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Música recente (108)

por José António Abreu, em 27.06.17

Algiers, álbum The Underside of Power.

As fronteiras da distopia, em época de extremismos e paranóia.

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Música recente (107)

por José António Abreu, em 23.06.17

Fleet Foxes, álbum Crack-Up.

Gostei bastante do primeiro álbum (Fleet Foxes, de 2009), gostei menos do segundo (Helpleness Blues, de 2011). Crack-Up vale a pena, mas permitiu-me confirmar a existência de um factor que receio ser inultrapassável: a voz de Robin Pecknold irrita-me à brava.

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Música recente (106)

por José António Abreu, em 20.06.17

Lorde, álbum Melodrama.

Uma surpresa aos dezassete anos de idade, uma confirmação aos vinte. Na música como noutras artes, há imensa gente tentando descrever as ansiedades, as raivas e as desilusões experimentadas no final da adolescência e na transição para a idade adulta. Lorde está entre as pessoas que melhor o conseguem fazer. Melodrama é um álbum mais maduro do que Pure Heroine. Isto torna-o menos surpreendente, mas também mais completo. Ao longo dos 11 temas, passa-se da descoberta à reclusão, da alegria à tristeza, da irreverência à decepção, sem quaisquer indícios do histrionismo que o título poderia deixar antever.

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Música recente (105)

por José António Abreu, em 16.06.17

Big Thief, álbum Capacity.

Há mais catarse neste segundo álbum, mas a capacidade para contar histórias mantém-se.

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Música recente (104)

por José António Abreu, em 13.06.17

London Grammar, álbum Truth is a Beautiful Thing.

Quiçá um tudo-nada excessivamente depressivo, o segundo álbum dos londrinos não deixa de confirmar a envolvência da sua música e o poder da voz de Hannah Reid. 

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Música recente (103)

por José António Abreu, em 09.06.17

R. Stevie Moore / Alan Falkner, álbum Make It Be.

Não obstante um par de temas menos bem conseguidos, a combinação entre a power pop de Falkner e as tendências para a anarquia sonora (bem como para letras bizarras) de Moore funciona bastante bem, num registo a que talvez se possa chamar irónico-rezingão.

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Música recente (102)

por José António Abreu, em 06.06.17

Pumarosa, álbum The Witch

Passando sobre algumas letras em registo new age, trata-se de um primeiro álbum surpreendentemente maduro. Detalhe revelador: vários temas prolongam-se para além dos seis minutos, uma raridade em época de atenção fragmentada, um risco que poucas bandas novas se atreveriam a correr. Os resultados são excelentes, como se pode constatar no vídeo abaixo, de um tema avançado pela primeira vez em 2015 (que o álbum tenha demorado tanto tempo a chegar só pode constituir um sinal de perfeccionismo).

 

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O que eu senti (25 anos depois)

por Alexandre Guerra, em 03.06.17

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Foto: Nuno Ferreira Santos/Público 

 

Senti sempre no hard rock um acto de libertação, de rebeldia, de excessos. Além do género musical propriamente dito (de que sou enorme fã), sempre associei o hard rock a um estilo de vida irrequieto, um desafio aos cânones tradicionais da sociedade e ao politicamente correcto. E sempre vi no hard rock um meio de confronto saudável em democracia ao poder instituído. Sempre me identifiquei com isso, talvez por sempre preferir os inconformados aos resignados, os rebeldes aos acomodados, os críticos aos silenciosos, os irreverentes aos submissos, os temperamentais aos indiferentes, os apaixonados aos calculistas.

As super-bandas de hard rock, de uma maneira de ou outra, personificaram esse espírito. Depois dos quatro meninos bem comportados de Liverpool, o contraste não podia ser maior, quando no final dos anos 60 surge Jimi Hendrix, o artista rock por excelência em toda a sua plenitude, fosse na sua arte, na forma como se apresentava em palco, fosse na forma como vivia (excêntrica e excessivamente) em sociedade. Morreu cedo, mas inspirou todos os grandes homens do rock que se lhe seguiram. Para a história fica a célebre interpretação de Star Spangled Banner (o hino nacional dos EUA), apenas ao som da sua Fender Strato, naquela manhã do Festival de Woodstock, num acto claramente de provocação e protesto em nome de uma América revoltada com o poder político. O hard rock é o único estilo musical que desempenhou esse papel, reservado apenas àqueles que são o produto genuíno em palco e fora dele. E, sobretudo, que assumem de forma destemida esse papel.

Os Guns N’Roses foram a última dessas grandes bandas. Quando surgiram no final dos anos 80 chocaram pela sua ousadia e até perversidade. Para a história fica também aquela actuação nos MTV Music Awards de 1988, quando o mundo vê em directo Axl, Slash e companhia, com botas por fora das calças de cabedal, ostentando adereços de todo o tipo, provavelmente com alguma droga e muito álcool à mistura, a cantarem músicas de chocar e arrasar. A ingenuidade dos anos 80 (deliciosos, note-se) acabara ali. Excederam-se em tudo, mas em tudo mesmo. Criaram o Appetite for Destruction que tinha tanto de genial como de destrutivo. Foi um “turning point” para o hard rock no final dos anos 80. Mas foi mais do que isso, foi um abanão ao status quo das cores florescentes e dos yuppies.

Na altura, os GNR pegavam-se com tudo e com todos e até os Metallica chegaram a dizer que era insuportável andar em tournée com eles. Por onde passavam, era como se um furacão por lá tivesse andado, mas uma juventude em todo o mundo aclamava-os e identifica-se com o que representavam. Quando em 1992 aterraram no velho Estádio de Alvalade, na companhia dos Soundgarden de Chris Cornell e dos Faith No More de Mike Patton, estavam no auge da fama e da loucura. Não havia limites para aqueles senhores e era precisamente essa ideia que nos contagiava a todos. Eu, como tantos outros jovens que lá estávamos, vivíamos uma espécie de histeria colectiva, numa idade em que o importante era embarcar nos impossíveis. No final, foi o que se sabe. E isso também ficou para a história, porque, a verdade é que ninguém esqueceu esse concerto.

Vinte e cinco anos depois o impensável aconteceu. Sobre o (brutal) concerto em si não vou estar com grandes análises, basta ler as várias críticas que foram publicadas este Sábado e logo se percebe porque razão os GNR foram a banda que mais lucrou no ano passado em concertos. É outro nível, é outro estofo em relação aos demais “players” que por aí andam. Provavelmente, o Passeio Marítimo de Algés não voltará a ter uma banda desta magnitude carismática a actuar por ali.

Quando vivemos numa sociedade cada vez mais igual e monótona em termos de mainstream, regida pela ditadura do politicamente correcto, quase que numa lógica asséptica ao nível de pensamento e costumes, é um conforto para a alma ver uma banda de hard rock à séria a partir a “louça toda”. Axl, Slash e Duff juntos são um tónico de rebeldia e de adrenalina. Os “meninos” ficaram em casa na Sexta-feira à noite, mas no Passeio Marítimo de Algés estiveram lá 57 mil que, de uma maneira ou de outra, têm algo dentro deles que os inquieta. E é sempre bom saber que não estamos sozinhos.

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Música recente (101)

por José António Abreu, em 02.06.17

Jane Weaver, álbum Modern Kosmology.

Psicadelismo destilado em melodias pop, contornando habilmente possíveis acusações de revivalismo (22 anos de carreira atrás de Weaver ajudam neste ponto).

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The Art Of Slowing Down

por Alexandre Guerra, em 31.05.17

Arte, o único tema com direito a vídeo até ao momento. Grande malha.

 

Há uns dias, o agente do Slow J tinha-me perguntado se eu tinha gostado da “cena”. A “cena” a que ele se referia era o The Art Of Slowing Down (TAOSD), o novíssimo álbum de estreia do sadino João Batista Coelho, conhecido no mundo musical como Slow J. Eu não só gostei imenso da “cena”, como acho (a crítica ficou rendida) que estamos perante uma das melhores "cenas" feitas nos últimos anos em Portugal. É muito raro a música nacional oferecer-nos criações verdadeiramente inovadoras e disruptivas. É certo que há muita coisa com qualidade no mercado português, mas poucas merecedoras de um estatuto superior.  

 

“Eu estou aqui para fazer música nova”, disse há umas semanas este jovem de vinte e poucos anos numa entrevista ao Público. E fê-lo. Hip hop, R&B, rock, pop, electrónica, fado, semba, jazz, estão lá todos estes estilos, conciliados de uma forma irreverente e selvagem e ao mesmo tempo ordeira e precisa. É um daqueles álbuns que ouvimos com um prazer imenso na tranquilidade do lar, pela sua criatividade, pela sua qualidade, pelo rigor na produção. As letras cruas e acutilantes atingem-nos na alma.

 

(Ainda) Longe do panorama mainstream, Slow J estudou Engenharia de Som em Londres e demorou três anos a fazer este álbum. Ele já tinha criado algum buzz nos meandros da música nacional em 2015, aquando do lançamento do EP The Free Food Tape. Mas, agora, com o lançamento do álbum TAOSD, o nível é outro. Numa época de produção cultural massificada e de consumo imediato sem grande filtro crítico, é uma satisfação ver que há artistas que se entregam de corpo e alma à verdadeira criação artística.

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Música recente (100)

por José António Abreu, em 30.05.17

Joan Shelley, álbum Joan Shelley.

Um trabalho de Folk contemplativa, no qual os temas são deixados respirar e nenhuma nota - como nenhuma palavra - parece estar a mais.

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Música recente (99)

por José António Abreu, em 26.05.17

The Mountain Goats, álbum Goths.

Os Mountain Goats são basicamente John Darnielle, que, desde 1994, já lançou 16 álbuns. Vários abordam recordações da juventude, mais ou menos ficcionadas. Goths contém uma série de histórias sobre inadaptados tentando encontrar um lugar no panorama gótico das décadas de 1980 e 1990. O décimo primeiro tema intitula-se For The Portuguese Goth Metal Bands. Mesmo prestando atenção à letra, ainda não entendi bem porquê.

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Música recente (98)

por José António Abreu, em 23.05.17

Vagabon, álbum Infinite Worlds.

O primeiro álbum de Vagabon (Laetitia Tamko, 24 anos, Brooklyn) é uma pequena pérola de indy rock saltitando entre a fragilidade e a aspereza.

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Música recente (97)

por José António Abreu, em 19.05.17

Slowdive, álbum Slowdive.

Os ingleses Slowdive surgiram em 1989 e lançaram o primeiro álbum em 1991. Por esta altura haviam sido enquadrados no movimento shoegaze, já a passar de moda. Os três álbuns lançados até 1995 tiveram vendas modestas e foram recebidos com frieza pela crítica. A banda entrou em hibernação. Reanimada em 2014 (um dos primeiros concertos ocorreu no Festival Primavera Sounds, do Porto), lançou um novo álbum há um par de semanas. É constituído por oito temas dominados pelo registo langoroso, de suspensão ou queda lenta (poucas bandas terão um nome mais adequado), que caracteriza o estilo, mas apresenta um nível de bom gosto inegável e toques inesperados (inflexões na música e/ou na voz) que afastam quaisquer ameaças de monotonia.

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Black Hole Sun

por João Campos, em 19.05.17

Na adolescência, naqueles poucos anos que antecederam o Napster, o mp3 e a Internet generalizada, ainda cheguei a gravar algumas mix-tapes da rádio e dos CD a que conseguisse deitar a mão. Tinha a tendência de repetir alguns temas, duas ou três músicas que sabia querer sempre ouvir, independentemente do estado de espírito. Black Hole Sun, dos Soundgarden, era uma dessas músicas. É, ainda: mais de duas décadas separam-me da descoberta daquele single de Superunknown, um dos discos de referência do movimento grunge de Seattle, e continuo a ouvi-lo com o mesmo prazer. 

 

Não restam muitos dos grandes nomes do grunge. Kurt Cobain morreu no auge dos Nirvana, ainda na primeira metade dos anos 90. Layne Staley, dos Alice in Chains, desapareceu no início da última década. E agora perdemos Chris Cornell, vocalista dos Soundgarden naqueles anos, e mais tarde dos Audioslave. Foi com esta banda, formada com os músicos dos Rage Against the Machine, que o vi uma vez num dos melhores concertos a que assisti, com direito a uma inesquecível versão acústica desta Black Hole Sun, com Cornell sozinho em palco. Ainda não havia muitos telemóveis com câmara, pelo que desse momento não tenho outro registo que não a memória. Chega perfeitamente.

 

 

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Música recente (96)

por José António Abreu, em 16.05.17

Sylvan Esso, álbum What Now.

Os Sylvan Esso foram uma das melhores descobertas que fiz em 2014. Ao segundo álbum, Amelia Meath e Nick Sanborn mantêm a peculiaridade dos ritmos e reforçam a dose de ironia - como se pode constatar nos temas destes dois vídeos: a protagonista de Die Young vê o amor estragar-lhe os planos de morrer jovem, talvez num incêndio ou despenhando-se por uma ravina, e de levar as pessoas a chorar: "Que tragédia, tão cedo"; Radio, por seu turno, é uma crítica feroz ao mundo das pop stars que debitam temas radio-friendly com três minutos e meio de duração, embrulhada em exactamente três minutos e trinta e dois segundos de pop gloriosa.

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A hipocrisia

por Pedro Correia, em 15.05.17

 

Como sempre em Portugal, saltamos do oito para o oitenta - da indiferença total à lotação esgotada vai um curto passo. Canais de televisão que não mexeram um dedo para acompanhar o percurso da canção vencedora do Festival da Eurovisão em todo o processo que culminou com a final de Kiev, na noite de sábado, passaram a dedicar dezenas de minutos ao tema em sucessivos telediários mal soou a trombeta do triunfo.

Cidadãos que há muito se estavam nas tintas para eurofestivais soltam agora gritos de euforia, proclamando a “vitória de Portugal”, como se o destino da pátria estivesse em jogo. Políticos que nada fizeram nem fazem para instituir a educação musical no ensino público correm a colar-se à equipa vencedora, com o oportunismo de sempre.

 

Lamento, mas não alinho nestes coros colectivos nem me deixo iludir perante tamanha hipocrisia. A vitória na Eurovisão não foi “de Portugal”: foi de pessoas concretas. São essas que merecem os nossos parabéns. A Luísa Sobral, com talento e sensibilidade para conceber a letra e a música que estão a seduzir milhões de pessoas em todos os continentes. O Salvador Sobral, que tão bem interpretou a canção. O Luís Figueiredo, pianista e compositor de excepção, autor dos arranjos musicais que tanto valorizaram Amar Pelos Dois.

Não deixa de ser espantoso que os mesmos canais de televisão – incluindo a própria RTP – que promovem programas de formação e revelação de supostos novos talentos na música ligeira onde quase só se canta em mau inglês com dialecto americano sublinhem por estes dias a importância de se cantar em português. Como se só agora tivessem descoberto a musicalidade do nosso idioma – um facto tão notório desde as Cantigas de Amigo medievais até às trovas contemporâneas de um João Gilberto e um Caetano Veloso. Passando pela fabulosa lírica de Camões, toda ela digna de ser cantada.

 

Para serem consequentes, esses responsáveis televisivos que agora se derramam nos ecrãs a tecer loas à canção vitoriosa deviam anunciar desde já novos programas caça-talentos virados em exclusivo para a música portuguesa. Sob pena de toda esta euforia se esgotar num curto prazo e continuarmos a promover o tal “fogo de artifício” cénico de que muito bem falava o Salvador Sobral: miúdas e catraios aos saltinhos num palco, esganiçando-se em trinados num idioma de importação do qual mal conseguem arranhar uns refrões tontos, plastificados na forma e vazios de conteúdo.

Poupem-nos ao menos à retórica patrioteira. Para esse peditório não dou.

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Música recente (95)

por José António Abreu, em 12.05.17

Thurston Moore, álbum Rock N Roll Consciousness.

Cinco temas, o mais curto com seis minutos (no vídeo, surge amputado), o mais longo com quase doze, dos quais sete e tal puramente instrumentais. Por vezes faz pensar nas barragens de som que os Sonic Youth (de que Moore fazia parte) emitiam nos concertos ao vivo, outras vezes remete para um registo mais zen (ou talvez hippie).

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Música recente (94)

por José António Abreu, em 09.05.17

Juliana Hatfield, álbum Pussycat.

Politicamente, Donald Trump é um oportunista. Acima de tudo, quer «ganhar», pouco lhe importando como o faz ou com que políticas o faz. Duas facetas, porém, mantêm-se nele constantes: o narcisismo e o machismo. Juliana Hatfield está particularmente interessada nestes aspectos. Em Outubro passado, na sequência da divulgação do vídeo do autocarro, no qual Trump se gabava de, sendo uma celebridade, poder agarrar as mulheres «by the pussy», escreveu um artigo acerca do tema. Agora faz dele o âmago de Pussycat. Há golpes fáceis, ainda que compreensíveis (Short-Fingered Man), há referências a personagens secundárias (Kellyanne), há ironia feroz (Sex MachineRhinoceros), há derivações que alargam o âmbito muito para além de Trump (Touch You Again), mas, acima de tudo, há nojo e franqueza, num trabalho simples e directo, gravado em duas semanas, em que Juliana apenas não tocou bateria. A existir uma falha, poderá encontrar-se na doçura e no optimismo que, apesar de tudo, perpassam várias melodias (e.g., Sunny Somewhere) e, quase sempre, a voz. Mas um registo constantemente áspero e zangado (assumindo que a voz de Hatfield o conseguiria atingir) teria provavelmente tornado o álbum demasiado óbvio e unidimensional. Mesmo na crítica, convém preservar um grau de subtileza superior ao do objecto criticado.

 

(Nota: A versão do álbum não é acústica.)

 

__________

 

Dois excertos do artigo que Juliana escreveu em Outubro, para quem não estiver disposto a seguir o link acima:

 

But it’s not funny anymore. Since the Trump “pussy grab” tapes were released, I’ve found myself wanting to reach for my emergency supply of valium, which I keep mainly for plane travel to ease my visceral fear of flying. These viscera of mine are currently in a state of constant high anxiety. It’s the Trump effect: the sight of his face and/or the sound of his voice tightens the stomach, the heart, the sphincter. Everything’s clenched. Even — maybe especially — the “pussy.”

 

The venom-spewing from and around Trump is a black cloud hovering over this country. Trump has re-opened the emotional wounds of millions of people. It’s his special talent, apart from self-propagandizing and con-artistry. He stirs up bitterness, hatred, anger; he brings out the worst in people. He does it to people on both sides — all sides. There’s bile all around.

 

(...)

 

This is Trump’s frightening, dangerous power — he reminds us of the worst of human nature: the sexism and misogyny, the racism and bigotry, the blood lust, violence, vengefulness and cruelty. It’s sickening to observe the glee with which some people are letting it all out, spurred on and inflamed by Trump, like they’ve been waiting all their lives for this — for their opportunity to finally unleash their snarling dogs on everyone and everything they hate with a spitting, drooling, vomitous passion.

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Música recente (93)

por José António Abreu, em 05.05.17

Gorillaz, álbum Humanz.

Os Gorillaz foram não apenas uma excelente ideia em termos de marketing como uma forma de Damon Albarn se apoiar em convidados para dar novas roupagens ao seu pessimismo. Humanz não traz novidades substanciais (basicamente, propõe música para uma última festa antes do fim do mundo), mas leva a colaboração a um ponto talvez excessivo: os convidados definem de tal modo o som dos temas em que participam que a coesão global acaba ligeiramente prejudicada. Seja como for, entre os catorze temas da versão normal do álbum ou os dezanove da versão especial (em ambos os casos, já retirados intro e interlúdios), será difícil alguém não encontrar pelo menos meia dúzia que lhe agradem.

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Música recente (92)

por José António Abreu, em 02.05.17

Feist, álbum Pleasure.

Ao contrário do que parece suceder na maioria dos casos, a idade tem trazido inconformismo e variedade à música de Feist. Em Metals já se notava, mas a fuga às melodias pop que fizeram a fama e o sucesso de Let It Die e The Reminder torna-se ainda mais óbvia em Pleasure. Marcando uma aproximação à sonoridade de gente como PJ Harvey, não é um álbum para avaliar após uma única audição nem para usar como música de fundo.

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Música recente (91)

por José António Abreu, em 28.04.17

 

Conor Oberst, álbum Salutations.

O complemento de Ruminations. A face mais solarenga de Oberst.

 

(The modern world is a sight to see. It's a stimulant. It's pornography. It takes all my will not to turn it off.)

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Música recente (90)

por José António Abreu, em 25.04.17

Karen Elson, álbum Double Roses.

Há sete anos, quando lançou The Ghost Who Walks, Elson encontrava-se casada com Jack White. O álbum era excelente, mas permitia a dúvida, inevitável no caso de primeiros trabalhos de gente cujos parceiros têm carreira firmada, de saber até que ponto essa qualidade se lhe devia exclusivamente (ainda por cima, White fora o produtor). Incluindo canções um tudo-nada menos teatrais e colaborações tão discretas que é fácil não as detectar (em Distante Shore, a voz longínqua e esperançosa pertence a Laura Marling), Double Roses mostra que Elson não precisa de ter White por perto.

 

(O tema Wonder Blind, ao vivo.) 

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Música recente (89)

por José António Abreu, em 21.04.17

 

 Kendrick Lamar, álbum Damn.

 

 This may be hard to believe, coming from a black man, but I've never stolen anything. Never cheated on my taxes or at cards. Never snuck into the movies or failed to give back the extra change to a drugstore cashier indifferent to the ways of mercantilism and minimum-wage expectations. I've never burgled a house. Held up a liquor store. Never boarded a crowded bus or subway car, sat in the seat reserved for the elderly, pulled out my gigantic penis and masturbated to satisfaction with a perverted, yet somehow crestfallen, look on my face.

 

As frases acima não são de Kendrick Lamar. Constituem o início do livro The Sellout, de Paul Beatty, vencedor do Man Booker 2016. The Sellout é uma sátira. Aponta os problemas recorrendo ao exagero e ao ridículo. As mensagens, a estética (as poses) do hip-hop costumam ser interpretadas literalmente. Por vezes, é esta a intenção dos autores; por vezes, trata-se de distorção por parte de quem ouve (falta de capacidade de encaixe, digamos). As posições extremam-se quando a mensagem é - ou parece ser - simplista. Considere-se um exemplo típico: denunciar a violência policial sobre a comunidade negra - tema não apenas recorrente mas inevitável - exige genuinidade e que se ultrapassem as simples ameaças de retaliação; caso contrário, as críticas serão naturais e justas. O primeiro aspecto sofre quase sempre que um cantor atinge o sucesso: em gente rica, canções sobre dificuldades e discriminação soam a falso (hoje, Kanye é basicamente uma Kardashian). O segundo exige capacidade para sublimar o assunto através de formas como as que Paul Beatty utiliza magistralmente. Isto é, exige capacidade artística.

 

Kendrick Lamar tem conseguido manter um equilíbrio assinalável entre todos estes aspectos. Sonicamente, Damn é menos variado do que To Pimp a Butterfly. Ainda assim, contém momentos jazzy (Lust), colaborações inesperadas (os U2, em XXX) e subtilezas que apenas se detectam em auscultadores ou em bons sistemas de som. Evita as frases orelhudas, as declarações bombásticas e inclui momentos de ironia (por vezes, raivosa) não negligenciáveis: vejam-se as letras de Humble ou de DNA. E será também de referir que Lamar permanece um rapper do caraças, capaz de debitar palavras a um ritmo e com uma dicção fenomenais. 

 

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Carinhoso

por Patrícia Reis, em 20.04.17

 

“Carinhoso” de Pixinguinha faz cem anos. Alguns artistas, como  Zélia Duncan, Monarco, Chico Buarque, Joyce e Carminho, gravaram a canção. Aqui podem ouvir, Carinhoso de Pixinguinha, letra de Braguinha.

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Música recente (88)

por José António Abreu, em 18.04.17

The Gift, álbum Altar.

Apesar de sempre ter existido nos The Gift uma propensão para a grandiloquência, gostei bastante dos primeiros três álbuns que lançaram. Mas depois vieram o projecto Amália Hoje e o álbum Explode, e eles tornaram-se-me insuportáveis - até à semana passada. A produção de Altar esteve a cargo de Brian Eno. Podia ser apenas uma forma de, mais uma vez, a banda procurar uma audiência internacional (ambição nunca lhe faltou), mas Eno tem ideias demasiado fortes para se limitar a fazer figura de corpo presente. A voz de Sónia Tavares está lá, as teclas e os sintetizadores de Nuno Gonçalves também, mas, tirando um outro deslize, encontram-se bastante mais domados. Love without violins (excelente título) pode mesmo ser um dos melhores temas que os The Gift já criaram (o vídeo está aqui, mas o YouTube exige autenticação para acesso à versão não-censurada).

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Música recente (87)

por José António Abreu, em 14.04.17

Dia Frampton, álbum Bruises.

Um álbum intimista, a que a Hungarian Studio Orchestra adiciona dimensão e páthos.

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Música recente (86)

por José António Abreu, em 11.04.17

The New Pornographers, álbum Whiteout Conditions.

 Pode tomar-se a música dos The New Pornographers como pop simples e despretensiosa. Mas também pode dedicar-se-lhe um pouquinho mais de atenção e perceber-se a sua inteligência. Trata-se de pop lida e viajada, que usa a aparente inconsequência da pop como mecanismo de sublimação e ironia.

 

(Coisas giras do politicamente correcto: entrem na Amazon inglesa, francesa ou alemã; comecem a escrever «The New Pornographers» na caixa de pesquisa; reparem como, à medida que digitam letras, vão aparecendo e desaparecendo sugestões sem que alguma vez «The New Pornographers» esteja entre elas; notem como, a partir de «The New Porn», as sugestões desaparecem; terminem de escrever; façam Enter; percebam como existem afinal tantos resultados.)

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Música recente (85)

por José António Abreu, em 07.04.17

Goldfrapp, álbum Silver Eye.

Alison e Will saltaram da delicadeza de Felt Mountain, a estreia no ano 2000, para batidas de dança relativamente anónimas em Black Cherry e Supernature, de 2003 e 2005, respectivamente. Em 2013, de forma inesperada para mim, voltaram a terrenos intimistas com Tales of Us. Um pouco como Seventh Tree, de 2008, Silver Eye tenta unir os dois universos. Resulta bastante bem.

 

(Considerando este vídeo e os trabalhos que Laura Marling realizou para Semper Femina, há alguma tendência sazonal que eu desconheça para inserir sugestões de lesbianismo nos vídeos musicais?)

 

(Não é que me esteja a queixar...)

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Música recente (84)

por José António Abreu, em 04.04.17

Aimee Mann, álbum Mental Illness.

Whatever, primeiro álbum de Aimee Mann após os 'Til Tuesday, foi um dos dois que mais ouvi em 1993 (o outro foi Siamese Dream, dos Smashing Pumpkins). A fama de Mann, porém, surgiu apenas em 1999, quando escreveu várias canções para o filme Magnólia. De então para cá, tem lançado álbuns - uns melhores, outros piores - que insistem em manter o equilíbrio entre desencanto (ou mesmo desespero) e vontade de viver. Mental Illness conta-se entre os mais sombrios - mas também entre os melhores.

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Música recente (83)

por José António Abreu, em 31.03.17

Gnoomes, álbum Tschak!

Uma banda russa formada em Perm, cidade gélida dos Urais, outrora local de exílio para pessoas inconvenientes; uma sonoridade psicadélica, expansiva e doce; um título de álbum que remete para os Kraftwerk; um tema chamado «Cascais». O mundo é estranho.

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RH Music Box (425)

por Rui Herbon, em 31.03.17

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Autor: The Knife

 

Álbum: Tomorrow In A Year (2010)

 

Em escuta: Colouring Of Pigeons

 

 

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RH Music Box (424)

por Rui Herbon, em 30.03.17

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Autor: Philippe Nicaud

 

Álbum: Erotico... Nicaud (1970)

 

Em escuta: Séparation

 

 

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RH Music Box (423)

por Rui Herbon, em 29.03.17

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Autor: Pearls Before Swine

 

Álbum: One Nation Underground (1967)

 

Em escuta: Morning Song

 

 

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Música recente (82)

por José António Abreu, em 28.03.17

Spoon, álbum Hot Thoughts.

De entre as bandas que fazem pop/rock relativamente standard, os Spoon serão das melhores - especialmente porque conseguem ir introduzindo variações significativas de álbum para álbum.

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RH Music Box (422)

por Rui Herbon, em 28.03.17

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Autor: The Band

 

Álbum: Music From The Big Pink (1968)

 

Em escuta: The Weight

 

 

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RH Music Box (421)

por Rui Herbon, em 27.03.17

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Autor: Filho Da Mãe + Ricardo Martins

 

Álbum: Tormenta (2016)

 

Em escuta: A Tia Dela

 

 

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RH Music Box (420)

por Rui Herbon, em 26.03.17

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Autor: Nick Drake

 

Álbum: Five Leaves Left (1969)

 

Em escuta: Three Hours

 

 

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RH Music Box (419)

por Rui Herbon, em 25.03.17

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Autor: Terry Callier

 

Álbum: Occasional Rain (1972)

 

Em escuta: Golden Circle

 

 

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Música recente (81)

por José António Abreu, em 24.03.17

Depeche Mode, álbum Spirit.

A criação foge muitas vezes ao controlo dos criadores. No mês passado, Richard Spencer, norte-americano conotado com posições neo-nazis, classificou os Depeche Mode como «a banda oficial da alt-right», afirmando que a música dos ingleses contém uma «ambiguidade» que sugere a existência de «elementos «fascistas». Por pouco recomendável que o homem possa ser (foi a primeira vez que ouvi falar nele), as suas palavras merecem análise: da mesma forma que a música de Wagner, grandiloquente e ao serviço de visões de uma sociedade idílica e pura, se adequou como uma luva à mentalidade de Hitler, não é de excluir que o carácter sincopado, militarizado, da música dos Depeche Mode tenha o mesmo efeito em Spencer e noutros indivíduos com ideias similares. (E, já agora, a imagem dos elementos da banda, construída nos anos 80 com a ajuda do fotógrafo Anton Corbijn, também pode ter alguma coisa a ver com o assunto.) Há, no entanto, uma diferença importante: se sabemos que Wagner, falecido antes do nascimento de Hitler, ansiava por uma sociedade mais «pura» e tinha reservas quanto ao papel dos judeus na sociedade alemã, dificilmente os Depeche Mode poderiam ter sido mais claros na resposta às afirmações de Spencer: «He's a cunt», declarou o vocalista Dave Gahan. A situação torna-se particularmente irónica quando se ouve Spirit, o álbum lançado na passada sexta-feira. Nunca os Depeche Mode foram tão abertamente políticos e raramente mostraram tanta insatisfação. Pode até dizer-se que entram no campo apenas aparentemente oposto ao de Spencer: o do populismo de esquerda. A música é óptima (Spirit será o melhor álbum deles em muitos anos), mas não me parece descabido perguntar se, na ânsia do protesto, conterá mesmo alguns elementos totalitários. Afinal, os extremos tocam-se.

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RH Music Box (418)

por Rui Herbon, em 24.03.17

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Autor: Ikebe Shakedown

 

Álbum: Stone By Stone (2014)

 

Em escuta: By Hook Or By Crook

 

 

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RH Music Box (417)

por Rui Herbon, em 23.03.17

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Autor: Boris Gardiner

 

Álbum: Every Nigger Is A Star (1973)

 

Em escuta: Every Nigger Is A Star

 

 

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RH Music Box (416)

por Rui Herbon, em 22.03.17

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Autor: Temptations

 

Álbum: Puzzle People (1969)

 

Em escuta: Message From A Black Man

 

 

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Música recente (80)

por José António Abreu, em 21.03.17

Jay Som, álbum Everybody Works.

Há quem lhe chame bedroom pop, mas o primeiro álbum verdadeiro da californiana Melina Duterte (Turn Into, de 2016, era constituído por demos, embora bastante polidas) vai muito para além de rótulos fáceis. E, de qualquer modo, o quarto é frequentemente o local onde as pessoas meditam acerca da vida. Em especial durante a juventude.

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RH Music Box (415)

por Rui Herbon, em 21.03.17

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Autor: Bruno Pernadas

 

Álbum: How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge (2014)

 

Em escuta: Ahhhhh

 

 

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RH Music Box (414)

por Rui Herbon, em 20.03.17

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Autor: Carlos Dafé

 

Álbum: Pra Que Vou Recordar (1977)

 

Em escuta: O Metrô

 

 

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RH Music Box (413)

por Rui Herbon, em 19.03.17

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Autor: Tamba Trio

 

Álbum: Tempo (1964)

 

Em escuta: Berimbau

 

 

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RH Music Box (412)

por Rui Herbon, em 18.03.17

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Autor: Ava Rocha

 

Álbum: Ava Patrya Yndia Yracema (2015)

 

Em escuta: Boca Do Céu

 

 

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Música recente (79)

por José António Abreu, em 17.03.17

Valerie June, álbum The Order of Time.

Depois de um fantástico segundo álbum de Rhiannon Giddens, um também excelente segundo trabalho de Valerie June. É um pouco como se, em tempo de divisões político-sociais, a música com raízes na tradição (e ainda que alguns temas de The Order of Time derivem para a pop) fizesse questão de, por um lado, lembrar erros do passado que são também alertas para o futuro, e, por outro, apelar à reconquista de um sentido de comunidade e de destino partilhado. These are the songs you sing, in the search for the grass that's green, canta June em Long Lonely Road. É assim há muito, assim continuará a ser.

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RH Music Box (411)

por Rui Herbon, em 17.03.17

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Autor: Juana Molina

 

Álbum: Un Dia (2008)

 

Em escuta: Los Hongos De Marosa

 

 

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