Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Chamem os madeireiros

por João Campos, em 19.06.16

Diziam as más-línguas que a equipa enviada por Portugal ao Euro 2016 era a selecção do empresário Jorge Mendes. Nada mais falso. Como se viu por estes dois jogos, esta é antes a selecção da Portucel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A primeira derrota de Costa

por Pedro Correia, em 30.03.15

AntonioCostaMadeira[1].jpg

 António Costa em campanha no Funchal (15 de Março)

 

António Costa decidiu derrubar António José Seguro, sem deixar o então secretário-geral do partido submeter-se ao teste das eleições legislativas após três anos em funções no Largo do Rato, com um argumento derivado do mais puro achismo lusitano: achava-se em melhores condições de protagonizar o ciclo político pós-Passos Coelho.

Isto sucedeu, note-se, no rescaldo imediato das eleições europeias de 2014, em Portugal ganhas pelo PS. Esse foi o terceiro triunfo de Seguro em três anos: antes, com ele à frente do partido, os socialistas tinham vencido as eleições regionais dos Açores e as autárquicas.

Costa achou "poucochinho" o triunfo nas europeias - que constituíram um descalabro generalizado para a família socialista no Velho Continente ao qual o PS português foi um dos raros partidos que escaparam - e, estribado na tropa de choque de José Sócrates, garantiu aos militantes que faria melhor do que os 38% das intenções de voto atribuídas a Seguro pelas sondagens à época.

 

Quase um ano depois, afinal, o PS permanece como estava: Costa não ganhou um milímetro nas pesquisas de opinião para o partido, que acaba de averbar uma estrondosa derrota nas eleições regionais da Madeira. Apesar de prometerem ser as mais propícias de sempre para a oposição socialista pois marcavam o fim do longo consulado jardinista.

Com um péssimo candidato a encabeçar a lista regional, uma desastrosa política de alianças que privilegiou o patusco Coelho - o Beppe Grillo funchalense - e o excêntrico Partido dos Animais, e sem a menor capacidade de aglutinar a esquerda local, mais dividida que nunca, o PS acaba de ser remetido para mais quatro anos de oposição no arquipélago, assistindo impotente à revalidação da maioria absoluta do PSD, desta vez comandado por Miguel Albuquerque. E sem ter sido sequer capaz de ultrapassar o CDS como segunda força política regional.

Pior ainda: os socialistas recuam em relação ao anterior escrutínio, ocorrido em 2011, não só em número de votos e percentagem, mas também em lugares no Parlamento regional. Há quatro anos elegeram seis deputados (em 47), agora têm os mesmos, mas como concorreram em coligação com três partidos, um desses assentos caberá ao patusco Coelho, que se apressou a descolar do PS, esgotado o prazo de validade deste partido enquanto barriga de aluguer.

 

António Costa participou na campanha eleitoral da Madeira, apoiou o candidato fracassado, envolveu-se. E perdeu.

Estivesse ainda Seguro ao leme do PS nacional, acossado por um batalhão de bitaiteiros televisivos dispostos a "fazer-lhe a folha", e não faltaria o coro das carpideiras a bramar contra a "frouxa" liderança no Largo do Rato.

Como Seguro já não está, resta o silêncio.

 

Leitura complementar:

Açores: dez apontamentos eleitorais (texto de 14 de Outubro de 2012)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bolo do caco com a mesma forma

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.03.15

madeira2015.jpg Na Madeira cumpriu-se democraticamente o ciclo eleitoral.

O PSD/Madeira, agora de Miguel Albuquerque, volta a estar de parabéns. Levando em linha de conta os anteriores arrufos entre o ex-líder e o actual e a perda de cerca de quinze mil votos por comparação com as eleições anteriores, o resultado, mesmo com uma abstenção elevadíssima, é digno de nota, sendo legítimo desejar-lhe uma governação à altura das responsabilidades. Resta saber qual o preço que irá ser cobrado ao PSD de Passos Coelho por este resultado regional que reedita a maioria absoluta.

Apesar dos cadernos eleitorais continuarem a aguardar limpeza, a abstenção não pode deixar de ser considerada brutal e deverá constituir um sério aviso ao que poderá vir a caminho para as eleições legislativas. Mas aqui com consequências bem mais imprevisíveis tanto em matéria de maiorias como de formação de uma equipa governativa.

Pesado, diria mesmo doloroso, foi o resultado eleitoral do PS. No final do ciclo do jardinismo, numa altura em que as críticas foram mais do que muitas aos desvarios gastadores de Jardim, e depois de um período de grande aperto, à semelhança do que aconteceu com os restantes portugueses, esperava-se outro resultado do PS/Madeira. O que aconteceu foi um desastre que retira voz e protagonismo ao partido a nível regional. Esteve por isso bem o líder regional que imediatamente se predispôs a sair de cena.

O resultado do PS/Madeira lança também um sério aviso ao PS quanto à política de alianças em que eventualmente poderá estar a pensar, se é que alguma chegou a ser pensada, para as eleições legislativas. Uma má escolha de parceiros e a realização de alianças contranatura, apenas por razões de eleitoralismo puro, poderão ter um efeito contraproducente e deitar tudo a perder. Seria bom que António Costa e a sua equipa pensassem nisso não só em matéria de alianças como, em particular, na hora de escolher os candidatos que preencherão as listas. Já chega de erros de casting e de carreiristas oportunistas e impreparados. Se não se aproveitar a oportunidade para se corrigir o que antes se fez mal, isso poderá nunca mais vir a ser possível rectificar, com consequências ainda mais nefastas do que as verificadas na Madeira.

O CDS/PP obteve um mau resultado. As palavras de Paulo Portas soam por isso a falso e tentam disfarçar o que não pode ser disfarçado. Passar de 17% para 13% e perder dois deputados só pode dizer-se que seja um resultado "consistente, resistente e sustentado" quando se está a falar para tolinhos.

Bom resultado teve, apesar de tudo, o BE ao conseguir dois deputados. Mas a palma levou-a coligação JPP (Juntos pelo Povo). Ficar com o mesmo número de deputados que o PS/Madeira na AL regional é obra e poderá indiciar, aqui sim, novidades na oposição.

Quanto ao mais, o resultado melhorado do PCP continua a não esconder a sua irrelevância, debilidade e incapacidade para sair do reduto onde há décadas ficou acantonado.

Aguardemos, pois, para se perceber até que ponto teremos mudanças na Madeira. E se os resultados agora verificados poderão vir a ter influência nacional e nos sempre efervescentes sonhos políticos do "deposto" Alberto João Jardim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Perspectivas de futuro

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.03.15

Se eles não se comportarem bem, passamos logo a ser oposição. Mais nada.” - José Manuel Coelho, líder do PTP-Madeira que integra a aliança pré-eleitoral liderada pelo PS para as eleições regionais da Madeira, ao referir-se aos seus parceiros socialistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pobre, nem por isso; mal-agradecido, certamente

por José António Abreu, em 08.12.13

A excepção concedida aos políticos madeirenses, permitindo-lhes acumular salários e pensões, é inqualificável (como a Teresa Ribeiro já salientou). Que Alberto João Jardim retribua prometendo um reforço da luta pela autonomia é não só típico da criatura como muito bem feito para quem lhe apara os golpes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Reflexão sobre as eleições autárquicas (2)

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

6. Chega-nos da Madeira uma das melhores notícias deste escrutínio: pela primeira vez numa noite eleitoral, Alberto João Jardim não poderá cantar vitória. Aconteceu na região autónoma, com décadas de atraso, algo que há muito se impunha: uma mobilização contra o monopólio laranja na ilha, selada sem olhar a mesquinhos interesses de geometria partidária. Está de parabéns a coligação anti-Jardim, com a inédita conquista da câmara municipal do Funchal e reflexos em pelo menos seis outros dos 11 concelhos regionais, onde o PSD disse adeus à maioria. E mais dilatada seria ainda a mudança na Madeira se os comunistas não tivessem ficado à margem, fechados -- como de costume -- à convergência com outras forças políticas.

 

7. Contrariando todas as expectativas, o mais imprevisível líder político português tem motivos para sorrir esta noite. Desde logo porque o CDS foi o único partido a recomendar o voto em Rui Moreira, recusando aplicar no Porto a lógica da aproximação aos sociais-democratas que ocorre a nível nacional. Mas sobretudo porque soma novas câmaras municipais a Ponte de Lima, a única onde tinha maioria até agora. Albergaria-a-Velha e Vale de Cambra (nos distritos de Aveiro), Velas (nos Açores) e Santana (na Madeira) são os quatro novos municípios pintados de azul. Do "irrevogável" abandono do Governo, jamais concretizado, a este pequeno brilharete nas urnas num intervalo de dois meses: o percurso de Paulo Portas prossegue em rota de montanha russa.

 

8. António José Seguro fez a mais esforçada campanha destas autárquicas. Percorreu o País, incansavelmente, promovendo candidatos. Precisava, para sair deste escrutínio com uma vitória que não soasse a empate, de descolar dos 38% obtidos pelo PS em 2009, ainda sob o comando de José Sócrates. Este objectivo ficou em parte por alcançar: baixou em votos e percentagem global. Tem a partir de agora a presidência da Associação Nacional de Municípios e o maior número de câmaras de sempre, é certo, mas a mais emblemática vitória socialista foi protagonizada pelo seu rival interno, António Costa. Viu fugir, à esquerda e à direita, importantes municípios socialistas: Braga, Évora, Beja, Guarda, Loures e Matosinhos. Balanço: um pequeno passo na direcção que ambiciona. Mas certamente mais curto do que sonhava. E o crescimento eleitoral da CDU é má notícia para o PS.

 

9. Muito deram que falar, ao longo do ano, as candidaturas em algumas câmaras de autarcas que já tinham cumprido três mandatos noutros municípios. O Tribunal Constitucional decidiu, e bem, que não lhes poderia ser sonegado esse direito político. Alegavam os defensores da tese oposta que isso colocaria tais candidatos em concorrência desleal perante os eleitores. Essa vantagem aconteceu? Em Lisboa não: Fernando Seara sofreu uma derrota humilhante, aliás mais que previsível, e a Luís Filipe Menezes sucedeu algo semelhante no Porto. Mas quatro capitais de distrito passam a ser encabeçadas por autarcas visados nessa polémica: Aveiro (Ribau Esteves), Beja (João Rocha), Évora (Carlos Pinto de Sá) e Guarda (Álvaro Amaro). O mesmo acontece com a CDU em Alcácer do Sal e o PSD em Castro Marim.

 

10. Vencedores da noite, além dos já referidos? Muitos e variados. Destaco apenas alguns. O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, que marca pontos decisivos para a futura sucessão de Jerónimo de Sousa nas fileiras comunistas ao arrebatar Loures ao PS, recuperando 25 pontos percentuais nesta vitória. O social-democrata Ricardo Rio, que põe fim a 37 anos de absoluta hegemonia rosa em Braga. O socialista Paulo Cafôfo, agora eleito presidente da câmara do Funchal e nome já incontornável para o pós-jardinismo. E Rui Rio, que não concorreu a lugar algum mas pode cantar vitória ao saber que o seu sucessor no Porto também se chama Rui. Passos Coelho deve estar mais preocupado com Rio do que com Seguro. Eu, no lugar dele, estaria.

 

(actualizado)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Resistência activa ao aborto ortográfico (13)

por Pedro Correia, em 08.11.12

 

Diário de Notícias da Madeira

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A vitória que precede a derrota

por Pedro Correia, em 03.11.12

 

vitórias que soam a derrotas para quem se apega ao poder, usando armas desleais na tentativa de desqualificar os adversários, e não sabe retirar-se a tempo do palco político.

Pela primeira vez, Alberto João Jardim enfrentou um adversário interno. E tremeu. De algum modo, o pós-jardinismo começou há umas horas na Madeira. Enfim, uma boa notícia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um mar de chamas

por Pedro Correia, em 19.07.12

 

"O inferno desceu ao Funchal"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Indignação, espanto, lamento

por Pedro Correia, em 12.07.12

Já vos deve ter acontecido também. A falta de tempo, conjugada com outros assuntos que vão surgindo a requerer uma palavra urgente e necessária, acaba por nos fazer passar à margem de temas que gostaríamos de comentar - com espanto, lamento ou indignação. Ando há semanas para falar aqui de três temas. Que são estes:

 

Indignação. Achei inqualificável que o PSD/Madeira tenha rompido o consenso parlamentar, demonstrando que nem a morte põe fim aos gestos do mais rasteiro sectarismo. Refiro-me ao voto de pesar pela morte do eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, na Assembleia Regional madeirense, em que uns deputados que se dizem sociais-democratas se abstiveram ou saíram da sala. Simplesmente vergonhoso.

 

Espanto. Emídio Rangel foi condenado a 300 dias de multa, a uma taxa diária de 20 euros (o que atinge o valor de seis mil euros), e a 50 mil euros por danos não patrimoniais à Associação Sindical dos Juízes Portugueses e ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Por ter dito algo que é do conhecimento comum: as informações de processos em segredo de justiça são transmitidas por fontes judiciais aos jornalistas. (António Barreto fora muito mais contundente, em Fevereiro de 2010, numa entrevista ao Expresso: "Há pessoas que estão a ganhar fortunas para vender informações em segredo de justiça.") Uma vez mais, nos tribunais de primeira instância, faz-se tábua rasa da liberdade de expressão, direito garantido e protegido pela Constituição, optando-se pela primazia ao direito ao bom nome. Mas o mais escandaloso é o montante da indemnização, ao que suponho inédita e totalmente desproporcionada. Tenho a certeza de que tribunais superiores, em sede de recurso, alterarão este veredicto. E em última instância, se for necessário, o tribunal das comunidades fará prevalecer o exacto sentido das proporções. Como, infelizmente, tem sucedido várias vezes em processos deste género. Com humilhantes condenações ao Estado português.

 

Lamento. Costumo dizer que aprendemos mais com quem nos critica do que com quem nos elogia. Uma das vozes mais críticas - mas também mais respeitáveis - na imprensa portuguesa é, há muitos anos, a do João Paulo Guerra. Muitas vezes discordei do que escrevia na sua 'Coluna Vertebral' do Diário Económico mas habituei-me a respeitar a sua acutilância sempre elegante e a sua mordacidade que nunca resvalava para o cinismo e menos ainda para o insulto. Escrevi em tempos, e reitero, que o considero um dos três melhores cronistas da imprensa portuguesa. Lamento muito que a sua coluna tenha terminado. Espero lê-lo um dia destes num outro jornal qualquer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Subsídios para o estudo da metonímia

por Rui Rocha, em 08.02.12

O governo regional da Madeira reagiu, através de comunicado, acusando Angela Merkel de ter produzido declarações ignorantes sobre a Madeira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pontos nos is (10)

por João Carvalho, em 27.01.12

TOMATES

Já se sabia, mas confirmou-se: o primeiro-ministro foi firme e o ministro das Finanças foi inflexível. O dinossáurico líder madeirense viu caírem por terra praticamente todas as suas promessas eleitorais essenciais e caírem para as urtigas as sucessivas ameaças que constituíram o seu show-off mais recente.

Ficou, portanto, tudo mais claro e entendido. Tudo, excepto uma coisa: Alberto João Jardim não se demitiu porque a dignidade política está em extinção, ou porque ficaria sem guarda-costas a protegê-lo dos tomates e ovos podres da sua região?

No fim, como às vezes ainda vai acontecendo, acaba por ver-se facilmente que "o rei vai nu".

Autoria e outros dados (tags, etc)

A imagem do dia

por Rui Rocha, em 25.01.12

 

Jardim o pândego, o desbragado, o espalhafatoso, o incontinente verbal, vem a Lisboa (ao terreno do inimigo, portanto) assinar o acordo de assistência financeira da Madeira. Entra mudo e sai quase calado. Por uma vez na vida, a sua maior ambição parece ser a de tornar-se invisível. Não há cerimónia de assinatura. Se dependesse de Jardim, não haveria imagens. Platão dirigiu-se a Fedro para lhe dizer que as figuras pintadas têm a atitude das pessoas vivas, mas se alguém as interrogar permanecerão gravemente caladas. Jardim sabe que cada uma das imagens da capitulação lhe estreita a oportunidade de contraditório. De apresentar a sua própria versão dos factos e das consequências. Encenará um dos seus números no regresso à Madeira. Qualquer aficionado sabe que a crença natural de um touro, mesmo do mais destrambelhado, está em refugiar-se em tábuas. Alguns povos primitivos acreditam que as fotografias roubam a alma. A de Jardim ficou hoje em Lisboa. Ali a vendeu àqueles de quem dizia serem o próprio diabo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ameaça por ameaça

por João Carvalho, em 22.01.12

«Jardim ameaça Vítor Gaspar com bancarrota», segundo a imprensa. E Vítor Gaspar não ameaça Jardim com corte das reformas e dos vencimentos?

Afinal, quando é que na Madeira acabam com a acumulação das reformas e subvenções dele e dos seus apaniguados, que continuam a acumulá-los (por inteiro) com os vencimentos (por inteiro) de cargos oficiais e outros que tais?

Em suma: quando é que a Madeira deixa de poder acumular e passa a ter de optar, como o resto do País? Alguém me diz? Trata-se apenas de pôr cobro a uma situação excepcional de privilégio totalmente injustificável. Mais a mais numa parcela do território nacional onde impera a gestão danosa e ainda se cultivam ameaças contra o resto do País e se faz gáudio da falta de solidariedade.

O défice democrático na Madeira já está identificado há muito. O que não era tão conhecido é o défice madeirense de cidadania.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Do mal o menos

por Rui Rocha, em 10.01.12

O Jornal da Madeira afirma que há confiança no sector da banana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

"Gorduras do Estado" (29)

por Pedro Correia, em 10.01.12

Jardim desvia dinheiro das farmácias para pagar obras públicas

Autoria e outros dados (tags, etc)

Siga o circo

por João Carvalho, em 24.11.11

Acabo de ler no Público que «o executivo da Madeira prepara memorando para enviar às embaixadas dos países do euro enquanto retarda apresentação de plano de austeridade junto do Governo nacional». Trata-se do lead de uma notícia assinada por Tolentino de Nóbrega que justifica este título impressionante: «Jardim ameaça lançar ofensiva europeia para pagar resgate da região em 25 anos». Quer dizer, portanto, que a tenda não foi desmontada e que o circo continua.

Leio logo adiante: «Alberto João Jardim vai endurecer o braço-de-ferro com Lisboa. Contrariando condições aceites nas audiências com o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, está a retardar a sua proposta de cortes nas despesas e medidas para aumentar receitas, para não ter de assumir perante os madeirenses o "ónus" das inevitáveis medidas de austeridade que tem vindo a negar. Por seu lado, não disposto a assumir as responsabilidades da dívida regional, Vítor Gaspar mostra-se intransigente, mantendo que, até haver plano de resgate, as transferências continuam suspensas e não haverá dinheiro para fazer face à falta de liquidez.»

Pode não parecer pela notícia que o mencionado Jardim do braço-de-ferro com Lisboa é o mesmo Jardim que manteve audiências recentemente com Passos Coelho e Vítor Gaspar, nas quais entrou de carrinho e saiu de patins. Mas é ele. O que é que acham? Será que acabou o número dos palhaços e começou o dos trapezistas sem rede? Pode ser bom sinal. Que o circo prossiga.

Autoria e outros dados (tags, etc)

What´s in a name, indeed

por Rui Rocha, em 23.11.11

 

Tranquada Gomes e Coito Pita são dois ilustres advogados madeirenses. Para além disso, nas horas vagas, são também deputados na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, integrando ambos a bancada do PSD. A Tranquada Gomes coube, por exemplo, a defesa da proposta que permitirá que o voto de um deputado possa valer pelo universo do grupo parlamentar. Coube a Tranquada, mas podia ter cabido a Coito Pita pois que este, estou certo, asseguraria a missão com desempenho equivalente. Para este tipo de assuntos, tanto vale e vale tanto falar de Coito, como de Pita ou de Tranquada. No final de contas, é sempre a democracia que fica fodida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Pontos nos is (4)

por João Carvalho, em 23.11.11

INSUPORTÁVEL

Sobre o défice nas contas da Madeira que Alberto João Jardim foi conduzindo à socapa nestes últimos anos, já todos nós sabemos o que precisávamos de saber. Quanto ao insuportável défice democrático que o líder da maioria madeirense impôs há muito na região autónoma, era suposto que já fosse coisa caída no passado e coberta por um véu, para que se esquecesse. Puro engano. Veio agora à luz do dia que Jardim continua a cultivar os tiques pouco recomendáveis de sempre.

Perante a curta maioria obtida recentemente pelo PSD-Madeira no Parlamento regional, onde dispõe apenas de mais dois deputados do que a oposição, Jardim decidiu encontrar uma solução que lhe assegurasse a vitória nas votações de todas as suas iniciativas parlamentares. Simples: é arranjar maneira de que o voto de qualquer deputado passe a ter o valor numérico de todo o grupo parlamentar. (Pensando bem, nem se vislumbra qualquer utilidade na manutenção parlamentar dos deputados: cada partido deve passar a ter um só deputado com direito ao número de votos conquistados nas eleições.)

Com esse objectivo, adivinha-se o plano de Jardim: pôr os seus lacaios a escrever uma proposta naqueles termos para levar à Assembleia Regional e garantir que no dia da votação dessa proposta todos os 25 deputados do PSD-Madeira estariam presentes. Mesmo que nunca mais voltassem a ver-se presentes na totalidade, todas as propostas futuras passavam a estar no papo dos chicos-espertos.

Jardim, na senda habitual do défice democrático que plantou e senhor de conhecidos tiques absolutistas nas duas ilhas onde reina, promoveu desta vez uma trapaça: dono dos dados e das cartas do jogo, alterou as regras do jogo e ainda foi a jogo. Ganhou, claro.

Falta agora confirmar que Portugal é um Estado de direito com um regime democrático constitucionalmente consagrado. Não sei se vai caber ao Tribunal Constitucional, não sei se vai ser preciso alguém apresentar queixa e não sei se Jardim vai espumar pela boca. Nem quero saber.

Só sei que a história não vai acabar assim, com o insuportável défice democrático assente de pedra-e-cal na Madeira. A história não vai acabar assim, pois não?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Madeira: privilégios que persistem

por João Carvalho, em 27.10.11

Ainda há quatro políticos portugueses no activo que acumulam pensões de reforma com o vencimento dos cargos que ocupam. São todos da Madeira e a exercer na Madeira. Trata-se do presidente da Assembleia Regional, do chefe do Executivo Alberto João Jardim e de mais dois membros do Governo. Por sinal, já aqui me referi à continuidade dessas acumulações.

A Assembleia Regional da Madeira afectou este ano 1,6 milhões de euros, um-décimo do seu orçamento, para o pagamento de subvenções vitalícias a 52 ex-deputados, um privilégio que os políticos do continente e dos Açores perderam em 2005, na sequência da alteração do regime relativo a pensões e subvenções dos titulares de cargos políticos, os quais perderam as acumulações por inteiro e passaram a ter de fazer opções.

Agora, com a previsão de que tais privilégios, regalias e mordomias vão levar uma machadada radical, os políticos madeirenses vão entrar nos eixos e ficar finalmente equiparados a todos os outros políticos portugueses. É um efeito que tarda, mas que já se desenha no horizonte.

Até lá — e retendo a situação de privilégio da Madeira desde 2005, quando recusou a afinação pelo diapasão nacional — bem podem os políticos madeirenses favorecidos dar corda às lamúrias sobre moral, solidariedade, partilha de dívida, etc., e aproveitar para limpar as mãos à parede. Especialmente esses madeirenses exemplares que são o presidente do Parlamento e o presidente do Governo (e subordinados mais próximos), homens seguramente vacinados contra o rubor nas faces.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Secret garden

por Rui Rocha, em 20.10.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Frases de 2011 (65)

por Pedro Correia, em 11.10.11

«A região [da Madeira] está sufocada pelo peso da dívida.»

Passos Coelho, comentando ontem o escrutínio madeirense

Autoria e outros dados (tags, etc)

Madeira: algumas conclusões

por João Carvalho, em 10.10.11

Têm andado a nascer das pedras os comentadores que recusam a comparação entre os resultados de ontem das eleições na Madeira e os resultados de 2007. Dizem eles que, em 2007, Alberto João Jardim tinha provocado eleições antecipadas por oposição à política do governo socialista em Lisboa, o que suscitara um ambiente de hostilidade muito aguda e favorável ao apelo ao voto por parte do PSD-Madeira. Por isso, defendem os mesmos comentadores que os resultados de ontem devem ser comparados com o das eleições "normais" anteriores e nunca com os de 2007. Não posso estar mais em desacordo. Vejamos.

 

As eleições de ontem decorreram num clima que foi tudo menos "normal", pelos motivos que todos sabemos. Tão longe do padrão habitual andou a campanha eleitoral que antecedeu estas eleições que até deu para ver com fartura o crescente nervosismo do líder regional laranja atrás dos seus eleitores: todos os dias com mensagens novas que procuravam diluir os excessos da véspera e todos os dias sem saber se devia prosseguir as inaugurações para mostrar a obra feita ou esquecer as inaugurações para não lembrar a despesa feita.

 

Percebe-se que nem em 2007 o PSD-Madeira fez um apelo ao voto tão dramático como desta vez. Decorre disto que, se há alguma comparação possível entre os resultados eleitorais de ontem e outros anteriores, essa comparação deve precisamente ser feita com os resultados de 2007. De resto, só assim se conseguem tirar algumas conclusões acertadas para traduzir a realidade. Por exemplo: que o BE confirmou na região a derrota recente nas eleições nacionais; que o PCP está cada vez mais longe da sua vocação para ir ao encontro da miséria que a Madeira não consegue tapar com obras; que a maioria mitigada do PSD-Madeira é inglória para um líder que vai ter de sair um dia destes sem ter sabido sair a tempo; que o CDS-PP se colocou em posição de denunciar quaisquer novas iniciativas delirantes de Jardim, o que é muito conveniente para a governação nacional em que o partido é parte interessada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O pós-jardinismo já começou

por Pedro Correia, em 09.10.11

Alberto João Jardim vence, ainda com maioria absoluta de mandatos mas já sem maioria absoluta no voto popular. Perde oito deputados, recua 16 pontos percentuais. Ao contrário do que pretendia, o Governo de Lisboa não levou sova alguma dos eleitores da Madeira. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho viu reforçado o seu capital politico ao ter sido o primeiro chefe do Governo português a enfrentar directamente o senhor do Funchal. Com firmeza e sem rodeios.

Hoje ainda, Jardim pode fazer estalar algum fogo de artifício. Mas prepara-se já amanhã para o inevitável choque com a realidade. De alguma forma, o pós-jardinismo já começou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

CDS ultrapassa socialistas

por Pedro Correia, em 09.10.11

Numa parcela do território nacional, o PS deixou de ser o principal partido da oposição. Hoje, na Madeira, o CDS ultrapassou claramente os socialistas, conquistando 17,6% dos votos e fazendo eleger nove deputados regionais, subindo da quarta para a segunda posição no quadro político madeirense. Qualquer cientista político estará aqui perante um fascinante caso de estudo: é possível ser um sólido parceiro de coligação com os sociais-democratas em Lisboa e um opositor reforçado ao PSD no Funchal.

Isto pode vir a ter repercussões mais vastas? Ninguém duvida que sim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dois fracassos em quatro meses

por Pedro Correia, em 09.10.11

"Nós não nos disfarçamos com retórica." Esta foi a frase mais frouxa da noite eleitoral de hoje. Uma frase proferida pelo maior frasista da política portuguesa, Francisco Louçã. Nem ele era capaz de disfarçar o estrondoso desaire do seu partido confirmado há poucas horas, na sequência da queda eleitoral registada nas legislativas de 5 de Junho.

Na Madeira, que noutros tempos foi um dos seus territórios eleitorais mais promissores, desta vez o Bloco, com apenas 1,7%, ficou atrás não só do CDS e da CDU mas também do Partido Trabalhista, da Nova Democracia, do Movimento Partido da Terra e (pasme-se!) até do Partido dos Animais. Ficando sem qualquer representante, nos próximos anos, na Assembleia Legislativa Regional.

Dois fracassos eleitorais em quatro meses. É tempo de os militantes bloquistas questionarem seriamente e sem tabus a direcção do partido, que parece não saber o que quer nem para onde vai.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aprendam com o Coelho, camaradas

por Pedro Correia, em 09.10.11

José Manuel Coelho, sozinho, mostrou ao PS, ao BE e à CDU como se faz oposição pela esquerda a Alberto João Jardim na Madeira. Bem pode Jerónimo de Sousa insurgir-se -- como disse há pouco, sem o desassombro de mencionar expressamente o antigo candidato presidencial -- contra "candidaturas inconsequentes, e até provocatórias", que na opinião do secretário-geral comunista mereceram os favores da comunicação social. São palavras de mau perder. Coelho, com 6,9% dos votos, fez eleger três deputados no Parlamento madeirense para o quase virtual Partido Trabalhista Português. Enquanto a CDU baixava de dois para um o número dos seus eleitos e o Bloco era riscado do mapa político da região.

Aprendam com o Coelho, camaradas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A primeira derrota de Seguro

por Pedro Correia, em 09.10.11

 

António José Seguro cometeu um clamoroso erro estratégico: participou, com grande protagonismo mediático, na campanha eleitoral da Madeira. Fica, portanto, directamente ligado ao catastrófico resultado obtido pelo seu partido nas urnas: apenas 11,5%. O pior resultado de sempre do PS na região autónoma.

É a vida, como diria um conhecido político português - por acaso também filiado no Partido Socialista.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Referencial

por José António Abreu, em 09.10.11

É um erro analisar os resultados eleitorais na Madeira à luz do conceito de eleições do século XXI. Ou até do século XX. Um melhor modelo será o do século XIX. Aquele que encontramos na "Morgadinha dos Canaviais", por exemplo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Sova"? Qual sova?

por Pedro Correia, em 07.10.11

 

Alberto João Jardim, com a sua habitual verborreia demagógica, definiu em mais de um comício da campanha eleitoral que hoje termina na Madeira aquele que considera o seu adversário actual: o Governo da República, a quem pretende dar "uma sova" nas urnas já este domingo. "Se dermos uma sova ao Governo e aos poderes políticos de Lisboa, eles nunca se atreverão a tentar humilhar o povo madeirense", proclamou o líder madeirense, bem fiel ao seu estilo.

Jardim equivoca-se: quem vai ser avaliado pelos eleitores madeirenses é o seu Governo e mais nenhum. Da comparação entre os 64,2% que obteve nas eleições regionais de 2007 e o resultado que obtiver agora será possível concluir se conquistou ou perdeu apoio popular numa terra que dirige ininterruptamente desde 1978 -- recorde na Europa, onde a regra é a rotação dos titulares dos órgãos políticos de natureza executiva.

Quer renove ou não a maioria de que dispõe na Assembleia Legislativa Regional, num aspecto Jardim já perdeu: ao transformar esta campanha num plebiscito implícito às medidas de austeridade impostas a Portugal pelas instituições internacionais, parte derrotado. Porque o memorando de entendimento não é referendável e os 6,3 mil milhões de euros que a Madeira mantinha como dívida oculta lhe retiram qualquer margem de manobra à mesa de negociações -- seja em Lisboa, seja em Bruxelas. A violação de normas de execução orçamental não tem apenas custos financeiros: tem também custos políticos. Alguns dos quais irreversíveis.

Por isso, seja qual for o veredicto das urnas, é garantido desde já que a Madeira iniciará dia 10 um novo ciclo. De maior dependência, de maiores restrições, de maior penúria. Nada será como até aqui.

Esta é a "sova" de que Jardim não fala. Mas nenhuma outra se divisa no horizonte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Kolmi!

por João Carvalho, em 06.10.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dois factos a registar

por João Carvalho, em 03.10.11

Um à esquerda e outro à direita, dois factos políticos em redor do PSD atraíram ontem a minha atenção. Passo a registá-los (e a comentá-los, pois claro) para que constem, pois hão-de vir ambos a ser chamados mais tarde, muito possivelmente.

 

1.º – O PS e os limites da reforma administrativa

Num espaço de representantes das autarquias socialistas, António José Seguro abordou a reforma administrativa, enrolou-se no tema e nas ideias e ainda conseguiu usar a frase "autarcas e presidentes de câmara", como se estes não fizessem parte daqueles.

Que achegas deu Seguro para a reforma administrativa, um dos pontos mais importantes e sensíveis da actualidade política? Zero achegas. No geral, quis apenas dizer que não contem com o PS para aprovar qualquer redução das autarquias do interior.

Ora, Seguro tem obrigação de saber mais umas coisas a este respeito. Por exemplo:

— a redução das autarquias é (ou devia ser) imprescindível há muito tempo, porque a realidade actual é completamente inadequada;

— a reforma administrativa do século XIX começou logo aí por ser uma desgraça, quando a proposta de Mouzinho da Silveira copiada do modelo francês foi chumbada pelo exagero da divisão autárquica já então óbvio, mas acabando a seguir por ser aprovado um critério muito semelhante e muito pouco contido face ao modelo de Mouzinho;

— qualquer novo mapa autárquico não se desenha a partir da localização interior ou costeira do território, mas fundamentalmente pelos dados populacionais reais numa determinada área e aquilo que os enforma;

— os contornos gerais da reforma administrativa que o actual governo tem apresentado dão conta de uma intenção medrosa, pouco ou nada profunda, muito aquém do que é necessário e, sobretudo, frustrante para as expectativas mais comuns.

É perante este quadro, que o PS não pode desconhecer, que o líder socialista vem a terreiro anunciar limitações desgarradas e populistas? Sobre um projecto que ainda vai na rama e que está por encarar de frente, Seguro só tem mais limites a anunciar? Ele lá saberá como fazer, mas devia ser escusado lembrar-lhe as suas próprias palavras: a política tem de ser séria.

 

2.ª – O CDS-PP e o buraco mais enjoativo de Jardim

A uma semana das eleições regionais, o líder do CDS-PP da Madeira contou com a presença do seu líder nacional e disse, para quem quis ouvi-lo e com as palavras todas, que parte das verbas tranferidas de Lisboa para a reconstrução da ilha após a catástrofe foi desviada para as vistosas iluminações de Natal e para o Carnaval (imagino incluído o desfile pseudo-brasileiro que costuma abrilhantar a tradição madeirense).

Esse desvio de verbas, que não foi desmentido, configura não só um escândalo enjoativo, mas um novo (tipo de) buraco nas contas que Alberto João Jardim anda há anos a decidir à sucapa. Pelos vistos, o homem não se limita a fazer letra morta das obrigações que tem, mas também descai para opções à revelia do mais elementar senso comum e do respeito que deve aos outros, ao país, aos que foram acudir à reconstrução da Madeira.

Bem pode ele ser reeleito com a esmagadora maioria que anda a pedir para dar uma sova nos políticos de Lisboa, bem pode ele continuar a perorar sobre legítima defesa e independência, bem pode ele inventar mais e novos disparates todos os dias para ocupar os palcos popularuchos levantados à sombra do défice democrático que controla há mais de três décadas. Nada disso servirá para alterar uma coisa: depois de tanto tempo a mostrar a obra feita, acabará por sair de cena um dia (já faltou mais) pela porta baixa.

 

Em breve se verá como estes dois apontamentos aqui focados regressarão à mesa da política.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Liberdade de imprensa na Madeira

por Rui Rocha, em 28.09.11

Facto: Candidatos do PND barricados no edíficio sede do Jornal da Madeira que acusam de ser um meio que "enxovalha, humilha e goza" todos os dias com a oposição.

 

Prognóstico para a manchete de amanhã do Jornal da Madeira: PND reúne candidatos no Jornal da Madeira e apela ao voto em Alberto João Jardim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Larguem o osso!

por José Maria Gui Pimentel, em 28.09.11

A oposição, da esquerda à direita, ciosa de uma oportunidade palpável para atacar AJJ, agarrou-se com unhas e dentes à questão do buraco financeiro. Mas fê-lo de uma maneira que – particularmente nos partidos de esquerda – não creio ser a melhor, pois dá a entender que, nos mais de 30 anos de governação, a má conduta de AJJ se resume ao sobre-endividamento do arquipélago. Com este método, não demorará muito (se é que já não acontece) até o povo adaptar o célebre adágio “aldraba mas faz”, para “endivida mas faz”. Sobretudo se, como parece ser o caso, os encargos vierem a ser partilhados com os portugueses do continente (e dos Açores, já agora).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alberto João Jardim, o homem ketchup

por Rui Rocha, em 26.09.11

 

Em Pindobaçu, na Bahia, Maria Nilza amava Virlan Anastácio e contratou Carlos Roberto para matar Iranildes, a mulher do primeiro. Prevenida, Maria Nilza acordou o pagamento (400€, ao que se sabe) contra factura, digo, contra prova do crime. E esta apareceu: a fotografia de Iranildes, aparentemente ensanguentada e com uma faca espetada no corpo. Uns dias mais tarde, porém, veio a descobrir-se a tramóia quando Maria Nilza encontrou Iranildes na rua, jovial e cheia de saúde. Afinal, a roupa de Iranildes tinha apenas ketchup e a faca estava presa na axila. Por cá, também temos a nossa Pindobaçu. Por estes dias, chama-se Madeira e, não sendo na Bahia, fica ali no Oceano Atlântico. O protagonista principal da nossa novela é Alberto João Jardim. Para continuar com a torneira do orçamento aberta, ameaça-nos com a independência. Mas, não é sangue independentista que lhe mancha o fato de carnaval. É apenas ketchup. Comprado com os nossos impostos. Todos sabemos que Alberto João Jardim está tão mortinho pela independência como Iranildes tinha vontade de morrer. Falta apenas falar da faca na axila. Essa, foi Passos Coelho que a cravou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Madeira independente?

por José Gomes André, em 26.09.11

Bem sei que nem sequer devíamos levar isto a sério, mas aqui fica a minha opinião: não convém confundir as circunstâncias com a essência dos problemas. Estamos fartos de Jardim? Possivelmente. Mas aceitar a independência da Madeira seria um erro estratégico inaceitável.
Para a Madeira, significaria o adensar do isolamento geográfico, um inevitável retrocesso económico e a provável condenação a se transformar num paraíso fiscal, atarefado com promoções turísticas no Carnaval e na passagem de ano. 

Para Portugal, representaria a perda de um entreposto comercial relevante e de uma posição geográfica que o liga aos interesses estratégicos (militares, económicos e políticos) de matriz atlântica (refiro-me aos EUA, ao Brasil e à América Latina em particular). Por outro lado, a independência da Madeira constituiria um golpe histórico na unidade nacional, que, para o bem e para o mal, conheceu justamente com a descoberta das Ilhas um momento capital para a sua existência e definição.
O governo da República não deve ceder perante as chantagens (actuais ou eventuais) dos políticos madeirenses, mas adoptar uma atitude precipitada prejudicaria gravemente os interesses do país. Por agora, conservemos a nossa compostura e recorramos a uma paciência medieval. Mesmo que nos apeteça pregar uma partida ao Alberto João.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Querias.

por Luís M. Jorge, em 24.09.11

A invocação da independência da Madeira com que Jardim ornamentou um jantar-comício em que a dívida ascendeu de súbito a cinco mil e tal milhões de euros (coisa pouca) parece um retrato da loucura do soba, mas não é.

 

O presidente do Governo Regional sabe que os continentais incham de gáudio sempre que nos confronta com a imagem grata e remota de uma casca-de-noz à deriva no Atlântico. Sim, imaginamos com prazer a pandilha fraldiqueira a rumar em direcção às Canárias. Gostaríamos até que levasse com ela o Cavaco e a sua maria, a Manuela e a sua virtude, o Gama e a sua barriga, toda a tropa fandanga que algum dia elogiou no Funchal a obra feita do homem enquanto nos pregava sobriedade e contenção. Jardim sabe o que nós sabemos, por isso apela à independência.

 

Era só o que faltava.

 

A Madeira faz parte do território nacional nem que seja de grilhetas. Querem votar no Jardim? Votem. Querem roubar à descarada? Roubem. Mas daqui não saem até pagarem ao tostão. Os impostos que lá estão enterrados remuneram-se com o suor e as lágrimas dos madeirenses. Não há outra estratégia, não há outra maneira. E é bom que isto fique claro a tempo das próximas eleições.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Madeira: a história por contar

por João Carvalho, em 24.09.11

Sobre as afirmações sem nexo proferidas diariamente pelo chefe do executivo madeirense, umas comicieiras outras nem isso, está tudo mais do que dito. Nesta fase, parece-me bem mais interessante o que ainda está por dizer e que todos, genérica e aparentemente, andam a evitar. Refiro-me à iniciativa do procurador-geral da República, centrada (tanto quanto deu para entender) no apuramento de uma possível omissão de dados sobre a política orçamental e o endividamento da Madeira. Vejamos.

 

Desde logo, é indispensável que os grupos parlamentares da Assembleia Legislativa da Madeira tomem posição sobre esses temas, não sendo razoável sequer supor que isso possa ter-lhes sido ocultado. Alguém admite assim do pé para a mão que lhes tenha passado tudo ao lado ano após ano?

 

Depois, a Madeira possui serviços da República que não têm apenas a competência — mas a obrigação — de velar pelo cumprimento das políticas adoptadas pela administração pública e de zelar pelos interesses do país e da região no que respeita à condução dessas mesmas políticas regionais. Portanto, faz sentido perguntar pelos pareceres e cabimentação orçamental das despesas que o Ministério Público na Madeira necessariamente visou, tal como faz sentido perguntar pelos relatórios anuais elaborados pelo Tribunal de Contas na Madeira sobre a justeza das mesmíssimas despesas.

 

É da maior relevância, pois, que as delegações regionais do Ministério Público e do Tribunal de Contas (ambas serviços da República) não fiquem à margem da iniciativa do procurador-geral da República. Se este quisesse investigar o que anunciou sem ouvir as (eventuais) intervenções dos deputados madeirenses sobre orçamento e endividamento e, ainda por cima, desperdiçasse a recolha de dados da delegação do seu Ministério Público e da delegação do Tribunal de Contas na Madeira, então é que a fotografia ia ficar mal de escura.

 

Para já, a história está apenas à espera de ser bem contada. Aguardemos, porque tudo isto tresanda a facilitismo. Ou incompetência. Ou qualquer coisa assim parecida. E se fosse? Já imaginaram?

Autoria e outros dados (tags, etc)

De Janeiro a Janeiro

por Rui Rocha, em 23.09.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O PS tem agora a Madeira a nu

por João Carvalho, em 21.09.11

Seguro e Zorrinho, incansáveis, insistem à exaustão que Passos Coelho devia retirar a confiança política ao chefe do executivo madeirense. Pois bem: retirar a confiança política seria o quê? Seria dizer que retirava a confiança política ao líder do PSD-M e assobiar? Seria o líder do PSD-M continuar a ser líder do PSD-M e o candidato-líder do PSD-M continuar a ser o candidato-líder do PSD-M? Isto parece-me fracote para justificar a teimosia cansativa do PS.

Mais razoável me parece que o PS se tenha manifestado muito interessado em ver a situação financeira da Madeira a nu ainda em tempo útil para as eleições de 9 de Outubro. Isto não só o PS está a obter como até já obteve mais: em plena campanha eleitoral na região e com toda a oportunidade, com a situação financeira da região obrigada a mostrar-se num strip tease escandaloso, o Governo da República tratou já (e muito bem) de anunciar cortes nos benefícios fiscais e nas facilidades insulares que têm vigorado.

Neste quadro, não vale a pena o PS continuar a pedir que Passos Coelho retire a confiança política ao líder madeirense, coisa que não faz o mais pequeno sentido e só serve para perder tempo. Neste quadro, o que vale a pena é o PS aproveitar tudo o que agora lhe é favorável para ganhar as eleições na Madeira. É assim e mais nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nova imagem de marca

por Ana Vidal, em 20.09.11

 

A Madeira já não é um jardim, é um queijo suiço. Fazem-se apostas sobre quantos buracos mais serão precisos para a ilha ir ao fundo. Ou para virar fondue.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Lista de justificações de Jardim

por Rui Rocha, em 20.09.11
  1. É teudo menteira! (já utilizada)
  2. Omitei em legeitema defesa! (já utilizada)
  3. A queulpa é da lei megera das fenanças regionais socialeista! (já utilizada)
  4. A queulpa é da Internacional Socialeista! (já utilizada)
  5. Temos deivida, mas temos obra feita! (já utilizada)
  6. Então e as deividas dos países africanos? (já utilizada)
  7. Neunca queunfessei a oqueltação da deivida da Madaira! (já utilizada)
  8. Queunfesso neunca ter negado a oqueltação da deivida da Madaira! (a utilizar ainda hoje de manhã)
  9. Queunfesso ter oqueltado a negação de deivida da Madaira (a utilizar ainda hoje de tarde)
  10. Assobeiam-me perque sou boneito, reico e bom jegador! (a utilizar logo que lhe passar pela cabeça)

Autoria e outros dados (tags, etc)

A nossa aldeia gaulesa

por Luís Menezes Leitão, em 20.09.11

 

A ler aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

A vacina

por Pedro Correia, em 19.09.11

O novo buraco das contas públicas da Madeira teve pelo menos um mérito: ajuda a enterrar de vez as discussões que subsistiam sobre os supostos méritos da criação de regiões administrativas em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quem paga?

por João Carvalho, em 19.09.11

 

Sempre de dedo em riste com a marca habitual do mau gosto, o chefe do executivo madeirense (visto aqui por Miguel Madeira/Público) prossegue a sua campanha eleitoral com a agenda recheada de inaugurações de obras públicas, como faz há mais de 30 anos. Claro que, desta vez, algumas das festanças popularuchas que foram marcadas devem andar a provocar-lhe urticária. Mas a dúvida é outra: quem andará a pagar a agitada campanha?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Evidência

por João Carvalho, em 18.09.11

O presidente do governo da Madeira distribuiu um extenso documento em que divulga informação para contrariar acusações de despesismo, toda ela traduzida em números. Parece que ele está um bocado perdido: qualquer documento exaustivo sobre anos de despesas só confirma o despesismo que se sabe. Mais ainda se tivermos em conta a reduzida população da Madeira e a diferença monstruosa da dívida per capita dos cidadãos nacionais e dos madeirenses.

Porém, há outro aspecto que o jurássico presidente não entendeu ao tomar a iniciativa de divulgar tamanha lista de números: toda a gente hoje olha de soslaio para qualquer número divulgado pelo dinossauro do Funchal. Por motivos muito evidentes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Será que sim?

por João Carvalho, em 17.09.11

«O procurador-geral da República (PGR) vai analisar se houve violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos públicos.» Será que pode realmente haver responsabilização desta natureza em Portugal?

«O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1113 milhões de euros», para saber «se houve uma violação da lei de crimes da responsabilidade de titulares de cargos políticos, nomeadamente a violação consciente de leis orçamentais por parte do governo regional da Madeira». Será que sim? Por uma vez, haverá responsáveis políticos em Portugal?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O homem-balão

por João Carvalho, em 17.09.11

A lata vesga do homem enquistado no cargo de presidente do governo da Madeira, espécie de primeiro-ministro regional com ar de rei das bananas, é insuportável há muito tempo. Cheio de ar e vento como os balões, resume tudo a banalidades e a razões redondas que não tapam a ilegalidade do endividamento contraído à sucapa.

O caso deita para segundo plano uma série de atropelos que têm caracterizado a vida pública madeirense, como seja o motivo pelo qual o homem entendeu ignorar a aplicação da norma nacional sobre a escolha entre o vencimento do cargo exercido e a reforma atribuída. Ainda se as duas quantias por inteiro à margem do estipulado para o resto do país servissem para o homem ser obrigado a repor as dívidas indevidas da Madeira, não é?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Não era a Madeira independente

por João Carvalho, em 14.09.11

Alberto João Jardim ameaça desencadear processo de revisão constitucional. E o tom é mesmo ameaçador: «Se aqueles senhores no Continente resolverem adiar e não fazer a Revisão Constitucional, os deputados do PSD da Madeira vão convocá-la na mesma em sede da Assembleia da República, mesmo que ela seja chumbada, para depois, a seguir, podermos recorrer às instâncias internacionais.»

Estas ameaças em que ele é useiro e vezeiro levam-me sempre a pensar que já era altura de Portugal ser independente da Madeira...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Incoerência é...

por José António Abreu, em 06.09.11

criticar a «inflexibilidade» alemã e simultaneamente defender inflexibilidade para com a Madeira.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D