um cargo de responsabilidade no 'novo' PSD."

 

22 de Junho de 2008, Treze notas sobre o congresso do PSD: "Manuela Ferreira Leite veio para ficar? É óbvio que não. É uma 'líder' tão precária e tão provisória como os 'líderes' precedentes. Por muito que alguns dos seus gurus pretendam convencer-nos do contrário. O interregno começou. Mais um."

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Legislativas (43)

por Pedro Correia, em 25.09.09

 

 

 

PSD: QUATRO LÍDERES EM QUATRO ANOS

 

Estas legislativas destinam-se, antes de mais nada, a avaliar a prestação do Governo. Mas destinam-se também a fazer um balanço do percurso da oposição. No caso do PSD, o que se verificou? Quatro líderes em quatro anos, um rumo errático, o desaproveitamento constante dos erros políticos cometidos por José Sócrates - e foram muitos, como já detalhei por exemplo aqui - e um ziguezaguear permanente entre a defesa das SCUT e as críticas às SCUT, a defesa de uma reforma do sistema eleitoral e a recusa da reforma do sistema eleitoral, a apologia da redução dos impostos e a recusa desta redução, a aprovação de um pacto de justiça com os socialistas e o chumbo desse mesmo pacto, sim ao TGV e não ao TGV, avanços e recuos na regionalização, posições mais que dúbias na questão do referendo europeu e no processo de avaliação dos professores. E por aí fora.

Esta é a marca dos últimos quatro anos da vida do PSD, sob as sucessivas lideranças de Pedro Santana Lopes, Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite. À média de um líder por ano.

Um partido que, apesar disso, venceu quatro eleições desde 2005 - as autárquicas desse ano, as presidenciais de Janeiro de 2006 (através do candidato que apoiou, Cavaco Silva), as regionais da Madeira em 2007 e as europeias de Junho deste ano. Em todos estes escrutínios foi-se percebendo cada vez melhor que o PS de Sócrates nada tem de invencível. Mesmo assim, o PSD chega a estas legislativas em péssimo estado anímico, no termo de uma campanha desastrosa em que falou de quase tudo - "asfixia", o perigo espanhol, o comboio de alta velocidade, as escutas - menos do que devia: a grave crise económica num país que tem as maiores assimetrias de rendimentos da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres e mais de 600 mil desempregados. Um país em que o investimento público caiu 32% nesta legislatura.

Nunca uma campanha da oposição parecia tão fácil à partida. Mas nunca me lembro de tantos trunfos desperdiçados em tão pouco tempo por um partido da oposição como aconteceu com este PSD de Manuela Ferreira Leite.

 

ADENDA: Estas declarações de Menezes ao El País de hoje são um perfeito símbolo do que escrevi acima.

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O Magalhães é fantástico...

por Paulo Gorjão, em 23.09.09

Depois de tanta crítica que foi feita na última legislatura ao programa Magalhães, eis que na primeira oportunidade o PSD, por intermédio de Pedro Duarte, promete dar-lhe continuidade. O Magalhães é para continuar, o que é suposto alterar é o modelo de financiamento, diz Pedro Duarte. José Pacheco Pereira queria rasgar o programa, mas no PSD por estes dias ninguém lhe dá ouvidos. Ele, por sua vez, come e cala. Mais um sapo...

Caso Manuela Ferreira Leite vença as eleições, ainda a veremos a vender computadores a Hugo Chávez e a visitar as instalações da J.P. Sá Couto, acompanhada por Pacheco Pereira, claro, que aproveitará a oportunidade para explicar que os críticos deturparam as suas palavras e que ele sempre foi um entusiasta sobre as potencialidades do Magalhães. Ele e o PSD, claro.

 

P.S. -- O oportunismo político exibido nesta questão, se bem percebi, esteve ausente no episódio protagonizado por Manuel Maria Carrilho. Ainda bem.

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A linha Gótica

por Paulo Gorjão, em 22.09.09

Manuela Ferreira Leite deu o mote quando se lembrou de ilustrar um ponto de vista comparando José Sócrates a alguém que mata o pai e a mãe para dizer que é órfão. De seguida veio outra bela imagem em que, uma vez mais, Manuela Ferreira Leite não se lembrou de nada melhor do que dizer que não queria morrer afogada. Os seus discípulos, entretanto, seguem a mesma linha -- Como lhe hei-de chamar? Gótica...? -- e vai daí chamam de cangalheiros a colegas do PSD. Bem vistas as coisas, até está bem visto. Com tanto morto, cangalheiro é nesta altura um negócio com futuro garantido. Diria, para terminar com chave de ouro -- digo, chave de caixão --, que há quem neste momento no PSD se pareça com aquele sujeito que se atira do telhado de um prédio de 20 andares para mostrar que a leis da gravidade são eternas.

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As coisas são como são...

por Paulo Gorjão, em 21.09.09

Pedro Passos Coelho participou hoje na campanha eleitoral ao lado de Manuela Ferreira Leite -- esperemos que isso não incomode José Pacheco Pereira. Isto dito, alguém tem de informar o Expresso, que jurava a pés juntos que tal não sucederia...

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Estratégia eleitoral: o sim e o não

por João Carvalho, em 20.09.09

José Sócrates não é apenas um político profissional. Aqui entre nós, nem sequer poderia sê-lo, se tivesse feito Politologia na convenientemente extinta Universidade Independente. Adiante. O certo é que ele conseguiu reunir as tropas socialistas em plena campanha. Soares-pai, Soares-filho, Manuel Alegre – todos se têm unido e dado a cara pela vitória eleitoral, mesmo quem era suposto ficar a ver. Tal como governou como quis e soube com a sua maioria absoluta, gerou em torno de si as condições para sair vitorioso. Se não o conseguir, é por demérito próprio, mas não é por falta de esforço.                        

Manuela Ferreira Leite não é uma política profissional. Não é sequer amadora: não é política e pronto. Por ela e pelos seus lugares-tenentes conseguiu destroçar as tropas e mantê-las à distância em plena campanha. Até agora, a única aparição dos que vivem fora do círculo foi claramente cirúrgica: Marcelo Rebelo de Sousa apareceu em Coimbra porque nunca resiste a desenhar cenários, mas não deixa de ser o ex-líder social-democrata que não aqueceu a cadeira e nunca foi a eleições. Se não atingirem a vitória, podem todos eles limpar as mãos à parede com a estratégia divisionista que escolheram.                   

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D. Branca Ferreira Leite

por João Carvalho, em 20.09.09

Em pleno zapping, passo pela SIC e apanho já em andamento uma série de pessoas conhecidas a opinar sobre a presença de políticos de primeiro plano (não sei se temos políticos de primeiro plano, mas adiante) no programa do Gato Fedorento. De repente, dou com um que diz ter ficado especialmente surpreendido com Manuela Ferreira Leite, pelo sentido de humor que revelou e... pelo «imediatismo» com que reagiu às perguntas.

Lembrei-me das consecutivas brancas da líder laranja naquele programa e parei para pensar. Mas logo concluí que foi verdade: o prolongado silêncio de cada branca foi sempre imediatamente a seguir a cada pergunta.

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Enfeitar o país

por Paulo Gorjão, em 18.09.09

"O país está endividado, mas o que [o PS] quer é construir aquilo [i.e. o TGV] que mais ninguém constrói para enfeitar o país", disse Manuela Ferreira Leite.

Se esta é a opinião de MFL, como é possível que o programa do PSD se limite a defender a suspensão do TGV e a reanálise do projecto? O PSD vai perder tempo a reanalisar um enfeite? Face a tão depreciativa opinião, MFL não deveria defender, pura e simplesmente, o fim do TGV?

Mais um dia que passa e o PSD continua a discutir, por culpa própria, nomeadamente da líder, questões laterais. É a vida. José Sócrates agradece...

[Adenda]

Uma outra coisa: as recriminações e os ajustes de contas não deveriam começar apenas no dia 28 de Setembro?

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TGV: vamos ser sérios?

por João Carvalho, em 17.09.09

Está provadíssimo que Manuela Ferreira Leite tem imensa dificuldade, no que toca a fazer-se entender. Ora porque as ideias lhe saem atabalhoadas, ora porque as palavras se soltam entarameladas, ora porque as ironias lhe escapam sem graça, o certo é que abundam as intervenções infelizes. O que permite uma utilização ora escusadamente abusiva, ora intencionalmente distorcida, por parte dos adversários.

Como Pacheco Pereira e outros conselheiros-gurus (?) parece que não andam a ajudar muito, vou ensaiar aqui a recolocação nos trilhos de um assunto que me interessa especialmente: o TGV. Mas aviso já que só o faço porque:

– o PSD e a sua líder não me pagam e esta ajudinha não terá continuidade;

– não sou advogado de defesa de um nem de outra, que nem sabem que estou a dar-lhes uma mãozinha;

– mantenho todas as reservas que já aqui trouxe mais do que uma vez sobre o TGV (v. «Qual TGV, qual quê!?»);

– não estou necessariamente de acordo com a actual posição do PSD e da sua líder sobre o TGV;

– fico estarrecido com a facilidade que algumas máquinas de propaganda profissionais revelam no aproveitamento de declarações pouco ou nada felizes através de interpretações pouco ou nada sérias.

Posto isto, vamos ao assunto, para ver se nos entendemos e deixamos de ser enrolados.

Com um discurso mais claro ou menos claro, Manuela Ferreira Leite disse que Espanha era parte interessada na criação da alta velocidade ferroviária em Portugal. Foi isto que ela disse, porque eu ouvi. E mais disse que achava que Portugal não está (pelo menos, por agora) em condições de pôr o projecto a andar, face ao agravamento inerente da nossa dívida externa.

Resumida e bem situada (creio eu) essa posição, independentemente do que cada um pensa sobre isso, não vejo qualquer motivo para o chinfrim que vai por aí. Porque:

– toda a gente sabe que os espanhóis estão interessados no nosso TGV com ligações à fronteira comum, por causa dos fundos europeus disponíveis para o efeito (e não só);

– é razoável alterar decisões, se as condições reais o aconselharem ou forem alteradas no tempo.

Quem ainda insiste na falta de coerência implícita a este último ponto pode estar a ser sério (eu próprio fico na retranca). Mas também há quem o use para agitar as hostes e manter o sururu na agenda, o que já não é sério. José Sócrates e os seus seguidores sabem bem do que estou a falar, porque:

– a promessa de não subir os impostos não foi cumprida;

– a promessa de referendar o tratado europeu não foi cumprida;

– a promessa de fazer crescer a economia não foi cumprida;

– a promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho não foi cumprida;

– a promessa de controlar as contas públicas não foi cumprida;

– a promessa de encarar os "estudos de viabilidade" do TGV não foi cumprida;

– a promessa de regularizar a situação dos que trabalham para o Estado em regime precário irregular não foi cumprida;

– etc. (não fui exaustivo).

É grave? Há quem diga que sim. Pode ser. Não sei. Quero crer que o rol de promessas que Sócrates não cumpriu tem uma justificação séria: as condições reais não o aconselharam ou foram alteradas no tempo. Não? Se estiver enganado, peço desculpa.

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Enquanto no PS se esfrega...

por Paulo Gorjão, em 17.09.09

...as mãos de satisfação, na campanha eleitoral do PSD há alguém que não está a ver bem o filme. Não encontro outra explicação racional, bem entendido.

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Dez erros de Manuela Ferreira Leite

por Pedro Correia, em 16.09.09

  

1. Apresentou-se aos portugueses com um programa vago, impreciso e tardio.

2. Suprimiu das listas eleitorais vários militantes destacados que se opuseram a ela no congresso do PSD, nomeadamente Pedro Passos Coelho, o segundo mais votado nessa reunião magna do partido.

3. Permitiu a inclusão, em lugares elegíveis por Lisboa, de dois sociais-democratas que estão a ser alvos de processos-crime - António Preto e Helena Lopes da Costa - comprometendo assim a imagem de seriedade com que se apresentou aos portugueses.

4. Em vez de alargar o discurso ao centro-esquerda, como fizeram Francisco Sá Carneiro em 1979 e Aníbal Cavaco Silva em 1985, enquistou-o à direita, dando assim a imagem do PSD como um partido conservador.

5. Prejudicou o diálogo pós-eleitoral com o CDS, eventual futuro parceiro de coligação, ao incluir na quarta posição por Lisboa Maria José Nogueira Pinto, que há poucos anos disputou com Paulo Portas a liderança do CDS.

6. Revelou uma preocupante falta de autoridade política ao ser confrontada com as críticas do candidato autárquico Francisco Moita Flores, que apesar de encabeçar a lista do PSD a uma das principais câmaras do país vota PS nas legislativas.

7. Deixou consolidar a ideia, verdadeira ou falsa, de que é comandada politicamente pelo Presidente da República, seu amigo de longa data e de quem foi chefe de gabinete no Ministério das Finanças.

8. Geriu com uma inacreditável falta de tacto político as relações com Alberto João Jardim: depois de uma ausência de última hora da festa do Chão da Lagoa, passeou-se com ele na pré-campanha numa viatura oficial e validou os comportamentos autocráticos do líder madeirense, desqualificando assim os seus próprios esforços para contestar a 'asfixia democrática' no continente.

9. Apresentou-se muito mal preparada nos debates televisivos, dando sempre a ideia que nem se deu ao trabalho de ler as propostas eleitorais dos outros partidos e mostrando-se imprecisa sobre o próprio programa eleitoral do PSD (na avaliação dos juízes, por exemplo).

10. Confundiu IRS com IRC num desses debates, prejudicando assim um dos seus melhores trunfos eleitorais - a capacidade técnica, no domínio das finanças.

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