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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 17.01.17

Mário Soares, um esboço biográfico (parte 1). De Vasco Pulido Valente, no Observador.

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Um adeus desolador

por Teresa Ribeiro, em 12.01.17

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Para mim era um dado adquirido. No dia em que Mário Soares morresse, o país sairia à rua para se despedir. Se aconteceu com Cunhal, em 2005, por maioria de razão sucederia com o principal líder da democracia, um homem que arrastou multidões e cultivou com os portugueses uma relação de proximidade que encontra paralelo só agora, com Marcelo Rebelo de Sousa.

Lisboa cumpriu bem o seu papel. Houve Sol e temperatura amena. Do ponto de vista meteorológico, Soares teve um perfeito adeus português, mas povo, nem vê-lo. Foi um choque assistir à desolação das ruas durante o cortejo fúnebre do "pai da democracia portuguesa" - conforme lhe chamou, e bem, a imprensa espanhola.

Porquê esta indiferença? Porque a memória afectiva já não é o que era e hoje faz reset de quem desaparece por mais de seis meses da televisão, do twitter e do facebook? Neste sentido, e sendo certo que não foram só comunistas a encher as ruas no funeral de Cunhal, pergunto-me: se o líder histórico do PCP tivesse morrido por estes dias haveria o mesmo banho de multidão?

A crise, que tem afastado progressivamente as pessoas dos políticos, também pode ter tido responsabilidade nesta monumental ausência. A democracia e os seus símbolos já não suscitam paixões, vê-se a cada dia que passa por toda essa Europa e Portugal não é excepção. Se é isto, o desaparecimento de Soares reveste-se de simbolismo, porque assinala o fim de um ciclo na nossa democracia. A ausência de povo na sua despedida anuncia o início de outro. Um ciclo que - temo - já nada terá de inteiro e limpo...

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Dívida de gratidão

por Diogo Noivo, em 11.01.17

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Nasci um ano após a extinção do Conselho da Revolução. E não tinha ainda dois quando Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia. Isto é, os meus primeiros anos de vida foram os últimos do processo de transição democrática.
Os processos de democratização são fases politicamente complexas, sensíveis, e pejadas de riscos. Em Espanha, por exemplo, Juan Carlos I e Adolfo Suárez foram os arquitectos e os garantes de um regime democrático e plural, homens cuja capacidade política e o compromisso com o Estado de Direito Democrático permitiram desmantelar intentonas apostadas no regresso a tempos negros, como aquela que ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1981. Em Portugal, tivemos Mário Soares. Entre outros feitos notáveis, a coragem política (e física) de Soares garantiu que Portugal não se transformava num manicómio a céu aberto, num regime de demência colectiva do qual o PREC foi uma amostra tenebrosa.

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Como escreveu Felipe González no El País do passado domingo, Soares era sobretudo um democrata, o que não é pouco. Durante a transição, Mário Soares soube traçar a linha divisória no sítio onde ela era necessária. O país não se dividia entre esquerda e direita, entre conservadores e liberais, mas sim entre democratas e gente que pretendia substituir um autoritarismo por outro. Soares, com a preciosa ajuda dos eleitores, encarregou-se de manter os últimos ao largo.
Sei que, em Portugal, os mortos são por definição puros e incontestáveis. Mas Soares cometeu erros. Confundiu muitas vezes o aparelho partidário com a estrutura estatal. E nos últimos anos cometeu erros que evidenciavam o desaparecimento do lendário faro político de outrora – a recandidatura a Belém, ver em Hollande o salvador do centro-esquerda europeu, advogar o voto em Obama como via para o encerramento de Guantánamo, alinhar com o Bloco em reuniões toscas e profundamente iliberais, enfim, erros que o talento e a intuição política do Mário Soares da transição democrática porventura não permitiriam. Porém, feitas as contas, acertou mais vezes do que se enganou. Ou, dito de outra forma, os êxitos foram de tal forma significativos que os erros não fazem muita sombra.
Nasci num país sem grandes dúvidas em relação à democracia e ao europeísmo. E isso faz com que tenha uma enorme dívida de gratidão a Mário Soares. Ao contrário de certa direita ultramontana e de alguma esquerda mumificada, assumo essa dívida com gosto e sem matizes. Hoje, num Portugal que parece ter as costas voltadas à Europa, um país onde a linha divisória traçada por Soares se encontra em parte incerta, à dívida de gratidão junta-se a saudade que nunca esperei sentir.

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Um adeus de até já

por Pedro Correia, em 10.01.17

 

Acabo de escutar as intervenções emocionadas de Isabel Soares e João Soares no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, durante as solenes exéquias do pai de ambos. Foi um momento exemplar de dignidade e elevação a que se associaram todas as instituições do Estado, todos os representantes partidários e uma galeria de ilustres convidados estrangeiros.

Somos tão invadidos pela vulgaridade e pela grunhice no nosso quotidiano mediático que quase estranhamos estes momentos de recolhimento e solenidade propícios à meditação sobre a frágil condição humana, impostos pela lei da vida e pelo luto nacional na hora em que nos despedimos de um político de excepção como Mário Soares.

Arrepiante foi escutar a lacrimosa do Requiem de Mozart naquele cenário. O mesmo em que Soares, em Junho de 1985, pôs a sua assinatura - com Felipe González, novamente hoje ali presente - na cerimónia da adesão dos dois países ibéricos à então CEE. Arrepiante também foi escutar a saudosa voz bem timbrada de Maria Barroso, que partiu ano e meio antes do marido, recitando os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste, de Álvaro Feijó.

«Quando eu morrer — e hei de morrer primeiro / Do que tu — não deixes de fechar-me os olhos / Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos / E ver-te-ás de corpo inteiro. // Como quando sorrias no meu colo. / E, ao veres que tenho toda a tua imagem / Dentro de mim, se, então, tiveres coragem, / Fecha-me os olhos com um beijo. // (...) Não um adeus distante / Ou um adeus de quem não torna cá, / Nem espera tornar. Um adeus de até já, / Como a alguém que se espera a cada instante. // Que eu voltarei. Eu sei que hei de voltar / De novo para ti, no mesmo barco / Sem remos e sem velas, pelo charco / Azul do céu, cansado de lá estar. // (...) E, se quiseres partir e o coração / To peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino / Talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino?»

Como tantos portugueses, assisto comovido à cerimónia. Ficam-me a reverberar os acordes sublimes do Requiem e as sílabas do belíssimo poema que aquela gravação de Maria Barroso projecta para a eternidade.

Tento reter estes instantes. Antes que a poluição sonora nos invada novamente o recato do domicílio, com as berrarias do futebol mescladas de música pimba, graçolas rascas e vídeos imbecis das "redes sociais". Sem estética, sem gosto, sem grandeza. Tudo ao contrário do que acabámos de escutar agora.

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In memoriam

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.01.17

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A História não se rescreve, a liberdade não se apaga.

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Hesitei antes de escrever este texto e isso raramente me acontece. E normalmente quando hesito, não escrevo. Mas, desta vez, decidi fazê-lo. Não tenho qualquer presunção de trazer mais alguma informação ao muito que tem sido escrito ou comentado sobre o percurso político de Mário Soares. Nem sequer é isso que me motiva e muito menos faço-o numa lógica de homenagem fúnebre ou de elogio póstumo ao antigo Presidente da República. Sei bem o papel que Mário Soares desempenhou na história de Portugal e de que forma é que isso se reflecte na minha vida quotidiana. Isso não esqueço e nem aqueles que prezam os valores da democracia e da liberdade devem esquecer. Sempre o considerei o maior estadista português no pós-25 de Abril, com as suas virtudes e defeitos, com os seus feitos e erros.  

 

Mas a questão não é essa. O que me levou a escrever este texto é ter percebido que na hora do adeus a Mário Soares, o povo já não está com ele. Estão os comentadores, os jornalistas e os políticos do regime, mas o povo não tem acompanhado Mário Soares na sua última caminhada. Nem sequer o povo mais idoso, o que tem uma memória mais viva dos tempos áureos da actividade daquele político. Das impressões que fui tendo desde o anúncio da morte de Mário Soares, fosse na rua, nos cafés, junto de amigos e colegas, no comboio, o tema despertou pouca comoção e muito menos debate sobre o seu legado. Podia estar errado na minha percepção, mas as transmissões televisivas desta Segunda-feira, onde fui acompanhando o cortejo fúnebre durante a manhã, confirmaram aquilo que se tornou impressivo para mim: Portugal, o do povo, não está com Soares na hora do adeus. Nas ruas de Lisboa viu-se gente acima dos 50 anos, mas poucos, muito poucos. Nos Jerónimos, igual. Quanto aos mais novos – e quando digo mais novos, estou a ser simpático para aqueles que já têm entre 30 e 40 anos –, praticamente ausentes. Jovens abaixo dos 30, nem vale a pena falar.

 

É normal em qualquer parte do mundo que à medida que os políticos vão envelhecendo se distanciem da memória das pessoas, que vão seguindo as suas vidas, no tempo presente, com as suas alegrias e problemas. As memórias políticas, essas, ficam para os protagonistas do regime que, nestes dias, se têm atropelado uns aos outros para “reagir” e mostrar toda a sua sabedoria em relação à essência de Mário Soares. Nas televisões, rádios e jornais falam uns para os outros e nem percebem que o povo está noutro registo.

 

Mário Soares é e será sempre uma grande referência para Portugal e o povo ficar-lhe-á eternamente agradecido mas, neste momento, para a maioria das pessoas, é já um apontamento histórico que há muito ficou lá atrás. Os tempos pós-modernos são assim, implacáveis na preservação de um sentimento vivo de proximidade com alguém que teve um papel importante na nossa História. As elites vão guardando essas memórias de Mário Soares e os livros de História o registo do seu papel enquanto político português, mas a verdade é que as pessoas comuns parecem cada vez menos entusiasmadas com as tradicionais figuras políticas contemporâneas, as mortas ou as vivas. E quem achar o contrário, é porque vive numa realidade alheada, preso na glória do passado, sem a noção daquilo que o rodeia no presente. E um dia vai perceber que o povo já não se lembra dele, já não quer saber... As honras do adeus serão feitas pelos decrépitos do regime.

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Digo eu

por Rui Rocha, em 09.01.17

Convidado a pronunciar-se, José Sócrates declarou que Mário Soares foi fonte de inspiração e motivação das suas acções. São afirmações graves, tanto mais que o falecido já não pode defender-se.

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O regulador da democracia

por Inês Pedrosa, em 08.01.17

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O regulador da democracia

 

         O que irreversivelmente se perde com a idade é a fé nas pessoas. O peso das decepções rasga-nos as asas e torce-nos a perspectiva. Passada a fase da inocência bruta em que dividimos o mundo em bons e maus, entramos numa zona de nevoeiro. Habituamo-nos depressa a ela porque, bem vistas as coisas, é confortável: a mistura entre o bem e o mal pode ser amarga e complicada, mas poupa-nos a má-consciência e o remorso. Sem darmos por isso, tornamo-nos desconfiados, pensando que deste modo nos defenderemos melhor das armadilhas da vida. Essa defesa é a verdadeira armadilha; tira-nos o gozo de viver, que é o da partilha, impossível sem confiança.

Conheci demasiadas pessoas que morreram sozinhas – sobretudo mulheres – porque não aceitavam ninguém perto delas: começaram por desconfiar dos amigos, depois da família, depois de qualquer mortal. Tenho um amigo que costuma dizer: «cada vez gosto mais de menos gente». O António Alçada Baptista, que teria feito 85 anos no passado dia 29, dizia que há uma tribo que se reconhece pelo gesto e pelo olhar. E dizia outra coisa muito importante: que as pessoas se dividem entre as que preferem, em qualquer circunstância, a liberdade – e as outras, maioritárias, que escolhem a segurança. Dizia-me que a razão da sua amizade profunda e indefectível por Mário Soares era essa: Soares sempre escolhera a liberdade – e escolhera-a quando essa escolha, mais do que difícil (como sempre é) era perigosa e implicava uma coragem invulgar.

A democracia portuguesa deve muito a Mário Soares; independentemente de aproximações partidárias, penso que só os que ainda acreditam na bondade das ditaduras do proletariado não serão capazes de o reconhecer. Podemos discordar dos seus pontos de vista sobre este ou aquele tema, mas é impossível não lhe reconhecer uma sabedoria política e uma argúcia inultrapassáveis.

Há sete anos discordei da sua terceira candidatura à Presidência da República pensando que a democracia exigia mudança nos cargos de poder, renovação. Mas o panorama das figuras políticas é hoje tão desolador que já não consigo pensar assim. Não é uma questão de idade: aos 50 anos Soares conseguiu impedir a guerra civil em Portugal, estabelecer no país uma democracia ocidental e integrar Portugal na Comunidade Europeia. O ensaio «autobiográfico, político e ideológico» que publicou recentemente (Mário Soares – um político assume-se – edição Temas e Debates/ Círculo de Leitores) reclama o primado da política e a sua dignificação, lembrando essa coisa básica e esquecida: a economia é uma ciência ao serviço das pessoas, não um Deus ao qual as populações devam ser imoladas.

Numa entrevista concedida a Paula Moura Pinheiro, na RTP-2, Soares explicou como aproveitou o tempo de prisão para ler, ler muito, ler continuamente – e não apenas ensaios políticos, mas romances, através dos quais ampliou o seu conhecimento da existência humana. E disse que não se pode ser um bom político sem se ler muito. A leitura afinou-lhe a inteligência e aguçou-lhe a inocência, sem a qual ninguém pode ser livre nem coisa nenhuma que valha: assim, diz tranquilamente que o problema da direita americana é que «está cheia de gente de má qualidade». É importante manter o fio dos ideais e saber distinguir a qualidade das pessoas.

Há tanta entidade reguladora de coisa nenhuma. No estado actual do país, devíamos criar para Mário Soares o lugar de regulador da democracia. Ele saberia negociar com Angela Merkel e com as troikas. Talvez até conseguisse injectar um litro de bom senso neste governo que dispensa o Carnaval.

 

 ( crónica publicada a 10.2.2012 no semanário Sol

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Um epitáfio

por Rui Rocha, em 08.01.17

As contradições de Soares salvaram o país da coerência de Cunhal.

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Avisem o PCP: o PREC já terminou

por Pedro Correia, em 08.01.17

Num gélido comunicado de onze linhas, o PCP desenterrou ontem o espírito do PREC, em que o PS liderado por Mário Soares o combateu nas colunas da imprensa, nos palcos partidários e nas ruas.

Foi há 42 anos, mas para o petrificado Secretariado comunista - o verdadeiro "colectivo" que lidera o partido - parece ter sido anteontem. Só isso explica que tenha transformado esta sucinta nota de condolências numa chocante arma de arremesso contra a memória do fundador do PS.

"O PCP regista as profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares, designadamente pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional", refere a crispada mensagem emanada da Soeiro Pereira Gomes. Omitindo, por conveniência, que em Fevereiro de 1986 Álvaro Cunhal deu instruções aos militantes comunistas para elegerem Presidente da República o homem a quem 31 anos depois o partido da foice e do martelo acusa de atentar contra a "soberania nacional".

Alguém faça o favor de comunicar ao Secretariado do PCP que o PREC já terminou.

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Não precisava de ser "formatado"

por Pedro Correia, em 08.01.17

 

Escutem com atenção os 23 minutos iniciais do frente-a-frente que opôs Freitas do Amaral a Mário Soares na primeira volta das presidenciais de 1986. Qualquer deles precisava de derrotar o outro neste debate antes de o conseguir nas urnas, por intervenção dos eleitores. Soares, com o seu conhecido instinto político, acertou na estratégia: atirou-se - metaforicamente falando - à jugular do opositor logo na sua primeira intervenção. Oitenta segundos depois, Freitas já estava encostado às cordas. Com uma frase demolidora do adversário: "Eu não tenho dúvidas em reconhecer que o Dr. Freitas do Amaral é democrata, embora não tenha feito nada pela democracia."

Não precisou de estar "formatado" - como agora se diz - por nenhum especialista em comunicação política. Bastou-lhe ser ele próprio. Consciente, como poucos, que nenhuma guerra se ganha sem travar batalhas.

Andam agora aí uns meninos cheios de pós-graduações académicas a pretender ensinar aos políticos como devem comportar-se em confrontos televisivos. Eu se fosse a eles mostrava-lhes este vídeo. Não pode haver melhor aula prática.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 07.01.17

«Mário Soares foi o credor da democracia. Quando houve o golpe militar [de 1974], tecnicamente, houve um golpe de Estado, porque é assim que se chama um aparelho que sustenta um governo e o deixa. Depois é que vem a modificação do regime. E apareceram duas correntes que também dividiram a Europa - porque havia um projecto de chegar do Atlântico aos Urais e um projecto de chegar desde Berlim até ao Atlântico. Ganhou o primeiro projecto. Mas dentro do País as duas correntes também se bateram. E quem é que impediu que perdesse a corrente da democratização? Foi o Mário Soares, com a inteira concordância do general Eanes. E essa vitória não é devidamente valorizada na herança dele. Foi uma luta enorme.»

Adriano Moreira, esta noite, na TVI24

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Gosto de pensar que foi isto

por Rui Rocha, em 07.01.17

Mário Soares era necessário "lá em cima" para lutar contra a ofensiva comunista liderada pelo recém-chegado Fidel Castro.

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Uma memória de Mário Soares

por Pedro Correia, em 07.01.17

Tenho várias - de Macau a Estrasburgo, passando por Lisboa. Mas hoje prefiro destacar a mais recente e mais singela. Esta.

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Mário Soares (1924-2017)

por Luís Menezes Leitão, em 07.01.17

É quase impossível exprimir o sentimento de perda perante o desaparecimento de Mário Soares, o verdadeiro fundador do regime democrático, que a ele deve praticamente tudo. Na verdade Mário Soares foi simultaneamente a maior figura da oposição ao regime anterior, o político combativo que enfrentou na rua a deriva totalitária durante a revolução, o homem que construiu a nossa constituição e depois aceitou revê-la num sentido mais liberalizante, e finalmente o homem que comandou a integração de Portugal na Europa. Três vezes primeiro-ministro, duas vezes presidente da república, Mário Soares é seguramente a maior figura política do actual regime constitucional.

 

Nesta hora em que nos deixa, acho que a melhor forma de o recordar é evocando as palavras de André Malraux em 1946 sobre outro grande estadista, o General de Gaulle, cuja manifestação nos Champs Elysées contra o Maio de 1968, aliás inspiraria Soares no comício da Fonte Luminosa: "Conheci um número relativamente elevado de homens de Estado, mas nenhum — e de longe — que tivesse a sua grandeza. Para compreender a sua acção é preciso não esquecer que ele é um homem de destino e que sabe que o é. O homem de um grande destino, talvez trágico, de qualquer forma dramático… Fazem-me rir todos aqueles grotescos que lhe pedem contas. Não o seguimos para sermos pagos. Ele não deve nada a ninguém". É o país em geral que tem uma dívida enorme a Mário Soares e que, neste momento em que nos deixa, deveria reconhecer adequadamente.

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O legado de Mário Soares

por Pedro Correia, em 07.01.17

 Mário Soares (com Lopes Cardoso, Salgado Zenha, Sottomayor Cardia, Francisco de Sousa Tavares e outros) na manifestação da Fonte Luminosa, em Lisboa (19 de Julho de 1975)

 

Em democracia, só existe uma forma legítima de mudar os titulares das instituições políticas: pelo voto. E quem nos ensinou isto, numa sucessão de actos exemplares durante os anos de brasa da revolução, foi um homem chamado Mário Alberto Nobre Lopes Soares, que hoje morreu aos 92 anos. Um homem que no Portugal pré-constitucional, quando a guerra civil esteve por um fio, enfrentou a "rua" com notória coragem física e um desassombro cívico que a História (com H maiúsculo) registará. A "rua", instrumentalizada pelo Partido Comunista e pela extrema-esquerda, não valia afinal mais de 15% nas urnas, como muitos concluiram com espanto ao fazer-se a contagem dos primeiros votos.

Personalidade cheia de contradições, como em regra sucede às figuras que deixam a sua impressão digital nos acontecimentos históricos, Mário Soares acertou no essencial. Ao fracturar a esquerda, deslocando-a para o centro. Ao evitar um novo conflito religioso no Portugal revolucionário, demonstrando ter aprendido as traumatizantes lições da I República. Ao apontar a Europa como novo destino português em alternativa às crepusculares rotas do império e sem demasiadas ilusões sobre as veredas da "lusofonia".

Mas o que mais lhe devemos foi ter participado na primeira linha do combate pela instauração no nosso país de uma democracia autêntica -- aquela que assenta no sufrágio livre, periódico e universal. Com argúcia e ousadia, Soares disputou a "rua" aos comunistas, desmonstrando-lhes em comícios como o da Fonte Luminosa -- como De Gaulle fizera ao promover o gigantesco desfile dos Campos Elíseos na ressaca do Maio de 68 -- que o espaço público não é uma espécie de coutada particular das forças extremistas. E nunca deixou de fazer a indispensável pedagogia da vontade popular expressa nas urnas, mesmo quando isso ia contra o ar do tempo, como sucedeu no histórico frente-a-frente televisivo com o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em 6 de Novembro de 1975.

Esse é o Soares que a História recordará.

Texto reeditado

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Entendamo-nos

por Rui Rocha, em 30.12.16

A descrição adequada para Mário Soares é a de um líder histórico e carismático da esquerda com contributos relevantíssimos para a liberdade e para a democracia que, durante o seu longo percurso político, cometeu vários erros. Infelizmente, gente atoleimada já a utilizou para referir-se a um ditador torcionário como Fidel Castro.

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Abriu os olhos, viu o Freitas do Amaral, julgou que estava no Inferno e decidiu voltar para trás.

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Há quarenta anos.

por Luís Menezes Leitão, em 06.11.15

 

Faz hoje quarenta anos que ocorreu o célebre debate Soares-Cunhal. O tema na altura, segundo os comunistas, também era saber se o PS se aliava às forças da esquerda revolucionária ou antes à direita reaccionária. Cunhal, durante o debate, bem apelou a Soares para formar governo com o PCP. Este respondeu que, se o fizesse, ganharia seguramente a medalha Lenine, mas o país entraria numa ditadura e de ditaduras já lhe chegava a de Salazar e Caetano. Haverá melhor dia para António Costa anunciar que obteve o acordo com o PCP? Medalha Lenine para António Costa e já.

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Sócrates revela-se um serzinho rancoroso

por Rui Rocha, em 17.10.15

Agora vai vingar-se de todas as visitas de Soares que teve de gramar.

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Grécia antiga (4)

por Pedro Correia, em 18.05.15

«O maior acontecimento político da semana que passou, no sentido da União Europeia, foi a vitória de Tsipras na Grécia, e o fracasso da Senhora Merkel quando quis, em vão, dominar Tsipras. (...) Quer isto dizer que a longa crise europeia está a passar e Portugal, devido ao seu governo e ao seu aliado, o Presidente da República, Cavaco Silva, não passam da cepa torta e estão no fim, como a grande maioria dos portugueses já percebeu e deseja.

Pelo contrário, o líder socialista, António Costa, manifestou-se como amigo de Tsipras. Ou seja, tudo muda na União Europeia para melhor e as políticas de austeridade, queria o governo português ou não, deixaram de ter sentido. A crise da União Europeia está a acabar.»

Mário Soares, no Diário de Notícias (3 de Fevereiro de 2015)

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Grécia antiga (2)

por Pedro Correia, em 14.05.15

«Após tantos anos de crise, a Grécia impôs-se e apesar da crise que ainda atravessa o povo grego resolveu relançar-se, ignorando a enorme dívida que ainda tem. A senhora Merkel, que tanto mal fez a toda a Europa, mas que desde as últimas eleições perdeu a maioria que tinha e agora depende dos social-democratas, quis intervir na Grécia mas isso não lhe foi permitido. A Grécia diz pretender pagar as suas dívidas quando puder, mas o importante é desenvolver-se agora, com gente nova.»

Mário Soares, na Visão (22 de Janeiro de 2015)

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Frases de 2015 (17)

por Pedro Correia, em 13.05.15

«Sócrates deve ser posto em liberdade quanto antes e com os devidos pedidos de desculpa.»

Mário Soares, ontem, no DN

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Quanto vale o apoio de Soares?

por Pedro Correia, em 06.04.15

Dizem-nos que António Sampaio da Nóvoa - um ilustre desconhecido para a esmagadora maioria dos portugueses - beneficia à partida do apoio de Mário Soares como candidato à eleição presidencial.

Mas quanto valerá este apoio? Em 2006, Soares recusou apoiar Manuel Alegre (que foi o segundo mais votado, após Cavaco Silva), concorrendo ele próprio a Belém: ficou-se por uns modestíssimos 14,3%. Em 2011, recusando novamente apoiar Alegre, optou por Fernando Nobre. Que ficou na terceira posição, com 14%.

Vale o que vale, portanto. Muito pouco.

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Frases de 2015 (6)

por Pedro Correia, em 25.02.15

«O juiz Carlos Alexandre que se cuide.»

Mário Soares

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Cada vez mais ocorre

por Pedro Correia, em 10.02.15

«Será que os procuradores da Justiça e os respectivos juízes têm sensibilidade para conhecer a indignação que cada vez mais ocorre nos portugueses que admiram Sócrates e mesmo naqueles que sem o conhecer só o estimam por saberem que foi um excepcional primeiro-ministro durante seis anos?»

Mário Soares, hoje, no DN

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 03.02.15

«A esmagadora maioria dos portugueses está indignada com a situação infame e intolerável em que se encontra José Sócrates. Nunca tantos portugueses se manifestaram em favor de José Sócrates, estando ao mesmo tempo indignados pelo que lhe aconteceu. Sintomaticamente, o Presidente Cavaco Silva não tem tido a coragem de dizer uma palavra sobre o assunto. É espantoso.

Nesta fase final de um governo incapaz e de um Presidente da República que nunca se dignou dizer uma palavra acerca de um ex-primeiro-ministro, com o qual durante tantos anos dialogou, a indignação e a solidariedade dos portugueses para com Sócrates não podia ser maior. Como se tem visto em inúmeras visitas que, de norte a sul, lhe têm feito, com enorme carinho. Valha-nos isso. E o juiz Carlos Alexandre que se cuide…»

Mário Soares, no Diário de Notícias

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Obrigado, Syriza, por trazeres alegria a anciãos

por José António Abreu, em 30.01.15

Depois da tristeza que constituiu a perda da liderança do Bloco, estes são os dias felizes de João Semedo.

Depois da tristeza que constituiu a prisão de Sócrates, estes são os dias felizes de Mário Soares.

Depois da tristeza que constituiu o 'assassinato' dos Kouachi e de Coulibaly por parte da polícia francesa, estes são os dias felizes de Boaventura Sousa Santos.

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O novo Moisés, segundo Soares

por Pedro Correia, em 29.01.15

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Como Obama, "um político de uma inteligência e visão extraordinárias", consegue aplacar "a fúria dos oceanos" baixando o preço do petróleo.

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Frases de 2015 (1)

por Pedro Correia, em 04.01.15

«Não há justiça em Portugal.»

Mário Soares

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O legado de Mário Soares

por Pedro Correia, em 07.12.14

 Mário Soares (com Lopes Cardoso, Salgado Zenha, Sottomayor Cardia, Francisco de Sousa Tavares e outros) na manifestação da Fonte Luminosa, em Lisboa (19 de Julho de 1975)

 

Em democracia, só existe uma forma legítima de mudar os titulares das instituições políticas: pelo voto. E quem nos ensinou isto, numa sucessão de actos exemplares durante os anos de brasa da revolução, foi um homem chamado Mário Alberto Nobre Lopes Soares, que hoje festeja 90 anos. Um homem que no Portugal pré-constitucional, quando a guerra civil esteve por um fio, enfrentou a "rua" com notória coragem física e um desassombro cívico que a História (com H maiúsculo) registará. A "rua", instrumentalizada pelo Partido Comunista e pela extrema-esquerda, não valia afinal mais de 15% nas urnas, como muitos concluiram com espanto ao fazer-se a contagem dos primeiros votos.

Personalidade cheia de contradições, como em regra sucede às figuras que deixam a sua impressão digital nos acontecimentos históricos, Mário Soares acertou no essencial. Ao fracturar a esquerda, deslocando-a para o centro. Ao evitar um novo conflito religioso no Portugal revolucionário, demonstrando ter aprendido as traumatizantes lições da I República. Ao apontar a Europa como novo destino português em alternativa às crepusculares rotas do império e sem demasiadas ilusões sobre as veredas da "lusofonia".

Mas o que mais lhe devemos foi ter participado na primeira linha do combate pela instauração no nosso país de uma democracia autêntica -- aquela que assenta no sufrágio livre, periódico e universal. Com argúcia e ousadia, Soares disputou a "rua" aos comunistas, desmonstrando-lhes em comícios como o da Fonte Luminosa -- como De Gaulle fizera ao promover o gigantesco desfile dos Campos Elíseos na ressaca do Maio de 68 -- que o espaço público não é uma espécie de coutada particular das forças extremistas. E nunca deixou de fazer a indispensável pedagogia da vontade popular expressa nas urnas, mesmo quando isso ia contra o ar do tempo, como sucedeu no histórico frente-a-frente televisivo com o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em 6 de Novembro de 1975.

Esse é o Soares que a História recordará.

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Mário Soares.

por Luís Menezes Leitão, em 07.12.14

 

Mário Soares faz hoje 90 anos de uma vida cheia. Nenhumas dúvidas podem existir de que é a personalidade mais marcante do regime surgido a 25 de Abril de 1974, tendo sido decisivo em vários momentos fundadores desse regime, como a implantação da democracia e a adesão à União Europeia. Na política, depois de ter vencido Álvaro Cunhal em 1975 e do falecimento prematuro de Sá Carneiro, apenas teve um único rival: Cavaco Silva. Mário Soares conseguiu mesmo terminar abruptamente com o cavaquismo no fim da sua presidência, mas já não conseguiu impedir a eleição do seu rival dez anos depois, tendo embarcado numa aventura de uma candidatura presidencial disparatada. Curiosamente, no entanto, o apagamento em que Cavaco Silva voluntariamente transformou a presidência fê-lo perder estrondosamente o seu confronto histórico com Mário Soares. Hoje os portugueses recordam com saudade os tempos da presidência de Mário Soares e estão ansiosos para que acabe o penoso mandato presidencial de Cavaco Silva.

 

Se Mário Soares não tem hoje assim ninguém que lhe dispute o lugar de personalidade mais marcante do regime, é curioso que atinja os 90 anos num momento em que o clima é de fim de regime. Mário Soares foi Primeiro-Ministro em dois períodos de austeridade severa (1976-1977 e 1983-1985), mas nenhum deles é comparável com a situação actual, na medida em que a desvalorização da moeda amorteceu os efeitos da crise. Mas depois a presidência de Mário Soares (1986-1996) ficou na memória dos portugueses como os tempos áureos deste regime, que seguramente teve o seu momento de apogeu em 1998 com a Expo. Desde então, os tempos têm sido de profunda decadência, e é seguramente penoso para Mário Soares assistir ao que se está a passar. De certa forma, a situação é semelhante ao que se passou com Álvaro Cunhal que no fim da sua vida teve que assistir ao colapso de tudo pelo que tinha arduamente batalhado.

 

Sobre Álvaro Cunhal alguém escreveu que um homem como ele mereceria ver o sol nascer no fim da sua estrada. Seguramente Mário Soares mereceria também assistir à prosperidade do regime de que é a personalidade mais marcante. É uma pena que tal não esteja a suceder. Só que, ao contrário de Álvaro Cunhal, que viveu os últimos anos da sua vida numa reclusão voluntária, Mário Soares está sempre presente e não abdica de defender as suas posições. Foi dos primeiros a visitar Sócrates em Évora e uma simples palavra sua nessa ocasião fez tremer a estratégia do PS. Enganem-se, por isso, aqueles que julgam que Mário Soares deixará de dizer o que pensa para seguir estratégias alheias.

 

Por muita discordância que tenha das posições políticas de Mário Soares, admiro profundamente o seu perfil de combatente infatigável desde os tempos da ditadura, que nem a prisão, o exílio ou agora a velhice conseguiram travar. Por isso lhe desejo: "Ad multos annos".

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O pior de dois mundos

por José António Abreu, em 27.11.14

José Sócrates foi o pior primeiro-ministro da terceira república e um dos três políticos portugueses mais importantes das últimas três décadas e meia (estou a recuar apenas até à morte de Sá Carneiro mas provavelmente poderia ir até 1974). Conseguiu-o unindo as piores características dos outros dois: Cavaco Silva e Mário Soares.

 

Como tem sido abundantemente referido, Cavaco lançou o modelo económico baseado em investimento público em infra-estruturas, desinteresse pelo sector de bens transaccionáveis, sistema de ensino mais baseado na massificação do acesso do que na qualidade, sector público cada vez maior e mais difícil de controlar. Mas Cavaco ainda pode apresentar uma desculpa: em 1985, quando chegou ao poder, Portugal era muito diferente. Justificava-se algum investimento em obras públicas, para mais quando estavam disponíveis fundos comunitários para o efeito (poucos se lembrarão mas não existia sequer uma auto-estrada completa entre Lisboa e Porto). Justificava-se claramente a reforma do sistema fiscal (uma alteração que queda esquecida, nesta época em que não convém dizer bem de Cavaco). Justificava-se a tentativa de abrir o sistema de ensino ao maior número de alunos possível, após décadas de salazarismo, ainda que fazê-lo demasiado depressa acarretasse riscos – comprovados – de quebra na qualidade. Apesar de ter sido feita por motivos eleitoralistas, justificava-se em parte a reforma do sistema retributivo da Função Pública, muito mal paga durante o salazarismo (e, sim, um país evoluído necessita de uma boa Função Pública, o que implica salários convenientes). O grande problema dos governos de Cavaco (em especial dos maioritários, em especial do segundo) foi o descontrolo em que se entrou – e (um ponto indesculpável) o desprezo a que foi votado o sector de bens transaccionáveis, com o desmantelamento forçado (começo a soar como o PC mas, de longe a longe, serve como purgante) da capacidade instalada em vários sectores, entre os quais a agricultura (hoje em crescimento). Mas, se Cavaco lançou o modelo, ninguém depois dele foi capaz de o ir corrigindo à medida das necessidades. O sector público, pejado de corporações, tornou-se demasiado forte; os empresários do regime, muitos dos quais ligados à construção civil e à banca, manobraram para que os dinheiros públicos continuassem a fluir na sua direcção; a baixa de juros conseguida com a introdução do euro iludiu toda a gente, gerando níveis insustentáveis de endividamento, potenciados durante longo tempo pelo Estado através de bonificações ao crédito e benesses em sede de impostos sobre os rendimentos. Quando Durão Barroso afirmou que o país estava «de tanga» e urgia tomar medidas desagradáveis, todos lhe caíram em cima – da comunicação social a Jorge Sampaio, passando por um Partido Socialista que saíra do poder com referências ao «pântano» mas as esqueceu de imediato para tombar no populismo e na demagogia habituais. E depois veio Sócrates. E foi então que o modelo a que Cavaco entretanto descobrira as falhas atingiu o esplendor máximo, em particular após a crise financeira internacional abrir portas à versão de que era urgente estimular a economia, devendo o controlo do défice ser preocupação para mais tarde (foi-o e todos sabemos com que consequências).

 

A influência de Mário Soares no período Sócrates é mais subtil mas ainda mais perniciosa. Soares, que sempre se moveu numa esfera de inimputabilidade, representa uma maneira de ser (talvez mais do que «agir») bastante disseminada na sociedade portuguesa, assente em grupos de amizade e troca de favores. Mais do que o socialismo, a ideologia de Mário Soares é o bem-estar pessoal e dos seus próximos. Daí não ter tido quaisquer problemas em, enquanto primeiro-ministro, implementar medidas do FMI similares às que nos últimos anos criticou. Daí nunca ter mostrado reticências em dar preferência a pessoas e organizações fora do quadrante ideológico a que presumivelmente pertence – pense-se em Savimbi e na UNITA. Soares move-se num mundo onde os que estão do lado dele são intrinsecamente bons e não merecem sujeitar-se às minudências das regras – ou mesmo (veja-se Craxi ou as declarações actuais sobre a detenção de Sócrates) das leis. Move-se também num mundo cosmopolita, de ideias e frases (feitas) grandiosas. É um bon vivant. Embora consiga mostrar-se à vontade entre o «povo» (num registo apenas ocasionalmente manchado por uma certa condescendência), aprecia dar-se com pessoas importantes e faz questão de que se saiba que o faz (mon ami Mitterrand). Muitos já o afirmaram: mais do que as diferenças políticas (durante muito tempo, tão ligeiras quanto as diferenças entre o estilo de governação tradicional dos governos do PS e do PSD), foi esta faceta que o afastou de Cavaco. Para Soares, Cavaco era – e é – plebeu, inculto, grosseiro (relembre-se a famosa fatia de bolo-rei). Nada como Soares, como os seus amigos socialistas ou mesmo como os líderes anteriores do PSD. E, no entanto, carregado com todos estes defeitos, vindo de fora do sistema (Cavaco afirma frequentemente não ser um político, o que é quase verdade quando o seu percurso é comparado ao de Soares), Cavaco retirou Soares e os seus do poder, conseguindo a então quase mítica maioria absoluta. Imperdoável. Anos mais tarde, para tentar impedir Cavaco de chegar a Belém, Soares incompatibilizar-se-ia mesmo com um velho amigo, Manuel Alegre, sofrendo a sua mais estrondosa derrota política (como deve ter doído a um homem que cruzou armas com – e venceu, apesar de pelo menos num dos casos tal ter sucedido por falta de comparência – políticos da estirpe de Álvaro Cunhal e Sá Carneiro). Hoje, quando a idade já não lhe permite alinhavar as ideias de forma a criar uma versão inteiramente coerente e pessoalmente vantajosa de acontecimentos que lhe desagradam (algo em que Sócrates é mestre), alguns acusam Soares de senilidade. Não nos conceitos por trás do discurso. Os conceitos são os de sempre: ele e aqueles que lhe agradam são impolutos e, acima de tudo, intocáveis.

 

José Sócrates constitui a pior amálgama possível das características dos dois – e, por conseguinte, o pináculo dos piores defeitos nacionais. De Cavaco, herdou a tendência autoritária (que, no fundo, embora em registo soft, Soares também possui), levando-a muito para além do que deveria ser politicamente (e talvez criminalmente) aceitável. Em ambos, vislumbra-se a sombra de um Salazar que ainda há não muitos anos foi eleito o maior português do século XX. Terem sido os únicos a conseguir maiorias absolutas para os seus partidos é sinal revelador da necessidade de pastoreio que os portugueses continuam a sentir. Sócrates herdou também de Cavaco a tendência para meter o Estado em todos os recantos da actividade económica e não vale a pena pretender que, num caso como no outro, isso não originou corrupção. Mas Cavaco tinha – ou parecia ter – mais um ponto em comum com Salazar: a frugalidade. Esta é uma característica que Sócrates, crescido no país novo-rico que as políticas de Cavaco originaram, claramente dispensa. Pelo contrário: como Soares, Sócrates quer viver da forma a que julga ter direito. Quer dar-se com pessoas importantes (à falta de Mitterrand, arranjam-se Chávez e Kadhafi), vestir e comer bem, ser olhado com admiração (uma diferença substancial em relação a Soares – e Cavaco: confunde admiração com temor ou, pior, até gosta de ser temido). Quer decidir, conceder favores, controlar tudo. São estes factores, e não convicções ideológicas, que o levam a aumentar o papel do Estado na Economia (um Estado grande faz com que Sócrates seja mais necessário, mais bajulado – em suma, mais poderoso) e também às manobras para controlar a comunicação social. Está no centro de um grupo de «amigos» (talvez sem aspas, não sei) que surgem em inúmeros negócios com o Estado ou controlam neste posições-chave. Atira meia dúzia de ossos à esquerda (as «causas fracturantes») e mantém um discurso de defesa do Estado Social enquanto gere o interesse público com os amigos e em função deles. (Cavaco também teve um círculo de amigos de carácter duvidoso mas nunca pareceu privilegiá-los, pelo menos durante o tempo em que exerceu funções públicas – a dada altura, até parecia farto deles.) Apanhado na teia de vários escândalos, escapa às questões da Justiça, onde alguns dos referidos amigos ocupam posição de poder, e responde às da comunicação social com a assinalável capacidade para, independentemente do teor das perguntas, repetir ad nauseum e em tom ultrajado meia dúzia de frases feitas. Estávamos nos tempos em que a comunicação social já era abjecta (enfim, alguma comunicação social, que outra, por convicção, interesse ou medo, continuava a apoiá-lo) mas em que a Justiça, dispensando-o das explicações (até poderia estar inocente mas a acumulação de indícios era excessiva para tamanha indiferença), decidia bem. Hoje, que lhas pediu, a Justiça é um antro de conspiradores. Dizem-no os seus amigos. Di-lo o seu mais dilecto pai espiritual, Mário Soares. Estão todos certos. Gente superior não merece tal tratamento. Merece passar por entre as gotas da chuva - e ser aplaudida, em vez de questionada, por tão fabulosa capacidade.

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A tragédia do PS.

por Luís Menezes Leitão, em 27.11.14

 

Depois de Mário Soares, apenas José Sócrates conseguiu atingir o estatuto de líder incontestado do PS. Efectivamente, a sombra de Mário Soares pairou sempre sobre todos os outros líderes do PS. Constâncio demitiu-se, acusando Mário Soares de interferência na sua liderança. Depois Soares apoiou a ascensão de Guterres contra Jorge Sampaio, para logo a seguir patrocinar um Congresso "Portugal, que futuro?", destinado a demonstrar que era melhor líder da oposição que Guterres. Quando Guterres chegou a Primeiro-Ministro, Mário Soares chegou ao ponto de declarar estar contra a regionalização no referendo patrocinado por Guterres.

 

Já José Sócrates chegou ao poder apoiado numa forte maioria absoluta, o que lhe deu uma legitimidade própria, que pela primeira vez permitia a um líder do PS sair da sombra de Soares. José Sócrates, porém, nunca afrontou Soares, tendo inclusivamente aceite apoiar uma sua recandidatura à presidência, aos 81 anos, quando era evidente que não tinha quaisquer condições de derrotar Cavaco Silva. É por isso normalíssimo que Soares tenha ido espontaneamente a Évora visitar Sócrates, o que só demonstra elevação de carácter. Soares nunca deixa cair os seus amigos, tendo mesmo, quando era Presidente da República, visitado Bettino Craxi no seu exílio na Tunísia em fuga às condenações da justiça italiana. Outros políticos podem preocupar-se com a sua imagem pessoal ou com as conveniências partidárias. Soares não se move por esses critérios.

 

Curiosamente Sócrates acabou por deixar sobre o PS uma sombra semelhante à de Soares. António José Seguro era opositor declarado de Sócrates e bem lutou contra a sua influência no partido, mas os apoiantes de Sócrates acusaram-no sistematicamente de pôr em causa o legado do seu querido líder. Apesar dos insistentes pedidos destes, António Costa recusou-se sistematicamente a avançar, até ao momento em que percebeu, na noite das europeias, que António José Seguro já tinha conseguido consolidar a recuperação do PS e iria ser o próximo Primeiro-Ministro, o que quebraria definitivamente a influência de Sócrates.  António Costa minimizou por isso a vitória eleitoral, dizendo que lhe "sabia a pouco" em comparação com os resultados conseguidos por Sócrates. Bastou essa declaração para que o PS lhe caísse nos braços, saudoso dos tempos gloriosos do anterior líder. Eduardo Ferro Rodrigues proclamou logo no Parlamento que o legado de Sócrates voltava a ser respeitado no partido.

 

É por isso que, Independentemente da presunção de inocência do visado, a detenção de José Sócrates é politicamente mortífera para o PS. Quando tinha acabado de proclamar o retorno ao legado de Sócrates, a última coisa de que este partido precisava era de ser confrontado com acusações de corrupção no governo cujas qualidades não cessava de louvar. Precisamente por isso vários militantes começaram mais uma vez a enveredar por teses da cabala, levando a que António Costa tivesse que comandar as hostes, ordenando a todos os militantes que se afastassem de Sócrates para preservar o PS da situação que o envolvia.

 

Só que se assistiu imediatamente a uma revolta em directo protagonizada por Mário Soares. Este foi imediatamente visitar Sócrates à prisão e proclamou do alto dos seus jubilosos 90 anos que "todo o PS está contra esta bandalheira". António Costa sentiu claramente o desafio, assim como antes dele já tinham sentido Constâncio, Sampaio e Guterres, mas permaneceu mudo e quedo perante este ataque de Mário Soares que poderia incendiar o PS contra ele próprio.

 

Curiosamente, quem sentiu necessidade de reagir em auxílio de António Costa foi o próprio Sócrates. Num inédito comunicado, proferido ao início da noite, proclamou: "Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia". 

 

O que se passou ontem revela assim que não só António Costa não escapa à sombra de Soares, ao contrário do que sucedia com Sócrates, como também que, mesmo a partir da prisão, a sombra de Sócrates paira igualmente sobre a sua liderança. Uma verdadeira tragédia para o PS na altura em que tudo apontava para uma ascensão imparável em direcção ao poder. António José Seguro é que se deve estar a rir.

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LOL

por Rui Rocha, em 26.11.14

"Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado", disse Soares, interrogando-se: "Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?"
Mário Soares, Outubro de 2014

"Isto não tem nada a ver com os socialistas, tem a ver com os malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar."

Mário Soares, Novembro de 2014

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A cabala (8)

por Pedro Correia, em 26.11.14

«Isto é tudo uma malandrice que lhe estão a fazer [a José Sócrates].»

 

«Toda a gente acredita na inocência dele!»

 

«Isto não é outra coisa que não seja um caso político!»

 

«Estes malandros estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar!»

 

«Todo o PS está contra esta bandalheira!»

 

Mário Soares (há pouco, à saída do estabelecimento prisional de Évora)

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A cabala (5)

por Pedro Correia, em 25.11.14

«Sábado o País foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados. O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um anormal aparato fortemente lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão.»

 

«Também não pode passar em vão o espectáculo mediático que a comunicação social tem feito, violando também ela o segredo de justiça ao revelar factos que era suposto só serem conhecidos quando um juiz se pronunciasse.»

 

«Ninguém sabe se a Procuradora-Geral da República foi quem comandou a polícia que actuou.»

 

Mário Soares (DN, 25 de Novembro)

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A Avenida da Liberdade está para peixes

por Rui Rocha, em 28.10.14

Como se sabe, o petróleo que os magnatas dos mercados americanos tanto exploraram para ganhar mais dinheiro subitamente começou a valer menos. Diremos mesmo muito menos. Tem isso que ver talvez com o aumento da exploração do xisto ou com as dificuldades climáticas que estão nos últimos tempos a criar grandes problemas nos diversos continentes. Nunca houve tantos tufões, no Japão, por exemplo, tantas catástrofes, nas Filipinas e em muitos outros países. Na Europa, em quase todos os Estados, houve chuvadas e inundações imensas. Portugal não foi exceção com peixes que desceram, não se sabe como, a Avenida da Liberdade. Tudo é estranhíssimo nos tempos que correm...

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Frases de 2014 (27)

por Pedro Correia, em 14.10.14

«Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?»

Mário Soares, sobre Isaltino Morais

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Um naco precioso de análise política

por Rui Rocha, em 30.09.14

Sempre considerei que o mês de setembro ia dar uma grande volta à situação económica e política portuguesa. Agosto foram as praias, por sinal com águas muito frias.

Mário Soares, no Diário de Notícias

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Frases de 2014 (25)

por Pedro Correia, em 25.09.14

«Portugal pode estar a caminhar para uma situação em que todos os ministros tenham de sair do País.»

Mário Soares

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Leituras

por Pedro Correia, em 31.08.14

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«Tuvo largos y cordiales encuentros con um Mário Soares descreído o desencantado. En uno de ellos, el jefe de Gobierno portugués le dijo una frase que después el español repetia con alguna frecuencia, sobre todo en los momentos de desolación o incomprensión por parte de la oposición. Sonaba así, en un español aportuguesado: "Desengáñese, Suárez, a política é merda, e os políticos son as moscas".»

Fernando Ónega, Puedo Prometer y Prometo - Mis años con Adolfo Suárez, p. 228

Ed. Plaza & Janés, Barcelona, 2013

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Profetas da nossa terra (46)

por Pedro Correia, em 21.07.14

«Passos Coelho é uma pessoa bem intencionada com quem se pode falar.»

Mário Soares, 23 de Abril de 2011

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Profetas da nossa terra (36)

por Pedro Correia, em 11.06.14

«Vitória de Hollande é uma janela aberta de esperança.»

Mário Soares, 24 de Abril de 2012

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Mudam-se os tempos

por Pedro Correia, em 09.06.14

Mário Soares, Maio de 2010.

Sobre medidas impopulares do Governo PS: «São absolutamente necessárias, porque sem elas Portugal poderia ficar numa situação difícil e, até pior, sem meios para poder pagar aos seus funcionários.»

Sobre a austeridade: «Não sou só eu que acho que estas medidas de austeridade eram imprescindíveis. Também acha isso toda a Europa e todo o Portugal culto, que está informado das coisas.»

Sobre Pedro Passos Coelho: «Conheço Pedro Passos Coelho e considero-o um homem muito sensato, lúcido e com um grande sentido de Estado. E o que os políticos precisam de ter nesta altura é um grande sentido de Estado.»

 

Mário Soares, Maio de 2013.

Sobre medidas impopulares do Governo PSD-CDS: «É de loucos. E há quem pense que este Governo, anticonstitucional, está a destruir o país, o Estado social e a democracia, como é evidente, é legítimo porque foi eleito. Esquecerá, essa luminária, que Hitler e Mussolini também foram eleitos e isso não os impediu de produzir os estragos que são conhecidos?»

Sobre a austeridade: «Que pensam o primeiro-ministro e os ministros e secretários de Estado quanto ao futuro? Certamente julgam que vão poder fugir para o estrangeiro, porventura bem providos com o dinheiro que amealharam, enquanto o tiraram ao povo?»

Sobre Pedro Passos Coelho: «Grande demagogo, que cada vez que fala diz coisas diferentes e que tem prometido tudo e o seu contrário, ignorando os milhares de portugueses.»

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Sócrates tem tido esquecimentos imperdoáveis e actos inúteis que vão custar-lhe caro.

15 de Março de 2011

 

Sócrates é um líder que ganhou uma experiência excepcional» e que «tem amigos na europa». o homem em torno do qual o PS se deve unir.

29 de Maio de 2011

 

Conheço Pedro Passos Coelho e considero-o um homem muito sensato, lúcido e com um grande sentido de Estado. E o que os políticos precisam de ter nesta altura é um grande sentido de Estado, defendendo sempre o interesse nacional, porque nesta altura é Portugal e a Europa que estão em causa.

15 de Maio de 2010

 

Atitude de Passos Coelho é reveladora de falta de sensibilidade e de vergonha.

9 de Outubro de 2012

 

PS continua fiel aos valores, Seguro é um bom líder.

19 de Abril de 2013

 

António José Seguro protagoniza um estilo de liderança que não suscita a adesão dos eleitores, que pouco tem a ver com a identidade do partido e que peca pelo excesso de fulanização.

29 de Maio de 2014

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Profetas da nossa terra (30)

por Pedro Correia, em 29.05.14

«[O Presidente da República] pode fazer um governo de salvação nacional, só com independentes, sem partidos, já que não quer eleições. Há muitos, como Silva Peneda e outros.»

Mário Soares, 18 de Julho de 2013

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Melhor do que qualquer sondagem

por Pedro Correia, em 26.05.14

Mário Soares: «PS vai ganhar mas não por muito.» (10 de Maio)

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À atenção de Mário Soares

por Pedro Correia, em 15.05.14

O ex-líder socialista espanhol Felipe González, que foi presidente do Governo entre 1982 e 1996, admite que venha a ser formado um executivo de bloco central em Madrid. Tendo em atenção não interesses partidários de qualquer espécie mas apenas o interesse de Espanha.

"Não está demonstrado que a dispersão do voto, que é legítima, ajude a solucionar os grandes problemas do país", declarou González, apontando o precedente da Alemanha, onde conservadores e sociais-democratas governam em coligação desde as legislativas do ano passado.

"Devem fazer [uma coligação] se o país necessitar", observou o ex-chefe do Governo, referindo-se ao Partido Popular e ao Partido Socialista Operário Espanhol.

Um bom conselho que não deverá deixar de ser partilhado por Mário Soares, precursor em Portugal de coligações entre o PS e o CDS, por um lado, e entre o PS e o PSD, por outro.

 

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Frases de 2014 (10)

por Pedro Correia, em 05.05.14

«Neste momento não há direitos humanos em Portugal.»

Mário Soares

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